Do pastelzinho com caldo de cana à hora da xepa, as feiras livres fazem parte do cotidiano paulista de domingo a domingo.
por
Manuela Dias
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29/11/2025 - 12h

Por décadas, São Paulo acorda cedo ao som de barracas sendo montadas, caminhões descarregando frutas e vendedores afinando o gogó para anunciar promoções. De norte a sul, as feiras livres desenham um dos cenários mais afetivos da vida paulistana. Não é apenas o lugar onde se compra comida fresca: é onde se conversa, se briga pelo preço, se prova um pedacinho de melancia e se encontra o vizinho que você só vê ali, entre uma dúzia de banana e um pé de alface.

Juca Alves, de 40 anos, conta que vende frutas há 28 anos na zona norte de São Paulo e brinca que o relógio dele funciona diferente. “Minha rotina é a mesma todos os dias. Meu dia começa quando a cidade ainda está dormindo. Se eu bobear, o morango acorda antes de mim”.

Nas bancas de comida, o pastel é rei. “Se não tiver barulho de óleo estalando e alguém gritando não tem graça”, afirma dona Sônia, pasteleira há 19 anos junto com o marido e filhos. “Minha família cresceu ao redor de panelas de óleo e montes de pastéis. E eu fico muito realizada com isso.  

Quando o relógio se aproxima do meio dia, começa o momento mais esperado por parte do público: a famosa xepa. É quando o preço cai e a disputa aumenta. Em uma cidade acelerada como São Paulo, a feira livre funciona como uma pausa afetiva, um lembrete de que existe vida fora do concreto. E enquanto houver paulistanos dispostos a acordar cedo por um pastel quentinho e uma conversa boa, as feiras continuarão firmes, coloridas, barulhentas e deliciosamente caóticas.

Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia.
Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas.
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas. Foto: Manuela Dias/AGEMT
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo.
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores.
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores. Foto: Manuela Dias/AGEMT

 

Apresentação exclusiva acontece no dia 7 de setembro, no Palco Mundo
por
Jalile Elias
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
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26/11/2025 - 12h

Elton John está de volta ao Brasil em uma única apresentação que promete marcar a edição de 2026 do Rock in Rio. O festival confirmou o britânico como atração principal do dia 7 de setembro, abrindo a divulgação do line-up com um dos nomes mais celebrados da música mundial.

A presença de Elton carrega um peso especial. Em 2023, o artista anunciou que deixaria as grandes turnês para ficar mais perto da família. Por isso, sua performance no Rock in Rio será a única na América Latina, transformando o show em um momento raro para os fãs de todo o continente.

Em um vídeo publicado na terça-feira (25) nas redes sociais, Elton John revelou o motivo para ter aceitado o convite de realizar o show em solo brasileiro. “A razão é que eu não vim ao Rio na turnê ‘Farewell Yellow Brick Road’, e eu senti que decepcionei muitos dos meus fãs brasileiros. Então, eu quero compensar isso”, explicou o britânico.

No mesmo dia de festival, outro grande nome da música sobe ao Palco Mundo: Gilberto Gil. Em clima de despedida com a turnê Tempo-Rei, que termina em março de 2026, o encontro dos dois artistas lendários torna a programação do festival ainda mais especial. 

Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Reprodução / Facebook Gilberto Gil)
Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Divulgação)

Além das atrações, o Rock in Rio prepara mudanças importantes na Cidade do Rock. O Palco Mundo, símbolo do festival, será completamente revestido de painéis de LED, somando 2.400 metros quadrados de tecnologia. A ideia é ampliar a imersão visual e criar novas possibilidades para os artistas.

A próxima edição também terá uma homenagem especial à Bossa Nova e um benefício pensado diretamente para o público, em que cada visitante poderá receber até 100% do valor do ingresso de volta em bônus, podendo ser usado em hotéis, gastronomia e experiências turísticas durante a estadia na cidade.

O Rock in Rio 2026 acontece nos dias 4, 5, 6, 7 e 11, 12 e 13 de setembro, no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro. A venda geral dos ingressos começa em 9 de dezembro, às 19h, enquanto membros do Rock in Rio Club terão acesso à pré-venda a partir do dia 4, no mesmo horário.

