Premiação a Frankenstein desperta debate sobre a nova vida do estilo gótico
por
João Calegari
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26/03/2026 - 12h

A consagração de Frankenstein no Oscar 2026 ganhou forma pela minúcia da produção: o filme levou a estatueta de Melhor Figurino pelo trabalho da figurinista Kate Hawley, o que reconhece uma construção visual que extrapola a recriação de época. Em uma categoria marcada pela diversidade estética, a vitória reafirma o peso das escolhas visuais na narrativa e consolida o longa de Guillermo del Toro como um dos grandes destaques técnicos da premiação. Além de despertar olhares ao estilo norteador do filme, o gótico.

Porque na indústria cinematográfica atual, se engana aquele que acredita nas decisões editoriais realizadas ao acaso. A produção não se trata apenas de um bom processo na confecção de roupas, mas de decisões que fazem parte de um projeto: voltar os holofotes culturais para o estilo gótico novamente.

A parceria entre Guillermo del Toro e Kate Hawley não é de hoje, os dois trabalham juntos desde “Círculo de Fogo”, filme lançado em 2013. O diretor conta que fazia reuniões periódicas com Kate meses antes da produção se iniciar. Nelas, del Toro apresentava diversas convicções sobre os figurinos: havia uma necessidade de peças modernas, a produção não poderia se basear em uma  simples recriação de época. Por outro lado, Hawley apresentava a estética do romantismo gótico para os figurinos, proposta determinante para que o filme adquirisse a estética de “sonho melancólico”.

Foto: Personagem Elizabeth usa vestido volumoso branco em meio a uma sala escura.
Personagem Elizabeth usa vestido volumoso branco em meio a uma sala escura. / Fonte: Netflix

O filme dirigido por Guillermo del Toro adapta o clássico de Mary Shelley, de 1818, para uma nova linguagem. A obra original é considerada pelo imortal da Academia Brasileira de Letras, Ruy Castro, como o primeiro grande exemplar das histórias de horror modernas, além de ser o grande precursor do gênero de ficção científica. 

“O clássico conta a história de um horrendo ser, que ao despertar para o mundo, torna-se consciente de que é um monstro, rejeitado por todos” - Ruy Castro

A definição de Ruy também serve de modelo para a ótica gótica de se ler o mundo, já que essa estética se propõe a representar os rejeitados. A produção monumental proporcionada pela Netflix sugere um novo ritmo para a modernidade, assim como todo o estilo gótico. 

Foto: Arco de catedral no estilo gótico / Fonte: Pxhere.
Arco de catedral no estilo gótico / Fonte: Pxhere.

É óbvio traçar o paralelo, a história original questiona a ambição humana ao criar seres que não se encaixam nos seus contextos. Assim como eram os edifícios que se mostravam gigantes derretendo em uma época de erudição regrada. Assim como, uma criatura de Victor Frankenstein decide se revoltar contra uma “elite do saber”. Ou, então, um trabalho de figurinos que decide inovar em meio ao clássico ao invés de uma simples recriação de uma época.

Talvez seja esse último que fez com que o trabalho de Hawley se destacasse em meio aos indicados ao prêmio de melhor figurino no Oscar. Uma vez que as propostas de Hamnet: A vida antes de Hamlet, Marty Supreme e Pecadores possuíam a recriação de períodos históricos como princípio norteador. A exceção entre os indicados é Avatar, por se tratar de uma produção com estética fantasiosa.

Foto: Personagem Elizabeth segura um crânio enquanto usa vestido verde com adereço de penas na cabeça. / Fonte: Netflix.
Personagem Elizabeth segura um crânio enquanto usa vestido verde com adereço de penas na cabeça. / Fonte: Netflix.

O gótico sempre foi uma forma cultural de lidar com os medos de uma época. No século XIX, ele refletia angústias ligadas ao avanço científico e à ruptura com antigas tradições religiosas, temáticas que são ainda mais atuais hoje do que no período de publicação do livro. 

Nesse sentido, o sucesso de Frankenstein (2025) revela também uma mudança no próprio cinema de horror. Se recentemente o gênero foi associado a necessidade de sustos rápidos e entretenimento descartável, produções como a de Del Toro reafirmam o potencial artístico e filosófico dessas narrativas. O gênero do terror volta a ser tratado como espaço de reflexão estética e existencial.

A criatura está sentada no contraluz de um sótão, um dos momentos em que percebe ser rejeitado por seu próprio criador. / Fonte: Netflix.
A criatura está sentada no contraluz de um sótão, um dos momentos em que percebe ser rejeitado por seu próprio criador. / Fonte: Netflix.

Na irregularidade formal das peças do filme, se vê um contraste claro. A obra acompanha um cenário de rigor anatômico, porém, nos trajes mais impactantes do longa, é perceptível um objetivo de perversão desse tecnicismo através dos excessos.

Tal lógica de excesso e simbolismo se estende às joias, assinadas pela Tiffany & Co., que empresta ao filme peças raríssimas de seu acervo. Colares como o “The Wade” e o “The Beetle” não funcionam apenas como ornamento, mas como extensão da própria construção estética do longa. Foi a primeira vez que a casa de joias novaiorquina reuniu obras de arquivo e peças contemporâneas em uma produção cinematográfica.

A peça mais emblemática da obra, o vestido de apresentação da personagem Elizabeth, interpretada por Mia Goth, é a prova disso. Elizabeth é o ideal de Lady europeia do Século XVIII, é guiada pelo cuidado e empatia. É, portanto, a grande antítese do protagonista.

