Em São Paulo, a rotina de um motorista de aplicativo revela como o trabalho passou a ser guiado por notificações, cansaço digital e um cotidiano moldado pelo brilho constante do celular
por
Carolina Hernandez
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24/11/2025 - 12h

 

Por Carolina Hernandez 

O celular vibra antes que qualquer clarão toque os prédios da Mooca, e essa vibração curta, metálica e insistente desperta Jonas de um sono leve, como se fosse uma convocação, um chamado que não permite adiamentos. Ele estende a mão ainda no escuro, alcança o aparelho, observa a luz que se espalha pelo quarto e lê a notificação do aplicativo que já anuncia alta demanda, fluxo intenso, oportunidade. Nos últimos anos, aprendeu a acordar assim, preso ao brilho do celular antes mesmo de sentir o chão frio sob os pés. O trabalho começa na tela, e não na rua.

No carro, um sedan prata que carrega o desgaste dos dias longos, Jonas encaixa o celular no suporte. O gesto é tão automático que parece parte do ritual de ligar o motor, como se o carro só funcionasse plenamente depois que o aplicativo estivesse ativo. A tela mostra a cidade em azul e amarelo, um mapa vivo onde cada área fervilha com informações que determinam para onde ele deve ir, quanto irá ganhar, quanto tempo deve esperar. O aplicativo calcula rotas, horários, riscos e recompensas, e Jonas respira fundo antes de seguir, como quem aceita que o destino do dia será guiado por aquele retângulo luminoso.

A primeira corrida aparece em menos de quinze segundos. Ele aceita. O carro avança devagar pelas ruas que ainda não despertaram, e Jonas observa o céu sem forma, as luzes dos postes refletidas no capô, o reflexo da tela pressionando seus olhos desde a madrugada. Logo, o trânsito cresce, e a cidade parece surgir inteira de dentro dos celulares dos próprios motoristas, porque ninguém conduz apenas pelas ruas, todos conduzem pelos mapas, pelas notificações, pelas coordenadas enviadas de longe.

A dependência da tela dita o ritmo. Jonas percebe isso a cada minuto. Ignorar uma notificação pode significar perder corridas, perder pontos, perder visibilidade diante do algoritmo. Ele sabe que o sistema registra cada movimento, cada segundo parado, cada mudança de rota, cada hesitação. Uma espécie de patrão silencioso observa sua velocidade, suas notas, seus cancelamentos, suas escolhas. Não há voz, não há rosto, mas há controle. Ele comenta que antes achava que dirigia para pessoas, e hoje sente que dirige para um conjunto de cálculos invisíveis.

O cansaço começa sempre pelos olhos. A luz azulada se infiltra pelas pálpebras como um grão de areia persistente. Mesmo nos poucos minutos de pausa, ele sente o celular vibrar no bolso, chamando de volta, lembrando que há demandas próximas. A Pesquisa TIC Domicílios mostra que o celular tornou-se o principal dispositivo de acesso à internet para a maioria dos brasileiros, mas, para motoristas de aplicativo, é mais que isso, é ferramenta, ponte, segurança, salário e vigilância. Jonas passa mais tempo olhando para a tela do que para qualquer rosto durante o dia.

Os passageiros entram no carro sempre com pressa, sempre conectados a outra conversa que não está ali. Há estudantes que assistem aulas no banco traseiro, executivos que participam de reuniões por vídeo, mães que equilibram sacolas e chamadas, jovens que respondem mensagens durante trajetos de poucas quadras. O carro se transforma em cápsula de passagens breves, onde cada um leva sua própria tela, e Jonas conduz tantas luzes simultâneas que, às vezes, o interior do carro parece mais iluminado durante a noite do que durante o dia.

Ele já ouviu histórias que não estavam destinadas a ele, conversas que vazavam das telas para o espaço do carro, lágrimas silenciosas de quem lia mensagens difíceis, risadas altas de grupos que relembravam memórias por vídeos compartilhados. Jonas sempre percebe que as pessoas falam menos com ele e mais com seus celulares, que olham menos pela janela e mais para notificações. Nos raros momentos de silêncio, apenas as telas respiram, emitindo luzes diferentes em intervalos variados.

No fim da tarde, quando o corpo já pesa, o aplicativo avisa aumento de demanda. Jonas pensa em parar, mas o aviso insiste, promete ganhos extras, sinaliza movimento crescente. Ele encosta em um posto para comprar um café, tenta alongar as costas, tenta piscar devagar para aliviar a ardência nos olhos. O celular vibra antes da primeira golada. Ele volta para o volante. Recusar seria uma escolha, mas uma escolha com consequências. Descanso e trabalho, na lógica do aplicativo, nunca estão em equilíbrio.

A madrugada avança e a cidade se torna uma paisagem de luzes espaçadas, com corredores vazios e poucos ruídos. Jonas leva um jovem que saiu do trabalho no shopping, e o rapaz passa o trajeto inteiro olhando para o celular enquanto mensagens surgem em sequência. Jonas também observa o seu próprio aparelho, que marca a rota até o destino. O carro segue pelas avenidas escuras com apenas as duas telas iluminando o interior, criando um silêncio que parece suspenso no ar.

Quando chega em casa, Jonas desliga o carro, depois o aplicativo, e por fim o celular, que insiste em vibrar com atualizações e resumos do dia. A sala escura o acolhe em um silêncio que chega a parecer estranho, como se o mundo tivesse diminuído de volume. Ele se recosta no sofá e sente o peso acumulado do dia, não apenas o peso físico, mas o peso da luz constante, da atenção exigida, da vigilância permanente que o acompanha desde o amanhecer. O corpo quer descanso, mas a mente ainda repassa rotas, mensagens, barulhos de notificação que permanecem mesmo após a tela apagar.

