As agendas incluem caminhadas, panfletagens, entrevistas, debates e publicações nas redes sociais durante o último mês da disputa
por
Carolina Nader
Kaleo Ferreira
Manuela Abbate Gonçalves
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22/09/2026 - 12h

Durante o último mês da corrida eleitoral, os seis candidatos com os menores índices de intenção de voto intensificam suas participações nas ruas e, principalmente, na mídia. 

 

Clariana Barão (DC) 

Na segunda-feira (14), às 10h, a candidata participou de uma entrevista ao vivo na rádio Metrópole FM Cuiabá, 105,9 FM. Durante a conversa, discutiu suas propostas de governo e enfatizou sua ligação com o estado de Mato Grosso e a importância de representar a região na disputa presidencial. Às 15h do mesmo dia, gravou uma entrevista para a MidiaNews, em Cuiabá, onde chamou a atual gestão do presidente Lula de “publicidade” e o rotulou como um “ator” que não conseguiu cumprir o que promete há duas décadas. Além disso, criticou também Flávio Bolsonaro (PL) e detalhou os atritos públicos e as acusações de misoginia envolvendo Augusto Cury (Avante). 

Na terça-feira (15) Clariana esteve nos podcasts MidiaJur, em Cuiabá (MT) e O Empallador, em Várzea Grande (MT). 

Já na quinta-feira (17), esteve na Feira de Toritama (PE) e foi à Feira de Santa Cruz do Capibaribe (PE), onde defendeu a valorização dos trabalhadores locais por meio de propostas como a redução de custos básicos e a criação de linhas de crédito facilitadas. 

Finalizando a semana, na sexta-feira (18), visitou a feira de artesanato e visitou o bairro Alto do Moura, em Caruaru (PE). 

montagem com Clariana envolta por bandeira do Brasil

Candidata às eleições para presidente em 2026. Foto: Instagram/@clarianabarao 

Edmilson Costa (PCB)

A agenda prevista para segunda-feira (14), no litoral norte de São Paulo, foi cancelada em razão das condições climáticas.

Na terça-feira (15), em Campinas (SP), fez panfletagem no CAPS Reviver e no centro da cidade. À noite, acompanhou o lançamento do documentário "Afrontosa", no Centro de Convivência Cultural. 

Na quarta-feira (16) e quinta-feira (17), Costa participou da caravana com candidatos do PCB em Franca (SP) e em São José do Rio Preto respectivamente.

No dia 18, sexta-feira, passou o dia em São José do Rio Preto, onde fez panfletagem no calçadão e no terminal urbano. 

Hertz Dias (PSTU)

O candidato à presidência fez outra aparição no Jornal Nacional na sexta-feira (11).  Na breve participação, Hertz utilizou seu tempo para apontar que procura criar plataformas públicas para motoristas de aplicativo. A iniciativa seria financiada pelo excedente advindo da estatização de empresas que o candidato caracterizou como “estratégicas”, e teria como objetivo garantir os direitos trabalhistas dos motoristas empregados informalmente por essas plataformas. 

Na segunda-feira (14), Dias concedeu uma entrevista à Band Maranhão. No veículo, o concorrente teve 30 minutos de visibilidade, em que expôs suas propostas. O candidato iniciou a fala explicando sobre a lei das drogas. “A questão das drogas tem que ser considerada como um problema de saúde pública e não como um problema de repressão do Estado. o Estado tem que girar para o setor financeiro se quiser combater as facções criminosas”, ele indica. 

Ao longo da entrevista, Hertz focou em relacionar suas respostas com seus programas de estatização de empresas, de estabelecimento da soberania brasileira e da valorização da classe trabalhadora. Dias também pontuou sobre a crise do STF, afirmando que busca instituir cargos revogáveis, júri popular e um processo de eleição dos parlamentares, visando remediar esse tipo de situação e erradicar a corrupção. 

Na sexta-feira (18), Hertz esteve em um encontro no Partisan da Lapa, na cidade do Rio de Janeiro. O propósito do evento é discutir sobre o meio ambiente, ao lado de defensores ambientalistas.  

Nessa semana, o candidato também declarou em uma coluna para o Brasil de Fato  apoio ao movimento “Legalize já!”, incluindo-o entre as propostas de governo do PSTU. “Legalizar é retirar do crime organizado e da milícia o controle de um mercado bilionário, e tirar da polícia o pretexto para invadir e matar”, diz. 

Rui Costa Pimenta (PCO)

Na segunda-feira (14), o candidato do PCO dedicou o dia a uma reunião com a coordenação de sua campanha e com candidatos locais em Dourados, no interior do Mato Grosso do Sul.

Essa etapa se insere em um roteiro nacional mais amplo, batizado de “Rui Presidente”, que já passou por Porto Alegre e Belo Horizonte e segue, além de Dourados, rumo a Recife e Curitiba.

Samara Martins (UP)

A candidata vem realizando, nesta última semana, uma série de posts nas suas redes sociais intitulados  “Propostas da UP para mudar o Brasil”. As postagens, até o momento, cobrem os posicionamentos do partido quanto à saúde pública, a jornada de trabalho e a dívida pública. 

Na sexta (18), às 19 horas, Samara participou do seu primeiro debate, organizado pelo Metrópoles. Os dois principais candidatos, Flávio Bolsonaro e Lula, negaram participação. Caiado e Renan Santos desistiram da aparição na véspera do evento, dia 17. O programa contou com Samara, Augusto Cury e Romeu Zema. 

A agenda da concorrente também consta aparição e panfletagem no sábado (19), em Madureira e nos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro. 

Wilson Grassi (Democrata)

Na segunda-feira (14), o candidato concedeu uma entrevista à Rádio Líder FM, de Pernambuco, onde defendeu a redução do número de ministérios e de cargos comissionados como parte de uma estratégia para cortar gastos públicos e viabilizar sua proposta de redução do imposto de renda.

Questionado sobre proposta de isenção do Imposto de Renda em rendas de até R$ 8 mil por mês, Grassi afirmou que, para compensar a renúncia de receita, seria necessário combinar redução de impostos com cortes de despesas e combate ao que considera desperdícios na administração pública.

Na sexta-feira (18), quando publicou um vídeo em sua conta oficial do Instagram, afirmou que, se eleito, se comprometeria a cancelar o próprio plano de saúde e a utilizar o Sistema Único de Saúde (SUS) durante o mandato. “É um compromisso de campanha que acho que todo candidato deveria assumir. Se eu for eleito, a primeira coisa que irei fazer é cancelar o meu plano de saúde e utilizar somente o SUS”, disse Grassi na publicação.

Ex deputado federal é demitido pelo Ministério da Justiça por abandono de cargo
por
Vitória Teles
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22/09/2026 - 12h

Nesta segunda-feira (21), o Ministério da Justiça e Segurança Pública oficializou a demissão do ex-deputado federal, Eduardo Bolsonaro (PL), do seu cargo de escrivão da Polícia Federal (PF). O motivo da demissão alegado pelo órgão federal é infração disciplinar e abandono de cargo, após Eduardo não comparecer ao serviço durante trinta dias consecutivos sem justificativa.  

O filho de Jair Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde março de 2025, com a justificativa de uma suposta perseguição política e jurídica no Brasil. Em julho deste ano, recebeu o Green Card — documento de residência permanente no país — pelo governo norte-americano. Para manter seu cargo de escrivão da Polícia Federal, Eduardo teria que retornar ao Brasil, já que o serviço não pode ser exercido de forma remota.   

