Adaptação do best-seller chega ao streaming em maio e aposta em romance universitário e esporte
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Gabriela Dias
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23/04/2026 - 12h

O livro “O Acordo”, primeiro da série de cinco livros de  “Off Campus” (Amores Improváveis) da autora Elle Kennedy, será adaptado para o audiovisual e estreia em 13 de maio de 2026 na plataforma Prime Video. A produção será lançada e disponibilizada em formato de maratona, com os oito episódios lançados de uma vez.

A história se passa em uma universidade norte-americana e acompanha Hannah Wells (Ella Bright), uma estudante dedicada que enfrenta inseguranças pessoais, e Garrett Graham (Belmont Cameli), capitão do time de hóquei no gelo e um dos alunos mais populares do campus. Apesar do destaque nos esportes, ele precisa melhorar seu desempenho acadêmico para continuar na equipe.

A aproximação entre os dois acontece por interesse mútuo. Hannah passa a ajudá-lo nos estudos, enquanto Garrett propõe fingir um relacionamento para despertar o interesse amoroso de outro estudante. Ao longo da convivência, o vínculo evolui e revela camadas mais profundas dos personagens, com foco em crescimento emocional e construção de confiança.

Hannah e Garrett se aproximam durante a sessão de estudos. Foto: Reprodução/Prime Video
Hannah e Garrett se aproximam durante a sessão de estudos. Foto: Reprodução/Prime Video

Apesar do foco romântico, a história se sustenta também nas relações de amizade dos protagonistas. Hannah mantém uma forte conexão com Allie Hayes (Mika Abdalla), sua melhor amiga, que funciona como seu apoio emocional e contraponto em momentos decisivos da narrativa. A dinâmica entre as duas demonstra a perspectiva feminina da trama e contribui para o desenvolvimento da protagonista.

Do outro lado, Garrett faz parte de um grupo de amigos formado por Dean Di Laurentis, John Logan e John Tucker, colegas de time e figuras centrais dentro do universo da série. O desenvolvimento emocional do jogador tem grande enfoque na série, trazendo seus problemas com o pai para a trama.

Esses núcleos de amizade têm papel estratégico na construção da narrativa. Na série literária, cada um desses personagens ganha protagonismo em livros seguintes, o que deve ser mantido na adaptação. A tendência é que personagens como Dean, Allie e Tucker também assumam papéis centrais nas próximas temporadas, ampliando o universo da história e aprofundando as relações construídas desde o início. 

Cenas de festa universitária mostram o núcleo de amizades e o estilo de vida dos protagonistas fora do gelo. Foto: Reprodução/Prime Video 
Cenas de festa universitária mostram o núcleo de amizades e o estilo de vida dos protagonistas fora do gelo. Foto: Reprodução/Prime Video 

O ambiente esportivo segue como um plano importante, refletindo a cultura universitária dos Estados Unidos, em que atletas ocupam posição de destaque. A competitividade, a pressão por desempenho e a vida em equipe influenciam na trama, aparecendo em situações como a pressão constante sobre Garrett para manter boas notas e continuar elegível para o time, além da cobrança por um bom desempenho em jogos decisivos de hóquei. A rotina intensa de treinos, viagens e competições também interfere diretamente na vida acadêmica e pessoal dos personagens, criando conflitos recorrentes.

Time de hóquei em quadra, destacando o peso do esporte na rotina e nos conflitos da trama. Foto: Reprodução/Prime Video 
Time de hóquei em quadra, destacando o peso do esporte na rotina e nos conflitos da trama. Foto: Reprodução/Prime Video 

O elenco principal conta com Ella Bright (Hannah Wells) e Belmont Cameli (Garrett Graham) nos papéis centrais, além de Mika Abdalla (Allie Hayes), Antonio Cipriano (John Logan), Jalen Thomas Brooks (John Tucker), Stephen Kalyn (Dean Di Laurentis), Josh Heuston (Justin Kohl), Steve Howey (Phil Graham) e Khobe Clarke (Beau Maxwell). A presença desses personagens reforça a proposta de uma narrativa coletiva, em que diferentes histórias se conectam ao longo das temporadas.

A adaptação faz parte da estratégia do streaming em investir em histórias com público já consolidado, especialmente no gênero romântico voltado para jovens. Ao expandir o foco para além do casal principal, a produção aposta na construção de um universo contínuo, sustentado tanto pelo romance quanto pelas relações de amizade.

Por ser uma obra publicada em 2015, a série promete ter uma nova roupagem para 2026. “O Acordo” se consolidou como um dos títulos mais populares do gênero new adult ao longo dos anos. A obra ganhou destaque internacional, impulsionada principalmente pelo boca a boca entre leitores e, mais recentemente, pela viralização em plataformas como o TikTok e o X, onde passou a integrar listas de leituras recomendadas.

Além da popularidade, também é apontado como um dos precursores da popularização de romances no universo do hóquei no gelo. Embora não tenha sido o primeiro a explorar esse cenário, o livro ajudou a consolidar o interesse do público por histórias que combinam esporte e romance, abrindo espaço para uma nova tendência dentro do gênero.

A partir de seu sucesso, outras obras com protagonistas atletas, passaram a ganhar destaque no mercado, formando um nicho que continua em expansão até hoje. O sucesso também se reflete na expansão para a série “Off Campus”, que conquistou uma base de fãs e manteve relevância mesmo anos após o lançamento, fator que contribuiu diretamente para sua adaptação audiovisual.