O vestido é volumoso e ganha transparência em contato com a luz, mas o que chama atenção mesmo é o adereço de cabeça feito de penas, que aparenta orbitar a cabeça da personagem, elemento que transmite a sensação onírica proposta por Kate Hawley.

croqui do vestido de Elizabeth ilustrado na campanha promocional do filme. /Fonte: Netflix.
Croqui do vestido de Elizabeth ilustrado na campanha promocional do filme. /Fonte: Netflix.

Mas além dele, o filme é recheado por outros vestidos com silhuetas dramáticas e exageradas, tecidos pesados e volumes acentuados. Mas além disso, na maioria das cenas, a direção de del Toro propõe a escuridão como elemento transformador dos figurinos de Hawley. Todos se engrandecem no escuro, ganham novas formas nas cenas de contraluz e assim, a escuridão ganha protagonismo na obra. 

Vestido da personagem Elizabeth em luzes escuras, destacando a variedade de tecidos do vestido / Fonte: Netflix
Vestido da personagem Elizabeth em luzes escuras, destacando a variedade de tecidos do vestido / Fonte: Netflix

Por fim, a vitória de Frankenstein no Oscar de figurino não representa apenas um prêmio técnico. Ela simboliza a necessidade de questionar o universo cultural em que estamos inseridos. Ao pautar o retorno do gótico, estamos remodelando a forma de se observar os comportamentos sociais por meio das manifestações artísticas. É notável que a estética gótica propõe uma nova forma de se observar um mesmo mundo. 

A criatura usa vestes de sobreposição enquanto veste um capuz. Está sozinho em um lago congelado. / Fonte: Netflix
A criatura usa vestes de sobreposição enquanto veste um capuz. Está sozinho em um lago congelado. / Fonte: Netflix

 

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Duas das casas mais importantes da atualidade exploram seu legado e aproveitam para se reinventar
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Liz Ortiz Fratucci
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17/03/2026 - 12h

No último domingo (8), em Paris, Jean Paul Gaultier e McQueen marcaram o sétimo dia da Semana de Moda parisiense, com coleções que revisitaram a história de suas casas.

Desde a aposentadoria de Jean-Paul Gaultier das passarelas em 2021, a maison adotou um modelo rotativo para a direção criativa: toda temporada um designer diferente é convidado para reinterpretar os códigos deixados por Gaultier. Para a coleção de Outono/Inverno 2026, Duran Lantink foi convidado para assumir brevemente a direção de criação pela segunda vez. O legado da marca foi revisitado por Lantink através da subversão de gêneros e de peças provocadoras e irônicas.

O designer apresentou um equilíbrio entre o novo e as homenagens. Sua experiência na criação de volumes resultou na reinterpretação de clássicos da casa, como o corset, as silhuetas estruturadas e os jogos de trompe-l’œil - técnica artística que utiliza perspectivas e ilusionismo para criar a ilusão de ótica - que marcaram a carreira de Jean-Paul Gaultier.

O fundador da marca homônima é notório por misturar elegância e teatralidade. Em seus desfiles, a passarela transformava-se em um espetáculo performático com personagens, humor e apresentações visuais que iam além das peças. Lantink, dialoga com esse universo lúdico ao apresentar personagens western, esportistas e que evocam vilões de cinema.

Jean Paul Gaultier FW26. Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier
Jean Paul Gaultier FW26.
Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier
Jean Paul Gaultier FW26. Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier
Jean Paul Gaultier FW26.
Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier

 

“Explorar a tensão psicológica entre a interioridade e a exterioridade; performance e paranoia…” explica Seán McGirr, no release, o que ele quis retratar nessa temporada. Assim como McQueen, McGirr usa filmes como inspiração. “Safe” de 1995 influenciou a coleção à explorar temas como ansiedade, identidade e tensão psicológica. 

Com uma trilha sonora inquietante assinada por Ag Cook - colaborador frequente da cantora Charli XCX - o designer apresentou sobretudos usados como vestidos curtos, botas que chegavam até os joelhos e mini saias que evocavam a moda dos anos 60 de Mary Quant. 

Por baixo dos blazers acetinados, surgiam blusas com flores bordadas à mão e outras aplicações que remeteram a escamas. Alguns dos looks apresentaram peças de crochê feitas com material metálico.

A herança de Alexander McQueen foi resgatada por meio de calças de cintura baixa com aprofundamento na parte de trás, conhecida como “bumsters”. A clássica bolsa Knuckle Clutch também teve uma releitura, enquanto um cachecol estampado com caveiras retomou um dos símbolos mais reconhecíveis da Alexander McQueen.

Ao final do desfile, são introduzidos vestidos esvoaçantes feitos de organza, rendas e cetim. McGuirr deixa claro que a renda não surge apenas como ornamento, mas como um elemento íntimo que revela o interior. A coleção encerra com uma noiva com um vestido e um gorro inteiramente brancos e bordados com flores. 

McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
 
McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
 



 

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Alfaiataria precisa, romantismo gótico e referências a diretores criativos antecessores marcaram os desfiles do sexto dia.
por
Liz Ortiz Fratucci
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11/03/2026 - 12h

No último sábado (7), em Paris, Celine, Ann Demeulemeester e Balenciaga estiveram entre os principais desfiles do dia. As coleções apresentaram diferentes leituras dos códigos de cada maison, combinando referências a seus arquivos com as interpretações de seus atuais diretores criativos.

