A relação da geração atual com o mundo passa, inevitavelmente, pelas telas. Celulares, redes sociais e plataformas de vídeo moldam não apenas a forma de comunicação, mas também a percepção da realidade. “O teatro é o presente, é o agora, é o sentimento”, afirma Marcello Drummond, diretor do Teatro Oficina, em entrevista à AGEMT. A fala sintetiza uma das principais diferenças entre o teatro e as mídias digitais: enquanto a internet permite o acesso ilimitado e instantâneo a conteúdos, o teatro exige presença, tempo e entrega. Isso torna-se ainda mais evidente quando se observa o impacto físico da cena.
“Quando você vê um ator na tua frente […] é uma coisa viva”, diz Drummond. Ao contrário da imagem mediada por uma tela, o corpo em cena carrega falhas, respiração, improviso, entregam elementos que tornam cada apresentação única. É essa imprevisibilidade que intensifica a experiência do espectador. Ao mesmo tempo, o ambiente digital tem produzido uma mudança significativa nos hábitos culturais. “As pessoas têm pouco contato com o que não é vídeo”, aponta o diretor. A predominância do audiovisual transforma a forma como a arte é consumida, muitas vezes reduzindo a experiência a fragmentos rápidos e descartáveis.

Ainda assim, o impacto da tecnologia não é apenas negativo. “O digital […] está fazendo com que os teatros fiquem mais cheios”, observa Drummond, conversando com AGEMT dentro do espaço do Teatro Oficina. O fenômeno revela um paradoxo: quanto mais imersas no virtual, mais as pessoas parecem buscar experiências concretas. A saturação de estímulos, característica do cotidiano online, gera uma espécie de cansaço que encontra no teatro um espaço de pausa e intensidade.
Esse movimento ajuda a explicar por que o teatro provoca um efeito tão marcante na geração atual. “A gente tem contato com tela […] mas o vivo toca muito”, resume o diretor. O impacto não está apenas no conteúdo da peça, mas na experiência sensorial completa: o silêncio da plateia, a proximidade com os atores, a impossibilidade de pausar ou voltar a cena. Historicamente, o teatro sempre se construiu a partir dessa relação direta. Encenações como “O Rei da Vela”, marco do Teatro Oficina, ou montagens contemporâneas que rompem a divisão entre palco e plateia, evidenciam a potência do encontro ao vivo. Ao eliminar a chamada “quarta parede”, essas obras convidam o espectador a participar ativamente, transformando-o em parte da cena.
Nesse contexto, o teatro também reafirma seu caráter político. “O fato de estar em cena já é um ato político”, diz Drummond. Em um ambiente digital marcado pela circulação massiva de discursos, muitas vezes superficiais ou polarizados, o teatro oferece um espaço de reflexão mais profunda, onde o tempo e a presença permitem a elaboração crítica. Por outro lado, a própria internet carrega contradições. “Tem coisas muito boas […] e coisas muito ruins que se espalharam”, reconhece o diretor. Se por um lado ela democratiza o acesso à informação e à arte, por outro amplia a circulação de desinformação e discursos problemáticos. Nesse cenário, o teatro se destaca como um espaço de construção coletiva e diálogo direto. A diferença fundamental está na experiência. Enquanto o digital tende à repetição e à reprodução infinita, o teatro se ancora no instante. Cada sessão é única, irrepetível. É nesse sentido que o impacto se intensifica: o espectador não apenas assiste no automático mas vivencia, estimulando análise crítica e sensação.
Em um mundo em que o contato com o real se torna cada vez mais mediado, o teatro reafirma a importância do corpo, do encontro e da presença. Mais do que sobreviver à era digital, ele parece ganhar novo sentido dentro dela. Um espaço onde o humano, finalmente, deixa de ser apenas imagem e volta a ser experiência.
A disciplina e controle diante de uma audiência no genêro da comédia conhecida como stand-up não é muito diferente da sala de aula, uma vez que ambos contam com um profissional na frente de um público cujo interesse precisa ser conquistado durante seu discurso e interações em tempo real. Evelyn Mayer, pedagoga doutoranda em Estudos da Linguagem e atualmente comediante profissional de destaque nas redes sociais por sua atuação no stand-up, conta como suas habilidades como professora puderam ser reaproveitadas no palco.
“A licenciatura colaborou enormemente para que eu pudesse ter o domínio do palco, porque o desafio de um show, assim como o da sala de aula, é conseguir a atenção dos presentes para falar de um assunto que tenha relevância”, diz ela. Acrescenta: “A sala de aula me deu o timing e o manejo necessários para conseguir ser uma humorista que prende a atenção da plateia”, diz Mayer.
O stand-up exige do humorista o domínio das habilidades mencionadas pela profissional, pois ao contrário, podem ter uma reação indesejada de sua plateia. Tal como um professor, que tem a tarefa de conseguir manter o foco de seus estudantes e garantir que tenham entendido sua mensagem, mas em ambos os casos podem ser recebidos pelo silêncio, ou provocadores que interrompem o orador e seu objetivo de manter a atenção do público engajados em sua fala.
Outro exemplo das habilidades educacionais da comediante a serem usadas no palco seria a utilização de técnicas didáticas como a repetição, a analogia ou a síntese para garantir que críticas sociais profundas sejam compreendidas e aceitas pelo público. “O stand-up também se vale dessas técnicas para atingir o humor”, afirma Mayer.

