Confira compromissos e a agenda semanal de Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP) e Wilson Grassi (Democrata)
por
Carolina Nader
Isabela Sallum
Manuela Abbate Gonçalves
|
03/09/2026 - 12h

Ao longo da semana, os concorrentes apostam em diferentes estratégias de campanha, com participação em eventos, atividades nas ruas e presença nas redes sociais para divulgar suas propostas ao eleitorado.

Clariana Barão (DC)

A candidata participou, nesta segunda-feira (31), às 21h, de uma  entrevista na Rádio Pinel, no Rio Grande do Sul.Clariana também se manteve ativa nas redes sociais, publicando conteúdos sobre seus planos políticos.  

Edmilson Costa (PCB) 

O candidato Edmilson Costa (PCB) não divulgou uma agenda pública de campanha para esta semana.  

Entre as atividades recentes, Costa realizou ações de campanha no Rio de Janeiro, com panfletagem e conversas com eleitores, além de participar de um festival literário. Durante as atividades, o candidato também apresentou propostas relacionadas às condições de trabalho, defendendo o fim da escala 6x1 e a adoção de uma jornada de 30 horas semanais.

Hertz Dias (PSTU)

No dia 22, Hertz Dias participou do o Slam São Mateus, evento que abre espaço para a poesia e para a rima dentro da comunidade. O candidato, que ao longo de sua campanha tem se apresentado como rapper, dedicou pouco tempo ao discurso eleitoral e  preferiu rimar versos de sua música “Imortais”. Hertz relatou como sua vida foi moldada pelo Racionais MC`s, que o apresentou para os livros e o guiou novamente para o estudo. Ele também falou sobre sua história de vida, crescendo em meio às dificuldades, roteiro familiar dentre as pessoas das mais diversas comunidades pelo país. Dias encerra com o verso “Imortais seremos milhões enquanto o capitalismo vencer”

No dia 28 de agosto, o veículo Monitor Mercantil disponibilizou uma entrevista exclusiva com o candidato do Partido Social dos Trabalhadores Unificado (PSTU). A conversa teve dois focos: a visão de Dias sobre aspectos do Estado brasileiro e suas propostas para essas questões. 

Entre as principais propostas de seu plano de governo, Hertz cita a reestatização de setores de energia, petróleo, minério e siderurgia, a fim de reverter o processo de desindustrialização sofrido pelo Brasil e valorizar o paísno cenário mundial. O candidato também menciona a estatização do Agronegócio como forma de combate à fome e a redução da jornada 6X1, a caracterizando como “escala semi-escrava”. Dias finaliza esse segmento reiterando o combate às opressões que seu partido busca traçar, com atenção prioritária às para pessoas negras, mulheres, povos indígenas e a comunidade LGBTQIAPN+. 

O candidato descreve a situação econômica do país como estagnada, obtendo benefícios da maior participação do Estado. Quando perguntado sobre sua avaliação do funcionamento do Estado brasileiro, Hertz Dias indica que a instituição está avançando, cada vez mais, na direção da destruição das liberdades democráticas e, relacionou sua afirmação com a falta de destaque que partidos com menor visibilidade, como o PSTU, recebem. O candidato concluiu afirmando que o objetivo estratégico de sua presidência seria que a classe trabalhadora construísse seu próprio Estado. 

Ao longo da entrevista, Dias fez críticas à precarização do trabalho do professor ,que, constantemente, são sobrecarregados. Também é apontada a linha tênue entre o ambiente escolar e domiciliar e como a pressão sofrida pelos professores é transferida aos alunos, causando problemas psicológicos em ambos. “O ambiente escolar não pode ter um ambiente de adoecimento, mas sim um ambiente de produção e reprodução de conhecimento”, diz Hertz.

O concorrente frisa que o PSTU, ao entrar no processo eleitoral, tem como objetivo ocupar espaço ao recuperar a classe trabalhadora. “Muitos trabalhadores foram capturados pela extrema direita, pois se decepcionaram com o PT, que não cumpriu com a promessa de reverter a situação da classe trabalhadora. Nós não somos favoráveis a xingamentos como “bolsominion” ou “pobre de direita”, mas sim a explicação do que é o país. Nós queremos mostrar a esses trabalhadores que eles tinham razão em romper com o PT, mas também queremos mostrar que eles estão sendo utilizados de forma política pela extrema direita contra eles mesmos. Com isso, nós vamos fortalecer a unidade da classe trabalhadora e avançarmos em direção a outra forma de sociedade, além da polarização entre Frente Ampla e extrema direita”, constata.

propaganda eleitoral oficial do PSTU, com Hertz Dias e sua vice Vanessa Portugal em composição com o número 16

Propaganda eleitoral oficial de Hertz Dias para Presidência da República, reforçando a ligação de sua campanha com a causa trabalhista. | Reprodução: Instagram/ @hertzdiaspstu
Propaganda eleitoral oficial de Hertz Dias para Presidência da República, reforçando a ligação de sua campanha com a causa trabalhista. | Reprodução: Instagram/ @hertzdiaspstu

No dia 29, Hertz Dias participou da sabatina do SBT News, reforçando seus posicionamentos sobre a estatificação e reestatificação de setores do Brasil, a jornada de trabalho marcada pela escala 6x1 e a luta trabalhista. O candidato também comentou sobre a falta de visibilidade que é dada ao seu partido. Ele menciona Vera Lúcia, representante do PSTU para o governo de São Paulo que ocupa o terceiro lugar na corrida e, mesmo assim, foi excluída do debate com Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas. Dias completou dizendo que, a exclusão da esquerda dos espaços de debate impacta diretamente no número de eleitores que apoiam seu partido. “Quem não é visto, não é lembrado”, expõe. 

Rui Costa Pimenta (PCO) 

O candidato Rui Costa Pimenta (PCO) não tem novos compromissos públicos fixos divulgados para os dias úteis desta semana. A agenda do candidato é atualizada conforme a realização de atos de campanha e atividades promovidas pelo partido. 

Entre as atividades recorrentes está a participação na “Análise Política da Semana”,transmissão ao vivo realizada aos sábados pela Causa Operária TV,na qual são discutidos os principais acontecimentos do Brasil e do mundo. Pimenta também participa de plenárias regionais, reuniões com sindicatos e eventos de lançamento de sua candidatura organizados pelo PCO. 

