Evento reuniu 36,8 mil pessoas na Avenida Paulista e teve o voto como tema central em ano eleitoral
por
Daniela Martinho
Isabella Damião
Lara Manasseh
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10/06/2026 - 12h

No domingo (7), a maior Parada do Orgulho LGBT+ do mundo realizou sua 30ª edição na cidade de São Paulo com o tema “A rua convoca, a urna confirma”. A escolha destacou a importância da participação política e celebrou os 30 anos da urna eletrônica no Brasil. O evento reuniu cerca de 36,8 mil  pessoas na Avenida Paulista, segundo estimativa do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e da ONG More in Common. O pico da manifestação ocorreu às 14h37, com margem de erro de 12%. 

A edição de 2026 foi marcada pela queda de patrocínio, que alcançou seu ápice com cerca de 60% a menos de incentivo em comparação com anos anteriores. . Um dos principais efeitos dessas medidas é a diminuição da quantidade de participantes ao longo dos últimos anos: em 2024, foram 73,6 mil pessoas no evento; já em 2025, o número foi para 48 mil.

Com shows de Pabllo Vittar e Gloria Groove, além da presença dos deputados do PSOL Erika Hilton e Guilherme Cortez, os 14 trios elétricos reforçaram a importância do exercício da cidadania consciente em ano eleitoral.Na avenida, artistas, ativistas e representantes da sociedade civil defenderam pautas ligadas aos direitos da população LGBTQIA+, ao combate a projetos discriminatórios e à ampliação da representatividade política.

 Os discursos destacaram a relevância da participação eleitoral como instrumento de manutenção de conquistas e direitos, enfrentamento de possíveis regressões. “A grande questão talvez seja a gente não perder o que já se tem, porque a possibilidade de retrocesso está muito grande com os políticos que, infelizmente, querem que a gente suma do mapa”, afirmou o professor de biologia Alexandre Fagundes Cesar, de 51 anos, que veio do Mato Grosso especialmente para a Parada. 

Em maio, o vereador Rubinho Nunes (União Brasil) apresentou o projeto de lei 50/2025, que busca impedir a presença de menores de idade em eventos LGBT+ e restringir sua realização em vias públicas. A proposta foi aprovada em primeiro turno na Câmara Municipal e aguarda votação final e decisão do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Para o advogado pernambucano Johnes Barbosa, de 30 anos, que também veio para São Paulo participar do evento, este é um ano ímpar para a Parada do Orgulho LGBT+. “A gente sabe que é uma celebração, mas acima de tudo é um manifesto”, afirmou.

 

A manifestação que deu origem à Parada aconteceu em 1996, na Praça Roosevelt, em São Paulo, e reuniu cerca de 500 pessoas. No ano seguinte, a primeira edição oficial aconteceu na Avenida Paulista, com cerca de 2 mil pessoas. Em 2006, a 10ª edição do evento bateu recordes internacionais ao reunir mais de 2,5 milhões de pessoas - marco que consolidou a edição paulista da Parada do Orgulho como a maior do mundo.   “Eu apanhei na Paulista quando ainda tinha ditadura porque eu beijei um homem. Eu apanhei da polícia na cara. Hoje isso não acontece. Hoje é lindo ver casais LGBT com um filho. Essas conquistas maravilhosas me emocionam”, declarou Edson, de 63 anos.  Ainda que as políticas públicas em prol da segurança da comunidade tenham avançado nos últimos anos, a violência contra pessoas homossexuais e bissexuais aumentou em 1.110,99% de 2014 até 2023, segundo o Atlas da Violência de 2025. Para pessoas transexuais, o aumento é ainda mais substancial: 1.607,69% de aumento de violência contra homens trans e um aumento de 2.340,74% contra pessoas travestis.   Para Louis, estudante de 15 anos, a transfobia é um dos assuntos mais urgentes dentro da pauta LGBT+. “Muitas travestis são espancadas no meio da rua e ninguém fala nada, não chega no jornal. Eu acho isso um pecado. Eles ficam falando que a gente é pecado, mas vão lá e cometem pior”, argumenta.
“Votinho”, boneco que representou a urna eletrônica na 30ª edição da Parada LGBTQIAPN+ em 2026.Foto: Lara Manasseh/AGEMT

 

A manifestação que deu origem à Parada aconteceu em 1996, na Praça Roosevelt, em São Paulo, e reuniu cerca de 500 pessoas. No ano seguinte, a primeira edição oficial aconteceu na Avenida Paulista, com cerca de 2 mil pessoas. Em 2006, a 10ª edição do evento bateu recordes internacionais ao reunir mais de 2,5 milhões de pessoas - marco que consolidou a edição paulista da Parada do Orgulho como a maior do mundo. 

