O crescimento de influenciadores da comunidade LGBTQIA+ nas redes sociais contribuiu para a visibilidade de pautas destinadas a essa comunidade, bem como para o reconhecimento de novas identidades. “Eu sempre gostei da área da beleza e a maquiagem veio como uma auto descoberta – não só da minha área como blogueira, mas também como uma descoberta pessoal da minha identidade de gênero. Adoro trabalhar com isso, acho que eleva a autoestima de qualquer pessoa”, afirma Bruno Garcia, influenciador digital pertencente ao movimento. Porém, ainda há muitos desafios a serem enfrentados pelos influencers deste meio: o movimento é valorizado ou apenas conveniente?
“A minha maior dificuldade é conseguir mostrar que meu conteúdo tem um valor e um grande alcance! Muitas marcas sempre contratam apenas no mês de junho, ou seja, no mês que lhe é conveniente ser ‘apoiadora da causa LGBTQIA+’, por ser o mês do orgulho da comunidade. Parece que servimos apenas para essa época e mais nada”, diz Garcia. Assim, fica evidente o momento em que campanhas de marketing direcionadas a esses grupos aumentam de forma expoente, criando um debate acerca da moralidade das marcas, se é apenas uma forma de representatividade ou um interesse financeiro e midiático.
E quando acaba o mês do orgulho? Para Murilo Amaral, criador de conteúdo digital, há certa falta de credibilidade em seu trabalho, por ser gay, negro, afeminado e considerado um influenciador “pequeno”. “Entre o meu conteúdo e o de uma influenciadora considerada padrão, provavelmente o dela seria o escolhido por uma marca”, afirma. Essa questão retoma a discussão acerca da sociedade agir com prestígio ou conveniência sob o trabalho desses criadores digitais, também conhecido como “Pink Money” – o termo serve para empresas em situações que, quando é favorável, seja financeiramente ou pela mídia, apoiam a causa, mas na hora de se posicionarem politicamente e apoiar o movimento, permanecem isentas.
A influenciadora Luísa Assaf, em sua conta no TikTok, compartilhou alguns critérios para definir se as marcas realmente possuem iniciativas de apoio à população LGBTQIA+: o direcionamento de lucro dos produtos para instituições, representatividade em suas campanhas, iniciativas para a contratação de pertencentes ao movimento, o patrocínio de eventos, artistas ou esportistas da comunidade e se o apoio dura o ano inteiro (não somente durante o “pride month”). Luísa também cita marcas que são exemplos, como o Burger King, que sempre se posiciona em polêmicas envolvendo LGBTfobia e política, além de reverter lucros obtidos com produtos temáticos para ONGs.
Apesar de todas essas dificuldades, há muitas conquistas que ainda motivam os criadores de conteúdo digital desse meio: “O projeto que mais me marcou foi ter uma coleção, de uma loja, assinada no meu nome. Foi uma conquista e tanta”, afirma Bruno Garcia, que é um grande entusiasta na área da beleza e da maquiagem. Além disso, o influencer diz ter como motivação conseguir usar e abusar de sua criatividade, contemplando todos os seus diversos talentos. “Vou iniciar daqui um mês um curso de Artes Cênicas na Universidade Federal de Uberlândia, quero trazer vários conhecimentos da área e atrelar isso ao meu trabalho como digital influencer”, diz Bruno.
A profissão de um influenciador digital pode ser considerada uma das mais amplas por abranger diversos nichos da internet, como cultura pop, moda, maquiagem, gastronomia, esportes, entretenimento, política, etc. São diversos os influenciadores da comunidade LGBTQIA+ que engajam nessas diferentes áreas, o que pode inspirar e motivar muitas outras pessoas a se expressarem da mesma forma. “Eu me inspiro e acompanho muitos criadores digitais do movimento – que são assim como eu: gay, negro e afeminado – principalmente o Matheus Pasquarelli, a Lellê e o Bruno Gomes”, conta Murilo.
Embora ainda existam obstáculos a serem enfrentados pelo povo LGBTQIA+, a carreira de influenciador digital permite alcançar conquistas desejadas e a possibilidade de planejar um futuro estável e bem sucedido. “Daqui 10 anos, espero ser um produtor de moda ou trabalhar em algo artístico nesse meio digital. É um sonho para mim”, afirma Murilo, que vem construindo fortes laços com a moda desde criança.
