Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
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06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

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Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
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06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
por
Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

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Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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Em entrevista na "Comix Book Shop" explicamos a maior visibilidade e procura dos Comic Books
por
Arthur Pessoa, Bruna Damin e Luciana Zerati.
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05/05/2022 - 12h

Não é novidade para ninguém que a indústria cinematográfica fatura bilhões de dólares com filmes de super-heróis, tanto que quatro das dez maiores bilheterias da história são de filmes da Marvel, uma das principais empresas do ramo, fora outros grandes sucessos de companhias rivais, como as sagas do Batman e Superman da DC Comics, que vão às telonas pela Warner Bros.

A maioria destes personagens surgiram através das revistas em quadrinhos durante os anos de 1930 a 1950. Capitão América, Mulher Maravilha e Flash são apenas alguns dos maiores exemplos. Hoje, o mercado está mudando, e os mangás japoneses estão superando os tradicionais gigantes estadunidenses em vendas, inclusive em pleno território norte-americano. 

Porém, restam perguntas ao ar: como uma sociedade que está perdendo cada vez mais o hábito da leitura, e neste caso, tendo excelentes conteúdos de super-heróis no cinema, serviços de streaming e em video games, está consumindo mais quadrinhos do que antes, e não o contrário? Por que os mangás orientais estão vendendo mais do que as tradicionais HQs nos Estados Unidos e na Europa?

Para responder tais questionamentos, entrevistamos Bruno de Oliveira Kawazuro, 25 anos, funcionário da Comix Book Shop:

 

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Relembre o sucesso nostálgico e os símbolos contra a repressão.
por
Bruna Zanella C Damin e Luciana Meira Zerati
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05/05/2022 - 12h

“Uma Noite em 67” é um documentário brasileiro dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil sobre o Festival de Música Brasileira, ocorrido durante a ditadura militar. O evento contou com a participação de artistas como: Edu Lobo, Chico Buarque, Roberto Carlos e Gilberto Gil. O longa-metragem reproduz o Movimento Tropicalia, abordando a repressão, a censura e a ausência de liberdades democráticas no Brasil da época. Um símbolo muito usado contra o Imperialismo foi a música, por exemplo, “Caminhando” de Geraldo Vandré, que foi considerada o maior hino da resistência política.

 

Ingresso Uma Noite em 67
Ingresso "Uma Noite em 67"

O filme ambienta fielmente um período conturbado e obscuro da história do país, dando voz a esperança das pessoas através da representação artística. O objetivo dos diretores foi passar uma experiência única do que aconteceu na noite final do festival, coisa que, de acordo com o site “Vertentes do Cinema”, foi bem sucedido, podendo ser relembrado independentemente da época.

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Artista revolucionou o cinema brasileiro com sua interpretação de Jeca Tatu
por
Dayres Vitoria
Victoria Nogueira
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05/05/2022 - 12h

Reinventou  a figura do caipira e principalmente  o consagrou como parte da cultura popular do Brasil, esse foi Amácio Mazzaropi, importante humorista e cineasta brasileiro que, com sua personalidade, foi capaz de divulgar a imagem do caipira pelo Brasil através de seus filmes, em que na maioria deles  era o  protagonista. 

O “Charles Chaplin brasileiro”, como é considerado por muitos fãs e até mesmo críticos,  ajudou a consolidar uma indústria da comédia cinematográfica 100% nacional ao trazer ao público o modo de viver de um cara simples do interior. Em seu filme  “Jeca Tatu”, de 1959, o personagem caipira Jeca, apesar de ser um homem preguiçoso - ideia  pejorativa atribuída ao conceito de caipira criado por Monteiro Lobato -  desmistifica percepções equivocadas sobre quem é o caipira. 

Segundo o  pesquisador de cinema e professor na Universidade Estadual Paulista (Unesp) Eduardo José Afonso,  Mazzaropi  fez algo inédito ao ser capaz de jogar por terra esse estereótipo a respeito do personagem cuja a personalidade, conforme o professor aponta, representa a maioria dos pobres majoritariamente desvalorizados e tidos como atrasados e analfabetos.  

