Nesse momento em que o mundo se encontra isolado devido à pandemia do novo coronavírus, ter uma distração tornou-se indispensável para a saúde mental. Por conta disso, o YouTube desponta como uma das redes socais que mais cresceram durante o isolamento social. O brasileiro aumentou 91% o tempo de tela na plataforma durante a pandemia, segundo pesquisa ComScore VideoMetrix, de julho de 2019 a junho de 2020.
Pegando o impulso desse fato, Youtubers tiveram os seus engajamentos e suas relevâncias aumentadas em relação ao período pré-pandêmico. Um exemplo disso foi o canal Matando Matheus a Grito. O mineiro, que grava vídeos com o namorado Guigo, atualmente está com 541 mil inscritos no canal. Um aumento de mais de 300 mil inscritos em comparação a novembro de 2019.

Canais voltados ao entretenimento tiveram seus números inflacionados nesse período. Isso se dá pelo fato da população passar mais tempo em casa e necessitar de distração para esse período. “Estar sempre em casa é muito maçante. Em alguns momentos precisamos nos distrair para esquecer um pouco do caos que vivemos. Vídeos que me fazem rir, me entretém, me relaxam e me fazem sentir mais viva nesse período”, afirma Helena Costa, estudante de Psicologia que está de quarentena desde de março de 2020.
Assim como canais de entretenimento, os canais de conteúdo gamer, dedicados aos jogos digitais, tiveram crescimento considerável. Um exemplo disso é de que entre os 10 canais brasileiros que mais tiveram crescimento em 2020, 4 são desse gênero. "Sou apaixonado pelo universo gamer. Durante a quarentena joguei muito among us e sempre procurava vídeos para me divertir. Fez muito bem pra mim, ainda mais para distrair nesse período de aula on-line”, diz Thiago Alexandre, estudante do ensino médio da rede pública paulista de ensino.
O que mais se destaca é o canal do jovem paulistano Nobru. Atualmente com 12,2 milhões de inscritos, os vídeos de maior notoriedade são o Free Fire e o Among Us.

Outro gênero que teve crescimento foi o do esporte. Apesar da pausa nas competições esportivas durante a pandemia, a procura por informações e divertimento continuou. Destaque para o canal “Que Jogada”, que aborda conteúdo voltado ao futebol. No canal, há quadros de jogos dinâmicos sobre diversos temas para atrair os telespectadores que ficaram um tempo sem poder acompanhar o time do coração.
O conhecido programa Big Brother foi lançado em 1999, na Holanda, e teve sua origem inspirada no livro “1984”, de George Orwell, que conta a história de uma cidade distópica ditatorial na qual todos são vigiados 24 horas por dia. O reality show se inicia com um grupo de pessoas confinadas em uma casa, que vão sendo orientadas pelo “Grande Irmão” - o apresentador - ao longo de meses, com jogos, festas, e eliminações.
O programa foi ao ar pela primeira vez no Brasil em 2002, e se tornou o reality show mais famoso no país, tomando proporções gigantescas. No ano passado, por exemplo, com o avanço da pandemia do novo coronavírus, o BBB20 foi um escape da tragédia que acontecia, e acontece, no Brasil, e se tornou uma edição histórica. Naquela edição, foi criada uma nova dinâmica: metade dos participantes seriam celebridades (camarote) e metade, pessoas não famosas (pipoca).
No início parecia ser uma ótima ideia para as celebridades que queriam se divulgar e aumentar sua popularidade nas redes. Entretanto, o jogo pode ser mais difícil do que parece. Alguns acabam se “perdendo” ao longo dele, mostrando comportamentos não esperados e inaceitáveis aos olhos da audiência, afinal, são observados por milhões de pessoas durante 24 horas por dia.
A famosa cultura do cancelamento foi um tema bastante discutido nas edições de 2020 e 2021. Na edição atual, um grupo formado dentro da casa se destacou bastante, negativamente, nesta questão. O chamado “gabinete do ódio”, composto por Karol Conká, Nego Di, Projota, Pocah e Lumena. Esta última é a única ‘pipoca’, ou seja, não famosa, e teve um grande destaque movido principalmente por seu posicionamento quanto ao participante Lucas Koka Penteado - ator paulista que enfrentou diversas críticas do grupo.
Três deles, já eliminados do programa, foram os grandes alvos da audiência e tiveram os maiores índices de rejeição já vistos como consequência de seus comportamentos e posicionamentos dentro da casa.
