Com debates sobre mudanças climáticas cada vez mais presentes, evento reúne produções ligadas a questões socioambientais
por
Kimberlly Ferreira Costa Ramos
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29/05/2026 - 12h

A Mostra Ecofalante de Cinema 2026 começou nesta quinta-feira (28), em São Paulo, e exibirá mais de 100 filmes sobre temas relacionados à justiça social e às mudanças climáticas.

Considerado um dos maiores eventos do audiovisual sul-americano, o festival oferece uma programação totalmente gratuita, com exibição de longas de 27 países diferentes, em espaços como o Centro Cultural de São Paulo e salas da Reserva Cultural.

O cronograma inclui sessões de obras como “O Silêncio da Terra” (The Silence of the Earth), com direção de Frank Gutiérrez e abordagem que investiga o assassinato brutal de três ativistas ambientais que se opuseram a grandes corporações multinacionais e seus interesses.

“Tempo de Embebedar Cavalos” (Zamani baray-e masti-e asbha), também será um dos filmes reproduzidos ao longo da Mostra e exibe a realidade de cinco irmãos que enfrentam a dureza da sobrevivência em condições extremas na fronteira entre Irã e Iraque. Sob direção de Bahman Ghobadi, o filme revela uma infância atravessada pela urgência e pelos limites impostos por um território em tensão. 

Arte de divulgação da 15ª Mostra Ecofalante de Cinema (Foto: Associação Brasileira de Cinematografia)
Arte de divulgação da 15ª Mostra Ecofalante de Cinema (Foto: Associação Brasileira de Cinematografia)

A produtora paulista Zita Carvalhosa (1960-2025), que fundou e dirigiu o Festival Internacional de Curtas-Metragens em São Paulo (o Kinoforum), é a homenageada desta edição do festival. Seis de suas produções com temáticas socioambientais serão exibidas, como “Carvão” e “O Cineasta da Selva”. 

Além disso, outros 51 filmes brasileiros serão reproduzidos na Mostra Ecofalante deste ano: 31 deles integrando a temática “Territórios e Memória”, com títulos como “Amazônia Oktoberfesta” e “A Fabulosa Máquina do Tempo”.

As outras 20 produções brasileiras foram selecionadas através do Concurso Curta Ecofalante, que abriu inscrições no começo do ano para que estudantes (do ensino médio, superior, técnico ou de cursos livres de cinema) concorressem a oportunidades de exibir suas produções. Os filmes abordam temas alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) propostos pela ONU, como questões étnico-raciais, desigualdade social, ativismo, mobilidade, direitos LGBTQIAPN+, entre outros. 

A programação vai até o dia 10 de junho. Confira mais detalhes no site oficial da Mostra Ecofalante de Cinema.

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A feira reuniu o público para acompanhar as novidades do mundo dos games.
por
Thomas P. Fernandez
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27/05/2026 - 12h

Entre os dias 29 de abril e 3 de maio, São Paulo recebeu a Gamescom LATAM, uma das maiores feiras de jogos da América Latina. Realizado no Distrito Anhembi, o evento reuniu milhares de fãs, criadores de conteúdo, desenvolvedores e profissionais da indústria em uma das maiores celebrações do setor já realizadas no Brasil. 

Durante os cinco dias de evento, o público teve acesso à diversas atividades nos estandes dos desenvolvedores, como testes de jogos inéditos, painéis com convidados internacionais e nacionais, sorteios, competições ao vivo.

A S-Game, desenvolvedora de jogos digitais, reuniu o público para o “Phantom Blade Zero”, um dos jogos mais aguardados do ano, o público aguarda o lançamento do jogo desde o seu anúncio em 2023, com gráficos polidos e jogabilidade polida. Além do jogo, a apresentação de dança do leão chinês, com performers circulando pelo estande e interagindo com o público, criou um momento visual marcante e reforçou a identidade cultural do jogo

A Nintendo também marcou presença com seu tradicional apelo ao público, com estações com demos dos seus jogos principais no Nintendo Switch 2, como Donkey Kong Bananza, Mario Kart World, Pokémon Pokopia, Mario Tennis Fever entre outros.

