Do pastelzinho com caldo de cana à hora da xepa, as feiras livres fazem parte do cotidiano paulista de domingo a domingo.
por
Manuela Dias
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29/11/2025 - 12h

Por décadas, São Paulo acorda cedo ao som de barracas sendo montadas, caminhões descarregando frutas e vendedores afinando o gogó para anunciar promoções. De norte a sul, as feiras livres desenham um dos cenários mais afetivos da vida paulistana. Não é apenas o lugar onde se compra comida fresca: é onde se conversa, se briga pelo preço, se prova um pedacinho de melancia e se encontra o vizinho que você só vê ali, entre uma dúzia de banana e um pé de alface.

Juca Alves, de 40 anos, conta que vende frutas há 28 anos na zona norte de São Paulo e brinca que o relógio dele funciona diferente. “Minha rotina é a mesma todos os dias. Meu dia começa quando a cidade ainda está dormindo. Se eu bobear, o morango acorda antes de mim”.

Nas bancas de comida, o pastel é rei. “Se não tiver barulho de óleo estalando e alguém gritando não tem graça”, afirma dona Sônia, pasteleira há 19 anos junto com o marido e filhos. “Minha família cresceu ao redor de panelas de óleo e montes de pastéis. E eu fico muito realizada com isso.  

Quando o relógio se aproxima do meio dia, começa o momento mais esperado por parte do público: a famosa xepa. É quando o preço cai e a disputa aumenta. Em uma cidade acelerada como São Paulo, a feira livre funciona como uma pausa afetiva, um lembrete de que existe vida fora do concreto. E enquanto houver paulistanos dispostos a acordar cedo por um pastel quentinho e uma conversa boa, as feiras continuarão firmes, coloridas, barulhentas e deliciosamente caóticas.

Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia.
Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas.
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas. Foto: Manuela Dias/AGEMT
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo.
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores.
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores. Foto: Manuela Dias/AGEMT

 

Apresentação exclusiva acontece no dia 7 de setembro, no Palco Mundo
por
Jalile Elias
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
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26/11/2025 - 12h

Elton John está de volta ao Brasil em uma única apresentação que promete marcar a edição de 2026 do Rock in Rio. O festival confirmou o britânico como atração principal do dia 7 de setembro, abrindo a divulgação do line-up com um dos nomes mais celebrados da música mundial.

A presença de Elton carrega um peso especial. Em 2023, o artista anunciou que deixaria as grandes turnês para ficar mais perto da família. Por isso, sua performance no Rock in Rio será a única na América Latina, transformando o show em um momento raro para os fãs de todo o continente.

Em um vídeo publicado na terça-feira (25) nas redes sociais, Elton John revelou o motivo para ter aceitado o convite de realizar o show em solo brasileiro. “A razão é que eu não vim ao Rio na turnê ‘Farewell Yellow Brick Road’, e eu senti que decepcionei muitos dos meus fãs brasileiros. Então, eu quero compensar isso”, explicou o britânico.

No mesmo dia de festival, outro grande nome da música sobe ao Palco Mundo: Gilberto Gil. Em clima de despedida com a turnê Tempo-Rei, que termina em março de 2026, o encontro dos dois artistas lendários torna a programação do festival ainda mais especial. 

Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Reprodução / Facebook Gilberto Gil)
Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Divulgação)

Além das atrações, o Rock in Rio prepara mudanças importantes na Cidade do Rock. O Palco Mundo, símbolo do festival, será completamente revestido de painéis de LED, somando 2.400 metros quadrados de tecnologia. A ideia é ampliar a imersão visual e criar novas possibilidades para os artistas.

A próxima edição também terá uma homenagem especial à Bossa Nova e um benefício pensado diretamente para o público, em que cada visitante poderá receber até 100% do valor do ingresso de volta em bônus, podendo ser usado em hotéis, gastronomia e experiências turísticas durante a estadia na cidade.