Para o rapper Projota, 35, as consequências incluem a diminuição de ouvintes nas principais plataformas de streaming e de público no youtube, além da grande onda de cancelamento. Já o comediante Nego Di, 26, perdeu grande parte de sua credibilidade na carreira de comediante e cerca de 200 mil seguidores na rede social Instagram. Contudo, Nego Di lidou de uma forma conturbada com a onda de cancelamentos do público, e mais precisamente com a emissora Globo, responsável pela transmissão do programa, que o tratou de forma diferenciada depois de sua saída.
O comediante, em entrevista ao programa Pânico na Band, além de quebrar um contrato milionário com a Globo por não poder participar de outros programas que não fossem da própria emissora por um determinado período, contou que após a sua saída da casa, a Globo não lhe deu nenhum espaço na programação para que ele tentasse recuperar a sua imagem, "O que me intrigou foi o acolhimento que a Karol Conká teve. Começou a me incomodar. Porque eu fiquei: 'Será que a minha família não importa tanto quanto a dela?'. Porque eu fui ameaçado, meu filho foi ameaçado, meu filho não pode mais ir para escola, tive que sair de lá de carro blindado, coisa que eu nunca tinha vivido", desabafa Nego Di.
Apesar de ter assinado um contrato de exclusividade com a Rede Globo, o artista disse ao programa da Band que não tem medo da multa de quebra de contrato. "A situação é a seguinte: os caras não me deram espaço. Eu tenho que ir aonde a galera está me acolhendo, fazer meu contraponto", afirmou. O comediante conta que pretende tirar vantagem da sua participação e rejeição de 98% dos votos no BBB, e que vai transformar a experiência em um novo show. "O nome eu já estou escrevendo: '98% o que a edição não deixou você ver'. Eu vou contar tudo, tem muita história lá dentro que eu ainda não contei e que eu já transformei em piada", garantiu.
Apesar de tudo, Projota e Nego Di, que eram amigos dentro da casa e hoje não se falam, conseguiram recuperar parte de suas perdas reconhecendo seus erros, comportamentos e falas, já que na internet tudo é muito rápido, e as pessoas cancelam e ‘descancelam’ a todo tempo.
Já a cantora Karol Conká, 35, foi de longe a mais prejudicada da edição. Com falas inquietantes contra o participante Lucas Koka, a artista foi altamente julgada pelo seu posicionamento dentro do programa. A cantora, que ficou conhecida pela força negra e o empoderamento feminino dentro do rap, chocou muitos fãs e amigos com sua participação, e foi eliminada com 99,17% dos votos, maior rejeição da história do reality show. 
Dentre as perdas sofridas pela artista, se acumulam menos 500 mil seguidores em sua conta na rede social Instagram; a não exibição de seu programa na GNT, “Prazer Feminino”, o cancelamento de sua apresentação no festival virtual Rec-beat, e a perda de cerca de 48 mil reais por mês com posts patrocinados - o que não deverá se repetir por um tempo. No total, as perdas estimadas com patrocínio podem chegar a 5 milhões de reais, já que muitas marcas se afastaram da cantora.
Em entrevista ao Fantástico, Karol Conká contou que durante sua infância foi vítima de altas críticas, e que por isso sente que precisa sempre estar na defensiva: "Eu era muito rejeitada, não pela minha família, mas no colégio. Um menino no colégio falou: 'mergulhe numa piscina de água sanitária para falar comigo.' Eu fiquei pensando: mas por que?”. Além disso, ela diz que o rap foi um escape do racismo e da rejeição: “Foi tipo uma gincana. Cada um entrega alguma coisa e eu falei: deixa que eu escrevo um som. Desde aquele dia, os meninos pararam de me xingar. Aí não era só a neguinha boba. Eu era a Karol Conká, a menina que faz umas rimas, que entende de rap.”
Apesar de muitas marcas, público, e celebridades terem se afastado da cantora, a Rede Globo anunciou a decisão de criar um documentário sobre a trajetória da artista no programa. “A Vida Depois do Tombo” estreou dia 29 de abril no serviço de streaming Globoplay, numa tentativa de limpar a imagem de Karol.
Com mais tempo dentro de casa durante a pandemia, muitas pessoas recorreram a diferentes atividades para ocupar o tempo e a cabeça durante o isolamento, algumas começaram novos hábitos e outras retomaram atividades que antes não tinham mais tempo de realizar. A leitura foi uma das principais escolhas feita neste período.
