Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
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06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

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Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
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06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
por
Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

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Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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Cerimônia em Los Angeles destacou músicos mais tocados nas rádios e no streaming, com diversidade de vencedores e homenagens especiais
por
Livia Vilela
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01/04/2026 - 12h

O iHeartRadio Music Awards 2026 reuniu artistas e profissionais da indústria da música no dia 26 de março, no Dolby Theatre, em Los Angeles, para premiar os maiores sucessos do último ano. Organizada pela iHeartMedia, maior empresa do setor de rádio e mídia de áudio nos Estados Unidos, a cerimônia teve como objetivo reconhecer os artistas mais populares com base em dados de execução nas rádios, desempenho nas plataformas digitais e votação do público.

Entre os destaques da noite, Taylor Swift venceu o prêmio de Artista do Ano, uma das principais categorias da premiação. A cantora, que já acumula histórico de vitórias no evento, também recebeu o prêmio de Melhor Álbum Pop por The Life of a Showgirl. Com sete vitórias ao todo nesta edição, Taylor Swift elevou seu total de troféus no iHeartRadio Music Awards para 41.

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Taylor Swift recebendo prêmio de Artista do Ano no iHeartRadio Music Awards 2026
Foto: Divulgação/Instagram @iheartradio

Além disso, a diversidade de vencedores marcou a edição de 2026. Alex Warren levou 4 prêmios na noite, incluindo Canção do Ano com o hit “Ordinary”. O cantor e compositor norte-americano ganhou destaque recentemente na indústria da música após iniciar a carreira como criador de conteúdo e cofundador da Hype House, coletivo de influenciadores do TikTok. Antes da fama, enfrentou dificuldades pessoais e chegou a morar na rua, trajetória que hoje aparece refletida em suas músicas.

Na categoria de K-pop, a vencedora do Oscar “Golden”, do grupo HUNTR/X, EJAE, Audrey Nuna e Rei Ami, foi eleita Canção do Ano. Já Sabrina Carpenter venceu como Artista Pop do Ano, refletindo o desempenho recente de seus lançamentos e o alcance nas plataformas digitais. Artistas revelação foram premiados em diversas categorias, como Ella Langley (country) e Sombr (música alternativa).

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Alex Warren no iHeartRadio Music Awards 2026
Foto: Instagram/ @alexwarren

Além das categorias principais, a premiação também destacou trajetórias e contribuições para a música. Miley Cyrus recebeu o Innovator Award, concedido a artistas que se destacam pela criatividade e pela capacidade de reinventar sua carreira ao longo do tempo. Já John Mellencamp foi homenageado com o Icon Award, reconhecimento pelo impacto duradouro de sua obra na música internacional.

A cerimônia contou ainda com apresentações ao vivo e participações de artistas de diferentes gerações. Raye, Ludacris e o grupo TLC, Salt-N-Pepa e En Vogue ajudaram a compor uma noite marcada pela celebração da música popular em suas múltiplas vertentes, consolidando a premiação como um dos principais palcos da música internacional.

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Raye se apresentando no iHeartRadio Music Awards 2026 
Foto: Divulgação/Instagram @iheartradio

 

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Autódromo recebe exposição gratuita sobre o ídolo no dia 1º de maio
por
Amanda Lemos
Maria Paula Back
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30/03/2026 - 12h

Nomeado de “Senna Experience 2026”, o evento cultural e imersivo relembra e celebra o legado histórico de Ayrton Senna, um dos maiores ídolos do automobilismo brasileiro e mundial. A exposição ocorre no dia 1º de maio, das 10h da manhã às 17h, no Autódromo de Interlagos, com acesso pelo Portão 7, coincidindo com o aniversário de 32 anos de sua morte. A entrada é gratuita, porém os ingressos são limitados e devem ser retirados antecipadamente pelo site oficial do Senna Experience, a partir do dia 30 de março, com limite de até dois ingressos por CPF. 

A exposição contará com acervos e itens históricos, como peças pessoais e objetos de corrida, troféus, macacões, fotos, obras de arte e até mesmo um capacete de 1991. Entre os destaques da exposição está o Lotus 98T de 1986, um dos carros de Fórmula 1 pilotados por Senna.  

O evento contará com um espaço familiar. Haverá um lounge para encontro de fãs e um espaço infantil temático do Senninha, um personagem inspirado em Senna, com contação de histórias e atividades para as crianças. Também terão apresentações musicais e DJs com playlists que remetem à momentos marcantes da vida do piloto. A praça de alimentação contará com opções diversas para os visitantes durante o dia todo. 

