Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
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06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

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Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
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06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
por
Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

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Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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Romance da Netflix retorna com adições no elenco
por
Ricardo Dias de Oliveira Filho
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22/09/2022 - 12h

Por meio de um vídeo divulgado nas redes sociais, a Netflix anunciou que as filmagens da segunda temporada da série “Heartstopper” começaram.

Ainda sem previsão de lançamento, a plataforma anunciou que quatro novos personagens serão incluídos nessa nova fase: Sarah Zahid (Leila Khan), uma estudante; Jack Barton (David Nelson), o irmão mais velho de Nick; James McEwan (Bradley Riches), outro estudante; e Nima Taleghani (Sr. Farouk), professor do Colégio Truham.

Elenco da segunda temporada de “Heartstopper”
Elenco da segunda temporada de “Heartstopper”
Foto: Divulgação/Netflix


O seriado, que entrou em produção no Reino Unido, confirmou o retorno de todo o elenco principal: Joe Locke como Charlie Spring, Kit Connor como Nick Nelson, William Gao como Tao, Yasmin Finney como Elle, Corinna Brown como Tara Jones, Kizzy Edgell como Darcy, Sebastian Croft como Ben Hope, Tobie Donovan como Isaac, Rhea Norwood como Imogen e Jenny Walser como Tori Spring.

A trama, baseada na série de graphic novels da autora Alice Oseman, acompanha os jovens Charlie e Nick, que se conhecem no ensino médio do Colégio Truham. Ao descobrirem que são mais do que apenas amigos, eles encaram uma jornada de autodescoberta, apoiando um ao outro nas dificuldades da vida escolar e amorosa.

A primeira temporada de "Heartstopper", que conta com 100% de aprovação no Rotten Tomatoes pela crítica especializada, é recebida com muito carinho pelo público. Lançada em 22 de abril de 2022, a obra alcançou o TOP10 em mais de 60 países.
 

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Alexandre Ribeiro, que hoje mora na Alemanha, cresceu na Favela das Torres, em Diadema, e já vendeu um de seus livros para o presidente de Portugal
por
Lucas G. Azevedo
Matheus Marcolino
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22/09/2022 - 12h

“É difícil de explicar pra um alemão que pegar um ‘busão’ lotado ou um metrô lotado pode estragar seu dia”. Para Alexandre Ribeiro, de 24 anos, ainda é difícil abordar algumas diferenças culturais entre o Brasil e a Alemanha, onde vive desde 2019. O escritor paulista, representante da literatura periférica (apesar de rechaçar rótulos), acaba de lançar seu novo livro, “Da Quebrada Pro Mundo”, que traz muito de sua herança como morador da Favela das Torres, em Diadema, região metropolitana de SP. 

Alexandre com o seu livro na Favela das Torres, em Diadema. Divulgação: Da Quebrada Pro Mundo.
Alexandre com o seu livro na Favela das Torres, em Diadema. Divulgação: Da Quebrada Pro Mundo.

Em entrevista concedida à reportagem, Alexandre falou sobre sua carreira e contou um pouco de sua história no mundo da leitura. “Eu não cresci num ambiente onde a leitura foi cultivada. Sou filho de mãe diarista e pai segurança de firma, e não lembro de ter visto meus pais com livros. Mas eles pensavam na nossa educação, e eu não estudei em Diadema. Fui estudar em São Bernardo do Campo, cidade vizinha, e foi lá que eu comecei”, conta.  

“Lembro que li meu primeiro livro, O Menino Maluquinho, anos se passaram, não peguei o gosto pela leitura e isso foi voltar pra mim quando meu ‘coroa’ faleceu. Ele morreu em 2009, infelizmente, por conta da gripe suína, e marcou muito minha história. Eu não lembro do meu pai lendo um livro, mas lembro dele lendo gibis pra gente”, lembra o escritor paulista. Nesse contexto, os livros se perpetuaram na vida de Alexandre também como uma forma de memória: “A leitura veio pra mim como os abraços do pai que eu não tinha, comecei a olhar para trás, lembrar que meu pai me fazia ler e lembrar dele, e comecei a ler cada vez mais; em alguns momentos que eu sentia que tava tudo dando errado e aí a leitura voltou na minha adolescência com outra roupagem”.  

