A deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP) entrou na Justiça contra o apresentador Carlos Massa, conhecido como Ratinho, depois de declarações consideradas transfóbicas feitas em rede nacional no Programa do Ratinho, exibido pelo SBT, na última quarta-feira (11).
O episódio ocorreu horas após a parlamentar assumir a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.
A indicação dela ocorreu por meio de um acordo entre líderes partidários que distribuíam o comando das comissões com base no tamanho das bancadas. Nessa decisão, o colegiado ficou com o PSOL, partido da deputada.
Entenda como foi a votação
Mesmo sendo uma eleição com chapa única, o processo acabou virando uma disputa. Parlamentares de partidos mais à direita, como PL e PP, organizaram um movimento para tentar impedir a eleição de Hilton. Em vez de lançar outro candidato, eles combinaram votar em branco para dificultar que a deputada alcançasse a maioria necessária.
No primeiro turno da votação, participaram 22 deputados. Hilton recebeu dez votos favoráveis, enquanto 12 parlamentares votaram em branco. Como o número de votos em branco foi maior, o resultado foi considerado inconclusivo e a eleição precisou ir para um segundo turno.
Na etapa seguinte, com um deputado a menos participando, o quórum caiu para 21 parlamentares. Nesse cenário, bastava maioria simples para vencer. Hilton acabou eleita por 11 votos a favor contra dez em branco, tornando-se a primeira mulher trans a presidir uma comissão permanente da casa.
A eleição foi seguida de críticas de parlamentares conservadores. Algumas deputadas afirmaram que Hilton não poderia representar as mulheres por não ter vivenciado experiências biológicas como gravidez ou menstruação.

Clarissa Tércio (PP-PE) afirmou que a presidência da comissão deveria ser ocupada por uma “mulher de fato”. Já Chris Tonietto (PL-RJ), afirmou que: “Não podemos concordar com a entrega desta comissão, que deveria zelar pela dignidade da mulher, da vida e da família, a uma pauta que desvirtua a própria essência feminina”.
Em resposta, durante seu discurso de posse, a parlamentar ironizou esse argumento e afirmou que sua gestão trabalharia pela defesa de todas as mulheres, além de priorizar o combate à violência de gênero e ao discurso de ódio na internet.
Polêmica na TV
Na mesma noite, durante seu programa de televisão, Ratinho comentou a eleição e questionou a legitimidade de Hilton para ocupar o cargo.
No ar, ele afirmou que a deputada “não é mulher, é trans” e disse que, para ser mulher, seria necessário ter útero, menstruar e sentir a dor do parto.
As declarações repercutiram nas redes sociais e no meio político. No dia seguinte, Érika Hilton anunciou que processaria o apresentador.
Repercussão do caso
Em resposta pública, ela afirmou que a fala de Ratinho não atinge apenas pessoas trans, mas também mulheres cisgênero que não menstruam, que retiraram o útero por motivos de saúde ou que não podem ou não desejam ter filhos.
Foram apresentados pedidos ao Ministério das Comunicações para investigar o SBT por possível abuso na concessão pública de radiodifusão, incluindo a possibilidade de suspensão temporária do programa.
Além disso, representações foram encaminhadas ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) para apurar se houve crime de transfobia, que no Brasil é equiparado ao racismo.
Nesta sexta-feira (13), o Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública pedindo indenização de R$10 milhões por danos morais coletivos.
Se a ação for aceita pela Justiça, o dinheiro seria destinado a fundos públicos e organizações de defesa dos direitos humanos. O órgão também pediu que o apresentador faça uma retratação pública no mesmo horário em que as declarações foram exibidas.
O SBT divulgou uma nota afirmando que repudia qualquer tipo de discriminação e que as falas de Ratinho não representam a posição da emissora.A presidente do SBT, Daniela Beyruti, chegou a telefonar para a deputada para pedir desculpas em nome da emissora.
Militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) realizaram uma manifestação em frente à sede da emissora, em Osasco, na região metropolitana de São Paulo.
Durante o protesto, manifestantes também pediram uma retratação pública do apresentador e defenderam que veículos de comunicação que operam por meio de concessão pública devem respeitar princípios constitucionais, como a dignidade humana e a proibição de discursos discriminatórios.

