Voltando às suas raízes porto-riquenhas, Bruno Mars lançou seu novo álbum “The Romantic” na última sexta-feira (27), que traz uma proposta de canções românticas. As nove faixas do álbum abordam temas como amor profundo, conflitos de relacionamento e a intensidade de se entregar a uma paixão.
Após singles de sucesso em colaboração com outros artistas ao decorrer dos últimos dois anos, como “Die With a Smile”, com Lady Gaga, e “APT.” com Rosé, o primeiro lançamento individual, “I Just Might”, alcançou na primeira semana de lançamento o primeiro lugar na Billboard Hot 100.
Cinco anos depois de seu último álbum de estúdio, “An Evening With Silk Sonic”, em parceria com o rapper Anderson .Paak, Bruno Mars deixa o R&B de lado e resgata o pop melódico que alavancou o início de sua carreira. Os fãs de suas primeiras produções, como “Doo-Wops & Hooligans” de 2010 e “Unorthodox Jukebox”, de 2012, vão reconhecer traços da antiga versão naturalmente romântica do artista.
Em “The Romantic”, tanto seu estilo musical, quanto o personagem que Bruno assume no projeto, se renovam. Seu estilo pop eletrônico e dançante, assim como sua versão festeira, vaidosa e exibicionista, como visto em seu último álbum solo, são abandonadas. Em seu novo disco, o cantor havaiano retorna à personalidade romântica, evidenciada pelas letras e ritmos das canções, que resgatam o estilo de canções de amor e ‘sofrência’ latino americanas.
Faixas como “God Was Showing Off”, “Cha Cha Cha” e “Risk It All”, música de abertura do disco, misturam instrumentos e ritmo natural da América latina, como melodias de bolero e merengue e arranjos de trompete, violão e conga, com o pop clássico de Bruno, marcado por suas letras chiclete e ritmo disco, simples e dançante.
Outras, como “On My Soul” e “Something Serious” bebem de uma influência popular da década de 70. O grande hit do álbum, “I Just Might”, que já conta com quase 200 milhões de reproduções no Spotify, é uma faixa clássica do estilo do artista, como pop moderno, com toques de seus discos anteriores.
O resultado é um disco de nove faixas que misturam o gênero de especialidade de Bruno, toques de R&B, com influências da musicalidade latina de descendências do cantor, remetendo à clássicos de moda de viola brega e bolero. Assim, o artista traz à vida canções de tom romântico que remetem à cultura clássica da América e com lírica que traz de volta o drama de telenovelas mexicanas.
Nova turnê de Bruno Mars
Em janeiro, Bruno Mars já havia anunciado a “The Romantic Tour”, nova turnê dedicada ao álbum. Shows já foram confirmados em estádios da América do Norte e Europa, que terão início em abril deste ano, nos Estados Unidos. As performances contaram com participações especiais de artistas como Leon Thomas, Raye e Victoria Monet. Confira o anúncio dos shows.
A ausência do Brasil na lista de shows gerou debates nas redes sociais, chamando a atenção de Anderson .Paak, que também participará de performances na turnê. No post de anúncio de Bruno, o rapper questionou: “Mas e o Brasil?”, rapidamente se tornando o comentário mais curtido da publicação.
A última vez que o cantor pop se apresentou na América do Sul foi em 2024, com a turnê “Live In Brazil”, quando realizou 15 shows pelas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba e Belo Horizonte.
Na sexta-feira (06), o 033 Rooftop, em São Paulo (SP), recebeu a estreia de “Gal – O Musical”, espetáculo que revisita a trajetória artística e humana de Gal Costa, um dos maiores nomes da música popular brasileira e figura central do movimento tropicalista. Com direção de Marília Toledo e Kleber Montanheiro, direção musical de Daniel Rocha e produção da Paris Cultural, a montagem segue em cartaz até 10 de maio, com ingressos que variam entre R$ 50 e R$ 300. A temporada integra as comemorações de dez anos do Teatro Santander e aposta em uma narrativa que combina memória, dramaturgia e espetáculo musical para apresentar ao público diferentes fases da carreira da artista.
No papel principal, a atriz Walerie Gondim assume o desafio de interpretar Gal, após um processo de audições que buscou uma artista capaz de reunir potência vocal, presença de palco e densidade dramática. A escolha priorizou não apenas a semelhança física ou vocal, mas a capacidade de transmitir a intensidade emocional que marcou a trajetória da cantora. O elenco conta ainda com atores e atrizes que interpretam personagens fundamentais na vida da artista, incluindo músicos, familiares e parceiros de geração. Cerca de 80% do grupo é formado por artistas nordestinos, decisão que reforça a conexão do espetáculo com as raízes baianas de Gal.
