Roupas que atravessam gerações, peças garimpadas em brechós e uma indústria que produz em ritmo acelerado mostram que repensar a moda passa pela relação com aquilo que já existe
por
Sophia Coccetrone
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28/09/2026 - 12h

Por Sophia Coccetrone

 

Todos os dias, Sibelle Oliveira leva cerca de uma hora e meia para chegar ao seu brechó, na República, região central de São Paulo. Moradora do Jardim Peri, na zona norte da cidade, ela costuma fazer o trajeto de ônibus para economizar. No caminho, carrega sacolas e malas cheias de roupas que serão garimpadas, higienizadas, avaliadas e colocadas à venda no seu brechó. Aos 29 anos, divide a rotina entre o brechó, o trabalho como esteticista e possui sua carga de ensino técnico de Marketing. O negócio começou de outra maneira. No Brechó Vertical, prédio localizado na República que reúne diferentes brechós, ela inicialmente tentou desenvolver um espaço voltado à estética. Porém, a ideia não se sustentou sozinha. Foi então que decidiu transformar também sua relação com as roupas em trabalho e criou o Brecholezeiras.

Desde então, boa parte das tarefas fica por sua conta. É ela quem procura as peças, seleciona, higieniza, organiza, pensa na apresentação e atende as clientes. O trabalho acontece entre deslocamentos, estudos e outras atividades profissionais. Afirma que é um trabalho muito louco, e é para quem tem disposição.

Para chegar até ali, Sibelle precisa carregar fisicamente o próprio negócio em meio ao transporte público da cidade de São Paulo. “É assim que eu sigo lutando na correria para sustentar meu próprio negócio”.

A história de Sibelle revela uma das faces menos visíveis do consumo de segunda mão. Antes de uma peça chegar ao cabide de um brechó, existe uma série de escolhas, deslocamentos e trabalhos. E, depois que ela é vendida, sua história continua por mais algum tempo, agora no guarda-roupa de outra pessoa.

 

Brechós em São Paulo: veja 14 lojas para garimpar em SP - 04/10/2025 -  Passeios - Guia Folha

Corredor do Brechó Vertical - Imagem: Folha/UOL

 

Para Sibelle, vender roupas usadas não representa apenas uma alternativa de consumo. É também uma forma de trabalho e de construir uma identidade. A maior parte de suas clientes são mulheres próximas de sua idade, entre 20 e 30 anos, que procuram peças diferentes e, muitas vezes, encontram no brechó uma possibilidade de comprar produtos que seriam mais caros novos ou buscar mais alternativas para seu estilo pessoal. Ela afirma que geralmente quem consome muito de brechó, só vive de brechó.

A relação de Sibelle com as roupas também mudou a maneira como ela se veste. Ao passar boa parte dos dias procurando peças e pensando em quem poderia usar, ela começou a entender o garimpo não apenas como uma tarefa comercial, mas como uma forma de descobrir estilos e observar as diferentes maneiras pelas quais as pessoas constroem sua identidade.

Há também uma questão econômica. Para ela, comprar de segunda mão pode significar encontrar produtos de marcas conhecidas por valores mais acessíveis, além de peças antigas ou que já não são produzidas. Mas a escolha também está relacionada ao destino das roupas. Quando uma peça usada encontra uma nova dona, ela deixa de ser apenas algo que poderia ocupar espaço em um armário ou ser descartado. Passa a circular novamente. É uma lógica semelhante à da economia circular, em que produtos permanecem em uso por mais tempo antes de serem transformados em resíduos.

O professor Urbano Nobre, da PUC-SP, observa esse processo a partir da própria duração dos produtos. Para ele, uma das formas mais concretas de tornar o consumo mais consciente é fazer com que aquilo que já foi produzido permaneça em circulação por mais tempo.

 

“Uma das formas de você transformar de forma objetiva o consumo em algo consciente é você alongar a vida dos objetos, fazer com que o ciclo de produção e reprodução de consumo se alongue a três, quatro, cinco estágios.”

A experiência de Sibelle mostra esse prolongamento acontecendo na prática. Mas também evidencia que o consumo de segunda mão não elimina sozinho os problemas da indústria. Para que uma roupa chegue ao brechó, ela primeiro precisou ser produzida. E, enquanto novas peças continuam sendo fabricadas em grandes quantidades, o desafio permanece sendo diminuir a velocidade com que roupas entram e saem dos guarda-roupas.

Uma vida entre o tecidos e não-tecidos

Se Sibelle encontra novas histórias para roupas que já existem, Monika Debasa passou boa parte de sua trajetória pensando em como elas são produzidas. Professora de Moda da Faculdade Santa Marcelina e especialista em têxteis, Monika construiu sua carreira entre a indústria, a pesquisa e o ensino. Formada em Design pela FAAP, passou por diferentes experiências no setor têxtil, trabalhando com estamparia, padronagem, desenvolvimento de produtos e gestão.

Ainda no início da carreira, teve contato direto com o chão de fábrica durante um estágio na TDB Tecidos, empresa voltada à produção de malharia circular para beachwear e lingerie. Depois, atuou em Minas Gerais na área de algodão e desenvolveu uma coleção de estampas. Também trabalhou na Horizonte Têxtil, onde entrou em contato com pesquisas de tendências e chegou a administrar departamentos.

Foi nesse percurso que as questões relacionadas aos materiais e aos resíduos começaram a ganhar espaço em seu trabalho. Em 2009, Monika realizou testes com o Lonapet, tecido produzido a partir de garrafas recicladas de Guaraná Antártica. O material mantinha a cor verde das garrafas e também incorporava restos de fibras curtas de algodão a novos testes.

A experiência fazia parte de uma preocupação maior: entender que a sustentabilidade não começa depois que uma roupa é descartada. Ela também está presente na escolha das fibras, na qualidade da produção e na capacidade de uma peça permanecer em uso. Monika diz que a estética é, frequentemente, o primeiro fator de atração. A funcionalidade, por sua vez, deve ser adaptada ao contexto de uso. Contudo, a durabilidade é o pilar central da sustentabilidade. Quanto mais duradoura uma peça, mais sustentável ela se torna.

Para ela uma roupa não pode ser considerada sustentável apenas porque foi produzida com determinado material. A fibra utilizada, a qualidade da fabricação, o conforto, a possibilidade de manutenção e até a maneira como a peça é lavada interferem em sua vida útil.

Essa perspectiva acompanha sua trajetória acadêmica. Depois da experiência na indústria, ela se especializou em moda e gestão e realizou mestrado na área de design têxtil na EACH-USP. A pesquisa e a prática profissional passaram a caminhar juntas, até que o ensino se tornou uma parte central de seu trabalho.

Do ativismo à sala de aula

A preocupação de Monika com a sustentabilidade também ultrapassa os processos industriais. Ela participa do Fashion Revolution, movimento internacional criado após o desabamento do edifício Rana Plaza, em Bangladesh, em 2013, que matou mais de mil trabalhadores da indústria têxtil e colocou em evidência as condições de trabalho e produção do setor.

Como uma das embaixadoras brasileiras do movimento, Monika participa de ações voltadas à transparência, às condições de trabalho e à responsabilidade ambiental na moda. Ela costuma comparar o Fashion Revolution a uma espécie de “Greenpeace da moda”, justamente pela tentativa de aproximar questões ambientais e sociais do cotidiano da indústria.