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A socialite continuou tendo sua moral julgada no tribunal, mesmo após ter sido assassinada pelo companheiro
por
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
Jalile Elias
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26/11/2025 - 12h
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz em nova série. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

Figurinha carimbada nas colunas sociais da época, Ângela Diniz virou capa das manchetes policiais após ser morta a tiros pelo então namorado, Doca Street. O feminicídio que marcou o país na década de 1970 ganha agora um novo olhar na série da HBO Ângela Diniz: Assassinada e Condenada.

Na produção, Marjorie Estiano interpreta a protagonista, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. O elenco ainda conta com Thelmo Fernandes, Maria Volpe, Renata Gaspar, Yara de Novaes e Tóia Ferraz.

Sob direção de Andrucha Waddington, a série se inspira no podcast A Praia dos Ossos, de Branca Viana. A obra, que leva o nome da praia onde o crime ocorreu, reconstrói não apenas o caso, mas também o apagamento em torno da própria vítima. Depoimentos de amigas de Ângela, silenciadas à época, servem como ponto de partida para revelar quem ela realmente era.

Seja pela beleza ou pela independência, a mineira chamava atenção por onde passava. Já os relatos sobre Doca eram marcados pelo ciúme obsessivo do empresário. O casal passava a véspera da virada de 1977 em Búzios quando, ao tentar pôr fim à relação, Ângela foi assassinada pelo companheiro.

Por dias, o criminoso permaneceu foragido, até que sua primeira aparição foi numa entrevista à televisão; logo depois, ele se entregou à polícia. Foram necessários mais de dois anos desde o assassinato para que Doca se sentasse no banco dos réus, num julgamento que se tornaria símbolo da luta contra a violência de gênero.

Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, , enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

As atitudes, roupas e relações de Ângela foram usadas pela defesa como supostas “provocações” que teriam motivado o crime. Foi nesse episódio que Carlos Drummond de Andrade escreveu: “Aquela moça continua sendo assassinada todos os dias e de diferentes maneiras”.

Os advogados do réu recorreram à tese da “legítima defesa da honra” — proibida somente em 2023 pelo STF — numa tentativa de inocentá-lo. O argumento foi aceito pelo júri, e Doca recebeu pena de apenas dois anos de prisão, sentença que gerou revolta e fortaleceu movimentos feministas da época.

Sob forte pressão popular, um segundo julgamento foi realizado. Nele, Doca foi condenado a 15 anos, dos quais cumpriu cerca de três em regime fechado e dois em semiaberto. Em 2020, ele morreu aos 86 anos, em decorrência de um ataque cardíaco.

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Exposição reúne obras que exploram o inconsciente e a natureza como caminhos simbólicos de cura
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KHADIJAH CALIL
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25/11/2025 - 12h

A Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos, apresenta de 14 de novembro a 14 de dezembro de 2025 a exposição “Bosque Mítico: Katia Canton e a Cura pela Arte”, que reúne um conjunto expressivo de pinturas, desenhos, cerâmicas, tapeçarias e azulejos da artista, sob curadoria de Carlos Zibel e Antonio Carlos Cavalcanti Filho. A Fundação que sedia a mostra está localizada no imóvel conhecido como Casarão Branco do Boqueirão em Santos, um exemplar da época áurea do café no Brasil. 

Ao revisitar o bosque dos contos de fadas como metáfora de transformação interior, Katia Canton revela o processo criativo como gesto de cura, reconstrução e transcendência.
 

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       “Casinha amarela com laranja” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

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                 “Chapeuzinho triste” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                 “O estrangeiro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.         
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                                                            “Menina e pássaro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                     “Duas casinhas numa ilha” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                             “Os sete gatinhos” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                                         “Floresta” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

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Festival celebra os três anos de existência com homenagem ao pensamento de Frantz Fanon e a imaginação radical da cultura periférica
por
Marcela Rocha
Jalile Elias
Isabelle Maieru
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25/11/2025 - 12h

Reconhecido como um dos principais espaços da cultura periférica em São Paulo, o Museu das Favelas completa três anos de atividades no mês de novembro. Para comemorar, a instituição elaborou uma programação especial gratuita que combina memória, arte periférica e reflexão crítica.

