O compositor, empresário e ativista social Quincy Jones morreu no último domingo, 3 de novembro, em sua residência em Bel Air, Califórnia, aos 91 anos de idade. Sua carreira, que se estendeu por mais de sete décadas, foi marcada por uma série de colaborações históricas com nomes relevantes da música, como Frank Sinatra, Michael Jackson, Ray Charles, Sarah Vaughan, entre outros. Até o momento, a causa da morte ainda não foi divulgada.
A jornada musical de Quincy Jones começou no jazz, gênero em que ele deu seus primeiros passos como trompetista e arranjador para Lionel Hampton. Seu envolvimento com esse tipo musical moldou seu olhar para a música, servindo de base para ele se aventurar e dominar outros estilos ao longo da vida.
Jones também quebrou barreiras na indústria musical ao se tornar um dos primeiros afro-americanos em posição executiva em uma grande gravadora, a Mercury Records. Em uma época com poucas oportunidades para negros no setor, essa conquista marcou um avanço significativo na luta por representatividade. Como pioneiro, ele abriu portas para que outros artistas e produtores afro-americanos também pudessem ocupar espaços importantes na indústria fonográfica.
O arranjador inovou ao reunir talentos diversos para suas produções, incluindo o icônico guitarrista Eddie Van Halen e o ator Vincent Price. Sua capacidade de combinar sons e estilos diferentes criou uma experiência envolvente para os ouvintes, solidificando sua reputação como um mestre na produção musical. Os álbuns “Off the Wall,” “Thriller” e “Bad,” de Michael Jackson e produção de Jones, não apenas moldaram o pop da década de 80, mas também quebraram barreiras culturais, integrando elementos de vários gêneros musicais. Em especial, “Thriller” se destacou ao vender milhões de cópias e estabelecer novos marcos para a indústria musical.
Além de sua carreira musical, Quincy Jones também se aventurou no cinema e no entretenimento, contribuindo com mais de 35 trilhas sonoras ao longo de sua trajetória. Ele produziu filmes como “A Cor Púrpura”, que recebeu várias indicações ao Oscar, e o programa de televisão “Um Maluco no Pedaço”, que revelou o ator Will Smith ao mundo e trouxe uma nova abordagem à representação afro-americana na TV.
Embora alguns prêmios tenham escapado, seu impacto cultural foi inegável. Jones via a composição de trilhas sonoras como uma fusão de ciência e emoção, oferecendo profundidade e atmosferas aos filmes e programas que produzia. Sua adaptabilidade e colaboração em diferentes projetos cinematográficos demonstraram sua versatilidade e visão inovadora.
Com uma carreira repleta de conquistas, o produtor acumulou 28 prêmios Grammy e mais de 80 indicações, tornando-se um dos artistas mais premiados da história. Além dos Grammys, ele recebeu honrarias como o Kennedy Center Honors e a Legião de Honra da França, consolidando-se como uma figura de enorme impacto cultural e artístico no cenário mundial.
Na esfera pessoal, Quincy Jones foi um defensor ativo de diversas causas sociais. Ele fundou a “Quincy Jones Listen Up! Foundation”, voltada a conectar jovens com música, cultura e tecnologia. Esse envolvimento filantrópico foi motivado pela convicção de que a fama deve ser utilizada como um meio para ajudar os necessitados.
Nesta sexta-feira (8), o site oficial do Grammy divulgou a lista dos indicados de 2025 que conta com Shakira, Taylor Swift, Sabrina Carpenter,Anitta e muitos outros artistas. A premiação se iniciou em 1959 e se prepara para sua 67ª edição, programada para o dia 2 de fevereiro, em Los Angeles.
A cantora Beyoncé alcançou a marca de 99 indicações com as 11 categorias em que foi citada. Além de ser a maior indicada da edição, ela também se torna a maior da história do Grammy, ultrapassando seu marido Jay-z, que liderava com 88. O álbum que lhe rendeu todos esses marcos foi “Cowboy Carter”, sendo “Texas Hold’em” sua principal faixa.
Beyoncé e Jay-z no Grammy Awards 2024, empatados com 88 prêmios Grammy.
Foto: Instagram/Recording Academy
Outros destaques da lista foram Kendrick Lamar, Billie Eilish, Charli XCX e Post Malone, com oito indicações cada. Além de Sabrina Carpenter, também com oito indicações em sua primeira citação nas categorias da premiação, incluindo a disputa de Álbum do Ano, grande categoria da noite.
