As festividades pelos 20 anos da ENFF não se limitaram à sua sede. Durante a reunião da Coordenação Nacional do MST, realizada de 20 a 24 de janeiro em Belém (PA), cerca de 400 dirigentes participaram de atividades comemorativas que ressaltaram a importância da formação política na luta por uma sociedade mais justa.
Para o segundo semestre de 2025, está prevista a realização de um Seminário Internacional de Formação Política na própria Escola. O evento reunirá militantes e educadores de diversos países para debater os desafios contemporâneos da formação política e reafirmar o caráter internacionalista da escola e do Movimento Sem Terra.
A ENFF é marcada por princípios de sustentabilidade e trabalho coletivo desde o seu início. Ela foi erguida pelas mãos de mais de 1.200 militantes. “A Escola se constituiu numa referência de trabalho voluntário, solidariedade e de internacionalismo desde o seu processo de construção até os dias atuais, pois o método político-pedagógico se reafirma, nas dimensões do trabalho, da organicidade, da mística, da arte e da cultura, do estudo e da prática dos valores humanistas e socialistas. A colaboração de todas as pessoas que se fazem presentes na sua estrutura física.” explica Selma Santos, dirigente do MST que compõe a CPP, a Coordenação Política e Pedagógica da ENFF.
Essa vivência coletiva se expressa também na rotina da escola: “as pessoas participam das limpezas diárias, preparam as místicas, estudam em núcleos de base. Vivenciam o cotidiano da ENFF de forma coletiva, respeitosa e solidária”, complementa. A organização cotidiana da escola é garantida pela Brigada Apolônio de Carvalho, formada por militantes do MST, e pelo apoio da Associação de Amigos e Amigas da ENFF, que mobiliza solidariedade em diferentes formas — de contribuições financeiras a doações de livros e roupas.
Os edifícios foram construídos com tijolos de solo-cimento produzidos no próprio local, reduzindo o impacto ambiental e o custo da obra. O financiamento veio de doações de apoiadores da Reforma Agrária no Brasil e no exterior, incluindo a venda de fotografias de Sebastião Salgado e o livro Terra, uma parceria com o cantor Chico Buarque. “A arquitetura da ENFF é extraordinária. Ela apresenta uma outra lógica de construção em diálogo com a preservação ambiental”, destaca Selma. “Durante a construção, muitos militantes aprenderam essa técnica e a implementaram em seus assentamentos. A ‘máquina de tijolos utilizada ali, está sendo experimentada em [países de] África e, em breve, na Venezuela.”
Desde sua inauguração, a escola já formou cerca de 70 mil pessoas, em parcerias com 35 universidades brasileiras e internacionais. Também são oferecidos programas de mestrado e doutorado em Desenvolvimento Territorial na América Latina e Caribe, em colaboração com a Universidade Estadual Paulista (Unesp). “Esse resultado é positivo quantitativa e qualitativamente. Ele se reflete no fortalecimento das organizações populares que tiveram militantes formados pela escola, tanto no Brasil quanto em outros países da América Latina, atuando nas lutas estudantis, das mulheres, da moradia, da educação e nos processos de construção de poder popular”, avalia Selma.
A ENFF também é um espaço de articulação internacional, que recebe militantes de diversos países e promove o intercâmbio de experiências entre movimentos populares. Esse caráter internacionalista reforça seu papel estratégico na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
A formação na escola é fortemente influenciada pelo pensamento de Florestan Fernandes e Paulo Freire. “Os dois mestres se colocam na perspectiva da prática–teoria–prática, da ação–reflexão–ação, que parte do estudo teórico enraizado em uma prática concreta. Por isso, o principal critério para participar de um curso na ENFF é ser militante ativo em uma organização popular, com o objetivo de qualificar sua atuação”, explica a coordenadora. Segundo ela, Florestan Fernandes é um grande referente intelectual para o movimento por ter afirmado sua opção pelos pobres e excluídos. Seu trabalho trouxe à tona questões da causa indígena e negra, enquanto defendia a educação pública e a superação do capitalismo. Todos esses temas seguem atuais e necessários.”
Por fim, Selma destaca a importância da cultura e da mística como parte da formação integral dos sujeitos: “Elas reafirmam valores, constroem sentido coletivo e ajudam a formar seres humanos completos, capazes de sonhar e lutar por um mundo diferente. É o contraponto à lógica do ter. O mais importante é o ser — humano e integral.”, conclui.
Sem o apoio do maior centro acadêmico da universidade, paralisação realizada pelos alunos da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) na última semana foi alvo de disseminação de informações falsas. Estudantes contrários ao movimento e até figuras políticas propagaram desinformação sobre as manifestações, na tentativa de enfraquecer os atos.
