Em sua 5ª edição, o SP Food Film Fest apresenta 42 filmes acompanhados de degustações, debates e aulas-show
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Olívia Ferreira
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14/10/2026 - 12h

 

Entre 01 e 14 de outubro de 2026, aconteceu a 5° edição do São Paulo Food Film Fest, evento totalmente gratuito que une gastronomia e cinema. Após as sessões, o público é convidado a experimentar pratos típicos dos países retratados nos filmes e bebidas também inspiradas nas produções. Ao todo, são 42 produções, entre documentários e ficções de diferentes territórios do mundo, incluindo quatro filmes inéditos no Brasil. A programação também conta com debates, aulas-show, oficinas e uma feira gastronômica.

Criado pelos comunicadores André Henrique e Dani Guariba, o festival busca misturar cinema e gastronomia, trazendo temas contemporâneos para discussão sem abrir mão das experiências sensoriais que a comida proporciona. 

Com exibição de três filmes por dia, o festival transforma a capital paulistana em um polo cultural onde acontece no CCSP (Centro Cultural de São Paulo), na Reserva Cultural, em dois CEUs (Centros Educacionais Unificados) do Circuito Spcine e na Biblioteca Roberto Santos. Parte da programação também estará disponível para o público do Brasil na plataforma Spcine Play.

A variedade dos filmes é destaque na semana do festival. De filmes brasileiros até filmes dos mais diversos países, um dos destaques da agenda é “Dona Flor e seus Dois Maridos”, que completa 50 anos em 2026 e tem a culinária baiana como um dos pilares da história. Não só na história, mas a gastronomia baiana é trazida para fora das telas com uma porção de moqueca de banana. 

Outro destaque é a estreia da produção argentina “Jota Urondo, Um Cozinheiro Impertinente”, exibida pela primeira vez no Brasil. Após a sessão, terá um debate com os diretores do filme, acompanhado da degustação de nhoque de mandioquinha.

Debate com os diretores do filme em uma sala de cinema.
Debate “Vida de Chef”  com os diretores do filme e comunicadores sobre gastronomia. Foto: Olivia Ferreira

Além disso, filmes como “A História de Aisha” e “Alimentando o Amanhã” discutem assuntos pertinentes como questões sociais e ambientais. “A História de Aisha” apresenta a importância da moagem de grãos para a culinária palestina, enquanto “Alimentando o Amanhã” debate os impactos do sistema alimentar  nos ecossistemas, saúde humana e nas desigualdades sociais. 

Neste ano, o São Paulo Food Film Fest ampliou o número de debates e aulas-show. Oferecerá debates que aproximam ciência, política, gastronomia e arte. Ao longo da programação, as conversas ocorrerão a partir das 19h no Reserva Cultural. O  evento também promoverá aulas com chefs e pesquisadores, no dia 3 de outubro no CCSP. 

 

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Dois meses após ser diagnosticado com a Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), youtuber morreu na última quinta-feira (1)
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Amanda Lemos
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07/10/2026 - 12h

Joselito Geraldo de Sousa, conhecido como Lito Sousa, morreu na última quinta-feira (1), aos 59 anos, no Hospital Israelita Albert Einstein na capital paulista. O youtuber especializado em aviação, foi diagnosticado com a DCJ, uma condição neurodegenerativa rara, progressiva e sem cura convencional, em agosto deste ano, após uma cirurgia devido a um câncer de próstata. 

O caso do diagnóstico de Lito teve grande repercussão por ser raro e pelo acompanhamento de seus familiares e seguidores em busca de um tratamento experimental. A Anvisa autorizou, em setembro, excepcionalmente, a importação e uso do ALN-6457, uma substância experimental, para dar início ao tratamento. Porém, apesar da mobilização e do acesso ao medicamento, a doença continuou avançando.

Montagem em preto e branco mostrando uma pessoa diante de um avião, acompanhada da mensagem: “Saudações aeronáuticas e até o próximo voo.” Assinatura: “Lito Sousa (1967–2026)”.
“Até o próximo voo”, tradicional despedida de Lito Sousa ao fim de seus vídeos, ganha um novo significado após sua morte. - Foto: @diego.souzasp/Instagram

Antes de se tornar conhecido pelo canal Aviões e Músicas, Lito Sousa construiu uma carreira de décadas na aviação. Nascido no Rio Grande do Norte e criado no Guarujá (SP), inicialmente queria trabalhar com engenharia naval, mas acabou se apaixonando pela aviação ao ingressar, ainda adolescente, em um curso de manutenção de aeronaves. Aos 19 anos, em 1986, começou a trabalhar na Varig e, posteriormente, passou pela Transbrasil e pela United Airlines, onde permaneceu por 25 anos. Ao longo de cerca de 36 anos na área, acumulou experiência em manutenção e operações aeronáuticas. 

Em 2004, criou o blog Aviões e Músicas, inicialmente com o objetivo de explicar a aviação ao público de forma acessível e combater o sensacionalismo na cobertura de acidentes aéreos. Anos depois, o projeto chegou ao YouTube e se transformou no canal que o tornou conhecido nacionalmente. Ele também fundou junto com a esposa Mila Seidl, em 2023, uma escola de aviação chamada Lito Aviation Academy, que já recebeu mais de 3 mil alunos. 

Lito Sousa e Mila Seidl posam abraçados em uma ponte sobre um rio. Ao fundo, vê-se a paisagem urbana com árvores, a água e um céu nublado, em uma cena de viagem ao ar livre.
Lito com a esposa Mila Seidl - Foto: @lito/Instagram

A morte do influenciador teve uma grande repercussão entre profissionais e instituições ligadas à aviação. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) fez uma publicação sobre o falecimento dele e destacou sua contribuição para a divulgação do conhecimento sobre aviação no Brasil. Em comunicado declarou que: “A aviação brasileira perde hoje um de seus grandes divulgadores. Fica o legado de quem fez do conhecimento uma ponte entre a aviação e a sociedade.” Na mesma noite, a Força Aérea Brasileira (FAB) também divulgou nas redes sociais uma nota de pesar. 