Eduardo Bolsonaro ingressou na Polícia Federal (PF) em 2010, após ser aprovado em um concurso público para ser escrivão. Eduardo estava afastado de suas funções no cargo para cumprir seu mandato na Câmara dos Deputados, porém teve seu mandato cassado em dezembro de 2025 por ultrapassar o limite de ausências permitido pela Constituição.

A decisão da demissão foi assinada pelo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, na sexta-feira (19) e publicada no Diário Oficial da União hoje (21). Com sua saída, Bolsonaro encerra um vínculo funcional com a Polícia Federal. Além disso, a PF determinou a devolução da carteira funcional e da arma de fogo vinculada ao cargo.

Eduardo Bolsonaro no encontro com Francis e Suárez em 2019. Foto: Marcos Correa/Wikimedia Commons
Eduardo Bolsonaro no encontro com Francis e Suárez em 2019. Foto: Marcos Correa/Wikimedia Commons 

Além do procedimento administrativo na Polícia Federal, Eduardo também foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em junho de 2026, pelo crime de coação no curso do processo. A condenação está relacionada às investigações  e aos julgamentos da chamada “trama golpista” de 2022.  

A condenação fixou 4 anos e 2 meses de prisão, com um cumprimento inicial de regime semiaberto. De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), Eduardo teria atuado nos Estados Unidos com uma tentativa de promover medidas de pressão contra autoridades brasileiras, em específico ministros do STF, com o objetivo de dificultar o julgamento envolvendo seu pai, ex-presidente Jair Bolsonaro. 

O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, concluiu que havia provas o suficiente para caracterizar o ato como crime de coação no curso do processo. Seu voto foi acompanhado pelos ministros Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, o que formou uma unanimidade na Primeira Turma. 

Eduardo Bolsonaro permanece nos Estados Unidos e, até o momento, não tem previsão de retorno ao Brasil.

Os concorrentes à Presidência da República ganham visibilidade em veículos de relevância na reta final
por
Carolina Nader
Kaleo Ferreira
Manuela Abbate Gonçalves
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17/09/2026 - 12h

Os candidatos de menor destaque nas pesquisas mantiveram uma agenda diversificada ao longo da semana, combinando entrevistas, atos de campanha, encontros com apoiadores e eventos públicos. Enquanto alguns priorizaram a divulgação de suas propostas e a busca por maior visibilidade nos meios de comunicação, outros concentraram esforços em pautas sociais e mobilizações políticas.

 

Clariana Barão (DC)

A candidata do partido Democracia Cristã concedeu entrevista para o Jornal News SBT, no último sábado (5). 

Na segunda-feira (7), participou de uma entrevista ao canal Bacci Notícias TV. Aproveitando a data comemorativa de 7 de setembro, quando se comemora o “Dia da Independência”,  Clariana Barão esteve na Avenida Paulista, onde cumprimentou populares, fez fotos e vídeos para as redes sociais e distribuiu material. 

Na terça-feira (8) pela manhã, a candidata visitou a Bienal do Livro em São Paulo.

Já na quarta-feira (9) à noite, participou de um evento no Jockey Club de São Paulo. 

Edmilson Costa (PCB)

O candidato cumpriu agenda da secretaria-geral do PCB em Lisboa na segunda e terça-feira (07 e 08/09). Edmilson representou o Partido Comunista Brasileiro (PCB) como secretário-geral da legenda durante as atividades internacionais associadas à 50ª Festa do Avante!. Seus compromissos oficiais concentraram-se em ações de solidariedade internacionalista e articulação política com outros partidos comunistas e operários. 

Hertz Dias (PSTU)

O candidato concedeu uma entrevista ao Jornal Nacional que foi ao ar na última sexta (4). Dias afirmou, “O Brasil vive uma decadência e, para reverter a decadência do país, é necessário reindustrializar o país. Para isso, nós vamos reestatizar todos os setores que são estratégicos para o desenvolvimento social e econômico do país, pegar o excedente dessas empresas, investir na modernização do parque industrial brasileiro, reduzir a jornada de trabalho sem redução de salários, para que a gente possa incorporar ao mercado de trabalho milhões de trabalhadores que estão desempregados e subempregados” 

Hertz teve um recorte de 30 segundos no programa, o que levantou novamente o debate sobre o espaço concedido aos candidatos com menor porcentagem das intenções de voto. 

No sábado (5),  Dias participou de um encontro com apoiadores em Salvador após panfletagem pela capital baiana. 

Hertz de costas discursando para uma plateia distribuída em mesas
Hertz discutindo sobre seu programa de governo e a relevância de sua candidatura. | Reprodução: Instagram/ @hertzdiaspstu

Na segunda (7), esteve com Vera Lúcia, candidata do PSTU para o governo de São Paulo, em uma visita à Cajamar para falar sobre o direito à moradia. O foco foi a Ocupação dos Queixadas, onde 5 mil famílias podem ser despejadas a pedido do prefeito da cidade, Kauãn Berto (PSD). No mesmo dia, à frente da Akaer, Hertz foi entrevistado pela Globo. Na conversa, o candidato frisou a importância da estatização de empresas relevantes para a soberania nacional, citando, além da Akaer, a Embraer e a Avibras. 

No dia 8, terça-feira, Dias marcou presença na Batalha da Matrix, batalha de rima em São Bernardo do Campo, onde ele teceu críticas sobre a extrema direita e os envolvidos no caso Master e acompanhou o evento. Na quarta (9), o PCBR declarou apoio às candidaturas do PSTU, em busca de unir esforços por uma “saída socialista para o Brasil”, como caracterizado por Hertz. 

Finalizando a semana, na sexta (11), o candidato atendeu  uma roda de conversa sobre arte e cultura no Recife, a fim de tratar daprodução artística nas periferias e os desafios desse processo. O evento gratuito aconteceu no Mezanino do Edifício Ambassador na Boa Vista. 

Samara Martins (UP)

Samara foi ao Distrito Federal na terça (7), onde foi recebida por estudantes da Universidade de Brasília (UnB). Sua agenda consistiu de uma sabatina no Correio Braziliense, uma entrevista concedida à Rádio Metrópoles e um encerramento na Rodoviária do Plano Piloto. 

Samara discursando em púlpito
Samara é a única mulher negra entre as candidaturas à Presidência em 2026 (Reprodução: Instagram/ @unidadepopular)

Na quarta-feira (9), a candidata esteve presente na marcha contra os feminicídios e estupros na capital paulista, evento foi organizado pelo Movimento de Mulheres Olga Benário.

 A candidata discursou e apresentou as medidas que pretende implementar para apoiar a causa feminina. 

Rui Costa Pimenta (PCO)

No sábado (5), Rui Costa Pimenta esteve em Belo Horizonte, Minas Gerais, para participar de atividades de campanha e do lançamento de candidaturas do partido no estado.

No mesmo dia, Pimenta participou de uma entrevista ao Jornal Nacional, na qual apresentou algumas das prioridades defendidas pelo seu partido. Entre as propostas destacadas estão o cancelamento da dívida pública, a reestatização de empresas privadas e a defesa de um salário mínimo de aproximadamente R$8 mil.

Wilson Grassi (Democrata)

Na terça-feira (1), a campanha de Wilson seguiu marcada pela suspensão de sua propaganda eleitoral na internet, dos repasses do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e de sua participação em debates na televisão, rádio e podcasts, após decisão do ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

Já na quarta-feira (2), o candidato esteve em frente ao TSE, em Brasília, para protestar contra a decisão. Grassi classificou a medida como desproporcional e afirmou que as redes sociais eram fundamentais para sua campanha. Na quinta-feira (3), visitou um centro de reabilitação de animais resgatados e afirmou que pretende colocar a proteção da fauna entre as prioridades de um eventual governo.