Os protestos e a paralisação na universidade conquistaram importantes avanços para o movimento estudantil, além de atenção na mídia. Pela seriedade das reivindicações, todos os coletivos estudantis e centros acadêmicos da PUC-SP se manifestaram aderindo ou não aos atos.
Iniciadas pelos Centros Acadêmicos de Ciências Sociais (CACS), Serviços Sociais (CASS), Relações Internacionais (CARI) e pela Coletiva Afroindígena Saravá, as manifestações que paralisaram as atividades dos cursos da Faculdade de Ciências Sociais (FACSOCS), e logo ocuparam o edifício Cardeal Motta, conhecido como “prédio velho”, foram adotadas pelos demais CAs da universidade. Em 21 de maio, dois dias após o início das manifestações, os Centros Acadêmicos de Psicologia (CAPSI), Jornalismo (Benevides Paixão), Letras (Clarice Lispector), assim como o Coletivo de Bolsistas Da Ponte Pra Cá e o Comitê de Estudantes em Solidariedade ao Povo Palestino (ESPP), também demonstraram apoio.
Desde o início da mobilização, o Centro Acadêmico de Direito, o 22 de Agosto, liderado pela gestão Alvorecer, não se fez presente de forma ativa para entender os motivos da paralisação ou explicar aos alunos do curso que representam. Através de um pronunciamento no Instagram, Lais Hera, presidente do CA, afirmou que fez um movimento rápido de votação sobre a adesão à greve, três dias após o início do processo. Na quinta-feira (22), falou sobre a paralisação com os estudantes de Direito, porém, em entrevistas para a AGEMT, alunos que não quiseram se identificar deixaram claro que muitos não sabiam os motivos da manifestação, mas mesmo assim foram incentivados a votar a favor ou contra em um formulário on-line.
Em publicações feitas nas redes sociais, como o X (antigo Twitter), alunos do curso de Direito demonstraram insatisfação com as manifestações do dia 20 de maio. Nas postagens, criticam o movimento, ainda que assumam que não conhecem as pautas reivindicadas.
O resultado foi um espetáculo na quadra da universidade, sem equipamento de som de qualidade, onde quem quisesse ser escutado precisava gritar. Em sua imensa maioria, os estudantes de Direito do período diurno votaram contra a paralisação e deram seguimento às aulas. Na sessão noturna, o cenário foi diferente. Alunos presentes relataram uma assembleia caótica, virtual e presencialmente, com direito a uma chuva de comentários preconceituosos por meio de alguns que estavam presentes via transmissão ao vivo.
No domingo (25), o Centro Acadêmico 22 de Agosto se pronunciou sobre o ocorrido da última sexta-feira e defendeu a presidente do CA, Lais Hera, que foi alvo de comentários preconceituosos na live. Embora a intenção fosse de tomar a responsabilidade de apoiar Hera, o pronunciamento criticou o movimento estudantil de diversas formas, inclusive em uma parte específica explicando que “uma mobilização deve obedecer a etapas claras e transparentes, que legitimam qualquer deflagração grave”.
No mesmo dia, outro comunicado foi expedido pela presidente do Centro Acadêmico. Em vídeo, Hera alegou que só poderiam votar na assembleia geral aqueles que aderiram à manifestação. “Os alunos de Direito não votam sobre a paralisação geral, pois esta continua somente para os cursos em que se aderiram à paralisação”, afirmou. A informação falsa só foi desmentida pela mesa composta pelo comitê da paralisação na manhã de segunda-feira (26), na Assembleia dos Três Setores.
Dada a situação de informações conflitantes, os alunos que estavam presentes na assembleia geriram uma votação pela volta do DCE (Diretório Central dos Estudantes), a fim de solucionar problemas futuros com gestões de CA. Por unanimidade, os estudantes votaram a favor da volta do Diretório na PUC-SP.
Durante a sessão noturna da Assembleia dos Três Setores, alguns estudantes presentes foram atingidos pelo que relataram ser “água e lixo”, arremessados do terceiro andar. As reclamações ocorreram três vezes ao longo da noite, e mesmo a equipe de segurança da PUC-SP e a AGEMT terem tentado identificá-los, os agressores não foram encontrados.
No mesmo dia, em meio às falas dos estudantes, o ex-deputado do MBL, Douglas Garcia, compareceu à assembleia no intuito de criar conteúdo para o seu Instagram e atrapalhar o seguimento das discussões. “Só vocês falam e não deixam mais ninguém falar”, disse o deputado, que não é aluno da PUC-SP, dirigindo-se à mesa.
No primeiro momento, uma estudante o chamou para expor suas ideias. Garcia aceitou, porém, enquanto estava se dirigindo para a mesa, foi barrado por vários alunos. “A gente não dá palco para fascista”, completou Pedro Bezerra, militante do PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário).
