Confira como foi a organização e os shows do primeiro dia do festival
por
Julia Naspolini
Pedro Menezes
|
04/04/2025 - 12h

 

Conhecido pelos seus grandes shows, mas também pela lama, o Lollapalooza fez jus à sua fama na sexta-feira (28). Mesmo com riscos de raios e pausas por causa do clima - o que levou a atrasos nos shows - a chuva não conseguiu tomar o posto de headliner. O público resistiu até o final da noite para prestigiar os shows de Jão, Rüfüs du Sol  e Olivia Rodrigo.

 

Olivia Rodrigo

As saias brilhantes, os sutiãs vermelhos aparecendo e até mesmo as capas de chuva roxas denunciavam que a maior parte das pessoas estavam ali para ver ela: Olivia Rodrigo. Uma plateia diversa que reuniu de pré-adolescentes até adultos com looks inspirados nos clipes da cantora. Com um outfit inédito da Roberto Cavalli — sexy, jovem e rebelde, assim como seu show —, a artista entoou seus hits para a multidão. Os fãs sabiam letra por letra, até mesmo das músicas menos famosas. Após anos de espera, ela finalmente veio ao Brasil com sua segunda turnê mundial: Guts World Tour.

Os vocais da cantora eram bons em momentos mais lentos, como em “Traitor” e “Happier”, mas, naturalmente, a americana derrapava nas músicas mais agitadas, combinadas a coreografias. Porém, isso não atrapalhou a experiência. Apesar de não ter backing vocals no palco, o público servia como um coral, cobrindo qualquer nota que saísse fora do tom. 

Ao tocar seu maior hit, “Driver 's License”, ela admitiu que a plateia do Lolla 25 era a mais alta que já presenciou em toda a carreira. E mais uma vez os brasileiros receberam o elogio de melhor público do mundo, quando o grito de “Olivia eu te amo” de milhares de vozes emocionou a americana de apenas 22 anos.

Olivia Rodrigo com uma guitarra vermelha em seu show no Lollapalooza
Olivia Rodrigo em seu momento rock do show.  Foto: Divulgação/Grupo Approach

 

 

Girl In Red

Marie Ulven Ringheim, conhecida como Girl In Red, entrou no palco com atraso devido à pausa por risco de raios na região. Mas, foi recebida por um público caloroso que não se incomodou com a chuva no início do show, que logo parou e foi substituída por um lindo arco-íris - digno do pop sáfico da cantora. 

A norueguesa arriscou um português para agradecer aos brasileiros por dançarem nas músicas animadas e cantarem toda a letra de seus hits como “I Wanna Be Your Girlfriend”. Já em inglês, ela impactou ao afirmar “God is gay”, Deus é gay, em tradução livre.  

Girl In Red com microfone se apresentando
Girl In Red e sua grande presença no palco.  Foto: Iwi Onodera/ Brazil News

 

 

Rüfüs du Sol

Após 6 anos do seu último Lolla Brasil, o trio australiano retornou ao festival como headliner do palco Samsung Galaxy. Mesmo com o line-up do dia mais voltado para música pop, Rüfüs du Sol conseguiu animar o público brasileiro com seus hits eletrônicos. Em meio a lama, os brasileiros dançaram ao som de “Music is Better” e fizeram coro com “Inner Bloom”. 

Tyrone Lindqvist, vocalista, James Hunt, baterista e Jon George, tecladista, disseram ao longo do show que estavam muito felizes de voltar ao Brasil e agradeceram ao público pela presença. 

Rufus du Sol se apresentando
Jon George no piano, Tyrone Lindqvist na guitarra e James Hunt na bateria.  Foto: Divulgação/Lollapalooza

 

 

Empire of the Sun

Empire of the Sun subiu ao palco com estrutura e roupas psicodélicas que, juntamente com as músicas, provocaram uma viagem na imaginação do duo. A audiência se animava ao identificar, nas músicas, os 15 segundos virais do TikTok, mas, eles provaram ser muito mais do que isso. “Walking on a Dream” fez todos levantarem seus celulares e cantarolar o refrão. Para além da cenografia extravagante — com robôs reflexivos dançando —, os vocais de Luke Stelle eram poderosos.

Empire of the Sun no Lolla 25
Vocalista e guitarrista, Luke Steele, durante show no Lollapalooza. Fonte:  AgNews/Van Campos.

 

 

Jão

No último show antes de um prometido hiato, Jão mostrou todo o seu potencial e colocou fogo em tudo. “Eu sou um popstar”, atestou ele. Em um repertório pensado para ser um presente aos fãs, o cantor incluiu “:( (Nota de Voz 8)”, que não cantava há cinco anos, mas retirou grandes hits que um público diversificado do festival pede, como “Vou Morrer Sozinho” ou “Pilantra”, parceria com Anitta.

 

 

Jão no Lolla 25
 Jão anima a plateia no Lolla 25.  Foto: Luiz Gabriel Franco/g1

 

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Um dos maiores sucessos do teatro musical mundial ganha nova adaptação oficial em São Paulo e atrai milhares de fãs
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Julia Naspolini
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02/04/2025 - 12h

Na sexta-feira, 21 de março, a nova adaptação brasileira de Wicked estreou no teatro Renault em São Paulo. A peça está em cartaz pela terceira vez no Brasil, com versões em 2016 e 2023, e está sob o comando da direção de Ronny Dutra e com a liderança das atrizes Myra Ruiz e Fabi Bang. O musical já vendeu mais de 80 mil ingressos para sua temporada que vai até 8 de junho, e já é sucesso nas redes sociais.

