Adaptação do best-seller chega ao streaming em maio e aposta em romance universitário e esporte
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Gabriela Dias
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23/04/2026 - 12h

O livro “O Acordo”, primeiro da série de cinco livros de  “Off Campus” (Amores Improváveis) da autora Elle Kennedy, será adaptado para o audiovisual e estreia em 13 de maio de 2026 na plataforma Prime Video. A produção será lançada e disponibilizada em formato de maratona, com os oito episódios lançados de uma vez.

A história se passa em uma universidade norte-americana e acompanha Hannah Wells (Ella Bright), uma estudante dedicada que enfrenta inseguranças pessoais, e Garrett Graham (Belmont Cameli), capitão do time de hóquei no gelo e um dos alunos mais populares do campus. Apesar do destaque nos esportes, ele precisa melhorar seu desempenho acadêmico para continuar na equipe.

A aproximação entre os dois acontece por interesse mútuo. Hannah passa a ajudá-lo nos estudos, enquanto Garrett propõe fingir um relacionamento para despertar o interesse amoroso de outro estudante. Ao longo da convivência, o vínculo evolui e revela camadas mais profundas dos personagens, com foco em crescimento emocional e construção de confiança.

Hannah e Garrett se aproximam durante a sessão de estudos. Foto: Reprodução/Prime Video
Hannah e Garrett se aproximam durante a sessão de estudos. Foto: Reprodução/Prime Video

Apesar do foco romântico, a história se sustenta também nas relações de amizade dos protagonistas. Hannah mantém uma forte conexão com Allie Hayes (Mika Abdalla), sua melhor amiga, que funciona como seu apoio emocional e contraponto em momentos decisivos da narrativa. A dinâmica entre as duas demonstra a perspectiva feminina da trama e contribui para o desenvolvimento da protagonista.

Do outro lado, Garrett faz parte de um grupo de amigos formado por Dean Di Laurentis, John Logan e John Tucker, colegas de time e figuras centrais dentro do universo da série. O desenvolvimento emocional do jogador tem grande enfoque na série, trazendo seus problemas com o pai para a trama.

Esses núcleos de amizade têm papel estratégico na construção da narrativa. Na série literária, cada um desses personagens ganha protagonismo em livros seguintes, o que deve ser mantido na adaptação. A tendência é que personagens como Dean, Allie e Tucker também assumam papéis centrais nas próximas temporadas, ampliando o universo da história e aprofundando as relações construídas desde o início. 

Cenas de festa universitária mostram o núcleo de amizades e o estilo de vida dos protagonistas fora do gelo. Foto: Reprodução/Prime Video 
Cenas de festa universitária mostram o núcleo de amizades e o estilo de vida dos protagonistas fora do gelo. Foto: Reprodução/Prime Video 

O ambiente esportivo segue como um plano importante, refletindo a cultura universitária dos Estados Unidos, em que atletas ocupam posição de destaque. A competitividade, a pressão por desempenho e a vida em equipe influenciam na trama, aparecendo em situações como a pressão constante sobre Garrett para manter boas notas e continuar elegível para o time, além da cobrança por um bom desempenho em jogos decisivos de hóquei. A rotina intensa de treinos, viagens e competições também interfere diretamente na vida acadêmica e pessoal dos personagens, criando conflitos recorrentes.

Time de hóquei em quadra, destacando o peso do esporte na rotina e nos conflitos da trama. Foto: Reprodução/Prime Video 
Time de hóquei em quadra, destacando o peso do esporte na rotina e nos conflitos da trama. Foto: Reprodução/Prime Video 

O elenco principal conta com Ella Bright (Hannah Wells) e Belmont Cameli (Garrett Graham) nos papéis centrais, além de Mika Abdalla (Allie Hayes), Antonio Cipriano (John Logan), Jalen Thomas Brooks (John Tucker), Stephen Kalyn (Dean Di Laurentis), Josh Heuston (Justin Kohl), Steve Howey (Phil Graham) e Khobe Clarke (Beau Maxwell). A presença desses personagens reforça a proposta de uma narrativa coletiva, em que diferentes histórias se conectam ao longo das temporadas.

A adaptação faz parte da estratégia do streaming em investir em histórias com público já consolidado, especialmente no gênero romântico voltado para jovens. Ao expandir o foco para além do casal principal, a produção aposta na construção de um universo contínuo, sustentado tanto pelo romance quanto pelas relações de amizade.

Por ser uma obra publicada em 2015, a série promete ter uma nova roupagem para 2026. “O Acordo” se consolidou como um dos títulos mais populares do gênero new adult ao longo dos anos. A obra ganhou destaque internacional, impulsionada principalmente pelo boca a boca entre leitores e, mais recentemente, pela viralização em plataformas como o TikTok e o X, onde passou a integrar listas de leituras recomendadas.

Além da popularidade, também é apontado como um dos precursores da popularização de romances no universo do hóquei no gelo. Embora não tenha sido o primeiro a explorar esse cenário, o livro ajudou a consolidar o interesse do público por histórias que combinam esporte e romance, abrindo espaço para uma nova tendência dentro do gênero.

A partir de seu sucesso, outras obras com protagonistas atletas, passaram a ganhar destaque no mercado, formando um nicho que continua em expansão até hoje. O sucesso também se reflete na expansão para a série “Off Campus”, que conquistou uma base de fãs e manteve relevância mesmo anos após o lançamento, fator que contribuiu diretamente para sua adaptação audiovisual.

Além do romance, a trama incorpora temas como autoestima, traumas, ansiedade, consumo de álcool e consentimento, ampliando a identificação com o público jovem.

A segunda temporada já confirmada deve seguir a estrutura dos livros sendo o próximo “O Erro”, focando em outro casal do mesmo universo, com destaque para os personagens John Logan e Grace Ivers. A produção ainda não tem data de estreia definida, mas já se encontra em fase inicial de desenvolvimento. 