O Rock in Rio 2026 acontece nos dias 4, 5, 6, 7 e 11, 12 e 13 de setembro, no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro. A venda geral dos ingressos começa em 9 de dezembro, às 19h, enquanto membros do Rock in Rio Club terão acesso à pré-venda a partir do dia 4, no mesmo horário.

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A socialite continuou tendo sua moral julgada no tribunal, mesmo após ter sido assassinada pelo companheiro
por
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
Jalile Elias
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26/11/2025 - 12h
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz em nova série. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

Figurinha carimbada nas colunas sociais da época, Ângela Diniz virou capa das manchetes policiais após ser morta a tiros pelo então namorado, Doca Street. O feminicídio que marcou o país na década de 1970 ganha agora um novo olhar na série da HBO Ângela Diniz: Assassinada e Condenada.

Na produção, Marjorie Estiano interpreta a protagonista, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. O elenco ainda conta com Thelmo Fernandes, Maria Volpe, Renata Gaspar, Yara de Novaes e Tóia Ferraz.

Sob direção de Andrucha Waddington, a série se inspira no podcast A Praia dos Ossos, de Branca Viana. A obra, que leva o nome da praia onde o crime ocorreu, reconstrói não apenas o caso, mas também o apagamento em torno da própria vítima. Depoimentos de amigas de Ângela, silenciadas à época, servem como ponto de partida para revelar quem ela realmente era.

Seja pela beleza ou pela independência, a mineira chamava atenção por onde passava. Já os relatos sobre Doca eram marcados pelo ciúme obsessivo do empresário. O casal passava a véspera da virada de 1977 em Búzios quando, ao tentar pôr fim à relação, Ângela foi assassinada pelo companheiro.

Por dias, o criminoso permaneceu foragido, até que sua primeira aparição foi numa entrevista à televisão; logo depois, ele se entregou à polícia. Foram necessários mais de dois anos desde o assassinato para que Doca se sentasse no banco dos réus, num julgamento que se tornaria símbolo da luta contra a violência de gênero.

Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, , enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

As atitudes, roupas e relações de Ângela foram usadas pela defesa como supostas “provocações” que teriam motivado o crime. Foi nesse episódio que Carlos Drummond de Andrade escreveu: “Aquela moça continua sendo assassinada todos os dias e de diferentes maneiras”.

Os advogados do réu recorreram à tese da “legítima defesa da honra” — proibida somente em 2023 pelo STF — numa tentativa de inocentá-lo. O argumento foi aceito pelo júri, e Doca recebeu pena de apenas dois anos de prisão, sentença que gerou revolta e fortaleceu movimentos feministas da época.

Sob forte pressão popular, um segundo julgamento foi realizado. Nele, Doca foi condenado a 15 anos, dos quais cumpriu cerca de três em regime fechado e dois em semiaberto. Em 2020, ele morreu aos 86 anos, em decorrência de um ataque cardíaco.

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Exposição reúne obras que exploram o inconsciente e a natureza como caminhos simbólicos de cura
por
KHADIJAH CALIL
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25/11/2025 - 12h

A Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos, apresenta de 14 de novembro a 14 de dezembro de 2025 a exposição “Bosque Mítico: Katia Canton e a Cura pela Arte”, que reúne um conjunto expressivo de pinturas, desenhos, cerâmicas, tapeçarias e azulejos da artista, sob curadoria de Carlos Zibel e Antonio Carlos Cavalcanti Filho. A Fundação que sedia a mostra está localizada no imóvel conhecido como Casarão Branco do Boqueirão em Santos, um exemplar da época áurea do café no Brasil. 

Ao revisitar o bosque dos contos de fadas como metáfora de transformação interior, Katia Canton revela o processo criativo como gesto de cura, reconstrução e transcendência.
 

