Premiação a Frankenstein desperta debate sobre a nova vida do estilo gótico
por
João Calegari
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26/03/2026 - 12h

A consagração de Frankenstein no Oscar 2026 ganhou forma pela minúcia da produção: o filme levou a estatueta de Melhor Figurino pelo trabalho da figurinista Kate Hawley, o que reconhece uma construção visual que extrapola a recriação de época. Em uma categoria marcada pela diversidade estética, a vitória reafirma o peso das escolhas visuais na narrativa e consolida o longa de Guillermo del Toro como um dos grandes destaques técnicos da premiação. Além de despertar olhares ao estilo norteador do filme, o gótico.

Porque na indústria cinematográfica atual, se engana aquele que acredita nas decisões editoriais realizadas ao acaso. A produção não se trata apenas de um bom processo na confecção de roupas, mas de decisões que fazem parte de um projeto: voltar os holofotes culturais para o estilo gótico novamente.

A parceria entre Guillermo del Toro e Kate Hawley não é de hoje, os dois trabalham juntos desde “Círculo de Fogo”, filme lançado em 2013. O diretor conta que fazia reuniões periódicas com Kate meses antes da produção se iniciar. Nelas, del Toro apresentava diversas convicções sobre os figurinos: havia uma necessidade de peças modernas, a produção não poderia se basear em uma  simples recriação de época. Por outro lado, Hawley apresentava a estética do romantismo gótico para os figurinos, proposta determinante para que o filme adquirisse a estética de “sonho melancólico”.

Foto: Personagem Elizabeth usa vestido volumoso branco em meio a uma sala escura.
Personagem Elizabeth usa vestido volumoso branco em meio a uma sala escura. / Fonte: Netflix

O filme dirigido por Guillermo del Toro adapta o clássico de Mary Shelley, de 1818, para uma nova linguagem. A obra original é considerada pelo imortal da Academia Brasileira de Letras, Ruy Castro, como o primeiro grande exemplar das histórias de horror modernas, além de ser o grande precursor do gênero de ficção científica. 

“O clássico conta a história de um horrendo ser, que ao despertar para o mundo, torna-se consciente de que é um monstro, rejeitado por todos” - Ruy Castro

A definição de Ruy também serve de modelo para a ótica gótica de se ler o mundo, já que essa estética se propõe a representar os rejeitados. A produção monumental proporcionada pela Netflix sugere um novo ritmo para a modernidade, assim como todo o estilo gótico. 

Foto: Arco de catedral no estilo gótico / Fonte: Pxhere.
Arco de catedral no estilo gótico / Fonte: Pxhere.

É óbvio traçar o paralelo, a história original questiona a ambição humana ao criar seres que não se encaixam nos seus contextos. Assim como eram os edifícios que se mostravam gigantes derretendo em uma época de erudição regrada. Assim como, uma criatura de Victor Frankenstein decide se revoltar contra uma “elite do saber”. Ou, então, um trabalho de figurinos que decide inovar em meio ao clássico ao invés de uma simples recriação de uma época.

Talvez seja esse último que fez com que o trabalho de Hawley se destacasse em meio aos indicados ao prêmio de melhor figurino no Oscar. Uma vez que as propostas de Hamnet: A vida antes de Hamlet, Marty Supreme e Pecadores possuíam a recriação de períodos históricos como princípio norteador. A exceção entre os indicados é Avatar, por se tratar de uma produção com estética fantasiosa.

Foto: Personagem Elizabeth segura um crânio enquanto usa vestido verde com adereço de penas na cabeça. / Fonte: Netflix.
Personagem Elizabeth segura um crânio enquanto usa vestido verde com adereço de penas na cabeça. / Fonte: Netflix.

O gótico sempre foi uma forma cultural de lidar com os medos de uma época. No século XIX, ele refletia angústias ligadas ao avanço científico e à ruptura com antigas tradições religiosas, temáticas que são ainda mais atuais hoje do que no período de publicação do livro. 

Nesse sentido, o sucesso de Frankenstein (2025) revela também uma mudança no próprio cinema de horror. Se recentemente o gênero foi associado a necessidade de sustos rápidos e entretenimento descartável, produções como a de Del Toro reafirmam o potencial artístico e filosófico dessas narrativas. O gênero do terror volta a ser tratado como espaço de reflexão estética e existencial.

A criatura está sentada no contraluz de um sótão, um dos momentos em que percebe ser rejeitado por seu próprio criador. / Fonte: Netflix.
A criatura está sentada no contraluz de um sótão, um dos momentos em que percebe ser rejeitado por seu próprio criador. / Fonte: Netflix.

Na irregularidade formal das peças do filme, se vê um contraste claro. A obra acompanha um cenário de rigor anatômico, porém, nos trajes mais impactantes do longa, é perceptível um objetivo de perversão desse tecnicismo através dos excessos.

Tal lógica de excesso e simbolismo se estende às joias, assinadas pela Tiffany & Co., que empresta ao filme peças raríssimas de seu acervo. Colares como o “The Wade” e o “The Beetle” não funcionam apenas como ornamento, mas como extensão da própria construção estética do longa. Foi a primeira vez que a casa de joias novaiorquina reuniu obras de arquivo e peças contemporâneas em uma produção cinematográfica.

A peça mais emblemática da obra, o vestido de apresentação da personagem Elizabeth, interpretada por Mia Goth, é a prova disso. Elizabeth é o ideal de Lady europeia do Século XVIII, é guiada pelo cuidado e empatia. É, portanto, a grande antítese do protagonista.

O vestido é volumoso e ganha transparência em contato com a luz, mas o que chama atenção mesmo é o adereço de cabeça feito de penas, que aparenta orbitar a cabeça da personagem, elemento que transmite a sensação onírica proposta por Kate Hawley.

croqui do vestido de Elizabeth ilustrado na campanha promocional do filme. /Fonte: Netflix.
Croqui do vestido de Elizabeth ilustrado na campanha promocional do filme. /Fonte: Netflix.