A NVIDIA apresentou tecnologias e soluções gráficas, destacando o avanço técnico da indústria. Com foco em experiências gráficas com alto desempenho, destacando tecnologias de Inteligência Artificial (IA) e a capacidade gráfica da série RTX de placa de vídeo. 

Mais do que uma feira de entretenimento, a Gamescom LATAM se tornou um espaço de troca cultural, tecnologia e criatividade, aproximando jogadores, criadores de conteúdo e profissionais da indústria.

Gabinete de videogame retrô aberto ao público
Gabinete de videogame retrô aberto ao público - Foto: Thomas Fernandez/Agemt
Estande da Seara na Gamescom
Estande da Seara na Gamescom - Foto: Thomas Fernandez/Agemt
 Entrada do estande do Phantom Blade Zero
Entrada do estande do Phantom Blade Zero - Foto: Thomas Fernandez/Agemt
Réplica da espada do jogo Phantom Blade Zero
Réplica da espada do jogo Phantom Blade Zero - Foto: Thomas Fernandez/Agemt
 Público jogando a demo do Phantom Blade Zero
Público jogando a demo do Phantom Blade Zero - Foto: Thomas Fernandez/Agemt
 Réplica do dragão leão no estande de Phantom Blade Zero
Réplica do dragão leão no estande de Phantom Blade Zero - Foto: Thomas Fernandez/Agemt
Público jogando Just Dance 2026 no estande da Nintendo
Público jogando Just Dance 2026 no estande da Nintendo - Foto: Thomas Fernandez/Agemt
 Estátua do Mefisto do jogo Diablo IV no estande da Nvidia
Estátua do Mefisto do jogo Diablo IV no estande da Nvidia - Foto: Thomas Fernandez/Agemt

 

Alta demanda, instabilidade em plataformas e ação de cambistas transformam a compra de ingressos em uma experiência frustrante para milhares de fãs brasileiros
por
Larissa Bandeira
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21/05/2026 - 12h

 

A venda de ingressos para grandes shows no Brasil deixou de ser apenas uma etapa antes do espetáculo e passou a ser, para muitos fãs, uma verdadeira batalha virtual. Filas online intermináveis, sites instáveis e preços abusivos na revenda fazem parte da experiência de consumidores que tentam garantir presença em apresentações de artistas no país.

Nos últimos anos, o crescimento do número de turnês internacionais no Brasil também trouxe à tona problemas recorrentes enfrentados pelo público. Plataformas de venda frequentemente não suportam o alto volume de acessos simultâneos, enquanto consumidores relatam falta de transparência, dificuldades no reembolso e insegurança durante as compras. Alta demanda, instabilidade nas plataformas e a ação de cambistas digitais transformaram o processo em uma experiência frustrante para milhares de brasileiros.

O Procon-SP recebe constantemente reclamações relacionadas à comercialização de ingressos para shows e grandes eventos. Entre as principais demandas estão problemas com reembolso, publicidade enganosa, cobranças indevidas e falhas na prestação do serviço. De acordo com dados do órgão, somente em 2024 foram registradas 3.080 reclamações envolvendo as dez principais plataformas de compra do país. Em 2025, o número subiu para 3.328, evidenciando que a situação não melhorou.

Além do atendimento ao consumidor, o Procon-SP afirma atuar em diferentes frentes, como fiscalizações presenciais em grandes eventos, reuniões com empresas organizadoras e aplicação de multas em casos de descumprimento da legislação. O órgão também reforça que as plataformas têm responsabilidade de garantir um ambiente seguro e funcional para as vendas.

“Problemas pontuais devem ser resolvidos pela empresa de forma a não atrapalhar o fluxo das vendas, de acordo com o que foi prometido nas ofertas e publicidades feitas pela própria empresa”, informa a assessoria de imprensa do órgão.