O evento faz parte das celebrações que acontecem tradicionalmente todo ano no dia 1º de maio, celebrando a memória eterna de Senna no automobilismo brasileiro e mundial. 

 

Ayrton Senna está sentado à beira da pista, vestindo um macacão vermelho da McLaren com logotipos de patrocinadores. Ele segura um capacete com as cores da bandeira do Brasil e olha para o lado com expressão séria. Ao fundo, o circuito aparece desfocado, e à esquerda há uma faixa vermelha com o nome “Ayrton Senna”.
Ayrton Senna em 1988 - Foto: @tagheuer e @sennabrasil / Instagram 

 

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Conhecido por papéis marcantes, o artista construiu um legado duradouro e transformou ação em identidade cultural.
por
Marina Garcia e Marcelo Barbosa
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30/03/2026 - 12h

O ator e artista marcial Carlos Ray Norris, conhecido como Chuck Norris, morreu, na última quinta-feira (19), no Havaí, nos EUA. O artista, de 85 anos, estava passando as férias na ilha, quando sofreu complicações de saúde não divulgadas. Norris, deixa esposa, filhos e netos.

Reconhecido mundialmente por seus papéis em filmes de ação e pela série de televisão Walker, Texas Ranger, Chuck Norris enfrentava problemas de saúde nos últimos anos, embora mantivesse sua vida pessoal de forma reservada. A causa exata da morte não foi detalhada, mas fontes próximas indicam que ele vinha lidando com condições decorrentes da idade. 

O ator passou mal de forma súbita após um treino, sendo levado ao hospital na ilha de Kauai, no Havaí, na quarta-feira (18), e morreu na quinta-feira (19). A morte foi confirmada pela família, no dia seguinte (20), através das redes sociais. A notícia citou um falecimento repentino após internação e os familiares optaram por sigilo.

Sua morte gerou grande repercussão entre fãs e colegas de trabalho em todo mundo. Nas redes sociais, admiradores prestaram homenagens destacando não apenas seus papéis marcantes no cinema de ação, mas também seu carisma e disciplina nas artes marciais. “Eu tive um ótimo tempo trabalhando com Chuck. Ele era americano de verdade em todos os sentidos. Um grande homem, e meus sentimentos à sua maravilhosa família.”

Sylvester Stallone presta homenagem a Chuck Norris em suas redes socias - Foto: @officialslystallone / Instagram
Sylvester Stallone presta homenagem a Chuck Norris em suas redes sociais - Foto: @officialslystallone / Instagram
 

Carlos Ray Norris Jr. nasceu no dia 10 de março de 1940 no Estado de Oklahoma. Em vídeos  do ator falando sobre sua infância, é possível ver ele descrevendo-a como “apática”. Segundo o ator, ele era o oposto da imagem criada no imaginário popular. 

No documentário “Chuck Norris: A história por trás da lenda”, ele afirmou ter sido na infância um "garoto franzino e tímido" na escola, com notas ruins e aversão aos estudos;  Ele sofria bullying de outras crianças e isso o motivou a posteriormente ingressar na Força Aérea dos Estados Unidos, em 1958.

Ainda segundo o relato do ator no filme, seu pai era alcoólatra, ausente e abandonava a família por meses, voltando bêbado. Aos 16 anos, após o divórcio dos pais, assumiu o papel paterno para cuidar dos irmãos mais novos.  Ele se viu obrigado a assumir tarefas adultas desde os 12 anos, como trabalhar em fazendas.

Após terminar o Ensino Médio, cansado das instabilidades em casa, alistou-se ao exército com 18 anos. Neste momento, ele foi enviado para a base aérea de Osan, na Coreia do Sul, onde ganhou o apelido de “Chuck”. Foi em sua jornada militar que começou a treinar artes marciais e chegou a fundar uma base de treinos entre os colegas.

Ele voltou aos Estados Unidos, depois de ser demitido do exército, e passou a servir à Força Aérea do país, na Califórnia. Ele prestou serviços até que ele foi dispensado novamente em agosto de 1962. O ator então quis focar nas artes marciais e começou a abrir uma franquia de escolas de luta por alguns Estados dos EUA. Ele chegou a fundar um estilo de luta próprio chamado de “Chun Kuk Do”.