Com o lançamento do teaser de “O Acordo” nesta quinta-feira (23), a série ganhou suas primeiras imagens oficiais e aumentou a expectativa do público

Confira o trailer da 1° temporada:

 

 

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Temporada amplia debates sobre identidade juvenil
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Gabriela Dias
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16/04/2026 - 12h

A terceira temporada de “Com Carinho, Kitty”, produção da Netflix, marca uma mudança significativa na trajetória da série. Além de dar continuação a história de Kitty Song Covey (Anna Cathcart), os novos episódios mostram um amadurecimento evidente na narrativa, que passa a abordar com mais profundidade temas como identidade, pertencimento e crescimento emocional.

Diferente das temporadas anteriores, que priorizavam romances rápidos e conflitos mais leves, a nova fase aposta em um desenvolvimento mais cuidadoso dos personagens. A protagonista, por exemplo, deixa de ser movida apenas por idealizações amorosas e começa a enfrentar as consequências de suas escolhas, lidando com frustrações e inseguranças de forma mais realista.
 
Logo no início, a temporada apresenta um cenário de recomeço, mas sem apagar os erros do passado. A principal mudança está no andamento da narrativa: os conflitos não são resolvidos de forma imediata e passam a impactar diretamente as relações entre os personagens. Essa mudança de ritmo, mais lenta, contribui para um desenvolvimento emocional da protagonista, em que ela deixa de ser apenas uma jovem guiada por ideais românticos e passa a assumir decisões que exigem maior responsabilidade, o que torna a história mais próxima da realidade do público jovem.
 
Os relacionamentos continuam sendo o eixo central, mas ganham mais complexidade. A série abandona, em parte, a ideia de romances perfeitos e investe em vínculos mais instáveis, marcados por falhas de comunicação, expectativas diferentes e instabilidade. Ampliando a identificação do público, que passa a enxergar situações mais próximas do dia a dia.
Kitty e seu interesse amoroso protagonizando uma das relações centrais da nova temporada. Foto: Reprodução/Netflix
Kitty e seu interesse amoroso protagonizando uma das relações centrais da nova temporada. Foto: Reprodução/Netflix
 

 

Mesmo com esse avanço, a idealização do amor ainda aparece como um elemento importante. Kitty mantém, em diversos momentos, uma visão romantizada das relações, acreditando em sentimentos intensos e imediatos. No entanto, a própria narrativa questiona essa perspectiva ao mostrar que o amor também envolve dúvidas, erros e aprendizado algo que pode influenciar diretamente a forma como adolescentes enxergam seus próprios relacionamentos.
 
Ao mesmo tempo, os personagens secundários passaram a ter maior protagonismo. Eles abandonaram a função de apoio narrativo e agora contribuem para um universo mais amplo, trazendo seus problemas pessoais para a trama, causando um maior envolvimento do público. Os acontecimentos da personagem Yuri Han (Gia Kim) que ganharam grande desenvolvimento na trama, se tornou um núcleo importante dessa terceira temporada.
 
Outro destaque é o aprofundamento das questões de identidade. A vivência da protagonista em um contexto cultural diferente ganha mais espaço, trazendo reflexões sobre pertencimento e construção pessoal. Esse aspecto amplia o alcance da série, que passa a dialogar com experiências comuns entre jovens.
Registros de bastidores mostram o clima das filmagens da terceira temporada com o retorno de Lana Condor. Foto: Reprodução/ @annacarthcart
Registros de bastidores mostram o clima das filmagens da terceira temporada com o retorno de Lana Condor. Foto: Reprodução/ @annacarthcart
 
O retorno de Lara Jean, interpretada por Lana Condor, reforça esse debate. Vinda do universo de “Para Todos os Garotos que Já Amei”, da autora Jenny Han, a personagem representa uma visão mais idealizada do amor, em contraste com as experiências mais instáveis vividas por Kitty. A comparação entre as duas evidencia que não existe um único modelo de relacionamento, o amor pode assumir diferentes formas, dependendo das experiências individuais.
 
Outro ponto crucial desta temporada foi um novo ponto de vista de romance vivido pela Lara Jean, no qual passa por um período instável em seu relacionamento, deixando claro que mesmo o amor idealizado tem seus problemas. 

Nos episódios finais, a série assume um tom mais reflexivo. As decisões tomadas ao longo da trama geram consequências, exigindo maior maturidade da protagonista. Ao evitar finais perfeitos, a produção valoriza o desenvolvimento pessoal em vez da resolução romântica.

O desenvolvimento amoroso de Kitty ganha maior evolução ao se aproximar de Min Ho (Sang Heon Lee), em uma relação que surge de forma gradual e menos idealizada, marcada por trocas sinceras. Diferente de suas experiências anteriores, o vínculo entre os dois se constrói a partir da convivência e da vulnerabilidade, evidenciando um sentimento mais realista e menos impulsivo, que foi sendo desenvolvido desde a primeira temporada.
 
A terceira temporada de “Com Carinho, Kitty” equilibra entretenimento e aprofundamento narrativo. Mesmo mantendo elementos leves, a série demonstra evolução ao abordar temas mais complexos e próximos da realidade do telespectador, consolidando sua identidade própria e acompanhando o amadurecimento do público.
Relação entre Kitty e Min Ho ganha novos desdobramentos na terceira temporada da série. Foto: Reprodução/Netflix
Relação entre Kitty e Min Ho ganha novos desdobramentos na terceira temporada da série. Foto: Reprodução/Netflix
 

 

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Museu da Imagem e do Som realiza novo evento literário que valoriza a diversidade e qualidade editorial brasileira, explorando publicações para ver, ouvir e ler
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Carolina Machado
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15/04/2026 - 12h

No último final de semana, nos dias 11 e 12 de abril, ocorreu a primeira edição da Feira do Livro do MIS (FLIMIS) no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo. Em parceria com a editora Lote 42, a FLIMIS teve como objetivo agregar exposições literárias e práticas criativas, inteiramente gratuitas, que remetem ao exercício de ouvir, falar e observar.