Amanhã, muito antes de a luz do sol tocar a janela, o celular irá vibrar novamente, e Jonas atenderá, não por escolha, mas por necessidade. Ainda assim, enquanto respira profundamente, sente uma dúvida surgir devagar, como quem desperta de um sonho longo. Ele se pergunta se ainda guia o carro, se ainda conduz o trajeto, ou se apenas segue o ritmo imposto pela tela que nunca dorme. E essa pergunta, ele sabe, continuará voltando. Porque, na madrugada das grandes cidades, o trabalho e a vida estão cada vez mais presos ao mesmo brilho.

Com o avanço do sistema de pedágio eletrônico nas rodovias paulistas, motoristas vivem a combinação entre fluidez no trânsito e incertezas sobre tarifas, prazos e adaptação ao novo modelo.
por
Inaiá Misnerovicz
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25/11/2025 - 12h

Por Inaiá Misnerovicz

 

Dirigir pelas rodovias da Grande São Paulo já não é mais como antes. Com a chegada do sistema free-flow - o pedágio eletrônico sem cancelas -, muitos motoristas sentem que atravessam uma fronteira invisível: não há mais a cancela para frear o carro, mas também não há a certeza imediata de quanto vão pagar. Para Jerônimo, motorista de carro, morador da zona leste de São Paulo que faz quase todos os dias o trajeto até Guararema a trabalho, essa sensação de fluxo e incerteza convive em cada viagem.

Antes da implantação do free-flow, Jerônimo parava em praças de pedágio, esperava, conferia o valor, calculava se valia a pena seguir por um trecho ou desviar. Hoje, ao cruzar os pórticos da Via Dutra ou de outras rodovias, ele simplesmente segue adiante. Só depois, no no aplicativo, descobre quanto foi cobrado, isso quando ele lembra de conferir a fatura. Para quem tem TAG, o débito cai automaticamente, mas para quem não tem, o sistema registra a placa e envia a cobrança que deve ser paga em até 30 dias, sob pena de multa, como prevê a regulamentação da CCR RioSP.

Esse modelo evita paradas e acelera o tráfego, especialmente nas pistas expressas. Segundo a concessionária Motiva/RioSP, quem trafega pelas marginais da Via Dutra (sem acessar a via expressa) não é tarifado. Mas Jerônimo ressalta que essa economia de tempo nem sempre vem acompanhada de previsibilidade de custo: “só sabendo depois quanto foi cobrado, ainda dependo de consultar o site para ver se registrou todas as passagens”, ele diz. A tarifa depende do horário e do dia da semana, pode variar, e para quem usa TAG há desconto de 5%. 

Para tornar essa transição mais suave, a RioSP intensificou ações de orientação nas margens da rodovia e em pontos públicos de Guarulhos. Na capital, promotores usam realidade virtual para explicar como os pórticos funcionam, há vídeos e atendimentos nos postos de serviço. Mais de 500 pessoas já participaram de eventos para esclarecer dúvidas sobre o funcionamento, formas de pagamento e salto entre pistas expressas e marginais.

As novas tarifas também entraram em vigor recentemente: desde 1º de setembro de 2025, os valores para veículos leves nas praças da Via Dutra foram reajustados pela ANTT, e nos pórticos do free-flow os preços também foram atualizados. No caso das rodovias geridas pela Concessionária Novo Litoral - especificamente a SP-088 (Mogi-Dutra), SP-098 (Mogi-Bertioga) e SP-055 (Padre Manoel da Nóbrega) - os valores por pórtico variam de R$ 0,57 a R$ 6,95 para veículos de passeio, dependendo do trecho.

Essa lógica de cobrança por trecho, sem a presença física de praças, exige do motorista algo além de atenção na pista: exige educação para se entender onde entrou, onde passou e quanto isso custou. Para Jerônimo, isso é mais difícil do que simplesmente parar e pagar. Ele admite que, apesar da melhoria no fluxo, teme que algum pórtico não tenha sido registrado, ou que haja diferença entre o que ele acredita ter passado e o que vai aparecer na fatura.

Além disso, há risco real para quem não paga no prazo. A CCR RioSP adverte que a não quitação da tarifa em até 30 dias configura evasão de pedágio, o que pode gerar infração de trânsito, multa fixada e até pontos na carteira. Para muitos, essa penalidade ainda parece pesada diante da novidade e da complexidade do sistema.

Por outro lado, o free-flow traz ganhos concretos para a mobilidade: ao eliminar paradas bruscas nas praças, reduz o risco de acidentes por frenagem repentina e melhora o desempenho das rodovias. A tecnologia permite modernizar a gestão do tráfego, e os pórticos com sensores garantem identificação precisa por TAG ou leitura de placa. Ainda assim, a transformação não se resume à pista. Ela repercute no cotidiano de quem vive dessa estrada, como Jerônimo, e também na forma como a concessionária se relaciona com os motoristas. A campanha de orientação mostra que há consciência de que nem todos se adaptarão imediatamente. As ações de atendimento por WhatsApp, aplicativo, site, totens e até no posto de serviço reforçam a aposta na transparência. 

Há também a perspectiva de que esse modelo se torne cada vez mais comum. Segundo planejamento de concessões futuras, mais pórticos free-flow poderão ser instalados nas rodovias paulistas até 2030, o que tornaria esse tipo de cobrança mais frequente para usuários regulares da malha estadual. Mas para que ele seja efetivamente equitativo, será preciso manter a educação viária, oferecer canais de pagamento amplos e garantir que os motoristas não sejam penalizados por simples falhas de entendimento.

Para Jerônimo, a estrada continua sendo um espaço de tensão e de liberdade. Ele ganha tempo, mas precisa vigiar sua fatura. Ele cruza Guararema, volta para São Paulo, e vive uma experiência nova: a de rodar e pagar depois, sem parar, mas sempre com a incerteza de que quanto passou pode não ser exatamente quanto será cobrado. A cancela desapareceu, mas o pedágio segue presente, só que disfarçado em números, e não em uma barreira física. 