Segundo o governo do Estado, o Museu das Favelas já recebeu mais de 100 mil visitantes desde sua fundação em 2022. Localizado no Pátio do Colégio, a abertura da agenda de aniversário ocorre nesta terça-feira (25) com a mostra “ImaginaÇÃO Radical: 100 anos de Frantz Fanon”, dedicada ao médico e filósofo político martinicano.

Fachada do Museu das Favelas. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Fachada do Museu das Favelas. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Autor de “Os condenados da terra” e “Pele negra, máscaras brancas”, Fanon contribuiu para a análise dos efeitos psicológicos do colonialismo, considerando algumas abordagens da psiquiatria e psicologia ineficazes para o tratamento de pessoas racializadas. A exposição em sua homenagem ficará em cartaz até 24 de maio de 2026.

Ainda nos dias 25 e 26 deste mês, o festival oferecerá o ciclo “Papo Reto” com debates entre intelectuais francófonos e brasileiros, em parceria com o Instituto Francês e a Festa Literária das Periferias (Flup). A programação continua no dia 27 com a visita "Abrindo Fluxos da Imaginação Radical”. 

Em 28 de novembro, o projeto “Baile tá On!” promove uma conversa com o artista JXNV$. Já no dia 29, será inaugurada a sala expositiva “Esperançar”, que apresenta arte e tecnologia como forma de mapear territórios periféricos.

O encerramento do festival será no dia 30 de novembro com a programação “Favela é Giro”, que ocupa o Largo Pátio do Colégio com DJs e performances culturais.

 

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Artista revolucionou o cinema brasileiro com sua interpretação de Jeca Tatu
por
Dayres Vitoria
Victoria Nogueira
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05/05/2022 - 12h

Reinventou  a figura do caipira e principalmente  o consagrou como parte da cultura popular do Brasil, esse foi Amácio Mazzaropi, importante humorista e cineasta brasileiro que, com sua personalidade, foi capaz de divulgar a imagem do caipira pelo Brasil através de seus filmes, em que na maioria deles  era o  protagonista. 

O “Charles Chaplin brasileiro”, como é considerado por muitos fãs e até mesmo críticos,  ajudou a consolidar uma indústria da comédia cinematográfica 100% nacional ao trazer ao público o modo de viver de um cara simples do interior. Em seu filme  “Jeca Tatu”, de 1959, o personagem caipira Jeca, apesar de ser um homem preguiçoso - ideia  pejorativa atribuída ao conceito de caipira criado por Monteiro Lobato -  desmistifica percepções equivocadas sobre quem é o caipira. 

Segundo o  pesquisador de cinema e professor na Universidade Estadual Paulista (Unesp) Eduardo José Afonso,  Mazzaropi  fez algo inédito ao ser capaz de jogar por terra esse estereótipo a respeito do personagem cuja a personalidade, conforme o professor aponta, representa a maioria dos pobres majoritariamente desvalorizados e tidos como atrasados e analfabetos.  

Ainda de acordo com o  professor, no retrato de um ser humano engraçado e sensível, se destacava também a capacidade dele de lidar com o preconceito e com  a discriminação. O pesquisador indica que o recado do personagem Jeca para o público que se identificava  era: “Você também pode mostrar àquele que reprime, explora e impõe o preconceito, que ele está errado”. 

 

Mazzaropi ressignificou a figura do caipira no cinema brasileiro | Reprodução
Amácio Mazzaropi ressignificou a figura do caipira no cinema brasileiro | Reprodução.

 

Já no filme “Tristeza do Jeca”, de 1961, o artista apresenta outro aspecto do caipira que foge da construção de imagem que a sociedade tem deste indivíduo. Nesta obra cinematográfica Jeca continua sendo o mesmo cara simples e humilde do campo, só que agora ele também passa a ser representado como um líder, capaz de influenciar diretamente as opiniões daqueles que vivem em sua região. Pelo prestígio que tem em meio a sua comunidade,  seu valor - como cidadão  influente - passa a ser ainda maior para os políticos ambiciosos que querem garantir votos. 