Ainda de acordo com o  professor, no retrato de um ser humano engraçado e sensível, se destacava também a capacidade dele de lidar com o preconceito e com  a discriminação. O pesquisador indica que o recado do personagem Jeca para o público que se identificava  era: “Você também pode mostrar àquele que reprime, explora e impõe o preconceito, que ele está errado”. 

 

Mazzaropi ressignificou a figura do caipira no cinema brasileiro | Reprodução
Amácio Mazzaropi ressignificou a figura do caipira no cinema brasileiro | Reprodução.

 

Já no filme “Tristeza do Jeca”, de 1961, o artista apresenta outro aspecto do caipira que foge da construção de imagem que a sociedade tem deste indivíduo. Nesta obra cinematográfica Jeca continua sendo o mesmo cara simples e humilde do campo, só que agora ele também passa a ser representado como um líder, capaz de influenciar diretamente as opiniões daqueles que vivem em sua região. Pelo prestígio que tem em meio a sua comunidade,  seu valor - como cidadão  influente - passa a ser ainda maior para os políticos ambiciosos que querem garantir votos. 

De um homem simplório - como é retratado o caipira - ele passa a ser visto como líder, uma peça chave para o desdobramentos dos acontecimentos na cidade. Assim, o  filme é apenas um dos muitos sucessos de público de Mazzaropi que esgotaram bilheterias. Muitos daqueles brasileiros, vindos da roça para a cidade,  grande parte  em busca de trabalho, se identificavam com os diversos aspectos retratados na figura do homem comum da roça. As altas risadas que a comédia nacional ainda proporciona aos telespectadores e fãs também gera, além do efeito cômico, identificação. Jeca - com seu dialeto, a fala arrastada e toda sua  construção  como um morador da roça -  também representa ao mesmo tempo a real vivência de muitos brasileiros,  logo, fazendo assim, quase que instantaneamente, que se sintam representados nas telas. Nessas mesmas telas eles presenciaram uma versão de seus “eus”, o que lhes reforçava a ideia de que não necessariamente precisavam se moldar para o  formato do “bom cidadão” da cidade grande. 


“É marcante ele ter dado ao povo brasileiro, predominantemente de classe média baixa, consciência de seu papel como brasileiros e cidadãos atuantes”, reforça Eduardo. Mazzaropi ao produzir seus filmes falava ao mesmo tempo de um Brasil diversificado e  também de si. O gosto pela vida no campo surgiu ainda na infância, em que aprendeu os valores da roça  e do trabalho duro. O  comediante  fez do interior seu lar, logo, retratar o caipira da roça também era contar um pouco de sua história e de sua vivência na fazenda. 

As vestimentas simples e maltrapilhas  - com um chapéu de palha sempre na cabeça, pés descalços e com o jeito desengonçado de andar -  o consagrou como  símbolo nacional do homem pacato e simples  e foi essa representação do caipira que  o trouxe ao patamar de artista talentoso,  o “Charles Chaplin brasileiro”, que é considerado hoje. 

Com todas suas contribuições, Mazzaropi fez do caipira não somente um sujeito conhecido, mas um representante da cultura do país ao tornar o personagem atemporal. Como o professor Eduardo Afonso afirma: “Mazzaropi, à frente do seu tempo, foi ator, cantor, palhaço, humorista, diretor, empresário, publicitário, enfim um homem voltado integralmente ao cinema e aos espetáculos circenses. Mazzaropi não pode ser visto, apenas como aquele Jeca Tatu, que muitos viram nas telas. Ele é um representante do Brasil”.

O CAIPIRA NA ATUALIDADE

Apesar das representações  construídas em torno do caipira, ainda fortes no senso comum, um estudo encabeçado pela pesquisadora Lívia Carolina Baenas Barizon, da Universidade de São Paulo (USP), apontou que o dialeto caipira vem caindo em desuso. O levantamento, por sua vez, levou em conta dados coletados de moradores do interior de São Paulo.

Para reunir as informações, o relatório, por meio de um bate papo informal, apresentou aos entrevistados um conjunto de desenhos na quais deveriam ser nomeadas as partes do corpo humano de acordo com a palavra que lhes era comum nas respectivas cidades.

