Exibição cinematográfica de curta metragens independentes acontece nas imediações do Elevado João Goulart
por
Beatriz Foz
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29/04/2026 - 12h

O Elevado João Goulart, popularmente conhecido como Minhocão, é um verdadeiro museu a céu aberto na cidade, graças aos imensos murais que colorem as empenas dos prédios que o ladeiam. Além disso, uma vez por ano, essas telas gigantes dão lugar à sétima arte. Fechada para veículos e aberta aos pedestres nos finais de semana, a via elevada completa seis anos como palco do festival de curtas-metragens Cine Minhocão. Desta vez, as projeções acontecem nos dias 25 e 26 de abril e 2 e 3 de maio. 

O festival começou com um pequeno projetor digital e uma caixa de som transportada por uma bicicleta e foi idealizado pelo diretor de animação Antônio Linhares, seus familiares e amigos. A ideia era criar um momento coletivo de exibições mensais, mas o projeto se expandiu. Em 2024 ele ganhou formato de festival e hoje se configura como um grande evento anual com mostras de curtas-metragens independentes nacionais e internacionais. Os curtas concorrem a prêmios votados pelo público e por uma mesa de júris, composta por três especialistas: Radhi Meron (educadora e roteirista premiada), Manu Zilveti (roteirista e diretora) e Niclas Goldberg (programador e jornalista). 

Em 2025 o festival ofereceu quatro prêmios de R$ 4.000,00 e uma verba de exibição de R$ 500,00 para cada curta vencedor. As categorias se dividem em “Melhor Curta Brasileiro” e “Melhor Curta Internacional”, cada um deles é votado pelo público e pelo júri separadamente. Os resultados são divulgados no último dia do evento; neste ano no primeiro domingo de maio (03).

Foto: Reprodução/ (cineminhocao.com.br)
 A exibição é feita com um projetor e uma caixa de som instalados numa bicicleta. Foto: Reprodução/ (cineminhocao.com.br)

A programação do ano é formada por 21 filmes de 9 países e 8 estados brasileiros que misturam produções variadas como live-action, animações e documentários. Muitos dos curtas selecionados já passaram pelas grandes telas de outros festivais, como Cannes, Berlim, Roterdã e Tiradentes. Pode-se esperar diversidade de temas e reflexões que constroem uma programação abastecida de riqueza cultural nacional e internacional. 

Cada um dos quatro dias de evento oferece duas sessões, uma às 18h e outra às 19h, tendo aproximadamente 45 minutos de duração cada. O festival é gratuito, oferecendo consumo cultural de forma democrática, e busca ressignificar e inovar os espaços públicos da cidade, ocupando-os de maneira não usual. No festival é assim: ambulantes vendem bebidas para o público que ocupa o asfalto trazendo cangas, almofadas ou cadeiras de praia. 

O festival acontece de forma independente e é possível contribuir coletivamente com a sua produção adquirindo a camiseta e o cartaz do evento, criados pelo designer gráfico convidado Marcus Bellaverm.

Arte criada pelo designer gráfico Marcus Bellaverm para divulgação do evento de 2026.
Arte criada pelo designer gráfico Marcus Bellaverm para divulgação do evento de 2026.  Foto: Reprodução

 

 

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Adaptação do best-seller chega ao streaming em maio e aposta em romance universitário e esporte
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Gabriela Dias
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23/04/2026 - 12h

O livro “O Acordo”, primeiro da série de cinco livros de  “Off Campus” (Amores Improváveis) da autora Elle Kennedy, será adaptado para o audiovisual e estreia em 13 de maio de 2026 na plataforma Prime Video. A produção será lançada e disponibilizada em formato de maratona, com os oito episódios lançados de uma vez.

A história se passa em uma universidade norte-americana e acompanha Hannah Wells (Ella Bright), uma estudante dedicada que enfrenta inseguranças pessoais, e Garrett Graham (Belmont Cameli), capitão do time de hóquei no gelo e um dos alunos mais populares do campus. Apesar do destaque nos esportes, ele precisa melhorar seu desempenho acadêmico para continuar na equipe.

A aproximação entre os dois acontece por interesse mútuo. Hannah passa a ajudá-lo nos estudos, enquanto Garrett propõe fingir um relacionamento para despertar o interesse amoroso de outro estudante. Ao longo da convivência, o vínculo evolui e revela camadas mais profundas dos personagens, com foco em crescimento emocional e construção de confiança.

Hannah e Garrett se aproximam durante a sessão de estudos. Foto: Reprodução/Prime Video
Hannah e Garrett se aproximam durante a sessão de estudos. Foto: Reprodução/Prime Video

Apesar do foco romântico, a história se sustenta também nas relações de amizade dos protagonistas. Hannah mantém uma forte conexão com Allie Hayes (Mika Abdalla), sua melhor amiga, que funciona como seu apoio emocional e contraponto em momentos decisivos da narrativa. A dinâmica entre as duas demonstra a perspectiva feminina da trama e contribui para o desenvolvimento da protagonista.

Do outro lado, Garrett faz parte de um grupo de amigos formado por Dean Di Laurentis, John Logan e John Tucker, colegas de time e figuras centrais dentro do universo da série. O desenvolvimento emocional do jogador tem grande enfoque na série, trazendo seus problemas com o pai para a trama.

Esses núcleos de amizade têm papel estratégico na construção da narrativa. Na série literária, cada um desses personagens ganha protagonismo em livros seguintes, o que deve ser mantido na adaptação. A tendência é que personagens como Dean, Allie e Tucker também assumam papéis centrais nas próximas temporadas, ampliando o universo da história e aprofundando as relações construídas desde o início. 

Cenas de festa universitária mostram o núcleo de amizades e o estilo de vida dos protagonistas fora do gelo. Foto: Reprodução/Prime Video 
Cenas de festa universitária mostram o núcleo de amizades e o estilo de vida dos protagonistas fora do gelo. Foto: Reprodução/Prime Video 

O ambiente esportivo segue como um plano importante, refletindo a cultura universitária dos Estados Unidos, em que atletas ocupam posição de destaque. A competitividade, a pressão por desempenho e a vida em equipe influenciam na trama, aparecendo em situações como a pressão constante sobre Garrett para manter boas notas e continuar elegível para o time, além da cobrança por um bom desempenho em jogos decisivos de hóquei. A rotina intensa de treinos, viagens e competições também interfere diretamente na vida acadêmica e pessoal dos personagens, criando conflitos recorrentes.

Time de hóquei em quadra, destacando o peso do esporte na rotina e nos conflitos da trama. Foto: Reprodução/Prime Video 
Time de hóquei em quadra, destacando o peso do esporte na rotina e nos conflitos da trama. Foto: Reprodução/Prime Video 

O elenco principal conta com Ella Bright (Hannah Wells) e Belmont Cameli (Garrett Graham) nos papéis centrais, além de Mika Abdalla (Allie Hayes), Antonio Cipriano (John Logan), Jalen Thomas Brooks (John Tucker), Stephen Kalyn (Dean Di Laurentis), Josh Heuston (Justin Kohl), Steve Howey (Phil Graham) e Khobe Clarke (Beau Maxwell). A presença desses personagens reforça a proposta de uma narrativa coletiva, em que diferentes histórias se conectam ao longo das temporadas.

A adaptação faz parte da estratégia do streaming em investir em histórias com público já consolidado, especialmente no gênero romântico voltado para jovens. Ao expandir o foco para além do casal principal, a produção aposta na construção de um universo contínuo, sustentado tanto pelo romance quanto pelas relações de amizade.

