Do pastelzinho com caldo de cana à hora da xepa, as feiras livres fazem parte do cotidiano paulista de domingo a domingo.
por
Manuela Dias
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29/11/2025 - 12h

Por décadas, São Paulo acorda cedo ao som de barracas sendo montadas, caminhões descarregando frutas e vendedores afinando o gogó para anunciar promoções. De norte a sul, as feiras livres desenham um dos cenários mais afetivos da vida paulistana. Não é apenas o lugar onde se compra comida fresca: é onde se conversa, se briga pelo preço, se prova um pedacinho de melancia e se encontra o vizinho que você só vê ali, entre uma dúzia de banana e um pé de alface.

Juca Alves, de 40 anos, conta que vende frutas há 28 anos na zona norte de São Paulo e brinca que o relógio dele funciona diferente. “Minha rotina é a mesma todos os dias. Meu dia começa quando a cidade ainda está dormindo. Se eu bobear, o morango acorda antes de mim”.

Nas bancas de comida, o pastel é rei. “Se não tiver barulho de óleo estalando e alguém gritando não tem graça”, afirma dona Sônia, pasteleira há 19 anos junto com o marido e filhos. “Minha família cresceu ao redor de panelas de óleo e montes de pastéis. E eu fico muito realizada com isso.  

Quando o relógio se aproxima do meio dia, começa o momento mais esperado por parte do público: a famosa xepa. É quando o preço cai e a disputa aumenta. Em uma cidade acelerada como São Paulo, a feira livre funciona como uma pausa afetiva, um lembrete de que existe vida fora do concreto. E enquanto houver paulistanos dispostos a acordar cedo por um pastel quentinho e uma conversa boa, as feiras continuarão firmes, coloridas, barulhentas e deliciosamente caóticas.

Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia.
Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas.
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas. Foto: Manuela Dias/AGEMT
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo.
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores.
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores. Foto: Manuela Dias/AGEMT

 

Apresentação exclusiva acontece no dia 7 de setembro, no Palco Mundo
por
Jalile Elias
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
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26/11/2025 - 12h

Elton John está de volta ao Brasil em uma única apresentação que promete marcar a edição de 2026 do Rock in Rio. O festival confirmou o britânico como atração principal do dia 7 de setembro, abrindo a divulgação do line-up com um dos nomes mais celebrados da música mundial.

A presença de Elton carrega um peso especial. Em 2023, o artista anunciou que deixaria as grandes turnês para ficar mais perto da família. Por isso, sua performance no Rock in Rio será a única na América Latina, transformando o show em um momento raro para os fãs de todo o continente.

Em um vídeo publicado na terça-feira (25) nas redes sociais, Elton John revelou o motivo para ter aceitado o convite de realizar o show em solo brasileiro. “A razão é que eu não vim ao Rio na turnê ‘Farewell Yellow Brick Road’, e eu senti que decepcionei muitos dos meus fãs brasileiros. Então, eu quero compensar isso”, explicou o britânico.

No mesmo dia de festival, outro grande nome da música sobe ao Palco Mundo: Gilberto Gil. Em clima de despedida com a turnê Tempo-Rei, que termina em março de 2026, o encontro dos dois artistas lendários torna a programação do festival ainda mais especial. 

Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Reprodução / Facebook Gilberto Gil)
Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Divulgação)

Além das atrações, o Rock in Rio prepara mudanças importantes na Cidade do Rock. O Palco Mundo, símbolo do festival, será completamente revestido de painéis de LED, somando 2.400 metros quadrados de tecnologia. A ideia é ampliar a imersão visual e criar novas possibilidades para os artistas.

A próxima edição também terá uma homenagem especial à Bossa Nova e um benefício pensado diretamente para o público, em que cada visitante poderá receber até 100% do valor do ingresso de volta em bônus, podendo ser usado em hotéis, gastronomia e experiências turísticas durante a estadia na cidade.

O Rock in Rio 2026 acontece nos dias 4, 5, 6, 7 e 11, 12 e 13 de setembro, no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro. A venda geral dos ingressos começa em 9 de dezembro, às 19h, enquanto membros do Rock in Rio Club terão acesso à pré-venda a partir do dia 4, no mesmo horário.

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A socialite continuou tendo sua moral julgada no tribunal, mesmo após ter sido assassinada pelo companheiro
por
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
Jalile Elias
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26/11/2025 - 12h
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz em nova série. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

Figurinha carimbada nas colunas sociais da época, Ângela Diniz virou capa das manchetes policiais após ser morta a tiros pelo então namorado, Doca Street. O feminicídio que marcou o país na década de 1970 ganha agora um novo olhar na série da HBO Ângela Diniz: Assassinada e Condenada.