Lançado em julho deste ano, “Da Quebrada Pro Mundo” é o segundo romance de Alexandre Ribeiro - o autor também lançou “Reservado” (2019), vendido diretamente para o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, na Feira do Livro de Porto em 2020. Os dois livros abordam questões sociais, raciais e a vivência dos jovens periféricos, mas a mais recente obra (com prefácio do rapper Emicida) retrata um Brasil futurista, que está “sendo revolucionado por uma vacina contra o vírus do racismo”. 

Momento que Alexandre vende seu livro ao presidente de Portugal. Divulgação: Da Quebrada Pro Mundo.
Momento que Alexandre vende seu livro ao presidente de Portugal. Divulgação: Da Quebrada Pro Mundo.

Apesar de participações em importantes feiras literárias na Europa, em cidades como Porto-POR e Frankfurt-ALE, Alexandre relata dificuldades em encontrar reconhecimento dentro da literatura. “Eu ainda sinto muita dificuldade de ser reconhecido no mundo literário. Existe uma demanda pela literatura de periferia, mas ou ela é olhada como commodity, ou a gente é transformado só na nossa história, só o que a gente viveu, aí a gente não tem qualidade literária; ou ignoram de fato”. “A minha literatura fala tanto de quebrada quanto de voos internacionais, que é o tema do meu livro ‘Da Quebrada pro Mundo’. Eu gosto de falar que eu sou morador de quebrada, escritor de quebrada, mas não sou só isso”. 

A recepção de seu trabalho em solo europeu, no entanto, tem sido agradável, como conta o autor. Para ele, chama atenção o conhecimento internacional do termo “favela”. “Uma coisa que eu enxergo é o fascínio, a palavra ‘favela’ é internacional, se você fala ‘I am from a favela’ as pessoas entendem o que você tá falando. [...] As pessoas sabem o que é uma favela. Não somente sabem, mas tem gente interessada e querendo ouvir quem é da favela”, conta. 

O choque cultural entre Brasil e Alemanha também é um aspecto muito relevante na experiência de Alexandre. “Eu falo muito sobre o valor da vida para um jovem pardo no livro. Esse valor é muito deturpado, e num país onde isso é valorizado (Alemanha), é até difícil de explicar o valor das pequenas coisas. É difícil de explicar pra um alemão que pegar um ‘busão’ lotado pode estragar seu dia. Pouca gente sabe o que é ter medo da polícia aqui. Eles podem ter medo da polícia, mas não têm medo de - como aconteceu comigo quando eu tava escrevendo esse livro - ver a polícia parar a viatura perto da praça e sentir medo de morrer”.

Foto de divulgação do livro "Da Quebrada Pro Mundo". Acervo pessoal.
Foto de divulgação do livro "Da Quebrada Pro Mundo". Acervo pessoal.

Sem se limitar ao rótulo de “escritor de quebrada”, Ribeiro reforça a questão da identificação como jovem periférico e fala sobre se sentir “privilegiado” dentro da favela onde cresceu. “Eu enxerguei que era um ser favelado periférico não na minha favela, e sim quando saí dela, pra trabalhar na Oscar Freire, quando tinha quinze anos. Eu sou muito mais favela quando tô rodeado de playboy. Na quebrada, sou minoria: faço parte de uma elite intelectual lá, um dos moleques que leu Kant e que ‘tá inteirado’ em debates raciais. Como que eu vou debater teoria racial com minha mãe que terminou o ensino médio junto comigo? Eu quero, mas não dá pra negar que tem uma questão”, afirma o escritor. “A leitura na periferia não é vista como direito, então, infelizmente, eu sou mais um desses que usou da leitura como ato revolucionário”.  