“Eu acredito que a Celine é o lugar que você vai encontrar peças lindamente cortadas e uma silhueta mais fina” disse Michael Rider, o diretor criativo da Celine, em entrevista para Vogue. Para Rider, a tendência do oversized presente na última década está começando a sair de cena e por isso, nessa nova coleção, ele volta a enfatizar silhuetas mais ajustadas e uma alfaiataria precisa.

Em suas duas últimas coleções para a marca, o designer trouxe a estética preppy para as passarelas. Porém, nessa coleção ele apresenta um estilo diferente, focado na alfaiataria: casacos e ternos com ombros estruturados e calças flare encurtadas. 

Os acessórios causam dissonância no styling: chapéus em formato de sino e cachecóis aparecem cobrindo o rosto das modelos; alguns homens aparecem usando coroas de penas; colares ou brincos maximalistas compõem alguns dos looks.

O desfile foi ambientado em um salão inteiramente branco, com grandes amplificadores de som de aparência vintage espalhadas pelo espaço. Nas caixas de som, músicas do norte-americano Prince se misturavam a um mix de rock que reforçava a atmosfera de banda de garagem da coleção.

modelo celine
Celine FW26. Foto: Divulgação/Celine
 
Celine FW26. Foto: Divulgação/Celine
Celine FW26. Foto: Divulgação/Celine

Na Ann Demeulemeester, a coleção foi exibida na Couvent des Cordeliers de Paris e foi chamada de “Dear Night Thoughts”, expressão que o diretor criativo da marca, Stefano Gallici, usava quando criança ao começar a escrever uma nova página em seu diário.

A locação do desfile já foi usada anteriormente pela marca por possuir uma arquitetura medieval e sombria que complementa a atmosfera poética e melancólica característica da maison. 

Nessa temporada, o DNA da marca foi resgatado por looks monocromáticos pretos, saias com camadas fluidas e silhuetas andróginas e alongadas. A coleção foi composta por peças de estética colegial, blazers com brasões, jaquetas militares, capas de ombro com golas que remetiam a era vitoriana, punhos e colarinhos com rufo (babados ou pregas franzidas, geralmente aplicado em golas ou punhos), camisetas por cima de camisas, vestidos de renda, cadarços longos que saíam das camisas e balançavam ao caminhar, além de peças de couro com franjas.

Em meio a um casting diverso, o cantor inglês de rock, Billy Idol, fez uma participação surpresa e desfilou vestindo uma capa de couro preta com franjas, colete preto, camisa branca com gola rufo, calças pretas e botas de couro. 


 

Ann Demeulemeester FW26. Foto: Divulgação/Ann Demeulemeester
Ann Demeulemeester FW26. Foto: Divulgação/Ann Demeulemeester
Billy Idol na passarela da Ann Demeulemeester
Billy Idol na passarela da Ann Demeulemeester FW26.
Foto: Divulgação/Ann Demeulemeester

Em sua segunda temporada na Balenciaga, Pierpaolo Piccioli dialoga tanto com o legado do fundador da casa, Cristóbal Balenciaga, quanto com a estética de seu antecessor, Demna Gvsalia.

A coleção foi chamada “ClairObscur” (claro e obscuro) e explorou a ideia de luz e escuridão, inspirada na pintura barroca de Caravaggio. A intenção de Piccioli era criar um “fresco de humanidade”, refletindo emoções e contrastes da vida contemporânea. 

O desfile também teve uma colaboração inusitada com o diretor Sam Levinson, criador da série Euphoria, que criou um vídeo imersivo com imagens de paisagens naturais mescladas a rostos humanos. A trilha sonora, também feita por Levinson, foi uma mistura de música clássica, com canções de Rosalia e de Labrinth. 

Dessa vez, Piccioli faz referência a Balenciaga dos anos 1950 e 1960 em peças como: casacos longos, cocoon coats (silhueta arredondada e volumosa, que envolvem o corpo como um casulo), vestidos drapeados e casacos com silhueta balloon (formato em que a peça cria volume curvo para fora do corpo, lembrando um balão). O streetwear da era Demna aparece em: estampas inspiradas na série "Euphoria”, moletons, leggings, jaquetas utilitárias, botas até o joelho, tênis robustos e óculos futuristas. 

Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga
Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga


 

Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga
Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga

 

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Com 68 desfiles previstos, a semana de moda começou com grandes destaques, misturando tradição, inovação e presença internacional
por
Amanda Lemos
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10/03/2026 - 12h

A semana de moda de Paris começou na segunda-feira (02) e foi até o dia 10. O evento encerrou o calendário internacional de desfiles, que teve etapas anteriores em Nova York, Londres e Milão. A abertura foi realizada por alunos do mestrado de vários países do Institut Français de la Mode (IFM), uma das instituições de moda mais prestigiadas do mundo. Ela prepara profissionais para entender a moda como sistema, não apenas como estética. Além disso, o primeiro dia contou com a presença de marcas como Hodakova, Vaquera e Julie Kegels. Os desfiles do primeiro dia aconteceram no Jardim das Tuileries. 

O evento começou com foco em novos designs, trazendo coleções que misturavam tradição e modernidade. Algumas marcas como Dior, Gucci e Fendi, têm investido em novos diretores criativos para renovar os códigos tradicionais das casas de moda. Os looks chamavam atenção por suas cores vibrantes e peças marcantes. A passarela foi organizada em formato circular, permitindo que o público tivesse uma visão completa do desfile. 