Segundo o Diário da Causa Operária, Rui percorrerá diferentes estados nas próximas semanas para divulgar o programa do partido e participar de atos da campanha “Rui Presidente”.

No dia 5 de setembro, o candidato estará em Belo Horizonte, Minas Gerais. Depois, seguirá para Dourados, Mato Grosso do Sul, no dia 12. Recife, em Pernambuco, no dia 19, e Curitiba, no Paraná, no dia 25.O roteiro será encerrado em 26 de setembro, em São Paulo, com um ato nacional que deverá reunir militantes de várias partes do país.

Samara Martins (UP)

Samara Martins dançando com bandeira do Partido União Popular em meio a caminhada em campanha
Samara Martins em caminhada em Mauá. | Reprodução: Sophia Manzano/ Instagram

Samara realizou as caminhadas previstas em Mauá e na Comunidade Spama neste sábado (29). 

A candidata anunciou em sua rede social marchas que ocorrerão ao redor de todo o país no dia 9 de Setembro contra os feminicídios e estupros. O evento é uma parceria entre o Movimento Olga e o Partido Unidade Popular. Samara segue aparecendo regularmente nos conteúdos do publicados no canal do UP no Youtube, em uma série de vídeos que busca expor e explicar as propostas do partido.No dia 30, Martins esteve presente em uma carreata em João Pessoa, erguendo suas bandeiras e propostas. 

Wilson Grassi

O ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), suspendeu a campanha eleitoral de Wilson Grassi (Democrata) à Presidência da República após a chapa informar, com 17 dias de atraso, oito perfis utilizados na campanha. A decisão impede a propaganda eleitoral nos canais digitais não informados dentro do prazo, suspende novos repasses e o uso de recursos já recebidos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e proíbe Grassi de participar de debates em rádio, televisão, podcasts e outros meios de comunicação. Segundo Toffoli, a comunicação tardia poderia permitir que os perfis continuassem sendo favorecidos pelos algoritmos de recomendação das plataformas, criando uma vantagem indevida em relação a outros candidatos. A campanha de Grassi afirmou que considera a decisão desproporcional e que irá recorrer da medida.

O Ministro Dias Toffoli determinou a suspensão da propaganda digital, dos recursos do Fundo Eleitoral e da participação do candidato em debates após oito perfis serem informados fora do prazo
por
Isabela Sallum
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03/09/2026 - 12h
Wilson Grassi e Suêd Haidar em campanha eleitoral
Candidato à presidência, Wilson Grassi, e sua vice, Suêd Haidar em campanha eleitoral. Reprodução: Instagram/ @veterinariowilsongrassioficial

O candidato Wilson Grassi (Democrata) teve atividades de sua campanha eleitoral suspensas por decisão do ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A decisão foi proferida no domingo (30) e divulgada na segunda-feira (31).

A medida determina a suspensão da propaganda eleitoral on-line da chapa de Grassi em canais digitais que não tenham sido informados à Justiça Eleitoral  dentro do prazo. A decisão abrange redes sociais, blogs, sites e outros meios utilizados para a divulgação da campanha. Toffoli também suspendeu novos repasses e o uso de recursos já recebidos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) pela chapa, além de proibir o candidato de participar de debates em rádio, televisão, podcasts e outros meios de comunicação.

A decisão se refere à candidatura de Grassi à Presidência da República e, portanto, à chapa majoritária presidencial do partido Democrata. Segundo a decisão, oito perfis utilizados pela campanha foram informados ao TSE apenas em 28 de agosto, embora o prazo para comunicar os canais digitais que seriam usados na campanha tivesse se encerrado anteriormente. Os perfis já existiam e vinham sendo utilizados para a divulgação de conteúdo eleitoral.

Para Toffoli, a comunicação fora do prazo poderia proporcionar vantagem indevida à campanha. Isso porque as plataformas digitais possuem mecanismos de recomendação algorítmica que podem diferenciar canais eleitorais declarados oficialmente à Justiça Eleitoral daqueles que não foram informados. Um dos perfis mencionados na decisão tinha cerca de 156 mil seguidores e já era utilizado para divulgar conteúdo de campanha.

A campanha de Wilson Grassi contesta a decisão e afirma que a medida não é coerente. O candidato declarou que pretende recorrer da decisão para retomar as atividades de propaganda eleitoral em suas redes sociais.

Com menor percentual de intenção de voto, os seis candidatos apresentam ideias para áreas como economia, saúde, educação
por
Isabela Sallum
Carolina Nader
|
27/08/2026 - 12h

As eleições presidenciais de 2026 reúnem diferentes projetos para o futuro do país. Nesta reportagem, conheça as propostas defendidas por cada candidatura e as prioridades estabelecidas para um eventual governo.

Clariana Barão

Candidata à presidência Clariane Barão
Candidata Clariana Barão. Foto: Instagram/@clarianabarao

 

Clariana Barão, de 39 anos, nasceu em Cuiabá (MT), em 3 de abril de 1987. Advogada e política, é candidata à presidência da República pelo Democracia Cristã (DC). Com experiência em  direito administrativo e gestão pública, a mato-grossense preside o diretório estadual do partido no Mato Grosso.

A candidata apresentou propostas para diferentes áreas da administração pública. Na economia, pretende simplificar regras e promover a digitalização e a abertura rápida de empresas, além de facilitar o acesso de micro e pequenas empresas às compras públicas. Também propõe expandir ferrovias, hidrovias, portos e cabotagem, por meio de concessões e parcerias público-privadas. Na área profissional, defende a expansão da formação técnica, da orientação de carreira e da aprendizagem profissional, com parcerias com empresas e instituições de ensino superior.

Na saúde, pretende ampliar as equipes e a cobertura territorial da atenção primária, além de aumentar a vacinação, o rastreamento e as ações de prevenção e diagnóstico precoce. Entre as medidas estão ainda a avaliação e incorporação de novas tecnologias e tratamentos ao SUS, com base em critérios de segurança, eficácia e custo-efetividade. Clariana propõe aumentar os programas comunitários de atividade física, o uso de espaços públicos para exercícios e a oferta de telemedicina. Para a gestão do sistema, ela pretende regular filas e usar inteligência artificial (IA) como apoio clínico e administrativo, com auditoria e proteção da privacidade.