Após, sucesso de bilheteria do filme ano passado, que ganhou até o Oscar (2025) de Melhor Designer de Produção e Melhor Figurino, o espetáculo estreia entre o sucesso do primeiro filme e a espera do segundo - já que foram divididos em ato 1, filme 1 e ato 2, filme 2. Dessa forma, a plateia mistura-se entre fãs antigos da peça, que estreou na Broadway em 2003, e fãs novos, que conheceram através do filme

A montagem conta uma história que antecede o enredo do clássico, Mágico de Oz. E se desenvolve na trama da Elphaba, a Bruxa Má do Oeste, e da Glinda, a Bruxa Boa do Norte. O musical, através de uma trilha sonora premiada, conta como elas se conheceram, e mesmo sendo completamente diferentes, criaram uma amizade verdadeira. Essa nova versão brasileira promete apresentar essa história de forma ainda mais especial para os fãs.

A produção teve 19 milhões de reais em investimento para cenário, profissionais de música, figurino, iluminação e ilusionismo para tornar o espetáculo uma experiência ainda mais imersiva para o público.

Elphaba e Glinda agradecendo o público
Elphaba, Myra Ruiz, a esquerda da foto e Glinda, Fabi Bang, a direita da foto nos agradecimentos após o espetáculo.   Foto: Reprodução/Instagram @wickedbrasil

Receber no país obra oficial desse porte, além de ser um grande presente para os fãs, é um marco para o teatro musical brasileiro e para os artistas do país. Afinal, as personagens já viraram verdadeiros clássicos. Roberto Montezuma, professor de canto e especialista em preparação vocal para teatro musical, é o preparador de Tabatha Almeida, uma das Elphabas escolhidas para compor o elenco desta versão, e conta a emoção do processo. Apesar de também ser cantor lírico, ele confessou que seu maior sonho profissional seria preparar alguém para o papel de Bruxa Má do Oeste. 

“Categorizar uma Elphaba,  gravar uma Elphaba seria talvez a coisa mais importante que eu faria na minha vida, profissionalmente falando. Em verdade, eu perdi a conta de quantas vezes eu já chorei de alegria de lembrar que a Tabatha vai fazer a Elphaba”, alegra-se Montezuma.

Tabatha é aluna de Roberto há alguns anos e eles passaram pelo processo de audição juntos. Ele conta, que sempre disse para ela que um dia faria a Elphaba, mas nem ela acreditava. Ao refletir sobre essa super produção, Roberto comenta como é uma emoção diferente assistir ao vivo essa obra e ver como o teatro emociona. “Você vê ela voando, cara, você tá enxergando um cabo ali e você acha incrível de qualquer forma, maravilhoso de qualquer forma, sabe? É inclusive muito mais impactante do que ver uma tela. Porque é real, é físico, tá ali”, diz. 

Mas, para ele, a melhor consequência de Wicked Brasil 2025, é a valorização do teatro musical no Brasil, o aumento da visibilidade e de fãs para essa área teatral. Assim, tornar uma arte acessível para todos. “Acho que isso talvez seja a maior importância que esse Wicked pode trazer, fomentar uma nova ideia de mercado, porque as pessoas vão ver que tem público. O público é só de Wicked ou o público é de teatro musical? Acho que isso talvez seja o legado mais importante da peça. É muito importante para o cenário como um todo e principalmente é muito importante para fomentar também peças menores”, ressalta Montezuma para AGEMT. 

Elphaba voando no espetáculo
Elphaba desafiando a gravidade.    Foto: Reprodução/Instagram @wickedbrasil

 

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Novo filme de Bong Joon-Ho não emplaca em bilheteria, mas apresenta crítica social necessária
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Davi de Almeida Madi Rezende
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31/03/2025 - 12h

 

"Mickey 17”, nova produção estrelada por Robert Pattinson, estreou nos cinemas no último dia 6. Dirigida pelo sul-coreano Bong Joon-Ho, mente por trás de Parasita - vencedor do Oscar de melhor filme em 2019 - a obra aposta em um gênero e tom fora do comum na filmografia do cineasta. A produção é uma ficção científica bem-humorada, mas que carrega uma crítica social clara e direcionada ao governo dos EUA.

A história segue a rotina de Mickey Barnes (Robert Pattinson), um jovem estadunidense que na busca por dinheiro, decide se associar a uma expedição espacial em busca de um planeta substituto à Terra. Neste programa, o protagonista assume a função de um “descartável” - um funcionário selecionado especificamente para missões e experimentos nos quais a única certeza é que não retornará com vida. Sua particularidade, porém, é que Mickey pode ter seu corpo recriado artificialmente por uma máquina quantas vezes for necessário, mantendo sua memória intacta. Desta forma, o “descartável” pode ser enviado à morte inúmeras vezes, sempre retornando como se nada tivesse acontecido.

Robert Pattinson em trajes de astronauta no espaço em foto de divulgação do filme "Mickey 17"
(Robert Pattinson em cena do filme “Mickey 17” Foto: Divulgação/Warner Bros.)

 

O Filme é uma adaptação direta do romance literário "Mickey 7", de Edward Ashton, lançado em 2023, e era esperado como uma das grandes promessas da temporada. Com a direção de Bong Joon-Ho e um elenco estrelado, a obra tinha tudo para ser destaque entre os lançamentos do ano. Entretanto, a estreia de “Mickey 17” ficou bem abaixo do esperado pelo estúdio de produção. O fracasso inicial da obra pode ser entendido através da principal temática da narrativa, a sua crítica social, mas também pela forma como apresenta seu subtexto. Apesar de uma distopia aparentemente divertida, o filme tem como segunda camada uma analogia caricatural e satírica a um modelo de um governo fascista já conhecido. 

