Eventos variados, exposições, shows e festivais movimentam os espaços culturais da cidade
por
Victória da Silva
|
09/04/2026 - 12h

Após as águas de março fecharem o verão e o outono começar no país, o mês de abril chega com uma vasta programação cultural para os paulistas e visitantes da cidade curtirem. Confira aqui algumas atrações interessantes para visitar na capital paulista:

SP-Arte

A SP-Arte é a maior feira de arte e design do Brasil. O encontro promove conversas e lançamentos editoriais. Nesta edição, o evento promete ter uma exposição sobre árvores, abordar o mobiliário moderno, mostrar o retrato da cena atual do design brasileiro, além de prêmios para artistas e designers.

Quando: De 8 a 12 de abril.

Onde: Pavilhão da Bienal, Parque Ibirapuera.

Ingressos: Inteira - R$120,00 e Meia Entrada - R$60,00 (+ taxas de conveniência).

Noite das Livrarias

No dia Mundial do Livro, o evento celebra a literatura em várias livrarias espalhadas por São Paulo. A partir das 18h os interessados podem descobrir espaços novos, trocar experiências, fazer oficinas, participar de festas do pijama e ainda, conhecer outros amantes de livros.

Quando: 23 de abril.

Onde: Conferir livrarias participantes no site oficial do evento (https://noitedaslivrarias.com.br/livrarias

Ingressos: Entrada Gratuita.

Cine Minhocão

O festival de cinema ao ar livre no Elevado João Goulart conta com sessões competitivas de 21 curtas-metragens brasileiros e internacionais, com votação do público e premiação.

Quando: De 25 de abril a 3 de maio - Sessões às 18h e 19h.

Onde: Minhocão

Ingressos: Inteira - R$120,00 e Meia Entrada - R$60,00 (+ taxas de conveniência).

1
As obras refletem a pluralidade de linguagens que marcaram a arte brasileira na primeira metade do século XX. Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Exposições:

Anita e os Modernistas

Com curadoria de Renata Rocco, a exposição conta com um acervo de 23 obras de Anita Malfatti. A mostra retrata o Modernismo no Brasil e também reúne obras de outros artistas modernistas que participaram da Semana de Arte Moderna de 1922, como Di Cavalcanti, Bruno Giorgi, Paulo Rossi Osir, Ismael Nery, Regina Gomide Graz, Alfredo Volpi e Alberto da Veiga Guignard.

Quando: De 6 de abril até 31 de agosto.

Onde: Palácio dos Bandeirantes.

Ingressos: Entrada Gratuita.

Janis Joplin

A mostra trará mais de 300 itens da lendária cantora, compositora e multi-instrumentista norte-americana Janis Joplin, ícone do rock mundial. Dentre os destaques, estão diversas cartas e bilhetes escritos por Janis, fotos de apresentações, além de peças de roupa e adereços da artista.

Quando: A partir de 16 de abril.

Onde: Museu da Imagem e do Som.

Ingressos: Inteira - R$60,00 e Meia Entrada - R$30,00.

Nova Órbita - Nucle1

O centro integrado de artes de quatro andares e dois subsolos foi pensado para promover uma experiência em cada salão. Com exposições em variados espaços, intervenções e um cinema underground, a “Nova Órbita” propõe não apenas uma visita, mas sim uma imersão.

Quando: Até 28 de maio. Quarta à sexta - 12h às 20h. Sábado e domingo - 10h às 18h.

Onde: Nucleum - Rua Muniz de Souza, 809 - Aclimação.

Ingressos: Entrada gratuita.

2
Festival Wine&Jazz encanta com a mistura de música e gastronomia. Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Festivais:

Wine & Jazz Sessions

O festival de música ao ar livre reúne jazz, gastronomia e vinho em uma experiência diferenciada. Serão dois dias de shows de Jazz e Soul, área gastronômica com a participação de chefs e seus restaurantes, empório artesanal, além de vinícolas e importadoras de vinho consagradas.

Quando: 11 e 12 de abril. 

Onde: Parque Villa-Lobos.

Ingressos: Entrada gratuita. Para participar do Wine&Jazz nas alturas (na Roda Rico) os preços variam entre R$60,00 e R$120,00.

Gop Tun Festival 2026

O festival acontece em um final de semana inteiro e celebra a cidade de São Paulo unindo artistas da música eletrônica alternativa. Em sua 5ª edição, o público poderá prestigiar a line-up que conta com Jayda G, Optimo (Espacio), Mount Kimbie Dj, Yu Su, Chaos In The Cbd, Moxie, Omoloko, Brenda & Maria Manuela, Sherelle e Aerobica.

Quando: 11 e 12 de abril 

Programação diurna: 13h às 22h30

Programação noturna: 21h30 às 6h em espaço exclusivo.

Onde: Complexo do Pacaembu

Ingressos: Variam entre R$280,00 e R$550,00.

Shows:

Marina Sena - Coisas Naturais

A artista Marina Sena retorna à São Paulo com um novo capítulo da era "Coisas Naturais”, para um show atualizado e repaginado. Entre o setlist da apresentação, está a faixa "Carnaval" que atravessou a estação e se tornou um dos hits mais tocados de fevereiro.

Quando: 17 de abril.

Onde: Espaço Unimed.

Ingressos: A partir de R$130,00.

Jackson Wang - MAGICMAN 2 WORLD TOUR

Jackson Wang, que é integrante do grupo de kpop Got7, retorna para um show em São Paulo e outro show de estreia no Rio de Janeiro, promovendo a turnê “MAGICMAN 2 WORLD TOUR”. Os shows são aguardados pelos fãs que desejam apreciar pessoalmente o alter ego “Magic Man”, criado para expressar a versão mais autêntica do artista.

Quando: 23 de abril.

Onde: Suhai Music Hall.

Ingressos: Variam entre R$470,00 e R$980,00.