“Eu apanhei na Paulista quando ainda tinha ditadura porque eu beijei um homem. Eu apanhei da polícia na cara. Hoje isso não acontece. Hoje é lindo ver casais LGBT com um filho. Essas conquistas maravilhosas me emocionam”, declarou Edson, de 63 anos. 

Ainda que as políticas públicas em prol da segurança da comunidade tenham avançado nos últimos anos, a violência contra pessoas homossexuais e bissexuais aumentou em 1.110,99% de 2014 até 2023, segundo o Atlas da Violência de 2025. Para pessoas transexuais, o aumento é ainda mais substancial: 1.607,69% de aumento de violência contra homens trans e um aumento de 2.340,74% contra pessoas travestis. 

Para Louis, estudante de 15 anos, a transfobia é um dos assuntos mais urgentes dentro da pauta LGBT+. “Muitas travestis são espancadas no meio da rua e ninguém fala nada, não chega no jornal. Eu acho isso um pecado. Eles ficam falando que a gente é pecado, mas vão lá e cometem pior”, argumenta. 

 

Do Lampião ao Unicorns: projetos ao longo da história promovem a autoaceitação da identidade gay
por
Elisa Almeida
João Calegari
Mariana Araujo
|
21/05/2026 - 12h

Em abril de 1978, foi publicada a edição número 0 de Lampião da Esquina. O primeiro jornal ativista pelos direitos civis gays do Brasil. O editorial da primeira edição clamava pela saída da comunidade LGBTQIAN+ dos guetos. O Lampião durou até 1981 e foi o primeiro a abordar a homossexualidade, desafiando censura e preconceitos vigentes no país durante a Ditadura Militar. O jornal caminhava contra a mídia hegemônica e protestava pela forma como a comunidade era retratada em veículos tradicionais. 

Capa do livro-reportagem, Imprensa Gay no Brasil. Foto: Elisa Almeida/AGEMT
Capa do livro-reportagem Imprensa Gay no Brasil. Foto: Elisa Almeida/AGEMT


Em entrevista à Flávia Péret, autora de “Imprensa Gay no Brasil”, Celso Cury, redator e editor do jornal, conta que em veículos tradicionais, até os glossários não eram adequados aos públicos minoritários. Na Folha de S. Paulo, por exemplo, a palavra “lésbica” era substituída por “feminista”.

A mídia contra-hegemônica surge para representar as necessidades de grupos minoritários, que tentam alertar o grande público sobre o rumo que a sociedade está tomando. Para Rosane Borges, doutora em Comunicação e Linguagem pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e autora de “Imaginários emergentes e mulheres negras”, “ouvir essas vozes não é apenas uma questão de empatia, mas de reconhecer que a desumanização desses grupos apequena toda a sociedade”.

Hoje, veículos da grande mídia apresentam colunas e editoriais dedicados à comunidade queer. Mas, apesar dos avanços, os grupos minoritários continuam sendo perseguidos e violentados por movimentos de fanatismo religioso, preconceitos e ideologias retrógradas.

Além da representação nas mídias, surge a necessidade de espaços de segurança para os membros dessa comunidade. O Unicorns Brazil, projeto multiesportivo voltado ao convívio de pessoas LGBT+, é um desses espaços.

Goleiro Maurício treinando na "Escolinha Unicorns"/ Foto: Elisa Almeida
Goleiro Maurício treinando na "Escolinha Unicorns"/ Foto: Elisa Almeida/AGEMT​​​​​​


Filipe Manetta Marquezin, advogado e fundador do projeto, afirma: “O Unicorns acaba sendo um lugar seguro fisicamente, mas também mentalmente, livre de preconceito. Ninguém vai se preocupar se você é gay aqui”.
Quando as vozes contra-hegemônicas se unem, surge uma identificação coletiva, transformando indivíduos isolados em grupos sociais conscientes. Essa união mostra que o “padrão universal” de outrora é, na verdade, uma visão limitada do mundo, argumenta Borges. Segundo a professora do curso de jornalismo da PUC-SP, “a união funciona como uma frente ampla que gera força de pressão sobre os governos. Esse movimento promove a autonomia, a emancipação e serve como uma ferramenta de educação para o conjunto da sociedade.”