Ratinho, por sua vez, publicou um vídeo nas redes sociais dizendo que não considera suas falas preconceituosas. Segundo ele, “crítica política não é preconceito” e jornalistas têm o direito de questionar autoridades públicas.
No último dia 2, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publicou uma nova série de propostas de regulamentação da inteligência artificial (IA) nas eleições, as quais foram aprovadas no dia seguinte junto ao calendário eleitoral oficial. O documento foi divulgado para o público no Diário de Justiça eletrônico e assinado pela presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, o vice-presidente, ministro Nunes Marques e o diretor-geral, ministro Ricardo de Oliveira Piazzi.
Fica especificado que a partir de 1 de outubro até 24 horas após a votação, é proibida toda e qualquer publicação e republicação de conteúdos modificados por IA que tenham relação com os candidatos ou pessoas públicas relacionadas às eleições. Além disso, se mantém a obrigatoriedade da rotulação explícita de conteúdos criados por meio dessa tecnologia na produção de propagandas.
Entre as 14 atas analisadas destaca-se: a proibição da propaganda política em provedores como ChatGPT, Copilot e Gemini, mesmo que requisitados pelo usuário a indicação de candidatos. Além da facilitação da acusação em casos de uso indevido dessas tecnologias, já que, caso o juiz considere necessário, será preciso que o acusado prove que não usou conteúdo manipulado ou gerado, mostrando provas claras da origem de seus materiais.

Este ano, o voto popular decidirá os ocupantes dos seguintes cargos: Deputados Federais e Estaduais, Senadores, Governadores e Presidente da República, juntamente com seus devidos vices. O primeiro turno ocorre no dia 4 de Outubro, com o segundo turno programado para o dia 25, caso se faça necessário.
O novo calendário eleitoral, junto com a revisão de regulamentações, seguem a nova onda de responsabilidade digital, que vem sendo seguida por diversos países. No Brasil, além do Marco Civil da Internet sancionado em 2014, mais recentemente a Lei Nº 15.325 que regulariza a responsabilidade de influenciadores por suas publicações e criações de conteúdo foi aprovada. Essa nova leva sobre inteligência artificial foca em criar caminhos para culpabilizar de forma clara o descompromisso com a verdade e com a legalidade da campanha eleitoral.
A eleição deste ano é considerada a primeira de fácil acesso geral a essas tecnologias, já que mesmo estando disponível há alguns anos, dados comprovam que seu uso se tornou comum no país a partir de 2024 com 54% da população já utilizando de ferramentas de IA Gerativa, segundo a pesquisa feita pela Ipsos. O acesso a essa tecnologia pode revolucionar a forma como o grande público geral consome sua propaganda.
Em 2022, a democracia sofreu um golpe grave, com o aumento no índice de notícias falsas., O estudo publicado pela NetLab da Universidade Federal do Rio de Janeiro, mostra que a média diária de notícias falsas ou duvidosas, aumentou em 311,5 mil no segundo turnos das eleições, sendo um aumento de 65% em relação ao primeiro.
Segundo o professor e pesquisador, Wilson Gomes, em declaração à Comissão Parlamentar de Inquérito das Fake News em 2019, um dos motivos para o avanço dessas notícias, seria o aumento crescente da extrema direita no Brasil e a polarização de posicionamentos políticos.
É esperado que a hiperconexão e atividade dos eleitores resultem em um espaço político ainda maior nas redes sociais e ambientes digitais, resultando em um espaço produtivo para Deep Fakes [manipulações falsas] e alterações de discurso, o que exigirá ainda mais atenção da população.
O Partido Social Democrático (PSD) prepara-se para lançar sua primeira chapa presidencial própria, com três pré-candidatos: o governador do Paraná, Ratinho Junior; o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite; e o recém-filiado governador de Goiás, Ronaldo Caiado.
