Comércio de rua gera renda aos colaboradores e mantém viva uma tradição paulistana
por
Nathalia de Moura
Victória da Silva
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27/03/2025 - 12h

As feiras livres paulistanas já ocupam seus espaços pela cidade há anos. Gerando rendimento para muitos feirantes e possuindo uma variedade de produtos para a população, elas são essenciais para a geração de empregos. Com um público diverso, elas também são tradicionais no estado de São Paulo e dão a oportunidade de conhecer diferentes culturas e pessoas. Segundo a Prefeitura de São Paulo, por meio das secretarias de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC), a primeira feira livre oficial aconteceu em 1914, através de um ato do então prefeito Washington Luiz Pereira de Souza. A ação surgiu para legitimar uma prática que já acontecia na cidade, mas de forma informal. Na ocasião, cerca de 26 feirantes estiveram no Largo General Osório, na região da Santa Ifigênia. Mais tarde, em 1915, outra feira se instalou, dessa vez no Largo do Arouche, e teve a presença de 116 feirantes.

As feiras não possuem um público-alvo e esse é seu diferencial. É possível ver crianças, jovens, idosos, famílias, moradores locais e até turistas usufruindo a multiplicidade de mercadorias que existem. Em sua grande maioria, pessoas da classe média e da classe trabalhadora são as que mais frequentam as feiras. Muitos também aproveitam para comprar legumes, verduras e frutas frescas, além de conhecer a cultura local.

São Paulo tem registrado cerca de 968 feiras livres e com a expansão desse comércio tão tradicional, a movimentação financeira gira em torno de R$ 2 bilhões por ano, incluindo a venda de até mesmo peças artesanais. Além disso, mais de 70 mil empregos, diretos e indiretos, são gerados.

Em Guarulhos, por exemplo, Quitéria Maria Luize, de 62 anos, vende condimentos e temperos em quatro feiras de bairros diferentes (Jardim Cumbica, Jardim Maria Dirce, Parque Alvorada e Parque Jurema), sendo essa sua única fonte de renda. “Ela é toda a minha renda, de onde eu tiro o sustento. Criei toda a minha família trabalhando com esses temperos. E começando lá de baixo, não comecei lá em cima”, diz Quitéria em entrevista à AGEMT. 

A feirante afirma que antes de estabelecer seu comércio nas feiras, ela iniciou vendendo temperos pelas ruas com um carrinho de pedreiro: “peguei esses temperinhos emprestados que a minha tia já vendia, saí nas portas, batendo palma e contando minha história”.

 

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Diversos condimentos são comercializados na barraca de Dona Quitéria. Foto: Victória da Silva

Vendedor das mais diversas frutas, Queiroz - como é conhecido e gosta de ser chamado - é feirante por tradição. Seu pai e seu avô participaram de feiras livres e passaram o negócio para ele, que vive disso até hoje, aos seus 60 anos. “O meu avô começou na feira em 1945, ele tinha uma chácara, colhia e vendia. Aqui em Guarulhos não tinha nada, mas já tinha a feira”, informa.

“A feira é patrimônio do Estado de São Paulo” afirma o vendedor, defendendo a existência dela como crucial para a vida dos paulistas e paulistanos. Queiroz diz que as feiras são tão importantes quanto os mercados, já que foi por meio desse comércio que eles passaram a existir: “Até o leite era vendido na feira. A feira era uma festa!", relembra QQueiroz. 

 

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Barraca de frutas do seu Queiroz. Foto: Victória da Silva.

Quem trabalha ou frequenta as feiras falam delas com muito carinho e cuidado. Além disso, os feirantes e moradores também podem ajudar na fiscalização das feiras. Caso identifiquem alguma irregularidade, eles podem acionar as subprefeituras para checarem, pois elas são responsáveis pelo monitoramento. Já a organização e a supervisão são feitas pela Prefeitura por meio da SMDHC e da Executiva de Segurança Alimentar e Nutricional e de Abastecimento (SESANA).

Marcos Antonio da Silva é vendedor de ovos na feira do Jardim Cumbica há 10 anos, mas, diferente de Quitéria, durante os dias úteis trabalha em outra profissão: motorista de caminhão. O caminhoneiro de 52 anos diz que o comércio feirante é uma ótima forma de conseguir renda extra aos finais de semana. Contudo, as mudanças econômicas do país em 2025 fizeram as vendas caírem. “A feira me distrai muito. Aqui tem muita gente boa, atendo bem os clientes, tenho muitos, eles gostam do meu trabalho, eu gosto deles, mas a venda deu uma caída, subiu o preço do ovo, subiu o café, subiu o alho, subiram muitas coisas”, finaliza.

Ir à feira é um evento. Vemos diversas cores e sentimos vários cheiros e sabores. Mas as feiras livres possuem mais do que frutas, temperos e artesanatos. Elas apresentam histórias de vida e ali, amizades e novas experiências podem ser compartilhadas. 

Em entrevista exclusiva, vereador Bombeiro Major Palumbo (PP) comenta sobre o programa Smart Sampa e a mudança da GCM para Polícia Municipal
por
Oliver de Souza Santiago
Júlio Antônio Poças Pinto
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18/03/2025 - 12h

 

Câmeras utilizadas no Programa Smart Sampa - Foto: Divulgação/PMSP
Câmeras utilizadas no Programa Smart Sampa. - Foto: Divulgação/PMSP

Dois projetos do Executivo (Prefeitura Municipal de São Paulo) e Legislativo (Câmara Municipal de São Paulo) se destacaram no primeiro trimestre deste ano. O Programa Smart Sampa e o PLO 08/2017 (Projeto de Emenda à Lei Orgânica), que altera o nome da Guarda Civil Metropolitana (GCM) para Polícia Municipal. Com estas medidas, gerou-se uma expectativa de melhora da segurança do município, e virou motivo de comemoração entre parlamentares e munícipes da capital paulista.

O Smart Sampa, inaugurado em julho do ano passado, é um software que conta com mais de 20 mil câmeras espalhadas pela cidade. Todas equipados com inteligência artificial avançada, interligados com a base de dados da  Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC) que permite o reconhecimento de pessoas desaparecidas e da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP), com o software desta instituição "Muralha Paulista", que facilita a leitura facial para a captura de foragidos. Além de uma central de monitoramento de 24 horas com cerca de 250 agentes.