Mas além dele, o filme é recheado por outros vestidos com silhuetas dramáticas e exageradas, tecidos pesados e volumes acentuados. Mas além disso, na maioria das cenas, a direção de del Toro propõe a escuridão como elemento transformador dos figurinos de Hawley. Todos se engrandecem no escuro, ganham novas formas nas cenas de contraluz e assim, a escuridão ganha protagonismo na obra. 

Vestido da personagem Elizabeth em luzes escuras, destacando a variedade de tecidos do vestido / Fonte: Netflix
Vestido da personagem Elizabeth em luzes escuras, destacando a variedade de tecidos do vestido / Fonte: Netflix

Por fim, a vitória de Frankenstein no Oscar de figurino não representa apenas um prêmio técnico. Ela simboliza a necessidade de questionar o universo cultural em que estamos inseridos. Ao pautar o retorno do gótico, estamos remodelando a forma de se observar os comportamentos sociais por meio das manifestações artísticas. É notável que a estética gótica propõe uma nova forma de se observar um mesmo mundo. 

A criatura usa vestes de sobreposição enquanto veste um capuz. Está sozinho em um lago congelado. / Fonte: Netflix
A criatura usa vestes de sobreposição enquanto veste um capuz. Está sozinho em um lago congelado. / Fonte: Netflix

 

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Duas das casas mais importantes da atualidade exploram seu legado e aproveitam para se reinventar
por
Liz Ortiz Fratucci
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17/03/2026 - 12h

No último domingo (8), em Paris, Jean Paul Gaultier e McQueen marcaram o sétimo dia da Semana de Moda parisiense, com coleções que revisitaram a história de suas casas.

Desde a aposentadoria de Jean-Paul Gaultier das passarelas em 2021, a maison adotou um modelo rotativo para a direção criativa: toda temporada um designer diferente é convidado para reinterpretar os códigos deixados por Gaultier. Para a coleção de Outono/Inverno 2026, Duran Lantink foi convidado para assumir brevemente a direção de criação pela segunda vez. O legado da marca foi revisitado por Lantink através da subversão de gêneros e de peças provocadoras e irônicas.

O designer apresentou um equilíbrio entre o novo e as homenagens. Sua experiência na criação de volumes resultou na reinterpretação de clássicos da casa, como o corset, as silhuetas estruturadas e os jogos de trompe-l’œil - técnica artística que utiliza perspectivas e ilusionismo para criar a ilusão de ótica - que marcaram a carreira de Jean-Paul Gaultier.

O fundador da marca homônima é notório por misturar elegância e teatralidade. Em seus desfiles, a passarela transformava-se em um espetáculo performático com personagens, humor e apresentações visuais que iam além das peças. Lantink, dialoga com esse universo lúdico ao apresentar personagens western, esportistas e que evocam vilões de cinema.

Jean Paul Gaultier FW26. Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier
Jean Paul Gaultier FW26.
Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier
Jean Paul Gaultier FW26. Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier
Jean Paul Gaultier FW26.
Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier

 

“Explorar a tensão psicológica entre a interioridade e a exterioridade; performance e paranoia…” explica Seán McGirr, no release, o que ele quis retratar nessa temporada. Assim como McQueen, McGirr usa filmes como inspiração. “Safe” de 1995 influenciou a coleção à explorar temas como ansiedade, identidade e tensão psicológica. 

Com uma trilha sonora inquietante assinada por Ag Cook - colaborador frequente da cantora Charli XCX - o designer apresentou sobretudos usados como vestidos curtos, botas que chegavam até os joelhos e mini saias que evocavam a moda dos anos 60 de Mary Quant. 

Por baixo dos blazers acetinados, surgiam blusas com flores bordadas à mão e outras aplicações que remeteram a escamas. Alguns dos looks apresentaram peças de crochê feitas com material metálico.

A herança de Alexander McQueen foi resgatada por meio de calças de cintura baixa com aprofundamento na parte de trás, conhecida como “bumsters”. A clássica bolsa Knuckle Clutch também teve uma releitura, enquanto um cachecol estampado com caveiras retomou um dos símbolos mais reconhecíveis da Alexander McQueen.

Ao final do desfile, são introduzidos vestidos esvoaçantes feitos de organza, rendas e cetim. McGuirr deixa claro que a renda não surge apenas como ornamento, mas como um elemento íntimo que revela o interior. A coleção encerra com uma noiva com um vestido e um gorro inteiramente brancos e bordados com flores. 

McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
 
McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
 



 

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Alfaiataria precisa, romantismo gótico e referências a diretores criativos antecessores marcaram os desfiles do sexto dia.
por
Liz Ortiz Fratucci
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11/03/2026 - 12h

No último sábado (7), em Paris, Celine, Ann Demeulemeester e Balenciaga estiveram entre os principais desfiles do dia. As coleções apresentaram diferentes leituras dos códigos de cada maison, combinando referências a seus arquivos com as interpretações de seus atuais diretores criativos.

“Eu acredito que a Celine é o lugar que você vai encontrar peças lindamente cortadas e uma silhueta mais fina” disse Michael Rider, o diretor criativo da Celine, em entrevista para Vogue. Para Rider, a tendência do oversized presente na última década está começando a sair de cena e por isso, nessa nova coleção, ele volta a enfatizar silhuetas mais ajustadas e uma alfaiataria precisa.

Em suas duas últimas coleções para a marca, o designer trouxe a estética preppy para as passarelas. Porém, nessa coleção ele apresenta um estilo diferente, focado na alfaiataria: casacos e ternos com ombros estruturados e calças flare encurtadas. 

Os acessórios causam dissonância no styling: chapéus em formato de sino e cachecóis aparecem cobrindo o rosto das modelos; alguns homens aparecem usando coroas de penas; colares ou brincos maximalistas compõem alguns dos looks.