Essa não é a primeira vez que o ex-deputado grava vídeos no campus Monte Alegre. Em 26 de março, em frente à universidade, ele filmou conteúdos em defesa da anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro e os condenados pelos ataques a Brasília de 8 de janeiro de 2023. Durante a assembleia de 23 de maio, o militante do MBL foi expulso da instituição por alunos, seguranças e professores com gritos de “Fora fascista, fora!”
O movimento estudantil da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) declarou o fim da paralisação no Campus Monte Alegre, liderada pela Coletiva Afroindígena Saravá, na noite desta terça-feira (27). A manifestação, que começou em 19 de maio, conquistou importantes vitórias para a comunidade acadêmica, como a retirada de queixa policial contra alunos, atendimento imediato de parte das reivindicações e uma “mesa de diálogo” com a reitoria para discutir as outras pautas do movimento.
Um primeiro diálogo entre a comissão de paralisação e o padre Rodolpho Perazzolo, secretário executivo da Fundação São Paulo (fundasp), com o intuito de apresentá-lo formalmente às demandas dos estudantes, ocorreu na segunda-feira (26). Ao final da conversa, o sacerdote fez uma solicitação: que os piquetes interditando algumas das entradas da universidade fossem retirados. O pedido de Rodolpho foi acatado e, já no mesmo dia, e as barreiras foram removidas e devolvidas às devidas salas de aula. No dia seguinte, houve mais uma conversa com o padre, que exigiu o fim da ocupação em troca de remover a liminar judicial contra quatro alunos participantes da paralisação.
As manifestações começaram com a articulação dos centros acadêmicos de Ciências Sociais (CACS), Serviços Sociais (CASS), Relações Internacionais (CARI) e a Coletiva Afroindigena Saravá, que paralisaram as atividades curriculares da Faculdade de Ciências Sociais (FACSOCS) em busca da democratização do ensino através de políticas afirmativas na universidade.
Dentre as exigências da paralisação estão formação antirracista obrigatória para estudantes e funcionários, investigação e responsabilização nos casos de discriminalização, cotas trans e direito de estudantes bolsistas a dupla gratuidade no “bandejão” (restaurante universitário).
Ao longo da semana passada, outros centros acadêmicos participaram da ocupação, como o de Psicologia (CAPSI), Letras (Clarice Lispector), Jornalismo (Benevides Paixão), além de organizações como União da Juventude Comunista (UJC) e o coletivo de alunos bolsistas Da Ponte Pra Cá. Os centros acadêmicos de Direito, o 22 de Agosto, e dos cursos da Faculdade de Economia e Administração (FEA), o Leão XIII, após assembleias realizadas com seus alunos, não aderiram ao movimento.
Os piquetes foram colocados no último dia 21, com o intuito de bloquear diversas salas e passagens dos prédios. Entretanto, a ocupação teve seu início apenas na quinta-feira (22), quando os estudantes dormiram no campus Monte Alegre. A ocupação só foi decretada oficialmente no dia seguinte, em assembleia geral, sendo determinado também que os estudantes passariam o final de semana na universidade.
Criminalização do movimento estudantil
Os jovens que estavam lutando por suas reivindicações foram surpreendidos com uma liminar judicial, assim que foram tentar conversar com o reitor. A FUNDASP, mantenedora da PUC-SP, entrou com o pedido porque desde o dia 19 as entradas para o edifício Cardeal Motta, conhecido como “prédio velho”, foram bloqueadas, assim como uma das entradas do “prédio novo” (edifício Reitor Bandeira de Mello). Alegaram também uma mobilização para coleta de mantimentos, o que sinalizaria uma ocupação por um tempo maior do que poderiam prever.
A liminar coloca os alunos como invasores da universidade, visto que pedem uma restituição de posse do imóvel. Ao todo, são 92 páginas de processo, no qual quatro estudantes são citados, com fotos e contas de rede social. Em assembleia que aconteceu no mesmo dia, estudantes negros representados pela Coletiva Saravá deixaram sua indignação pelos adjetivos no documento.
Representantes de diversos comitês em apoio à ocupação e alunos de vários cursos se reuniram na área da “prainha”. As falas tiveram início na voz da presidenta do CACS, Renala Francisco Fernandes, que reafirmou as pautas defendidas pelo comitê de greve e deu detalhes da reunião com a reitoria. “Foi feito um debate, a gente apresentou os pontos de reivindicação, e a reitoria respondeu de uma forma muito genérica”, apontou. A aluna continua: “Sobre o curso de letramento de raça e gênero, falaram que já existe esse programa e que, de certa forma, seria ampliado, mas não eram os termos em que a gente está falando”. Os relatos do comitê de greve terminaram afirmando que “tanto a questão do ‘bandejão’, quanto das cotas raciais e trans não foram definidas. A gente saiu de uma reunião hoje em que não teve nada firmado”.