A matéria-prima do musical é a própria história da cantora. A narrativa parte da infância em Salvador (BA), quando Maria da Graça Costa Penna Burgos cresceu ouvindo rádio e desenvolvendo uma admiração precoce pela música. A relação com a mãe, Mariah, aparece como elemento estruturante do enredo, destacando o incentivo familiar que foi decisivo para a escolha da carreira artística. O espetáculo acompanha o momento em que a jovem decide deixar a Bahia e apostar na música profissionalmente, movimento que mudaria não apenas sua vida, mas a história da música brasileira.
O roteiro dedica espaço especial aos encontros e às amizades com Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gilberto Gil e Tom Zé. Unidos inicialmente por afinidades artísticas e inquietações estéticas, esses jovens baianos começaram a se apresentar no Teatro Vila Velha e deram origem a uma das experiências mais inovadoras da cultura brasileira do século XX. O tropicalismo surge na encenação como força criativa e também como ponto de tensão, já que o movimento enfrentou resistência tanto de setores conservadores quanto de parte da própria esquerda intelectual da época.
Ambientado no contexto da década de 1960, o musical recria o período da Ditadura Militar, quando a censura e a repressão atingiam artistas e intelectuais brasileiros. Nesse cenário, a arte tornou-se espaço de disputa simbólica e afirmação de liberdade. A participação de Gal no álbum coletivo “Tropicália ou Panis et Circensis” é apresentada como marco de ruptura estética. A obra sintetizou a proposta tropicalista de misturar tradição e modernidade, cultura popular e referências internacionais, consolidando uma nova linguagem musical.
A apresentação também aborda momentos delicados da vida da cantora, como a prisão e o exílio de parceiros artísticos durante o regime militar, além das pressões impostas pelo mercado fonográfico. O encontro com o empresário Guilherme Araújo aparece como ponto de inflexão na carreira, contribuindo para a consolidação de Gal como estrela nacional. Ao longo dos anos 1970 e 1980, ela ampliou seu repertório e dialogou com diferentes tendências, transitando entre baladas românticas, samba, pop e outras experimentações sonoras.
Os números musicais estruturam a narrativa e funcionam como fio condutor da história. O repertório inclui canções como “Baby”, “Divino, Maravilhoso”, “Vapor Barato”, “Força Estranha”, “Vaca Profana”, “Azul”, “Sorte”, “Brasil” e “Balancê”, entre outras. Cada música surge contextualizada, evidenciando como determinadas interpretações dialogavam com o momento político e cultural do país. A proposta dramatúrgica busca evitar uma simples sequência de sucessos e constrói uma linha narrativa que relaciona as canções aos conflitos e às transformações vividas pela artista.
Visualmente, o espetáculo investe em uma estética que remete ao clima psicodélico das décadas de 1960 e 1970. Figurinos coloridos, cabelos soltos e referências à moda tropicalista compõem a ambientação, enquanto projeções audiovisuais ajudam a situar o público nos diferentes períodos retratados. A banda ao vivo reforça o caráter performático da montagem, aproximando o espectador da experiência de um show. Ao mesmo tempo, cenas mais intimistas revelam fragilidades, dúvidas e dilemas pessoais da compositora, ampliando o retrato para além da figura pública.
Vida da artista
Nascida em Salvador, em 26 de setembro de 1945, Gal Costa construiu uma carreira marcada pela versatilidade e pela capacidade de reinvenção. Dona de voz potente e timbre inconfundível, tornou-se referência como intérprete capaz de transitar entre delicadeza e explosão dramática. Ao longo de mais de cinco décadas, lançou dezenas de álbuns, colaborou com diferentes gerações de compositores e consolidou-se como uma das maiores vozes da música brasileira. Sua presença de palco, marcada por liberdade corporal e ousadia estética, também contribuiu para ampliar as possibilidades de representação feminina na cultura popular.
Além da dimensão artística, Gal tornou-se símbolo de emancipação e autonomia em um período de forte conservadorismo. Sua postura diante da censura, defesa da liberdade criativa e recusa em se enquadrar em padrões rígidos, ajudaram a redefinir o papel da mulher na indústria musical.
Gal faleceu em novembro de 2022, deixando um legado que permanece vivo no repertório afetivo de diferentes gerações.
Ao retornar aos palcos por meio de “Gal – O Musical”, sua trajetória ganha nova camada de interpretação, conectando memória e atualidade. A produção propõe não apenas uma homenagem, mas uma reflexão sobre o papel transformador da arte em contextos de crise.
Ao revisitar a história de uma artista que atravessou décadas, o musical reafirma a importância de preservar a memória musical brasileira e convida o público a reconhecer na trajetória de Gal Costa não apenas uma cantora, mas um símbolo de resistência, inovação e liberdade.
Com a Netflix oficialmente fora da negociação, a Paramount Skydance confirmou, em anúncio feito na última sexta-feira (27), a compra da Warner Bros. Discovery (WBD) por US$ 110 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 568 bilhões. A conclusão da transação está prevista para o terceiro trimestre de 2026 e ainda depende de aprovações regulatórias.
A Warner Bros. Discovery é um dos maiores conglomerados de mídia do mundo, responsável por um estúdio centenário de Hollywood e por marcas como HBO, DC Studios e CNN, além de um vasto catálogo de produções cinematográficas e televisivas.