Os membros do Unicorns enxergam o grupo como um espaço de pertencimento. Luiz Fernando Cornacioni de Sousa, Gestor de Diversidade e Eventos e administrador do time-escola de futebol, afirma que a ocupação vai além dos campos. “Jogar aqui é assumir um espaço, não só na quadra. Quando saímos juntos para tomar cerveja, as pessoas veem gente diferente, dos mais afeminados aos mais padrões”, conta. 

Reunião pós treino da "Escolinha Unicorns"/ Foto: Elisa Almeida/AGEMT
Reunião pós-treino da "Escolinha Unicorns", com os técnicos Alessandro Cadenazi e Wellington Meneses/ Foto: Elisa Almeida/AGEMT



João Victor Freire, influencer e jogador do time de futebol do Unicorns, relata: “É um processo um pouco mais complexo, não é só do futebol. No meu caso, acho que é um processo de autoaceitação também”. 
“Fui procurando caminhos para achar gente que também é gay, um grupo que me acolhesse melhor, entrar para o Unicorns também é encontrar pessoas com vivências parecidas com a sua”, completa.
Sobre essa busca aos seus semelhantes, Borges explica, “a representação hegemônica estabelece uma normatividade baseada em um padrão cis-hétero, é isso que deslegitima vozes heterogêneas que estão fora desse padrão”. A masculinidade hegemônica transforma o espaço e o convívio fora dele. Para a pesquisadora, Grupos como o Unicorns Brazil reivindicam o direito de voz e de ocupar espaços sem precisar se adequar a padrões tradicionais de comportamento.

Disputa pela bola durante treino da "escolinha Unicorns". Foto: Elisa Almeida/AGEMT
Disputa pela bola durante treino da "escolinha Unicorns". Foto: Elisa Almeida/AGEMT


Marcelo Douglas Costa, consultor de Costumer Experience, esperava começar o “rachão do Unicorns” quando conversou com a AGEMT, “Eu já sabia que era gay, mas o futebol era uma fuga para mim”. A segurança foi um fator determinante para procurar pelo grupo, “futebol é uma paixão nacional e não era justo sermos excluídos pelo desconforto de outros”.

Os símbolos do Unicorns representam orgulho e aceitação. Paulo Octávio Hueso Andersen, advogado e atleta de futebol do projeto, relata: “a primeira vez que pude representar o time pertencendo a um grupo, foi um momento de orgulho. Quando coloquei a camisa com meu nome e saí na rua ou fui à academia com ela, foi uma reafirmação.”

“Em uma sociedade democrática real, a voz de uma pessoa LGBT, indígena e branca deve ter o mesmo valor e peso político. Sem essa escuta, não há democracia, nem espaço público qualificado”, afirma Borges. Fora das quadras, o projeto Unicorns Zine é um braço de lifestyle do grupo. A revista retrata o dia a dia LGBT em SP. A escritora explica que esse tipo de proposta é um jeito formal de organizar as vozes de uma comunidade. “A mídia contra-hegemônica é fundamental porque funciona como a voz silenciada que irradia os bloqueios da mídia tradicional”, pontua a professora.

Time-escola do Unicorns Brazil/ Foto: Elisa Almeida/AGEMT
Time-escola do Unicorns Brazil/ Foto: Elisa Almeida/AGEMT

 

Requerimento da Câmara Municipal de Londrina tentou impedir a atleta transexual de participar da competição
por
Guilbert Inácio
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03/03/2026 - 12h

Na última quinta-feira (26), a Câmara Municipal de Londrina (PR), em regime de urgência, aprovou um requerimento que vetou a jogadora trans Tiffany Abreu, do Osasco Cristóvão Saúde, na fase final da Copa Brasil de Vôlei Feminino, que ocorreu no município. A medida foi derrubada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A imagem mostra a jogadora Tiffany Abreu, do Osasco, com os dois braços levantados. Atrás, há a presença de outras jogadoras e da arquibancada.
Em 2017, Tiffany se tornou a primeira mulher trans a atuar na elite do vôlei feminino brasileiro. Foto: Carolina Oliveira/Osasco Cristóvão Saúde

O requerimento 102/2026, protocolado na Câmara pela vereadora Jéssica Ramos Moreno (PP), conhecida como “Jessicão”, foi aprovado por 12 votos favoráveis e quatro contrários. No texto da solicitação, a vereadora cita nominalmente Tiffany e alega que o Osasco inscreveu “o atleta” de forma indevida.

Lei contraditória

A ação foi encaminhada por ofício para a prefeitura, que exige o cumprimento da Lei Municipal nº 13.770/24. Essa norma municipal proibe, em Londrina, a participação de “atleta identificado em contrariedade ao sexo biológico de seu nascimento” em times, competições, eventos e disputas esportivas.

