O desafio de "esverdear" as grandes produções de cinema
por
Chiara Abreu
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09/06/2026 - 12h

Você já parou para pensar na pegada de carbono deixada por um filme de ação? Produções como "O Espetacular Homem-Aranha 2" e "Mad Max: Estrada da Fúria" já adotam práticas como o uso de painéis solares e luz natural para reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Neste vídeo, exploramos os bastidores da produção eco-responsável a partir de uma conversa com a especialista Carol Marzagão, exclusiva  para AGEMT. Confira reportagem completa em vídeo

Categoria criada com expertise de brasileiro busca conscientizar o público sobre o meio ambiente sem abrir mão da emoção na pista
por
Vítor Nhoatto
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09/06/2026 - 12h

Ultrapassagens de tirar o fôlego, velocidades para além dos 300km/h e a diferença de milissegundos entre os pilotos que fazem o coração disparar. Emoções comumente associadas à Fórmula 1 quando se fala de automobilismo, mas que também são intrínsecas à Fórmula E, a primeira categoria de monopostos 100% elétricos do mundo.

A ideia de criar um campeonato automobilístico internacional de alto nível sem usar combustível começou há mais de uma década. O ano era 2011, já haviam sido realizadas 16 conferências do clima (COP) e o primeiro carro elétrico de produção em massa havia sido lançado pela Nissan. Com isso em mente, o então presidente da Federação Internacional do Automóvel (FIA), Jean Todt, e o empresário entusiasta do automobilismo, Alejandro Agag, esboçaram em um guardanapo de um restaurante em Paris o que seria a Fórmula E.

O objetivo central era simples e, ao mesmo tempo, audacioso: mostrar que a mobilidade sustentável é capaz, segura e emocionante, advogando por um futuro mais limpo e sustentável. Realizadas estrategicamente nos grandes centros urbanos, as corridas buscam conscientizar o público sobre as mudanças climáticas e incentivar o uso de carros elétricos.

Com o sinal verde da FIA, os trabalhos começaram. Agag se tornou o CEO, enquanto o piloto brasileiro Lucas Di Grassi foi fundamental para o desenvolvimento técnico, cocriando e pilotando o primeiro protótipo em 2012. Dois anos mais tarde, a Fórmula E estreou oficialmente com o ePrix de Pequim, na China.

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Atualmente dois brasileiros integram o time de pilotos da Fórmula E: Lucas di Grassi e Felipe Drugovich, que terminou em segundo lugar no GP de Mônaco, realizado em 17 de maio - Foto: Vítor Nhoatto/AGEMT

De lá para cá os números da competição não pararam de crescer. Em 2019, a categoria ganhou o status de campeonato mundial pela FIA e fabricantes de peso como Porsche e Jaguar ingressaram no grid. Na temporada atual (2025/2026) já foram 17 corridas em 10 países, quase o dobro da primeira edição. Por outro lado, as emissões de CO2 da categoria diminuíram consecutivamente de uma edição para outra, 24% entre a quinta e a oitava temporada, segundo relatório de sustentabilidade da FIA.

Isso torna a FE, desde 2023, o “esporte mais sustentável do mundo” de acordo com a Global Sustainability Benchmark in Sports. A divisão também possui o selo ISO de três estrelas de sustentabilidade graças ao uso de materiais reciclados nos carros e à reciclabilidade deles no seu fim de vida, inclusive das baterias, medidas que visam diminuir a pegada de carbono da logística do evento, responsável por 99% das emissões.

Além disso, a Fórmula E é signatária da agenda da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre emissão neutra de carbono no mundo até 2050. Desde 2020, tornou-se o primeiro esporte internacional certificado como carbono neutro do mundo. Isso se deve à compensação das emissões com iniciativas ao redor do mundo, mas com o objetivo de reduzir a pegada de carbono de modo geral, 60% até 2030, de acordo com a FIA.

Já na pista, a diferença é primordialmente o barulho e o cheiro. O ruído produzido pelos motores elétricos é mais amigável do que o dos motores a combustão, enquanto o cheiro predominante é o da borracha queimada dos pneus para todos os climas, em vez da poluente gasolina.

E ao contrário do que alguns podem imaginar, a emoção está longe de ser menor, como comenta Régis Gourdon, ex-piloto da Porsche Carrera Cup France e fundador da equipe de corrida racing Technology: “Eu amo automobilismo, o pratiquei por anos, e a Fórmula E é muito interessante, além de importante para as nossas crianças, uma boa solução para o futuro”.

Do alto de seus 66 anos de carreira com passagem por muitos circuitos, ele garante que os elétricos são muito bons de pilotar e empolgantes de assistir, destacando que todo ano vem ao lendário circuito de Mônaco para assistir a Fórmula 1 e a Fórmula E. 

Em relação aos carros, os números evoluíram massivamente na categoria. A chamada Gen1 começou com 270 cavalos, 225km/h de velocidade máxima e um 0 a 100 em 3 segundos. Hoje, a Gen3 Evo alcança 470 cavalos, 320km/h e impressionantes 1,86 segundos, mais rápido que um carro de Fórmula 1. 

Na prática, esses números se traduzem em momentos ainda mais emocionantes devido ao maior número de ultrapassagens, ao torque instantâneo que só um elétrico consegue proporcionar, e ao chamado “Attack Mode”, que pode ser usado em determinados momentos da corrida como um turbo, um acréscimo de 50 kW de potência (cerca de 67 cavalos).

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Gen 3 Evo é o atual modelo usado nas corridas, surpreendendo por uma performance singular no mundo das corridas - Foto: Vítor Nhoatto/AGEMT

“20 anos atrás eu comprei um carro elétrico, era um dos únicos na França com um na época, e eles são muito bons de pilotar, um pouco pesados, mas fantásticos”, destaca Gourdon. 

Nesse quesito, o número de telespectadores do evento cresceu 14% entre as temporadas 2023/2024 e 2024/2025, atingindo mais de 560 milhões de pessoas. A categoria também ampliou sua presença global, com corridas acontecendo em diversas  partes do mundo, incluindo São Paulo desde a temporada de 2022/2023.

Loredana Ernst, belga de 27 anos de idade apaixonada pelo mundo das quatro rodas, é um exemplo dessa pluralidade e crescimento da modalidade. Pela primeira vez, a atriz esteve em Mônaco para acompanhar uma corrida, justamente dos monopostos elétricos.

“Eu acompanho a Fórmula E faz alguns anos já e realmente adoro a categoria [...] e acho que a primeira vez que fiquei sabendo dela foi quando Stoffel Vandoorne entrou na Fórmula E, porque ele era da Fórmula 1 e é um piloto belga, então eu acompanho ele”

Outra frente importante pensada por Todt e Agag desde a criação da categoria era trazer grandes nomes do automobilismo com o intuito de quebrar a barreira cultural em relação à aceitação dos carros elétricos. Nomes como Pierre Gasly, da Fórmula 1, o tricampeão das 24 horas de Le Mans, Brendon Hartley e o brasileiro Felipe Massa, já integraram o time de pilotos da FE.

No quesito escuderias, atualmente nomes como Jaguar, Andretti, Citroën e Nissan integram as 10 participantes, e a modalidade já teve a presença da Renault, McLaren e Maserati, por exemplo. Além disso, os elétricos proporcionaram o histórico embate direto entre as quatro grandes fabricantes alemãs durante a temporada 2019/2020, com Audi, BMW, Mercedes e Porsche no grid.

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Curvas extremas, derrapadas que levam os carros ao limite, ultrapassagens acirradas e às vezes acidentes, destacam o quão capaz e segura a tecnologia elétrica é. Foto: Vítor Nhoatto/AGEMT

Ernst, que mora perto do circuito de Spa-Francorchamps, na Bélgica, comenta que assistiu a uma corrida da FE pela primeira vez no ano passado, em Berlim, e lembra da sustentabilidade da modalidade sem abrir mão da emoção, mesmo com essa provocada de um jeito diferente. 

“O som por exemplo, é algo totalmente diferente, e eu honestamente gosto de ambos, e acho muito legal a Fórmula E ser essa alternativa sustentável a Fórmula 1. Eu já me preocupo com sustentabilidade no meu dia a dia, e para visitar realmente prefiro a Fórmula E inclusive”.

Ao contrário do que se pode imaginar, já que carros elétricos comuns não fazem barulho, os monopostos da competição emitem um som de cerca de 80 decibéis, mais alto que um carro a combustão convencional. Remetendo a filmes futuristas como Tron, são envolventes,  direcionando a emoção para as acirradas ultrapassagens e arrancadas ao longo da corrida, que dura 45 minutos. 