O desfile foi ambientado em um salão inteiramente branco, com grandes amplificadores de som de aparência vintage espalhadas pelo espaço. Nas caixas de som, músicas do norte-americano Prince se misturavam a um mix de rock que reforçava a atmosfera de banda de garagem da coleção.

modelo celine
Celine FW26. Foto: Divulgação/Celine
 
Celine FW26. Foto: Divulgação/Celine
Celine FW26. Foto: Divulgação/Celine

Na Ann Demeulemeester, a coleção foi exibida na Couvent des Cordeliers de Paris e foi chamada de “Dear Night Thoughts”, expressão que o diretor criativo da marca, Stefano Gallici, usava quando criança ao começar a escrever uma nova página em seu diário.

A locação do desfile já foi usada anteriormente pela marca por possuir uma arquitetura medieval e sombria que complementa a atmosfera poética e melancólica característica da maison. 

Nessa temporada, o DNA da marca foi resgatado por looks monocromáticos pretos, saias com camadas fluidas e silhuetas andróginas e alongadas. A coleção foi composta por peças de estética colegial, blazers com brasões, jaquetas militares, capas de ombro com golas que remetiam a era vitoriana, punhos e colarinhos com rufo (babados ou pregas franzidas, geralmente aplicado em golas ou punhos), camisetas por cima de camisas, vestidos de renda, cadarços longos que saíam das camisas e balançavam ao caminhar, além de peças de couro com franjas.

Em meio a um casting diverso, o cantor inglês de rock, Billy Idol, fez uma participação surpresa e desfilou vestindo uma capa de couro preta com franjas, colete preto, camisa branca com gola rufo, calças pretas e botas de couro. 


 

Ann Demeulemeester FW26. Foto: Divulgação/Ann Demeulemeester
Ann Demeulemeester FW26. Foto: Divulgação/Ann Demeulemeester
Billy Idol na passarela da Ann Demeulemeester
Billy Idol na passarela da Ann Demeulemeester FW26.
Foto: Divulgação/Ann Demeulemeester

Em sua segunda temporada na Balenciaga, Pierpaolo Piccioli dialoga tanto com o legado do fundador da casa, Cristóbal Balenciaga, quanto com a estética de seu antecessor, Demna Gvsalia.

A coleção foi chamada “ClairObscur” (claro e obscuro) e explorou a ideia de luz e escuridão, inspirada na pintura barroca de Caravaggio. A intenção de Piccioli era criar um “fresco de humanidade”, refletindo emoções e contrastes da vida contemporânea. 

O desfile também teve uma colaboração inusitada com o diretor Sam Levinson, criador da série Euphoria, que criou um vídeo imersivo com imagens de paisagens naturais mescladas a rostos humanos. A trilha sonora, também feita por Levinson, foi uma mistura de música clássica, com canções de Rosalia e de Labrinth. 

Dessa vez, Piccioli faz referência a Balenciaga dos anos 1950 e 1960 em peças como: casacos longos, cocoon coats (silhueta arredondada e volumosa, que envolvem o corpo como um casulo), vestidos drapeados e casacos com silhueta balloon (formato em que a peça cria volume curvo para fora do corpo, lembrando um balão). O streetwear da era Demna aparece em: estampas inspiradas na série "Euphoria”, moletons, leggings, jaquetas utilitárias, botas até o joelho, tênis robustos e óculos futuristas. 

Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga
Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga


 

Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga
Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga

 

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Com 68 desfiles previstos, a semana de moda começou com grandes destaques, misturando tradição, inovação e presença internacional
por
Amanda Lemos
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10/03/2026 - 12h

A semana de moda de Paris começou na segunda-feira (02) e foi até o dia 10. O evento encerrou o calendário internacional de desfiles, que teve etapas anteriores em Nova York, Londres e Milão. A abertura foi realizada por alunos do mestrado de vários países do Institut Français de la Mode (IFM), uma das instituições de moda mais prestigiadas do mundo. Ela prepara profissionais para entender a moda como sistema, não apenas como estética. Além disso, o primeiro dia contou com a presença de marcas como Hodakova, Vaquera e Julie Kegels. Os desfiles do primeiro dia aconteceram no Jardim das Tuileries. 

O evento começou com foco em novos designs, trazendo coleções que misturavam tradição e modernidade. Algumas marcas como Dior, Gucci e Fendi, têm investido em novos diretores criativos para renovar os códigos tradicionais das casas de moda. Os looks chamavam atenção por suas cores vibrantes e peças marcantes. A passarela foi organizada em formato circular, permitindo que o público tivesse uma visão completa do desfile. 

Vista aérea do palco da Paris Fashion Week 2026, com passarelas de vidro sobre espelhos d’água esverdeados, cercados por estruturas modernas e plantas aquáticas.
Palco dos desfiles da semana de moda de Paris 2026 no Jardim das Tuileries - Foto: @dior / Instagram 

A Hodakova, marca sueca fundada em Estocolmo, foi uma das primeiras a desfilar. A coleção foi assinada por Ellen Hodakova Larsson, fundadora e diretora criativa da marca e trouxe uma tendência de moda conceitual e sustentável. A paleta de cores, dominada por tons neutros e sóbrios, como preto, bege, cinza e off-white, evidenciava as formas e os volumes das peças. A grife investiu em costuras aparentes, sobreposição e proporções deslocadas. 

A Vaquera, grife norte-americana fundada em Nova York, também marcou presença com uma ideia de tensão entre perfeição e caos. Com coleção assinada pelos diretores criativos e também criadores da marca Patric DiCaprio e Bryn Taubensee, se reafirmou como uma das marcas mais excêntricas do cenário atual. Ela brincou com proporções e texturas, trazendo para a passarela silhuetas exageradas e uma estética que provoca reflexões sobre identidade. Assim, desafiando os códigos tradicionais da moda. 

As coleções apresentadas pelas marcas no início da semana de moda de Paris 2026, trouxeram um panorama inicial das propostas que foram exibidas ao longo dos demais dias. 