Em uma homenagem publicada no Instagram, a esposa de Lito, Mila Seidl, escreveu: “Um grande abraço e até o próximo voo. Foi uma honra ter viajado com você. Te amo. Sempre”. Ele também deixa o filho Malone, de 7 anos.

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Homem mascarado aparece aos beijos e em posições sugestivas com jovens mulheres
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Renata Lopes
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01/10/2026 - 12h

 

Durante a 28ª Bienal Internacional do Livro, um homem mascarado apareceu com uma máscara do Ghostface, personagem da franquia de terror Pânico, e causou polêmica nas redes sociais. Vídeos viralizaram com ele beijando jovens em posições sugestivas no estande da Fruto Proibido, famosa por publicar livros de dark romance, e fizeram com que a organização do evento notificasse a editora.   

O dark romance é um subgênero do romance que aborda temas difíceis e muitas vezes perturbadores. Essas histórias abordam relacionamentos tóxicos, obsessões, segredos obscuros e, às vezes, até mesmo crimes. 

A pandemia e as plataformas como Wattpad, Goodreads e a comunidade do BookTok no Tiktok desempenharam um papel significativo na ascensão do gênero e que continua até hoje. Segundo Thefllin Mayara Paulino de 27 anos, influenciadora literária que fala na sua conta sobre dark romances, “naquela época (pandemia) vários gêneros se tornaram mais populares, a criação de conteúdo estava a todo vapor. Acredito que a popularidade do gênero se mantém porque ele explora temas pesados, mas com um ar de esperança, visto que há uma perspectiva de amor e final feliz.”

Na Amazon os e-books de dark romance geralmente aparecem entre os mais vendidos, fazendo dele um dos gêneros literários que mais cresce em vendas no Brasil, com uma das escritoras mais proeminentes desse gênero, Zoe X, tendo 400 mil cópias vendidas tanto de livros físicos quanto os digitais. 

O dark romance tem uma legião de fãs, principalmente mulheres entre uma faixa de 18 a 25 anos, espalhado por todo o país e várias autoras nacionais publicadas por editoras especializadas para esse tipo de conteúdo e pelas editoras que são consideradas tradicionais. Para Mayara, esse gênero atrai tanto as leitoras por alguns fatores: “que ser humano nunca passou por traumas? Principalmente mulheres. A gente muitas vezes se encontra nesses livros e se ver representado em um personagem, e ver esse personagem obtendo justiça ajuda a curar a alma mesmo que um pouquinho, além disso ele nos permite "experimentar" situações tensas e perigosas, na segurança do nosso sofá. A adrenalina, misturada a uma boa dose de romance é sempre atraente”.

Mesmo com todo esse sucesso, o dark romance é um gênero bastante polêmico nas redes sociais, um dos principais pontos de críticas é a linha tênue entre a exploração de temas sombrios e a romantização de relações abusivas ou condutas criminosas. “Existem muitos livros neste gênero que realmente romantizam esse tipo de relação, e existe muitos outros que tratam esse tipo de relação como a maior problemática da história. De qualquer forma, acho que as pessoas exageram ao falar de romantização, porque o termo se tornou popular”, aponta Mayara.

A influenciadora ainda afirma que precisamos considerar que o gênero fala de romance e que terá romantização, mas nem toda romantização é nociva, além de por ser um gênero voltado para adultos, esse tema nem deveria ser debatido com tanto afinco já que cabe ao leitor entender que o que está sendo romantizado em determinado livro, só funciona porque é na ficção e há de se separar ficção da realidade.

Desde o dia 6 de setembro, o “Ghostface da Bienal", como ficou conhecido, movimentou as redes sociais com simulações de tapas e enforcamentos, aos beijos e seduzindo mulheres jovens no estande da Fruto Proibido. Muitos na rede social criticaram a forma como as meninas estavam se comportando em um evento que era destinado a todos os públicos, não só do dark romance, e como esse comportamento só alimentava ainda mais o hate em cima do gênero. 

O homem mascarado foi logo identificado. Seu nome é Yuri Gagarin, de 30 anos, ele mantém um perfil nas redes sociais voltado à literatura romântica em que usa um personagem inspirado nessa temática. Sobre esses homens que fazem conteúdo para leitoras de dark, Mayara comenta: “Acho que eles encontraram uma fonte de atenção e de renda, visto que muitas mulheres enviam presentes e dinheiro a eles. São caras espertos, por assim dizer. Enquanto alguns deles são bons criadores de conteúdo, que respeitam a comunidade, outros são criminosos por trás de uma máscara. Meu conselho: cuidado, mulheres, ao menor sinal vermelho, deixem de acompanhar imediatamente.”

A Bienal notificou a editora onde afirma: “A Bienal Internacional do Livro de São Paulo esclarece que o episódio ocorrido no interior do estande de um de seus expositores não integra a programação nem de ação oficial, promovida ou autorizada pela organização do evento.”

Ainda em nota, a organização declara que não compactua com condutas ou ações inadequadas dirigidas ao público e reafirmou o compromisso com a manutenção de um ambiente seguro, respeitoso e acolhedor para visitantes, expositores, autores, profissionais e demais participantes. 

“Não acho que deveriam proibir cosplayers mascarados, mas exigir identificação e notificar as editoras para que se coloque limites na participação deles.” comenta Mayara sobre uma segurança mais rígida no evento.

Após a notificação, a Editora Fruto Proibido postou em seu Instagram um longo texto explicando que Yuri não tinha sido contratado por eles e que nem mesmo tinham conhecimento sobre as situações relacionadas a ele: “Imagens e vídeos envolvendo uma pessoa mascarada que esteve em nosso espaço ganharam repercussão nas redes sociais, acompanhadas de interpretações de que sua presença teria sido organizada pela editora. Esclarecemos que a Fruto Proibido não contratou, solicitou ou solicitou a presença dessa pessoa.” 

Em nota, ainda é explicado que tudo ocorreu de uma forma espontânea e foi recebida inicialmente pela a equipe e pelo público como um momento de distração, além disso a editora não compactua ou endossa quaisquer atitudes atribuídas à pessoa por trás da máscara e preza por um ambiente seguro, respeitoso e acolhedor para todos. Para Mayara a nota da editora é só um jeito de “foi a editora "tirando o dela da reta para não se prejudicar. A partir do momento que a participação dele extrapolou o bom comportamento, deveriam ter intervido.”