Neste último carnaval (3), o sistema foi aplicado com o objetivo de reduzir a criminalidade ao longo dos dias de folia. Segundo o DataFolha, o aplicativo teve aprovação de 91% dos foliões, o que demonstra uma aprovação quase geral da população. Ainda segundo a prefeitura: "14 criminosos foragidos foram capturados pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) e devolvidos ao sistema prisional durante o todo o período de Carnaval deste ano"

Os algoritmos avançados geram alertas capazes de identificar intrusão, vandalismo e furtos. Ganhou notoriedade com um saldo de 841 foragidos capturados e 2.016 criminosos presos em flagrante, divulgados no dia (14). Os números são atualizados diariamente através do Prisômetro, painel de iniciativa do prefeito Ricardo Nunes (MDB).

Foliões em bloco de carnaval de rua em São Paulo. - Foto: Divulgação/PMSP
Foliões em bloco de carnaval de rua em São Paulo. - Foto: Divulgação/PMSP

Já referente à mudança de nomeclatura da GCM, o PLO foi aprovado na quinta-feira (13) em sessão plenária da Câmara, mas foi derrubada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) na terça-feira (18) após pedido de liminar do Ministério Público de São Paulo. O desembargador Mário Deviene Ferraz, afirmou no processo:

"Não podendo o Município, a pretexto da autonomia legislativa, alterar a denominação da guarda municipal, consagrada no artigo 144,8º, da Constituição Federal de 1988, para 'polícia municipal"

Em nota, a Câmara se posicionou após a ação judicial. "Tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal já ratificou o poder das guardas municipais de policiamento ostensivo e comunitário, após recurso da própria Procuradoria da Câmara Municipal de São Paulo, o Legislativo paulistano entende que o nome Polícia Municipal apenas reflete essa decisão da Suprema Corte. Ou seja, a mudança de nome da GCM para Polícia Municipal aprovada pela Câmara está alinhada com o entendimento do STF. A Câmara respeita a decisão do TJ-SP, mas a Procuradoria da Casa vai recorrer da liminar.

Ricardo Nunes lamentou a derrubada da alteração e "em solidariedade ao povo de São Paulo, que pede cada vez mais por segurança e policiamento, espera que ela seja revertida o mais breve possível."


CRIAÇÃO DA POLÍCIA MUNICIPAL

Em entrevista à AGEMTo vereador Bombeiro Major Palumbo (PP), 49 anos, revela detalhes sobre o processo da criação da Polícia Municipal. Palumbo faz parte da Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara, é Major da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo há 28 anos e Bacharel em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Palumbo ressaltou a importância da criação de uma Polícia Municipal:

"[..] Para você mudar o nome não é aqui na Câmara Municipal. Uma polícia tem que ser estabelecida pela Constituição Federal e isso precisa ser mudado lá em Brasília com três quintos das duas casas (CMSP e Senado Federal). Duas vezes, os três quintos dos deputados federais para que eles possam mudar a lei, fazer uma emenda à Constituição e colocar a polícia. Agora, uma Polícia Municipal, ela terá as atribuições de uso e ocupação do solo o que isso significa?

Significa que eles precisam atuar para ter a polícia. Algumas demandas são do município, por isso polícia municipal, polícia federal entre outras. Algumas terão o âmbito para crimes federais, a Polícia Militar e a Civil que são estaduais, crimes de atribuições estaduais roubo, furto, sequestro, tráfico de drogas. E os crimes que são da Polícia Municipal? Quais são? São os crimes que você tem, por exemplo uma perturbação do sossego. Concorda que é de menor potencial ofensivo?[..]"

Prefeitura apresenta nova viatura da Polícia Municipal, após mudança do nome da GCM aprovada na Câmara Municipal da capital paulista - Foto: Divulgação/PMSP
Prefeitura apresenta nova viatura da Polícia Municipal, após mudança do nome da GCM aprovada na Câmara Municipal da capital paulista. - Foto: Divulgação/PMSP

Como é que você vai colocar todas as estruturas das outras polícias para atender algo com menor potencial ofensivo, quando você poderia estar usando esses caras que são muito bem treinados, pra fazer o quê? Combate ao crime. Então a Polícia Municipal vai existir para atuar nas atribuições de uso e ocupação do solo que são municipais. Seja um comércio ilegal de venda de produtos, alguém que quer usurpar do espaço público.  'Eu quero morar aqui na rua, bem na praça'  Então, ele faz uma casa em cima da praça. Mas escuta, ele sabe que não pode, mas quem que vai lá? É a polícia federal? Não, ela tem outras atribuições, de crimes internacionais aos de colarinho branco", afirma Palumbo. 

Sobre uma futura reestruturação para a mudança, ele comenta: "A segurança pública é o maior questionamento que o cidadão da cidade de São Paulo faz hoje. Junto com saúde e educação, mas a segurança pública fica na frente. Então é preciso dar uma agilidade. E para isso, a Guarda Civil, futura Polícia Municipal, vai ter que mudar os seus cronogramas de treinamentos. Por exemplo, eu refiz todo o estande de tiro da Guarda Civil Metropolitana, futura Polícia Municipal. Coloquei uma emenda minha, reformei tudo. Por quê? Para que eles tivessem a chance de ter um bom treinamento e exercer a proteção do cidadão com bastante técnica. Porque não adianta só você ter o nome[..]"


SMART SAMPA

O parlamentar também compartilhou informações sobre o funcionamento do Smart Sampa: 

"[..] É um algoritmo colocado nas mais de 20 mil câmeras que estão espalhadas na cidade. Elas captam tudo, porém não consegue rodar o Smart Sampa sem um outro programa, que é o Muralha Paulista. O outro software tem dados de todos os criminosos fichados do Brasil inteiro.