Fundado em 2011, o partido agora abriga três nomes interessados na vaga da presidência. Em 27 de janeiro de 2026, Caiado deixou o União Brasil e se filiou ao PSD, anunciando em vídeo que mantém sua pré-candidatura presidencial. Ele destacou ter sido “acolhido em um gesto de total desprendimento” no novo partido, afirmou não ver interesses pessoais conflitantes entre os concorrentes e disse que o nome escolhido terá o apoio unânime dos demais. Na ocasião, Gilberto Kassab declarou que Leite, Ratinho Jr. e Caiado passarão “a trabalhar juntos no PSD na busca de uma candidatura a presidente da República que traga um projeto para o futuro do nosso País”

No último dia 6, o governador Eduardo Leite oficializou sua pré-candidatura por meio de um “Manifesto ao Brasil” divulgado nas redes sociais. No texto de lançamento, Leite pregou por otimismo e inovação: “O Brasil pode ser um país estável em um mundo instável, pode ser potência em tecnologia, mas isso não acontecerá por inércia” e defendeu um “novo pacto pela governabilidade democrática”, criticando a excessiva judicialização da política. Leite buscou marcar diferenças em relação aos rivais, afirmando lamentar um país “dividido, fragmentado e excessivamente concentrado em disputas ideológicas”. Ele já havia deixado o PSDB em maio de 2025 para se filiar ao PSD, tornando-se um dos nomes disponíveis.

Ratinho Junior, filho do apresentador de televisão Ratinho, embora ainda não tenha feito uma cerimônia formal de lançamento, consolidou-se como pré-candidato ao Planalto. Em março ele chegou a afirmar publicamente que o partido deve definir “nos próximos dias” quem será a opção presidencial. Em entrevistas e eventos, Ratinho destacou que não se vê como “terceira via”, mas sim como “o candidato da direita democrática, da direita cidadã”, afirmando um projeto que combine eficiência estatal e atenção aos mais humildes. Em coletiva no dia 9, ao lado de Kassab, Leite e Caiado, na Associação Comercial de São Paulo, Ratinho reforçou que, independentemente de quem for escolhido, “a chapa a ser apresentada pelo PSD será ‘muito bem-vinda’ para a população”.

A decisão de Kassab de antecipar a escolha interna reflete a percepção de que o espaço para uma “terceira via” está se estreitando. Em 2025 Kassab chegou a apontar como opção inicial Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), mas o governador desistiu da corrida presidencial e preferiu buscar a reeleição no estado de São Paulo. Isso fortaleceu o trio do PSD como principais apostas da legenda. Kassab comentou que “quem tem três candidatos não tem nenhum” e por isso decidiu concentrar esforços em um só nome mais cedo. O partido não planeja prévias: o escolhido deverá ser aquele com melhor desempenho nas pesquisas e maior capacidade de articulação política junto a lideranças de centro e empresariais.
Uma pesquisa realizada pelo portal de notícias Terra aponta Ratinho Jr. na liderança entre os três nomes, mas todos ainda atrás de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno. As reações no partido ressaltam o caráter “alternativo” à polarização Lula-Flávio, com foco em propostas de transparência e eficiência. A estratégia implica riscos de dispersão de votos, e o escolhido precisará consolidar apoio cedo para evitar o “efeito voto útil”.
No PSD, Kassab elogiou o projeto de lançar candidato próprio e classificou a decisão como “saudável e positiva”, argumentando que é preciso começar cedo para consolidar a alternativa à polarização. Entre os pré-candidatos, observa-se certa cortesia mútua: Leite e Ratinho afirmaram apoio ao escolhido, e Caiado garantiu que, se outro for indicado, trabalhará pela unidade do partido. O presidente do PSD chegou a dizer que essa chapa “reúne pessoas que pensam o Brasil” e concedeu que haverá “apoio dos demais” ao nome definido. Nenhum dos três insistiu em compor chapa com Bolsonaro; Ratinho Jr. chegou a descartar aliança com o PL neste momento, prevendo candidaturas próprias.
A notícia da filiação de Caiado e da movimentação de Leite e Ratinho despertou reações variadas. No campo governista, aliados de Lula minimizam a viabilidade eleitoral do PSD: veem a iniciativa como tentativa de evitar que o eleitor de centro migre para Bolsonaro, mas ressaltam que os governadores do PT seguem favoritos. No espectro de direita, parte da estratégia do PSD deve disputar apoios de grupos conservadores que não se alinharam a Bolsonaro em 2022. O ex-governador Romeu Zema (Novo-MG), por exemplo, insistiu em manter sua candidatura. O presidente do União Brasil , Antônio Rueda, divulgou nota sobre a saída de Caiado, desejando-lhe sucesso na nova etapa.