Quando questionada sobre as diferenças entre a sala de aula e a plateia, Mayer ressalta que "lidar com essa transição é natural, porque não há uma ruptura: essa também sou eu. É natural como ser mãe e filha ao mesmo tempo, por exemplo”. “Sou menos conhecida academicamente falando que enquanto comediante. Mas as pessoas conseguem separar bastante as personas”, frisa Mayer. A humorista também admite que o gerenciamento de interrupções e comportamentos difíceis em ambientes como a sala de aula com certeza lhe ajudaram, ao deixá-la mais preparada em lidar com pessoas na audiência que interrompem sua fala e atrapalham a o ritmo do show. "Mas há comediantes que nunca foram professores e têm mais manejo que eu com isso. Então ter sido professora não é um fator determinante, mas certamente ajuda", explica.
Assim, por mais que muitos possam não notar, o carisma e controle de Evelyn Mayer tem sob a audiência não se moldou apenas pela experiência que obteve testando o que funciona ou não durante anos no rumo da comédia, como também por sua trajetória na área da pedagogia e o tempo que passou com sua plateia anterior: a sala de aula.
Após quatro anos de hiato, BTS marcou seu retorno a indústria musical, em 2026, com o lançamento do álbum “ARIRANG”, primeiro álbum do grupo após todos os integrantes cumprirem o serviço militar obrigatório da Coreia do Sul, o projeto representa a retomada dos “idols” para os holofotes e um reposicionamento mundial do conjunto. Contando com 14 melodias, o álbum rapidamente atingiu destaque nas plataformas digitais e mobilizou o “ARMY”, maior fã-clube do K-pop, conhecido pelo engajamento massivo.
“A gente estava muito ansioso para essa volta deles. Nós não sabíamos se eles iam voltar” disse Vitoria Maria dona da página de fã “nossohope” que conta com mais de 99 mil seguidores. Publicações oficiais e conteúdos promocionais circulam intensamente ampliando o alcance das músicas e reforçando a relação simbólica que o grupo cultivou com os fãs. O retorno do BTS destaca a força da indústria sul-coreana e a capacidade da boy-band de transformar lançamentos musicais em eventos globais.
Após 24 horas “ARIRANG” se tornou o álbum mais reproduzido da história do K-pop em novo recorde para indústria. Em um tempo extremamente curto o álbum concentrou milhões de reproduções, impulsionando o público pela expectativa acumulada ao longo dos anos de hiato.
Acima os sete membros do BTS na capa do álbum ARIRANG (divulgação/ Weverse)
Junto do álbum foi anunciada uma turnê mundial que passará por cerca de 40 países com 79 shows espalhados pelo globo todo, incluindo o Brasil, “Para mim, no Brasil, é muito difícil, a gente tinha que ter mais show. Só três, não adianta, não”, diz Vitória Maria Santana dos Santos, que pretende vir do interior baiano até São Paulo, onde acontecerá o show. Mais do que um número impressionante, esse recorde mostra como o jeito que o público consome as músicas mudou, hoje em dia, os fãs costumam preferir músicas que causam impacto de imediato, BTS acompanha essa lógica, e a redefine transformando cada estreia em impacto mundial.
A repercussão do álbum foi imediato e preparou o terreno para um dos eventos mais aguardados do ano: o show “BTS THE COMBACK LIVE", transmitido ao vivo pela Netflix diretamente da praça Gwanghwamun, na capital da coreia, Seul na manhã do dia 21 de março de 2026. A apresentação durou uma hora e marcou o reencontro oficial dos sete integrantes com o público após o hiato, e alcançou globalmente cerca de 18,4 milhões de telespectadores, consolidando-o como um dos maiores eventos musicais já exibidos em streaming, tendo mais visualizações que o Grammy Awards, Oscar e Globo de Ouro.
Disponível em mais de 190 países, o espetáculo rapidamente entrou para o Top 10 da plataforma. Também nas redes sociais alcançou números altos, sendo o assunto mais comentado do “X” antigo Twitter por cerca de dois dias. No palco, o grupo escolheu mesclar as faixas novas com algumas músicas que foram importantes para a trajetória de suas carreiras, criando uma narrativa que conversa com diferentes fases da boy-band. Grandes veículos como o "The Hollywood Reporter” descreveu como “álbum mais experimental do BTS até hoje”.
O nome “ARIRANG” é uma demonstração da intenção dos membros de se conectar com suas raízes, visto que o título do álbum é uma palavra em coreano sem tradução exata, com significado de saudade e resistência. O álbum também conta com trechos de músicas tradicionais e folclóricas coreanas, que ganham destaque ao longo do disco. Os críticos também destacam que a coletânea está indo contra o movimento de americanização do K-pop, como a revista VEJA que afirma que “o grupo consolida seu papel como representantes do orgulho sul-coreano”.
Além da transmissão do show ao vivo, a Netflix também lançou o documentário “BTS: The Return”, que confidencia o processo criativo do álbum para os fãs os aproximando dos seus ídolos. A expectativa dos fãs para o futuro do grupo é grande, mas a apreensão também, visto que o futuro da boy-band para alguns ainda é incerto. "Oh meu Deus será que vai ser o último? Será que vai ter mais?, pergunta Vitória.
Na segunda-feira (30), o segundo volume da trilogia biográfica de Lula chegou às livrarias com direito a sessão de autógrafos na Livraria da Travessa do Shopping Iguatemi, em São Paulo (SP). Publicado pela Companhia das Letras, o livro escrito por Fernando Morais abrange, com detalhes inéditos, o período de 1982 a 2002, cobrindo a redemocratização, as Diretas Já, o Plano Real até chegar à primeira vitória presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula.

