O segundo fim de semana do Rock in Rio reuniu, ao longo de três dias, diferentes estilos musicais e grandes espetáculos nos palcos da Cidade do Rock. A programação teve pop, K-pop e apresentações de grandes artistas nacionais e internacionais.
Sexta-feira
O Stray Kids fez história sendo o primeiro grupo de K-pop a ocupar a posição de headliner no Rock in Rio, no principal palco do festival. O grupo performou músicas de sucesso como “Topline”, “Maniac” e “God’s Menu”, além de faixas do recém-lançado mini-albúm “This & That”. A passagem do grupo contou com banda ao vivo, performances coreografadas e forte interação com o público.
A estreia do K-pop no festival ocorreu com a primeira apresentação do NEXZ no Brasil. Outro momento histórico da noite foi protagonizado por Hwasa, que se tornou a primeira artista solo de K-pop a se apresentar no Palco Mundo. A cantora levou ao público sucessos de sua carreira, incluindo “I Love My Body” e “Maria”.
O dia também contou com o show de Alok, que transformou o palco em um espetáculo tecnológico. Com a apresentação “Keep Art Human”, o DJ brasileiro impressionou o público ao combinar drones, efeitos pirotécnicos e um painel humano formado por dançarinos em coreografias sincronizadas.
Por fim, o cantor Jão realizou um show especial no pavilhão do Itaú, marcando seu retorno aos palcos após uma pausa na carreira. Em uma apresentação intimista, o artista cantou oito músicas e surpreendeu os fãs ao anunciar o lançamento do clipe oficial de “Aurora”.
Sábado
Inaugurando as atrações do Palco Mundo no segundo dia de apresentações do último final de semana do Rock in Rio, Pedro Sampaio fez um show repleto de hits. O DJ estreou o palco principal do festival distribuindo leques customizados com o nome de sua nova turnê “Abraça o Amigo e Pula” e transformou o gramado em uma festa de "leques batendo". “Sequência Cunt”, música que finalizou a apresentação de Pedro Sampaio, contou com a presença de Clementaum, Isma, Vita e Tasha Kaiala e conquistou o público.
J. Balvin pintou novamente o público de amarelo ao fazer uma parceria com Pedro Sampaio e Mellody, trazendo os dois para o palco com a performance de “Jetski”. O colombiano esquentou a multidão com suas músicas de sucesso e suas artes visuais, que foram destaque nos novos leds do palco Mundo. Misturando o Brasil com a Colômbia, J. Balvin fez remixes de “Bum Bum Tam Tam”, “Downtown” e “Bola Rebola”. Suas músicas como “Safari”, “Amarillo” e “In da Getto” em ritmo de reggaeton foram a única apresentação latino-americana que não foi brasileira, no palco principal do Rock in Rio.
O palco Sunset contou com a apresentação dos Gilsons. O grupo, que leva para o palco membros da família Gil, convidou para sua apresentação Olodum e Daniela Mercury e trouxe para o evento a representação da música baiana, do axé e do samba-reggae.
Com músicas e batidas contagiantes, a apresentação dos Gilsons e convidados animou o público, que dançava e cantava junto com os artistas. No final da apresentação, Daniela Mercury transformou o palco em uma roda de samba, e levantou uma bandeira da Estação Primeira de Mangueira, em homenagem ao samba carioca. Além da representação do samba, a cantora trouxe provocações sobre a atual situação da política brasileira; um cavalo preto distribuía dinheiro para o público, em alusão à origem dos fundos do filme “Dark Horse” e estão sendo investigados pela ligação com Daniel Vorcaro, do Banco Master. O longa conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro e seu filho e atual candidado à presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, teve áudios vazados em que pedia verba a Vorcaro.
Também representando a música brasileira, João Gomes e a Orquestra Brasileira, grupo criado especialmente para essa apresentação, transformaram o Sunset em um desfile da cultura nordestina. Reunindo diversas representações do carnaval brasileiro, o pernambucano trouxe para o palco estandartes, O Homem da Meia-Noite, o Boi da Macuca, um grupo de pernas de pau, e bonecos de Olinda de João, Chico Science e Gonzagão. Encantando o público, o brasileiro cantou músicas como “Lembrei de Nós” com a participação de Mestrinho, que também se apresentou no palco Global Village, no mesmo dia de festival. Sucessos como “Mete um Block Nele” e “Filho do Dono” também fizeram parte do espetáculo encantador protagonizado por João Gomes.