Além do romance, a trama incorpora temas como autoestima, traumas, ansiedade, consumo de álcool e consentimento, ampliando a identificação com o público jovem.

A segunda temporada já confirmada deve seguir a estrutura dos livros sendo o próximo “O Erro”, focando em outro casal do mesmo universo, com destaque para os personagens John Logan e Grace Ivers. A produção ainda não tem data de estreia definida, mas já se encontra em fase inicial de desenvolvimento. 

Com o lançamento do teaser de “O Acordo” nesta quinta-feira (23), a série ganhou suas primeiras imagens oficiais e aumentou a expectativa do público

Confira o trailer da 1° temporada:

 

 

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Temporada amplia debates sobre identidade juvenil
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Gabriela Dias
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16/04/2026 - 12h

A terceira temporada de “Com Carinho, Kitty”, produção da Netflix, marca uma mudança significativa na trajetória da série. Além de dar continuação a história de Kitty Song Covey (Anna Cathcart), os novos episódios mostram um amadurecimento evidente na narrativa, que passa a abordar com mais profundidade temas como identidade, pertencimento e crescimento emocional.

Diferente das temporadas anteriores, que priorizavam romances rápidos e conflitos mais leves, a nova fase aposta em um desenvolvimento mais cuidadoso dos personagens. A protagonista, por exemplo, deixa de ser movida apenas por idealizações amorosas e começa a enfrentar as consequências de suas escolhas, lidando com frustrações e inseguranças de forma mais realista.
 
Logo no início, a temporada apresenta um cenário de recomeço, mas sem apagar os erros do passado. A principal mudança está no andamento da narrativa: os conflitos não são resolvidos de forma imediata e passam a impactar diretamente as relações entre os personagens. Essa mudança de ritmo, mais lenta, contribui para um desenvolvimento emocional da protagonista, em que ela deixa de ser apenas uma jovem guiada por ideais românticos e passa a assumir decisões que exigem maior responsabilidade, o que torna a história mais próxima da realidade do público jovem.
 
Os relacionamentos continuam sendo o eixo central, mas ganham mais complexidade. A série abandona, em parte, a ideia de romances perfeitos e investe em vínculos mais instáveis, marcados por falhas de comunicação, expectativas diferentes e instabilidade. Ampliando a identificação do público, que passa a enxergar situações mais próximas do dia a dia.
Kitty e seu interesse amoroso protagonizando uma das relações centrais da nova temporada. Foto: Reprodução/Netflix
Kitty e seu interesse amoroso protagonizando uma das relações centrais da nova temporada. Foto: Reprodução/Netflix
 

 

Mesmo com esse avanço, a idealização do amor ainda aparece como um elemento importante. Kitty mantém, em diversos momentos, uma visão romantizada das relações, acreditando em sentimentos intensos e imediatos. No entanto, a própria narrativa questiona essa perspectiva ao mostrar que o amor também envolve dúvidas, erros e aprendizado algo que pode influenciar diretamente a forma como adolescentes enxergam seus próprios relacionamentos.
 
Ao mesmo tempo, os personagens secundários passaram a ter maior protagonismo. Eles abandonaram a função de apoio narrativo e agora contribuem para um universo mais amplo, trazendo seus problemas pessoais para a trama, causando um maior envolvimento do público. Os acontecimentos da personagem Yuri Han (Gia Kim) que ganharam grande desenvolvimento na trama, se tornou um núcleo importante dessa terceira temporada.
 
Outro destaque é o aprofundamento das questões de identidade. A vivência da protagonista em um contexto cultural diferente ganha mais espaço, trazendo reflexões sobre pertencimento e construção pessoal. Esse aspecto amplia o alcance da série, que passa a dialogar com experiências comuns entre jovens.
Registros de bastidores mostram o clima das filmagens da terceira temporada com o retorno de Lana Condor. Foto: Reprodução/ @annacarthcart
Registros de bastidores mostram o clima das filmagens da terceira temporada com o retorno de Lana Condor. Foto: Reprodução/ @annacarthcart
 
O retorno de Lara Jean, interpretada por Lana Condor, reforça esse debate. Vinda do universo de “Para Todos os Garotos que Já Amei”, da autora Jenny Han, a personagem representa uma visão mais idealizada do amor, em contraste com as experiências mais instáveis vividas por Kitty. A comparação entre as duas evidencia que não existe um único modelo de relacionamento, o amor pode assumir diferentes formas, dependendo das experiências individuais.
 
Outro ponto crucial desta temporada foi um novo ponto de vista de romance vivido pela Lara Jean, no qual passa por um período instável em seu relacionamento, deixando claro que mesmo o amor idealizado tem seus problemas. 

Nos episódios finais, a série assume um tom mais reflexivo. As decisões tomadas ao longo da trama geram consequências, exigindo maior maturidade da protagonista. Ao evitar finais perfeitos, a produção valoriza o desenvolvimento pessoal em vez da resolução romântica.

O desenvolvimento amoroso de Kitty ganha maior evolução ao se aproximar de Min Ho (Sang Heon Lee), em uma relação que surge de forma gradual e menos idealizada, marcada por trocas sinceras. Diferente de suas experiências anteriores, o vínculo entre os dois se constrói a partir da convivência e da vulnerabilidade, evidenciando um sentimento mais realista e menos impulsivo, que foi sendo desenvolvido desde a primeira temporada.
 