Modelos desfilam criações conceituais da Hodakova na Paris Fashion Week 2026, com looks experimentais feitos de materiais reaproveitados, incluindo peças esculturais e combinações minimalistas, em passarela intimista.
Desfile da Hodakova na semana de moda de Paris 2026 - Foto: Hodakova
Cartaz digital em estilo "DIY" e punk, com estética de xerox em preto e branco de alto contraste sobre um fundo branco. No topo, o texto em letras maiúsculas e levemente inclinadas diz "VAQUERA DÉFILÉ". Abaixo, as informações do evento: "MONDAY MARCH 2ND" (Segunda-feira, 2 de março) e o horário "8:30PM".
Post feito pela Vaquera no instagram para anunciar data e hora do desfile - Foto: @vaquera.nyc / Instagram

 

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Estilistas consolidam suas assinaturas criativas e reinventam elementos clássicos com frescor.
por
Helena Haddad
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10/03/2026 - 12h

No quinto dia da Paris Fashion Week Outono/Inverno 26-27, as direções artísticas mostraram como é possível honrar legados e, ao mesmo tempo, projetar novas visões nas passarelas. Os desfiles, realizados em locais históricos, têm reforçado as narrativas propostas. Confira os principais destaques das coleções.

Mugler

Marcando o segundo capítulo da sua trilogia para a Maison, Miguel Castro Freitas entregou a coleção The Commander (O Comandante). A ideia é revisitar os “clichês” da Mugler, os ombros afiados e arquitetônicos, a silhueta dramática e o power dressing

mugler
Foto/Divulgação: Mugler 

A narrativa contou com mulheres confiantes e em posição de comando. As ombreiras marcantes, inspiradas em uniformes militares, reforçaram essa figura de autoridade e, claro, a silhueta de ampulheta.
Cintos largos aparecem ao lado de bolsos utilitários, enquanto a alfaiataria surge como um dos principais destaques da coleção, em peças de diferentes cortes e em tons como azul, bege, roxo e preto. Na Mugler, o glamour esperado aparece em texturas metalizadas, lisas e plissadas, além do couro que molda o corpo

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Foto/Divulgação: Mugler 

Loewe

Na segunda coleção dos estilistas Jack McCollough e Lazaro Hernandez para a Loewe, marca espanhola, o desafio foi mesclar peças de verão, em uma temporada de inverno. Para os dois estilistas estadunidenses, a Espanha remete ao calor, que se manifesta nas cores, nas texturas e nas roupas.

loewe
Foto/Divulgação: Loewe

Na coleção, é possível encontrar peças de verão, muita influência do estilo esportivo. Os vestidos aparecem como toalhas. O tecido felpudo, na verdade, é resultado de pontos de tricô minuciosamente trabalhados. O látex e o couro coloridos fazem parte da essência da marca, junto do xadrez colorido.

loewe
Foto/Divulgação: Loewe

 Aqui, os diretores honraram as raízes divertidas da Maison, mas também imprimiram nelas sua própria marca


Givenchy


Sendo uma das únicas mulheres à frente de uma casa de luxo, Sarah Burton trouxe o protagonismo feminino de uma forma sexy e rígida.

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Foto/Divulgação: Givenchy

Nesta coleção, Burton desconstruiu e brincou com peças clássicas. A camisa social apareceu com as costas para a frente, trazendo um colarinho dramático e divertido. Para a estilista, não há um limite quando se trata de moda feminina, do vestido de oncinha ao terno elegante.

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Foto/Divulgação: Givenchy

Teve o inusitado couro estampado, o uso de estampas florais com franjas dramáticas e a renda preta combinada com acessórios extravagantes. Já seda apareceu no final do desfile. O ponto alto da coleção: top de jóias, feito de pedras e metais. A peça resgata um dos looks mais famosos da Givenchy, já usado pela cantora e rapper estadunidense Doechii, no Grammy deste ano. Uma verdadeira obra de arte.

givenchy
Foto/Divulgação: Givenchy

 

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Marca baiana reúne globais em desfile ultra colorido que celebra a cultura africana
por
Nina Januzzi da Gloria
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05/06/2023 - 12h

Meninos Rei trazem afrofuturismo e ancestralidade para o SPFW

Marca baiana reúne globais em desfile ultra colorido que celebra a cultura africana

 

 

Na quinta-feira (25) a grife Meninos Rei, comanda pelos irmãos Júnior e Céu Rocha, desfilou sua coleção Pop Ancestral, durante o SPFW (São Paulo Fashion Week). O tema escolhido pelos designers resgata as contribuições do povo africano para a história da sociedade, a partir de uma visão afrofuturista.

Baseado na cidade de Salvador, a grife é a queridinha de famosos, como Ivete Sangalo e Taís Araujo. Conhecida por suas estampas ultra coloridas, mantém suas raízes baianas e serve ao público um banquete visual com tecidos africanos que são importados da Guiné-Bissau. 

O patchwork- técnica artesanal com retalhos- característico do trabalho dos irmãos vem do desejo de ambos em criarem roupas que fogem do tradicional, contando mais sobre a trajetória e ancestralidade dos dois.

 

Meninos Rei. | Foto: Agência Fotosite

Roupa da coleção Pop Ancestral Foto: Agência Fotosite

Durante o desfile passaram pela passarela famosos como a cantora e ex-bbb Marvvila, o ator Samuel de Assis, a médica e também ex participante do Big Brother, Thelma Assis, o jornalista Manoel Soares e a apresentadora Larissa Luz, que desfilou enquanto cantava Elsa Soares.

A maquiagem do desfile foi assinada por Ju Coelho, que optou por um maxidelineado invertido e prateado, que conversava com os pontos brancos das roupas.

Meninos Rei. | Foto: Agência Fotosite

Maquiagem feita por Ju Coelho Foto: Agência Fotosite

A grife baiana por meio dessa coleção buscou mostrar a conexão entre passado, presente e futuro. Os looks foram marcados pelo afro futurismo, movimento que junta a ancestralidade africana – representada por cores vibrantes, animal print e estampas étnicas tradicionais - e a tecnologia, trazida na modelagem das roupas, como jaquetas puffer e mangas bufantes.