Colunista Marcelo Leite revela que a área perde cada vez mais influência no país
por
Giovanna Britto
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24/11/2025 - 12h

 

Durante a pandemia de Covid-19, o Brasil se reinventou em assuntos a respeito de hábitos higiênicos, debates sobre saúde mental e destacou a importância do jornalismo científico, área  responsável por comunicar à população a respeito das vacinas, o avanço ao combate do vírus e outros assuntos de saúde pública. Entretanto, três anos após o fim do estado emergencial causado pela pandemia, a falta de adesão do público à ciência tem ameaçado o trabalho dos jornalistas desse segmento.

Entre 2020 e 2022, os profissionais da mídia foram expostos ao desafio de comunicar a incerteza científica, traduzir termos e conscientizar a sociedade sobre a pandemia. Muitos jornalistas já eram especializados na área, outros aprenderam a falar sobre ciência devido a alta demanda de notícias para divulgar. A pandemia serviu como ponto de virada para o jornalismo científico - que já existia no Brasil, mas ganhou repercussão graças à necessidade de dar foco ao assunto que ditou o estilo de vida de um mundo inteiro.

Nomes como Atila Iamarino, Natália Pasternak e Álvaro Pereira Júnior se destacaram como grandes vozes da divulgação do jornalismo de ciência. Em entrevista à AGEMT, Marcelo Leite, jornalista e colunista da Folha de São Paulo especializado na área de ciência e ambiente, comenta sobre esse período: “Nunca se valorizou tanto do ponto de vista de espaço, de tempo, de audiência, a divulgação de informações científicas de base para entender o que estava acontecendo.” Hoje, o espaço de fala e a repercussão em temas científicos são menores, uma vez que as pessoas estão cada vez menos interessadas em saber de que forma isso implica em suas vidas pessoais.

Jornalista Marcelo Leite posando para câmera
Formado em jornalismo pela USP, Marcelo também atuou na Revista Piauí e é autor do livro “Psiconautas: Viagens com a Ciência Psicodélica Brasileira”. Foto: Divulgação/Unicamp.

 

Marcelo relembra que o jornalismo científico já sofria com ameaças à sua credibilidade, com falsos especialistas, médicos sem conduta ética e  com o presidente da época, Jair Bolsonaro, reproduzindo falas que levantavam mais dúvidas e ondas de ódio. “Foi um período terrível, e talvez a parte principal, que me deixa mais frustrado, é que o público se dividiu em dois. Uma parte passou  a desconsiderar as informações que a gente, do jornalismo científico, se esforçava por apresentar como informações objetivas, fundadas em dados, com a qualidade que se espera da ciência ", completa.

Na fase posterior à pandemia, após o declarado fim do período emergencial do coronavírus em 5 de maio de 2023, foi possível observar as consequências e heranças que a abundância de informações equivocadas, negacionistas e falsas deixaram na rede de informação, seja online ou offline. Os movimentos anti vacinas, impulsionados durante o Covid, emitiram um alerta para a Organização Mundial de Saúde. Dados divulgados pelo jornal Humanista da UFRGS evidenciam que a cobertura de vacinas contra poliomielite, HPV e sarampo estão em constante queda e sequer atingem a meta em lugares como Norte e Nordeste. 

No anuário de Vacinas de 2025 da Unicef, os dados indicam que até 14 de julho de 2025, a cobertura vacinal dos grupos prioritários permanecia abaixo da meta de 90%: crianças de seis meses a seis anos com 39,5%, idosos com 53,2% e gestantes com 29,8%, correspondendo a menos da metade do público-alvo.

A questão ambiental também é desconsiderada por muitas pessoas. Marcelo afirma que há muitos temas pelos quais o jornalismo científico lutou pelo progresso e que atualmente são banalizados. “se houve alguma dúvida no passado, há 20, 30 anos atrás, hoje não há mais nenhuma dúvida sobre os impactos que estão vindo e virão da mudança climática, cada vez mais sérios. Mas ainda tem gente que questiona.”

Recentemente, casos de metanol que alertaram a população em outubro deste ano, trouxeram uma onda de informações falsas que prejudicaram profissionais da área jornalística e médica, motivando o pronunciamento deles a respeito. Vídeos tentando realizar testes caseiros para identificar a presença da substância nas bebidas, sem comprovação científica, viralizaram nas redes sociais.

Essa situação se assemelha com as polêmicas envolvendo o uso da cloroquina na pandemia. Um levantamento realizado por pesquisadores do Centro de Estudos e Pesquisas de Direito Sanitário da USP (Cepedisa) em colaboração com a Conectas Direitos Humanos, mostra que, entre março de 2020 e janeiro de 2021 houve pelo menos quatro medidas federais promovendo diretamente ou facilitando a prescrição do medicamento. Jair Bolsonaro foi um dos maiores promotores da cloroquina na época e quem motivou o uso para a população. Apesar de ter sido associada no combate ao Covid, a cloroquina é um medicamento que atua contra doenças inflamatórias crônicas e no combate a parasitas e cuja eficácia de uso para o coronavírus não é comprovada.

O estudo que deu início a essa ideia foi inicialmente publicado na revista científica International Journal of Antimicrobial Agents e assinado por mais de 10 profissionais. Hoje, a editora da revista, Elsevier, anunciou a retratação deste artigo após uma pesquisa aprofundada, com o apoio de um “especialista imparcial que atua como consultor independente em ética editorial”.

Os profissionais continuam exercendo seu trabalho com excelência, alguns optando pela mídia tradicional, outros inovando nas redes através de vídeos curtos. Mas é inegável a forma com que o jornalismo científico perdeu a influência e como falta apoio em todas as áreas. “É muito triste, porque eu dediquei minha vida inteira ao jornalismo científico, para ver isso acontecer no fim da minha carreira” conclui o jornalista.