Durante o discurso de Renala, o reitor Vidal Serrano apareceu, quase como de surpresa, para compor a assembleia. “Caso a ocupação de fato continue, que o reitor tenha uma posição à lá Nadir Kfouri, e que não deixe que a polícia militar entre na PUC-SP”, finalizou a presidenta do CACS.
Em entrevista à AGEMT, o estudante de Direito Hector Batista, militante da UJC e da União Estadual dos Estudantes (UEE), afirmou: “A gente teve uma reunião com a vice-reitora e algumas pessoas do gabinete, pois o reitor estava no Rio de Janeiro em uma atividade com todas as PUCs do Brasil. Foi quando a gente soube da liminar da FUNDASP”. Ele comenta também sobre a presença do reitor na assembleia: “A gente ficou na expectativa de que ele pudesse vir falar com os estudantes, já que foi uma sugestão feita pelo nosso comitê, mas não tinha certeza de que ele apareceria de fato. A gente considera uma surpresa, principalmente pro público em geral”.
A sequência da assembleia se deu com falas dos representantes de diversos coletivos e centros acadêmicos da universidade. Letícia Chagas, professora da PUC-SP e advogada formada pela primeira turma de cotistas étnico-raciais da USP, marcou presença em um discurso de repúdio à liminar. “Reitor, os meus alunos não estão sozinhos. A negritude da PUC está muito forte porque não está só”, disse. A docente continua: “Foi um absurdo o que fez a FUNDASP, encampando um processo contra nomes específicos de alunos. Como o senhor pode ver, isso aqui não são cinco alunos, isso aqui é um mundo inteiro”.
Durante a assembleia, o estudante do curso de Ciências Sociais e militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), Pedro Bezerra, criticou os métodos da FUNDASP: “Eu estou aqui para dizer que não vai ter reitoria e nem Fundação que vai nos intimidar e nem nos desarticular. Na noite de quarta-feira [21], um funcionário da PUC-SP, de crachá azul, foi dentro do centro acadêmico [de Ciências Sociais] e pediu o nome de quatro estudantes. São esses quatro que estão citados nominalmente no processo”
Como forma de manter a segurança dos estudantes presentes na manifestação, os representantes dos coletivos e centros acadêmicos reafirmaram para os alunos não darem seus nomes a nenhuma autoridade de justiça. Em grupos de WhatsApp criados para organizarem as atividades da ocupação, circulavam listas de nomes dos estudantes que dormiram na universidade. Tal ação foi então alertada pelos administradores dos grupos, com o risco dos nomes serem incluídos em outros processos judiciais. Por isso, muitos dos alunos optaram por não fornecerem seus nomes completos e cursos para a AGEMT.
A representante do Comitê de Estudantes em Solidariedade ao Povo Palestino (ESPP), Aiumii, expressou críticas à forma como a reitoria tem tratado os casos de arabofobia na PUC-SP. Em fevereiro e março de 2025, houve dois casos de mensagens com ameaças de morte em tom de limpeza étnica nas paredes do banheiro do “prédio velho”.
“Já há um ano, a gente denuncia para essa reitoria que houveram casos de ameaça de morte contra alunas árabes nessa faculdade. A resposta que deram para a gente todas as vezes foi que isso não é prioridade da faculdade”, disse Aimuii. Em sequência, a estudante afirmou: “A lágrima de sangue que chora a mãe que perdeu um filho martirizado para a PM, é a mesma lágrima que as mães palestinas choram quando perdem seus filhos”.
Estudante do segundo semestre de Direito, Gustavo Xavier dialogou diretamente com o reitor. “O que a gente está buscando aqui é uma emancipação estudantil. Uma emancipação dos estudantes negros, dos estudantes LGBT, de todos os estudantes” afirmou. Ele continua: “Eu pago 5 mil reais para ser discriminado. Eu não sou um invasor. O que for conquistado aqui, se deliberado, vai mudar vidas, vai mudar a história da PUC-SP”.
Posicionamento dos professores e funcionários
Durante a segunda-feira (26), os estudantes em ocupação organizaram mais uma assembleia, dessa vez em conjunto com as Associações dos Funcionários (AFAPUC) e dos Professores (APROPUC). Chamada de “Assembleia dos Três Setores”, o evento reuniu forças com as demais entidades da universidade, além de resgatar demandas do corpo docente e dos funcionários.
Durante a reunião, que teve uma sessão matutina e outra noturna, os alunos em manifestação leram uma carta escrita à FUNDASP, listando as exigências do movimento. As demandas foram levadas à uma reunião com o padre Rodolpho, marcada pelo mesmo inegociavelmente às 10 horas da manhã da própria segunda-feira (27) uma hora antes do agendado para a primeira sessão da assembleia.
Representantes dos setores associados aos funcionários e professores, Rodrigo Mariano Costa e João Teixeira, respectivamente, fizeram suas falas em apoio ao movimento de ocupação da PUC-SP.