Divulgação/Companhia das Letras
Na obra, que conta com mais de 300 páginas, Morais reafirma o lado negociador do presidente. Segundo o autor, em entrevista para o UOL, Lula é alguém "capaz de distribuir patadas e depois abraçar, soprar e morder ao mesmo tempo". O livro aborda as derrotas do presidente, a reorganização do Partido dos Trabalhadores, o impeachment de Collor, a experiência formativa das Caravanas da Cidadania e diversas informações dos bastidores destes e de outros acontecimentos marcantes da política brasileira.

O evento que teve início às 19h, reuniu figuras importantes da esquerda brasileira como Luiza Erundina, Eduardo Suplicy, Juliano Medeiros, José Dirceu, Luna Zarattini, José Genoino e Nabil Bonduki. Com fila que se estendeu para fora da livraria, Morais recebia calorosamente cada um de seus leitores, contando histórias e revendo velhos amigos.

SOBRE O AUTOR

Divulgação/Companhia das Letras
Nascido em 1946, o mineiro Fernando Morais é jornalista e escritor. Ao longo da carreira, trabalhou no Jornal da Tarde, na revista Veja e em outras publicações da imprensa brasileira. Foi quatro vezes vencedor do Prêmio Abril de Jornalismo e três vezes do Prêmio Esso. Autor de livros como “Olga”, “Os últimos soldados da Guerra Fria” e "Corações sujos", Morais também atuou na política, como deputado e secretário da Cultura e da Educação do Estado de São Paulo.
O segundo dia do Lollapalooza Brasil 2026, no último sábado (21), reuniu mais de 85 mil pessoas no Autódromo de Interlagos e foi marcado pelas apresentações dos headliners Chappell Roan, Skrillex e Lewis Capaldi - que agitaram o público com performances intensas e emocionantes. O festival reuniu nomes do pop, indie e eletrônico em seus palcos marcados pela energia e pela forte conexão com a multidão.