A lei é de autoria de Jessicão e não chegou a ser sancionada pelo então prefeito de Londrina, Marcelo Belinati, mas foi promulgada pelo presidente da Câmara, Emanoel Gomes (Republicanos). Caso a medida seja descumprida, o segundo parágrafo do Art. 2º prevê revogação do alvará da competição e multa administrativa de R$10.000 ao Osasco.

Contudo, a norma tem trechos confusos no campo da ciência, pois ao definir quem está impedido de jogar por "contrariedade ao sexo biológico" o texto mistura identidade de gênero e orientação sexual. “Gay, lésbica, bissexual, pansexual, intersexual, assexual, transexual, agênero, não binário de gênero, cisgênero, transgênero, travesti, entre outros”, diz o segundo parágrafo do Art. 1.

A palavra cisgênero, termo referente às pessoas que se identificam com o sexo biológico atribuído no nascimento, também é mencionada. Em resumo, a lei, como está redigida, abre precedentes para proibir qualquer pessoa de praticar esportes de alto rendimento no município. Isso pode interferir na autonomia das federações de regular as práticas esportivas, além de entrar em conflito com a seção III da Lei Geral do Esporte, que garante o direito fundamental de todas as pessoas à prática esportiva em suas múltiplas e variadas manifestações.

Manifestações e decisões da justiça

Após a aprovação do requerimento, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) e o Osasco recorreram à justiça para garantir a presença da atleta na semifinal da competição contra o Sesc RJ Flamengo, na sexta-feira (27), no Ginásio Moringão.

Em nota no Instagram, o clube paulista se manifestou:

 “Tifanny Abreu atua profissionalmente no voleibol nacional há mais de oito anos. É uma atleta exemplar, dedicada e que cumpre rigorosamente todos os requisitos técnicos, médicos e de elegibilidade exigidos pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), órgão máximo que regula a modalidade no país. Ela está, portanto, regularmente inscrita e apta a disputar qualquer competição sob a chancela da CBV.

Osasco São Cristóvão Saúde entende que as competições esportivas de nível nacional devem ser regidas pelas normas das confederações esportivas nacionais, que possuem a competência técnica e recursos para análise científica para definir os critérios de elegibilidade. A interferência de legislações municipais sobre regras de competições federadas cria um precedente perigoso que ameaça a isonomia e a integridade das disputas esportivas no país.

Nosso clube se pauta pelos valores do esporte, que agregam a inclusão, a diversidade e o respeito a todos os indivíduos. Apoiamos integralmente a nossa atleta e defendemos seu direito constitucional ao trabalho e ao exercício de sua profissão, livre de qualquer forma de discriminação.”
 

Na tarde de sexta-feira (27), o juiz Marcus Renato Nogueira Garcia, da segunda Vara da Fazenda Pública de Londrina, apontou inconstitucionalidade e concedeu liminar que impediu a prefeitura de vetar a ponteira do jogo. A prefeitura atendeu o pedido.

Horas antes do jogo, em liminar, a ministra Cármen Lúcia, do STF e responsável pela relatoria do caso, suspendeu a eficácia da lei até que a ação passe por exame de mérito. Segundo a ministra, a lei geraria: "grande perplexidade e insegurança jurídica e social, por materializar um retrocesso nas políticas de inclusão social, de igualdade de gênero e de promoção da dignidade humana".

A vereadora Paula Vicente (PT), uma das quatro pessoas que votaram contra o requerimento, alegou que vai entrar com ação nos órgãos competentes para revogar a lei.

Tiffany fica

A imagem mostra a jogadora Tiffany Abreu, do Osasco, recebendo o troféu Viva Vôlei.
Tiffany atuou na semifinal e final da Copa Brasil de Vôlei. Foto: Rafael de Paula/Usina de Ideias/CBV

Na final, no sábado (28), a equipe paulista foi campeã sobre o Minas por 3 sets a 1. Tiffany foi ovacionada pelo público presente no Ginásio Moringão.

Por voto popular, a jogadora do Osasco foi eleita a melhor jogadora da final e recebeu o troféu Viva Vôlei, mas entregou o mérito a Jenna Gray, levantadora e aniversariante do dia, que foi dispensada do Minas no fim da última temporada.

Em entrevista à Sportv, Tiffany mandou um recado para a vereadora Jessicão pedindo para ela se preocupar mais com o esporte da cidade. “Vai buscar incentivo para dar suporte, em vez de excluir, porque o seu trabalho é dar inclusão e não exclusão.”
 