Vista aérea do palco da Paris Fashion Week 2026, com passarelas de vidro sobre espelhos d’água esverdeados, cercados por estruturas modernas e plantas aquáticas.
Palco dos desfiles da semana de moda de Paris 2026 no Jardim das Tuileries - Foto: @dior / Instagram 

A Hodakova, marca sueca fundada em Estocolmo, foi uma das primeiras a desfilar. A coleção foi assinada por Ellen Hodakova Larsson, fundadora e diretora criativa da marca e trouxe uma tendência de moda conceitual e sustentável. A paleta de cores, dominada por tons neutros e sóbrios, como preto, bege, cinza e off-white, evidenciava as formas e os volumes das peças. A grife investiu em costuras aparentes, sobreposição e proporções deslocadas. 

A Vaquera, grife norte-americana fundada em Nova York, também marcou presença com uma ideia de tensão entre perfeição e caos. Com coleção assinada pelos diretores criativos e também criadores da marca Patric DiCaprio e Bryn Taubensee, se reafirmou como uma das marcas mais excêntricas do cenário atual. Ela brincou com proporções e texturas, trazendo para a passarela silhuetas exageradas e uma estética que provoca reflexões sobre identidade. Assim, desafiando os códigos tradicionais da moda. 

As coleções apresentadas pelas marcas no início da semana de moda de Paris 2026, trouxeram um panorama inicial das propostas que foram exibidas ao longo dos demais dias. 

Modelos desfilam criações conceituais da Hodakova na Paris Fashion Week 2026, com looks experimentais feitos de materiais reaproveitados, incluindo peças esculturais e combinações minimalistas, em passarela intimista.
Desfile da Hodakova na semana de moda de Paris 2026 - Foto: Hodakova
Cartaz digital em estilo "DIY" e punk, com estética de xerox em preto e branco de alto contraste sobre um fundo branco. No topo, o texto em letras maiúsculas e levemente inclinadas diz "VAQUERA DÉFILÉ". Abaixo, as informações do evento: "MONDAY MARCH 2ND" (Segunda-feira, 2 de março) e o horário "8:30PM".
Post feito pela Vaquera no instagram para anunciar data e hora do desfile - Foto: @vaquera.nyc / Instagram

 

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Estilistas consolidam suas assinaturas criativas e reinventam elementos clássicos com frescor.
por
Helena Haddad
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10/03/2026 - 12h

No quinto dia da Paris Fashion Week Outono/Inverno 26-27, as direções artísticas mostraram como é possível honrar legados e, ao mesmo tempo, projetar novas visões nas passarelas. Os desfiles, realizados em locais históricos, têm reforçado as narrativas propostas. Confira os principais destaques das coleções.

Mugler

Marcando o segundo capítulo da sua trilogia para a Maison, Miguel Castro Freitas entregou a coleção The Commander (O Comandante). A ideia é revisitar os “clichês” da Mugler, os ombros afiados e arquitetônicos, a silhueta dramática e o power dressing

mugler
Foto/Divulgação: Mugler 

A narrativa contou com mulheres confiantes e em posição de comando. As ombreiras marcantes, inspiradas em uniformes militares, reforçaram essa figura de autoridade e, claro, a silhueta de ampulheta.
Cintos largos aparecem ao lado de bolsos utilitários, enquanto a alfaiataria surge como um dos principais destaques da coleção, em peças de diferentes cortes e em tons como azul, bege, roxo e preto. Na Mugler, o glamour esperado aparece em texturas metalizadas, lisas e plissadas, além do couro que molda o corpo

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Foto/Divulgação: Mugler 

Loewe

Na segunda coleção dos estilistas Jack McCollough e Lazaro Hernandez para a Loewe, marca espanhola, o desafio foi mesclar peças de verão, em uma temporada de inverno. Para os dois estilistas estadunidenses, a Espanha remete ao calor, que se manifesta nas cores, nas texturas e nas roupas.

loewe
Foto/Divulgação: Loewe

Na coleção, é possível encontrar peças de verão, muita influência do estilo esportivo. Os vestidos aparecem como toalhas. O tecido felpudo, na verdade, é resultado de pontos de tricô minuciosamente trabalhados. O látex e o couro coloridos fazem parte da essência da marca, junto do xadrez colorido.

loewe
Foto/Divulgação: Loewe

 Aqui, os diretores honraram as raízes divertidas da Maison, mas também imprimiram nelas sua própria marca


Givenchy


Sendo uma das únicas mulheres à frente de uma casa de luxo, Sarah Burton trouxe o protagonismo feminino de uma forma sexy e rígida.

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Foto/Divulgação: Givenchy

Nesta coleção, Burton desconstruiu e brincou com peças clássicas. A camisa social apareceu com as costas para a frente, trazendo um colarinho dramático e divertido. Para a estilista, não há um limite quando se trata de moda feminina, do vestido de oncinha ao terno elegante.

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Foto/Divulgação: Givenchy

Teve o inusitado couro estampado, o uso de estampas florais com franjas dramáticas e a renda preta combinada com acessórios extravagantes. Já seda apareceu no final do desfile. O ponto alto da coleção: top de jóias, feito de pedras e metais. A peça resgata um dos looks mais famosos da Givenchy, já usado pela cantora e rapper estadunidense Doechii, no Grammy deste ano. Uma verdadeira obra de arte.

givenchy
Foto/Divulgação: Givenchy

 

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Os precursores, os destaques e as figuras históricas do país no desfile mais famoso do mundo
por
Davi Garcia
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23/06/2023 - 12h
Gisele Bündchen, no MetGala 2023. (Foto: Getty Images)
Gisele Bündchen, no MetGala 2023. (Foto: Getty Images)

No começo de maio, aconteceu em Nova York a 43º edição do MetGala, desfile beneficente com propósito de arrecadar dinheiro para a Instituição Metropolitana do Museu de Arte de Nova York. Com isso, duas estrelas brasileiras estiveram presentes: Anitta, na sua terceira participação, e Gisele Bündchen, figurinha carimbada no desfile. Ambas cumpriram a temática da noite e representaram o Brasil num dos maiores desfiles do mundo. Porém, o que é o MetGala?


