Não é novidade para ninguém que a indústria cinematográfica fatura bilhões de dólares com filmes de super-heróis, tanto que quatro das dez maiores bilheterias da história são de filmes da Marvel, uma das principais empresas do ramo, fora outros grandes sucessos de companhias rivais, como as sagas do Batman e Superman da DC Comics, que vão às telonas pela Warner Bros.
A maioria destes personagens surgiram através das revistas em quadrinhos durante os anos de 1930 a 1950. Capitão América, Mulher Maravilha e Flash são apenas alguns dos maiores exemplos. Hoje, o mercado está mudando, e os mangás japoneses estão superando os tradicionais gigantes estadunidenses em vendas, inclusive em pleno território norte-americano.
Porém, restam perguntas ao ar: como uma sociedade que está perdendo cada vez mais o hábito da leitura, e neste caso, tendo excelentes conteúdos de super-heróis no cinema, serviços de streaming e em video games, está consumindo mais quadrinhos do que antes, e não o contrário? Por que os mangás orientais estão vendendo mais do que as tradicionais HQs nos Estados Unidos e na Europa?
Para responder tais questionamentos, entrevistamos Bruno de Oliveira Kawazuro, 25 anos, funcionário da Comix Book Shop:
“Uma Noite em 67” é um documentário brasileiro dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil sobre o Festival de Música Brasileira, ocorrido durante a ditadura militar. O evento contou com a participação de artistas como: Edu Lobo, Chico Buarque, Roberto Carlos e Gilberto Gil. O longa-metragem reproduz o Movimento Tropicalia, abordando a repressão, a censura e a ausência de liberdades democráticas no Brasil da época. Um símbolo muito usado contra o Imperialismo foi a música, por exemplo, “Caminhando” de Geraldo Vandré, que foi considerada o maior hino da resistência política.
O filme ambienta fielmente um período conturbado e obscuro da história do país, dando voz a esperança das pessoas através da representação artística. O objetivo dos diretores foi passar uma experiência única do que aconteceu na noite final do festival, coisa que, de acordo com o site “Vertentes do Cinema”, foi bem sucedido, podendo ser relembrado independentemente da época.
Reinventou a figura do caipira e principalmente o consagrou como parte da cultura popular do Brasil, esse foi Amácio Mazzaropi, importante humorista e cineasta brasileiro que, com sua personalidade, foi capaz de divulgar a imagem do caipira pelo Brasil através de seus filmes, em que na maioria deles era o protagonista.
O “Charles Chaplin brasileiro”, como é considerado por muitos fãs e até mesmo críticos, ajudou a consolidar uma indústria da comédia cinematográfica 100% nacional ao trazer ao público o modo de viver de um cara simples do interior. Em seu filme “Jeca Tatu”, de 1959, o personagem caipira Jeca, apesar de ser um homem preguiçoso - ideia pejorativa atribuída ao conceito de caipira criado por Monteiro Lobato - desmistifica percepções equivocadas sobre quem é o caipira.
Segundo o pesquisador de cinema e professor na Universidade Estadual Paulista (Unesp) Eduardo José Afonso, Mazzaropi fez algo inédito ao ser capaz de jogar por terra esse estereótipo a respeito do personagem cuja a personalidade, conforme o professor aponta, representa a maioria dos pobres majoritariamente desvalorizados e tidos como atrasados e analfabetos.
Ainda de acordo com o professor, no retrato de um ser humano engraçado e sensível, se destacava também a capacidade dele de lidar com o preconceito e com a discriminação. O pesquisador indica que o recado do personagem Jeca para o público que se identificava era: “Você também pode mostrar àquele que reprime, explora e impõe o preconceito, que ele está errado”.
Já no filme “Tristeza do Jeca”, de 1961, o artista apresenta outro aspecto do caipira que foge da construção de imagem que a sociedade tem deste indivíduo. Nesta obra cinematográfica Jeca continua sendo o mesmo cara simples e humilde do campo, só que agora ele também passa a ser representado como um líder, capaz de influenciar diretamente as opiniões daqueles que vivem em sua região. Pelo prestígio que tem em meio a sua comunidade, seu valor - como cidadão influente - passa a ser ainda maior para os políticos ambiciosos que querem garantir votos.
De um homem simplório - como é retratado o caipira - ele passa a ser visto como líder, uma peça chave para o desdobramentos dos acontecimentos na cidade. Assim, o filme é apenas um dos muitos sucessos de público de Mazzaropi que esgotaram bilheterias. Muitos daqueles brasileiros, vindos da roça para a cidade, grande parte em busca de trabalho, se identificavam com os diversos aspectos retratados na figura do homem comum da roça. As altas risadas que a comédia nacional ainda proporciona aos telespectadores e fãs também gera, além do efeito cômico, identificação. Jeca - com seu dialeto, a fala arrastada e toda sua construção como um morador da roça - também representa ao mesmo tempo a real vivência de muitos brasileiros, logo, fazendo assim, quase que instantaneamente, que se sintam representados nas telas. Nessas mesmas telas eles presenciaram uma versão de seus “eus”, o que lhes reforçava a ideia de que não necessariamente precisavam se moldar para o formato do “bom cidadão” da cidade grande.
“É marcante ele ter dado ao povo brasileiro, predominantemente de classe média baixa, consciência de seu papel como brasileiros e cidadãos atuantes”, reforça Eduardo. Mazzaropi ao produzir seus filmes falava ao mesmo tempo de um Brasil diversificado e também de si. O gosto pela vida no campo surgiu ainda na infância, em que aprendeu os valores da roça e do trabalho duro. O comediante fez do interior seu lar, logo, retratar o caipira da roça também era contar um pouco de sua história e de sua vivência na fazenda.
