O espaço da torcida LGBTQIAPN+ dentro dos estádios de futebol no Brasil
por
Gustavo Tonini
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20/10/2026 - 12h

 

“O futebol é uma manifestação cultural. É um elemento central para entender o comportamento da sociedade brasileira” começa o jornalista João Abel em seu livro Bicha! Homofobia estrutural no futebol. A pauta LGBTQIAPN+ vem ganhando mais visibilidade nos últimos anos no Brasil e no seu futebol. Alguns movimentos ajudaram a facilitar a entrada desse tipo de torcedor no estádio, como foi o caso do enquadramento da transfobia e homofobia na Lei de Racismo ou as ondas recentes de organização de coletivos da comunidade nos grandes clubes do país. Ao mesmo tempo, o último Anuário do Observatório da LGBTFOBIA no futebol feito pelo coletivo Canarinhos LGBT registrou que os casos desse tipo de preconceito vem crescendo nos últimos anos. 

Para entender como se dá os movimentos de torcida LGBTQIAPN+ no futebol, é primeiro necessário entender como um torcedor comum da comunidade atua no esporte. Para isso, foram escutados três torcedores de clubes entre as maiores torcidas do Brasil, Corinthians, São Paulo e Palmeiras. 

Para a torcedora do Corinthians, que se apresentou como uma mulher cisgênero lésbica e não quis se identificar, ela começou a torcer pelo Timão por conta do seu primo, que sempre mostrou muito de futebol para ela e isso acabou a influenciando. Ela também relata que raramente vai ao estádio ver os jogos da equipe, mesmo considerando que sempre se sentiu segura dentro dele.  

Já para Lucca Cassetari, torcedor do São Paulo, que se apresentou como homem trans e bissexual, sua torcida pelo Tricolor vem de toda sua família. Ele relata que, apesar de ir pouco ao estádio, sente uma forte atração pelo clima de união e de torcida que envolve ele. Porém, mesmo que nunca tenha se sentido atacado no estádio, reitera que “em estádio eu participo das convenções sociais e eu também não tenho nada que me revela ultimamente, então, acabo sempre passando despercebido”. Além disso, também pontua que não se sentiria confortável em ir ao estádio com sua namorada, que se apresenta como uma mulher trans, já que sente que esse espaço não é o mais acolhedor para as diferenças de sexualidade e de gênero. 

A entrada de pessoas trans no meio do futebol é particularmente mais difícil. Como explica João Abel, assim como a maioria das modalidades esportivas, ele funciona numa lógica binária de gênero, já havendo um impeditivo estrutural do esporte para que alguém que fuja dessa lógica. No esporte bretão essa situação se agrava justamente pelo fato de se caracterizar especificamente no gênero masculino. 

 

Foto meninos bom de bola
O instituto Meninos Bons de Bola possui o primeiro time de futebol formado somente por homens trans/ Foto: REPRODUÇÃO/Instagram/ @institutombb

 

Além disso, para o jornalista, a homofobia no futebol seria uma ramificação do sexismo que envolveu seu início masculino. Ele afirma que desde o princípio a prática do futebol era um ambiente masculino e masculinizante, feito por homens e consumidos por homens. Por isso, reitera “a ausência do feminino, do que se considera como feminino, que no caso é a presença da mulher, foi gerando uma aversão a qualquer coisa que fosse relacionada ao universo feminino” e, a partir disso, a homofobia. Com isso, esse preconceito a pessoas LGBTQIAPN+ no futebol, principalmente à homens gays, é encarado como um pretexto para acirrar rivalidades. “Você parte de um pressuposto de que o seu adversário é menos masculino de alguma forma e que isso seria algo ruim” reitera João Abel, e justamente por isso começa-se a atentar a qualquer aspecto que dê margem a esse pressuposto.  

Para Caíque Apolinário, torcedore do Palmeiras, que se apresentou como não-binário e bissexual, sua paixão pelo Verdão surgiu pelo pai e também pela conquista da Libertadores de 1999. Elu aponta que o ambiente em volta do estádio do time tem bares que são mais abertos à pessoas LGBTQIAPN+ e que sente mais segurança quando está com alguém conhecido. Mesmo assim, ainda há um receio de fazer demonstrações públicas de homoafetividade, já que é muito frequente que torcedores do mesmo time responsabilizam torcedores que as fazem como culpados de eventuais derrotas. 

Além disso, Caíque conta ainda que quando começou a acompanhar futebol, no final dos anos 90, em uma época de constantes brigas entre torcidas organizadas, que eram em grande parte televisionadas. Essa agressividade na torcida transbordava para seu ambiente escolar, que se tornava um espaço de comentários racistas e homofóbicos. Elu conta ainda que viu esse espaço se transportar para as redes sociais. Justamente procurando espaços de conversa sobre futebol sem essa toxicidade, que, em 2024, chegou ao coletivo da Porcoíris, onde atua hoje como parte da diretoria, ajudando na produção de conteúdo e gerenciamento da comunidade. 

A Porcoíris surgiu no início de 2019, por iniciativa do engenheiro João Victor. O coletivo surgiu como uma resposta à aparição do então presidente Jair Bolsonaro na comemoração do título brasileiro de 2018 da equipe alviverde, para impedir com que houvesse o risco de associar a imagem do clube à extrema-direita. Nos sete anos de atuação do coletivo, ele conta com estruturas organizadas na área jurídica e financeira, que servem para impedir que se associem a imagem do Palmeiras com movimentos extremistas de direita, principalmente o facismo ou à imagem de Mussolini.

De acordo com João Abel, a Porcoíris faz parte da terceira onda de torcidas ou coletivos LGBTQIAPN+ no Brasil. O jornalista conta que as ondas são separadas em três momentos de guinada conservadora no país. 

A primeira onda seria no final da década de 70 e início da década de 80, nos anos finais da Ditadura Militar no Brasil, quando surgiu a primeira e, a que talvez seja a maior, torcida gay da história do país, a Coligay. Torcida criada pelo produtor cultural e dono da boate Coliseu em Porto Alegre, Volmar Santos, para apoiar o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. Ela não só foi o primeiro coletivo LGBTQIAPN+ no Brasil, como foi também uma das primeiras torcidas organizada da equipe, sendo que João Abel a considera como embrião da futura Geral do Grêmio, principal torcida do time de hoje.

  

foto coligay
Coligay se tornou um talismã da equipe do Grêmio nos anos 70, sendo que no seu primeiro ano viu a equipe encerrar uma fila de 9 anos no campeonato gaúcho. Foto: DIVULGAÇÃO/ Coletivo Canarinhos Lgbt

 

A segunda onda seria em 2013, ano em que, de acordo com o jornalista, ocorreu o início da guinada conservadora nos últimos anos no Brasil. Época em que as redes sociais começaram a ganhar o poder para iniciar mobilizações presenciais. Justamente nesse período, foram criadas muitas páginas de coletivos LGBTQIAPN+ de times de futebol no Brasil, principalmente no Facebook e no Twitter. Um dos precursores desse movimento foi a página Galo Queer, do Atlético Mineiro, criada por Nathália Duarte, que, muito por conta de constantes ameaças, se restringia somente ao espaço das redes sociais.

