Entenda como o setor de vestuário pode ser impactado pelo avanço das IAG
por
Rafael Pessoa
Annick Borges
Davi Madi
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09/06/2026 - 12h

Neste podcast buscamos falar sobre o futuro da moda. Para isso, conversamos com Maria Rita Castro, analista de sistemas e graduada em Moda e Gestão de Marketing, que compartilhou sua visão sobre os rumos da indústria diante do avanço das inteligências artificiais generativas. Ao longo da conversa, procuramos entender como a inteligência artificial generativa (IAG) pode impactar a criação, a produção e os empregos no setor da moda, além dos desafios e oportunidades que essa tecnologia traz para profissionais e empresas. O programa é acompanhado pela música "All By Myself", da banda Whilk & Misky, em versão remix. (Imagem de capa: gerada por IA)

Confira o programa no link

 

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Após pausa em abril Closetarquive retoma vendas em sua página
por
Gabriel Marx Giannini
Pedro Timm
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08/06/2026 - 12h

Na terça feira (19/05), a curadoria Fashion Closetarquive voltou à tona com novas roupas publicadas. Criada em fevereiro de 2026, a loja ganhou destaque com peças raras e exclusivas, dificilmente encontradas no Brasil. Após um começo empolgante, a página ficou parada por mais de um mês, retomando as atividades em maio.  O Closet é uma curadoria de peças de roupas principalmente já usadas, surgindo pela paixão de três amigos em moda, que queriam usar o dinheiro das vendas para reforçar ainda mais seus armários. Porém, a ideia deu muito certo e hoje o que era para ser um hobby, tornou-se o grande negócio dos três idealizadores. No começo as vendas eram para amigos e famílias, e hoje tem compradores no Brasil inteiro.  

A empolgação do público-alvo parte do ótimo trabalho de campo dos donos da página, que buscam as peças nos lugares mais diversos de São Paulo, desde salinhas escondidas na República, até fornecedores brasileiros no Japão. Para ter contato com diferentes vendedores, os criadores tiveram que passar meses se relacionando com os mais diversos nichos ligados ao Fashion, seja o movimento Punk, o Trap, o Rap entre outros. Essa identificação com o Closet, vai além da escolha das peças. A curadoria se destaca também com a estética da página no Instagram (@closetarquive), publicações com designs punks para catalogar as peças, e músicas pertencentes aos nichos consumidores. Esses aspectos são parte da experiencia que os criadores proporcionam para os compradores, trazendo um sentimento de pertencimento a cultura. 

Essa forma de aproximar o comprador é um dos diferenciais da página. Enrico Baruzzi, sócio do Closet, em entrevista à AGEMT, explica: "a gente acredita que o nosso “second hand” vai trazer a sensação de pertencimento para aquelas pessoas que querem consumir nosso produto através de reconhecimento, então quando a gente está apresentando nossas peças tentamos ao máximo apresentar um ecossistema que a gente introduzindo aquele consumidor. Então a música que está ali naquele produto a gente coloca algo condizente com aquela temática que a gente daquele passar até o próprio design de como a peça é anunciada pensando nisso”, diz.  

A página ficou parada por um mês, devido à dificuldade de estoque, para desespero dos clientes, e Pedro Bruni, também sócio explica: “Tivemos um mês de pausa porque as peças demoram pra rotacionar, o que a gente vem tentando fazer é agora, temos um estoque de peças fixas que são peças com valor mais caro, que são nossas peças chefe, além disso a gente tem que ter peças de uso diário para rotacionar os posts semanalmente. Aí quando vende uma dessas peças grandes a gente consegue comprar várias peças pequenas, mas quando sai só peças pequenas aí fica mais difícil, às vezes tem que parar, segurar um pouco estoque para conseguir seguir o planejamento mensal de publicações”, desabafa Bruni. 

A página pretende manter o padrão, post semanais de 3 a 6 peças, tentando evitar o problema de abril. No primeiro lançamento da volta, em 2 dias, 4 das 6 peças foram vendidas, e se continuar nesse ritmo os donos pretendem mudar as formas de venda “se o pessoal continuar comprando... vai ter uma surpresa no segundo semestre”, diz Baruzzi. 