Na produção, Marjorie Estiano interpreta a protagonista, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. O elenco ainda conta com Thelmo Fernandes, Maria Volpe, Renata Gaspar, Yara de Novaes e Tóia Ferraz.

Sob direção de Andrucha Waddington, a série se inspira no podcast A Praia dos Ossos, de Branca Viana. A obra, que leva o nome da praia onde o crime ocorreu, reconstrói não apenas o caso, mas também o apagamento em torno da própria vítima. Depoimentos de amigas de Ângela, silenciadas à época, servem como ponto de partida para revelar quem ela realmente era.

Seja pela beleza ou pela independência, a mineira chamava atenção por onde passava. Já os relatos sobre Doca eram marcados pelo ciúme obsessivo do empresário. O casal passava a véspera da virada de 1977 em Búzios quando, ao tentar pôr fim à relação, Ângela foi assassinada pelo companheiro.

Por dias, o criminoso permaneceu foragido, até que sua primeira aparição foi numa entrevista à televisão; logo depois, ele se entregou à polícia. Foram necessários mais de dois anos desde o assassinato para que Doca se sentasse no banco dos réus, num julgamento que se tornaria símbolo da luta contra a violência de gênero.

Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, , enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

As atitudes, roupas e relações de Ângela foram usadas pela defesa como supostas “provocações” que teriam motivado o crime. Foi nesse episódio que Carlos Drummond de Andrade escreveu: “Aquela moça continua sendo assassinada todos os dias e de diferentes maneiras”.

Os advogados do réu recorreram à tese da “legítima defesa da honra” — proibida somente em 2023 pelo STF — numa tentativa de inocentá-lo. O argumento foi aceito pelo júri, e Doca recebeu pena de apenas dois anos de prisão, sentença que gerou revolta e fortaleceu movimentos feministas da época.

Sob forte pressão popular, um segundo julgamento foi realizado. Nele, Doca foi condenado a 15 anos, dos quais cumpriu cerca de três em regime fechado e dois em semiaberto. Em 2020, ele morreu aos 86 anos, em decorrência de um ataque cardíaco.

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Exposição reúne obras que exploram o inconsciente e a natureza como caminhos simbólicos de cura
por
KHADIJAH CALIL
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25/11/2025 - 12h

A Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos, apresenta de 14 de novembro a 14 de dezembro de 2025 a exposição “Bosque Mítico: Katia Canton e a Cura pela Arte”, que reúne um conjunto expressivo de pinturas, desenhos, cerâmicas, tapeçarias e azulejos da artista, sob curadoria de Carlos Zibel e Antonio Carlos Cavalcanti Filho. A Fundação que sedia a mostra está localizada no imóvel conhecido como Casarão Branco do Boqueirão em Santos, um exemplar da época áurea do café no Brasil. 

Ao revisitar o bosque dos contos de fadas como metáfora de transformação interior, Katia Canton revela o processo criativo como gesto de cura, reconstrução e transcendência.
 

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       “Casinha amarela com laranja” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

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                 “Chapeuzinho triste” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                 “O estrangeiro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.         
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                                                            “Menina e pássaro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                     “Duas casinhas numa ilha” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                             “Os sete gatinhos” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                                         “Floresta” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

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Festival celebra os três anos de existência com homenagem ao pensamento de Frantz Fanon e a imaginação radical da cultura periférica
por
Marcela Rocha
Jalile Elias
Isabelle Maieru
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25/11/2025 - 12h

Reconhecido como um dos principais espaços da cultura periférica em São Paulo, o Museu das Favelas completa três anos de atividades no mês de novembro. Para comemorar, a instituição elaborou uma programação especial gratuita que combina memória, arte periférica e reflexão crítica.

Segundo o governo do Estado, o Museu das Favelas já recebeu mais de 100 mil visitantes desde sua fundação em 2022. Localizado no Pátio do Colégio, a abertura da agenda de aniversário ocorre nesta terça-feira (25) com a mostra “ImaginaÇÃO Radical: 100 anos de Frantz Fanon”, dedicada ao médico e filósofo político martinicano.

Fachada do Museu das Favelas. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Fachada do Museu das Favelas. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Autor de “Os condenados da terra” e “Pele negra, máscaras brancas”, Fanon contribuiu para a análise dos efeitos psicológicos do colonialismo, considerando algumas abordagens da psiquiatria e psicologia ineficazes para o tratamento de pessoas racializadas. A exposição em sua homenagem ficará em cartaz até 24 de maio de 2026.