Pesquisas recentes testaram os pré-candidatos do PSD em cenários presidenciais. Um levantamento Datafolha divulgado em março de 2026 mostrou Lula (PT) liderando no primeiro turno, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com os três nomes do PSD ainda atrás. Em um cenário restrito de Lula, Flávio, Ratinho, Caiado e Leite, o atual presidente atinge 41%, Flávio 18%, Ratinho 12%, Caiado 7% e Leite 3%. Outro levantamento do Datafolha, que incluiu outros possíveis postulantes à Presidência, indicou que Ratinho Jr., Eduardo Leite e Ronaldo Caiado aparecem com índices ainda modestos de intenção de voto no primeiro turno, distantes dos principais nomes da disputa. Em outras pesquisas recentes, como as realizadas por institutos e veículos como Record/RTIB e AtlasIntel, o cenário se repete: os pré-candidatos associados ao PSD ou ao campo de centro-direita não conseguem, neste momento, consolidar uma base eleitoral capaz de rivalizar diretamente com os principais polos da corrida presidencial. Mesmo quando testados em simulações de segundo turno, os dados mostram variações, com Ratinho Jr. apresentando desempenho relativamente melhor dentro desse grupo. Ainda assim, o panorama geral das sondagens indica que esses nomes permanecem atrás tanto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto do principal representante do campo bolsonarista.
Segundo a legislação eleitoral, os interessados em disputar o cargo devem cumprir prazo de desincompatibilização. Ou seja, Ratinho Jr., Leite e Caiado precisam deixar seus postos de governadores até o início de abril de 2026 . Todos os três já manifestaram disposição de se licenciar dos cargos para a campanha se forem oficializados como candidatos. Caiado, que enfrentou processo de inelegibilidade por abuso de poder nas eleições de 2024, teve sua condenação revertida em recurso e atualmente está elegível.
Não há impedimento constitucional para que Kassab escolha diretamente o candidato, já que o PSD não adota sistema de prévias obrigatórias. O partido deverá realizar convenção nacional até abril para oficializar o nome escolhido. Caso o partido decida não lançar candidato próprio (hipótese improvável segundo Kassab), poderia formar aliança, mas ele já declarou que considera viável apenas chapa pura. Outra implicação é que, caso qualquer dos pré-candidatos fique de fora, ele poderá optar por concorrer a cargos proporcionais ou auxiliar sua bancada nas eleições legislativas estaduais e federais, estratégia mencionada por Kassab como importante para montar palanques regionais.
O Itamaraty, Ministério das Relações Exteriores, divulgou na manhã do último sábado (28), uma nota oficial condenando os ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, alertando para os riscos de uma escalada militar no Oriente Médio.
O conflito entre os dois países entrou em uma nova fase, marcada por um envolvimento direto dos EUA em uma guerra aberta contra o Estado Iraniano. A escalada incluiu a morte do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, confirmada por meio da mídia estatal e de comunicados oficiais do governo do Irã, que decretaram luto nacional e iniciaram uma reorganização emergencial do poder político. Também, em resposta aos ataques, o Irã lançou mísseis e drones contra bases dos EUA no Golfo Pérsico e alvos indiretos em Israel e países aliados, ampliando a crise para uma dimensão regional e global e provocando instabilidade internacional, com alta do petróleo, tensão nos mercados e o risco de um conflito prolongado.
O governo brasileiro, por sua vez, por meio Itamaraty, divulgou em sua nota oficial:
“O Governo brasileiro condena e expressa grave preocupação com os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã. As ações ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região”, afirma o comunicado.
Na nota, o Brasil também:
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Reitera que ações armadas contra instalações nucleares representam grave ameaça humanitária e ambiental;
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defende o uso exclusivamente pacífico da energia nuclear;
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pede máxima contenção e o retorno imediato à via diplomática;
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informa que as embaixadas brasileiras na região estão em alerta, monitorando a segurança dos cidadãos brasileiros.
A posição mantém uma linha histórica da diplomacia nacional, baseada na não intervenção e no respeito à Carta das Nações Unidas.