Na história, o protagonista é chefiado pelo candidato à presidência Kenneth Marshall, que lidera a exploração espacial terráquea. O governo do personagem interpretado por Mark Ruffalo é uma clara alusão ao regime ditatorial nazista, com cenas que relembram discursos eugenistas de defesa de uma suposta “raça pura”,  saudações e simbolos similares aos propagados pelo nazismo. Sua figura, propriamente dita, flerta com uma caricatura de Hitler, Trump e até mesmo Elon Musk, tanto em aparência quanto em ações, enviando a população da Terra ao espaço e espalhando um discurso de ódio à raças diferentes da sua, da mesma forma como o atual presidente dos EUA faz com os imigrantes.

Nesta analogia, Mickey representa a força de produção deste governo, a mão humana necessária para que os planos corram bem, mas que não deixa de ser descartável e facilmente substituível. Sua função está na mais baixa categoria social, e é frequentemente a razão da maioria das piadas do filme, mas também propõe uma reflexão ao espectador: quando sua vida é descartável, qual valor você tem para a sociedade? 

Mark Ruffalo e Toni Collette em sala de jantar em foto de divulgação do filme "Mickey 17"
(Mark Ruffalo e Toni Collette em cena do filme “Mickey 17” Foto: Divulgação/Warner Bros.)

 

Apesar do universo criativo adaptado pelo diretor, a crítica social retratada é exposta de forma tão óbvia que domina o filme, deixando pouco espaço para uma história que não seja essa. A obra busca colocar tanta relevância para seu segundo plano crítico que acaba não dando espaço para mais nada. Ao fim, a sensação deixada para o espectador é que a história de Mickey é um pouco rasa e tudo que o filme quer é apresentar sua crítica a todo momento, saturando sua própria ideia perto do fim.

Mesmo com pontos negativos, o saldo da obra é positivo, já que mesmo podendo ter desenvolvido com mais profundidade algumas ideias do universo distópico proposto no livro de Edward Ashton, a proposta é bem produzida. O que se segue da obra, e também o que interessa a quem assiste, é a maneira como Bong Joon-Ho espalha suas críticas e analogias de forma bem humorada na trama. O filme tem um tom diferente de Parasita, mais divertido e com uma ambientação incomum, agradando os fãs de ficção científica. Ainda assim, a obra contém momentos, por mais breves que sejam, de tensão, mostrando que o diretor sul-coreano sabe deixar o espectador “na ponta da cadeira”. 

Robert Pattinson deitado em maca de hospital usando um capacete e recebendo uma injeção em foto de divulgação do filme "Mickey 17"
(Robert Pattinson em cena do filme "Mickey 17" Foto: Divulgação/Warner Bros.)

O filme é um grande experimento do diretor em um novo gênero e tom, deixando sua criatividade correr solta com as possibilidades do Sci-Fi propostas pelo livro. As piadas e momentos de humor seguem os padrões do romance de 2023 e são bem colocados, de forma a tirar boas risadas ao mesmo tempo que propõe as reflexões críticas do roteiro. A grande caricatura do nazi-fascismo é exagerada, mas essa é a proposta, impressionar com o absurdo e talvez assim esclarecer as similaridades de alguns elementos com a realidade. O filme diverte para então chocar.

A força que a produção demonstra nas bilheterias em seu mês de estreia decepciona as previsões, mas precisa viver com essa realidade ao apresentar uma crítica tão clara ao país de seu principal público consumidor, os EUA. Apesar disso, em um mundo onde os comportamentos de governos como o de Trump se aproximam cada vez mais do absurdo, críticas claras, óbvias e caricaturais talvez sejam o meio necessário de alertar. “Mickey 17” pode ser um filme que passa batido nos olhos do povo agora, mas futuramente se espera que sua proposta seja refletida, quando a tempestade passar.

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A artista, que usa o Slam como plataforma, ganha notoriedade nas redes sociais ao abordar questões decoloniais
por
Pedro da Silva Menezes
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31/03/2025 - 12h

O Slam vai muito além de uma simples competição de poesia falada. É, na verdade, um movimento de resistência, um grito de expressão. No Brasil, esse movimento tem ganhado cada vez mais força em diversos cantos, e no ABC Paulista, Mileny Leme se tornou uma das principais vozes dessa nova geração de poetas. Ela conquistou as redes sociais e impactou escolas, tornando-se uma referência para crianças e adolescentes. Mileny conheceu o Slam em 2018, através da internet. "Na época, achava que era só um encontro de pessoas incríveis falando coisas incríveis. Depois, entendi que era uma competição com regras e circuitos, mas o mais importante sempre foi a expressão", diz Mileny.

Em 2021, ela participou do seu primeiro Slam presencial e, desde então, ampliou sua atuação na cena. Com o tempo, se tornou uma referência na sua região, especialmente ao criar o Slam ABC, um espaço de fortalecimento da poesia falada no ABC Paulista. "No começo, aqui era um lugar de frustração para mim. Eu achava que precisava ir para capital para ser alguém. Depois, percebi que meu território tem muito valor", reflete.

Mais de 100 pessoas, integrantes do Slam ABC, na Praça do Relógio, em Mauá, reunidas para recitar suas poesias.
Mais de 100 pessoas, integrantes do Slam ABC, na Praça do Relógio, em Mauá. Fonte: Divulgação/Felipe Castelani.