Mesmo o Brasil sendo um país com o número de leitores baixo e a média individual por ano sendo de cinco livros, os números na pandemia cresceram.
Em um levantamento da Nielsen Bookscan para o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) feito em dezembro de 2020 , revelou que o Brasil teve um tímido crescimento na venda de livros.
O ano de 2020 teve 49,91 milhões de livros vendidos, o que equivale a um aumento de 0,87% em comparação com o ano anterior.
A escritora e colunista Ruth Manus conta que para ela os livros são como uma espécie de companhia “São formas de conforto e uma essencial fuga à dinâmica das telas, que esgota todos nós”.
Manus sente que de um modo geral leu mais durante o último ano, já que o tempo em casa propicia leituras mais regulares “Quero manter esse hábito daqui para frente com mais compromisso e organização”.
Ela acredita que as pessoas que estão lendo mais neste período, provavelmente estão com uma saúde mental mais preservada.
As estudantes Giovanna Santos e Beatriz Liberato também passaram a ler mais durante a pandemia, elas explicam que sempre usaram a leitura como forma de escapar um pouco da realidade e se distrair, mas que neste período sentem que além disso a leitura virou uma forma de terapia para controlar a ansiedade e as preocupações "Dá para relaxar muito só sentando no quintal e lendo um livro”.
Por outro lado, a também estudante Patrícia Kimiko que costuma em geral ler bastante, não sentiu um aumento muito grande em suas leituras na pandemia e não acredita que para ela a leitura tenha servido tanto como escape neste momento, já que no seu caso a faculdade está tomando quase todo o seu tempo em casa.
A leitura é um hábito importante que não só expande o conhecimento, mas também é companheira e acolhedora. O hábito de ler deve ser algo presente na vida de todos e como Manus afirma “É uma das poucas coisas boas que fica desses tempos de Covid-19”.

Conhecido mundialmente pela sua música eletrônica, o Daft Punk oficializou no começo de 2021 o encerramento da banda. Com um som retrô e autêntico, buscavam encontrar seu estilo de música com os estilos do passado ao mesmo tempo em que tudo aquilo o que faziam era considerado inovador.
O Daft Punk veio de um cenário eletrônico que surgiu durante os anos 90 na França e pode-se dizer que foram eles quem abriram as portas para muitos outros artistas que viriam desse cenário do “french house”. Com o lançamento de seu disco "Discovery", em 2001, ajudaram a música eletrônica a ser algo pop e massificado, o que não havia ocorrido até então.
Imagem: Reprodução/Instagram
Com a ajuda de Felipe Maia - jornalista, etnomusicólogo e DJ - contaremos a trajetória da dupla francesa até o sucesso.
Essa jornada de sucesso começou ainda nos anos 80 de Paris, quando Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo se conheceram na escola. O pai de Thomas era produtor musical e Guy ganhou sua primeira guitarra quando ainda era jovem. O desejo de entrar para a indústria da música se iniciou alí já que compartilhavam muitos gostos musicais, que iam do synth-pop até as trilhas sonoras de filmes do anos 70.
Surge então o primeiro projeto da dupla, uma banda de indie rock com influências punk formada com um outro amigo deles, chamada "Darlin'”. Eles chegaram a lançar singles e abrir alguns shows, mas não foram muito bem recebidos pelo público geral. Uma revista de crítica especializada da época chegou a detonar a banda descrevendo sua música, em uma tradução livre, como estupidamente punk (em inglês, “daft punky”).

Imagem: Reprodução/Internet
A banda se separou e em 1993 Bangalter e Homem-Cristo se aproveitaram da crítica para formar o Daft Punk. Como eles sempre foram fãs dos anos 70 e seus sintetizadores, seu trabalho traria uma forte influência dessa época. Em 1994 eles lançam seu primeiro single chamado “New Wave”. No ano seguinte eles retornam as produções e apresentam seu segundo single e primeiro sucesso comercial “Da Funk”.
Já com certa notoriedade nesse nicho, em 1997 a dupla, com a ajuda da Virgin Records, grava e lança seu primeiro disco, “Homework”, sendo onde tudo muda. Com boa recepção da crítica e do público o álbum era uma grande mistura de gêneros musicais sendo possível notar pelo menos um pouco de house, techno, acid house, electro e funk em cada uma das trilhas. Esse conceito ficou conhecido como “french house” e foi aí que o mundo teve conhecimento dele pela primeira vez.