A terceira onda, em 2019, seria quando houve de fato a virada conservadora iniciada em 2013, de acordo com João Abel, na eleição de Jair Bolsonaro à presidência. Além disso, esse período também marcou um episódio de grande repercussão na época, em que um torcedor gay do Palmeiras respondeu com ironia em suas redes sociais em relação aos cânticos homofóbicos da sua torcida à equipe do São Paulo. E também nesse período, a homofobia e a transfobia começaram a se enquadrar na Lei do Racismo (Lei nº 7.716/1989). Com isso, o número de coletivos LGBTQIAPN+ nas redes cresceu, como é o caso da Porcoíris, além de também surgir, no início de 2020 a LGBtricolor, torcida do Esporte Clube Bahia, que tem o costume de frequentar a Fonte Nova.

 

imagem lgbtricolor
Torcida LGBTricolor foi fundada em 2019 e possui mais de 600 membros, sendo hoje a maior torcida organizada LGBTQIAPN+ do Brasil – Foto: Reprodução/Floripa.LGBT

 

Além disso, em 2019 também surgiu o coletivo Canarinhos LGBTQ com o intuito de unir os coletivos da comunidade nas torcidas brasileiras. Essa união permite combate à LGBTfobia com ações, campanhas, iniciativas e sugestões de inclusão e diversidade. Além disso, como ressalta Caíque Apolinário, essa união é importante para aumentar a pressão sobre os clubes, principalmente para aqueles nos quais o coletivo ou a torcida LGBTQIAPN+ não possui força nem contato direto com o time e sua diretoria.

É justamente nessa terceira onda que surge a Porcoíris. Caíque afirma que o coletivo atua muito mais nas redes sociais, priorizando a produção de conteúdos educativos e a criação de ambientes saudáveis para discussão sobre futebol. Sendo que essa atuação digital permite que o coletivo quebre barreiras para conseguir o contato mais amplo com torcedores, além de permitir que vozes mais plurais sejam ouvidas. Ainda mais que o coletivo não tem conexão direta alguma com o clube ou a diretoria do Palmeiras, sendo que a bandeira do coletivo só apareceu uma vez exposta no estádio da equipe, em 2020, num duelo sem torcida contra o Atlético Mineiro.

 

imagem bandeira da porcoiris
Bandeira da Porcoíris exposta no jogo/ Foto: Divulgação/ Porcoíris

 

Além disso, a Porcoíris é hoje o maior coletivo LGBTQIAPN+ no mundo, contando com 36 mil seguidores nas redes sociais. Ele reúne pessoas que vão diretamente ao estádio, pessoas que não possuem condições de ir neles e até pessoas que moram fora do Brasil. Cria-se então um ambiente de fato para torcedores de diversas realidades, mesmo que, de acordo com Caíque Apolinário, em um censo demográfico dentro do grupo de Whatsapp do coletivo, foi descoberto que a maioria dos integrantes sejam homens e mulheres cisgêneros e gays.

João Abel concorda com a importância das redes para esses coletivos, ainda reiterando que a presença de torcidas LGBTQIAPN+ no estádio ainda é um cenário em construção. De acordo com ele, isso ocorre pois a questão da homofobia é algo que ainda está muito atrasado no futebol. As punições para atos homofóbicos no futebol ainda não se de fato efetivas, “o máximo que você já teve foi um jogo com portões fechados”, reitera, nos principais times brasileiros, nenhum jogador se declarar homossexual, se isso ocorre é somente após sua aposentadoria, essa pauta nos esportes ainda é algo que possui momentos de protagonismo e de maior visibilidade, entre outros fatores.

O jornalista ainda faz uma comparação com a questão racial no futebol. Ele reitera “vai fazer 100 anos e só agora a gente entendeu que o racismo não é parte estrutural e cultural do futebol”, afirmando que desde a profissionalização do futebol no Brasil haviam jogadores negros atuando e somente em anos mais recentes a cultura no racismo foi adotado como algo inaceitável nos estádios. O futebol está muito intrincado na estrutural social do Brasil, com ainda o agravante de ser um esporte que nasceu da elite branca, cisgênero e heteronormativa, portanto é natural que as mudanças para sua abertura sejam gradativas. 

Além disso, João Abel ainda relata que alguns movimentos importantes já vêm ocorrendo para facilitar a entrada da pauta LGBTQIAPN+ no futebol fora de campo. Primeiro, nas redes sociais vêm crescendo o número de pessoas da comunidade que falam sobre futebol, incentivando uma naturalização da relação entre os dois. Segundo, sendo a homofobia uma ramificação do sexismo no futebol, ações como a do Atlético Mineiro, que relata quantas torcedoras mulheres têm no estádio, que abrem o mundo do futebol para além do masculino também contribuem para essa entrada.

Evento reuniu 36,8 mil pessoas na Avenida Paulista e teve o voto como tema central em ano eleitoral
por
Daniela Martinho
Isabella Damião
Lara Manasseh
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10/06/2026 - 12h

No domingo (7), a maior Parada do Orgulho LGBT+ do mundo realizou sua 30ª edição na cidade de São Paulo com o tema “A rua convoca, a urna confirma”. A escolha destacou a importância da participação política e celebrou os 30 anos da urna eletrônica no Brasil. O evento reuniu cerca de 36,8 mil  pessoas na Avenida Paulista, segundo estimativa do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e da ONG More in Common. O pico da manifestação ocorreu às 14h37, com margem de erro de 12%. 

A edição de 2026 foi marcada pela queda de patrocínio, que alcançou seu ápice com cerca de 60% a menos de incentivo em comparação com anos anteriores. . Um dos principais efeitos dessas medidas é a diminuição da quantidade de participantes ao longo dos últimos anos: em 2024, foram 73,6 mil pessoas no evento; já em 2025, o número foi para 48 mil.

Com shows de Pabllo Vittar e Gloria Groove, além da presença dos deputados do PSOL Erika Hilton e Guilherme Cortez, os 14 trios elétricos reforçaram a importância do exercício da cidadania consciente em ano eleitoral.Na avenida, artistas, ativistas e representantes da sociedade civil defenderam pautas ligadas aos direitos da população LGBTQIA+, ao combate a projetos discriminatórios e à ampliação da representatividade política.

 Os discursos destacaram a relevância da participação eleitoral como instrumento de manutenção de conquistas e direitos, enfrentamento de possíveis regressões. “A grande questão talvez seja a gente não perder o que já se tem, porque a possibilidade de retrocesso está muito grande com os políticos que, infelizmente, querem que a gente suma do mapa”, afirmou o professor de biologia Alexandre Fagundes Cesar, de 51 anos, que veio do Mato Grosso especialmente para a Parada. 