Sua poesia, focada em questões decoloniais, tem grande alcance nas redes sociais. Um dos poemas com grande destaque foi "Pindorama", que ultrapassou 28 milhões de visualizações no Instagram e TikTok. "Não tenho ideia de quantas pessoas viram e compartilharam esse poema. É surreal!", admite. A obra, que questiona a narrativa oficial sobre a origem do Brasil, virou material pedagógico e é utilizada em escolas, o que impacta muito positivamente o público infantil. O poema desmonta a visão tradicional da colonização com versos: "Na escola, eu aprendi que quem descobriu o Brasil foi um cara chamado Pedro Álvares Cabral [...] O Brasil não foi descoberto, foi invadido e explorado".

Além de questionar, o poema também fala sobre o apagamento das culturas indígenas e as injustiças sociais ao longo do tempo: "500 anos de Brasil, 300 de escravidão e só 125 de uma falsa abolição".

"A poesia destaca a diversidade cultural do país e critica a centralização da cultura no eixo Rio-São Paulo: o Brasil está muito longe de ser só São Paulo e Rio de Janeiro, é um país continental. Fura a bolha e olha em volta."

Milene Leme no Slam SP recitando poema
Mileny Leme recitando seu poema no Slam SP. Fonte: Divulgação/Sérgio Silva.

O impacto dessa poesia foi tão grande que a cantora infantil Alice, conhecida como "A Princesa dos Cachos", postou um vídeo recitando o poema, nada simples, palavra por palavra. "Fiquei arrepiada ao ver aquilo. Nunca imaginei que uma criança fosse se interessar e absorver dessa forma", conta Mileny. Isso gerou um grande engajamento nas redes sociais e trouxe à tona uma série de discussões sobre a arte que desmonta pensamentos tradicionais

Com sua crescente notoriedade, Mileny não só conquistou visibilidade, mas também prêmios importantes no Slam, como o título de campeã paulista. Outro título foi conquistado no festival realizado no Acre, em que recebeu o troféu das mãos de Marc Kelly Smith, o criador do movimento. "Ganhar não era meu foco principal, mas me mostrou que minha voz está sendo ouvida", diz Mileny, que agora almeja representar o Brasil internacionalmente. Para ela, é um espaço de transformação social e resgate histórico. A poeta leva sua mensagem, ao mesmo tempo em que se prepara para os desafios de uma carreira que está apenas começando.

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Lucas Mév e Jonas Tjon entrelaçam as histórias das revoluções latinoamericanas e de manifestações culturais populares
por
Amanda Tescari
Ingrid Lacerda
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27/03/2025 - 12h

Por Amanda Tescari e Ingrid Lacerda

Estreou na Matilha Cultural, na última sexta-feira (21), a exposição “Reticências", dos artistas Lucas Mév e Jonas Tjon, com produção de Jack Moraes. A mostra aborda a relação entre as revoluções da América Latina durante os séculos XVII e XX, e como elas se expressam em movimentos socioculturais como o Hip-Hop e o Punk, que funcionaram como ferramentas de enfrentamento coletivo e acolhimento diante das injustiças sociais. 


Painel “Revolução” (2024), de Lucas Mév, Jonas Tjon e Vitor Skimo/ Por: Ingrid Lacerda


Com homenagens a personalidades como Marighella, Carolina Maria de Jesus, Racionais MCs, RZO, Tina Punk e muitos outros, as paredes do centro cultural na República ilustram a “palavra” como elemento central dos movimentos políticos. 

A intersecção entre esses dois momentos na história é representada pelos artistas da zona leste de São Paulo. O legado político inspirou letristas, poetas e MC's, todos artistas da palavra, e que dela se utilizam para propor suas reflexões - assim como Mév e Tjon, que já vivenciam o hip hop e o punk e, sobretudo, o graffiti há muitos anos. 

Da ideia inicial até a inauguração foram mais de 8 meses de muito trabalho conjunto, encontros, estudos e correria, principalmente por se tratarem de artistas totalmente independentes. Sobre o processo de construção do trabalho, Mév destaca a dificuldade de conciliar o tempo e o lado financeiro, já que as horas que poderiam ser dedicadas ao sustento próprio e de suas famílias foram substituídas pelo processo criativo e as incertezas do trabalho. Tjon também aponta os desafios de ser um artista autodidata: “Ninguém fez curso nem nada, aprendeu tudo na rua, como pintar e tal, e se jogou mesmo. E pintar essas ‘paradas’, vai aprendendo mesmo no processo, né?”

Jack Moraes também descreve um pouco dos desafios do mercado da arte, “O mercado é um nicho muito fechado, e a proposta dos meninos sai de um padrão estético, acadêmico e galerista”. Ela conta que a dificuldade está em adentrar neste ramo apresentando uma proposta de projeto voltado para a cultura de rua , já que são poucas pessoas que apoiam. Apesar disso, a produtora fala também sobre a escolha de abraçar esse desafio e fazer acontecer. 

A PALAVRA COMO MUNIÇÃO 

A importância da palavra no contexto das revoluções é o cerne da exposição. A palavra opera, então, como ferramenta de conscientização e de denúncia nas sociedades, de modo que é indispensável para se pensar o contexto das revoluções. Para os artistas, são as palavras que fazem o caminho de levarem as ideias adiante, e, por esta razão, têm a capacidade de juntar pessoas em prol de um movimento social - seja no hip hop, nos grupos de resistência contra a ditadura ou ainda nas manifestações indígenas. 

Tjon  e Mév destacam ainda a particularidade de se viver numa São Paulo quando o assunto é a caligrafia urbana. A cidade apresenta uma cena diversa e cheia de referências no pixo e no graffiti, capaz de conectar a sociedade de diversas maneiras, criar novas referências para símbolos já existentes e construir a cultura underground. 