Foto: Redes Sociais/ Reprodução
Fotos: Redes Sociais / Reprodução
Foto: Redes Sociais/ Reprodução
Foto: Redes Sociais / Reprodução

Além dos pronunciamentos da Bienal e da editora, Yuri por meio de seu advogado afirmou que a visita à feira foi voluntária e que esteve no local apenas para gravar um vídeo combinado com uma amiga, ele também nega ter recebido cachê e afirma que fotos com outros frequentadores aconteceram de forma livre e consensual.

Foto: Redes Sociais/ Reprodução
Foto: Redes Sociais / Reprodução 

 

Para Mayara esse caso furou a bolha por causa do estigma que o dark romance sofre: “esse acontecimento alimentou ainda mais o preconceito, deu mais motivos para as pessoas que já gostavam de xingar a comunidade, xingar ainda mais. O assunto foi crescendo por conta disso, até chegar ao exposed sobre os supostos atos ilícitos do rapaz, e a partir dali, virou notícia séria, já que envolvia supostos crimes e não mais apenas leitoras tendo um momento de diversão inusitado.”

Mayara também relata o quanto depois dessa polêmica ficou mais difícil ser influenciadora literária que fala sobre esse gênero: “Infelizmente a repercussão negativa já vem ocorrendo desde a Bienal. Como criadora de conteúdo que fala sobre esse gênero, eu sempre sofri um pouquinho de hate de pessoas preconceituosas, porém isso aumentou muito desde a Bienal, e comentários de ódio passaram a ser ainda mais violentos. E imagino que isso esteja acontecendo com autoras também, infelizmente só o que podemos fazer é limitar os comentários e denunciar quando eles são muito desrespeitosos e violentos.”

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Primeiro rapper brasileiro a fazer um show solo no estádio, o artista reuniu aproximadamente 50 mil pessoas em São Paulo
por
Amanda Tescari
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26/09/2026 - 12h

No último sábado (19), o rapper Bk celebrou o aniversário de dez anos do disco "Castelos & Ruínas” com um show inédito. O espetáculo marcou a estreia da turnê de mesmo título, e contou com participações de artistas como Marcelo D2, Sain, Marina Sena, Djonga, Evinha, Luccas Carlos, L7NNON, Akira Presidente e Febem.
 

Pela primeira vez na história, um rapper brasileiro superou o público de outros grandes nomes do hip hop estadunidense, que sempre ocuparam espaços de destaque, como Travis Scott, que reuniu 46 mil pessoas, e Kendrick Lamar, com 32 mil, todos no antigo Allianz Parque.
 

O show foi dividido em três atos: "A Luz”, “A Sombra” e “Coroação". Durante esse percurso, Abebe Bikila passeou pelas treze faixas do álbum principal da turnê, numa setlist que passou desde os primórdios do Bloco 7 - coletivo do qual fez parte - até os seus últimos álbuns “Icarus” (2022) e "Diamantes, Lágrimas e Rostos para Esquecer" (2025). 


 

Turnê "Castelos e Ruínas - 10 anos/ Foto: Amanda Tescari/AGEMT
Bk conduziu um show de 3 horas de duração, com uma setlist composta por 39 músicas marcantes na sua carreira. Foto: Amanda Tescari/AGEMT

 

De São Paulo, a turnê parte para Porto Alegre (24/10), seguida por Salvador (19/11), Belo Horizonte (28/11) e Curitiba (19/10), e termina na terra natal do artista, o Rio de Janeiro, no estádio do Maracanã (16/1/27).

O espetáculo "Castelos e Ruínas - 10 Anos" é uma celebração à trajetória do rapper. O álbum aborda temas como a dicotomia entre o desejo do sucesso e o medo do fracasso, a vivência na periferia carioca e outros dilemas da juventude negra, e tornou-se um clássico da nova geração do rap nacional. 

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Adaptações foram as preferidas dos leitores e alta das vendas revela força do mundo editorial
por
Gabriela Dias
Lawanny Nasc
Renata Lopes
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25/09/2026 - 12h

Com 760 mil visitantes e cinco dos dez dias com ingressos esgotados, a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo movimentou o mercado literário entre 4 e 13 de setembro. O evento reuniu leitores nos estandes, editoras que registraram aumento no faturamento e títulos que ganharam destaque nas listas de mais vendidos, incluindo obras impulsionadas por adaptações para séries e filmes. 

Entre descontos e promoções, compras aumentam na Bienal do Livro

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) registrou nesta edição, um aumento de 57% na média de faturamento dos expositores, comparado a 2024. Nos estandes mais procurados, como os da Rocco, Intrínseca e Companhia das Letras, o tempo também entrava na conta. Durante o primeiro fim de semana, algumas filas chegaram a ultrapassar uma hora, principalmente nos caixas e espaços das grandes editoras. Na edição de 2024, a CBL registrou um ticket médio de R$ 208,14 por visitante, valor que ajuda a dimensionar quanto o leitor costuma gastar durante a feira.

Movimento nos estandes marca a programação da Bienal do Livro de São Paulo, que reúne público e editoras durante o evento. Foto: Lawanny Nasc/ AGEMT
Estandes lotados durante 26º Bienal do Livro de São Paulo. Foto: Lawanny Nasc/ AGEMT

Adaptações atraem novos leitores na Bienal 2026

Um dos destaques da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo foi os estandes de editoras que publicam obras adaptadas para séries e filmes. Lançamentos a partir de produções audiovisuais como Off-Campus e Rivalidade Ardente apareceram entre os mais vendidos divulgados pelas editoras. 

O universo de "Rivalidade Ardente" ganhou destaque na Bienal com Jogo a Longo Prazo, continuação da história de amor entre Shane e Ilya. O livro ficou em segundo lugar entre os mais vendidos da Alt e da Globo Livros. A editora também registrou crescimento de 100% nas vendas em relação à Bienal de 2024. Em 2025, a série ganhou uma adaptação produzida pela Crave, no Canadá. Com a repercussão da produção, os direitos de exibição foram adquiridos pela HBO Max, que ampliou o alcance da série. Para parte dos espectadores, o contato com a adaptação também se tornou uma porta para a obra original e despertou o interesse para os livros que deram origem à história.