Em maio, o vereador Rubinho Nunes (União Brasil) apresentou o projeto de lei 50/2025, que busca impedir a presença de menores de idade em eventos LGBT+ e restringir sua realização em vias públicas. A proposta foi aprovada em primeiro turno na Câmara Municipal e aguarda votação final e decisão do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Para o advogado pernambucano Johnes Barbosa, de 30 anos, que também veio para São Paulo participar do evento, este é um ano ímpar para a Parada do Orgulho LGBT+. “A gente sabe que é uma celebração, mas acima de tudo é um manifesto”, afirmou.

 

A manifestação que deu origem à Parada aconteceu em 1996, na Praça Roosevelt, em São Paulo, e reuniu cerca de 500 pessoas. No ano seguinte, a primeira edição oficial aconteceu na Avenida Paulista, com cerca de 2 mil pessoas. Em 2006, a 10ª edição do evento bateu recordes internacionais ao reunir mais de 2,5 milhões de pessoas - marco que consolidou a edição paulista da Parada do Orgulho como a maior do mundo.   “Eu apanhei na Paulista quando ainda tinha ditadura porque eu beijei um homem. Eu apanhei da polícia na cara. Hoje isso não acontece. Hoje é lindo ver casais LGBT com um filho. Essas conquistas maravilhosas me emocionam”, declarou Edson, de 63 anos.  Ainda que as políticas públicas em prol da segurança da comunidade tenham avançado nos últimos anos, a violência contra pessoas homossexuais e bissexuais aumentou em 1.110,99% de 2014 até 2023, segundo o Atlas da Violência de 2025. Para pessoas transexuais, o aumento é ainda mais substancial: 1.607,69% de aumento de violência contra homens trans e um aumento de 2.340,74% contra pessoas travestis.   Para Louis, estudante de 15 anos, a transfobia é um dos assuntos mais urgentes dentro da pauta LGBT+. “Muitas travestis são espancadas no meio da rua e ninguém fala nada, não chega no jornal. Eu acho isso um pecado. Eles ficam falando que a gente é pecado, mas vão lá e cometem pior”, argumenta.
“Votinho”, boneco que representou a urna eletrônica na 30ª edição da Parada LGBTQIAPN+ em 2026.Foto: Lara Manasseh/AGEMT

 

A manifestação que deu origem à Parada aconteceu em 1996, na Praça Roosevelt, em São Paulo, e reuniu cerca de 500 pessoas. No ano seguinte, a primeira edição oficial aconteceu na Avenida Paulista, com cerca de 2 mil pessoas. Em 2006, a 10ª edição do evento bateu recordes internacionais ao reunir mais de 2,5 milhões de pessoas - marco que consolidou a edição paulista da Parada do Orgulho como a maior do mundo. 

“Eu apanhei na Paulista quando ainda tinha ditadura porque eu beijei um homem. Eu apanhei da polícia na cara. Hoje isso não acontece. Hoje é lindo ver casais LGBT com um filho. Essas conquistas maravilhosas me emocionam”, declarou Edson, de 63 anos. 

Ainda que as políticas públicas em prol da segurança da comunidade tenham avançado nos últimos anos, a violência contra pessoas homossexuais e bissexuais aumentou em 1.110,99% de 2014 até 2023, segundo o Atlas da Violência de 2025. Para pessoas transexuais, o aumento é ainda mais substancial: 1.607,69% de aumento de violência contra homens trans e um aumento de 2.340,74% contra pessoas travestis. 

Para Louis, estudante de 15 anos, a transfobia é um dos assuntos mais urgentes dentro da pauta LGBT+. “Muitas travestis são espancadas no meio da rua e ninguém fala nada, não chega no jornal. Eu acho isso um pecado. Eles ficam falando que a gente é pecado, mas vão lá e cometem pior”, argumenta. 

 

Do Lampião ao Unicorns: projetos ao longo da história promovem a autoaceitação da identidade gay
por
Elisa Almeida
João Calegari
Mariana Araujo
|
21/05/2026 - 12h

Em abril de 1978, foi publicada a edição número 0 de Lampião da Esquina. O primeiro jornal ativista pelos direitos civis gays do Brasil. O editorial da primeira edição clamava pela saída da comunidade LGBTQIAN+ dos guetos. O Lampião durou até 1981 e foi o primeiro a abordar a homossexualidade, desafiando censura e preconceitos vigentes no país durante a Ditadura Militar. O jornal caminhava contra a mídia hegemônica e protestava pela forma como a comunidade era retratada em veículos tradicionais. 

Capa do livro-reportagem, Imprensa Gay no Brasil. Foto: Elisa Almeida/AGEMT
Capa do livro-reportagem Imprensa Gay no Brasil. Foto: Elisa Almeida/AGEMT


Em entrevista à Flávia Péret, autora de “Imprensa Gay no Brasil”, Celso Cury, redator e editor do jornal, conta que em veículos tradicionais, até os glossários não eram adequados aos públicos minoritários. Na Folha de S. Paulo, por exemplo, a palavra “lésbica” era substituída por “feminista”.

A mídia contra-hegemônica surge para representar as necessidades de grupos minoritários, que tentam alertar o grande público sobre o rumo que a sociedade está tomando. Para Rosane Borges, doutora em Comunicação e Linguagem pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e autora de “Imaginários emergentes e mulheres negras”, “ouvir essas vozes não é apenas uma questão de empatia, mas de reconhecer que a desumanização desses grupos apequena toda a sociedade”.

Hoje, veículos da grande mídia apresentam colunas e editoriais dedicados à comunidade queer. Mas, apesar dos avanços, os grupos minoritários continuam sendo perseguidos e violentados por movimentos de fanatismo religioso, preconceitos e ideologias retrógradas.

Além da representação nas mídias, surge a necessidade de espaços de segurança para os membros dessa comunidade. O Unicorns Brazil, projeto multiesportivo voltado ao convívio de pessoas LGBT+, é um desses espaços.

Goleiro Maurício treinando na "Escolinha Unicorns"/ Foto: Elisa Almeida
Goleiro Maurício treinando na "Escolinha Unicorns"/ Foto: Elisa Almeida/AGEMT​​​​​​


Filipe Manetta Marquezin, advogado e fundador do projeto, afirma: “O Unicorns acaba sendo um lugar seguro fisicamente, mas também mentalmente, livre de preconceito. Ninguém vai se preocupar se você é gay aqui”.
Quando as vozes contra-hegemônicas se unem, surge uma identificação coletiva, transformando indivíduos isolados em grupos sociais conscientes. Essa união mostra que o “padrão universal” de outrora é, na verdade, uma visão limitada do mundo, argumenta Borges. Segundo a professora do curso de jornalismo da PUC-SP, “a união funciona como uma frente ampla que gera força de pressão sobre os governos. Esse movimento promove a autonomia, a emancipação e serve como uma ferramenta de educação para o conjunto da sociedade.”

Os membros do Unicorns enxergam o grupo como um espaço de pertencimento. Luiz Fernando Cornacioni de Sousa, Gestor de Diversidade e Eventos e administrador do time-escola de futebol, afirma que a ocupação vai além dos campos. “Jogar aqui é assumir um espaço, não só na quadra. Quando saímos juntos para tomar cerveja, as pessoas veem gente diferente, dos mais afeminados aos mais padrões”, conta. 