 


Abertura da exposição Reticências na Matilha Cultural/ Por: Ingrid Lacerda

 

O PROCESSO CRIATIVO 


As primeiras obras surgiram em 2023, mas a exposição foi produzida quase dois anos depois. A produção aconteceu de forma independente, na qual muitas vezes precisavam equilibrar a criação das obras com outros trabalhos para garantir o sustento dos escritores de graffiti. O quintal de Mév se transformou em ateliê, onde criatividade e determinação se uniam com o cotidiano dos artistas. 


Apesar das dificuldades, a coletividade se tornou um laço diário crucial para a construção das obras, com cada um contribuindo com sua visão e inspirações. “Entre os trampos temos que fazer da vida, o tempo que sobrava a gente tava se encontrando, pintando ou idealizando algumas coisas, falando sobre, discutindo. Estamos sempre trocando um papo.”, expõe Lucas sobre as perspectivas diárias dos artistas independentes.


Além disso, os contextos históricos e sociais foram essenciais. Após um intercâmbio no Chile, Mév e Tjon  cruzaram o caminho do outro letrista Dfes, assimilaram elementos das lutas sociais dos países do terceiro-mundo, expressando-os em suas artes. O dark lettering (inspirado pela  caligrafia gótica) e a pixação paulistana também representam formas de resistência, combinando registros que refletem a cultura de rua e as revoluções populares.


A exposição Reticências fica aberta para visitação até o dia 18 de abril, e conta com um calendário de atividades aberto para o público. 


Endereço: Rua Rêgo Freitas, 542 - República.
 

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O espetáculo biográfico revela a trajetória do ícone da música brasileira, Djavan
por
Beatriz Lima
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28/02/2025 - 12h

O espetáculo “Djavan - Vidas pra contar” trilha os passos do artista e mostra sua história para o público de forma única. Com a direção artística de João Fonseca, a obra busca expressões para além da música, prometendo um show visual completo, com cenários e coreografias que esbanjam a originalidade de Djavan.

Djavan.
Djavan.
Foto: Reprodução/Instagram

O musical conta com aproximadamente 2 horas de duração e traça a história de Djavan desde sua infância em Maceió (AL) até sua ascensão como grande nome no MPB. Com a direção musical de Fernando Nunes e João Viana - filho do próprio Djavan - o musical esbanja e revela a profundidade de suas letras e sua conexão emocional com a música, além da versatilidade de estilos musicais que o artista apresenta. 

O nome “Djavan - Vidas Pra Contar” veio em forma de homenagem à uma música do artista que intitula um álbum lançado em 2015. Com texto de Patrícia Andrade e Rodrigo França, o musical deve seguir sua produção com cerca de 30 músicas do acervo autoral de Djavan. 

O álbum “Vidas Pra Contar” está disponível nas plataformas de streaming de música 

Djavan.
Djavan.
Foto: Reprodução/Instagram

Idealizado por Gustavo Nunes, produtor de “Cassia Eller - O musical”, a obra é uma criação original da Turbilhão de Ideias, produtora de espetáculos artísticos reconhecida por indicações e prêmios conquistados.

O musical tem sua estreia prevista para dia 09 de agosto de 2025 no Teatro Frei Caneca, no Shopping Frei Caneca no centro de São Paulo, com ingressos a partir de R$ 20,00.

Saiba mais sobre a compra de ingressos no site da uhuu.com

 

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Depois de 20 anos, empresas anunciam novo crossover entre os maiores heróis da cultura pop
por
Luis Henrique Oliveira
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27/02/2025 - 12h

 

Durante a ComicsPRO, evento que aconteceu na última sexta (21) em Glendale, Califórnia, os editores-chefes da DC Comics e da Marvel, Marie Javins e C.B. Cebulski, respectivamente, anunciaram que estão trabalhando em uma nova parceria entre as editoras, com previsão de lançamento ainda esse ano.

Super-heróis da Marvel (lado esquerdo) batalhando contra os heróis da DC (lado direito) durante a história em quadrinho "LJA/Vingadores"
Heróis da Marvel e da DC em “LJA/Vingadores” por George Pérez Imagem:Reprodução/Universo HQ

Ambas editoras vêm trabalhando em relançamentos de parcerias antigas nos últimos anos, motivo pelo qual impulsionou o surgimento de novos enredos em conjunto. Em 2022, relançaram “LJA/Vingadores” para homenagear o quadrinista George Pérez e, em 2024, lançaram em edição única “DC versus Marvel”, estória publicada originalmente em 1996.

"Nós realmente gostamos de trabalhar juntos. Este foi um projeto ótimo de se fazer, mas acho que há outra baleia-branca que pegamos." diz Marie durante o evento, falando sobre a colaboração que está por vir. "Outro crossover, um crossover moderno, vocês estão a fim?" perguntou C.B. e, após aclamação do público presente, brincou “acho que não temos escolha a não ser fazer isso.”

Segundo a dupla, serão publicadas duas edições de volume único: “Marvel/DC”, sob o selo da Marvel, e “DC/Marvel”, pela DC Comics, sem revelação da trama ou dos personagens que farão parte da narrativa. 

Marie Javins e C.B. Cebulski durante a ComicsPRO
Marie e C.B. falando sobre o trabalho em conjunto das empresas Foto:Reprodução/Bleeding Cool

As editoras possuem um longo histórico de colaborações com passar dos anos, acumulando títulos como “Superman versus Homem-Aranha", “Batman/Demolidor” e “Os Fabulosos X-Men e os Novos Titãs”. A última parceria oficial foi em 2004, com o quadrinho “Liga da Justiça/Vingadores”, crossover que durou 4 edições divididas entre as empresas e trouxe uma aventura épica para os maiores heróis do planeta.