Ataque com xingamentos homofóbicos aconteceu durante as comemorações do 7 de Setembro, por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro; Brasil registra uma morte por homofobia a cada 30 horas
por
Maria Clara Palmeira
Maria Mielli
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10/09/2025 - 12h

Neste domingo (07), o vendedor Bruno Barros, 34, foi agredido por um dos manifestantes presentes no ato pró-Bolsonaro, na Avenida Paulista. A agressão ocorreu na banca em que Bruno e seu marido, Lucas Vinicius, vendem seus artesanatos. Os produtos são voltados à comunidade LGBTQIA +; bandeiras lésbicas, gays, trans, canecas e itens decorativos. 

Em entrevista à AGEMT, Bruno relatou que eles estavam cientes da manifestação, mas que isso não seria um empecilho para cumprir mais um dia de trabalho. Segundo o vendedor, ele tentou inclusive encarar o dia com bom humor: “Eu estava com um leque da comunidade, brincando, porque você percebe quem passa ali e não é bolsonarista. Aquela pessoa te olha, dá um sorriso meio tímido; e aí eu brincava: limpa, limpa, limpa!"

A biomédica Letícia Serafim, que passeava pela avenida com um amigo, contou que não se lembrava da manifestação: “Nunca tinha visto aquilo de perto. As pessoas esbarravam de propósito, como se fossem donas da Paulista. O mais absurdo foi ver bandeiras dos EUA sendo erguidas, no Dia da Independência do Brasil.”

Letícia relatou que foi até um shopping nas proximidades e foi atraída pela banca de Bruno e Lucas: “Foi como entrar numa bolha. Ali tinha música, conversa, acolhimento. Eles eram a verdadeira resistência no meio do caos.”

Artigos vendidos na Riot Store, banca de Bruno e Lucas. Foto: Reprodução/Letícia Serafim
Artigos vendidos na Riot Store, banca de Bruno e Lucas. Foto: Letícia Serafim

Segundo Bruno, alguns dos manifestantes gritavam coisas aleatórias direcionada a ele, de “petista safado” a “Lula ladrão”. Até que um grupo de meninos se aproximou para gravar uma entrevista com ele. “Eu estava falando como eu estava incrédulo, como [o protesto] estava cheio. Foi bem assustador ver o tanto de pessoas que estavam passando. Pessoas que não tem conhecimento nenhum de história, pedindo anistia de pessoas que depredaram o Brasil. É ridículo”, declarou. Mas enquanto conversava com os entrevistadores, um manifestante começou a proferir comentários homofóbicos na direção de Bruno, que interrompeu a entrevista e foi pedir ajuda a policiais que estavam próximos.

Bruno foi então agredido com um soco no maxilar, na frente dos policiais. “Foi do nada. Na hora que ele virou o soco, o policial veio, separou e eu falei ‘agora que eu quero mesmo abrir um BO de agressão e um de homofobia' ”. De acordo com o relato do vendedor, após os policiais conterem o agressor e afastá-lo, eles o soltaram. 

A situação revoltou Bruno que começou a gritar acusando não só o agressor, mas os demais manifestantes de "homofóbicos, racistas, transfóbicos e misóginos”. Em resposta, o grupo inverteu a situação e afirmou que era Bruno quem estava atacando os manifestantes. Lucas, marido de Bruno, tentou acalmá-lo diante aquela situação. “Acho que foi a primeira vez que a gente ficou com medo, eu, meu marido e uma amiga nossa que estava ali”, desabafou à Agemt.

Segundo o Atlas da Violência, produzido pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, de 2014 a 2023 o registro de violências contra pessoas da comunidade cresceu 1.227%. Em relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB), só em 2024 o Brasil registrou 91 mortes violentas de pessoas LGBTQIA+, o equivalente a uma morte a cada 30 horas. Desde 2019, após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), a homofobia e a transfobia foram equiparadas ao crime de racismo, previsto na Lei n.º 7.716/1989, sendo, portanto, passíveis de punição criminal.

Temáticas são abordadas desde os anos 60 no Japão e continuam exploradas até hoje
por
LUCCA CANTARIM DOS SANTOS
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16/06/2025 - 12h

“O sonífero”, projeto criado por Lucca Cantarim, estudante de jornalismo na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) , tem por objetivo combater a visão reacionária a respeito de temas de gênero no entretenimento.

Trazendo a história da presença de personagens de diversas sexualidades e gêneros nos mangás e animes dentro da mídia japonesa, o autor trás uma reflexão leve, descontraída, porém importante a respeito de uma representatividade tão importante.