Após sete anos, evento volta ao calendário impulsionado pelo avanço dos carros eletrificados
por
Fábio Pinheiro
Vítor Nhoatto
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22/11/2025 - 12h

O Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, um dos eventos mais tradicionais do setor automotivo brasileiro, está de volta após um hiato de sete anos. A edição de 2025 acontece entre os dias 22 e 30 de novembro, em um contexto de profundas transformações na indústria e impulsionada pela expansão de veículos eletrificados, entrada de novas marcas no país e a necessidade das montadoras de reconectar consumidores às experiências presenciais.

De acordo com a RX Eventos, organizadora da mostra bienal, a volta acontece em razão da reestruturação e aquecimento do mercado. A última edição havia sido realizada em 2018 e contou com cerca de 740 mil visitantes, mas devido a pandemia de COVID-19 o Salão de 2020 foi cancelado. Nos anos seguintes, a volta do evento ficou só na especulação. Segundo a Associação Nacional de Fabricantes Automotores (Anfavea), a pausa também pode ser atribuída à crise de matéria-prima, à retração econômica deste então e ao formato caro para as montadoras que estavam distantes do público.

Embora as duas últimas edições tenham sido no São Paulo Expo, esta acontece no Complexo do Anhembi, casa oficial do evento desde 1970. A mudança foi celebrada por expositores e pelo público, já que o Anhembi permite maior fluxo de visitantes, oferece áreas amplas para test-drive e atividades externas, recuperando a identidade histórica do salão. O retorno também faz parte da estratégia de reposicionar o evento como uma grande vitrine de experiências automotivas, com pistas, ativações e zonas imersivas distribuídas pelo pavilhão.

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Renault anuncia o seu novo carro “Niagara” - Foto: Fábio Pinheiro

Entre as montadoras que vão expor, estão nomes de peso que apostam na ocasião para apresentar novidades ao consumidor brasileiro. A BYD leva ao Salão uma linha reforçada de elétricos e híbridos, aproveitando o crescimento expressivo da marca no Brasil, além de lançar no evento a marca de luxo do grupo, Denza. A rival chinesa GWM também estará presente, com o facelift do SUV H6, o jipe Tank 700 e a minivam Wey 09.

Em relação às marcas tradicionais, a Stellantis vai em peso para o Anhembi. A Fiat, apesar de não ter apresentado nenhum modelo novo, trará o Abarth 600, um SUV elétrico esportivo. A Peugeot terá os 208 e 2008 eletrificados e, principalmente, o lançamento da nova geração do 3008 para o mercado nacional, equipado com o tradicional motor THP. 

Enquanto isso, a Toyota investe na divulgação de novidades híbridas flex, com a chegada do Yaris Cross para brigar com o recém-lançado HR-V, e os líderes Hyundai Creta e Chevrolet Tracker. Juntas, as marcas representam parte do movimento de transformação do mercado brasileiro, que tem apostado cada vez mais na eletrificação e em tecnologias avançadas para rivalizar com a expansão chinesa.

O Salão 2025 também será palco de novas marcas como a Leapmotor, parte do grupo Stellantis. O SUV C10 será o primeiro modelo a chegar às ruas, ainda neste ano, e conta com a versão elétrica (R$189.990) e com extensor de autonomia (R$199.990). O segundo modelo será e o C-SUV elétrico B10, por R$172.990, 60 mil a menos que o rival BYD Yuan Plus, e mais recheado de tecnologia, como teto panorâmico, nível 2 de condução semi autônoma, câmera de monitoramento do motorista e airbag central.

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Presidente da Stellantis para a América do Sul, Herlander Zola, anunciou os planos para o grupo - Foto: Stellantis / Divulgação

Já a britânica MG Motor, propriedade da chinesa SAIC, investirá em esportividade elétrica, além de custo-benefício. O modelo de maior volume de vendas deve ser o SUV S5, rival de Yaun Plus, e igualmente equipado ao B10. Em seguida, o MG 4 chega para rivalizar com Golf GTI e Corolla GR, com mais de 400 cavalos, tração integral, pacote de ADAS completo, e pela metade do preço dos rivais. Por fim, o Roadster será o chamariz de atenção no estande, com portas de lamborghini e em homenagem à tradição da marca. 

O grupo CAOA também fará a estreia da nova marca que trará ao Brasil a Changan, com a chegada prevista para 2026 com os modelos de super-luxo elétricos Avatr 11 e 12, além do SUV UNI-T, rival do Compass e Corolla Cross. 

O pavilhão do Anhembi contará com pistas de test-drive, áreas dedicadas a modelos clássicos como o McLaren de Senna, e até mesmo uma área do CARDE Museu. No Dream Lounge estarão presentes super carros como Ferrari e Lamborghini, além da Racing Game Zone para os amantes de videogame e simuladores de corrida. 

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Área externa do Anhembi terá pista de slalom, frenagem e test-drive de dezenas de modelos - Foto: Salão do Automóvel / Divulgação

Apesar da ausência de marcas como Chevrolet, Ford, Mercedes, Volvo e Volkswagen, 2520 montadoras estarão presentes, incluindo Chery, Hyundai, Mitsubishi e Renault. O Salão espera receber cerca de 700 mil visitantes e a edição 2027 já está confirmada. Os ingressos custam a partir de R$63 (meia-entrada) nos dias de semana.

Projeto aprovado pelo Congresso libera R$ 22 milhões do Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT)
por
Helena Barra
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17/11/2025 - 12h

Por Helena Barra

 

No dia 4 de agosto de 2025, o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou o Projeto de Lei 847/2025. O plano, aprovado pelo Congresso brasileiro, regulamenta o uso dos recursos do Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), liberando o valor de R$ 22 bilhões para investimentos nas áreas da ciência e tecnologia.  O FNDCT é o principal instrumento de financiamento público da ciência, tecnologia e inovação no Brasil. Ele apoia pesquisas científicas, a formação de recursos humanos qualificados, a inovação tecnológica nas empresas, a infraestrutura de pesquisa e o desenvolvimento de projetos estratégicos nacionais.