Feitos com recortes assimétricos, diferentes volumes e geometrias preto e branco, o estilo escolhido pelos estilistas confere a suas produções uma linguagem moderna e com personalidade, que segue a tendência street style, confortável e inclusiva da marca.

 

Meninos Rei | São Paulo | N55 — Foto: Divulgação/@agfotosite

Meninos Rei | São Paulo | N55 — Foto: Divulgação/@agfotosite

 

O afrofuturismo é um movimento estético que busca elementos para firmar o protagonismo negro em diversos âmbitos. O movimento trazido pelos irmãos busca colocar em destaque em sua nova coleção uma população que por muito tempo foi desprezada e deixada de lado, a abordando como elemento principal de sua própria história, a partir de uma visão futurista.

Durante o evento, a coreógrafa Tainara Cerqueira usou um look vermelho esvoaçante e trouxe vida as passarelas ao dar um show de dança afro, mostrando mais uma vez a intenção dos estilistas em celebrarem a cultura africana e suas tradições.

 

 

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No segundo dia da São Paulo Fashion Week, a estilista Isaac Silva levou as passarelas para a Ocupação 9 de Julho
por
Nina Januzzi da Gloria
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26/05/2023 - 12h

Com o tema “Banho de Axé”, inspirado na canção de Banho de Folha, de Luedji Luna, a grife de Isaac Silva teve seu desfile-manifesto montado em uma ocupação do movimento sem-teto, que fica no Centro de São Paulo. O evento ocorreu durante o dia 24 de maio (quarta-feira) e contou com a presença de diversos famosos, como os ex-bbs Gabriel Santana e João Luiz.

A escolha de Silva por essa locação não foi por acaso. A designer escolheu a Ocupação 9 de Julho para homenagear Carmen Silva, que trabalha e lidera o Movimento Sem-Teto do Centro [MSTC], e mostrar a importância e o objetivo do movimento. Além disso, a nova coleção ter sido exibida nessa localização, tinha como objetivo passar ao público a mensagem de que passou da hora de uma nova moda estar sob os holofotes.

Buscando passar a mensagem de inclusão e diversidade de sua grife para essa coleção, a estilista optou em suas roupas por modelagens e estruturas diversas, em comprimentos e formatos para todos os sexos e públicos, desfilados por pessoas de silhuetas e gêneros diversos. Entre o casting de modelos, a marca convidou moradores da ocupação para participarem.

Durante a passagem pela passarela, desfilaram looks jeans com dois diferentes tons, roupas estampadas, baseadas na obra da artista plástica Heloísa Ariadne, que contavam com detalhes em verde e off-white. Em seguida contando com a participação de figuras como, a cantora Jojo Todynho, Marcia Pantera e os ex-bbs Fred Nicácio e Tina Calamba, entraram produções com cores vibrantes e cheia de vida.

Algumas produções ainda contaram com a escolha do verde liso, como os que foram desfilados pelos convidados do MSTC e do jornalista Manoel Soares, que contavam também em seu look com a frase, slogan da grife, “Acredite no Seu Axé”.

A coleção também busca celebrar maneiras de se fazer roupas de uma maneira consciente, humanizada e ecológica. Para isso, as parcerias firmadas refletem o trabalho sustentável da marca, como exemplo temos a líder em produção de jeans no Brasil, Vicunha e a marca Glow Têxtil, que foi responsável pelas estampas da coleção.

Ainda seguindo a linha sustentável escolhida pela designer, os acessórios usados são feitos a mão por meio de processos de reciclagem de resina e são assinados pela marca MKWC. Outros adornos, como as bolsas-bola, feitas de fibras naturais, são de uma colaboração da grife de Silva com as artesãs quilombolas de São Lourenço de Goiana, em Pernambuco.

Ao final do evento Carmen Silva, e suas filhas Preta Ferreira e Kellen Wini, também desfilaram usando looks verde, finalizando o evento com uma bandeira do movimento MSTC, reafirmando assim a filosofia de inclusão da marca.

Desfile de Isaac Silva acontece no Centro de São Paulo e conta com a participação de famosos  Foto: Fabiano Battaglin/gshow
Desfile de Isaac Silva acontece no Centro de São Paulo e conta com a participação de famosos  Foto: Fabiano Battaglin/gshow
Jojo Todynho desfila para Isaac Silva Foto: Agência Brazil News / Elas no Tapete Vermelho
Jojo Todynho desfila para Isaac Silva
Foto: Agência Brazil News / Elas no Tapete Vermelho
Fred Nicácio Foto: Agência Brazil News / Elas no Tapete Vermelho
Fred Nicácio
Foto: Agência Brazil News / Elas no Tapete Vermelho

 

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A marca João Pimenta dá a largada na edição N55 da SPFW em um desfile comemorativo aos 20 anos da grife
por
Manuela Mourão
Helena Saigh
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24/05/2023 - 12h

A grife brasileira João Pimenta, que carrega o nome do estilista,  abre a quinquagésima quinta edição da São Paulo Fashion Week (SPFW), em clima de comemoração. A marca comemora seus 20 anos com um desfile no Theatro Municipal, local especial para João, repleta de figurinos inovadores que trouxeram o trabalho notório para os palcos.

João Pimenta é uma marca de alfaiataria masculina reconhecida internacionalmente, criada por um dos estilistas mais renomados da SPFW, de acordo com o site oficial da loja. Seus produtos variados, incluem calças de alfaiataria, camisas, blazers de alfaiataria, saias e vestidos, além de incentivar a inserção de uma moda livre de rótulos, na qual homens podem usar saias e vestidos, tanto quanto mulheres.

O desfile foi aberto ao público, com ingressos gratuitos, exigindo apenas a realização de uma reserva prévia, para garantir o controle da lotação do espaço. 

Com styling de Paulo Martinez, direção de Richard Luiz e Paulo Borges e beleza de Ricardo dos Anjos, o desfile foi dividido em 4 atos, divididos pela paleta de cores da coleção. Os tons variaram entre brancos, azuis, cinzas, metalizados e preto. 