No palco Supernova, o destaque foi de Milo J, cantor argentino que trouxe para o público a memória indígena de seu país. Apesar da apresentação em um palco menor do Rock in Rio, Milo J reuniu espectadores ansiosos para seu show. Em seu álbum “La Vida Era Más Corta”, o argentino mistura rap com músicas folclóricas, clássicos latino-americanos e até música popular brasileira.
De volta ao principal palco do festival, com um dos shows mais esperados da noite, Demi Lovato balançou o público com músicas de seu novo álbum “It’s Not That Deep”, iniciando sua apresentação com três novos hits. Apesar da nova “era”, a cantora não deixou de lado antigos sucessos que marcaram uma geração de fãs: “Heart Attack”, “Sorry Not Sorry” e “Give Your Heart a Break” fizeram parte do show e levaram o público ao delírio. “Cool for the Summer”, música de Demi Lovato que destaca a representatividade queer, contou com a participação de Pabllo Vittar, que cantou ao lado da estadunidense. Com esse feat, Demi Lovato encerrou seu show de sucessos globais, contando com grande participação do público.
No fim da noite, no palco Mundo, a banda Maroon 5 deu início ao seu espetáculo com “This Love” e “Stereo Hearts”. Esbanjando presença de palco e carisma, o vocalista Adam Levine interagiu com o público carioca e entregou uma série de músicas marcantes. “Memories”, “Payphone” e “Moves Like Jagger” movimentaram o público que esperava pelo show do grupo. Mesmo com presença recorrente em festivais no Brasil, Maroon 5 reuniu cerca de 100 mil pessoas no Rock in Rio, finalizando a noite no palco principal do festival com uma apresentação clássica e bem planejada.
Com o encerramento da noite no Palco Mundo, o DJ Alok acendeu as luzes da Cidade do Rock no New Dance Order, palco eletrônico do festival. Em seu show “Alok & Family Pres. Rave the World”, Alok, ao lado de seus pais — os DJ’s Ekanta Jake e Swarup —, transformaram o evento em uma rave. Com uma proposta diferente do espetáculo pirotécnico apresentado no dia anterior no festival, o DJ usou o New Dance Order como forma de reconexão com a música eletrônica e a nova geração.
Domingo
No domingo, o Rock in Rio fechou sua edição de 2026 com uma programação marcada pela diversidade musical e pela presença de grandes nomes nacionais e internacionais. A chuva acompanhou parte das apresentações na Cidade do Rock, mas isso não impediu o público de aproveitar muito os shows de artistas como Halsey, Marina Sena, Zara Larsson e Twenty One Pilots.
Ivete Sangalo abriu o Palco Mundo e levou ao festival um repertório com influência de ritmos latinos, além de sucessos que marcaram sua carreira como “Festa”, “Sorte Grande” e “Tempo de Alegria”. A apresentação marcou sua 20° participação no festival, incluindo também edições realizadas fora do Brasil. Apesar da chuva, Ivete conseguiu manter o público animado durante todo o show.
Marina Sena e Céu foram destaque no Palco Sunset. A apresentação aconteceu à noite e combinou músicas e elementos teatrais com elementos de terror, que chamaram a atenção do público. Apesar da dificuldade de circulação na área, ocasionada pela chuva, os fãs aproveitaram o show.
Halsey também foi destaque no Palco Mundo. A cantora fez sua estreia a noite, com um show performático com músicas como “Nightmare”, “Bad at Love” e “Without Me”. A sueca Zara Larsson encerrou o Palco Sunset com os sucessos de sua carreira “Lush Life”, “Never Forget You”, “Ain’t My Fault” e “Midnight Sun”, com uma estética colorida, sua marca registrada. Ela também se apresentou com uma banda formada exclusivamente por mulheres e apesar da chuva e do público reduzido, Zara manteve a energia do espetáculo.