A professora de economia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Norma Cristina Brasil Casseb, explica que fundos como o FNDCT possuem legislação própria. No caso do FNDCT, segundo dados da FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos), os recursos são provenientes de diversas fontes. A composição deles evidencia o importante papel do Estado tanto no direcionamento de incentivos diretos do orçamento público e do tesouro, quanto na garantia de que parte dos lucros obtidos pelas empresas do setor detentor e gerador de tecnologia retorne para a sociedade e permita que ela se desenvolva de forma mais igualitária.

Nas redes sociais, o presidente Lula, afirmou que a medida visa fortalecer a base industrial brasileira. “Com essa medida, vamos fortalecer a inovação nas seis missões da Nova Indústria Brasil e nas Instituições Científicas e Tecnológicas, levando infraestrutura, redes de pesquisa e oportunidades para todos os territórios do país. Investir em pesquisa e inovação é investir no futuro do Brasil”, comentou na divulgação.  Além disso, o projeto também tem como objetivo estimular o emprego qualificado em pesquisa e desenvolvimento, de maneira a ampliar o número de doutores em empresas, startups, parques tecnológicos e instituições de ensino. 

Para Norma Casseb, em um país como o Brasil, com alta desigualdade social e elevada concentração de renda, a liberação deste recurso é importante, não só para a sociedade, mas como para a economia nacional. “Neste contexto, o investimento em tecnologia e inovação, combinado a uma estratégia voltada para a industrialização do país, tem uma alta capacidade de geração de empregos de qualidade especialmente no setor produtivo, permitindo elevação na renda da população e, por consequência, maior expansão econômica”, informa a doutoranda. 

Segundo a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), representante das instituições financeiras de fomento habilitadas a operar os recursos do fundo, a nova lei marca uma mudança de postura em relação ao uso dos fundos públicos voltados à inovação. Ao garantir previsibilidade e autonomia na aplicação dos recursos, o Brasil se alinha a boas práticas internacionais de apoio à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico. 

Em entrevista à Agência Brasil, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou que, apesar de o FNDCT ter sido criado em 1969, o fundo ganhou maior relevância nos governos do presidente Lula, inclusive no atual mandato. De acordo com o governo, nos últimos dois anos, os investimentos em ciência, tecnologia e inovação por meio do FNDCT aumentaram seis vezes. Saíram de R$ 2 bilhões, em 2021, para R$ 12 bilhões, em 2024. A previsão para 2025 é de cerca de R$ 14 bilhões.

A professora também reforça que o investimento em ciência e tecnologia é um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento econômico e social de uma nação. Eles permitem adicionar valor agregado aos produtos brasileiros, além de elevar a produtividade e a competitividade da economia nacional, permitindo que sejam cada vez mais competitivos no comércio internacional.  Além disso, investimentos como o FNDCT podem tornar o País mais que um exportador de produtos de maior valor agregado, mas também um exportador de tecnologia para outros países, que muitas das vezes não possuem capacidade financeira ou de infraestrutura para desenvolverem suas próprias tecnologias.


 

 





 

Comercial da Nike traz um universo no qual a tecnologia ameaça o esporte mais famoso do mundo
por
Felipe Oliveira
Daniel Santana
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16/10/2023 - 12h

Em 2014, a empresa estadunidense Nike criou uma campanha como marketing para a Copa do Mundo (torneio mais importante de futebol, que ocorreria naquele ano) com o slogan “Arrisque tudo”. O intuito da marca, além de promover seus produtos através de comerciais bem produzidos, era de passar uma mensagem inspiradora ao público de que, mesmo nas adversidades, lidando sob pressão e em momentos difíceis, quem ousar e arriscar mais tende a se sair melhor diante de tais problemas e consegue conquistar o mundo.

E por meio de uma animação em 3D chamada “O Último Jogo”, lançada mundialmente no dia 9 de Junho daquele ano - três dias antes para o início da Copa - a Nike pegou alguns dos principais jogadores do mundo que representavam a marca, que no caso foram: Cristiano Ronaldo (CR7), Neymar Jr, Zlatan Ibrahimovic, Wayne Rooney, Andrés Iniesta, David Luiz, Franck Ribéry, Tim Howard e uma participação especial do ex-jogador Ronaldo “Fenômeno”. Todos esses atletas tinham o objetivo de ganhar uma partida de futebol contra seus próprios clones perfeitos, todos criados por um gênio cientista, na crença que o uso da racionalidade dos seus robôs trazem mais resultados do que a criatividade dos jogadores humanos.

Nesta realidade, o futebol virou um esporte de estatísticas e de movimentos práticos e objetivos. Sem dribles e jogadas arriscadas que são a essência do esporte mais famoso do mundo, o transformando em algo chato de ser assistido. Os jogadores ao enfrentarem essa nova realidade, foram forçados a se aposentarem ou buscarem outro estilo de vida, e de forma humorada, a animação retratou como seria a vida das principais estrelas fora do mundo da bola. Neymar e David Luiz viraram cabeleireiros, Ibrahimovic um vendedor não tão bem sucedido de livros e Cr7 optou por trabalhar como manequim de lojas de roupas. Uma maneira descontraída de apontar o desemprego causado pelas máquinas.

Até que o personagem de Ronaldo entra em cena para salvar o futuro do esporte e as carreiras dos principais atletas em uma partida decisiva, na qual um único gol resolveria se os clones continuariam, ou não, no futebol. E por meio de improvisos, uso da técnica e habilidade nos pés, a imaginação humana se sobressaiu diante das máquinas, tornando os atletas vencedores. Acesse o link abaixo, para assistir o comercial

neymar
O último jogo - Nike - arrisque tudo.