Com "Off-Campus", o caminho é parecido. A série de Elle Kennedy, conhecida no Brasil como "Amores Improváveis", chegou ao Prime Video em 2026. Na lista da Companhia das Letras, "O Acordo", primeiro livro da série, ficou em nono lugar entre os mais vendidos da Bienal. O box "Amores Improváveis" também apareceu na lista, em sétimo.

Outro exemplo da relação entre literatura e audiovisual é "A Hipótese do Amor", de Ali Hazelwood. Publicado originalmente em 2021, o romance acompanha Olive, uma doutoranda que entra em um relacionamento de mentira com o professor Adam Carlsen. O livro ganhou uma adaptação cinematográfica produzida pela Amazon MGM Studios e lançada em 2026, com Lili Reinhart e Tom Bateman nos papéis principais. A chegada do filme às telas no mesmo ano da Bienal também reforçou a circulação da obra entre leitores e espectadores.

A presença desses títulos no topo das vendas mostra como uma adaptação pode devolver o público às páginas. Quem conhece a história pelo streaming pode procurar os livros para continuar acompanhando os personagens, conhecer acontecimentos que não apareceram na série ou simplesmente descobrir a narrativa em sua versão original.

Ao mesmo tempo, os leitores que já conheciam as obras passaram a acompanhar a adaptação com outro olhar. As diferenças entre livro e série viram assunto nas redes sociais, onde fãs comentam escolhas de elenco, mudanças na história e a maneira como os personagens foram transportados para a tela.

O fenômeno não se restringe às adaptações recentes, na editora Rocco, "Jogos Vorazes", de Suzanne Collins, esteve entre os dez livros mais vendidos da Bienal, ao lado de "Amanhecer na Colheita", novo título da franquia. "Harry Potter e a Pedra Filosofal", de J.K. Rowling, também apareceu entre os destaques da editora. São histórias que já possuem adaptações cinematográficas conhecidas, mas continuam chegando a novos leitores.

"Heartstopper", de Alice Oseman, segue um caminho semelhante. A história, que começou nos quadrinhos, ganhou uma adaptação para a Netflix e ampliou seu público. O sexto volume apareceu entre os livros mais vendidos da Companhia das Letras durante a Bienal.

Entre uma série e um livro, as redes sociais têm papel importante. Depois de assistir a uma produção, o público encontra no TikTok, Instagram e outras plataformas vídeos, resenhas e recomendações sobre a história. O interesse pode crescer ainda mais quando leitores começam a comparar a adaptação com o livro.

O BookTok é um dos espaços cujo movimento ganhou força. Histórias que viralizam podem passar muito rápido de uma plataforma para outra, alcançando pessoas que talvez nunca tivessem procurado aquele título em uma livraria. Esse processo também fortalece os fandoms. O público não apenas assiste ou lê, ele comenta, recomenda e compartilha sua relação com os personagens. A história continua circulando mesmo quando não há um novo episódio ou lançamento.

A diferença é que, atualmente, o caminho até o livro pode começar em qualquer lugar. Um jovem pode descobrir uma história no streaming, procurar vídeos sobre ela nas redes sociais e só então comprar o livro. Outro caminho pode ser conhecer a obra pelas páginas e acompanhar a adaptação depois.

A literatura, não perdeu seu espaço para as telas. Em muitos casos, as telas ajudam a levar o público até ela. As adaptações funcionam como uma ponte entre quem já lê e quem ainda está descobrindo esse universo. Na Bienal, essa relação aparece não apenas nos corredores e estandes, mas também nos números de vendas. O sucesso de títulos ligados a adaptações mostra que uma história pode ganhar uma nova vida quando muda de formato.

[O Palco Cultural, um dos espaços de destaque da 28ª Bienal do Livro de São Paulo, recebeu palestras, bate-papos e apresentações ao longo do evento, reunindo autores, artistas voltados para um público interessado em literatura e cultura pop. Foto: Gabriela Dias.]
O Palco Cultural recebeu palestras, bate-papos e apresentações sobre literatura e cultura pop. Foto: Gabriela Dias.

Autores nacionais e internacionais disputam lista de mais vendidos da Bienal 2026

Ao final do evento, as principais editoras divulgaram os títulos que fizeram mais sucesso com os leitores. Raphael Montes, publicado pela Companhia das Letras, emplacou nove obras entre os mais vendidos da editora, incluindo as duas primeiras posições com "A Estranha na Cama" (2026) e "Jantar Secreto" (2016). Já no estande da Harper Collins, a autora Kristy Boyce, que esteve presente na Bienal 2026, liderou o ranking com a sua série de romance inspirados no mundo geek, "Dungeons e Drama" (2024), "Dates e Dragons" (2025) e, "Dados e Disputas" (2026). 

A Rocco teve toda a lista de mais vendidos com nomes femininos, as primeiras posições ficaram com Ariani Castelo com o seu mais novo livro, "Coração de Cristal Partido" (2026), Ana Jeckel com Kiwi e "Os garotos perdidos" (2026), e Caro Claire Burke com "Bons Tempos" (2026), ainda se destaca Suzanne Collins que fecha a lista dos mais vendidos com os seus livros, "Amanhecer na Colheita" (2025), "Jogos Vorazes" (2008) e o Box de "Jogos Vorazes" (2010). Na Intrínseca, Lynn Painter dominou a lista, emplacando seis títulos na lista de mais vendidos, as primeiras posições ficam com "Patinando no Amor" (2026) e "Melhor do que nos filmes" (2023). 

Na editora Alt, o top cinco de livros mais vendidos foram: "Adversária do Vilão" (2026) de Hannah Nicole Maehrer, "Jogo a longo prazo - The long game" (2026) de Rachel Reid, "Diários de uma apotecária" (2026) de Natsu Hyuuga, Box da série "Os Naturais" (2026) de Jennifer Lynn Barnes e "Em rota de colisão" (2024) de Bal Khabra. No Grupo Editorial Record, Colleen Hoover ficou em primeiro lugar com "Verity" (2018), seguida por Carla Madeira, com o seu novo livro "Quando" (2026) e Babi A. Sette com "Meu Mafioso Favorito" (2026). 