Nesse aspecto, a duração da prova é calculada para contemplar uma carga completa sem paradas para recarga ou troca de carros, como acontecia até a temporada de 2017/2018 com os carros da Gen1. A emoção é atiçada pelo uso estratégico da bateria, desse modo, administrada pelos pilotos que devem usar com sabedoria o “Attack Mode”, e os veículos recuperam até 40% da carga durante a corrida devido às frenagens, que transformam força cinética em elétrica.

Cada etapa consiste em dois treinos livres e sessões qualificatórias pela manhã, enquanto a corrida acontece após o intervalo para o almoço.  O sistema de pontuação segue o padrão estabelecido pela FIA para eventos internacionais. O primeiro lugar recebe 25 pontos, o segundo 18 e o terceiro 15. Do quarto lugar até o décimo são 12, 10, 8, 6, 4, 2 e 1 ponto, respectivamente. Mas algo exclusivo da FE são os pontos extras, 3 pela pole position e 1 pela volta mais rápida, desde que o piloto termine no top 10. 

A temporada 2025/2026 começou com o ePrix de São Paulo, em dezembro, sendo a última com os carros da Gen3 Evo, dando lugar aos Gen4, que prometem revolucionar a categoria. Com 804 cavalos de potência e 335 km/h de velocidade máxima, crescem em tamanho e se aproximam visualmente dos carros da Fórmula 1, ao mesmo tempo que abraçam o conceito de economia circular, sendo 100% recicláveis.

Professor de geografia alerta sobre os desafios da crise climática
por
Anna Sofia Carsughi
Larissa Viana
Olivia Ferreira
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08/06/2026 - 12h

O Brasil prevê a chegada em julho, mas o pico do “El Niño" acontecerá na primavera. O fenômeno “El Niño", resultado das variações de ventos e temperaturas do mar no oceano Pacífico. O evento climático, que costuma ocorrer no final do ano, antecipou sua chegada e traz diversos efeitos ao redor do mundo. No Brasil, as cinco regiões do país sofrem com diferentes consequências do aquecimento anormal das águas. O caráter de incerteza na intensidade do fenômeno provoca nos especialistas alarde e preocupação com as possíveis medidas de precaução a serem tomadas. Assista a entrevista em vídeo.

Setor registrou crescimento de 29% em 2023, mas 24 empreendimentos comunitários apoiados pela FAS faturaram juntos R$ 2 milhões
por
Lueny Gomes
Vinícius Evangelista
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21/05/2026 - 12h

O turismo no Amazonas gerou R$ 942 milhões em 2023, segundo a Amazonastur, com alta de 370% no fluxo de turistas estrangeiros. No mesmo ano, 24 pequenos empreendimentos comunitários dentro de reservas de desenvolvimento sustentável faturaram, juntos, pouco mais de R$ 2 milhões, recebendo cerca de 3.200 visitantes, de acordo com dados da Fundação Amazônia Sustentável. A distância entre os dois números resume o problema que este podcast investiga: quem, de fato, lucra com o ecoturismo amazônico. Ouça agora

 

 

Com mais de 1 milhão de habitantes a maior cidade do Brasil vem criando insatisfação com a falta de áreas verdes em zonas periféricas
por
Eduardo Bettini
Giovanna Hagger
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27/04/2026 - 12h

Guarulhos expõe um desequilíbrio na arborização urbana. Enquanto o principal parque da cidade reúne extensa cobertura vegetal e uma mata nativa remanescente da Mata Atlântica, bairros mais periféricos apresentam menor presença de natureza. O Bosque Maia, fundado em 1972, com cerca de 170 mil metros quadrados, é um dos principais pontos de lazer para os cidadãos. Localizado na região central da cidade conta com diversas espécies nativas, como Ipês, Pau Brasil e Pitangueira. A presença significativa de árvores contribui para a redução de temperatura local, melhorando a qualidade do ar e abafa os ruídos que o ambiente urbano proporciona, fatores diretamente associados a qualidade devida da população.  Apesar de no centro ter uma grande quantidade de árvores, em alguns casos a arborização é bem escassa ou até inexistente, a falta de planejamento voltado à expansão de áreas verdes intensifica problemas como ilhas de calor, aumento da poluição e gera um déficit de áreas de lazer. 

Levantamentos feitos pela Prefeitura de Guarulhos indicam que a arborização urbana ainda se concentra em locais com maior infraestrutura e investimento público. Este padrão reforça a desigualdade histórica no desenvolvimento da cidade, em que áreas centrais e turísticas recebem mais atenção em projetos de urbanização, enquanto periferias enfrentam carências de serviços sociais básicos, incluindo a falta de vegetação. 

Imagem do google Maps do Bosque Maia
Imagem Google Maps satélite- região Bosque Maia

 

Imagem periferia
Imagem google Maps - Região periférica 

 A diferença de verde nas regiões impacta diretamente a vida dos moradores. No caso de Guarulhos, o segundo lugar mais arbóreo do município, a Lagoa dos Patos, tem uma temperatura amena, favorecendo a população ao redor ter uma melhor qualidade de vida. Já em bairros com pouca cobertura vegetal, o excesso de concreto contribui para o aumento da temperatura e a diminuição do conforto térmico, sobretudo em períodos de calor intenso. 'Em periferias a escassez desses ambientes limita o acesso da população a esses benefícios que deveriam ser acessíveis a todos, pois preciso ir de carro ou pegar ônibus para chegar lá", desabafa à AGEMT a estudante Camilla Macedo, moradora de Taboão.    

"Minha região é muito conhecida pela quantidade de lojas e mercados, mas ela em si é escassa de arborização. É um local muito movimentado, porém quase impossível de andar no calor.’’  E acrescenta: "eu frequento muito o centro de Guarulhos e principalmente essa região do bosque Maia e é surreal a diferença de temperatura", diz.

Um estudo da UNICRUZ comprova que a presença de árvores na cidade ajudam na qualidade de vida das pessoas que lá habitam, “Eu acho que se tivéssemos mais da natureza, no nosso dia a dia seria menos estressante", conclui Macedo. 

Discussão sobre o controle de destruição do litoral vem a tona pelas temperaturas e aumento de lixo plásticos nos mares
por
Gabriel Ferro
Gabriel Borelli
Pedro Rossetti
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17/11/2023 - 12h

           Principalmente focado nas questões de aquecimento global, o debate pelas causas ambientais são de grande importância e vêm sendo mais corriqueiras no dia a dia. Questões de clima e lixo excessivo são cruciais, porém, casos como esse podem agravar e se relacionar com outros problemas que vêm sendo enfrentados atualmente, como a preservação da fauna brasileira.

            Por conta disso, a matéria a seguir irá tratar e discutir o que vem sendo feito pela preservação marinha nas costas do país. Sabe bem que o Brasil tem uma grande extensão litoral que é banhado 100% pelo Oceano Atlântico, e com mais de 7000 quilômetros divididos em 17 estados, está entre os 15 países com maior litoral nacional do mundo. A partir desse dado, é nítida a necessidade de um grande número de pessoas voltadas para o cuidado dessa gigantesca beleza natural.

Apresentando jurisdição sobre mais de 3,5 milhões de km² de águas costeiras com extensos estuários, lagoas costeiras, manguezais e mais de 3000 km de recifes de corais, o Brasil tem enfrentado desafios na conservação marinha que estão se tornando significativos. Em torno de 1.173 espécies brasileiras estão listadas como espécies ameaçadas de extinção, com isso, é papel do poder público a criação e organização de um bom Sistema de Unidades de Conservação (UCs). Hoje são 102 unidades de conservação por toda a costa brasileira, de modo que apenas 1,5% de todo o litoral é protegido pelas UCs, o que é muito abaixo da meta definida pela Convenção sobre Diversidade Biológica, que estipulava 10% de regiões protegidas até 2010.

Especialistas reportam que no Brasil, os governos federais, estaduais e municipais não possuem uma estrutura administrativa que priorize a gestão e governança das praias. Isso resulta em uma implementação prática limitada ou ausente das políticas públicas relacionadas a esses ambientes. Além disso, alertam que há também uma falta de cultura de planejamento a longo prazo, compreensão prática do ciclo político envolvido na gestão e governança, bem como diretrizes claras para promover a sustentabilidade nas praias pelos diversos setores econômicos, como turismo, comércio e serviços.

            Em um trabalho publicado pela revista Diversity and Distributions, foi feito um mapeamento sobre a distribuição de ameaça à biodiversidade marinha no Brasil. Foram identificados 286 mil quilômetros quadrados de áreas prioritárias para conservação, tendo em vista as 143 espécies ameaçadas, os 161 habitats marinhos e 24 fatores de impacto humano. Correspondendo a uma área do tamanho do estado do Rio Grande do Sul, a região representa menos de 8% da Zona Econômica Exclusiva do mar brasileiro.