Os sete artigos que compõem o projeto estão disponíveis para serem lidos no site “Medium”, no perfil autoral de Lucca. Os textos contém entrevistas com pesquisadores, fãs e até mesmo leitores de dentro da comunidade LGBT que se identificam e se abrem sobre a importância da representatividade para eles.

Disponível em: https://medium.com/@luccacantarim/list/o-sonifero-d19af775653e

 

Em carta manuscrita em espanhol, Papa Francisco afirma que “Deus é Pai e não renega nenhum de seus filhos”.
por
João Curi
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13/05/2022 - 12h

Na segunda-feira, 9/05, o padre jesuíta James Martín publicou em seu site “Outreach” uma breve entrevista com Papa Francisco a respeito de algumas perguntas comuns de fiéis católicos LGBTQIA+. O Santo Padre respondeu por meio de uma carta manuscrita, em espanhol, afirmando que “Deus é Pai e não renega nenhum de seus filhos. E o ‘estilo’ de Deus é a ‘proximidade, misericórdia e ternura’. Ao longo deste caminho vocês encontrarão Deus”. 

Na carta, o Papa Francisco também recomenda a leitura do livro Atos dos Apóstolos, o qual, segundo ele, representa “a imagem da Igreja viva”. Em resposta mais cuidadosa direcionada aos católicos LGBTQIA+ que se sentiram rejeitados pela instituição religiosa, o Santo Padre destaca o papel da Igreja em reunir todos os seus filhos e cita a parábola do Grande Banquete [Mateus 22:1-14 e Lucas 14:15-24]. “Uma Igreja ‘seletiva’, de ‘puro sangue’, não é a Santa Madre Igreja, mas sim uma seita”, conclui. 

Não foi a primeira vez que James Martín recebeu uma carta do Papa. Em junho de 2021, o Pontífice reconheceu seu trabalho pastoral dedicado à comunidade LGBTQIA+,com uma carta manuscrita que encorajava o ministério do presbítero jesuíta. “Você é um sacerdote para todos e todas, como Deus é Pai de todos e de todas. Rezo por você para que possa continuar assim, sendo próximo, compassivo e com muita ternura”. 

Padre James Martin, presbítero jesuíta e assessor do Vaticano.
James Martín, presbítero jesuíta. (Reprodução/Outreach)

Em 2017, Papa Francisco nomeou o sacerdote James Martín como consultor da Secretaria de Comunicações do Vaticano. 

A série estreou com sucesso de audiência e repercutiu também nas vendas da graphic novel que inspirou a trama.
por
João Curi
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11/05/2022 - 12h

A série original da Netflix “Heartstopper” estreou no dia 22 de abril de 2022. O enredo é uma adaptação da graphic novel (romance gráfico) homônima, além de outras tramas da escritora e ilustradora inglesa Alice Oseman, que atuou como produtora executiva e roteirista. 

Alice Oseman, com sua série de graphic novels.
Alice Oseman e sua série de graphic novels. (Reprodução/Pinterest).

Com direção de Euros Lyn, a produção LGBTQIA+ apresenta um romance, recheado de autodescobertas e aceitação, vivenciado por dois garotos durante o ensino médio. Charlie Spring (Kit Connor) e Nick Nelson (Joe Locke) são protagonistas do título que agradou fãs e críticos já nas primeiras semanas de exibição.  

O elenco ainda conta com a atriz Olivia Colman, que já ganhou três vezes o Oscar, e com a atriz britânica de apenas 18 anos, Yasmin Finney, que interpreta a Elle. “Uma garota trans, preta, que está na escola – ela sou eu, basicamente”, respondeu a jovem à Variety. “Foi uma sensação de ‘essa é a minha vez’. Essa é a vez da comunidade trans de ter alguém com quem se identificar na mídia”. 

Com apenas oito episódios, a série já alcançou 100% de aprovação da crítica especializada no Rotten Tomatoes e, atualmente, detém 98% na pontuação média da audiência. O sucesso da produção desencadeou, outra vez, o “efeito Netflix” no mercado literário. Assim como ocorreu com Bridgerton, lançada em dezembro de 2020, os três livros adaptados pela série alcançaram, já na semana de estreia da primeira temporada, o topo das listas brasileiras de mais vendidos na categoria infantojuvenil, segundo levantamento da Publish News.  

Entre 18 e 24 de abril, as graphic novels “Dois garotos, um encontro” (volume 1), “Um passo adiante” (volume 3) e “Minha pessoa favorita” (volume 2) estiveram entre os 15 livros mais vendidos na categoria geral, ocupando a quarta, décima e décima-primeira posições, respectivamente. Com apenas uma semana de lançamento da produção no streaming, o número de exemplares vendidos duplicou, somando mais de 6.500 unidades no total e elevando os dois primeiros volumes à segunda e à terceira posições do ranking geral. 