De um homem simplório - como é retratado o caipira - ele passa a ser visto como líder, uma peça chave para o desdobramentos dos acontecimentos na cidade. Assim, o  filme é apenas um dos muitos sucessos de público de Mazzaropi que esgotaram bilheterias. Muitos daqueles brasileiros, vindos da roça para a cidade,  grande parte  em busca de trabalho, se identificavam com os diversos aspectos retratados na figura do homem comum da roça. As altas risadas que a comédia nacional ainda proporciona aos telespectadores e fãs também gera, além do efeito cômico, identificação. Jeca - com seu dialeto, a fala arrastada e toda sua  construção  como um morador da roça -  também representa ao mesmo tempo a real vivência de muitos brasileiros,  logo, fazendo assim, quase que instantaneamente, que se sintam representados nas telas. Nessas mesmas telas eles presenciaram uma versão de seus “eus”, o que lhes reforçava a ideia de que não necessariamente precisavam se moldar para o  formato do “bom cidadão” da cidade grande. 


“É marcante ele ter dado ao povo brasileiro, predominantemente de classe média baixa, consciência de seu papel como brasileiros e cidadãos atuantes”, reforça Eduardo. Mazzaropi ao produzir seus filmes falava ao mesmo tempo de um Brasil diversificado e  também de si. O gosto pela vida no campo surgiu ainda na infância, em que aprendeu os valores da roça  e do trabalho duro. O  comediante  fez do interior seu lar, logo, retratar o caipira da roça também era contar um pouco de sua história e de sua vivência na fazenda. 

As vestimentas simples e maltrapilhas  - com um chapéu de palha sempre na cabeça, pés descalços e com o jeito desengonçado de andar -  o consagrou como  símbolo nacional do homem pacato e simples  e foi essa representação do caipira que  o trouxe ao patamar de artista talentoso,  o “Charles Chaplin brasileiro”, que é considerado hoje. 

Com todas suas contribuições, Mazzaropi fez do caipira não somente um sujeito conhecido, mas um representante da cultura do país ao tornar o personagem atemporal. Como o professor Eduardo Afonso afirma: “Mazzaropi, à frente do seu tempo, foi ator, cantor, palhaço, humorista, diretor, empresário, publicitário, enfim um homem voltado integralmente ao cinema e aos espetáculos circenses. Mazzaropi não pode ser visto, apenas como aquele Jeca Tatu, que muitos viram nas telas. Ele é um representante do Brasil”.

O CAIPIRA NA ATUALIDADE

Apesar das representações  construídas em torno do caipira, ainda fortes no senso comum, um estudo encabeçado pela pesquisadora Lívia Carolina Baenas Barizon, da Universidade de São Paulo (USP), apontou que o dialeto caipira vem caindo em desuso. O levantamento, por sua vez, levou em conta dados coletados de moradores do interior de São Paulo.

Para reunir as informações, o relatório, por meio de um bate papo informal, apresentou aos entrevistados um conjunto de desenhos na quais deveriam ser nomeadas as partes do corpo humano de acordo com a palavra que lhes era comum nas respectivas cidades.

O resultado revelou que a queda é mais acentuada entre jovens e mulheres. Já a presença é maior na faixa etária acima dos 60 anos, que preservam com veemência o "erre mais rasgado". Segundo a autora da pesquisa, a menor influência das mídias digitais sobre essa faixa etária pode estar associada à conservação do dialeto.

Em entrevista ao Jornal da USP, Lívia explicou que “o dialeto caipira teria surgido nos núcleos familiares das cidades paulistas a partir do século XVIII e sido levado pelas monções para dentro do território paulista. Em sua caminhada rumo ao Mato Grosso (o Rio Tietê deságua no Rio Paraná, na fronteira com o Mato Grosso) para desbravar terras e retirar ouro, os bandeirantes saíam da capital paulista e seguiam a rota do Rio Tietê”, afirmou.

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Para Badu Morais, em cartaz no TUCA com Morte e Vida Severina, a volta significa resiliência
por
Helena Cardoso Guimarães
Marina Jonas
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05/05/2022 - 12h

A pandemia afetou diretamente a vida dos atores e toda a produção presente nas apresentações teatrais. Para Badu Morais, atriz e cantora, atualmente em cartaz com a peça ‘Morte e vida Severina’ no Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, o TUCA, afirma que “todos os projetos que tinha em andamento, pararam” e mesmo fazendo tudo o que podia de maneira remota, a produção cultural durante o período era bastante escassa.  

