Nesta terça-feira (14), o Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) elegeu o ministro Nunes Marques como presidente da Corte após a ministra Cármen Lúcia anunciar sua saída do cargo. Ele comandará o Tribunal durante dois anos ao lado do ministro André Mendonça - eleito vice-presidente do TSE.
A eleição ocorreu entre os membros do Tribunal, por meio de urna eletrônica, tendo seis votos contra um para Nunes Marques. A votação é simbólica porque o cargo é ocupado em sistema de rodízio por antiguidade entre os ministros do STF. O placar também é uma tradição na corte, pela qual o próximo presidente não vota em si mesmo, mas em quem o sucederá, no caso, André Mendonça.
De acordo com o TSE, a ministra Cármen Lúcia, atual presidente da Corte, antecipou a saída prevista para 3 de junho, para permitir rapidez na transição e na organização das eleições, que ocorrem em outubro. Durante a votação, ela ressaltou a experiência dos magistrados e a responsabilidade diante das eleições que se aproximam, destacando a confiança no seguimento do trabalho feito pela Justiça Eleitoral.
“Os ministros vêm desenvolvendo as suas condições de juízo com grande seriedade e responsabilidade, fazendo com que todos nós tenhamos, na cidadania brasileira, a tranquilidade de saber que a Justiça Eleitoral continuará a prestar o seu serviço”, concluiu a ministra no pleito, após confirmação da eleição do novo presidente do TSE.
Quem é Nunes Marques?
Nascido em Teresina, Piauí, Kassio Nunes Marques atuou como advogado nas áreas cível, trabalhista e tributária por 17 anos, entre 1995 e 2011. Foi juiz do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí de 2008 a 2011 e desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região de 2011 a 2018, onde exerceu a Vice-Presidência, entre 2018 e 2020.
Tornou-se ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2020, e ministro efetivo do Tribunal Superior Eleitoral em 2023, tendo assumido a Vice-Presidência da Corte em 7 de maio de 2024. Agora, Nunes Marques comandará o TSE por dois anos, incluindo as Eleições Gerais de 2026.
A passagem dos 62 anos do golpe militar no Brasil, entre 31 de março e 1 de abril de 2026, lembra a resistência do movimento estudantil frente à invasão da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), treze anos após o início da ditadura.
Na instituição, a memória está consolidada no próprio espaço físico, como na placa sobre a “Invasão Policial de 1977” disposta na entrada pela rua Monte Alegre. Isso porque, antes de qualquer marco, a universidade nunca deixou a história ser apagada e sempre trouxe a reflexão à tona ao manter em seu espaço a memória.
Foto: Carolina Nader/Agemt
Na ocasião, o Brasil estava sob o regime do AI-5 (Ato Institucional nº 5) e a UNE (União Nacional dos Estudantes) foi declarada ilegal. Ainda assim, o movimento estudantil ganhou força na PUC-SP quando os alunos e militantes de esquerda conquistaram maior espaço com a criação dos centros acadêmicos e a nomeação da primeira mulher reitora da universidade, Nadir Kfouri.
Em entrevista à AGEMT, Valdir Mengardo, ex-aluno da ECA-USP (Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo) e militante presente na invasão à universidade, relata que a revolta da comunidade acadêmica foi muito grande. “Acho que foi um dos impulsionadores de toda a resistência que já estava acontecendo”, afirma.
No dia 21 de setembro, uma reunião do III Encontro Nacional dos Estudantes (ENE) realizada na FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), resultou no agrupamento de 15 mil policiais e na prisão de 210 estudantes, pois ao saber da concentração, o Secretário de Segurança do Estado na época, Coronel Erasmo Dias, mandou bloquear estradas para São Paulo e encheu de tropas policiais a FGV, USP e PUC-SP. Os militares não sabiam, mas essa era apenas uma manobra para tirar o foco do movimento que se realizaria oficialmente, em segredo, na PUC-SP no dia seguinte.
Reunindo cerca de 2 mil alunos diante do TUCA, o Ato Público iniciou-se com a leitura de uma carta aberta que foi rapidamente interrompida por uma violenta operação policial coordenada por Erasmo Dias. “Na época, o que a gente ouviu falar é que o motivo da agressão contra os alunos era por causa da mobilização subversiva à ditadura”, afirma Boaventura Inglez ou “Senhor Benê”, como todos conhecem, caseiro e funcionário da manutenção na universidade a mais 50 anos, em entrevista à AGEMT.