Tecnologia no futebol

Puxando para o mundo real, a ciência mudou o cenário futebolístico e o desempenho dos atletas. Hoje em dia, grande parte das instituições investem alto em tecnologias como, mapas de calor, aparelhos altamente tecnológicos que apontam o desempenho do jogador durante uma partida ou treino, além de máquinas que progridem na performance pessoal.

Em entrevista a AGEMT, o ex-jogador da base do Boa Esperança, Guilherme Gomes, 18 anos, foi perguntado se a tecnologia veio para ajudar o esporte ou para atrapalhar. “Ela veio pra ajudar, porém por a gente ter ficado muito tempo e ter se acostumado com o futebol sem ela, a gente acaba estranhando, porém podemos dizer que ela deixa o futebol mais regrado. Nunca vai agradar a todos, mas eu acho que ela tem ajudado muito’’, diz Gomes.

Podemos resumir os objetivos das soluções tecnológicas como expandir as capacidades humanas e trazer melhorias concretas às nossas vidas. A tecnologia pode superar nossas limitações em todos os campos. É assim que a inovação entra nas mais diversas áreas e âmbitos da vida humana. O objetivo é fornecer um atalho, uma maneira mais curta e eficiente de resolver problemas clássicos.

Nos esportes, é necessário alto desempenho. O foco é treinar o corpo humano para obter melhores respostas em termos de flexibilidade, precisão, força, energia, velocidade, etc., o que propiciou a vitória em competições de alto nível. Portanto, cada bit conta. O ser humano ainda está limitado ao que seus olhos podem ver, analisando em um ritmo natural e lento. Em alguns casos, simplesmente não é possível garantir a atenção a todos os aspectos.

A tecnologia desportiva pode realçar a essência de quem somos como seres humanos. Por outro lado, podemos pensar no desporto como um jogo com regras fixas e claras, acordadas por todas as partes. Estas regras definem o que é justiça neste contexto. Nesse sentido, a tecnologia também visa ajudar no cumprimento das regras e garantir a harmonia no ambiente de jogo. Isso facilita o surgimento de questões disciplinares envolvendo a equipe e o jogo em si.


 

Literatura foi por muito tempo a principal forma de entretenimento da população, mas com as tecnologias isso mudou
por
Felipe Volpi Botter
Felipe Bragagnolo Barbosa
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16/10/2023 - 12h

A tecnologia é algo que facilitou e muito a vida da população, em praticamente todas as áreas, mas é fato que nas últimas décadas, a humanidade vem perdendo o hábito de ler. Uma pesquisa realizada em 2019 pela Kantar Media, no Reino Unido, mostra que só 51% dos adultos haviam lido pelo menos um livro no ano anterior. Existem diversas tecnologias que podem estar tirando a atenção das pessoas, como é o caso dos streamings, dos videogames, entre outras. Para o professor Pedro Ivo, em entrevista para AGEMT, "as pessoas têm ficado cada vez mais imediatistas, querendo coisas mais fáceis e rápidas de consumir, e cada vez em maior quantidade. Exemplo disso é o TikTok, que traz trechos curtos de músicas, sempre se renovando, ou seja, você absorve grande quantidade e variedade de informações, sem reter o conteúdo".  

Os livros estão na contramão disso: pra ler um livro você demora muito mais tempo, e não consegue atingir a mesma quantidade do que conteúdos curtos e imediatos. A produção também é muito mais demorada: escrever um livro demora muito mais do que produzir um vídeo ou uma música para o TikTok. Por isso, as novas mídias acabam sendo mais fáceis e rápidas de consumir que os livros. O que também significa menos profundidade e menos qualidade de reflexão, entretenimento e edificação. "A troca dos livros, por essas mídias digitais, significa um empobrecimento cultural das pessoas, que se tornam mais imediatistas e menos profundas” , diz Ivo. 

O Kindle vem sendo uma opção muito utilizada pelos leitores da atualidade.  “Minha opinião neste caso é inteiramente pessoal. Eu prefiro livro físico, porque me dá mais liberdade e visão mais ampla. No livro físico eu consigo interagir melhor com minhas anotações, com meus grifos, com minhas reflexões e, eu posso ir e voltar", declara Ivo, que acrescenta, sobre uma conversa que a esposa teve com uma amiga psicóloga, quando disse que "as telas, como as do Kindle ou de celulares e computadores, empobrecem o trabalho cerebral, porque só uma parte do cérebro trabalha. Quando mexemos com o livro físico, com visão ampla, mais setores do nosso cérebro são utilizados.” 

Como último questionamento, foi perguntado ao Ivo se ele acredita que essa diminuição da leitura vai continuar crescendo, ou ainda teremos uma volta das pessoas para ela, e ele comenta o seguinte. “Não posso prever o futuro, mas o que vejo com o presente é o abandono dos livros e a preferência pelas mídias. Infelizmente, não vejo uma reviravolta que retorne ao livro, não no presente”. 

A baixa da leitura resulta em um mercado onde assistimos pedidos de recuperação financeira ou até mesmo falência de grandes livrarias. Mas por quê? Um dos motivos é que o brasileiro lê muito menos comparado ao resto do mundo, em média 4 livros por ano, se comparada com o Canadá por exemplo, é pífia, os canadenses em média leem 12 livros por ano.  Um dos agravantes é a diminuição da compra de livros vindo do estado, em que comprava e distribuía os livros para escolas, faculdades e entre outros. Essa queda é resultado da grande crise de 2015 e agravando ainda mais a pandemia de Covid-19. A chegada da Amazon agravou mais ainda, os preços muito mais abaixo e a logística e facilidade de entrega, sem contar o sucesso do Kindle. 

As empresas brasileiras não acreditaram na tecnologia e evolução da leitura, de acordo com o vídeo do canal Elementar do Youtube, Pedro Herz, dono da livraria Cultura, em entrevista em 2011, disse não acreditar nos E-Books e no futuro do Kindle. Tiveram a oportunidade de crescer com a tecnologia, mas estagnaram e o mercado não perdoou.