Na educação, defende a melhoria na qualidade da educação infantil, ampliando o apoio ao desenvolvimento das crianças e suas famílias. Também propõe a valorização dos professores por meio de formação, carreira, liderança escolar e apoio pedagógico, além do uso responsável de tecnologia e IA nas escolas. A formação técnica, a orientação de carreira e a aprendizagem fortalecidas no ensino médio.

Para combater a corrupção e melhorar a gestão pública, Clariana quer tornar compras públicas mais rastreáveis, com dados abertos e linguagem simples. Ela ainda pretende criar mecanismos de gestão de riscos e prevenção de fraudes. A candidata também defende a avaliação de programas públicos, com possibilidade de encerramento ou reformulação daqueles que considera ineficazes.

Na área de programas sociais e direitos humanos, a proposta é criar uma rede integrada de proteção contra a violência, reunindo saúde, assistência, segurança e Justiça. Entre as prioridades estão o pré-natal, o cuidado materno-infantil, a nutrição, a vacinação e o desenvolvimento infantil. Para ela, seria importante aumentar as creches e o apoio às famílias vulneráveis, prevenir abuso e exploração de crianças e criar um ambiente digital mais seguro. Também propõe ampliar a qualificação, reinserção profissional e acesso a crédito para mulheres.

Na política externa, Clariana defende a cooperação internacional no combate ao narcotráfico e ao tráfico de armas,  por meio da identificação de rotas e redes criminosas, além de rastrear a lavagem de dinheiro e recuperar ativos ligados a facções. A segurança pública também aparece entre as prioridades, com propostas de monitoramento das fronteiras por meio de sensores, radares, drones e centros integrados de comando. Também propõe policiamento baseado em evidências e mapas de risco, isolamento de lideranças criminosas e ampliação de ações de trabalho e educação no sistema prisional, com controle de comunicações ilícitas.

 

Edmilson Costa

Candidato à presidência Edmilson Costa (PCB)
Candidato Edmilson Costa. Foto: Instagram/@edpcb

 

Edmilson Silva Costa é economista, professor e político brasileiro. Atualmente, ocupa o cargo de secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e é pré-candidato à Presidência da República nas eleições de 2026. Em 2010, foi candidato a vice-presidente do Brasil pelo PCB, compondo a chapa encabeçada por Ivan Pinheiro.

Na economia, Edmilson propõe pôr fim à autonomia do Banco Central, fazer auditoria da dívida pública, reestatizar empresas privatizadas e reduzir as jornadas de trabalho, sem redução salarial. Na saúde, pretende estatizar o setor privado, formando um sistema público integrado. Na educação, o candidato quer estatizar o ensino privado, além de promover a valorização dos professores. Como proposta para melhorar o combate à corrupção e a política, Edmilson quer extinguir o Senado Federal. Ele também pretende demonstrar solidariedade a Cuba e enfrentar o “imperialismo estadunidense” como parte do projeto de política externa.

 

Samara Martins

Candidata à presidência Samara Martins (UP)
Candidata Samara Martins. Foto: Instagram/@samaramartinsup​​

 

Samara Martins é dentista e vice-presidente do partido Unidade Popular (UP), partido pelo qual concorre à presidência. Nasceu em Belo Horizonte (MG) e começou sua militância no movimento estudantil secundarista e universitário, chegando a ser diretora da União Nacional dos Estudantes (UNE). Atualmente, atua no Movimento de Mulheres Olga Benário, coletivo feminista marxista que trabalha na defesa dos direitos das mulheres e no combate à violência de gênero e na Frente Negra Revolucionária, movimento social brasileiro de autodefesa e combate ao racismo ligado ao partido Unidade Popular (UP).

Samara e sua vice-candidata, Raquel Brício, têm como propostas o aumento de 100% do salário mínimo, a redução da jornada para 36 horas semanais e o fim da escala 6x1, além da revogação das reformas trabalhista e da previdência. Também propõe a suspensão e auditoria da dívida pública, a nacionalização dos bancos e a reestatização de empresas privatizadas, acompanhadas da isenção de impostos para trabalhadores e da taxação das grandes fortunas. No campo agrário, defende a reforma agrária, o fim do latifúndio e o controle estatal dos preços dos alimentos.

No âmbito social, o programa de governo do partido propõe 10% do PIB para a educação, livre acesso à universidade e fim do vestibular, além de estatizar o transporte público e oferecer passe livre para estudantes e trabalhadores. Na saúde, defende a nacionalização dos planos de saúde e o aumento do financiamento do SUS. Há ainda propostas de moradia digna, defesa da Amazônia, demarcação de terras indígenas e quilombolas, desmilitarização das polícias e revisão da Lei da Anistia. O programa também dá destaque  aos direitos das mulheres, associando o combate ao feminicídio e ao assédio à igualdade salarial e à ampliação das creches.

 

Hertz Dias

Candidato à presidência Hertz Dias (PSTU)
Candidato Hertz Dias. Foto: Instagram/@hertzdias

 

Hertz Dias é professor, rapper, ativista do movimento negro e político brasileiro filiado ao Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU). Em 2010, se candidatou a vice-governador do Maranhão na chapa pura de Marcos Silva (PSTU), em 2018, foi candidato a vice-presidente na chapa de Vera Lúcia, em 2020, concorreu ao cargo de prefeito de São Luís (MA) e em 2022 candidatou-se ao governo do estado do Maranhão. Hoje, atua como professor de história da educação básica da rede pública do estado do Maranhão e também no Movimento Hip Hop Quilombo Urbano, articulação social e política de resistência da população negra que reivindica, protege e ocupa territórios ancestrais dentro das cidades, do qual é fundador.