Por ser uma obra publicada em 2015, a série promete ter uma nova roupagem para 2026. “O Acordo” se consolidou como um dos títulos mais populares do gênero new adult ao longo dos anos. A obra ganhou destaque internacional, impulsionada principalmente pelo boca a boca entre leitores e, mais recentemente, pela viralização em plataformas como o TikTok e o X, onde passou a integrar listas de leituras recomendadas.

Além da popularidade, também é apontado como um dos precursores da popularização de romances no universo do hóquei no gelo. Embora não tenha sido o primeiro a explorar esse cenário, o livro ajudou a consolidar o interesse do público por histórias que combinam esporte e romance, abrindo espaço para uma nova tendência dentro do gênero.

A partir de seu sucesso, outras obras com protagonistas atletas, passaram a ganhar destaque no mercado, formando um nicho que continua em expansão até hoje. O sucesso também se reflete na expansão para a série “Off Campus”, que conquistou uma base de fãs e manteve relevância mesmo anos após o lançamento, fator que contribuiu diretamente para sua adaptação audiovisual.

Além do romance, a trama incorpora temas como autoestima, traumas, ansiedade, consumo de álcool e consentimento, ampliando a identificação com o público jovem.

A segunda temporada já confirmada deve seguir a estrutura dos livros sendo o próximo “O Erro”, focando em outro casal do mesmo universo, com destaque para os personagens John Logan e Grace Ivers. A produção ainda não tem data de estreia definida, mas já se encontra em fase inicial de desenvolvimento. 

Com o lançamento do teaser de “O Acordo” nesta quinta-feira (23), a série ganhou suas primeiras imagens oficiais e aumentou a expectativa do público

Confira o trailer da 1° temporada:

 

 

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Temporada amplia debates sobre identidade juvenil
por
Gabriela Dias
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16/04/2026 - 12h

A terceira temporada de “Com Carinho, Kitty”, produção da Netflix, marca uma mudança significativa na trajetória da série. Além de dar continuação a história de Kitty Song Covey (Anna Cathcart), os novos episódios mostram um amadurecimento evidente na narrativa, que passa a abordar com mais profundidade temas como identidade, pertencimento e crescimento emocional.

Diferente das temporadas anteriores, que priorizavam romances rápidos e conflitos mais leves, a nova fase aposta em um desenvolvimento mais cuidadoso dos personagens. A protagonista, por exemplo, deixa de ser movida apenas por idealizações amorosas e começa a enfrentar as consequências de suas escolhas, lidando com frustrações e inseguranças de forma mais realista.
 
Logo no início, a temporada apresenta um cenário de recomeço, mas sem apagar os erros do passado. A principal mudança está no andamento da narrativa: os conflitos não são resolvidos de forma imediata e passam a impactar diretamente as relações entre os personagens. Essa mudança de ritmo, mais lenta, contribui para um desenvolvimento emocional da protagonista, em que ela deixa de ser apenas uma jovem guiada por ideais românticos e passa a assumir decisões que exigem maior responsabilidade, o que torna a história mais próxima da realidade do público jovem.
 
Os relacionamentos continuam sendo o eixo central, mas ganham mais complexidade. A série abandona, em parte, a ideia de romances perfeitos e investe em vínculos mais instáveis, marcados por falhas de comunicação, expectativas diferentes e instabilidade. Ampliando a identificação do público, que passa a enxergar situações mais próximas do dia a dia.
Kitty e seu interesse amoroso protagonizando uma das relações centrais da nova temporada. Foto: Reprodução/Netflix
Kitty e seu interesse amoroso protagonizando uma das relações centrais da nova temporada. Foto: Reprodução/Netflix
 

 

Mesmo com esse avanço, a idealização do amor ainda aparece como um elemento importante. Kitty mantém, em diversos momentos, uma visão romantizada das relações, acreditando em sentimentos intensos e imediatos. No entanto, a própria narrativa questiona essa perspectiva ao mostrar que o amor também envolve dúvidas, erros e aprendizado algo que pode influenciar diretamente a forma como adolescentes enxergam seus próprios relacionamentos.
 
Ao mesmo tempo, os personagens secundários passaram a ter maior protagonismo. Eles abandonaram a função de apoio narrativo e agora contribuem para um universo mais amplo, trazendo seus problemas pessoais para a trama, causando um maior envolvimento do público. Os acontecimentos da personagem Yuri Han (Gia Kim) que ganharam grande desenvolvimento na trama, se tornou um núcleo importante dessa terceira temporada.
 
Outro destaque é o aprofundamento das questões de identidade. A vivência da protagonista em um contexto cultural diferente ganha mais espaço, trazendo reflexões sobre pertencimento e construção pessoal. Esse aspecto amplia o alcance da série, que passa a dialogar com experiências comuns entre jovens.
Registros de bastidores mostram o clima das filmagens da terceira temporada com o retorno de Lana Condor. Foto: Reprodução/ @annacarthcart
Registros de bastidores mostram o clima das filmagens da terceira temporada com o retorno de Lana Condor. Foto: Reprodução/ @annacarthcart
 
O retorno de Lara Jean, interpretada por Lana Condor, reforça esse debate. Vinda do universo de “Para Todos os Garotos que Já Amei”, da autora Jenny Han, a personagem representa uma visão mais idealizada do amor, em contraste com as experiências mais instáveis vividas por Kitty. A comparação entre as duas evidencia que não existe um único modelo de relacionamento, o amor pode assumir diferentes formas, dependendo das experiências individuais.
 
Outro ponto crucial desta temporada foi um novo ponto de vista de romance vivido pela Lara Jean, no qual passa por um período instável em seu relacionamento, deixando claro que mesmo o amor idealizado tem seus problemas. 

Nos episódios finais, a série assume um tom mais reflexivo. As decisões tomadas ao longo da trama geram consequências, exigindo maior maturidade da protagonista. Ao evitar finais perfeitos, a produção valoriza o desenvolvimento pessoal em vez da resolução romântica.

O desenvolvimento amoroso de Kitty ganha maior evolução ao se aproximar de Min Ho (Sang Heon Lee), em uma relação que surge de forma gradual e menos idealizada, marcada por trocas sinceras. Diferente de suas experiências anteriores, o vínculo entre os dois se constrói a partir da convivência e da vulnerabilidade, evidenciando um sentimento mais realista e menos impulsivo, que foi sendo desenvolvido desde a primeira temporada.
 
A terceira temporada de “Com Carinho, Kitty” equilibra entretenimento e aprofundamento narrativo. Mesmo mantendo elementos leves, a série demonstra evolução ao abordar temas mais complexos e próximos da realidade do telespectador, consolidando sua identidade própria e acompanhando o amadurecimento do público.
Relação entre Kitty e Min Ho ganha novos desdobramentos na terceira temporada da série. Foto: Reprodução/Netflix
Relação entre Kitty e Min Ho ganha novos desdobramentos na terceira temporada da série. Foto: Reprodução/Netflix
 

 

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Museu da Imagem e do Som realiza novo evento literário que valoriza a diversidade e qualidade editorial brasileira, explorando publicações para ver, ouvir e ler
por
Carolina Machado
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15/04/2026 - 12h

No último final de semana, nos dias 11 e 12 de abril, ocorreu a primeira edição da Feira do Livro do MIS (FLIMIS) no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo. Em parceria com a editora Lote 42, a FLIMIS teve como objetivo agregar exposições literárias e práticas criativas, inteiramente gratuitas, que remetem ao exercício de ouvir, falar e observar.

Entrada da FLIMIS: apresentação dos expositores e das atrações do mais novo evento literário de São Paulo. Foto: Carolina Machado/AGEMT
Entrada da FLIMIS: apresentação dos expositores e das atrações do mais novo evento literário de São Paulo. Foto: Carolina Machado/AGEMT

A feira buscou reunir publicações de 75 expositores que exploram diferentes linguagens artísticas, especialmente aquelas vinculadas à imagem e ao som: fotografia, cinema, ilustração, quadrinhos, música e poesia.

