Nova norma estimula o desenvolvimento e a incorporação mais rápida das novas tecnologias no setor de saúde
por
Carolina Nader
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16/04/2026 - 12h

Na última sexta-feira (10) , o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que tem como objetivo facilitar o acesso a remédios, testes diagnósticos e outros produtos de terapia avançada para pacientes da rede pública de saúde. De acordo com o comunicado, as vacinas contra o câncer e outros tratamentos inovadores devem ser disponibilizados gratuitamente e de forma prioritária pelo Sistema Único de Saúde (SUS). 

Publicada nesta segunda-feira (13) no Diário Oficial da União (DOU), a nova norma - que já está em vigor - estabelece que as vacinas deverão estar centralizadas na Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer. As vacinas, os medicamentos e os produtos oncológicos de terapia avançada enquadram-se na categoria de precedência prioritária, direito legal que garante atendimento imediato ou preferencial a grupos específicos. 

Como previsto no DOU, o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) poderá destinar recursos específicos ao financiamento de pesquisas, projetos e estudos voltados ao desenvolvimento de tecnologias contra o câncer no País. 

Com base no Art. 7°-B, haverá um incentivo à análise genética como ferramenta de apoio ao diagnóstico e à personalização do tratamento oncológico segundo as características biológicas do câncer. Após a análise genética de cada paciente, as vacinas, que são produzidas de forma individual, serão aplicadas para estimular a produção de células de defesa direcionadas ao combate do tumor. 

Pela nova legislação, a regulação sanitária de tecnologias contra o câncer obedecerá a princípios para tornar mais rápida a liberação de vacinas e medicamentos. 

A lei objetiva aumentar a produção científica nacional, reduzindo a dependência de importações e apoiando a aplicação de Inteligência Artificial (IA) em atividades de pesquisa e desenvolvimento, voltados à inovação oncológica e ao fortalecimento de parcerias com universidades e centros de pesquisa públicos e privados. 

Troca de comando do órgão foi anunciada pelo Ministério da Previdência Social; nova mandatária assume com promessa de “solucionar a fila”
por
Khauan Wood
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16/04/2026 - 12h

Gilberto Waller foi demitido do cargo de presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) nesta segunda-feira (13). O posto será assumido pela servidora pública de carreira Ana Cristina Viana Silveira.

Waller é procurador federal e integrante da Advocacia-Geral da União (AGU), ele havia sido nomeado pelo presidente Lula em abril de 2025 após a exoneração de Alessandro Stefanutto, afastado devido às investigações da Operação Sem Desconto.

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Waller presidiu o INSS por cerca de 11 meses. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Stefanutto foi preso em novembro no âmbito das investigações, que apurava um esquema bilionário de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS.

Deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), a ação apurava suspeitas de fraudes de cerca de R$ 6,3 bilhões relacionadas a descontos não autorizados de mensalidades associativas nos benefícios de aposentados e pensionistas. 

Quem é Ana Cristina Silveira?

Servidora de carreira desde 2003, no cargo de Analista do Seguro Social e graduada em Direito, Ana Cristina ocupava a função de secretária executiva adjunta do Ministério da Previdência Social antes de ser nomeada.

Também foi presidente do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) entre abril de 2023 e fevereiro de 2026. 

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Antes da nomeação Ana Cristina se reuniu com o presidente Lula (PT). Foto: Ricardo Stuckert/PR

De acordo com o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz (PDT-PE), a nomeação de Ana Cristina inaugura um novo momento para o INSS. 

O ministro ainda elogiou a visão sistêmica da nova presidente e afirmou que a sua posse cumpre a determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de "solucionar a fila” do Instituto.

Será a primeira vez em 20 anos que o pleito terá apenas uma representante feminina
por
Carolina Machado
Maria Olívia Almeida
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15/04/2026 - 12h

Em reunião do Diretório Nacional, dia 1 de fevereiro, foi aprovado o nome de Samara Martins como pré-candidata à Presidência da República para as eleições de 2026, representando a Unidade Popular (UP). De acordo com o comunicado oficial do partido, a escolha por Samara é parte da resposta da classe trabalhadora brasileira à escala 6×1, à população negra e à violência contra as mulheres.

Plenária aberta com a pré-candidata Samara Martins.  Imagem: Instagram/Reprodução @unidadepopular
Plenária aberta com a pré-candidata Samara Martins. Foto: Reprodução @unidadepopular

Ao longo da história, algumas mulheres se destacaram no Brasil em disputas à presidência. A primeira candidata foi a advogada Lívia Maria (PN), em 1989. Após nove anos, em 1998, Thereza Ruiz (PTN) foi a segunda a concorrer pelo cargo, ambas com pouca adesão popular.