Nele, celebridades do mundo inteiro se concentram para mostrar suas roupas e acessórios inspirados em uma temática que muda a cada ano. Em 2023, a Vogue – realizadora do MetGala – e seus presidentes (que mudam de acordo com a temática), Dua Lipa, Roger Federer, Penelope Cruz, homenagearam o estilista e diretor criativo da Chanel, Karl Lagerfeld, tendo os looks baseados na trajetória do alemão, além do uso de referências e objetos sobre sua vida.


O MetGala impulsiona artistas como referências e inspirações no mundo da moda, por ter a maior cobertura de um desfile pela televisão, chegando a aproximar e trazer mais pessoas ao universo fashion. Além disso, ter a cultura style acessível, mesmo utilizando de looks experimentais e criativos, ajuda estilistas menores a terem seu espaço e reconhecimento.

Ao voltar na história do MetGala, fora Anitta e Gisele, outros brasileiros estiveram presentes no tapete vermelho, como a modelo e empresária Adriana Lima, que ganhou muito destaque na década passada pela simplicidade e beleza dos looks, como em 2015 e 2017, quando foi elogiada pela mídia internacional pelo impacto e o vestido da Versace.

Adriana Lima, no MetGala 2017. (Foto: Getty Images)
Adriana Lima, no MetGala 2017. (Foto: Getty Images)

Carol Trentini foi mais uma brasileira a pisar no tapete vermelho, com um vestido feito à mão que impressionou, em 2022 pela sua delicadeza. Também fez presença Alessandra Ambrósio, que se destacou em 2016, quando usou um Balmain compatível com a temática daquele ano, “Mão x Máquina: a moda na era da tecnologia”. Isabeli Fontana e Camila Coelho foram outras modelos e influenciadoras tupiniquins que participaram do evento. Porém, o primeiro nome a pisar nos corredores do MetGala foi a atriz e modelo Sônia Braga, ainda em 1990.

Sônia Braga, a primeira brasileira a ir no MetGala, em 1990. (Foto:  Getty Images)
Sônia Braga, a primeira brasileira a ir no MetGala, em 1990. (Foto:
Getty Images)

Liz Ortiz, estudante e produtora de moda, comenta sobre as brasileiras que frequentaram o tapete vermelho recentemente, dando ênfase à Gisele Bündchen e Anitta. Liz destaca a cantora carioca como alguém que: “Recebeu muito destaque nesses últimos trêsanos que tem frequentado o baile. E complementa: “está frequentando e cada vez mais com looks marcantes e ousados”. Por fim, a produtora de moda cita Carol Trentini e Valentina Sampaio como as únicas que cruzaram o MetGala.

Liz Ortiz, estudante e produtora de moda. (Arquivo Pessoal)
Liz Ortiz, estudante e produtora de moda. (Arquivo Pessoal)

Um nome importante na área é Francisco Mota, diretor criativo da Calvin Klein de 2003 a 2016. Muitos looks vistos no MetGala, durante esse tempo, passaram na mão do brasileiro, que ganhou prêmios como o de Designer de Moda Feminina do Ano, em 2006 e 2008; e o Estilista do Ano no National Design Award, em 2009. E, em se tratando de temáticas, Liz comenta que o Brasil nunca esteve diretamente envolvido: “O mais perto que tivemos foi o tema “American Woman: Fashioning a National Identity”, mas mesmo assim o tema não foi explorado por nenhum brasileiro”.


Outro destaque foi a brasileira Valentina Sampaio, a primeira mulher trans a ser capa da Vogue Paris. Desfilou também pelo Victoria's Secret Fashion, evento promovido pela marca de lingeries para divulgar seu produto no mais alto nível da moda marcando história na premiação, principalmente por ser brasileira.


Em 2021, usando um vestido assinado por Iris von Herper, a cearense, em entrevista à Vogue comenta sobre ser chamada para o desfile: “Eu me sinto honrada de ter sido convidada para o Met Gala que, hoje, é o maior evento no mundo para o Fashion Business”. E sobre seu vestido, ressaltou principalmente o significado social dele: “Eu acho o assunto super-atual neste momento histórico de pandemia e, principalmente, após as recentes eleições presidenciais, que dividiram fortemente o país em dois partidos: Democratas e Republicanos. A escolha do vestido foi o momento mais delicado, pois o red carpet do Met Gala é o maior do mundo. Nele, sempre vimos looks incríveis e icônicos. Sobre o meu, posso afirmar que é maravilhoso!”.

Valentina Sampaio, com seu Iris van  Herper, em 2021. (Foto: Getty Images)
Valentina Sampaio, com seu Iris van Herper, em 2021. (Foto: Getty Images)

Porém, não há como fugir do maior nome da moda brasileira e uma das maiores do mundo: Gisele Bündchen. A super modelo gaúcha já foi a mais bem paga do mundo, e marcou história ao inovar em poses e movimentos em suas fotos. Além disso, já atuou em diversos filmes, como no sucesso “Diabo veste Prada”. Quando se trata de MetGala, a brasileira esteve presente em quase todos os desfiles desde 1999, impressionando sempre pela sua simplicidade, fidelidade ao tema e impacto.


