A Mostra Ecofalante de Cinema 2026 começou nesta quinta-feira (28), em São Paulo, e exibirá mais de 100 filmes sobre temas relacionados à justiça social e às mudanças climáticas.
Considerado um dos maiores eventos do audiovisual sul-americano, o festival oferece uma programação totalmente gratuita, com exibição de longas de 27 países diferentes, em espaços como o Centro Cultural de São Paulo e salas da Reserva Cultural.
O cronograma inclui sessões de obras como “O Silêncio da Terra” (The Silence of the Earth), com direção de Frank Gutiérrez e abordagem que investiga o assassinato brutal de três ativistas ambientais que se opuseram a grandes corporações multinacionais e seus interesses.
“Tempo de Embebedar Cavalos” (Zamani baray-e masti-e asbha), também será um dos filmes reproduzidos ao longo da Mostra e exibe a realidade de cinco irmãos que enfrentam a dureza da sobrevivência em condições extremas na fronteira entre Irã e Iraque. Sob direção de Bahman Ghobadi, o filme revela uma infância atravessada pela urgência e pelos limites impostos por um território em tensão.
A produtora paulista Zita Carvalhosa (1960-2025), que fundou e dirigiu o Festival Internacional de Curtas-Metragens em São Paulo (o Kinoforum), é a homenageada desta edição do festival. Seis de suas produções com temáticas socioambientais serão exibidas, como “Carvão” e “O Cineasta da Selva”.
Além disso, outros 51 filmes brasileiros serão reproduzidos na Mostra Ecofalante deste ano: 31 deles integrando a temática “Territórios e Memória”, com títulos como “Amazônia Oktoberfesta” e “A Fabulosa Máquina do Tempo”.
As outras 20 produções brasileiras foram selecionadas através do Concurso Curta Ecofalante, que abriu inscrições no começo do ano para que estudantes (do ensino médio, superior, técnico ou de cursos livres de cinema) concorressem a oportunidades de exibir suas produções. Os filmes abordam temas alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) propostos pela ONU, como questões étnico-raciais, desigualdade social, ativismo, mobilidade, direitos LGBTQIAPN+, entre outros.
A programação vai até o dia 10 de junho. Confira mais detalhes no site oficial da Mostra Ecofalante de Cinema.
Entre os dias 29 de abril e 3 de maio, São Paulo recebeu a Gamescom LATAM, uma das maiores feiras de jogos da América Latina. Realizado no Distrito Anhembi, o evento reuniu milhares de fãs, criadores de conteúdo, desenvolvedores e profissionais da indústria em uma das maiores celebrações do setor já realizadas no Brasil.
Durante os cinco dias de evento, o público teve acesso à diversas atividades nos estandes dos desenvolvedores, como testes de jogos inéditos, painéis com convidados internacionais e nacionais, sorteios, competições ao vivo.
A S-Game, desenvolvedora de jogos digitais, reuniu o público para o “Phantom Blade Zero”, um dos jogos mais aguardados do ano, o público aguarda o lançamento do jogo desde o seu anúncio em 2023, com gráficos polidos e jogabilidade polida. Além do jogo, a apresentação de dança do leão chinês, com performers circulando pelo estande e interagindo com o público, criou um momento visual marcante e reforçou a identidade cultural do jogo
A Nintendo também marcou presença com seu tradicional apelo ao público, com estações com demos dos seus jogos principais no Nintendo Switch 2, como Donkey Kong Bananza, Mario Kart World, Pokémon Pokopia, Mario Tennis Fever entre outros.
A NVIDIA apresentou tecnologias e soluções gráficas, destacando o avanço técnico da indústria. Com foco em experiências gráficas com alto desempenho, destacando tecnologias de Inteligência Artificial (IA) e a capacidade gráfica da série RTX de placa de vídeo.
Mais do que uma feira de entretenimento, a Gamescom LATAM se tornou um espaço de troca cultural, tecnologia e criatividade, aproximando jogadores, criadores de conteúdo e profissionais da indústria.
A venda de ingressos para grandes shows no Brasil deixou de ser apenas uma etapa antes do espetáculo e passou a ser, para muitos fãs, uma verdadeira batalha virtual. Filas online intermináveis, sites instáveis e preços abusivos na revenda fazem parte da experiência de consumidores que tentam garantir presença em apresentações de artistas no país.