 
 

Como a tecnologia tem mudado a forma de fazer filmes
por
FABIANA CAMINHA
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03/10/2023 - 12h

A indústria cinematográfica é mais um dos setores que sofreram uma transformação significativa na última década devido à influência da inteligência artificial (IA). Desde os processos iniciais, como a elaboração do roteiro e a seleção do elenco, até a pós-produção, os efeitos especiais e a distribuição da obra, hoje em dia tudo tem uma ajudinha da IA. A partir de uma base de dados, essa tecnologia gera respostas automatizadas que agilizam o processo da produção de filmes e permitem que as empresas aumentem a eficiência das operações ao mesmo tempo em que reduzem os custos laborais.

No entanto, o uso da IA no cinema tem sido objeto de discussão após o início da greve dos roteiristas de Hollywood. A manifestação surgiu a partir da ameaça ao trabalho dos escritores, que podem ter seu trabalho substituído por máquinas automatizadas. A utilização da IA nesse sentido tem levantado importantes questões éticas e legais relacionadas a direitos autorais e à privacidade dos profissionais envolvidos.

Greve dos roteiristas.
Greve dos roteiristas de Hollywood. Reprodução: AP Photo

A manifestação desses trabalhadores americanos chegou ao fim depois de 148 dias de greve. De acordo com o G1, o sindicatos dos roteiristas fez um acordo provisório para retornar ao trabalho enquanto a questão ainda está sendo discutida. Essa foi a primeira disputa trabalhista envolvendo o uso de IA e alguns pontos cruciais foram estabelecidos. Por exemplo, ficou acordado que as produtoras devem informar sempre que usarem material produzido por IA e nenhum software de inteligência artificial poderá ser creditado como escritor ou roteirista. Além disso, os estúdios não podem exigir que um roteirista utilize a IA em seu trabalho. Não há proibições quanto ao uso de roteiros para treinar esses sistemas, mas os escritores têm o direito de saber que seu trabalho foi utilizado dessa forma.

Essa greve representa a preocupação por parte dos trabalhadores em relação ao futuro da inteligência artificial. Segundo o cineasta e professor da Academia Internacional de Cinema, André Moncaio, é necessário usar a tecnologia sem desvalorizar o trabalho do profissional. “É claro que essas inovações tecnológicas moldam um futuro promissor para a indústria, mas a IA nunca vai ser capaz de substituir a criatividade humana”.

Ainda que esse tipo de produção não seja comum, um sistema de inteligência artificial criou um filme sozinho. O BenjaminAI criou o filme de ficção científica “Zone Out”, em 48 horas. Embora o filme tenha apenas 5 minutos de duração, ele foi escrito, produzido, dirigido e editado através da IA. A obra é de 2018 e não surpreende por sua qualidade, mas não deixa de ser um evento marcante na história do uso da inteligência artificial na produção cinematográfica. "A inteligência artificial já revolucionou o modo de fazer cinema. Não são só os estúdios gigantes de Hollywood que usam essa tecnologia para facilitar a produção dos filmes, hoje isso já é mais acessível e a IA está em praticamente todo lugar. Mas assim, apesar de melhorar e simplificar vários processos da produção, a arte vem da mente humana. A emoção vem da mente humana. Isso não tem como ser substituído. O cinema precisa de emoção”, diz Moncaio ao G1. 

Simpósio internacional traz a história da internet e as perspectivas dos profissionais para o futuro da área
por
Beatriz C. Porto, Giovanna O. da Silva e Lorrane de Santana Cruz
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02/10/2023 - 12h

Nos dias 11 e 12 de setembro aconteceu o 2° TechnoIN - Simpósio Internacional em Tecnologias da Inteligência, desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa em Transformação Digital e Sociedade, do Programa de Pós Graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital. O objetivo do evento é criar um diálogo entre estudantes, pesquisadores e profissionais do Brasil e Canadá. 

No dia 12, o painel 2: A história da internet e a evolução da IA (Inteligência Artificial), contou com a presença de Claudio Pinhanez, Demi Getschko, Dora Kaufman, Solange Luz e Soumo Mukherjee. Os pontos principais desta palestra foram contar o surgimento da internet, o treinamento de IA e debater sobre o que poderá acontecer no futuro com a Inteligência Artificial.  

Demi Getschko é professor da PUC-SP, e abriu a palestra falando sobre a história da internet apresentando sua perspectiva profissional. "A internet começa a partir de uma pesquisa em um laboratório de pesquisas avançadas dos Estados Unidos, chamado Arpanet". Getschko, conta que conviveu com alguns dos pesquisadores da internet. "Tenho vários estudos desses pioneiros que estão vivos e eu tive a sorte de conhecê-los bem". 

Explicando um pouco, sobre o contexto histórico do que viria a se tornar internet e como funcionava ele explica: "certamente a Arpanet nasceu com o dinheiro militar, é um projeto feito com o financiamento militar, assim como o GPS".  "Arpanet era uma rede de troca de pacotes o software original servia para realizar essas trocas. Quando mudado, foi implementado no lugar dele um conjunto chamado TCP ou TCPI". Esse IP foi nomeado de internet protocol, ou seja, protocolo de internet. 

Já Claudio Pinhanez, do IBM Research Brasil, contextualizou a história da Inteligência Artificial no mundo. "Vou tentar falar sobre IA como alguém que trabalha há 35 anos nessa área. Comecei a trabalhar em torno de 1987, antes do Brasil entrar na bitnet". Ele continua, "eu gostaria de usar esse espaço para a gente entender o que está acontecendo em Inteligência Artificial e todo esse enorme fuzuê que ronda o assunto, já que todo mundo virou especialista sobre o assunto". 

Tentando desmentir conspirações e fakes news criadas sobre esse tema, ele verbaliza, "É preciso dar um contexto para colocar calma, paciência e a gente se conter um pouco no que a gente está falando sobre IA". 