Pedro Augusto, de 30 anos, representou a Anansi Lab, um laboratório de letramento racial transmídia independente, fundado em 2018. A oficina produz e compartilha narrativas subalternizadas por meio de publicações, palestras, bate-papos e rodas de samba. Entre os produtos, o expositor conta com uma revista trimestral de divulgação científica e cultural antirracista chamada Sikudhani, publicada a cada três meses. “Nosso trabalho recolhe materiais, os organiza e os publica como forma de reocupação do espaço tomado pelo colonialismo e imperialismo que nos domina até hoje”, relata Pedro.

Sobre a primeira edição da FLIMIS, o representante da Anansi Lab diz ter interesse em voltar às próximas edições. “Essas feiras são uma ótima oportunidade para encontrarmos novos leitores, artistas e, sobretudo, trocar ideias”, conclui.

Área de exposição da FLIMIS. Foto: Carolina Machado/AGEMT
Área de exposição da FLIMIS. Foto: Carolina Machado/AGEMT

As produções impressas presentes representavam a diversidade editorial brasileira tanto pela construção literária quanto pelas técnicas gráficas utilizadas, como gravura e xilogravura. Os dois dias de evento contaram com uma oficina de carimbos que pôde aproximar o público de técnicas gráficas presentes nas publicações, exercitando o processo criativo e a composição artística.

A feira promoveu também 14 palestras relacionadas a produções específicas do catálogo das editoras e dos artistas participantes. A programação de falas era focada em uma única publicação, visando expandir a experiência de leitura e aproximar o público das obras. Os autores compartilharam bastidores, experiências e outros aspectos dos múltiplos caminhos que a arte impressa pode seguir, como a edição e a produção gráfica.

Palestra sobre a produção “9×12”, com Rossana Di Munno, Borogodó Editora Foto: Carolina Machado/AGEMT
Palestra sobre a produção “9×12”, com Rossana Di Munno, Borogodó Editora. Foto: Carolina Machado/AGEMT

 

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Filme e relato de refugiadas presentes na sessão, ajudam a entender o conflito entre Irã e Israel
por
Maria Olívia Almeida
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15/04/2026 - 12h

No dia 26 de março de 2026, a Folha, em parceria com o Cinema Belas Artes, realizou a pré-estreia do filme “Tatame” de 2023. Com um debate após a sessão, o público discutiu o alcance da política iraniana na vida da população, tema proposto pelo filme.

A obra aborda a jornada de uma lutadora de Judô iraniana, Leila Hosseini (Arienne Mandi), impedida de lutar contra uma atleta israelense. A judoca e sua treinadora Maryam (Zar Amir Ebrahimi) são ameaçadas pelo comitê esportivo de seu país e pressionadas a fingir uma lesão em Leila para que ela saia do Campeonato Mundial de Judô, evitando a luta.

Na imagem em preto e branco está Maryam (Zar Amir) de pé à esquerda, usando um quimono preto e um hijab cinza. Na direita está Leila Hosseine (Arienne Mandi), de quimono branco e hijab preto. Ambas as mulheres olham para a frente com feições sérias.
Zar Amir Ebrahimi e Arienne Mandi no filme Tatame – Foto: Reprodução

 

Dirigido pela iraniana Zar Amir Ebrahimi, que também interpreta Maryam, e pelo israelense Guy Nattiv, o filme desconstrói a barreira político ideológica entre iranianos e israelenses representando de forma breve a amizade entre Leila e Shani, lutadora que atua em nome de Israel. Assim, os diretores optaram por uma ênfase na opressão realizada pelo regime teocrático do Irã sobre o povo, em especial sobre as mulheres.

A obra parte de casos reais, como de Saeid Mollaei, lutador de judô nascido no Irã que hoje luta defendendo a Mongólia. O atleta mudou sua representação após ignorar ordens de deixar torneio para evitar enfrentar Israel, em 2019.

Esses conflitos se dão pelo regime iraniano não reconhecer Israel como país, tornando qualquer luta direta com uma representação israelense, por mais que esportiva, um desvio político. Assim, articulando a conjuntura geopolítica contemporânea com a ficção, o filme apresenta o dilema entre continuar lutando ou apoiar a posição de seu país.

Na imagem em preto e branco está Leila Hosseine (Arienne Mandi) ajoelhada no meio de um tatame. Ela usa um quimono branco e seus cabelos estão trançados e a mostra.
Arienne Mandi no filme Tatame – Foto: Juda Khatiapsuturi/Keshet Studio

 

Após a exibição da obra no dia 26 de março, o debate contou com a participação do jornalista Sandro Macedo e da pesquisadora Isabelle Castro, do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP). Além dos convidados, a plateia integrou de forma ativa a discussão.

No encontro, estavam presentes as ativistas e refugiadas políticas iranianas Mahmooni e sua irmã, Mahsima Nadim, que trouxeram para o evento uma perspectiva pessoal da vida em meio ao regime autoritário representado.

Apesar de “Tatame” ser gravado em preto e branco, a discussão destacou a importância de se considerar todos os muitos subtons do conflito. "Parece uma coisa gratuita, e não é", criticou Castro sobre o filme, que considerou carregado de um tom simplista. Isabelle ainda abordou em seguida como o Irã, após a revolução de 1979, passou a considerar Israel inimigo em função da guerra na Palestina.

Além dessas falas, Mahsima relatou: "desde criança a gente aprende que qualquer pessoa que apertar a mão de um judeu vai ficar impuro por 40 dias". Acrescentando ao cenário o teor ideológico antissemita perpetuado.

Dessa maneira, o filme provoca uma reflexão sobre as implicações de decisões políticas em todo aspecto da vida, representando a instrumentalização do esporte na imposição de uma agenda geopolítica. Um tatame de competição, aparentemente neutro, se torna um cenário de conflito pessoal e social.

 

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O projeto une duas culturas periféricas, contando um pouco da história dos artistas
por
Guilbert Inácio
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20/02/2025 - 12h

O EP, “Falando com as Favelas”, lançado na última segunda-feira (17), tem chamado a atenção do público corintiano. O projeto tem quatro faixas, trazendo, por meio do funk e do futebol, uma mensagem sobre superação e fomento de cultura para as periferias do mundo.

Memphis e MC Hariel, de óculos, estão centralizados. Há pessoas ao redor dos dois fazendo diferentes sinais com as mãos
Memphis Depay e MC Hariel com um grupo de pessoas em Gana / Foto: Renan Miranda

Sobre o EP

Além das faixas, o projeto tem videoclipes em que boa parte das gravações foram feitas em Gana e Vila Aurora, periferia da zona norte da capital paulista, onde Hariel nasceu e cresceu.

Na primeira faixa, “Falando com as Favelas”, Hariel fala sobre a necessidade de acesso à cultura e informação nas comunidades e a importância de ouvir e fomentar os sonhos das crianças, os quais podem auxiliá-las a seguir um rumo diferente do ambiente hostil em que vivem, fazendo um paralelo com uma parte na qual Memphis aborda seus traumas de infância. 

O jogador foi abandonado pelo pai aos quatro anos de idade, apanhava dos filhos de seu padrasto, começou a consumir e traficar drogas ainda na adolescência, mas tudo isso foi superado quando começou a jogar futebol. O holandês reforça na música que seu propósito é maior do que fama, e por isso doa sua alma para as crianças que buscam um futuro melhor.

