Reinventou a figura do caipira e principalmente o consagrou como parte da cultura popular do Brasil, esse foi Amácio Mazzaropi, importante humorista e cineasta brasileiro que, com sua personalidade, foi capaz de divulgar a imagem do caipira pelo Brasil através de seus filmes, em que na maioria deles era o protagonista.
O “Charles Chaplin brasileiro”, como é considerado por muitos fãs e até mesmo críticos, ajudou a consolidar uma indústria da comédia cinematográfica 100% nacional ao trazer ao público o modo de viver de um cara simples do interior. Em seu filme “Jeca Tatu”, de 1959, o personagem caipira Jeca, apesar de ser um homem preguiçoso - ideia pejorativa atribuída ao conceito de caipira criado por Monteiro Lobato - desmistifica percepções equivocadas sobre quem é o caipira.
Segundo o pesquisador de cinema e professor na Universidade Estadual Paulista (Unesp) Eduardo José Afonso, Mazzaropi fez algo inédito ao ser capaz de jogar por terra esse estereótipo a respeito do personagem cuja a personalidade, conforme o professor aponta, representa a maioria dos pobres majoritariamente desvalorizados e tidos como atrasados e analfabetos.
Ainda de acordo com o professor, no retrato de um ser humano engraçado e sensível, se destacava também a capacidade dele de lidar com o preconceito e com a discriminação. O pesquisador indica que o recado do personagem Jeca para o público que se identificava era: “Você também pode mostrar àquele que reprime, explora e impõe o preconceito, que ele está errado”.

Já no filme “Tristeza do Jeca”, de 1961, o artista apresenta outro aspecto do caipira que foge da construção de imagem que a sociedade tem deste indivíduo. Nesta obra cinematográfica Jeca continua sendo o mesmo cara simples e humilde do campo, só que agora ele também passa a ser representado como um líder, capaz de influenciar diretamente as opiniões daqueles que vivem em sua região. Pelo prestígio que tem em meio a sua comunidade, seu valor - como cidadão influente - passa a ser ainda maior para os políticos ambiciosos que querem garantir votos.
De um homem simplório - como é retratado o caipira - ele passa a ser visto como líder, uma peça chave para o desdobramentos dos acontecimentos na cidade. Assim, o filme é apenas um dos muitos sucessos de público de Mazzaropi que esgotaram bilheterias. Muitos daqueles brasileiros, vindos da roça para a cidade, grande parte em busca de trabalho, se identificavam com os diversos aspectos retratados na figura do homem comum da roça. As altas risadas que a comédia nacional ainda proporciona aos telespectadores e fãs também gera, além do efeito cômico, identificação. Jeca - com seu dialeto, a fala arrastada e toda sua construção como um morador da roça - também representa ao mesmo tempo a real vivência de muitos brasileiros, logo, fazendo assim, quase que instantaneamente, que se sintam representados nas telas. Nessas mesmas telas eles presenciaram uma versão de seus “eus”, o que lhes reforçava a ideia de que não necessariamente precisavam se moldar para o formato do “bom cidadão” da cidade grande.
“É marcante ele ter dado ao povo brasileiro, predominantemente de classe média baixa, consciência de seu papel como brasileiros e cidadãos atuantes”, reforça Eduardo. Mazzaropi ao produzir seus filmes falava ao mesmo tempo de um Brasil diversificado e também de si. O gosto pela vida no campo surgiu ainda na infância, em que aprendeu os valores da roça e do trabalho duro. O comediante fez do interior seu lar, logo, retratar o caipira da roça também era contar um pouco de sua história e de sua vivência na fazenda.
As vestimentas simples e maltrapilhas - com um chapéu de palha sempre na cabeça, pés descalços e com o jeito desengonçado de andar - o consagrou como símbolo nacional do homem pacato e simples e foi essa representação do caipira que o trouxe ao patamar de artista talentoso, o “Charles Chaplin brasileiro”, que é considerado hoje.
Com todas suas contribuições, Mazzaropi fez do caipira não somente um sujeito conhecido, mas um representante da cultura do país ao tornar o personagem atemporal. Como o professor Eduardo Afonso afirma: “Mazzaropi, à frente do seu tempo, foi ator, cantor, palhaço, humorista, diretor, empresário, publicitário, enfim um homem voltado integralmente ao cinema e aos espetáculos circenses. Mazzaropi não pode ser visto, apenas como aquele Jeca Tatu, que muitos viram nas telas. Ele é um representante do Brasil”.