A terceira temporada de “Com Carinho, Kitty” equilibra entretenimento e aprofundamento narrativo. Mesmo mantendo elementos leves, a série demonstra evolução ao abordar temas mais complexos e próximos da realidade do telespectador, consolidando sua identidade própria e acompanhando o amadurecimento do público.
Relação entre Kitty e Min Ho ganha novos desdobramentos na terceira temporada da série. Foto: Reprodução/Netflix
Relação entre Kitty e Min Ho ganha novos desdobramentos na terceira temporada da série. Foto: Reprodução/Netflix
 

 

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Museu da Imagem e do Som realiza novo evento literário que valoriza a diversidade e qualidade editorial brasileira, explorando publicações para ver, ouvir e ler
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Carolina Machado
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15/04/2026 - 12h

No último final de semana, nos dias 11 e 12 de abril, ocorreu a primeira edição da Feira do Livro do MIS (FLIMIS) no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo. Em parceria com a editora Lote 42, a FLIMIS teve como objetivo agregar exposições literárias e práticas criativas, inteiramente gratuitas, que remetem ao exercício de ouvir, falar e observar.

Entrada da FLIMIS: apresentação dos expositores e das atrações do mais novo evento literário de São Paulo. Foto: Carolina Machado/AGEMT
Entrada da FLIMIS: apresentação dos expositores e das atrações do mais novo evento literário de São Paulo. Foto: Carolina Machado/AGEMT

A feira buscou reunir publicações de 75 expositores que exploram diferentes linguagens artísticas, especialmente aquelas vinculadas à imagem e ao som: fotografia, cinema, ilustração, quadrinhos, música e poesia.

Pedro Augusto, de 30 anos, representou a Anansi Lab, um laboratório de letramento racial transmídia independente, fundado em 2018. A oficina produz e compartilha narrativas subalternizadas por meio de publicações, palestras, bate-papos e rodas de samba. Entre os produtos, o expositor conta com uma revista trimestral de divulgação científica e cultural antirracista chamada Sikudhani, publicada a cada três meses. “Nosso trabalho recolhe materiais, os organiza e os publica como forma de reocupação do espaço tomado pelo colonialismo e imperialismo que nos domina até hoje”, relata Pedro.

Sobre a primeira edição da FLIMIS, o representante da Anansi Lab diz ter interesse em voltar às próximas edições. “Essas feiras são uma ótima oportunidade para encontrarmos novos leitores, artistas e, sobretudo, trocar ideias”, conclui.

Área de exposição da FLIMIS. Foto: Carolina Machado/AGEMT
Área de exposição da FLIMIS. Foto: Carolina Machado/AGEMT

As produções impressas presentes representavam a diversidade editorial brasileira tanto pela construção literária quanto pelas técnicas gráficas utilizadas, como gravura e xilogravura. Os dois dias de evento contaram com uma oficina de carimbos que pôde aproximar o público de técnicas gráficas presentes nas publicações, exercitando o processo criativo e a composição artística.

A feira promoveu também 14 palestras relacionadas a produções específicas do catálogo das editoras e dos artistas participantes. A programação de falas era focada em uma única publicação, visando expandir a experiência de leitura e aproximar o público das obras. Os autores compartilharam bastidores, experiências e outros aspectos dos múltiplos caminhos que a arte impressa pode seguir, como a edição e a produção gráfica.

Palestra sobre a produção “9×12”, com Rossana Di Munno, Borogodó Editora Foto: Carolina Machado/AGEMT
Palestra sobre a produção “9×12”, com Rossana Di Munno, Borogodó Editora. Foto: Carolina Machado/AGEMT

 

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Filme e relato de refugiadas presentes na sessão, ajudam a entender o conflito entre Irã e Israel
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Maria Olívia Almeida
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15/04/2026 - 12h

No dia 26 de março de 2026, a Folha, em parceria com o Cinema Belas Artes, realizou a pré-estreia do filme “Tatame” de 2023. Com um debate após a sessão, o público discutiu o alcance da política iraniana na vida da população, tema proposto pelo filme.

A obra aborda a jornada de uma lutadora de Judô iraniana, Leila Hosseini (Arienne Mandi), impedida de lutar contra uma atleta israelense. A judoca e sua treinadora Maryam (Zar Amir Ebrahimi) são ameaçadas pelo comitê esportivo de seu país e pressionadas a fingir uma lesão em Leila para que ela saia do Campeonato Mundial de Judô, evitando a luta.

Na imagem em preto e branco está Maryam (Zar Amir) de pé à esquerda, usando um quimono preto e um hijab cinza. Na direita está Leila Hosseine (Arienne Mandi), de quimono branco e hijab preto. Ambas as mulheres olham para a frente com feições sérias.
Zar Amir Ebrahimi e Arienne Mandi no filme Tatame – Foto: Reprodução

 

Dirigido pela iraniana Zar Amir Ebrahimi, que também interpreta Maryam, e pelo israelense Guy Nattiv, o filme desconstrói a barreira político ideológica entre iranianos e israelenses representando de forma breve a amizade entre Leila e Shani, lutadora que atua em nome de Israel. Assim, os diretores optaram por uma ênfase na opressão realizada pelo regime teocrático do Irã sobre o povo, em especial sobre as mulheres.

A obra parte de casos reais, como de Saeid Mollaei, lutador de judô nascido no Irã que hoje luta defendendo a Mongólia. O atleta mudou sua representação após ignorar ordens de deixar torneio para evitar enfrentar Israel, em 2019.