A coleção “ópera fashion” de João se mostrou comemorativa, atual e ao mesmo tempo fiel a identidade da grife. O cowboy, o punk e o dândi, foram os personagens identificados na passarela. Jaquetas com franjas, rendas, chapéus e botas, trouxeram o cowboy, estilo que se popularizou nos últimos tempos no mundo da moda. O punk apareceu em peças de vinil, bastante pesadas e escuras, couro, brilho, patchwork, correntes e detalhes já conhecidos pelos fãs da marca: os crucifixos invertidos. E por fim, mantendo-se devoto ao estilo dândi, uma alfaiataria sofisticada e andrógina, com bastante sobreposição e volume.     

 

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Foto/divulgacão

A apresentação trazia como centro a dualidade entre uma obra teatral e um desfile, entre o figurino e a moda, o estilista e o artista. Essa característica honra perfeitamente a trajetória e a personalidade de João pelas passarelas e pelo teatro, além de reforçar o tema da Fashion Week Origens. 

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Foto/divulgação

O olhar da marca traz a proposta de que o figurino é livre para ser moda, e que não há regras para o vestuário.

Durante o desfile, foram apresentados cerca de 60 looks ousados, inspirados principalmente em uma mistura de festas religiosas do interior brasileiro, da subversão dos homens que moram em cidades grandes, referências históricas, com a presença de silhuetas vitorianas e a libertação de uma moda de gêneros e o ênfase ao andrógeno . "Depois de 20 anos, eu entendi que meu trabalho é assim. Se eu tenho um cliente que consome esse produto, por que eu não posso ser autêntico e fazer as coisas do jeito que eu acredito?", disse João, no final do desfile de ontem (22).
 

A passarela contou também com um texto escrito pelo diretor de teatro Gerald Thomas e ganhou vida na voz da atriz Vera Holtz, enquanto Fernanda Maia entregava uma trilha sonora ao vivo em um piano no palco. Para criar ainda mais um cenário teatral, as músicas se intensificavam durante certos momentos do desfile, as luzes piscavam e João Pimenta provava mais uma vez a qualidade de seu trabalho. 

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Foto/divulgação

 

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Espalhada pela capital paulista, a edição 55 da SP Fashion Week acontecerá entre 25 e 28 de maio com desfiles exclusivos no histórico Teatro Municipal
por
Manuela Mourão
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23/05/2023 - 12h

"Mantendo a proposta de ocupar a cidade de São Paulo, a edição 55 do Sp Fashion Week terá apresentações em diversos pontos importantes e icônicos da capital paulista", disse um porta-voz oficial do evento. O Komplexo Tempo, na Moóca, por exemplo, está localizado em um lugar histórico para a moda, em um bairro pioneiro da indústria têxtil e hoje considerado um polo de inovações na cidade.

A edição 55 da SPFW, busca explorar o tema Origens/Ressignificar e faz parte de uma trilogia iniciada em 2021, que traz uma reflexão sobre quem somos e o que nos torna um coletivo humano criativo, destacando a diversidade e a pluralidade de expressão artística e estética.

O evento inicia em grande estilo no dia 22, com o desfile de João Pimenta no Teatro Municipal para comemorar os 20 anos de marca. Outra grife que desfila antes da abertura oficial da semana de moda é a Isaac Silva, no dia 24 de maio, em um local ainda não divulgado. 

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Foto/divulgação

Este ano, a SPFW contará com 40 desfiles totais, desses sendo 31 presenciais e 9 fashion filmes que serão exibidos em uma tela de cinema do Shopping Iguatemi em uma sessão exclusiva no dia 24.  Além disso, a edição N55 contará com a estreia de 7 novas marcas: David Lee, Forca, Foz, Gefferson Vila Nova, Marina Bitu, The Paradise e Rafael Caetano. 

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Os ingressos variaram entre R$103 e R$1.782,50, sendo esta a segunda vez em que o evento abriu suas portas para o público pagante.  

 

LINE-UP

 

22 de Maio

 

20h João Pimenta (Theatro Municipal)

 

24 de Maio

 

10h Fashion Filmes (Iguatemi São Paulo) 

 

14h30 Isaac Silva (Externo) 

 

25 de Maio

 

10h Igor Dadona (Senac Faustolo) 

 

11h Gefferson Vila Nova (Senac Faustolo) 

 

12h30 Patrícia Viera (Iguatemi São Paulo) 

 

14h30 TA Studios (Iguatemi São Paulo) 

 

17h00 Ponto Firme (Externo) 

 

19h30 Localiza (Projeto especial)

 

20h30 Meninos Rei (Komplexo Tempo)

 

21h30 Martins (Komplexo Tempo)

 

26 de Maio

 

10h Rafael Caetano (Senac Faustolo) 

 

11h Ronaldo Silvestre (Senac Faustolo) 

 

12h30 Apartamento 03 (Iguatemi São Paulo) 

 

14h30 Mnisis (Iguatemi São Paulo) 

 

19h00 LED (Komplexo Tempo) 

 

20h30 Dendezeiro (Komplexo Tempo) 

 

21h30 The Paradise (Komplexo Tempo)

 

27 de Maio

 

10h Maurício Duarte (Senac Faustolo)

 

11h Silvério (Senac Faustolo)

 

12h30 Renata Buzzo (Iguatemi São Paulo)

 

14h30 Marina Bitu (Iguatemi São Paulo) 

 

16h30 Forca Studio (Externo)

 

18h30 Thear (Komplexo Tempo)

 

19h30 AZ Marias (Komplexo Tempo)

 

20h30 Santa Resistência (Komplexo Tempo)

 

21h30 Weider Silveiro (Komplexo Tempo)

 

28 de Maio

 

11h Fernanda Yamamoto (Externo)

 

17h30 Walério Araújo (Komplexo Tempo)

 

18h30 David Lee (Komplexo Tempo)

 

19h30 Greg Joey (Komplexo Tempo)

 

20h30 Lino Villaventura (Komplexo Tempo)

 

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O evento aconteceu na última segunda-feira (01/05) e trouxe como tema “Karl Lagerfeld: A Line of Beauty”, onde a figura central era o designer Karl Lagerfeld e sua carreira.
por
Bianca Athaide
Giovanna Montanhan
Giulia Fontes Dadamo
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06/05/2023 - 12h

Entenda o “polêmico” tema do Met Gala desse ano: 

Karl Lagerfeld, um dos mais célebres designers da história da moda, faleceu em fevereiro de 2019, deixando para trás um legado marcado pela sua genialidade artística e personalidade controversa. 