Alexandre se vê como uma ferramenta que pode ajudar a "abrir portas” para pessoas periféricas que buscam cultura e conhecimento, assim como ele. Além de seus livros, o escritor paulista lançou também um curso popular de língua inglesa - que carrega o mesmo nome de seu mais recente livro. “A gente começa a ter um outro olhar quando a realidade se parece com a gente, começamos a entender que ela é possível. Quando eu escrevo minhas histórias, com a literatura periférica, com personagens negros, mulheres e LGBTQIA+, e isso reflete também fora da literatura, no mundo real. Fazemos esse trabalho de inglês de forma completamente gratuita pra essas pessoas que tiveram esse acesso negado e pra quem quiser fortalecer, que entende o valor do que a gente faz”, conta o autor, que completa: "O dinheiro não compra o acesso, mas que na verdade ele socializa o sonho” .

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A sensação do pop nacional concorre nas categorias de “Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa” e “Melhor Canção em Língua Portuguesa”
por
Ricardo Dias de Oliveira Filho
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21/09/2022 - 12h

2022, um ano e tanto para o Jão. Após colocar todas as músicas do álbum "PIRATA" no top 60 do Spotify Brasil, o cantor recebeu, na manhã desta terça-feira (20), duas nomeações para o Grammy Latino 2022, premiação de grande prestígio no mundo da música.

Com hits como "Idiota", "Coringa" e "Não Te Amo", o álbum "PIRATA" foi indicado para a categoria “Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa”. Composto por onze músicas e mais de 100 milhões de streamings no Spotify, o disco é caracterizado pelo cantor como um projeto sobre amor, sexo, descobertas e despedidas.

Capa do álbum “PIRATA”
Capa do álbum “PIRATA”
Reprodução: Divulgação

Além disso, a faixa "Idiota" foi indicada na categoria “Melhor Canção em Língua Portuguesa”. Em janeiro deste ano, a música, que viralizou na plataforma TikTok, entrou para o Top 50 Viral Global do Spotify, se tornando um sucesso "orgânico".

A música, que é sucesso nas rádios ,tornou-se a melhor colocação da carreira de Jão na parada das mais ouvidas do Spotify Brasil, alcançando a 13ª posição da parada. O videoclipe, que referencia casais famosos do cenário pop, conta com mais de 27 milhões de visualizações.

A 23º edição do Grammy Latino de 2022 acontece no dia 17 de novembro, na Michelob Ultra Arena do Mandalay Bay Resort e Casino, em Las Vegas.

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A iniciativa vai do dia 15 a 21 de setembro e conta com ingressos por R$10, além de combos com pipoca e refrigerante para qualquer filme.
por
Marcelo Ferreira Victorio
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16/09/2022 - 12h

 

Reprodução: Folha de São Paulo
Reprodução: Folha de São Paulo

Nesta quinta-feira (15), começou a Semana do Cinema em diversas cidades do país. Durante a comemoração que vai até quarta-feira (21), redes como Cinemark, Cinépolis e PlayArte oferecem ingressos pelo preço de R$10. O objetivo dessa iniciativa, realizada pela FENEEC (Federação Nacional de Empresas Exibidoras Cinematográficas) é retomar o crescimento e o volume de pessoas nas salas de cinema por conta da pandemia.

Com a concorrência das plataformas de streaming como Netflix, Prime Video, HBO Max, entre outras, as salas de cinema ficam cada vez mais vazias. As pessoas ficaram afastadas por muito tempo dessas salas e acabaram se acostumando com o streaming. “Antes eu ia pelo menos uma vez ao mês, hoje depende muito do lançamento, porque são poucos”, conta Julia Moura, analista de mercado e entusiasta de filmes.

“A maior razão pela qual não me faz ir ao cinema é a escassez de filmes que valham a pena. Consumo mais o conteúdo do streaming, hoje só vou para assistir filmes blockbusters como os de heróis”, complementa. Diversos filmes estão em cartaz nesta semana, como “A Órfã 2”, “Não! Não olhe!”, “O Telefone Preto” entre tantas outras opções.