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       “Casinha amarela com laranja” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

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                 “Chapeuzinho triste” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                 “O estrangeiro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.         
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                                                            “Menina e pássaro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                     “Duas casinhas numa ilha” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                             “Os sete gatinhos” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                                         “Floresta” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

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Festival celebra os três anos de existência com homenagem ao pensamento de Frantz Fanon e a imaginação radical da cultura periférica
por
Marcela Rocha
Jalile Elias
Isabelle Maieru
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25/11/2025 - 12h

Reconhecido como um dos principais espaços da cultura periférica em São Paulo, o Museu das Favelas completa três anos de atividades no mês de novembro. Para comemorar, a instituição elaborou uma programação especial gratuita que combina memória, arte periférica e reflexão crítica.

Segundo o governo do Estado, o Museu das Favelas já recebeu mais de 100 mil visitantes desde sua fundação em 2022. Localizado no Pátio do Colégio, a abertura da agenda de aniversário ocorre nesta terça-feira (25) com a mostra “ImaginaÇÃO Radical: 100 anos de Frantz Fanon”, dedicada ao médico e filósofo político martinicano.

Fachada do Museu das Favelas. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Fachada do Museu das Favelas. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Autor de “Os condenados da terra” e “Pele negra, máscaras brancas”, Fanon contribuiu para a análise dos efeitos psicológicos do colonialismo, considerando algumas abordagens da psiquiatria e psicologia ineficazes para o tratamento de pessoas racializadas. A exposição em sua homenagem ficará em cartaz até 24 de maio de 2026.

Ainda nos dias 25 e 26 deste mês, o festival oferecerá o ciclo “Papo Reto” com debates entre intelectuais francófonos e brasileiros, em parceria com o Instituto Francês e a Festa Literária das Periferias (Flup). A programação continua no dia 27 com a visita "Abrindo Fluxos da Imaginação Radical”. 

Em 28 de novembro, o projeto “Baile tá On!” promove uma conversa com o artista JXNV$. Já no dia 29, será inaugurada a sala expositiva “Esperançar”, que apresenta arte e tecnologia como forma de mapear territórios periféricos.

O encerramento do festival será no dia 30 de novembro com a programação “Favela é Giro”, que ocupa o Largo Pátio do Colégio com DJs e performances culturais.

 

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Artistas e estudantes contam sobre as dificuldades coletivas e individuais que a pandemia trouxe para o desenvolvimento de peças teatrais.
por
Julia Silva Tavares e Vitória Nunes de Jesus
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17/11/2021 - 12h

É de conhecimento da população que setores da saúde e comércios sofreram com a chegada da pandemia, porém há outro setor com grande importância para a sociedade, que foi bastante afetado, o Teatro.

Espetáculos foram cancelados e muitos que trabalham na área ficaram desempregados. A atriz e cantora Elisabete Almeida relata a realidade de um colega e menciona o descaso dos governos com os artistas: “Recentemente, fiquei sabendo que um grande amigo e colega que conheci na época em que eu morava na Alemanha, estava trabalhando de carregador de mudança. Apesar de ser um trabalho digno, o que revolta é saber que situações como essas são frutos da desvalorização da arte pelos governos, pois as pessoas acham que o artista tem de trabalhar de graça. Muitas pessoas que eu conheço que trabalharam em musicais grandes como O Fantasma da Ópera, no qual também fiz parte, estão vendendo doces na rua ou sendo motoristas de aplicativo. A atriz ainda lembra que muitos de seus colegas, além de sofrerem com o desemprego, lidam com a falta de um plano de saúde, que durante a pandemia, se torna algo essencial: “o artista brasileiro vive em uma situação vulnerável. Muitos dos meus colegas não têm plano de saúde, e isso dificulta ainda mais a situação”.

Elisabete Almeida. Foto: arquivo pessoal.
Elisabete Almeida. Foto: arquivo pessoal.

            Além dos artistas, o teatro envolve outros profissionais que ficam nos bastidores e que são de igual importância e também enfrentam dificuldades causadas pela pandemia. O cantor e ator Thiago Arancam lembra: “na pandemia, as dificuldades foram enormes. A principal foi a parte econômica, porque não é só o artista que depende da carreira, é uma equipe inteira”.