Apenas a partir de 2006, a presença feminina se manteve constante nas eleições para o executivo federal com a presença de Ana Maria Rangel (PRP) e Heloísa Helena (Psol). Em 2010 e 2014, Dilma Rousseff (PT) foi eleita e reeleita, sendo a primeira mulher a alcançar o cargo no país. No pleito de 2014, Luciana Genro (Psol) e Marina Silva, que representava o PSB, disputaram contra a então presidenta. Em 2018, Marina teve novamente seu nome inscrito nas urnas, desta vez pela Rede Sustentabilidade e como candidata a vice-presidente, mas após a morte de Eduardo Campos, ela assumiu a disputa à presidência. Quatro anos depois, a disputa presidencial foi marcada por Simone Tebet, que representava o MDB e alcançou o terceiro lugar, além de Soraya Thronicke (União Brasil),Vera Lúcia (PSTU) e Sofia Manzano (PSB). 

Em entrevista à AGEMT, Francisco Fonseca, sociólogo e doutor em História Social, conta que a participação feminina na política institucional é pequena quando comparada a movimentos sociais e populares. “No Brasil, a mulher ainda é regida pelo patriarcado. Isso porque ela está muito mais presente no cotidiano e na vivência, justamente por ser ainda aquela que cuida sozinha dos filhos e das famílias", acrescenta. 

Protesto pela vida das mulheres, em São Paulo Imagem: Valter Campanato/ Agência Brasil
Protesto pela vida das mulheres, em São Paulo. Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil

Samara é dentista no SUS do Rio Grande do Norte, militante e coordenadora nacional da Frente Negra Revolucionária e vice-presidente nacional da UP, além de atuar em movimentos sociais como o Movimento de Mulheres Olga Benário. 

Em 2022, foi candidata a vice-presidente na chapa de Leonardo Péricles (UP) e, juntos, obtiveram 0,05% dos votos no primeiro turno, 53.519 do total. Segundo Fonseca, a baixa porcentagem obtida pelo partido ilustra a dificuldade de romper com a sub-representatividade de gênero e raça enraizada no país. 

Fonseca ainda afirma que, neste momento, o fato de Samara Martins ser a única mulher pré-candidata na disputa pela presidência, chama a atenção. “Sua pré-candidatura é mais um movimento para marcar posição em um cenário em que as mulheres são mais da metade da população e do eleitorado brasileiro”, reiterou.

Em entrevista à AGEMT, Samara Martins ressalta como a UP defende a emancipação das classes oprimidas e a luta contra a opressão patriarcal. Trazendo a importância de uma representação qualificada, apontando não bastar uma candidatura feminina que não defenda em seu projeto político a emancipação da mulher. “É preciso estar comprometido com o que é a raiz do problema: o capitalismo”, arremata. 

Plenário “por que as mulheres devem lutar pelo socialismo?” com a pré-candidata Samara Martins  Imagem: Instagram/Reprodução @unidadepopular
Plenário “por que as mulheres devem lutar pelo socialismo?” com a pré-candidata Samara Martins. Foto: Reprodução @unidadepopular


Samara Martins também destacou a importância de movimentos de base como o movimento Olga Benário, que cria casas de referência para enfrentamento à violência contra mulheres em todo o país, de forma auto organizada. Entre 2025 e 2026, o Brasil registrou recorde de feminicídios. Foram 1.568 vítimas, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Só em janeiro deste ano, 27 mulheres foram mortas no estado de São Paulo. 

A pré-candidata ainda aponta que “é necessário garantir emprego, formação e autonomia para as mulheres com uma política de Estado. Combater a exploração e a precarização do trabalho das mulheres é parte disso, reduzindo a jornada de trabalho, acabar com a escala 6x1 e implantar a escala 4x3, revogar as reformas trabalhistas e da previdência”, apresentando parte do programa da Unidade Popular para a presidência. 

Tanto para Fonseca quanto para Samara, o simbolismo da única pré-candidatura feminina à presidência em 2026 e a histórica participação minoritária do grupo no papel, alimentam o debate social da violência e opressão sofrida por mais da metade da população. Para eles, enquanto houver poucas mulheres na política, deve-se questionar quais mecanismos são utilizados para manter esse padrão.

