A sessão da Assembleia Legislativa de São Paulo desta quarta-feira (18) se transformou em palco de controvérsia após a deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL) atacar a deputada federal Erika Hilton (PSOL), atual presidente da Comissão de Direitos das Mulheres, em Brasília. O discurso foi marcado por uma encenação amplamente condenada: a parlamentar fez um blackface – prática historicamente racista – para sustentar comparação transfóbica.
O blackface é uma prática racista antiga que nasceu para ridicularizar e excluir pessoas negras. A ação consiste em se “fantasiar” ou “homenagear”. No século XIX, atores brancos se pintavam para fazer piadas sobre pessoas negras e ridicularizar sua cultura de forma sarcástica e cruel. Infelizmente, a prática continuou presente no cinema, na TV e no entretenimento ao longo dos séculos XX e XXI.
Durante seu discurso, Fabiana Bolsonaro afirmou que, por ser uma mulher branca, não poderia compreender a vivência de pessoas negras. Em seguida, passou a pintar o próprio corpo de preto. A partir daí, estabeleceu a comparação central do discurso: assim como sua “maquiagem” (sic) não a tornaria uma mulher negra, mulheres trans, segundo ela, não poderiam ser consideradas mulheres, nem ocupar espaços de representação feminina — em referência direta a Erika Hilton, deputada federal que foi eleita presidente da Comissão no dia 11 de março.

A fala foi acompanhada de argumentos transfóbicos e anti-científicos, como a ideia de que a experiência feminina estaria restrita à biologia reprodutiva, citando a presença de útero, parto e amamentação como critérios de legitimidade. Ao mesmo tempo, tentou suavizar o ataque com a retórica comum de “respeito individual”, enquanto negava, na prática, a identidade de mulheres trans.
O momento gerou imediata reação dentro e fora do plenário. A deputada estadual Mônica Seixas (PSOL) interrompeu a cena e classificou a ação como racista e transfóbica. “Blackface e racismo são crimes. O que estamos assistindo aqui é um caso de blackface, um caso de polícia. É até difícil falar diante de uma cena como essa. Defendo, inclusive, que a sessão não prossiga, porque quem acompanhou foi vitimado de forma brutal, sem qualquer exceção”, disse.
Após a intervenção, o deputado estadual Capitão Telhada (PP) usou o plenário para acusar Seixas de “censura” e de cometer calúnia ao apontar a existência do crime. O deputado classificou como uma postura autoritária por parte de representantes da esquerda. “Me impressiona a falta de amor pela liberdade e pela democracia que representantes da esquerda têm”, afirmou. Segundo ele, há uma tentativa de silenciar opiniões divergentes no debate político. “Ou você concorda com eles, ou você é homofóbico, transfóbico, racista, criminoso, fascista”.
A manobra tem uma intenção clara: deslocar o foco do conteúdo do discurso para quem o denuncia, uma inversão já conhecida, que transforma a crítica em “exagero” e o ataque em “opinião”. Enquanto isso, a presidência da sessão permitiu que a encenação se desenrolasse.
A presidência de Erika Hilton na Comissão de Direitos das Mulheres tem sido alvo de ataques de setores da extrema direita, que questionam sua legitimidade com base em sua identidade de gênero. A intensidade das críticas contrasta com o histórico recente da própria comissão, que por anos foi composta majoritariamente — e em certos períodos exclusivamente — por homens, sem provocar indignação semelhante.
Após a repercussão negativa, a deputada Fabiana Bolsonaro afirmou que não cometeu blackface e classificou as críticas como distorções, justificando que sua ação foi uma “analogia” ou “experimento social” para sustentar seu posicionamento político. Ela manteve o discurso apresentado no episódio, que ocorreu em meio a embates com a deputada Erika Hilton, e não indicou recuo em suas declarações após o ocorrido.
Em paralelo, surgiram questionamentos relacionados à sua autodeclaração racial no contexto eleitoral. A deputada se declarou parda em registros ligados às regras de distribuição de recursos e tempo de propaganda, conforme diretrizes do Tribunal Superior Eleitoral, que prevê critérios de proporcionalidade racial no financiamento de campanhas do Fundo Eleitoral e do tempo de propaganda para candidaturas de pessoas negras (pretas e pardas). Nesse contexto, candidaturas registradas como pardas podem ser contabilizadas para fins de cumprimento dessas cotas, o que impacta diretamente o volume de recursos direcionados.