A discussão também chega à Faculdade Santa Marcelina. Um exemplo é o “Setembro da Segunda Mão”, projeto de troca de roupas que incentiva os alunos a fazerem as peças circularem novamente. Na edição mais recente mencionada pela professora, 375 peças foram trocadas. A iniciativa parte de uma ideia simples: Monika gosta de reforçar que a melhor roupa é aquela que já existe.

É uma mudança de perspectiva que também aparece no trabalho de Sibelle. Enquanto Monika discute a durabilidade antes e durante a produção, Sibelle trabalha justamente no momento seguinte, quando a roupa poderia ser esquecida, acumulada ou descartada.

A roupa como trabalho

No cotidiano de um brechó, entretanto, prolongar a vida de uma peça não acontece de maneira automática. Sibelle precisa encontrar as roupas, transportá-las, selecionar o que pode ser vendido, higienizar cada peça, organizar o espaço, fotografar ou apresentar os produtos e conversar com as clientes, tudo sozinha. 

O esforço também aparece na maneira como Sibelle transforma sua própria rotina em expressão. Ela faz rimas de rap improvisado para retratar o trabalho e as situações que vive todos os dias, usando a música como uma maneira de registrar a experiência de manter um negócio próprio e se manter no "corre" do dia a dia.

O brechó, nesse sentido, está longe de ser apenas um espaço onde uma roupa usada muda de dono. Existe uma cadeia de trabalho por trás de cada peça que chega ao cabide. E existe também uma relação afetiva: alguém escolheu aquela roupa antes, alguém decidiu não descartar e outra pessoa agora encontrou nela uma nova oportunidade

O problema começa antes do descarte.

A trajetória de Sibelle acontece em contraste com um mercado de moda cada vez mais acelerado. Segundo dados citados pela CNN Brasil, a quantidade de peças de vestuário produzidas no mundo dobrou desde os anos 2000. No mesmo período, os consumidores passaram a comprar cerca de 60% mais roupas, mas a utilizá-las durante aproximadamente metade de sua vida útil. O problema, portanto, não está apenas no momento em que uma roupa vira lixo. Ele começa antes, na quantidade de peças produzidas, na velocidade com que são substituídas e na forma como o consumidor se relaciona com elas, além da forma do descarte que muitas vezes é irresponsável ambientalmente. 

A experiência de comprar uma roupa nova parece simples, mas envolve uma cadeia que passa pela obtenção da matéria-prima, produção, uso de água e energia, processos químicos, transporte, venda e, finalmente, descarte. É nesse intervalo entre produção e descarte que histórias como a de Sibelle ganham importância. Um brechó não interrompe a produção em larga escala, mas cria uma possibilidade para que algumas peças permaneçam em circulação.

Crescer sem ultrapassar os limites

A relação entre crescimento econômico e limites ambientais também é discutida pelo professor José Geraldo Portugal Júnior, vice-coordenador da FEA PUC-SP. A partir do conceito de Economia Donut, desenvolvido pela economista Kate Raworth, Portugal trabalha com a ideia de que uma sociedade precisa garantir condições mínimas de vida para as pessoas sem ultrapassar os limites ambientais do planeta.

Aplicada à indústria têxtil, essa perspectiva coloca a questão sobre como atender às necessidades de uma população crescente sem depender de uma produção cada vez maior de roupas que são utilizadas por períodos cada vez menores. A resposta não está apenas em trocar um tecido por outro. É preciso observar toda a cadeia e, principalmente, a quantidade de produtos colocados em circulação e o tempo que eles permanecem em uso.

Materiais alternativos, como fibras produzidas a partir do cânhamo, podem fazer parte dessa transformação, dependendo das condições de cultivo e processamento. Mas substituir uma matéria-prima não resolve por si só o problema de uma indústria baseada em produção e consumo acelerados.

A mudança também passa pela maneira como as marcas comunicam seus produtos. Em um mercado no qual a sustentabilidade ganhou valor comercial, existe o risco de que termos como “ecológico”, “consciente” ou “sustentável” sejam utilizados como estratégia de comunicação sem que mudanças correspondentes aconteçam nos processos produtivos. É o chamado greenwashing.

Por isso, a sustentabilidade não pode ficar restrita à publicidade. Ela precisa aparecer nas decisões sobre materiais, produção, qualidade, durabilidade, condições de trabalho e destino dos produtos.

A trajetória de Monika ajuda a mostrar essa diferença. Sua experiência com tecidos reciclados não ficou apenas na comunicação de uma ideia sustentável: envolveu pesquisa, testes e tentativa de encontrar usos para resíduos que normalmente seriam descartados. Já o trabalho de Sibelle acontece em outro lado. Seu negócio não precisa produzir uma nova peça para vender. Ele trabalha com aquilo que já existe e contribui para evitar que o descarte seja o fim inevitável de uma roupa.

Uma transformação que começa no que já existe

A sustentabilidade na indústria têxtil não depende de uma única solução. Ela envolve quem produz, quem cria, quem vende, quem comunica e quem compra. Mas as histórias de Monika e Sibelle mostram que a transformação também pode acontecer em escalas menores.

Monika passou décadas dentro da indústria e da academia investigando materiais, processos e maneiras de tornar as roupas mais duráveis. Hoje, leva essa experiência para a sala de aula e para o ativismo. Sibelle, por outro lado, construiu um negócio independente a partir das próprias dificuldades e descobriu no brechó uma maneira de trabalhar com roupas que já existem.

No fim, as duas trajetórias se encontram em uma ideia simples: uma roupa não precisa terminar sua história quando deixa de ser nova. Para Sibelle, essa história pode continuar no corpo de outra pessoa. Para Monika, ela começa na escolha de um tecido, na qualidade da produção e na capacidade de uma peça resistir ao tempo.

Em uma indústria acostumada a transformar novidade em necessidade, talvez um dos maiores desafios seja justamente aprender a olhar para aquilo que já existe para que sustentabilidade não seja apenas consumir menos, mas fazer com que as roupas tenham tempo suficiente para cumprir mais de uma história antes de se tornarem descarte.

Estilista inicia nova fase independente após deixar a direção criativa da Versace
por
João Luiz Freitas
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22/09/2026 - 12h

Donatella Versace está de volta ao comando criativo de uma marca. Nesta segunda-feira (21), durante a Semana de Moda de Milão, a estilista anunciou uma nova parceria com a Revolve, varejista global de moda e beleza, dando início a um projeto independente que irá reunir os universos da moda e da beleza.

Ainda sem nome revelado, a nova marca terá Donatella à frente da direção criativa. A primeira etapa do projeto será dedicada à beleza, enquanto a expansão para a moda acontecerá posteriormente. Os primeiros produtos estão previstos para chegar ao mercado em 2027. 

A parceria representa uma nova etapa na trajetória da estilista. Em março de 2025, Donatella deixou a direção criativa da Versace, função que ocupava desde 1997, após assumir o posto deixado por seu irmão, Gianni Versace. Desde então, permaneceu ligada à grife como embaixadora, enquanto Dario Vitale assumiu a direção criativa.