O mapa abaixo apresenta essa região, localizando problemas maiores principalmente na região sudeste, que é marcada pelas ameaças humanas:

Mapas de locais da região costeira com ameaças, prioridades de proteção e prioridades máximas
Mapas de locais da região costeira com ameaças, prioridades de proteção e prioridades máximas

O primeiro indica as ameaças na costa, com foco maior na região Sul, Sudeste e Norte, porém, no segundo é possível identificar as regiões de prioridade que é distribuída por toda a ZEE. Por fim, o terceiro mapa apresenta as prioridades máximas, no sudeste e na região sul da Bahia. Para analisar mais a fundo esses problemas, é preciso voltar-se para as principais ameaças à fauna e flora da costa brasileira.

            Relacionada totalmente a ações humanas, a destruição da costa brasileira se dá pelos seguintes fatores:

     Poluição: com foco nas regiões mais populosas, a população provém de descargas de esgotos, vazamentos de petróleo e ansiosamente os descartes de lixo plásticos e redes marinhas.

     Destruição de habitats: pode ser causada por questões como a pesca predatória, a extração de recursos naturais e obras dentro do oceano.

     Aquecimento global: gera o aumento de temperatura da água, que compromete a sobrevivência marinha

Plástico nos oceanos pode superar os peixes até 2050
Plástico nos oceanos pode superar os peixes até 2050

Casos como esses são determinantes para a destruição da costa, que é um grande atrativo do Brasil, que conta com a maior biodiversidade do mundo, dito isso, o país conta com diversos projetos e observatórios responsáveis pela manutenção e análise do litoral, tudo para garantir a preservação. Ações do cotidiano já podem ser feitas para diminuir a destruição da região, como utilizar materiais reutilizáveis ou biodegradáveis e principalmente, praticar atividades de forma responsável e ecológica, fazendo com que o turismo, que é fonte de renda de grande parcela da população, possa ser feito sem atingir a fauna e flora marinha.

Quando questionada sobre quais as possíveis ações para preservar e trabalhar de forma mais elaborada a conservação de faunas, e em especial a marinha, a bióloga Júlia Dalto relatou: “Para preservar a fauna e flora de qualquer ambiente, existem diversos planejamentos de conservação, como a criação de parques ecológicos, áreas de proteção, como o uso sustentável de áreas protegidas”.

Sobre áreas de fauna aquática, Júlia completou: “Se tratando da fauna marinha, sabe-se que essa pertence a um habitat extremamente atingido pelas ações antrópicas, desde a exploração excessiva das espécies à contaminação da água por diversos fatores, como a falta de tratamento e descarte de efluentes”. A bióloga de 24 anos também descreveu que as mudanças climáticas estão acelerando cada vez mais e, portanto, é necessário um olhar mais crítico da sociedade quanto aos hábitos diante da natureza: “A educação ambiental deve ser mais presente no cotidiano”.

Principais pontos de observação de animais
Principais pontos de observação de animais

Outro fator pertinente que afeta diretamente a integridade dos mares e fauna presente, é o do lixo direcionado a essas regiões. A falta de reciclagem muitas vezes é um dos principais fatores atuantes em ocasiões desse gênero. Segundo Daphine Herrera, bióloga, pesquisadora e pós-doutoranda na UNESP-Bauru, essa falta de reciclagem é um dos pilares da problemática da poluição plástica; “Para se ter uma ideia, em 2019 houve uma produção global de 368 milhões de toneladas de plástico. Os relatórios atuais preveem que, no rumo atual, os oceanos conterão mais plástico do que peixes até 2050 (peso)”. “As questões mais urgentes a serem abordadas agora são sobre como reduzir o volume de fluxos de resíduos plásticos descontrolados ou mal geridos que vão para os oceanos, e como aumentar o nível de reciclagem”. Dos 7 bilhões de toneladas de resíduos plásticos gerados globalmente até agora, menos de 10% foram reciclados.

A respeito do lixo mal direcionado aos mares na fauna presente, a bióloga natural de Lins - São Paulo completou: “É importante ressaltar que as micropartículas, quando introduzidas no ambiente marinho, ficam disponíveis para toda a cadeia alimentar. Pesquisas concluíram que as partículas de tamanho reduzido que entram na cadeia alimentar podem se acumular em predadores de topo - como peixes, aves, mamíferos marinhos e seres humanos - levantando preocupações sobre o potencial de bioacumulação e biomagnificação.”

Quanto aos impactos diretos, reportou que estes variam desde a morte de organismos por emaranhamento em detritos plásticos em forma de corda ou laço. “A ingestão de detritos plásticos é o tipo de interação mais estudado. A absorção de macroplásticos pode resultar em bloqueio ou lesão dos intestinos, levando à redução da ingestão de alimentos ou até mesmo à morte”.

Daphine também relatou que os plásticos ingeridos podem criar uma falsa sensação de saciedade, fazendo com que o animal coma em excesso ou pouco, afetando sua forma física, crescimento e reprodução, além também dos sufocamentos que podem ocorrer, restringindo a movimentação e lesões de diversas espécies marinhas. Por fim, Herrera alertou: “O plástico pode promover a dispersão de espécies para além de suas áreas geográficas normais, contribuindo para a disseminação de espécies invasoras”.

O gráfico abaixo, proveniente do órgão “Recicla Sampa”, ilustra a quantidade de plásticos identificados nos oceanos ao redor do mundo entre 1990 e 2019.

Grafico sobre a quantidade de plástico no oceano de 1990 a 2019
Grafico sobre a quantidade de plástico no oceano de 1990 a 2019

A luta pela preservação marinha é fundamental e deve ser espalhada por todo o país, pela proteção de belezas naturais, faunas, e o oceano como um todo. No Brasil, atualmente, nos 1.173 táxons oficialmente reconhecidos como ameaçados, estão 110 mamíferos; 234 aves; 80 répteis; 41 anfíbios; 353 peixes ósseos (310 de água doce e 43 marinhos); 55 peixes cartilaginosos (54 marinhos e um de água doce); 1 peixe-bruxa e 299 invertebrados.

 

Esta reportagem foi produzida como atividade extensionista do curso de Jornalismo da PUC-SP.

Os eventos climáticos têm aumentado e se tornado mais intensos no país continental, os desastres causados por tais evidenciam o despreparo humano em lidar com a natureza e seus eventos
por
Alice Di Biase
Annanda Deusdará dos Santos
Nina Januzzi da Gloria
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13/11/2023 - 12h

 

Não é de hoje que o Brasil é caracterizado por eventos climáticos extremos. Porém, o ano de 2023 foi marcado por eles do começo ao fim. Não houve um mês do ano em que os grandes veículos de jornalismo não noticiaram as chuvas ou longos períodos de estiagem e suas consequências no cotidiano das populações afetadas. 

Chuvas intensas, ondas de calor, incêndios florestais, secas extremas: esses eventos climáticos têm aparecido com mais frequência por causa do El Nino e tem se tornado mais intensos e catastróficos. Com isso tem se debatido o papel das mudanças climáticas nesses eventos que tendem a ser mais frequentes. 

O que é o El Nino e como ele afeta o Brasil

O fenômeno ocorre geralmente no segundo semestre do ano e não apresenta período de duração específico, podendo persistir por até 2 anos. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), ele consiste no aquecimento anormal da superfície do Oceano Pacífico na região da linha do Equador, afetando toda a costa da América do Sul. Durante esse período a temperatura das águas sofre acréscimo de, pelo menos, 0,5 graus Celsius. 

Os chamados ventos alísios apresentam papel fundamental na formação do fenômeno: são ventos constantes que empurram as águas da superfície, e assim, permitindo com que as águas frias das profundezas subam. Porém durante esse período essa troca não ocorre, pois os ventos estão enfraquecidos ou praticamente inexistentes. Assim, a água quente permanece na superfície por mais tempo e pode chegar até 3 graus acima da média.

El Nino no Brasil Fonte: INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) 

Por estar muito mais quente que o normal, a água da superfície do Pacífico evapora mais facilmente e forma nuvens carregadas aumentando a umidade, ocasionando em maior probabilidade de chuvas no Sul e Sudeste. Isso ocorre porque a circulação de ventos causada pelo El Nino interfere na circulação habitual dos ventos, funcionando como uma barreira que impede que as frentes frias cheguem ao Hemisfério Sul. Permitindo que as nuvens de chuva que se formam com intensidade no meio do Oceano Pacífico cheguem à região Sul e permaneçam por mais tempo na região.