Reunião pós treino da "Escolinha Unicorns"/ Foto: Elisa Almeida/AGEMT
Reunião pós-treino da "Escolinha Unicorns", com os técnicos Alessandro Cadenazi e Wellington Meneses/ Foto: Elisa Almeida/AGEMT



João Victor Freire, influencer e jogador do time de futebol do Unicorns, relata: “É um processo um pouco mais complexo, não é só do futebol. No meu caso, acho que é um processo de autoaceitação também”. 
“Fui procurando caminhos para achar gente que também é gay, um grupo que me acolhesse melhor, entrar para o Unicorns também é encontrar pessoas com vivências parecidas com a sua”, completa.
Sobre essa busca aos seus semelhantes, Borges explica, “a representação hegemônica estabelece uma normatividade baseada em um padrão cis-hétero, é isso que deslegitima vozes heterogêneas que estão fora desse padrão”. A masculinidade hegemônica transforma o espaço e o convívio fora dele. Para a pesquisadora, Grupos como o Unicorns Brazil reivindicam o direito de voz e de ocupar espaços sem precisar se adequar a padrões tradicionais de comportamento.

Disputa pela bola durante treino da "escolinha Unicorns". Foto: Elisa Almeida/AGEMT
Disputa pela bola durante treino da "escolinha Unicorns". Foto: Elisa Almeida/AGEMT


Marcelo Douglas Costa, consultor de Costumer Experience, esperava começar o “rachão do Unicorns” quando conversou com a AGEMT, “Eu já sabia que era gay, mas o futebol era uma fuga para mim”. A segurança foi um fator determinante para procurar pelo grupo, “futebol é uma paixão nacional e não era justo sermos excluídos pelo desconforto de outros”.

Os símbolos do Unicorns representam orgulho e aceitação. Paulo Octávio Hueso Andersen, advogado e atleta de futebol do projeto, relata: “a primeira vez que pude representar o time pertencendo a um grupo, foi um momento de orgulho. Quando coloquei a camisa com meu nome e saí na rua ou fui à academia com ela, foi uma reafirmação.”

“Em uma sociedade democrática real, a voz de uma pessoa LGBT, indígena e branca deve ter o mesmo valor e peso político. Sem essa escuta, não há democracia, nem espaço público qualificado”, afirma Borges. Fora das quadras, o projeto Unicorns Zine é um braço de lifestyle do grupo. A revista retrata o dia a dia LGBT em SP. A escritora explica que esse tipo de proposta é um jeito formal de organizar as vozes de uma comunidade. “A mídia contra-hegemônica é fundamental porque funciona como a voz silenciada que irradia os bloqueios da mídia tradicional”, pontua a professora.

Time-escola do Unicorns Brazil/ Foto: Elisa Almeida/AGEMT
Time-escola do Unicorns Brazil/ Foto: Elisa Almeida/AGEMT

 

Requerimento da Câmara Municipal de Londrina tentou impedir a atleta transexual de participar da competição
por
Guilbert Inácio
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03/03/2026 - 12h

Na última quinta-feira (26), a Câmara Municipal de Londrina (PR), em regime de urgência, aprovou um requerimento que vetou a jogadora trans Tiffany Abreu, do Osasco Cristóvão Saúde, na fase final da Copa Brasil de Vôlei Feminino, que ocorreu no município. A medida foi derrubada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A imagem mostra a jogadora Tiffany Abreu, do Osasco, com os dois braços levantados. Atrás, há a presença de outras jogadoras e da arquibancada.
Em 2017, Tiffany se tornou a primeira mulher trans a atuar na elite do vôlei feminino brasileiro. Foto: Carolina Oliveira/Osasco Cristóvão Saúde

O requerimento 102/2026, protocolado na Câmara pela vereadora Jéssica Ramos Moreno (PP), conhecida como “Jessicão”, foi aprovado por 12 votos favoráveis e quatro contrários. No texto da solicitação, a vereadora cita nominalmente Tiffany e alega que o Osasco inscreveu “o atleta” de forma indevida.

Lei contraditória

A ação foi encaminhada por ofício para a prefeitura, que exige o cumprimento da Lei Municipal nº 13.770/24. Essa norma municipal proibe, em Londrina, a participação de “atleta identificado em contrariedade ao sexo biológico de seu nascimento” em times, competições, eventos e disputas esportivas.

A lei é de autoria de Jessicão e não chegou a ser sancionada pelo então prefeito de Londrina, Marcelo Belinati, mas foi promulgada pelo presidente da Câmara, Emanoel Gomes (Republicanos). Caso a medida seja descumprida, o segundo parágrafo do Art. 2º prevê revogação do alvará da competição e multa administrativa de R$10.000 ao Osasco.

Contudo, a norma tem trechos confusos no campo da ciência, pois ao definir quem está impedido de jogar por "contrariedade ao sexo biológico" o texto mistura identidade de gênero e orientação sexual. “Gay, lésbica, bissexual, pansexual, intersexual, assexual, transexual, agênero, não binário de gênero, cisgênero, transgênero, travesti, entre outros”, diz o segundo parágrafo do Art. 1.

A palavra cisgênero, termo referente às pessoas que se identificam com o sexo biológico atribuído no nascimento, também é mencionada. Em resumo, a lei, como está redigida, abre precedentes para proibir qualquer pessoa de praticar esportes de alto rendimento no município. Isso pode interferir na autonomia das federações de regular as práticas esportivas, além de entrar em conflito com a seção III da Lei Geral do Esporte, que garante o direito fundamental de todas as pessoas à prática esportiva em suas múltiplas e variadas manifestações.

Manifestações e decisões da justiça

Após a aprovação do requerimento, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) e o Osasco recorreram à justiça para garantir a presença da atleta na semifinal da competição contra o Sesc RJ Flamengo, na sexta-feira (27), no Ginásio Moringão.

Em nota no Instagram, o clube paulista se manifestou:

 “Tifanny Abreu atua profissionalmente no voleibol nacional há mais de oito anos. É uma atleta exemplar, dedicada e que cumpre rigorosamente todos os requisitos técnicos, médicos e de elegibilidade exigidos pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), órgão máximo que regula a modalidade no país. Ela está, portanto, regularmente inscrita e apta a disputar qualquer competição sob a chancela da CBV.

Osasco São Cristóvão Saúde entende que as competições esportivas de nível nacional devem ser regidas pelas normas das confederações esportivas nacionais, que possuem a competência técnica e recursos para análise científica para definir os critérios de elegibilidade. A interferência de legislações municipais sobre regras de competições federadas cria um precedente perigoso que ameaça a isonomia e a integridade das disputas esportivas no país.

Nosso clube se pauta pelos valores do esporte, que agregam a inclusão, a diversidade e o respeito a todos os indivíduos. Apoiamos integralmente a nossa atleta e defendemos seu direito constitucional ao trabalho e ao exercício de sua profissão, livre de qualquer forma de discriminação.”
 

Na tarde de sexta-feira (27), o juiz Marcus Renato Nogueira Garcia, da segunda Vara da Fazenda Pública de Londrina, apontou inconstitucionalidade e concedeu liminar que impediu a prefeitura de vetar a ponteira do jogo. A prefeitura atendeu o pedido.