No Brasil, a moda também vem crescendo e sendo marcada por eventos internacionais, como o MetGala, e também nacionais. Liz destaca: “A moda brasileira tem ganhado cada vez mais espaço e mais comentada e apreciada, principalmente por artistas”. Ela complementa: “O que temos de mais parecido com o Met Gala no Brasil, é o Baile da Vogue, um evento já tradicional que inicia o calendário de festas e comemorações de carnaval no Rio de Janeiro há 18 anos.” O Baile da Vogue se utiliza da época de pré- carnaval para inspirar os looks e maquiagens do evento, com mais expressão e características abrasileiradas.

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A influenciadora Gi Sayuri destaca benefícios econômicos e culturais do maior evento de moda do país
por
Laura Paro
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23/06/2023 - 12h
A influenciadora de moda e lifestyle Gi Sayuri tem apenas 21 anos e já alcança mais de 700 mil seguidores no TikTok. (Imagem: arquivo pessoal)
A influenciadora de moda e lifestyle Gi Sayuri tem apenas 21 anos e já alcança mais de 700 mil seguidores no TikTok. (Imagem: arquivo pessoal) 

A São Paulo Fashion Week (SPFW) é o maior evento de moda do Brasil e o mais importante da América Latina. Ocupa o quinto lugar entre as maiores semanas de moda do mundo, perdendo apenas para as de Paris, Milão, Nova York e Londres. Para além da união de grifes brasileiras, estilistas, modelos e ícones da moda, o evento tem grande relevância ao refletir acontecimentos e comportamentos sociais através da roupa e dar espaço às pautas de interesse público. “A Fashion Week tem um grande peso em uma questão social, uma vez que valoriza cada região do país e coloca holofotes para nossa própria cultura. A moda nacional é esquecida e, num evento desse tamanho, podemos relembrar que o mercado fashion brasileiro move muito além de tendências: gera empregos, melhora a vida das pessoas e, em grande plano, mostra como é rica a produção de moda no Brasil”, afirma a influenciadora de moda Gi Sayuri, de 21 anos.  

Na edição deste ano, realizada entre 25 e 28 de maio, o tema “Origens” marcou as passarelas e mais de vinte marcas participaram do desfile, que ocupou espaços no Shopping Iguatemi, Senac Faustolo e Komplexo Tempo. Quase trinta anos após sua primeira edição, a Semana, além de gerar um grande movimento econômico, também abordou questões como a importância da sustentabilidade. "O evento simboliza, desde coincidências e convergências a sentido de revolução. A moda brasileira vive um momento especial e isso é muito bom para o mercado. É importante que a gente pense sempre em inovação. Nós investimos um protagonismo para esta indústria”, afirma Paulo Borges, sócio e criador da SPFW. 

Com o objetivo de organizar a produção de moda do Brasil, internacionalizar os desfiles e potencializar novos negócios no setor, os investimentos no evento começaram em torno de R$ 600 mil e hoje chegam a mais de R$ 5 milhões aedição. Hoje, participam da Semana 34 estilistas e mais de dois mil jornalistas para fazer a cobertura. A organização é feita meses antes da data do evento para que a indústria tenha ideias de quais serão as tendências futuras, com tempo de sobra para comercializar.  

Para Sayuri, tamanha é a influência do evento, que às vezes ocorre de forma imperceptível pelas redes sociais.  “Se você está passando pelo seu Instagram e vê uma pessoa com uma combinação de look legal, você se inspira e monta algo parecido instantaneamente. A mesma coisa acontece nos desfiles, onde você não só vê o que está chegando nas próximas temporadas como já pega várias ideias de composições”, afirma.  

Com o Instagram e o TikTok, o movimento fashionista ganha cada vez mais força e recebe uma proporção tão grande que não consegue ser ignorada pela mídia. As redes sociais também proporcionam um espaço para a representatividade e a diversidade no mundo da moda. “Cada vez mais, ainda mais com o poder da internet, as pautas sociais estão presentes, e as marcas estão abraçando as causas. Seja por representatividade regional, de corpos ou de gêneros, a SPFW tem se tornado uma vitrine para exibir tudo o que compõe o nosso país na pluralidade que ele sempre teve”, diz a influenciadora.  

Sayuri destaca a importância cultural da SPFW. Segundo ela, os desfiles contam histórias e as roupas exibidas funcionam como a caracterização de uma ideia, lugares e sentimentos. Inclusive, a cultura brasileira se mostra sempre presente no evento: “Acredito que cada Fashion Week traz a essência do lugar através dos desfiles e do que é desfilado, uma forma de mostrar, seja qual for o país, um pouco da cultura local. Para qualquer um de fora que queira saber como funciona a produção de moda brasileira, é num evento desse porte que é possível conhecer cada detalhe, tanto criativo quanto social da nossa moda”, conclui Sayuri. 

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Sucesso entre o público, marcas com fabricação particular criam seu espaço no mundo da moda
por
Iris Martins
|
12/06/2023 - 12h

A moda é um setor em constante evolução, tanto em termos de conceitos quanto de técnicas de produção. Com a chegada da pandemia de COVID-19, as pessoas tiveram que adaptar suas vidas e formas de trabalho, inclusive no comércio de roupas. As lojas de vestuário migraram para o ambiente online, explorando o e-commerce como forma de driblar os prejuízos causados pela crise global. No Brasil, as vendas online atingiram números recordes em 2021, totalizando mais de 161 bilhões de reais, um crescimento de 26,9% em relação ao ano anterior, de acordo com dados da Neotrust, empresa que monitora o e-commerce no país.