Quais são os que estão procurados, quem estão presos, os que são fugitivos, os que cometeram crime e ainda não foram pegos? Eles possuem essa informação!. O que aconteceu? O Muralha Paulista colocou o banco de imagens, através do Estado, da Secretaria de Segurança Pública, à disposição das prefeituras. Então, a Prefeitura instala e na hora que até que passe uma pessoa. Não é pela cor da pele como os partidos de oposição aqui na Câmara, que entraram até com ação na justiça para evitar, alegando que o Smart Sampa era um programa que ia providenciar o racismo na cidade. Não. Ele é técnico. Ele pega a distância entre olhos, nariz e boca, orelha. Desenha um triângulo no rosto da pessoa, mesmo se ele altera o cabelo, mas isso aqui não muda (aponta para a Íris). 

Palumbo também revelou algumas curiosidades sobre o software: "Elas estão no centro e espalhadas em todos os lugares. Elas têm os braços articuláveis e conseguem pegar distâncias de dois, três quilômetros. Então daqui, se você tiver uma Smart Sampa aqui em cima do prédio onde a gente está. Consegue chegar até no Viaduto do Chá e consegue identificar quem seja. O que a gente tem que fazer é com que esse sistema seja conhecido pela população.

 


 

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A instituição marca a vida dos frequentadores, viabilizando a cultura, o lazer e o aprendizado
por
Victória da Silva
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28/11/2024 - 12h

 

O Serviço Social do Comércio, mais conhecido como Sesc, é uma entidade privada muito frequentada por paulistas e paulistanos, e desempenha um papel fundamental para a democratização do acesso à cultura e à educação. Seus espaços são repletos de exposições, shows, sessões de cinema, práticas de esportes e várias outras atividades que inserem os visitantes em um ambiente agradável.

Desde sua fundação - pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) em 1946 - o Sesc visa a melhoria de vida das pessoas que trabalham com comércio, suas famílias e a sociedade em geral. Além disso, tem a educação como base para a transformação social, fazendo com que ela seja alicerce de toda a instituição.

De acordo com o seu site: “No estado de São Paulo, o Sesc conta com uma rede de mais de 40 unidades operacionais – centros destinados à cultura, ao esporte, à saúde e à alimentação, ao desenvolvimento infantojuvenil, à terceira idade, ao turismo social e a demais áreas de atuação”.

Para Matheus Sampaio, graduado em história da arte pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e colaborador do Sesc Pinheiros, todos que vivem e amam cultura, consequentemente, amam o Sesc. A instituição é ligada ao setor do comércio e ganha 1% da verba de todo o estado, e dessa forma consolidou seu grande poder aquisitivo. “Eu acredito que esse poder está sendo voltado para a população, então eu considero fundamental e acho lindo”, afirma Sampaio.

Luíza Claudino, estudante de 17 anos, é uma das frequentadoras do Sesc e costuma ir às unidades Belenzinho, Guarulhos, Itaquera e Pompeia. A jovem compartilha que apesar de sua família não ser do âmbito comercial, ela frequenta os espaços desde criança. “Acredito que é isso que me faz gostar tanto do Sesc: ele é acessível a todos. Já fui em muitos shows, peças e exposições no Sesc, tudo por um valor baixo ou até mesmo de graça”, afirma.

A gratuidade de algumas das atividades do Sesc é ponto relevante, já que vários indivíduos, principalmente das periferias, não possuem recursos suficientes para obter o direito a essas experiências. Além disso, o Sesc quebra as barreiras e o estereótipo errôneo de que pessoas de baixa renda são desprovidas de cultura e desinteressadas pela esfera artística.

De acordo com Sampaio, esse estigma foi muito pautado em sua graduação, já que espaços como galerias e museus são, por vezes, inacessíveis às comunidades. Ele reforça: “O MASP, por exemplo, é um dos museus mais relevantes da América Latina e tem muita gente que não sabe disso e nunca visitou. Por causa desse distanciamento, não é algo fácil ou acessível. Já o Sesc - pensando nas artes visuais e nas exposições – rompe com esse paradigma, pois além das exposições serem gratuitas, elas estão localizadas em diferentes partes de São Paulo”.

A estudante do 3° ano do ensino médio, Nicolly Gomes, também considera o Sesc como um facilitador de acessos, já que beneficia a comunidade possuindo lazer de qualidade e preços acessíveis. “Eu gosto do Sesc porque é um ambiente acessível, com muitas opções culturais e esportivas, onde eu sempre posso participar e aprender algo novo", afirma.

Matheus, que até este ano já contribuiu para 21 exposições artísticas e passou por diferentes instituições como o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), Farol Santander e o Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia (MuBE), disserta que o Sesc já é valorizado, mas poderia ser ainda mais. “O que o Sesc faz é muito grande e bonito. O empenho de montar essas exposições e promover esses shows, gratuitos ou por um preço baixo, é encantador”, conta o educador.

Além do mais, muitas vezes as pessoas não vão para o Sesc em busca de uma exposição artística, mas ao ir para exercer outra atividade, elas se deparam com diferentes mostras. “É uma das coisas que eu gosto ainda mais do Sesc, porque ele realmente aproxima as pessoas. Claro que ainda existem várias camadas, ainda existe uma barreira, mas não tão grande quanto as grandes galerias de artes que até mesmo quando há gratuidade, não é nada convidativo”, ele completa.

Há diversas exposições em cartaz até dezembro de 2024 como “Novo Poder: passabilidade” na unidade da Avenida Paulista, “Terra de Gigantes” no Sesc Casa Verde, “Nós - Arte e Ciência por Mulheres” em Interlagos e “Um Defeito de Cor” na unidade Pinheiros.

 

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Visita de alunos da PUC-SP e Mackenzie na exposição “Um Defeito de Cor”. Foto: Victória da Silva

Para além do campo das artes, o Sesc alcança aqueles que gostam da prática de esportes. Luíza conta que faz parte do programa “Esporte Jovem” há quase três anos, este que promove o exercício de diferentes jogos entre jovens de 13 e 17 anos, ensinando as técnicas e táticas de cada um. “Jogo vôlei com uma turma muito bacana e aprendo bastante, tanto sobre a vida quanto sobre o esporte”, a estudante informa.

Alguns Sescs dispõem de piscinas para recreação e nado livre. São ao todo 15 unidades na capital e grande São Paulo que oferecem esse serviço, e possibilitam o usufruto desse lazer não só para crianças e adolescentes, mas também para o público 60+.