Sabrina no MTV Music Awards 2024. Foto: Taylor Hill
Representando o Brasil e o funk, Anitta foi indicada como melhor álbum de pop latino por “Funk Generation”, que traz faixas em português, inglês e espanhol e parcerias como Sam Smith, Pedro Sampaio e Brray.
Confira as principais categorias:
Álbum do Ano
● “New Blue Sun” — André 3000
● “Cowboy Carter” — Beyoncé
● “Short N’ Sweet” — Sabrina Carpenter
● “Brat” — Charli XCX
● “Djesse Vol. 4” — Jacob Collier
● “Hit Me Hard And Soft” — Billie Eilish
● “The Rise And Fall Of A Midwest Princess” — Chappell Roan
● “The Tortured Poets Department” — Taylor Swift
Canção do Ano
● “A Bar Song” (Tipsy)” — Shaboozey
● “Birds Of A Feather” — Billie Eilish
● “Die With A Smile” — Lady Gaga e Bruno Mars
● “Fortnight” — Taylor Swift e Post Malone
● “Good Luck, Babe!” — Chappell Roan
● “Not Like Us” — Kendrick Lamar
● “Please Please Please” — Sabrina Carpenter
● “Texas Hold’ Em” — Beyoncé
Artista Revelação
● Benson Boone
● Sabrina Carpenter
● Doechii
● Khruangbin
● Raye
● Chappell Roan
● Shaboozey
● Teddy Swims
Melhor Performance Solo de Pop
● “Bodyguard” — Beyoncé
● “Espresso” — Sabrina Carpenter
● “Apple” — Charli XCX
● “Birds Of A Feather” — Billie Eilish
● “Good Luck, Babe!” — Chappell Roan
Melhor Álbum Vocal de Pop
● “Short N’ Sweet” – Sabrina Carpenter
● “Hit Me Hard And Soft” – Billie Eilish
● “Eternal Sunshine” – Ariana Grande
● “The Rise And Fall Of A Midwest Princess” — Chappell Roan
● “The Tortured Poets Department” — Taylor Swift
Melhor Álbum de Country
● “Cowboy Carter” — Beyoncé
● “F-1 Trillion” — Post Malone
● “Deeper Well” — Kacey Musgraves
● “Higher” — Chris Stapleton
● “Whirlwind” — Lainey Wilson
Melhor Álbum de Pop Latino
● “Funk Generation” — Anitta
● “El Viaje” — Luis Fonsi
● “García” — Kany Garcia
● “Las Mujeres Ya No Lloran” — Shakira
● “Orquídeas” — Kali Uchis
Melhor Trilha Sonora para Mídia Visual
● “A Cor Púrpura”
● “Deadpool & Wolverine”
● “Maestro”
● “Saltburn”
● “Twisters”
A última programação cultural do ano está recheada de eventos na cidade de São Paulo. Esse é o mês de estreias do cinema aguardadas por muito tempo, como o musical “Wicked” e o filme nacional “Ainda estou aqui”. Além do cinema, a cidade estará movimentada com shows e eventos para o dia da Consciência Negra(20).
O mês começou agitado logo nos primeiros dias com o Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1, que contou com shows de José Aragão, Alok e o grupo carioca SIBC (Samba Independente dos Bons Costumes). Confira o que mais a cidade promete para novembro:
Peter Pan - musical da Broadway
Depois de 2 anos, o espetáculo internacional volta a terras paulistas.Na sua última passagem, foram mais de 130 mil ingressos vendidos. Com direção de José Possi Neto e estrelado por Mateus Ribeiro e Saulo Vasconcelos, a apresentação reconta o clássico infantil em forma de musical.
Quando: A partir de 6 de novembro;
Onde: Teatro Liberdade, Rua São Joaquim 129, Liberdade;
Ingressos: A partir de R$90,00.
LEGO Jurassic World
Criado por Ryan McNaught, conhecido como The Brickman, o maior evento de Lego da história do Brasil chegou em São Paulo. A exposição traz dinossauros da franquia Jurassic Park construídos totalmente por peças de lego.
Quando: A partir de 7 de novembro;
Onde: Shopping Eldorado, Av. Rebouças, 3970 - Pinheiros, São Paulo;
Ingressos: a partir de R$49,00
Shows:
Show Liniker
A artista, que se tornou uma das principais vozes da música contemporânea brasileira traz aos palcos seu segundo álbum “Caju” e no show, os fãs poderão contemplar a vasta gama de estilos que vão do pop ao samba, passando pelo jazz, house, pagode, arrocha, disco e reggae. O disco é uma obra completamente autoral e conta com participação de grandes nomes da música brasileira, como Lulu Santos, BaianaSystem, ANAVITÓRIA, Pabllo Vittar e Priscila Senna.