A segunda faixa, “Peita do Coringão”, traz um outro artista, MC Marks. A música fala um pouco sobre a experiência de viver o Corinthians, trazendo o icônico "poropopó", um dos cantos da torcida alvinegra, a qual canta o jogo todo apoiando o time, além de reconhecer a raça e as origens do time no povo. "Alegria do povo, que vestiu preto e branco, foi pra rua de novo, olha o bando de louco", canta MC Marks.

MC Hariel, de óculos, está em cima de um carro com as mãos para o alto. Há uma pessoa ao seu lado segurando uma bandeira do Corinthians. Ao redor do carro, há pessoas com mascaras.
Bandeira do Corinthians estampa vários takes dos videoclipes do EP / Foto: Renan Miranda

 

A terceira faixa “Suor e Sangue” é um funk superação. O destaque fica para a frase: "quem é bom, não tem que ser bonzinho" dita ao Hariel por sua mãe, Karin Christine, a qual ele se refere na música como "a guerreira” que o guiou. Ao “Altas Horas”, o artista comentou que, quando era criança, sua mãe deixava o rádio o dia inteiro ligado, e isso o ajudou a entender melhor o mundo da música. Assim como Memphis que ascendeu pelo futebol, Hariel ascendeu pelo Funk.

O EP finaliza com a faixa “Renascer” com uma pegada sentimental e otimista. A música retoma as dificuldades de Memphis e Hariel na vida, reforçando que, mesmo que as pessoas desacreditem de seu futuro e matem sua esperança, é bom crer que o amanhecer trará algo melhor e que o sorriso das crianças curam o medo e a tristeza do passado.

Dois personagens distintos se unem no projeto, mas como eles se ligam?

Em um ambiente fechado, Memphis está sentado, abraçando uma criança. Outras crianças aparecem ao lado e ao fundo.
Memphis presente em seu projeto social com crianças ganesas / Foto: Boris Letterie

Memphis é um jogador holandês que começou sua carreira como profissional aos 17 anos, em 2011, no PSV Eindhoven (Holanda). Com a boa atuação no clube, o jogador foi convocado para a seleção holandesa para jogar a Copa do Mundo de 2014, aqui no Brasil.

Um ano depois, Memphis saiu do PSV e foi para a Inglaterra jogar no Manchester United, onde jogou por 1 ano e meio. De lá pra cá, o holandês passou por Lyon (França), Barcelona (Espanha) e Atlético de Madrid (Espanha). 

O jogador também tem um projeto social, Memphis Foundation, que apoia e fomenta o acesso à educação, esporte e cultura para 24 mil jovens cegos e surdos de Gana, país em que o holandês tem raízes familiares.

Em 2024, perto do fim de seu contrato com o time de Madrid, Memphis ficou livre para negociar com outros clubes, surgindo assim o interesse do Corinthians.

Memphis, que começou carreira musical em 2018, tem uma música chamada “2 Corinthians 5:7”. Embora a referência seja bíblica, a música inflamou a torcida corintiana que clamou pela sua vinda.
 
Pedro Silveira, diretor financeiro do timão, foi o principal responsável pela contratação do holandês. Em setembro de 2024, em busca de novos ares, Memphis desembarcou no Brasil para jogar no clube do Parque São Jorge cuja casa, Neo Química Arena, já era uma velha conhecida do holandês.

Em 2014, no terceiro jogo da Holanda na fase de grupos, contra o Chile, Memphis marcou seu primeiro gol no estádio alvinegro sem saber que, dez anos depois, esse estádio seria sua casa. O jogador, atualmente, soma oito gols e sete assistências com a camisa do Corinthians, time de coração de MC Hariel.

Hariel Denaro Ribeiro, conhecido popularmente como MC Hariel, é filho de Celso Ribeiro, membro da banda “Raíces da América”. A infância do cantor foi em um ambiente cercado pela música, mas também por drogas. Seu pai morreu por causa de dependência química. Seus tios também tinham vícios e sua mãe era alcoólatra, mas conseguiu sair do vício para cuidar do filho. Hariel contou à Marcelo Taz, em entrevista ao programa “Provoca” da TV Cultura, que sua mãe o incentivou a seguir um rumo diferente dos seus familiares.

O artista antes de fazer sucesso com o funk, em sua adolescência, chegou a trabalhar como entregador de pizza, operador de telemarketing, auxiliar de gesseiro, entre outras profissões. 

Hariel começou a carreira musical com 11 anos, mas o sucesso veio aos 15, em 2014, com a música "Passei Sorrindo". Hoje, com 16,7 milhões de seguidores no Instagram e 7,9 milhões de ouvintes mensais no Spotify, Hariel acumula hits como “Lei do Retorno”, “Maçã Verde”, "Vergonha pra Mídia" e “Ilusão Cracolândia”. Seu último projeto, foi o álbum “Funk Superação” trazendo feats de diferentes nichos da cena musical como Gilberto Gil, Kyan, IZA, Péricles e Ice Blue.

Hariel tem uma música em homenagem ao Corinthians, “Manto do Timão”, e em 2021, fez um show na live de comemoração de 111 anos do clube alvinegro. Na ocasião, o cantor evitou cantar a frase “Jack de Maçã Verde” de uma de suas músicas e tirou o símbolo da Lacoste, patrocinadora do funkeiro, do Boné, em respeito ao clube preto e branco cujo rival, Palmeiras, tem o verde como cor principal.

“Não sei quando me tornei corintiano, não sei se nasci corintiano ou se o Corinthians nasceu em mim, só sei que antes de ser corintiano eu não existia. Parabéns Corinthians, obrigado por tudo. De glórias e vitórias, 111 anos. Sempre altaneiro és do Brasil o clube mais brasileiro.” Hariel, horas antes da live, em seu Instagram.

O encontro de Memphis com Hariel se deu por meio do DJ André Nine que, ao saber do interesse do jogador de conhecer artistas brasileiros, convidou Hariel a ir a um estúdio conhecer o jogador. Hariel contou ao Serginho Groisman no programa “Altas Horas” da Globo que foi ao estúdio para conhecer um ídolo, mas encontrou um parceiro de composição. 

A sintonia de ambos foi imediata e no dia do encontro, os dois fizeram três músicas que compõem o EP. Memphis também contou no programa que já conhecia o trabalho de Hariel e que juntos, eles têm uma mensagem importante para passar ao mundo.

Memphis tem um apreço pela cultura brasileira e já visitou algumas periferias e favelas do estado de São Paulo. No “Altas Horas”, ele conta que conhece periferias na Holanda e em Gana, mas queria conhecer as do Brasil, por entender que há distinções entre as localidades. Ele complementa que foi bem recebido pelos brasileiros e que, para ele, é importante esse contato com as pessoas.
 

Memphis e outras pessoas estão em frente a um muro, no qual há uma pintura do jogador
Memphis em frente ao grafite do coletivo Raxa Kuka no bairro Jardim Sílvio Sampaio de Taboão da Serra, São Paulo / Foto: Rodrigo Coca

No EP, embora os artistas sejam de contextos históricos distintos, ambos se ligam no Brasil pelas suas raízes familiares, sociais, culturais e profissionais.

"BRASIL há noites em que derramo lágrimas porque você me permitiu ser eu mesmo sem julgamento e isso me toca profundamente, OBRIGADO. O Brasil me faz perceber que estou me curando de minhas cicatrizes profundas no momento, e essa nova jornada parece um novo começo de vida! Meu primeiro projeto musical com @mchariel é para as pessoas que precisam de cura, para as pessoas que amam música e para todos que querem se unir. Falando com as Favelas está se movendo com o espírito da luz! Estamos todos juntos nisso.” Memphis na última terça-feira (18), em seu perfil do Instagram.