Este foi o caso de Isadora Abelha, proprietária da loja virtual Shop Abelha. Em entrevista à AGEMT, Isadora conta como tudo começou: "Após fazer uma pós-graduação em empreendedorismo e gestão de negócios em 2021, senti um interesse crescente em ter minha própria empresa. Inicialmente, revendia peças de fornecedores, mas com o crescimento da loja, senti a necessidade de criar peças exclusivas, desenhadas e pensadas por mim. Em 2022, lancei uma mini coleção de confecção própria e, em 2023, foquei totalmente nesse segmento, encontrando parceiros na minha cidade e buscando profissionais, importadores de tecidos e modelagens que se alinhassem comigo e com meu público. Deu muito certo."

Croqui da loja Maezza - por: Lucca Bustamante
Croqui da loja Maezza (por: Lucca Bustamante)

Assim como Isadora, muitas pessoas encontraram oportunidades de negócio e reinventaram suas carreiras durante a pandemia. De acordo com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), mais de 3,9 milhões de empresas se formalizaram como microempreendedores individuais (MEIs) em 2021, um crescimento de 19,8% em relação ao ano anterior e de 53,9% em relação a 2018. Amanda Ferreira, proprietária da marca de roupas Maezza, compartilhou sua história com o jornal, revelando que sua paixão por trabalhar na aviação foi interrompida pela pandemia. Ela decidiu adiantar outro sonho que tinha em mente: ter sua própria marca. Amanda destaca os desafios de ter uma confecção própria: "O maior desafio é lidar com a produção em si, desde a criação de processos até a entrega final ao cliente. Envolve uma cadeia complexa, desde a criação da coleção, modelagem, negociação e compra de tecidos, corte, costura, acabamento, embalagem, marketing, administração e contabilidade. É um desafio diário que demanda habilidades práticas e criativas."

Marianne Baptista, especialista em tendências na WGSN LATAM, destaca a crescente importância das marcas de confecção própria no mundo da moda, especialmente durante a pandemia: "Desde o início da crise, os consumidores têm apoiado cada vez mais pequenos e médios negócios nacionais, entendendo os impactos econômicos causados pela pandemia. Isso tem levado à atenção especial para marcas que possuem produção própria, principalmente entre os jovens adultos que valorizam marcas alinhadas aos seus valores e compreendem as mudanças que o mercado da moda passou, adaptando-se a uma comunicação remota mais eficaz." Com a COVID-19, muitas pessoas passaram a valorizar e comprar de marcas locais, fortalecendo esse mercado e impulsionando a criação de diversas lojas em diferentes nichos. Isabella Marcela, dona da loja de biquínis Maré Alta Store, afirma: "Nossa marca ganhou uma grande visibilidade, especialmente durante a pandemia, quando as lojas físicas estavam fechadas e as compras online se tornaram a principal opção. No entanto, o investimento em marketing é essencial."
 

Peças da Shop Abelha - por: reprodução da internet
Peças da Shop Abelha (por: reprodução da internet)


Os proprietários de marcas de confecção própria precisam estar sempre atentos às tendências. Livia Sampaio, dona da loja Favorito Crochê, relata em entrevista à AGEMT como identificou a demanda por roupas de crochê: "Após me destacar entre meus amigos com roupas feitas pela minha avó, percebi que havia um público interessado nesse tipo de peça, e o crochê estava em alta na mídia, inclusive entre os famosos. Decidi investir nessa ideia, mas sei que ter uma marca própria vai além de comprar e revender roupas. Exige um planejamento abrangente." "O diferencial dessas marcas está em entender os desejos do mercado brasileiro, trazendo produtos que valorizam a diversidade, brasilidade, peças exclusivas em termos de design, cores e estampas", complementa Marianne.

As marcas Apartamento 03 e The Paradise marcaram presença no SPFW no último dia 26, resgatando as brasilidades tradicionais e explosões de cores da modernidade
por
Manuela Mourão
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02/06/2023 - 12h

O estilista Luiz Claudio da Silva apresentou no último dia 26 a coleção feita para a grife Apartamento 03, desfilada no Shopping Iguatemi.

Mergulhando na história pouco conhecida do pintor Estevão Roberto Silva, o primeiro artista negro a se formar na Academia Imperial de Belas Artes do Rio de Janeiro no século XIX, Luiz usa suas peças para apresentar essa narrativa.

“Ele foi considerado o melhor pintor de natureza morta, adorava pintar frutos”, disse o estilista sobre Estevão Silva, em entrevista que foi publicada no Instagram da marca. Os frutos foram reproduzidos de forma abstrata em algumas estampas da coleção, muitas peças tiveram as partes de baixo cortadas em pontas assimétricas, tops com pontas soltas e até saias amarradas nas laterais, ajudando a construir a sobreposição em suas peças, cujo acervo também era composto por calças largas e macacões de festa.

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Foto/divulgação

Luiz afirmou que gosta de explorar silhuetas: “Gosto de construir silhuetas em que você não sabe se é um vestido ou se é uma calça, se é um macacão, se é uma jaqueta, se é um casaco e um vestido…”

Vale ressaltar o trabalho em ateliê trazido para a coleção. Foram construídas flores tridimensionais com tecidos plissados, aplicados em vestidos e capas que pareciam pairar sobre os modelos. Peças metalizadas e quadriculadas também foram reveladas durante o desfile. 