Depois de criar o Chun Kuk Do e dominar as competições de karatê na década de 60, Chuck Norris expandiu suas academias e começou a fazer uma transição para o cinema. Inicialmente atuando como dublê e lutador, ele apareceu nas telas pela primeira vez em um filme chamado “The Wrecking Crew”, ao lado de Dean Martin - o que marcou sua estréia em Hollywood como dublê. Sua segunda participação nas telas foi o que trouxe fama ao ator, no filme “Massacre em São Francisco”, lançado em 1974.

Em uma de suas competições de luta, Chuck conheceu Bruce Lee. Os dois se tornaram amigos e Bruce o convidou para ter um papel de destaque em um dos filmes que ele estava produzindo.

Chuck Norris estreou no cinema em “O voo do Dragão”, de 1972, interpretando o campeão de karatê Colt, contratado por um mafioso romano para derrotar Tang Lung, o protagonista vivido por Bruce Lee,  que defendia o restaurante de sua família. O longa culmina em um dos embates mais memoráveis da história da sétima arte: a luta épica entre Norris e Lee nas ruínas do Coliseu, marcando a estréia do ator nos cinemas.

Chuck, depois do sucesso de “O voo do Dragão”, ganhou fama e chegou a estrelar produções como "Breaker! " Breaker!" (1977), seu primeiro papel principal como caminhoneiro justiceiro, seguido de clássicos como "O Código do Silêncio" (1985), "Força de Elite" (1986) e "Delta Force" (1986), onde também interpretou um justiceiro que lutava contra contra terroristas e criminosos.

Nos anos 1990, Chuck decidiu que iria se aventurar no mundo da televisão e foi protagonista da série "Walker, Texas Ranger" (1993-2001), um Texas Ranger que combatia o crime com artes marciais e valores conservadores, exibida por 8 temporadas e mais de 200 episódios, tornando-o ícone global.

Imagem do ator Chuck Norris no filme de ação Invasão U.S.A - Foto: @chucknorris / Instagram
Imagem do ator Chuck Norris no filme de ação Invasão U.S.A - Foto: @chucknorris / Instagram

O FENÔMENO QUE REFORÇOU DISCURSOS PERIGOSOS

Os personagens de Chuck em programas como “Walker, Texas ranger” e posteriormente em filmes como “Os mercenários”, fizeram o ator virar meme nas redes sociais. Retratado como uma figura sobre-humana e invencível, a imagem foi reforçada pelo programa Late Night with Conan O'Brien", da NBC, que compilava cenas exageradas de força e violência da série "Walker, Texas Ranger" (1993-2001). O programa, em formato de Talk Show, utilizava como recurso humorístico para compor as piadas do programa, apesar de Norris ter feito somente algumas participações especiais.

 Em 2005, fóruns online, como Something Awful, com o intuito de imitar o que a NBC fez, migraram piadas semelhantes de outros personagens (como Vin Diesel em "Operação Babá") para Norris, gerando os "Chuck Norris Facts", que eram frases curtas e absurdas como "Chuck Norris não caça. Ele simplesmente espera que a caça se entregue" ou "A morte uma vez teve um quase-morte com Chuck Norris".

A onda de memes motivou Norris a escrever sua autobiografia em 2007, chamada em português de “A verdade sobre Chuck Norris”, mas também serviu de motivo para que o ator processasse alguns sites por conta do uso indevido de sua imagem. 

Os personagens de Chuck, apesar de icônicos, trouxeram um ideal incompatível de masculinidade. Norris criou um “arquétipo de masculinidade exagerado", elevando-o a força sobre-humana, mas implícita em críticas a narrativas que glorificam o "homem só" resolvendo tudo com violência, um discurso frequentemente disseminado em comunidades Red Pill.

Em 2012, a participação de Chuck Norris em “Os Mercenários 2” revelou um contraste entre sua imagem de "durão" e suas convicções pessoais, já que o ator exigiu a remoção de diálogos vulgares para reduzir a classificação etária do filme. Na mesma época, a esposa de Chuck, Genna O´Kelley, sofreu graves problemas de saúde por conta de um erro médico, resultando no afastamento do ator de Hollywood por um hiato de 12 anos, retornando aos cinemas apenas em 2024 com o longa Agente Recom.
 

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Com apresentações intensas e variedade musical, o terceiro dia manteve o ritmo e proporcionou uma despedida à altura
por
Beatriz Neves
Laura Petroucic
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30/03/2026 - 12h

No domingo (22), o Autódromo de Interlagos recebeu apresentações aguardadas, como Tyler, the Creator e Lorde. O último dia confirmou o sucesso da edição ao combinar artistas consagrados e novos talentos, reunindo um público de 285 mil pessoas ao longo dos três dias.