Donatella Versace anuncia nova parceria para criação de marca independente
Donatella Versace anuncia nova parceria para criação de marca independente - Foto: Reprodução/Instagram @donatella_versace

Agora, longe da casa que marcou quase três décadas de sua carreira, Donatella passa a construir uma identidade criativa própria. O projeto pretende transitar entre moda, beleza, cultura e entretenimento, enquanto a Revolve contribui com sua estrutura de comércio digital e alcance internacional.

A distribuição inicial está planejada para mercados como Estados Unidos, América Latina, Ásia-Pacífico e Oriente Médio. O nome da marca e os primeiros produtos ainda serão divulgados nos próximos meses.

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Com passagem por Miu Miu e Versace, designer tem a missão de renovar a marca sem deixar de lado os códigos construídos por Giorgio Armani
por
João Luiz Freitas
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17/09/2026 - 12h

A Armani inicia uma nova fase da sua história com a chegada de Dario Vitale à direção criativa da Emporio Armani. Além do cargo, o designer também ficará responsável pela direção criativa dos acessórios Giorgio Armani. Anunciada nesta quarta-feira (16), a escolha representa uma mudança importante para a casa italiana, que, pela primeira vez, coloca um profissional de fora da família Armani em uma posição criativa de liderança.

A nomeação acontece um ano após a morte de Giorgio Armani, fundador da marca e responsável por construir uma das identidades mais reconhecíveis da moda italiana. Enquanto Silvana Armani e Leo Dell’orco permanecem ligados à direção criativa das coleções principais, Vitale chega especialmente à Emporio Armani, linha criada em 1981 com uma proposta mais jovem e experimental dentro do grupo.

A escolha também ganha força quando observada a trajetória do designer. Formado pelo Istituto Marangoni, em Milão, Vitale passou por nomes importantes da indústria italiana, incluindo Dsquared2 e Bottega Veneta, antes de chegar à Miu Miu em 2010. Durante aproximadamente 15 anos na marca, ocupou posições de destaque e chegou a comandar o design de ready-to-wear e a área de imagem.

Dario Vitale
Dario Vitale se torna o novo diretor criativo da Emporio Armani - Foto: Jeannette Montgomery Barron/Divulgação EA.

Em 2025, Vitale assumiu outro desafio histórico ao se tornar o primeiro profissional de fora da família Versace a ocupar a direção criativa da grife. Sua passagem, entretanto, durou apenas uma temporada. Depois da aquisição da Versace pelo grupo Prada, o designer deixou o cargo em dezembro do mesmo ano. Apesar do curto período, sua estreia foi apontada por veículos especializados como um dos momentos de destaque daquela temporada.

É justamente essa experiência que pode fazer diferença em sua chegada à Emporio Armani. Vitale carrega uma trajetória construída dentro de diferentes linguagens da moda italiana, passando pelo minimalismo e pela sofisticação da Miu Miu e chegando ao maximalismo e ao glamour historicamente associados à Versace. Para a Armani, essa bagagem pode representar uma oportunidade de aproximar a Emporio de uma geração mais jovem sem necessariamente romper com os códigos estabelecidos pela casa.

Seu primeiro grande teste à frente da Emporio Armani já tem data marcada: a coleção de verão 2027 será apresentada durante a semana de moda de Milão, em 24 de setembro. Será a partir dela que será possível observar como o designer pretende traduzir sua assinatura para o universo construído por Giorgio Armani.

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Patricia Bonaldi transforma a paisagem e a arquitetura dos jardins modernos em silhuetas, bordados e volumes que celebram a exuberância brasileira
por
João Luiz Freitas
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16/09/2026 - 12h

A paisagem brasileira ganhou novas formas na passarela da New York Fashion Week nesta terça-feira (15). A PatBO, marca comandada pela estilista Patricia Bonaldi, apresentou sua coleção primavera/verão 2027 em Domino Square, em Williamsburg, no Brooklyn, levando para um dos principais calendários da moda internacional uma interpretação contemporânea de natureza e do paisagismo brasileiro.

Intitulada “Splendid Brazil”, a coleção parte de uma referência que vai além da representação literal da flora nacional. A inspiração está nos jardins modernos brasileiros e, principalmente, na maneira como paisagistas do período modernista organizaram a natureza para transformá-la em uma linguagem visual própria.

Visuais apresentados no desfile da PatBO
Visuais apresentados no desfile da PatBO - Foto: Reprodução PatBO

“O ponto chave não é criar uma coleção sobre plantas, mas traduzir a maneira como eles organizaram a natureza”, explica Bonaldi, fundadora e diretora criativa da PatBO em vídeo disponibilizado no Instagram da marca.

A proposta aparece na passarela por meio de silhuetas orgânicas, volumes escultóricos, bordados botânicos abstratos, texturas e blocos de cores vibrantes. Em vez de simplesmente reproduzir flores e folhas nas roupas, a coleção transforma elementos da paisagem em construção de moda. Curvas são convertidas em recortes, volumes remetem a formas escultóricas e os ornamentos aparecem integrados à própria estrutura das peças.

Visuais apresentados no desfile da PatBO
Visuais apresentados no desfile da PatBO - Foto: Reprodução PatBO

A referência à natureza também aparece nos trabalhos de superfície. Estampas florais combinadas com bordados e desenhos abstratos, enquanto algumas peças parecem transportar para o corpo a composição de um jardim. A intenção, segundo Bonaldi, é justamente fazer com que a paisagem deixe de ser apenas uma imagem e passe a funcionar como estrutura.

Model Board do desfile da PatBO
Model Board do desfile da PatBO - Foto: @jonatasjacque/Instagram

Ao levar essa interpretação para Nova Iorque, a PatBO reforça também o espaço que a moda brasileira vem buscando ocupar internacionalmente. No último dia da temporada primavera/verão 2027 da NYFW, a  marca colocou o artesanato, a exuberância e referências da arquitetura paisagística brasileira no centro da discussão, mostrando que a identidade brasileira pode ser ponto de partida para uma moda global.

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Na The Art of Loving Tour, a cantora britânica leva vestidos, brilhos, franjas e glamour aos palcos
por
Livia Vilela
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17/08/2026 - 12h

Eu não sei você, mas eu queria ser amada como Simone Beyene ama Olivia Dean. É difícil assistir a um show da cantora britânica e não chegar a essa conclusão. Quando Olivia Dean sobe ao palco, os vestidos brilham, as franjas acompanham seus movimentos, as penas flutuam atrás dela e seu figurino se torna parte indispensável do show. Por trás dessa estética própria, está Simone Beyene, stylist responsável pela imagem da cantora desde o começo de sua carreira.

Aos 27 anos, Olivia Dean vive o melhor momento de sua trajetória profissional. Nascida em Londres, lançou seu álbum de estreia, Messy, em 2023. O disco apresentou ao público uma artista que mistura soul, jazz e pop com letras sobre amor, relacionamentos e amadurecimento, a partir do olhar de uma jovem mulher segura de si. Já em 2025, o segundo álbum, The Art of Loving, alavancou sua carreira. Com 12 faixas, o disco coloca o amor como tema central. Não apenas o romântico, mas também o amor-próprio, as amizades e as diferentes maneiras de se conectar com alguém. 

olivia dean vestido plumas
Vestido de plumas Self-Portrait para a turnê Foto: Reprodução/Instagram @oliviadeano 

Foi o The Art of Loving que também marcou sua entrada definitiva no mainstream. “Man I Need” se tornou seu maior sucesso, enquanto “Nice To Each Other” e “So Easy (To Fall In Love)” ajudaram a estabelecer a sonoridade dessa nova era. O reconhecimento veio rápido. Em fevereiro de 2026, Olivia Dean venceu o Grammy de Artista Revelação, consolidando uma ascensão que, até pouco tempo antes, acontecia de maneira mais silenciosa.

