The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.
Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.
Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.
Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.
Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.
O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.
Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.
Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando.
Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.
Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.
A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".
A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.
O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.
O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes
A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.
O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes
A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana.
Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria.
Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
Babyface
Bad Bunny
Bob Dylan
Brian & Eddie Holland
Bruce Springsteen
Carole King
Diane Warren
Dolly Parton
Fiona Apple
Jay-Z
Jimmy Jam & Terry Lewis
Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally
Kendrick Lamar
Lana Del Rey
Lionel Richie
Lucinda Williams
Mariah Carey
Missy Elliott
Nile Rodgers
Outkast
Paul Simon
Romeo Santos
Smokey Robinson
Stephin Merritt
Stevie Wonder
Taylor Swift
The-Dream
Valerie Simpson
Willie Nelson
Young Thug
Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.
Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.
A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a escrever.
O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.
Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado.
Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento. A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.
Um dia após o dia mundial do grafite, nasceu um novo espaço cultural no centro de São Paulo. No dia 28 de março, o NUCLE1 abriu suas portas para o público com a exposição “Ato Inaugural – A Nova Órbita”, uma mostra colaborativa com diversos artistas. Durante todo o mês de abril, todos os andares do edifício serão ocupados por obras de artistas de múltiplas linguagens.
O prédio, de 8 andares e 1500 m², nasceu de uma vocação colaborativa inspirada em referências históricas como a Bauhaus e o The Factory, de Andy Warhol. O projeto surgiu a partir da ideia do artista e placemaker Marcos Vinicius de Paula, conhecido como Enivo, e do advogado e corretor imobiliário Domingos Almeida de Miranda. Juntos, transformaram um imóvel vazio em um espaço de criação e exposição de artes. Como declara Enivo, “Ano passado, eu estava viajando na Europa, realizando exposições. Aí o seu Domingos, me ligou e me mostrou um vídeo da entrada de um prédio. Quando chegar eu vejo. Não estava pensando nisso que se tornou hoje. Estava tranquilo com meu ateliê. Mas fui ver. E, quando cheguei, fiquei impressionado com o espaço. Ele queria que fosse usado para cultura desde que comprou o prédio, toda vez que entrava, pensava em mim. Pensava em arte” Após a inauguração, o centro cultural passou a ser chamado de Edifício Domingos, em reconhecimento a quem possibilitou a iniciativa.
O prédio, que ficou desativado por seis anos, passou por uma série de reformas feitas de maneira independente, com a ajuda de pessoas próximas ao artista, que relata, “Peguei o prédio em dezembro do ano passado. Fiquei um mês elaborando, com alguns amigos, o que iríamos fazer. Em janeiro, começamos a fase da limpeza e reforma, foram dois meses só de arrumação.” Ele ainda explica que o processo foi um ritual de reconhecimento entre as pessoas e o espaço, que, após três meses de trabalho árduo, já estava apto a receber visitantes, um verdadeiro “milagre”, como define Enivo.
Hoje, o Centro Cultural Integrado reúne mais de 300 obras de diversos artistas, incluindo quadros, fotografias, esculturas, gravuras, grafites e instalações, entre outras linguagens. Segundo o placemaker, a existência do local é significativa, já que há poucos centros dedicados à arte urbana no centro de São Paulo. “É importante porque vira um polo cultural, onde todas as zonas vão se conectar. Na inauguração, por exemplo, vieram mais de 3 mil pessoas, gente da Bielorrússia, da Alemanha, dos Estados Unidos. Foi algo acima da nossa expectativa. Agora, recebemos centenas de pessoas por dia”, afirma.
Um mês após a inauguração, a plataforma cultural tem desenvolvido projetos como cursos de artes urbanas, aquarela e escultura, além de atividades ligadas às artes do corpo, como dança, circo e moda, e visitas monitoradas pelo edifício. Atualmente, as atividades são pagas. “Nós mantemos um gigante, é um alto custo. Então, precisamos que as atividades gerem receita para continuarmos existindo. Mas pretendemos torná-las gratuitas no futuro, por meio de parcerias e incentivos públicos”, afirma Enivo.
Ainda em processo de consolidação, o espaço carrega não apenas a ambição de se tornar um polo cultural, mas também o peso do esforço coletivo que o tornou possível. Se a proposta é inaugurar uma nova órbita para a arte urbana, ela também passa por transformações pessoais. Vinicius vê no projeto uma realização que vai além do sucesso individual. “É mais importante do que vender quadros ou viajar o mundo. É uma conquista coletiva, construída com muito trabalho. Quando eu era criança, já imaginava algo assim”, afirma.
O artista também destaca a responsabilidade de manter o espaço ativo e acessível a outros criadores. “Eu pensava em quantos artistas não tinham ateliê, não tinham onde produzir. De certa forma, esse lugar nasceu desse pensamento”, diz. Diante do resultado, a dimensão do projeto ainda o surpreende: “Tem dias em que eu me pego emocionado, até chorando, vendo o espaço cheio, com crianças desenhando. Parece até algo criado por inteligência artificial, mas é uma realidade que a gente imaginou e conseguiu construir”.
A mudança dos meios de difusão de áudio — do físico para bytes — promove uma nova interação entre o consumidor e o produtor, moldada pelo digital e suas variáveis. Com isso, o ouvinte perdeu o hábito de se envolver profundamente com o som, embora tal transformação democratize o acesso à música ao torná-la mais acessível.
Renato Epstein, membro do grupo de percussão corporal Barbatuques conta, “Ouvir um disco, pegar o encarte e acompanhar as letras era um momento sempre especial, de parar tudo para ouvir música”. O músico e produtor conta que, através das gerações, essa conexão mudou por conta do consumo em massa, que descreve como “frenético”. Assim, se torna comum não escutar faixas até o fim e não se debruçar no contexto musical das obras.
Tal processo altera a produção, “músicas simples vendem mais”, afirma Renato. “Pouco contraponto. Pouca inovação, pouca experimentação. Esses elementos fazem com que o público não tenha que prestar atenção nos elementos musicais”.
A volatilidade que é introduzida nessa relação também é alarmante. Indira Castillo, cantora solo e vocal da banda Malvada indica “músicas que passam de quatro minutos comprovadamente já não funcionam tão bem nas plataformas de streaming”. Um cenário se forma: o artista se vê tendo que se reduzir a padrões que, para Indira, são um resultado do uso e consumo das redes sociais.
Pesquisa Consumer Pulse da Bain & Company, de 2025, revela que os brasileiros dedicam diariamente em média três horas para redes sociais, rolando o feed e sendo bombardeado por diversas informações por minuto. Essa prática impacta na percepção do conteúdo. O veículo “O Antagonista” aponta que o estímulo constante das redes leva o cérebro a perder a noção de saciedade, sempre buscando o próximo conteúdo.
Tal modus operandi leva o ouvinte a não se conectar como antes com a música. A escuta se torna volátil e secundária. Logo, a “experiência mágica” dos meios táteis, como Indira descreve mencionando cartas à mão nos encartes e cheiro de tutti-frutti em discos, se perde em meio a digitalização.
As novas engrenagens também possibilitam o acesso. Renato reitera que com as novas tecnologias a cena se expande. “Surge a produção independente. Selos passam a produzir revistas com custo reduzido, o acesso ao mercado fotográfico digital explode.”
Castillo discute o papel ocupado pelo vinil hoje, um resgate que, embora promova o contato íntimo e o cuidado quanto à música, tem seus problemas. “É importante trazer isso de uma forma mais acessível para podermos valorizar mais. Esse processo tem que acessível”.