Um documento assinado no sábado (7) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gerou novas discussões sobre o rumo do combate ao crime organizado em países da América Latina. O anúncio foi efetivado durante a chamada Cúpula Escudo das Américas, evento ocorrido em Miami, cujo objetivo é formalizar a coalizão de 17 países latino-americanos e ampliar a cooperação contra órgãos criminosos atuantes em diversas partes do globo.
O presidente estadunidense assinou a “Declaração de Doral” , documento que consolida a união continental e defende o uso de forças militares para combater grupos do narcotráfico e redes terroristas regionais.
A medida institui uma mobilização externa em prol do combate a cartéis de drogas e grupos criminosos transnacionais - movimento que fomenta debates sobre possíveis impactos em facções brasileiras e na política doméstica do país.
O documento cria uma estratégia internacional, que abre espaço para tratar sistemas expressivos de tráfico e criminosos internacionais como “narcoterroristas” , efetivando de modo formal a designação desses grupos como organizações terroristas transnacionais.

O Departamento de Estado norte-americano, em paralelo à decisão do presidente estadunidense, analisa a possibilidade de introduzir oficialmente o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de grupos terroristas estrangeiros.
Impactos no Brasil
Caso o Departamento de Estado dos EUA efetive a designação das principais facções brasileiras como terroristas, a legislação nacional deverá ser alterada, pois a Lei Antiterrorismo (Lei n°13.260/2016) define essa prática criminosa como grupos que provocam terror social generalizado por motivações políticas, religiosas, xenófobas e ideológicas.
Os grupos criminosos PCC e CV, de acordo com a lei, não se enquadram como tal, pois o método de violência utilizado possui fins financeiros, e não discriminatórios e/ou preconceituosos.
O Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, neste domingo (8) conversou por telefone com o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, sobre uma parceria para combater o crime organizado.
Segundo fontes do governo, Vieira colocou em pauta a importância de evitar que os Estados Unidos classifiquem as facções como organizações narcoterroristas estrangeiras.
O Presidente Luíz Inácio Lula da Silva (PT) demonstrou preocupações acerca da formalização da decisão do departamento estadunidense. De acordo com especialistas, essa medida pode ser convertida em intervenções políticas e econômicas no Brasil.
A discussão sobre a pauta é recorrente no Congresso Nacional, visto que o PL Antifacção (PL 5882/2025) e a PEC da Segurança Pública foram aprovados na Câmara dos Deputados, no início de 2026.
A aprovação dessas leis, que visam o endurecimento do combate ao crime organizado no país, votada em maior parte pela oposição do atual governo, possibilita o apoio de parlamentares às atividades militares estrangeiras e sanções no Brasil.
Com esse cenário, para o governo brasileiro, urge uma conciliação entre os dois países com o intuito de impedir atividades militares estrangeiras em território nacional. Há uma reunião, sem data prevista, entre Lula e Trump, na Casa Branca, para abordar questões de segurança pública e discutir a classificação do PCC e CV como organizações terroristas internacionais.
Jair Bolsonaro foi internado na UTI, em Brasília, após apresentar mal-estar na papudinha e foi encaminhado ao hospital com suspeita de broncopneumonia, segundo boletim médico divulgado pelo Hospital DF Star na sexta-feira (13). De acordo com a equipe responsável pelo atendimento, a internação ocorreu para monitoramento contínuo do quadro respiratório, que exige acompanhamento intensivo diante do risco de complicações associadas à infecção pulmonar.
Segundo informações médicas, o quadro teria sido provocado por um episódio de aspiração relacionado ao refluxo gastroesofágico, associado à condições como esofagite e gastrite.

Sobre a doença
A broncopneumonia é uma infecção pulmonar que acomete principalmente os brônquios e os alvéolos, estruturas responsáveis pela passagem do ar e pela troca de oxigênio. Trata‑se de um tipo de pneumonia que costuma se manifestar em múltiplos focos espalhados pelos pulmões, e pode ser causada por bactérias, vírus ou fungos, levando à inflamação e ao acúmulo de secreções, o que dificulta a respiração.