Nina Maia 

Mostrando que uma das melhores partes de festivais é descobrir e se encantar com artistas menores, Nina Maia hipnotiza a plateia que a acompanha com leques e muita energia mesmo sob o sol.

A mineira apresentou o repertório de seu álbum de estreia, Inteira (2024), reconhecido pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), em um show que equilibra delicadeza e intensidade. No palco Samsung Galaxy, esteve acompanhada por uma banda afinada — Francisca Barreto, Valentim Frateschi, Thales Hash, Yann Dardenne e Pedro Lacerda — que sustentou a atmosfera envolvente da apresentação.

Com entrega e cuidado nos detalhes, Nina transforma o palco em um espaço íntimo, mostrando segurança e carisma de quem soube aproveitar o Lollapalooza para conquistar um novo público.

Foto: Reprodução / Instagram (@_ninamaia)
Foto: Reprodução / Instagram (@_ninamaia)

Djo  

Joe Keery, também conhecido pelo nome artístico Djo, é um artista e ator norte-americano conhecido por interpretar o personagem “Steve Harrington” na série recordista de audiência da Netflix, Stranger Things. Apesar de sua fama, Djo mostrou que não é apenas um ator brincando de ser músico.

Com o seu show começando pontualmente às 16:55, o artista se mostrou muito versátil, tocando guitarra, violão e piano durante o show. Na sequência, tocou músicas de seu álbum mais recente, lançado em abril de 2025, “The Crux”, incluindo hits como “basic being basic” e “Charlie’s Garden”, que animaram a plateia. Por fim, encerrou sua apresentação com sua música mais famosa, “End of beginning”, do álbum “DECIDE” (2022), levantando um coro da plateia e emocionando fãs que se identificam com a música que explora a transição entre diferentes fases da vida destacando amadurecimento e nostalgia.

Djo performando no Lollapalooza 2026
Djo performando no Lollapalooza 2026. Foto: Reprodução / Instagram (@tracklistoficial)

Addison Rae

No início da carreira e pela primeira vez no Brasil, Addison Rae mostra ter presença de palco e carisma de sobra para se destacar como estrela pop. Mesmo recorrendo ao playback, interações prolongadas com o público e pausas em que os dançarinos assumem a cena, o show se manteve envolvente e animou o autódromo.

Durante “Money Is Everything”, seu rosto estampou notas de dólar dos “Estados Unidos da Addison”, lançadas à plateia como parte da performance. Já no trecho de “Von Dutch”, parceria com Charli XCX, a cantora convocou o público a fazer com ela o grito icônico da música, dizendo que precisava poupar a voz.

A artista também não escondeu a empolgação por se apresentar no Brasil, algo que mencionou mais de uma vez, criando uma conexão próxima com os cerca de 100 mil fãs presentes.

Embora ainda não sustente uma apresentação inteira apenas na voz, Rae se mostrou uma performer promissora, que vale acompanhar os próximos passos. Sem hesitar, se entregou no palco Samsung e conquistou o público.

Addison e seu dançarino Patrick. Foto: Reprodução / Instagram (@addisonraee)
Addison e seu dançarino Patrick. Foto: Reprodução / Instagram (@addisonraee)

Turnstile

A banda americana de hardcore punk consolidou-se como um dos grandes nomes do rock atual, entregando uma apresentação intensa e sólida que levou os fãs à loucura.

O conjunto começou o show tocando sua faixa “never enough” que gerou reação instantânea dos fãs que acenderam sinalizadores e abriram rodas-punks durante a performance. Durante o show, a banda manteve a energia com sucessos como "I care", ao mesmo tempo em que incentivava ainda mais a participação do público ao pedir para "open it up", expandindo os mosh pits que dominaram a plateia. O repertório também refletiu o reconhecimento recente do grupo, ganhador de dois Grammys em 2026, nas categorias de Melhor Performance Metal e Melhor Álbum de Rock por Never Enough.

O término ocorreu com a música "BIRDS", em um momento explosivo, caracterizado pelo vocalista se jogando na plateia e pelo baterista entregando as suas baquetas ao público. Com uma setlist centrada em GLOW ON e músicas recentes, o show se destacou pela intensidade e pela conexão do começo ao fim.