Diversos campos da sociedade foram afetados durante o período pandêmico. O setor cultural não ficou imune a este impacto e foi um dos primeiros a parar suas atividades, logo que a crise sanitária parou o planeta, no início de 2020. Hoje, com cerca de 70% da população brasileira completamente vacinada, os teatros finalmente conseguiram retornar com as suas apresentações, mesmo que em um formato diferente, quando comparadas ao período pré pandêmico. 

A 5ª arte está se levantando aos poucos e com muitas dificuldades, mas sempre esteve presente no cotidiano das pessoas. Os artistas tiveram que se reinventar e adaptar o seu trabalho para manter a arte viva. Com a possibilidade de realizar transmissões ao vivo, as famosas lives, artistas conseguiram inovar e realizar contação de histórias, performances e até mesmo aulas de teatro nas mais diversas plataformas digitais.  

Para Badu, a crise mundial foi responsável pelos espectadores adquirirem uma nova visão em relação aos teatros e suas apresentações; e do mundo de maneira geral, revendo seus valores e suas crenças. Isso permitiu que as produções tivessem um teor diferente, “Depois da pandemia, todos estamos diferentes e acredito que isso seja o suficiente para que o público e as produções terem um novo olhar”, acrescentou. 

No entanto, com o protocolo de combate ao vírus e o avanço da vacinação no país, aos poucos, as plateias voltaram a ocupar teatros, mesmo que com o público reduzido. Para Badu, “estar em um palco em frente a uma plateia é a maior sensação de resiliência possível”, já que é muito especial conseguir voltar a exercer sua profissão e ter o contato com o público após o retorno, principalmente após um período tão delicado, com inúmeras perdas. 

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O evento beneficente ocorreu nesta segunda-feira, 2/05, em Nova York, e contou com a presença de celebridades e personalidades da moda.
por
 Maria Clara Alcântara 
Ana Kézia Andrade
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04/05/2022 - 12h

    O Met Gala é considerado um dos mais relevantes eventos do mundo da moda, a concorrida festa no Metropolitan Museum, em Nova York, aconteceu na primeira segunda-feira de maio, conforme segue sua tradição.

    Com o intuito de arrecadar fundos para financiar o departamento de moda do museu, o evento também inaugura a exposição anual do “The Costume Institute” que este ano dá continuidade a edição anterior com o tema "Na América: Uma Antologia da Moda", um resgate dos séculos XIX e XX.

    A mostra de arte conta a história da moda na intitulada “era dourada” (Golden age, em inglês), momento onde houve grandes avanços tecnológicos e industriais no país norte-americano, formando uma elite que exibia seu poder aquisitivo por meio da moda. Dentre alguns hábitos deste período, os espartilhos, as extensas camadas de roupas e o exagero no uso de jóias. Outro fato relevante da época foi o lançamento da revista Vogue, dedicada ao comportamento e o consumo de luxo e atual anfitriã e organizadora do Met Gala.
  
    O tema da exposição e do evento deve, no melhor dos cenários, ser refletido nos trajes escolhidos pelos convidados. Portanto, os looks deveriam remeter à “era dourada” da história norte-americana. Abaixo, listamos os looks mais comentados da noite.

 Com look inspirado na Estátua da Liberdade, Blake Lively é prestigiada nas redes sociais (Foto: Reprodução/ Instagram @obsessedwithversace)

Com look inspirado na Estátua da Liberdade, Blake Lively é prestigiada nas redes sociais (Foto: Reprodução/ Instagram @obsessedwithversace)

    A atriz foi uma das co-anfitriãs do evento. Seu vestido, assinado pela Versace, homenageia um monumento marcante da Golden age, a Estátua da Liberdade. Em entrevista à imprensa local, Blake revelou que se inspirou na arquitetura de Nova York, trazendo elementos de edifícios clássicos da cidade, como o Empire State Building e a constelação da Grand Central Station. 

    Blake protagonizou um dos momentos mais comentados da noite quando, ao chegar nas escadas do evento, local reservado à imprensa, seu vestido adquiriu tons azulados sobre parte do cobre, em referência ao processo de oxidação sofrido pelo monumento histórico.
 