Agora, essa nova dimensão da carreira chega aos palcos com a The Art of Loving Tour, sua primeira grande turnê de arenas como atração principal. A estreia aconteceu em Glasgow, no Reino Unido, em abril de 2026, em um espetáculo que reúne músicas de seus dois álbuns. Depois de se apaixonar pelas músicas, os fãs agora encontram outro motivo para se encantar: o estilo da Olivia, que ganha cada vez mais destaque a cada apresentação. 

olivia dean conjunto branco
Conjunto de top com saia Chanel para a The Art of Loving Tour Foto: Reprodução/Instagram @oliviadeano

Nesse caso, os figurinos não seguem os padrões convencionais de uma estrela pop contemporânea. Não há uma dependência de bodysuits, figurinos performáticos ou produções cenográficas típicas de grandes estrelas pop. Em seu lugar aparecem vestidos de festa, tecidos fluidos, silhuetas femininas e uma estética vintage. Algumas produções são delicadas, outras são completamente cobertas por brilho. É justamente essa combinação que torna o seu estilo tão particular. 

Se os figurinos da turnê parecem tão naturais nela, é porque essa estética não começou com a turnê. Simone Beyene construiu ao lado da cantora uma imagem marcada pela experimentação, glamour e principalmente pela diversão. Fora dos palcos, essa mesma identidade aparece de uma maneira mais descomplicada, dando forma ao seu chamado "effortless glamour".

olivia dean vestido amarelo de franjas
Vestido amarelo de franjas Alaïa feito para a turnê Foto: Reprodução/ Instagram @oliviadeano 

A seleção da turnê reúne marcas como Chanel, Jacquemus, Gucci, Coperni, Self-Portrait e Alaïa. A criação dos figurinos partiu de uma referência clara nas grandes divas. O moodboard trazia nomes como: Tina Turner, Cher, Diana Ross e Josephine Baker, além da estética das décadas de 1960 e 1970. A proposta era levar o conceito de party dress, o vestido de festa, ao extremo, incorporando o brilho de Tina e Cher, a teatralidade de Diana Ross e a presença cênica de Josephine Baker.

O estilo de Olivia Dean parece nascer naturalmente de quem ela é. Suas escolhas traduzem uma imagem feminina, elegante e contemporânea que acompanha a evolução de sua música sem competir com ela. No fim, acompanhar Olivia Dean também é prestar atenção no que ela veste e aproveitar o estilo que se tornou parte de sua experiência como artista. 

Talvez essa seja a verdadeira força da imagem da cantora. Tudo parece ter sido escolhido para que ela continue contando a própria história. A roupa deixa de ser apenas roupa e passa a fazer parte da narrativa. No fim, a The Art of Loving Tour transforma o amor em música e a música em espetáculo. E, nos figurinos, Olivia encontra mais uma forma de mostrar ao público quem é. 

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Mario Queiroz, reconhecido por seu trabalho no segmento masculino, participa da Escola de Verão da PUC-SP
por
Rodrigo Ferreira
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13/11/2023 - 12h

O estilista e professor, Mario Queiroz, consultor e designer de moda, autoridade em Moda Masculina, com diversas apresentações na SPFW, está ofertando um curso intensivo durante os dias 15 a 19 de janeiro de 2024, na PUC-SP, dentro do projeto Escola de Verão

Queiroz é Doutor em Comunicação e Semiótica pela mesma universidade, e sobre o curso, diz que “trata dos papéis da comunicação na moda e analisa a Moda como forma de Comunicação”. Em conversa com alunos de jornalismo da universidade onde se realizará o curso, ele lembra que a moda e a comunicação não se separam, até mesmo quando se trata de política, “a moda é política, me veio uma situação de ontem, em que o grampo da gravata do governador era uma metralhadora”, ressalta o estilista.

Em seu olhar, muitas coisas são ditas através da moda, assim como o adorno de arma usada por Tarcisio de Freitas em uma gravata passa uma mensagem de ódio. Em sua opinião, hoje ocorre um “fenômeno novo, em que a moda advinda das periferias cresce muito”, e “a roupa já nem sempre é indicativo de condição social”, o que pode democratizar relações sociais em certas situações. Ele traz inclusive um exemplo pessoal, em que em frente a uma loja de luxo em Paris, mesmo vestido com “roupas de rua”, foi convidado a entrar, o que era impossível com os mesmos trajes em sua juventude.

Após 20 edições no SPFW (São Paulo Fashion Week), e fechar sua loja, Mario Queiroz decidiu se dedicar à atividade docente, já tendo realizado cursos no Senac e outras instituições, tendo como tema principal de pesquisa a questão de gênero”. Fiz o doutorado, tese ‘homem e/ou mulher’, não publicado, porque no meio do caminho veio um convite para fazer um livro acessível a todos sobre masculinidade ‘homens e moda no século XXI’”, diz o professor, que acredita que “a moda é a forma como você quer se representar, vai além da roupa”.

 

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O evento começou nesta quarta-feira e vai até 12 de novembro, com desfiles no Shopping Iguatemi e Komplexo Tempo, além de outras locações pela cidade, como o Teatro Oficina
por
Giovanna Montanhan
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09/11/2023 - 12h

O São Paulo Fashion Week (SPFW) é uma das ocasiões do universo fashion mais importantes do Brasil e da América Latina. Criada em 1993 por Paulo Borges, empresário e produtor de eventos, a primeira semana de moda paulista  só aconteceu em 1996. 

A ideia de montar o evento surgiu da necessidade de dar visibilidade à moda brasileira em nível internacional e de fortalecer a indústria no Brasil. O fundador viu uma oportunidade de criar um espaço que reunisse estilistas, marcas e profissionais do setor em um ambiente de destaque, atraindo a atenção de compradores, jornalistas e celebridades de todo o mundo, além de se tornar um dos principais palcos para lançar tendências. A São Paulo Fashion Week acontece duas vezes por ano e nessa segunda edição de 2023 apresenta:

Quarta-feira (08/11):

Patricia Vieira: criada em 2006 pelo designer de nome homônimo da marca.

O estilo festivo dominou a coleção com peças prateadas, douradas, grafite e preto brilhante. Um dos destaques foi o vestido de 25.000 quadrados de couro e ponto de luz desfilado pela atriz Mônica Martelli.

A grife é uma das que preza pelo sistema de desperdício zero, portanto em suas produções, nenhuma matéria prima é descartada. 

 

 

vieira
Foto: Ze Takahashi/ @agfotosite

 

 

João Pimenta: lançada em 2003 pelo estilista de nome homônimo da marca, com foco em alfaiataria masculina. O tema do desfile foi ‘’sincretismo religioso no Brasil’’, no qual as peças variavam desde bordado com dourado - como um casaco de tweed feito artesanalmente de tapeçaria - até peças em preto e criações que mesclavam as duas cores. A silhueta minimalista foi incrementada com camisas de cetim que se sobrepunham. Os looks em branco também eram diferenciados, contendo laços exagerados e rendas em abundância, além do uso abundante de cetim que trouxe o estilo elegante à passarela.