Entrada da FLIMIS: apresentação dos expositores e das atrações do mais novo evento literário de São Paulo. Foto: Carolina Machado/AGEMT
Entrada da FLIMIS: apresentação dos expositores e das atrações do mais novo evento literário de São Paulo. Foto: Carolina Machado/AGEMT

A feira buscou reunir publicações de 75 expositores que exploram diferentes linguagens artísticas, especialmente aquelas vinculadas à imagem e ao som: fotografia, cinema, ilustração, quadrinhos, música e poesia.

Pedro Augusto, de 30 anos, representou a Anansi Lab, um laboratório de letramento racial transmídia independente, fundado em 2018. A oficina produz e compartilha narrativas subalternizadas por meio de publicações, palestras, bate-papos e rodas de samba. Entre os produtos, o expositor conta com uma revista trimestral de divulgação científica e cultural antirracista chamada Sikudhani, publicada a cada três meses. “Nosso trabalho recolhe materiais, os organiza e os publica como forma de reocupação do espaço tomado pelo colonialismo e imperialismo que nos domina até hoje”, relata Pedro.

Sobre a primeira edição da FLIMIS, o representante da Anansi Lab diz ter interesse em voltar às próximas edições. “Essas feiras são uma ótima oportunidade para encontrarmos novos leitores, artistas e, sobretudo, trocar ideias”, conclui.

Área de exposição da FLIMIS. Foto: Carolina Machado/AGEMT
Área de exposição da FLIMIS. Foto: Carolina Machado/AGEMT

As produções impressas presentes representavam a diversidade editorial brasileira tanto pela construção literária quanto pelas técnicas gráficas utilizadas, como gravura e xilogravura. Os dois dias de evento contaram com uma oficina de carimbos que pôde aproximar o público de técnicas gráficas presentes nas publicações, exercitando o processo criativo e a composição artística.

A feira promoveu também 14 palestras relacionadas a produções específicas do catálogo das editoras e dos artistas participantes. A programação de falas era focada em uma única publicação, visando expandir a experiência de leitura e aproximar o público das obras. Os autores compartilharam bastidores, experiências e outros aspectos dos múltiplos caminhos que a arte impressa pode seguir, como a edição e a produção gráfica.

Palestra sobre a produção “9×12”, com Rossana Di Munno, Borogodó Editora Foto: Carolina Machado/AGEMT
Palestra sobre a produção “9×12”, com Rossana Di Munno, Borogodó Editora. Foto: Carolina Machado/AGEMT

 

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Filme e relato de refugiadas presentes na sessão, ajudam a entender o conflito entre Irã e Israel
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Maria Olívia Almeida
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15/04/2026 - 12h

No dia 26 de março de 2026, a Folha, em parceria com o Cinema Belas Artes, realizou a pré-estreia do filme “Tatame” de 2023. Com um debate após a sessão, o público discutiu o alcance da política iraniana na vida da população, tema proposto pelo filme.

A obra aborda a jornada de uma lutadora de Judô iraniana, Leila Hosseini (Arienne Mandi), impedida de lutar contra uma atleta israelense. A judoca e sua treinadora Maryam (Zar Amir Ebrahimi) são ameaçadas pelo comitê esportivo de seu país e pressionadas a fingir uma lesão em Leila para que ela saia do Campeonato Mundial de Judô, evitando a luta.

Na imagem em preto e branco está Maryam (Zar Amir) de pé à esquerda, usando um quimono preto e um hijab cinza. Na direita está Leila Hosseine (Arienne Mandi), de quimono branco e hijab preto. Ambas as mulheres olham para a frente com feições sérias.
Zar Amir Ebrahimi e Arienne Mandi no filme Tatame – Foto: Reprodução

 

Dirigido pela iraniana Zar Amir Ebrahimi, que também interpreta Maryam, e pelo israelense Guy Nattiv, o filme desconstrói a barreira político ideológica entre iranianos e israelenses representando de forma breve a amizade entre Leila e Shani, lutadora que atua em nome de Israel. Assim, os diretores optaram por uma ênfase na opressão realizada pelo regime teocrático do Irã sobre o povo, em especial sobre as mulheres.

A obra parte de casos reais, como de Saeid Mollaei, lutador de judô nascido no Irã que hoje luta defendendo a Mongólia. O atleta mudou sua representação após ignorar ordens de deixar torneio para evitar enfrentar Israel, em 2019.

Esses conflitos se dão pelo regime iraniano não reconhecer Israel como país, tornando qualquer luta direta com uma representação israelense, por mais que esportiva, um desvio político. Assim, articulando a conjuntura geopolítica contemporânea com a ficção, o filme apresenta o dilema entre continuar lutando ou apoiar a posição de seu país.

Na imagem em preto e branco está Leila Hosseine (Arienne Mandi) ajoelhada no meio de um tatame. Ela usa um quimono branco e seus cabelos estão trançados e a mostra.
Arienne Mandi no filme Tatame – Foto: Juda Khatiapsuturi/Keshet Studio

 

Após a exibição da obra no dia 26 de março, o debate contou com a participação do jornalista Sandro Macedo e da pesquisadora Isabelle Castro, do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP). Além dos convidados, a plateia integrou de forma ativa a discussão.

No encontro, estavam presentes as ativistas e refugiadas políticas iranianas Mahmooni e sua irmã, Mahsima Nadim, que trouxeram para o evento uma perspectiva pessoal da vida em meio ao regime autoritário representado.

Apesar de “Tatame” ser gravado em preto e branco, a discussão destacou a importância de se considerar todos os muitos subtons do conflito. "Parece uma coisa gratuita, e não é", criticou Castro sobre o filme, que considerou carregado de um tom simplista. Isabelle ainda abordou em seguida como o Irã, após a revolução de 1979, passou a considerar Israel inimigo em função da guerra na Palestina.

Além dessas falas, Mahsima relatou: "desde criança a gente aprende que qualquer pessoa que apertar a mão de um judeu vai ficar impuro por 40 dias". Acrescentando ao cenário o teor ideológico antissemita perpetuado.

Dessa maneira, o filme provoca uma reflexão sobre as implicações de decisões políticas em todo aspecto da vida, representando a instrumentalização do esporte na imposição de uma agenda geopolítica. Um tatame de competição, aparentemente neutro, se torna um cenário de conflito pessoal e social.