Por outro lado, o evento meteorológico provoca longos períodos de seca e estiagem na região Norte e Nordeste, o ar quente e seco circula e atinge a região norte, dificultando a formação de nuvens de chuva no Norte e Nordeste do país.

Chove chuva, chove sem parar

O cenário é alarmante, como foi alertado por diversos estudiosos do aquecimento global e das mudanças climáticas. Assim como resumido no Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC em inglês) em março deste ano: em sincronia com o aumento da temperatura média global são previstas elevações na quantidade total de chuvas no território brasileiro, principalmente na região Sul e Sudeste – onde se concentra a maior parcela da população. 

Mesmo com diversos alertas e previsões de chegadas de ciclones extratropicais ao país, não foi possível conter os estragos e as mortes causadas por tamanho volume de água em poucos dias. Foi o que ocorreu em fevereiro no litoral norte de São Paulo: um ciclone extratropical de pequeno porte atingiu a região, entre os dias 18 e 19. Em comparação com médias históricas, choveu em 24 horas o que era esperado para os meses de janeiro e fevereiro, principalmente nos municípios de São Sebastião e Bertioga. Foi registrado respectivamente a pluviosidade de 627 mm e 683 mm – segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a maior pluviosidade registrada no país em um período tão curto de tempo. Os maiores estragos ocorreram na região da Vila do Sahy e foram registradas no total 65 mortes, tendo 64 delas ocorrido em São Sebastião.

Fortes chuvas atingem litoral de SP (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

A alta na pluviosidade é esperada na região nessa época do ano, porém, por uma combinação de fatores climáticos fez com que o litoral norte fosse atingido por um volume altíssimo de chuva em poucas horas. Quando se fala em 683 mm, muitas pessoas se assustam, no entanto muitos não entendem o que representa e como é calculada a pluviosidade. Um mm de chuva registrado é equivalente a 1 litro de água sobre a área de um quadrado com 1 metro de lado. Então, quando se fala de 683 mm de água significa que caíram 683 litros em um único metro quadrado.

Em contribuição para a Revista Pesquisa Fapesp, Pedro Camarinha, pesquisador especialista em mudanças climáticas e desastre no Cemaden explica que: "Parte dessa chuva poderia ter caído sobre o mar ou se deslocado para outros pontos, mas uma série de fatores conhecidos atuou para que ela tenha ficado parada ali por muito tempo". O aumento da temperatura na superfície dos oceanos e a mudança na participação dos ventos fizeram com que a chuva intensa permanecesse por mais tempo no litoral.

Infográfico sobre as fortes chuvas no sul e sudeste brasileiro. Fonte: Annanda Deusdará

Outros eventos climáticos extremos relacionados à chuva chamaram a atenção pela intensidade com a qual atingiram o país, principalmente a região sul. Tempestades e ciclones extratropicais atingiram a região em diversos momentos do segundo semestre do ano, o mais recente foi em Santa Catarina. O Vale do Itajaí, que circunda o Rio Itajaí-açu foi a região mais afetada, cidades como Taió e Rio do Sul ficaram em estado de calamidade pública. A terceira maior cidade do estado, Blumenau, teve a maior enchente desde 2011 devido ao aumento assustador do nível do rio. O rio Itajaí-açu apresenta nível médio de 4 metros e chegou aos 10,8 metros, de acordo com a prefeitura. 

Durante o período de chuvas extremas na região, diversos catarinenses ficaram desalojados e muitos desabrigados, comportas de barragens permaneceram fechadas para ajudar na contenção do volume de chuva e diversas avenidas foram interditadas, impedindo a chegada e saída da população e de cargas. 

 

A parte humana da chuva 

Os desastres que ocorreram devido às chuvas denunciam o despreparo e a negligência por parte do poder público ao lidar com a natureza. A tecnologia de previsões meteorológicas avança cada vez mais e atualmente é possível prever com semanas de antecedência chegadas de frentes frias, tempestades e ciclones. O pequeno ciclone que atingiu o litoral norte de São Paulo em fevereiro que deixou 65 mortos foi visto claramente via satélite. Caso tivesse sido alertado com antecedência e feito o devido processo de evacuação, as mortes poderiam ter sido evitadas?

Todo o litoral norte passou destruição: de bens materiais, casas vieram abaixo, moradores ficaram sem energia por horas e em média 2 mil pessoas ficaram desalojadas. No entanto, os eventos climáticos extremos não atingem a todos da mesma maneira, acontecimentos como esse evidenciam o cenário de desigualdade do país. 

Das 65 mortes que ocorreram, 64 foram apenas em São Sebastião e a maneira na qual a região é ocupada apresenta relação direta com isso. No município, a maior parte da população se encontra em áreas de risco, como a Vila do Sahy – comunidade localizada no bairro Barra do Sahy onde as casas se aglomeram em encostas – a região sofreu com deslizamentos de terra e foi a mais afetada durante as chuvas. Já em Bertioga, houve muitas áreas alagadas, mas os condomínios de alto padrão que compõem a região, estão mais longe das escarpas montanhosas e não houve mortes. 

A demora e a dificuldade na reparação do estrago deixado pela chuva em Santa Catarina levou ao adiamento da famosa festa alemã de Blumenau, a Oktoberfest. Também deixou muitos catarinenses sem energia por dias e a interdição de estradas fez com que mercadorias não fossem entregues e que pessoas não retornassem para suas famílias. Luciana dos Santos, natural de Pouso Redondo (SC) que mora com o marido e a filha em São Paulo, conta sobre os dias sem energia e com medo das chuvas incessantes: “Além de ter ficado três dias sem luz, a bomba elétrica que bombeava água do poço pra minha casa também não funcionava, tive sorte que não entrou água na casa da minha mãe que fica na parte alta da cidade, mas ficar sem poder tomar banho de chuveiro, sem lavar louça é extremamente desconfortável. Com a vida que a gente leva hoje é inadmissível ficar nesse estado por tanto tempo”. 

Foto da cidade de Rio do Sul Fonte: divulgada nas redes sociais

A cidade de Pouso Redondo serviu como abrigo para as cidades vizinhas que foram destruídas pela chuva como Taió e Rio do Sul. Luciana conta que fez diversas tentativas para chegar até Rio do Sul - não existem ônibus de Pouso Redondo que façam viagem direta para São Paulo, o mais próximo sai de Rio do Sul – mas a estrada estava alagada e com uma fila de ônibus e caminhões esperando a água baixar: “Existia a possibilidade de passar de trator pela área alagada mas como ia seguir viagem depois disso? Achei melhor esperar para passar de ônibus. Foi desesperador passar por aquela água toda, tivemos que tirar tudo do bagageiro porque a água estava naquela altura já. Consegui chegar na rodoviária e pegar o ônibus para São Paulo, mas passar pela cidade foi muito triste: só via os telhados das casas, pessoas carregando uma televisão na mão porque foi a única coisa que deu pra salvar.” Tempestades e ciclones não são evitáveis, porém, tragédias são.

Cidade de Rio do Sul debaixo d’água. Fonte: Luciana dos Santos

Onde falta chuva

Segundo dados do Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), que levam em conta os registros de volume de chuva (em milímetros) de toda a sua base histórica, quatro estados das regiões Norte enfrentam neste ano a pior seca desde 1980 por causa da falta de chuvas: Amazonas, Pará, Acre, Amapá.

Isso ocorre devido à junção de dois fatores: o El Nino e a distribuição de calor no Oceano Atlântico Norte. Essas duas situações fazem com que a temporada de chuvas que deveria começar em novembro, seja adiada para janeiro, agravando a seca.

O problema, que já afeta mais de 600 mil pessoas no Amazonas, é acentuado pelas queimadas na região, tendo como consequência grandes quantidades de fumaça que atinge Manaus e outras cidades em seu entorno, classificando a cidade entre as piores em relação a qualidade do ar do mundo em outubro e aumentando a ocorrência de doenças respiratórias comuns nesta época do ano.

O período de seca e queimadas é comum na Amazônia durante os meses de agosto a novembro, isso ocorre porque a baixa umidade do ar favorece a propagação do fogo. O problema é o agravamento dessas circunstâncias, como mostram os dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a média de focos de calor na região no mês de setembro supera os 32 mil. 

Infográfico sobre os principais problemas da seca. Fonte: Annanda Deusdará

As dificuldades apresentadas pela seca vão além do calor extremo e agravamento de doenças, elas se estendem à falta de alimentos, água potável, racionamento de energia e restrição de mobilidade. De acordo com a Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (Caerd), pelo menos 15 mil pessoas são afetadas pela falta de água na região às margens do Rio Madeira. 