 

jao
Foto: Ze Takahashi/ @agfotosite

 

DEPEDRO: criada em 2017, por Marcus e sua irmã, Larissa Figueiredo. Os criadores acreditam em uma  moda que seja diversificada e que promova impacto social no sertão. O desfile aconteceu em parceria com a marca sustentável do ator Sérgio Marone, a Tukano -  responsável por desenvolver um tecido de algodão feito por uma aldeia indígena do Rio Grande do Norte. 

As peças em destaque foram as de crochê, em tons neutros e em verde e azul, looks com franjas e modelos sem camisa vestindo sungas, além de calçados confortáveis. 

Também foi possível observar que, conforme os modelos tomavam conta da passarela, as artesãs faziam crochê simultaneamente.

 

depedro
Foto: Ze Takahashi/ @agfotosite

 

Helô Rocha: marca que está no mercado desde 2005, porém com o nome de Têca, e que só uma década depois veio a ter o nome homônimo da estilista. É famosa por estar sempre reverenciando a moda nordestina e regional. 

O desfile aconteceu no Teatro Oficina, cujo fundador, o ator Zé Celso, faleceu este ano após seu apartamento na capital paulista ter pegado fogo. 

O foco esteve nos bordados, crochês, nos acessórios em látex - como luvas e meias - peças texturizadas, tons claros e nas peças fluídas, assim como nos adereços metalizados e nos véus. 

 

helo rocha
Foto: Ze Takahashi/ @agfotosite

 

A coleção foi marcada por visuais feitos manualmente pelas bordadeiras da Amazônia e com os próprios recursos do Norte do país. 

Helô é de Porto Alegre (RS), mas cresceu em Natal (RN), portanto, fez questão de homenagear o nordeste. Suas modelos vestiram rendas e desfilaram em um cenário composto por caranguejos, flores e um sol, homenageando também o criador do Teatro Oficina.

 

Korshi 01:  idealizada em 2018, pelo diretor criativo Pedro Korschi. É uma marca focada no desenvolvimento de peças modulares - isso significa que elas entregam muita versatilidade e um estilo de roupa inteligente - com partes destacáveis, nas quais a partir de uma base, podem ser montadas inúmeras outras formas e modelos diferentes. 

O desfile intitulado ‘’Praia de Koncreto’’ apresentou looks em tons que remeteram, de fato, a uma praia, fazendo o uso do azul e do bege em grande parte de seus visuais. 

Os clássicos preto e branco também tiveram seu momento de brilhar. Conforme os modelos iam desfilando, as trocas de roupas aconteciam ali, na frente do público, onde a mágica acontecia. 

Roupas estilo oversized e com multi funcionalidades foram destaques na passarela, assim como as bolsas/mochilas em formato de tubarão, bonés e chapéus bucket com furos na parte de trás e chinelos de dedo e alpargatas. O show nos trouxe uma ideia de verão desconstruído e autêntico.

 

 

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Foto: Ze Takahashi/ @agfotosite

 

SAU: criada em 2020 por Yasmim, mais conhecida por Zazá, e Marina, por Bitu. É uma marca feminina de moda praia. O desfile foi marcado por muito minimalismo, sob uma forte inspiração nordestina, que incluiu modelos fluídos, esvoaçantes e geométricos, compostos por tons terrosos, preto e branco. O tema era  ‘’Pulsação’’ e foi baseada na obra do escultor Sérvulo Esmeraldo, que morreu em 2017. 

 

 

sau
Foto: Lucas Ramos/Brazil News

 

Martins: fundada em 2016 por Tom Martins, com a proposta de ser unissex e oversized. Apresentou roupas em jeans em parceria com a Levi’s, xadrez, cores vibrantes, mix de estampas, texturas, acessórios como colares e brincos de pompons estilizados e coloridos, assim como óculos escuros que continham pingentes de letras nas hastes e peças que giravam em torno da estética maximalista. 

 

 

martins
Foto: Ze Takahashi/ @agfotosite

 

Artemisi: criada em 2019, pela estilista Mayari Jubini. É uma marca que produz suas peças sob medida, com coleções de designs exclusivos. O desfile focou em apresentar uma visão tecnológica e futurista. 

Algumas das referências utilizadas pelas designers para criar esta coleção foram os filmes: “Pearl (2022)”, “Psicose (1960)” e “Frankenstein (1931)”. 

As peças em destaque foram as jaquetas de couro estilizadas, sob um modelo que remetia o visual dos motociclistas do início do século XX, tops metalizados e calças em tecido vinílico e em couro. Os visuais que integraram a passarela eram compostos por top e saia de pérolas e vestidos de manga longa inspirados nas pinturas renascentistas. As peças em jeans também estiveram presentes no show, compondo conjuntos, jaquetas, corsets, calças, casacos e até mesmo luvas.

 

 

artemisi
Foto: Ze Takahashi/ @agfotosite

 

 

 

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A socialite norte-americana publicou que irá se lançar no mundo da moda com a própria marca de roupas
por
Giovanna Montanhan
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30/10/2023 - 12h

O anúncio foi feito por meio da conta no Instagram, com a legenda: ‘’conheça Khy’’. Na foto, ela veste um sobretudo preto de couro com vários zíperes. Segundo a empresária, os preços serão atrativos, não ultrapassando 200 dólares (cerca de R$ 1 mil na cotação atual). A proposta é oferecer peças de luxo acessíveis. A primeira coleção tem 12 itens, criados em parceria com a Namilia - marca alemã, famosa por criar peças inovadoras feitas em couro sintético. 

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Reprodução: Instagram/KHY

 

A inspiração para a grife veio do próprio guarda-roupa e em como ela está se sentindo a cada dia, partindo do conceito de “quiet luxury’’ que está em alta no momento, já que é focado no minimalismo e na qualidade do tecido. 

A integrante mais jovem do clã Kardashian-Jenner, aos 26 anos, já acumula mais de US$ 680 milhões de patrimônio líquido, de acordo com a revista Forbes. Ela, que já integra o mercado da beleza e de cuidados pessoais, é fundadora das marcas Kylie Cosmetics (2015), Kylie Skin (2019) e Kylie Baby (2021). 

A nova marca oferecerá, também, uma grande variedade de tamanhos, indo do PPP ao GGG. O desenvolvimento vem acontecendo em colaboração com o casal Jens e Emma Grede - envolvidos com a SKIMS, de lingeries e roupas modeladoras de sua irmã, Kim Kardashian, e a Good American, de jeans e vestuário feminino, de sua irmã Khloe Kardashian. Ainda de acordo com informações da revista Puck, Kylie promete adotar uma abordagem mais sustentável, consequentemente, gerando menos lixo com as produções. 

Quem se interessar e decidir acessar o site khy.com, irá se deparar com uma foto da fundadora de costas usando o traje carro-chefe da grife, e uma lacuna para preencher seu email a fim de garantir um acesso antecipado e exclusivo. O lançamento acontecerá na próxima quarta-feira (01). 