 

 

 

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Confira horários, atrações, personalidades e games do festival
por
Marcelo Barbosa
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06/12/2024 - 12h

O maior evento de cultura pop da América latina está de volta e, mais uma vez, traz personalidades de destaque no mundo do entretenimento. As atrações estão para acontecer entre os dias 4 e 8 de dezembro no São Paulo Expo, Zona Sul da cidade de São Paulo. É possível acompanhar diversos palcos, com diferentes temáticas para todos os gostos.


multidão andando na CCXP de 2019/ Imagem: site CCXP
Multidão andando na edição de 2019/ Imagem: Site da CCXP

Na noite de quarta-feira (4), a abertura oficial contou com a pré-estreia de “O Senhor dos Anéis: A Guerra dos Rohirrim”. Já na quinta (5), o destaque fica por conta da presença de Vincent Martella, ator e dublador norte-americano famoso pelo papel em “Todo Mundo Odeia o Chris”. Outro convidado de peso é Misha Collins, conhecido por interpretar o anjo Castiel na série “Supernatural”, além de atuar como ativista e escritor.

O Palco Thunder by Claro tv+, com capacidade para 3 mil pessoas, será repleto de grandes atrações, incluindo artistas nacionais e internacionais do cinema e da televisão. Também estão programadas pré-estreias, lançamentos de trailers e rodas de conversa. Já no Palco Ultra, o foco será em debates e palestras, como a de Geoff Johns, roteirista e produtor renomado no universo dos quadrinhos e do cinema; sobretudo, da DC Comics.

Na sexta-feira (6), o evento contará com a participação de Giancarlo Esposito, ator norte-americano que deu vida ao icônico personagem Gus Fring em “Breaking Bad”. Outra atração será uma mesa com representantes da produtora Gullane, responsável por filmes como “Bicho de Sete Cabeças” e pela série “Senna”, além de novos projetos como “Motel Destino” e a animação “Arca de Noé”.

No sábado (7), os atores Matheus Nachtergaele e Selton Mello debaterão sobre a aguardada sequência de “O Auto da Compadecida”, explorando as novas aventuras dos inesquecíveis personagens João Grilo e Chicó.

Encerrando a programação no domingo (8), acontecerá a pré-estreia de “Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa”, produção da Mauricio de Sousa Produções dirigida por Fernando Fraiha. O elenco principal, incluindo Isaac Amendoim (Chico Bento) e Anna Julia Dias (Rosinha), estará presente nos debates. O filme chegará aos cinemas em 9 de janeiro.


                                                               ingressos

Os ingressos variam conforme a modalidade escolhida. A opção mais completa, por R$ 3,3 mil, inclui passeio guiado antes da abertura oficial e acesso prioritário aos quatro dias de evento. Ingressos individuais custam R$ 200, enquanto o pacote para os quatro dias sai por R$ 800. Outras opções incluem pacotes VIP, com preços entre R$ 1,8 mil e R$ 2,5 mil, que oferecem atividades exclusivas, descontos e fotos ou autógrafos de artistas convidados.


A CCXP é inspirada na Comic Con que ocorre em San Diego (California) anualmente. Ela chegou ao Brasil em 2014 trazida pelas empresas Omelete Company, Piziitoys e Chiaroscuro Studios. Desde então, ela se tornou um dos maiores festivais de cultura pop do mundo.

 

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Caracterizada como a sociedade da audição ansiosa, veja como a produção musical mudou nos últimos anos
por
Vítor Nhoatto
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03/12/2024 - 12h

Foi-se o tempo em que 3 minutos eram pouco para uma história ser contada em forma de música. Com a chegada das redes sociais e a dinamicidade de hoje o comportamento humano mudou, e a forma como se faz uma canção também. A atenção precisa ser captada rapidamente e quanto maior for o número de plays melhor, afinal, tempo é dinheiro.

Economia da atenção

O psicólogo Herbert Simon criou o termo ‘economia da atenção' na década de 1970 para se referir a essa nova conjuntura social ocasionada pela aceleração da comunicação. Criou-se uma disputa do foco dos usuários devido a abundância de informações e distrações o tempo todo. Cada vez há mais textos, os quais se tornam menores e mais diretos. E os áudios inundam os smartphones, sendo escutados na velocidade 2 para não se perder tempo.

A atenção das pessoas é um recurso limitado como define o autor, e com um bombardeamento de dados e estímulos cada vez maior, mais difícil é fazer com que alguém pare e perceba algo de fato. No caso da música, já nos primeiros segundos o ouvinte deve ser surpreendido para não ‘pular’ a faixa, e nada mais longo que três minutos.

Considera-se com isso a audição das novas gerações como ansiosa e a indústria musical inevitavelmente teve de se adaptar, como alega Luiza Studart, responsável pela área de parcerias com as plataformas de streaming da distribuidora Believe Brasil. “Enquanto antes víamos músicas com 3 versos, ponte e refrão, hoje temos faixas que já começam no refrão buscando chamar a atenção do público”.

Faixas como ‘Bohemian Rhapsody’ do Queen e ‘Mirrors’ de Justin Timberlake, ambas com mais de 5 minutos de duração, provavelmente seriam diminuídas hoje. Além disso, seus formatos seriam diferentes para diminuir o risco de o ouvinte ficar entediado ainda no verso.

Um levantamento da revista norte-americana Billboard de 2022 constata esse movimento nas últimas décadas. O tempo médio das músicas da Hot 100 - uma das mais importantes paradas de sucesso do mundo - diminuiu de 4:10 em 2000 para 3:07 em 2022. Além disso, das dez músicas mais tocadas naquele ano, quase metade tinham menos de 3 minutos.

Para Yngryty Nascimento, estudante, produtora de conteúdo digital e streamer desde 2021, a sua relação com a música é fortemente impactada pela lógica atual. “No meu dia a dia eu não costumo ouvir músicas tão longas, tenho “mania” de pular a música e quase nunca escuto inteira porque eu enjoo facilmente”. 

Era da viralização

pessoa segurando celular com música tocando na tela
Plataformas de streaming e as redes sociais mudaram o formato de consumo musical e diminuíram as músicas - Foto: Splash / fhavlik

Não bastando esses novos padrões comportamentais, os índices de desempenho comercial e popular das músicas também mudaram. Não se contam mais apenas quantos CDs são vendidos  ou quantas reproduções um artista teve nas rádios, mas a quantidade de streams que seus trabalhos possuem nas plataformas e se esses viralizaram.

Definida como a grande repercussão de algo nas mídias digitais, é hoje o principal meio para que uma música faça sucesso. E como o desempenho comercial é uma necessidade econômica, os artistas e gravadoras precisam se adaptar. Já demos algumas sugestões na produção musical pensando em deixar a música mais "comercial", comenta Luiza Studart.

A remuneração nas plataformas se dá pelo número de ‘streams’ que uma música recebe, ou seja, quanto mais ‘plays’ maior será o retorno financeiro. Para se ter uma ideia, a remuneração varia entre U$0,003 e U$0,005 por cada reprodução no Spotify, plataforma de música online com maior número de usuários no Brasil.

Esse parâmetro é inclusive usado como estratégia pelos artistas e gravadoras. Uma música mais direta e com cerca de 2 minutos instiga o ouvinte a escutá-la novamente, desse modo, melhorando a viabilidade do trabalho e diminuindo o risco de dar prejuízo para a empresa distribuidora ou artista independente. 

Existem exceções à regra, mas essas são artistas com uma carreira já consolidada e com uma grande base de fãs como Taylor Swift ou Coldplay, garantindo um número de reproduções alto. Para a grande maioria, no entanto, principalmente para artistas em ascensão e independentes, a atenção tem que ser capturada rapidamente e o volume de produção precisa ser alto para não caírem no esquecimento.