Na segunda metade deste ano, a meta da curadoria é caminhar para venda presencial, tentando ter mais contatos com os públicos do nicho, a ideia é fazer vendas em garagens com data específica, trazendo a estética de banda de rock. Porém tudo depende da vontade dos compradores e do tamanho que a página vai ter até lá, por enquanto a página vem crescendo nas redes, e se destacando pela estética única apresentada, conquistando compradores a cada dia.  

 

foto/reprodução :texto apresentação do Closetarquive
foto/reprodução: texto apresentação da curadoria 

 

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Evento reuniu marcas, experiências interativas com testagem de produtos e distribuição de brindes
por
Laura Vieira
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03/06/2026 - 12h

O festival que acontece anualmente na capital de São Paulo trouxe o universo do K-pop para a edição deste ano. Localizado na Avenida Paulista, trinta marcas de produtos sul-coreanos estiveram presentes entre os dias 22 e 24 de maio, realizando demonstrações, apresentando novidades do mercado e distribuindo amostras. Para participar da dinâmica, o visitante precisava apenas fazer um breve cadastro com nome e CPF, ao chegar na recepção do local. A ativação gratuita ganhou espaço no Centro Cultural Coreano para aproximar o público da K-beauty.

A K-beauty é uma sigla para Korean Beauty ou 'beleza coreana’, em tradução literal. Com a popularização da cultura sul-coreana, a busca por rotinas de skincare cresceu significativamente entre os brasileiros. A moda começou em 2010, mas ganhou impulso a partir de 2018 com o sucesso de K-dramas e grupos de K-pop, que despertaram a curiosidade sobre os cuidados para ter a pele hidratada, uniforme e com brilho natural, chamada de efeito glass skin.

O que torna a skincare coreana atrativa para os brasileiros é a diferença entre os cuidados com a pele. Em vez de focar na correção, ela busca a prevenção dos danos a longo prazo. Os dermocosméticos possuem ingredientes naturais que entregam o efeito desejado sem agressividade, além de possuírem um preço mais acessível. Entre eles, estão ingredientes como a mucina de caracol, centelha asiática, niacinamida, chá verde e peptídeos que entregam fórmulas leves, eficazes e funcionais. 

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Exposição de produtos sul-coreanos de skincare acessível ao grande público Foto: Laura Vieira/AGEMT

Nos estandes das marcas, representantes auxiliavam os visitantes a entender não apenas o conteúdo e a proposta dos cosméticos disponíveis, mas também quais itens eram mais adequados para cada tipo de pele. Essa interação alcançou também os especialistas da área da estética que buscavam novidades do mercado para seus clientes. 

Representando a Myuri, curadoria que traz produtos da marca Nine Tails para o Brasil, Roberta Uyara disse à AGEMT que a presença na Virada Cultural foi uma experiência positiva tanto para a marca quanto para o público. “Tivemos conversas muito interessantes sobre cuidados com a pele, ingredientes e diferentes necessidades dos consumidores, além de apresentar a Nine Tails e tecnologias que ainda são novidade para muitas pessoas no Brasil”, contou. 

A presença do K-pop na edição deste ano do festival reforçou o avanço constante da cultura coreana no Brasil. A relação do brasileiro com a K-beauty não se resume à tendência passageira, tem a ver com uma maior busca por produtos que reúnam qualidade, tecnologia e informação, como aponta Roberta “o evento mostrou que o consumidor brasileiro está cada vez mais interessado em entender o que existe por trás dos produtos”. Ela ainda reforçou que iniciativas como esta são importantes para ampliar o acesso às marcas e conceitos que estão chegando no mercado nacional.

Ao final da visitação, mesmo quem não realizou compras, podia garantir amostras e levar um item para casa. Para conseguir os brindes, bastava entrar na fila, responder a um questionário e tentar a sorte na roleta. Entre as opções distribuídas estavam tônicos, séruns, máscaras faciais e protetores solares. Quem publicasse fotos ou vídeos da experiência nas redes sociais utilizando as hashtags oficiais da ação ganhava um mimo extra.