Tags:
Quanto mais mediado por telas se torna o cotidiano, mais o encontro com o real transforma o teatro em uma experiência intensa e necessária
por
Manoella Marinho
|
30/03/2026 - 12h

A relação da geração atual com o mundo passa, inevitavelmente, pelas telas. Celulares, redes sociais e plataformas de vídeo moldam não apenas a forma de comunicação, mas também a percepção da realidade. “O teatro é o presente, é o agora, é o sentimento”, afirma Marcello Drummond, diretor do Teatro Oficina, em entrevista à AGEMT. A fala sintetiza uma das principais diferenças entre o teatro e as mídias digitais: enquanto a internet permite o acesso ilimitado e instantâneo a conteúdos, o teatro exige presença, tempo e entrega. Isso torna-se ainda mais evidente quando se observa o impacto físico da cena.

“Quando você vê um ator na tua frente […] é uma coisa viva”, diz Drummond. Ao contrário da imagem mediada por uma tela, o corpo em cena carrega falhas, respiração, improviso, entregam elementos que tornam cada apresentação única. É essa imprevisibilidade que intensifica a experiência do espectador. Ao mesmo tempo, o ambiente digital tem produzido uma mudança significativa nos hábitos culturais. “As pessoas têm pouco contato com o que não é vídeo”, aponta o diretor. A predominância do audiovisual transforma a forma como a arte é consumida, muitas vezes reduzindo a experiência a fragmentos rápidos e descartáveis.

Créditos: Manoella Marinho Teatro Oficina

 

Ainda assim, o impacto da tecnologia não é apenas negativo. “O digital […] está fazendo com que os teatros fiquem mais cheios”, observa Drummond, conversando com AGEMT dentro do espaço do Teatro Oficina. O fenômeno revela um paradoxo: quanto mais imersas no virtual, mais as pessoas parecem buscar experiências concretas. A saturação de estímulos, característica do cotidiano online, gera uma espécie de cansaço que encontra no teatro um espaço de pausa e intensidade.

Esse movimento ajuda a explicar por que o teatro provoca um efeito tão marcante na geração atual. “A gente tem contato com tela […] mas o vivo toca muito”, resume o diretor. O impacto não está apenas no conteúdo da peça, mas na experiência sensorial completa: o silêncio da plateia, a proximidade com os atores, a impossibilidade de pausar ou voltar a cena. Historicamente, o teatro sempre se construiu a partir dessa relação direta. Encenações como “O Rei da Vela”, marco do Teatro Oficina, ou montagens contemporâneas que rompem a divisão entre palco e plateia, evidenciam a potência do encontro ao vivo. Ao eliminar a chamada “quarta parede”, essas obras convidam o espectador a participar ativamente, transformando-o em parte da cena.

Nesse contexto, o teatro também reafirma seu caráter político. “O fato de estar em cena já é um ato político”, diz Drummond. Em um ambiente digital marcado pela circulação massiva de discursos, muitas vezes superficiais ou polarizados, o teatro oferece um espaço de reflexão mais profunda, onde o tempo e a presença permitem a elaboração crítica. Por outro lado, a própria internet carrega contradições. “Tem coisas muito boas […] e coisas muito ruins que se espalharam”, reconhece o diretor. Se por um lado ela democratiza o acesso à informação e à arte, por outro amplia a circulação de desinformação e discursos problemáticos. Nesse cenário, o teatro se destaca como um espaço de construção coletiva e diálogo direto. A diferença fundamental está na experiência. Enquanto o digital tende à repetição e à reprodução infinita, o teatro se ancora no instante. Cada sessão é única, irrepetível. É nesse sentido que o impacto se intensifica: o espectador não apenas assiste no automático mas vivencia, estimulando análise crítica e sensação.

Em um mundo em que o contato com o real se torna cada vez mais mediado, o teatro reafirma a importância do corpo, do encontro e da presença. Mais do que sobreviver à era digital, ele parece ganhar novo sentido dentro dela. Um espaço onde o humano, finalmente, deixa de ser apenas imagem e volta a ser experiência.

 

Um em cada dez brasileiros conversam com chatbots como forma de tratamento para questões psicológicas
por
Joana Prando
Gabriel Giannini
|
30/03/2026 - 12h

 

No Brasil, uma em cada dez pessoas utilizam da Inteligência Artificial (IA) para fazer terapia, segundo a revista Superinteressante. Nos Estados Unidos, a situação é ainda mais assustadora. De acordo com uma matéria publicada pela jornalista Tamires Vitorio, pela revista Exame no dia 8 de agosto de 2025, aproximadamente 19% dos americanos, cerca de 49,2 milhões de adultos, utilizam ferramentas baseadas em IA como forma de terapia. O uso de inteligência artificial em conversas sobre sentimentos, ansiedade e solidão cresceu de forma exponencial nos últimos anos. A questão que fica é se a IA realmente é capaz de desvendar o sentimento humano. A psicóloga Bruna Santin Kalil, formada em psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e graduanda pela UFSCAR (Universidade Federal de São Carlos), nos ajuda  a entender os riscos dessa prática. 

Em entrevista à AGEMT, Kalil ressalta que “o uso das tecnologias é um caminho sem volta, principalmente desde a experiência coletiva da pandemia[...]. Eu acho que assim como outros avanços tecnológicos, eles não são em si bons ou ruins, tudo depende do modo como a gente faz uso deles. Uma prática estruturada, um guia, isso pode ser reforçador para a pessoa implementar de fato no dia a dia o que se é proposto pela terapeuta.”  