Esses conflitos se dão pelo regime iraniano não reconhecer Israel como país, tornando qualquer luta direta com uma representação israelense, por mais que esportiva, um desvio político. Assim, articulando a conjuntura geopolítica contemporânea com a ficção, o filme apresenta o dilema entre continuar lutando ou apoiar a posição de seu país.

Na imagem em preto e branco está Leila Hosseine (Arienne Mandi) ajoelhada no meio de um tatame. Ela usa um quimono branco e seus cabelos estão trançados e a mostra.
Arienne Mandi no filme Tatame – Foto: Juda Khatiapsuturi/Keshet Studio

 

Após a exibição da obra no dia 26 de março, o debate contou com a participação do jornalista Sandro Macedo e da pesquisadora Isabelle Castro, do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP). Além dos convidados, a plateia integrou de forma ativa a discussão.

No encontro, estavam presentes as ativistas e refugiadas políticas iranianas Mahmooni e sua irmã, Mahsima Nadim, que trouxeram para o evento uma perspectiva pessoal da vida em meio ao regime autoritário representado.

Apesar de “Tatame” ser gravado em preto e branco, a discussão destacou a importância de se considerar todos os muitos subtons do conflito. "Parece uma coisa gratuita, e não é", criticou Castro sobre o filme, que considerou carregado de um tom simplista. Isabelle ainda abordou em seguida como o Irã, após a revolução de 1979, passou a considerar Israel inimigo em função da guerra na Palestina.

Além dessas falas, Mahsima relatou: "desde criança a gente aprende que qualquer pessoa que apertar a mão de um judeu vai ficar impuro por 40 dias". Acrescentando ao cenário o teor ideológico antissemita perpetuado.

Dessa maneira, o filme provoca uma reflexão sobre as implicações de decisões políticas em todo aspecto da vida, representando a instrumentalização do esporte na imposição de uma agenda geopolítica. Um tatame de competição, aparentemente neutro, se torna um cenário de conflito pessoal e social.

 

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Após 13 anos, a banda carioca subirá aos palcos revisitando os grandes sucessos da carreira
por
Beatriz Neves
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14/04/2026 - 12h

Neste domingo (12), Paula Toller, George Israel e Bruno Fortunato anunciaram a turnê “Eu tive um sonho”, que conta com dez shows passando pelas principais capitais do Brasil, iniciando no Rio de Janeiro, em junho, e encerrando em Florianópolis, em outubro. Os ingressos estão disponíveis na plataforma Ticketmaster.

O fim do hiato 

O Kid Abelha foi criado na década de 80 e atingiu o auge dez anos depois, acumulando  mais de 9 milhões de discos vendidos no Brasil. A canção “Como eu quero”, que faz parte do álbum de estreia da banda “Seu espião”, tornou-se um grande sucesso nacional e um dos maiores hits do pop rock brasileiro nos anos oitenta. Ao longo das décadas seguintes, o grupo permaneceu ativo nos palcos e nas rádios, mantendo sua importância no cenário da música até que o ciclo da banda chegasse ao seu desfecho.

Em abril de 2016, o Kid Abelha anunciou oficialmente o término de uma trajetória de mais de 30 anos. Após um recesso iniciado em 2013, o trio encerrou as atividades de maneira definitiva. Na ocasião, Paula Toller explicou que a separação foi fruto de um desgaste natural e do desejo de seguir novos rumos.

O que esperar da turnê

O repertório indica ser uma viagem ao passado, com arranjos que mantêm a identidade do rock popular que marcou gerações e trazem sucessos como “fixação”, “Lágrimas e Chuva” e “Alice”. Com apenas dez apresentações exclusivas, o concerto percorrerá arenas e grandes casas de shows, oferecendo uma produção visual contemporânea que destaca o reencontro após mais de dez anos de espera.

Imagem de divulgação da turnê
Divulgação da turnê - Foto: Reprodução: (@kidabelha)

 

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Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Riotur estima um público de aproximadamente 1,6 milhão de pessoas no evento
por
Renata Bittar
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26/04/2025 - 12h

A menos de 1 semana para o espetáculo, saiba como estão os preparativos para a capital fluminense receber a cantora Lady Gaga em Copacabana. Intitulado como Todo Mundo no Rio: Lady Gaga, o palco para o show gratuito já começa a ser montado e o Rio de Janeiro se prepara para a esperada chegada da Rainha do Pop.  

Gaga, que não vem ao Brasil há mais de 8 anos, irá se apresentar em frente ao Hotel Copacabana Palace e seu palco contará com 10 telões de LED. Em publicação na rede social Instagram, a cantora afirma “É uma grande honra ser convidada para cantar para o Rio — durante toda a minha carreira, os fãs no Brasil têm sido parte da força vital dos pequenos monstros. Eu estava morrendo de vontade de ir me apresentar para vocês há anos e fiquei de coração partido quando tive que cancelar anos atrás porque estava hospitalizada”. O aumento de ofertas aéreas e o reforço da segurança pela prefeitura do Rio de Janeiro podem garantir ao evento mais credibilidade e audiência 

Em entrevista exclusiva cedida pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (SMDE) o e Riotur (Empresa Municipal de Turismo do Rio), o órgão afirma que o evento deve gerar um impacto econômico de aproximadamente R$ 600 milhões para a cidade. O Secretário da Cultura, Lucas Padilha, ainda afirma que o espetáculo é “uma ação coordenada que reforça não só o papel do Rio como capital cultural, mas também seu protagonismo como motor do turismo e da economia criativa” 

Ainda em contato com a SMDE, a autoridade pública afirma que o setor de turismo também será beneficiado com o evento, já que as companhias aéreas LATAM e Azul aumentarão a quantidade de frotas.  Entre os dias 1º e 4 de maio, o aeroporto RIOgaleão contará com 24 voos extras operados pela LATAM. A companhia aérea Azul prevê 230 operações no RIOgaleão e outras 252 no Santos Dumont. 