No final de julho deste ano, a Assembleia Nacional de Cuba aprovou o novo Código das Famílias, que promete legalizar o casamento homoafetivo, garantir mais direitos às mulheres e maior proteção para crianças e idosos. O documento foi submetido à consulta popular, em maio, da qual participaram cerca de 6,5 milhões de cubanos, alcançando quase 62% de aprovação.
A legalização do casamento homoafetivo, dentre outros direitos da família presentes no texto, aguarda referendo previsto para setembro deste ano. Uma vez aprovado, Cuba se tornará o 33º país do mundo – e 10º das Américas - a garantir a igualdade matrimonial.
Em dezembro de 2021, durante aprovação do anteprojeto do Código das Famílias, processo antecessor à consulta popular, o ministro de Justiça, Oscar Silvera Martínez, comentou que “o projeto é reflexo da realidade cubana e coloca a Cuba e seu povo em uma posição que capta as diferenças e as protege”.
Segundo a Human Rights Campaign (HRC), além de Cuba, há outros seis países que apresentaram desenvolvimento quanto ao suporte à igualdade matrimonial este ano: Andorra, Índia, Japão, Filipinas, Tailândia e Tchéquia. Em 2019, o direito ao casamento homoafetivo foi alcançado pela primeira vez na Ásia, sendo aprovado pelo Tribunal Constitucional de Taiwan em 2017, com prazo legislativo de dois anos cumprido pelo Parlamento.
No dia 8 de julho de 2022, a Eslovênia decidiu, por meio de ações da corte, que o banimento de casamentos homoafetivos violava a constituição e o direito entrou em vigor imediatamente. Apesar dos avanços, os 32 países que legalizaram a igualdade matrimonial representam apenas 16,5% dos Estados reconhecidos pela ONU. Em contrapartida, um levantamento da BBC revela que, até 2021, foram reconhecidos 69 países que criminalizam a homossexualidade, sendo em sua maioria africanos e asiáticos.
Por Ana Karolina Reis
Muitos dizem que São Paulo é uma cidade cinza, mas o cenário foi diferente no dia 19 de junho de 2022. A avenida paulista, conhecida por ser o palco de inúmeras manifestações políticas, se pintou com as cores da bandeira LGBTQIA+ por um dia. A festa foi digna, e não poderia ter sido diferente: a maior parada do mundo contou com uma multidão de 4 milhões de pessoas. Mais do que um dia para simbolizar e reverenciar o amor, foi um dia marcado pela luta. Fazer parte da comunidade se tornou sinônimo de resistência. O Brasil, considerado por muitos o País mais caloroso e receptivo do mundo, contou com 316 pessoas LGBTs mortas violentamente em 2021. O mesmo Brasil que mais mata pessoas trans e travestis em todo o mundo. País onde nem mesmo o presidente da República respeita o direito de amar e existir do próximo.
O evento contou com 19 trios elétricos e a presença de vários artistas que são símbolos de representatividade dentro da comunidade. Mas não foram apenas as músicas de Pabllo Vittar e Ludmilla que ecoaram na avenida. Em meio a celebração, chamava atenção os gritos das ONGs que estavam presentes. O primeiro grupo chegava acompanhado de uma bateria. A ONG “Mães Pela Diversidade” estava repleta de mães vestidas com bandeiras de várias cores, acompanhadas de seus filhos. “Nós defendemos nossos filhos da LBGTFobia. Meu filho é o Caio Batista, ele é um homem Queer. Hoje o dia é marcado pela importância do respeito e do orgulho que a gente tem pelos nossos filhos, principalmente o respeito que a gente espera que todos tenham com eles. Que as pessoas abracem nossos filhos, que os considerem como igual, porque eles não são diferentes”, disse Cida, uma das mães que desfilava.

Mais à frente estavam reunidas as mães da ONG “Mães de Crianças Trans”. Um dos momentos mais marcantes foi a conversa com Fabiana, mãe do Tadeu. “Somos um grupo de mães de crianças e adolescentes trans. Estamos reunidos aqui hoje para mostrar pra sociedade que nossos filhos existem, que nossos filhos querem estar vivos e merecem respeito”. Em meio a lágrimas, Fabiana fez um apelo. “Nós queremos que nossos filhos vivam mais que apenas 35 anos, nós estamos aqui em uma voz de resistência pela vida dos nossos filhos”, completou. Ao perguntar para Tadeu a importância daquele evento na vida dele, a resposta foi breve, mas intensa. “Hoje eu não queria levantar da cama, mas estando aqui eu sinto orgulho de mostrar quem eu sou e de não precisar esconder a minha identidade”, finalizou.