Ao longo de sua carreira, Lagerfeld trabalhou em diversas marcas, incluindo Chanel, Fendi, Balmain, Chloé e, a que levava seu nome, Karl Lagerfeld. Conhecido por suas opiniões e falas polêmicas, muitas vezes era alvo da crítica pública.

Em 2012, foi acusado de racismo por ter chamado a cantora americana Rihanna de "aborígene". Após a repercussão negativa do comentário, ele se desculpou publicamente. Além de Rihanna, Lagerfeld ofendeu outra famosa cantora, Adele, em 2012. Durante uma entrevista, ele afirmou que achava a britânica "um pouco gorda demais’’, o que o colocou novamente no holofote. 

Dando sequência às polêmicas, em 2017, Lagerfeld foi acusado de plagiar uma criação do designer de jóias americano Brad Kroenig. Kroenig afirmou que Lagerfeld havia copiado uma de suas criações sem sua permissão.

O designer também esteve envolvido em uma polêmica em relação ao movimento #MeToo. Karl afirmou que acreditava que a mobilização -  que começou com atrizes hollywodianas denunciando casos de assédios no cenário envolto as produções cinemátográficas - havia ido longe demais e também criticou as mulheres que denunciaram casos de assédio e abuso sexual na indústria da moda. As declarações foram amplamente criticadas nas redes sociais. Personalidades influentes da indústria mostram repúdio, como a modelo Gigi Hadid, que afirmou que Lagerfeld "estava fora de sintonia com os tempos".

Logo após as declarações, Lagerfeld se desculpou novamente e afirmou que suas palavras haviam sido mal interpretadas. 

Outra situação desagradável envolvendo o designer, foi em 2018 quando Lagerfeld foi acusado de apropriação cultural após o desfile que apresentava a coleção de primavera da Chanel, em Paris. A linha de inspiração foi baseada na cultura africana, mas muitos afirmaram que as criações não receberam consulta específica e apresentaram pouco respeito às tradições do continente.

Dando continuidade às polêmicas do ano de 2018, Lagerfeld foi criticado por fazer comentários problemáticos sobre refugiados durante uma conversa com a apresentadora da TV alemã, Anne Will. Sendo ele de origem alemã, o designer afirmou que a chanceler Angela Merkel havia cometido um "erro fatal" ao permitir que mais de um milhão de refugiados entrassem na Alemanha.

Ainda assim, em contrapartida a todas as suas polêmicas, não há como refletir sobre a história da moda do século 20 e não citar Karl Lagerfeld. Seu nome estará para sempre marcado nas maiores maisons da indústria. 

 

Met Gala Looks - Um Overview: 

Anna Wintour 

A diretora global de conteúdo da Vogue vestiu um modelo Chanel Alta Costura 2023, em cores neutras.

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Foto: Getty Images

 

Dua Lipa

A cantora Dua Lipa, uma das co-anfitriãs da noite, usou um vestido comprido branco Chanel Alta Costura Inverno de 1992. De acordo com a Harper 's Bazaar dos Estados Unidos, as jóias foram estimadas em cerca de 10 milhões de dólares.

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Foto: Getty Images

 

Penélope Cruz

A atriz espanhola Penélope Cruz, outra das co-anfitriãs da noite e embaixadora da Chanel, vestiu o clássico vestido vintage de noiva. O modelo era um Chanel Alta Costura Primavera 1988.

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Foto: Getty Images / Jamie McCarthy

 

Nicole Kidman 

A atriz usou o mesmo vestido que estrelou no comercial do perfume No5 da Chanel, em 2004, que foi dirigido por Karl.

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Foto: Reprodução Getty Images 

 

Olivia Wilde 

A atriz e diretora vestiu um look Chloé, um modelo em formato de violino lançado em 1983. 

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Foto: David Fisher/Shutterstock

 

Michaela Coel

A atriz, também co-anfitriã da noite, vestiu um modelo exclusivo da Schiaparelli, esculpido com 13.000 cristais.

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Foto: Getty Images

 

Gisele Bündchen

A supermodelo fez sua primeira aparição pública após o divórcio com o jogador de futebol americano Tom Brady. Ela vestiu um Chanel Alta Costura Verão 2007.  Essa foi a segunda vez que usou o mesmo vestido, ele foi usado inicialmente durante um editorial para a revista Harper’s Bazaar da Coréia, que continha o styling assinado por Karl Lagerfeld.

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Foto: Reprodução Harper's Bazaar - UOL

 

Naomi Campbell

A modelo vestiu um Chanel Alta Costura 2010. Um clássico vestido espiral indiano em tom rosê e muitos brilhos prateados.

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Foto: Reprodução / The Fashionista Stories

 

Anitta

A cantora brasileira vestiu um modelo sob medida por Marc Jacobs em preto e branco, cores clássicas da Chanel que Karl perpetuou durante seu trabalho na marca. As botas brilhosas de plataforma fazem parte da coleção de Alta Costura Verão 2023. As jóias, colar e brinco - de  diamantes, platina e safira laranja - foram assinadas pela grife Tifanny & Co, além de acessórios como relógios da marca Roger Dubuis e luvas.

 

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Foto: Getty Images

 

Jared Leto

O vocalista da banda 30 Seconds to Mars ousou, e foi vestido de Choupette - a gatinha de estimação do estilista Karl Lagerfeld.