Ainda nos dias 25 e 26 deste mês, o festival oferecerá o ciclo “Papo Reto” com debates entre intelectuais francófonos e brasileiros, em parceria com o Instituto Francês e a Festa Literária das Periferias (Flup). A programação continua no dia 27 com a visita "Abrindo Fluxos da Imaginação Radical”. 

Em 28 de novembro, o projeto “Baile tá On!” promove uma conversa com o artista JXNV$. Já no dia 29, será inaugurada a sala expositiva “Esperançar”, que apresenta arte e tecnologia como forma de mapear territórios periféricos.

O encerramento do festival será no dia 30 de novembro com a programação “Favela é Giro”, que ocupa o Largo Pátio do Colégio com DJs e performances culturais.

 

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Longe do público e com oportunidades reduzidas, profissionais comemoram prorrogação de auxílio da Lei Aldir Blanc
por
Bruna Janz
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26/06/2021 - 12h

Em março de 2020, quando foi declarada a pandemia do novo coronavírus pela OMS, as aglomerações e os eventos sociais foram suspensos. Em meio ao cenário da crise de saúde brasileira, os profissionais da cultura foram duramente prejudicados, com 458 mil postos de trabalho, tanto formais quanto informais, perdidos ao final do ano passado, em comparação com o último trimestre de 2019, segundo informações do Painel de Dados do Observatório Itaú Cultural.

Antes da pandemia, o segmento cultural, junto com o setor criativo, movimentava cerca de R$ 171,5 bilhões por ano, correspondente a quase 3% da riqueza nacional. A previsão era de que esses segmentos gerassem R$ 43,7 bilhões para o PIB brasileiro até 2021, porem 35% desse valor deixou de ser gerado devido às paralisações causadas pela crise do novo coronavírus, como foi apresentado nos resultados preliminares da pesquisa Percepção dos Impactos da Covid-19 nos Setores Culturais e Criativos do Brasil, divulgados em 29 de abril e feita pela Universidade de São Paulo (USP).

No terceiro trimestre de 2020 que a Lei Aldir Blanc entrou em vigor, prevendo uma renda emergencial de três parcelas de R$ 600 para profissionais da cultura, além de um subsídio mensal de R$ 3 mil a R$10 mil para a manutenção de pequenas empresas, organizações culturais e espaços artísticos que ficaram paralisados.

Também foi disponibilizado um montante de R$ 3 bilhões, repassado pelo governo federal para o pagamento desse auxílio. Porém, segundo o Ministério do Turismo em abril de 2021, 25% desse valor, que corresponde a R$ 773,9 milhões, não foram utilizados nos 120 dias do prazo inicial, permanecendo, assim, nas contas dos Executivos locais.

Esse atraso na utilização da verba destinada aos profissionais da cultura ocorreu devido a irregularidade de diversas regulamentações que deveriam ser feitas por prefeitos e governadores dentro do prazo inicial. Assim, em 21 de abril de 2021, foi aprovado um projeto de lei que reformulou a Lei Aldir Blanc, permitindo aos Estados e Municípios a utilização do saldo remanescente do montante até dia 31 de dezembro.

A prorrogação da lei foi vista como uma vitória por muitos do setor cultural, já que ainda não existe um meio viável para criar ambientes presenciais seguros para muitos segmentos artísticos, e o auxílio permite que muitos profissionais mantenham seus trabalhos. 

O ator, pesquisador e estudante Pitágoras Lemos ressalta que a Lei Aldir Blanc foi sancionada em um momento altamente necessário, porém nada é perfeito. “Para muitas pessoas pode parecer só um ‘legal, ganhei 600 reais’, mas nós (artistas) precisamos continuar trabalhando, e pra isso eu preciso apresentar uma peça, uma dança, uma performance. E eu, que faço teatro, sei lidar com o público, mas não sei lidar com edição de imagem, então eu vou ter que contratar alguém que saiba, e aí esses 600 reais já se transformaram em 500, em 400... Isso é o suficiente para uma compra do mês?”

Compartilhando a mesma visão acerca do auxílio, a dançarina, professora e estudante Deborah Lugli também ressalta que continuar trabalhando não precisa significar um trabalho contínuo ou automático, e sim de forma que seja possível e acessível para cada profissional no meio virtual. “É preciso olhar para o todo, e não apenas para o individual. Então, esses coletivos que se juntaram para repensar o setor cultural devem continuar a se fortalecer, é preciso olhar para o todo”, adiciona.

Porém, os impactos no meio cultural vão muito além das questões financeiras e do auxílio emergencial. A vida longe dos palcos físicos e sem a possibilidade de trocar experiências e sensações com o público dificultam muito o trabalho dos artistas, assim como a diminuição das oportunidades no mercado de trabalho  e a maneira com que o governo tem tratado as questões referentes ao setor. 