Nos últimos anos, o crescimento do número de turnês internacionais no Brasil também trouxe à tona problemas recorrentes enfrentados pelo público. Plataformas de venda frequentemente não suportam o alto volume de acessos simultâneos, enquanto consumidores relatam falta de transparência, dificuldades no reembolso e insegurança durante as compras. Alta demanda, instabilidade nas plataformas e a ação de cambistas digitais transformaram o processo em uma experiência frustrante para milhares de brasileiros.
O Procon-SP recebe constantemente reclamações relacionadas à comercialização de ingressos para shows e grandes eventos. Entre as principais demandas estão problemas com reembolso, publicidade enganosa, cobranças indevidas e falhas na prestação do serviço. De acordo com dados do órgão, somente em 2024 foram registradas 3.080 reclamações envolvendo as dez principais plataformas de compra do país. Em 2025, o número subiu para 3.328, evidenciando que a situação não melhorou.
Além do atendimento ao consumidor, o Procon-SP afirma atuar em diferentes frentes, como fiscalizações presenciais em grandes eventos, reuniões com empresas organizadoras e aplicação de multas em casos de descumprimento da legislação. O órgão também reforça que as plataformas têm responsabilidade de garantir um ambiente seguro e funcional para as vendas.
“Problemas pontuais devem ser resolvidos pela empresa de forma a não atrapalhar o fluxo das vendas, de acordo com o que foi prometido nas ofertas e publicidades feitas pela própria empresa”, informa a assessoria de imprensa do órgão.
Do ponto de vista jurídico, o consumidor tem mais respaldo do que imagina. A advogada Jaqueline Teodoro explica que a venda de ingressos online é considerada prestação de serviço pelo Código de Defesa do Consumidor: "isso garante ao consumidor o direito de receber informações claras sobre preço, taxas, datas e condições da compra. Além disso, por se tratar de uma compra feita fora do estabelecimento físico, o consumidor pode desistir da compra em até sete dias e receber o valor integral de volta, incluindo taxas."
A estudante e fã, Lorena Horácio já passou por situações semelhantes diversas vezes. Ela relata dificuldades durante a compra de ingressos para apresentações do grupo sul-coreano BTS e do cantor Harry Styles. “Na maioria das vezes, a plataforma pela qual as vendas acontecem acaba não suportando a alta demanda de pessoas ao mesmo tempo, deixando o site instável, causando erros e até a queda da página”, afirma.
Segundo Lorena, os problemas começaram ainda nas filas virtuais. “Não temos noção de qual posição estamos, já que só temos acesso à quantidade de pessoas presentes na fila”, explica. Ela também critica as taxas cobradas pelas plataformas. “Somos informados de que uma porcentagem a mais é cobrada para a manutenção do sistema e, mesmo assim, ainda enfrentamos instabilidade.”
Apesar das dificuldades, Lorena conseguiu adquirir ingressos para os shows do BTS em São Paulo, embora não nos setores desejados. Para ela, o maior prejuízo não foi financeiro, mas emocional. “Gerou muita ansiedade e medo de não conseguir.”, desabafa.
Outro problema apontado pelos consumidores é o cambismo digital. Segundo Jaqueline, o CDC (Código de Defesa do Consumidor) considera abusiva a cobrança de preço excessivo, o que pode enquadrar a prática do cambismo. No entanto, para shows e eventos culturais não existe crime específico previsto em lei, o que dificulta a punição e gera apenas infrações cíveis.
Lorena acredita que a revenda abusiva prejudica diretamente os fãs. “Isso favorece apenas os cambistas. Muitas pessoas acabam comprando por valores altos no desespero de não conseguir ir ao show.”
Quanto ao reembolso, Jaqueline esclarece que a plataforma é obrigada a devolver o valor integral, incluindo taxas, em três situações: quando o consumidor exerce o direito de arrependimento em até sete dias da compra online, quando há cancelamento ou alteração relevante do evento, como mudança de data, horário ou local, e quando o ingresso apresente algum problema, como não funcionar ou ser fraudado.
As principais plataformas de venda de ingressos foram procuradas para comentar, mas não retornaram até o fechamento desta reportagem.