Após antecipação da saída de Cármen Lúcia, o ministro dirigirá as eleições de 2026
por
Carolina Nader
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15/04/2026 - 12h

Nesta terça-feira (14), o Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) elegeu o ministro Nunes Marques como presidente da Corte após a ministra Cármen Lúcia anunciar sua saída do cargo. Ele comandará o Tribunal durante dois anos  ao lado do ministro André Mendonça - eleito vice-presidente do TSE. 

A eleição ocorreu entre os membros do Tribunal, por meio de urna eletrônica, tendo seis votos contra um para Nunes Marques. A votação é simbólica porque o cargo é ocupado em sistema de rodízio por antiguidade entre os ministros do STF. O placar também é uma tradição na corte, pela qual o próximo presidente não vota em si mesmo, mas em quem o sucederá, no caso, André Mendonça.

De acordo com o TSE, a ministra Cármen Lúcia, atual presidente da Corte, antecipou a saída prevista para 3 de junho, para permitir rapidez na transição e na organização das eleições, que ocorrem em outubro. Durante a votação, ela ressaltou a experiência dos magistrados e a responsabilidade diante das eleições que se aproximam, destacando a confiança no seguimento do trabalho feito pela Justiça Eleitoral. 

“Os ministros vêm desenvolvendo as suas condições de juízo com grande seriedade e responsabilidade, fazendo com que todos nós tenhamos, na cidadania brasileira, a tranquilidade de saber que a Justiça Eleitoral continuará a prestar o seu serviço”, concluiu a ministra no pleito, após confirmação da eleição do novo presidente do TSE. 

Quem é Nunes Marques? 

Nascido em Teresina, Piauí, Kassio Nunes Marques atuou como advogado nas áreas cível, trabalhista e tributária por 17 anos, entre 1995 e 2011. Foi juiz do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí de 2008 a 2011 e desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região de 2011 a 2018, onde exerceu a Vice-Presidência, entre 2018 e 2020.

Tornou-se ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2020, e ministro efetivo do Tribunal Superior Eleitoral em 2023, tendo assumido a Vice-Presidência da Corte em 7 de maio de 2024. Agora, Nunes Marques comandará o TSE por dois anos, incluindo as Eleições Gerais de 2026.

Na universidade, a resiliência e a resistência histórica do movimento estudantil faz parte do marco dos 62 anos de implementação da ditadura no Brasil
por
Carolina Machado
Carolina Nader
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10/04/2026 - 12h

A passagem dos 62 anos do golpe militar no Brasil, entre 31 de março e 1 de abril de 2026, lembra a resistência do movimento estudantil frente à invasão da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), treze anos após o início da ditadura.

Na instituição, a memória está consolidada no próprio espaço físico, como na placa sobre a “Invasão Policial de 1977” disposta na entrada pela rua Monte Alegre. Isso porque, antes de qualquer marco, a universidade nunca deixou a história ser apagada e sempre trouxe a reflexão à tona ao manter em seu espaço a memória.

Placa presente na entrada da PUC-SP, em memória à invasão de 1977.  Foto: Carolina Nader (@nadercaroll)
Placa presente na entrada da PUC-SP, em memória à invasão de 1977. 
Foto: Carolina Nader/Agemt

Na ocasião, o Brasil estava sob o regime do AI-5 (Ato Institucional nº 5) e a UNE (União Nacional dos Estudantes) foi declarada ilegal. Ainda assim, o movimento estudantil ganhou força na PUC-SP quando os alunos e militantes de esquerda conquistaram maior espaço com a criação dos centros acadêmicos e a nomeação da primeira mulher reitora da universidade, Nadir Kfouri.

Em entrevista à AGEMT, Valdir Mengardo, ex-aluno da ECA-USP (Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo) e militante presente na invasão à universidade, relata que a revolta da comunidade acadêmica foi muito grande. “Acho que foi um dos impulsionadores de toda a resistência que já estava acontecendo”, afirma.

No dia 21 de setembro, uma reunião do III Encontro Nacional dos Estudantes (ENE) realizada na FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), resultou no agrupamento de 15 mil policiais e na prisão de 210 estudantes, pois ao saber da concentração, o Secretário de Segurança do Estado na época, Coronel Erasmo Dias, mandou bloquear estradas para São Paulo e encheu de tropas policiais a FGV, USP e PUC-SP. Os militares não sabiam, mas essa era apenas uma manobra para tirar o foco  do movimento que se realizaria  oficialmente, em segredo, na PUC-SP no dia seguinte.