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Com referências nostálgicas e uma trilha sonora carregada de memórias, a estilista emocionou amigos e parentes
por
João Luiz Freitas
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28/05/2026 - 12h

Na quarta-feira (27), foi apresentada a nova coleção “Alda”, da Mondepars, marca brasileira fundada por Sasha Meneghel. Em um vídeo divulgado no Instagram da marca em 20 de maio, Xuxa narra a história por trás da coleção e explica que ela é uma homenagem à sua mãe.

Detalhes de um dos visuais apresentados no desfile da Mondepars
Detalhes de um dos visuais apresentados no desfile da Mondepars - Foto: Reprodução Mondepars

Muitos detalhes das roupas se ligaram a momentos da história dos familiares, como golas diferentes, adereços de cabeça e capas curtas que remetem a fase da vida em que Alda morou em um convento. Outras peças contavam com os quadris acentuados, ombreiras marcantes, calças abauladas e pantalonas, além de bolsos diferenciados que fazem referência a momento em que Agenor, bisavô de Sasha, estava treinando para ser militar.

Desfile da Mondepars de Inverno, 2026
Desfile da Mondepars de Inverno, 2026 - Foto: Reprodução/Live Mondepars

A apresentação do desfile construiu novas memórias familiares. João Lucas, marido de Sasha, em colaboração com Ana Arietti, foi responsável por assinar a direção artística do desfile. No meio da passarela, foi instalada uma representação da primeira casa em que Xuxa morou, em Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, feita com um tecido semelhante à organza.

Representação da primeira casa de Xuxa Meneghel
Representação da primeira casa de Xuxa Meneghel - Foto: Reprodução/Live Mondepars

No final do desfile foi tocado um áudio antigo da avó de Sasha, em que ela canta “Estrela do Mar”, de Dalva de Oliveira. Essa era uma música que ela cantava em dias muito chuvosos para acalmar os filhos, que ficavam amedrontados com o mau tempo. Xuxa e amigos de Sasha, como Bruna Marquezine, emocionaram-se com a finalização do desfile.

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Após 20 anos, Miranda Priestly e Andy Sachs voltam às telas com releitura de looks e novos conceitos artísticos
por
Lara Manasseh
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23/05/2026 - 12h

Em 30 de abril, “O Diabo Veste Prada 2” chegou aos cinemas e trouxe de volta as personagens principais do elenco original. Dirigido por David Frankel e ambientado em Nova York, no cenário da moda atual, o foco está nos figurinos, que trazem uma releitura de peças antigas para representar as personagens em suas atuais fases de vida. O longa mostra Miranda Priestly (inspirada em Anna Wintour e interpretada por Meryl Streep) em crise enquanto a personagem de Anne Hathaway, Andy Sachs, tenta ajudá-la. Em geral, o figurino acompanha as mudanças pessoais dos personagens e as mudanças do próprio mundo da moda.

A figurinista do primeiro filme, Patricia Field, também responsável pelo figurino de “Sex and the City”, deu lugar a Molly Rogers, que havia trabalhado com ela no primeiro longa. Rogers afirmou em entrevista que as expectativas dos produtores e do público em geral eram altas, e que o processo de escolha dos looks foi feito a partir de viagens e busca de peças de acervo das marcas que ela considerava relevantes para a construção da narrativa e dos personagens. Entre os destaques de figurino na cobertura midiática estão a icônica jaqueta de franjas da coleção outono/inverno 2025 da Dries Van Noten, usada por Meryl, e o vestido de verão escolhido para Anne Hathaway, da estilista uruguaia Gabriela Hearst. 

Anne Hathaway como Andrea Sachs andando pela calçada, falando no telefone, usando um vestido colorido
Anne Hathaway como Andy em Diabo Veste Prada 2 com vestido de Gabriela Hearst/ Reprodução: Instagram, The Devil Wears Prada Costume 
Meryl Streep como miranda no filme Diabo Veste Prada 2 usando uma jaqueta de franjas
Meryl Streep como Miranda em Diabo Veste Prada 2 usando jaqueta de franjas Dries Van Noten/ Reprodução: Instagram, The Devil Wears Prada Costume

O figurino de Miranda continua o de uma personagem poderosa, que impõe distanciamento aos demais. Em entrevista à AGEMT, a consultora de moda Ana Vaz confirmou que o uso de alfaiataria e peças estruturadas com tons mais sóbrios - seguindo a ideia de “luxo silencioso”, uma elegância discreta que valoriza a qualidade e materiais nobres - é uma forma de marcar a posição da personagem: “O foco nos ombros e cortes acentuados, atualmente, é associado à autoridade, ao contrário dos anos 2000, quando o primeiro filme foi lançado”.  