De acordo com a Comissão da Verdade da PUC-SP, os policiais lançaram bombas, agrediram os estudantes que estavam na mesa do ato, rasgaram os cartazes e encurralaram aqueles que tentavam furar o cerco policial. “Eles levaram os alunos em fila indiana, todo mundo com a mão no ombro do outro e subindo a rampa do restaurante. Puseram ônibus lá na esquina, num terreno vazio, para fazer a triagem do pessoal e para que depois os levassem para delegacia”, acrescenta o senhor Benê.
O ex-aluno da ECA-SP, Valdir, presente no ocorrido, ainda disse que a repercussão pelo corpo docente levou a uma reação muito forte por parte da reitora. “A dona Nadir não quis cumprimentar o Erasmo Dias quando ela foi vistoriar os estragos que estavam sendo feitos na universidade”, conta.
Em registro histórico feito pela PUC-SP, no jornal Porandubas, houve depoimentos prestando solidariedade às vítimas. Os reitores de outras Pontifícias e a da própria PUC de São Paulo, lamentaram as agressões e criticaram a repressão vivenciada pelos estudantes e funcionários da instituição.
A reitoria escreveu aos pais dos alunos sobre o ocorrido, a fim de esclarecer insinuações que cercavam a invasão. “A Pontifícia Universidade Católica de S. Paulo, tendo sido vítima de brutal agressão física e moral, continua firme no difícil intento de oferecer aos seus alunos uma educação que parta dos valores e dos princípios fundamentais do humanismo cristão, e uma formação profissional digna do nível que, através de três dezenas de anos, conseguiu atingir”, declarou a reitora no impresso Porandubas.
Em um dos relatos feitos no impresso, na parte de “reações”, houve a seguinte afirmação por parte da reitoria: “a invasão foi para descaracterizar a PUC, como um aviso, pois cumpre funções de universidade democrática”.
Professores de outras faculdades participaram da reunião organizada pela Associação de Professores da PUC-SP (APROPUCSP). Nela, buscaram relatar a humilhação e a vergonha da classe docente, diante de uma invasão sem precedentes nas faculdades de São Paulo, que afetou o direito livre de expressão.
Os registros do jornal Porandubas serviram como uma resposta da comunidade universitária para reafirmar valores de diálogo, formação crítica e liberdade. A memória da invasão permanece, assim, como símbolo da defesa da universidade democrática e de seu papel social.
Para o senhor Benê, o que fica é a história de preservação e de luta democrática que, assim como para Mengardo, não é lembrada “apenas pelo heroísmo”, mas também pela lembrança contra possíveis novas agressões nesse sentido. “A gente já viu na eleição passada e estamos vendo novamente correntes conservadoras com as mesmas bandeiras que o senhor Erasmo defendia em 1977, precisamos estar sempre em alerta para não acontecer de novo”, concluiu Valdir.
O 19° Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontou que os casos de produção e distribuição de materiais de abuso sexual infantil aumentaram 14,1% em relação ao ano anterior, número chega a mais de três mil vítimas. Os dados foram divulgados em 2025 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em sua última edição.
Uma instituição de ensino preparada possui protocolos claros de atuação, formação continuada para educadores e articulação com a rede de proteção, de acordo com o Ministério da Educação (MEC). Para o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) as escolas devem saber reconhecer sinais de alerta e realizar os encaminhamentos adequados.
Mudanças de comportamento costumam ser os primeiros sinais observados no ambiente escolar. Baixo rendimento, agressividade, apatia e dificuldade de concentração estão entre os sinais mais comuns.
Em entrevista à AGEMT, a psicóloga Mariângela Alves, que atua no acompanhamento de crianças e adolescentes na área educacional, conta que a escola desempenha papel essencial na identificação inicial dos casos. “A escola está em contato contínuo com a criança e muitas vezes é o primeiro espaço onde sinais de sofrimento aparecem. Não cabe investigar, mas identificar, acolher e encaminhar corretamente”, explica.
Segundo ela, o ambiente escolar facilita essa interpretação, uma vez que reúne convivência social e demandas cognitivas que revelam possíveis mudanças emocionais. A especialista ressalta que os sinais variam de aluno para aluno e podem ser confundidos com problemas disciplinares.
Apesar da importância desse papel, a preparação das escolas ainda é considerada insuficiente. “Muitas instituições não têm formação específica nem protocolos bem definidos, o que gera insegurança nos profissionais”, afirma Mariângela.
Entre as necessidades apontadas estão a formação continuada para professores, conhecimento sobre desenvolvimento infantil e orientação sobre encaminhamentos corretos. A presença de psicólogos nas escolas também é vista como um diferencial importante para apoiar educadores e acolher estudantes.