Em discurso individual, Teixeira ratificou críticas à FUNDASP, a partir de denúncias feitas pelo Movimento Estudantil. O professor reafirmou a diferença salarial de até 50% entre os professores negros recém contratados como assistentes de ensino - mesmo possuindo formação de mestres, doutores e pós-doutores -, e professores brancos com a mesma experiência. Quando a militante da Coletiva Saravá, Ica Nishimoto, disse “Isso é racismo!” durante a fala de Teixeira, o professor consentiu com a cabeça.
O fim da assembleia diurna foi um ato de protesto realizado na frente do prédio da FUNDASP, onde os alunos se dirigiram para a sede para recepcionar a saída da equipe do comitê de paralisação, que tinha comparecido à reunião com o padre Rodolpho. No entanto, não foram resolvidas as questões dos estudantes e sim feita uma oferta: retirar os piquetes da universidade, realizada pelos próprios alunos durante a noite, com o intuito de remover a liminar. No dia seguinte, terça-feira (27) houve mais uma conversa com o sacerdote, e nesta, enfim, o acordo para o fim da paralisação foi alcançado.
Fala do reitor Vidal Serrano
O reitor Vidal Serrano se mostrou aberto para dialogar com os alunos na assembleia de sexta-feira e solidário às pautas levantadas. “Na reitoria, temos um compromisso de portas abertas, então qualquer estudante que quiser falar comigo, é só marcar e será recebido. Acho as reivindicações de vocês legítimas, especialmente a questão relacionada ao ‘bandejão’”. Neste momento, os estudantes em frente à mesa questionaram juntos: “E o racismo?”, sendo respondidos pelo reitor com “o racismo também”.
“Eu me comprometo com todas as questões raciais que estão colocadas por escrito em uma carta que vou deixar aqui, e vocês lêem depois”, continuou o reitor, que após o movimento dos alunos gritarem “lê” repetidamente, fez a leitura do documento.
A carta apresentada pela reitoria consiste em cinco pontos com os quais ela se compromete, “sem prejuízo de futura construção conjunta e coletiva”. Dentre os tópicos listados estão “letramento racial; reformas nos cursos de graduação com o compromisso de efetivação de currículos antirracistas; restaurante universitário (qualidade da comida fornecida, expansão imediata da bolsa alimentação e dupla alimentação para todos os bolsistas); garantia de devida apuração a todo ato discriminatório e negociações quanto a permanência do programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas”.
Em defesa do segundo ponto levantado na carta, Serrano apresentou as ações já feitas pela reitoria. “Nós estamos avaliando todos os cursos da graduação aqui, ouvimos 800 estudantes nos últimos dois meses e queremos apresentar para uma comissão de cada uma das faculdades o resultado dessa avaliação”. Em sequência, ele reconheceu déficits nos cursos: "É verdade que há aspectos relacionados à estrutura da universidade e à população que são deficitários, mas também é que vários dos nossos cursos precisam ser melhorados. Melhorados do ponto de vista científico e acadêmico”.
Ao fim da leitura da carta, o reitor foi questionado quanto à liminar que criminaliza os estudantes como “invasores” do campus, e se poderia fazer alguma mediação com a Fundação. “Queríamos garantir que ele se comprometesse com o diálogo com a Fundação, para que não haja nenhuma retaliação futura. Daqui a seis anos, com a gente formado, ainda podemos estar com uma dívida enorme por conta dessa liminar”, disse Renala Fernandes.
Em resposta, Serrano afirmou: "essa liminar não partiu da reitoria, em primeiro lugar. Nós não sabíamos. Eu não sou favorável a isso, não acho que seja correto entrar com ação contra os estudantes. Não sei se eu vou conseguir [remover a liminar], mas me comprometo a dialogar com a Fundação”. Após a presença do reitor na universidade, um primeiro comunicado foi divulgado via Instagram a fim de pontuar quais reivindicações seriam estudadas pela reitoria.
Várias outras exigências quanto à administração da universidade foram feitas ao reitor na assembleia. Pautas como o posicionamento frente à questão da solidariedade aos povos palestinos, a implementação de cotas para pessoas trans, entrada de alunos indígenas na universidade e até a presença do padre Rodolpho, diretor executivo da FUNDASP, para circular e ver a situação do campus foram levantadas.
Nesse momento, o reitor se despediu dos estudantes presentes, que se manifestaram contra sua ida. Enquanto pediam a Serrano “professor, tem mais”, este respondia “eu preciso ir embora, tenho outro compromisso”.
Após sua saída, a assembleia seguiu, até uma votação realizada pelos alunos onde, por unanimidade, foi determinada a continuação da ocupação até segunda-feira (26), com alunos permanecendo dentro da universidade durante o final de semana.