Para saber mais sobre a trajetória da dupla e ouvir o podcast com Felipe Maia clique aqui.
Das favelas às grandes baladas de elite, dos barracos aos palácios, o funk vem ganhando cada vez mais espaço Brasil afora. A cultura popular é qualquer manifestação cultural de que o povo produz e participa ativamente, como por exemplo o funk. Ao longo de três décadas de evolução, foram criadas inúmeras vertentes sob o estilo musical mais popular do país, como brega funk, pop funk, arrocha funk entre outros. O ritmo que saiu das periferias por pessoas produzindo músicas de uma forma extremamente precária e hoje vem tomando cada vez mais gravadoras e rádios é um ótimo exemplo dos efeitos da indústria cultural.
Um dos textos mais conhecidos de Theodor Adorno e Max Horkheimer pela Escola de Frankfurt trata sobre o conceito de "Indústria Cultural”, onde diz que a arte, dentro de um sistema capitalista, passa a ser tratada não como uma forma de expressão sincera, mas sim como um produto visando o lucro. Assim qualquer produto de arte, como a música, é transformado em produto para a “massa”, visando assim maior alcance e aceitação, gerando mais lucro.
Fato é que o funk também movimenta a economia brasileira, despertando um incômodo em parte da população brasileira, com voz ativa, a elite. O funk assusta a elite brasileira, justamente por ser a realidade de muitos, mas conhecida por poucos. Assim a realidade da pobre população brasileira das favelas, acaba sendo invalidada, causando aversão à sociedade, em que ser morador de comunidade está automaticamente associado a ser bandido. A sociedade repulsa o termo “favelado”, pois é mais cômodo fingir que não existe a realidade que abrange a maioria do que encará-la. As pessoas querem hinos de amor e paz, vindos daqueles que não são expostos a essas circunstâncias. É preciso que levem incentivos e oportunidade aos moradores dessas comunidades, principalmente aos jovens, que são o maior número de ouvintes do funk, como afirmou a cantora Anitta em um palestra em Harvard: “A rejeição ao funk é única e exclusivamente porque veio do pobre, da favela. O funkeiro canta a realidade dele. Se ele acorda, abre a janela e vê gente armada se drogando, se prostituindo, essa é a realidade dele. Para mudar o contexto da letra do funk, você precisa mudar a realidade de quem está vivendo essa realidade”.
Com a apresentação da rapper Cardi B no Grammy 2021, que incluiu um trecho do remix do brasileiro Pedro Sampaio, o produtor dos Mamonas Assassinas, Rick Bonadio, moveu as redes após publicar em seu Twitter: “Já exportamos Bossa Nova, já exportamos Samba Rock, Jobim, Ben Jor. Até Roberto Carlos. Mas o barulho que fazem por causa de 15 segundos de Funk na apresentação da Cardi B me deixa com vergonha. Precisamos exportar música boa e não esse ‘fica de quatro!’”. Nomes do funk, como Anitta, Lexa e Valesca Popozuda, rebateram Bonadio “O funk evoluiu e cresceu tanto que estava no Grammy ontem. É preciso respeitar nosso movimento. Tenho respeito pelo seu trabalho e esperamos o mesmo respeito. O funk é cultura, é música e tá quebrando barreiras sim.” tweetou Lexa.
A cantora Ludmilla em entrevista ao Metrópoles em novembro de 2020 disse: “Levei o funk para as pessoas mais elitistas, aquelas que julgavam o ritmo como música de marginal e estou na luta para levar o funk para o mundo”. No último dia 3 de abril a cantora comandou o show na casa do Big Brother Brasil e durante sua performance declarou: "A próxima música que vou cantar agora fala sobre uma coisa que o mundo está precisando, que é respeito. Respeita o nosso funk, respeita a nossa cor, respeita o nosso cabelo”.
Apesar de ainda ser muito discriminado por grande parte da sociedade, o funk vem ganhando respeito na música e representando a comunidade. O funk é uma forma de porta-voz da favela, e a maneira como é criminalizado nega espaço às periferias e pautas importantes debatidas, como o racismo e a violência policial.
As periferias, diariamente marginalizadas no país e limitadas a relatos de violência e estatísticas de pobreza, encontraram no funk uma identidade e uma oportunidade para expressar o que vivem. A música da periferia ainda segue na luta pela conquista de seu espaço e respeito da sociedade.