Do ponto de vista jurídico, o consumidor tem mais respaldo do que imagina. A advogada Jaqueline Teodoro explica que a venda de ingressos online é considerada prestação de serviço pelo Código de Defesa do Consumidor: "isso garante ao consumidor o direito de receber informações claras sobre preço, taxas, datas e condições da compra. Além disso, por se tratar de uma compra feita fora do estabelecimento físico, o consumidor pode desistir da compra em até sete dias e receber o valor integral de volta, incluindo taxas."

A estudante e fã, Lorena Horácio já passou por situações semelhantes diversas vezes. Ela relata dificuldades durante a compra de ingressos para apresentações do grupo sul-coreano BTS e do cantor Harry Styles. “Na maioria das vezes, a plataforma pela qual as vendas acontecem acaba não suportando a alta demanda de pessoas ao mesmo tempo, deixando o site instável, causando erros e até a queda da página”, afirma.

Sala de espera virtual da Ticketmaster durante a venda de ingressos para o show de Harry Styles. Foto: Reprodução/arquivo pessoal
Sala de espera virtual da plataforma Ticketmaster durante a venda de ingressos para o show do cantor Harry Styles. Foto: Reprodução/arquivo pessoal

Segundo Lorena, os problemas começaram ainda nas filas virtuais. “Não temos noção de qual posição estamos, já que só temos acesso à quantidade de pessoas presentes na fila”, explica. Ela também critica as taxas cobradas pelas plataformas. “Somos informados de que uma porcentagem a mais é cobrada para a manutenção do sistema e, mesmo assim, ainda enfrentamos instabilidade.”

Apesar das dificuldades, Lorena conseguiu adquirir ingressos para os shows do BTS em São Paulo, embora não nos setores desejados. Para ela, o maior prejuízo não foi financeiro, mas emocional. “Gerou muita ansiedade e medo de não conseguir.”, desabafa.

Outro problema apontado pelos consumidores é o cambismo digital. Segundo Jaqueline, o CDC (Código de Defesa do Consumidor) considera abusiva a cobrança de preço excessivo, o que pode enquadrar a prática do cambismo. No entanto, para shows e eventos culturais não existe crime específico previsto em lei, o que dificulta a punição e gera apenas infrações cíveis. 

Lorena acredita que a revenda abusiva prejudica diretamente os fãs. “Isso favorece apenas os cambistas. Muitas pessoas acabam comprando por valores altos no desespero de não conseguir ir ao show.”

Quanto ao reembolso, Jaqueline esclarece que a plataforma é obrigada a devolver o valor integral,  incluindo taxas, em três situações: quando o consumidor exerce o direito de arrependimento em até sete dias da compra online, quando há cancelamento ou alteração relevante do evento, como mudança de data, horário ou local, e quando o ingresso apresente algum problema, como não funcionar ou ser fraudado. 

As principais plataformas de venda de ingressos foram procuradas para comentar, mas não retornaram até o fechamento desta reportagem.  

Para evitar problemas, o Procon-SP recomenda que consumidores utilizem apenas canais oficiais de venda, verifiquem informações como CNPJ e formas de atendimento das empresas, e desconfie de ofertas muito vantajosas divulgadas em redes sociais. Mas, para quem já viveu a experiência, as orientações chegam tarde. Lorena resume bem o sentimento de milhares de fãs: "Me preparei por dias e, no fim, não dependia de mim." 

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Perfis de Instagram com milhões de seguidores levantam debates sobre responsabilidade e intenção
por
Gabriel Thomé
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21/05/2026 - 12h

As páginas de fofoca em redes sociais servem como meios rápidos para obter informações. Com conteúdos que vão do dia a dia de celebridades a acontecimentos diários, esses perfis acumulam milhões de seguidores e alto engajamento. Na era digital, essas páginas geram debates sobre o poder para moldar a opinião da sociedade. Críticos argumentam que a intenção não está no compartilhamento de informações, mas sim em polemizar e engajar em cima de assuntos sérios.

Perfis como “Alfinetei” e “Choquei”, aparecem entre os 50 mais seguidos de todo o Brasil. Com mais de 25 milhões de seguidores, esses perfis superam famosos como William Bonner e Claudia Leitte. A Choquei entrou para o Top 3 mundial de perfis que mais propaga notícias falsas no X (antigo Twitter). Esse levantamento é feito a partir dos dados das Community Notes (Notas da Comunidade) da plataforma, em que os usuários colaboram para contextualizar posts enganosos.