 

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Após 13 anos, a banda carioca subirá aos palcos revisitando os grandes sucessos da carreira
por
Beatriz Neves
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14/04/2026 - 12h

Neste domingo (12), Paula Toller, George Israel e Bruno Fortunato anunciaram a turnê “Eu tive um sonho”, que conta com dez shows passando pelas principais capitais do Brasil, iniciando no Rio de Janeiro, em junho, e encerrando em Florianópolis, em outubro. Os ingressos estão disponíveis na plataforma Ticketmaster.

O fim do hiato 

O Kid Abelha foi criado na década de 80 e atingiu o auge dez anos depois, acumulando  mais de 9 milhões de discos vendidos no Brasil. A canção “Como eu quero”, que faz parte do álbum de estreia da banda “Seu espião”, tornou-se um grande sucesso nacional e um dos maiores hits do pop rock brasileiro nos anos oitenta. Ao longo das décadas seguintes, o grupo permaneceu ativo nos palcos e nas rádios, mantendo sua importância no cenário da música até que o ciclo da banda chegasse ao seu desfecho.

Em abril de 2016, o Kid Abelha anunciou oficialmente o término de uma trajetória de mais de 30 anos. Após um recesso iniciado em 2013, o trio encerrou as atividades de maneira definitiva. Na ocasião, Paula Toller explicou que a separação foi fruto de um desgaste natural e do desejo de seguir novos rumos.

O que esperar da turnê

O repertório indica ser uma viagem ao passado, com arranjos que mantêm a identidade do rock popular que marcou gerações e trazem sucessos como “fixação”, “Lágrimas e Chuva” e “Alice”. Com apenas dez apresentações exclusivas, o concerto percorrerá arenas e grandes casas de shows, oferecendo uma produção visual contemporânea que destaca o reencontro após mais de dez anos de espera.

Imagem de divulgação da turnê
Divulgação da turnê - Foto: Reprodução: (@kidabelha)

 

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O país ainda engatinha em sua produção cinematográfica sobre a ditadura, políticas de memória, incentivo cultural e o peso da anistia explicam essa lacuna
por
Carolina Zaterka
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10/06/2025 - 12h

   Nas últimas décadas, regimes militares latino-americanos foram tema de centenas de filmes. No entanto, a cinematografia brasileira sobre sua ditadura (1964–1985) é bem menor do que a de países vizinhos: a Argentina produziu 608 obras sobre o tema, o Chile 225, enquanto o Brasil soma apenas 189.  

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Gráfico que mostra o lançamento de filmes sobre a ditadura militar por ano no Brasil, Argentina e Chile. Reprodução: Folha de São Paulo 

 

   A Argentina consolidou sua memória no cinema já nos anos 1980. “A História Oficial”, vencedor do Oscar em 1986, foi um marco ao denunciar o roubo de bebês durante o regime. Mais tarde, “O Segredo dos Seus Olhos” (2010) e “Argentina, 1985” (2023) reforçaram esse compromisso com o passado. No Chile, o filme “No” (2012), indicado ao Oscar, dramatizou a campanha contra Pinochet no plebiscito de 1988. Mais recentemente, “El Conde” (2023) satirizou o ditador como um vampiro, inaugurando uma nova linguagem para falar sobre a repressão. 

   No Brasil, apesar de exceções como “O Que É Isso, Companheiro?” (1997), indicado ao Oscar, a produção tem sido menos frequente. O recente “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, sobre o desaparecimento do deputado Rubens Paiva, trouxe novo fôlego ao tema e conquistou o Oscar de melhor filme internacional em 2025. Ainda assim, trata-se de um caso isolado. Mesmo com a criação da Comissão Nacional da Verdade em 2012, a quantidade de produções permanece modesta. 

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Apresentação do relatório final da Comissão Nacional da Verdade. Reprodução: Politize em Agência Brasil 

 

   A diferença entre os países não é apenas estética ou cultural: é política. A Argentina promoveu o julgamento das Juntas Militares logo após a redemocratização, anulou anistias e instituiu centros de memória como o “Espacio Memoria y Derechos Humano’’ (ESMA), incentivando a arte engajada. O Chile, além de criar o Museu da Memória e fomentar cineastas exilados, estabeleceu políticas públicas de apoio ao audiovisual focadas em direitos humanos. Nesses países, a memória virou política de Estado e gerou reflexos concretos no cinema. 

   No Brasil, o processo foi mais lento e contido. A Lei da Anistia de 1979 impediu a responsabilização de torturadores, e o Estado demorou a assumir uma política ativa de memória. A dissolução da Embrafilme em 1990 deixou um vácuo no financiamento do cinema, só parcialmente preenchido anos depois com a Lei Rouanet (Lei Federal de Incentivo à Cultura, Lei nº 8.313/1991) e a Lei do Audiovisual (Lei Federal nº 8.685/1993). Mas tais mecanismos não priorizam temas históricos nem promovem uma política de enfrentamento do passado. Com isso, o cinema brasileiro sobre a ditadura seguiu com apoio pontual e, muitas vezes, iniciativas isoladas e privadas. 

   A escassez de produções é reflexo de um país que ainda não elaborou plenamente seu passado autoritário. Segundo o historiador Eduardo Morettin, “a forma como lidamos com a ditadura interfere diretamente na quantidade e no tipo de obras culturais que surgem”. No Brasil, prevaleceu por décadas uma narrativa conciliadora, centrada na transição pacífica e na reconciliação, que inibiu iniciativas culturais mais contundentes. 

   Contudo, esse cenário pode estar se transformando. O impacto de “Ainda Estou Aqui” foi tão expressivo que falas presentes do filme foram utilizadas por ministros do STF durante o julgamento da lei de anistia. Nessa perspectiva, o STF vai determinar se crimes como o de desaparecimento forçado podem ser julgados com força retroativa, mesmo que a anistia esteja em vigor. Se houver aceitação, pelo menos 18 situações processuais paralisadas, até esse momento, vão a julgamento. A arte, mais uma vez, reacende um debate adormecido. 