Além disso, de acordo com levantamentos da Hotéis Rio, a taxa média de ocupação hoteleira na cidade para o período do evento havia atingido a marca de 71,4%, superando os níveis habituais de maio. 

Em depoimento do Secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima destaca que incluir no calendário do Rio um show internacional por ano foi uma ideia super acertada pelo prefeito Eduardo Paes.  “Do ponto de vista econômico, é mais importante ainda, porque movimenta a cidade em um mês antes considerado de baixa temporada: com hotéis cheios e aumento de gastos em bares e restaurantes e no comércio, gerando emprego e renda para a população”, afirma Osmar. 

Em 2024, a cantora Madonna estreou a praia de Copacabana e também se apresentou gratuitamente. Com aproximadamente o mesmo público estimado para o show de Gaga, o evento superou a expectativa inicial de uma audiência de 1 milhão de pessoas e um lucro de R$ 300 milhões e acabou alcançando público de 1,6 milhão de pessoas e movimentação econômica de cerca de R$ 469,4 milhões, segundo dados da SMDE. Por isso, espera-se que essa estimativa para o futuro show esteja equivocada e baixa. 

Com essa alta demanda de turistas e fãs, setores como segurança pública, transportes e estrutura também estão se preparando para sustentar o evento. A SMDE e Riotur ainda declaram que serão instalados 2 contêineres do Corpo de Bombeiros na orla e uma Central de Órgãos Públicos, que abrigará o Centro de Monitoramento e a Secretária da Mulher. 

Stefani Germanotta, mais conhecida como Lady Gaga, é uma cantora norte-americana que iniciou sua carreira musical em 2007. Com hits de sucesso como Bad Romance e Born This Way, a também vencedora do prêmio Grammy irá apresentar seu recém lançado álbum Mayhem. O show, planejado para começar as 21:15 do dia 3 de maio, ocorrerá em frente ao hotel Copacabana Palace, na praia de Copacabana. 

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Os festivais musicais mostram a realidade da arte no Brasil
por
Guilherme Zago
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10/06/2025 - 12h

O término do grande evento de música colocou em destaque o problema da falta de enaltecimento sobre o artista e a cultura brasileira. Em comparação, os músicos estrangeiros possuem mais atenção do público, dos investidores e dos patrocinadores, que por muitas vezes, não são nacionais. Por consequência, o engajamento de festivais depende dos artistas internacionais que são chamados.

 

Imensidão de pessoas acompanham um show no Lollapalooza 2025- Instagram/Lollapalooza

Imensidão de pessoas acompanham um show no Lollapalooza 2025- Instagram/Lollapalooza

Artista headliner é a atração principal de um evento. No Lollapalooza foram protagonizados com o cargo mais importante do festival, os seguintes artistas: Olívia Rodrigo, Shawn Mendes, Rüfüs do Sol, Alanis Morissete, Justin Timberleke e Tool. Segundo a organização do espetáculo, cerca de 240 mil pessoas foram ao evento prestigiar os astros do espetáculo.

Em entrevista ao Jornal AGEMT, Carolina Zaterka, estudante de jornalismo da PUC-SP, afirmou sobre o motivo de se interessar em comprar os ingressos do evento: “O principal motivo foi a Olivia Rodrigo, que eu sou fã a muito tempo, e como foi a primeira vez que ela veio ao Brasil, aproveitei a oportunidade”. A aluna, não foi a única que, como a maioria dos outros jovens, viram no Lollapalooza a chance de ver pela primeira vez seu ídolo internacional. Política adotada pelos investidores desses grandes festivais, os quais visam dar destaques ao “estrangeirismo”.

Além da cultura estrangeira, a música brasileira também apareceu no evento, com intérpretes como: Jão, Marina Lima e Sepultura, os quais apresentaram shows de destaque. Durante os três dias de festival, 33 artistas nacionais se apresentaram nos palcos do Lollapalooza. Mas com tratamentos diferentes em relação aos convidados internacionais. Os músicos brasileiros tocaram em horários em que o público total ainda não chegou, e apresentaram-se em palcos distantes do principal, resultando na falta de espectadores em seus espetáculos.

A estudante também alegou que sentiu a baixa representatividade dos artistas brasileiros no festival. Segundo ela, “Mesmo com mais nomes nacionais na programação, a estrutura do festival continua hierarquizada...Nenhum artista brasileiro ocupou o posto de headliner, e muitos se apresentaram em palcos secundários ou em horários de menor visibilidade. Parece que colocaram artistas brasileiros só para dizer que teve, mas sem dar o destaque que eles realmente merecem.”

A desvalorização da cultura brasileira é um processo recente. No século passado, artistas nacionais eram reverenciados e devidamente respeitados pelos festivais. O Rock in Rio, um dos maiores festivais realizados no Brasil, nos anos de 1980 até 2000, possuiu em seus palcos músicos marcantes da cultura brasileira, como: Ney Matogrosso, Cássia Eller, Barão Vermelho, e muito mais.