 

 

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Foto: Divulgação

 

 

 

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A semana de moda italiana de 2023 aconteceu entre os dias 20 e 25 de setembro e contou com 62 desfiles, além da estreia da designer brasileira Karoline Vitto.
por
Giovanna Montanhan
|
05/10/2023 - 12h

A Semana de Moda de Milão (MFW) acontece anualmente desde 1958, nos meses de fevereiro e setembro. Antigamente, o evento era apresentado pela associação da Camera Sindacale della Moda Italiana, que mudou de nome para Camera Nazionale della Moda Italiana. Na época, o evento se resumia a exibir desfiles de moda e exposições que apresentavam a indústria da moda italiana, hoje em dia, tem como objetivo promover estilistas italianos tanto na Itália quanto internacionalmente. 


Primeiro dia (20/09)

Destaques:

Fendi: fundada em 1925 por Adele e Edoardo Fendi. A marca começou como uma pequena boutique no coração de Roma, especializada em bolsas e peles. O designer britânico Kim Jones assumiu o cargo de diretor artístico da alta costura em 2020, ao lado das diretoras artísticas Silvia Venturini Fendi e Delfina Delettrez Fendi, respectivamente, a terceira e a quarta geração da família Fendi. A grife ficou conhecida por seu modelo icônico de bolsa baguette.

Na passarela, Kim apresentou uma coleção refinada para mulheres elegantes e modernas, misturando tons neutros aos pastéis e multicoloridos para criar seus visuais. Peças que carregavam o monograma da marca também estavam presentes, além do uso de tecidos leves, como a seda, e alfaiataria. 

Os acessórios combinados foram desde bolsas - bolsas-cargo repletas de compartimentos,  mini bolsas e as clássicas baguette com o logo aparente - até luvas de couro, usadas por todas as modelos. 

Segundo o diretor artístico da marca, ‘’Há uma elegância na facilidade e no fato de não se importar com o que os outros pensam - esse é o verdadeiro luxo. Nessa coleção, eu queria refletir isso".

 

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Foto: Getty Images

 

Roberto Cavalli: criada em 1970 pelo designer de nome homônimo da marca. Conhecido por suas peças com estampa animal em couros e em tecidos e o estilo prêt-à-porter (expressão francesa que significa “pronto para vestir”) , o conceito de Cavalli reflete nas roupas fabricadas em tamanhos padrão, acessórios - incluindo bolsas, óculos, relógios, sapatos, perfumes - e joias.

O desfile foi capaz de traduzir a essência do conceito de primavera na passarela. Muitas plumas, recortes e transparências, além do uso exacerbado de cores vívidas, que remetem à próxima estação. 

 

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Foto: NOWFASHION

 

 

Diesel: estabelecida em 1978 por Renzo Rosso. A escolha do nome da marca foi pela pronúncia, pois se mantém a mesma em todo o mundo. É especializada em jeans de alta qualidade, além de acessórios para mulheres, homens e crianças de todas as idades. 

O desfile chamou a atenção quando a marca enviou câmeras analógicas como forma de convite. 

O desfile aconteceu a céu aberto, debaixo de chuva, no qual os convidados precisaram usar guardas-chuva para assistir. As peças em jeans, tie dye (técnica de tingimento de tecidos), látex, couro e casacos puffer (modelo acolchoado) foram itens que tiveram destaque. 

 

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Foto: Getty Images

 


 

Segundo dia (21/09)

Destaques:

Prada: fundada em 1913 por Mario Prada e por seu irmão Martino. A grife, inicialmente era chamada “Fratelli Prada” (Prada Brothers), e vendia acessórios para viagem como baús, malas e produtos de couro. 

Em 1978, a neta de um dos fundadores, Miuccia Prada, passou a comandar a marca ao lado de seu esposo, Patrizio Bertelli.

O desfile foi marcado por looks que transitaram entre o delicado e o ousado. As modelos usaram toucas justas o tempo todo, além de exibir peças bem construídas, como jaquetas com mangas largas, lenço de seda no pescoço formando uma espécie de capa, shorts de cintura alta, vestidos transparentes em cor pastel, saias douradas e prateadas com franjas, cintos de couro e camisas florais com franjas. 

 

 

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Foto: Isidore Montag


 

MM6 Maison Margiela: é uma segunda linha da marca, criada em 2012, na França, pelo designer Martin Margiela. Foi lançada por Maison Margiela, que anteriormente era chamada de Maison Martin Margiela (1988). 

O fundador é considerado uma das personalidades mais misteriosas do mundo da moda, cuja principal característica é o anonimato, e até hoje, nunca se viu uma foto dele sequer. 

O desfile foi marcado pela presença de looks que remetem aos anos 90, mantendo os trajes elegantes em destaque, com foco no estilo clássico por meio de tecidos brancos e cinza escuro listrados, além das camisas sem manga prateadas, combinadas com bodys e decote profundo, calças oversized, casaco sobretudo de couro, coletes e shorts modelo vintage. 

 

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Foto: Getty Images

 

 

 

MOSCHINO: criada em 1983 por Franco Moschino. Suas coleções são caracterizadas por serem extravagantes, ousadas e excêntricas, sempre fazendo o uso de muitas cores. Desde 2013, o designer norte-americano Jeremy Scott comandava a direção criativa, mas deixou o cargo em março deste ano. 

O desfile celebrou os 40 anos da grife e convidou as estilistas Carlyne Cerf de Dudzeele, Gabriella Karefa-Johnson, Katie Grand, e Lucia Liu para montarem dez looks cada. 

A inspiração para esta coleção foram as décadas de 80 e 90, marcadas por modelos com silhueta bem definida. As peças criadas por Carylne trouxeram a marca de volta às origens de seu criador (Franco Moschino), com ternos brancos de dois botões, junto a calças cinza plissadas e golas altas pretas. Os acessórios exibidos foram bolsas em formato de coração, brincos e colares. 

Gabriella, por sua vez, estilizou os clássicos chapéus de cowboy, apresentou vestidos de crochê e joias marcantes, além de apresentar seus visuais ao som da música PURE/HONEY da cantora norte-americana Beyoncé. 

Katie, tinha o intuito de montar suas peças em cima de slogans chamativos. 

Alguns bodys que estampavam pontos de interrogação, outros que delineavam o corpo nas cores preto e branco, outras peças continham, em letras garrafais, a frase Loud Luxury ( que remete a ideia de fácil identificação da marca de luxo pelo público geral).

Por fim, Lucia, que adotou uma abordagem mais romântica e conceitual. E Liu, que usou muito ouro, ferragens em forma de coração e bordados florais em silhuetas delicadas. 

 

 

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Foto: Getty Images

 

 

Emporio Armani: é a segunda marca da família ‘’Armani’’, estabelecida em 1975 por Giorgio Armani e Sergio Galeotti. 

Na passarela, foram apresentados conjuntos organizados por cor - permitindo uma fusão de nuances, estilos e tons. A coleção começou com tons neutros de prata, bege, preto e cinza antes de passar para tons de verde, azul, roxo e rosa. Além disso, foram exibidos conjuntos formados por duas peças, blazers, vestidos, saias fluidas, shorts, tops de soutiens e blusas transparentes. E tudo isso, claro, sem perder a elegância tradicional da grife. 

 

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Foto: Getty Images

 

Tom Ford: fundada em 2005 pelo designer de nome homônimo.

Em 1990, Tom foi contratado no cargo de designer prêt-à-porter feminino da grife italiana Gucci. Em 1994, tornou-se diretor criativo da marca. Sob seu comando, o grupo Gucci adquiriu a Yves Saint Laurent - grife francesa - fazendo com que ele também assumisse os papéis de diretor de criação e diretor de comunicação da nova marca adquirida, enquanto exercia sua função na Gucci. 