“Quando a gente está finalizando a graduação, é um momento complicado, é um momento de caminharmos com as próprias pernas, mas descobrir isso no meio de uma crise sanitária, em um momento que tudo se transformou, é bastante difícil de lidar, porque a cena mudou, e ter estudado a cena presencial e me formar na cena digital nesse período da crise é algo difícil de entender”, aponta Deborah.

Já para Pitágoras, a falta de contato com os espectadores é o principal desafio: “Há a perda da troca, da crítica. O que é apresentar para uma tela? Como é para o público receber isso? Nós não sabemos mais, tudo é mediado pelo computador, não há mais troca física”.

Sem mais a possibilidade de juntar um público, as peças via Zoom, lives no Instagram, exposições virtuais e até ensaios fotográficos via FaceTime explodiram por todo o país, e mesmo entre tantas dificuldades, os artistas ainda veem no cenário digital, uma premissa para o futuro, afirmando que dificilmente haverá o rompimento com o virtual, por já ter se tornado uma camada incorporada à arte, capaz de conectar pessoas de todo o Brasil e do mundo em um único lugar.

Ainda assim, as soluções à distância não são o bastante para manter economicamente os mais de 6 milhões de profissionais que trabalham no segmento cultural, tornando um subsídio do Estado uma necessidade para todo o setor, que deverá ser o último a retomar as atividades presenciais, em razão das medidas sanitárias necessárias para tal acontecimento.

Foto da capa: O ator Luis Carlos Shinoda, fundador do Cangaias Coletivo Teatral. Imagem de divulgação da peça "Na colônia penal", transmitida pelo YouTube. 

 

Cantora revela abusos em depoimento inédito
por
Jorge Nagib Koike
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24/06/2021 - 12h

No ano de 2019, em um podcast que analisa as postagens de Britney Spears no Instagram, um áudio de um advogado anônimo foi revelado onde o mesmo expressava suas dúvidas e críticas sobre como o pai e equipe da cantora lidava com a tutela e a vida pessoal de Spears. Após a disseminação do áudio, os fãs da cantora ressurgiram com o movimento #FreeBritney, pedindo a liberdade total da artista da tutela que vive sob desde 2008. No dia 23 de Junho de 2021, a cantora norte-americana finalmente quebrou seu silêncio e deu veracidade às suspeitas que seus fãs tinham. Em uma audiência pública transmitida online por áudio, a artista revelou que em 2018, foi obrigada a performar em sua turnê em Vegas após ser ameaçada por sua equipe. Mais tarde, depois de se recusar a incluir um passo de dança em uma de suas performances, foi forçada a se registrar em uma casa de reabilitação em Beverly Hills, na Califórnia. 

 

Seguindo o ocorrido, seus medicamentos foram trocados sem seu consentimento e Britney revelou se sentir bêbada com os efeitos do lítio, sua nova pílula. Em uma de suas falas mais chocantes e repercutidas, a cantora revelou que quer se casar e ter novos filhos, mas a equipe da tutela não a deixa, inclusive proibindo Spears de retirar seu DIU, método contraceptivo que é forçada a utilizar. Spears também sinalizou abusos cometidos por seu pai e o resto de sua família; em um momento afirmou que todos merecem estar na prisão e que pretende processá-los. 

 

Após a audiência, alguns artistas publicaram em suas redes sociais mensagens em apoio a Britney. A cantora Mariah Carey escreveu em seu twitter: "Te amamos Britney! Continue forte"; a atriz Keke Palmer postou em seu Instagram um texto apoiando Spears; o ator, cantor e ex-namorado de Britney, Justin Timberlake afirmou em uma de suas redes sociais: "Nenhuma mulher deve ser restringida de fazer decisões sobre seu próprio corpo." A próxima audiência está marcada para 14 de Julho de 2021.

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“Sai pra lá coronavírus”, quantas vezes durante este um ano e seis meses de pandemia você já não ouviu essa frase endereçada a alguém com características asiáticas?
por
Ana Carolina Cesar Sousa, João Vitor da Cruz Serradas, Livia Veiga Andrade, Thais Mollo Leoni, Victória Toral de Oliveira
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24/09/2021 - 12h

 

 

Imagem da exposição "Estigma e preconceito anti-amarelo no Brasil". (Foto: divulgação)
Imagem da exposição "Estigma e preconceito anti-amarelo no Brasil". (Foto: divulgação)

 

Com a desculpa da circulação do vírus e a forte necessidade de culpar alguém pelo acontecimento, as práticas xenofóbicas ganharam um novo contexto. Antes mesmo do início da quarentena no Brasil, a estudante Camila Odahara Monteiro, 19 anos, com descendência japonesa, vivenciou um momento de piada de cunho xenofobico no metrô de São Paulo, quando dois meninos brancos passaram por ela rindo e a chamaram de “corona”, devido a seus traços asiáticos. A jovem disse que costuma responder às provocações, mas desta vez não soube como reagir ao comentário devido ao choque.