Enquanto isso, os outros palcos do festival mantiveram a programação. O Espaço Favela contou com apresentações de Marvvila, Suel e Dennis. No Supernova se apresentaram Ar Baby, Bruna Black, Sant e Lourena e por fim, o New Dance Order recebeu Illusione, Roddy Lima e John Summit, nomes da música eletrônica.
Twenty One Pilots zerou a programação do Palco Mundo de madrugada. A apresentação teve muita interação com o público e muita chuva. A banda ainda convidou um fã ao palco durante a música “Ride”, uma das mais famosas.
A despedida do festival foi no Pavilhão Itaú, onde É o Tchan realizou uma apresentação surpresa com Beto Jamaica, Compadre Washington e Sheila Mello. O Rock in Rio 2026 reuniu mais de 700 mil pessoas e já confirmou seu retorno para 2028.
Começou na quarta-feira, dia 9 de setembro, a mostra 1976 - 50 anos depois, realizada pela Cinemateca Brasileira, a qual reuniu clássicos do cinema nacional e internacional, além de curtas, para exibição. As sessões acontecem até o dia 20 no local.
A mostra teve sua primeira edição em 2022 , idealizada pelo cineasta Paulo Sacramento em parceria com a Difusão de Filmes da Cinemateca Brasileira. Esta edição contém filmes recém-digitalizados, além de clássicos do cinema. A sessão de abertura foi marcada pelo terror “Carrie, a Estranha”, e os amantes do cinema nacional puderam aproveitar a exibição de Dona Flor e Seus Dois Maridos, que contou com cenas extras e um curta de bastidores da obra.
Entre outros destaques, estão os filmes “Império dos Sentidos”, “Cria Cuervos”, “Taxi Driver”, “Jonas que Terá Vinte e Cinco Anos no Ano 2000” e “King Kong”. Já entre os filmes nacionais, a programação inclui títulos como “Aleluia Gretchen”, “Inferno Carnal” e “Xica da Silva”.
O evento destaca narrativas com o protagonismo feminino e grupos marginalizados, permitindo ao público analisar de forma crítica os valores do passado,dentre muitos que ainda podem ser observados até os dias de hoje.
Na tarde da sexta - feira, uma sessão de curtas destacou narrativas emblemáticas do país sob novos ângulos. O primeiro foi “Rua São Bento, 405” que conta a história do Edifício Martinelli, primeiro arranha-céu de São Paulo, e como eram as vidas de seus moradores, e dos comerciantes ali estabelecidos.
Outro curta exibido na sessão foi “A mulher no cangaço”, que trouxe depoimentos de ex-integrantes do cangaço. Este documentário ilustra o sofrimento, abandono e busca por liberdade enfrentados pelas cangaceiras do sertão nordestino.
A Cinemateca está aberta todos os dias, das 8 às 18h. Localizada na Rua Largo Senador Raul Cardoso 207, na Vila Mariana, a instituição oferece ingressos gratuitos para todas as sessões.
São Paulo recebe uma das maiores exposições dedicadas a Joan Miró (1893–1983) realizadas no país nos últimos anos. Em cartaz no Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Alvares Penteado (MAB FAAP), em Higienópolis, Miró: Mestre das Formas reúne 140 obras originais do artista catalão e apresenta ao público diferentes momentos de uma trajetória marcada pela experimentação e criação de uma linguagem visual própria. A exposição permanece em cartaz até 12 de outubro.
Distribuída por aproximadamente 1.200 metros quadrados, a mostra reúne pinturas, esculturas, gravuras, tapeçarias, fotografias e filmes. Entre as obras selecionadas estão peças inéditas no Brasil. O conjunto reúne trabalhos provenientes de três museus, 14 coleções particulares europeias e da família de Miró.
Com curadoria do espanhol Jordi J. Clavero, a exposição é organizada em cinco núcleos temáticos. Em vez de seguir apenas uma classificação cronológica, o percurso procura apresentar diferentes aspectos da produção de Miró e as transformações de sua linguagem ao longo de mais de seis décadas de carreira. A proposta permite observar como o artista passou por diferentes referências e técnicas sem se limitar às escolas artísticas do período.