As formas de obter conhecimento são diversas. Elisabete menciona que ao assistir uma peça, se aprende sem perceber: “É necessário ressignificar o papel que a cultura possui de mudar o pensamento das pessoas. A Arte tem a capacidade de educar sem a pessoa perceber”.

Elenco O Fantasma da Ópera no Brasil, 2019. Elisabete Almeida (mulher ruiva com coroa, ao fundo da foto). Thiago Arancam (primeiro homem à esquerda). https://images.app.goo.gl/Jr45Tqau8i5Lh8tm9
Elenco O Fantasma da Ópera no Brasil, 2019. Elisabete Almeida (mulher ruiva com coroa, ao fundo da foto). Thiago Arancam (primeiro homem à esquerda). https://images.app.goo.gl/Jr45Tqau8i5Lh8tm9

Além de ajudar no aprendizado, o teatro amplia as percepções de oportunidades profissionais, ajuda a se expressar e se relacionar, fazendo pessoas vencerem a timidez. O artista musical Roberto Srgentelli Filho, mais conhecido como Beto Sargentelli, é um exemplo de como vencer a timidez: “cresci em uma família de músicos e atores, porém eu era muito tímido. Fiz meu primeiro trabalho aos 12 anos, em uma propaganda, mas eu negava o acontecimento para os meus colegas na escola porque eu era tímido. Minha mãe insistiu muito para eu começar a fazer aulas de teatro para diminuir a timidez. Depois que iniciei as aulas, me apaixonei perdidamente pelo Teatro, nunca mais saí ou me imaginei fazendo outra coisa”.

O principal para um artista em uma apresentação, é o público e o ambiente. Beto Sargentelli lembra: “as apresentações presenciais são especiais pela troca entre a plateia e o palco. O ator consegue sentir o ritmo do espetáculo de acordo com a energia e as reações da plateia”. Bete Almeida frisa no espaço teatral: “Depois do público, o mais importante é o ambiente do teatro, que é lindo e vivo. Um palco teatral tem um tipo de luz e atmosfera que um estúdio ou uma sala não tem”.

Beto Sargentelli em The Last 5 Years Brazil. Foto: arquivo pessoal.
Beto Sargentelli em The Last 5 Years Brazil. Foto: arquivo pessoal.

É necessário mencionar os estudantes que teriam suas primeiras oportunidades de pisar em um palco e se apresentarem, mas esta experiência precisou ser adiada por conta do isolamento social. O estudante de Artes Cênicas, Gustavo Brait chama a atenção para este ponto de vista: “Eu sabia que as apresentações iam ser canceladas e isso deixou uma tristeza muito grande, em relação às minhas apresentações, fiquei muito triste também, principalmente porque seria a primeira vez que eu ia pisar no palco depois de dois anos”.

Muitos artistas migraram para o online e logo de cara já enfrentaram a primeira dificuldade, como conta Brait: “No espetáculo online o ator faz não só o trabalho dele, mas também o de diretor, cenógrafo, figurinista, maquiador, técnico de luz e microfone. O ator tem que assumir todas essas funções e ficar muito mais atento, coisa que no espetáculo presencial não acontece”.

As apresentações virtuais requerem exigências, como boa internet, câmeras de qualidade, microfones que possam captar todo o som, requer também aprofundamento nos conhecimentos das áreas da tecnologia, como aponta a estudante de dança, Letícia Almeida: “começar a entender e se aprofundar nos aspectos da tecnologia foi fundamental para entender as ferramentas que seriam usadas nos espetáculos dali para frente” e mostra que o online tem particularidades “o palco é tridimensional, a tela é bidimensional, essa diferença foi uma das mais difíceis de se adaptar. Tem que tomar cuidado com o que as pessoas estão vendo, o recorte da câmera. Antes do olho que vê o espetáculo tem o olho da câmera, é possível usar isso como ferramenta, colocar fitas que mudam o vídeo de cor, ou que fecham a amplitude da câmera.”