Ranking de notas da comunidade (Community Notes Leaderboard), em que a Choquei aparece em terceiro. Reprodução Instagram/ @danuzioneto
Ranking de notas da comunidade (Community Notes Leaderboard), em que a Choquei aparece em terceiro. Reprodução Instagram/ @danuzioneto

O caso mais conhecido de fake news envolvendo a Choquei foi com a jovem Jéssica Canedo, que se suicidou no final de 2023 após uma postagem falsa da página. A publicação em questão dizia que a garota estava enviando mensagens amorosas para o humorista Whindersson Nunes. Mesmo o fato tendo sido negado tanto pelo artista, quanto por Jéssica, a página não apagou a postagem e dias depois a jovem se suicidou. 

O caso mostra a responsabilidade que esses perfis têm ao realizar uma publicação que será vista por milhares de pessoas. Com base nisso, em entrevista, Andréia Matos, dona da página de fofoca rainhamatos, com mais de 2.4 milhões de seguidores, reforça o cuidado que se deve ter ao publicar uma notícia: “Nós temos diretrizes internas e trabalhamos seguindo esses critérios. Então, checamos os fatos, as fontes e vamos atrás da vítima quando o caso ainda está aberto. A responsabilidade é muito grande, pois se publicarmos uma informação errada, podemos prejudicar a vida de alguém”. Para exemplificar, Matos cita um caso de 2018 com a cantora Marília Mendonça. No início de sua trajetória, ela descobriu com exclusividade a gravidez da cantora e publicou em seu Instagram. Tempos depois, Matos encontrou Marília e descobriu que havia tirado o direito da cantora de anunciar a gravidez para a própria mãe, que havia descoberto a gestação da filha pela imprensa. “Ética nós vamos construindo, há 8 anos eu não sabia que poderia magoar alguém, então tomei a decisão de não postar mais famosas que ficam grávidas. Eu precisei errar para aprender”, afirmou.

Usando a página rainhamatos como exemplo, em um dia as postagens podem chegar até 100 mil curtidas. No último domingo (17), o perfil publicou um depoimento do vereador Lucas Pavanato (PL-SP) e em menos de 24 horas a publicação rendeu 25 mil comentários e mais de 115 mil curtidas.

Publicação sobre Lucas Pavanato que alançou mais de 100 mil curtidas em um dia. Reprodução Instagram/ @rainhamatos
Publicação sobre Lucas Pavanato que alançou mais de 100 mil curtidas em um dia. Reprodução Instagram/ @rainhamatos

Nesse contexto, Matos comenta sobre o “poder” que páginas como a sua possuem: “ Ao rolar o feed do Instagram você vê diversas páginas como a minha e pode acabar sendo impactado por alguma notícia. Nesse exemplo do Pavanato, meu alto engajamento pode ajudar a conscientizar a sociedade sobre um político que defende opiniões como as dele. Eu tento dar voz às pautas que considero necessárias, sempre com muita responsabilidade”. 

 Por outro lado, o advogado digital Ricardo Fuga, traz um ponto de vista jurídico sobre o alto engajamento das páginas de Instagram. Sobre a regularização destas, Fuga apresenta o PL 2630/2020, conhecido como PL das Fake News, que buscava mais transparência e responsabilidade das plataformas, mas não foi aprovado. O advogado também afirma que uma regulação é necessária: “A dinâmica atual das plataformas digitais não envolve apenas liberdade de expressão individual, mas também estruturas privadas altamente concentradas, capazes de influenciar comportamento social, consumo de informação e circulação de discurso em escala massiva”. 