O Brasil possui mais de dois milhões de pessoas que se autodeclararam de cor amarela, como apontam os Dados do IBGE. São asiáticos e descendentes, em sua maioria japoneses, coreanos e chineses. Estes se tornaram os maiores alvos de comentários racistas após frases twittadas em março de 2020 por Eduardo Bolsonaro, deputado federal pelo Estado de São Paulo (PSL), responsabilizando a China pela proliferação do vírus e a acusando de espionagem por meio de sua estrutura 5G.

O instituto Ibrachina, responsável por fortalecer as relações entre Brasil e China, abordou a influência dos líderes, ao apontar que todas as atitudes, comentários ou ações têm potencial em repercutir entre seus seguidores. “Algumas vezes, as pessoas não pensam sobre a questão e adotam a postura do influenciador. Em outras, entendem que a forma como pensam e sentem está sendo “validada”. Isso os empodera para externalizar atitudes que estão em desacordo com os princípios de respeito ao próximo, e de acordo com princípios legais.”

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi um dos líderes que demonstrou suporte ao racismo contra descendentes asiáticos, com comentários disseminando ódio, principalmente contra a China, assim como Eduardo Bolsonaro (PSL). Em resposta aos ataques cresceu o movimento Stop Asian Hate nos Estados Unidos (Pare o ódio asiático), com intuito de colocar fim a qualquer insulto ou ação xenofóbica direcionada ao povo e cultura asiática, por meio de denúncias e manifestações nas redes sociais. A campanha teve início em março de 2020, período inicial da pandemia.

Com o tempo, o movimento também gerou impacto no Brasil, a influenciadora e atriz Ana Hikari, a primeira descendente asiática a protagonizar uma novela da rede Globo, traz consigo uma importância muito grande ao meio artístico e ao movimento, contribuindo fortemente na divulgação de informações, explicações e manifestações em prol da campanha.

Mas não só no meio político houve ações inapropriadas. Influenciadoras, principalmente voltadas à maquiagem, trouxeram uma nova técnica para ensinarem a seus seguidores, o foxy eye, procedimento que utiliza cílios postiços e delineador para alongar os olhos, aproximando-se dos traços asiáticos. De acordo com a publicitária Melissa Ery, que tem ascendência asiática, é uma ação incômoda, pois traz a ideia de que características asiáticas, que sempre foram motivos de zombarias, só ficam bonitas quando uma garota branca as está usando.

Com uma explicação histórica muito antiga, a xenofobia no Brasil é algo forte e ainda presente. O processo migratório asiático, essencialmente japonês, intensificou-se após o fim da escravidão negra. Em 1906 ocorreu a entrada de 15 mil japoneses no território brasileiro. Após acordo realizado entre os dois países esses imigrantes foram submetidos a uma escravidão velada, um cenário que se apresentou quando cafeicultores brasileiros depararam-se com escassez de mão de obra para seu plantio. Acordos feitos com a China possibilitaram contratar descendentes para trabalharem por um salário injusto, jornadas exaustivas e nenhum direito garantido.

Mesmo com a intensa interação das culturas asiáticas e brasileiras, a formação do pensamento eugênico fortaleceu e marcou  a História com ações políticas anti-nipônicas, como o Regime de Cotas, que limitava as correntes migratórias, principalmente a amarela.  Revistas retratando a inferioridade e a estranheza deles circularam, reforçando a não miscigenação com asiáticos.

Arte: Vinicius Chozo
Arte: Vinicius Chozo

O cenário pandêmico tornou o problema mais visível e intenso, como aponta o Instituto: “O que chega na mídia geralmente são casos extremos, mas as pessoas também manifestam xenofobia de formas sutis”. Piadas, gestos e a criação de esteriótipos, são práticas marcantes na sociedade. Júlia Haruko Minamihara, 18 anos, com descendência japonesa, identificou pela primeira vez essa situação em 2018, após ouvir risadinhas e piadinhas por sua aparência e ser chamada de “japa”.

O racismo amarelo, também chamado de micro racismo, é perpetuado pela falta de conhecimento e interesse popular, mesmo o assunto sendo colocado em evidência. Júlia também relata que por muitas vezes escutou de pessoas próximas “Não há necessidade de mudar a forma como eu te chamo, sempre te chamei de “japa””, identificando a descrença na necessidade de mudanças.