Em 2004, pediu demissão e iniciou sua própria marca. 

O desfile marcou a estreia de Peter Hawkings como diretor criativo da grife, que apresentou looks em tons neutros e vibrantes, que iam de ternos despojados a peças em couro, decotes exagerados, metalizados, vestidos transparentes, franjas e alfaiataria.

 

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Foto: Getty Images



Terceiro dia  (22/09)

Destaques: 

Gucci: estabelecida em 1921 por Guccio Gucci. O fundador da marca veio de uma família simples, trabalhava como porteiro em um hotel em Londres e após muitos anos observando malas de viagem, decidiu criar seu próprio negócio para vender bolsas e malas. 

Em um primeiro momento, o foco da marca era artigos feitos em couro de alta qualidade por artesãos. Depois de um tempo, a Gucci passou a ampliar sua fabricação, e começou a produzir luvas, bolsas, cintos e sapatos. 

O desfile foi marcado pela estreia do novo diretor criativo, Sabato de Sarno, que entregou um show que não agradou os amantes da moda! Os espectadores disseram que a nova coleção não parecia uma grife, mas sim peças de fast fashion, como da Zara, por exemplo. Uma das reclamações foi a falta de criatividade e originalidade de Sabato para esta coleção, alegando que o trabalho feito pelo antigo diretor criativo Alessandro Michele (que durou sete anos) foi muito mais memorável e ousado. 

Foi possível observar na passarela, muitas peças em alfaiataria, como: os micro shorts-saia e casacos compridos, aplicações de franjas, camisetas brancas e regatas, mocassins de plataforma, vestidos brancos de cetim e muitos visuais estampados com o monograma da grife, como coletes oversized  e bolsas já conhecidas pelo público. Foram desfilados também blazers e terninhos com pele à mostra, jaquetas de couro rígidas, túnicas cintilantes, lapelas de cristal. Os acessórios que mais chamaram atenção foram as joias volumosas douradas e os óculos de sol. 

 

 

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Foto: Getty Images

 

 

Versace: fundada em 1978 por Gianni Versace. Suas peças sempre foram conhecidas por explorarem a sensualidade feminina por meio do uso do couro, com recortes e modelagem que marcaram a silhueta, além de cores vibrantes e estampas que não passavam despercebidas. 

Em 1997, Gianni foi brutalmente assassinado em frente à sua mansão, em Miami. A partir de então, Donatella Versace, sua irmã, que já dividia tarefas com ele, assumiu o comando como diretora criativa e permanece no cargo até hoje. 

O logotipo traz a imagem da Medusa - figura mítica grega que exala sensualidade, teatralidade e classe, conceitos que, de acordo com a grife, são essenciais para a representação que ela deseja transmitir. 

Donatella trouxe os anos 60 para a passarela! Apresentou vestidos sem mangas curtos e botas até o joelho, que remetem à estética retrô e cores pastéis na maioria dos looks. As modelos usavam cabelos volumosos e rabos de cavalo altos, com faixas de cabelo. Além disso, foi possível observar vestidos evasê adornados com mangas bufantes, conjuntos comportados em alfaiataria fluida e peças floridas em crochê. Modelos em seda, couro, tweed, bem como tricô e tecido transparente compuseram a maior parte da coleção.

 

 

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Foto: Getty Images

 

Boss: criada em 1924 por Hugo Ferdinand Boss, na Alemanha, após o fim da Primeira Guerra. 

A marca, inicialmente, ficou conhecida por produzir fardas militares e uniformes para o partido nazista, no qual era associado. 

Hugo faleceu em 1953 e foi substituído por seu genro, que mudou a imagem da marca. O foco continuou no estilo masculino, mas na produção de ternos que ficaram conhecidos como “ternos Hugo Boss”. 

Em 1967, passou a ser comandada por seus netos que transformaram o conceito da marca para um estilo mais moderno e autêntico. Nas décadas de 70 e 80, a grife apostou no estilo esportivo e na elite, investindo na Fórmula 1, no golfe e no tênis. Em 1998, entrou para o universo feminino, com peças minimalistas e elegantes. 

Marco Falcioni apresentou uma coleção clássica, seguindo os moldes tradicionais. Com saias lápis, casacos estruturados, blusas drapeadas e com decotes, cores neutras e maletas adornadas como acessórios. 

 

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Foto: Getty Images

 

Quarto dia (23/09)

Destaques:

Ferragamo: fundada em 1927 por Salvatore Ferragamo. Marca conhecida por criar modelos memoráveis de sapatos feitos à mão. Nos dias de hoje, também produz acessórios e perfumes. Algumas atrizes como Marilyn Monroe, Greta Garbo e Sophia Loren já usaram pelo menos um dos modelos de suas criações, nessa perspectiva, passou a ser conhecido como “sapateiro das estrelas”. 

Nesta coleção, o diretor criativo britânico Maximilian Davis, tirou a cor vermelha do destaque e deu espaço para os tons neutros brilharem! A paleta girava em torno do preto, branco, um pouco de verde e sutis detalhes de vermelho.

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Foto: Getty Images

 

Dolce & Gabbana: criada em 1985 por Stefano Gabbana e Domenico Dolce. A dupla de designers faz questão de exaltar seu país de origem (Itália) sempre que podem. A marca tem como característica o uso de símbolos religiosos na grande maioria de suas peças, além de abusar de estampas florais. 

A grife já se envolveu em algumas polêmicas, como em 2013, quando Domenico (que se considera homossexual) se posicionou contra a adoção de crianças por casais homoafetivos, alegando que o modelo tradicional (mulher + homem) de família seria o correto.

Um tempo depois, a marca fez uma coleção que exaltava o culto à magreza extrema, exibindo tênis e bolsas com as seguintes palavras: “magra e maravilhosa”.

Em 2018, se envolveu em mais um escândalo. Antes de apresentar um desfile na China, a grife divulgou um vídeo no qual uma modelo chinesa, vestida com trajes típicos, tentava comer pizza usando hashis. O motivo do “humor" se concentrava na tentativa falha. O vídeo foi acusado de carregar xenofobia e sofreu boicote. 

Nesta coleção, os tons neutros tiveram destaque! O desfile fez uso do preto e branco, que acabou dominando a passarela, chegando até a receber o nome  de ‘’Woman’’ (Mulher). Vestidos assimétricos de chiffon preto com poás de renda e transparente, junto de laços amarrados no pescoço, smokings desconstruídos, micro shorts, babados e estampas florais foram algumas das peças desfiladas. Algumas roupas tinham colarinhos brancos ou detalhes em camisas sociais brancas. Além de uma seleção de ternos, jaquetas e vestidos completamente brancos. As modelos carregavam pequenas bolsas de mão e usavam saltos agulha ou botas pretas de cano alto.

Sem esquecer de mencionar a icônica estampa animal da marca em capas de chuva brilhantes. 

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Foto: Getty Images

 

 

The Attico: estabelecida em 2016 por Gilda Ambrosio e Giorgia Tordini. As inspirações da dupla para criar suas coleções se baseiam nos palácios e casas de Lago, abordando a proposta vintage que a marca deseja transmitir.

