Por meio de um vídeo divulgado nas redes sociais, a Netflix anunciou que as filmagens da segunda temporada da série “Heartstopper” começaram.
Ainda sem previsão de lançamento, a plataforma anunciou que quatro novos personagens serão incluídos nessa nova fase: Sarah Zahid (Leila Khan), uma estudante; Jack Barton (David Nelson), o irmão mais velho de Nick; James McEwan (Bradley Riches), outro estudante; e Nima Taleghani (Sr. Farouk), professor do Colégio Truham.
Foto: Divulgação/Netflix
O seriado, que entrou em produção no Reino Unido, confirmou o retorno de todo o elenco principal: Joe Locke como Charlie Spring, Kit Connor como Nick Nelson, William Gao como Tao, Yasmin Finney como Elle, Corinna Brown como Tara Jones, Kizzy Edgell como Darcy, Sebastian Croft como Ben Hope, Tobie Donovan como Isaac, Rhea Norwood como Imogen e Jenny Walser como Tori Spring.
A trama, baseada na série de graphic novels da autora Alice Oseman, acompanha os jovens Charlie e Nick, que se conhecem no ensino médio do Colégio Truham. Ao descobrirem que são mais do que apenas amigos, eles encaram uma jornada de autodescoberta, apoiando um ao outro nas dificuldades da vida escolar e amorosa.
A primeira temporada de "Heartstopper", que conta com 100% de aprovação no Rotten Tomatoes pela crítica especializada, é recebida com muito carinho pelo público. Lançada em 22 de abril de 2022, a obra alcançou o TOP10 em mais de 60 países.
“É difícil de explicar pra um alemão que pegar um ‘busão’ lotado ou um metrô lotado pode estragar seu dia”. Para Alexandre Ribeiro, de 24 anos, ainda é difícil abordar algumas diferenças culturais entre o Brasil e a Alemanha, onde vive desde 2019. O escritor paulista, representante da literatura periférica (apesar de rechaçar rótulos), acaba de lançar seu novo livro, “Da Quebrada Pro Mundo”, que traz muito de sua herança como morador da Favela das Torres, em Diadema, região metropolitana de SP.
Em entrevista concedida à reportagem, Alexandre falou sobre sua carreira e contou um pouco de sua história no mundo da leitura. “Eu não cresci num ambiente onde a leitura foi cultivada. Sou filho de mãe diarista e pai segurança de firma, e não lembro de ter visto meus pais com livros. Mas eles pensavam na nossa educação, e eu não estudei em Diadema. Fui estudar em São Bernardo do Campo, cidade vizinha, e foi lá que eu comecei”, conta.
“Lembro que li meu primeiro livro, O Menino Maluquinho, anos se passaram, não peguei o gosto pela leitura e isso foi voltar pra mim quando meu ‘coroa’ faleceu. Ele morreu em 2009, infelizmente, por conta da gripe suína, e marcou muito minha história. Eu não lembro do meu pai lendo um livro, mas lembro dele lendo gibis pra gente”, lembra o escritor paulista. Nesse contexto, os livros se perpetuaram na vida de Alexandre também como uma forma de memória: “A leitura veio pra mim como os abraços do pai que eu não tinha, comecei a olhar para trás, lembrar que meu pai me fazia ler e lembrar dele, e comecei a ler cada vez mais; em alguns momentos que eu sentia que tava tudo dando errado e aí a leitura voltou na minha adolescência com outra roupagem”.
Lançado em julho deste ano, “Da Quebrada Pro Mundo” é o segundo romance de Alexandre Ribeiro - o autor também lançou “Reservado” (2019), vendido diretamente para o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, na Feira do Livro de Porto em 2020. Os dois livros abordam questões sociais, raciais e a vivência dos jovens periféricos, mas a mais recente obra (com prefácio do rapper Emicida) retrata um Brasil futurista, que está “sendo revolucionado por uma vacina contra o vírus do racismo”.
Apesar de participações em importantes feiras literárias na Europa, em cidades como Porto-POR e Frankfurt-ALE, Alexandre relata dificuldades em encontrar reconhecimento dentro da literatura. “Eu ainda sinto muita dificuldade de ser reconhecido no mundo literário. Existe uma demanda pela literatura de periferia, mas ou ela é olhada como commodity, ou a gente é transformado só na nossa história, só o que a gente viveu, aí a gente não tem qualidade literária; ou ignoram de fato”. “A minha literatura fala tanto de quebrada quanto de voos internacionais, que é o tema do meu livro ‘Da Quebrada pro Mundo’. Eu gosto de falar que eu sou morador de quebrada, escritor de quebrada, mas não sou só isso”.