Posteriormente, Toffoli autorizou a retomada da campanha digital de Grassi, além dos repasses do fundo. A suspensão havia sido determinada em razão de irregularidades na indicação dos perfis que seriam utilizados pelo candidato nas redes sociais.

 

Delegação Paulista foi reconhecida por resultados no Pan-Americano em Uruguai
por
Lawanny Nasc
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16/09/2026 - 12h

A dedicação de atletas paulistas ao ju-jitsu foi reconhecida na Câmara Municipal de São Paulo na última sexta-feira (11). A solenidade homenageou integrantes da delegação que representaram o Brasil no Campeonato Pan-Americano, realizado em agosto, em Montevidéu, Uruguai. A iniciativa foi do vereador Gabriel Abreu (PODE) e reuniu atletas, técnicos e representantes da modalidade.

Entre os homenageados estavam atletas que conquistaram medalhas na competição e profissionais envolvidos na preparação da delegação. Mais do que os resultados obtidos nos tatames, a cerimônia destacou a trajetória de quem concilia treinamentos, estudos e trabalho para representar São Paulo e o Brasil em competições internacionais.

Para o vereador Gabriel Abreu, o ju-jitsu vai além da formação esportiva e também contribui para a construção dos indivíduos. Em entrevista exclusiva para AGEMT, ele destacou o esporte como uma ferramenta de formação de pessoas e ressaltou que a trajetória de um atleta também é marcada por dificuldades, derrotas e aprendizados. “O esporte é uma grande ferramenta para poder formar pessoas”, afirmou. 

Embora muitos atletas entrem no esporte com o sonho de alcançar o alto rendimento e viver da modalidade, Gabriel afirmou que é preciso estar preparado para enfrentar os obstáculos. “Os atletas vão passar por grandes provações, dificuldades, derrotas, mas sempre transformando todas elas em combustível para vencer, aprendendo com os erros e construindo as vitórias do futuro”, declarou.

O Presidente da Ju-jitsu Brasil, Shihan Fernando, recebeu este título por reconhecimento, anos de prática, experiência e contribuição para a modalidade. Destacou a dedicação dos atletas homenageados. “São pessoas que se esforçam, que treinam, que estudam, muitos trabalham e ainda assim conseguem encaixar na sua rotina, no seu dia a dia, os treinos e a preparação para eventos de grande envergadura.”

Fernando destaca que receber o reconhecimento dentro da Câmara Municipal representa uma valorização que ultrapassa a comunidade do ju-jitsu. Ele afirmou que os atletas já são considerados “grandes heróis e heroínas” pela família da modalidade, mas que o reconhecimento público demonstra que o esforço realizado também é percebido pela cidade.

O Sensei Bruno Gomes, técnico da Seleção Brasileira, reforçou que o reconhecimento é consequência de um longo processo. Para ele, os atletas devem continuar acreditando e se dedicando mesmo quando os resultados não aparecem imediatamente. “Acreditem, continuem treinando, se esforçando, porque o que for para acontecer, vai acontecer na hora certa”.

A preparação para a superação exige disciplina. Para o Sensei Alex Ladislau, 4º dan  (graduação de mestre, acima da faixa-preta tradicional), técnico e fundador da Escola Kobudo de ju-jitsu, os obstáculos enfrentados durante a preparação funcionam como etapas até a conquista dos resultados. A competição, representa apenas uma parte de um processo que começa muito antes da chegada ao tatame, sendo apenas a “cereja do bolo”.

Entre os atletas homenageados está Kethelyn Sodré, de 19 anos, conhecida como Juma, atualmente faixa azul e em 13° no ranking feminino mundial de ju-jitsu. Ela conquistou o bronze no Pan-Americano realizado em Montevidéu. 

A atleta destaca as batalhas pessoais diárias vencidas; desde o medo, a ansiedade e a pressão que antecedem a entrada no tatame, além de todo o processo de construção pessoal necessário antes da competição.“A medalha é só parte do que aparece, mas por trás delas existe uma história que ninguém consegue enxergar inteira."

Mulher segurando certificado.
Kethelyn Sodré, a Juma, destaca o valor mais profundo que a medalha representa. Foto: Lawanny Nasc/AGEMT

Outro atleta homenageado foi Pedro Barreto, de 19 anos, faixa azul e atualmente 38° no ranking mundial masculino e que também conquistou a medalha de bronze na competição realizada no Uruguai.

Pedro acredita que o esporte ensina valores que ultrapassam as técnicas aprendidas durante os treinos. Entre eles, a empatia com o próximo, já que a prática exige responsabilidade para não machucar o outro durante a execução dos movimentos. 

Pedro afirma que os ensinamentos adquiridos refletem na vida cotidiana ao apontar que a modalidade não se limita à prática esportiva. “A arte marcial pode mudar vidas. Depois que você entra, vira uma pessoa muito melhor.”  

Homem segura certificado em mãos.
Pedro Barreto, medalhista de bronze no Pan-Americano de Ju-Jitsu, considera o esporte como formador de boas pessoas. Foto: Lawanny Nasc/AGEMT

 

 

Confira o desempenho dos principais nomes nas pesquisas mais recentes e como está a avaliação do eleitorado mineiro
por
Camila Bucoff
Gustavo Tonini
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11/09/2026 - 12h

As últimas pesquisas de intenção de voto para governador de Minas Gerais mostram Cleitinho Azevedo (Republicanos) na liderança, embora os levantamentos apresentem diferenças nos percentuais atribuídos aos candidatos. A seguir, veja os resultados mais recentes e relembre as pesquisas passadas.

Na terça-feira (8), duas pesquisas sobre intenção de voto para governador de Minas Gerais foram divulgadas. A Quaest, registrada no TSE sob o nº MG-04716/2026 e contratada pela Globo, ouviu 1.506 eleitores do estado presencialmente, entre 4 e 7 de setembro. Sua margem de erro é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Já a segunda, da AtlasIntel, foi registrada no TSE sob o nº MG-01579/2026. Ela ouviu 1.804 eleitores do estado por recrutamento digital aleatório, entre 30 de agosto e 4 de setembro. Sua margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi realizada com recursos próprios do instituto.

O que diz a pesquisa Quaest

Na pesquisa estimulada para o primeiro turno, na qual o entrevistador apresenta uma lista com todas as opções de resposta para que o entrevistado escolha sua alternativa, Cleitinho Azevedo (Republicanos) está na frente, com 32% de intenção de voto.

Em seguida estão: Alexandre Kalil (PDT) e Patrus Ananias (PT), com 11% cada; Mateus Simões (PSD), com 8%; Gabriel Azevedo (MDB) e Flávio Roscoe (PL), com 3% cada; Ben Mendes (Missão), com 2%; e Indira Xavier (UP), com 1%.

Para votos em branco, nulo ou “não vai votar”, o percentual foi de 12%, enquanto a categoria “indecisos” marcou 19%. Além disso, o Professor Túlio Lopes (PCB), Rafael Duda (PSTU) e Henrique Áreas (PCO) não pontuaram.

Para o segundo turno, a pesquisa simulou seis disputas diretas. As três com Cleitinho são:

  • Cleitinho (49%) x Kalil (27%) — com 14% de indecisos e 10% em branco/nulo/nenhum.

  • Cleitinho (51%) x Patrus (26%) — com 12% de indecisos e 11% em branco/nulo/nenhum.

  • Cleitinho (50%) x Mateus Simões (20%) — com 15% de indecisos e 15% em branco/nulo/nenhum.