Ali Hazelwood, autora publicada pela Editora Arqueiro, foi mais uma das autoras que dominou a lista de mais vendidos de uma editora, com "Jogo de Amor para Dois" (2026), "A Hipótese do Amor" (2021) e "Amor, Teoricamente" (2023) nas primeiras posições. Já na Gutemberg, tanto Paula Pimenta quanto Stephanie Garber empataram com ambas colocando três livros cada uma na lista de mais vendidos, sendo os melhores colocados, "A música da minha vida" - volume 1 (2026) e "Era uma vez um coração partido" (2022).

 

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Último fim de semana do festival reuniu grandes nomes da música nacional e internacional, além de apresentações marcadas por colaborações entre artistas e pela chuva
por
Amanda Lemos
Maria Paula Alves
Elisa Rabaço
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24/09/2026 - 12h

O segundo fim de semana do Rock in Rio reuniu, ao longo de três dias, diferentes estilos musicais e grandes espetáculos nos palcos da Cidade do Rock. A programação teve pop, K-pop e apresentações de grandes artistas nacionais e internacionais.

Sexta-feira 

O Stray Kids fez história sendo o primeiro grupo de K-pop a ocupar a posição de headliner no Rock in Rio, no principal palco do festival. O grupo performou músicas de sucesso como “Topline”, “Maniac” e “God’s Menu”, além de faixas do recém-lançado mini-albúm “This & That”. A passagem do grupo contou com banda ao vivo, performances coreografadas e forte interação com o público. 

Palco de show dos Stray Kids em montagem, com o nome da banda exibido em um grande telão e área do público vazia à frente.
Passagem de som do grupo headliner Stray Kids. Foto: Elisa Rabaço/Agemt

A estreia do K-pop no festival ocorreu com a primeira apresentação do NEXZ no Brasil. Outro momento histórico da noite foi protagonizado por Hwasa, que se tornou a primeira artista solo de K-pop a se apresentar no Palco Mundo. A cantora levou ao público sucessos de sua carreira, incluindo “I Love My Body” e “Maria”.

O dia também contou com o show de Alok, que transformou o palco em um espetáculo tecnológico. Com a apresentação “Keep Art Human”, o DJ brasileiro impressionou o público ao combinar drones, efeitos pirotécnicos e um painel humano formado por dançarinos em coreografias sincronizadas.

Por fim, o cantor Jão realizou um show especial no pavilhão do Itaú, marcando seu retorno aos palcos após uma pausa na carreira. Em uma apresentação intimista, o artista cantou oito músicas e surpreendeu os fãs ao anunciar o lançamento do clipe oficial de “Aurora”.

Sábado 

Inaugurando as atrações do Palco Mundo no segundo dia de apresentações do último final de semana do Rock in Rio, Pedro Sampaio fez um show repleto de hits. O DJ estreou o palco principal do festival distribuindo leques customizados com o nome de sua nova turnê “Abraça o Amigo e Pula” e transformou o gramado em uma festa de "leques batendo". “Sequência Cunt”, música que finalizou a apresentação de Pedro Sampaio, contou com a presença de Clementaum, Isma, Vita e Tasha Kaiala e conquistou o público.

Público em um festival ao ar livre assistindo a uma apresentação exibida em grandes telões coloridos durante o entardecer.
Plateia “batendo leque” e colorindo o gramado de amarelo, no show de Pedro Sampaio. Foto: Elisa Rabaço/Agemt

J. Balvin pintou novamente o público de amarelo ao fazer uma parceria com Pedro Sampaio e Mellody, trazendo os dois para o palco com a performance de “Jetski”. O colombiano esquentou a multidão com suas músicas de sucesso e suas artes visuais, que foram destaque nos novos leds do palco Mundo. Misturando o Brasil com a Colômbia, J. Balvin fez remixes de “Bum Bum Tam Tam”, “Downtown” e “Bola Rebola”. Suas músicas como “Safari”, “Amarillo” e “In da Getto” em ritmo de reggaeton foram a única apresentação latino-americana que não foi brasileira, no palco principal do Rock in Rio. 

O palco Sunset contou com a apresentação dos Gilsons. O grupo, que leva para o palco membros da família Gil, convidou para sua apresentação Olodum e Daniela Mercury e trouxe para o evento a representação da música baiana, do axé e do samba-reggae. 

Com músicas e batidas contagiantes, a apresentação dos Gilsons e convidados animou o público, que dançava e cantava junto com os artistas. No final da apresentação, Daniela Mercury transformou o palco em uma roda de samba, e levantou uma bandeira da Estação Primeira de Mangueira, em homenagem ao samba carioca. Além da representação do samba, a cantora trouxe provocações sobre a atual situação da política brasileira; um cavalo preto distribuía dinheiro para o público, em alusão à origem dos fundos do filme “Dark Horse” e estão sendo investigados pela ligação com Daniel Vorcaro, do Banco Master. O longa conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro e seu filho e atual candidado à presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, teve áudios vazados em que pedia verba a Vorcaro.

  

Palco de festival iluminado ao anoitecer, com feixes de luz apontando para o céu e montanhas em silhueta ao fundo.
Pôr do sol visto do palco Sunset durante apresentação dos Gilsons e convidados. Foto: Elisa Rabaço/Agemt

Também representando a música brasileira, João Gomes e a Orquestra Brasileira, grupo criado especialmente para essa apresentação, transformaram o Sunset em um desfile da cultura nordestina. Reunindo diversas representações do carnaval brasileiro, o pernambucano trouxe para o palco estandartes, O Homem da Meia-Noite, o Boi da Macuca, um grupo de pernas de pau, e bonecos de Olinda de João, Chico Science e Gonzagão. Encantando o público, o brasileiro cantou músicas como “Lembrei de Nós” com a participação de Mestrinho, que também se apresentou no palco Global Village, no mesmo dia de festival. Sucessos como “Mete um Block Nele” e “Filho do Dono” também fizeram parte do espetáculo encantador protagonizado por João Gomes.