Os sintomas mais comuns incluem febre, tosse, falta de ar, calafrios e dor no peito ao respirar ou tossir. Em casos mais graves, pode ser necessária internação hospitalar para acompanhamento intensivo. Entre as principais complicações estão a insuficiência respiratória e a sepse, além de condições como derrame pleural e abscessos pulmonares, com maior risco de agravamento em idosos, pessoas com doenças crônicas ou imunidade comprometida.
Histórico de saúde de Bolsonaro
O histórico de saúde do ex‑presidente ganha relevância no contexto da atual internação. Em 2018, durante a campanha presidencial, ele foi vítima de um atentado a faca em Juiz de Fora (MG), que causou graves lesões abdominais e exigiu cirurgia de emergência. Desde então, Bolsonaro passou por diversos procedimentos cirúrgicos e internações, principalmente em razão de complicações intestinais decorrentes do ataque.
Nos anos seguintes, o ex‑presidente enfrentou episódios recorrentes de obstrução intestinal e aderências no sistema digestivo, que motivaram novas cirurgias, exames e acompanhamentos médicos frequentes. Embora essas complicações estejam concentradas no sistema gastrointestinal, especialistas apontam que o histórico clínico, aliado à idade e ao estado geral de saúde, é um fator considerado na avaliação de infecções agudas, como a broncopneumonia, podendo influenciar na evolução do quadro e no processo de recuperação.
Cronologia recente
O ex‑presidente apresentou piora súbita do estado de saúde durante a madrugada, enquanto estava custodiado no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha. Segundo o cardiologista Brasil Caiado, médico que o acompanha, os sintomas tiveram início entre 2h e 3h da manhã, com evolução rápida. Bolsonaro apresentou febre alta, calafrios intensos, sudorese, episódios de vômito e queda na saturação de oxigênio, o que levou ao acionamento da equipe médica e, posteriormente, ao atendimento do Samu, que o encaminhou ao Hospital DF Star, em Brasília, onde deu entrada por volta das 8h50. Após exames laboratoriais e de imagem, foi confirmado o diagnóstico de broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa.
Em boletim médico, o hospital informou que Bolsonaro está em tratamento com antibióticos por via venosa e suporte clínico não invasivo, permanecendo sob monitoramento intensivo na UTI.. Segundo a equipe médica, não há previsão de alta, e o quadro é considerado grave, especialmente em razão da idade e do histórico clínico do ex‑presidente. O hospital informou ainda que novos boletins serão divulgados conforme a evolução do quadro, sem intervalo previamente definido.
Sua internação gerou repercussão imediata entre aliados e familiares, que utilizaram as redes sociais para pedir orações e manifestações de apoio. O senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) foi o primeiro a divulgar a hospitalização e afirmou que este é o quadro mais grave enfrentado pelo pai nos últimos anos.
Após a internação, o parlamentar voltou a defender publicamente a concessão de prisão domiciliar humanitária, alegando risco à saúde do pai. No âmbito institucional, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a presença da ex‑primeira‑dama Michelle Bolsonaro como acompanhante, liberou visitas dos filhos e determinou escolta policial permanente no hospital. O episódio reacendeu o debate político e jurídico sobre as condições de custódia de Bolsonaro e eventuais pedidos da defesa relacionados à execução da pena, embora nenhuma mudança judicial tenha sido anunciada até o momento.
A Assembleia dos Especialistas do Irã anunciou, no domingo (08), em Teerã, a escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo da República Islâmica, após a morte do aiatolá Ali Khamenei, durante um ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro, no início da atual escalada militar no Oriente Médio.
Enquanto a sucessão não era definida, o Irã foi governado por um conselho temporário previsto na Constituição, composto por: presidente da República, chefe do Judiciário e um representante do Conselho dos Guardiões. Os três assumiram provisoriamente as funções do líder supremo sob o viés de garantir a continuidade do Estado iraniano durante o processo sucessório.

A decisão coube à Assembleia dos Especialistas, órgão constitucional formado por 88 clérigos xiitas responsável por nomear e supervisionar a principal autoridade política e religiosa do país. Pela Constituição iraniana, cabe a esse colegiado escolher um novo nome em caso de morte, renúncia ou incapacidade do ocupante do cargo.