Com a continuação do movimento durante os dias e as reuniões com o padre, a paralisação chegou ao fim. O pedido de Rodolpho foi acatado pela comissão de greve e repassado para os demais. No mesmo dia, as barreiras foram retiradas e devolvidas às devidas salas de aula. Na terça-feira (27), houve mais uma conversa com o diretor executivo da Fundação São Paulo que exigiu o fim da ocupação em troca do fim da liminar.
Mesmo com um fim o movimento saiu muito vitorioso e em suas redes sociais publicou.
Estudantes da PUC-SP ocuparam a universidade a partir da noite de quinta-feira (22), em reivindicação de políticas antirracistas e melhorias na infraestrutura do campus Monte Alegre. Os alunos passaram as noites de 23 a 26 de maio no edifício Cardeal Motta, conhecido como “prédio velho”, organizando manifestações e palestras em defesa de suas demandas.
Os Centros Acadêmicos de Ciências Sociais (CACS), Serviços Sociais (CASS), Relações Internacionais (CARI) e a Coletiva Afroindígena Saravá já organizavam a paralisação geral de seus cursos desde 19 de maio. Após assembleia geral com a presença do reitor Vidal Serrano, na sexta-feira (23) à noite, o comitê de greve definiu o início da ocupação.
Como foi a ocupação?
Em entrevista à AGEMT, o graduando de Direito Hector Batista, militante da União da Juventude Comunista (UJC) e da União Estadual dos Estudantes (UEE), conta como foi o processo.
“Foi uma experiência incrível de conexão com muitos estudantes, que vieram, ou para passar a noite, ou para participar de algum momento do dia, com apoio até de professores que vinham aqui nos ajudar”, apontou o militante. “Foi um processo coletivo importante pra gente se fortalecer enquanto Movimento Estudantil, mas também para criar uma conexão com os outros alunos”, completou.
Durante a ocupação, os estudantes organizaram diversos eventos no campus, como rodas de conversa, aulas abertas, oficinas de confecções de cartazes, atividades esportivas e atos de protesto.
Hector descreveu como foram as atividades estruturadas pelo comitê de greve. “Teve uma palestra para falar sobre a questão da Palestina, uma para falar sobre o que é o CONSUN [Conselho Universitário], o CONSAD [Conselho Nacional de Secretários de Administração], a reitoria e a FUNDASP. A gente decidiu que não estamos deixando de ter aula, mas estamos construindo as nossas próprias aulas aqui durante o dia”, afirmou.
O movimento foi abraçado por muitos alunos e familiares que, mesmo não podendo estar presentes na ocupação durante os dias, colaboraram com doações de refeições e em dinheiro para o comitê. Alimentos e itens essenciais de cuidado foram fornecidos para que os estudantes que passaram as noites pudessem se manter.
“A gente acordava todos os dias bem cedo e tomava café da manhã em coletivo, então a gente recebeu muita doação de alimentos”, conta Hector. Ele continua: “A galera trouxe fruta, pão, tudo que a gente precisava. A mãe de um estudante nos trouxe até um caldo de mocotó para comermos, então foi um processo bem interessante”.
De acordo com Hector, os estudantes se dividiram em comissões para cuidar dos diferentes aspectos da ocupação. “A gente se dividia em tarefas: tinha a comissão de alimentação, de limpeza e de segurança, que precisava ficar de olho o tempo todo aqui pra caso a gente tivesse algum problema nas entradas”.
Toda a função de cuidado e limpeza dos espaços da universidade ficou por conta dos próprios alunos. Os centros acadêmicos e salas utilizadas passaram por uma faxina completa, assim como todos os bloqueios de cadeiras e mesas presentes no prédio foram removidos na noite de segunda-feira (26). Nas palavras do estudante de Ciências Sociais e militante do PCBR, Pedro Bezerra, durante assembleia realizada na manhã de segunda-feira (27) não seria justo deixar aos funcionário da universidade cuidarem do espaço utilizado ao longo da ocupação pelos próprios alunos.
Em uma assembleia organizada com os três setores da PUC-SP - estudantes, funcionários (representados pela Associação de Funcionário da PUC, AFAPUC) e professores (Associação de Professores da PUC, APROPUC) -, na segunda-feira (26), foi realizada uma votação sobre a continuidade da ocupação. O comitê de greve propôs que os alunos desocupassem o campus na mesma noite ou na manhã do dia seguinte, após reunião com o padre José Rodolpho Perazzolo, diretor executivo da FUNDASP.
Após consulta realizada nas duas sessões da assembleia (diurna e noturna), a decisão foi de manter a ocupação até o dia seguinte. Pela manhã, foi determinado que os estudantes voltassem para suas casas e o movimento de paralisação terminasse após conversa com a Fundação.