A manifestação do Itamaraty gerou forte debate político interno, especialmente em setores do Congresso ligados à Comissão de Relações Exteriores da Câmara. Parlamentares criticaram o posicionamento do Executivo, que estaria excessivamente alinhado ao governo iraniano.
“Quando o Brasil decide se alinhar a regimes que financiam o terror, perseguem mulheres, ameaçam varrer Israel do mapa e desafiam a estabilidade mundial, não estamos diante de um simples gesto diplomático. Estamos diante de uma escolha moral”, afirmou o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, em publicação na rede social X.
Por outro lado, diplomatas, acadêmicos e movimentos sociais, como Anistia Internacional (Amnesty International), pediram cessar-fogo imediato, defendendo a postura brasileira, argumentando que o país segue o direito internacional e que ataques preventivos a instalações nucleares violam tratados globais, ampliando riscos humanitários e econômicos à escala mundial.
“Não há solução duradoura fora do diálogo e da negociação. A guerra amplia o sofrimento, desestabiliza economias e coloca vidas inocentes em risco”, afirmou o líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai, também em publicação no X.
Apesar da distância geográfica, o Brasil sente repercussões indiretas do conflito, como a preocupação com a alta dos combustíveis no país, diante da valorização do petróleo no mercado internacional. No agronegócio, o receio é de aumento nos custos de produção e transporte, além de instabilidade nos mercados internacionais de commodities.

Somado a isso, foram registradas manifestações e notas públicas de entidades estudantis, movimentos pacifistas e organizações da sociedade civil, como a CBJP (Comissão Brasileira Justiça e Paz), que defende o fim da guerra, o respeito à soberania dos povos e fez críticas à política externa dos Estados Unidos.
O conflito ocorre ainda em um momento sensível para o Brasil no cenário internacional, especialmente diante de sua atuação no BRICS,da tentativa de se posicionar como mediador diplomático em crises globais e do esforço para manter autonomia estratégica frente às grandes potências. Analistas avaliam que a postura brasileira reafirma a tradição diplomática do país e seu compromisso com o multilateralismo.
O debate sobre o fim da escala 6x1 ganhou novo impulso na Câmara dos Deputados nesta semana e passou a mobilizar lideranças partidárias, integrantes do governo e representantes do setor produtivo. A proposta de emenda à Constituição, que pretende alterar o modelo tradicional de jornada, reacendeu discussão histórica sobre as condições de trabalho no país e abriu um novo campo de disputa política no Congresso.
A movimentação ocorre em um momento em que a pauta trabalhista volta a ganhar centralidade no Legislativo. O avanço da proposta provocou reações de partidos relevantes da base parlamentar, gerando preocupação dentro do governo federal e estimulando a apresentação de alternativas legislativas que podem alterar o rumo da discussão antes da votação.
O que prevê a proposta
A PEC em discussão no Congresso busca alterar o padrão da escala 6X1, ampliando os períodos de descanso e incentivando novos formatos de organização da jornada semanal. Defensores da mudança argumentam que o regime atual compromete a qualidade de vida dos trabalhadores, limitando o tempo disponível para descanso, convívio familiar e recuperação física.
A deputada Erika Hilton (PSOL-SP), uma das principais articuladoras da proposta, afirma que o debate responde a uma pauta recorrente do movimento trabalhista. “A redução da jornada de trabalho é uma reivindicação histórica dos trabalhadores e, com o debate sobre o fim da escala 6x1, essa discussão ganhou ainda mais força”, afirmou a parlamentar.

A discussão se insere em um movimento mais amplo observado em diferentes países que passaram a debater reduções ou reorganizações da jornada, impulsionadas por mudanças no mercado de trabalho, avanços tecnológicos e novas demandas sociais.
O avanço da proposta, no entanto, provocou reação de lideranças partidárias com influência no Congresso. Presidentes nacionais de PL, União Brasil e Republicanos se manifestaram contra a iniciativa ao longo da semana, alegando que mudanças estruturais podem gerar efeitos econômicos adversos. Entre os principais argumentos apresentados está o possível aumento de custos operacionais para empresas, especialmente em setores que dependem de funcionamento contínuo ao longo da semana.