O CAIPIRA NA ATUALIDADE
Apesar das representações construídas em torno do caipira, ainda fortes no senso comum, um estudo encabeçado pela pesquisadora Lívia Carolina Baenas Barizon, da Universidade de São Paulo (USP), apontou que o dialeto caipira vem caindo em desuso. O levantamento, por sua vez, levou em conta dados coletados de moradores do interior de São Paulo.
Para reunir as informações, o relatório, por meio de um bate papo informal, apresentou aos entrevistados um conjunto de desenhos na quais deveriam ser nomeadas as partes do corpo humano de acordo com a palavra que lhes era comum nas respectivas cidades.
O resultado revelou que a queda é mais acentuada entre jovens e mulheres. Já a presença é maior na faixa etária acima dos 60 anos, que preservam com veemência o "erre mais rasgado". Segundo a autora da pesquisa, a menor influência das mídias digitais sobre essa faixa etária pode estar associada à conservação do dialeto.
Em entrevista ao Jornal da USP, Lívia explicou que “o dialeto caipira teria surgido nos núcleos familiares das cidades paulistas a partir do século XVIII e sido levado pelas monções para dentro do território paulista. Em sua caminhada rumo ao Mato Grosso (o Rio Tietê deságua no Rio Paraná, na fronteira com o Mato Grosso) para desbravar terras e retirar ouro, os bandeirantes saíam da capital paulista e seguiam a rota do Rio Tietê”, afirmou.
A pandemia afetou diretamente a vida dos atores e toda a produção presente nas apresentações teatrais. Para Badu Morais, atriz e cantora, atualmente em cartaz com a peça ‘Morte e vida Severina’ no Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, o TUCA, afirma que “todos os projetos que tinha em andamento, pararam” e mesmo fazendo tudo o que podia de maneira remota, a produção cultural durante o período era bastante escassa.
Diversos campos da sociedade foram afetados durante o período pandêmico. O setor cultural não ficou imune a este impacto e foi um dos primeiros a parar suas atividades, logo que a crise sanitária parou o planeta, no início de 2020. Hoje, com cerca de 70% da população brasileira completamente vacinada, os teatros finalmente conseguiram retornar com as suas apresentações, mesmo que em um formato diferente, quando comparadas ao período pré pandêmico.
A 5ª arte está se levantando aos poucos e com muitas dificuldades, mas sempre esteve presente no cotidiano das pessoas. Os artistas tiveram que se reinventar e adaptar o seu trabalho para manter a arte viva. Com a possibilidade de realizar transmissões ao vivo, as famosas lives, artistas conseguiram inovar e realizar contação de histórias, performances e até mesmo aulas de teatro nas mais diversas plataformas digitais.
Para Badu, a crise mundial foi responsável pelos espectadores adquirirem uma nova visão em relação aos teatros e suas apresentações; e do mundo de maneira geral, revendo seus valores e suas crenças. Isso permitiu que as produções tivessem um teor diferente, “Depois da pandemia, todos estamos diferentes e acredito que isso seja o suficiente para que o público e as produções terem um novo olhar”, acrescentou.
No entanto, com o protocolo de combate ao vírus e o avanço da vacinação no país, aos poucos, as plateias voltaram a ocupar teatros, mesmo que com o público reduzido. Para Badu, “estar em um palco em frente a uma plateia é a maior sensação de resiliência possível”, já que é muito especial conseguir voltar a exercer sua profissão e ter o contato com o público após o retorno, principalmente após um período tão delicado, com inúmeras perdas.
O Met Gala é considerado um dos mais relevantes eventos do mundo da moda, a concorrida festa no Metropolitan Museum, em Nova York, aconteceu na primeira segunda-feira de maio, conforme segue sua tradição.
Com o intuito de arrecadar fundos para financiar o departamento de moda do museu, o evento também inaugura a exposição anual do “The Costume Institute” que este ano dá continuidade a edição anterior com o tema "Na América: Uma Antologia da Moda", um resgate dos séculos XIX e XX.
A mostra de arte conta a história da moda na intitulada “era dourada” (Golden age, em inglês), momento onde houve grandes avanços tecnológicos e industriais no país norte-americano, formando uma elite que exibia seu poder aquisitivo por meio da moda. Dentre alguns hábitos deste período, os espartilhos, as extensas camadas de roupas e o exagero no uso de jóias. Outro fato relevante da época foi o lançamento da revista Vogue, dedicada ao comportamento e o consumo de luxo e atual anfitriã e organizadora do Met Gala.