Velocidade digital

Continuando essa aceleração digital e rompimento de barreiras espaciais e temporais, uma espécie de nova onde de redes sociais tomou forma. Nos últimos 5 anos houve um aumento expressivo de plataformas de vídeo curtos como Tik Tok e Kwai. Nelas, o principal diferencial são os chamados ‘challenges’, as famosas dancinhas. 

Diante disso, tornou-se quase indispensável para os artistas um bom desempenho nelas também, por meio de letras sob medida, 30 segundos, e batidas dançáveis. “Existe até o termo agora música para Tik Tok que são justamente músicas com refrões grudentos e menores”, comenta Yngryty Nascimento, que já foi contratada da plataforma Kwai em 2021.

O impulsionamento que uma faixa ganha ao ser usada em memes no Instagram ou Twitter é hoje comparável ao seu uso nas redes de vídeos curtos. Segundo levantamento feito pela Winnin, inteligência artificial que analisa tendências nas redes sociais, em 2020, 7 das 10 músicas mais tocadas no Spotify viralizaram antes no Tik Tok. 

Pensando nisso, plataformas de música e de vídeos inclusive adicionaram funcionalidades específicas para tal portabilidade.  O recurso ‘adicionar a app de música’ no caso do Tik Tok surgiu pela demanda de encontrar aquela faixa viral também nos aplicativos de música. Do outro lado da moeda, o compartilhamento direto do Spotify para a rede de vídeos curtos a partir de novembro deste ano foi criado.

A sociedade segue se transformando, e a música inevitavelmente irá acompanhar os novos caminhos traçados, e estas mudanças não necessariamente impactam na qualidade das músicas. Apesar disso, artistas como Beyoncé e Anitta já criticaram abertamente as limitações criativas dessa briga por atenção. 

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Premiação celebrará os maiores nomes da música em 12 de dezembro
por
Sophia Razel
Letícia Alcântara
|
02/12/2024 - 12h
Cantora Sabrina Carpenter apoiada em um carro azul cantando
Sabrina Carpenter, indicada a melhor artista feminina - Foto: Daniel DeSlover/Sipa USA)

Na segunda-feira (25/11), foram divulgados os indicados ao Billboard Music Awards 2024. A cerimônia anual, organizada pela revista americana Billboard, celebra os principais artistas do ano com base em seu desempenho nas paradas musicais. As indicações consideram lançamentos feitos no período de 28 de outubro de 2023 a 19 de outubro de 2024.

Entre os nomes de destaque, estão artistas do pop, como Taylor Swift e Sabrina Carpenter, além dos representantes do country, Morgan Wallen e Zach Bryan, que lideram as nomeações. Bryan é o mais indicado, com 18 categorias, seguido por Taylor Swift, a artista feminina mais premiada da história do evento, com 16 indicações. Morgan Wallen recebeu 13 nomeações, enquanto Sabrina Carpenter aparece com nove.

Outro destaque desta edição é a banda de rock Linkin Park. O grupo, que esse ano retornou as atividades com uma nova formação, tendo Emily Armstrong nos vocais, concorre em cinco categorias: “Duo/Banda (geral)”, “Duo/Banda (rock)”, “Artista de Rock”, “Artista de Hard Rock” e “Canção de Hard Rock”. 

Além das categorias tradicionais, o Billboard Music Awards de 2024 também reconhece a ascensão de novos gêneros. Exemplo disso são as categorias de canção K-pop e Afrobeats, que destacam artistas como JungKook (BTS) e Tyla.  

A cerimônia, apresentada pela atriz e comediante Michelle Buteau, ocorrerá no dia 12 de dezembro, às 22h, no horário de Brasília. A premiação será transmitida no Paramount+. 

Confira abaixo a lista completa dos indicados: 

Melhor artista

Zach Bryan
Sabrina Carpenter
Drake
Taylor Swift
Morgan Wallen

Melhor revelação

Benson Boone
Tommy Richman
Chappell Roan
Shaboozey
Teddy Swims

Melhor artista masculino

Zach Bryan
Luke Combs
Drake
Post Malone
Morgan Wallen

Melhor artista feminina

Sabrina Carpenter
Billie Eilish
Chappell Roan
Taylor Swift
SZA

Melhor duo/grupo

Blink-182
Coldplay
Fuerza Regida
Linkin Park
Stray Kids

Melhor artista Billboard 200

Zach Bryan
Drake
Taylor Swift
SZA
Morgan Wallen

Melhor artista Hot 100

Zach Bryan
Sabrina Carpenter
Billie Eilish
Taylor Swift
Morgan Wallen

Melhor compositor Hot 100

Amy Allen
Jack Antonoff
Zach Bryan
Kendrick Lamar
Taylor Swift

Melhor produtor Hot 100

Jack Antonoff
Zach Bryan
Daniel Nigro
Finneas O’Connell
Taylor Swift

Melhor artista de streaming

Zach Bryan
Sabrina Carpenter
Kendrick Lamar
Taylor Swift
Morgan Wallen

Melhor artista na rádio

Sabrina Carpenter
Doja Cat
Taylor Swift
SZA
Morgan Wallen

Melhor artista em vendas

Jelly Roll
Jung Kook
Shaboozey
Taylor Swift
Teddy Swims

Melhor artista Billboard Global 200

Sabrina Carpenter
Billie Eilish
Ariana Grande
Taylor Swift
The Weeknd

Melhor artista Billboard Global (EUA)

Sabrina Carpenter
Billie Eilish
Ariana Grande
Taylor Swift
The Weeknd

Melhor artista de R&B

Brent Faiyaz
Tommy Richman
SZA
Tyla
The Weeknd

Melhor artista masculino de R&B

Brent Faiyaz
Tommy Richman
The Weeknd

Melhor artista feminino de R&B

Muni Long
SZA
Tyla

Melhor turnê de R&B

Chris Brown
Bruno Mars
Usher

Melhor rapper

Drake
Future
Kendrick Lamar
Metro Boomin
Travis Scott

Melhor rapper masculino

Drake
Kendrick Lamar
Travis Scott

Melhor rapper feminina

Doja Cat
GloRilla
Nicki Minaj

Melhor turnê de rap

Nicki Minaj
Travis Scott
$uicideboy$

Melhor artista de country

Zach Bryan
Luke Combs
Post Malone
Chris Stapleton
Morgan Wallen

Melhor artista masculino de country

Zach Bryan
Luke Combs
Morgan Wallen

Melhor artista feminino de country

Beyoncé
Megan Moroney
Lainey Wilson

Melhor duo/grupo country

Zac Brown Band
The Red Clay Strays
Treaty Oak Revival

Melhor turnê de country

Zach Bryan
Kenny Chesney
Luke Combs

Melhor artista de rock

Zach Bryan
Hozier
Jelly Roll
Noah Kahan
Linkin Park

Melhor duo/grupo de rock

Good Neighbours
Linkin Park
The Red Clay Strays

Melhor artista de hard rock

Bad Omens
HARDY
Linkin Park

Melhor turnê de rock

Coldplay
The Rolling Stones
Bruce Springsteen & The E Street Band

Melhor artista latino

Bad Bunny
Fuerza Regida
Junior H
KAROL G
Peso Pluma

Melhor artista latino masculino

Bad Bunny
Junior H
Peso Pluma

Melhor artista latino feminino

KAROL G
Shakira
Kali Uchis

Melhor duo/grupo latino

Eslabon Armado
Fuerza Regida
Grupo Frontera

Melhor turnê latina

Bad Bunny
KAROL G
Luis Miguel

Melhor artista global de kpop

ENHYPEN
Jimin
Jung Kook
Stray Kids
TOMORROW X TOGETHER

Melhor turnê de kpop

ENHYPEN
SEVENTEEN
TOMORROW X TOGETHER

Melhor afrobeats

Asake
Burna Boy
Rema
Tems
Tyla

Melhor artista de música eletrônica

Beyoncé
The Chainsmokers
Charli XCX
Dua Lipa
Calvin Harris

Melhor artista cristão

Lauren Daigle
Elevation Worship
Forrest Frank
Brandon Lake
Anne Wilson

Melhor artista gospel

Kirk Franklin
Maverick City Music
Chandler Moore
Naomi Raine
CeCe Winans

Melhor álbum Billboard 200

Zach Bryan – “Zach Bryan”
Drake – “For All the Dogs”
Noah Kahan – “Stick Season”
Taylor Swift – “1989 (Taylor’s Version)”
Taylor Swift – “The Tortured Poets Department”