A The Attico fez sua estreia na Semana de Moda de Milão nesta edição e apresentou 42 looks, dentre eles tecidos transparentes (com vestidos) e lantejoulas espelhadas, calças cargo, jaquetas oversized, calças prateadas, sobretudos oversized, blazer com ombreiras, meias adornadas com penas, echarpes, sapatilhas cravejadas com cristais e bolsas brilhantes. 

 

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Foto: Getty Images

 

Bottega Veneta: fundada em 1966 por Michele Taddei e Renzo Zengiaro. Sua especialidade sempre foi criar peças refinadas de couro usando o método intrecciato - couro trançado que vem do trabalho artesanal. A marca vai na contramão da ideia de luxo ostentação e parte do princípio do ‘’Quiet Luxury’’ - termo adotado por pessoas da alta sociedade que desejam utilizar peças de grife de maneira discreta. 

O conceito do desfile foi uma verdadeira ‘’floresta fashion’’ - na qual o diretor criativo da marca, Matthieu Blazy, transportou os convidados para o distrito de Bovisa, que foi todo colorido com mapas pintados à mão e convites em formato de relógios de bússola de couro. As peças iam de casacos de tweed a bolsas de mão brilhantes, malhas em patchwork, casacos de franja, camisas listradas e gravatas de couro, além de exibirem jornais como se fossem acessórios. 

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Foto: Getty Images

 

 

Quinto dia (24/09)

Destaques:

Giorgio Armani: criada em 1975 pelo estilista de nome homônimo e por Sergio Galeotti. A marca não está somente no mercado do vestuário, mas também nos perfumes, acessórios, itens de decoração, coleções esportivas e itens dedicados a crianças. A grife é famosa por produzir peças elegantes de alfaiataria, como blazers e ternos, em tons neutros, roupas com a silhueta feminina marcada e vestidos modelo ‘’sereia’’ e paetês, considerados o carro-chefe da grife. 

Armani intitulou esta coleção como ‘’Vibes’’ e se inspirou em cores, texturas e movimentos que remetem à água, como por exemplo, o uso de tecidos fluídos em tons de azul e verde. 

 

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Foto: Getty Images

Karoline Vitto: fundada em 2019, em Londres, pela estilista brasileira de nome homônimo da marca. Para vir a Milão desfilar sua primeira coleção solo, teve o apoio da italiana Dolce & Gabbana. Sua intenção sempre foi divulgar os corpos reais e curvilíneos, deixando de lado os estereótipos de beleza convencionais. 

Vitto costuma investir em peças que contém recortes e várias numerações. Na passarela, foi possível observar modelos mid-size e plus-size usando vestidos tubinhos, saias lápis, transparências, calça cintura baixa e muitos decotes, sendo a maioria das peças adornadas com aplicações de metais. 

 

 

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Foto: Gorunaway.com

 

 

 

 

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Até hoje marcas utilizam símbolos nazistas em coleções, ignorando a história e gerando polêmica
por
Bianca Athaide
Helena Cardoso
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22/11/2023 - 12h

Por Bianca Athaíde (texto) e Helena Cardoso (audiovisual)

Não é a primeira vez que um caso como esse acontece, e infelizmente não será a última. No dia 10 de setembro de 2023, Maria Eugênya Pacioni, entrou em uma loja de departamento e encontrou peças um tanto quanto controversas: um conjunto formado por uma camisa e calça listradas, com a combinação de branco e azul acinzentado, que foi motivo de polêmica nas redes sociais. 

Vendido pela Riachuelo, a roupa foi comparada com o uniforme usado nos campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. O episódio serviu para o renascimento de uma já conhecida história entre a indústria fashion e o nazifascismo. Se na atualidade as referências da estetica nazista ecoam na moda, na época do regime as relações eram estreitamente diretas e inquestionáveis.

A publicação feita pela especialista em Cultura Material, Consumo e Semiótica Psicanalítica pela Universidade de São Paulo (USP), com uma foto da peça, viralizou no X (antigo Twitter). No post, que hoje tem mais de 6 milhões de visualizações e 100 mil curtidas, Pacioni escreveu que está faltando conhecimento histórico e noção para os estilistas da rede. 

 

A pesquisadora completou, em outra postagem, sobre o uso do estética do holocausto e da escravidão, como uma das formas de marketing, já que ao gerar a polêmica, você consegue ser visto. Mas também criticou a falta da construção de um pensamento crítico, da preservação da memória e reforçou o déficit em estudos da história. O argumento proposto por ela, é de que a criação ou uso estético de uma peça, é colocado acima da crítica, do respeito e da memória histórica; quando, na verdade, a moda deveria se lembrar da história da humanidade e de seus símbolos. 

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Judeus em Auschwitz durante a Segunda Guerra Mundial - Foto: Domínio Público via Wikimedia Commons 

 

Utilizados durante a Segunda Guerra Mundial, os uniformes tinham como principal objetivo apagar a individualidade dos judeus que estavam dentro dessas peças e tornar a questão ainda mais impessoal – e como forma de humilhar ainda mais as vítimas. Além disso, as estampas tinham um baixo valor de produção e as listras eram fáceis. 

A loja de departamento se pronunciou, em nota, sobre o caso e chamou de “infelicidade”. Além disso, todas as peças foram retiradas das lojas físicas e do e-commerce. Porém, essa não é a primeira vez que uma situação assim acontece no mundo da moda, mexendo com questões históricas e simbólicas, causando polêmica. 

OUTROS CASOS: LANÇA PERFUME, CHANEL E HUGO BOSS

Em 2018, a marca Lança Perfume lançou uma coleção cápsula intitulada "Noite em Berlim", com peças que uniam cores e referências de inspiração militar. O militarismo rebelde era o tema mais quente no mundo da moda na época, com releituras para cultura jovem contemporânea de maneira que questionava ao mesmo tempo que remetia as históricas vestimentas militares. Mas a Lança Perfume foi em contrapartida - propositalmente ou não - a essa onda. Suas peças eram claramente guiadas pelo ambiente nazista, principalmente nos uniformes do Terceiro Reich (1933-1945). 

Gabrielle Bonheur Chanel (Coco Chanel), um dos nomes mais importantes da história da costura francesa, que denomina a maison dona de um gigantesco renome até hoje, teve sua trajetória como espiã nazista exposta em sua biografia, lançada em 2011, nos Estados Unidos. A obra "'Sleeping with the Enemy: Coco Chanel’s Secret War" relata como a estilista realizou inúmeras missões em nome do serviço de inteligência nazista, principalmente em cidades como Madrid e Berlim. 

Acompanhada - alguns dizem até influenciada - por seu amante, o oficial Hans Gunther Von Dincklage, Coco usou de sua posição de espiã para recebimento de favores, como apropriação dos bens de sócios judeus de sua marca.  

A marca alemã Hugo Boss, também é outro exemplo do impacto da ideologia antissemita na moda. O laço entre seu fundador, Hugo Ferdinand Boss, foi desenterrado em 2011, quando uma auditoria financiada pela própria empresa expôs o passado da grife, que já chegou a ser chamada de "alfaiataria de Hitler", no livro "Uma Fábrica de Roupas entre a República de Weimar e o Terceiro Reich". A marca, hoje sinônimo de luxo e elegância, fabricava uniformes para diversas instituições nazistas, como a Juventude Hitlerista e a implacável e criminosa.

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