Quando: 8, 13 e 19 de novembro;
Onde: Espaço Unimed, R. Tagipuru, 795 - Barra Funda, São Paulo;
Ingressos: A partir de R$80,00.
Boogie Week
A quarta edição do evento, que traz a valorização da herança afro-brasileira, acontece na semana do dia 20 para celebrar o Dia da Consciência Negra. Além de shows da banda Racionais MC, há o Prêmio Griô que reconhece grandes personalidades negras para o fomento da cultura na sociedade e ainda, uma feira cultural com muita arte, música, dança, literatura e gastronomia de empreendedores negros.
Quando: 20 a 29 de novembro;
Onde: Centro Cultural Tendal da Lapa, R. Guaicurus, 1100 - Água Branca, São Paulo; e Espaço Unimed, R. Tagipuru, 795 - Barra Funda, São Paulo
Ingressos: Gratuitos para o evento e entre R$100 e R$300 para o show.
Show Bring Me The Horizon
A banda britânica se apresenta como headliner pela primeira vez em um estádio no Brasil. A apresentação será realizada pela 30e e terá três bandas de abertura: Motionless In White, Spiritbox e The Plot In You.
Quando: 30 de novembro;
Onde: Allianz Parque, Rua Palestra Itália, 200, São Paulo, SP;
Ingressos: A partir de R$125,00.
Cinema:
Ainda estou aqui
O filme nacional dirigido por Walter Salles, estrelado por Fernanda Torres e Selton Mello, é a grande aposta do Brasil para o Oscar de 2024. A produção é baseada no livro biográfico de Marcelo Rubens Paiva e conta a história de uma mulher que busca pelo marido sequestrado durante a ditadura militar no Brasil da década de 1970.
Quando: A partir de 7 de novembro.
Gladiador 2
A continuação do clássico dos anos 2000 foi dirigida por Ridley Scott, conhecido por “Alien: o 8° passageiro”, e conta com um elenco de peso com Paul Mescal, Denzel Washington e Pedro Pascal. O longa irá apresentar a história vingativa de Lucius anos depois de testemunhar a morte do venerado heroi Maximus nas mãos de seu tio.
Quando: A partir de 14 de novembro.
Wicked
O filme, baseado no musical da Broadway, é o prelúdio da história de Dorothy e do Mágico de Oz. Com Cynthia Erivo e Ariana Grande no elenco, o longa é muito esperado pelos fãs de musicais e pelos fãs da cantora pop.
Quando: A partir de 21 de novembro.
Após dois anos de preparação e um adiamento, a segunda edição do Knotfest Brasil abriu suas portas para dois dias de shows. O festival é idealizado pelo Slipknot e reuniu, nos dias 19 e 20 de outubro, uma multidão de mais de 60 mil pessoas no Allianz Parque, em São Paulo.
Bandas como Ratos de Porão, Black Pantera, BabyMetal, P.O.D e Bad Omens também tocaram no evento. O festival teve dois palcos: o KnotStage, maior e dedicado às atrações principais, e o Maggot Stage, voltado para as bandas nacionais. As apresentações começaram com pontualidade.
No primeiro dia, algumas bandas brasileiras tiveram problemas técnicos, como falta de som e de luz no palco. João Gordo, vocalista do Ratos de Porão, reclamou no microfone para a produção sobre a situação, mas tocaram normalmente em seguida.
O Slipknot tocou nos dois dias do festival com setlists diferentes. No sábado (19), fizeram um repertório só de hits de sua carreira. Entre as músicas escolhidas, estavam “Wait and Bleed”, “Eyeless”, “Duality”, “Psychosocial”, e “Before I Forget”.
Foi a primeira vez que Eloy Casagrande, novo baterista do grupo, tocou com em solo brasileiro: aclamado do início ao fim por um coro de um estádio enlouquecido. O musicista é conhecido por seu trabalho no Sepultura, e completa a equipe do Slipknot desde abril de 2024.