Sobre as páginas de fofoca como meio rápido de circulação de informação, o advogado argumenta: “Elas se tornaram atores relevantes no ecossistema informacional contemporâneo. Muitas possuem audiência comparável a de veículos tradicionais de comunicação e exercem forte influência na formação de opinião pública”. Além disso, Fuga aponta a velocidade como principal desafio jurídico: “Informações falsas podem alcançar milhões de pessoas em poucos minutos, enquanto os mecanismos tradicionais de responsabilização judicial operam em ritmo muito mais lento”. Ele também reforça que alguns perfis pecam em padrões editoriais claros, não adotando protocolos de verificação e responsabilidade historicamente associados ao jornalismo profissional.

 

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Os jogos apresentados são diversos e trabalham inúmeros temas
por
Lucca Cantarim dos Santos
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20/05/2026 - 12h

 

    A Gamescom Latam, maior evento de games da América Latina aconteceu em São Paulo dos dias 30 de Abril a 3 de Maio, e trouxe diversas novidades do mundo dos jogos eletrônicos. Entre elas, e assim como nos anos anteriores, uma área dedicada para desenvolvedores independentes exibirem seus trabalhos.

    O evento contou com vários jogos, espalhados em diversos estandes pelo espaço do Distrito Anhembi, como o estande do projeto Sampa Games, iniciativa do governo que oferece aporte financeiro para esses jogadores.

 

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Desenvolvedores expõem suas criações em área dedicada na Gamescom Latam                            Foto: Lucca Cantarim/AGEMT

    A feira também conta com uma área dedicada onde os desenvolvedores montam suas mesas e expõem seu produto, conversando diretamente com os visitantes, explicando sobre seus projetos. Entre os diversos jogos apresentados, alguns destaques foram: “My Girlfriend is a VAMP”, jogo narrativo focado em empatia de autoria da “TinyTank Studios” e [AFANTASIA], jogo de exploração desenvolvido por Leon Stevans.

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Leon Stevans, desenvolvedor do jogo [AFANTASIA]                                                     Foto: Lucca Cantarim/AGEMT

 

    Para os desenvolvedores, a oportunidade de serem vistos nesses eventos é essencial para a divulgação de seus projetos. Segundo Leon, que trabalha sozinho no [AFANTASIA], em entrevista para a AGEMT: “esses eventos ajudam bastante a criar contatos relevantes, estar mais inserido na indústria, melhorar as relações de trabalho e aprimorar a visão artística e profissional.” no entanto, também é importante não depender unicamente deles.

    Para Juliana Dutra e Matheus Lacerda, da TinyTank, o evento é uma vitrine, mas os melhores resultados dependem de como você vai aproveitar essa chance, Juliana afirma: “tudo depende de como você vai se posicionar. Você pode ter um espaço minúsculo encostado em um lugar mal sinalizado, mas conseguir captar jogadores através de um bom papo, uma imagem chamativa e criatividade. Ou pode ter um estande gigante, realizar uma ação de milhões em orçamento e desagradar o público por não conseguir se conectar com ele.”

    Além disso, como afirma Matheus, entrar no evento não é tão simples, e exige um processo rigoroso, longo, concorrido e caro, e que muitas vezes sai completamente do bolso dos desenvolvedores, que muitas vezes já precisam investir uma quantia alta na produção do próprio jogo. 

    No entanto, apesar de ter certo foco em valorizar produções independentes, é importante manter o olhar também em feiras menores. Para Juliana, essas feiras costumam oferecer mais conexão com estúdios e pessoas que estejam no mesmo ponto que você, ela afirma: “O público de uma BGS ou da Gamescom dificilmente vai ao evento para jogar indie hoje em dia. Mas você pode acabar furando a bolha por estar lá.“. Os desenvolvedores percebem que a feira tem mudado um pouco seu caráter em relação às primeiras edições, em que a atenção dada para os jogos independentes era muito maior. 

    Leon reforça essa ideia: “Ainda acho que dá pra melhorar bastante a prioridade e relação do evento para com os jogos independentes. Certamente há alguns problemas que não foram resolvidos, como a redução de vagas para os programas, auxílio de custo pequeno e falta de visibilidade e divulgação dos jogos independentes, enquanto as grandes empresas ganham consideravelmente mais atenção.”