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Lady Gaga volta ao país em maio deste ano após show cancelado em 2017
por
Maria Eduarda Cepeda
Kaleo Ferreira
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27/02/2025 - 12h

Nesta sexta-feira (21), Lady Gaga e a Prefeitura do Rio de Janeiro anunciaram a data do show gratuito da artista na capital carioca. A artista retorna ao Brasil após 8 anos desde sua última vinda, para o Rock In Rio 2017, show que não aconteceu. O evento está previsto para o dia 3 de maio, na Praia de Copacabana e será o início do projeto “Todo mundo no Rio”. 

Em 2017, a artista não pôde se apresentar no festival devido à fibromialgia, uma condição crônica que causa dores muito fortes pelo corpo. Por recomendação médica ela não pode embarcar no voo que a traria para o evento, ela foi substituída pelo grupo Maroon 5. 

Printscreen do tweet feito pela cantora, anunciando o cancelamento do seu show em 2017.
Nota postada pela cantora na rede social anunciando o cancelamento de seu show. Foto: Reprodução/Twitter

Agora com a nova data, a cantora demonstrou estar otimista para o seu retorno. “É uma grande honra ser convidada para cantar para o Rio [..] Eu estava morrendo de vontade de ir me apresentar para vocês há anos e fiquei de coração partido quando tive que cancelar anos atrás porque estava hospitalizada", disse a cantora no post no Instagram, divulgando o show nas redes sociais. 

A cantora está prestes a lançar seu sétimo álbum, Mayhem, no dia 7 de março. Este álbum promete explorar uma variedade de gêneros e estilos, refletindo a jornada artística e a sua identidade. Ela descreve o álbum como uma homenagem ao seu “amor pela música”, reunindo uma ampla gama de influências junto de um pop dark.

Lady Gaga e dançarinos no clipe "Abracadabra", a cantora está no meio e os dançarinos em volta, todos usando roupas brancas.
Cena do clipe ‘’Abracadabra”. Foto: Reprodução/Youtube

O primeiro single do álbum, "Disease", foi lançado em outubro, seguido por "Die With A Smile", uma colaboração com o cantor Bruno Mars, que atingiu a primeira posição da Billboard Global e ficou em primeiro lugar nas paradas por oito semanas consecutivas em 2024 e tornou-se também a segunda música com maior tempo naquele topo, além de ter ganhado outros reconhecimentos e ter ganhado a categoria de Melhor Performance Pop de Duo ou Grupo no Grammy de 2025. O terceiro single, "Abracadabra", foi lançado agora em fevereiro, durante a cerimônia do Grammy Awards e essa música marca o retorno de Gaga às suas raízes pop.

O Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, adotou uma estratégia focada na realização de grandes eventos culturais para impulsionar a economia da cidade e consolidá-la como um destino global. Com isso atraindo turistas, gerando empregos e movimentando a economia.

A praia de Copacabana está cheia durante o show da cantora Madonna
O show da cantora Madonna reuniu mais de 1,6 milhões de pessoas na Praia de Copacabana em 2024. Foto: Fernando Maia/Riotur

A iniciativa de Paes também inclui o projeto "Todo Mundo no Rio", que transforma a Praia de Copacabana em palco para mega shows gratuitos de artistas internacionais. Ele foi lançado em 2024 e no mesmo ano, o evento contou com a apresentação da rainha do pop, Madonna. Agora, está se preparando para receber Lady Gaga.

A realização desse evento tem proporcionado benefícios econômicos substanciais. O show de Madonna em 2024 custou cerca de R$ 60 milhões, esse valor foi financiado pelo governo do estado, pela prefeitura do Rio, e por patrocinadores privados, que gerou um impacto de aproximadamente de R$ 300 milhões na economia local. Além disso, a cidade espera um aumento de 20% no número de eventos em 2025, com a confirmação do show de Lady Gaga em Copacabana.

 

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O projeto une duas culturas periféricas, contando um pouco da história dos artistas
por
Guilbert Inácio
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20/02/2025 - 12h

O EP, “Falando com as Favelas”, lançado na última segunda-feira (17), tem chamado a atenção do público corintiano. O projeto tem quatro faixas, trazendo, por meio do funk e do futebol, uma mensagem sobre superação e fomento de cultura para as periferias do mundo.

Memphis e MC Hariel, de óculos, estão centralizados. Há pessoas ao redor dos dois fazendo diferentes sinais com as mãos
Memphis Depay e MC Hariel com um grupo de pessoas em Gana / Foto: Renan Miranda

Sobre o EP

Além das faixas, o projeto tem videoclipes em que boa parte das gravações foram feitas em Gana e Vila Aurora, periferia da zona norte da capital paulista, onde Hariel nasceu e cresceu.

Na primeira faixa, “Falando com as Favelas”, Hariel fala sobre a necessidade de acesso à cultura e informação nas comunidades e a importância de ouvir e fomentar os sonhos das crianças, os quais podem auxiliá-las a seguir um rumo diferente do ambiente hostil em que vivem, fazendo um paralelo com uma parte na qual Memphis aborda seus traumas de infância. 

O jogador foi abandonado pelo pai aos quatro anos de idade, apanhava dos filhos de seu padrasto, começou a consumir e traficar drogas ainda na adolescência, mas tudo isso foi superado quando começou a jogar futebol. O holandês reforça na música que seu propósito é maior do que fama, e por isso doa sua alma para as crianças que buscam um futuro melhor.