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Luiz Cláudio da Silva, ao ser perguntado o porquê dessa criação, respondeu: “Eu acho que é o momento do país olhar para sua própria história, para a história das suas pessoas…Acho que é a maior riqueza que a gente tem e que não temos dado atenção para isso”, continuou dizendo sobre como o desfile era o trabalho de um “Silva” que estava no São Paulo Fashion Week, o mesmo que Estevão Silva, e os tantos Silvas que estão por aí, sem oportunidade de mostrar seus talentos.

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The Paradise: Um festival de cores 

Também no dia 26, a marca The Paradise fez sua estreia nas passarelas da SPFW, uma verdadeira festa, do início ao fim.

A marca dos estilistas Thomaz Azulay e Patrick Doering não desapontaram os fãs - que os conhecem pelo bom humor e pela paixão pela moda - já que realizaram um show colorido e vibrante.

Desfilaram a coleção de nome “Brechó Paradise”, uma mistura de peças características dos anos 1950 aos 1980, nas quais cada década ganhou uma estampa característica - marca registrada da grife, que é conhecida por seu trabalho com estamparias.

Thomas e Patrick realizaram o desfile sem nostalgia, com propostas atuais e um olhar voltado para as tecnologias que se conectam com o futuro. A coleção é bastante diversificada, tanto para o público masculino quanto feminino, além de apresentar um acabamento mais direcionado ao público jovem - de alma.

 

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Na passarela, nomes famosos deram as caras, como: José Loreto, Pati de Jesus, Luís Lobianco, Silvia Pfeiffer, Bete Prado e outros muitos, sem contar com as ilustres personalidades que estavam na plateia.

 

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O jeans foi um dos principais pilares da coleção, e também contou com muitas estampas. As peças incluíam compunham um guarda-roupas com ótimas variações de camisas, tops croppeds e bustiês. Os vestidos eram compostos por um toque vintage nos decotes, comprimentos médios e referências a Obis japoneses e capulanas africanas. 

Até mesmo as peças em couro, desenvolvidas em parceria com Patrícia Viera, receberam cores correspondentes às estampas da coleção, para os homens, há muitas ideias de conjuntos (estampados) que substituem os tradicionais ternos. 

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O ambiente criado pela marca merece ser reconhecido pela imersividade. Luzes coloridas e uma trilha sonora de festa, que contou com músicas como: Under Pressure, da banda Queen e de David Bowie e Sultans of Swing, do Dire Straits, que trouxeram a verdadeira energia de comemoração para a estreia.

 

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Patrícia Viera desfilou sua coleção nesta última quinta-feira (25), seguida do TA Studios, ambos abordando a diversidade em vários segmentos
por
Manuela Mourão
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02/06/2023 - 12h

O desfile aconteceu no Iguatemi São Paulo, no início da tarde. A marca conhecida pela exaltação da elegância feminina, reafirmou mais uma vez o perfil maduro, moderno e refinado da estilista.

Com uma coleção semelhante à desfilada pela grife em novembro, na edição 54 da São Paulo Fashion Week, Patrícia Viera aposta novamente em looks metalizados, mas com um trabalho novo, um olhar geométrico sob suas peças.

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A marca, que ganha o mesmo nome que a estilista carioca, apresentou pouco menos de 40 novos vestuários, contando quase que exclusivamente com vestidos em seu repertório. Mostrando a habilidade criada em 25 anos de história, o uso do couro é notavelmente profissional, inovando nos padrões e texturas únicas, e reiterando o cuidadoso trabalho artesanal de Patrícia. 

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Em um breve curta-metragem que antecedeu o espetáculo, Patrícia Viera apareceu dizendo: "Eu não estou de jaleco e fita métrica para ficar mais bonita, estou assim porque estou a serviço", mostrando o quanto a estilista leva a sério seu trabalho de criar, vestir e esculpir a mulher.

Finalizando com um inusitado vestido de noiva, a passarela se despediu do desfile com uma homenagem à recém falecida rainha do rock brasileiro, Rita Lee. 

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TA Studios

No mesmo dia, a estilista Gih Caldas desfilou sua coleção "Empinando Pipas e Sonhos", também no Shopping Iguatemi, para a marca TA Studios.

Buscando uma reflexão sobre saúde mental e as artes plásticas como um escape para problemas psicológicos, a carioca - conhecida pelo uso materiais sustentáveis, como: fibra de bananeira e de milho, algodão orgânico e viscose de reflorestamento, para a criação de suas peças - trouxe um belo desfile aos solos paulistanos. 

Dentro da proposta da edição N55, Gih Caldas conseguiu fundir seu diploma de terapeuta com o conceito que estabeleceu para as roupas, explorando suas origens e abordando de forma inovadora a perspectiva da saúde mental dentro da moda.

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O espetáculo foi bastante imagético, com cabelos altos, que remeteram à reflexão proposta pela estilista. Outro ponto favorável para a estilista se deu na cirúrgica escolha do casting, os modelos enriqueceram as passarelas de representatividade, trazendo os mais diversos biotipos e etnias. Suas peças tomaram vida diante dos holofotes sendo desfiladas por mulheres mais velhas, modelos negros, asiáticos, pessoas com deficiência e transexuais. 

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Sobre a coleção, os tons optados foram majoritariamente neutros, com a presença do patchwork no jeans, técnica que utiliza diversos recortes do tecido para a construção de peças geométricas ou orgânicas. As quase 20 peças se mantiveram dentro da especialidade da grife: a alfaiataria. 

 

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