Anitta usando Moschino exclusivo (Foto: Reprodução/ Instagram @anitta)

Anitta usando Moschino exclusivo (Foto: Reprodução/ Instagram @anitta)

    A cantora brasileira Anitta, criticada por ter usado um look considerado básico na última edição, compareceu ao Met Gala pela segunda vez e surpreendeu positivamente seus fãs com um vestido da Moschino, assinado pelo diretor criativo Jeremy Scott. A cor roxa - associada à alta sociedade da época - e as jóias de pérolas casaram bem com o tema, já que na era dourada as mulheres abusavam das jóias. O traje da “Garota do Rio” foi muito elogiado nas redes sociais por especialistas e seguidores. 

Vestido é inspirado em arte da “gilded age” (Reprodução/Getty Images)
Vestido é inspirado em arte da “Golden age” (Reprodução/Getty Images)

    Umas das figuras mais aguardadas da noite, Billie Eilish apareceu com um vestido inspirado no retrato de “Madame Paul Poirson”, do pintor italiano John Singer Sargent, assinado em 1885. A produção, feita sob medida pela Gucci, acrescentou toques modernos ao traje da era dourada, combinando com o estilo despojado e moderno da cantora sem tangenciar o tema.

 Evan Mock atraiu olhares para os trajes masculinos no evento (Foto: Reprodução/instagram @headofstate)

Evan Mock atraiu olhares para os trajes masculinos no evento (Foto: Reprodução/instagram @headofstate)

    Os homens convidados para o Met Gala normalmente são criticados pelos espectadores por usarem trajes simples e comuns, como o smoking ou um traje social. Distante dessa prática o ator Evan Mock surpreendeu a todos usando um look assinado pela grife Head of State, novidade no cenário do Met. A vestimenta foi bastante elogiada por homenagear o estilo da época e seguir seus padrões. 
   
Donatella Versace e Ashton Sanders fizeram a junção do jeans e dourado (Foto: Reprodução/Instagram @donatella_versace e @ashtonsanders)

Donatella Versace e Ashton Sanders fizeram a junção do jeans e dourado (Foto: Reprodução/Instagram @donatella_versace e @ashtonsanders)

    A marca estadunidense de vestuário especializada em jeans, Levi 's, foi fundada em 1853 e consolidou o tecido na sociedade. Por isso, era esperado que os convidados usassem essa referência. A expectativa foi cumprida pela designer e vice-presidente do grupo Versace, Donatella Versace, e pelo ator Ashton Sanders. Os dois seguiram a mesma linha de vestimenta e ousaram ao misturar o jeans com elementos dourados, referenciando a moda  de diferentes classes sociais da época.

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Como o Festival da MPB revolucionou a música no Brasil da ditadura
por
Ana Beatriz Villela
Kiara Elias
Vitor Simas
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03/05/2022 - 12h

O ano de 1967 foi o “ano de ouro” do Festival de Música Popular Brasileira, exibido na TV Record. O festival revolucionou a MPB, por estarem concorrendo aos maiores prêmios os cinco maiores nomes da música brasileira até hoje: Gilberto Gil, Roberto Carlos, Caetano Veloso, Chico Buarque e Edu Lobo.

No dia anterior ao festival havia um clima de rebeldia política, cultural e ideológica, com passeatas por todo o país (inclusive uma contra a guitarra elétrica). Com o tropicalismo, começam a surgir canções de protesto, principalmente com Gil e Caetano, que revolucionaram a música brasileira.

festival
Reprodução: Belas Artes

O documentário do festival, que ficou conhecido pelo número de vaias, mescla imagens das apresentações com depoimento dos artistas, mais de 40 anos depois. Narra o momento histórico onde Sérgio Ricardo, que vaiado de maneira contínua com Beto Bom de Bola, quebra o violão e o atira contra a plateia. O que mais marcou as propostas musicais apresentadas, foi a evolução dos artistas baianos: Gilberto Gil e Caetano Veloso. As letras de suas composições tinham coincidentemente a mesma forma, os arranjos soavam com uma ruptura dos padrões estabelecidos, ainda que contendo ritmos essencialmente brasileiros.