Reunindo cerca de 2 mil alunos diante do TUCA, o Ato Público iniciou-se com a leitura de uma carta aberta que foi rapidamente interrompida por uma violenta operação policial coordenada por Erasmo Dias. “Na época, o que a gente ouviu falar é que o motivo da agressão contra os alunos era por causa da mobilização subversiva à ditadura”, afirma Boaventura Inglez ou “Senhor Benê”, como todos conhecem, caseiro e funcionário da manutenção na universidade a mais 50 anos, em entrevista à AGEMT.

Capa edição de setembro de 1979 do Porandubas Foto: Arquivo/Comissão da Verdade da PUC-SP
Capa edição de setembro de 1979 do Porandubas. Foto: Arquivo/Comissão da Verdade da PUC-SP

De acordo com a Comissão da Verdade da PUC-SP, os policiais lançaram bombas, agrediram os estudantes que estavam na mesa do ato, rasgaram os cartazes e encurralaram aqueles que tentavam furar o cerco policial.  “Eles levaram os alunos em fila indiana, todo mundo com a mão no ombro do outro e subindo a rampa do restaurante. Puseram ônibus lá na esquina, num terreno vazio, para fazer a triagem do pessoal e para que depois os levassem para delegacia”, acrescenta o senhor Benê.

O ex-aluno da ECA-SP, Valdir, presente no ocorrido, ainda disse que a repercussão pelo corpo docente levou a uma reação muito forte por parte da reitora. “A dona Nadir não quis cumprimentar o Erasmo Dias quando ela foi vistoriar os estragos que estavam sendo feitos na universidade”, conta.  ​​

Em registro histórico feito pela PUC-SP, no jornal Porandubas, houve depoimentos prestando solidariedade às vítimas. Os reitores de outras Pontifícias e a da própria PUC de São Paulo, lamentaram as agressões e criticaram a repressão vivenciada pelos estudantes e funcionários da instituição.

Relatos retirados da edição de outubro de 1977 do jornal Porandubas  Foto: Arquivo/Comissão da Verdade da PUC-SP
Relatos retirados da edição de outubro de 1977 do jornal Porandubas. Foto: Arquivo/Comissão da Verdade da PUC-SP

A reitoria escreveu aos pais dos alunos sobre o ocorrido, a fim de esclarecer insinuações que cercavam a invasão. “A Pontifícia Universidade Católica de S. Paulo, tendo sido vítima de brutal agressão física e moral, continua firme no difícil intento de oferecer aos seus alunos uma educação que parta dos valores e dos princípios fundamentais do humanismo cristão, e uma formação profissional digna do nível que, através de três dezenas de anos, conseguiu atingir”, declarou a reitora no impresso Porandubas.

Em um dos relatos feitos no impresso, na parte de “reações”, houve a seguinte afirmação por parte da reitoria: “a invasão foi para descaracterizar a PUC, como um aviso, pois cumpre funções de universidade democrática”.

Professores de outras faculdades participaram da reunião organizada pela Associação de Professores da PUC-SP (APROPUCSP). Nela, buscaram relatar a humilhação e a vergonha da classe docente, diante de uma invasão sem precedentes nas faculdades de São Paulo, que afetou o direito livre de expressão.

Os registros do jornal Porandubas serviram como uma resposta da comunidade universitária para reafirmar valores de diálogo, formação crítica e liberdade. A memória da invasão permanece, assim, como símbolo da defesa da universidade democrática e de seu papel social.

Para o senhor Benê, o que fica é a história de preservação e de luta democrática que, assim como para Mengardo, não é lembrada “apenas pelo heroísmo”, mas também pela lembrança contra possíveis novas agressões nesse sentido. “A gente já viu na eleição passada e estamos vendo novamente correntes conservadoras com as mesmas bandeiras que o senhor Erasmo defendia em 1977, precisamos estar sempre em alerta para não acontecer de novo”, concluiu Valdir.

No plenário da Alesp, Fabiana Bolsonaro usa a pintura corporal para sustentar discurso transfóbico
por
Amanda Campos
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19/03/2026 - 12h

A sessão da Assembleia Legislativa de São Paulo desta quarta-feira (18) se transformou em palco de controvérsia após a deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL) atacar a deputada federal Erika Hilton (PSOL), atual presidente da Comissão de Direitos das Mulheres, em Brasília. O discurso foi marcado por uma encenação amplamente condenada: a parlamentar fez um blackface – prática historicamente racista – para sustentar comparação transfóbica.