No palco Supernova, o destaque foi de Milo J, cantor argentino que trouxe para o público a memória indígena de seu país. Apesar da apresentação em um palco menor do Rock in Rio, Milo J reuniu espectadores ansiosos para seu show. Em seu álbum “La Vida Era Más Corta”, o argentino mistura rap com músicas folclóricas, clássicos latino-americanos e até música popular brasileira. 

De volta ao principal palco do festival, com um dos shows mais esperados da noite, Demi Lovato balançou o público com músicas de seu novo álbum “It’s Not That Deep”, iniciando sua apresentação com três novos hits. Apesar da nova “era”, a cantora não deixou de lado antigos sucessos que marcaram uma geração de fãs: “Heart Attack”, “Sorry Not Sorry” e “Give Your Heart a Break” fizeram parte do show e levaram o público ao delírio. “Cool for the Summer”, música de Demi Lovato que destaca a representatividade queer, contou com a participação de Pabllo Vittar, que cantou ao lado da estadunidense. Com esse feat, Demi Lovato encerrou seu show de sucessos globais, contando com grande participação do público. 

No fim da noite, no palco Mundo, a banda Maroon 5 deu início ao seu espetáculo com “This Love” e “Stereo Hearts”. Esbanjando presença de palco e carisma, o vocalista Adam Levine interagiu com o público carioca e entregou uma série de músicas marcantes. “Memories”, “Payphone” e “Moves Like Jagger” movimentaram o público que esperava pelo show do grupo. Mesmo com presença recorrente em festivais no Brasil, Maroon 5 reuniu cerca de 100 mil pessoas no Rock in Rio, finalizando a noite no palco principal do festival com uma apresentação clássica e bem planejada. 

Com o encerramento da noite no Palco Mundo, o DJ Alok acendeu as luzes da Cidade do Rock no New Dance Order, palco eletrônico do festival. Em seu show “Alok & Family Pres. Rave the World”, Alok, ao lado de seus pais — os DJ’s Ekanta Jake e Swarup —, transformaram o evento em uma rave. Com uma proposta diferente do espetáculo pirotécnico apresentado no dia anterior no festival, o DJ usou o New Dance Order como forma de reconexão com a música eletrônica e a nova geração. 

Formação de drones cria o desenho de um rosto no céu noturno durante um festival iluminado por lasers e luzes de palco.
Apresentação de drones no show do Alok no dia 11. Foto: Elisa Rabaço/Agemt

Domingo

No domingo, o Rock in Rio fechou sua edição de 2026 com uma programação marcada pela diversidade musical e pela presença de grandes nomes nacionais e internacionais. A chuva acompanhou parte das apresentações na Cidade do Rock, mas isso não impediu o público de aproveitar muito os shows de artistas como Halsey, Marina Sena, Zara Larsson e Twenty One Pilots. 

Ivete Sangalo abriu o Palco Mundo e levou ao festival um repertório com influência de ritmos latinos, além de sucessos que marcaram sua carreira como “Festa”, “Sorte Grande” e “Tempo de Alegria”. A apresentação marcou sua 20° participação no festival, incluindo também edições realizadas fora do Brasil. Apesar da chuva, Ivete conseguiu manter o público animado durante todo o show. 

Marina Sena e Céu foram destaque no Palco Sunset. A apresentação aconteceu à noite e combinou músicas e elementos teatrais com elementos de terror, que chamaram a atenção do público. Apesar da dificuldade de circulação na área, ocasionada pela chuva, os fãs aproveitaram o show. 

Palco de festival iluminado em azul durante a noite, com telões laterais exibindo o show e público reunido à frente.
Efeitos especiais e homem mascarado em pernas de pau no show de Marina sena e Céu. Foto: Elisa Rabaço/Agemt

Halsey também foi destaque no Palco Mundo. A cantora fez sua estreia a noite, com um show performático com músicas como “Nightmare”, “Bad at Love” e “Without Me”. A sueca Zara Larsson encerrou o Palco Sunset com os sucessos de sua carreira “Lush Life”, “Never Forget You”, “Ain’t My Fault” e “Midnight Sun”, com uma estética colorida, sua marca registrada. Ela também se apresentou com uma banda formada exclusivamente por mulheres e apesar da chuva e do público reduzido, Zara manteve a energia do espetáculo.  

Enquanto isso, os outros palcos do festival mantiveram a programação. O Espaço Favela contou com apresentações de Marvvila, Suel e Dennis. No Supernova se apresentaram Ar Baby, Bruna Black, Sant e Lourena e por fim, o New Dance Order recebeu Illusione, Roddy Lima e John Summit, nomes da música eletrônica. 

Twenty One Pilots zerou a programação do Palco Mundo de madrugada. A apresentação teve muita interação com o público e muita chuva. A banda ainda convidou um fã ao palco durante a música “Ride”, uma das mais famosas. 

A despedida do festival foi no Pavilhão Itaú, onde É o Tchan realizou uma apresentação surpresa com Beto Jamaica, Compadre Washington e Sheila Mello. O Rock in Rio 2026 reuniu mais de 700 mil pessoas e já confirmou seu retorno para 2028.

 

 

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Filmes e curtas produzidos em 1976 são exibidos de forma gratuita e provocam nostalgia em suas sessões
por
Anna Paula Silveira
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17/09/2026 - 12h

Começou na quarta-feira, dia 9 de setembro, a mostra 1976 - 50 anos depois, realizada pela Cinemateca Brasileira, a qual reuniu clássicos do cinema nacional e internacional, além de curtas, para exibição. As sessões acontecem até o dia 20 no local.

A mostra teve sua primeira edição em 2022 , idealizada pelo cineasta Paulo Sacramento em parceria com a Difusão de Filmes da Cinemateca Brasileira. Esta edição contém filmes recém-digitalizados, além de clássicos do cinema. A sessão de abertura foi marcada pelo terror “Carrie, a Estranha”, e os amantes do cinema nacional puderam aproveitar a exibição de Dona Flor e Seus Dois Maridos, que contou com cenas extras e um curta de bastidores da obra.