   A experiência de Argentina e Chile mostra que o cinema pode ser uma ferramenta poderosa de construção da memória coletiva. A arte faz, com toda certeza, com que as pessoas olhem o mundo com outros olhos, criem empatia e ajudem a sociedade a entender e confrontar traumas históricos. Ao contrário, o silêncio e a omissão cultural podem alimentar o esquecimento, ou até mesmo o “revisionismo”. 

   Hoje, o Brasil vive um momento decisivo. O sucesso internacional de um filme que mergulha na dor de uma família destruída pela repressão sugere que o público está pronto para olhar o passado nos olhos. Resta saber se o país, como Estado e como sociedade, está disposto a seguir esse caminho, com mais história nas telas, e mais memória no presente. 

 

 

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Especialista analisa como raízes históricas reverberam até hoje e quais desafios precisam ser enfrentados
por
Maria Claudia Sampaio
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10/06/2025 - 12h

A democratização da cultura no território brasileiro, enfrenta desafios devido barreiras econômicas e à falta de incentivo. Muitos não têm a oportunidade de frequentar eventos culturais em virtude dos preços elevados. Para mudar essa realidade, iniciativas buscam ampliar as oportunidades, garantindo que a arte e o entretenimento sejam viáveis a todos, pois a cultura deve ser um direito, não um privilégio.  

Para abordar esse tema, é fundamental considerar o contexto histórico. A África do Sul, dos anos 1948 e 1994, foi marcada por um período muito triste da história do país: o apartheid — um sistema de segregação racial com o objetivo de garantir privilégios aos brancos, excluindo a população negra dos direitos civis, políticos e sociais — criado durante o governo de Daniel François.  

Conforme matéria intitulada “Entenda o que foi o regime racista do apartheid e como ele foi derrubado”, publicada em 26/12/2021 por France Presse no site G1. “Quase todo território (87%) era reservado aos brancos. Cerca de 3,5 milhões de pessoas foram expulsas à força, e os negros, relegados às 'townships', cidades-dormitório, e 'bantustões', reservas étnicas.”  

Nelson Mandela se tornou um dos principais símbolos de resistência e ficou 27 anos preso. Em 1990, o governo de Frederik Willem de Klerk, iniciou o processo de encerramento dessa política, e em 1994, Mandela foi eleito o primeiro presidente negro da África do Sul, marcando o fim do regime, e de acordo com a matéria citada acima Mandela disse: “Finalmente livres.”  

A advogada, professora e Doutora em Direitos Humanos pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Lucineia Rosa dos Santos explana a respeito: “Quando estive na África do Sul para a Oitava Conferência de Mulheres Negras Ativistas do Mundo, na época de Mandela em 1998, considerando o final do apartheid em 1994, ainda era muito recente a questão da segregação. Nos encontros, discutíamos a questão de um apartheid institucional, por um critério racial, dentro de um país do próprio sul-africano negro.”  

Essa reunião fez Santos refletir sobre o Brasil. “Imediatamente, voltei minha mente para o Brasil, em 1998, havia um apartheid social com um viés racial. Me questionei quais eram as condições da população pobre, que mora nas regiões mais afastadas, periféricas, quais as opções de acesso à cultura e uma educação igualitária?”.  

Embora a separação entre brancos e negros não seja oficial no Brasil, essa desigualdade dificulta o acesso à educação, ao emprego e à cultura, afetando a vida de muitas pessoas até hoje. “Atualmente há uma grande exclusão. Quando se fala em cultura falamos sobre Direitos Humanos. Seguindo a máxima de Paulo Freire: ‘a educação nos liberta, mas a cultura nos salva’ e onde não há cultura, teremos a violência”, diz a Doutora.  

O Apartheid Social ou Cultural, refere-se a exclusão sistemática de determinados grupos sociais à movimentos artísticos. Essa divisão acontece por diversos motivos como: a falta de políticas públicas para que a população de baixa renda tenha acesso à shows e eventos culturais, a desigualdade econômica e a localidade dos eventos que em sua maioria acontecem em bairros considerados elitizados.  

Ao pensarmos em eventos culturais no Brasil, associamos a uma precificação superfaturada e inacessibilidade aos ingressos.  

Além disso, existe a problemática acerca dos cambistas, que compram uma grande quantidade de ingressos revendendo a preços exorbitantes. “Já é caríssimo um show! Você pega um grupo de seis pessoas que compram todos os ingressos, revendem num valor mais alto aos olhos de quem deveria coibir”. Ela comenta que uma forma de minimizar essa questão é a compra controlada por número de CPF (Cadastro de Pessoa Física).  

Frente à exclusão cultural, é essencial a criação e manutenção de políticas públicas que promovam o acesso democrático à arte e ao entretenimento. Diversos programas buscam atender essa demanda, como o CEU (Centro Educacional Unificado), com 58 unidades ativas em São Paulo, e oferece atividades culturais e esportivas, beneficiando cerca de 2 milhões de pessoas por ano em regiões periféricas; o Vale Cultura, criado pela Lei nº 12.761/2012, chegou a atender mais de 400 mil trabalhadores com R$ 50 mensais por benefício, permitindo o consumo de produtos e eventos culturais; o Bolsa Família, que apoia mais de 21 milhões de famílias e contribui para a superação da pobreza; e o Bolsa Esporte, com mais de 6 mil beneficiários em 2024, um dos programas de maior patrocínio individual do mundo, com bolsas entre R$ 370 e R$ 15 mil, voltado para atletas de alto rendimento. Essas iniciativas, precisam ser ampliadas e articuladas entre sociedade civil, universidades e entidades como a CUFA (Central Única das Favelas), presente em mais de 17 estados, para garantir que os Direitos Humanos sejam efetivamente promovidos por meio da cultura.   

A professora Santos encerra sua análise com preocupação de futuro com as próximas gerações. "A sociedade civil precisa atuar dentro do papel universitário, indo além dos muros acadêmicos. É necessário um trabalho contínuo com a população, já que estamos falando de cultura. Devemos pensar em como a sociedade pode manter políticas de gestão cultural e de que forma as Instituições Acadêmicas podem se unir em torno desse tema. Temos a CUFA e diversas outras entidades, que poderiam formar uma rede para tornar a cultura acessível a todos.”  

 

Mesa com livros em cima

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Lucineia Rosa dos Santos, em sua sala na PUC-SP  

Imagem: Arquivo pessoal.  

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Desde o romance de 1995 até os palcos da Broadway, aclamadas versões brasileiras e um filme bilionário, a história da “Bruxa Má do Oeste” desafia convenções e encanta gerações
por
Luiza Zaccano
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10/06/2025 - 12h

 

Desde seu lançamento em 1995, o romance “Wicked: A História Não Contada Das Bruxas De Oz”, de Gregory Maguire, conquistou inúmeros fãs ao redor do mundo ao se basear no clássico universo de “O Maravilhoso Mágico de Oz”. A narrativa mostra a amizade improvável da Bruxa Má do Oeste, Elphaba, e a Glinda, a Bruxa Boa do Sul, que possuem histórias de vida diferentes, cujas trajetórias se entrelaçam em uma rivalidade amorosa e reações diferentes sob um governo corrupto do Mágico de Oz. A obra se aprofunda em temas como preconceito, opressão social e racismo, evidenciados na exclusão que Elphaba sofre por sua aparência e postura crítica diante da autoridade. O romance propõe uma inversão de papéis ao recontar a história do ponto de vista da "vilã", desafiando a visão tradicional do bem e do mal e revelando como a marginalização pode ser uma construção política e social. 

Em 2003, o livro ganhou uma adaptação para a Broadway e estreou com Idina Menzel, interpretando Elphaba e Kristin Chenoweth como Glinda. Wicked foi um fenômeno de bilheteria quase imediato, e passou a bater recordes de arrecadação semanal, tornando-se um dos musicais mais lucrativos da história da Broadway, com $3,3 milhões de dólares arrecadados em uma semana. Em 2016, o musical ultrapassou $1 bilhão de dólares em receita total, e um ano depois, se tornou o segundo musical de maior bilheteria da Broadway.  O sucesso foi tanto que o musical extrapolou as ruas de Nova Iorque e ganhou adaptações internacionais. 


Wicked estreou no Brasil em 2016, em São Paulo, no Teatro Renault com Myra Ruiz e Fabi Bang, interpretando respectivamente Elphaba e Glinda. A peça foi uma das montagens internacionais mais elogiadas, pela excelência em nível técnico com figurinos, cenários e efeitos especiais. A adaptação foi considerada um marco na história do teatro musical brasileiro, pois demonstrou que o Brasil conseguia reproduzir o padrão internacional. A popularidade, como Glinda pontuaria, foi tanta que a peça retornou aos teatros brasileiros novamente em 2023 e 2025.  Na nova temporada, já foram vendidos mais de 80 mil ingressos

 

Fabi Bang e Myra Ruiz, intérpretes de Glinda e Elphaba na versão brasileira do musical Reprodução: Forbes 

 

A adaptação cinematográfica, dividida em duas partes, teve sua primeira estreia no fim de 2024, sob direção de Jon M. Chu. Com um elenco de peso, incluindo Cynthia Erivo e Ariana Grande, o filme atraiu grande atenção do público e da mídia. E o resultado foi um grande sucesso de bilheteria, com a arrecadação de 700 milhões de dólares mundialmente.  

A transição do palco para o cinema não representa apenas uma adaptação, mas uma asserção definitiva de uma narrativa que, desde sua origem literária, encantou gerações e se consolidou como um clássico. Segundo Manuella Vendramini, atriz e estudante de psicologia, a essência e história da obra se mantém estática, porém, cada vez que ela é adaptada para diferentes lugares ou épocas, ela é incorporada em elementos culturais locais e modernos. Por isso, o público continua se identificando com a história, mesmo depois de tantos anos. 

A força da obra também se expressa por meio de sua trilha sonora, que ultrapassou os limites dos teatros e se firmou como parte da cultura pop contemporânea. A canção "Defying Gravity", é extremamente poderosa e representa a decisão de Elphaba de desafiar as expectativas da sociedade e abraçar seus próprios princípios, mesmo diante de consequências dificeis. A música possui um impacto gigante na cultura pop, especialmente por abordar a autoaceitação e a liberdade, voando longe das amarras de sua vida antiga.  

 

 

 

Idina Menzel, Cynthia Erivo, Ariana Grande e Kristin Chenoweth no lançamento do filme Wicked Reprodução: Amy Sussman\Getty Images  

 

Com mais de duas décadas de relevância, Wicked demonstra que histórias bem contadas são capazes de atravessar barreiras do tempo, se reinventar e continuar ressoando em novas gerações. Seja por meio dos palcos, páginas ou telas de cinema, a jornada de Elphie e Glinda continuam a encantar, provocar reflexões e, acima de tudo, desafiar o que conhecemos sobre a dualidade do bem e do mal.   

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Submundo 808 é a festa de funk que vem ganhando espaço no Brasil e no Mundo, apesar das recorrentes tentativas de criminalização do gênero musical
por
Wanessa Celina
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09/06/2025 - 12h

Já na sua quarta edição em São Paulo, o Submundo 808 abriu espaço nas redes sociais, na capital paulista e no exterior. Fundada pelo coletivo 808 Produções, a festa iniciou em Campinas, interior de São Paulo, com o intuito de valorizar o funk periférico paulista. Com os palcos de 360°, o evento movimentou mais de 10 mil pessoas só em São Paulo. 

A Submundo 808 é uma das vertentes da 808 Produções, que faz outras festas como a Bounce 808, focada em rap, trap e hip-hop; a Essence 808, festa black com afrobeat e dancehall e, por fim, a Submundo, que traz o funk eletrônico. “A 808 começou na Bouce 808 com o DJ Clei, com o Pet, Petterson Willian, e com o Jorge – três homens pretos moradores da CDHU São Martine em Campinas, que faziam festas na casa dos avôs deles”, conta Beatriz Niro, que está no projeto desde o início e hoje trabalha como porta-voz da empresa e cuida das redes sociais para os eventos. 

Os três organizadores, quando viram a possibilidade de crescer, saíram da casa dos avós, alugaram um espaço e começaram a cobrar ingresso. A partir daí, chegaram as outras vertentes, como a Essence e a Submundo e surgiu a necessidade de formalizar o grupo de criadores que conta com os DJs Kenan, Kell e Tresk,  Vinicius Mariano e André Tresk.  

Mais do que uma necessidade organizacional, o projeto,  majoritariamente negro, também responde a uma necessidade histórica, já que nasceu no último município brasileiro a abolir a escravidão. “A gente vê muito a elite consumindo o que é nosso e fazendo o que é nosso. Antes da 808 Produções, os eventos de rap, hip-hop eram feitos por pessoas brancas. Pessoas brancas que vieram de um espaço elitizado. Por que não criar um selo feito por pessoas pretas para fazer eventos, que é sobre a nossa cultura, que é a cultura preta, que é o hip-hop, rap, funk, black?” explica Beatriz, falando sobre a motivação do grupo. 

O fortalecimento do funk e da cultura preta e periférica é um dos princípios do Submundo. Em todos os palcos existem bandeiras com os slogans ‘música preta’ ou ‘música periférica’. “A gente gosta muito das bandeiras, porque querendo ou não, é o que traz a nossa identidade. É a cultura periférica”, defende Beatriz. “A gente vê as bandeiras dos nossos times estampadas na nossa casa, bandeiras políticas, bandeiras dos artistas que gostamos, bandeiras dos times de várzea. A importância das bandeiras é que a pessoa que está lá, seja ela branca, preta ou parda, veja de onde veio o funk e o que é.” 

“A Submundo bombou primeiro no TikTok”, conta a porta-voz, “Eu ficava lançando os vídeos lá e ficava fazendo corte dos DJs tocando, fazendo as famosas viradas – momento da de uma música para outra – o pessoal foi curtindo e o que mais chamou a atenção era que o DJ estava no meio do público.”. O palco 360° iniciou por causa das primeiras festas que os DJs tocaram, antes de irem para o Brasuca Campinas. Foi no GOMA, em Barão Geraldo que eles tiveram a primeira experiência de tocar no meio do público. “Um dos organizadores queria que continuasse assim, como no GOMA não era um palco, o DJ ficava na altura do público. Quando fomos para o Brazuca, que era um palco, um dos organizadores observou que o DJ ficaria muito longe e decidimos colocar o DJ no meio, igual no GOMA. E acabou que essa ideia deu certo.” 

 

Palco com o DJ Blackes no Submundo 808 em Campinas// Reprodução do instagram. Créditos: Gabriel Cavassam,  @blackcalle_
Palco com o DJ Blackes no Submundo 808 em Campinas// Reprodução do instagram. Créditos: Gabriel Cavassam,  @blackcalle_  

 

 

A Submundo na era da criminalização do funk: da rua para os bailes privados 

 

Por ser uma festa focada em funk, a Submundo traz à tona a questão da criminalização desse gênero musical, que voltou a ser debatida neste ano após o projeto da Lei Anti-Oruam, proposto pela vereadora Amanda Vettorazzo (União Brasil). Beatriz Niro aponta que esse tipo de perseguição é um dos motivos da 808 correr para lugares privados em Campinas: “o funk é criminalizado porque não existem oportunidades, nem patrocinadores, por exemplo. A prefeitura [de Campinas], o prefeito e demais governantes, em sua maioria brancos e de uma classe social alta, não tem uma ação para descriminalizar o funk e dar espaço digno para as nossas festas.”.  

Para o antropólogo e artista, Meno Del Picchia, autor da tese “A Neblina e o Fluxo - O Funk nos Corpos Elétricos da Quebrada”, a criminalização do funk é, na verdade, a criminalização da vida jovem periférica: “o Brasil é um país extremamente desigual, racista, homofóbico, machista, conservador, com todas essas forças conservadoras e antiprogressistas”, denuncia Meno. "Elas [o Estado, a mídia e a classe média] vão confrontar tudo o que é um pouco mais transgressor. E isso, ao mesmo tempo em que perpetuam uma estrutura social que produz essas desigualdades, mas quando as mesmas são ditas em forma de música, eles se incomodam.”, complementa.  

Os bailes de funk, geralmente conhecidos em São Paulo como “fluxos”, acontecem as ruas das comunidades. Com caixas de som potentes instaladas nos carros parados ao lado de vendedores de bebidas, a festa vai até altas horas. Os eventos nas comunidades são os principais alvos de operações policiais. Os agentes costumam chegar com brutalidade nesses ambientes. A violência constante e a insegurança provocada pelos agentes do Estado levaram ao surgimento dos bailes privados. “Os bailes fechados e de rua vão, inevitavelmente, estar sempre lidando com todas essas vozes repressivas.”, explica Meno del Picchia, “Mas alguns deles são tão fortes e tão gigantes que eles vão se mantendo ao longo do tempo.”.  

Em 2019, a polícia provocou um massacre em uma das festas mais famosas das comunidades da cidade, o Baile da D17, em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. A ação, batizada de “Mega operação Pancadão”, matou nove jovens. “O que torna o baile na rua menos seguro, na verdade, é quando tem a repressão policial.” explica Meno. “Eu acho que esse elemento da possibilidade do confronto com a polícia é o que torna o baile da rua um pouco mais imprevisível.” A volta da discussão sobre os bailes de rua e sobre tentar censurar artistas de funk que alegadamente fazem apologia ao crime e às drogas é, como diz o pesquisador, a “criminalização da poesia e a criminalização da festa”. 

O pesquisador relatou sua experiência na festa Nitro Point em 2018, em Mauá, que reunia uma multidão de pessoas, em diversos lugares com preço de entrada acessível. Após pesquisar os bailes de rua em São Paulo e ter participado de alguns bailes fechados, Meno confirma que a existência das festas fechadas não tira o lugar dos bailes de rua: “o fato do Nitro Point existir não fazia com que os bailes de rua deixassem de existir. Falar que bailes fechados vão fragilizar a cultura funk é uma afirmação que eu acho perigosa. A Nitro Point, por exemplo, é uma festa fechada, que só fortaleceu a cena.” 

Submundo para o mundo 

Hoje, a Submundo já tem edições previstas em Brasília e até em Portugal. A bilheteria saiu de 1000 ingressos nos primeiros eventos há dois anos, para mais de 12 mil por evento. O alcance, porém, é ignorado pelas mídias tradicionais, como aponta Beatriz: “A gente não tem grandes jornais vindo conversar com a gente, porque hoje o Submundo, só em São Paulo, movimenta 11 mil pessoas. Um evento muito novo que está girando muito dinheiro, muita visibilidade nas redes sociais.”

A festa conta com lista trans que, na última edição em São Paulo, fechou com mais de 100 nomes. Em breve, pessoas indígenas e beneficiários do programa Bolsa Família também terão acesso à gratuidade.

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Cantora compra as próprias masters após seis anos disputando e não precisará regravar discos antigos
por
Luis Henrique Oliveira
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03/06/2025 - 12h

Na última sexta-feira (30), Taylor Swift anunciou em carta aberta para os fãs que readquiriu o direito de suas músicas, expressando a felicidade de ter a posse de suas gravações após seis anos de disputa. 

"Tenho chorado de alegria em intervalos aleatórios desde que descobri que isso está realmente acontecendo. [...] Toda música que eu já fiz… agora pertence… a mim ", escreveu a artista. 

Cantora Taylor Swift com os discos "Taylor Swift" (2006), "Fearless" (2008), "Speak Now" (2010), "Red" (2012), "1989" (2014) e "Reputation" (2017)
Taylor Swift junto dos seus seis primeiros álbuns para anúncio da recuperação. Foto: Reprodução/X/@taylorswift13

 

Swift havia perdido os direitos autorais dos primeiros seis discos (o autointitulado “Taylor Swift”, “Fearless”, “Speak Now”, “Red”, “1989” e “Reputation”, em ordem de lançamento) em 2019, quando a gravadora Big Machine Records, que detinha suas masters, foi vendida para o empresário Scooter Braun. 

Na época, Taylor disse que não teve a chance de comprar o próprio catálogo e descreveu a situação como “o pior cenário possível”. Um ano depois, em 2020, Braun revendeu os direitos para a Shamrock Holdings por cerca de US$300 milhões. A cantora alegou que, novamente, não houve a possibilidade de compra e declarou em comunicado oficial que essa foi a segunda vez em que sua arte foi vendida sem o seu conhecimento.

A lide pela recuperação de suas masters influenciou outros cantores a exigirem contratos que deixem o controle de seus catálogos para si mesmos, como por exemplo Olivia Rodrigo. “É tão libertador poder dizer o que você quer, se expressar e poder controlar sua vida e sua arte”, disse em entrevista para o Today Show.

A luta de artistas pelo direito de suas canções não é um caso isolado. Nos anos 1990, Prince travou uma batalha  pelo controle de suas masters contra a Warner Bros. Records, chegando a escrever a palavra “escravo” em seu rosto como forma de protesto e a mudar seu nome artístico por um símbolo inominável, que misturava os sinais dos gêneros feminino e masculino,  sendo chamado de “O Artista Anteriormente Conhecido Como Prince” durante sete anos. 

No Brasil, Gilberto Gil ganhou um processo contra a mesma gravadora, reivindicando para si o direito de assumir a gestão de seu catálogo musical.

 

A volta por cima

Taylor Swift aproveitou uma brecha contratual que permitia a regravação de seus primeiros álbuns e começou a relança-los como meio de dominar sua discografia. Intitulados Taylor’s Version – ou “versão da Taylor”, em tradução livre, o projeto se iniciou em 2021 com o disco “Fearless”, que garantiu o álbum do ano para a cantora em 2008. 

Além das faixas já conhecidas pelo público, a regravação ainda contou com seis músicas inéditas, originalmente descartadas na primeira versão, apelidadas de “From The Vault” (“Direto do Cofre”, em tradução livre) pela artista.

Em novembro do mesmo ano, Swift lançou o “Red (Taylor’s Version)” e alavancou a qualidade das regravações, dirigindo um curta-metragem para a versão de 10 minutos da canção All Too Well, um clipe para a faixa From The Vault “I Bet You Think About Me” e fechando uma parceria com a rede de cafés Starbucks. A possibilidade de reviver as eras antigas da cantora animou os fãs, que ficaram ávidos pelas regravações posteriores, criando teorias sobre quando sairiam as próximas. 

Cantora Taylor Swift usando um body rosa durante o ato "Lover", na turnê The Eras Tour
Taylor Swift possui a turnê mais lucrativa da história. Foto: Reprodução/X/@taylorswoft13

 

O relançamento dos álbuns “Speak Now” e “1989” só vieram depois, em 2023. Nesse intervalo de tempo, Taylor lançou os CDs inéditos “Midnights” e “The Tortured Poets Department” sob a gravadora Republic Records, além de entrar em turnê com a bilionária The Eras Tour, que celebrava cada fase da carreira. 

“Reputation” e o debut “Taylor Swift” não chegaram a ver a luz do dia, uma vez que a cantora conseguiu comprar o catálogo novamente com a Shamrock. Na carta divulgada, ela explica que já regravou todo o álbum de estreia e gosta de como ele soa agora. Em contrapartida, não chegou a trabalhar em um quarto do Reputation. 

“O álbum foi tão específico para aquele momento da minha vida, e eu continuava esperando reencontrar aquele apoio emocional para recriá-lo. Toda aquela postura desafiadora, aquele espírito inquebrável – eu precisava reencontrar isso para fazer o Rep TV.”, escreveu. Ela não desanima sobre a possibilidade de relançar eles e diz que “esses dois álbuns ainda poderão ter seus momentos de renascimento, quando a hora certa chegar, se isso for algo que vocês [fãs] ficariam animados em ver. Mas se acontecer, não será mais a partir de um lugar de tristeza e saudade do que eu gostaria de ter”. 

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