Icônico show de Cássia Eller no Rock in Rio em 2001- Créditos Rádio Rock

Icônico show de Cássia Eller no Rock in Rio em 2001- Créditos Rádio Rock 

No entanto, ainda havia artistas estrangeiros apresentando nos palcos do Rio de Janeiro. Com isso, tanto os músicos estrangeiros, como os nacionais possuíam espaço para realizar seus espetáculos. Mas houve uma queda na representatividade. No ano de estreia do Rock in Rio em 1985 entre as 28 atrações, metade eram brasileiras. Já no primeiro ano do Lollapalooza 12 representantes nacionais estavam presentes em meio a 36 artistas.

A queda gera preferência para que o estrangeiro seja chamado e se apresente nos maiores palcos dos festivais. Essa atitude é resultado de um pensamento negativo da própria população brasileira acerca de sua cultura. A tese é sustentada por duras críticas aos atuais músicos nacionais, baseado em uma perspectiva saudosista. Mas será que a culpa dessa baixa representatividade está somente nas mãos dos artistas? Ou será que nós, e principalmente os organizadores, somos responsáveis sobre a desvalorização da cultura brasileira nos grandes festivais de música.

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A revolução da inteligência artificial é um marco do avanço tecnológico interminável de nossa sociedade, porém com esse avanço surge um debate, não novo, mas reformulado: poderiam inteligências artificias fazerem arte?
por
Eduardo Bettini
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10/06/2025 - 12h

Estamos em uma era de avanços que vêm mudando o mundo em que vivemos, e o principal deles é a inteligência artificial, o que um dia foi um sonho distante de filmes futuristas como o icônico HAL 9000 de “2001 uma odisseia no espaço” agora vem se tornando realidade, e de forma irônica um dos campos qual mais afeta é o da arte, uma das principais formas sendo o cinema. 

Como ferramenta a IA vem ganhando um enorme espaço no cinema, desde rejuvenescer o Harisson Ford em “Indiana Jones e o Chamado do Destino” até melhorar o sotaque húngaro de Adrien Brody em “O Brutalista”, e de fato a IA é uma ferramenta extremamente útil e prática, porém seu uso levanta a polêmica do porquê não foram usados profissionais formados para tal? Em uma entrevista o diretor de cinema Aarón Fernandez comentou “A IA é uma ferramenta que vai mudar bastante o jogo sendo para o bem ou para o mal”, e de fato, tanto é que em 2023 Hollywood parou devido a isso, atores e roteiristas fizeram uma greve de grandes proporções com objetivo de se blindar contra os avanços da IA, que ainda em seu início era vista como uma ameaça a seus trabalhos. Mas pelo jeito as opiniões mudaram, visto que Adrien Brody levou para casa o Oscar de melhor ator, mesmo tendo utilizado de IA para melhorar sua atuação, trazendo à tona essa discussão. Também deve ser dito que os programas usados nas produções de filmes já vêm com funções que utilizam alguma forma de inteligência artificial "tudo que é usado para produzir um filme já tem IA, então mesmo não querendo usar você está sendo de certa forma obrigado a usar" concluiu Aarón. 

Porém o uso de inteligências artificiais para alguns está passando dos limites, devido ao aumento expressivo em seu uso recentemente, com a amazon prime chegando a dublar filmes inteiros usando vozes criadas por IA, o que deixou diversos dubladores e telespectadores frustrados, devido à baixa qualidade, mas para os dubladores isso representa muito mais, pois muitos conseguem imaginar um futuro que seu trabalho se torne obsoleto, afinal os “dons” das maquinas acabam saindo muito mais barato para produtoras do que profissionais da área. 

Esse “boom” da inteligência artificial não veio do nada, as IAs são desenvolvidas desde no mínimo 1958, quando Jonh McCarthy publicou o documento “Programs With Common Sense” onde o termo foi utilizado pela primeira vez. Empresas como a IBM progrediram muito com suas IAs, como em 1961 com o IBM 7094, qual foi a primeira máquina a cantar, ou também o Deep Blue que derrotou o campeão mundial de xadrez Garry Kasparov em 1997, assim demonstrando a inteligência e potencial das máquinas. Porém esse avanço nos leva a uma pergunta, com essa capacidade toda, seriam IAs capacitadas de fazer arte por si mesmas?  

O debate em questão tem diversas camadas e foi abordado por inúmeros filmes e livros ao longo dos anos, mas hoje em dia ele ganhou ênfase em consideração dos avanços da nossa sociedade, pois agora com a nova atualização das IAs, elas conseguem gerar imagens através de um banco de dados gigante, o que por si só já é uma grande polêmica, sendo base de um processo envolvendo o fotografo Robert Kneschke, na qual o alemão processou a desenvolvedora LAION, devido ao uso de fotos dele na base de dados para treinar a Inteligência artificial da empresa, com a corte alemã julgando a favor da empresa. A base da argumentação de quem é contra softwares inteligentes no cinema está aí, as IAs não criam nada do zero, elas precisam de diversas inspirações para fazer sua “arte”. 

O campo de animações é um dos que serão mais afetados por essas artes artificiais, pois ela consegue criar animações, por enquanto ainda de baixa qualidade, porém com a evolução constante isso provavelmente irá mudar. Mas para muitos artistas, sejam eles do cinema ou outros meios, as IAs não conseguirão fazer arte por si só, como disse Aarón "a arte é uma coisa especificamente humana, que corresponde a uma vontade humana, e as máquinas não têm vontade".  