Nos bastidores da Câmara, parlamentares ligados a esses partidos afirmam que a alteração constitucional poderia provocar impactos sobre a geração de empregos formais, além de pressionar empresas a reorganizar escalas de trabalho ou ampliar quadros de funcionários. O deputado Luiz Gastão (PSD-CE), que acompanha a discussão sobre a proposta no Congresso, alertou para possíveis efeitos econômicos da mudança. “Os custos para micro e pequenas empresas podem chegar a R$35 bilhões. Esse custo será pago por todos nós, consumidores, porque os produtos ficarão mais caros”, afirmou.
Representantes do setor empresarial também acompanham a discussão com cautela. Entidades ligadas ao comércio e aos serviços argumentam que o modelo 6x1 faz parte da estrutura operacional de diversos segmentos da economia e que mudanças abruptas poderiam gerar efeitos sobre produtividade e competitividade.
Articulação no Congresso e proposta alternativa
Em meio às divergências, o deputado e presidente da câmara Motta apresentou uma alternativa legislativa que passou a circular entre lideranças partidárias. A proposta busca estruturar o avanço da mudança diretamente por meio de uma emenda constitucional, estratégia que altera a dinâmica de tramitação.
A diferença consiste em projetos de lei poderem ser vetados pelo presidente da República, enquanto emendas à Constituição, uma vez aprovadas pelo Congresso, são promulgadas diretamente pelo Legislativo, sem possibilidade de veto presidencial.
Nos bastidores do Congresso, a iniciativa foi interpretada como uma tentativa de blindar a proposta de interferências do Executivo e acelerar sua tramitação caso haja apoio suficiente entre os parlamentares.
O avanço da discussão também provocou cautela dentro do governo federal. Embora setores ligados à pauta trabalhista vejam positivamente a ampliação de períodos de descanso, integrantes da equipe econômica demonstram preocupação com possíveis impactos macroeconômicos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou recentemente que o debate precisa envolver diferentes setores da sociedade antes de qualquer decisão definitiva. “É hora de o Brasil dar esse passo, ouvindo todos os setores da sociedade para promover um equilíbrio entre a vida profissional e o bem-estar dos trabalhadores e trabalhadoras”, declarou. Entre os pontos de atenção discutidos no Planalto estão efeitos sobre custos empresariais, dinâmica de contratação e possíveis repercussões inflacionárias caso a reorganização da jornada implique aumento de despesas operacionais para as empresas.
O governo também avalia que o tema pode gerar pressões simultâneas de diferentes grupos sociais: sindicatos e movimentos trabalhistas que defendendo mudanças na jornada; e empresários e setores produtivos se preocupadando com custos e produtividade.

A discussão sobre o fim da escala 6x1 reflete transformações mais amplas nas formas de organização do trabalho. Nos últimos anos, diversos países passaram a testar novos modelos de jornada, incluindo semanas de quatro dias ou formatos híbridos que ampliam períodos de descanso. Um experimento realizado pelo governo islandês entre 2015 e 2019,em parceria com o think tank britânico Autonomy e a Association for Sustainability and Democracy (Alda), revelou que a reorganização da jornada pode coexistir com níveis estáveis de produtividade.
O projeto envolveu cerca de 2.500 trabalhadores do setor público, aproximadamente 1% da força de trabalho do país, que passaram a trabalhar entre 35 e 36 horas semanais sem redução salarial. A iniciativa foi acompanhada por pesquisadores que analisaram indicadores de produtividade, bem-estar e organização do trabalho. Os resultados apontaram que, na maioria dos locais avaliados, a produtividade permaneceu estável ou aumentou, ao mesmo tempo em que os trabalhadores relataram redução de estresse e melhora na qualidade de vida.
No Brasil, entretanto, o debate ocorre em um mercado de trabalho marcado por alta informalidade e forte concentração de empregos em serviços, fatores que tornam a implementação de mudanças estruturais mais complexa.
A proposta deve passar por etapas de negociação e discussão nas comissões da Câmara antes de uma eventual votação em plenário. Por se tratar de uma emenda constitucional, sua aprovação exige maioria qualificada de três quintos dos deputados em dois turnos de votação, além de posterior análise pelo Senado.
Até lá, a tendência é que o tema continue mobilizando lideranças políticas, representantes do setor produtivo e organizações trabalhistas.