Enquanto isso, entre os dias 25 de abril e 1º de maio, “Heartstopper” acumulou quase 24 milhões de horas em visualizações no streaming, segundo números divulgados pela Netflix em suas redes sociais. 

Ainda, aproveitando o sucesso da série e, consequentemente, dos livros aqui no Brasil, a Editora Seguinte anunciou o lançamento do quarto volume do romance gráfico. Intitulada “Heartstopper: De mãos dadas”, a sequência chegará às lojas brasileiras ainda em junho deste ano. 

Reunidos em frente ao local, participantes contestaram medida judicial que fechou o Museu e adiou abertura de exposição
por
Danilo Zelic
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05/05/2022 - 12h

No sábado passado (30) por volta das 15h, funcionários do Museu da Diversidade Sexual e movimentos LGBTQIA+ se reuniram em frente ao seu espaço localizado na estação do metrô República, no centro de São Paulo, para protestar contra o fechamento do equipamento e o adiamento da nova exposição que seria inaugurada no mesmo dia, Duo Drag, mostra que reúne 50 fotografias de Drag Queens presentes na cena paulistana no final da década de 80. O projeto conta com o trabalho do fotógrafo Paulo Vitale e tem curadoria de Leonardo Birche.

Segundo nota divulgada pelo Museu, seria realizado no evento o lançamento do livro com retratos produzidos por Vitale e a exibição de um vídeo composto de entrevistas com as protagonistas da exposição. Por conta do adiamento da mostra, o público interessado tem acesso aos trabalhos exibidos na exposição no site do projeto, como os ensaios fotográficos e a série de depoimentos das Drag Queens.

Cartazes colados na manifestação contra o fechamento do Museu - Foto: Danilo Zelic
Cartazes colocados durante a manifestação contra o fechamento do Museu - Foto: Danilo Zelic

O fechamento do espaço foi realizado após o questionamento feito pelo Deputado Estadual Gil Diniz (PL), conhecido como “Carteiro Reaça”, integrante da base bolsonarista na capital paulista.

No dia 8 de abril, Diniz protocolou uma denúncia envolvendo possíveis irregularidades administrativas cometidas pela Organização Social que mantêm o Museu, Instituto Odeon, questionando o repasse executado pelo Governo do Estado no valor de R$30 milhões destinados a OS, incluídos R$ 9 milhões para a ampliação e manutenção do espaço. Na sexta (29), dia anterior a abertura da exposição, a justiça determinou a suspensão do contrato entre a Secretaria de Cultura do Estado e o Instituto Odeon.

Não é a primeira vez que a OS é alvo de ações judiciais sobre possíveis atos de uma má administração. Anteriormente, teve o contrato rompido quando era responsável pelo Theatro Municipal, que segundo reportagem do site Carta Capital, “foi devido à ausência do repasse de R$ 600 mil em valores de bilheteria, que teria sido apropriado indevidamente por empresa terceirizada”.

Coovereadora Carolina Iana (Psol), discursando na manifestação - Foto: Danilo Zelic
Covereadora Carolina Iana (Psol), discursando na manifestação - Foto: Danilo Zelic

Presente na manifestação, a vereadora e integrante da Bancada Feminista do PSOL, Carolina Iara, relatou à reportagem que a decisão tomada pelo poder judiciário “foi sim LGBTfóbica” e ação efetuada por Diniz “é algo que está no sentido de perseguir às pessoas LGBTQIA+”, citando outras situações que visam a comunidade, como foi o caso da proibição em escolas e documentos oficiais de linguagem neutra no estado de Mato Grosso do Sul.

De acordo com Iara, os editais são fundamentais para a movimentação e gestão de espaços culturais públicos, avaliando que há dois problemas quando se trata do funcionamento dos centros de cultura: “o problema de estatização e a falta de dinheiro dos serviços públicos de cultura”.

Em nota publicada pelo Instagram, a Parada do Orgulho LGBT de SP, ONG responsável pelo evento na cidade, analisa que a decisão tomada pela justiça foi um “ato administrativo ilícito”, se referindo como inadequada a escolha da Secretaria da Cultura e Economia Criativa do Estado de permitir que a Odeon administrasse o Museu.

“As verdadeiras culpadas por todo esse processo que culminou com o fechamento do Museu são a Secretaria de Cultura do Estado e a Odeon, organização que foi escolhida para administrar o Museu e que possui pendências com a justiça”, afirma a nota.