O Conselho Federal de Psicologia tem feito longas pesquisas sobre a IA, tendo publicado uma cartilha chamada "Chatbots, Inteligência Artificial e sua saúde mental", que nos ajuda a entender para quem essas ferramentas podem (ou não) ser úteis. De acordo com o artigo, os chatbots são comprovadamente inadequados e potencialmente perigosos, especificamente para pessoas que estão passando por crises e pensamentos de atentado contra a própria vida, por exemplo. Além de pessoas que sofrem de esquizofrenia, transtorno bipolar e entre tantos outros. O uso de tais ferramentas digitais para fins de diagnósticos psicológicos e de avaliação psicológica, pode gerar uma fragilidade e até agravamentos em determinados quadros de saúde, o que acaba adiando ou até impedindo a busca por tratamentos verdadeiramente adequados. 

créditos: imagem gerada por IA. Pessoa fazendo uso da terapia com IA

 

 

 

Uma das principais razões de tantos jovens recorrem ao uso da IA como forma de terapia se dá porque essas plataformas são gratuitas e dão repostas rápidas, normalmente aquelas "respostas que gostamos de ouvir" ao invés do que realmente necessitamos. 

Kalil nos ajuda a entender este avanço da IA como terapeuta: "é preciso no processo terapêutico também se trabalhar os limites, também preparar as pessoas para irem desenvolvendo essa autorregulação, essa autonomia" E acrescenta: "não podemos reforçar esse lugar de uma resposta que tem que ser imediata, que não se tenha a sustentação do silêncio, a elaboração, a integração dos insights", explica Kalil.

Uma pesquisa realizada pelo fantástico (G1), publicado em setembro de 2025, aborda os maiores riscos da prática desse tipo de tratamento e da falta de programação específica: Alessandra Santos de Almeida, presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP), afirma categoricamente que não existe evidência científica de psicoterapia realizada por IA, pois essas ferramentas não foram programadas para esse fim terapêutico. Os principais exemplos dos riscos dessas práticas são a incapacidade de diagnóstico. Diferente de um profissional humano, a IA não possui formação clínica, não consegue realizar diagnósticos precisos, não tem preparo para lidar com crises graves ou ideações suicidas.

Um dos principais riscos é a quebra de sigilo: no consultório, o sigilo é um dever ético legal. Na IA, os dados íntimos são armazenados pelas empresas desenvolvedoras e podem ser usados para outros fins, expondo a privacidade do usuário. Ainda sobre o estudo publicado pelo G1, a repórter Renata Ceribelli testou uma ferramenta de IA sob a supervisão do psicanalista e professor da USP, Christian Dunker. A IA demonstrou uma "empatia simulada" e ofereceu conselhos que geraram uma sensação de acolhimento. No entanto, Dunker alerta que essa sensação é enganosa, pois o robô apenas formula respostas automáticas que imitam a interação humana. 

O uso dos chatbots como forma de terapia, se usado da maneira correta e com o auxílio de um profissional pode sim servir como forma de ajuda para tratamentos psicológicos, mas jamais substituíram o "olho no olho", que só a interação humana é capaz de nos proporcionar. Existem diversos meios de conseguir ajuda para questões de saúde mental, o CVV (Centro de Valorização da Vida), oferece apoio emocional e prevenção ao suicídio de forma gratuita, 24 horas por dia, 7 dias por semana, pelo telefone ou chat discando 188, entre tantos outros existentes. Que a tecnologia nos forneça o auxílio para chegar mais longe, mas que nunca nos faça esquecer que a troca humana é o único remédio insubstituível.  

Tags:
Lei que proíbe uso de celulares entrou em vigor em janeiro de 2025, mas o uso iletrado de inteligência artificial expõe brechas na infraestrutura das escolas
por
Sophia Aquino
|
30/03/2026 - 12h

Há um ano, a proibição do uso de celulares nas escolas brasileiras entrou em vigor. A lei número 15.100/2025, gerou reações diversas de professores e alunos tanto favoráveis quanto contrárias. De um lado, quem defende que o aparelho era uma fonte constante de distração; do outro, quem questiona se banir o celular resolve de fato os problemas de aprendizado. Porém, a lei abre exceção para o uso pedagógico, o que leva a uma outra discussão em relação ao uso da Inteligência Artificial nas escolas.  

Em entrevista à AGEMT,  o estrategista britânico em digital learning, Matt Lovegrove,  discute que “as escolas precisam investir em inteligência artificial (IA). Se eles querem ajudar os alunos a terem o máximo de educação e investir em letramento de Inteligência Artificial, a melhor coisa é fornecer dispositivos one to one (modelo em que cada aluno tem acesso ao próprio  laptop ou tablet)", explica Matt. 

Matt Lovegrove. Fonte: Acervo de fotos pessoal
Matt Lovegrove. Fonte: Acervo de fotos pessoal 

Matt reconhece que nem todas as escolas têm condições de bancar isso. Para esses casos, ele sugere dispositivos compartilhados — e só em último recurso, o uso controlado do celular, restrito a momentos específicos da aula. "Se as escolas forem fazer isso, tem que ser muito cuidadosamente controlado", afirma. Para ele, o celular não deve vazar para os momentos sociais: recreio, almoço, intervalos. A sociabilidade cara a cara, diz ele, é parte essencial do que a escola oferece. No Reino Unido, onde atua, políticas de restrição de celulares coexistem com forte investimento em infraestrutura tecnológica escolar, permitindo que a proibição de dispositivos pessoais não signifique exclusão digital.

No Brasil, a realidade é diferente. Pesquisa do CETIC.br revela que 60% dos estudantes brasileiros já usam inteligência artificial fora da escola, principalmente para realizar tarefas e responder dúvidas. Dentro das escolas, porém, o cenário é de desigualdade: apenas 30,4% das instituições públicas tinham conexão de internet adequada em 2025, contra 54,3% das privadas. Enquanto estudantes de escolas particulares tem mais chances de ter acesso orientado à tecnologia, grande parte dos alunos da rede pública aprende a usar essas ferramentas sozinho, sem mediação de professores e sem nenhum critério pedagógico. 