    Oportunidades oferecidas por esses eventos são essenciais, e ajudam esses desenvolvedores a atingirem espaços e a mostrarem o potencial e valor de suas obras, principalmente em um cenário em que, como defende Juliana, o nacional não é visto com tanto valor, e além disso, é caro de se produzir.

    No entanto, os desenvolvedores seguem dedicados e motivados em finalizar seus projetos. Ambos os jogos já estão disponíveis para lista de desejo em plataformas digitais, como a Steam, e têm perspectiva de lançamento para o final de 2026 e início de 2027. No caso do “My Girlfriend is a VAMP”, uma demo jogável já está disponível.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
por
Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

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Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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O Centro integrado de Artes marca o surgimento de um novo campo gravitacional para a arte contemporânea
por
Lucas Farias Oliveira
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04/05/2026 - 12h

Um dia após o dia mundial do grafite, nasceu um novo espaço cultural no centro de São Paulo. No dia 28 de março, o NUCLE1 abriu suas portas para o público com a exposição “Ato Inaugural – A Nova Órbita”, uma mostra colaborativa com diversos artistas. Durante todo o mês de abril, todos os andares do edifício serão ocupados por obras de artistas de múltiplas linguagens.

Área residencial com diversos prédios. Entre eles, o NUcle1, novo Centro Cultural de arte urbana
Novo Centro Integrado de Arte Urbana de São Paulo no bairro da Aclimação (Foto/Reprodução:Instagram @nucle.1)

O prédio, de 8 andares e 1500 m², nasceu de uma vocação colaborativa inspirada em referências históricas como a Bauhaus e o The Factory, de Andy Warhol. O projeto surgiu a partir da ideia do artista e placemaker Marcos Vinicius de Paula, conhecido como Enivo, e do advogado e corretor imobiliário Domingos Almeida de Miranda. Juntos, transformaram um imóvel vazio em um espaço de criação e exposição de artes. Como declara Enivo, “Ano passado, eu estava viajando na Europa, realizando exposições. Aí o seu Domingos, me ligou e me mostrou um vídeo da entrada de um prédio. Quando chegar eu vejo. Não estava pensando nisso que se tornou hoje. Estava tranquilo com meu ateliê. Mas fui ver. E, quando cheguei, fiquei impressionado com o espaço. Ele queria que fosse usado para cultura desde que comprou o prédio, toda vez que entrava, pensava em mim. Pensava em arte” Após a inauguração, o centro cultural passou a ser chamado de Edifício Domingos, em reconhecimento a quem possibilitou a iniciativa.

O prédio, que ficou desativado por seis anos, passou por uma série de reformas feitas de maneira independente, com a ajuda de pessoas próximas ao artista, que relata, “Peguei o prédio em dezembro do ano passado. Fiquei um mês elaborando, com alguns amigos, o que iríamos fazer. Em janeiro, começamos a fase da limpeza e reforma, foram dois meses só de arrumação.” Ele ainda explica que o processo foi um ritual de reconhecimento entre as pessoas e o espaço, que, após três meses de trabalho árduo, já estava apto a receber visitantes, um verdadeiro “milagre”, como define Enivo.

Hoje, o Centro Cultural Integrado reúne mais de 300 obras de diversos artistas, incluindo quadros, fotografias, esculturas, gravuras, grafites e instalações, entre outras linguagens. Segundo o placemaker, a existência do local é significativa, já que há poucos centros dedicados à arte urbana no centro de São Paulo. “É importante porque vira um polo cultural, onde todas as zonas vão se conectar. Na inauguração, por exemplo, vieram mais de 3 mil pessoas, gente da Bielorrússia, da Alemanha, dos Estados Unidos. Foi algo acima da nossa expectativa. Agora, recebemos centenas de pessoas por dia”, afirma.

Homem observa com atenção obra de arte urbana
Homem observa grafite dentro do novo Centro de arte urbana de São Paulo (Foto por: Lucas Farias)

Um mês após a inauguração, a plataforma cultural tem desenvolvido projetos como cursos de artes urbanas, aquarela e escultura, além de atividades ligadas às artes do corpo, como dança, circo e moda, e visitas monitoradas pelo edifício. Atualmente, as atividades são pagas. “Nós mantemos um gigante, é um alto custo. Então, precisamos que as atividades gerem receita para continuarmos existindo. Mas pretendemos torná-las gratuitas no futuro, por meio de parcerias e incentivos públicos”, afirma Enivo.