Observando a partir de uma perspectiva jurídica, Danilo Cavalcante, estudante de Arte: História, Crítica e Curadoria da PUC-SP e Direito da USP e integrante do Núcleo de Direito à Cultura da instituição, em entrevista à AGEMT, entende que o poder judiciário “pode ser usado como um instrumento de poder, um instrumento unilateral de tomada de decisões”.

TchaKa, Drag Queen presente nos retratos da exposição - Foto: Danilo Zelic
TchaKa, Drag Queen presente nos retratos da exposição - Foto: Danilo Zelic

 

“Demonstra como nós podemos julgar concretamente o governo federal e o governo estadual, como promotores de ações contrárias a uma minoria política específica, que no caso a minoria LGBTQIA+”, diz Cavalcante.

Prestes a completar 10 anos, a expansão do local significaria um salto para exposições mais elaboradas e a possibilidade de receber um público maior. Falando sobre o significado desse projeto, o estudante, que também é membro do Coletivo LGBTQIA+ da PUC-SP, aponta que é “fundamental nesse ponto de alcançar mais público para um questionamento de quais são as políticas LGBTs acontecendo nesse momento”.

“Que a gente tenha cada vez mais pessoas, cada vez um público maior e diverso, tendo contato com curadorias que tragam objetos LGBTs, que tragam a história e a resistência LGBT”, continua. Na mesma direção da vereadora, o estudante ressalta que a finalidade do museu pode ser “repensar as políticas de desmonte da inclusão LGBT em diversos setores da sociedade, em um presente que a gente tem, principalmente, um governo genocida, contra essa população”.

Em nota divulgada, a Secretaria de Cultura do Estado diz que “a seleção da organização social responsável pela gestão do Museu da Diversidade Sexual seguiu a legislação vigente e todas as normas de convocação pública. Ela aconteceu entre outubro e dezembro de 2021 e a organização social escolhida apresentou toda a documentação necessária”.

 

O longa de Chloé Zhao venceu um dos principais prêmios da categoria no GLAAD Media, neste sábado , 02/04.
por
João Curi
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07/04/2022 - 12h

Apesar da baixa aprovação da crítica, a produção dos Estúdios Marvel “Eternos” (2021) arrecadou o prêmio de “Filme Marcante” na edição deste ano do GLAAD Media, apresentada neste sábado, 02/04. A premiação tem por objetivo reconhecer a importância da representatividade LGBTQIA+ em diferentes ramos da mídia.  

O longa, dirigido por Chloé Zhao, foi o primeiro da categoria de super-heróis da Marvel a apresentar uma cena de beijo entre duas pessoas do mesmo gênero. Depois de mais de vinte lançamentos assinados pelo estúdio, o herói Phastos (Brian Tyree Henry) e seu marido, Ben (Haaz Sleiman), foram introduzidos como o primeiro casal gay assumido do Universo Cinematográfico da Marvel. 

Em contrapartida, em março deste ano, a Disney esteve envolvida em uma polêmica sobre o mesmo tema. Após denúncias de funcionários da Pixar, publicadas em comunicado pela Variety, foi revelado que a companhia exigiu a edição de “quase todos os momentos de afeto abertamente gay”, apesar da manifestação contrária de equipes criativas. 

No mesmo mês, o CEO da Disney, Bob Chapek, declarou seu posicionamento diante das doações direcionadas a políticos favoráveis a um projeto de cunho LGBTQIAfóbico que circula nos Estados Unidos. A lei HB 1557, apelidada “Don’t Say Gay”, foi recentemente aprovada no estado da Flórida e visa proibir o reconhecimento de pessoas LGBTQIA+ por escolas e professores, além de impor a exposição de alunos “abertamente” queer aos pais e responsáveis. 

Chapek respondeu, em comunicado, que a companhia “trabalhava nos bastidores” para conseguir vetar a lei e que compreende que “a abordagem original, mesmo bem-intencionada, não cumpriu sua função”. Segundo a Deadline, o CEO ainda prometeu doar US$5 milhões à causa LGBTQIA+ e anunciou interesse em se reunir com o governador da Flórida, Ron DeSantis, para tratar melhor a questão. 

No final de março, a conversação entre Chapek e DeSantis parece não ter avançado, ao que o governador deu uma declaração contrária às expectativas da companhia. “Este estado é governado pelos interesses da população da Flórida. Não é baseado nas demandas de corporações executivas da Califórnia. Eles não comandam este estado”.