A recepção de seu trabalho em solo europeu, no entanto, tem sido agradável, como conta o autor. Para ele, chama atenção o conhecimento internacional do termo “favela”. “Uma coisa que eu enxergo é o fascínio, a palavra ‘favela’ é internacional, se você fala ‘I am from a favela’ as pessoas entendem o que você tá falando. [...] As pessoas sabem o que é uma favela. Não somente sabem, mas tem gente interessada e querendo ouvir quem é da favela”, conta.
O choque cultural entre Brasil e Alemanha também é um aspecto muito relevante na experiência de Alexandre. “Eu falo muito sobre o valor da vida para um jovem pardo no livro. Esse valor é muito deturpado, e num país onde isso é valorizado (Alemanha), é até difícil de explicar o valor das pequenas coisas. É difícil de explicar pra um alemão que pegar um ‘busão’ lotado pode estragar seu dia. Pouca gente sabe o que é ter medo da polícia aqui. Eles podem ter medo da polícia, mas não têm medo de - como aconteceu comigo quando eu tava escrevendo esse livro - ver a polícia parar a viatura perto da praça e sentir medo de morrer”.
Sem se limitar ao rótulo de “escritor de quebrada”, Ribeiro reforça a questão da identificação como jovem periférico e fala sobre se sentir “privilegiado” dentro da favela onde cresceu. “Eu enxerguei que era um ser favelado periférico não na minha favela, e sim quando saí dela, pra trabalhar na Oscar Freire, quando tinha quinze anos. Eu sou muito mais favela quando tô rodeado de playboy. Na quebrada, sou minoria: faço parte de uma elite intelectual lá, um dos moleques que leu Kant e que ‘tá inteirado’ em debates raciais. Como que eu vou debater teoria racial com minha mãe que terminou o ensino médio junto comigo? Eu quero, mas não dá pra negar que tem uma questão”, afirma o escritor. “A leitura na periferia não é vista como direito, então, infelizmente, eu sou mais um desses que usou da leitura como ato revolucionário”.
Alexandre se vê como uma ferramenta que pode ajudar a "abrir portas” para pessoas periféricas que buscam cultura e conhecimento, assim como ele. Além de seus livros, o escritor paulista lançou também um curso popular de língua inglesa - que carrega o mesmo nome de seu mais recente livro. “A gente começa a ter um outro olhar quando a realidade se parece com a gente, começamos a entender que ela é possível. Quando eu escrevo minhas histórias, com a literatura periférica, com personagens negros, mulheres e LGBTQIA+, e isso reflete também fora da literatura, no mundo real. Fazemos esse trabalho de inglês de forma completamente gratuita pra essas pessoas que tiveram esse acesso negado e pra quem quiser fortalecer, que entende o valor do que a gente faz”, conta o autor, que completa: "O dinheiro não compra o acesso, mas que na verdade ele socializa o sonho” .
2022, um ano e tanto para o Jão. Após colocar todas as músicas do álbum "PIRATA" no top 60 do Spotify Brasil, o cantor recebeu, na manhã desta terça-feira (20), duas nomeações para o Grammy Latino 2022, premiação de grande prestígio no mundo da música.
Com hits como "Idiota", "Coringa" e "Não Te Amo", o álbum "PIRATA" foi indicado para a categoria “Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa”. Composto por onze músicas e mais de 100 milhões de streamings no Spotify, o disco é caracterizado pelo cantor como um projeto sobre amor, sexo, descobertas e despedidas.
Reprodução: Divulgação
Além disso, a faixa "Idiota" foi indicada na categoria “Melhor Canção em Língua Portuguesa”. Em janeiro deste ano, a música, que viralizou na plataforma TikTok, entrou para o Top 50 Viral Global do Spotify, se tornando um sucesso "orgânico".
A música, que é sucesso nas rádios ,tornou-se a melhor colocação da carreira de Jão na parada das mais ouvidas do Spotify Brasil, alcançando a 13ª posição da parada. O videoclipe, que referencia casais famosos do cenário pop, conta com mais de 27 milhões de visualizações.
A 23º edição do Grammy Latino de 2022 acontece no dia 17 de novembro, na Michelob Ultra Arena do Mandalay Bay Resort e Casino, em Las Vegas.
Nesta quinta-feira (15), começou a Semana do Cinema em diversas cidades do país. Durante a comemoração que vai até quarta-feira (21), redes como Cinemark, Cinépolis e PlayArte oferecem ingressos pelo preço de R$10. O objetivo dessa iniciativa, realizada pela FENEEC (Federação Nacional de Empresas Exibidoras Cinematográficas) é retomar o crescimento e o volume de pessoas nas salas de cinema por conta da pandemia.