O tema da exposição e do evento deve, no melhor dos cenários, ser refletido nos trajes escolhidos pelos convidados. Portanto, os looks deveriam remeter à “era dourada” da história norte-americana. Abaixo, listamos os looks mais comentados da noite.
Com look inspirado na Estátua da Liberdade, Blake Lively é prestigiada nas redes sociais (Foto: Reprodução/ Instagram @obsessedwithversace)
A atriz foi uma das co-anfitriãs do evento. Seu vestido, assinado pela Versace, homenageia um monumento marcante da Golden age, a Estátua da Liberdade. Em entrevista à imprensa local, Blake revelou que se inspirou na arquitetura de Nova York, trazendo elementos de edifícios clássicos da cidade, como o Empire State Building e a constelação da Grand Central Station.
Blake protagonizou um dos momentos mais comentados da noite quando, ao chegar nas escadas do evento, local reservado à imprensa, seu vestido adquiriu tons azulados sobre parte do cobre, em referência ao processo de oxidação sofrido pelo monumento histórico.

Anitta usando Moschino exclusivo (Foto: Reprodução/ Instagram @anitta)
A cantora brasileira Anitta, criticada por ter usado um look considerado básico na última edição, compareceu ao Met Gala pela segunda vez e surpreendeu positivamente seus fãs com um vestido da Moschino, assinado pelo diretor criativo Jeremy Scott. A cor roxa - associada à alta sociedade da época - e as jóias de pérolas casaram bem com o tema, já que na era dourada as mulheres abusavam das jóias. O traje da “Garota do Rio” foi muito elogiado nas redes sociais por especialistas e seguidores. 
Vestido é inspirado em arte da “Golden age” (Reprodução/Getty Images)
Umas das figuras mais aguardadas da noite, Billie Eilish apareceu com um vestido inspirado no retrato de “Madame Paul Poirson”, do pintor italiano John Singer Sargent, assinado em 1885. A produção, feita sob medida pela Gucci, acrescentou toques modernos ao traje da era dourada, combinando com o estilo despojado e moderno da cantora sem tangenciar o tema.

Evan Mock atraiu olhares para os trajes masculinos no evento (Foto: Reprodução/instagram @headofstate)
Os homens convidados para o Met Gala normalmente são criticados pelos espectadores por usarem trajes simples e comuns, como o smoking ou um traje social. Distante dessa prática o ator Evan Mock surpreendeu a todos usando um look assinado pela grife Head of State, novidade no cenário do Met. A vestimenta foi bastante elogiada por homenagear o estilo da época e seguir seus padrões.

Donatella Versace e Ashton Sanders fizeram a junção do jeans e dourado (Foto: Reprodução/Instagram @donatella_versace e @ashtonsanders)
A marca estadunidense de vestuário especializada em jeans, Levi 's, foi fundada em 1853 e consolidou o tecido na sociedade. Por isso, era esperado que os convidados usassem essa referência. A expectativa foi cumprida pela designer e vice-presidente do grupo Versace, Donatella Versace, e pelo ator Ashton Sanders. Os dois seguiram a mesma linha de vestimenta e ousaram ao misturar o jeans com elementos dourados, referenciando a moda de diferentes classes sociais da época.
O ano de 1967 foi o “ano de ouro” do Festival de Música Popular Brasileira, exibido na TV Record. O festival revolucionou a MPB, por estarem concorrendo aos maiores prêmios os cinco maiores nomes da música brasileira até hoje: Gilberto Gil, Roberto Carlos, Caetano Veloso, Chico Buarque e Edu Lobo.
No dia anterior ao festival havia um clima de rebeldia política, cultural e ideológica, com passeatas por todo o país (inclusive uma contra a guitarra elétrica). Com o tropicalismo, começam a surgir canções de protesto, principalmente com Gil e Caetano, que revolucionaram a música brasileira.