Seu programa de governo, intitulado “Com os trabalhadores contra o sistema” e sob o lema de um país soberano e socialista, defende que a verdadeira emancipação do país exige a ruptura radical com a dominação imperialista, criticando a influência e o controle exercidos pelos Estados Unidos, nações europeias e pela China sobre a economia nacional, e a rejeição categórica de políticas de conciliação de classes. Para Dias, a soberania nacional só será efetiva se a riqueza produzida no país for controlada diretamente pela classe trabalhadora organizada

Os principais pontos de seu plano de governo baseiam-se em prover serviços públicos gratuitos e de qualidade, como saúde, educação, moradia e saneamento, bem como concentrar a riqueza apropriada pelos múltiplos capitais individuais e direcioná-la para investimentos produtivos. Para tal propõe a estatização de empresas de setores estratégicos como a Petrobras e a Vale. No âmbito trabalhista, o programa propõe o fim imediato da escala de trabalho 6×1, a redução da jornada semanal para 36 horas, sem perda salarial, o reajuste de 100% no salário mínimo e a revogação das reformas trabalhista e da previdência.

O plano também prevê serviços públicos 100% estatais e gratuitos, sob controle popular, incluindo o passe livre no transporte, a proibição de gestão privada na saúde, a desmilitarização da Polícia Militar, a reforma agrária com demarcação imediata de terras indígenas e quilombolas e a suspensão do pagamento da dívida pública aos grandes investidores

 

Rui Costa Pimenta

Candidato à presidência Rui Costa Pimenta (PCO)
Candidato Rui Costa Pimenta. Foto: Instagram/@ruicpimenta

Rui Costa Pimenta é jornalista, escritor e político brasileiro. É presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e tem trajetória ligada à atuação política e ao jornalismo. Já disputou a presidência da República em eleições anteriores, em 2002, 2006, 2010 e 2014.

O candidato deseja promover acesso livre e universal ao ensino superior público, sem vestibular ou qualquer filtro de seleção. Como proposta para a área de política e corrupção, Rui pretende anular as condenações dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, além de garantir liberdade de expressão irrestrita, sem qualquer regulação da internet ou das redes sociais.

Na política externa, o candidato pretende apoiar a Rússia na disputa com a OTAN, o governo venezuelano, a República Islâmica do Irã e a resistência palestina. Por fim, planeja criar uma força de segurança popular, organizada nos bairros e eleita diretamente pelos moradores.

 

Wilson Grassi

Candidato à presidência Wilson Grassi (Democrata)
Candidato Wilson Grassi e sua vice, Suêd Haidar. Foto: Instagram/@veterinariowilsongrassioficia

 

Wilson Grassi é médico-veterinário e político de São Paulo. Foi conselheiro da Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais e participou, em 2015, do projeto de implantação e gestão do primeiro hospital público veterinário do Brasil, localizado na zona leste de São Paulo.

Na política, concorreu a deputado federal pelo Partido Verde (PV) em 2022 e a vereador da capital paulista pelo Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB) em 2024, mas nunca chegou a se eleger. Hoje, é candidato pelo partido Democrata, antigo Partido da Mulher Brasileira (PMB), e sua plataforma de campanha foca em conectar a proteção animal a pilares essenciais como saúde, segurança e educação.

Além das propostas apresentadas por Grassi de medidas voltadas à saúde, à segurança e à proteção animal,  o plano de governo intitulado “Brasil em Primeiro Lugar” reúne outras propostas O candidato defende a utilização de câmeras 24 horas em estruturas do governo, como forma de ampliar o controle e a fiscalização sobre o chefe do Executivo. Na segurança pública, propõe expandir e o endurecer o sistema penitenciário federal de segurança máxima, destinado exclusivamente a lideranças e presos de alta periculosidade.

Grassi também defende a superação da polarização política e uma nova reforma tributária. A ideia é substituir diversos impostos federais por um imposto único, cobrado sobre movimentações financeiras, buscando simplificar o sistema tributário, reduzir a burocracia e ampliar a faixa de isenção do imposto de renda.

Em sua estreia eleitoral, o psiquiatra apresenta propostas voltadas à saúde mental e empreendedorismo
por
Malu Malaquias
Vitória Teles
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26/08/2026 - 12h

Médico psiquiatra, escritor e palestrante, Augusto Jorge Cury disputa, pela primeira vez, um cargo eletivo. Conhecido nacional e internacionalmente por suas obras sobre inteligência emocional, saúde mental e desenvolvimento humano, o candidato do Avante busca levar para a política temas que marcaram sua trajetória profissional ao longo das últimas décadas. 

Nascido em Colina, no interior de São Paulo, em 2 de outubro de 1958, Cury construiu carreira na medicina e ganhou projeção como autor de best-sellers, com livros publicados em dezenas de países. Sem experiência anterior em cargos públicos, o psiquiatra ingressou na corrida presidencial apresentando-se como uma alternativa à polarização política que domina o cenário nacional. Filiado ao Avante e tendo o ex-deputado federal Júlio Delgado como candidato a vice-presidente, o presidenciável defende uma gestão baseada no diálogo, na valorização das pessoas e na busca por equilíbrio entre responsabilidade fiscal e políticas sociais. 

Ao lançar sua candidatura, Cury afirmou que sua entrada na política foi motivada pela preocupação com questões ligadas à saúde mental, à educação e ao desenvolvimento humano. Seu programa de governo, intitulado como “O Brasil dos Nossos Sonhos”, procura reunir propostas voltadas à formação emocional dos jovens, à melhoria da educação e à construção de um ambiente político menos marcado por conflitos ideológicos. 
 

Evento pré candidatura Avante
Evento de lançamento da pré-campanha do Avante no Amazonas. Foto:Instagram/@augustocury

A marca de sua candidatura é baseada na saúde mental como prioridade nacional, no centro das políticas públicas. O candidato pretende colocar isso em prática por meio da ampliação no acesso a atendimento psiquiátrico e psicológico, programas preventivos contra ansiedade e depressão, saúde emocional nas escolas e atenção especial para crianças e adolescentes neurodivergentes. Entre suas propostas sobre saúde mental, Augusto defende um projeto chamado ‘mulheres vivas”, que visa o desenvolvimento da inteligência emocional e saúde mental feminina, além do incentivo ao autocuidado, autoestima e autoconhecimento 

 

Além do eixo mental, Cury defende uma grande reforma no modelo educacional brasileiro, com destaque para competências socioemocionais e para a melhoria do desempenho dos alunos em matérias básicas, como: matemática, português e ciência. Ele também propõe uma maior valorização e qualificação dos professores, com incentivo à oratória e à comunicação. O candidato também carrega em seu programa de governo uma proposta de mandato de oitoanos para ministros, com o objetivo de aumentar a renovação, a independência e o equilíbrio institucional do STF.  