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São João, uma festa cultural, conhecida por todo o País, mas não com a mesma relevância
por
Liliane Aparecida Barbosa Gomes
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10/06/2025 - 12h

O investimento feito pelas Quadrilhas Juninas no Nordeste é grande, podendo chegar até 10mil R$ por brincante (nome dado a pessoa que dança pela quadrilha), em São Paulo as Quadrilhas Juninas também têm um gasto exuberante. 

Ambas têm as mesmas ideias de arrecadação para adquirir esse valor, promovendo eventos com uma prévia da apresentação, rifas, jantares temáticos, entre outros. Toda a arrecadação é destinada 100% a quadrilha, serve para pagar figurinos, transporte e até alimentação em alguns casos. O valor que a quadrilha adquire durante o ano, é remetido para o ano seguinte. 

Se tem algo em comum entre as Quadrilhas Juninas de São Paulo e do Nordeste é o amor para espalhar essa arte cultural por todos os lugares. Mas a grande diferença entre eles é que no Nordeste, eles encontram apoio, pois para eles essa arte é importante, coisa que não ver em São Paulo.  

No Nordeste o apoio do governo é um diferencial importante comparado a São Paulo, chegando a um investimento de 24,6 milhões, de acordo com dados publicados no diário de Pernambuco, já que lá o São João é mais tradicional, sendo algo de geração em geração. 

Ainda que essa festa tenha um impacto na vida das pessoas, principalmente os nordestinos que vivem em São Paulo, fazendo com que eles se recordem da terra natal. São Paulo não vê essa festividade com uma grande relevância, deve-se do fato de ser uma metrópole maior, com culturas diferentes, e de ser algo que não tem um retorno financeiro tão considerável, comparado a outras festividades como o Carnaval.        

O São João, pode sim ser algo maior, disse Paulo Ricardo, vice-presidente da quadrilha asa branca e comprador de uma empresa de telecomunicação “Eu acredito que nós temos que levar o São João não da sua forma de espetáculo, mas na forma de construção como cadeia cultural. O São João ele tira pessoas de extrema vulnerabilidade, a gente consegue profissionalizar pessoas com inúmeros talentos e pouco se fala. Vai muito além daquela apresentação que dura por volta de 30 minutos, que por trás disso tem 6 a 8 meses de preparação com muito dinheiro e dedicação das pessoas. Acho que devemos levar para conhecimento do grande público, até do poder público, o que é uma quadrilha junina, que nem dentro do nosso próprio grupo temos a dimensão do conseguimos atingir. Eu com meus 15 anos de São João, ainda me surpreendo com história de pessoas que relatam que saiu da depressão, largou drogas, resgatou o casamento, tudo por causa do São João, são muitas histórias envolvidas, pessoas impactadas. Acredito que precisamos documentar primeiro isso e depois levar para conhecimento do grande público, sendo ou não relacionado a São João, daí pode ser um paralelo de ser rentável também, que é uma das minhas missões de mostrar que o São João pode ser muito bonito e bem vendido, atraindo um grande público e internamente pode ajudar a vida de pessoas e famílias.” 

                                       Quadrilha Asa Branca 

Imagem 3, Imagem                                                                                                                                                        

                                                                             Arquivo: foto do Instagram 

 

 

A arte cultural remetida pelo São João, vai muito além de dançar, é a forma de resgatar a cultura, espalhar amor. Ver os sorrisos nos rostos e até mesmo lágrimas nos olhos de ver esse espetáculo, é o que faz o quadrilheiro continuar, a cultura tem de espalhada a todos os cantos. 

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Em entrevista exclusiva Aquino fala sobre o circuito comercial da música, artistas da nova geração e como transformar a música em um espaço livre, afetuoso e de resistência, criado a partir do cotidiano o que se pode imaginar da MPB no século XXI
por
Manoella Macedo Marinho
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10/06/2025 - 12h

Em uma sociedade lugaro algoritmo dita o que será bom, viral; existem grupos de jovens como a banda carioca AQUINO que estão em uma contramão do imediatismo digital, construindo uma rota diversa e pessoal na música brasileira. Com um som que permeia entre indie, o pop e a herança da MPB, a banda se moderniza e apresenta um espelho da geração Z em um trabalho independente.

“A gente é indie pelo contexto e pop pela intenção, mas tem uma coisa de MPB também”, disseram, com uma sinceridade e relembrando que estão amadurecendo ideias, crescendo e mudando conforme o crescimento da banda, em um momento em que tudo é mutável. A dificuldade em definir o próprio estilo acaba refletindo uma geração que prefere atravessar fronteiras e se desafiar ao se fixar em rótulos. Em entrevista exclusiva afirmam, a sigla MPB acabou se tornando um “guarda-chuva de nada”, não por ser irrelevante, mas por ser muito vasto e abrangente, que contém uma variedade de vozes e estéticas que podem compor o panorama atual.

 

Arte política e o mainstream

A banda surgiu em meio a pandemia, em um cenário de incertezas e isolamento, tendo seu primeiro contato com os ouvintes na internet. “Era a única coisa que a gente tinha”, comentam. Entre mostrar ao público suas músicas, tentativas e esforços criativos de adaptação de uma carreira musical às plataformas digitais, a Aquino com o tempo se desfaz desse desejo de ser viral, conciliando a arte e sobrevivência. “Hoje é muito mais difícil”, admitem, ao falar sobre o desafio de se manter online e com criações artísticas, além do tempo que é diferente da época de início da banda, navegando pelas exigências do marketing digital. Afirmam que “A criação de conteúdo é algo que fica na cabeça de todo mundo que tem banda, mas não nasceu pra ser blogueiro”, como se fosse algo indiretamente imposto na atualidade.