Nas simulações sem Cleitinho, os resultados são:

  • Kalil (42%) x Patrus (18%) — com 15% de indecisos e 25% em branco/nulo/nenhum.

  • Kalil (32%) x Mateus Simões (32%) — com 16% de indecisos e 20% em branco/nulo/nenhum.

  • Mateus Simões (34%) x Patrus (34%) — com 14% de indecisos e 18% em branco/nulo/nenhum.

O que diz a pesquisa AtlasIntel

Na pesquisa estimulada para o primeiro turno, Cleitinho Azevedo (Republicanos) segue na frente, com 41% de intenção de voto. Em seguida estão Patrus Ananias (PT), com 30%, e Alexandre Kalil (PDT), com 9,2%.

O restante dos candidatos teve percentuais abaixo de 5%: Gabriel Azevedo (MDB) pontuou 4,7%, enquanto Ben Mendes (Missão), Flávio Roscoe (PL) e Mateus Simões (PSD) pontuaram 4% cada. “Outros” marcou 0,5%, enquanto brancos e nulos somaram 0,4% e “não sei” registrou 2,2%. Indira Xavier (UP) aparece dentro da categoria “Outros”, com 0,5%, enquanto Professor Túlio Lopes (PCB) e Rafael Duda (PSTU) não pontuaram.

Já no segundo turno, foram feitas cinco simulações. As três com Cleitinho são:

  • Cleitinho (53,4%) x Patrus (39,3%) — com 7,2% em branco/nulo/não sabe.

  • Cleitinho (55,3%) x Gabriel (21,9%) — com 22,8% em branco/nulo/não sabe.

  • Cleitinho (53,3%) x Alexandre Kalil (35,5%) — com 11,2% em branco/nulo/não sabe.

Nas simulações sem Cleitinho, os resultados são:

  • Patrus (43,4%) x Mateus Simões (30,8%) — com 25,8% em branco/nulo/não sabe.

  • Patrus (44,3%) x Flávio Roscoe (28,2%) — com 27,6% em branco/nulo/não sabe.

A pesquisa também mapeou quais são, na percepção dos entrevistados, os principais problemas do estado de Minas Gerais. Os cinco mais citados são a qualidade da educação (35,1%), o acesso à saúde (33,3%), a criminalidade (31%), a infraestrutura (30%) e a situação financeira do estado (26,4%).

O que mudou em relação às pesquisas anteriores?

A AtlasIntel havia previsto divulgar uma pesquisa anterior em 1º de setembro, mas o levantamento foi cancelado após um erro no questionário registrado no TSE. Nele, Romeu Zema e Renan Santos, candidatos à presidência, apareciam em cenários de segundo turno contra Patrus Ananias. O instituto então registrou um novo levantamento, que foi divulgado em 8 de setembro.

Em relação à pesquisa da Quaest, Cleitinho Azevedo manteve a liderança e passou de 29% para 32% no primeiro turno — uma oscilação de três pontos percentuais, exatamente no limite da margem de erro. O candidato manteve o seu favoritismo em todos os cenários de segundo turno feitos pela pesquisa (contra Patrus, Kalil e Mateus Simões), e obteve os mesmos resultados da primeira pesquisa, de acordo com a margem de erro. 

Enquanto isso, Patrus Ananias viu sua popularidade cair. Por mais que já estivessem empatados de acordo com a margem de erro, Kalil subiu sua intenção de voto no primeiro turno de 10% para 11%, igualando-se de vez com o candidato do PT, que não alterou seu percentual. Além disso, com a nova pesquisa, Patrus não ganha em nenhum cenário de segundo turno, antes só ganhava de Mateus Simões e viu seu percentual cair de 35% para 34%, enquanto o adversário subiu de 31% para 34%. 

Falando em Mateus Simões, ele é outro que teve uma crescente entre as duas pesquisas. Mesmo ainda com um percentual baixo nas intenções de voto para o primeiro turno (de 7% para 8%), o candidato cresceu na pesquisa do segundo turno. Contra Patrus, igualou o percentual do adversário, passando de 30% para 32%, enquanto o candidato caiu de 32% para 30%.  Contra Cleitinho também cresceu, mesmo ainda perdendo, saindo de 17% para 20%.

Já Alexandre Kalil se tornou de fato o candidato mais bem cotado abaixo de Cleitinho Azevedo. Sendo o que fica mais próximo dele no segundo turno. Kalil manteve seu 27% de intenção de votos em relação ao crescimento de 48% para 49% do adversário. Porém, o candidato ainda tem um percentual muito abaixo do favorito e também viu Mateus Simões se aproximar em um eventual segundo turno contra ele. 

Já para os outros candidatos, a intenção de voto não variou além da margem de erro entre as duas pesquisas. Os destaques ficam para Professor Túlio Lopes e Rafael Duda, que saíram de 1% de intenção para voltar a não pontuar. 

Manifestação em defesa da educação em São Paulo permitiu que chefes do movimento falassem com representantes do governo do estado
por
Gustavo Tonini
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22/05/2026 - 12h

Entre a tarde e a noite da última quarta-feira (20), representantes dos movimentos das faculdades estaduais de São Paulo, juntamente com profissionais da educação pública superior e básica e representantes de partidos de esquerda, realizaram uma marcha contra o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). A manifestação foi do Largo da Batata até o Palácio dos Bandeirantes e contou com cerca de 30 mil pessoas, segundo informação dos organizadores. Ao final do ato, devido ao bloqueio feito pela Polícia Militar, somente alguns representantes selecionados tiveram a permissão de entrar na sede do governo para compor uma possível mesa de negociação. 

Desde o começo, a manifestação contou com forte policiamento. No início do dia, estudantes da UNESP (Universidade Estadual Paulista) denunciaram que a Polícia Militar estaria parando os ônibus que os levavam até São Paulo nas rodovias e os revistando. Além disso, na estação Faria Lima, próxima ao ponto inicial do ato, integrantes da Tropa de Choque da PM estavam posicionados em frente as catracas. E às 14h30, os mesmos policiais mandaram todos os grupos que se organizaram em blocos dentro da estação saírem para não atrapalhar o fluxo.

 

Na saída da estação, os policiais militares também estavam postados por onde os estudantes entravam no ato. Foto: Gustavo Tonini/AGEMT
Na saída da estação, policiais militares acompanhavam entrada de estudantes no ato. Foto: Gustavo Tonini/ AGEMT

A PM acompanhou todo o trajeto dos estudantes, da saída do Largo da Batata ao Palácio dos Bandeirantes. Cerca de 20 motos, oito carros, um ônibus e um helicóptero da PM, juntamente com carros da Guarda Civil Metropolitana e da CET, seguiram a marcha fechando as ruas, quando necessário.

 

Os estudantes que estavam atrás fizeram uma corrente humana em frente aos automóveis da PM. Foto: Gustavo Tonini/AGEMT
Os estudantes que estavam atrás organizaram uma corrente humana entre a marcha e os automóveis da PM. Foto: Gustavo Tonini/ AGEMT

Até esse momento, só havia um caso de briga ou confusão, que ocorreu quando o ex-deputado estadual e filiado ao União Brasil, Douglas Garcia, provocou alguns estudantes que o responderam. A situação paralisou a manifestação por alguns minutos. Motoristas e pedestres também chegaram a criticar os estudantes. Em um momento, um homem que dirigia um Toyota Hilux branco na altura do Parque do Povo chamou os manifestantes de "vagabundos". E uma mulher inconformada disse que os "jovens não deviam estar aqui pedindo a queda do Tarcísio" fez gestos de desaprovação e completou dizendo que “o movimento estudantil não devia fazer política”.