Melhor trilha sonora

“Hazbin Hotel: Season One”
“Trolls: Band Together”
Twisters: The Album”
“Wish”
“Wonka”

Melhor álbum de R&B

Chris Brown – “11:11”
Brent Faiyaz – “Larger Than Life”
PARTYNEXTDOOR – “PARTYNEXTDOOR 4 (P4)”
Bryson Tiller – “Bryson Tiller”
Tyla – “Tyla”

Melhor álbum de rap

21 Savage – “american dream”
Drake – “For All the Dogs”
Future & Metro Boomin – “WE DON’T TRUST YOU”
Nicki Minaj – “Pink Friday 2”
Rod Wave – “Nostalgia”

Melhor álbum country

Beyoncé – “Cowboy Carter”
Zach Bryan – “The Great American Bar Scene”
Zach Bryan – “Zach Bryan”
Chris Stapleton – “Higher”
Bailey Zimmerman – “Religiously. The Album.”

Melhor álbum de rock

Zach Bryan – “The Great American Bar Scene”
Zach Bryan – “Zach Bryan”
Hozier – “Unheard (EP)”
Noah Kahan – “Stick Season”
Dolly Parton– “Rockstar”

Melhor álbum de hard rock

Bring Me The Horizon – “POST HUMAN: NeX GEn”
Falling In Reverse – “Popular Monster”
HARDY – “Quit!!”
Pearl Jam – “Dark Matter”
Sleep Token – “Take Me Back to Eden”

Melhor álbum latino

Bad Bunny – “nadie sabe lo que va a pasar mañana”
Fuerza Regida – “Pa Las Baby’s Y Belikeada”
Grupo Frontera – “El Comienzo”
Junior H – “$AD BOYZ 4 LIFE II”
KAROL G – “MAÑANA SERÁ BONITO (BICHOTA SEASON)”

Melhor álbum de kpop

ATEEZ – “THE WORLD EP.FIN: WILL”
Jung Kook – “GOLDEN”
Stray Kids – “ROCK-STAR
Stray Kids – “Ate: Mini Album”
TOMORROW X TOGETHER – “The Name Chapter: FREEFALL”

Melhor álbum de eletrônica/dance

Charli XCX – “BRAT”
Jungle – “Volcano”
Odetari – “XXIII SORROWS”
Troye Sivan – “Something to Give Each Other”
John Summit – “Comfort in Chaos”

Melhor álbum cristão

Elevation Worship – “CAN YOU IMAGINE?”
Forrest Frank – “CHILD OF GOD”
Brandon Lake – “COAT OF MANY COLORS”
Maverick City Music, Chandler Moore & Naomi Raine – “The Maverick Way Complete: Complete Vol 02”
Katy Nichole – “Jesus Changed My Life”

Melhor álbum gospel

Kirk Franklin – “Father’s Day”
Koryn Hawthorne – “On God”
Maverick City Music, Chandler Moore & Naomi Raine – “The Maverick Way Complete: Complete Vol 02”
CeCe Winans – “More Than This”
Naomi Raine – “Cover The Earth: Live in New York”

Melhor canção Hot 100

Benson Boone – “Beautiful Things”
Jack Harlow – “Lovin on Me”
Post Malone feat. Morgan Wallen – “I Had Some Help”
Shaboozey – “A Bar Song (Tipsy)”
Teddy Swims – “Lose Control”

Melhor canção de streaming

Zach Bryan feat. Kacey Musgraves – “I Remember Everything”
Kendrick Lamar – “Not Like Us”
Post Malone feat. Morgan Wallen – “I Had Some Help”
Shaboozey – “A Bar Song (Tipsy)”
Teddy Swims – “Lose Control”

Melhor canção de rádio

Benson Boone – “Beautiful Things”
Jack Harlow – “Lovin on Me”
Tate McRae – “Greedy”
Taylor Swift – “Cruel Summer”
Teddy Swims – “Lose Control”

Canção mais vendida

Benson Boone – “Beautiful Things”
Jung Kook – “Standing Next to You”
Post Malone feat. Morgan Wallen – “I Had Some Help”
Shaboozey – “A Bar Song (Tipsy)”
Teddy Swims – “Lose Control”

Melhor colaboração

Zach Bryan feat. Kacey Musgraves – “I Remember Everything”
Future, Metro Boomin & Kendrick Lamar – “Like That”
Post Malone feat. Morgan Wallen – “I Had Some Help”
Taylor Swift feat. Post Malone – “Fortnight”
Morgan Wallen feat. ERNEST – “Cowgirls”

Melhor canção Billboard Global

Benson Boone – “Beautiful Things”
Sabrina Carpenter – “Espresso”
Tate McRae – “Greedy”
Taylor Swift – “Cruel Summer”
Teddy Swims – “Lose Control”

Melhor canção Billboard Global (EUA)

Benson Boone – “Beautiful Things”
Sabrina Carpenter – “Espresso”
Tate McRae – “Greedy”
Taylor Swift – “Cruel Summer”
Teddy Swims – “Lose Control”

Melhor canção R&B

4batz feat. Drake – “act ii: date @ 8 (remix)”
Muni Long – “Made for Me”
Tommy Richman – “MILLION DOLLAR BABY”
SZA – “Saturn”
Tyla – “Water”

Melhor canção de rap

Doja Cat – “Agora Hills”
Doja Cat – “Paint the Town Red”
Future, Metro Boomin & Kendrick Lamar – “Like That”
Jack Harlow – “Lovin on Me”
Kendrick Lamar – “Not Like Us”

Melhor canção country

Zach Bryan feat. Kacey Musgraves – “I Remember Everything”
Dasha – “Austin”
Post Malone feat. Morgan Wallen – “I Had Some Help”
Shaboozey – “A Bar Song (Tipsy)”
Morgan Wallen – “Thinkin’ Bout Me”

Melhor canção de rock

Zach Bryan – “Pink Skies”
Zach Bryan feat. Kacey Musgraves – “I Remember Everything”
Djo – “End of Beginning”
Hozier – “Too Sweet”
Noah Kahan – “Stick Season”

Melhor canção de hard rock

Falling In Reverse feat. Jelly Roll – “All My Life”
Falling In Reverse, Tech N9ne & Alex Terrible – “Ronald”
HARDY – “Psycho”
Linkin Park – “The Emptiness Machine”
Superheaven – “Youngest Daughter”

Melhor canção latina

Bad Bunny – “MONACO”
Bad Bunny & Feid – “PERRO NEGRO”
FloyyMenor & Cris MJ – “Gata Only”
KAROL G & Peso Pluma – “QLONA”
Xavi – “La Diabla”

Melhor canção de kpop

ILLIT – “Magnetic”
Jimin – “Who”
Jung Kook – “Standing Next to You”
Jung Kook feat. Jack Harlow – “3D”
LE SSERAFIM – “Perfect Night”