Apesar de tudo, refletem sobre a lógica de viralização: “Nem sempre o que viraliza é bom”, pois em vivências chegam em um lugar que muitas vezes fazem um conteúdo elaborado e pensado,e não viralizam mas ao serem filmados na rua conseguem milhares de views. “Buscamos encontrar um meio termo, de fazer o que a gente ama de forma acessível, de maneira que seja popular, mas que tenha também nossa verdade artística”. Para eles, fazer música é quase como um ato religioso: onde se tem dedicação, foco em algo que é incerto, onde o pagamento real vem da sensação, do momento do show, da composição e da partilha, onde o lucro é apenas um fruto.

https://vm.tiktok.com/ZMBEdwvTw/

 

Diálogo com a juventude: De geração z para geração z

A relação descrita pela banda, do público da geração atual é “sempre muito quente!”. Aquino reconhece que cresceu com a maioria dessas pessoas, “Pessoas que eram novas agora tão com a nossa idade”, observam, reforçando a ideia desse vínculo geracional. Um grupo que não está na busca de apenas entretenimento, mas de algo que fale diretamente com suas experiências, mesmo que de maneira indireta.

“Todo posicionamento é político”, diz um dos integrantes ao entrar no tópico de arte política e o ato de se manifestar politicamente através das músicas. Refletindo sobre o papel social da arte, eles defendem que o acolhimento, a maneira de se comunicar e o tipo de espaço que constroem com o público já são formas de ativismo. “Além de toda arte ser uma expressão política, acho que só do espaço ser um lugar que as pessoas se sintam confortáveis de estar, já estamos fazendo política”.

Banda Aquino em show

Fotos: Manoella Marinho em @ephemeral.jpg

 

Reinventar a Música Popular Brasileira no séc. XXI

O que seria verdadeiramente produzir MPB na contemporaneidade? Para Aquino, é preciso abrir mão de certos padrões já estabelecidos, até porque vem muito dessa história de revolução artística. “Acho que daqui pra frente é deixar o velho de lado- num sentido não generalista da coisa”, brincam, sugerindo uma ruptura saudável com o cânone, falando do que cabe ou não dentro da atualidade; o que se pode usufruir do passado e o que deve se renovar, para encaixar no atual, para haver uma identificação e impacto tão grande quanto o da ‘velha guarda’. A nova MPB não ignora o passado, mas também não se limita a ele. “No início a gente só ouvia Caetano e Los Hermanos, sonhávamos em ser O Terno, mas começamos a entender que não era isso, então mudamos”.

Testando coisas diferentes e sempre tentando inovar o som brasileiro, as influências continuam vastas e misturadas com a individualidade da banda - de Marcos Valle e Hyldon até Bjorl- , mas dessa vez mais filtradas por uma vivência própria. Há também, a valorização das amizades: “Nossos amigos, muitos deles, são nossas referências. Não só musicais, mas de vida, até mesmo estética e composição”.

 

Sentimentos de época: crise existencial e atemporalidade da arte

A banda carrega um forte sentimento de época. “Não temos noção de quanto o tempo passa rápido”, dizem. Ainda assim, se preocupam com a atemporalidade e o marco musical. “Está tudo certo não ser. Até porque depois o tempo volta, é cíclico”. Nessa visão, chegam a conclusão que talvez Aquino possa fazer mais sentido daqui a 30 anos do que faz agora.

Essa noção do ser cíclico e do tempo, também se traduz em uma crítica a efemeridade do digital. “Um dia, com a internet, as coisas não são nossas. Eu só aluguei um espaço lá. Tudo vai sumir. Nada é físico”, um dos membros afirma. Uma reflexão um tanto quanto realista, sobre o modo como se consome cultura nos dias atuais, onde nada mais é concreto, físico, em um mundo que não se sabe onde tudo vai estar em alguns anos, se será possível ter acesso a o que já foi criado.

 

O legado artístico

Há sempre um questionamento do artista em questão a atemporalidade de sua arte, e com eles não foi diferente: “Se as pessoas sentirem vontade de fazer música ouvindo a banda daqui alguns anos ou até mesmo agora, eu já estou feliz” diz um dos membros. Para Aquino, e sua geração artística, arte boa é arte socializada, que faz sentido em rede, na troca.

 

Num mundo e em um país de tantas urgências, a banda não oferece respostas diretas e fáceis- e talvez nem seja necessário. Convidando a uma reflexão do ser, eles lembram que fazer música ainda pode ser um gesto de resistência, de afeto e de reinvenções mesmo que de forma indireta. Em suas composições, há espaço para o lirismo e vai até ‘pássaros mecânicos no céu de salvador’; para a crítica e transformação, de algo que se espelha no velho com o foco no novo, na diferença e no impacto que, mesmo diferente, tenha o mesmo significado de mudança. O que insiste em permanecer mesmo que transformado.

A MPB ainda está presente e com força no século XXI, com um novo rosto, pautas novas, sendo jovem, independente e plural. E Aquino segue com expressões cada vez mais diferenciadas, diversas e potentes.

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