Em comum acordo entre movimento estudantil e reitoria, o fim da manifestação foi comunicado através das redes sociais das partes na noite de terça-feira, com retorno normal das atividades no campus Monte Alegre na quarta-feira (28).
Alunos da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) realizaram uma ocupação no campus Monte Alegre nesta semana, protestando contra o posicionamento da reitoria frente cobranças sobre falhas na infraestrutura e casos de discriminação nos cursos. Na sexta-feira (23), o reitor Vidal Serrano compareceu a uma assembleia geral para conversar com os estudantes. Após o diálogo foi determinado que a ocupação iria durar até segunda-feira (26).
As manifestações começaram na segunda-feira (19) e tiveram seu estopim em uma assembleia organizada pelo Centro Acadêmico de Psicologia (CAPSI), na quarta-feira (21), que definiu a interrupção das aulas no curso. Os Centros Acadêmicos de Ciências Sociais (CACS), Serviços Sociais (CASS), Relações Internacionais (CARI) e o Coletivo Negro Saravá também participaram da assembleia e aderiram à organização dos atos. Seus respectivos cursos estão com aulas suspensas desde o início da semana.
A assembleia do Centro Acadêmico de Psicologia
Os estudantes iniciaram os protestos com base em denúncias feitas por alunos sobre os casos de racismo, infraestrutura da universidade, permanência estudantil e atitudes da reitoria diante desses ocorridos na universidade, nos últimos 2 anos.
Durante a assembleia, a vice-presidente do CAPSI, Ana Julia Araujo, comentou sobre as reclamações dos estudantes: “Uma das pautas colocadas foi o fechamento do curso de pós-graduação de Relações Internacionais, o programa San Tiago Dantas, essencial na pesquisa da causa dos povos palestinos”. Ela também aponta falta de diálogo entre a Fundasp (mantenedora da PUC-SP) e o corpo docente e discente do curso antes de tomar a decisão de encerrar o programa.
Outras denúncias incluem atos de racismo por parte dos docentes dos cursos de História e Ciências Sociais. Em um caso relatado à Folha de S. Paulo, em 2024, uma aluna - única não branca de sua sala - afirmou ter sofrido racismo de uma professora no curso de História. Quando denunciada pela aluna à ouvidoria, a Fundasp afirmou que não iria afastá-la, pois seria muito caro à fundação, devido aos 40 anos de trabalho da professora para a universidade.
Em entrevista à AGEMT, Athos Soares, estudante de Ciências Sociais, conta que um aluno do curso, ao tentar entrar na sala de aula, foi barrado e questionado por um segurança a respeito da sua permanência no local.
O ápice das denúncias ocorreu nesta semana, com a queda de parte do teto do edifício Cardeal Motta, conhecido como “prédio velho”, durante a assembleia do CACS, na segunda-feira (19). Discentes que gostariam de ser deixados em anonimato afirmam à AGEMT terem visto um grupo de crianças em excursão na área minutos antes do ocorrido.
Na manhã de quarta-feira (21), um vídeo de um rato andando pelo refeitório universitário circulou pelas redes sociais, interditando o espaço e alarmando os estudantes sobre a higiene do local.
Após os Centros Acadêmicos dos cursos da Faculdade de Ciências Sociais (FACSOCS) aderirem à paralisação no início da semana, o resultado da votação dos alunos de psicologia foi de unanimidade entre os presentes na assembleia, por 193 a favor da interrupção das atividades curriculares.
Definida a paralisação, os estudantes realizaram piquetes nas entradas do prédio Cardeal Motta, utilizando mesas e cadeiras para bloquear os acessos ao edifício e às entradas das salas dos cursos de Ciências Sociais, Serviços Sociais e Psicologia.
Na manhã da quinta-feira (22), o acesso ao campus pela rampa da Rua Monte Alegre (que estava bloqueado) foi aberto para a circulação dos funcionários. Espaços em meio aos piquetes para que os alunos acessassem as salas de aula também foram liberados, mas as cadeiras ainda estavam presentes, revelando a constante presença dos alunos.
Posicionamento dos outros centros acadêmicos
Os protestos foram oficialmente apoiados pelos Coletivos Da Ponte pra Cá - frente organizada por alunos bolsistas -, União da Juventude Comunista (UJC), Movimento Correnteza e pelo Centro Acadêmico de Jornalismo Benevides Paixão (Benê).
O Centro Acadêmico 22 de Agosto, do curso de Direito, sob a gestão Alvorecer, inicialmente não havia aderido à paralisação, mas na manhã desta quinta-feira (22), a gestão convocou uma assembleia para decidir o posicionamento dos alunos.
Após referendo via formulário on-line, à 00h de sexta-feira (23), por 504 votos o curso manteve sua posição e não se uniu ao movimento.