Apesar disso, racismo e xenofobia são classificados como “crimes de ódio”. “O racismo é crime inafiançável, de acordo com o inciso XLII do artigo 5º da Constituição Brasileira e xenofobia também é crime. O artigo 140, inciso 3º do Código Penal, trata sobre injúria racial e abarca o conceito de xenofobia”, como levantou o Instituto Ibrachina. Eles também orientam a gravar a situação caso presencial, tirar prints de publicações, denunciar às plataformas e salvar links, quando o ataque ocorre nas redes sociais. E assim, encaminhar as denúncias à Polícia Federal, ou procurar o DECRADI, Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, são formas de combater ações preconceituosas.

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Aos 92 anos, o arquiteto faleceu no último dia 23 de maio, após perder uma batalha para o câncer
por
Barbara Ferreira, Diogo Moreno, Flávio Guion e Isabel Gaspar
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22/06/2021 - 12h

“Sua morte foi uma grande perda para a arquitetura, não só no Brasil mas em escala mundial”, lamenta Vinicius Gessi, arquiteto formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie (FAU-Mackenzie), mesma instituição em que estudou Paulo Mendes da Rocha (PMR), morto em maio de 2021 por câncer.

Capixaba, Mendes da Rocha foi, ao lado de Vilanova Artigas, um dos expoentes da chamada Escola Paulista de Arquitetura, corrente de arquitetos modernistas paulistas que se identificavam com o brutalismo e se distanciavam do aspecto “beaux-arts” do modernismo carioca de Niemeyer.

Mas PMR e Niemeyer não tinham em comum apenas raízes modernistas; partilhavam também de grande reconhecimento nacional e internacional, sendo os dois únicos arquitetos brasileiros a ganharem o Prêmio Pritzker, o mais importante a nível mundial.

“É muito difícil ganhar esse prêmio. É como se fosse um Oscar”, afirma Vinicius sobre o Prêmio Pritzker, entregue anualmente ao arquiteto que melhor alcança os “princípios de Virtrúvio”: solidez, beleza e funcionalidade.

O arquiteto paulista, aliás, acumulou importantes prêmios ao longo de sua carreira. Já aos 29 anos de idade, por exemplo, venceu o concurso para o ginásio do Clube Paulistano, o que lhe rendeu o Grande Prêmio Presidência da República, na 6ª Bienal Internacional de São Paulo, 1961.

Recebeu também, em 2016, o Prêmio Imperial do Japão e, no ano seguinte, o Leão de Ouro da Bienal de Veneza e a Medalha de Ouro do Real Instituto de Arquitetos Britânicos. Neste ano, receberia a Medalha de Ouro da União Internacional dos Arquitetos (UIA), porém foi impedido pela pandemia e por seu falecimento.

Além de arquiteto, Mendes da Rocha foi também urbanista e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAU-USP), onde passou a lecionar após convite de Vilanova Artigas. Ambos, entretanto, membros do Partido Comunista, foram afastados da instituição após o Ato Institucional nº 5 (AI-5), de 1968, apenas retornando em 1979.

“Foi a primeira aproximação com PMR, seguida pelo acompanhamento de projeto que concorria à seleção de projetos estudantis da UIA em 1980, e depois no 5º ano, como orientador do trabalho de graduação interdisciplinar para conclusão do curso”, conta Renata Semin, sócia do Piratininga Arquitetos Associados e ex-aluna da FAU-USP, sobre seus primeiros contatos com Mendes da Rocha, após seu retorno à vida universitária.

Semin conheceu de perto o mestre da arquitetura. Depois de formada, trabalhou junto com PMR em diversos projetos arquitetônicos, como o do Instituto de Astronomia e Geofísica da USP e o encomendado pela Prefeitura de São Paulo ao se candidatar para ser sede das Olimpíadas de 2012.

“Experiência marcante e indelével para o amadurecimento profissional e pessoal, dados os desafios colocados”, comenta Renata. “A comunicação sempre aconteceu em encontros informais, reuniões de trabalho, sempre com papel e lapiseira na mesa e a exposição clara do objetivo de cada projeto e sua contextualização. [PMR] Entendia perfeitamente a evolução tecnológica para o projeto, mas não era afeito à dissociação da conexão mente-mão”.

 

O brutalismo

Definir a corrente arquitetônica da qual Mendes da Rocha fez parte, o brutalismo, não tem sido tarefa fácil, devido à grande abrangência do termo e diversidade de obras ao redor do mundo.

O nome “brutalismo” origina-se nos anos 1950 do conceito de “béton brut” (concreto aparente), utilizado por Le Corbusier, e passa a designar uma arquitetura exposta, crua, sem receio de esconder suas formas e materiais brutos.