Para evitar problemas, o Procon-SP recomenda que consumidores utilizem apenas canais oficiais de venda, verifiquem informações como CNPJ e formas de atendimento das empresas, e desconfie de ofertas muito vantajosas divulgadas em redes sociais. Mas, para quem já viveu a experiência, as orientações chegam tarde. Lorena resume bem o sentimento de milhares de fãs: "Me preparei por dias e, no fim, não dependia de mim."
As páginas de fofoca em redes sociais servem como meios rápidos para obter informações. Com conteúdos que vão do dia a dia de celebridades a acontecimentos diários, esses perfis acumulam milhões de seguidores e alto engajamento. Na era digital, essas páginas geram debates sobre o poder para moldar a opinião da sociedade. Críticos argumentam que a intenção não está no compartilhamento de informações, mas sim em polemizar e engajar em cima de assuntos sérios.
Perfis como “Alfinetei” e “Choquei”, aparecem entre os 50 mais seguidos de todo o Brasil. Com mais de 25 milhões de seguidores, esses perfis superam famosos como William Bonner e Claudia Leitte. A Choquei entrou para o Top 3 mundial de perfis que mais propaga notícias falsas no X (antigo Twitter). Esse levantamento é feito a partir dos dados das Community Notes (Notas da Comunidade) da plataforma, em que os usuários colaboram para contextualizar posts enganosos.
O caso mais conhecido de fake news envolvendo a Choquei foi com a jovem Jéssica Canedo, que se suicidou no final de 2023 após uma postagem falsa da página. A publicação em questão dizia que a garota estava enviando mensagens amorosas para o humorista Whindersson Nunes. Mesmo o fato tendo sido negado tanto pelo artista, quanto por Jéssica, a página não apagou a postagem e dias depois a jovem se suicidou.
O caso mostra a responsabilidade que esses perfis têm ao realizar uma publicação que será vista por milhares de pessoas. Com base nisso, em entrevista, Andréia Matos, dona da página de fofoca rainhamatos, com mais de 2.4 milhões de seguidores, reforça o cuidado que se deve ter ao publicar uma notícia: “Nós temos diretrizes internas e trabalhamos seguindo esses critérios. Então, checamos os fatos, as fontes e vamos atrás da vítima quando o caso ainda está aberto. A responsabilidade é muito grande, pois se publicarmos uma informação errada, podemos prejudicar a vida de alguém”. Para exemplificar, Matos cita um caso de 2018 com a cantora Marília Mendonça. No início de sua trajetória, ela descobriu com exclusividade a gravidez da cantora e publicou em seu Instagram. Tempos depois, Matos encontrou Marília e descobriu que havia tirado o direito da cantora de anunciar a gravidez para a própria mãe, que havia descoberto a gestação da filha pela imprensa. “Ética nós vamos construindo, há 8 anos eu não sabia que poderia magoar alguém, então tomei a decisão de não postar mais famosas que ficam grávidas. Eu precisei errar para aprender”, afirmou.
Usando a página rainhamatos como exemplo, em um dia as postagens podem chegar até 100 mil curtidas. No último domingo (17), o perfil publicou um depoimento do vereador Lucas Pavanato (PL-SP) e em menos de 24 horas a publicação rendeu 25 mil comentários e mais de 115 mil curtidas.
Nesse contexto, Matos comenta sobre o “poder” que páginas como a sua possuem: “ Ao rolar o feed do Instagram você vê diversas páginas como a minha e pode acabar sendo impactado por alguma notícia. Nesse exemplo do Pavanato, meu alto engajamento pode ajudar a conscientizar a sociedade sobre um político que defende opiniões como as dele. Eu tento dar voz às pautas que considero necessárias, sempre com muita responsabilidade”.
Por outro lado, o advogado digital Ricardo Fuga, traz um ponto de vista jurídico sobre o alto engajamento das páginas de Instagram. Sobre a regularização destas, Fuga apresenta o PL 2630/2020, conhecido como PL das Fake News, que buscava mais transparência e responsabilidade das plataformas, mas não foi aprovado. O advogado também afirma que uma regulação é necessária: “A dinâmica atual das plataformas digitais não envolve apenas liberdade de expressão individual, mas também estruturas privadas altamente concentradas, capazes de influenciar comportamento social, consumo de informação e circulação de discurso em escala massiva”.