O blackface é uma prática racista antiga que nasceu para ridicularizar e excluir pessoas negras. A ação consiste em se “fantasiar” ou “homenagear”. No século XIX, atores brancos se pintavam para fazer piadas sobre pessoas negras e ridicularizar sua cultura de forma sarcástica e cruel. Infelizmente, a prática continuou presente no cinema, na TV e no entretenimento ao longo dos séculos XX e XXI. 

Durante seu discurso, Fabiana Bolsonaro afirmou que, por ser uma mulher branca, não poderia compreender a vivência de pessoas negras. Em seguida, passou a pintar o próprio corpo de preto. A partir daí, estabeleceu a comparação central do discurso: assim como sua “maquiagem” (sic) não a tornaria uma mulher negra, mulheres trans, segundo ela, não poderiam ser consideradas mulheres, nem ocupar espaços de representação feminina — em referência direta a Erika Hilton, deputada federal que foi eleita presidente da Comissão no dia 11 de março.

Imagem tirada da transmissão
Reprodução da transmissão oficial da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp)

A fala foi acompanhada de argumentos transfóbicos e anti-científicos, como a ideia de que a experiência feminina estaria restrita à biologia reprodutiva, citando a presença de útero, parto e amamentação como critérios de legitimidade. Ao mesmo tempo, tentou suavizar o ataque com a retórica comum de “respeito individual”, enquanto negava, na prática, a identidade de mulheres trans.

O momento gerou imediata reação dentro e fora do plenário. A deputada estadual Mônica Seixas (PSOL) interrompeu a cena e classificou a ação como racista e transfóbica. “Blackface e racismo são crimes. O que estamos assistindo aqui é um caso de blackface, um caso de polícia. É até difícil falar diante de uma cena como essa. Defendo, inclusive, que a sessão não prossiga, porque quem acompanhou foi vitimado de forma brutal, sem qualquer exceção”, disse.

Após a intervenção, o deputado estadual Capitão Telhada (PP) usou o plenário para acusar Seixas de “censura” e de cometer calúnia ao apontar a existência do crime. O deputado classificou como uma postura autoritária por parte de representantes da esquerda. “Me impressiona a falta de amor pela liberdade e pela democracia que representantes da esquerda têm”, afirmou. Segundo ele, há uma tentativa de silenciar opiniões divergentes no debate político. “Ou você concorda com eles, ou você é homofóbico, transfóbico, racista, criminoso, fascista”.

A manobra tem uma intenção clara: deslocar o foco do conteúdo do discurso para quem o denuncia, uma inversão já conhecida, que transforma a crítica em “exagero” e o ataque em “opinião”. Enquanto isso, a presidência da sessão permitiu que a encenação se desenrolasse.

A presidência de Erika Hilton na Comissão de Direitos das Mulheres tem sido alvo de ataques de setores da extrema direita, que questionam sua legitimidade com base em sua identidade de gênero. A intensidade das críticas contrasta com o histórico recente da própria comissão, que por anos foi composta majoritariamente — e em certos períodos exclusivamente — por homens, sem provocar indignação semelhante.

Após a repercussão negativa, a deputada Fabiana Bolsonaro afirmou que não cometeu blackface e classificou as críticas como distorções, justificando que sua ação foi uma “analogia” ou “experimento social” para sustentar seu posicionamento político. Ela manteve o discurso apresentado no episódio, que ocorreu em meio a embates com a deputada Erika Hilton, e não indicou recuo em suas declarações após o ocorrido.

Em paralelo, surgiram questionamentos relacionados à sua autodeclaração racial no contexto eleitoral. A deputada se declarou parda em registros ligados às regras de distribuição de recursos e tempo de propaganda, conforme diretrizes do Tribunal Superior Eleitoral, que prevê critérios de proporcionalidade racial no financiamento de campanhas do Fundo Eleitoral e do tempo de propaganda para candidaturas de pessoas negras (pretas e pardas). Nesse contexto, candidaturas registradas como pardas podem ser contabilizadas para fins de cumprimento dessas cotas, o que impacta diretamente o volume de recursos direcionados.

 

Combate estrangeiro a facções criminosas brasileiras gera dúvidas acerca da soberania nacional
por
Evandro Tortolani
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17/03/2026 - 12h

 

Um documento assinado no sábado (7) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gerou novas discussões sobre o rumo do combate ao crime organizado em países da América Latina. O anúncio foi efetivado durante a chamada Cúpula Escudo das Américas, evento ocorrido em Miami, cujo objetivo é formalizar a coalizão de 17 países latino-americanos e ampliar a cooperação contra órgãos criminosos atuantes em diversas partes do globo.