Embora haja muitos elogios à estrutura e até mesmo à comida do Sesc, há alguns pontos de melhoria que são considerados. Luíza, por exemplo, sente falta de um teatro no Sesc Itaquera, já que outras unidades comportam teatros, mas não há nenhum nessa unidade que ela habitualmente frequenta: “Com um teatro, teríamos mais peças, principalmente aquelas que poderiam interessar à população da periferia, onde a unidade fica localizada.” Já a outra jovem, Nicolly, declara a sua insatisfação pela pouca variedade de livros na biblioteca da unidade Guarulhos.

Em suma, a instituição Sesc atua de maneiras diferentes em todo o Brasil, mas garante - especificamente em São Paulo - um refúgio para os dias corridos da cidade grande e ainda, proporciona para diferentes indivíduos vivências e programas de qualidade. Luíza finaliza: “Penso que, com seus cursos e atividades, o Sesc muda a vida das pessoas. Como já participei de alguns cursos, pude ver essa transformação acontecer pessoalmente”.

A cultura popular jamaicana de sistemas de som comove e inspira transformações no estilo de vida dos brasileiros
por
Bianca Abreu
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01/10/2024 - 12h

Por Bianca Abreu

Ao ar livre ou em um espaço fechado, caixas e auto-falantes são empilhadas umas sobre as outras formando grandes estruturas - por vezes tão altas que é preciso erguer a cabeça rumo ao céu para acompanhar seu tamanho. A elas se unem o toca-discos, vinis e amplificadores. Com a missão de manter esse grupo em harmonia chega o selecta, comandante desse conjunto que, desde seu surgimento na Jamaica na década de 40, foi nomeado Sound System. De lá pra cá, esse cenário já se repetiu incontáveis vezes e, faça chuva ou faça sol, esse movimento segue firme em seu objetivo coletivo de unir, informar e empoderar o povo negro e periférico - seja ele jamaicano ou brasileiro.

Foi uma espontânea sequência de oitos de maio na vida de um homem chamado Hadley Jones a responsável por tecer o surgimento desse que é um dos movimentos culturais mais relevantes do século XX. Em 1943, ele foi convocado para a Força Aérea da Inglaterra por conta da Segunda Guerra Mundial. Lá foi treinado como engenheiro de radar e enviado para a guerra na Europa um ano depois. Nessa mesma data, em 1945, o conflito foi dado como encerrado e, em 1946, Jones embarcou em Glasgow, na Escócia, para atravessar o Oceano Atlântico e retornar à sua terra natal.

 

Hadley Jones.
Hadley Jones. Foto: Acervo Hadley Jones / RedBull Music Academy / reprodução.

Em sua volta pra casa, ele trouxe na bagagem a habilidade de desenvolver circuitos elétricos e uma rede de contatos para a importação de discos de vinil. Em 1946, fascinado pelo rádio e sua capacidade de transmissão, o jamaicano - que também era músico - abriu uma loja de consertos do aparelho e aplicou ali seus novos conhecimentos adquiridos na Força Aérea. Confiando em seus novos saberes, Hadley Jones projetou, em 1947, seu primeiro amplificador. Em seguida, montou a loja Bop City e passou a comercializar vinis, tendo consigo uma coleção distinta de toda a ilha. Para valorizar essa coleção musical, trabalhou no desenvolvimento de um outro amplificador - dessa vez, de alta potência - e investiu em alto falantes poderosos. Seu equipamento realçava as frequências baixas, médias e altas como entidades separadas e permitia ao operador remixá-las. Seu principal objetivo era anunciar seus discos promovendo uma experiência de proximidade entre o público e a música.

Em certa ocasião, para promoção de um baile, o dono de uma loja de ferragens chamado Tom Wong encomendou à Hadley Jones um equipamento sonoro como o dele e o nomeou com o que, dali em diante, seria a nomenclatura substancial daquele conjunto: Sistema de Som. Assim, outros pedidos surgiram e o músico-engenheiro se firmou como o pioneiro inventivo da cultura Sound System jamaicana.

 

Pelo ar ou pelo mar, as ondas promoveram o intercâmbio cultural entre Brasil e Jamaica

O Mapa Sound System Brasil, primeira publicação nacional de mapeamento dos sistemas de som no país, explica que a ilha de São Luís do Maranhão foi a primeira parada em solo brasileiro que o reggae desembarcou. Na década de 70, o trajeto musical de uma ilha a outra foi realizado por meio das ondas de rádio, que superaram as marítimas e levaram as mensagens que protestam por justiça social aos ouvintes maranhenses. A conquista foi tamanha que, hoje, a cidade é conhecida como a Capital do Reggae.

Daniella Pimenta, integrante do coletivo Feminine-HiFi, seletora, produtora cultural e idealizadora do levantamento é uma das brasileiras arrebatadas pelo movimento. Ela conta que nenhum outro ambiente musical foi capaz de proporcioná-la uma experiência tão gratificante. O sentimento de pertencimento e a maneira como, a partir do grave, a música atinge, adentra e envolve o corpo são os principais fatores que contribuíram para o fascínio desde seu primeiro contato com o Sound System. Natan Nascimento, (também) seletor, produtor cultural, fundador do Favela Sound System e parceiro de Daniella no desenvolvimento do mapa, teve uma experiência semelhante a da colega: se apaixonou pela atmosfera da festa jamaicana à primeira vista. Já conhecia o reggae enquanto ritmo musical, mas a aliança entre o sistema de som e a música apresentou a ele a amplitude de sua dimensão cultural e social.

Tanto Dani quanto Natan foram atravessados pela magia desse movimento e o impacto foi terem seu estilo de vida transformado por ele, com convicções lapidadas e rotas profissionais reconduzidas. Mas apesar dos bons ventos nas festas do movimento, Dani confidencia que, em dado momento, empacou enquanto produzia o mapa. Ela própria contatava os coletivos para inseri-los no catálogo ilustrado mas, por alguma razão, passou a ser ignorada. O levantamento era fundamentado em perguntas simples, como fundação, equipe atual, principal vertente e localização. Além disso, uma foto do sistema de som era solicitada para que o conjunto pudesse ser registrado por completo.