O baixo nível dos rios atrapalha a navegação dos barcos, deixando comunidades isoladas e sem alimentos. Segundo a Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados e Contratados do Amazonas (Arsepam), 90% das 136 embarcações que atuam nas 116 linhas do estado operam com alguma restrição.

No início de outubro (2), a concessionária Santo Antônio Energia, uma das maiores do país, suspendeu suas operações da hidrelétrica em Rondônia devido à seca do Rio Madeira, segundo a empresa os níveis de vazão do rio estavam 50% abaixo da média. O serviço voltou a funcionar após duas semanas, no dia 16 de outubro, segundo a empresa o nível da água subiu possibilitando a retomada das atividades, e reforçou que o processo foi feito com alinhamento com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). 

O impacto também tem sido sentido na falta de insumos no Polo Industrial de Manaus (PIM). Entrevistado pelo G1 AM, Marcello Do Gregorio, diretor do Super Terminais, informou que muitos navios têm ficado pelo caminho, entre o Rio Amazonas e o Rio Madeira, já que não conseguem passar por esses trechos. Segundo ele, a seca impede o transporte dos navios cargueiros, que trazem os contêineres da Ásia com os insumos para o setor de eletroeletrônico. Em razão disso, 35 das mais de 100 grandes indústrias do PIM, irão dar férias coletivas para 17 mil trabalhadores por aproximadamente 2 semanas. 

Outro problema comum nessa época do ano é o fenômeno conhecido como “terras caídas”, isso acontece quando a água atua sobre as margens dos rios, causando erosão e abrindo extensas "cavernas subterrâneas", até que uma ruptura provoque a queda do terreno, que é tragado pelas águas.

Isso foi o que aconteceu com a comunidade ribeirinha de Vila Arumã na cidade de Beruri a 170 km de Manaus. Apesar de ser algo normal de acontecer, geralmente o nível de desmoronamento é pequeno, o que não ocorreu em Arumã, que teve mais de 40 casas engolidas pela lama no deslizamento, deixando duas pessoas mortas e outras feridas e desaparecidas. 

Conforme relatos de moradores, o fato ocorreu na tarde do dia 30 de outubro, quando o deslizamento de terra iniciou, muitos sentiram um forte tremor e quem conseguiu se proteger correu em direção à floresta. Uma base dos Bombeiros foi montada na Comunidade São Lázaro, que fica ao lado do local atingido, para coordenar os atendimentos e resgate.

 

Saúde em risco  

A seca colabora para o ressecamento da mucosa das vias aéreas, o que pode agravar problemas de saúde causados pelas queimadas, como alergias, asma e dermatites. Em consequência, delas também vêm infecções bacterianas como pneumonia e sinusite. Os grupos mais afetados são idosos, crianças e gestantes

Riscos da seca para a saúde Fonte: OMS e UNICAMP

Em entrevista ao Nexo, a pesquisadora de saúde pública na Fiocruz Piauí,  Beatriz Fátima Alves de Oliveira afirmou que, além de problemas associados às queimadas, a seca favorece doenças ligadas à disponibilidade de água, como as gastroenterites. Sem acesso à água potável, as pessoas podem ingerir líquido impróprio para consumo, entrando em contato com os microrganismos que causam as enfermidades. Essa junção de enfermidades pode sobrecarregar o sistema de saúde e prejudicar ainda mais comunidades isoladas pela baixa navegabilidade dos rios.

 

Fauna e Flora em alerta

No final do mês de setembro equipes de emergência encontraram 153 botos mortos no lago, ponto onde o rio Tefé se encontra com o rio Amazonas, o caso ocorreu devido ao aumento de mais de sete graus além do habitual alcançando 39,1°C, segundo o Instituto para o Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM, na sigla em inglês) e o grupo ambientalista WWF-Brasil. Entre os animais encontrados estão o boto-cor-de-rosa e o tucuxi, ambos estão com risco de extinção segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), as espécies são consideradas um indicador importante da saúde das águas, flora e fauna habitadas por eles.

Boto morto encontrado no Rio Solimões            Foto: Yan Boechat

 

Medidas tomadas pelo governo

Através do decreto de estado de emergência, que se caracteriza pela iminência de danos à saúde e aos serviços públicos por conta de um desastre, os governos estaduais e federal criaram uma série de medidas para enfrentar a estiagem e seus efeitos na população.

Entre elas estão a dispensa de licitação de contratos de aquisição de bens como cestas básicas, que facilita o acesso rápido e volumoso das cestas possibilitando que mais famílias sejam ajudadas; a flexibilização da licença para abertura de poços artesianos; amparo a produtores rurais; suspensão de cobrança em restaurantes do programa Prato Cheio; intensificação do combate aos incêndios florestais; dragagem dos rios mais secos, retirada de sedimentos para aumentar a profundidade do rio; acesso a programas sociais federais e liberação de emendas parlamentares.

Antes do decreto, o governo do estado do Amazonas já estava realizando a chamada Operação Estiagem com recursos estimados de R$100 milhões em ações. O pacote de medidas inclui o apoio a famílias afetadas pelo desabastecimento, distribuição de cestas básicas e kits de higiene, renegociação de dívidas e fomento para produtores rurais

O governo federal anunciou que vai pagar um auxílio no valor de R$2.640 para pescadores que foram afetados pela seca no Norte do Brasil. A medida provisória (MP) foi assinada pelo presidente Lula no início do mês de novembro. O auxílio será pago em parcela única para pescadores artesanais beneficiários do Seguro Defeso que estejam cadastrados em municípios em situação de emergência, o recebimento da ajuda não interferirá no direito de outros benefícios.

Em entrevista ao Outra Saúde, o professor do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Bahia, Adelmir de Souza Machado, falou sobre soluções de médio e longo prazo para lidar com a crise climática.  Entre elas estão o investimento em educação ambiental em todos os níveis, criação de leis ambientais mais rígidas e ações preventivas para locais de risco, visto que o sistema meteorológico brasileiro é capaz de prever com meses de antecedência mudanças climáticas dessa magnitude.

 

Brasil e as ações contra a chuva e seca extrema

O país adota medidas para mitigar e prevenir os efeitos desses eventos extremos. Na região Nordeste, devido a propensão do local a secas, são adotadas como formas de contornar e mitigar a estiagem, a construção de cisternas, programas de distribuição de água e práticas agrícolas resistentes à seca.

Incentivo a práticas agrícolas resistentes a seca Fonte: Portal do Agronegócio 

 

Já em relação às chuvas intensas, cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, implementaram ações como as obras no rio Tietê que passam pela capital paulista, abertura de piscinões, criação de um sistema de alerta e no interior carioca a contenção de encostas. 

No Sul do Brasil, região que sofreu durante o mês de outubro com as chuvas intensas, medidas também foram implementadas, como a contenção e sobrelevação de estruturas em barragens, adquirir radares meteorológicos e a criação de um Centro Integrado de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cigerd) que funciona 24 horas com acompanhamento meteorológico, segundo a Defesa Civil catarinense. 

Mesmo com essas ações adotadas pelo território brasileiro, situações como a seca extrema no Norte do país e as inundações no Sul, reforçam o despreparo, a precariedade e a má distribuição de recursos que ajudam a lidar com essas condições climáticas adversas. 

 

Eventos no globo e seus efeitos

Além do Brasil, diversos países do globo vêm enfrentando os efeitos das mudanças climáticas e os eventos climáticos extremos. À medida que essas situações se tornam cada vez mais frequentes, a preocupação global sobre a ocorrência de chuvas, secas e outros fenômenos, além dos desastres causados por eles, cresce. Desse modo, há um aumento na busca e criação de meios para se enfrentar e mitigar os impactos desses acontecimentos.

Dentre os países ao redor do mundo que lidam com esses eventos e que criaram métodos de mitigação e prevenção, temos:

 

1.  Japão: o país é propenso a chuvas fortes e tufões, que podem resultar em inundações e deslizamentos de terra. Buscando minimizar os impactos, desenvolveram um sistema avançado de alerta e criaram uma infraestrutura de contenção, que protege o local, em especial Tóquio, de enchentes.

Cisterna do reservatório, localizado em Tóquio, que protege cidade de enchentes Fonte: Getty Images

2.  Austrália: propensa a várias secas severas em diversas regiões do país, criou medidas como a gestão de água, auxílio financeiro aos agricultores afetados, investimentos em tecnologias de dessalinização e programas de conservação de água. O incentivo em tecnologias de dessalinização australiano vem crescendo, de modo que além de Perth, Melbourne e Adelaide se juntem à lista de lugares que realizam o processo. Juntas, elas fornecerão 130 milhões de litros de água por dia.

Planta de dessalinização de Perth Fonte:: www.abb.com

3.  Bangladesh: localizado no sul da Ásia, o país é suscetível a inundações sazonais em razão das monções. Por isso, tem investido em estratégias de resposta a inundações e de prevenção.

   Forte chuva em Daca, Bangladesh Foto: MUNIR UZ ZAMAN / AFP

4. Califórnia, EUA: estado no oeste dos Estados Unidos, a Califórnia vive secas recorrentes, o que faz com que as autoridades adotem diversas políticas, dentre elas a de restrição de uso de água, promoção de tecnologias de conservação, como a reciclagem de água, e a gestão de reservatório

 

Deck flutuante é visto na margem seca do Lago Hodges, próximo a San Diego, na Califórnia, (Foto: Mike Blake/Reuters)

 
 Atividade realizada para a disciplina de Oficina de Texto

 

Perto de completar 5 anos da tragédia da barragem de Brumadinho, pouco mudou. Os impactos causados pela tragédia ambiental ainda são sentidos.
por
Gabriela Jacometto
Manuela Mourão
|
13/11/2023 - 12h

 

Aproximando-se do doloroso marco de cinco anos desde a tragédia de Brumadinho, a necessidade de preservar a memória torna-se mais crucial do que nunca. 270 vidas foram perdidas naquele trágico dia 25 de Janeiro, três corpos estão desaparecidos até hoje e ninguém foi punido.

Há apenas três anos, o estado de Minas Gerais já havia sido marcado por outra tragédia, desta vez em Mariana, em um episódio que deveria ter servido como alerta para o futuro. Contudo, a negligência persistente em reconhecer a verdadeira situação das barragens resultou em perdas irreparáveis de vidas humanas e em um dos mais devastadores crimes ambientais da história do país.

Brumadinho não poderia ter sido uma repetição trágica após Mariana. Isso levanta questões inquietantes sobre a eficácia das medidas adotadas desde então. O que mudou nos últimos anos? Como estão as vítimas e suas comunidades? Quais foram os passos tomados para evitar que novas catástrofes ocorram? E o meio ambiente, tão severamente afetado, conseguiu se regenerar?

Para entender o presente, é imperativo revisitar os dias em que os mares de lama foram rompidos, mergulhando nas histórias das vítimas e examinando as ações tomadas pelas autoridades e empresas desde então.

BRUMADINHO
25/01/2019 sexta feira 12:28:18

Era fim de manhã da sexta-feira, dia 25 de Janeiro de 2019, quando a Barragem 1, da Mina Córrego do Feijão, da mineradora Vale, se rompeu em Brumadinho. A base do reservatório cedeu, desencadeando uma avalanche de rejeitos de mineração. Em um curto intervalo de 3 minutos, a lama engoliu implacavelmente tudo que se encontrava embaixo da barragem, ao longo de uma distância de quilômetros.

O "tsunami" formado pela ruptura arrasou o centro administrativo e o refeitório da Vale- que por conta do horário, estava povoado- máquinas de mineração, linhas férreas, uma ponte, residências, pousadas e até mesmo currais. A vegetação e os rios, impiedosamente, também foram impactados. 270 pessoas foram mortas pela queda da barragem.

A Barragem I (B1), outrora uma peça fundamental do complexo, passou por uma metamorfose em seus últimos anos, transformando-se em uma espécie de lixão inativo. Desde julho de 2016, já não recebia mais rejeitos de minério de ferro das minas do Feijão e Jangada, marcando um capítulo pós-catastrófico oito meses após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana.

A B1 no Córrego do Feijão, era uma barragem considerada a montante. Uma barragem a montante é um tipo de estrutura de contenção de água utilizada em projetos de represamento. Ela é construída utilizando predominantemente os próprios rejeitos e sedimentos provenientes da mineração ou de outros processos industriais. Este tipo de barragem é caracterizado por ter sua estrutura construída em camadas sucessivas, com os materiais mais recentes sendo depositados na parte superior. O método é conhecido por ser muito mais econômico em comparação com outros tipos de barragens, pois utiliza os próprios rejeitos do processo minerário.

No entanto, barragens a montante têm sido associadas a outros ocorridos de quedas, além de Brumadinho e Mariana. Isso ocorre porque a deposição contínua de materiais na parte superior da barragem pode torná-la mais suscetível a instabilidades, incluindo deslizamentos de terra e rupturas. Além disso, a técnica pode resultar em um aumento do teor de água na parte superior da barragem, tornando-a potencialmente mais propensa a falhas e exige fiscalização e monitoria constante de seu estado. 

A visão da Vale, respaldada pelo governo de Minas Gerais no final de 2018, era "descomissionar" a estrutura. Na prática, esse ambicioso plano envolvia esvaziar o imenso tanque de terra e água por meio de métodos de drenagem. Simultaneamente, seriam realizadas escavações com máquinas pesadas, configurando um novo garimpo de rejeitos, visando extrair o restante do minério presente no resíduo.

A grande diferença para a barragem de Brumadinho, era que a barragem era instável, e tanto a Vale, quanto a Tuv Sud (empresa Alemã que emitiu o laudo falso de estabilidade da B1) sabiam da realidade. As investigações revelaram que a execução de perfurações verticais foi o catalisador para a liquefação, desencadeando o colapso da estrutura já fragilizada em 25 de janeiro de 2019. Apesar de estar ciente dos problemas enfrentados pela barragem, a consultora Tüv Süd emitiu Declarações de Condição de Estabilidade, permitindo que a estrutura continuasse operando, mesmo com um fator de segurança abaixo das recomendações internacionais. A mineradora estava ciente da situação e apresentou os documentos correspondentes às autoridades competentes.
Em entrevista com o jornalista Murilo Rocha, co-autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”, ele explica: 

"A Vale desenvolve um sistema super tecnológico de monitoramento de barragens e algumas medidas na tentativa de evitar. Mas o que a gente percebe, e eu estou falando do intervalo primeiro de Mariana a Brumadinho, é que, mesmo com essas medidas, a questão da produção, de não parar a produção, sendo bem claro, de manutenção do lucro, da atividade, da mineração, se sobrepôs a todos esses processos. No momento que se constatou que a barragem tinha um risco de ruptura, se constatou isso mais ou menos um ano e dois meses antes dela romper, esses padrões de segurança foram ignorados. Todo padrão foi desenvolvido. Na hora que falou assim, olha, ela opera com um fator de segurança abaixo do permitido. Aí, de repente, quando eles viram isso, eles preferiram maquiar isso. Falaram, não, porque se tivesse que fazer alguma coisa, ia ter que parar a produção. Iam ter que parar a produção da mina lá, do complexo. Então, eles preferiram, apesar de toda a tecnologia da legislação, das normas internas, eles preferiram ignorar, omitir, negligenciar, continuar com a operação, para não ter que parar a atividade de uma barragem."

Três anos antes, Minas Gerais havia sofrido os efeitos da queda da barragem de Mariana. Em Mariana, mesmo com uma barragem cinco vezes maior que a B1, o grande alvo da tragédia foi o meio ambiente, que sofre até hoje, e 19 pessoas foram declaradas mortas. O contrário pode se dizer sobre Brumadinho, em que o maior alvo foi a vida humana.

As vítimas

Murilo, foi questionado sobre a interação que teve com a família das vítimas durante o período de escrita. O autor revelou que se surpreendeu com as respostas, inicialmente, pois percebeu o sentimento dúbio dessas vítimas. “Se orgulhavam muito, gostavam muito de trabalhar para a Vale, porque a Vale pagava nem, era uma empresa considerada séria, e que tinha uma série de benefícios, né, eles gostavam de trabalhar para a Vale.” 

Mas logo em seguida, Murilo conta que a parte mais tocante eram as histórias, e a tristeza dos familiares de terem encontrado os corpos dos parentes incompletos. 

“Os bombeiros falavam em segmentos corpóreos. Eles localizavam segmentos corpóreos. Nem dá para falar em pedaços, às vezes eram só segmentos de corpo. Então, esse processo, para as famílias das vítimas, foi muito doloroso. Esse par de reconhecimento, ter que achar fragmentos de corpo para reconhecer… tem gente que enterrou o braço, tem gente que enterrou a perna. E depois que enterrava, o IML ligava de novo e achava outro segmento. Então, é uma morte que não acaba nunca.”
 

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Avalanche de lama que vazou da barragem da Vale em Brumadinho arrastou corpos por até 10 quilômetros — Foto: Alex de Jesus / O Tempo/ Arquivo

 

Os últimos anos

Após Brumadinho, a realidade que ficou a se enfrentar era a enorme autonomia que as mineradoras tinham no país, o setor minerário no Brasil era autorregulado, sem uma fiscalização genuína por parte do Estado. Uma vez que as mineradoras diziam que suas barragens eram seguras, elas eram. Sem questionamentos. Sem provas concretas.

Por isso, foi surgindo um grande terror após o dia 25 de janeiro de 2019. No rescaldo de uma trágica calamidade, veio à tona a revelação de que várias barragens apresentavam possíveis problemas, gerando um clima de insegurança. Imediatamente após o incidente, as empresas responsáveis pelas barragens optaram por declarar estado de emergência. Em uma reação surpreendente, começaram a realocar comunidades que residiam nas proximidades, indicando uma desconfiança em relação à segurança das estruturas.


A revelação trouxe à luz a falta de confiança nas garantias de segurança das mineradoras. O temor generalizado provocado pela tragédia instigou as próprias empresas a admitirem a possibilidade de problemas em suas barragens. O resultado foi uma ação de autorregulação, com as mineradoras assumindo um papel proativo na evacuação de áreas de risco. Este comportamento aponta para um cenário em que, na ausência de uma fiscalização rigorosa por parte do Estado, as empresas do setor se auto gerenciavam, transformando o papel do Estado em uma mera formalidade burocrática. Apenas um carimbador de papéis.
Mas depois de Brumadinho, iniciou-se um movimento de desativar as barragens a montante no Brasil. Hoje em dia, 65 barragens deste tipo ainda existem no Brasil. 44 delas em Minas Gerais. Mas é um processo lento e caro.


“Eu não colocarei minha mão no fogo se ocorresse outra tragédia. Eu acho que nem eles colocam a mão no fogo, ninguém nessa... Eu acho que o que eles passaram a fazer, eles, as mineradoras, não necessariamente o governo, eles melhoraram esses métodos de fiscalização deles, monitoramentos. Muito porque isso causou um impacto muito ruim para o setor. Eu digo impacto financeiro. Então, assim, para não perder dinheiro, eles estão realmente, talvez, eles próprios, monitorando melhor essas atividades.” Disse o jornalista, Murilo Rocha, quando questionado sobre o descomissionamento das barragens.
O acordo de reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem em Brumadinho, no valor de R$ 37,6 bilhões, celebrado entre o governo do estado, a Vale e as instituições de Justiça, completará dois anos.


Até o momento, a empresa desembolsou aproximadamente R$ 23,6 bilhões, corrigidos pela inflação, o que representa 58% do montante total. A Vale comunicou que "mais de 13,5 mil pessoas já formalizaram acordos de indenização para reparação dos danos decorrentes do rompimento da barragem B1 em Brumadinho, e em virtude das evacuações em outras regiões". A empresa revelou que, no período de janeiro de 2019 a dezembro de 2022, destinou um montante total de R$ 37,2 bilhões para indenizações individuais e iniciativas de reparação.


Outras ações em andamento incluem:

  • Pagamento de auxílio financeiro a 109 mil pessoas impactadas;
  • Fortalecimento dos serviços públicos em Brumadinho e outros 25 municípios afetados;
  • Investimento de R$ 248 milhões na modernização do complexo de saúde de Brumadinho, abrangendo UPA, hospital e centro de especialidades;
  • Distribuição de máquinas pesadas para manutenção de estradas rurais nos municípios da bacia do Rio Paraopeba;
  • Recuperação da MG-060, no trecho entre Esmeraldas e São José da Varginha;
  • Obras e reformas em hospitais da Rede Fhemig;
  • Construção de bacias de contenção de água da chuva no Córrego Ferrugem, em Belo Horizonte;
  • Recuperação ambiental de cerca de 42 hectares com o plantio de aproximadamente 55 mil mudas.

O meio ambiente

Perto de completar 5 anos, o rompimento da barragem de Brumadinho deixou marcas e um impacto na fauna e flora imensuráveis. A recomendação de não utilização da água bruta do Rio Paraopeba para qualquer fim, entre Brumadinho e Pompéu permanece. 
 
De acordo com o relatório divulgado ainda em 2019, após alguns dias da tragédia, cerca de 125 hectares de florestas foram perdidos, sendo o equivalente a mais de um milhão de metros quadrados ou 125 campos de futebol.  A lama percorreu mais de 300km, e afetou 18 municípios, entre essas regiões afetadas se localiza a aldeia indígena Naô Xohã, que fica a 22km de Brumadinho e foi extremamente afetada pela poluição da água. A população da aldeia, dependia do rio para a pesca e demais tarefas, segundo o cacique Háyó Pataxó Hã-Hã-hãe um odor

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Devastação provocada pela lama na natureza. Foto: Cavex\ Divulgação

A Vale possui projetos ambientais em andamento como forma de reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem. Mas ainda assim, o impacto da tragédia na natureza “será sentido por anos” advertiu a ONG WWF- BRASIL.


O desenvolvimento judiciário 

Foi só em janeiro de 2023, dois dias antes do rompimento da barragem completar quatro anos, que a Justiça Federal acatou a denúncia feita pelo Ministério Público Federal (MPF) contra 16 pessoas e as empresas responsáveis pela barragem do Córrego do Feijão, a Vale e a Tüv Süd.  Os envolvidos foram acusados por crimes contra o meio-ambiente, e também de homicídio qualificado. 

Segundo a investigação, a realização de perfurações verticais foi o estopim para a liquefação que levou ao rompimento da estrutura, que já estava frágil. A investigação também mostra que a consultora Tüv Süd emitiu Declarações de Condição de Estabilidade falsas, que permitiram que a estrutura continuasse funcionando normalmente mesmo com o nível de segurança abaixo do recomendado pelos padrões internacionais. A Vale também sabia da situação e apresentou as declarações às autoridades. 

Em uma entrevista ao G1, a vice-presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo rompimento da barragem (Avabrum), Andressa Rocha, fala sobre a impunidade dos denunciados nesse processo:  “"É impressionante como os réus estão escolhendo por quem querem ser julgados. Esse não agir da Justiça e essa paralisação fazem com que nosso sofrimento só aumenta. Quem são os responsáveis pelo crime da Vale em Brumadinho? Essa ausência de resposta deixa a gente em uma situação de prisão", afirmou Andressa. O único filho de Andressa, Bruno Rocha, que trabalhava na Vale, foi uma das 270 vítimas da tragédia. 

Até o final desta matéria, ninguém tinha sido responsabilizado pelos crimes cometidos.


Ao ser questionado se ainda há alguma coisa que deve ser feita, Murilo Rocha finalizou a entrevista assim: 

"Eu acho que do ponto de vista social, cabe a nós, da imprensa, continuar dando visibilidade para o que está acontecendo lá. Acho que é fundamental dar visibilidade para as famílias das vítimas, acompanhar o processo judicial, o processo criminal, ambiental e o drama das pessoas. Acho que a gente tem que mostrar, tem que, todo ano, fazer o aniversário, os protestos, porque essas pessoas sentem-se desamparadas. No fim, elas têm, claro, advogados e tal, mas a gente sabe que a imprensa é fundamental para dar essa visibilidade. Então, acho que cabe a nós mostrar essa morosidade da justiça, essa injustiça da justiça. Cabe a nós continuar apontando o dedo no que está errado ali. Acho que esse é o nosso papel enquanto imprensa, ouvir, dar voz a eles, dar protagonismo para eles, porque muitas vezes, realmente, eles são atropelados no processo. São fechadas as indenizações com o Estado e tal, com o governo federal, e, às vezes, eles ficam de fora, eles não são ouvidos. Então, acho que passa muito... Ainda há alguns corpos a serem achados, não sei se ainda é possível, porque já são cinco anos passados. Mas, enfim, os bombeiros continuam lá, até para dar uma satisfação para as pessoas que não tiveram os corpos localizados. Mas acho que o mais importante é continuar cobrindo essa luta, os dramas."

Esta reportagem foi produzida como atividade extensionista do curso de jornalismo da PUC-SP.