Peça Chicago: O Musical, exclusivamente online, personagem Billy Flynn, por Gustavo Brait. Foto: arquivo pessoal.
Peça Chicago: O Musical, exclusivamente online, personagem Billy Flynn, por Gustavo Brait. Foto: arquivo pessoal.

          Diante desses apontamentos, é possível concluir que assim como outros setores, o teatro enfrentou dificuldades durante a pandemia. Mas como a maioria das áreas, é possível se recuperar. Vale ressaltar a importância desta arte para a formação da personalidade. Não é só o ator que se prejudicou nos tempos do coronavírus, a equipe por trás dos palcos também. Assim como grande parte da população, os artistas se adaptaram as telas, mas este recurso não traz toda a beleza de uma peça teatral.

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As contradições na busca por inclusão
por
Catharina Morais, Juliana Sousa, Letícia Alcântara, Sophia Razel
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22/10/2021 - 12h

Neste episódio do podcast Estação Cultural, as alunas Catharina Morais, Juliana Souza, Letícia Alcântara e Sophia Razel retratam o tema da  diversidade e representatividade nas exposições artísticas e os desafios e contradições ainda presentes nesse ambiente.

Ouça em: https://anchor.fm/leticia-andrade41/episodes/Diversidade-e-representatividade-no-circuito-das-exposies-de-arte-e1960d9 

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As denúncias e implicações da Covid-19 na carreira dos músicos brasileiros
por
Catharina Morais, Juliana Sousa, Letícia Alcântara, Sophia Razel
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24/09/2021 - 12h

Na estreia do Podcast Estação Cultural, as apresentadoras Catharina Morais, Juliana Souza, Leticia Alcântara e Sophia Razel conversam com os músicos André Mota e Louise Woolley, que contam os inúmeros desafios enfrentados pela classe artística, durante o delicado período de crise e caos sanitário durante a pandemia de Covid-19. Abordam ainda o fechamento e a  reabertura gradual  das casas de shows em São Paulo,  além dos efeitos causados na carreira dos artistas dependentes desses espaços. Pontua-se também, como o governo em curso é conivente com a perpetuação de ideais preconceituosos, que atingem diretamente todas as formas de cultura, não valorizando e deixando à margem todos aqueles que dependem e tiram da arte sua subsistência. 

Ouça em: https://open.spotify.com/show/6WTEW9Sd47ewFa7qHDfGD3 

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Digitalização de filmes antigos é garantia para preservação da história
por
Paula Moraes
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21/09/2021 - 12h

Por Paula Moraes

 

Durante o incêndio da Cinemateca em 29 de julho, que resultou na queima de arquivos surgiu a questão sobre a importância da preservação da memória audiovisual histórica do País. Dessa maneira, questiona-se qual seria a melhor maneira de se preservar as produções digitalizando-as para um formato que pode se tornar datado ou guardando os originais e, consequentemente, perdendo a chance de apresentá-los como parte da história da produção audiovisual.

As produções de audiovisual tiveram seu início em 1887, com a criação de câmeras com cartuchos de filme com bitola de 8mm feito de celuloide, criadas por Hannibal Goodwin. Em 1888, as bitolas foram patenteadas pela empresa Kodak. Futuramente foram criados outros formatos de bitola, como a 35mm em 1889, que é o principal formato utilizado até hoje, inclusive para os filmes em IMAX, ou a 16mm em 1923, que era usado especialmente em documentários, filmes experimentais, filmes de treinamento e por cineastas independentes, e parou de ser utilizada nos anos 80. Com a patente da Kodak, a câmera passou a ser acessível para todos. A bitola com celuloide parou de ser usado por ser considerado altamente explosivo, e em 1950 foi trocado pelo de poliéster. Ele manteve o formato original de 8mm, mas passou a ser chamado de Super-8.