David Zaslav, CEO da WBD, disse estar muito satisfeito com o resultado. “Estamos ansiosos para trabalhar com a Paramount para concluir esta transação histórica”.
De acordo com o CEO da Paramount, David Ellison, a fusão das plataformas poderá resultar em uma base superior a 200 milhões de assinantes globais, após unificar as plataformas Paramount+, Pluto TV e BET+.
Posteriormente, o mesmo modelo deverá ser aplicado à HBO Max, reunindo os serviços sob uma estrutura operacional unificada. Ainda não se sabe se a HBO estará totalmente integrada à plataforma ou se funcionará como uma marca dentro do serviço.
Com a combinação das plataformas, franquias de sucesso como “Harry Potter”, “Game of Thrones” e o universo DC passarão a compor um mesmo ecossistema de streaming. No entanto, segundo Ellison, cada serviço continuará operando com independência editorial, preservando sua identidade.
A aprovação de órgãos reguladores poderá alterar o atual cenário do streaming internacional, consolidando um novo arranjo operacional entre plataformas e estúdios tradicionais.
A plataforma Netflix anunciou, na última quinta-feira (26), a desistência da compra da Warner Bros. Discovery (WBD), empresa responsável pelo streaming HBO Max, depois de a Paramount Skydance apresentar uma proposta superior. O acordo, que estava em andamento desde dezembro de 2025, era avaliado em cerca de US$ 82,7 bilhões.
A negociação havia sido comunicada ao mercado no fim do ano passado e era considerada estratégica para o setor de entretenimento, já que envolveria uma grande fusão da indústria audiovisual recente. A WBD é responsável por franquias de sucesso como “Harry Potter” e o universo DC, o que ampliaria significativamente o catálogo de filmes da Netflix.
No entanto, o cenário teve uma reviravolta nesta semana com a nova investida da Paramount. Os co-CEOs da Netflix, Ted Sarandos e Greg Peters decidiram não aumentar sua oferta pela empresa.
“Sempre fomos disciplinados e, pelo preço exigido para igualar a última oferta da Paramount Skydance, o negócio deixa de ser financeiramente atraente, portanto, estamos recusando a oferta da Paramount Skydance”, afirmaram os co-CEOS em declaração oficial.
A desistência da Netflix reacendeu um debate dentro da indústria cinematográfica. De acordo com o jornal “New York Times”, o anúncio do fim do ano passado havia gerado preocupações por um grupo de produtores de cinema que temiam os possíveis impactos na exibição de filmes.
“A Netflix considera qualquer tempo gasto assistindo a um filme no cinema como tempo não gasto em sua plataforma. Eles não têm nenhum incentivo para apoiar a exibição em salas de cinema e têm todos os incentivos para acabar com ela.”, alegam produtores em carta anônima.
Se antes a possível compra da WBD pela Netflix gerava debates no campo criativo, a eventual aquisição pela Paramount desloca a discussão para o campo político. O CEO da empresa, David Ellison, é visto como aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o que intensificou questionamentos sobre possíveis impactos na independência editorial da CNN (que faz parte do grupo Warner).
Com a saída da Netflix da disputa, a decisão agora depende da aprovação de órgãos reguladores. O desfecho da negociação poderá redefinir não apenas o mercado de streaming, mas também as consequências para um dos grandes veículos de informação global.
Por décadas, São Paulo acorda cedo ao som de barracas sendo montadas, caminhões descarregando frutas e vendedores afinando o gogó para anunciar promoções. De norte a sul, as feiras livres desenham um dos cenários mais afetivos da vida paulistana. Não é apenas o lugar onde se compra comida fresca: é onde se conversa, se briga pelo preço, se prova um pedacinho de melancia e se encontra o vizinho que você só vê ali, entre uma dúzia de banana e um pé de alface.
Juca Alves, de 40 anos, conta que vende frutas há 28 anos na zona norte de São Paulo e brinca que o relógio dele funciona diferente. “Minha rotina é a mesma todos os dias. Meu dia começa quando a cidade ainda está dormindo. Se eu bobear, o morango acorda antes de mim”.
Nas bancas de comida, o pastel é rei. “Se não tiver barulho de óleo estalando e alguém gritando não tem graça”, afirma dona Sônia, pasteleira há 19 anos junto com o marido e filhos. “Minha família cresceu ao redor de panelas de óleo e montes de pastéis. E eu fico muito realizada com isso.
Quando o relógio se aproxima do meio dia, começa o momento mais esperado por parte do público: a famosa xepa. É quando o preço cai e a disputa aumenta. Em uma cidade acelerada como São Paulo, a feira livre funciona como uma pausa afetiva, um lembrete de que existe vida fora do concreto. E enquanto houver paulistanos dispostos a acordar cedo por um pastel quentinho e uma conversa boa, as feiras continuarão firmes, coloridas, barulhentas e deliciosamente caóticas.