O resultado revelou que a queda é mais acentuada entre jovens e mulheres. Já a presença é maior na faixa etária acima dos 60 anos, que preservam com veemência o "erre mais rasgado". Segundo a autora da pesquisa, a menor influência das mídias digitais sobre essa faixa etária pode estar associada à conservação do dialeto.

Em entrevista ao Jornal da USP, Lívia explicou que “o dialeto caipira teria surgido nos núcleos familiares das cidades paulistas a partir do século XVIII e sido levado pelas monções para dentro do território paulista. Em sua caminhada rumo ao Mato Grosso (o Rio Tietê deságua no Rio Paraná, na fronteira com o Mato Grosso) para desbravar terras e retirar ouro, os bandeirantes saíam da capital paulista e seguiam a rota do Rio Tietê”, afirmou.

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Para Badu Morais, em cartaz no TUCA com Morte e Vida Severina, a volta significa resiliência
por
Helena Cardoso Guimarães
Marina Jonas
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05/05/2022 - 12h

A pandemia afetou diretamente a vida dos atores e toda a produção presente nas apresentações teatrais. Para Badu Morais, atriz e cantora, atualmente em cartaz com a peça ‘Morte e vida Severina’ no Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, o TUCA, afirma que “todos os projetos que tinha em andamento, pararam” e mesmo fazendo tudo o que podia de maneira remota, a produção cultural durante o período era bastante escassa.  

Diversos campos da sociedade foram afetados durante o período pandêmico. O setor cultural não ficou imune a este impacto e foi um dos primeiros a parar suas atividades, logo que a crise sanitária parou o planeta, no início de 2020. Hoje, com cerca de 70% da população brasileira completamente vacinada, os teatros finalmente conseguiram retornar com as suas apresentações, mesmo que em um formato diferente, quando comparadas ao período pré pandêmico. 

A 5ª arte está se levantando aos poucos e com muitas dificuldades, mas sempre esteve presente no cotidiano das pessoas. Os artistas tiveram que se reinventar e adaptar o seu trabalho para manter a arte viva. Com a possibilidade de realizar transmissões ao vivo, as famosas lives, artistas conseguiram inovar e realizar contação de histórias, performances e até mesmo aulas de teatro nas mais diversas plataformas digitais.  

Para Badu, a crise mundial foi responsável pelos espectadores adquirirem uma nova visão em relação aos teatros e suas apresentações; e do mundo de maneira geral, revendo seus valores e suas crenças. Isso permitiu que as produções tivessem um teor diferente, “Depois da pandemia, todos estamos diferentes e acredito que isso seja o suficiente para que o público e as produções terem um novo olhar”, acrescentou. 

No entanto, com o protocolo de combate ao vírus e o avanço da vacinação no país, aos poucos, as plateias voltaram a ocupar teatros, mesmo que com o público reduzido. Para Badu, “estar em um palco em frente a uma plateia é a maior sensação de resiliência possível”, já que é muito especial conseguir voltar a exercer sua profissão e ter o contato com o público após o retorno, principalmente após um período tão delicado, com inúmeras perdas. 

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O evento beneficente ocorreu nesta segunda-feira, 2/05, em Nova York, e contou com a presença de celebridades e personalidades da moda.
por
 Maria Clara Alcântara 
Ana Kézia Andrade
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04/05/2022 - 12h

    O Met Gala é considerado um dos mais relevantes eventos do mundo da moda, a concorrida festa no Metropolitan Museum, em Nova York, aconteceu na primeira segunda-feira de maio, conforme segue sua tradição.

    Com o intuito de arrecadar fundos para financiar o departamento de moda do museu, o evento também inaugura a exposição anual do “The Costume Institute” que este ano dá continuidade a edição anterior com o tema "Na América: Uma Antologia da Moda", um resgate dos séculos XIX e XX.

    A mostra de arte conta a história da moda na intitulada “era dourada” (Golden age, em inglês), momento onde houve grandes avanços tecnológicos e industriais no país norte-americano, formando uma elite que exibia seu poder aquisitivo por meio da moda. Dentre alguns hábitos deste período, os espartilhos, as extensas camadas de roupas e o exagero no uso de jóias. Outro fato relevante da época foi o lançamento da revista Vogue, dedicada ao comportamento e o consumo de luxo e atual anfitriã e organizadora do Met Gala.
  