“A escola não é apenas um espaço de ensino, mas também de proteção. Estar atento e encaminhar pode transformar e até salvar a vida de uma criança”, conclui a psicóloga.
Brasília, nesta terça-feira (7), foi palco de manifestações protagonizadas por povos indígenas de diferentes regiões do país. Reunidos na capital federal, lideranças e comunidades se mobilizaram para chamar atenção às pautas urgentes que envolvem os direitos dos povos originários, como a demarcação de terras, a preservação ambiental e o acesso a políticas públicas de qualidade.
Os atos ocorreram em meio a um cenário de tensão envolvendo decisões políticas e projetos como: O Marco Temporal (PL 2903/2023), que limita o direito à terra apenas a áreas ocupadas em 1988, desconsiderando expulsões históricas. A PEC 48/2023, que tenta tornar essa regra parte da Constituição, dificultando sua contestação. A PEC 59/2023, que transfere a demarcação de terras do Executivo para o Congresso, politizando o processo. Além disso, o PL 191/2020 e projetos semelhantes liberam mineração e grandes obras em terras indígenas, sem garantir consulta às comunidades. E por fim, o PL do Licenciamento Ambiental flexibiliza regras, reduzindo a proteção dessas áreas contra impactos ambientais.
Outro ponto crítico e o avanço de projetos que flexibilizam o licenciamento ambiental, reduzindo a proteção sobre os territórios indígenas, ou seja, projetos como A PEC 10/2024 que abre espaço para exploração econômica mais ampla dentro das terras indígenas podem impactar diretamente os territórios indígenas. Com cantos, faixas e rituais tradicionais, os manifestantes reforçaram a importância de garantir o cumprimento da Constituição e denunciaram retrocessos que ameaçam suas comunidades
Para os participantes, a luta vai além da terra, trata se da preservação de culturas, modos de vida e da própria sobrevivência dos povos indígenas.
Além das reivindicações territoriais, também foram levantadas demandas por melhorias nas áreas de saúde e educação, que frequentemente são apontadas como insuficientes nas aldeias. A mobilização mostra a necessidade de diálogo entre o poder público e os povos indígenas, especialmente em um momento de decisões que podem redefinir o futuro dessas populações.
As manifestações em Brasília reforçam o papel dos povos indígenas como protagonistas na defesa de seus direitos e colocam em pauta, mais uma vez, a urgência de políticas que garantam inclusão, respeito e justiça histórica no Brasil.
A falta de investimentos para pesquisas científicas no Brasil volta a preocupar a comunidade acadêmica. Está prevista para 2026, a repetição desse cenário que se perpetua há anos. Essa possibilidade reacende uma preocupação já conhecida pelos pesquisadores: a instabilidade de recursos para a ciência. O risco, segundo especialistas, vai além dos laboratórios e pode afetar diretamente a economia e o futuro do país.
Segundo o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o investimento anual em ciência ficou em torno de 10 bilhões entre 2023 e 2025, com mais de 97 mil bolsas de pesquisas em 2025. Apesar disso, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) alertam que o orçamento previsto para 2026 inclui cortes nas bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e ausência de reajuste nas bolsas Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior).
Caso o cenário de instabilidade continue, o país pode ficar mais dependente de tecnologias estrangeiras e enfrentar dificuldades na formação de novos pesquisadores. A falta aumenta o risco de interrupção de estudos ao longo prazo, acarretando em anos ou décadas para gerar resultados.
Pesquisadores deixam claro a dificuldade progressiva de se realizar pesquisas científicas no Brasil. Tal problemática se dá por muitos processos e burocracias, mas todos eles nascem de uma mesma fonte: o apoio e a verba que o Estado negligencia dentro do cenário contemporâneo brasileiro. Um dos fatores recorrentes que atrapalham o progresso de pesquisas, são as mudanças de governos e partidos, tanto estaduais, quanto federal. Diferentes administrações afetam diretamente a disponibilização e a distribuição de verbas destinada à pesquisas científicas. Muitos dos estudos científico tecnológicos passam estagnados dentro deste período de transição política, enquanto algumas áreas são privilegiadas e outras mais afetadas.
Roberto Navarro, pesquisador de Inteligência Artificial na área nuclear do IPEN comenta que dentro do governo anterior, de extrema-direita, as pesquisas das áreas de humanas, como história, arte e direitos humanos, eram sempre as mais menosprezadas. Ele pondera que as pesquisas mais valorizadas, isso é, que recebem mais bolsas e apoio do governo, variam muito de acordo com aquilo que está em alta. "Nos dias atuais é o exemplo da biotecnologia e inteligência artificial, que são consideradas mais úteis e em ascensão pelos governos atuais", explica.