Apesar de um debate muito atual no meio digital, a inteligência artificial não é algo criado e pensado recentemente. "O que está acontecendo na IA não é novo, nós estamos na quarta, quinta onda com excitação em volta do assunto". Ainda falando sobre o seu trabalho, Pinhanez conta sobre uma exposição que aborda inteligência artificial. "A IBM atuou com o Museu Catavento, nós montamos uma exposição para ensinar a respeito da IA para crianças e famílias. Eu montei um mural com os momentos que considero importantes". 

Voltando algumas décadas, mais especificamente em 1950, Cláudio conta que já havia pesquisas sobre as máquinas inteligentes. "O pesquisador britânico Alan Turing, ficou intrigado ao mexer com sistemas avançados de computação no contexto da época, ele pensou na ideia de que esses sistemas iriam virar inteligentes". Algumas décadas depois, em 1990 o profissional da IBM, diz que é uma época interessante e que se os problemas eram as máquinas, era necessário adicionar mais máquinas. O aprendizado dessas tecnologias é uma característica muito forte". 

E por fim, o último convidado foi o professor da Toronto Business College, Soumo Mukherjee. Que iniciou sua participação dizendo concordar com os demais participantes do painel. "Primeiro eu gostaria de dizer sobre as duas fases da internet, quero falar do passado e do futuro. Nós temos uma especulação sobre a ideia de enciclopédia final, ela seria um repositório de informações humanas. Mas eu aprendi que isso não existe, é apenas uma teoria sobre ficção". 

Ainda sobre essa teoria Soumo diz que, "essa ficção está ali já quase imediata, duas décadas depois nós tínhamos a Wikipedia, e ela não está na nuvem". Finalizando, o professor Mukherjee explora o assunto IA. "Agora nós temos um crescimento explosivo de inteligência artificial, não tem singularidades, mas os trabalhos estão mudando isso é uma realidade. Isso é trabalho para cientistas de dados, e o que devemos fazer é procurar soluções para assim ter dados de uma forma rápida, que possam ser processados", completa o professor.

 

Rock in Rio e The Town viralizam graças à tecnologia e a inteligência artificial
por
Isabella Santos
Sophia Pietá
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02/10/2023 - 12h

Os festivais de música são uma forma de entretenimento que vem se tornando grandioso a cada ano. Rock in Rio, Lollapalooza, The Town, Tomorrowland, são grandes exemplos que procuram trazer para o público a música, diversão e tecnologia. Sempre inovando, a indústria do entretenimento procura se reinventar trazendo novidades para uma experiência única ao público. No século da tecnologia marcado por celulares, redes sociais e inovações, a organização dos maiores festivais busca se encaixar nesse padrão. Com pontos de carregamento para smartphones, aplicativos em tempo real, ativações publicitárias e transmissões ao vivo, os eventos se tornaram mais confortáveis e adaptáveis à realidade da atual sociedade. 

No Rock in Rio 2022, por exemplo, foi criado um aplicativo do festival que possibilitava os presentes no evento acessassem informações em tempo real com os horários dos shows do dia, o palco indicado, ferramentas exclusivas aos PCDs, horário de chegada e saída dos ônibus do evento, marcas parceiras e agendamento das atrações extras. Esse aplicativo se tornou tendência entre os festivais, pela fácil acessibilidade e modernidade. Já nos shows, os artistas procuram a cada ano inovar em suas apresentações com novidades tecnológicas e multissensoriais. “Eu vejo que esse tipo de show com experiências visuais e sensoriais tem conquistado cada vez mais o público. O fato de o artista interagir com a plateia de formas diferentes acaba gerando uma maior conexão ali. As experiências sem dúvidas são únicas e inesquecíveis, mas acaba deixando uma expectativa ainda maior de surpreender nas próximas apresentações” conta para a AGEMT, a assessora de imprensa Maria Fernanda Moog, que trabalha com artistas como Alok, Claudia Leitte, Matuê e Vitão.  

Durante a passagem ao Brasil, a banda britânica Coldplay esgotou os ingressos do Rock in Rio do dia 10 de setembro de 2022 e entregou ao seu público um show personalizado que contava com pulseiras de led programas para mudar de cor de acordo com as batidas das músicas. Eles são pioneiros nesse tipo de tecnologia que envolve o público durante toda a apresentação. 

 

fonte: reprodução

O show de Alok na primeira edição do The Town contou com mais de 42 máquinas de lasers, batendo o recorde de maior quantidade de máquinas em um show. Além disso, ele também utilizou drones especiais para formar projeções no céu causando impacto no público e na imprensa, considerado um dos melhores shows do dia. "Quando se oferece uma experiência diferenciada para o público chama muito mais atenção da imprensa e, consequentemente, dos compradores. Porém, quando o artista já traz o mesmo formato de show há um tempo, acaba sendo mais do mesmo na divulgação, então neste caso, o ideal é divulgar em formato de turnê, falando sobre todas as praças que serão atendidas e os diferenciais dessas apresentações", explica Moog.

A grande tendência deste ano, a inteligência artificial, já está começando a ser utilizada em shows. No The Town ela marcou presença na apresentação do rapper Matuê em que a voz de sua avó, a poeta Núbia Brasileira, foi recriada através da IA para recitar seus poemas e conselhos. Para concluir, essa projeção foi utilizado uma base de gravações antigas para colocar sua voz de volta à vida com base no tom de voz e emoções ao falar, ficando o mais fiel possível a voz real de sua avó.  

Moog acredita que cada vez mais os artistas têm apostado e seguirão com estratégias envolvendo ideias inovadoras para trazer um maior diferencial em suas apresentações. Seja através de show de luzes,  projeções de vídeos e imagens em tela no palco, etc. Participando do processo do show de Matuê a profissional pode afirmar que essas tecnologias auxiliam na aproximação com o público e trazem experiências únicas à plateia.