Horas antes do jogo, em liminar, a ministra Cármen Lúcia, do STF e responsável pela relatoria do caso, suspendeu a eficácia da lei até que a ação passe por exame de mérito. Segundo a ministra, a lei geraria: "grande perplexidade e insegurança jurídica e social, por materializar um retrocesso nas políticas de inclusão social, de igualdade de gênero e de promoção da dignidade humana".

A vereadora Paula Vicente (PT), uma das quatro pessoas que votaram contra o requerimento, alegou que vai entrar com ação nos órgãos competentes para revogar a lei.

Tiffany fica

A imagem mostra a jogadora Tiffany Abreu, do Osasco, recebendo o troféu Viva Vôlei.
Tiffany atuou na semifinal e final da Copa Brasil de Vôlei. Foto: Rafael de Paula/Usina de Ideias/CBV

Na final, no sábado (28), a equipe paulista foi campeã sobre o Minas por 3 sets a 1. Tiffany foi ovacionada pelo público presente no Ginásio Moringão.

Por voto popular, a jogadora do Osasco foi eleita a melhor jogadora da final e recebeu o troféu Viva Vôlei, mas entregou o mérito a Jenna Gray, levantadora e aniversariante do dia, que foi dispensada do Minas no fim da última temporada.

Em entrevista à Sportv, Tiffany mandou um recado para a vereadora Jessicão pedindo para ela se preocupar mais com o esporte da cidade. “Vai buscar incentivo para dar suporte, em vez de excluir, porque o seu trabalho é dar inclusão e não exclusão.”
 

Ataque com xingamentos homofóbicos aconteceu durante as comemorações do 7 de Setembro, por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro; Brasil registra uma morte por homofobia a cada 30 horas
por
Maria Clara Palmeira
Maria Mielli
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10/09/2025 - 12h

Neste domingo (07), o vendedor Bruno Barros, 34, foi agredido por um dos manifestantes presentes no ato pró-Bolsonaro, na Avenida Paulista. A agressão ocorreu na banca em que Bruno e seu marido, Lucas Vinicius, vendem seus artesanatos. Os produtos são voltados à comunidade LGBTQIA +; bandeiras lésbicas, gays, trans, canecas e itens decorativos. 

Em entrevista à AGEMT, Bruno relatou que eles estavam cientes da manifestação, mas que isso não seria um empecilho para cumprir mais um dia de trabalho. Segundo o vendedor, ele tentou inclusive encarar o dia com bom humor: “Eu estava com um leque da comunidade, brincando, porque você percebe quem passa ali e não é bolsonarista. Aquela pessoa te olha, dá um sorriso meio tímido; e aí eu brincava: limpa, limpa, limpa!"

A biomédica Letícia Serafim, que passeava pela avenida com um amigo, contou que não se lembrava da manifestação: “Nunca tinha visto aquilo de perto. As pessoas esbarravam de propósito, como se fossem donas da Paulista. O mais absurdo foi ver bandeiras dos EUA sendo erguidas, no Dia da Independência do Brasil.”

Letícia relatou que foi até um shopping nas proximidades e foi atraída pela banca de Bruno e Lucas: “Foi como entrar numa bolha. Ali tinha música, conversa, acolhimento. Eles eram a verdadeira resistência no meio do caos.”

Artigos vendidos na Riot Store, banca de Bruno e Lucas. Foto: Reprodução/Letícia Serafim
Artigos vendidos na Riot Store, banca de Bruno e Lucas. Foto: Letícia Serafim

Segundo Bruno, alguns dos manifestantes gritavam coisas aleatórias direcionada a ele, de “petista safado” a “Lula ladrão”. Até que um grupo de meninos se aproximou para gravar uma entrevista com ele. “Eu estava falando como eu estava incrédulo, como [o protesto] estava cheio. Foi bem assustador ver o tanto de pessoas que estavam passando. Pessoas que não tem conhecimento nenhum de história, pedindo anistia de pessoas que depredaram o Brasil. É ridículo”, declarou. Mas enquanto conversava com os entrevistadores, um manifestante começou a proferir comentários homofóbicos na direção de Bruno, que interrompeu a entrevista e foi pedir ajuda a policiais que estavam próximos.

Bruno foi então agredido com um soco no maxilar, na frente dos policiais. “Foi do nada. Na hora que ele virou o soco, o policial veio, separou e eu falei ‘agora que eu quero mesmo abrir um BO de agressão e um de homofobia' ”. De acordo com o relato do vendedor, após os policiais conterem o agressor e afastá-lo, eles o soltaram. 

A situação revoltou Bruno que começou a gritar acusando não só o agressor, mas os demais manifestantes de "homofóbicos, racistas, transfóbicos e misóginos”. Em resposta, o grupo inverteu a situação e afirmou que era Bruno quem estava atacando os manifestantes. Lucas, marido de Bruno, tentou acalmá-lo diante aquela situação. “Acho que foi a primeira vez que a gente ficou com medo, eu, meu marido e uma amiga nossa que estava ali”, desabafou à Agemt.

Segundo o Atlas da Violência, produzido pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, de 2014 a 2023 o registro de violências contra pessoas da comunidade cresceu 1.227%. Em relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB), só em 2024 o Brasil registrou 91 mortes violentas de pessoas LGBTQIA+, o equivalente a uma morte a cada 30 horas. Desde 2019, após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), a homofobia e a transfobia foram equiparadas ao crime de racismo, previsto na Lei n.º 7.716/1989, sendo, portanto, passíveis de punição criminal.

Vinicius Oliveira, da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Jundiai, tem homossexualidade acolhida na comunidade
por
Camila Bucoff
Giovanna Brito
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18/06/2024 - 12h

 

“Em Jesus, na minha fé, foi onde eu me encontrei para poder seguir em frente e me entender melhor, entender que isso - ser gay - não é errado” disse Vinicius Oliveira, 18, ao relatar a influência da religião na descoberta da sua sexualidade. O jovem congrega desde a sua infância na Paróquia Sagrado Coração de Jesus em Jundiaí, e durante a adolescência começou a servir de forma voluntária com eventos, teatros, acampamentos e em outras ocasiões. 

Atrás, uma parte da construção de uma igreja católica antiga e, á frente dela, uma bandeira da comunidade LGBTQIAPN+ erguida.
Imagem: Reprodução/Plano crítico.

 

Apesar do seu posicionamento positivo quanto a essa relação, sua trajetória de aceitação pessoal e coletiva como cristão parte da comunidade LGBTQIAPN+ foi composta por altos e baixos. Muitas pessoas que costumam assumir sua sexualidade dentro de lares e ambientes conservadores sofrem diversos tipos de preconceitos e linchamentos, o que acarreta em seu afastamento ideológico da religião. A experiência de Vinícius teve um desfecho diferente: “No começo eu cogitei várias vezes em deixar a minha igreja, sentia que isso não estava me fazendo bem emocionalmente. Foi muito difícil entender o que eu estava sentindo, mas ao me assumir encontrei apoio em amigos e principalmente em Deus.”

As visões cristãs sobre a homossexualidade têm sido diversas ao longo dos séculos e entre as denominações, seja católica ou evangélica. Algumas igrejas conservadoras veem a homossexualidade como uma violação dos princípios bíblicos e a consideram pecaminosa. Outras têm adotado uma abordagem mais inclusiva, aceitando membros LGBTQIAPN+ e, em alguns casos, permitindo casamentos e ordenação de clérigos.

Duas mulheres de cabelo curto, uma loira e uma morena, estão a esquerda da imagem, ambas estão segurando buquês e recebendo a benção de um padre, á direita da imagem. Ele esta de mão erguida sobre a cabeça delas realizando o casamento.
Cerimônia em Igreja Católica alemã celebra união entre casal lésbico. Foto: Andreas Rentz/Getty Images.

 

O número de membros assumidos do clero ainda é desconhecido. De acordo com o levantamento da BBC, dentre os 27 mil padres que exercem o ofício atualmente no Brasil, nenhum teve sua sexualidade levada ao público. Apesar disso estar diretamente ligado com a prática do celibato - disciplina existente desde o século 11 que não permite que os padres tenham relacionamentos amorosos - ainda gera questionamentos sobre a liberdade e é um dos motivos pelo qual diversos líderes pedem o desligamento da Igreja Católica todos os anos, segundo o G1. 

Nesse sentido, a falta de apoio, conselhos e acolhimento por parte da comunidade cristã pode gerar um sentimento de solidão e não pertencimento naqueles que fogem da heteronormatividade. Para o jovem em questão, isso deixou de ser um problema, pois seus amigos são uma grande rede de apoio dentro do ciclo religioso. Segundo ele, existem outras pessoas LGBTQIAPN+ ou que ainda estão confusas sobre sua orientação sexual e passando pelo processo de descobrimento.

Em relação ao posicionamento dos líderes religiosos quanto a homossexualidade, o Papa Francisco tem adotado uma abordagem mais inclusiva e compassiva em relação às pessoas LGBTQIAPN+ em comparação com alguns de seus predecessores. Ele frequentemente fala sobre a importância do diálogo, do acolhimento e do respeito mútuo, mantendo os ensinamentos tradicionais da Igreja. Vinicius comenta sobre isso: “A relação entre a igreja e os LGBT’s sempre vai ser complicada de entender, é um relacionamento muito difícil. Porém, acho que já tivemos muita evolução com isso, as falas do Papa e as leis que aprovam a benção a casais do mesmo sexo são alguns dos progressos que conseguimos ter.”

Porém, algumas de suas declarações recentes geraram controvérsias. Jornais italianos, como o “La Repubblica” e o “Corriere della Sera”, expuseram que dia 11 de junho, em uma reunião fechada, o Papa teria utilizado um termo homofóbico para se referir a população homossexual. A fala envolvia uma problematização da “ideologia gay” e o desencorajamento da presença dessa comunidade nos seminários religiosos. Após as publicações questionando o comportamento do líder, foi declarado em uma nota do Vaticano que o Papa falava sobre o perigo das Ideologias na Igreja.

Papa Francisco lendo um texto no microfone.
Papa Francisco. Imagem: Mídia do Vaticano /Reprodução via REUTERS.

 

O aumento de inclusão e representatividade no meio é fortalecido por movimentos sociais, como os “Cristãos Contra o Facismo” que articulam candidaturas coletivas na tentativa de tornar os espaços mais acolhedores e se opor ao conservadorismo. Todavia, ao passo que tais discursos tenham ganhado certa tolerância, a Igreja enquanto instituição ainda se mantém estagnada. Enquanto a luta não for impulsionada por mudanças estruturais, os avanços são dificultados. 

O padre José Trasferetti, professor titular da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, afirma em entrevista para a BBC que embora perceba uma evolução em relação aos movimentos LGBTQIAPN+ fora do ambiente religioso, a Igreja como instituição avança lentamente: “A Igreja Católica no Brasil é muito comprometida com as questões sociais. Entretanto, em questão de moral sexual, a prática e o discurso continuam os mesmos dos anos 1940 e 1950”. 

Após as dificuldades iniciais, Vinicius, que atualmente concilia seus trabalhos cristãos com a vida de vestibulando de medicina, reforça a sua decisão de seguir na religião: “Foi na minha fé em Jesus que encontrei conforto, que minha vida começou a andar. Isso facilitou para mim a lidar com todas áreas da minha vida. As pessoas tem que ser quem elas realmente são. Ir à Igreja, conversar com Deus e não perder a fé são coisas essenciais para mim.”

Ex-jogadora do AC Futsal (SP), time do Parque América no Grajaú defende a importância da representavidade feminina e LGBTQIAPN+ em um ambiente dominado por homens.
por
Óliver de Souza Santiago
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13/06/2024 - 12h

“Sempre respondia ignorância com respeito, enfrentava piadas dizendo que queria ser homem, e por ser quem eu sou. Porém nunca abaixei a cabeça para qualquer um que fosse", afirma Rafaella Lima, jogadora de futsal do AC Futsal Feminino, time que atuava na Zona Sul de São Paulo na quadra do CDC Gigantinho (SP).

Nascida e criada no distrito do Grajaú, distrito mais populoso de São Paulo (SP), Rafaella diz ainda que "machismo e homofobia interferem muito, as pessoas olham como várias loucas correndo atrás de uma bola, ou mulher que gosta de outra, e não é isso, é mais amplo e tem muita coisa.”

Seu ativismo sobre a causa LGBTQIAPN+ e feminista influenciando colegas de time, sempre foi alvo de discursos de ódio por parte de torcedores rivais que menosprezaram a atleta por ser imponente em mostrar sua personalidade para a comunidade.

Rafaella em mais um de seus jogos durante a passagem no AC Futsal, no CDC Gigantinho
Foto: Reprodução / Instagram @acfutsalfeminino

Sobre como lidar com um ambiente hostil, Lima afirma: “Eu aprendi, desenvolvi, tive muito conhecimento, mas também amadureci, por toda essa dificuldade tive de evoluir rápido. Quando pensarem que te derrubaram, você dá a volta por cima. Porque comentários assim não te levam a lugar nenhum. Tem de ter força e coragem e enfrentar.”

 

 

Para Rafaella, o futsal pode ser inclusivo: “Todos nós somos diferentes, certo? Primeiramente, deveríamos ter a consciência de não falar que é apenas lugar de homem, e não para mulher, todos podem ir pro futsal de periferia, futebol de várzea e outros. Ainda há o machismo estrutural infelizmente."