A segunda faixa, “Peita do Coringão”, traz um outro artista, MC Marks. A música fala um pouco sobre a experiência de viver o Corinthians, trazendo o icônico "poropopó", um dos cantos da torcida alvinegra, a qual canta o jogo todo apoiando o time, além de reconhecer a raça e as origens do time no povo. "Alegria do povo, que vestiu preto e branco, foi pra rua de novo, olha o bando de louco", canta MC Marks.

MC Hariel, de óculos, está em cima de um carro com as mãos para o alto. Há uma pessoa ao seu lado segurando uma bandeira do Corinthians. Ao redor do carro, há pessoas com mascaras.
Bandeira do Corinthians estampa vários takes dos videoclipes do EP / Foto: Renan Miranda

 

A terceira faixa “Suor e Sangue” é um funk superação. O destaque fica para a frase: "quem é bom, não tem que ser bonzinho" dita ao Hariel por sua mãe, Karin Christine, a qual ele se refere na música como "a guerreira” que o guiou. Ao “Altas Horas”, o artista comentou que, quando era criança, sua mãe deixava o rádio o dia inteiro ligado, e isso o ajudou a entender melhor o mundo da música. Assim como Memphis que ascendeu pelo futebol, Hariel ascendeu pelo Funk.

O EP finaliza com a faixa “Renascer” com uma pegada sentimental e otimista. A música retoma as dificuldades de Memphis e Hariel na vida, reforçando que, mesmo que as pessoas desacreditem de seu futuro e matem sua esperança, é bom crer que o amanhecer trará algo melhor e que o sorriso das crianças curam o medo e a tristeza do passado.

Dois personagens distintos se unem no projeto, mas como eles se ligam?

Em um ambiente fechado, Memphis está sentado, abraçando uma criança. Outras crianças aparecem ao lado e ao fundo.
Memphis presente em seu projeto social com crianças ganesas / Foto: Boris Letterie

Memphis é um jogador holandês que começou sua carreira como profissional aos 17 anos, em 2011, no PSV Eindhoven (Holanda). Com a boa atuação no clube, o jogador foi convocado para a seleção holandesa para jogar a Copa do Mundo de 2014, aqui no Brasil.

Um ano depois, Memphis saiu do PSV e foi para a Inglaterra jogar no Manchester United, onde jogou por 1 ano e meio. De lá pra cá, o holandês passou por Lyon (França), Barcelona (Espanha) e Atlético de Madrid (Espanha). 

O jogador também tem um projeto social, Memphis Foundation, que apoia e fomenta o acesso à educação, esporte e cultura para 24 mil jovens cegos e surdos de Gana, país em que o holandês tem raízes familiares.

Em 2024, perto do fim de seu contrato com o time de Madrid, Memphis ficou livre para negociar com outros clubes, surgindo assim o interesse do Corinthians.

Memphis, que começou carreira musical em 2018, tem uma música chamada “2 Corinthians 5:7”. Embora a referência seja bíblica, a música inflamou a torcida corintiana que clamou pela sua vinda.
 
Pedro Silveira, diretor financeiro do timão, foi o principal responsável pela contratação do holandês. Em setembro de 2024, em busca de novos ares, Memphis desembarcou no Brasil para jogar no clube do Parque São Jorge cuja casa, Neo Química Arena, já era uma velha conhecida do holandês.

Em 2014, no terceiro jogo da Holanda na fase de grupos, contra o Chile, Memphis marcou seu primeiro gol no estádio alvinegro sem saber que, dez anos depois, esse estádio seria sua casa. O jogador, atualmente, soma oito gols e sete assistências com a camisa do Corinthians, time de coração de MC Hariel.

Hariel Denaro Ribeiro, conhecido popularmente como MC Hariel, é filho de Celso Ribeiro, membro da banda “Raíces da América”. A infância do cantor foi em um ambiente cercado pela música, mas também por drogas. Seu pai morreu por causa de dependência química. Seus tios também tinham vícios e sua mãe era alcoólatra, mas conseguiu sair do vício para cuidar do filho. Hariel contou à Marcelo Taz, em entrevista ao programa “Provoca” da TV Cultura, que sua mãe o incentivou a seguir um rumo diferente dos seus familiares.

O artista antes de fazer sucesso com o funk, em sua adolescência, chegou a trabalhar como entregador de pizza, operador de telemarketing, auxiliar de gesseiro, entre outras profissões. 

Hariel começou a carreira musical com 11 anos, mas o sucesso veio aos 15, em 2014, com a música "Passei Sorrindo". Hoje, com 16,7 milhões de seguidores no Instagram e 7,9 milhões de ouvintes mensais no Spotify, Hariel acumula hits como “Lei do Retorno”, “Maçã Verde”, "Vergonha pra Mídia" e “Ilusão Cracolândia”. Seu último projeto, foi o álbum “Funk Superação” trazendo feats de diferentes nichos da cena musical como Gilberto Gil, Kyan, IZA, Péricles e Ice Blue.

Hariel tem uma música em homenagem ao Corinthians, “Manto do Timão”, e em 2021, fez um show na live de comemoração de 111 anos do clube alvinegro. Na ocasião, o cantor evitou cantar a frase “Jack de Maçã Verde” de uma de suas músicas e tirou o símbolo da Lacoste, patrocinadora do funkeiro, do Boné, em respeito ao clube preto e branco cujo rival, Palmeiras, tem o verde como cor principal.