Desde a abertura dos portões até o início da tarde, os fãs de Chappell Roan já marcavam presença na multidão, criando um mar de pessoas vestidas em tons de rosas e com maquiagens elaboradas. Dona de sucessos como ‘Pink Pony Club’, a cantora agitou o público trazendo pela primeira vez sua turnê “Vision of Damsels & Other Dangerous Things” para solo brasileiro.
Chappell também interagiu com o público, dizendo ter visto o show de Lady Gaga na Praia de Copacabana, em maio do ano passado, alegando que, após isso, também quis vir para o Brasil. O show da cantora norte-americana chamou atenção pela forte presença de palco e estética camp, com forte influência da cultura drag e da referência pop retrô.
A artista entregou uma performance envolvente, com figurinos elaborados e interação constante com o público, que acompanhou em coro seus principais sucessos. Chappell Roan então, deixa marcado na história do Lolla, um show repleto de polêmicas, músicas dançantes e uma plateia animada com seu espetáculo.

No entanto, a passagem da cantora pelo Brasil também foi marcada por uma polêmica nas redes sociais, envolvendo sua interação com a enteada de Jorginho, jogador do time de futebol brasileiro Clube de Regatas do Flamengo e também filha do ator Jude Law. O episódio começou após o jogador relatar, em seu perfil do Instagram, uma situação envolvendo sua família em um hotel na véspera do festival.
Segundo ele, a esposa e a filha foram abordadas por um segurança da equipe de Chappell Roan, o que gerou sua insatisfação e rapidamente circulou entre fãs e páginas de entretenimento, provocando interpretações divergentes sobre a atitude da artista.
Enquanto parte do público saiu em defesa de Chappell Roan, destacando o tom descontraído da situação, outros internautas criticaram o ocorrido, apontando falta de sensibilidade com seus fãs. A repercussão ganhou força ao longo do dia do festival, ampliando o debate nas redes sociais e evidenciando como momentos fora do palco também influenciam a imagem pública do artista.

Diferente de Chappell Roan, que apresentou músicas agitadas e acaloradas, Lewis Capaldi trouxe para os palcos do Lolla, seu vocal mais angelical e seu repertório vasto de músicas românticas e delicadas. Com seu hit ‘Someone you loved’, o cantor emocionou o público e fez com que todos o acompanhasse na letra da música, formando um lindo coro coletivo.
O momento ganhou ainda mais relevância diante do histórico de saúde do cantor, Lewis passou pelo tratamento para sua síndrome de Tourette, que fez com que ele interrompesse sua agenda de shows por um período indeterminado. Após o afastamento para a recuperação, sua volta aos palcos representou um novo início guiado pelo respeito e consideração aos limites de seu próprio corpo, fazendo com que todos se lembrem de que a saúde vem em primeiro lugar.
Sonny John Moore, mais conhecido como Skrillex, também marcou presença no palco do Lollapalooza. O artista já pode se considerar veterano do festival, já que ele é o DJ que mais se apresentou no Lolla, mas de qualquer forma, ele segue surpreendendo o público. Skrillex é dono de um som marcante e barulhento, que faz qualquer público tremer com suas batidas, e não foi diferente no segundo dia do festival.

Skrillex pode ser considerado ideal para festivais desse nível, já que ele é capaz de animar qualquer público. Iluminando a noite de sábado com lasers e iluminações diferentes e brilhantes, o show foi carregado de funk, fazendo com que o público se envolvesse ainda mais em sua performance. O DJ norte-americano focou em animar a galera, utilizando o microfone raramente, apenas para um “obrigado” ao encerrar o show.
Com uma programação diversa e momentos que foram do impacto visual à emoção, o segundo dia de Lollapalooza Brasil 2026 consolidou a força do festival ao reunir grandes nomes da música e um público engajado. Entre performances marcantes e repercussões além dos palcos, o sábado reforçou o papel do evento como um dos principais espaços de encontro entre diferentes estilos, gerações e experiências no cenário musical atual.