Guilherme Cintra, diretor de Inovação e Tecnologia da Fundação Lemann, é uma das vozes mais ativas nesse debate. Para ele, o ponto de partida já ficou para trás. "A discussão já não é mais sobre aceitar ou não o uso dessas tecnologias, mas definir limites éticos e seguros para essa implementação", afirmou em artigo publicado pela Fundação Lemann. Cintra também explica o papel dos professores nesse processo de aprendizagem com a I.A em que destaca a capacidade de profissionais de criar uma troca entre os alunos.

"A nossa capacidade de criar e manter relações verdadeiras será o que nos distinguirá das máquinas" diz também Cintra em entrevista a CNN Brasil e acrescenta "Não podemos esperar que os professores assumam sozinhos a responsabilidade de toda essa mudança".

Tags:
Claudia Oliveira relatou formas de lidar com esse medo da tecnologia de substituição
por
Anna Sofia Carsughi
Olivia Ferreira
|
30/03/2026 - 12h

“A transformação é inevitável: algumas funções mais operacionais tendem a ser reduzidas, mas, ao mesmo tempo, surgem novas carreiras, mais estratégicas e analíticas". Em entrevista à AGEMT, Claudia Oliveira, que trabalha na eCOMEX,  contou, na última semana (24), os desafios ligados ao uso crescente da IA no âmbito do trabalho. A profissional, que está inserida em uma empresa de tecnologia para o comércio exterior, traz diariamente soluções inovadoras para gestão, automação e compliance- e busca, em sua logística, uma maneira de se adaptar às mudanças dessa nova tecnologia empresarialUm estudo feito pela Harvard Business Review em 2023, revelou que inteligências artificiais não substituem nenhum humano, mas os humanos com IA substituirão os humanos sem IA.

Esse artigo expõe que quanto mais as pessoas esperam que as empresas ofereçam experiências perfeitas desenvolvidas por IA, mais os líderes precisarão adotar essas tecnologias em seus negócios. Essas tecnologias cada vez mais estarão presentes no cotidiano de todos os seres humanos e  existirá também uma remodelação dos setores, processos, eficiências e diminuição dos erros humanos. Isso porque quem as adota tem a expectativa de impulsionar cada vez mais a produtividade e a inovação, transformando a dinâmica do mercado de trabalho. 

 

União humanos e IA
Reprodução/ Fia Inteligência Artificial 

 

A substituição dos empregos à medida que as inteligências assumem as tarefas repetitivas é algo discutido pelas grandes empresas, em que certamente existirá mudanças internas que exigirão adaptação das mudanças tecnológicas. A IA está presente não para substituir completamente a capacidade humana, mas sim para completá-la trazendo mais oportunidades de desenvolvimento profissional. "Isso não se trata de eliminação pura e simples, mas de uma migração de competências. O profissional que se adaptar terá oportunidades ainda maiores”, afirmou Claudia.

O crescimento no Brasil

A inserção da tecnologia no mercado de trabalho é um tema que cresce diariamente e não deve ser negligenciado. Discutir o caráter ambivalente das IAS permite uma forma de compreender os seus impactos no cotidiano e as possíveis maneiras para amenizar os seus prejuízos. Se por um lado essa novidade traz uma maior automatização do trabalho, com respostas eficientes às perguntas, por outro lado, substitui grande parte da mão de obra física empresarial. O que entra em discussão é um dilema entre facilidade x temor dentro do mercado de trabalho. 

 

Brasil e o uso da IA
Reprodução/ Lets Go Bahia

O crescimento exponencial das recentes tecnologias vêm surgindo com o desembarque dessa geração tecnológica que se preocupa com resultados rápidos e diversos, na qual as IAs generativas entregam isso de forma acessível e fácil. Para Cláudia, “o interesse das empresas brasileiras por Inteligência Artificial cresce porque ela proporciona ganhos reais de eficiência, escalabilidade e competitividade”.

Essa facilidade dentro do mercado de trabalho pode trazer benefícios como a praticidade e maior produtividade, mas também riscos, como a demissão de trabalhadores devido à automatização de serviços. Apesar disso, ela acredita que o Brasil deva investir em inteligências degenerativas, já que a adoção de tais já é uma realidade presente em grandes potências econômicas globais, tais quais China e Estados Unidos. "Ignorar esse movimento pode significar perda de espaço no mercado global”, relatou ela.

As novas tecnologias substituem determinados tipos de trabalhos, mas indivíduos e empresas que souberem utilizar a IA para ampliar a produtividade e diversificar os serviços ofertados certamente terão vantagens competitivas. Para que esse processo seja levado durante as novas gerações, é necessário que o sistema educacional se adapte para essa nova realidade formando e preparando profissionais qualificados. Para a profissional, não é possível frear o avanço da tecnologia, que cresce diariamente. A fórmula correta seria a da substituição, isso é, o profissional deve usar a seu favor a tecnologia, a partir de uma mudança de postura dentro do trabalho. 

“Funções repetitivas e de baixo valor tendem a perder espaço no mercado de trabalho, mas profissionais que souberem integrar a tecnologia ao seu dia a dia terão grande vantagem competitiva. O ponto central não é temer a IA, mas aprender a utilizá-la como ferramenta para ampliação de capacidades humanas”, diz ela.

Dessa forma, o jeito é aprender a lidar com essa tecnologia, ao desenvolver conhecimentos a seu respeito. Para Cláudia, a melhor forma é investir continuamente em atualização. “Quanto maior o domínio sobre a tecnologia, maior o potencial de utilizá-la como diferencial competitivo. Preparação, curiosidade e adaptação serão determinantes para aproveitar plenamente essa fase de transformação”, falou ela. 

Tags:
As operadoras Claro, Vivo e Tim arremataram três lotes na faixa de 3,5 GHz (gigahertz), considerada a principal do leilão.
por
Letícia Coimbra
|
04/11/2021 - 12h

Na manhã desta quinta-feira 04/10, a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) iniciou a sessão destinada ao leilão de quatro frequências do 5G, a nova geração de internet móvel. Quinze empresas estão disputando lotes da tecnologia. O leilão acontece com a análise das propostas de quatro frequências (700 MHz (megahertz); 2,3 GHz (gigahertz); 3,5 GHz; e 26 GHz) divididas em blocos nacionais e regionais. Além disso, cada faixa tem uma finalidade específica.