Alguns de seus efeitos já são sentidos pelos brasileiros, como o aumento dos termômetros nas cidades em pleno inverno
por
Davi Alves Pinto
João Paulo Di Bella Soma
Pedro Premero
|
13/11/2023 - 12h
Floresta em chamas

 

Antigamente, algumas tribos indígenas utilizavam o fogo para fertilizar o solo, realizando  queimadas controladas, sem o risco de se alastrar para o restante da floresta. No entanto, nos dias de hoje, as queimadas são utilizadas para a expansão da agricultura e agropecuária, principalmente nas regiões do cerrado e da floresta amazônica. Esta prática tornou-se uma opção atrativa devido à sua rapidez e baixo custo para limpar áreas desmatadas. As consequências dessa abordagem podem ser desastrosas, tornando extremamente difícil a recuperação das áreas afetadas. Os impactos não se limitam apenas ao Brasil, mas reverberam globalmente, representando uma ameaça irreparável para o meio ambiente.

No primeiro semestre de 2023 foram queimados 2,15 milhões de hectares, evidenciou o levantamento da MapBiomas. A pesquisa ainda mostra que 68% de todas as queimadas no Brasil aconteceram na Amazônia, 1,45 milhão de hectares queimados. O cerrado teve 639 mil hectares destruídos, representando 30% das queimadas no país, sendo o segundo bioma mais afetado. Segundo Ane Alencar, coordenadora do MapBiomas Fogo e diretora de Ciência do IPAM, a poluição do ar decorrente das queimadas é um dos maiores problemas na floresta amazônica. "É mais um indicativo da necessidade de reduzir o uso do fogo na região, principalmente em anos como esse com ondas de calor frequentes e período de seca mais intenso decorrente do El Niño, fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do oceano Pacífico na sua porção equatorial" completa Alencar.

 

Queimadas por estado de 1º de janeiro até 22 de fevereiro de 2023
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)

 


Mas, quais são as causas das queimadas no Brasil? e as consequências? Nossa equipe de reportagem decidiu ir a fundo e investigar no que as mudanças climáticas recentes têm a ver com este dano ambiental majoritariamente causado pelo homem.

 

Apocalipse?

Em São Paulo, maior cidade do país, faz 5 anos que, ao menos uma vez ao ano, o céu fica escuro e faz o dia virar noite. Mas não por um eclipse solar ou tempestade, ou até praga bíblica, e sim por conta dos incêndios que ocorrem por toda a flora brasileira, a maioria esmagadora dessas queimas tem origem justamente na ação humana.

Mas é verdade que as nuvens que escurecem parte do país não eram apenas “fumaça”, trata-se de dois fenômenos, um meteorológico e outro antrópico, que se juntaram. é o que afirma o professor Ricardo Marcílio em seu canal no YouTube “Trata-se de um fenômeno natural nessa época do ano. a MPA (Massa Polar do atlântico) vem do sul erguendo vapor quente e úmido onde passa e formando nuvens densas que não permitem a passagem de luz (...) junto com outro fenômeno natural e antrópico das queimadas no centro-oeste, que acaba condensando a fumaça que vinha do continente e torna tudo ainda mais ‘escuro’”

 

Foto tirada no dia 19/8/2019 por Bruno Ulivieri/Ofotográfico

 

É fato que as queimadas não são apenas causadas pela ação humana, mas as atividades mais  custosas ao meio ambiente são as atividades da agropecuária. Segundo o monitoramento do MapBiomas sobre a Evolução Anual da Cobertura e Uso da Terra (1985-2022), 50% da área de mata nativa do Cerrado, o bioma brasileiro mais afetado pelo fogo nos últimos 5 anos, hoje está dedicada ao agronegócio, sendo a maior parte dedicada à criação de gado.

No pantanal, uma das regiões onde ocorreram as queimadas que escureceram o céu da capital paulista, o cenário se repete: 99% do território onde se pratica a agropecuária é atribuído a pastagem de boi. O cultivo de gado, inclusive, está totalmente atrelado a este movimento expansivo-agressivo no Brasil. Pois justamente é o boi que necessita de espaço e uma vegetação campestre para poder ser criado em massa.

 

Solo empobrecido

Na agricultura a técnica da queimada é usada, mas não é benéfica, visto que a queimada tem consequências praticamente irreversíveis no solo, segundo estudo publicado pela Embrapa: o incêndio altera, direta ou indiretamente, as características físicas, químicas, morfológicas e biológicas dos solos, como o pH, teor de nutrientes e carbono, biodiversidade da fauna, temperatura, porosidade e densidade.

 

Foto/Reprodução: Jacto

 

Este processo torna o campo extremamente pobre para qualquer cultivo que não seja a monocultura geneticamente modificada. Isso empobrece não somente o chão, mas também a própria qualidade do alimento, além de secar lençóis freáticos, podendo, literalmente, criar um deserto a longo prazo.

As consequências imediatas das queimadas nos últimos anos no Brasil representam um desafio complexo, envolvendo não apenas impactos ambientais, mas também sociais e econômicos. O aumento significativo dos focos de incêndio, intensificado pelo desmatamento, coloca em risco a diversidade biológica, compromete a qualidade do ar e representa uma ameaça para as comunidades locais. A relação entre as queimadas e o desmatamento, como indicado por especialistas, ressalta a necessidade urgente de estratégias integradas de preservação e conscientização. O alarmante aumento no número de incêndios na Amazônia, superando registros anteriores, requer medidas imediatas para mitigar os danos e preservar um patrimônio natural essencial não apenas para o Brasil, mas também para o equilíbrio ambiental global.

 

Impactos das queimadas

As queimadas têm um impacto direto na natureza brasileiro, várias espécies, tanto de planta quanto de animal, acabam sofrendo. Uma pesquisa feita entre 2001 e 2019 pela  Universidade do Arizona (EUA), com participação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) analisou 11.514 espécies de plantas e 3.079 espécies de animais vertebrados, entre aves e mamíferos. Dos que já estavam ameaçados de extinção, entre 70% e 85% perderam grande parte de seus habitats naturais pelo fogo. Na Amazônia, há uma grande quantidade de plantas que têm propriedades medicinais, de alimentação, são mais de 2.000 mil registradas, de mais de 30.000 mil que participam do ecossistema, e grande parte pode ser perdida pelas queimadas.

Outros que são afetados com as queimadas são as tribos nativas, muitas de suas terras são invadidas e tomadas pelos agricultores para expandir as suas plantações. Esse número de invasões vêm aumentando nos últimos anos por conta da má fiscalização e medidas ineficientes do governo.

As queimadas também influenciam no aumento do efeito estufa, por conta da alta emissão de gás carbônico para a atmosfera e o aumento do aquecimento global. Esse calor intenso provoca queimadas naturais, principalmente no cerrado, onde é muito seco, e são muito difíceis de serem controladas, por ser em alta escala.

                      

 

Redução de danos

Vários dos dados que constam nesta reportagem foram retirados do site MapBiomas, organização que monitora mensalmente as atividades benéficas e maléficas ao meio ambiente Brasileiro e mundial, lá você pode acompanhar os acontecimentos e dados atualizados do desmatamento no Brasil.

Além do MapBiomas, há também organizações sérias que ajudam no combate ao fogo nas matas brasileiras, como o instituto SOS Pantanal, uma das organizações não governamentais mais ativas e confiáveis no combate a queimadas no centro-oeste, que inclusive aceita doações, que serão convertidas de forma confiável e prestativa nesta batalha pelo meio ambiente.

A luta pelo meio ambiente próspero é de todos, inclusive dos que moram em meio urbanos, vamos cuidar para que o futuro continue a ser verde e a natureza resista.

 

Esta reportagem foi produzida como atividade extensionista do curso de Jornalismo da PUC-SP

A “selva de pedra” vai além de concreto e dias cinzentos
por
Isabelli Albuquerque
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12/11/2023 - 12h

A maioria das pessoas ao pensar na cidade de São Paulo imaginam um lugar caótico e lotado de prédios – o que não deixa de ser verdade, mas a cidade tem muito mais a oferecer além de edifícios e mais edifícios. Mesmo sendo uma grande metrópole, a capital paulista é a sexta cidade mais arborizada do país, contando com 113 parques e áreas verdes espalhadas por seu território.

O ensaio fotográfico a seguir mostra apenas uma pequena parcela da natureza encontrada em São Paulo, focando no centro da cidade, onde é possível encontrar diversas árvores dobrando uma esquina.

Largo do Paissandú visto da Galeria do Rock. Foto: Isabelli Albuquerque 
Praça da República. Foto: Isabelli Albuquerque 
Esquina da Avenida Ipiranga com a Avenida São Luís. Foto: Isabelli Albuquerque 
Jardim da Prefeitura de São Paulo e Viaduto do Chá. Foto: Isabelli Albuquerque 

 

Shopping Light. Foto: Isabelli Albuquerque 

 

Vale do Anhangabáu. Foto: Isabelli Albuquerque 
Edifícios no Vale do Anhangabau. Foto: Isabelli Albuquerque