O órgão foi convocado em caráter emergencial e sob forte esquema de segurança para acelerar o processo sucessório após a morte de Ali Khamenei. Em análise publicada pela agência Reuters, o pesquisador Alex Vatanka, do Middle East Institute, avaliou que a definição rápida foi considerada essencial pelo regime diante do atual contexto de guerra, instabilidade interna e pressão internacional.
Quem é Mojtaba Khamenei, o novo líder supremo?
Aos 56 anos, Mojtaba Khamenei é um clérigo de médio escalão com formação religiosa na cidade de Qom e sem experiência política formal. Apesar disso, construiu influência nos bastidores do poder iraniano ao longo das últimas décadas, mantendo vínculos estreitos com a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), um dos pilares do regime.
Alvo de sanções impostas pelos Estados Unidos em 2019, ele era apontado há anos como possível sucessor do pai. Sua escolha, no entanto, é considerada controversa por representar uma transição direta de pai para filho, algo sensível em um sistema político que se consolidou após a Revolução Islâmica de 1979, com a derrubada de uma monarquia hereditária.
Analistas como Alex Vatanka, do Middle East Institute, em análise publicada pela agência Reuters, e Suzanne Maloney, do Brookings Institution, em avaliações institucionais repercutidas pela imprensa internacional, interpretaram a nomeação de Mojtaba Khamenei como um sinal de continuidade do regime e de fortalecimento da ala mais dura do poder iraniano. Líderes políticos iranianos declararam apoio imediato ao novo líder, entre eles o presidente Masoud Pezeshkian, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, além do comando da Guarda Revolucionária Islâmica, que prometeu lealdade à nova liderança.
“Essa valiosa escolha é uma manifestação da vontade da nação islâmica de consolidar a unidade nacional, uma unidade que tem sido a principal força do Irã diante das conspirações de seus inimigos”, afirmou o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, segundo a Al Jazeera, com informações da Reuters e da AFP
Além disso, países aliados como Rússia e Teerã reconheceram a escolha, enquanto governos ocidentais manifestaram preocupação com a estabilidade regional e com o risco de uma escalada do conflito.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelou, de última hora, a viagem ao Chile, onde participaria da cerimônia de posse do novo presidente do país, José Antonio Kast, realizada na quarta-feira (11) em Valparaíso. O Palácio do Planalto não apresentou justificativa oficial para o cancelamento, embora a viagem constasse na agenda presidencial e estivesse confirmada desde a semana anterior, conforme registro no site oficial da Presidência.
Com a ausência do presidente, o Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que participou da cerimônia em nome do governo brasileiro.

Eleito em dezembro de 2025, José Antonio Kast assume o governo chileno após o fim do mandato de Gabriel Boric. De extrema direita, o novo presidente já teve divergências com Lula, mas ambos se reuniram em janeiro, no Panamá, para discutir temas como comércio e cooperação regional. A nova administração inaugura um mandato com possíveis repercussões em áreas sensíveis da relação bilateral, como política ambiental e integração regional. Segundo fontes próximas à Presidência, Lula deve retomar o diálogo com o governo chileno em ocasiões futuras, seja por meio de visitas oficiais, seja em encontros multilaterais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

A decisão repercutiu na imprensa internacional, que acompanha a postura do Brasil diante de governos de diferentes orientações políticas na região. Nos bastidores, interlocutores do Planalto indicam que o cancelamento da viagem pode estar relacionado ao convite feito por Kast ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para participação da cerimônia. O convite ao pré-candidato à Presidência da República e adversário político direto de Lula teria sido interpretada pelo Palácio do Planalto como um desrespeito e possível fator de “situação desconfortável”, o que teria pesado na decisão presidencial de não viajar.
Apesar do cancelamento da viagem presidencial, o governo brasileiro reiterou, por meio do Itamaraty, o interesse em manter e aprofundar as relações bilaterais com o Chile, consideradas estratégicas na América do Sul, independentemente da presença do presidente na solenidade. O Brasil é o maior parceiro comercial do Chile na América Latina. O Ministério das Relações Exteriores, no entanto, não divulgou nota específica sobre os motivos da decisão, limitando-se a informar que o Brasil foi representado pelo chanceler Mauro Vieira, em linha com os protocolos diplomáticos adotados em compromissos internacionais.