Turnstile subiu ao palco com sua formação atual, liderada pelo vocalista Brendan Yates, ao lado de Franz Lyons, Daniel Fang, Pat McCrory e Meg Mills. Foto: Reprodução / Instagram (@weinthecrowd)
Turnstile subiu ao palco com sua formação atual, liderada pelo vocalista Brendan Yates, ao lado de Franz Lyons, Daniel Fang, Pat McCrory e Meg Mills. Foto: Reprodução / Instagram (@weinthecrowd)

Lorde 

Em um dos shows mais emocionantes do Lollapalooza 2026, a neozelandesa Lorde voltou ao Brasil após quatro anos.

Com a estrutura minimalista da Ultrasound Tour, marcada pela famosa esteira e jogos de luz entre reflexos e holofotes, a artista conduziu a plateia por diferentes estados emocionais. De faixas mais introspectivas, como “Liability”, que levou o público às lágrimas, a momentos mais eufóricos com hits como “Green Light”, o repertório equilibrou intensidade e energia. Músicas recentes, como “Man of the Year” e “What Was That”, também tiveram destaque.

O novo álbum, Virgin, marcou presença na setlist. Um dos pontos altos veio com “David”, quando Lorde surgiu com um figurino iluminado e desceu até a grade para cantar junto aos fãs.

O encerramento ficou por conta de “Ribs”, em uma performance nostálgica, refletindo temas recorrentes da artista, como o medo de crescer e a intensidade da juventude.

Após o show, Lorde agradeceu ao público brasileiro em uma postagem no Instagram, destacando a energia das cerca de 100 mil pessoas presentes e afirmando que a noite em São Paulo deixou uma marca profunda nela.

 Lorde retorna ao Brasil após quatro anos. - Foto: Reprodução: Instagram (@multishow)
Lorde retorna ao Brasil após quatro anos. - Foto: Reprodução: Instagram (@multishow)

Tyler The Creator 

O headliner Tyler The Creator fechou o Lollapalooza Brasil com um show divertido e notável, marcando seu retorno ao país após 15 anos de uma longa espera.

A apresentação de Tyler teve um início triunfante com efeitos pirotécnicos e uma entrada marcante que rapidamente entusiasmou o público. Carismático, o artista manteve a energia durante todo o show, investindo também em uma identidade visual impactante, baseada na estética de seus álbuns utilizando mudanças de cores no palco como o vermelho na música “Big Poe” e o verde em “St. Chroma".

O setlist envolveu diversas fases de sua trajetória, iniciando com músicas dos álbuns mais recentes, “DON’T TAP THE GLASS” e “CHROMAKOPIA”, e progredindo para produções reconhecidas como “IGOR” e “CALL ME IF YOU GET LOST”.  Durante a apresentação, o rapper também elogiou artistas brasileiros como Gal Costa, João Gilberto e Marcos Valle e em um dos momentos mais marcantes, apresentou uma versão remix de “Tamale” (2013) com batida de funk, reforçando a conexão com o público ao destacar que estava em São Paulo, e não no Rio, enquanto segurava uma bandeira do Brasil.

O encerramento foi marcado pela performance de "See You Again", que trouxe uma atmosfera mais melódica. Apesar de uma estrutura de palco mais simples, Tyler apresentou uma performance poderosa, apoiada por sua presença e uso estratégico de efeitos, demonstrando confiança ao comandar o show sozinho.

 Tyler, the Creator, se apresenta como headliner no Lollapalooza 2026. - Foto: José Plens
Tyler, the Creator, se apresenta como headliner no Lollapalooza 2026. - Foto: José Plens

Katseye 

Dividindo horário com o headliner da noite, Tyler, The Creator, o show do Katseye reuniu uma plateia cheia. A estreia do grupo no Brasil atraiu muitos espectadores, especialmente os fãs infantojuvenis, que marcaram presença em peso.

Com a integrante Manon afastada, Sophia, Daniela, Lara, Megan e Yoonchae assumiram o palco, preenchendo a setlist curta com interações, brincadeiras e até tentando algumas frases em português.

Faixas chicletes como “Gabriella”, “Game Boy” e “Internet Girl” conquistaram o público, que acompanhou as coreografias com entusiasmo. O ponto alto da apresentação foi, sem dúvida, a versão estendida de “Gnarly”, hit performado no Grammy este ano.

O Katseye entrega exatamente o que propõe: um grupo pop jovem, carismático, bem ensaiado e com coreografias afiadas, pensado especialmente para seu público mais jovem.