A digitalização do cinema começou a ser feita nos anos 80. Ela começou nas áreas sonoras dos filmes, e logo se estendeu para a pós produção, nas áreas de efeitos especiais e edição. E depois disso, foram criadas as câmeras digitais. Em 1995 foi lançada a filmadora Digital Video (DV), que apresentava uma qualidade superior há imagem e não desgastava está ao longo do tempo, como acontecia com o filme de poliéster. A DV também proporcionava um baixo custo de equipamento para as produtoras, e permitia que os atores e diretores tivessem mais liberdade durante as filmagens, além de permitir o registro de cenas mais longas. Em 1998 foi gravado o distribuído o primeiro filme gravado com uma câmera MiniDV, “A Festa” de Thomas Vinterberg Festen.

            Com o início das câmeras digitais, as câmeras de filme passaram a ser cada vez menos utilizadas. Em 2011 três grandes empresas do setor deixaram de produzir câmeras analógicas, a Arri, a Panavision e a Aanton, substituindo-as por modelos digitais, como a Kaufman. Essa troca fez com que os filmes passassem a serem feitos com câmeras digitais. Por conta disso, pararam de ser produzidos projetores de filmes, e os cinemas passaram a ter que se modernizar e comprar projetores digitais. À vista disso, para que fosse possível passar filmes antigos considerados clássicos, os estúdios de cinema passam a digitalizar seus filmes antigos.

            Existem duas maneiras de digitalizar filmes. A primeira é a “Digitalização” que proporciona qualidade Full HD, mas só consegue ser feito com bitolas 8 mm, Super 8 e 16mm em bom estado. Neste processo, o filme é digitalizado quadro a quadro com um scanner, permitindo corrigir erros de edição, restauração de cores e sonorização. A segunda maneira é a “Telecinagem”, que é usada como recuperação e restauração de bitolas 8mm, Super 8 e 16mm, que estão em mau estado de conservação. O resultado da qualidade da imagem é inferior ao da digitalização, apenas resolução 720×480. 

Para a técnica de conservação de acervo, Antônia Silva, as maiores dificuldades que um acervo de filmes podem passar é a luz, que queima os filmes, o calor, a umidade, a poeira, a gordura, a poluição e técnicas incorretas de limpeza. Para Silva, a digitalização de filmes é essencial para a preservação da história do audiovisual de cada país. “O risco de que filmes importantes da história do cinema desapareçam para sempre em algumas décadas é grande. Há muito se fala que o celuloide não resiste ao tempo”, explica.

Entretanto, escolher o formato de digitalização não é tão fácil. Os dados digitais são legíveis apenas por um certo tempo. À medida que software e hardware avançam, tornam o formato rapidamente ultrapassado, fazendo com que estes precisem ser convertidos novamente para formatos cada vez mais atuais.

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Um dos eventos de moda mais esperados do ano chocou ao trazer conceitos, críticas e elegância
por
Cecília Mayrink O’Kuinghttons e Clara Maia de Castro
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16/09/2021 - 12h

Após o cancelamento do Met Gala de 2020 em decorrência da pandemia da Covid-19, todos os holofotes estavam voltados para um dos eventos de moda mais famosos e esperados que ocorreu nesta segunda-feira (13/09) em Nova York, o Met Gala 2021. Com uma lista extensa e diversa de celebridades, a edição deste ano foi dividida em dois temas: "Na América: Um Léxico da Moda", que ocorreu esta semana, e "Na América: Uma Antologia da Moda", que estreará no dia 5 de maio de 2022. 

A lista de convidados é feita pela editora-chefe da Vogue USA, Anna Wintour, e as celebridades devem se vestir de acordo com o tema escolhido para a edição em questão.  Envolvendo temas estilo estadunidense, foram vistas muitas roupas que carregavam importantes símbolos da cultura local e da história do país, bem como o fez a poetisa Amanda Gorman, ao fazer referências à Estátua da Liberdade no seu visual.  

A moda em si é um ciclo que contempla as necessidades e movimentos culturais, sociais e políticos de cada época. Para a melhor análise histórica, uma linha do tempo do estilo estadunidense pode ser traçada:

A identidade de moda do país se iniciou a partir do meio do século 19 até o início do século 20, com o surgimento do estilo cowboy: chapéu country, peças de couro, franjas, botas, colete e camurça. Algumas das celebridades que trouxeram essa leitura para o evento foram Jennifer Lopez, Maluma e Leon Bridges.