As vestimentas simples e maltrapilhas - com um chapéu de palha sempre na cabeça, pés descalços e com o jeito desengonçado de andar - o consagrou como símbolo nacional do homem pacato e simples e foi essa representação do caipira que o trouxe ao patamar de artista talentoso, o “Charles Chaplin brasileiro”, que é considerado hoje.
Com todas suas contribuições, Mazzaropi fez do caipira não somente um sujeito conhecido, mas um representante da cultura do país ao tornar o personagem atemporal. Como o professor Eduardo Afonso afirma: “Mazzaropi, à frente do seu tempo, foi ator, cantor, palhaço, humorista, diretor, empresário, publicitário, enfim um homem voltado integralmente ao cinema e aos espetáculos circenses. Mazzaropi não pode ser visto, apenas como aquele Jeca Tatu, que muitos viram nas telas. Ele é um representante do Brasil”.
O CAIPIRA NA ATUALIDADE
Apesar das representações construídas em torno do caipira, ainda fortes no senso comum, um estudo encabeçado pela pesquisadora Lívia Carolina Baenas Barizon, da Universidade de São Paulo (USP), apontou que o dialeto caipira vem caindo em desuso. O levantamento, por sua vez, levou em conta dados coletados de moradores do interior de São Paulo.
Para reunir as informações, o relatório, por meio de um bate papo informal, apresentou aos entrevistados um conjunto de desenhos na quais deveriam ser nomeadas as partes do corpo humano de acordo com a palavra que lhes era comum nas respectivas cidades.
O resultado revelou que a queda é mais acentuada entre jovens e mulheres. Já a presença é maior na faixa etária acima dos 60 anos, que preservam com veemência o "erre mais rasgado". Segundo a autora da pesquisa, a menor influência das mídias digitais sobre essa faixa etária pode estar associada à conservação do dialeto.
Em entrevista ao Jornal da USP, Lívia explicou que “o dialeto caipira teria surgido nos núcleos familiares das cidades paulistas a partir do século XVIII e sido levado pelas monções para dentro do território paulista. Em sua caminhada rumo ao Mato Grosso (o Rio Tietê deságua no Rio Paraná, na fronteira com o Mato Grosso) para desbravar terras e retirar ouro, os bandeirantes saíam da capital paulista e seguiam a rota do Rio Tietê”, afirmou.
A pandemia afetou diretamente a vida dos atores e toda a produção presente nas apresentações teatrais. Para Badu Morais, atriz e cantora, atualmente em cartaz com a peça ‘Morte e vida Severina’ no Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, o TUCA, afirma que “todos os projetos que tinha em andamento, pararam” e mesmo fazendo tudo o que podia de maneira remota, a produção cultural durante o período era bastante escassa.
Diversos campos da sociedade foram afetados durante o período pandêmico. O setor cultural não ficou imune a este impacto e foi um dos primeiros a parar suas atividades, logo que a crise sanitária parou o planeta, no início de 2020. Hoje, com cerca de 70% da população brasileira completamente vacinada, os teatros finalmente conseguiram retornar com as suas apresentações, mesmo que em um formato diferente, quando comparadas ao período pré pandêmico.
A 5ª arte está se levantando aos poucos e com muitas dificuldades, mas sempre esteve presente no cotidiano das pessoas. Os artistas tiveram que se reinventar e adaptar o seu trabalho para manter a arte viva. Com a possibilidade de realizar transmissões ao vivo, as famosas lives, artistas conseguiram inovar e realizar contação de histórias, performances e até mesmo aulas de teatro nas mais diversas plataformas digitais.
Para Badu, a crise mundial foi responsável pelos espectadores adquirirem uma nova visão em relação aos teatros e suas apresentações; e do mundo de maneira geral, revendo seus valores e suas crenças. Isso permitiu que as produções tivessem um teor diferente, “Depois da pandemia, todos estamos diferentes e acredito que isso seja o suficiente para que o público e as produções terem um novo olhar”, acrescentou.
No entanto, com o protocolo de combate ao vírus e o avanço da vacinação no país, aos poucos, as plateias voltaram a ocupar teatros, mesmo que com o público reduzido. Para Badu, “estar em um palco em frente a uma plateia é a maior sensação de resiliência possível”, já que é muito especial conseguir voltar a exercer sua profissão e ter o contato com o público após o retorno, principalmente após um período tão delicado, com inúmeras perdas.
O Met Gala é considerado um dos mais relevantes eventos do mundo da moda, a concorrida festa no Metropolitan Museum, em Nova York, aconteceu na primeira segunda-feira de maio, conforme segue sua tradição.
Com o intuito de arrecadar fundos para financiar o departamento de moda do museu, o evento também inaugura a exposição anual do “The Costume Institute” que este ano dá continuidade a edição anterior com o tema "Na América: Uma Antologia da Moda", um resgate dos séculos XIX e XX.
A mostra de arte conta a história da moda na intitulada “era dourada” (Golden age, em inglês), momento onde houve grandes avanços tecnológicos e industriais no país norte-americano, formando uma elite que exibia seu poder aquisitivo por meio da moda. Dentre alguns hábitos deste período, os espartilhos, as extensas camadas de roupas e o exagero no uso de jóias. Outro fato relevante da época foi o lançamento da revista Vogue, dedicada ao comportamento e o consumo de luxo e atual anfitriã e organizadora do Met Gala.
O tema da exposição e do evento deve, no melhor dos cenários, ser refletido nos trajes escolhidos pelos convidados. Portanto, os looks deveriam remeter à “era dourada” da história norte-americana. Abaixo, listamos os looks mais comentados da noite.