As operadoras Claro, Vivo e Tim arremataram as principais faixas, ficando com as frequências de 3,5 GHz (gigahertz), que permite uma velocidade 100 vezes mais rápida que o 4G, porque trabalha com ondas mais curtas e rápidas, levando maior quantidade de dados. A Claro conseguiu o primeiro lote (B1) por R$ 338 milhões, a Vivo adquiriu o segundo lote (B2) por R$ 420 milhões e a Tim arrematou o terceiro lote (B3) por R$ 351 milhões. Não houve proposta para o quarto lote.

A Winity II Telecom Ltda , associada ao Fundo Pátria, ganhou a disputa pelo primeiro lote da faixa de 700 MHz (megahertz), que possibilita o oferecimento do serviço em todo o território nacional. Desse modo, o Brasil contará com uma nova operadora de serviço móvel autorizada a oferecer serviço em todo o país. De acordo com as obrigações previstas no edital, ela terá que levar internet a 31 quilômetros de rodovias federais e aos locais que não tem 4G.

Outra nova operadora é a Brisanet, que levou o lote C4 do Nordeste de 3,5 GHz por R$ 1,25 bilhão e o lote C5 por R$ 105 milhões. Com isso, ela se compromete a levar o 5G a todos os municípios com menos de 30 mil habitantes nos nove estados do Nordeste.

Com a ação, o governo espera levantar cerca de R$ 49,7 bilhões, sendo que do total, R$ 3,06 bilhões vão para o pagamento de outorgas, R$ 7,57 serão destinados a garantia de internet nas escolas básicas e o restante deverá ser utilizado nas demais obrigações de investimento do edital.

 

Agência Brasil - Marcello Casal Jr
Foto: Marcello Casal Jr -  Agência Brasil

O que muda com essa tecnologia?

  • O 5G promete conexão extremamente rápida, estabilidade e tempo de resposta ágil. Isso porque trabalha com ondas mais curtas e rápidas, levando maior quantidade de dados. Porém o fato de serem curtas traz a necessidade de haver mais antenas instaladas.

  • A latência, que causa atraso em videochamadas, irá diminuir, uma vez que a informação percorrerá a rede mais rápido.

  • Conexão entre vários dispositivos ao mesmo tempo, pets com coleira conectadas, semáforos, drones, relógios, etc, pois o 5G suporta mais dispositivos ligados juntos

  • Possibilita a operação de carros autônomos e linhas de produção automatizadas, além do avanço da telemedicina devido a menor quantidade de atrasos na transmissão de dados

 

Tags:
Os malefícios das telas para as crianças podem ser muito maiores que os benefícios pensados pelo consenso geral.
por
Julia Nogueira
|
05/11/2021 - 12h

Por Julia Nogueira

Entre os virais da Internet desse ano surgiu uma menina de menos de 2 anos, Alice, que ficou conhecida por “falar palavras difíceis”. Em entrevista à BBC Brasil, sua mãe, Morgana Secco, afirma: “ela não vê nada de televisão e nem usa nada de celular, ela nem sabe que isso existe.” Mariana Fraga, estudiosa no assunto sobre o impacto das telas na vida das crianças, conta que percebeu que “as crianças estavam perdendo sua infância”, e a preocupação resultou na sua atuação como profissional ajudando famílias com o problema da dependência de telas enfrentado por muitos.

Pela visão da maioria, o cenário atual, com os chamados Nativos Digitais (crianças que já nasceram imersas nesse mundo conectado), criou-se uma lenda de que essas crianças seriam como ninjas digitais e os pontos positivos representados pelas telas seriam muito maiores que os malefícios, ideia que contraria a maioria dos estudos que vêm sendo realizados constatando os problemas de desenvolvimento infantil, como problemas na fala, no sono, emocionais, cognitivos, entre outros.

Em 2020, a Sociedade Brasileira de Pediatria atualizou as recomendações do uso de telas na infância, para crianças de 0 a 2 anos, por exemplo, a recomendação é de que não devem ser usadas. Mariana afirma que “não há nada que substitua a interação humana, as telas representam uma relação passiva, unilateral”. Ela ainda alerta sobre “o uso de telas como babá, que faz com que a criança perca a oportunidade de se desenvolver emocionalmente.”

Dados mostram que nos países ocidentais, entre 2 e 8 anos de idade, a média em frente às telas é de 2h45min diariamente; entre 13 e 18 anos, essa média chega perto de 7h15min. Fraga ainda avisa que o propósito não é demonizar as telas, elas existem e deve-se saber lidar com isso. O grande problema está em como elas são utilizadas. “Quem apresentou as telas para as crianças foi um adulto”, atenta ela, “e cabe a esse mesmo adulto tornar o brincar interessante também”, avalia.

Essa relação passiva com as telas traz outro problema: “Todo momento de criação certamente foi precedido pelo tédio. Ele é importante para a criança observar seu entorno, inventar, imaginar e usar a criatividade”, assegura a especialista em telas. A maior parte do conteúdo virtual consumido pelas crianças é ‘pronto’, se até adultos sofrem com o vício em telas, a criança com o cérebro em formação não consegue perceber esses problemas, como tem alertado os estudos.

Para além disso, mesmo com a supervisão dos pais, muitas crianças acessam conteúdos inapropriados nas plataformas que costumam utilizar. Mesmo o Youtube Kids recomenda vídeos que aparentam inofensivos, mas o algoritmo não percebe que é um conteúdo adulto. Cada vez mais os estudiosos vêm afirmando que quanto mais tempo puder afastar as telas das crianças, melhor. Afinal, ela terá muito tempo quando for adulta para lidar com elas.