O projeto só voltou a andar quando, em 2018, findou a parceria com Natan. Parte das equipes que não estavam listadas pelo fato de não terem retornado o contato a ela, curiosamente, o fizeram quando, por meio de uma publicação no Facebook, ele solicitou aos interessados o envio das mesmas informações. Ela ficou com a pulga atrás da orelha se perguntando, afinal, qual teria sido a razão para que ela nunca tenha recebido essas mesmas respostas. O resultado foi que ela conseguiu registrar 50 equipes e seu parceiro, o dobro.

Capa do Mapa Sound System Brasil.
Capa do livro Mapa Sound System Brasil. Composição: Daniella Pimenta / Natan Nascimento.

 

Vivendo de Sound System

Vitor Fya.
Vitor Fya, 25 anos, morador da Brasilândia e apreciador da cultura Sound System jamaicana. Foto: Vitor Lima / arquivo pessoal / Facebook.

Outro brasileiro seduzido pela cultura jamaicana é João Vitor Lima, de codinome Vitor Fya, morador da Brasilândia - distrito mais populoso da zona norte de São Paulo - e entusiasta da cultura Sound System há mais de uma década. Hoje, ele trabalha como serralheiro, mas aspira ter condições de fazer de seu estilo de vida mais do que um hobby: uma fonte de renda aliada à paixão.

Seu caminho se cruzou com o movimento Sound System quando ele tinha 15 anos. A primeira festa foi na extinta Fazendinha Skate Parque, pista de skate que fazia parte do complexo esportivo do Centro Educacional Esportivo Oswaldo Brandão (C.E. Vila Brasilândia). O espaço foi eliminado para ceder lugar à construção do Hospital Municipal da Brasilândia - cuja obra, de acordo com a secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras, devia ter sido completamente entregue em 2017. No entanto, apenas em 2020 o hospital foi parcialmente aberto. A inauguração ocorreu pressionada pela alta da demanda hospitalar decorrente da pandemia de Covid-19. Não houve compensação pela retirada da pista de skate com a inclusão de um outro espaço público de lazer e esporte pela região e ficou “por isso mesmo”.

Fazendinha aos domingos
Movimentação dominical no Fazendinha Skate Park. Foto: Fazendinha Skate Park / Felipe Gomes / Facebook / Reprodução.
Obras no Fazendinha.
“No momento a obra passa por movimentação de terra e fundação. Nas áreas onde estamos trabalhando havia o CDC e parte do Centro Esportivo”, explica publicação da secretaria de Infraestrutura e Obras um dia antes do início das construções, 2015. Foto: Érika Kwiek / Site Prefeitura SP / Reprodução.
Obras do complexo Brasilândia.
À esquerda, o prédio do Hospital da Brasilândia. À direita, os guindastes das obras do metrô Brasilândia, linha 6, laranja. Construções planejadas de forma que possam atuar como um anexo. Foto: Bianca Abreu.

O Natural Dub, sistema de som comandado por Thales Silva, que comandava as sessões no Fazendinha, se posicionou via Facebook acerca da derrubada da área de lazer. Em nota, pontuou que é a favor de que mais hospitais possam ser construídos na Brasilândia, mas que isso ocorra - preferencialmente - em locais onde áreas de lazer recém construídas não precisem ser destruídas. Assim, o investimento na saúde do bairro não implicaria na dissolução de um espaço cultural frequentado pela juventude na região. Junto à mensagem datada de 22 de julho de 2015 foi publicado um conjunto de fotos do derradeiro evento realizado no local.

24º Vibe.
24º Vibe.
24º Vibe, último evento e amplificação realizados pelo Natural Dub no Fazendinha Skate Park, 2015. Fotos: Natural Dub SP / Facebook / Reprodução.

Em seguida, o Vitor conheceu o Anhangabaroots - como eram chamadas as sessões de diferentes coletivos promovidas ao longo do Vale do Anhangabaú, na região central de São Paulo - e ele foi essencial para aprofundar seu interesse pelo movimento Sound System. Foi lá que a chave virou, seus olhos brilharam e ele decidiu que a cultura dos sistemas de som seria a protagonista de seu estilo de vida. Ele relembra coletivos como o Trezeroots Sistema de Som e festas como a Terremoto, em que não só os sistemas de som das equipes África Mãe do Leão e Zyon Gate se agrupavam, mas que também formavam uma grande estrutura para amplificação a partir da união com outros coletivos.

Trezeroots.Trezeroots.
Trezeroots.
Anhangabaroots com Trezeroots Sistema de Som, 2014. Foto: Trezeroots Sistema de Som / Facebook / Reprodução.
Reunion of Dub.
Reunion of Dub.
Anhangabaroots com Reunion of Dub, 2014. Foto: DC Santos / Flickr / Reprodução.
Terremoto.
Anhangabaroots com Terremoto, 2014. Foto: DC Santos / Flickr / Reprodução.

Outro evento apontado pelo paulistano é a Virada Cultural. Ele destaca a variedade de vertentes reggueiras que podia prestigiar por conta da Arena Sound System, iniciativa que reuniu, simultaneamente, os principais coletivos no centro de São Paulo - sendo eles da capital ou não. Ele lamenta a falta de continuidade dessa programação.

 

Um sistema de som de qualidade aliado a bons discos faz relaxar e viajar sem sair do lugar

João Vitor considera que a cultura Sound System fisga seu público pela experiência completa e transformadora que proporciona. A qualidade dos equipamentos, sua instalação no espaço escolhido para a festa e o domínio musical de quem comanda a sessão são elementos essenciais para que a experiência seja agradável e enriquecedora. Estar em um ambiente seguro, acolhedor e com elementos educativos contribuem para instigar a curiosidade sobre os detalhes daquela cultura, expandindo sua consciência e fortalecendo a admiração e o vínculo com esse estilo de vida. São profundamente cultivados os princípios como respeito, tolerância e inclusão.

O sistema de som é estruturado por um conjunto de caixas equipadas de modo que a experiência sonora alcance e comova o público com o melhor desempenho possível. Para João Vitor, logo de cara, esse conjunto estrutural é o que mais chama a atenção. Os elementos gráficos, como cores e texturas, e a disposição de cada uma das peças de todo o aparato estrutural compõem a identidade do coletivo.