 

A manifestação fechou diversas ruas e provocou diversos engarrafamentos. Foto: Gustavo Tonini/AGEMT
A manifestação fechou diversas ruas enquanto avançava rumo ao Palácio. Foto: Gustavo Tonini/ AGEMT

Assim que o ato chegou na bifurcação entre a Avenida Morumbi e a Avenida Giovanni Gronchi, próximo a uma das entradas da sede do Governo do Estado de São Paulo, os manifestantes se depararam com um bloqueio feito pela PM, que contava com grades de rua, uma corrente de policiais com escudos antimotim, além de integrantes do batalhão de choque e da cavalaria. 

 

A recomendação inicial da PM era impedir a passagem de qualquer manifestante. Foto: Gustavo Tonini/AGEMT.
A recomendação inicial da PM era impedir a passagem de qualquer manifestante. Foto: Gustavo Tonini/AGEMT.

Os estudantes sustentaram os gritos e as palavras de ordem, até que, após um período de espera, um representante da manifestação falasse com um negociador. A representante escolhida foi a diretora do DCE USP e integrante do Movimento Correnteza, Dany Oliveira. 

Apenas seis pessoas estavam autorizadas a furar o bloqueio, mas os estudantes pediam oito representantes, além de um advogado e um membro da imprensa. Após uma conversa com os policiais de alta patente e seus superiores, o negociador negou o pedido dos alunos e liberou apenas a entrada suplementar de dois advogados e da deputada estadual Mônica Seixas (Psol). Os estudantes que puderam conversar com os integrantes da Secretaria Estadual da Casa Civil, que atua no assessoramento do governador, eram  quatro do DCE da USP, um integrante do DCE da Unesp e outro do DCE da Unicamp. 

 

O negociador conversou com a imprensa enquanto fazia as negociações. Foto: Gustavo Tonini/AGEMT
Negociador conversou com a imprensa e a polícia antes de receber alunos. Foto: Gustavo Tonini/AGEMT

 

Ao final da conversa, a representante da UNICAMP e integrante da Secretária Geral do UEESP (União Estadual dos Estudantes de São Paulo), Malena Rojas, afirmou à imprensa que a mobilização segue forte e unificada já que o grupo ouviu apenas que estão sendo ouvidos, mas que ninguém poderia "dar nenhuma garantia” de que haverá alguma reunião direta com representantes mais próximos do governador ou com os reitores. A representante também reiterou que “essa posição do governo, não é só uma expressão de fechar um diálogo, mas expressão de um projeto político que hoje abre mão de garantir a valorização de serviços tão essenciais”.

No momento em que os representantes furaram o bloqueio, os estudantes atearam fogo em apostilas e inflamaram seus cantos. Foto: Gustavo Tonini/AGEMT.
No momento em que os representantes furaram o bloqueio, os estudantes atearam fogo em apostilas e inflamaram seus cantos. Foto: Gustavo Tonini/AGEMT.

 

Em nota, o Governo do Estado de São Paulo afirmou que as reivindicações serão encaminhadas para a avaliação dos responsáveis, que acompanham a situação junto às reitorias e afirmou que as tratativas com os estudantes nas três faculdades estaduais estão em andamento.

A nota também finaliza com a informação de que mais de 64 bilhões de reais teriam sido investidos nas faculdades estaduais desde 2023. O valor representa, aproximadamente, 7% do que teria sido investido no estado, durante toda a gestão - montante apresentado pelo próprio governo, em 2025. Segundo Tarcísio, o governo teria investido 910 bilhões, sendo 540 bilhões oriundos de investimentos da iniciativa privada e 370 vindos de leilões, parcerias e concessões. 

Até a manhã da última terça-feira (21), segundo nota do DCE USP, apesar da tentativa de negociação com a reitoria, não houve apresentação de propostas novas e a mesa de negociação foi postergada para a próxima segunda-feira (25).

Mesmo com indícios de avanço, as greves na USP, UNICAMP e UNESP continuam, ainda sem data para terminar.

Pressões econômicas e articulações políticas revelam uma continuidade histórica sob novas formas de atuação do governo Trump.
por
Isabela Sallum
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27/05/2026 - 12h

No final de 2025 a  Casa Branca divulgou a nova estratégia de segurança nacional dos Estados Unidos, o documento cita a Doutrina Monroe e diz que deve-se "retomar" os princípios no relacionamento com a América Latina. Ao trazer essa lógica histórica de influência dos EUA sobre a região, o governo de Donald Trump parece operar uma espécie de atualização informal daquela doutrina, agora com menos coerência diplomática e mais por imprevisibilidade estratégica. Em vez da negociação multilateral, o que é observado é a substituição do diálogo por pressões econômicas, ameaças políticas e iniciativas unilaterais que tensionam as relações regionais.

A Doutrina Monroe, formulada em 1823 sob o lema “América para os americanos”, foi uma política externa estadunidense responsável por construir as primeiras relações do país com a América Latina. Inicialmente apresentada como um instrumento de oposição às tentativas de recolonização europeia no continente, a doutrina transformou-se, ao longo do tempo, em justificativa para a consolidação da influência norte-americana no hemisfério.

Para Sergio Simoni, professor doutor em ciência política da USP, esse movimento não é inteiramente novo, governos norte-americanos sempre buscaram ampliar sua influência no continente. Mas o atual momento se distingue por ultrapassar os padrões considerados esperados da diplomacia contemporânea. Para o professor, a política externa de Trump “vai além do esperado tanto no âmbito político quanto no âmbito diplomático e econômico”.

Segundo o professor de História da PUC-SP, Daniel Carvalho De Paula, no século XIX a Doutrina Monroe possuía um caráter mais defensivo e simbólico, mas passou por uma importante reinterpretação no início do século XX com o Corolário Roosevelt. “Ela foi reinterpretada como fundamento do direito de intervenção dos Estados Unidos em países latino-americanos, especialmente em nome da estabilidade política, da proteção de interesses econômicos e da segurança regional”, explica.

Na avaliação de De Paula, as preocupações atuais dos Estados Unidos concentram-se em temas como migração, narcotráfico, segurança energética e, sobretudo, no avanço da presença chinesa na América Latina. Ainda assim, o historiador ressalta uma diferença importante em relação ao passado: “Hoje existe uma América Latina mais diversificada em suas alianças internacionais e com maior capacidade de negociação, o que torna a hegemonia norte-americana menos absoluta e mais sujeita a disputas políticas, econômicas e diplomáticas no cenário hemisférico atual”.

 

Doutrina Monroe 2.0

Essas pressões sobre países como México, Colômbia e Brasil, frequentemente apresentadas no discurso do combate ao narcotráfico e ao terrorismo, podem ser entendidas como parte de uma continuidade histórica mais ampla da política externa dos Estados Unidos na região, como Simoni destaca: “O governo Trump está tomando diversas iniciativas para manter ou aumentar a influência dos Estados Unidos na América Latina. O exemplo clássico é a Doutrina Monroe, que foi um documento doutrinário sobre isso e que o Trump agora até diz que está atualizando”

Mesmo quando não se concretizam em intervenções diretas, essas iniciativas, sejam sanções, ameaças diplomáticas ou pressões econômicas, já produzem efeitos internos importantes. Elas reorganizam o campo político doméstico, reforçam atores e discursos mais alinhados a Washington e reconfiguram disputas que passam a ser atravessadas por esse eixo externo. Nesse sentido, não se trata apenas de “ações pontuais”, mas de fatores que interferem na dinâmica política dos países, deslocando prioridades governamentais e influenciando a formação de coalizões.