Nascido em Barcelona, em 1893, Miró desenvolveu uma linguagem artística marcada por elementos como estrelas, pássaros, figuras humanas, linhas e formas orgânicas. Sua obra esteve próxima de movimentos da arte moderna, especialmente do surrealismo, mas sua produção não se restringiu a uma única corrente. Ao longo de sua carreira, o artista explorou diferentes materiais e maneiras de representar o mundo, aproximando imaginação, sonho e realidade.
Essa liberdade aparece também na forma como as obras são apresentadas na exposição. Ao lado das pinturas e gravuras, o público encontra esculturas e tapeçarias que ampliam a compreensão sobre o processo criativo do artista. Fotografias e filmes ajudam a contextualizar sua trajetória e permitem observar aspectos da produção para além das obras finalizadas.
Miró: Mestre das Formas convida o público a conhecer a maneira particular como o artista compreendia a criação. Em suas obras, figuras e objetos reconhecíveis são transformados em símbolos, linhas e manchas de cor, abrindo espaço para diferentes interpretações. O resultado é uma linguagem visual marcada pela liberdade de formas e pela capacidade de provocar novas leituras, mesmo quando se distancia da representação tradicional.
Para o visitante, a exposição funciona ainda como uma oportunidade de perceber a variedade da produção do artista. A reunião de diferentes técnicas evidencia que sua pesquisa não estava restrita à pintura: gravura, escultura, tapeçaria, fotografia e outras formas de expressão fizeram parte de seu percurso artístico.
Serviço
Exposição: Miró: Mestre das Formas
Local: Museu de Arte Brasileira da FAAP (MAB FAAP)
Endereço: Rua Alagoas, 903, Higienópolis, São Paulo
Período: até 12 de outubro de 2026
Horário: das 9h às 20h
Classificação: livre
Ingressos: de R$ 50 a R$ 60 (inteira) e de R$ 25 a R$ 30 (meia-entrada), conforme o dia da visita.
A mostra ocupa cerca de 1.200 m² e tem duração média de visita de aproximadamente uma hora. O espaço é acessível para pessoas com mobilidade reduzida e conta com recursos de audiodescrição.
O Museu de Imagem e Som inaugurou na quarta-feira (2), uma nova exposição com curadoria de Inês Castilho, Marcelo Colaiácovo e William Plotnik. A mostra exibe 141 fotos restauradas e digitalizadas pelo Cine Limite em parceria com o Bar Soberano da Rua do Triunfo, espaço que foi o point dos artistas da Boca do Lixo. Registradas pelo cineasta Wagner Carvalho durante as filmagens do documentário “Mulheres da Boca” (1981), surge com a proposta de celebrar os 45 anos do lançamento do curta, a partir da visibilidade de um grupo que, durante décadas, ficou à margem da sociedade. Com direção de Cida Aidar e Inês Castilho, o curta-metragem reúne imagens e relatos de como era viver nesse espaço de forte concentração cultural, e de como foi pertencer como mulher nesse meio.
A trajetória de Inês Castilho com assuntos de pouca notoriedade pela mídia começou desde cedo. Ainda na faculdade, a roteirista integrou um coletivo de mulheres que escreviam para o jornal “Nós Mulheres”. A imprensa alternativa, vítima de forte censura pela ditadura militar, teve o seu fim de maneira precoce. Referência no cinema feminista brasileiro, Inês encontrou no documentário “Mulheres da boca” uma forma de dar espaço à essas figuras femininas, através da memória urbana da região.
A boca do lixo como espaço de liberdade artística
No meio da sala expositiva, o telespectador se depara com um sofá e uma televisão, que transmite repetidamente o documentário “Mulheres da Boca”. O curta-metragem é ambientado durante o ápice da região Boca do Lixo, espaço que recebeu esse nome da imprensa sensacionalista dos anos 70. O lugar, de ampla concentração de prostituição, criminalidade e vulnerabilidade social, foi palco de grandes produções cinematográficas que definiram o cenário cultural da vida paulistana. A boca do lixo, em São Paulo, foi assim um dos principais polos do cinema independente brasileiro, marcados principalmente pelo Cinema Marginal e pelas Pornochanchadas.