Salto Sound System
Formato de sistema de som do Salto Sound System, coletiva que apresenta-se em busca da “emancipação de mulheres negras e pessoas trans negras através da cultura Soundsystem”. Ilustração: Natan Nascimento / Mapa Sound System, 2019 / Reprodução.

 

Salto.
Formato de sistema de som do Salto Sound System, coletiva que apresenta-se em busca da “emancipação de mulheres negras e pessoas trans negras através da cultura Soundsystem”. Ilustração: Natan Nascimento / Mapa Sound System, 2019 / Reprodução.

A preocupação com o repertório também é parte indispensável da construção da identidade do sistema de som e de seu seletor. Ele deve ser capaz de aliar diferentes elementos sonoros a fim de abrilhantar sua performance e complementar o impacto artístico trago com a escolha dos discos reproduzidos - afinidade com o vinil é fundamental para qualidade do espetáculo. João explica que cada seletor costuma se especializar em um dos vários gêneros possíveis, mas que, nas sessões, costumam transitar entre eles, trazendo variedade e alguns ineditismos às suas apresentações. Vivenciando diferentes festas, ele passou a reconhecer uma variedade de vertentes como Roots, Steppa e Rub-A-Dub.

Questionado sobre conhecer a qualidade feminina na cena, João Vitor Lima exalta o trabalho do coletivo Feminine Hi-Fi, formado pelas seletoras e produtoras Laylah Arruda e Daniella Pimenta - reggueira que deu o pontapé no mapeamento dos sistemas de som em solo nacional.

Feminine HiFi.

 

Feminine HiFi.Feminine HiFi.Feminine HiFi.
Feminine HiFi.
Tendal da Lapa recebe 3ª edição do festival Feminine Hi-Fi, onde a line-up e o comando da sessão são 100% femininos. Foto: Bianca Abreu / Flickr.

 

Entre todos, ele: o pioneiro

Em vários momentos ao longo da conversa, Vitor salienta as virtudes do DubVersão Sound System - comandado por Fábio Murakami, o Yellow P (pronuncia-se ‘pi’) e pioneiro em terras paulistas. Desde 2001, ele propaga a cultura por toda São Paulo e o faz no mais genuíno modelo jamaicano, no que diz respeito à escolha por ambientes abertos e vertentes clássicas em sua performance. É o predileto de João Vitor - que comparece tanto às suas apresentações públicas como privadas - e foi o primeiro contato de Daniella Pimenta com o movimento. O evento Dub Na Praça acontece anualmente na Praça João Cabral de Resende, no Jardim Primavera, zona norte da capital paulista. É um espaço aberto e convidativo para curtir uma tarde gratuita nos moldes tradicionais do Sound System jamaicano. Já o Java, também comandado pelo Yellow P, é o braço pago dos eventos realizados pelo DubVersão e hoje ocorre na Rua Simonsen, na Sé. Além dessas duas festas inegociáveis, a agenda cultural paulista costuma integrar o DubVersão a novos espaços ao longo do ano.

Dubversão.Dubversão.
Dubversão.
DubVersão Sound System no Tendal da Lapa, 2023. Foto: Bianca Abreu.

João ressalta que prioriza as festas em que sente seu corpo e espírito em estado de conforto e harmonia. Ele conta que, quando vai ao Java, renova suas forças e sai de lá novinho em folha. Segundo ele, mesmo quando uma força maior impede que consiga adquirir o ingresso de uma das edições da festa, ele não reclama da cobrança existir pois a considera justa diante da qualidade da experiência promovida. Ele frisa que o coletivo sempre promove eventos gratuitos e que a qualidade da performance não se abala diante da cobrança da entrada no evento.

Ele conta que já leu comentários nas redes sociais em que alguns perfis reclamavam do fato de o Yellow P performar de costas para o público e questionam se isso seria sinal de vergonha. Vitor esclarece que, na realidade, isso faz parte da apresentação do seletor. Sua intenção é que o público visualize os caminhos que ele percorre para projetar os efeitos sonoros que escolhe ao longo da sessão. Para ele, isso é uma aula. Ele assiste atento e idealiza meios de reproduzir aquela performance em seus próprios equipamentos. O Susi In Transe, casa noturna que recebeu a seleção de Yellow P em suas primeiras apresentações declarou o fechamento de suas portas no último mês. O jovem paulistano lamenta o encerramento das atividades de mais um espaço cultural da cidade.

Susi In Transe
Produtor Daniel Ganjaman e Yellow P, em sessão no antigo Susi In Transe. Foto: Acervo Miguel Salvatore / UOL / Music Non Stop.

 

O desejo de compartilhar

Por conta da influência positiva que o Sound System como estilo de vida o proporcionou, João Vitor deseja ter a oportunidade de multiplicar os beneficiados por ele com a mesma maestria que os pioneiros que admira. Até hoje, como Vitor Fya, ele pôde comandar sessões em eventos de terceiros, como o RNR, sistema de som de seu bairro que o apadrinhou. Entretanto, sua intenção é alçar voos maiores para expansão do conhecimento sobre a cultura em seu território. Para ele, o que mais dificulta sua atuação na cena é o alto custo para tirar um plano como esse do papel, pois montar um sistema de som envolve custos com equipamentos, locomoção e investimentos no repertório musical. Ele gostaria de envolver a criançada do seu bairro nesse movimento cultural, despertando seu interesse em se aproximar da música a partir do manuseio de um toca-discos, estimular sua criatividade na administração dos botões da amplificação e inseri-los em uma prática onde é forte a relação de comunidade.

O intercâmbio cultural entre as ilhas jamaicana e brasileira se findou pela recíproca identificação dos oriundos das periferias de ambos os territórios. Os discos de vinil puderam expandir o alcance dos protestos de um subúrbio ao outro tendo as caixas empilhadas como aliada no ecoar dessas mensagens. Essa celebração reggueira reafirma a importância da valorização do território e o vigor dos encontros presenciais - por isso, conectando sensibilidade e força, tornou-se tradição cá e lá.