Sophia, Daniela, Lara, Megan e Yoonchae se apresentam no palco Flying Fish. Foto:Reprodução / Instagram (@katseyeworld)
Sophia, Daniela, Lara, Megan e Yoonchae se apresentam no palco Flying Fish. Foto:Reprodução / Instagram (@katseyeworld)

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Quanto mais mediado por telas se torna o cotidiano, mais o encontro com o real transforma o teatro em uma experiência intensa e necessária
por
Manoella Marinho
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30/03/2026 - 12h

A relação da geração atual com o mundo passa, inevitavelmente, pelas telas. Celulares, redes sociais e plataformas de vídeo moldam não apenas a forma de comunicação, mas também a percepção da realidade. “O teatro é o presente, é o agora, é o sentimento”, afirma Marcello Drummond, diretor do Teatro Oficina, em entrevista à AGEMT. A fala sintetiza uma das principais diferenças entre o teatro e as mídias digitais: enquanto a internet permite o acesso ilimitado e instantâneo a conteúdos, o teatro exige presença, tempo e entrega. Isso torna-se ainda mais evidente quando se observa o impacto físico da cena.

“Quando você vê um ator na tua frente […] é uma coisa viva”, diz Drummond. Ao contrário da imagem mediada por uma tela, o corpo em cena carrega falhas, respiração, improviso, entregam elementos que tornam cada apresentação única. É essa imprevisibilidade que intensifica a experiência do espectador. Ao mesmo tempo, o ambiente digital tem produzido uma mudança significativa nos hábitos culturais. “As pessoas têm pouco contato com o que não é vídeo”, aponta o diretor. A predominância do audiovisual transforma a forma como a arte é consumida, muitas vezes reduzindo a experiência a fragmentos rápidos e descartáveis.

Créditos: Manoella Marinho Teatro Oficina

 

Ainda assim, o impacto da tecnologia não é apenas negativo. “O digital […] está fazendo com que os teatros fiquem mais cheios”, observa Drummond, conversando com AGEMT dentro do espaço do Teatro Oficina. O fenômeno revela um paradoxo: quanto mais imersas no virtual, mais as pessoas parecem buscar experiências concretas. A saturação de estímulos, característica do cotidiano online, gera uma espécie de cansaço que encontra no teatro um espaço de pausa e intensidade.

Esse movimento ajuda a explicar por que o teatro provoca um efeito tão marcante na geração atual. “A gente tem contato com tela […] mas o vivo toca muito”, resume o diretor. O impacto não está apenas no conteúdo da peça, mas na experiência sensorial completa: o silêncio da plateia, a proximidade com os atores, a impossibilidade de pausar ou voltar a cena. Historicamente, o teatro sempre se construiu a partir dessa relação direta. Encenações como “O Rei da Vela”, marco do Teatro Oficina, ou montagens contemporâneas que rompem a divisão entre palco e plateia, evidenciam a potência do encontro ao vivo. Ao eliminar a chamada “quarta parede”, essas obras convidam o espectador a participar ativamente, transformando-o em parte da cena.

Nesse contexto, o teatro também reafirma seu caráter político. “O fato de estar em cena já é um ato político”, diz Drummond. Em um ambiente digital marcado pela circulação massiva de discursos, muitas vezes superficiais ou polarizados, o teatro oferece um espaço de reflexão mais profunda, onde o tempo e a presença permitem a elaboração crítica. Por outro lado, a própria internet carrega contradições. “Tem coisas muito boas […] e coisas muito ruins que se espalharam”, reconhece o diretor. Se por um lado ela democratiza o acesso à informação e à arte, por outro amplia a circulação de desinformação e discursos problemáticos. Nesse cenário, o teatro se destaca como um espaço de construção coletiva e diálogo direto. A diferença fundamental está na experiência. Enquanto o digital tende à repetição e à reprodução infinita, o teatro se ancora no instante. Cada sessão é única, irrepetível. É nesse sentido que o impacto se intensifica: o espectador não apenas assiste no automático mas vivencia, estimulando análise crítica e sensação.

Em um mundo em que o contato com o real se torna cada vez mais mediado, o teatro reafirma a importância do corpo, do encontro e da presença. Mais do que sobreviver à era digital, ele parece ganhar novo sentido dentro dela. Um espaço onde o humano, finalmente, deixa de ser apenas imagem e volta a ser experiência.