O uso do concreto cru e predominância de ângulos abruptos, bem como de escala geralmente monumental, fazem com que as obras brutalistas tenham uma certa imponência. Isso faz com que, comumente, sejam referenciadas no meio audiovisual como a personificação da grandeza.

Mais do que apenas gerar impacto emocional no observador, a arquitetura brutalista provou-se muito eficaz para a criação de moradia para grandes contingentes populacionais. Seu exemplo mais notório é o da União Soviética, nas décadas de 1950 e 1960.

Paulo Mendes da Rocha, não fugiu a esses preceitos brutalistas e buscou sempre a veia da praticidade e da inclusão social, vistas, por exemplo, em projetos urbanos e arquitetônicos que prezavam pela convivência social harmônica. “A ideia de eliminar barreiras para a convivência/vivência é ponto de partida do projeto [de PMR], seja na escala de uma residência unifamiliar ou na de edifícios que reúnem muita gente”, afirma Renata Semin.

Ainda assim, recentemente, o arquiteto foi alvo de críticas referentes ao alto custo e inacessibilidade de realização de suas obras.

 

Legado

Também criticada foi a decisão de Mendes da Rocha, em 2020, de doar todo o seu acervo profissional à Casa da Arquitectura, instituição cultural portuguesa voltada à divulgação da arquitetura pelo mundo. No total, mais de nove mil itens foram embarcados para Portugal, entre desenhos, fotografias, projetos e maquetes.

À época, em entrevista à Folha de S. Paulo, defendeu-se: “Antes de mais nada, gostaria que vissem a doação que fiz como uma manifestação da liberdade que tenho de fazer o que eu quiser. Compreendo muito bem quem acha que eu fiz mal. Como disse, eu respeito a liberdade — a minha e a de todos”.

Entretanto, a parte mais importante de seu trabalho permaneceu em solo brasileiro, na forma de um legado para as próximas gerações: suas obras. Moradores de cidades como São Paulo, ainda quando não familiarizados com o nome do arquiteto, cruzam diariamente com edifícios e espaços por ele desenhados.

Do SESC 24 de Maio da marquise da Praça do Patriarca à reforma da Pinacoteca; das Casas Gêmeas à reforma do Museu da Língua Portuguesa. O trabalho de Mendes da Rocha se espalha pela urbe paulistana e reproduz o apreço do arquiteto pela liberdade, impresso em obras com muitos vãos e estruturas que deixam o ar, a luz e as pessoas circularem livremente. “A arquitetura dele era preocupada com ambientes, espaços, principalmente fachada, vidro e cobogó”, comenta Vinicius.

Nunca ficara encastelado em seu escritório, embora tivesse medalhas, prêmios, fama internacional, o nobre arquiteto usufruía a cidade, através de saberes e percepções, sempre pensando em transformar região de central de São Paulo mais inclusiva e coletiva. Dessa maneira, simples e sofisticada, PMR concluiu seu traçado.

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Com o novo coronavírus ainda se alastrando pelo globo, o modo como as pessoas consomem livros se alterou
por
Ligia de Toledo Saicali
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21/06/2021 - 12h

No início da vida escolar, o aprendizado da leitura é um dos primeiros e mais essenciais desenvolvidos na faixa etária entre 5 e 7 anos. Apesar de sua relevância, dados apresentados pelo Instituto Pró-Livro apontam que o povo brasileiro ainda lê pouco conteúdo literário: uma média de 2,4 livros ao ano; baixa, se comparada à estimativa de 10 horas e 42 minutos semanais de leitura dedicados pelos indianos, líderes do ranking desde 2005, de acordo com dados da Biblioteca Parque Villa-Lobos. Com o advento da pandemia de Covid-19, a quarentena foi implementada em diversos países com a finalidade de frear o avanço da doença e desafogar o sistema de saúde público e privado.

O confinamento no ambiente doméstico lançou holofotes para a implementação de novos hábitos, e o resgate de outros. A leitura foi um dos costumes resgatados, sendo recentemente carregado pelo comércio online e livros no formato digital. De acordo com números divulgados pelo Painel do Varejo de Livros, a venda de livros em março deste ano saltou 38% em relação a março de 2020. Além disso, o consumo de e-books duplicou durante o período da quarentena brasileira, de acordo com levantamento feito pela Bookwire Brasil, indicando a migração cada vez maior das páginas de papel para o toque das telas. “O consumo de livros não está diminuindo. A questão é que ainda temos uma parcela muito pequena da população que tem esse hábito, sem contar os critérios utilizados pelas pesquisas na definição do que seria ‘ler’. Elas costumam considerar alguém que lê um livro inteiro no ano, ou até quatro livros, algo assim”, explica Laura Folgueira, tradutora, revisora autônoma e jornalista formada pela Cásper Líbero. “Quando você pergunta o que as pessoas mais leem, a grande maioria dos brasileiros cita a Bíblia. Não que tenha algum problema nisso, mas não é um dado que consideramos em relação ao mercado editorial”, diz Folgueira. Ao ser questionada sobre a crise financeira sofrida pelas livrarias físicas, ela aponta que essa complicação não é recente, já que o comércio eletrônico provê informações suficientes na descrição de determinados produtos.