“Não sei quando me tornei corintiano, não sei se nasci corintiano ou se o Corinthians nasceu em mim, só sei que antes de ser corintiano eu não existia. Parabéns Corinthians, obrigado por tudo. De glórias e vitórias, 111 anos. Sempre altaneiro és do Brasil o clube mais brasileiro.” Hariel, horas antes da live, em seu Instagram.

O encontro de Memphis com Hariel se deu por meio do DJ André Nine que, ao saber do interesse do jogador de conhecer artistas brasileiros, convidou Hariel a ir a um estúdio conhecer o jogador. Hariel contou ao Serginho Groisman no programa “Altas Horas” da Globo que foi ao estúdio para conhecer um ídolo, mas encontrou um parceiro de composição. 

A sintonia de ambos foi imediata e no dia do encontro, os dois fizeram três músicas que compõem o EP. Memphis também contou no programa que já conhecia o trabalho de Hariel e que juntos, eles têm uma mensagem importante para passar ao mundo.

Memphis tem um apreço pela cultura brasileira e já visitou algumas periferias e favelas do estado de São Paulo. No “Altas Horas”, ele conta que conhece periferias na Holanda e em Gana, mas queria conhecer as do Brasil, por entender que há distinções entre as localidades. Ele complementa que foi bem recebido pelos brasileiros e que, para ele, é importante esse contato com as pessoas.
 

Memphis e outras pessoas estão em frente a um muro, no qual há uma pintura do jogador
Memphis em frente ao grafite do coletivo Raxa Kuka no bairro Jardim Sílvio Sampaio de Taboão da Serra, São Paulo / Foto: Rodrigo Coca

No EP, embora os artistas sejam de contextos históricos distintos, ambos se ligam no Brasil pelas suas raízes familiares, sociais, culturais e profissionais.

"BRASIL há noites em que derramo lágrimas porque você me permitiu ser eu mesmo sem julgamento e isso me toca profundamente, OBRIGADO. O Brasil me faz perceber que estou me curando de minhas cicatrizes profundas no momento, e essa nova jornada parece um novo começo de vida! Meu primeiro projeto musical com @mchariel é para as pessoas que precisam de cura, para as pessoas que amam música e para todos que querem se unir. Falando com as Favelas está se movendo com o espírito da luz! Estamos todos juntos nisso.” Memphis na última terça-feira (18), em seu perfil do Instagram.

 

 

 

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Confira horários, atrações, personalidades e games do festival
por
Marcelo Barbosa
|
06/12/2024 - 12h

O maior evento de cultura pop da América latina está de volta e, mais uma vez, traz personalidades de destaque no mundo do entretenimento. As atrações estão para acontecer entre os dias 4 e 8 de dezembro no São Paulo Expo, Zona Sul da cidade de São Paulo. É possível acompanhar diversos palcos, com diferentes temáticas para todos os gostos.


multidão andando na CCXP de 2019/ Imagem: site CCXP
Multidão andando na edição de 2019/ Imagem: Site da CCXP

Na noite de quarta-feira (4), a abertura oficial contou com a pré-estreia de “O Senhor dos Anéis: A Guerra dos Rohirrim”. Já na quinta (5), o destaque fica por conta da presença de Vincent Martella, ator e dublador norte-americano famoso pelo papel em “Todo Mundo Odeia o Chris”. Outro convidado de peso é Misha Collins, conhecido por interpretar o anjo Castiel na série “Supernatural”, além de atuar como ativista e escritor.

O Palco Thunder by Claro tv+, com capacidade para 3 mil pessoas, será repleto de grandes atrações, incluindo artistas nacionais e internacionais do cinema e da televisão. Também estão programadas pré-estreias, lançamentos de trailers e rodas de conversa. Já no Palco Ultra, o foco será em debates e palestras, como a de Geoff Johns, roteirista e produtor renomado no universo dos quadrinhos e do cinema; sobretudo, da DC Comics.

Na sexta-feira (6), o evento contará com a participação de Giancarlo Esposito, ator norte-americano que deu vida ao icônico personagem Gus Fring em “Breaking Bad”. Outra atração será uma mesa com representantes da produtora Gullane, responsável por filmes como “Bicho de Sete Cabeças” e pela série “Senna”, além de novos projetos como “Motel Destino” e a animação “Arca de Noé”.

No sábado (7), os atores Matheus Nachtergaele e Selton Mello debaterão sobre a aguardada sequência de “O Auto da Compadecida”, explorando as novas aventuras dos inesquecíveis personagens João Grilo e Chicó.

Encerrando a programação no domingo (8), acontecerá a pré-estreia de “Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa”, produção da Mauricio de Sousa Produções dirigida por Fernando Fraiha. O elenco principal, incluindo Isaac Amendoim (Chico Bento) e Anna Julia Dias (Rosinha), estará presente nos debates. O filme chegará aos cinemas em 9 de janeiro.


                                                               ingressos

Os ingressos variam conforme a modalidade escolhida. A opção mais completa, por R$ 3,3 mil, inclui passeio guiado antes da abertura oficial e acesso prioritário aos quatro dias de evento. Ingressos individuais custam R$ 200, enquanto o pacote para os quatro dias sai por R$ 800. Outras opções incluem pacotes VIP, com preços entre R$ 1,8 mil e R$ 2,5 mil, que oferecem atividades exclusivas, descontos e fotos ou autógrafos de artistas convidados.


A CCXP é inspirada na Comic Con que ocorre em San Diego (California) anualmente. Ela chegou ao Brasil em 2014 trazida pelas empresas Omelete Company, Piziitoys e Chiaroscuro Studios. Desde então, ela se tornou um dos maiores festivais de cultura pop do mundo.

 

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