 

Embora o foco de Augusto seja a saúde mental e educação, uma das principais propostas é estimular a criação de pequenos negócios. No debate que ocorreu na Band, no último domingo (23), Cury afirmou que pretende financiar mais de 10 milhões de microempresas, com o objetivo de transformar o Brasil em um país empreendedor. Em conjunto com a reforma do atual modelo educacional, a proposta prevê a criação de clubes de empreendedorismo nas escolas e comunidades. O programa também contemplará o fortalecimento do agronegócio e o incentivo à inovação tecnológica.

 

Candidato é fundador do Movimento Brasil Livre
por
João Calegari
Isabelle Rodrigues
|
26/08/2026 - 12h

“Sou Bukele na forma de Milei, tão anti-Lula como anti-Bolsonaro”, responde Renan Santos à CNN. O candidato à presidência pelo Missão, partido político formado por membros do Movimento Brasil Livre (MBL), aposta em um discurso radical, opondo-se ao crime organizado e à política tradicional. 

Renan é mais um “outsider”, personalidade que entra na política sem tradição política ou influência familiar na vida pública. Foi estudante de Direito na USP,  quando começou seu envolvimento em manifestações estudantis. Largou a graduação antes de se formar e passou a trabalhar com o pai na empresa da família de recuperação de capital. Seu primeiro partido como político foi o PSDB em 2010.

Após sua saída do partido em 2014, Renan Santos foi cofundador do Movimento Brasil Livre, o MBL. A partir disso, sua trajetória política ganhou notoriedade. Um ano depois, o atual candidato participou ativamente de manifestações políticas contra o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, coordenando as manifestações. Nesse período, o movimento começou a ganhar notoriedade, Renan era responsável pela campanha política de Kim Kataguiri e Arthur do Val, o Mamãe Falei, ambos eleitos em 2018. 

O grupo ganhou fama por utilizar as redes sociais como forma de provocação política, popularizando a utilização de memes e cortes em redes sociais como propaganda eleitoral.

No mesmo ano, o candidato apoiou a eleição do ex-presidente Jair Bolsonaro, porém em 2019, declarou, junto ao MBL, a oposição ao governo. Desde então, o candidato se descreve “à direita de Flávio Bolsonaro", e acata pautas comuns aos setores da extrema-direita brasileira. É o caso do principal slogan da campanha: “prendeu matou".

“Bukele no conteúdo”?

Nayib Bukele é o atual presidente de El Salvador, conhecido por transformar a segurança pública do país ao custo de fortes críticas sobre direitos humanos e democracia. Renan descreve suas propostas como inspiradas pelo governo salvadorenho, mas em sabatina na Globonews, a jornalista Andréia Sadi lê as principais características do governo: “Prisão ou aumento de pena sem mandado judicial e prisão por meio de denúncias anônimas” e pergunta a Renan quais dessas medidas ele pretende acatar. Renan nega que seu governo irá seguir qualquer uma dessas medidas.

O que apresenta a suposta “forma de Milei” é a apresentação de sua imagem. Um homem branco e rico, associado aos acionistas do país de terno e cabelo bagunçado.

Em 2022, Renan viajou ao lado de Mamãe Falei, à Ucrânia. Na época, áudios vazados por uma ex-participante do MBL, mostraram Arthur do Val afirmando que as mulheres ucranianas seriam “fáceis porque são pobres”. Ele também disse ter recebido de Renan orientações para abordar mulheres durante viagens europeias.

Em 2025 o candidato fundou o partido Missão e se tornou o primeiro presidente de sua bancada, sendo sua estrutura formada de forma semelhante ao MBL, um partido com raízes 100% digitais. Em um vídeo divulgado em 2018, Renan Santos aparece com um grupo de homens que são barrados ao entrar em um bar . Na ocasião, o politico declarou: “se não formos permitidos entrar, a Bárbara será estuprada”. A apologia ao estupro coletivo é descrita pelo candidato como uma brincadeira.

Entre suas propostas estão principalmente: o combate violento contra o crime organizado, com um “banho de sangue” e o aumento de até quinhentas mil vagas no sistema carcerário, além de mais autonomia para a polícia. Além da criação de metas para instituições de ensino e bonificações e de restringir a atuação do STF com a criação de uma nova corte específica de desembargadores.

Na economia, o candidato planeja maior autonomia econômica com base na criação de data centers na região Nordeste do Brasil, venda de matéria bruta nacional além da criação de uma reserva nacional de Bitcoin.

 

 

 

 

 

Gravação revela relação próxima entre senador e banqueiro investigado no maior escândalo financeiro do país
por
Carolina Zaterka
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19/05/2026 - 12h

 

A divulgação de um áudio atribuído ao senador, Flávio Bolsonaro, e ao banqueiro, Daniel Vorcaro, abriu uma nova frente de desgaste político para o bolsonarismo e reposicionou o escândalo do Banco Master no centro da disputa presidencial de 2026. O material, revelado pelo The Intercept Brasil, mostra Flávio pressionando Vorcaro pela retomada de repasses destinados ao filme Dark Horse, produção internacional sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.

Mais do que um simples pedido de patrocínio, o episódio expôs a proximidade entre um dos principais nomes da extrema direita brasileira e um empresário que, naquela altura, já estava no epicentro de investigações sobre gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa no sistema financeiro. 

Segundo a investigação, o áudio teria sido enviado em setembro de 2025, momento em que a produção do filme enfrentava dificuldades financeiras. Na gravação, Flávio afirma que a obra estava em um “momento decisivo”, menciona parcelas atrasadas e alerta para o risco de “dar calote” em integrantes internacionais da produção, entre eles o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. O senador pede uma definição urgente sobre os pagamentos e afirma que o projeto corria risco de colapso caso o fluxo de recursos não fosse retomado.