A alteração climática trouxe melhorias para a saúde da população e retirou a cidade do topo do ranking mundial de pior qualidade do ar
por
Gabriel Porphirio Brito
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17/09/2024 - 12h

 

Calçada com pessoas com roupa de frio e segurando guarda-chuva
A previsão é de dias frios até quinta-feira (19). / Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

 

Após quinze dias de calor intenso e qualidade do ar comprometida, a cidade de São Paulo experimenta mudança significativa nas condições climáticas, com a chegada de uma frente fria. Entre os dias 15 e 16 de setembro, o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) da Prefeitura registrou uma alta na umidade relativa do ar, que chegou a 98%, com algumas áreas atingindo 100%. 

Melhoria da qualidade do ar

De acordo com dados do IQAir, São Paulo chegou a figurar na primeira posição do seu ranking global de metrópoles com piores índices de qualidade do ar, consequência direta da onda de calor, poluição, queimadas, e das condições atmosféricas desfavoráveis.

O CGE informou, na segunda-feira (16), que a formação de uma área de baixa pressão vinda do Paraná, na região Sul do país, trouxe instabilidades atmosféricas, o que provocou a chegada da chuva e a melhora da qualidade do ar. 

Além disso, a precipitação e o aumento da umidade permitiram a dispersão de poluentes que se acumulavam na atmosfera, tornando o ar mais respirável. A expectativa é de que essa melhora seja contínua ao longo dos próximos dias, já que a previsão meteorológica indica que a umidade e as temperaturas amenas devem persistir.

A capital, que até a semana passada estava em primeiro lugar no índice global de poluição, agora ocupa a posição 73, com o ar classificado como “bom”, segundo a plataforma IQAir.

Previsão do tempo

Segundo o Climatempo, a chegada da frente fria trouxe queda nas temperaturas, com máximas que não ultrapassam os 20°C até quarta-feira (18). Para esta terça-feira (17), a mínima registrada foi de 14°C e a máxima não deve passar 20°C. 

Embora a frente fria traga alívio momentâneo, ainda de acordo com o Climatempo, o efeito pode ser temporário. Com a previsão de retorno de temperaturas mais elevadas até o final da semana, com máximas de até 34ºC a partir de sexta-feira (20), é possível que a qualidade do ar volte a piorar, embora em menor intensidade e ainda com pancadas de chuva pontuais.

Estado de alerta

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu, na segunda-feira (16), o alerta amarelo de “perigo potencial”, para a cidade, áreas do litoral e da região metropolitana. A previsão é de chuvas entre 20 e 30 mm/h, com um volume total de até 50 mm por dia, e ventos intensos, que variam entre 40 e 60 km/h. O Inmet também alerta para a possibilidade de alagamentos e pequenos deslizamentos, embora o risco seja considerado baixo.

Já nas regiões de Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, que recentemente sofreram com incêndios florestais devido ao tempo seco, há previsão de chuvas intensas. Essa chuva, que pode alcançar 50 mm por dia e ser acompanhada de ventos de até 60 km/h, representa uma mudança significativa para áreas que sofreram com a seca prolongada. No entanto, há riscos adicionais, como queda de galhos de árvores, cortes no fornecimento de energia elétrica e alagamentos localizados.

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Apesar da mudança abrupta do clima de São Paulo, não abalou os cidadãos de visitarem o bairro.
por
Octávio Alves
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11/09/2023 - 12h

No ultimo sábado, dia 26, apesar de todas as condições do clima para deixar a população em casa, com a grande queda de temperatura, não foi o suficiente para atrapalhar o final de semana dos cidadãos da grande São Paulo, um dos locais que não foram afetados foi na Liberdade. Atualmente este bairro é um dos pontos mais marcantes da capital São Paulo que não tiveram o movimento diminuído. Liberdade é um bairro de cultura oriental que não importa o dia da semana ou seu tempo, está sempre movimentada pelos diversos motivos; passeio, culinário, conhecimento cultural e procura de produtos.

 

Movimento na ponte
Movimento na "Ponte da Amizade", frequentemente utilizada pelos camelôs. Liberdade- SP.
(Foto- Octávio Silva)
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Pessoas andando perto de uma banca e um restaurante
Duas pessoas andado juntas entre o mercadinho e a banca de revista. (Foto- Octávio Silva)
Descendo a rua
Descendo uma das ruas comerciais do bairro, Liberdade. (Foto- Octávio Silva)
Homem compras
Homem fazendo compras na Liberdade.( Foto- Octávio Alves)
Pessoas andando em uma rua
Movimento na "saída" da "Ponte da Amizade". (Foto- Octávio Augusto)
Casal andando
Casal passeando na principal área comercial da Liberdade. (Foto- Octávio Silva)
Grande movimento, apesar do frio
Grande movimentação apesar do frio que fazia. (Foto- Octávio Silva)
Cosplays
Cosplayers do jogo chinês, Genshin Impact , posando para a foto. (Foto- Octávio Silva)

 

O quiosque se destaca na Zona Oeste da capital com opções de comida típica nepalesa
por
João Curi
Fernanda Querne
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24/08/2023 - 12h

 

                                                               O quiosque Momu, de 7m², em Pinheiros. (Foto: Fernanda Querne) 

Saia da estação Fradique Coutinho, vire à esquerda e ande reto por dois minutos. Assim, encontrará as trouxinhas de massa leve nepalesas, conhecidas como momos - e não os confunda com os guiozas. Ao lado da hamburgueria Patties, o quiosque Momu transformou sete metros quadrados em uma experiência gastronômica ao compartilhar a diversidade do seu país. 

Havia pessoas em pé, outras sentadas em volta da árvore. Esperavam que a Luz, funcionária do Momu, anunciasse seus nomes para que pudessem, finalmente, se deleitar com a variedade dos bolinhos: os recheios de carne de porco, carne bovina e shimeji, a opção vegana. A clientela aparentava ter saído direto do expediente. Os bolinhos pareciam recém-chegados do Nepal.  

Momu e a hamburgueria Patties em Pinheiros (Foto: Fernanda Querne) 

Em entrevista à Agemt, Luz explicou como é o procedimento ao fazer as trouxinhas: "O momu não é feito aqui nessa loja, devido às condições do espaço. É feito pelo Amar, o nosso chefe, lá na casa dele". Junto com a Anusha Ale, sua esposa, comandam o Momu graças ao Projeto Vizinho, um concurso no qual a hamburgueria Patties cederia um “puxado” da sua unidade, em Pinheiros, para um microempreendedor que não tivesse condições de investir no ramo gastronômico.