Jennifer Lopez no Met Gala 2021 (Foto Mike Coppola/Getty Images)
Jennifer Lopez no Met Gala 2021 (Foto: Mike Coppola/Getty Images)

Sendo um dos símbolos da moda dos anos de 1920, o clássico vestido preto básico ganhou espaço durante o evento. Criado por Coco Chanel em 1919, o “black dress” - vestido feito no tecido crepe com mangas compridas e justas - causou certa estranheza quando a peça foi lançada, uma vez que na época, a cor preta era símbolo de luto e portanto, não era usada no cotidiano pelas pessoas. Entretanto, essa visão passou a ser contestada por volta de 1926, quando a Vogue dos EUA apelidou o modelo de “a Ford da estilista” e afirmando que dentro de pouco tempo, o vestido seria uma nova tendência.  

O “pretinho básico” tornou-se ainda mais popular ao ter sido referência para os clássicos figurinos de Audrey Hepburn, no filme “Bonequinha de Luxo” (1961). Adaptando-se ao Met Gala, Troye Sivan se inspirou em tal peça para a sua composição no evento, utilizando um decote arredondado, baixo e com recortes na cintura. Além disso, Sivan acrescentou à referência um colar de prata, que lembra a gargantilha de diamantes usada por Hepburn no filme. 

Troye Sivan no Met Gala 2021 (Foto: Taylor Hill)
Troye Sivan no Met Gala 2021 (Foto: Taylor Hill)

Em relação à década de 1950, outras referências foram observadas, principalmente na escolha dos tecidos para compor os vestuários. É importante ressaltar que após o período das grandes guerras, a moda enfrentou uma considerável revolução. Com tecidos mais leves e maleáveis e a adoção do corte, até então masculino, como calças, foi apropriado pela moda feminina. Vale destacar a influência crescente do jeans, tecido adotado por Lupita Nyong'o em seu vestido para o evento, que reconheceu a importância e impacto que ele trouxe na história dos EUA.

Lupita Nyong'o no Met Gala 2021 (Foto: Mike Coppola)
Lupita Nyong'o no Met Gala 2021 (Foto: Mike Coppola)

Outro estilo que ganhou destaque na noite foi o hippie, que se categoriza pelos tecidos leves e coloridos. Esse movimento se tornou ainda mais popular com o Festival Woodstock, que teve a sua primeira edição em 1969, recebendo artistas como Jimi Hendrix, Janis Joplin e Jefferson Airplane. Lourdes Maria Ciccone Leon, filha da cantora Madonna, fez referência ao famoso estilo de Cher no evento, com cabelo longo preto, vestido com cores vibrantes e recortes ao longo da cintura, busto e costas.

Lourdes Maria no Met Gala 2021 - Getty Images
Lourdes Maria no Met Gala 2021 - Getty Images

O período de 1970 foi marcado também pelos vestidos floridos, muitos acessórios e houve uma série de referências nas peças usadas pelas celebridades presentes. Nos EUA, estilistas como Roy Halston Frowick e Calvin Klein se destacaram por buscar fazer roupas sofisticadas e ao mesmo tempo concisas. No Met Gala 2021, a atriz Lili Reinhart utilizou um vestido rosa claro e com diversas flores coloridas originárias de cada estado do país.  

Lili Reinhart no Met Gala 2021 (Foto: Getty Images)
Lili Reinhart no Met Gala 2021 (Foto: Getty Images)

A década de 1980 se destacou pela popularização dos ternos, saias e  vestidos longos. A ostentação de dinheiro se tornou parte do vestuário, bem como se viam nos filmes em que as atrizes usavam acessórios caros e bolsas de coleção. Em contraposição a esse novo estilo, nasceu o movimento Punk, que se opunha à sociedade de consumo. Tachas, roupas pretas de couro, coturnos e alfinetes se tornaram populares e foram usadas por celebridades no evento, como  Evan Mock. 