Mariana também sustenta a importância do diálogo, e que a criança deve entender que o celular ou o computador é uma ferramenta para o adulto, que não deve ser entendido como forma de punição ela não ter esse acesso. E que o tempo fora das telas, dos pais com a criança, deve ser aproveitado ao máximo, como relembra ela do isolamento social causado pela Covid-19: “A pandemia veio para piorar uma situação que já não estava boa”, afirma. A falta de rede de apoio na quarentena, sem avós ou tios, com as famílias trabalhando em home office só acabou aumentando a demanda dos eletrônicos para as crianças.

Fraga também ressalta que “não existe uma idade em consenso de quando uma criança pode ter um celular, existe se o cuidador está ou não preparado para orientar o filho a ter um celular”, e que a dependência infantil das telas “é reversível, mas os pais precisam querer mudar”, apesar das sequelas no desenvolvimento, tratadas pelos estudos, serem um mistério para o futuro adiante. “Uma criança sem telas é até mais feliz, eu diria”, reflete.  

Tags:
Como os avanços da ciência e um ato de solidariedade mudaram a vida de um jovem professor.
por
Dayres Vitoria
|
05/11/2021 - 12h

Alisson Godói, professor de inglês de Taguatinga (DF), há 38 anos nunca pode enxergar com plenitude a vivacidade das cores à sua volta. Diagnosticado cedo como um caso de daltonismo - distúrbio da visão que interfere na percepção das cores causada por uma alteração no pigmento dos cones, ou a ausência dessas células fotorreceptoras - ele já havia perdido as esperanças de que algum dia enxergaria o mundo verdadeiramente como ele é.  Entretanto, tudo mudou em sua vida quando foi surpreendido em junho deste ano por um ex-aluno seu. 

Leo Vieira, ex-aluno de Alisson, que atualmente reside nos Estados Unidos, aproveitou sua vinda ao Brasil para presentear seu ex-professor com nada menos que um óculos especial que possibilita as pessoas com daltonismo, como é o caso de Alisson, de enxergarem as cores. A história do professor de inglês marcou tanto a vida do estudante que ele foi pessoalmente à Brasília entregar o presente e o encontro com o educador, depois de alguns anos sem se verem, foi só emoção.   

“Parecia que eu tinha um filtro da rede social do Instagram nos olhos. A camiseta dele (do ex-aluno), a cor do carro, o tronco da árvore, o marrom, o verde... (...) Do lado da minha casa tem uma creche que o portão dela é todo colorido, o chão é colorido...sério, me arrepio”, descreve o professor ao utilizar pela primeira vez o acessório ainda na presença de Leo.     

A visão de um daltônico  

Para entender melhor como funciona a visibilidade de um daltônico, quadro que Alisson apresenta, é necessário compreender a funcionalidade dos cones.  São essas células que possibilitam a percepção de cores.  Cada uma delas é responsável por uma das cores primárias (azul, verde e vermelho). São estes cones que apresentam deficiência para os daltônicos e, por isso, ocorre a falta de percepção das cores. Apesar dos avanços conquistados, o daltonismo ainda não tem cura, contudo, desde que o portador esteja ciente de sua condição e saiba respeitar suas limitações, ele poderá viver   sem muitas conturbações. 

A condição ficou conhecida como tal devido a John Dalton (1766-1844), físico-químico inglês que apresentava a condição e descrevia seus próprios sintomas. De acordo com a OMS, a doença atinge 350 milhões de pessoas no mundo, somente no Brasil são 8 milhões. Em meios aos progressos da área, a mais famosa tecnologia atual talvez seja a dos óculos de marcas com Enchroma e Pilestone, como os que Godói recebeu. Contudo, os óculos não tornam a visão de um daltônico semelhante a visão de alguém que não apresente a condição. Além disso, esses acessórios não atendem igualmente os diferentes tipos de daltonismo, porém, não deixam de ser uma grande vitória para aqueles que não podem enxergar as cores com nitidez. 

Os avanços na área  

Os óculos especiais para daltônicos, como o que Alisson recebeu, possuem lentes com coloração especial, que ajudam uma pessoa com deficiência na visão das cores a enxergá-las mais nitidamente. Ainda que esse equipamento não “cure” o daltonismo, ele proporciona aos portadores a possibilidade de enxergarem as cores vibrantes ao menos enquanto estiverem fazendo uso dos óculos.  

Graças aos avanços da ciência associados com o alto desenvolvimento tecnológico, existem outras formas de inovações criadas e pensadas para que haja a inclusão dos daltônicos no meio digital também. Color Enhancer, é um grande exemplo.  Trata-se de uma extensão para o Google Chrome que permite que você ajuste as cores em todas as páginas para seu grau específico de dificuldade de percepção cromática. Desse modo, para quem tem dificuldades em diferenciar cores, essa extensão permite que todas as páginas acessadas via Chrome ganhem um filtro customizável de realce. O Dalton também é outra extensão que permite ajustar os níveis das cores de acordo com o tipo de daltonismo. O lema deles são:  "Ajudar as pessoas a ver o mundo colorido". 

Outros recursos criados para facilitar o cotidiano de quem apresenta o quadro de daltonismo inclui desde ferramentas de filtro de tela em sistemas operacionais como o Windows, que aumentam os contrastes de cores à aplicativos de celular sincronizados com os semáforos, que alertam sobre as mudanças.  Portanto, já existem soluções, e muitas ainda estão por vir, cujo objetivo é facilitar e promover a inclusão social dos daltônicos.   

A importância da solidariedade 

Mesmo com o desenvolvimento da ciência que busca cada vez mais melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, inclusive daqueles que apresentam algum quadro de anormalidade ou de deficiência em qualquer grau ou categoria que seja, a área de estudos do daltonismo continua necessitando de grandes investimentos e devido ao alto custo desses estudos, os produtos finais elaborados a partir dessas pesquisas não saem nada baratos. Por isso, seus valores acabam sendo altos e pouco acessíveis, como foi para o professor Alisson que necessitou ser presenteado com os óculos especiais por se tratar de um produto caro. Diante disso, atos de solidariedade, como o do ex-aluno Leo Vieira, fazem a diferença para aqueles que não possuem condições financeiras para bancarem suas necessidades especiais.    