Sobre as páginas de fofoca como meio rápido de circulação de informação, o advogado argumenta: “Elas se tornaram atores relevantes no ecossistema informacional contemporâneo. Muitas possuem audiência comparável a de veículos tradicionais de comunicação e exercem forte influência na formação de opinião pública”. Além disso, Fuga aponta a velocidade como principal desafio jurídico: “Informações falsas podem alcançar milhões de pessoas em poucos minutos, enquanto os mecanismos tradicionais de responsabilização judicial operam em ritmo muito mais lento”. Ele também reforça que alguns perfis pecam em padrões editoriais claros, não adotando protocolos de verificação e responsabilidade historicamente associados ao jornalismo profissional.
A Gamescom Latam, maior evento de games da América Latina aconteceu em São Paulo dos dias 30 de Abril a 3 de Maio, e trouxe diversas novidades do mundo dos jogos eletrônicos. Entre elas, e assim como nos anos anteriores, uma área dedicada para desenvolvedores independentes exibirem seus trabalhos.
O evento contou com vários jogos, espalhados em diversos estandes pelo espaço do Distrito Anhembi, como o estande do projeto Sampa Games, iniciativa do governo que oferece aporte financeiro para esses jogadores.
A feira também conta com uma área dedicada onde os desenvolvedores montam suas mesas e expõem seu produto, conversando diretamente com os visitantes, explicando sobre seus projetos. Entre os diversos jogos apresentados, alguns destaques foram: “My Girlfriend is a VAMP”, jogo narrativo focado em empatia de autoria da “TinyTank Studios” e [AFANTASIA], jogo de exploração desenvolvido por Leon Stevans.
Para os desenvolvedores, a oportunidade de serem vistos nesses eventos é essencial para a divulgação de seus projetos. Segundo Leon, que trabalha sozinho no [AFANTASIA], em entrevista para a AGEMT: “esses eventos ajudam bastante a criar contatos relevantes, estar mais inserido na indústria, melhorar as relações de trabalho e aprimorar a visão artística e profissional.” no entanto, também é importante não depender unicamente deles.
Para Juliana Dutra e Matheus Lacerda, da TinyTank, o evento é uma vitrine, mas os melhores resultados dependem de como você vai aproveitar essa chance, Juliana afirma: “tudo depende de como você vai se posicionar. Você pode ter um espaço minúsculo encostado em um lugar mal sinalizado, mas conseguir captar jogadores através de um bom papo, uma imagem chamativa e criatividade. Ou pode ter um estande gigante, realizar uma ação de milhões em orçamento e desagradar o público por não conseguir se conectar com ele.”
Além disso, como afirma Matheus, entrar no evento não é tão simples, e exige um processo rigoroso, longo, concorrido e caro, e que muitas vezes sai completamente do bolso dos desenvolvedores, que muitas vezes já precisam investir uma quantia alta na produção do próprio jogo.
No entanto, apesar de ter certo foco em valorizar produções independentes, é importante manter o olhar também em feiras menores. Para Juliana, essas feiras costumam oferecer mais conexão com estúdios e pessoas que estejam no mesmo ponto que você, ela afirma: “O público de uma BGS ou da Gamescom dificilmente vai ao evento para jogar indie hoje em dia. Mas você pode acabar furando a bolha por estar lá.“. Os desenvolvedores percebem que a feira tem mudado um pouco seu caráter em relação às primeiras edições, em que a atenção dada para os jogos independentes era muito maior.
Leon reforça essa ideia: “Ainda acho que dá pra melhorar bastante a prioridade e relação do evento para com os jogos independentes. Certamente há alguns problemas que não foram resolvidos, como a redução de vagas para os programas, auxílio de custo pequeno e falta de visibilidade e divulgação dos jogos independentes, enquanto as grandes empresas ganham consideravelmente mais atenção.”
Oportunidades oferecidas por esses eventos são essenciais, e ajudam esses desenvolvedores a atingirem espaços e a mostrarem o potencial e valor de suas obras, principalmente em um cenário em que, como defende Juliana, o nacional não é visto com tanto valor, e além disso, é caro de se produzir.
No entanto, os desenvolvedores seguem dedicados e motivados em finalizar seus projetos. Ambos os jogos já estão disponíveis para lista de desejo em plataformas digitais, como a Steam, e têm perspectiva de lançamento para o final de 2026 e início de 2027. No caso do “My Girlfriend is a VAMP”, uma demo jogável já está disponível.