Rafaella cobrando lateral durante partida.
Foto: Reprodução / Instagram @acfutsalfeminino

“Na quadra, somos vistas por muita gente, sempre destilam o ódio e preconceito que está enraizado dentro deles. Porém, sempre tentei lidar da melhor maneira possível, incentivando minhas amigas à lidarem da melhor maneira possível também, não retrucando pois não vale a pena revidar, não somos ignorantes que não têm conhecimento. Você é uma pessoa, independente da sua identidade ou orientação tornando isso em coisas amplas e distintas"

Atualmente, a ex-jogadora cursa Educação Física e espalha o conhecimento adquirido na carreira, aconselhando outras mulheres que querem entrar em qualquer área de trabalho:

“Tenham conhecimento e argumente, não abaixe a cabeça para ninguém, independente se for homem ou mulher. Haverá homens te questionando, então use conhecimento, coragem e disciplina, assim formando futuras grandes profissionais, independente da orientação ou identidade de gênero aliado da sabedoria e empoderamento. O saber, como gosto de citar, ninguém te rouba podendo levar tudo, exceto isso. Não é jogando futsal que vai te mudar, orientação sexual é um fato, identidade de gênero é outra, assim como seu esporte e sua profissão.”

No país com maior número de mortes trans no mundo pelo 14° ano consecutivo, a figura materna segue sendo referência para a comunidade
por
Giovana Laurelli
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13/06/2024 - 12h
Capa de livro com o título "Manto da Transição", no topo, o nome da autora Adélia Nicolete. Fundo alaranjado, com uma imagem bordada de um corpo com um binder (peça utilizada por homens trans)
Capa de Manto da Transição: narrativas escritas e bordadas por uma mãe de trans (Foto: Divulgação/Alpharrabio Edições)

 

“O meu papel materno se vê com a necessidade de se adaptar até as coisas que eu considerava verdade, que eu achava que eram as minhas verdades, quando na realidade é algo imposto por uma sociedade patriarcal e binária.” Atuando como protetora da comunidade trans e travesti, a mãe é uma figura essencial para filhos em transição. A escritora e dramaturga Adélia Nicolete, autora do livro Manto da Transição, é uma dessas mães, escrevendo sobre a sua própria experiência e reunindo relatos de outras auto intituladas mães de trans.

Nicolete ressalta que a participação materna geralmente se faz mais constante do que aquela de outros membros da família: “Existem papéis que estão arraigados no nosso imaginário. Quando você fala de mãe naturalizamos que a palavra seja acolhimento”

Dramaturga Adélia Nicolete: uma mulher branca, de cabelo ondulado, olhos castanhos, sorriso largo e blusa vermelha escuro.
A escritora (e mãe) Adélia Nicolete (Foto: Divulgação/ Alpharrabio Edições)

“A gente passa a se relacionar de uma outra maneira, a pessoa em si é a mesma. Tem muitas mães, muitas famílias que afirmam ter passado pelo luto. Eu não vejo dessa maneira, porque a pessoa não morreu. O que existe é o luto das nossas expectativas, do que a gente imaginou que seria o futuro”, afirma Nicolete. Em 2014, aos 21 anos, seu filho Bernardo iniciou a transição de gênero. Isolada pela pouca visibilidade da pauta trans na mídia da época e como um modo de se “apropriar das próprias emoções”, Nicolete iniciou um diário, que mais tarde teria trechos inseridos na obra intitulada Manto da Transição: narrativas escritas e bordadas por uma mãe de trans. Uma escritora ávida, a dramaturga aprecia a prática do diário desde jovem. “O processo de pensar e sentir, quando ele passa pela palavra, ele ganha uma concretude que depois eu posso lidar com ela, como se fosse exterior a mim”, afirma a autora.

 

Manto consiste em dois cadernos, intitulados Reinaldo e Orlando. Reinaldo tem seu nome inspirado pelo personagem lido como transgênero na obra Grande Sertão: Veredas, Diadorim. Já Orlando é o nome do livro homônimo de Virginia Woolf, que também aborda a vivência trans. No primeiro caderno, encontram-se trechos do diário da autora e relatos de outras mães cujos filhos transicionaram. Já o segundo caderno conta com imagens e textos descritivos de peças de roupas que eram utilizadas na infância do filho, mas foram “ressignificadas pelo bordado”, se transformando com a ajuda das mãos ágeis de Nicolete em símbolos da expressão de gênero de Bernardo.

 

Da esquerda para a direita: vestido infantil de cores claras com palavras bordadas, jaqueta jeans verde com bordados, vestido infantil branco com bordados em tule
Roupas da infância de bernardo são transformadas em representação física da aceitação materna (Fotos: Divulgação/ Alpharrabio Edições)

 

Atualmente, a autora faz parte de um movimento para pessoas da comunidade LGBTQIAPN+. “Eu faço parte agora do Mães pela Diversidade, é recente. Eu vejo que é um ambiente muito acolhedor para as mães, e digo mães porque a maioria das pessoas que procuram são elas. Existem pais também, mas são poucos. Existe um acolhimento muito grande, e é um espaço, desde que você participe, em que você pode falar, você pode desabafar.” Em junho de 2024, a conta no Instagram do Mães (@maespeladiversidade) conta com mais de 120 mil seguidores.

Adolescente trans Lívia Estrella: mulher branca, de cabelo castanho e cacheado com franja, sombra e batom rosa.
Lívia Estrella, em frente à república estudantil que habita (Foto: Acervo Pessoal)

Observando a experiência de sua mãe em relação ao seu processo de transição, a jovem Lívia Estrella, de 18 anos, relata que percorreu altos e baixos. “Eu ficava triste com a minha mãe, pois a minha avó “aceitou” de primeira, nunca mais me chamou de forma errada, mas a minha mãe parecia estar resistindo. Ela sempre me apoiou, me deixava usar a roupa que queria e me emprestava maquiagem, porém quando eu citava o meu desconforto com o nome, ela se colocava como vítima, dizendo que era difícil para ela e que também era um processo”.

Lívia iniciou o processo em meados de 2023, e em três meses já havia compartilhado sua identidade com todos que conhecia. "Eu vivi grande parte da minha vida com a minha mãe, meu pai nunca foi uma pessoa presente em minha vida, então, eu e minha mãe sempre tivemos uma relação muito próxima, sempre confiei nela em tudo e ela também sempre confiou em mim." Atualmente, a estudante cursa pedagogia na Universidade Federal de Ouro Preto, vivendo em uma república feminina na cidade. Mesmo não compartilhando mais a mesma casa, a mãe é hoje uma figura de acolhimento para Lívia. “Eu sentia que não podia confiar mais nela, porém com o tempo, a gente ficou muito bem! Agora ela me ajuda bastante, ela me empresta muitas roupas, ela paga e me leva nas minhas consultas com o meu endocrinologista, ela me dá presentes “femininos”, mas na época em que eu estava me descobrindo, ela estava em seu próprio processo.”

 

A dificuldade inicial apresentada pela mãe de Lívia não é incomum, já que a transição de um filho acaba sendo uma transição para a família toda.  “Não é de uma hora para a outra que a compreensão acontece, a gente vai se adaptando ao longo do tempo. Acho que existe alguma coisa no cérebro que está condicionada por tantos anos.  A primeira coisa é segurar essa pessoa junto de você, até você compreender.” 