O documentário do festival, que ficou conhecido pelo número de vaias, mescla imagens das apresentações com depoimento dos artistas, mais de 40 anos depois. Narra o momento histórico onde Sérgio Ricardo, que vaiado de maneira contínua com Beto Bom de Bola, quebra o violão e o atira contra a plateia. O que mais marcou as propostas musicais apresentadas, foi a evolução dos artistas baianos: Gilberto Gil e Caetano Veloso. As letras de suas composições tinham coincidentemente a mesma forma, os arranjos soavam com uma ruptura dos padrões estabelecidos, ainda que contendo ritmos essencialmente brasileiros.
Em 2022, a porcentagem de vacinação trouxe maior segurança ao retorno das atividades presenciais. Considerados uns dos maiores eventos do mundo, os desfiles de escolas de samba atraem milhares de turistas e fãs de carnaval. Depois de dois anos, Rio de Janeiro e São Paulo foram palcos das festividades, que ocorreram em meio ao feriado de Tiradentes, fora da época convencional.
Segundo a estimativa divulgada pela São Paulo Turismo (SPTuris), os dois dias de desfiles no Sambódromo do Anhembi atraíram 64 mil pessoas. Ao todo, foram 17 blocos e 14 escolas do grupo especial desfilando entre os dias 21 e 24 de abril.
Apesar de alguns contratempos, como atrasos e problemas técnicos, o primeiro dia em São Paulo foi marcado pelos desfiles da Colorado do Brás, que homenageou a escritora Carolina Maria de Jesus; da Mancha Verde, que assumiu a avenida com o enredo “Planeta Água”; da Tom Maior, que homenageou o nordeste brasileiro em conjunto com uma adaptação do livro “O Pequeno Príncipe”, do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry; da Unidos de Vila Maria, que apostou no enredo “O mundo precisa de cada um de nós” e destacou, de forma emocionante, a colaboração e a fraternidade diante da vida “pós-covid19”; da Acadêmicos da Tatuapé, que trouxe à avenida a importância do café na história e na economia do Brasil; e, finalizando o primeiro dia, a Dragões da Real homenageou o sambista Adoniran Barbosa, grande nome da música brasileira.
O segundo dia de desfile se iniciou com a maior detentora de títulos do carnaval paulista, a Vai Vai, que apostou na homenagem aos povos africanos. Em seguida, a Gaviões da Fiel tratou em seu enredo o preconceito, a desigualdade social e a exploração; na sequência, a Mocidade Alegre homenageou a sambista Clementina de Jesus, mulher negra e referência dentro da música brasileira. Já a campeã do último desfile de 2020, Águia de Ouro, prestou homenagem ao orixá Oxalá, apostando no branco e promovendo a valorização da cultura afro-americana. Mergulhada na madrugada, a escola Barroca Zona Sul esbanjou uma homenagem à entidade religiosa Zé Pilintra, abordando uma visão positiva do arquétipo “malandro”. A Rosas de Ouro, por sua vez, encantou os espectadores com exaltações a rituais religiosos, à fé e à ciência, e ainda teceu críticas a declarações feitas pelo atual presidente da República. Encerrando as festividades em São Paulo, a Império de Casa Verde apresentou um enredo voltado para a importância e o poder da comunicação, tratando desde o início das verbalizações até seu impacto na tecnologia atual.
O resultado das apurações dos desfiles foi divulgado dois dias após o evento e a grande campeã foi a Mancha Verde. Ao todo, nove quesitos foram considerados para a atribuição das notas para as escolas: harmonia, mestre-sala e porta-bandeira, enredo, evolução, bateria, fantasia, alegoria, samba-enredo e comissão de frente. Ao fim da apuração, punições da Liga e problemas internos demarcaram o rebaixamento das escolas Colorado do Brás e Vai-Vai ao grupo de acesso.
Durante o desfile das escolas campeãs, realizado no dia 29 de abril, oito agremiações retornaram ao Sambódromo do Anhembi. O evento de comemoração foi introduzido pela Nenê de Vila Matilde, que venceu o grupo de acesso 2 - em uma disputa acirrada contra a Unidos do Peruche - com a reapresentação de um enredo da década de 1980. A bicampeã do Carnaval de São Paulo, Mancha Verde, trouxe à avenida sua consagrada rainha de bateria Viviane Araújo, grávida de quatro meses, que fez questão de comemorar o título desfilando, já que não pôde comparecer ao desfile oficial. Na mesma noite, também se apresentaram outras quatro escolas do grupo especial, além da Independente Tricolor e da Estrela do Terceiro Milênio, que retornam à elite paulista em 2023.