Entre outros destaques, estão os filmes “Império dos Sentidos”, “Cria Cuervos”, “Taxi Driver”, “Jonas que Terá Vinte e Cinco Anos no Ano 2000” e “King Kong”. Já entre os filmes nacionais, a programação inclui títulos como “Aleluia Gretchen”, “Inferno Carnal” e “Xica da Silva”.

O evento destaca narrativas com o protagonismo feminino e grupos marginalizados, permitindo ao público analisar de forma crítica os valores do passado,dentre muitos que ainda podem ser observados até os dias de hoje.

Posters de “Carrie,a Estranha” e “A Profecia”- Foto: Anna Paula Silveira
Posters de “Carrie,a Estranha” e “A Profecia”- Foto: Anna Paula Silveira

Na tarde da sexta - feira, uma sessão de curtas destacou narrativas emblemáticas do país sob novos ângulos. O primeiro foi “Rua São Bento, 405” que conta a história do Edifício Martinelli, primeiro arranha-céu de São Paulo, e como eram as  vidas de seus moradores, e dos comerciantes ali estabelecidos.

Outro curta exibido na sessão foi  “A mulher no cangaço”, que trouxe depoimentos de ex-integrantes do cangaço. Este documentário ilustra o sofrimento, abandono e busca por liberdade enfrentados pelas cangaceiras do sertão nordestino.

A Cinemateca está aberta todos os dias, das 8 às 18h. Localizada na Rua Largo Senador Raul Cardoso 207, na Vila Mariana, a instituição oferece ingressos gratuitos para todas as sessões.

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A mostra apresenta diferentes fases do artista catalão com pinturas, esculturas, gravuras, tapeçarias e fotografias, incluindo obras inéditas no Brasil.
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Thais Oliveira
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16/09/2026 - 12h

São Paulo recebe uma das maiores exposições dedicadas a Joan Miró (1893–1983) realizadas no país nos últimos anos. Em cartaz no Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Alvares Penteado (MAB FAAP), em Higienópolis, Miró: Mestre das Formas reúne 140 obras originais do artista catalão e apresenta ao público diferentes momentos de uma trajetória marcada pela experimentação e criação de uma linguagem visual própria. A exposição permanece em cartaz até 12 de outubro.

Distribuída por aproximadamente 1.200 metros quadrados, a mostra reúne pinturas, esculturas, gravuras, tapeçarias, fotografias e filmes. Entre as obras selecionadas estão peças inéditas no Brasil. O conjunto reúne trabalhos provenientes de três museus, 14 coleções particulares europeias e da família de Miró. 

Exposição Miró, em São Paulo (Foto: Thais Oliveira) 
Exposição Miró, em São Paulo (Foto: Thais Oliveira) 

 

Com curadoria do espanhol Jordi J. Clavero, a exposição é organizada em cinco núcleos temáticos. Em vez de seguir apenas uma classificação cronológica, o percurso procura apresentar diferentes aspectos da produção de Miró e as transformações de sua linguagem ao longo de mais de seis décadas de carreira. A proposta permite observar como o artista passou por diferentes referências e técnicas sem se limitar às escolas artísticas do período.

Exposição Miró, em São Paulo (Foto: Thais Oliveira) 
Exposição Miró, em São Paulo (Foto: Thais Oliveira) 

Nascido em Barcelona, em 1893, Miró desenvolveu uma linguagem artística marcada por  elementos como estrelas, pássaros, figuras humanas, linhas e formas orgânicas. Sua obra esteve próxima de movimentos da arte moderna, especialmente do surrealismo, mas sua produção não se restringiu a uma única corrente. Ao longo de sua carreira, o artista explorou diferentes materiais e maneiras de representar o mundo, aproximando imaginação, sonho e realidade.

Essa liberdade aparece também na forma como as obras são apresentadas na exposição. Ao lado das pinturas e gravuras, o público encontra esculturas e tapeçarias que ampliam a compreensão sobre o processo criativo do artista. Fotografias e filmes ajudam a contextualizar sua trajetória e permitem observar aspectos da produção para além das obras finalizadas.

Miró: Mestre das Formas convida o público a conhecer a maneira particular como o artista compreendia a criação. Em suas obras, figuras e objetos reconhecíveis são transformados em símbolos, linhas e manchas de cor, abrindo espaço para diferentes interpretações. O resultado é uma linguagem visual marcada pela liberdade de formas e pela capacidade de provocar novas leituras, mesmo quando se distancia da representação tradicional. 

Para o visitante, a exposição funciona ainda como uma oportunidade de perceber a variedade da produção do artista. A reunião de diferentes técnicas evidencia que sua pesquisa não estava restrita à pintura: gravura, escultura, tapeçaria, fotografia e outras formas de expressão fizeram parte de seu percurso artístico.

Serviço

Exposição: Miró: Mestre das Formas
Local: Museu de Arte Brasileira da FAAP (MAB FAAP)
Endereço: Rua Alagoas, 903, Higienópolis, São Paulo
Período: até 12 de outubro de 2026
Horário: das 9h às 20h
Classificação: livre
Ingressos: de R$ 50 a R$ 60 (inteira) e de R$ 25 a R$ 30 (meia-entrada), conforme o dia da visita. 

A mostra ocupa cerca de 1.200 m² e tem duração média de visita de aproximadamente uma hora. O espaço é acessível para pessoas com mobilidade reduzida e conta com recursos de audiodescrição.

 

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O museu expõe imagens e relatos sensíveis de figuras femininas da região central de São Paulo
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Anna Sofia Carsughi
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16/09/2026 - 12h

O Museu de Imagem e Som inaugurou na quarta-feira (2), uma nova exposição com curadoria de Inês Castilho, Marcelo Colaiácovo e William Plotnik. A mostra exibe 141 fotos restauradas e digitalizadas pelo Cine Limite em parceria com o Bar Soberano da Rua do Triunfo, espaço que foi o point dos artistas da Boca do Lixo. Registradas pelo cineasta Wagner Carvalho durante as filmagens do documentário “Mulheres da Boca” (1981), surge com a proposta de celebrar os 45 anos do lançamento do curta, a partir da visibilidade de um grupo que, durante décadas, ficou à margem da sociedade. Com direção de Cida Aidar e Inês Castilho, o curta-metragem reúne imagens e relatos de como era viver nesse espaço de forte concentração cultural, e de como foi pertencer como mulher nesse meio. 