O Centro Acadêmico Leão XIII, da Faculdade de Economia e Administração, realizou manifestações publicamente e convocou uma votação virtual na quinta-feira (22) para decidir se iria aderir à interrupção das atividades. O resultado, divulgado na sexta-feira (23), definiu que o centro acadêmico não irá aderir à ocupação, por preocupações com o calendário acadêmico e prejuízo nas disciplinas
Exigências do protesto e os cortes da Fundasp
Em carta de proposta aberta assinada pelo CACS, CASS, CARI e pelo coletivo Saravá, os alunos apresentam algumas das demandas gerais para a reitoria da universidade, entre elas o congelamento e diminuição das mensalidades dos cursos, a abertura de contas da Fundasp e a implementação de cotas para pessoas trans.
Em meio às exigências, se destacam a elaboração de um currículo anti-racista na universidade e cursos de letramento racial e de gênero aos professores. “A gente vê um sucateamento gigantesco entre os professores, por exemplo, docentes negros sendo contratados depois de muita luta, mas recebendo salários menores que os brancos”, conta Athos. Sobre as novas contratações, ele acrescenta, “esses funcionários são contratados não como professores, mas sim como assistentes de ensino, sendo excluídos da carreira, mas ainda exercendo função como docentes”.
Em relação aos estudantes bolsistas, o ativista retoma: “Fica muito difícil para os alunos entrarem e se manterem em uma universidade que não pagam, mas também não lhes são oferecidos planos de carreira”, em referência à identificação do aluno com o corpo docente e a qualidade de ensino oferecida pela universidade. Tais movimentos reiteram que, para a Fundasp, “há a necessidade de manutenção de um estado de profissionais que foram formados há muito tempo e que têm um currículo desatualizado para o nível dos estudantes”, completa Athos.
Durante a assembleia, os protestantes questionaram a falta de disponibilização de bolsas para alunos pretos, pardos e indígenas, assim como a remoção do programa de bolsas integrais nas refeições do restaurante universitário. “O programa de bolsas do ‘bandejão’, que antes eram de duas refeições ao dia, agora é reduzido a uma, para todos os bolsistas menos os do FIES” (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior), afirma Athos. O estudante ainda manifesta: “a galera mais fodida, que se endivida pelo o resto da vida para entrar na universidade, não tem direito nem a comer dentro do campus”.
Os alunos exigiram uma resposta mais firme e imediata da reitoria e da FUNDASP quanto aos casos de injúrias raciais. Uma das exigências presentes na carta proposta é a de “ação institucional contra alunos, professores e funcionários envolvidos em casos de preconceito e abuso em geral reconhecido pelo corpo discente”. Ao longo da manifestação de quarta (21), Athos, membro do Movimento Correnteza, disse: “eu pago cinco mil reais pra vir pra cá sofrer racismo. Vocês acham isso justo?” se dirigindo à plateia de quase 130 pessoas.
Com a apuração dos últimos editais de bolsa, é notável que de forma gradativa, a universidade tem feito cortes nos programas de bolsa. A Fundasp, nos últimos 10 anos, reduziu o número de bolsas em 92,89%. O que antes eram 450 bolsas integrais filantrópicas se tornaram somente 32. Vale ressaltar que esse número é dividido entre todos os cursos.
Segundo apurações do Centro Acadêmico de Psicologia, nesse ano não houveram vagas ofertadas pelo PROUNI (Programa Universidade para Todos) nos cursos de História, Ciências Sociais, Pedagogia, Serviço Social, Jornalismo, Arte: História Crítica e Curadoria, Comunicação e Multimeios, além de Publicidade e Propaganda. Ainda, só foi disponibilizada uma bolsa para pessoas PPI (pretos, pardos e indígenas) em cursos como Psicologia, amplamente procurado.
O que diz a PUC?
Ao ser questionada pela AGEMT, a assessoria da reitoria afirmou que “a manifestação desta quarta-feira (21/5) afetou brevemente a normalidade do Campus Monte Alegre”. Em outro comunicado, direcionado ao portal de notícias CNN, a universidade ressalta: “a nova Reitoria da PUC-SP está e sempre esteve aberta ao diálogo com todos os alunos. Embora as pautas levantadas sejam de relevo, a manifestação desta quarta-feira envolveu um grupo minoritário de estudantes de cursos do edifício Cardeal Motta”.
No entanto, a assembleia realizada na manhã desta quinta-feira (22) pelo Centro Acadêmico de Direito reuniu mais de 300 alunos de cursos variados na área da quadra da universidade, segundo a presidente do centro acadêmico, Lais Hera, durante o evento. O conjunto de protestantes presentes nestas manifestações durante os horários das atividades curriculares já ultrapassa este número e vem crescendo cada vez mais.
Os estudantes organizaram uma programação durante a semana, que inclui assembleias gerais entre os centros acadêmicos, aulas abertas e palestras na quinta-feira (22) e na sexta-feira (23).