Diferentemente de leituras que aproximam esse cenário do Plano Condor, o docente ressalta uma distinção fundamental: o contexto atual é marcado por regimes democráticos, e não por ditaduras militares articuladas sob a lógica da Guerra Fria. Ainda assim, isso não significa ausência de influência externa, mas sim uma transformação de seus mecanismos. Em vez da repressão direta, o que acontece é uma articulação transnacional de grupos de extrema-direita, capazes de influenciar agendas, eleições e governos.

 

As tarifas

Na economia, a política tarifária se tornou um dos principais instrumentos estratégicos de Donald Trump. Segundo Simoni “A questão das tarifas, que era algo que ele já tinha feito no primeiro mandato e anunciado na campanha [eleitoral] que iria fazer. É algo que afeta o mundo todo, não só países da América Latina”.

Em julho de 2025, o Brasil foi o país mais afetado pelo tarifaço de Trump, com taxa de 50% de aumento, mas deixou de fora itens estratégicos, como o petróleo. Ainda em 2025, o presidente dos Estados Unidos recuou e isentou itens como café, carnes, frutas e minerais. A medida foi formalizada por meio de uma nova ordem executiva assinada por Donald Trump e publicada no site da Casa Branca.

A imposição de tarifas, que chegaram a patamares médios elevados desde 2025, não apenas reorganiza fluxos comerciais, mas também funciona como mecanismo de pressão política sobre países parceiros. Mais do que medidas protecionistas, essas tarifas operam como ferramentas de negociação, frequentemente aplicadas ou suspensas conforme interesses conjunturais. Resultando em um ambiente de instabilidade que afeta diretamente a autonomia econômica da América Latina.

Protesto contra medidas econômicas do governo dos EUA contra o Brasil, na frente da embaixada americana em Brasília. Foto: José Cruz/Agência Brasil
Protesto contra medidas econômicas do governo dos EUA contra o Brasil, na frente da embaixada americana em Brasília. Foto: José Cruz/Agência Brasil

 

Resposta brasileira às políticas estadunidenses

No Brasil, diante de pressões externas (como ameaças tarifárias e disputas financeiras), o governo Lula passou a mobilizar um discurso nacionalista historicamente associado à direita. Ao defender a soberania econômica frente às investidas norte-americanas, o governo desloca temporariamente as fronteiras ideológicas tradicionais, evidenciando como a política externa de Trump reconfigura não apenas relações internacionais, mas também disputas internas.

Pessoa com fantasia de Jair Bolsonaro e Donald Trump participam de ato pela Soberania do Brasil, na Faculdade de Direito da USP. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Pessoa com fantasia de Jair Bolsonaro e Donald Trump participam de ato pela Soberania do Brasil, na Faculdade de Direito da USP. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Sobre as estratégias brasileiras, Sergio Simoni afirma: “A gente teve alguns indícios de que o governo Lula conseguiu beliscar um pouco dessa pauta que é tradicional da direita brasileira, de defesa do nacionalismo, quando o governo começou a defender e levantar essa bandeira para combater as tarifas que o Trump estava fazendo e as ameaças ao PIX.”

O que seria a “Doutrina Monroe 2.0” não se apresenta como um projeto estruturado e coerente, mas como uma prática marcada pela volatilidade. Entre tarifas, ameaças e articulações políticas transnacionais, a América Latina volta a ocupar um lugar central na estratégia dos Estados Unidos, não mais como território de intervenção direta, mas como espaço de disputa em um cenário global cada vez mais instável.

 

O sequestro de Nicolás Maduro

Foto publicada pela Casa Branca mostra Nicolás Maduro após sequestro . Foto: Reprodução White House
Foto publicada pela Casa Branca mostra Nicolás Maduro após sequestro. Foto: White House

A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças norte-americanas, anunciada por Donald Trump em janeiro de 2026, trouxe à tona o debate sobre os limites da atuação dos Estados Unidos na América Latina e discussões sobre soberania e intervenção no continente. Segundo o governo norte-americano, Maduro foi retirado da Venezuela para responder em solo estadunidense a acusações ligadas ao narcotráfico. A operação gerou reações diplomáticas imediatas e foi classificada por governos e organizações internacionais como um episódio sem precedentes recentes nas relações hemisféricas.

Na avaliação do professor Daniel, o episódio representa simultaneamente ruptura jurídica e diplomática e continuidade histórica. “É ruptura porque a captura de um chefe de Estado em território estrangeiro, por forças norte-americanas, ultrapassa formas tradicionais de pressão diplomática, sanções econômicas ou apoio indireto a opositores”, afirma o docente. Para ele, o caso foi denunciado como possível violação da soberania venezuelana e das normas internacionais, mas não pode ser compreendido como um acontecimento isolado.

Segundo o acadêmico, existe uma continuidade histórica que conecta o episódio às práticas anteriores da política externa dos Estados Unidos na região. “A Doutrina Monroe, o Corolário Roosevelt, as ocupações militares no Caribe e na América Central e o apoio a golpes durante a Guerra Fria mostram que muda a linguagem legitimadora, mas permanece a pretensão de Washington de agir unilateralmente quando considera que a região afeta sua segurança estratégica”, explica.

Nesse sentido, o caso Maduro aparece como um dos exemplos mais explícitos daquilo que parte dos analistas descreve como uma “Doutrina Monroe 2.0”: não necessariamente baseada em ocupações prolongadas ou operações sistemáticas, mas marcada por ações de alto impacto político, justificadas por argumentos ligados à segurança, ao combate ao crime organizado ou à estabilidade regional.

 

A questão cubana

As tensões envolvendo Cuba também ajudam a compreender a centralidade renovada da América Latina na política externa norte-americana. Desde a Revolução Cubana de 1959, a ilha ocupa um lugar singular na estratégia dos Estados Unidos, funcionando simultaneamente como adversário político e símbolo histórico das disputas por influência no continente.

Durante a Guerra Fria, Cuba tornou-se um dos principais pontos de confronto entre os Estados Unidos e a União Soviética. O embargo econômico, as tentativas de isolamento diplomático e os sucessivos episódios de tensão consolidaram a ilha como um símbolo da resistência à hegemonia estadunidense na região. Embora o contexto internacional tenha mudado, parte dessa lógica permanece.

Segundo Daniel Carvalho de Paula, Cuba continua sendo percebida pelos Estados Unidos como peça estratégica no Hemisfério Ocidental. “Desde a Revolução Cubana de 1959, a ilha tornou-se um desafio histórico à hegemonia norte-americana na América Latina, sobrevivendo à Guerra Fria, ao embargo econômico e às tentativas de isolamento diplomático”, afirma.

Na avaliação do professor, as pressões contemporâneas não se explicam apenas por divergências ideológicas. “Hoje, essa lógica aparece associada não apenas à dimensão ideológica, como ocorreu durante a Guerra Fria, mas também à crescente influência de países como China e Rússia na América Latina e no Caribe, envolvendo interesses econômicos, tecnológicos, militares e estratégicos”, explica. Para Daniel, esse processo evidencia permanências históricas mais profundas. “Cuba continua funcionando como um símbolo das disputas sobre soberania, autonomia regional e limites da hegemonia norte-americana no continente”, conclui.

Entenda as acusações e quem são os envolvidos na investigação feita pela Polícia Federal
por
Lara Manasseh
Maria Eduarda Cepeda
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21/05/2026 - 12h

 

Na última quarta-feira (13), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo de sua decisão contra a organização criminosa ligada à gestão do Banco Master e à família Vorcaro. A instituição está sendo investigada por uma fraude financeira que resultou no desvio de R$ 47 bilhões. Em entrevista a jornalistas na entrada do ministério da fazenda, o ex-ministro Fernando Haddad classificou o escândalo como “a maior fraude bancária da história do Brasil”.  