O presidente estadunidense assinou a “Declaração de Doral” , documento que consolida a união continental e defende o uso de forças militares para combater grupos do narcotráfico e redes terroristas regionais. 

A medida institui uma mobilização externa em prol do combate a cartéis de drogas e grupos criminosos transnacionais -  movimento que fomenta debates sobre possíveis impactos em facções brasileiras e na política doméstica do país.

O documento cria uma estratégia internacional, que abre espaço para tratar sistemas expressivos de tráfico e criminosos internacionais como “narcoterroristas” , efetivando de modo formal a designação desses grupos como organizações terroristas transnacionais.

Donald Trump assinando o Escudo das Américas em Miami com líderes latinos
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinando o Escudo das Américas em Miami, ao lado de líderes latino-americanos. Foto: Casa Branca/Divulgação

 

O Departamento de Estado norte-americano, em paralelo à decisão do presidente estadunidense, analisa a possibilidade de introduzir oficialmente o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de grupos terroristas estrangeiros. 

Impactos no Brasil 

Caso o Departamento de Estado dos EUA efetive a designação das principais facções brasileiras como terroristas, a legislação nacional deverá ser alterada, pois a Lei Antiterrorismo (Lei n°13.260/2016) define essa prática criminosa como grupos que provocam terror social generalizado por motivações políticas, religiosas, xenófobas e ideológicas. 

Os grupos criminosos PCC e CV, de acordo com a lei, não se enquadram como tal, pois o método de violência utilizado possui fins financeiros, e não discriminatórios e/ou preconceituosos.

O Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, neste domingo (8) conversou por telefone com o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, sobre uma parceria para combater o crime organizado.  

Segundo fontes do governo, Vieira colocou em pauta a importância de evitar que os Estados Unidos classifiquem as facções como organizações narcoterroristas estrangeiras.

O Presidente Luíz Inácio Lula da Silva (PT) demonstrou preocupações acerca da formalização da decisão do departamento estadunidense. De acordo com especialistas, essa medida pode ser convertida em intervenções políticas e econômicas no Brasil. 

A discussão sobre a pauta é recorrente no Congresso Nacional, visto que o PL Antifacção (PL 5882/2025) e a PEC da Segurança Pública foram aprovados na Câmara dos Deputados, no início de 2026. 

A aprovação dessas leis, que visam o endurecimento do combate ao crime organizado no país, votada em maior parte pela oposição do atual governo, possibilita o apoio de parlamentares às atividades militares estrangeiras e sanções no Brasil. 

Com esse cenário, para o governo brasileiro, urge uma conciliação entre os dois países com o intuito de impedir atividades militares estrangeiras em território nacional. Há uma reunião, sem data prevista, entre Lula e Trump, na Casa Branca, para abordar questões de segurança pública e discutir a classificação do PCC e CV como organizações terroristas internacionais.   

Ex-presidente está sob cuidados intensivos após diagnóstico de infecção pulmonar
por
Carolina Nader
Malu Malaquias
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16/03/2026 - 12h

Jair Bolsonaro foi internado na UTI, em Brasília, após apresentar mal-estar na papudinha e foi encaminhado ao hospital com suspeita de broncopneumonia, segundo boletim médico divulgado pelo Hospital DF Star na sexta-feira (13). De acordo com a equipe responsável pelo atendimento, a internação ocorreu para monitoramento contínuo do quadro respiratório, que exige acompanhamento intensivo diante do risco de complicações associadas à infecção pulmonar.

Segundo informações médicas, o quadro teria sido provocado por um episódio de aspiração relacionado ao refluxo gastroesofágico, associado à condições como esofagite e gastrite. 

Hospital em que o ex-presidente está internado. Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
Hospital em que o ex-presidente está internado. Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil 

Sobre a doença 

A broncopneumonia é uma infecção pulmonar que acomete principalmente os brônquios e os alvéolos, estruturas responsáveis pela passagem do ar e pela troca de oxigênio. Trata‑se de um tipo de pneumonia que costuma se manifestar em múltiplos focos espalhados pelos pulmões, e pode ser causada por bactérias, vírus ou fungos, levando à inflamação e ao acúmulo de secreções, o que dificulta a respiração.

Os sintomas mais comuns incluem febre, tosse, falta de ar, calafrios e dor no peito ao respirar ou tossir. Em casos mais graves, pode ser necessária internação hospitalar para acompanhamento intensivo. Entre as principais complicações estão a insuficiência respiratória e a sepse, além de condições como derrame pleural e abscessos pulmonares, com maior risco de agravamento em idosos, pessoas com doenças crônicas ou imunidade comprometida.