Para muitos profissionais da área, o problema não é apenas a má administração pública, mas um forte déficit educacional nas bases de ensino, que deixa de lado a real importância da ciência e da pesquisa no Brasil. Em outras palavras, a falta de valorização é fruto também da esfera social como resultado de uma estrutura de ensino e educação precária no Brasil. Para muitos pesquisadores, esse não costuma ser um tema levado em consideração pelos brasileiros no momento do voto. Navarro reforça que "a própria população tem dificuldade de entender o valor da pesquisa e ciência, o que pressiona menos os políticos". Felipe Jaime Dávila, pesquisador na área de caracterização de materiais nucleares, concorda com a ideia e ressalta que "a falta de orçamento direcionado à educação evita que as pessoas sejam mais críticas, deixa a população mais alheia, menos resistente e mais submissa".
Além disso, especialistas afirmam que a burocracia é um elemento que mais atrapalha do que ajuda dentro do processo de uma pesquisa. Navarro critica a burocracia ao afirmar que existem rombos milionários dentro dos governos estaduais e do federal, não somente na área de pesquisa, em que acontecem desvios, roubos e desperdícios enormes de recursos que poderiam ser direcionados para realização de muitas pesquisas, enquanto isso acontece, ele pondera: "no meu trabalho preciso preencher diversos documentos para realizar a troca de, por exemplo, uma maçaneta do laboratório, formulários inicialmente feitos para prevenir golpes, mas que criam barreiras e situações miseráveis dentro do ambiente de pesquisas".
“Eu não tive acesso a um laboratório durante meu doutorado", reclama Dávila, que construiu um com o próprio dinheiro, obtido em dois empregos informais. O orientador precisava de uma vassoura e um pano de chão para limpar o laboratório, lembra ele. Conseguir isso era tão burocrático, que a solução foi pagar do próprio bolso. "Eu entendo a necessidade de cuidar do orçamento público, mas necessitamos ser mais racionais com o funcionamento todo” critica Dávila.
Uma alternativa viável para os profissionais é a saída do Brasil para países que valorizam mais a ciência. Muitos recebem ofertas de trabalho vindas de empresas do exterior ou se mudam mesmo sem uma oferta garantida, com o objetivo de uma melhor qualidade de vida e trabalho. Em países como Alemanha, Coréia do Sul e Reino Unido, há mais oportunidades na produção científica e melhores condições de trabalho.
A experiência de Maria Cristina Tessari-Zampieri, pesquisadora voluntária no Centro de Química e Meio Ambiente do IPEN, mostra que a falta de financiamento limita o acesso a materiais e dificulta a continuidade das pesquisas. Ela comenta que, junto de sua equipe, utiliza do que já está disponível e somente algumas vezes a instituição fornece ferramentas, que são insuficiente. A pesquisadora ainda chama atenção para os impactos dessa realidade na permanência de profissionais no país, destacando que a maioria dos alunos que se formam e desejam concluir um doutorado prefere ir para fora do país, já que a oportunidade de realizar pesquisa lá é muito melhor.
Felipe Jaime, que nasceu e cresceu na Colômbia, se tornou engenheiro de Materiais pela Universidad del Valle, de seu país natal. Decidiu vir a São Paulo e se tornou mestre em engenharia civil pela Universidade de São Paulo (2015), atualmente desenvolve pesquisa na área de caracterização de materiais nucleares como aluno de doutorado no IPEN. O pesquisador é um exemplo da migração por razões acadêmicas, “A situação no Brasil é muito difícil, é bem complicada, mas não é o pior cenário que o planeta Terra pode oferecer, existem lugares piores, assim como a Colômbia. A bolsa aqui é miserável, mas lá na Colômbia é zero ", esclareceu Felipe.
A pandemia, principalmente, foi um período em que muitos projetos foram interrompidos e que faltou muito apoio e financiamento do antigo governo, o que fez com que o Brasil ficasse atrasado em relação aos outros países que recebiam o apoio necessário para enfrentar a doença. Hoje em 2026, ainda existem sequelas deixadas pelo período da COVID-19, muitos pesquisadores e estudantes abandonaram projetos, a área de trabalho foi muito afetada pela falta de recursos e a maioria dos pesquisadores se veem muito frustrados com o desprezo dentro da área científica.
“Eu faço pesquisas porque eu amo, eu me apaixonei pela ciência desde cedo e hoje eu não recebo nada pra isso, não recebo salário” relata Maria Cristina.