“O livro não é necessariamente uma coisa que você precisa ver antes para comprar, como móveis, que algumas pessoas preferem ir até a loja e analisar. O livro não pede isso”, acrescenta. Com a onda ascendente das compras online e, consequentemente, dos livros eletrônicos, os estabelecimentos físicos passam a direcionar sua estratégia para um ramo relacionado ao ambiente. Similar ao processo de “gourmetização” das salas VIP de cinema para fazer frente ao boom dos streamings, com poltronas reclináveis, assentos exclusivos e cardápios com diversas opções gastronômicas, livrarias passam a investir ainda mais no conforto presencial e na experiência completa dos leitores. Associação a cafeterias, conceito a céu aberto e expansão do setor de papelaria são alguns exemplos que compõem a construção de um novo nicho na experiência presencial destes espaços, que aguardam  a retomada após pandemia. 

“A experiência da livraria física não vai desaparecer. Ela só terá um público mais restrito. Aqui eu nem estou pensando em pandemia, mas eu acho que a experiência de ir à livraria em tempos normais é muito voltada para os amantes de livros. Eu não imagino que a gente abra mão disso”, analisa Laura. A revisora também aponta como apoiar livrarias menores e serviços independentes de distribuição e encomenda (como livreiros) também é uma forma de inovação sem deixar de oxigenar uma área mais tradicional do mercado literário. “Eu estou morando em Santos, desde o fim do ano passado, e tem uma livraria aqui que se chama Realejo Livros, que começou um trabalho bem interessante chamado ‘livreiro em domicílio’. Você entra em contato com ele, pede o livro e ele te entrega no mesmo dia se tiver como, sugere outros. É muito legal essa troca, ele tem muito bom gosto. Um pouco essa ideia de livreiro a moda antiga, mesmo”, conta. 

No meio virtual, os clubes de leitura por assinatura também representam mais uma opção na extensa lista de caminhos que conduzem ao hábito, atualmente. A TAG Livros, empresa  brasileira mais famosa do ramo, apresenta opções diversas, como combos de obras inéditas ou de curadorias especiais personalizadas. Já o clube “Intrínsecos” está diretamente associado às publicações exclusivas da editora Intrínseca. As assinaturas também podem ser ferramentas direcionadas para além do lazer,  promovendo autoconhecimento e cuidado mental, como é o caso do clube do livro da plataforma Eurekka, voltada para o desenvolvimento pessoal e psicológico. “O que eu acho bacana dessas assinaturas é a experiência criada na caixa, com o fato de vir brindes, cadernos, não é só o livro. É o contexto, a própria TAG [Livros] também tem um aplicativo que permite você falar e interagir com outros leitores. Fora isso, eu acho especialmente interessante você receber livros que talvez não conheceria de outra forma”, opina Laura.

Apesar das inúmeras formas de popularização do livro e do aumento de sua procura no último ano, a falta de acessibilidade e poder de compra ainda são peças-chave para entender como o potencial de leitura do brasileiro não é aproveitado ao máximo. De acordo com informações reveladas na 4ª edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, 30% de toda população do país nunca comprou um livro. No fim de 2020, o ministro da Economia, Paulo Guedes, imergiu em uma polêmica relacionada à intenção de aumentar tributos sobre livros, alegando que se trata de um “produto de elite”. 

Não dá para dizer que a literatura não é um privilégio. Uma forma de combater isso é a biblioteca. Dar acesso a cultura literária sem necessariamente passar por essa questão financeira é investir em mais bibliotecas, criar uma cultura de frequentar e ‘pegar livros’. E programas governamentais, que é uma coisa com a qual a gente vem sofrendo gravemente”, aponta Laura. “Quando a gente fala de literatura, é preciso expandir. Porque, se não, a gente vai deixar de conhecer uma parte do país. E também vamos deixar de estimular talentos, porque, para a pessoa ser escritora, ela precisa saber que aquilo também é para ela”, conclui Laura. 

Foto destaque: Reprodução Facebook /Powell's Book

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