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Foto: Reprodução/ Getty Images

 

Kim Kardashian

A empresária vestiu um modelo da grife italiana Schiaparelli em tons de bege e branco, sem deixar de lado a sensualidade e ousadia. O look usado no tapete vermelho remete a um look usado por ela anteriormente, quando foi capa da Playboy em 2007. Para compor este visual, foram necessárias 50 mil pérolas verdadeiras e 16 mil cristais que ajudaram a torná-lo icônico e similar ao estilo que a Chanel propunha, durante a gestão de Karl Lagerfeld.

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Foto: Getty Images / Jamie McCarthy

 

Kendall Jenner

A modelo – uma uma das modelos queridinhas de Karl – vestiu um look assinado pelo estilista Marc Jacobs, com toques de referência a identidade visual de Lagerfeld

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Foto: David Fisher/Shutterstock

 

Kylie Jenner

A empresária, que é a nova garota propaganda da Jean Paul Gaultier, vestia um modelo assimétrico e vibrante assinado da marca que foge do clássico P&B.

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Foto: David Fisher/Shutterstock

 

 

Doja Cat

A rapper teve sua estreia no tapete vermelho do MET e fez jus ao seu nome artístico ‘’cat ‘’ (que em tradução livre, significa gata em inglês) e vestiu-se como Choupette, –  a gata herdeira de todo o patrimônio de Karl – em um vestido modelo sereia, do estilista Oscar de la Renta. A maquiagem também estava de acordo com o dress code que ela escolheu, a prótese de nariz de gato trouxe ainda mais inovação para a composição do look.

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Foto: Theo Wargo/Getty Images/AFP 

 

Anne Hathaway

A atriz vestiu Atelier Versace, um modelo feito de tweed –  clássico tecido da Chanel, inspirado no vestido de 1994 que Elizabeth Hurley usou. Enfeitado com pérolas e alfinetes que trouxeram a essência de um vestido genuinamente assinado por Donatella Versace.

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Foto: Getty Images

 

Billie Eilish

A cantora Billie Eilish apareceu usando um vestido preto feito sob medida com transparência e luva 7/8 assinado por Simone Rocha. Além de presilhas no cabelo que deram um ar vintage para o visual.

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Foto: Getty Images

 

Cardi B

A rapper mudou o tom de seu cabelo para o platinado em homenagem a Karl, com um vestido bem justo na parte de cima, na parte de baixo repleto de camélias em tamanho grande (flor que é a marca registrada da Chanel). O visual todo foi assinado por Thom Browne. Além de estar usando preto e branco - cores tradicionalmente lembradas como “as cores da Chanel”.

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Foto: Kevin Mazur / MG23 / Getty Images

 

Rihanna

A cantora e empresária ousou em um Maison Valentino da Alta Costura Inverno 2019. Seu look reverência as noivas de Karl e traz à tona novamente o elemento da noite: as camélias, em muito volume e quantidade

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Foto: Getty Images

 

Lizzo

A cantora Lizzo foi outra personalidade que usou e abusou das pérolas para compor seu look. O modelo escolhido é do ano de 1991 e foi retirado do acervo da Chanel.

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Foto: Dimitrios Kambouris / Getty Images 

Jeremy Pope

Um dos looks mais marcantes do evento foi assinado pela grife francesa Balmain. Quem o vestiu foi o ator e cantor Jeremy Pope, com todo o styling marcado por Oliver Rousteing e com uma cauda longa que exibia o perfil de Karl Lagerfeld.

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Foto: Getty Images

 

Oliver Rousteing

O primeiro homem negro a assumir o império de uma grife francesa, usou Balmain – marca assinada por ele mesmo –para compor este look. Utilizou uma ecobag inspirada em um modelo que o próprio Karl usou em 2009. A produção também foi marcada pelo uso de preto e pérolas nos acessórios, o que legitimou a essência Chanel.

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Foto: Reprodução / Getty Images

 

Paris Hilton

A socialite foi outra personalidade que fez sua estreia no baile mais famoso do mundo. Marc Jacobs foi a grife escolhida. Ela exibia no pescoço um colar preto com a flor camélia – marca registrada da Chanel, além de vestir um salto plataforma.

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Foto: Getty Images

 

Viola Davis

A atriz EGOT apareceu com um vestido rosa choque da Maison Valentino, trabalhado com diversas plumas na parte superior. Um fato curioso é que essa era a cor que Karl Lagerfeld mais detestava.

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Foto: Jamie McCarthy / Getty Images

 

Lil Nas X

O artista sensação do momento foi o que mais surpreendeu na noite, ao aparecer de fio dental e com o corpo todo cravejado de pérolas, 218.783 cristais e 5 mil pedras. Segundo a revista Page Six, a caracterização levou em torno de 10 horas para ser concluída e foi feita pela maquiadora Pat McGrath.

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Foto: Reuters

 

Lily Colins

A estrela da série Emily em Paris modelou em um vestido feito sob medida pela estilista Vera Wang – conhecida por desenhar vestidos de noiva; ela estava com uma saia preta que estampava o nome KARL em letras grandes brancas, como uma forma de homenagear o designer alemão.

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Foto: Dimitrios Kambouris / Getty Images 

 

Jennie Ruby

A vocalista da banda de K-pop BLACKPINK, além de ser embaixadora da Chanel, fez seu debut no evento pela primeira vez. Ela escolheu usar um vestido da marca de Alta Costura da coleção de Inverno de 1990, também com as respectivas cores que remetem à grife.

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Foto: Getty Images

 

Cara Delavigne

A modelo que teve um contato próximo com Karl fez uma releitura moderna de uma sessão de fotos com a Chanel de 2013, usando a peruca do ensaio junto com uma versão da icônica camisa branca do estilista.

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Foto: Getty Images

 

Jenna Ortega

Já a estrela da série da Wandinha, – de muito sucesso em 2022 – conseguiu combinar a homenagem ao estilista com a identidade de sua personagem; exibindo um look todo preto, uma blusa transparente com um laço e um bolero de tweed como sobreposição.

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Foto: Getty Images

 

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