Com a concorrência das plataformas de streaming como Netflix, Prime Video, HBO Max, entre outras, as salas de cinema ficam cada vez mais vazias. As pessoas ficaram afastadas por muito tempo dessas salas e acabaram se acostumando com o streaming. “Antes eu ia pelo menos uma vez ao mês, hoje depende muito do lançamento, porque são poucos”, conta Julia Moura, analista de mercado e entusiasta de filmes.
“A maior razão pela qual não me faz ir ao cinema é a escassez de filmes que valham a pena. Consumo mais o conteúdo do streaming, hoje só vou para assistir filmes blockbusters como os de heróis”, complementa. Diversos filmes estão em cartaz nesta semana, como “A Órfã 2”, “Não! Não olhe!”, “O Telefone Preto” entre tantas outras opções.
Essa iniciativa segue uma tendência mundial e em outras nações como Estados Unidos e Inglaterra ocorreram no início do mês de setembro. Na Espanha, é esperado que ocorra em outubro.
Por Júlia Takahashi
“A liberdade cai por terras aos pés de um filme do Godard”. A passagem que Paralamas do Sucesso traz em seus versos na música ‘Selvagem’ mostra como Jean-Luc Godard será lembrado: o cineasta que revolucionou a forma de se fazer cinema. Com uma câmera na mão e a inquietude de não seguir os padrões hollywoodianos impostos, Godard, em 1960, estreia seu primeiro filme, Acossado, dando início ao movimento francês, Nouvelle Vague, traduzido para o português como Nova Onda”.
O cineasta franco-suiço faleceu nessa última terça-feira, 13 de setembro, em Rolle, Suíça, aos 91 anos. Era o último integrante vivo do movimento vanguardista e recorreu, de forma voluntária, ao suícidio assistido, mecanismo permitido legalmente no país em que morava. A informação foi confirmada pelo porta-voz e conselheiro da família, Patrick Jeanneret, à Agência France Presse. Além disso, a cineasta Anne-Marie Miéville, próxima à Godard, comentou que ele estava em casa e cercado de pessoas próximas. O presidente francês Emmanuel Macron, também comentou sobre a morte do cineasta e o nomeia como tesouro nacional com um olhar de gênio.
JLG atuou ao lado de grandes cineastas do movimento, como François Truffaut, Claude Chabrol, Jacques Rivette e Eric Rohmer. Os quais se propunham à liberdade criativa, valorizando o “cinema de autor”, em que o controle criativo está todo nas mãos do diretor durante toda a produção. Godard buscava uma narrativa fora da linearidade e dessa forma é considerado uma lenda na sétima arte, inspirando outros cineastas e artistas.
Em seu contexto histórico, criou o grupo Dziga Vertov, em homenagem ao cineasta russo, e teve a possibilidade de explorar a radicalização política, tendo forte influência dos movimentos estudantis de 1968. Abordava as questões políticas e filosóficas da época, principalmente as existenciais e marxistas, em seus filmes e dessa forma foi considerado um dos cineastas mais radicais durante as décadas de 60 e 70.
“As pessoas diziam que estou ocupado com a política, com a revolução, mas cada vez mais estou preocupado com o cinema e com a realidade.”- Jean-Luc Godard
No Brasil, teve alguns filmes censurados, como Sauve qui peut (la vie), de 1969 e Prénom Carmen, de 1983. Durante o governo de Sarney, em 1985, teve o filme “Je Vous Salue Marie” (Ave, Maria), também proibido, pois além de cenas de sexo, trazia a imagem de Maria como uma frentista e José como taxista, revoltando a Igreja Católica, que alegou ser uma ofensa à fé cristã. Foi com essa censura, já fora da ditadura militar de 64, que Paralamas do Sucesso usou como referência em sua música Selvagem, por conta da repercussão do ataque à liberdade de expressão. Três anos depois, o filme voltou a circular, mas não teve tanta adesão do público.
Durante a carreira de Jean-Luc Godard, foram produzidos mais de 40 longas-metragens, vários curtas, ensaios, vídeos de música e documentários experimentais. Ganhou prêmios Ursos no Festival de Berlim, Leões no de Veneza e do Júri de Cannes, além de inúmeras homenagens. Godard ao ser perguntado sobre sua maior ambição, responde “alcançar a imortalidade, e morrer”. Inspirando uma legião de cineastas, artistas e movimentos de luta durante o século 20, tendo a sua arte e história consagrada na sociedade, talvez ele finalmente tenha alcançado a sua maior ambição.