Logo, são feitos assim, induzidos pela solidariedade e empatia, que podem transformar as histórias de diversas vidas e a maneira como percebem o mundo, seja na forma literal ou metafórica.  Como dizia Franz Kafka, um dos escritores mais influentes do século XX: “A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana”.  

Tags:
Algorítimos como RankBrain e conceitos como Machine Learning e Deep Learning colocam o futuro da espécie humana em questão.
por |
17/11/2021 - 12h

Por Maria Morales

O que há em comum entre as séries que o Netflix indica a um jovem espectador, um carro sem piloto que trafega veloz por uma rodovia no meio do deserto de Mojave, o mecanismo que busca reconhecer facialmente manifestantes nas ruas Hong Kong, a oferta de pizza que pisca no celular todo domingo ao final da rodada de futebol ou o ataque por drone contra alvo alegadamente terrorista em região inóspita do Oriente Médio? 
 
Inteligência é a resposta correta, mas não de qualquer tipo. Todos esses exemplos são aplicações da inteligência artificial, ou, mais simplesmente, IA, também conhecida como AI, do inglês Artificial Intelligence. Trata-se de um avanço tecnológico, que permite a sistemas simularem inteligência semelhante à humana, e tomar decisões independentes, precisas e apoiadas em dados digitais, de acordo com os estudiosos da área. Ela já afeta - e muito - a vida das pessoas.
 
Alguns avanços tecnológicos propiciaram esse protagonismo da inteligência artificial: grandes quantidades de dados e capacidade de analisá-los, também conhecidos como Big Data, são um deles. Outro, importantíssimo, também é conhecido por seu nome em inglês, machine learning, que traduz a crescente capacidade de computadores serem treinados para realizar tarefas pelo exemplo em vez da necessidade de serem programados por humanos. Quando as máquinas ficam ainda mais capazes de aprender, esse processo muda de status e passa a ser conhecido como deep learning.
 
As máquinas analisam grandes quantidades de dados, situações e hipóteses e chegam a suas próprias conclusões, ficando mais espertas com o tempo. É mais ou menos como se elas adquirissem a capacidade de aprender como crianças: o sistema absorve, analisa e organiza as informações (dados) de modo a entender e identificar o que são objetos, pessoas, padrões e reações de todos os tipos.
 
Ao mesmo tempo que trouxe  novas perspectivas de conforto, como poder usar um assistente de voz para acender as luzes ao escurecer, ligar o ar condicionado pouco antes da sua chegada em casa em dias de calor ou mesmo fazer análises sofisticadas e antes inimagináveis sobre a saúde de um paciente, existe um lado sobre máquinas inteligentes que assombra até mesmo grandes cientistas.
 
O renomado físico britânico Stephen Hawking (1942-2018) fez diversos alertas sobre os perigos do avanço fora de controle da inteligência das máquinas: "O desenvolvimento da inteligência artificial total poderia significar o fim da raça humana", afirmou. Ele próprio foi um usuário de avançados sistemas para lidar com sua dificuldade de comunicação decorrente de ser portador de esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma severa doença degenerativa. Para Hawking, as formas primitivas de inteligência artificial desenvolvidas até então seriam úteis, mas ele manifestou seu temor em relação a elas.  Para ele, as máquinas serão capazes de avançar por conta própria e se reprojetar em ritmo sempre crescente. "Os humanos, limitados pela evolução biológica lenta, não conseguiriam competir e seriam desbancados."
 
Para além do cenário distópico, a inteligência artificial tem sua gênese na academia. Décadas atrás, em 1956, o professor John McCarthy em uma conferência de especialistas em Darmouth Colege, chamada “O Eros Eletrônico”, definiu como “a ciência e a engenharia de produzir máquinas inteligentes" (ver quadro abaixo). Essa ideia é a antecessora dos hoje onipresentes algoritmos, definidos de modo bastante simplificado como uma receita, ou uma sequência finita de ações, para executar uma tarefa ou resolver um problema. Do início até agora, essa tecnologia se encorpou bastante e hoje dá munição para os futurólogos de modo geral. Alguns deles já imaginam a quarta revolução industrial, marcada pela convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas, impulsionadas pela IA. 
 
O fato é que a revolução parece estar em curso e um de seus líderes é ele, o Google. Seus produtos empregam processos de machine learning. No Google Fotos, o usuário consegue encontrar objetos e situações específicos, como “abraços”, “gatos” e “cores”. O filtro de spam do Gmail é impulsionado por machine learning e a busca usa o algoritmo RankBrain para aprimorar o ranqueamento dos links. O Facebook também faz das suas. E, naturalmente, como vários processos movidos nos Estados Unidos e Europa contra os gigantes da tecnologia, nada parece indicar que elas contam tudo que fizeram no último verão. Ao cidadão e consumidor resta ficar bem atento e afiar as garras da inteligência, aquela, a tradicional, para não comprar gato por lebre.

 

Linha do tempo de grandes marcos da Inteligência Artificial


1956
O Dartmouth Summer Research Project on Artificial Intelligence cunhou o nome de uma novo campo de conhecimento, que busca desenvolver software inteligente como seres humanos.


1965
O primeiro chatbot é criado por Joseph Weizenbaum no MIT. Com o nome de Eliza, ela faz as vezes de psicoterapeuta.


1975
Meta-Dendral, um programa desenvolvido na Universidade de Stanford para interpretar análises químicas, levou a que as primeiras descobertas feitas por um computador fossem publicadas em uma publicação científica.


1987
Uma perua da Mercedes com duas câmeras e alguns computadores trafegou sem piloto por 20 quilômetros em uma pista rápida alemã a mais de 80 km por hora, em um projeto acadêmico liderado pelo engenheiro Ernst Dickmanns.