Horas após a publicação da reportagem, Flávio Bolsonaro deixou de negar o contato com Vorcaro e passou a admitir que buscou financiamento privado para o longa-metragem. A sua defesa sustentou que se tratava apenas de um “filme privado”, financiado por “patrocínio privado”, sem qualquer irregularidade. Ainda assim, a mudança de discurso teve impacto imediato. Inicialmente, o parlamentar classificou as informações como “mentira”; depois, reconheceu a existência do contrato e das cobranças relacionadas aos repasses.

A cronologia do caso reforça a dimensão financeira da operação. Documentos citados pela investigação indicam reuniões realizadas em Brasília entre aliados de Flávio e representantes de Vorcaro desde dezembro de 2024. Em fevereiro de 2025, um comprovante apontaria a transferência de US$2 milhões para o fundo Havengate Development Fund LP, ligado ao projeto cinematográfico. Planilhas mencionadas na apuração indicam previsão total de investimento entre US$23,9 milhões e US$24 milhões, cerca de R$134 milhões na cotação da época. Parte desse montante, segundo os documentos analisados pelos jornalistas, já teria sido efetivamente transferida até maio de 2025.

Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que investigava crimes financeiros envolvendo o conglomerado Master. Dias depois, o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial de instituições ligadas ao grupo. Vorcaro passou, então, a simbolizar um dos maiores escândalos financeiros recentes do país.

Flávio Bolsonaro em campanha à pré-candidatura da presidência | Foto: Vitor Souza - Reprodução: Brasil de Fato
Senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República. Foto: Vitor Souza - Reprodução: Brasil de Fato

É justamente essa conexão que elevou a gravidade do áudio. Embora a gravação, isoladamente, não prove corrupção, ela fortalece suspeitas sobre a relação financeira entre o senador da República e o banqueiro investigado criminalmente. Juristas ouvidos por veículos nacionais apontam que o conteúdo pode abrir caminho para apurações sobre eventual lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial, organização criminosa e até implicações eleitorais, caso o filme tenha sido utilizado como instrumento indireto de pré-campanha presidencial.

Do ponto de vista técnico, ainda existe uma lacuna importante, não há, até o momento, laudo pericial público completo sobre o áudio vazado. Não foram divulgados hash do arquivo original, metadados, análise formal de edição nem exame oficial de comparação de voz. Ou seja, há forte corroboração jornalística e contextual, mas ainda não existe autenticação forense pública integral do material.

Isso não significa que o conteúdo seja falso. Pelo contrário, a própria admissão posterior de Flávio, somada à existência de cronogramas financeiros, mensagens, transferências e relatos de fontes da Polícia Federal, reforça a plausibilidade da gravação. Ainda assim, especialistas em perícia digital lembram que autenticidade jornalística e autenticação pericial não são sinônimos, distinção especialmente relevante em uma era marcada por deepfakes, manipulações digitais e vazamentos seletivos.

No campo político, a repercussão foi imediata. Integrantes do Partido dos Trabalhadores e do PSOL anunciaram medidas junto à Polícia Federal e ao Ministério Público. O deputado Guilherme Boulos afirmou que o caso poderia justificar cassação caso a autenticidade do áudio fosse confirmada integralmente. Dentro da própria direita, a reação foi fragmentada; o governador Romeu Zema criticou duramente Flávio, enquanto Ronaldo Caiado e Tarcísio de Freitas adotaram tom mais cauteloso, tentando conter o impacto eleitoral do episódio.

A dimensão simbólica do filme também pesa. Dark Horse não era tratado apenas como um produto audiovisual, mas como uma peça estratégica de construção narrativa do bolsonarismo para 2026. O projeto tinha elenco internacional, ambição global e previsão de lançamento próxima ao calendário eleitoral brasileiro, nesse contexto, o financiamento da obra deixa de ser apenas uma questão cultural e passa a ocupar espaço no cenário eleitoral.

O caso também evidencia uma contradição delicada para o discurso anticorrupção que sustentou parte da ascensão bolsonarista. A revelação de um senador da família Bolsonaro cobrando recursos milionários de um banqueiro posteriormente preso e investigado atinge diretamente a imagem de outsider político construída pelo grupo desde 2018. Ainda que nenhuma condenação exista até agora, o desgaste já se tornou concreto.

Proposta de Guto Zacarias (Missão-SP) quer estabelecer sanções a alunos e servidores envolvidos em movimentos estudantis; pós-graduanda da USP critica medida e relata violência policial
por
Carolina Nader
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18/05/2026 - 12h

Na última segunda-feira (11) o Diário da Assembleia de São Paulo publicou o projeto de lei 439/26, assinado pelo deputado estadual Guto Zacarias (Missão), que tem como objetivo punir o movimento estudantil que " impeça, perturbe ou dificulte as atividades acadêmicas ou o acesso ao campus nas universidades públicas paulistas". 

De acordo com o projeto, professores, reitores, diretores e prefeitos dos campi que apoiarem, permitirem ou se omitirem diante dos movimentos serão punidos com demissão e proibição de acesso a concursos públicos estaduais por um período de dez anos. 

O documento propõe que os servidores públicos identifiquem os alunos responsáveis pelos atos e acionem a Polícia Militar. Além disso, prevê o corte de salários de servidores e a suspensão de bolsas ou qualquer benefício concedido aos estudantes envolvidos, em caso de envolvimento com os movimentos. O projeto também pretende obrigar os responsáveis a fornecer informações e acesso irrestrito a arquivos físicos ou digitais às polícias Civil e Militar. 

Para os alunos a punição prevê expulsão e proibição de matrícula em qualquer curso, de todos os níveis, de qualquer universidade estadual, por quinze anos. O texto também determina que não será permitida nenhuma forma de aplicação retroativa da lei. 

Na justificativa do projeto, Guto Zacarias afirma que a proposta busca “preservar o interesse público” e garantir o funcionamento das instituições de ensino superior do Estado de São Paulo. Segundo o deputado, a autonomia universitária “não pode servir de escudo para omissão” diante de atos que, para ele, “flertam com o vandalismo e o autoritarismo de minorias”. 

A iniciativa do deputado ocorre em meio à repercussão das recentes manifestações estudantis na Universidade de São Paulo (USP), marcadas por ocupações, paralisações e confrontos contra a Polícia Militar.  