Melhor canção afrobeats

Adam Port & Stryv feat. Malachiii – “Move”
Tems – “Me & U”
Tyla – “Truth or Dare”
Tyla –“Water”
Tyla, Gunna & Skillibeng – “Jump”

Melhor canção dance/eletrônica

Dua Lipa – “Houdini”
Dua Lipa – “Illusion”
Kenya Grace – “Strangers”
Ariana Grande – “yes, and?”
Marshmello & Kane Brown – “Miles on It”

Melhor canção cristã

Elevation Worship feat. Brandon Lake, Chris Brown & Chandler Moore – “Praise”
Forrest Frank – “GOOD DAY”
Josiah Queen – “The Prodigal”
Seph Schlueter – “Counting My Blessings”
Tauren Wells with We The Kingdom & Davies – “Take It All Back”

Melhor canção gospel

Koryn Hawthorne “Look at God”
Maverick City Music, Chandler Moore & Naomi Raine – “God Problems”
Maverick City Music, Chandler Moore & Naomi Raine ft. Tasha Cobbs Leonard – “In the Room”
Victor Thompson X Gunna feat. Ehis ‘D’ Greatest – “THIS YEAR (Blessings)”
CeCe Winans – “That’s My King”

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A nova temporada da série explora o transtorno alimentar, a importância de ajuda médica e de parentes para o tratamento
por
Annanda Deusdará
|
29/11/2024 - 12h

“Heartstopper”, série composta por três temporadas e dirigida por Euros Lyn, é uma adaptação do livro homônimo da autora Alice Oseman. A obra retrata a vida dos adolescentes Charlie (Joe Locke) e Nick (Kit Connor), descobrindo que estão apaixonados e lidando com as dificuldades da vida escolar e amorosa, além da homofobia. Outro ponto importante é o valor da amizade, mostrando também a vida de outros personagens que rodeiam o casal.

Durante toda a trama, Charlie apresenta problemas com comida, como na segunda temporada, nos episódios quatro e cinco, em que ele pula refeições e acaba desmaiando pela fraqueza. Apesar disso, o tema só foi aprofundado agora na terceira temporada, pautando a anorexia em todos os episódios. Entre eles, destaca-se o quarto episódio que aborda a internação do personagem, sendo dividido pelo ponto de vista dele e do Nick.

Apesar da busca pelo corpo perfeito ser o principal causador da doença, existem outros fatores como a predisposição genética, depressão e síndrome do pânico. Esse é o caso de Charlie, sua anorexia tem relação com outro transtorno mental, o transtorno obsessivo compulsivo (TOC). No quarto episódio, seu terapeuta declara a seguinte frase: "comer a coisa certa, na hora certa e nas circunstâncias certas". Sua condição também desencadeou automutilação, quando as crises se intensificaram.

No primeiro episódio, a questão é introduzida quando o casal conversa e Nick fala sobre suspeitar que o seu namorado tenha anorexia, já que sua relação com a comida havia piorado, mas Charlie nega. Em seguida Nick conversa com sua tia - que é psiquiatra - sobre o problema e qual a melhor forma de ajudar o parceiro. A profissional reforça que além do apoio, ele precisaria de ajuda médica, dizendo: "Ele precisa de mais do que o namorado de 16 anos”. Enquanto isso, Charlie pesquisa a respeito dos sintomas da doença e decide procurar um médico.

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Momento em que Charlie parte para a Clínica de transtornos mentais
Foto: Reprodução/Netflix

No terceiro episódio, o personagem apresenta muita fraqueza e cansaço pela falta de alimentação. Apesar de ainda ser resistente para falar sobre a anorexia, ele decide pedir ajuda dos pais e começar o tratamento. A trama retrata nesse momento que o problema de Charlie não está ligado à pressão estética. "Ouço uma voz na minha cabeça, que não é minha e ela diz que coisas ruins vão acontecer se eu comer ou fizer algo errado", declara.

Já na metade da série, há um episódio quase que inteiramente dedicado à doença, com narração dividida entre Charlie e Nick, lembrando ao espectador que apesar da nova temporada ter um foco maior em um personagem, ela ainda é sobre o romance e o relacionamento dos dois no meio das adversidades. Em setembro, Charlie vai ao médico e encaminham ele a uma clínica de distúrbios alimentares, mas ele só poderá fazer a consulta em janeiro.

A falta de acompanhamento faz a situação piorar, ele passa a comer menos, ficar mais irritado e faltar às aulas. No mês seguinte, ele decide se internar em uma clínica psiquiátrica para transtornos mentais, onde tem terapia semanalmente e acompanhamento nutricional. A série ressalta que a melhora é gradual e não acontece de repente. “A clínica não curou magicamente meu transtorno, mas me tirou do fundo do poço", afirma Charlie.

Até o momento, apenas sua família e seu namorado sabiam da sua doença, entretanto, ele escolhe contar aos amigos. Eles decidiram fazer uma caixa com vários objetos afetivos e memoráveis sobre o personagem que mostravam o quanto se importavam, como um documentário feito por Tao (William Gao) e uma pintura feita por Elle (Yasmin Finney). A cena reforçou a importância de se ter uma rede de apoio, que auxilia o indivíduo a passar por momentos difíceis.

A mudança no semblante de Charlie conforme o tempo passa é perceptível, ele fica mais leve e mais confiante, isso é perceptível através das suas falas e postura corporal. Em janeiro, o personagem volta para a escola, na qual ele havia saído em outubro após a internação. Seis meses após os acontecimentos, ele conseguiu completar três meses sem recaídas. 

Apesar da questão estética não ser o causador da doença, ela ainda é um problema. Charlie sente vergonha do seu corpo devido às cicatrizes causadas pela automutilação e tem medo de que Nick o ache nojento, abordando também a questão da auto-aceitação.

No final da trama, ele apresenta uma melhora na relação com os pais e um amadurecimento tanto em relação ao seu transtorno, com maior controle dos pensamentos intrusivos e aceitação do seu corpo, como em seu namoro com Nick, entendendo que cultivar as amizades é fundamental para não criar uma dependência emocional. 

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Foto do casal com seus amigos em um zoológico, comemorando os 16 anos de Nick, antes do início do tratamento. Foto: Reprodução/Netflix

​​​​​​O que é anorexia e como tratar?

É um distúrbio alimentar que pode provocar problemas físicos graves, como problemas estomacais, cardíacos e desnutrição. Um dos principais causadores da doença, vêm da pressão estética e do desejo pelo emagrecimento, o que leva a pessoa a fazer exercícios exagerados e pular refeições. A doença provoca uma distorção de imagem, fazendo com que o indivíduo se enxergue com o peso maior que o real.

De acordo com Táki Cordás, coordenador do programa de transtornos alimentares do Hospital da Universidade de São Paulo (USP), atualmente 15 milhões de pessoas sofrem de algum transtorno alimentar, destes 2 milhões têm anorexia. A faixa etária mais afetada são jovens entre 14 e 17 anos, com 95% dos casos entre as mulheres. Entre os homens o espaçamento é um pouco maior, sendo de 12 a 20 anos. Segundo o portal do Dr.Drauzio Varella, em casos de desnutrição extrema o índice de mortalidade varia entre 15% e 20%.

Para o tratamento, é necessário fazer acompanhamento médico com um terapeuta e um nutricionista, para tratar as causas físicas e mentais causadas pela doença. A reintrodução alimentar deve ser feita de forma gradual para evitar complicações. Em alguns casos, é necessário que a internação hospitalar seja realizada. Não existem medicações específicas para a anorexia, entretanto podem ser ofertados remédios que tratam as causas subjacentes, como a ansiedade e a depressão.

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