Histórico de saúde de Bolsonaro  

O histórico de saúde do ex‑presidente ganha relevância no contexto da atual internação. Em 2018, durante a campanha presidencial, ele foi vítima de um atentado a faca em Juiz de Fora (MG), que causou graves lesões abdominais e exigiu cirurgia de emergência. Desde então, Bolsonaro passou por diversos procedimentos cirúrgicos e internações, principalmente em razão de complicações intestinais decorrentes do ataque.

Nos anos seguintes, o ex‑presidente enfrentou episódios recorrentes de obstrução intestinal e aderências no sistema digestivo, que motivaram novas cirurgias, exames e acompanhamentos médicos frequentes. Embora essas complicações estejam concentradas no sistema gastrointestinal, especialistas apontam que o histórico clínico, aliado à idade e ao estado geral de saúde, é um fator considerado na avaliação de infecções agudas, como a broncopneumonia, podendo influenciar na evolução do quadro e no processo de recuperação.

Cronologia recente

O ex‑presidente apresentou piora súbita do estado de saúde durante a madrugada, enquanto estava custodiado no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha. Segundo o cardiologista Brasil Caiado, médico que o acompanha, os sintomas tiveram início entre 2h e 3h da manhã, com evolução rápida. Bolsonaro apresentou febre alta, calafrios intensos, sudorese, episódios de vômito e queda na saturação de oxigênio, o que levou ao acionamento da equipe médica e, posteriormente, ao atendimento do Samu, que o encaminhou ao Hospital DF Star, em Brasília, onde deu entrada por volta das 8h50. Após exames laboratoriais e de imagem, foi confirmado o diagnóstico de broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa.

Em boletim médico, o hospital informou que Bolsonaro está em tratamento com antibióticos por via venosa e suporte clínico não invasivo, permanecendo sob monitoramento intensivo na UTI.. Segundo a equipe médica, não há previsão de alta, e o quadro é considerado grave, especialmente em razão da idade e do histórico clínico do ex‑presidente. O hospital informou ainda que novos boletins serão divulgados conforme a evolução do quadro, sem intervalo previamente definido.

Sua internação gerou repercussão imediata entre aliados e familiares, que utilizaram as redes sociais para pedir orações e manifestações de apoio. O senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) foi o primeiro a divulgar a hospitalização e afirmou que este é o quadro mais grave enfrentado pelo pai nos últimos anos.

Após a internação, o parlamentar voltou a defender publicamente a concessão de prisão domiciliar humanitária, alegando risco à saúde do pai. No âmbito institucional, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a presença da ex‑primeira‑dama Michelle Bolsonaro como acompanhante, liberou visitas dos filhos e determinou escolta policial permanente no hospital. O episódio reacendeu o debate político e jurídico sobre as condições de custódia de Bolsonaro e eventuais pedidos da defesa relacionados à execução da pena, embora nenhuma mudança judicial tenha sido anunciada até o momento.

Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei assume a liderança máxima do Irã em meio à maior crise do regime em décadas
por
Malu Malaquias
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13/03/2026 - 12h

A Assembleia dos Especialistas do Irã anunciou, no domingo (08), em Teerã, a escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo da República Islâmica, após a morte do aiatolá Ali Khamenei, durante um ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro, no início da atual escalada militar no Oriente Médio.

Enquanto a sucessão não era definida, o Irã foi governado por um conselho temporário previsto na Constituição, composto por: presidente da República, chefe do Judiciário e um representante do Conselho dos Guardiões. Os três assumiram provisoriamente as funções do líder supremo sob o viés de garantir a continuidade do Estado iraniano durante o processo sucessório.

Ali Khamenei, antigo líder supremo do Irã
Ali Khamenei, antigo líder supremo do Irã, Foto: Khamenei.ir 

A decisão coube à Assembleia dos Especialistas, órgão constitucional formado por 88 clérigos xiitas responsável por nomear e supervisionar a principal autoridade política e religiosa do país. Pela Constituição iraniana, cabe a esse colegiado escolher um novo nome em caso de morte, renúncia ou incapacidade do ocupante do cargo. 

O órgão foi convocado em caráter emergencial e sob forte esquema de segurança para acelerar o processo sucessório após a morte de Ali Khamenei. Em análise publicada pela agência Reuters, o pesquisador Alex Vatanka, do Middle East Institute, avaliou que a definição rápida foi considerada essencial pelo regime diante do atual contexto de guerra, instabilidade interna e pressão internacional.