Com produções que buscavam um retrato fiel de camadas pouco visibilizadas, foi capaz de expor uma realidade sucateada. O cinema independente desse contexto, como no documentário "Mulheres da Boca", focou em mostrar a vida marginalizada dessas trabalhadoras do sexo, que por muito tempo foram apagadas da historia do país. A coletânea de imagens deixa claro o caráter de marginalização dessa região, que atualmente passa por uma deterioração e concentra boa parte da Cracolândia da capital. Cida e Inês, ao se apoiarem na "Boca do Lixo" como espaço de criação artística, deram voz às mulheres silenciadas dessa região no Brasil. A mostra segue até o dia 18 de Outubro, com entradas de terça à domingo gratuitas.
A cantora norte americana Olivia Rodrigo lançou, no fim de agosto, a música “Serena Joy”. A faixa é inspirada na personagem do “O Conto da Aia”, um romance de Margaret Atwood. A cantora trata de temas em relação à opressão política e as consequências que se tem de apoiar movimentos que limitam seus próprios direitos e liberdades.
Na trama, mostra um mundo distópico onde os Estados Unidos, que se tornou República de Gilead, passou por uma revolução teocrática, mantendo uma nova ordem social onde as pessoas são divididas em “castas” e perderam liberdade e direitos básicos. Todos são obrigados a seguir seu papel na sociedade em prol de um mundo melhor. As mulheres perderam seus direitos fundamentais, inclusive controle sobre o próprio corpo.
Antes do regime, Serena era uma forte ativista religiosa, lutava para que as mulheres voltassem aos valores e papéis familiares “tradicionais”. Entretanto, com a revolução, passou também a atingi-la, perdendo seus direitos, sendo impedida de ler, escrever, e se manifestar.
Ela passa a experimentar as consequências desse sistema que ajudou a construir, e que não abre exceções mesmo as mulheres que o apoiam. Se tornou amarga e infeliz, presa em casa o dia todo na espera do marido. Metáforas como “Se fazem isso com elas, vão fazer com você” são utilizadas ao decorrer da música.
Em entrevista, Erich Mafra, jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e pós-graduando em Literatura, Artes e Filosofia, explica que a relevância da personagem está justamente na reflexão sobre a participação da sociedade na ascensão dos regimes autoritários. “Ela representa muito como o autoritarismo chega ao poder não só pela força, pela violência ou pelo discurso, mas também pela conivência das pessoas que apoiam determinado sistema”, afirmou
Na letra, Serena Joy funciona como uma espécie de narradora, usada para provocar a reflexão de não aceitar sistemas autoritários ou prejudiciais ao bem-estar social, exige se colocar no lugar do outro. Segundo o Mafra, essa urgência explica por que o livro segue tão atual, enquanto há 40 ou 50 anos nomes como Angela Davis lutavam para conquistar espaço para o debate feminista, hoje esse espaço está em risco. Para ele, Olivia Rodrigo estaria justamente alertando sobre isso. Torna-se necessário sair de um lugar privilegiado e refletir sobre o que se pode perder daqui para frente.
Para o jornalista, unir literatura e música não é novidade na atualidade. Os artistas sempre se inspiraram em livros e filmes, e essas referências também mostram o que a geração consome. Ele cita o The Cure, que tem uma música baseada em O Estrangeiro, de Camus, como exemplo desse tipo de diálogo que aproxima o público de obras mais difíceis de acessar, algo especialmente relevante num país com baixos índices de leitura como o Brasil.
Em junho desse ano, a cantora anunciou seu próprio festival de música “Daisy Chain Fields”. O lucro da venda dos ingressos foi destinada a organizações dedicadas a defesa dos direitos das mulheres. Nas suas redes sociais anunciou a doação de US$ 10 milhões (R$ 52 milhões). “Espero que o Daisy Chain possa ser uma celebração de amor e da determinação que essas mulheres estão colocando para fazer deste mundo um lugar melhor” disse Olivia em discurso após anunciar o valor doado. Além do festival, a cantora lançou o single “Serena Joy” como faixa bônus do seu novo álbum “You seem pretty sad for a girl so in love”, também colaborando com parte do lucro ao fundo beneficente