Ainda assim, o figurino foca no excêntrico. A jaqueta mais artística e o visual marcante da personagem ao chegar à cafeteria para uma reunião de última hora traduz o sentimento de deslocamento vivido por ela naquele ambiente, completa Ana Vaz. 

Já a personagem Emily (interpretada por Emily Blunt) manteve a identidade eclética e estilosa do primeiro filme, mas com foco na sua trajetória de alta executiva da Dior. As peças combinavam alfaiataria com sobreposição, botas de cano alto e acessórios marcantes, compondo uma estética mais rebelde em contraponto ao estilo clássico de Miranda. “Pegar um laço da Dior e dar um toque gótico a ele, combinaria com a personagem”, declarou a figurinista em entrevista ao New York Times. Além disso, todo o time de estilistas tinha interesse em vestir a personagem, o que ocasionou até briga.

O figurino de Andy Sachs (Anne Hathaway) no primeiro filme passa por uma transformação, marcando a entrada da personagem no mundo fashionista. “Na continuação, existe a figura de uma mulher que se desvinculou da ideia artística da moda para ser levada a sério como jornalista, mas ainda assim busca blazers e roupas de boa qualidade de segunda mão em brechós”, afirmou Vaz. Isso mostra que, após sua experiência na Runway há 20 anos, ela “aprendeu alguma coisa”, segundo a própria personagem. Um momento significativo no final do filme foi a volta do famoso suéter cerúleo em forma de colete, pontuando a trajetória dela. 

Anne Hathaway no primeiro filme de Diabo Veste Prada usando um casaco azul enquanto fala no telefone
Anne Hathaway como Andy em Diabo Veste Prada/ Reprodução Instagram, The Devil Wears Prada Costumes 


Também fica evidente a diferença entre o estilo das personagens mais experientes e o da nova geração. A atriz inglesa Simone Ashley que interpretou Amari Mari, nova assistente de Miranda, teve seu figurino marcado por referências contemporâneas e ousadas. As produções combinavam acervos de marcas relevantes como Jean Paul Gaultier, Dolce & Gabbana e Thom Browne, misturando cores vibrantes e acessórios inusitados, como um cinto feito de gravata. O visual da personagem traduz, segundo Molly Rogers, a energia criativa e irreverente da nova geração.

Para além do figurino, a narrativa de compra da Runway, vinda do dono de uma gigante da tecnologia e as mudanças estruturais que ele causaria na revista são uma referência clara à aproximação de Jeff Bezos da Vogue. Os rumores de que ele compraria o conglomerado Condé Nast, companhia de publicação da revista,  para a sua mulher começaram após o financiamento do Met Gala e a colocação de sua esposa, Lauren Sanchez, na capa da Vogue de junho de 2025. 

Os desafios atuais do mundo editorial, como a influência crescente das redes sociais no mercado, a digitalização das revistas, a redução dos investimentos em campanhas de moda e o uso cada vez mais amplo da inteligência artificial pelas marcas, aparecem no filme por meio de diálogos e conflitos centrais na trama, muitas vezes, alvo das críticas da personagem Miranda. 

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Conhecido por suas peças exclusivas feitas à mão em colaboração com artesãs brasileiras e pelo impacto positivo que causa no cenário da moda
por
Giovanna Montanhan
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07/08/2024 - 12h

Nesta terça-feira (06), ocorreu a estreia do designer brasileiro na semana de moda de Copenhague. A coleção ‘Roadtrip’, de primavera/verão 2025, faz parte de uma extensão que foi apresentada no último São Paulo Fashion Week, em 2023 

O estilista João Maraschin é gaúcho, natural de Caxias do Sul. Ele se mudou para Londres, onde mora há mais de seis anos, após trabalhar como assistente do designer Ronaldo Fraga. Durante sua estadia, adquiriu experiência trabalhando com marcas renomadas como JW Anderson, Gucci e Alexander McQueen. Em 2020, fundou sua marca homônima .