 

Quem é Mojtaba Khamenei, o novo líder supremo?

Aos 56 anos, Mojtaba Khamenei é um clérigo de médio escalão com formação religiosa na cidade de Qom e sem experiência política formal. Apesar disso, construiu influência nos bastidores do poder iraniano ao longo das últimas décadas, mantendo vínculos estreitos com a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), um dos pilares do regime. 

Alvo de sanções impostas pelos Estados Unidos em 2019, ele era apontado há anos como possível sucessor do pai. Sua escolha, no entanto, é considerada controversa por representar uma transição direta de pai para filho, algo sensível em um sistema político que se consolidou após a Revolução Islâmica de 1979, com a derrubada de uma monarquia hereditária.

Analistas como Alex Vatanka, do Middle East Institute, em análise publicada pela agência Reuters, e Suzanne Maloney, do Brookings Institution, em avaliações institucionais repercutidas pela imprensa internacional, interpretaram a nomeação de Mojtaba Khamenei como um sinal de continuidade do regime e de fortalecimento da ala mais dura do poder iraniano. Líderes políticos iranianos declararam apoio imediato ao novo líder, entre eles o presidente Masoud Pezeshkian, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, além do comando da Guarda Revolucionária Islâmica, que prometeu lealdade à nova liderança.

“Essa valiosa escolha é uma manifestação da vontade da nação islâmica de consolidar a unidade nacional, uma unidade que tem sido a principal força do Irã diante das conspirações de seus inimigos”, afirmou o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, segundo a Al Jazeera, com informações da Reuters e da AFP

Além disso, países aliados como Rússia e Teerã reconheceram a escolha, enquanto governos ocidentais manifestaram preocupação com a estabilidade regional e com o risco de uma escalada do conflito.

Ministro Mauro Vieira representa o Brasil após o cancelamento da viagem presidencial
por
Malu Malaquias
Carolina Nader
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13/03/2026 - 12h

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelou, de última hora, a viagem ao Chile, onde participaria da cerimônia de posse do novo presidente do país, José Antonio Kast, realizada na quarta-feira (11) em Valparaíso. O Palácio do Planalto não apresentou justificativa oficial para o cancelamento, embora a viagem constasse na agenda presidencial e estivesse confirmada desde a semana anterior, conforme registro no site oficial da Presidência.  

Com a ausência do presidente, o Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que participou da cerimônia em nome do governo brasileiro. 

Representante do governo brasileiro, Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, durante agenda diplomática oficial em Brasília
Representante do governo brasileiro, Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, durante agenda diplomática oficial em Brasília, Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil

 

Eleito em dezembro de 2025, José Antonio Kast assume o governo chileno após o fim do mandato de Gabriel Boric. De extrema direita, o novo presidente já teve divergências com Lula, mas ambos se reuniram em janeiro, no Panamá, para discutir temas como comércio e cooperação regional. A nova administração inaugura um mandato com possíveis repercussões em áreas sensíveis da relação bilateral, como política ambiental e integração regional. Segundo fontes próximas à Presidência, Lula deve retomar o diálogo com o governo chileno em ocasiões futuras, seja por meio de visitas oficiais, seja em encontros multilaterais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

Reunião bilateral com o Presidente eleito do Chile, José Antonio Kast
Reunião bilateral com o Presidente eleito do Chile, José Antonio Kast. Foto: Ricardo Stuckert / PR (Flickr)

A decisão repercutiu na imprensa internacional, que acompanha a postura do Brasil diante de governos de diferentes orientações políticas na região. Nos bastidores, interlocutores do Planalto indicam que o cancelamento da viagem pode estar relacionado ao convite feito por Kast ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para participação da cerimônia. O convite ao pré-candidato à Presidência da República e adversário político direto de Lula teria sido interpretada pelo Palácio do Planalto como um desrespeito e possível fator de “situação desconfortável”, o que teria pesado na decisão presidencial de não viajar.

Apesar do cancelamento da viagem presidencial, o governo brasileiro reiterou, por meio do Itamaraty, o interesse em manter e aprofundar as relações bilaterais com o Chile, consideradas estratégicas na América do Sul, independentemente da presença do presidente na solenidade. O Brasil é o maior parceiro comercial do Chile na América Latina. O Ministério das Relações Exteriores, no entanto, não divulgou nota específica sobre os motivos da decisão, limitando-se a informar que o Brasil foi representado pelo chanceler Mauro Vieira, em linha com os protocolos diplomáticos adotados em compromissos internacionais.