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Fora do calendário convencional, os desfiles das escolas de samba de São Paulo ocorreram nos dias 21 a 24 de abril.
por
Ana Kézia Andrade
João Curi
|
03/05/2022 - 12h

Em 2022, a porcentagem de vacinação trouxe maior segurança ao retorno das atividades presenciais. Considerados uns dos maiores eventos do mundo, os desfiles de escolas de samba atraem milhares de turistas e fãs de carnaval. Depois de dois anos, Rio de Janeiro e São Paulo foram palcos das festividades, que ocorreram em meio ao feriado de Tiradentes, fora da época convencional.
    Segundo a estimativa divulgada pela São Paulo Turismo (SPTuris), os dois dias de desfiles no Sambódromo do Anhembi atraíram 64 mil pessoas. Ao todo, foram 17 blocos e 14 escolas do grupo especial desfilando entre os dias 21 e 24 de abril.
Apesar de alguns contratempos, como atrasos e problemas técnicos, o primeiro dia em São Paulo foi marcado pelos desfiles da Colorado do Brás, que homenageou a escritora Carolina Maria de Jesus; da Mancha Verde, que assumiu a avenida com o enredo “Planeta Água”; da Tom Maior, que homenageou o nordeste brasileiro em conjunto com uma adaptação do livro “O Pequeno Príncipe”, do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry; da Unidos de Vila Maria, que apostou no enredo “O mundo precisa de cada um de nós” e destacou, de forma emocionante, a colaboração e a fraternidade diante da vida “pós-covid19”; da Acadêmicos da Tatuapé, que trouxe à avenida a importância do café na história e na economia do Brasil; e, finalizando o primeiro dia, a Dragões da Real homenageou o sambista Adoniran Barbosa, grande nome da música brasileira.
O segundo dia de desfile se iniciou com a maior detentora de títulos do carnaval paulista, a Vai Vai, que apostou na homenagem aos povos africanos. Em seguida, a Gaviões da Fiel tratou em seu enredo o preconceito, a desigualdade social e a exploração; na sequência, a Mocidade Alegre homenageou a sambista Clementina de Jesus, mulher negra e referência dentro da música brasileira. Já a campeã do último desfile de 2020, Águia de Ouro, prestou homenagem ao orixá Oxalá, apostando no branco e promovendo a valorização da cultura afro-americana. Mergulhada na madrugada, a escola Barroca Zona Sul esbanjou uma homenagem à entidade religiosa Zé Pilintra, abordando uma visão positiva do arquétipo “malandro”. A Rosas de Ouro, por sua vez, encantou os espectadores com exaltações a rituais religiosos, à fé e à ciência, e ainda teceu críticas a declarações feitas pelo atual presidente da República. Encerrando as festividades em São Paulo,  a Império de Casa Verde apresentou um enredo voltado para a importância e o poder da comunicação, tratando desde o início das verbalizações até seu impacto na tecnologia atual.
    O resultado das apurações dos desfiles foi divulgado dois dias após o evento e a grande campeã foi a Mancha Verde. Ao todo, nove quesitos foram considerados para a atribuição das notas para as escolas: harmonia, mestre-sala e porta-bandeira, enredo, evolução, bateria, fantasia, alegoria, samba-enredo e comissão de frente. Ao fim da apuração, punições da Liga e problemas internos demarcaram o rebaixamento das escolas Colorado do Brás e Vai-Vai ao grupo de acesso.
    Durante o desfile das escolas campeãs, realizado no dia 29 de abril, oito agremiações retornaram ao Sambódromo do Anhembi. O evento de comemoração foi introduzido pela Nenê de Vila Matilde, que venceu o grupo de acesso 2 - em uma disputa acirrada contra a Unidos do Peruche - com a reapresentação de um enredo da década de 1980. A bicampeã do Carnaval de São Paulo, Mancha Verde, trouxe à avenida sua consagrada rainha de bateria Viviane Araújo, grávida de quatro meses, que fez questão de comemorar o título desfilando, já que não pôde comparecer ao desfile oficial. Na mesma noite, também se apresentaram outras quatro escolas do grupo especial, além da Independente Tricolor e da Estrela do Terceiro Milênio, que retornam à elite paulista em 2023.
 

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