A trajetória de Inês Castilho com assuntos de pouca notoriedade pela mídia começou desde cedo. Ainda na faculdade, a roteirista integrou um coletivo de mulheres que escreviam para o jornal “Nós Mulheres”. A imprensa alternativa, vítima de forte censura pela ditadura militar, teve o seu fim de maneira precoce. Referência no cinema feminista brasileiro, Inês encontrou no documentário “Mulheres da boca” uma forma de dar espaço à essas figuras femininas, através da memória urbana da região.

Trecho da exposição no MIS "Mulheres da Boca"
Trecho da exposição “Mulheres da Boca”/Foto: Anna Sofia Carsughi

 

     

       A boca do lixo como espaço de liberdade artística

No meio da sala expositiva, o telespectador se depara com um sofá e uma televisão, que transmite repetidamente o documentário “Mulheres da Boca”. O curta-metragem é ambientado durante o ápice da região Boca do Lixo, espaço que recebeu esse nome da imprensa sensacionalista dos anos 70. O lugar, de ampla concentração de prostituição, criminalidade e vulnerabilidade social, foi palco de grandes produções cinematográficas que definiram o cenário cultural da vida paulistana. A boca do lixo, em São Paulo, foi assim um dos principais polos do cinema independente brasileiro, marcados principalmente pelo Cinema Marginal e pelas Pornochanchadas. 

Com produções que buscavam um retrato fiel de camadas pouco visibilizadas, foi capaz de expor uma realidade sucateada. O cinema independente desse contexto, como no documentário "Mulheres da Boca", focou em mostrar a vida marginalizada dessas trabalhadoras do sexo, que por muito tempo foram apagadas da historia do país. A coletânea de imagens deixa claro o caráter de marginalização dessa região, que atualmente passa por uma deterioração e concentra boa parte da Cracolândia da capital. Cida e Inês, ao se apoiarem na "Boca do Lixo" como espaço de criação artística, deram voz às mulheres silenciadas dessa região no Brasil. A mostra segue até o dia 18 de Outubro, com entradas de terça à domingo gratuitas.

 

 

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Na faixa “Serena Joy”, inspirada no “Conto da Aia”, a cantora explora opressão política e feminismo
por
Jeórgia Sophia
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16/09/2026 - 12h

A cantora norte americana Olivia Rodrigo lançou, no fim de agosto, a música “Serena Joy”. A faixa é inspirada na personagem do “O Conto da Aia”, um romance de Margaret Atwood. A cantora trata de temas em relação à opressão política e as consequências que se tem de apoiar movimentos que limitam seus próprios direitos e liberdades.

Na trama, mostra um mundo distópico onde os Estados Unidos, que se tornou República de Gilead, passou por uma revolução teocrática, mantendo uma nova ordem social onde as pessoas são divididas em “castas” e perderam liberdade e direitos básicos. Todos são obrigados a seguir seu papel na sociedade em prol de um mundo melhor. As mulheres perderam seus direitos fundamentais, inclusive controle sobre o próprio corpo. 

Antes do regime, Serena era uma forte ativista religiosa, lutava para que as mulheres voltassem aos valores e papéis familiares “tradicionais”. Entretanto, com a revolução, passou também a atingi-la, perdendo seus direitos, sendo impedida de ler, escrever, e se manifestar.

Olivia Rodrigo divulga nova música. Foto: Reprodução/Instagram @oliviarodrigo
Olivia Rodrigo divulga nova música. Foto: Reprodução/Instagram @oliviarodrigo

Ela passa a experimentar as consequências desse sistema que ajudou a construir, e que não abre exceções mesmo as mulheres que o apoiam. Se tornou amarga e infeliz, presa em casa o dia todo na espera do marido. Metáforas como “Se fazem isso com elas, vão fazer com você” são utilizadas ao decorrer da música. 

Em entrevista, Erich Mafra, jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e pós-graduando em Literatura, Artes e Filosofia, explica que a relevância da personagem está justamente na reflexão sobre a participação da sociedade na ascensão dos regimes autoritários. “Ela representa muito como o autoritarismo chega ao poder não só pela força, pela violência ou pelo discurso, mas também pela conivência das pessoas que apoiam determinado sistema”, afirmou

Na letra, Serena Joy funciona como uma espécie de narradora, usada para provocar a reflexão de não aceitar sistemas autoritários ou prejudiciais ao bem-estar social, exige se colocar no lugar do outro. Segundo o Mafra, essa urgência explica por que o livro segue tão atual, enquanto há 40 ou 50 anos nomes como Angela Davis lutavam para conquistar espaço para o debate feminista, hoje esse espaço está em risco. Para ele, Olivia Rodrigo estaria justamente alertando sobre isso. Torna-se necessário sair de um lugar privilegiado e refletir sobre o que se pode perder daqui para frente.

Para o jornalista, unir literatura e música não é novidade na atualidade. Os artistas sempre se inspiraram em livros e filmes, e essas referências também mostram o que a geração consome. Ele cita o The Cure, que tem uma música baseada em O Estrangeiro, de Camus, como exemplo desse tipo de diálogo que aproxima o público de obras mais difíceis de acessar, algo especialmente relevante num país com baixos índices de leitura como o Brasil.

Em junho desse ano, a cantora anunciou seu próprio festival de música “Daisy Chain Fields”. O lucro da venda dos ingressos foi destinada a organizações dedicadas a defesa dos direitos das mulheres. Nas suas redes sociais anunciou a doação de US$ 10 milhões (R$ 52 milhões). “Espero que o Daisy Chain possa ser uma celebração de amor e da determinação que essas mulheres estão colocando para fazer deste mundo um lugar melhor” disse Olivia em discurso após anunciar o valor doado. Além do festival, a cantora lançou o single “Serena Joy” como faixa bônus do seu novo álbum “You seem pretty sad for a girl so in love”, também colaborando com parte do lucro ao fundo beneficente

 

 
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