Viver durante um governo que incentiva declaradamente a violência contra a população LGBTQIA+ e que segue cortando políticas públicas para a comunidade se torna uma missão cada vez mais árdua. Os retrocessos causados pela atual gestão violam os direitos das pessoas LGBTs, silenciam suas dores, desumanizam seus corpos e matam cada um de seus membros a cada 29 horas no Brasil.
O tema escolhido para a parada deste ano foi “Vote com orgulho – por uma política que representa”, enfatizando a importância do posicionamento da comunidade em um ano eleitoral crucial. Para Carolina Iara, covereadora do PSOL e primeira travesti intersexo a ocupar uma vaga legislativa no Brasil, o primeiro passo para mudar esse cenário é tirando Jair Bolsonaro da presidência. “Temos que tirar o Bolsonaro. É o ponto zero. Depois começamos a conversar sobre um projeto de país que inclua as pessoas LGBTs e que inclua também as pessoas trans. Devemos pensar na prevenção da violência, em campanhas de conscientização e sensibilização dessa população. Nós precisamos de uma verdadeira aplicação da lei contra LGBTfobia, que não está acontecendo no Brasil”, declara.
No dia 19 de junho, aconteceu a volta da Parada do Orgulho LGBT+ em São Paulo. O evento deste ano foi ainda mais marcante que os anteriores porque representou a volta do formato presencial após a pandemia de Covid-19. Em 2020 e 2021, a celebração seguiu a forma online, com lives no canal oficial do YouTube. Porém, este ano a 26ª edição lotou a Paulista e, mais uma vez, fez jus ao título de maior parada do mundo. Conforme divulgado pelo Observatório do Turismo da Prefeitura de São Paulo e pela Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOGLBT-SP), o evento reuniu 4 milhões de pessoas, o dobro do público de 2019.
Segundo o site oficial da celebração, "[...] a Parada SP é uma manifestação social que reivindica direitos, promove a visibilidade e celebra a diversidade, com ações políticas e afirmativas". A primeira edição foi em 1997, com um público de aproximadamente 2 mil pessoas.
O tema da Parada do Orgulho deste ano foi "Vote com Orgulho - por uma política que representa", visando engajar o público nas eleições de outubro e incentivar a busca por políticas voltadas para a comunidade LGBT+. Não faltaram gritos de "Fora, Bolsonaro" e cartazes com manifestações e discursos como esse. Por outro lado, alguns participantes do evento também aproveitaram a oportunidade para demonstrar apoio ao ex-presidente Lula, com bandeiras e cartazes que referenciam o político.
"Esse ano, nossa motivação não é apenas comemorar o mês do orgulho, mas também falar da importância do nosso voto consciente, que é o que vai definir muita coisa para o Brasil nos próximos anos. Não queremos ser 'aceitos', como muitos dizem: queremos ser respeitados. Queremos ter nossos direitos. E a forma de concretizar isso é nas urnas", afirmou a manifestante Bruna, de 23 anos.
A celebração contou com uma programação com 19 trios elétricos e apresentações de vários artistas, como Pabllo Vittar, Ludmilla, Liniker, Lexa, Luísa Sonza e Jojo Todynho. Os convidados fizeram shows com discursos voltados ao público em geral, emocionando diversos espectadores. "É muito legal ver tanta gente unida com um mesmo propósito. [...] A gente consegue ver a diversidade do nosso povo, que não é uma coisa só, como muita gente pensa. Estamos em todos os lugares, cada um com sua etnia, sexualidade, cultura. É um sentimento gigante de pertencimento", comentou, às lágrimas, um jovem da comunidade LGBT+ que não quis ser identificado. Segundo ele, essa foi sua primeira participação no evento após se descobrir como alguém pertencente à comunidade.