Com look inspirado na Estátua da Liberdade, Blake Lively é prestigiada nas redes sociais (Foto: Reprodução/ Instagram @obsessedwithversace)
A atriz foi uma das co-anfitriãs do evento. Seu vestido, assinado pela Versace, homenageia um monumento marcante da Golden age, a Estátua da Liberdade. Em entrevista à imprensa local, Blake revelou que se inspirou na arquitetura de Nova York, trazendo elementos de edifícios clássicos da cidade, como o Empire State Building e a constelação da Grand Central Station.
Blake protagonizou um dos momentos mais comentados da noite quando, ao chegar nas escadas do evento, local reservado à imprensa, seu vestido adquiriu tons azulados sobre parte do cobre, em referência ao processo de oxidação sofrido pelo monumento histórico.

Anitta usando Moschino exclusivo (Foto: Reprodução/ Instagram @anitta)
A cantora brasileira Anitta, criticada por ter usado um look considerado básico na última edição, compareceu ao Met Gala pela segunda vez e surpreendeu positivamente seus fãs com um vestido da Moschino, assinado pelo diretor criativo Jeremy Scott. A cor roxa - associada à alta sociedade da época - e as jóias de pérolas casaram bem com o tema, já que na era dourada as mulheres abusavam das jóias. O traje da “Garota do Rio” foi muito elogiado nas redes sociais por especialistas e seguidores.

Vestido é inspirado em arte da “Golden age” (Reprodução/Getty Images)
Umas das figuras mais aguardadas da noite, Billie Eilish apareceu com um vestido inspirado no retrato de “Madame Paul Poirson”, do pintor italiano John Singer Sargent, assinado em 1885. A produção, feita sob medida pela Gucci, acrescentou toques modernos ao traje da era dourada, combinando com o estilo despojado e moderno da cantora sem tangenciar o tema.

Evan Mock atraiu olhares para os trajes masculinos no evento (Foto: Reprodução/instagram @headofstate)
Os homens convidados para o Met Gala normalmente são criticados pelos espectadores por usarem trajes simples e comuns, como o smoking ou um traje social. Distante dessa prática o ator Evan Mock surpreendeu a todos usando um look assinado pela grife Head of State, novidade no cenário do Met. A vestimenta foi bastante elogiada por homenagear o estilo da época e seguir seus padrões.

Donatella Versace e Ashton Sanders fizeram a junção do jeans e dourado (Foto: Reprodução/Instagram @donatella_versace e @ashtonsanders)
A marca estadunidense de vestuário especializada em jeans, Levi 's, foi fundada em 1853 e consolidou o tecido na sociedade. Por isso, era esperado que os convidados usassem essa referência. A expectativa foi cumprida pela designer e vice-presidente do grupo Versace, Donatella Versace, e pelo ator Ashton Sanders. Os dois seguiram a mesma linha de vestimenta e ousaram ao misturar o jeans com elementos dourados, referenciando a moda de diferentes classes sociais da época.