O caso veio à tona após a Operação Compliance Zero, feita pela Polícia Federal, revelando a fraude de R$ 12 milhões na fabricação de carteiras falsas de crédito consignado. O que resultou na liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro do ano passado.

A postura da instituição no mercado financeiro era caracterizada por sua agressividade, variando entre o patrocínio de times de futebol e a compra de instituições menores. A empresa já vinha sendo monitorada por fornecer taxas acima da média do mercado e investimentos considerados arriscados para pessoas físicas. 

Decisão Judicial

Após o desdobramento da operação, foi iniciada a investigação contra Daniel Vorcaro, dono do banco Master e  seu pai, Henrique Moura Vorcaro, expondo que a organização criminosa estava dividida em grupos, todos gerenciados por Luiz Phillipi Mourão, conhecido como "Sicário".  

O apelido ligado a “assassino de aluguel” e “crueldade”, não é por acaso. Mourão tinha contato direto com Vorcaro e era responsável por práticas violentas, monitorando e intimidando possíveis vítimas escolhidas pelo investigado. 

Na decisão do ministro Mendonça, os envolvidos foram organizados em grupos. “A Turma”, liderada por Daniel, foi responsável por coagir jornalistas, intimar adversários, realizar levantamentos clandestinos e obter dados através de ameaças e intimidações físicas. O demais integrantes são:

  • Marilson Roseno da Silva, ex-policial federal e líder do núcleo;

  • Manoel Mendes Rodrigues, “bicheiro”;

  • Anderson Wander da Silva Lima, policial federal;

  • Sebastião Monteiro Júnior, ex-policial federal.

Já “Os meninos”, braço tecnológico, atuavam como hackers, realizando invasões digitais, monitoramento telemático e desativação de perfis nas redes, com o objetivo de derrubar conteúdos negativos e promover publicações favoráveis. São eles:

  • David Henrique Alves, líder do núcleo e responsável por liderar os ataques cibernéticos;

  • Victor Lima Sedlmaier, operador auxiliar,

  • Rodrigo Pimenta Franco, “Rodriguinho”, colaborador aquisitor de domínios da internet para hacking.

A PF aponta que o empresário Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel, teve um papel fundamental no financiamento dos grupos, além de solicitar, recorrentemente, os serviços ilegais. Conversas analisadas indicaram pagamentos mensais para manter os núcleos ativos, mesmo após o início das investigações. Enquanto David Henrique Alves era encarregado de coordenar ataques cibernéticos e monitorar ações para proteger os interesses do grupo. 

A investigação afirmou que houve a tentativa de ocultação dos equipamentos eletrônicos e provas e que policiais suspeitos acessaram sistemas internos com o objetivo de repassar informações sigilosas sobre o andamento do inquérito. 

A imagem mostra a fachada da polícia federal à luz do dia
Superintendência da Polícia federal em Brasília, onde Daniel Vorcaro está preso. Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

Após o ministro André Mendonça recolher os pedidos da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, foi determinada a prisão preventiva de Henrique Vorcaro, dos três integrantes responsáveis pelos ataques cibernéticos, e de três integrantes da “turma”, Manoel Mendes Rodrigues, Anderson Wander da Silva Lima e Sebastião Monteiro Júnior. Mourão também foi preso, mas morreu enquanto estava sob custódia da PF. A versão oficial é de suicídio. 

No despacho, Mendonça aponta a existência de uma organização criminosa robusta e ativa, responsável por diversos crimes graves e estruturados como lavagem de dinheiro; emissão de notas fiscais frias; ameaça; extorsão e intimidação; invasão de dispositivo informático e crimes cibernéticos; violação de sigilo funcional; corrupção; infiltração na polícia federal; realização de consultas indevidas no sistema e-Pol; falsidade ideológica e ocultação de provas.

Esfera política 

O cientista político, Eduardo Viveiros, apontou a fragilidade dentro das instituições estatais. “O que chama a atenção é como um banco de dimensão pequena do sistema bancário foi capaz de capturar toda a estrutura do poder político, chegando até o judiciário, passando pelo legislativo e agora a evidente relação com a família Bolsonaro”. 

O inquérito também teve como objetivo analisar o envolvimento de políticos e membros do STF (Supremo Tribunal Federal). Um deles foi o vazamento dos áudios do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) com Vorcaro, em que o parlamentar cobrava 134 milhões de reais para o financiamento de uma produção cinematográfica sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro não foi o único envolvido. O senador Ciro Nogueira (PP) também foi alvo da investigação, sob suspeita de receber repasses mensais ilegais de 300 mil reais de Vorcaro. Em troca, o político usou seu mandato para defender interesses do Master. O político apresentou uma emenda parlamentar, redigida pela assessoria do Banco Master, que visava aumentar o teto de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Essa medida faria com que o banco multiplicasse suas captações. 

Segundo Viveiros, a relação entre política e crimes está institucionalizada, a ponto de parlamentares usarem a prerrogativa de emendas ao orçamento federal para atividades paralelas. “É uma grave ameaça à democracia; é um sintoma da captura do poder político pelo crime organizado, ou seja, a estrutura do crime está a serviço de uma parte do sistema político”, acusa o cientista. 

Em janeiro, o bilionário Nelson Tanure foi alvo de busca e apreensão durante a segunda fase da Operação Compliance Zero. Ele está sendo investigado por ameaça, perseguição e intimidação contra o fundador da Esh Capital, Vladimir Timerman. 

“Esse escândalo do Banco Master joga luz sobre a relação entre crime financeiro e a sustentação do poder político no Brasil”, afirma Viveiros. Para ele, a proteção da democracia depende do cuidado de aplicar a lei e promover a perseguição dos criminosos antes que o Estado seja capturado por um sistema infrator. 





 

Gravação revela relação próxima entre senador e banqueiro investigado no maior escândalo financeiro do país
por
Carolina Zaterka
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19/05/2026 - 12h

 

A divulgação de um áudio atribuído ao senador, Flávio Bolsonaro, e ao banqueiro, Daniel Vorcaro, abriu uma nova frente de desgaste político para o bolsonarismo e reposicionou o escândalo do Banco Master no centro da disputa presidencial de 2026. O material, revelado pelo The Intercept Brasil, mostra Flávio pressionando Vorcaro pela retomada de repasses destinados ao filme Dark Horse, produção internacional sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.

Mais do que um simples pedido de patrocínio, o episódio expôs a proximidade entre um dos principais nomes da extrema direita brasileira e um empresário que, naquela altura, já estava no epicentro de investigações sobre gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa no sistema financeiro. 

Segundo a investigação, o áudio teria sido enviado em setembro de 2025, momento em que a produção do filme enfrentava dificuldades financeiras. Na gravação, Flávio afirma que a obra estava em um “momento decisivo”, menciona parcelas atrasadas e alerta para o risco de “dar calote” em integrantes internacionais da produção, entre eles o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. O senador pede uma definição urgente sobre os pagamentos e afirma que o projeto corria risco de colapso caso o fluxo de recursos não fosse retomado.

Horas após a publicação da reportagem, Flávio Bolsonaro deixou de negar o contato com Vorcaro e passou a admitir que buscou financiamento privado para o longa-metragem. A sua defesa sustentou que se tratava apenas de um “filme privado”, financiado por “patrocínio privado”, sem qualquer irregularidade. Ainda assim, a mudança de discurso teve impacto imediato. Inicialmente, o parlamentar classificou as informações como “mentira”; depois, reconheceu a existência do contrato e das cobranças relacionadas aos repasses.