Essa iniciativa segue uma tendência mundial e em outras nações como Estados Unidos e Inglaterra ocorreram no início do mês de setembro. Na Espanha, é esperado que ocorra em outubro.

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Por meio de suícidio assistido, o pai de Nouvelle Vague, morre aos 91 anos, deixando um legado de filmes e história.
por
Julia Takahashi
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15/09/2022 - 12h

Por Júlia Takahashi

“A liberdade cai por terras aos pés de um filme do Godard”. A passagem que Paralamas do Sucesso traz em seus versos na música ‘Selvagem’ mostra como Jean-Luc Godard será lembrado: o cineasta que revolucionou a forma de se fazer cinema. Com uma câmera na mão e a inquietude de não seguir os padrões hollywoodianos impostos, Godard, em 1960, estreia seu primeiro filme, Acossado, dando início ao movimento francês, Nouvelle Vague, traduzido para o português como Nova Onda”.

O cineasta franco-suiço faleceu nessa última terça-feira, 13 de setembro, em Rolle, Suíça, aos 91 anos. Era o último integrante vivo do movimento vanguardista e recorreu, de forma voluntária, ao suícidio assistido, mecanismo permitido legalmente no país em que morava. A informação foi confirmada pelo porta-voz e conselheiro da família, Patrick Jeanneret, à Agência France Presse. Além disso, a cineasta Anne-Marie Miéville, próxima à Godard, comentou que ele estava em casa e cercado de pessoas próximas. O presidente francês Emmanuel Macron, também comentou sobre a morte do cineasta e o nomeia como tesouro nacional com um olhar de gênio.

Goudard sentado com a câmera para filme
Jean-Luc Godard em 2010. © Sipa - Ronald Grant / Mary Evans

JLG atuou ao lado de grandes cineastas do movimento, como François Truffaut, Claude Chabrol, Jacques Rivette e Eric Rohmer. Os quais se propunham à liberdade criativa, valorizando o “cinema de autor”, em que o controle criativo está todo nas mãos do diretor durante toda a produção. Godard buscava uma narrativa fora da linearidade e dessa forma é considerado uma lenda na sétima arte, inspirando outros cineastas e artistas.

Em seu contexto histórico, criou o grupo Dziga Vertov, em homenagem ao cineasta russo, e teve a possibilidade de explorar a radicalização política, tendo  forte influência dos movimentos estudantis de 1968.  Abordava as questões políticas e filosóficas da época, principalmente as existenciais e marxistas, em seus filmes e dessa forma foi considerado um dos cineastas mais radicais durante as décadas de 60 e 70.

 

“As pessoas diziam que estou ocupado com a política, com a revolução, mas cada vez mais estou preocupado com o cinema e com a realidade.”- Jean-Luc Godard

 

No Brasil, teve alguns filmes censurados, como Sauve qui peut (la vie), de 1969 e Prénom Carmen, de 1983. Durante o governo de Sarney, em 1985, teve o filme “Je Vous Salue Marie” (Ave, Maria), também proibido, pois além de cenas de sexo, trazia a imagem de Maria como uma frentista e José como taxista, revoltando a Igreja Católica, que alegou ser uma ofensa à fé cristã. Foi com essa censura, já fora da ditadura militar de 64, que Paralamas do Sucesso usou como referência em sua música Selvagem, por conta da repercussão do ataque à liberdade de expressão. Três anos depois, o filme voltou a circular, mas não teve tanta adesão do público.

Durante a carreira de Jean-Luc Godard, foram produzidos mais de 40 longas-metragens, vários curtas, ensaios, vídeos de música e documentários experimentais. Ganhou prêmios Ursos no Festival de Berlim, Leões no de Veneza e do Júri de Cannes, além de inúmeras homenagens. Godard ao ser perguntado sobre sua maior ambição, responde “alcançar a imortalidade, e morrer”. Inspirando uma legião de cineastas, artistas e movimentos de luta durante o século 20, tendo a sua arte e história consagrada na sociedade, talvez ele finalmente tenha alcançado a sua maior ambição.

 

 

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