    O tema da exposição e do evento deve, no melhor dos cenários, ser refletido nos trajes escolhidos pelos convidados. Portanto, os looks deveriam remeter à “era dourada” da história norte-americana. Abaixo, listamos os looks mais comentados da noite.

 Com look inspirado na Estátua da Liberdade, Blake Lively é prestigiada nas redes sociais (Foto: Reprodução/ Instagram @obsessedwithversace)

Com look inspirado na Estátua da Liberdade, Blake Lively é prestigiada nas redes sociais (Foto: Reprodução/ Instagram @obsessedwithversace)

    A atriz foi uma das co-anfitriãs do evento. Seu vestido, assinado pela Versace, homenageia um monumento marcante da Golden age, a Estátua da Liberdade. Em entrevista à imprensa local, Blake revelou que se inspirou na arquitetura de Nova York, trazendo elementos de edifícios clássicos da cidade, como o Empire State Building e a constelação da Grand Central Station. 

    Blake protagonizou um dos momentos mais comentados da noite quando, ao chegar nas escadas do evento, local reservado à imprensa, seu vestido adquiriu tons azulados sobre parte do cobre, em referência ao processo de oxidação sofrido pelo monumento histórico.
 

Anitta usando Moschino exclusivo (Foto: Reprodução/ Instagram @anitta)

Anitta usando Moschino exclusivo (Foto: Reprodução/ Instagram @anitta)

    A cantora brasileira Anitta, criticada por ter usado um look considerado básico na última edição, compareceu ao Met Gala pela segunda vez e surpreendeu positivamente seus fãs com um vestido da Moschino, assinado pelo diretor criativo Jeremy Scott. A cor roxa - associada à alta sociedade da época - e as jóias de pérolas casaram bem com o tema, já que na era dourada as mulheres abusavam das jóias. O traje da “Garota do Rio” foi muito elogiado nas redes sociais por especialistas e seguidores. 

Vestido é inspirado em arte da “gilded age” (Reprodução/Getty Images)
Vestido é inspirado em arte da “Golden age” (Reprodução/Getty Images)

    Umas das figuras mais aguardadas da noite, Billie Eilish apareceu com um vestido inspirado no retrato de “Madame Paul Poirson”, do pintor italiano John Singer Sargent, assinado em 1885. A produção, feita sob medida pela Gucci, acrescentou toques modernos ao traje da era dourada, combinando com o estilo despojado e moderno da cantora sem tangenciar o tema.

 Evan Mock atraiu olhares para os trajes masculinos no evento (Foto: Reprodução/instagram @headofstate)

Evan Mock atraiu olhares para os trajes masculinos no evento (Foto: Reprodução/instagram @headofstate)

    Os homens convidados para o Met Gala normalmente são criticados pelos espectadores por usarem trajes simples e comuns, como o smoking ou um traje social. Distante dessa prática o ator Evan Mock surpreendeu a todos usando um look assinado pela grife Head of State, novidade no cenário do Met. A vestimenta foi bastante elogiada por homenagear o estilo da época e seguir seus padrões. 
   
Donatella Versace e Ashton Sanders fizeram a junção do jeans e dourado (Foto: Reprodução/Instagram @donatella_versace e @ashtonsanders)

Donatella Versace e Ashton Sanders fizeram a junção do jeans e dourado (Foto: Reprodução/Instagram @donatella_versace e @ashtonsanders)

    A marca estadunidense de vestuário especializada em jeans, Levi 's, foi fundada em 1853 e consolidou o tecido na sociedade. Por isso, era esperado que os convidados usassem essa referência. A expectativa foi cumprida pela designer e vice-presidente do grupo Versace, Donatella Versace, e pelo ator Ashton Sanders. Os dois seguiram a mesma linha de vestimenta e ousaram ao misturar o jeans com elementos dourados, referenciando a moda  de diferentes classes sociais da época.

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