Ainda em processo de consolidação, o espaço carrega não apenas a ambição de se tornar um polo cultural, mas também o peso do esforço coletivo que o tornou possível. Se a proposta é inaugurar uma nova órbita para a arte urbana, ela também passa por transformações pessoais. Vinicius vê no projeto uma realização que vai além do sucesso individual. “É mais importante do que vender quadros ou viajar o mundo. É uma conquista coletiva, construída com muito trabalho. Quando eu era criança, já imaginava algo assim”, afirma.

O artista também destaca a responsabilidade de manter o espaço ativo e acessível a outros criadores. “Eu pensava em quantos artistas não tinham ateliê, não tinham onde produzir. De certa forma, esse lugar nasceu desse pensamento”, diz. Diante do resultado, a dimensão do projeto ainda o surpreende: “Tem dias em que eu me pego emocionado, até chorando, vendo o espaço cheio, com crianças desenhando. Parece até algo criado por inteligência artificial, mas é uma realidade que a gente imaginou e conseguiu construir”.


 

 




 

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A digitalização acelera o consumo, transformando o que antes era uma escuta ativa e íntima em um novo processo
por
Manuela Abbate
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01/05/2026 - 12h
Ilustração de fones de ouvido em um fundo colorido
Ilustração feita por Manuela Abbate 

A mudança dos meios de difusão de áudio — do físico para bytes — promove uma nova interação entre o consumidor e o produtor, moldada pelo digital e suas variáveis. Com isso, o ouvinte perdeu o hábito de se envolver profundamente com o som, embora tal transformação democratize o acesso à música ao torná-la mais acessível.

Renato Epstein, membro do grupo de percussão corporal Barbatuques conta, “Ouvir um disco, pegar o encarte e acompanhar as letras era um momento sempre especial, de parar tudo para ouvir música”. O músico e produtor conta que, através das gerações, essa conexão mudou por conta do consumo em massa, que descreve como “frenético”. Assim, se torna comum não escutar faixas até o fim e não se debruçar no contexto musical das obras.

Tal processo altera a produção, “músicas simples vendem mais”, afirma Renato. “Pouco contraponto. Pouca inovação, pouca experimentação. Esses elementos fazem com que o público não tenha que prestar atenção nos elementos musicais”.

 A volatilidade que é introduzida nessa relação também é alarmante. Indira Castillo, cantora solo e vocal da banda Malvada indica “músicas que passam de quatro minutos comprovadamente já não funcionam tão bem nas plataformas de streaming”. Um cenário se forma: o artista se vê tendo que se reduzir a padrões que, para Indira, são um resultado do uso e consumo das redes sociais.

Pesquisa Consumer Pulse da Bain & Company, de 2025, revela que os brasileiros dedicam diariamente em média três horas para redes sociais, rolando o feed e sendo bombardeado por diversas informações por minuto. Essa prática impacta na percepção do conteúdo. O veículo “O Antagonista” aponta que o estímulo constante das redes leva o cérebro a perder a noção de saciedade, sempre buscando o próximo conteúdo.

Tal modus operandi leva o ouvinte a não se conectar como antes com a música. A escuta se torna volátil e secundária. Logo, a “experiência mágica” dos meios táteis, como Indira descreve mencionando cartas à mão nos encartes e cheiro de tutti-frutti em discos, se perde em meio a digitalização.

As novas engrenagens também possibilitam o acesso. Renato reitera que com as novas tecnologias a cena se expande. “Surge a produção independente. Selos passam a produzir revistas com custo reduzido, o acesso ao mercado fotográfico digital explode.”

Castillo discute o papel ocupado pelo vinil hoje, um resgate que, embora promova o contato íntimo e o cuidado quanto à música, tem seus problemas. “É importante trazer isso de uma forma mais acessível para podermos valorizar mais. Esse processo tem que acessível”.

 

 

 

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