Apenas seis universidades federais do país reservam cotas para o grupo da comunidade LGBTQIA+ em cursos de graduação
por
Mariane Beraldes
Victória Miranda
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13/06/2024 - 12h

Pessoas transgêneros enfrentam desafios significativos para acessar a educação superior no Brasil, uma vez que, das 69 universidades federais, somente seis adotam a política de cotas trans em cursos de graduação, sete estudam a implementação da medida e 15 instituíram a reserva para pós-graduação.

As instituições públicas buscam, de forma independente, adotar medidas e reservar vagas para pessoas trans. As cotas existentes são dadas por legislações municipais, estaduais ou de iniciativas políticas internas de organizações públicas ou privadas.

Em 2017, a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) foi a primeira instituição a reservar a cota, destinando uma vaga em cada curso a transexuais.

Já em São Paulo, a Universidade Federal do ABC (UFABC) foi pioneira na reserva, contando com 40 vagas para o grupo. A universidade pública do estado de São Paulo, aderiu às cotas por meio do Sistema de Seleção Unificada (SISU).

No começo de 2018, o projeto de reserva de vagas a pessoas trans foi aprovado junto à Comissão de Políticas Afirmativas, e em novembro ocorreu a aprovação final pelo Conselho Universitário. Assim, em 2019 a instituição do ABC Paulista, recebeu a primeira turma de estudantes beneficiados pela cota.

Com a ação afirmativa, 1,6% das vagas da graduação passaram a ser destinadas para pessoas que se identificam como transgêneros, transexuais ou travestis.

Sarah Ísis, estudante de Bacharelado em Ciência e Tecnologia na UFABC, foi uma das contempladas com o benefício no ano de 2024. Ela afirmou: “A implementação das cotas foi uma oportunidade incrível, pois para você tentar concorrer na ampla concorrência, é muita gente e acaba que muitas pessoas trans não tem tantas oportunidades de estudo, de emprego, do financeiro em si, para poder investir em cursinho por exemplo”.

 

Sarah Ísis, de 20 anos. Imagem: Arquivo Pessoal.
Sarah Ísis, de 20 anos. Imagem: Arquivo Pessoal.

 

Nascida na cidade de Paulo Afonso, na Bahia, Sarah revelou ter escolhido estudar em São Paulo devido às possibilidades e condições de vida. “Eu escolhi a UFABC porque o estado de São Paulo é um lugar de oportunidades, principalmente para pessoas trans. No lugar onde eu nasci e fui criada não é bom, por questões de oportunidades e preconceito”.

E completou: “Embora São Paulo também tenha preconceito, a diferença está nas políticas públicas de saúde e nas maiores chances de emprego. Um exemplo são os ambulatórios trans do SUS, onde você pode fazer tratamento hormonal, psicológico e endócrino gratuitamente. Na Bahia, infelizmente, isso é inexistente.”

A estudante ao entrar na Universidade Federal do ABC percebeu que tinha feito a escolha certa: “A UFABC é muito incrível na questão de acolher, tanto as pessoas da comunidade LGBT+ quanto propriamente dito as pessoas trans”.

 

Publicação do movimento estudantil da comunidade LGBTQIA+ da UFABC

 

PROJETO PARA LEI DE COTAS

Em junho de 2023, com o objetivo de diminuir a realidade de exclusão e preconceito no Brasil, a deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP) apresentou o Projeto de Lei (PL) nº 3109/2023, que estabelece a reserva de 5% das vagas para pessoas trans e travestis nas universidades federais brasileiras. Em fevereiro de 2024, foi incorporado ao processo, o PL n° 354/2024, que propõe a reserva de 2% das vagas em concursos públicos para pessoas trans.

Atualmente, o projeto se encontra aguardando designação do Relator(a) na Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial (CDHMIR).

 

 

Entre 2022 e 2023, morte de homossexuais sobe 21%
por
Júlio Antônio Poças Pinto
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13/06/2024 - 12h

"A igreja sempre vai condenar qualquer pratica de violência", afirma o seminarista Rafael Manente, quando confrontado com os dados sobre aumento de mortes na comunidade LGBTQIP+. Entre os anos de 2022 e 2023 houve aumentou em media 21%  no numero de mortes contra homens homossexuais, passando de 96 mortes em 2022 para 118 em 2023. Já o número de mortes de pessoas bissexuais foram de 3 mortes em 2023. Essa variação se baseia no Dossiê de Mortes e Violências contra LGBTI+ em 2022 e o relatório divulgado pelo Grupo Gay Bahia

O conego José Adriano afirma que o primeiro ponto a ser considerado é que "todas as pessoas independentes de serem homossexuais ou não somos todos criados por Deus e feitos a sua imagem e semelhança e por isso possuímos a dignidade de pessoas humanas e somos proibidos de fazer o mal contra o próximo". Ele ainda lembro dos Dez Mandamentos, em especial o quinto, que "nos proíbe de matar o próximo fisicamente, moralmente e psicologicamente". Enquanto isso, o seminarista Rafael acrescenta que "todos devemos nos amar" .

Para ambos, a Igreja deve acolher os homossexuais que já sofreram violência. O Conego afirma que a igreja "recebe a todos   com caridade e  amor fraterno".  Ele ainda lembra que "Jesus nos ensina a resgatar aquela ovelha que está ferida e machucada".  

Conego afirma que as praticas de violência são crimes contra as leis civis e pecado contra as leis de Deus portanto todos agressores cometeram um delito seja um crime seja um pecado e a igreja se compadece e defende os homossexuais que sofrem violência. Sobre essa questão o seminarista Rafael explica que a igreja sempre vai condenar qualquer pratica de violência  e desnecessária e continua dizendo que a igreja nunca vai recorrer da violência contra qualquer estilo de vida.

Sobre a norma da igreja para combater a violência contra homossexuais o Conego José Adriano menciona o documento da igreja fidúcia supplicans e diz que este documento foi feito para abençoar a todos inclusive os homossexuais são acolhidos com todo carinho e com todo amor, porem a igreja não dispõe de nenhuma lei que proíba a violência contra homossexuais, ele explica dizendo que essa é uma função da lei civil proibir a violência contra qual quer pessoa e continua falando que a igreja atribui pecado para as pessoas que praticam violência contra o próximo e afirma que os ensinamentos de Jesus são contra a violência física e psicológica após isso conclui respondendo que aquilo que a igreja tem é uma moral proibitiva contra a violência e uma moral do amor de Deus para com todos. Já o Rafael acrescenta que a igreja nunca vai utilizar de violência contra ninguém e reafirma que a igreja e contra todo tipo de violência.

O estudante de jornalismo na PUC-SP, Oliver Santiago, vive em meio a essa situação e conta ter sofrido humilhação e violência verbal. Ele relembra que tudo começou após ter falado sobre sua bissexualidade com seus amigos, que começaram a tirar sarro dele praticando até web bullying durante o jogo Gartic Phone. "Todas as vezes que a gente conversava sobre relacionamentos, eu era humilhado". Ele lidou com essa violência conversando bastante com as pessoas que foram assediosas e também explicando sobre ele mesmo.  Por ser um grupo da periferia, Oliver acredita que essa violência vem do fato deles terem uma mente mais fechada por conta da cultura do bairro.