Evan Mock no Met Gala 2021 (Foto: Taylor Hill)
Evan Mock no Met Gala 2021 (Foto: Taylor Hill)

Já os anos de 1990, foram marcados pela diversidade de estilos, uma vez que variam entre jeans coloridos e blusas básicas de malha fina. Calças despojadas, bermudas e camisas xadrez foram marco também dessa década a partir das coleções feitas por Perry Ellis e Marc Jacobs. Entre outros visuais, está a calça de cintura alta e o jeans rasgado. O cinema também teve grande influência na moda desse período, como o filme Matrix (1999) que inspirou a atriz Maisie Williams em sua composição para o evento. 

Maisie Willians (Foto: Matt Baron/Shutterstock)
Maisie Willians no Met Gala 2021 (Foto: Matt Baron/Shutterstock)

Mais inspirações Hollywoodianas ocorreram no Met Gala deste ano. Releituras de trajes clássicos do cinema como o de Emily Blunt, inspirado no vestido atemporal usado por Hedy Lamarr no filme “Ziegfeld Girl”, de 1941 e também o de Kendall Jenner, inspirado na atriz Audrey Hepburn no filme  “My fair lady“, de 1964. 

Kendall Jenner no Met Gala 2021 (Foto: Getty Images)
Audrey Hepburn no filme "My fair lady" e Kendall Jenner no Met Gala 2021 (Foto: Getty Images)

O protesto por meio da moda também foi visto. O mais comentado foi o de Jeremy Pope, cantor, ator e ativista no movimento negro. Pope apresentou uma composição que fazia alusão a escravidão nos Estados Unidos. Com roupa branca e uma grande capa, que relembra os grandes sacos de algodão carregados nas costas dos escravos. O ator postou em seu instagram uma foto de seu traje, juntamente com um registro da época; na legenda um discurso emocionante: “Eles plantaram sementes de beleza. Serviram em campos com força indescritível, e colheram uma espécie de excelência que iria ser relembrada por eles durante séculos. Para que pudéssemos um dia nos levantar, nos alongarmos em direção ao sol, e contar a história deles”.

Jeremy Pope no Met Gala 2021 (Via Instagram)
Jeremy Pope no Met Gala 2021 (Via Instagram)

Este evento mostra o quanto a moda em si é volátil e que se baseia em desejos momentâneos de mercado, que com o tempo, saem de uso. A indústria têxtil adotou a forma de produção capitalista e se deixou influenciar pela dinâmica de superprodução: fazer muitas peças de acordo com as principais tendências do momento, com o objetivo de vender a maior quantidade possível - e, consequentemente, lucrar ainda mais. Esse método ganhou considerável incentivo nos EUA no período em que houve a chamada “crise do petróleo”. Nesse sentido, procura-se no meio a mão de obra barata, de modo criar um ciclo análogo à escravidão. Dentro do contexto mencionado, nasceu o termo “fast fashion”, junto às atuais lojas de departamento. 

Ao não ter a qualidade das peças como prioridade, o meio ambiente é uma das principais vítimas desse processo. De acordo com um relatório feito pela McKinsey & Company e Global Fashion Agenda, essas roupas fast fashion são utilizadas menos de cinco vezes pelos consumidores e geram 400% mais emissões de carbono do que peças comuns - que são utilizadas 50 vezes. Vale lembrar que esse tipo de produção não polui apenas por conta da emissão de carbono, - uma vez que a fibra têxtil mais empregada na produção é o poliéster, um plástico - que demora cerca de 200 anos para se decompor. Além disso, para produzir fibras têxteis, é preciso desmatar, utilizar fertilizantes, agrotóxicos, extrair petróleo e transportar, entre outras formas de poluição.

Sendo assim, o Met Gala 2021 reforça a importância de se consumir uma moda consciente e que não esteja apegada apenas às tendências; mas também ao registro sociocultural que envolve toda a história milenar da produção de tecidos e de peças em si.        

 

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