A cronologia do caso reforça a dimensão financeira da operação. Documentos citados pela investigação indicam reuniões realizadas em Brasília entre aliados de Flávio e representantes de Vorcaro desde dezembro de 2024. Em fevereiro de 2025, um comprovante apontaria a transferência de US$2 milhões para o fundo Havengate Development Fund LP, ligado ao projeto cinematográfico. Planilhas mencionadas na apuração indicam previsão total de investimento entre US$23,9 milhões e US$24 milhões, cerca de R$134 milhões na cotação da época. Parte desse montante, segundo os documentos analisados pelos jornalistas, já teria sido efetivamente transferida até maio de 2025.

Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que investigava crimes financeiros envolvendo o conglomerado Master. Dias depois, o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial de instituições ligadas ao grupo. Vorcaro passou, então, a simbolizar um dos maiores escândalos financeiros recentes do país.

Flávio Bolsonaro em campanha à pré-candidatura da presidência | Foto: Vitor Souza - Reprodução: Brasil de Fato
Senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República. Foto: Vitor Souza - Reprodução: Brasil de Fato

É justamente essa conexão que elevou a gravidade do áudio. Embora a gravação, isoladamente, não prove corrupção, ela fortalece suspeitas sobre a relação financeira entre o senador da República e o banqueiro investigado criminalmente. Juristas ouvidos por veículos nacionais apontam que o conteúdo pode abrir caminho para apurações sobre eventual lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial, organização criminosa e até implicações eleitorais, caso o filme tenha sido utilizado como instrumento indireto de pré-campanha presidencial.

Do ponto de vista técnico, ainda existe uma lacuna importante, não há, até o momento, laudo pericial público completo sobre o áudio vazado. Não foram divulgados hash do arquivo original, metadados, análise formal de edição nem exame oficial de comparação de voz. Ou seja, há forte corroboração jornalística e contextual, mas ainda não existe autenticação forense pública integral do material.

Isso não significa que o conteúdo seja falso. Pelo contrário, a própria admissão posterior de Flávio, somada à existência de cronogramas financeiros, mensagens, transferências e relatos de fontes da Polícia Federal, reforça a plausibilidade da gravação. Ainda assim, especialistas em perícia digital lembram que autenticidade jornalística e autenticação pericial não são sinônimos, distinção especialmente relevante em uma era marcada por deepfakes, manipulações digitais e vazamentos seletivos.

No campo político, a repercussão foi imediata. Integrantes do Partido dos Trabalhadores e do PSOL anunciaram medidas junto à Polícia Federal e ao Ministério Público. O deputado Guilherme Boulos afirmou que o caso poderia justificar cassação caso a autenticidade do áudio fosse confirmada integralmente. Dentro da própria direita, a reação foi fragmentada; o governador Romeu Zema criticou duramente Flávio, enquanto Ronaldo Caiado e Tarcísio de Freitas adotaram tom mais cauteloso, tentando conter o impacto eleitoral do episódio.

A dimensão simbólica do filme também pesa. Dark Horse não era tratado apenas como um produto audiovisual, mas como uma peça estratégica de construção narrativa do bolsonarismo para 2026. O projeto tinha elenco internacional, ambição global e previsão de lançamento próxima ao calendário eleitoral brasileiro, nesse contexto, o financiamento da obra deixa de ser apenas uma questão cultural e passa a ocupar espaço no cenário eleitoral.

O caso também evidencia uma contradição delicada para o discurso anticorrupção que sustentou parte da ascensão bolsonarista. A revelação de um senador da família Bolsonaro cobrando recursos milionários de um banqueiro posteriormente preso e investigado atinge diretamente a imagem de outsider político construída pelo grupo desde 2018. Ainda que nenhuma condenação exista até agora, o desgaste já se tornou concreto.

Proposta de Guto Zacarias (Missão-SP) quer estabelecer sanções a alunos e servidores envolvidos em movimentos estudantis; pós-graduanda da USP critica medida e relata violência policial
por
Carolina Nader
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18/05/2026 - 12h

Na última segunda-feira (11) o Diário da Assembleia de São Paulo publicou o projeto de lei 439/26, assinado pelo deputado estadual Guto Zacarias (Missão), que tem como objetivo punir o movimento estudantil que " impeça, perturbe ou dificulte as atividades acadêmicas ou o acesso ao campus nas universidades públicas paulistas". 

De acordo com o projeto, professores, reitores, diretores e prefeitos dos campi que apoiarem, permitirem ou se omitirem diante dos movimentos serão punidos com demissão e proibição de acesso a concursos públicos estaduais por um período de dez anos. 

O documento propõe que os servidores públicos identifiquem os alunos responsáveis pelos atos e acionem a Polícia Militar. Além disso, prevê o corte de salários de servidores e a suspensão de bolsas ou qualquer benefício concedido aos estudantes envolvidos, em caso de envolvimento com os movimentos. O projeto também pretende obrigar os responsáveis a fornecer informações e acesso irrestrito a arquivos físicos ou digitais às polícias Civil e Militar. 

Para os alunos a punição prevê expulsão e proibição de matrícula em qualquer curso, de todos os níveis, de qualquer universidade estadual, por quinze anos. O texto também determina que não será permitida nenhuma forma de aplicação retroativa da lei. 

Na justificativa do projeto, Guto Zacarias afirma que a proposta busca “preservar o interesse público” e garantir o funcionamento das instituições de ensino superior do Estado de São Paulo. Segundo o deputado, a autonomia universitária “não pode servir de escudo para omissão” diante de atos que, para ele, “flertam com o vandalismo e o autoritarismo de minorias”. 

A iniciativa do deputado ocorre em meio à repercussão das recentes manifestações estudantis na Universidade de São Paulo (USP), marcadas por ocupações, paralisações e confrontos contra a Polícia Militar.  

Em entrevista à AGEMT, Olívia Maria Silva Dias, estudante de pós-graduação em filosofia da USP, integrante do Centro Acadêmico e do comando de greve, contou que as ameaças de punições aos estudantes já fazem parte da realidade dos movimentos universitários há muito tempo. “Sempre, em todas as greves têm ameaças de cancelamento de matrícula, isso é muito comum, infelizmente”, declarou. 

Segundo ela, medidas como as do PL 439/26 representam uma tentativa de enfraquecer a mobilização política estudantil. “Acredito que temos que lutar por um decreto que impeça a repressão pelos estudantes que se movimentaram politicamente, por que isso é uma das mais covardes práticas, impedir a luta do movimento estudantil.” 

Dias relatou ainda ter participado diretamente das mobilizações recentes na universidade e disse que sofreu agressões durante uma ação policial. “Eu estava na linha de frente das mobilizações. Sempre me movimentei muito politicamente. Fui a pessoa que teve o braço quebrado pela ação da PM na desocupação do Dia das Mães”, contou. 

A estudante criticou o tratamento dado às ocupações estudantis e afirmou que há diferença na forma como as ações dos manifestantes e da polícia são interpretadas. “Nós somos vândalos por quebrar uma porta e para eles uma porta é mais importante do que um braço”, declarou. Para ela, o envolvimento político está ligado também à sua trajetória acadêmica. “Eu não consigo estar em um lugar e não me imaginar intervindo politicamente, não vendo a filosofia como um instrumento de denúncia.”, refletiu. 

A proposta, que gerou revolta entre os estudantes, movimentos estudantis e centrais sindicais, está em discussão na Comissão de Constituição, Justiça e Redação da Alesp.