1997
O computador da IBM Deep Blue derrota o campeão mundial de xadrez Gary Kasparov.


2004
O Pentágono apresenta O Darpa Grand Challenge, uma corrida para carros robôs no Deserto Mojave Desert  que acelera a indústria dos carros autônomos.


2012
Pesquisadores de um campo denominado Deep Learning aceleram o interesse corporativo ao mostrar que suas ideias poderiam fazer o reconhecimento de discurso e imagem muito mais preciso.


2016
AlphaGo, criada pela unidade DeepMind, do Google, derrota um campeão mundial do jogo de tabuleiro Go.


(Fonte: Wired).

 

Referências para o texto: BBC, Tecnoblog e Wired.

Tags:
Como as redes e os padrões da sociedade influenciam na construção do ser.
por
Júlia Takahashi
|
01/11/2021 - 12h

Por Júlia Sayuri Takahashi

Com o fortalecimento das tecnologias, após a Terceira Revolução Industrial, a sociedade passou a depender gradativamente das máquinas, da Internet e das redes sociais. Consequência da intensificação do processo econômico, político e cultural: a globalização. Tornando os veículos de comunicação e informação cada vez mais aperfeiçoados, o advento das redes sociais criou um ambiente provocador de muitos debates e possibilitou maiores conexões virtuais.

O professor do Instituto Federal do Tocantins, graduado e licenciado em ciências sociais pela Universidade de São Paulo, Paulo André Kulsar, comenta sobre como a sociedade se comporta nesses diálogos:

“As redes sociais têm potencial para um diálogo saudável, mas isso depende da força de vontade de quem está dialogando. Pois esse contato, mediado pela tecnologia, pode gerar uma sensação de proteção, então as pessoas eliminam o filtro do risco de ser bem compreendidas [...] Outro problema são os algoritmos, as empresas que controlam as redes sociais, estão preocupadas em gerar engajamento, esse é o foco, não é a relação pessoal; tendem a fortalecer as questões mais polêmicas, mais radicalizadas, isso prejudica o diálogo saudável, quando se intensifica a polêmica atrapalha o diálogo".

Pensadores acreditam que as relações sociais passaram a ser mais superficiais, devido à impaciência que a sociedade passou a ter. Somada a cultura criada, devido a instabilidade econômica mundial vivida durante a Terceira Revolução Industrial e o surgimento das novas tecnologias, focada no consumo, ambiciosa pelo dinheiro e o trabalho, consequentemente menos tempo para construir uma relação duradoura.

A principal obra de Zygmunt Bauman, Modernidade Líquida, questiona essas transformações sociais que foram trazidas pelo capitalismo globalizado.

"Fluidez é a qualidade de líquidos e gases. (...) Os líquidos, diferentemente dos sólidos, não mantêm sua forma com facilidade. (...) Os fluidos se movem facilmente. Eles “fluem”, “escorrem”, “esvaem-se”, “respingam”, “transbordam”, “vazam”, “inundam” (…) Essas são razões para considerar “fluidez” ou “liquidez” como metáforas adequadas quando queremos captar a natureza da presente frase (...) na história da modernidade".

Com essa superficialidade das relações, a sociedade acaba criando um Admirável Mundo Novo dentro dessas redes, da qual todos devem seguir um padrão de beleza, inteligência, felicidade e liberdade. As pessoas criam um ideal do “perfeito” sobre um dos usuários que encaixam na maioria dos padrões ou então que transmitem isso pelas redes sociais e acabam colocando-os como espelhos.

Porém, quando a expectativa sobre o perfeito não é atingida, o usuário entra no processo da cultura do cancelamento, ou seja, por uma atitude de ódio ou às vezes mal interpretada, a pessoa não mais se encaixa no ideal de perfeito, portanto, não deve ocupar o lugar de espelho, anulado-a desse pódio.

Ademais, a vida das pessoas ficam cada vez mais expostas na internet, dando abertura para qualquer comentário, opinião e preconceito. Não significa que o comportamento esteja eticamente correto, porém devido à construção da cultura do cancelamento, criou-se também uma "liberdade utópica", da qual se vêem no direito de fazer o que quiserem por trás de um dispositivo.

“As pessoas são canceladas não por aquilo que elas representam socialmente, mas por uma declaração infeliz, muitas vezes. As pessoas criam uma expectativa de que aquela figura vai te atender, esse que é o mote das redes sociais [...] você nunca vai achar uma pessoa que vai pensar igual a você, querem cancelar todos que pensam diferente, logo se encontra em uma bolha tão restrita que não entenderá o que está acontecendo no mundo, você restringe a própria comunicação entre as pessoas, a própria relação com sociedade da qual não é homogênea, aí entramos em uma sociedade que se aproxima do fascismo, obriga o pensamento igual de todo mundo, se não você vai ser cancelado”, comenta o professor.

Nesse fascismo das redes sociais, a sociedade se encontra rodeada de pessoas que se aproximam quanto a certos pensamentos e opiniões, assim, tendem a entrar em um monólogo e acabam não buscando o aprofundamento em diferentes assuntos.

Kulsar acrescenta “o aprofundamento até existe, mas há o viés de confirmação, que o indivíduo tenta justificar suas ideias a partir das ideias dos outros. Não estão em busca de novas informações, apenas justificar suas ideias. Então, acabam se aproximando de pessoas que monologam com você, esse viés que vai consolidar sua crença, mesmo que esteja errada. E assim entramos no pensamento da Fake News. O aprofundamento existe, mas é enviesado, as pessoas não querem ampliar as fontes de informação, a tendência é restringi-las ."

Ao mesmo tempo em que a tecnologia facilitou a comunicação e os laços sociais, ela acabou isolando as pessoas do físico. Influenciando cada vez mais a maneira de pensar, agir e sentir, afundando-nos a esse consumo insistente das redes a todo momento.

Tags: