Com o lançamento de seu último disco, “Debí Tirar Más Fotos”, vencedor do Grammy de Melhor Álbum do Ano em 2026, em janeiro do ano passado, o rapper Benito Martinez, mais conhecido como Bad Bunny, se tornou referência mundial na luta política contra a violência aos imigrantes nos EUA e a gentrificação na América Latina.
O disco, que mistura reggaeton com estilo clássico de salsa porto-riquenho, sua terra natal, é repleto de referências à cultura e à história de seu país, assim como à luta que o povo latino americano passa para defender a permanência em seu território e valorização de seu modo de vida. No entanto, a presença do cantor em manifestações políticas não é de agora.
Bad Bunny sempre foi enfático em seu amor por Porto Rico e seus ideais de defesa do próprio povo, contrário aos processos políticos promovidos pelo governo de Donald Trump, que enrijeceram as políticas imigratórias nos EUA, país que ultrapassa os 68 milhões de imigrantes latino americanos em seu território. As manifestações do cantor o colocaram em conflito contra o governo estadunidense, principalmente após seus discursos durante a premiação do Grammy deste ano.
Graças ao sucesso de seu último disco, Bad Bunny foi anunciado como atração principal do Show do Intervalo do SuperBowl, tradicional palco de grande audiência da TV estadunidense. Após a performance, o presidente Donald Trump se manifestou em suas redes sociais criticando o evento protagonizado pelo cantor. “Um dos piores shows de todos os tempos! Não faz sentido nenhum, é uma afronta à grandeza da América”, afirmou. Em seguida, disparou: “Ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo, e a dança é repugnante”.
Mesmo incisivo em seus discursos, o espaço que Benito melhor aproveita para se expressar politicamente é em suas músicas. Em seu álbum mais recente, o cantor dedica a temática ao amor por sua nação e remarca a importância da luta contra o apagamento histórico de Porto Rico.
A segunda canção com mais reproduções do disco nas plataformas digitais, “Baile Inolvidable”, traz ao ritmo instrumentos clássicos da salsa porto-riquenha, como conga, trompete e saxofone, com o intuito de resgatar os ritmos clássicos da ilha. O refrão, cantado no mesmo gênero, pode ser interpretado como uma declaração de amor à cultura de Porto Rico e à importância dela na vida de Benito, que rima “Não, não posso te esquecer. Não, não posso te apagar. Você me ensinou a amar. Você me ensinou a dançar”.
Outra canção repleta de simbolismos históricos é “Lo Que Le Pasó a Hawaii”. Benito, através de um ritmo lento e melódico, fala sobre o medo que o apagamento das tradições porto-riquenhas causa nos moradores da ilha. Em comparação com a história do Havaí, que se tornou território anexado pelos EUA em 1898, Bad Bunny usa do refrão para reforçar a importância da luta do povo em manter sua cultura viva: “Não soltem a bandeira nem esqueçam do lelolai (canto tradicional folclórico de Porto Rico), porque não quero que façam contigo o que aconteceu com o Havai”.
A mesma influência política ocorre na última canção do álbum, “La Mudanza”, em que Bad Bunny trás destaque à história da própria vida, recitando nos primeiros versos como seus pais se conheceram e o criaram. A canção é dedicada ao orgulho de Benito por ter nascido em Porto Rico, e como tem direito de viver neste território, apesar das restritas políticas de permanência do povo latino em território estadunidense. No poderoso trecho final, Bad Bunny encerra o disco com ritmo de salsa intenso e cantando: “Daqui ninguém me tira, daqui eu não me movo. Digam que está é a minha casa, onde nasceu meu avô. Eu sou de Porto Rico, porra”.
Apesar da ascensão do cantor aos holofotes no último ano, graças a suas críticas e pautas presentes em “Debí Tirar Más Fotos”, suas manifestações também estiveram presentes em outras de suas obras. Em “Un Verano Sin Ti”, álbum de reggaeton e rap lançado em 2022, Benito aproveitou seu espaço para satirizar a forma como a cultura latina, subjetivizada historicamente pelos EUA, se tornaria um estilo de desejo. Na canção “El Apagón”, o cantor rima “Agora todos querem ser latinos, mas lhes falta tempero, bateria e reggaeton”.
A música também carrega críticas ao governo e infraestrutura de Porto Rico, que sofre de constantes quedas de energia desde o impacto do furacão Maria, em 2017. Ao longo da faixa, Bad Bunny rima: “Maldito seja, outro apagão. Porto Rico é do caralho”, em tom de ironia. Desde o ocorrido, que deixou a ilha em apagão durante semanas, o sistema elétrico foi entregue à empresa privada “Luma Energy”, em 2021. No entanto, as reclamações dos porto-riquenhos se mantiveram, com outras ocorrências de falta de energia, que chegam a durar meses.
O Museu das Favelas sedia a exposição “Imaginação Radical: 100 anos de Frantz Fanon”, desde novembro de 2025. A mostra, que tem entrada gratuita, comemora o centenário do médico, psiquiatra, intelectual e ativista que marcou o século XX como pensador de temas como raça, colonialismo e subjetividade. A exibição também comemora o aniversário de três anos do museu, e fez parte da programação do mês da consciência negra.
Com direção artística e curadoria de Thais de Menezes e curadoria institucional de Jairo Malta, a exposição tem como fio condutor a influência do pensamento de Fanon. São 130 obras que propõem um diálogo entre o legado do psiquiatra e a arte contemporânea Elas abordam temas como identidade, luta política, memória coletiva e construção de futuro a partir das experiências periféricas e das diásporas negras.
A exposição é dividida em 4 eixos temáticos: identidade, corpo, território e sonho, e convida o público a refletir sobre a imaginação como prática radical de transformação da realidade. Para Fanon, os povos historicamente marginalizados precisam assumir a própria narrativa como forma de recuperar sua humanidade e dignidade.
Os 40 artistas convidados são provenientes de territórios diversos, como Brasil, Colômbia, Argélia, Angola, Bolívia e Venezuela, e abarca nomes como Albarte, Ana Paula Sirino, Nenesurreal, Espejismo, Génova Alvarado e Samu Artes. Essa articulação do Museu das Favelas com outras instituições culturais estrangeiras marca o início de um processo de internacionalização do Museu.
A exposição fica aberta até 24 de maio de 2026, de terça a domingo, das 10h às 17h, no Museu das Favelas, localizado no Largo Páteo do Colégio, 148, Centro Histórico de São Paulo. A entrada é gratuita mediante retirada antecipada dos ingressos pelo aplicativo Sympla ou na recepção do museu.
Quem foi Frantz Fanon
Frantz Omar Fanon foi um psiquiatra e filósofo das Antilhas Francesas, que exerceu expressiva influência dos estudos pós-coloniais e em temas como raça, subjetividade e a psique humana. O médico nasceu em 20 de julho de 1925 na Martinica, território caribenho sob colonização francesa à época. Filho de Eléanore Médélice e Casimir Fanon, que ocupava um cargo na administração da ilha, Frantz estudou no colégio Lycée Schoelcher, onde teve aulas com intelectuais como Aimé Césaire, e teve contato com estudos sobre o movimento negro e o marxismo anticolonial.
Aos 20 anos, Fanon alistou-se ao exército francês para combater o nazismo durante a Segunda Guerra Mundial, onde foi profundamente marcado por experiências discriminatórias no front, e constatou que, para os franceses, ele não era um cidadão, mas sim “um negro". Ferido em combate, retorna a sua terra natal como veterano de guerra.
Iniciou estudos de odontologia em Paris, mas abandonou devido ao racismo vivido. Passou, então, a estudar medicina psiquiátrica em Lyon, onde entrou em contato com o pensamento de intelectuais como Marx, Hegel, Lacan, Sartre e Simone de Beauvoir. Seu trabalho de conclusão do curso, “Ensaio sobre a dimensão do negro”, e rejeitado por ser considerado inapropriado e, posteriormente, publicado independentemente como “Pele Negra, Máscaras Brancas”, um dos estudos mais relevantes sobre a operação e as consequências do racismo.
Em 1953, iniciou a residência médica com o psiquiatra François Tosquelles, e escreveu diversos artigos sobre humanização do cuidado em saúde mental. Tornou-se chefe do hospital psiquiátrico de Blida-Joinville, na Argélia, onde continuou praticando uma psiquiatria descolonizante e humanizada.
Com o aumento da repressão francesa à revolucionários, Fanon passa a ser perseguido, e é obrigado a desligar-se do hospital onde trabalhava. Mudou-se para a Tunísia com a sua família, onde engaja na Revolução Argelina, atuando como psiquiatra e colunista anônimo do jornal El Moudjahid, órgão da Frente de Libertação Nacional.
Ele participou ativamente de fóruns pan-africanistas e atuou como embaixador do governo provisório da República da Argélia para os países da África Subsaariana, como tentativa de articular uma resposta continental unificada ao colonialismo. Seguiu atuando na psiquiatria até descobrir uma leucemia, aos 36 anos, quando decidiu pausar sua carreira para escrever sua última obra, “Os Condenados da Terra" (1961). Fanon morreu em 1961, nos Estados Unidos, um ano antes da Argélia consolidar seu processo de independência da França.
Bad Bunny, nascido Benito Antonio Martinez Ocasio é um cantor porto-riquenho que vem ganhando cada vez mais destaque. O artista levou o maior prêmio da noite no Grammy Awards 2025, e fez um discurso histórico e político, defendendo imigrantes e criticando a agência de imigração dos EUA.
Em 8 de fevereiro de 2026, o cantor realizou uma apresentação histórica no intervalo do Super Bowl LX, final do campeonato de futebol americano dos Estados Unidos, organizado pela National Football League (NFL), sendo o primeiro artista a cantar todo o repertório em espanhol, além de ter sido o mais assistido da história, com 135 milhões de espectadores, superando artistas como Kendrick Lamar, Rihanna e Lady Gaga.
Na apresentação, Bad Bunny celebrou a cultura latina. Trazendo uma narrativa cultural sobre Porto Rico num dos eventos mais assistidos da televisão norte-americana; tradicionalmente dominado por artistas do pop anglófono, ou seja, que têm o inglês como primeira língua.
O palco montado no meio do campo foi dividido em pequenas “cenas”, como uma história de momentos da vida cotidiana latina. Dentre os cenários, estavam inclusos campos de cana-de-açúcar, referência à história econômica do Caribe; mesas de dominó, símbolo social muito presente em comunidades latinas; barracas de comida como piraguas e coco, típicas de Porto Rico e dançarinos representando festas de bairro e cultura popular.
Foram mais de 300 bailarinos, dançando ao som de reggaeton e outros elementos da música caribenha tradicional. A ideia era mostrar que a cultura latina é feita de pessoas comuns e de experiências coletivas. As participações de Ricky Martin, Lady Gaga e o grupo tradicional Los Pleneros de la Cresta reforçam a mistura entre pop global e tradição caribenha.
Ao final da apresentação, Bad Bunny citou os nomes de todos os países da América logo após falar o bordão estadunidense “God bless America” - Deus abençoe à America em tradução literal. Um dos momentos mais comentados e impactantes foi o final da performance, quando ele segurou uma bola de futebol americano, com a mensagem “Juntos, nós somos a América.”, reforçando a ideia de que a América é além dos Estados Unidos.
Bad Bunny e o Brasil
Nos dias 20 e 21 de fevereiro, o cantor realizou dois shows esgotados no Allianz Parque, em São Paulo, com a “DeBí TiRAR Más FOToS World Tour”. O artista declarou no palco que o espetáculo representava “a união do Brasil com Porto Rico e com toda a América Latina”. Um dos momentos mais marcantes das apresentações foi quando ele vestiu um agasalho da Seleção Brasileira histórico, usado por Pelé na Copa do Mundo de 1966.
Os shows foram divididos em 3 atos, com palco principal, cenários secundários e o “La Casita”, inspirado nas varandas das casas de Porto Rico. A ideia dessa montagem era criar uma atmosfera de festa de bairro caribenha, com um clima mais intimista.
Na música “LA MuDANZA”, Bad Bunny precisou de alguns segundos porque o público o ovacionou sem parar. O cantor disse em português “Estou muito feliz que realizei o sonho de visitar o Brasil.”
Em um cenário marcado pela superprodução de jogos e pela disputa permanente por atenção, a cobertura especializada em games no Brasil enfrenta limites cada vez mais visíveis. O painel “Game devs e a imprensa: o atual jornalismo de games no Brasil e como se relacionar com ele”, realizado no EAI Jogos, no Ibrawork, em São Paulo, na edição de novembro de 2025, reuniu jornalistas e profissionais da indústria para discutir como a pressão por métricas e as novas formas de mediação com o público afeta os critérios editoriais e aumenta a distância entre quem produz os jogos e quem os noticia.
O EAI Jogos é um evento periódico da comunidade de desenvolvimento de games em São Paulo, criado para reunir desenvolvedores, estudantes, jornalistas e criadores de conteúdo, para se falar sobre o cenário de games atual brasileiro. Na edição, os especialistas se encontraram para discutir não apenas a visibilidade dos jogos independentes, mas o próprio papel da imprensa na construção da narrativa sobre a produção nacional.
No encontro, estiveram presentes: Pablo Miyazawa, jornalista especializado em cultura pop e videogames, com passagens por revistas como Nintendo World e EGM BRASIL e sócio-fundador do The Gaming Era; Bruna Penilhas, jornalista especializada em games e cultura pop, com passagens em veículos como IGN Brasil, Loading e Canaltech; Marcelo Gimenes Vieira, jornalista especializado em mercado de games, fundador e editor-chefe do The Gaming era; e Francesco Casagrande, jornalista especializado em games e criador de conteúdo, conhecido pelo trabalho na Voxel, TecMundo.
O debate proposto pelo EAI Jogos não se limita ao desenvolvimento de jogos ou à organização do mercado. Além de discussões sobre imprensa, visibilidade e comunicação, o evento também abriu espaço para reflexões sobre o funcionamento da cobertura especializada em games no Brasil e sobre a relação entre jornalistas e desenvolvedores.
Criado a partir da demanda recorrente de estudantes e aspirantes a desenvolvedores por mais oportunidades de contato com o mercado profissional, o EAI Jogos foi pensado como um encontro recorrente voltado para a troca de experiências, networking e debate sobre diferentes aspectos da indústria. Para Pedro Silva Oliveira, criador da iniciativa, esse princípio sempre foi central. “O EAI Jogos, na sua essência, mudou muito pouco. Sempre fomos muito fiéis ao ponto inicial de ser esse espaço de frequência para a comunidade se encontrar e se conectar”, afirma.
Segundo o criador, as transformações recentes do evento não representam uma ruptura, mas uma expansão de formato. Iniciativas como o Fórum do EAI, realizado em parceria com a CULT-SP PRO, programa criado pelo Governo do Estado de São Paulo, com o intuito de incentivar e apoiar na qualificação profissional em meios criativos, a criação do EAI Awards, previsto para 2026, ampliam o alcance da proposta original. O evento também funciona como um espaço de análise comparativa da indústria, servindo como ponto de referência para que profissionais observem práticas, tendências e formatos de atuação do mercado de games, inspirado em modelos como a Game Developers Conference (GDC), ao reunir profissionais experientes, novos talentos e conteúdos que vão além da técnica e comunicação.
A crise do jornalismo de games no Brasil é estrutural e passa, antes de tudo, pela falta de tempo e de mão de obra. Em um mercado no qual centenas de jogos são lançados mensalmente, o modelo de cobertura baseado em otimização para mecanismos de busca se impõe como regra. O resultado é uma imprensa cada vez mais pautada por tendências internacionais.
Para Lucas Resende Toso, jornalista e criador do podcast e site “Controles Voadores”, a estrutura atual dificulta a própria prática do jornalismo crítico. Segundo ele, a lógica algorítmica e de performance afeta diretamente as decisões editoriais, tornando cada vez mais raro o investimento em pautas que não garantem retorno imediato. “Os melhores jornalistas de jogos que eu vejo hoje no Brasil são feitos de maneira independente e, em sua maioria, financiados coletivamente”, argumenta.
Essa lógica impacta de forma direta a visibilidade dos jogos independentes brasileiros. Em muitos casos, títulos nacionais só ganham espaço quando “furam a bolha”, seja por reconhecimento internacional, premiações ou viralização nas redes sociais. Fora dessas exceções, a produção independente permanece invisível, disputando atenção com grandes franquias globais e conteúdos pensados prioritariamente para gerar cliques. A cobertura passa a existir menos como mediação cultural e mais como resposta a métricas de desempenho.
No caso do “Controles Voadores”, o recorte exclusivo para jogos brasileiros surgiu, segundo Toso, como uma estratégia de sobrevivência e de identidade. “Mais do que um podcast sobre jogos, eu sempre digo que o Controles é um projeto sobre pessoas”, explica. Para ele, a falta de memória e de registro histórico da produção nacional reforça a necessidade de projetos de curadoria que acompanhem trajetórias, processos e contextos, algo difícil de ser feito em redações tradicionais.
Nesse ambiente, outro ruído central se intensifica: a confusão de papéis entre jornalismo, influenciadores e marketing. Com a ascensão das redes sociais e dos criadores de conteúdo, as fronteiras entre informar e opinar se tornam cada vez mais difusas. Para muitos desenvolvedores, o jornalista passa a ser visto como um agente de divulgação direta, uma expectativa que raramente se sustenta.
Pedro Silva Oliveira aponta que um dos maiores problemas dessa relação está na ausência de uma visão de longo prazo: “Muitos desenvolvedores ficam presos à ideia de dar a cara a tapa uma vez, achando que o jornalista vai se apaixonar pela premissa do jogo e fazer a matéria que vai gerar milhares de wishlists”. Para ele, essa lógica herdada das redes sociais, ignora que a comunicação com a imprensa exige paciência e empatia. “Reduzir o jornalista a um divulgador esvazia o papel da apuração, da contextualização e da crítica”, completa.
Toso compartilha da mesma leitura e aponta que, diante da fragilização da imprensa especializada, muitos estúdios passam a enxergar criadores de conteúdo como principais mediadores com o público. “Possivelmente preferem ter seu jogo jogado por um youtuber famoso do que ter uma crítica em um site médio ou até mesmo num jornal”, observa. Para ele, enquanto o criador de conteúdo opera numa lógica mais individual, o jornalismo deveria se orientar por um compromisso coletivo de formação de público e construção de memória cultural.
Ao mesmo tempo, o cenário econômico da indústria intensifica essa pressão por visibilidade imediata. Um relatório da Gamalytics, divulgado em outubro de 2025, apontou que mais de 5 mil jogos lançados na Steam naquele ano não venderam sequer 100 dólares em cópias. Ainda para Toso, esse contexto ajuda a explicar o desespero por atenção. “Fazer jogo independente é um esforço artístico enorme que precisa de apoio e estabilidade como qualquer outro trabalho”, afirma, criticando a reprodução de discursos genéricos sobre o tamanho da indústria sem considerar suas desigualdades internas.
O debate revela que desenvolvedores, jornalistas e criadores de conteúdo fazem parte de uma mesma cadeia. Sem jornalismo, torna-se mais difícil contextualizar à produção nacional. Sem desenvolvedores, não há histórias a serem contadas. A crise, portanto, não é apenas de visibilidade, mas sobre os papéis que cada agente ocupa dentro desse ecossistema.
A 11ª Mostra Internacional de Teatro de São Paulo (MITsp) movimenta a capital paulista entre os dias 6 e 15 de março de 2026, trazendo uma programação que ocupa diversos centros culturais com produções nacionais e internacionais, todas com interpretação em libras.
Reconhecido como um dos maiores festivais de artes cênicas do país, a MITsp traz ao Itaú Cultural atividades que integram os quatro eixos do evento: Mostra de Espetáculos, MITbr – Plataforma Brasil, Ações Pedagógicas e Olhares Críticos. Nesta edição, o festival propõe reflexões sobre importantes temas da atualidade, como vigilância, controle social, violência e imigração.
Dentre um dos principais palcos, destaca-se o Itaú Cultural (IC) que recebe peças e ações com foco na produção do Centro-Oeste brasileiro.
Além do Itaú Cultural, a mostra estende-se por outros espaços culturais, como o Sesc SP, que recebe produções internacionais de peso, como as peças dirigidas por Thomas Ostermeier (História da Violência e Quem Matou Meu Pai). As peças também serão apresentadas no Centro Cultural São Paulo (CCSP) e Instituto Brasileiro de Teatro (iBT).
As vendas para os espetáculos pagos iniciaram em 12 de fevereiro. Para saber mais sobre o cronograma detalhado de cada espetáculo e os horários das atividades formativas, o público pode acessar o site oficial da MITsp ou acompanhar as atualizações pelas redes sociais do evento.
Confira abaixo mais informações sobre alguns dos espetáculos nacionais.
Atrás das paredes
7 e 8 de março de 2026 | 19h
Sala Itaú Cultural – 224 lugares
Entrada gratuita.
Retirada do ingresso a partir das 12h do dia 3 de março
Galhada, em tempos de fissura
10 e 11 de março de 2026 | 19h
Sala Itaú Cultural – 224 lugares
Entrada gratuita.
Retirada do ingresso a partir das 12h do dia 3 de março
Dança boba
12 e 13 de março de 2026 | 19h
Sala Itaú Cultural – 224 lugares
Entrada gratuita.
Retirada do ingresso a partir das 12h do dia 10 de março
Cabeça de toco, aqui tudo é mato
14 e 15 de março de 2026 | 18h
Sala Itaú Cultural – 224 lugares
Entrada gratuita.
Retirada do ingresso a partir das 12h do dia 10 de março