Além da função política e social, a parada ainda tem uma grande importância econômica para a capital paulista. A ação organizada pela APOGLBT-SP teve parceria com diversas marcas, como Burger King – que, inclusive, distribuiu as tradicionais coroas com as cores do tema LGBT+ –, Smirnoff, Amstel, Doritos e Mercado Livre. A própria cantora Luísa Sonza doou cachê para contribuir com a causa social. O evento é um dos mais relevantes economicamente para a cidade de São Paulo. Na sua última edição presencial, em 2019, o valor movimentado foi superior a 400 milhões de reais.
Em 2022, o turismo representou uma parcela notável na economia do evento. Segundo o Observatório do Turismo da Prefeitura de São Paulo, que ouviu 1.223 pessoas, cerca de 41% do público veio de fora da cidade paulista. A pesquisa incluiu ainda a categoria Perfil e Satisfação de Público Parada LGBT+ 2022, que concluiu que o gasto médio do turista na cidade foi de R$ 1.881,84 por pessoa. Esse número representa 15% a mais que os R$ 1.634,20 de 2019.
Na quinta-feira (16) anterior à parada, aconteceu, no Lago do Arouche, a Feira Cultural da Diversidade LGBT+, que promove anualmente a economia criativa e cultural voltada para a comunidade. Lá, o público pôde desfrutar da gastronomia, além dos artigos de artesanato, workshops e produtos temáticos. Já no dia da parada, a avenida atraiu também vendedores ambulantes que arrecadaram dinheiro vendendo copos, bandeiras e outros produtos personalizados.
Pobreza menstrual é conceituada como a falta de cuidados adequados com a menstruação causada pela dificuldade de acesso a insumos de saúde, tais como: absorventes internos e externos, artigos pessoais de higiene pessoal, além de acesso a saneamento básico e informação de qualidade sobre o assunto.
O ginecologista e professor Vitor Henrique de Oliveira, em entrevista para o Jornal Agemt, aponta que as pessoas afetadas por esse fenômeno habitualmente encontram-se em vulnerabilidade social e econômica. Além disto, o médico acrescenta que trans masculinos são afetados por diversos fatores sócio-culturais, dentre eles: a situação de violência e vulnerabilidade em domicílios, a alta taxa de desemprego e a disforia de gênero, que seria um sofrimento psíquico significativo importante, que afeta alguns homens trans.
Por conta da vulnerabilidade, transfobia e violência dentro dos lares, muitos trans masculinos são expulsos de casa. Como prova desta situação, o censo levantado entre Outubro e Dezembro de 2021 sobre a população de rua da cidade de São Paulo, revelou que homens e mulheres trans, travestis, pessoas agêneros ou não binários representam 3% da amostra total. Os dados demonstram a importância de instituições de acolhimento como a “Casa1”, que cuida mensalmente de aproximadamente 3.500 pessoas trans em situação de rua.
Além disso, os números também são reflexo da alta taxa de desemprego. De acordo com a pesquisa da plataforma #VoteLGBT, em parceria com a Box1824, no ano de 2021, a taxa de desemprego das pessoas trans no Brasil foi de 20,47%; com a perda de renda na pandemia esse percentual subiu para 56,82%. A pesquisa ouviu entre 28 de abril e 23 de maio de 2021, mais de 7000 pessoas LGBT+.
Salvo os problemas expostos, o ginecologista ainda aborda sobre como a disforia de gênero contribui para a pobreza menstrual: “Pacientes que têm disforia de gênero podem ter uma relação muito ruim com a menstruação, inclusive negar a existência da menstruação, às vezes, o sofrimento psíquico é tão grande que tudo que se relaciona com a menstruação é negado, incluindo a higiene básica”. Isso ocorre por conta da ligação que a menstruação tem com o gênero feminino, frases populares como “virou mocinha" fomentam esse vínculo.
O médico ainda acrescenta que o nível de incômodo e auto aceitação varia de paciente para paciente. “[...] às vezes existe uma expectativa de ter um corpo, mas a realidade que a gente consegue através dos tratamentos estéticos não consegue atingir o esperado, então percebemos que essa é uma dor que existe na população trans, mas que é uma dor da população em geral, cis, trans, não binára, independente. Em relação a menstruação, especificamente, a principal queixa varia muito de paciente para paciente, tem paciente que lida muito bem com a própria menstruação e tem paciente que não lida bem, vai depender do grau de incômodo e do grau de disforia.”