Os funcionários finalizam o preparo dos momos. (Foto: Fernanda Querne) 

O casal nepalês surpreendeu o cenário gastronômico paulista com seus temperos e especiarias moldados manualmente em bolinhos. Ao finalizarem o cozimento, ali no quiosque mesmo, regam os momus com um molhinho apimentado de tomate e uma chuva fina de gergelim. Assim, um pouco da influência da região do Himalaia recai sobre a cultura de rua da América Latina, onde sempre cabe mais um tempero.

O quiosque Momu é quase como uma embaixada gastronômica do Nepal, em São Paulo. O prato típico colabora com a diversidade da culinária paulista, que abraçou os momus após viralizarem no TikTok. É uma experiência que te viaja até os Himalaias, num “puxadinho” que faz caber a cultura da maior região montanhosa do mundo numa amostra de bolinho. 

Para conferir mais de nossa cobertura, acesse aqui.

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Diversos túmulos são ornados como um ato de fé, manifestando uma visão religiosa do pós-morte
por
Felipe Oliveira
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19/06/2023 - 12h

A morte é vista de maneira diferente em diversas culturas. Para os cristãos, a vida na Terra é apenas passageira, na qual o paraíso ou inferno será sua nova e eterna morada dependendo dos seus atos enquanto vivo. É comum ver inúmeras estátuas ou símbolos referentes à religião cristã em seus túmulos, como descrição de fé. O Cemitério Protestante da Consolação, zona central de São Paulo, não é diferente nesse quesito.

Veja a seguir algumas imagens de sepultamentos de um Cemitério Protestante:

Entrada do cemitério
Portão do cemitério. Autor: Felipe Oliveira
estátua e cruz
Estátua da crucificação de Jesus. Autor: Felipe Oliveira
saudade
A saudade de um ente querido. Autor: Felipe Oliveira
três cruzes
Anjos carregando Jesus. Autor: Felipe Oliveira
luz no fim do túnel
Estátua de Jesus e grande túmulo. Autor: Felipe Oliveira
cruz deitada
Cruz deitada. Autor: Felipe Oliveira
representatividade de Maria abraçando Jesus
Representatividade de Maria abraçando Jesus. Autor: Felipe Oliveira
bela escultura
Túmulo ornamentado com esculturas de anjos. Autor: Felipe Oliveira
Uma simples caminhada é capaz de revelar o descaso de governantes com São Paulo.
por
Guilherme Gastaldi
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19/06/2023 - 12h

Os anos passam, nova gestões vem e vão, mas o descaso e a despreocupação com a cidade de São Paulo permanece, e são evidentes. Em uma simples caminhada, ou um passeio de carro, é possível observar casas e construções claramente abandonadas e até mesmo, inacabadas, deixadas de lado por anos. Além, é claro, dos danos à paisagem urbana, existem sérios riscos de segurança, como é o caso do Edifício garagem da Rua do Carmo, localizado no centro histórico e que foi construído na década de 1960. O constante abandono e negligência das autoridades com o bem-estar da comunidade vão lentamente decretando a decadência e a morte dos nosso arredores.

 

Construção inacabada e abandonada.
R. Dr. Miranda de Azevedo, 350 - Pompeia, edifício abandonado. (Foto: Guilherme Gastaldi)

 

Construção inacabada e abandonada (zoom).
Detalhes do edifício abandonado na Pompeia (Foto: Guilherme Gastaldi)
Construção inacabada e abandonada (parede).
Parede do edifício abandonado na Pompeia (Foto: Guilherme Gastaldi)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Prédio inacabado e abandonado.
Edifício garagem inacabado da Rua do Carmo. (Foto: Guilherme Gastaldi)

 

Prédio inacabado e abandonado (de lado).
Edifício garagem inacabado da Rua do Carmo. (Foto: Guilherme Gastaldi)

 

Prédio inacabado e abandonado (zoom).
Detalhes do Edifício garagem inacabado da Rua do Carmo. (Foto: Guilherme Gastaldi)
Prédio inacabado e abandonado (detalhes).
Detalhes do Edifício Garagem, na Rua do Carmo. (Foto: Guilherme Gastaldi)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Prédio inacabado e abandonado (arame).
Edifício garagem inacabado da Rua do Carmo entre arames farpados. (Foto: Guilherme Gastaldi)

 

Prédio inacabado e abandonado (arame).
Edifício garagem inacabado da Rua do Carmo com arames farpados. (Foto: Guilherme Gastaldi)
Parede com arames.
Parede com arames farpados. (Foto: Guilherme Gastaldi)

 

 

 

Sequência de fotos traz imagens do dia a dia dos cidadãos da cidade.
por
Beatriz da Cunha Porto
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16/06/2023 - 12h

A vida cotidiana é cheia de altos e baixos. Ora estamos apressados para chegar em casa, ora preferimos caminhar mais devagar conversando com amigos. Independente do momento, vida é passar por cima das adversidades e se lembrar de pequenas coisas que fazem a diferença no nosso dia, como fazer carinho num gato que encontramos na rua. As imagens a seguir são registros feitos do caminho a partir da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo até a Barra Funda e retratam o cotidiano de diversos estudantes.

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Alunos a caminho da saída da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Foto: Beatriz C. Porto
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Estudante chamando atenção do gato em rua fechada no bairro de Perdizes. Foto: Beatriz C. Porto
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Gato malhado caminhando ao sol em rua fechada no bairro de Perdizes. Foto: Beatriz C. Porto
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Saída de rua fechada em Perdizes com indicação de "sem saída". Foto: Beatriz C. Porto
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Passageiros no ponto de ônibus da Avenida Sumaré. Foto: Beatriz C. Porto
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Letreiro de ônibus via Pompeia com sentido Barra Funda. Foto: Beatriz C. Porto
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Trilhos dos trens na estação Barra Funda vista de cima da ponte. Foto: Beatriz C. Porto
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Vista de dentro do terminal de ônibus Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo. Foto: Beatriz C. Porto