Em entrevista à AGEMT, Olívia Maria Silva Dias, estudante de pós-graduação em filosofia da USP, integrante do Centro Acadêmico e do comando de greve, contou que as ameaças de punições aos estudantes já fazem parte da realidade dos movimentos universitários há muito tempo. “Sempre, em todas as greves têm ameaças de cancelamento de matrícula, isso é muito comum, infelizmente”, declarou. 

Segundo ela, medidas como as do PL 439/26 representam uma tentativa de enfraquecer a mobilização política estudantil. “Acredito que temos que lutar por um decreto que impeça a repressão pelos estudantes que se movimentaram politicamente, por que isso é uma das mais covardes práticas, impedir a luta do movimento estudantil.” 

Dias relatou ainda ter participado diretamente das mobilizações recentes na universidade e disse que sofreu agressões durante uma ação policial. “Eu estava na linha de frente das mobilizações. Sempre me movimentei muito politicamente. Fui a pessoa que teve o braço quebrado pela ação da PM na desocupação do Dia das Mães”, contou. 

A estudante criticou o tratamento dado às ocupações estudantis e afirmou que há diferença na forma como as ações dos manifestantes e da polícia são interpretadas. “Nós somos vândalos por quebrar uma porta e para eles uma porta é mais importante do que um braço”, declarou. Para ela, o envolvimento político está ligado também à sua trajetória acadêmica. “Eu não consigo estar em um lugar e não me imaginar intervindo politicamente, não vendo a filosofia como um instrumento de denúncia.”, refletiu. 

A proposta, que gerou revolta entre os estudantes, movimentos estudantis e centrais sindicais, está em discussão na Comissão de Constituição, Justiça e Redação da Alesp.

O ato ocorreu dois dias após a retirada de manifestantes da reitoria da USP pela Polícia Militar
por
Gustavo Tonini
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13/05/2026 - 12h

 

Na tarde desta segunda-feira (11), estudantes das universidades públicas do estado de São Paulo realizaram uma manifestação que foi do bairro da República até a Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), no bairro Cerqueira César. O ato também contou com representantes dos funcionários das universidades trazendo a  pauta das reivindicações propostas nas greves vigentes.

Banner manifestando a falta de ação e comunicação em relação às reivindicações dos estudantes. Foto: Gustavo Tonini/AGEMT
Banner manifestando a falta de ação e comunicação em relação às reivindicações dos estudantes. Foto: Gustavo Tonini/AGEMT

Segundo os manifestantes, o ato  surgiu como uma resposta à retirada de alunos que ocupavam o prédio da reitoria da USP pela Polícia Militar de São Paulo na madrugada do Dia das Mães. Essa expulsão ocorreu por meio da utilização de cassetetes, gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral, o que gerou diversas denúncias de violência por parte dos alunos.

A expulsão  ocorreu poucos dias após o cancelamento da reunião do reitor da USP, Aloisio Segurado, com representantes dos alunos. Foto: Gustavo Tonini/AGEMT
A expulsão  ocorreu poucos dias após o cancelamento da reunião do reitor da USP, Aloisio Segurado, com representantes dos alunos. Foto: Gustavo Tonini/AGEMT

A manifestação começou na Praça da República, em frente ao prédio onde ocorreria uma reunião entre os reitores das universidades estaduais de São Paulo, mas devido ao ocorrido, a reunião foi cancelada. Ainda no início do ato, aconteceu uma confusão entre estudantes e os vereadores Rubinho Nunes e Adrilles Jorge, ambos do União Brasil, começando com bate-bocas e partindo para o confronto físico mais direto. Estudantes relataram ter sido lançado gás lacrimogêneo em direção aos manifestantes, não sendo confirmado quem lançou. 

Os estudantes continuaram a marcha em direção à Rua da Consolação, ocupando-a por inteiro. A partir desse momento, estudantes formaram uma corrente humana atrás da manifestação, em frente a carros da polícia militar que acompanhavam o ato.

Na Rua da Consolação foi o momento em que a manifestação mais inflamou com cantos em prol da melhoria da alimentação, das cotas trans, entre outros. Foto: Gustavo Tonini/AGEMT
Na Rua da Consolação, estudantes pedem melhoria da alimentação, cotas trans, entre outras reivindicações. Foto: Gustavo Tonini/AGEMT

Os estudantes seguiram marchando até o FMUSP, onde formaram uma grande roda na praça de entrada. Representantes de diferentes entidades discursaram e durante um desses discursos, uma representante do DCEUSP (Diretório Central dos Estudantes da USP) relatou a realização de uma manifestação que ocorrerá no dia 20 de Maio em frente ao Palácio do governador.

Projeto modifica critérios de cálculo de penas e pode reduzir condenações de Bolsonaro e dos golpistas do 8 de janeiro
por
Isabela Sallum
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01/05/2026 - 12h

O Congresso Nacional derrubou, nesta quinta-feira (30), o veto presidencial ao chamado PL da Dosimetria, projeto que altera regras do Código Penal e pode impactar as penas aplicadas a condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado por tentativa de golpe de Estado, associação criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado contra o patrimônio da união e deterioração de patrimônio tombado.

A votação teve início no Senado, onde eram necessários 41 votos para rejeitar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao todo, 49 senadores votaram pela derrubada, enquanto 24 foram favoráveis à manutenção do veto e cinco se abstiveram. Na Câmara dos Deputados, eram exigidos 251 votos, e o veto foi rejeitado por 318 parlamentares, com 144 votos contrários.

Sessão do congresso que está discutindo o veto integral ao projeto de lei da dosimetria de penas. Foto: Lula Marques/ Agência Brasil
Sessão do congresso que está discutindo o veto integral ao projeto de lei da dosimetria de penas. Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

O Projeto de Lei 2.162/2023, também conhecido como PL da Dosimetria, foi aprovado em dezembro do ano passado com autoria de Marcelo Crivella (Republicanos-RJ) e  relatoria de Paulinho da Força (Solidariedade-SP) na Câmara dos Deputados, e  Esperidião Amin (PP-SC) no Senado. O mesmo foi vetado integralmente em 8 de janeiro de 2026, durante cerimônia oficial no Salão Nobre do Palácio do Planalto que marcou os três anos dos ataques às sedes dos Três Poderes, em ato em defesa da democracia, por Lula.