Eloy Casagrande durante apresentação com o Slipknot. Foto: Reprodução/Anderson Carvalho/89FM
Já no domingo (20), os integrantes transportaram o Allianz diretamente para 1999. Em comemoração aos 25 anos de seu álbum de estreia, “Slipknot”, a banda tocou apenas as músicas do álbum. Corey Taylor, vocalista, disse, durante o show: “Quero que vocês se sintam em 1999”. Músicas como “Spit it Out”, “Liberate” e “(sic)” tiveram sua versão em solo brasileiro.
Corey Taylor - foto: Anderson Carvalho - 89FM
No fechamento da última noite, Corey demonstrou carinho aos fãs brasileiros quando beijou a bandeira do país com o símbolo do Slipknot. Ele declarou que o Brasil é um presente para a banda.
O dicionário inglês Collins anunciou na última sexta-feira (28) que a palavra do ano é “brat”. O termo em tradução livre, significa “pirralho” ou “mimada” e foi usado pela cantora britânica Charli XCX em seu último álbum, reafirmando sua contribuição na música e volta do gênero hyperpop.
Dúvidas sobre maternidade, consumo de drogas, inseguranças, autoestima, garotas malvadas, festas frenéticas, mensagens de texto e redes sociais: essa é a pista de dança na cor verde que Charli XCX lançou em seu oitavo disco de estúdio. A chamada “Era Brat” trouxe um retorno da estética “party girl” de Lady Gaga, e marca um ponto chave para o hyperpop, tipo musical caracterizado pela extravagância e abordagem maximalista da música pop
A cor verde que estampa o álbum esteve presente nas mais variadas críticas da indústria da música, memes, sites, trends e até no meio político, como na campanha de Kamala Harris, nos Estados Unidos, e na de Guilherme Boulos, que concorreu para prefeito de São Paulo. O título "Brat" se destaca por sua abordagem experimental e impacto significativo na cultura pop.
A cantora e DJ Charlotte, cujo nome artístico é Charli XCX, se propõe a trazer uma alternativa para o pop, moldada a partir de uma perspectiva britânica voltada à cultura clubber e à música eletrônica feita por sintetizadores. É nesse submundo britânico que o álbum abraça um pop "frenético" e plástico, nomeado hyperpop.
E isso só foi possível porque Charli ousou em trazer produtores que aceitaram o desafio experimental, o que acabou se tornando um dos principais e mais influentes discos do ano de 2024. Nessa era de avanços tecnológicos cada vez mais presentes na indústria da música, "a cultura digital não vira só uma ferramenta, mas também um arcabouço estético e discursivo", explica o DJ e etnomusicólogo, Felipe Maia, para a AGEMT.
Com timbres constantes e uma estética festiva, o hyperpop nunca de fato parou, mas voltou com tudo após o lançamento do álbum.“O hyperpop talvez nunca tenha saído de moda ao longo dos anos desde que se configurou. Ele foi se transformando em uma linguagem, vai ser explorado ora como um gênero, ora como referencial", completa ele.
Felipe conta que entrevistou Charli em seu primeiro show no Brasil, em meados de 2012. A música "I Don´t Care" havia completado poucos meses de lançamento, uma composição da artista que ficou conhecida pelas vozes da dupla Icona Pop.
Após ser questionada por Felipe sobre o sucesso da música que ganhou os charts da Billboard em outra interpretação, ela respondeu que não se importava: "Eu gosto dessa música assim. Eu gosto de escrever, eu gosto de gravar".
"Nessa época ela já destoava muito de seus pares, como uma grande compositora e que tinha sacado isso na geração dela", ele conclui.
Em de carreira, Charli XCX construiu sua imagem como uma diva pop não convencional, mas frenética, irônica e misteriosa. Junto de seus amigos e também de artistas como Sophie e Danny Harle, a DJ se colocou sempre como uma figura que desafia as normas esperadas das cantoras pop.
Com sua cor verde e letras simples, o disco se tornou um fenômeno pop evidente. "Brat" é um disco que percorre caminhos diversos, mas também subjetivos e particulares de uma mulher cansada, um pouco esquecida pela indústria da música, mas que ainda está na capa da Vogue, fazendo a pista de dança tremer.
A artista faz esse elo entre o pop e a cultura cluubber que cria um movimento "disruptivo" e de grande sucesso, e que influenciou de forma irreversível a forma de fazer música, com outros lançamentos como as participações especiais do próprio e em outros artistas que se voltaram para o gênero.
"Brat" é uma marca, não só musical, mas também estética. A cor verde neon, que agora recebe o nome de “verde brat”, se torna também parte da comunicação global. Muito mais do que um adjetivo, “brat” agora é parte da cultura pop internacional.