Segundo o professor e ginecologista: “A comunidade médica não está preparada para lidar com essa situação porque quando se trata de transexualidade, transgênero ou transvertigeneri , o conhecimento está se aprimorando e desenvolvendo muito nos últimos anos. Até pouco tempo, a transexualidade era considerada um distúrbio psiquiátrico e constava no Código Internacional de Doenças Mentais, então, é muito recente; nós sabemos que toda cultura leva um tempo para se transformar.”
Ele aponta também que a atual geração de médicos é mais preparada para lidar com esses pacientes de maneira empática, resolutiva e jurídica. Entretanto, alega que eles representam uma pequena parte da comunidade médica, sendo assim, é necessário haver uma campanha para transformar a educação médica e trazer essas pautas para o ensino da profissão.
Em matéria veiculada pela Folha de S. Paulo, intitulada “Preconceito é determinante para pobreza menstrual em homens trans” é apontado, por Luca Scarpelli, a necessidade de desvincular a menstruação da biologia das identidades de gênero. O publicitário e dono do Canal Transdiário enfatiza em seus vídeos e redes sociais sobre menstruação em linguagem que engloba todos os gêneros.
Alinhada com a luta pelo reconhecimento desta pauta, a vereadora Erika Hilton ( PSOL) requereu a mudança no texto da lei que cria o programa municipal de distribuição de absorventes para que não faça referências apenas ao gênero feminino. Por conta disso, no dia 13 de maio de 2022, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) determinou que estudantes trans masculinos sejam incluídos no programa.
O mercado e produtos para pessoas trans
A inclusão de pessoas trans no mercado de consumo está cada vez mais próxima de ser concretizada devido às marcas idealizarem produtos que vão além do que já se conhece. É o caso da marca “Pantys”, conhecida no universo feminino e que lançou uma cueca absorvente voltada para homens trans e pessoas não binárias. O produto tem como objetivo atender a necessidade de todos que não se identificam com produtos menstruais femininos. Maria Eduarda Camargo, sócia da marca, em entrevista para a Revista Vogue, conta que é um processo de inclusão e acolhimento na sociedade. “Queremos que todos se sintam acolhidos durante a menstruação. Hoje, os produtos menstruais disponíveis no mercado são feitos para mulheres e reforçam a comunicação pensada para um público feminino, porém essa é uma questão séria para os homens que menstruam.”
É importante reconhecer a ampliação da visibilidade trans e o seu crescimento no espaço comercial. A conscientização, principalmente das marcas dedicadas as pessoas trans, estimula o desenvolvimento de produtos mais acessíveis para este mercado, É o caso da “T Boy”, grife brasileira com foco no desenvolvimento de produtos para esse nicho. Pr Idealizada pelo gaúcho David Zimmerman, homem trans, a loja surgiu da necessidade de produtos especializados para esse público. A menstruação não possui gênero e é de extrema importância promover a saúde e inclusão para todas as pessoas que menstruam.
A falta de representatividade no mercado e na mídia.
Ser uma pessoa transexual no Brasil é uma luta por sobrevivência em vários quesitos. A exclusão social marca todas as etapas da vida dessas pessoas em diferentes grupos e ambientes, sejam eles família, escola e no mercado de trabalho. No ano 2021, o programa Fantástico, da TV Globo, exibiu uma reportagem sobre pobreza menstrual que tratava sobre a falta de informações e recursos para o acesso a produtos básicos durante o período da menstruação. Durante a exibição da reportagem, os jornalistas descreveram a menstruação como “um processo natural da biologia do corpo feminino”.
Em entrevista ao jornal “Ponte”, o jornalista Caê Vasconcelos, homem trans, cita que em pleno 2021 ainda há transfobia no jornalismo. “É a terceira vez que falo sobre o assunto e recebo ataques. É assustador porque agente ficou tanto tempo invisibilizado..., as pessoas não sabendo o que é um homem trans, não sabendo sobre a existência dos nossos corpos e agora que podemos usar a internet para falar um pouquinho sobre as nossas vivências, a galera não quer aprender”, desabafa. Frases como “nasceu no corpo errado”, “era menina e virou menino”, “gravidez é coisa de mulher” acabam fazendo parte do dia a dia de um homem trans.