O Congresso Nacional aprovou o Projeto de Lei em 2025, às vésperas do recesso parlamentar. Durante a tramitação, a proposta foi alvo de críticas de parlamentares de oposição ao projeto,  que apontaram possíveis impactos sobre a responsabilização de envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. Entre os principais pontos levantados, estava o risco de redução de penas em casos relacionados a crimes contra o Estado democrático de direito. Desde então, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia sinalizado que vetaria o texto, argumento que foi posteriormente confirmado com base na avaliação de que a medida poderia alterar critérios de punição e produzir efeitos sobre processos e condenações ligados aos ataques às sedes dos Três Poderes.

No dia 30, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), fatiou a votação do veto ao PL da Dosimetria, o dividindo em partes menores para votação separada. Isso permitiu aprovar trechos específicos, em vez de aceitar ou rejeitar todo o conjunto com a justificativa que alguns trechos do projeto, se revistos, poderiam anular parte da Lei Antifacção sancionada em março.

Hoje, o Supremo Tribunal Federal (STF) entende que as penas pelas condenações por tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, que tem pena entre quatro e oito anos de prisão, e a de tentativa de golpe de Estado, que tem pena de quatro a 12 anos, podem ser somadas. A partir da promulgação desse Projeto de Lei, as penas dos 179 condenados pelos atos golpistas de Bolsonaro e dos que articularam a tentativa de golpe de Estado podem ser reduzidas, já que as punições pelos diferentes crimes não podem mais ser somadas.

 Sessão do congresso que derrubou o veto do projeto de lei da dosimetria de penas. Foto: Lula Marques/ Agência Brasil
Sessão do congresso que derrubou o veto do projeto de lei da dosimetria de penas. Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

Ao restringir a possibilidade de soma de penas, a medida tende a reduzir o tempo total de condenação em casos envolvendo múltiplos crimes, o que pode levar à revisão de sentenças já aplicadas.

Pela primeira vez desde 1894, indicação presidencial ao STF é barrada pelo Legislativo; governo precisa escolher novo nome para vaga aberta desde outubro
por
Felipe Assis Pereira da Silva
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01/05/2026 - 12h

 

O Senado Federal rejeitou, na quarta-feira (29), a indicação de Jorge Rodrigo Araújo Messias para ministro do Supremo Tribunal Fdereal (STF). Foram 42 votos contrários e 34 favoráveis , em sessão com 79 dos 81 senadores presentes. A derrota representa um acachapante revés pólitico para Lula em ano eleitoral e expõe a dificuldade de articulação  política do governo no Congresso, até mesmo em uma indicação considerada prioritária pelo Palácio do Planalto.

O resultado é inédito na história recente do país. Há 132 anos o Senado não rejeitava uma indicação presidencial para o STF. A última vez em que isso aconteceu foi em 1894, no governo de Floriano Peixoto, nos primeiros anos da República.  Foram rejeitados, naquele momento, Cândido Barata Ribeiro, Inocêncio Galvão de Queiroz, Francisoco Raymundo Ewerton Quadros, Antônio Caetano Sève Navarro e Demosthenes da Silveira Lobo. Messias se torna o sexto nome barrado em toda a história do tribunal e o primeiro após a redemocratização.

A derrota foi contruída ao longo de cinco meses de desgaste político. Lula anunciou sua escolha em novembro de 2025, mas a mensagem formal só chegou ao Senado em abril de 2026. A demora expôs  a dificuldade do governo em organizar  apoio suficiente e revelou uma crise na relação com o comando da Casa. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), defendia abertamente o nome do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco para a vaga e reclamou publicamente de não ter sido consultado sobre a escolha de Messias. Em retaliação, o chefe do Legislativo colocou em votação uma "pauta-bomba" para o governo. Diante da resistência, Lula driblou Alcolumbre e decidiu não enviar  a mensagem oficial com o nome de Messias ao Senado. O senador cancelou a sabatina, acusando o governo de "greve omissão".

A oposição, por sua vez, tratou a indicação como escolha política desde o início. Partidos como PL e Novo associaram Messias à tentativa de ampliar a influência de Lula sobre o Supremo. Sob o comando de Messias, a AGU, criou a Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia, chamada pela oposição de "Ministério da Verdade", criticada por sua atuação na remoção de conteúdos digitais. O episódio reforçou a resistência dos senadores contrários à  indicação. 

Na sabatina que durou cerca de oito horas na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), Messias foi confrontado sobre temas como aborto e liberdade de expressão. Fez acenos ao Congresso, defendeu a separação dos poderes e a prerrogativa do Legislativo. Também disse que o STF não pode atuar como uma espécie  de "Procon da política", mas também "não pode ser omisso". Os acenos não foram suficientes. A CCJ  aprovou o nome por 16 votos a 11, mas o Plenário reverteu o resultado com folga.

O voto secreto foi decisivo para aumentar o risco da indicação. Como a escolha de ministros do Supremo é feita sem registro nominal no Plenário, senadores da base governista puderam votar contra sem romper publicamente com o Planalto. A rejeição mostrou que o governo não conseguiu converter apoios declarados em votos efetivos. A reação da oposição foi imediata. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, classificou  o resultado como uma vitória política. O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), foi mais direto: "Hoje acaba o Lula 3. Perde credibilidade, perde capacidade de articulação", afirmou após a sessão. Já o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), minimizou o impacto e atribuiu a derrota à polarização do ano eleitoral.

Jorge Messias, em entrevista coletiva após ser rejeitado pelo Senado
Jorge Messias, em entrevista coletiva após ser rejeitado pelo Senado. Foto: Ton Molina/Agência Senado.

Com a rejeição, a mensagem indicando Messias foi arqueivada. Lula terá de buscar um nome capaz de reunir confiança pessoal, currículo jurídico e viabilidade real no Senado. A constituição não estabelece prazo para a nova escolha e não proíbe expressamente que o presidente indique novamente o mesmo nome, mas uma nova tentativa com Messias  seria politicamente improvável após a derrota em Plenário. Até a aprovação de um novo ministro, o STF seguirá com uma cadeira vaga. A votação também reforça que a sabatina para o Supremo deixou de ser um rito previsível e passou a funcionar como arena de disputa entre Executivo, oposição e comando do Congresso.