Sustentabilidade pode ser a palavra-chave para definir suas criações, que envolvem o trabalho de muitas artesãs, tecendo o que nenhuma máquina, nem a mais tecnológica do mercado, poderia fazer. Por esse motivo, a etiqueta estreou na semana de moda de Copenhague, que é inteiramente dedicada a marcas que têm a responsabilidade ambiental como um pilar fundamental.

A semana de moda de Copenhague teve sua primeira edição em 2006. Em 2010, começou a se destacar no cenário global por firmar um compromisso com a sustentabilidade, assim como a própria cidade já era conhecida por sua abordagem avant-garde (termo que designa caráter vanguardista e inovador), em relação ao meio ambiente. Isso impulsionou significativamente o evento, que veio a adotar práticas mais ecológicas em suas apresentações. Em 2012, a organização começou a implementar iniciativas para reduzir seu impacto ambiental, incluindo o uso de materiais reciclados. Em 2020, o comitê da CPFW estabeleceu metas ambiciosas para reduzir as emissões de carbono, cujo objetivo final era promover o desperdício zero até 2023 e continuar fomentando a moda circular.

Para a revista Harper 's BAZAAR, João explicou o motivo pelo qual escolheu continuar apresentando a coleção 'Roadtrip' neste evento e afirmou: '’Não há mentoria ou dinheiro, mas um acompanhamento para seguir planos de transformar o impacto negativo em positivo. É uma prática muito única na indústria, onde a sustentabilidade é usada como ferramenta de marketing e greenwashing. Esta é a semana que mais condiz com meus valores e com o que a marca significa’’.

O estilista executou uma coleção extremamente sofisticada, sem deixar de lado o trabalho manual, que é o protagonista de todas as suas criações. A partir disso, o streetwear ganhou uma nova roupagem, com novas texturas, cores e transparências.

 Há quem diga que moletons não são bem o que se espera quando falamos em moda de verão, especialmente em um país tropical. No entanto, o trabalho de João Maraschin se diferencia ao permitir que a brasilidade das peças floresça na delicadeza dos detalhes, como na presença das rendas, dos crochês e do macramê.

Esta coleção ainda passará por Paris e Milão, retornando para São Paulo em outubro para a edição N58 da São Paulo Fashion Week, encerrando este ciclo. 

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Foto: Getty Images

 

 

 

look 2
Foto: Getty Images

 

 

look 3
Foto: Getty Images

 

 

 

 

look 4
Foto: Getty Images

 

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A escolha do uniforme brasileiro não agradou o público e COB afirma que o foco é outro.
por
Bruna Quirino Alves
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26/07/2024 - 12h

 

O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) estreou o uniforme que será usado pela delegação durante as Olimpíadas deste ano, sediada em Paris. O design do uniforme utilizado na cerimônia de abertura foi criado pela Riachuelo, uma das maiores redes varejistas do país. 

As roupas consistem em blusas listradas, verdes e amarelas, calças brancas para os homens e saias abaixo do joelho para as mulheres, além de jaquetas jeans personalizadas por bordadeiras de Timbaúba dos Batistas, no Rio Grande do Norte. 

Atletas em fila vestindo o uniforme olímpico em evento
Atletas desfilam vestindo o uniforme em evento no Rio de Janeiro. Foto: Alexandre Loureiro/COB

 

Segundo o COB, as roupas foram pensadas e produzidas a partir de um processo de confecção sustentável e artesanal, tendo em mente o conceito de moda circular e a valorização da biodiversidade brasileira. 

Porém, a modelagem das roupas não atendeu às expectativas do público (nem de alguns atletas), que chegou a demandar que os uniformes fossem refeitos por outras marcas. Estilistas renomados no país, como Weider Silverio e Mayara Jubini, pontuaram que a simplicidade e a modéstia que as peças apresentam não refletem a cultura brasileira, além da falta de representação indígena nos modelos, que é uma das maiores heranças do país. 

Os uniformes apresentados por delegações de outros países evidenciam a falta de identidade brasileira nas peças nacionais. Os trajes de outras equipes trouxeram, além de referências culturais notórias, autenticidade e elegância na estética - se destacando na mídia.

O modelo que mais chamou a atenção nas redes sociais foi o da Mongólia. As peças foram assinadas pela grife de luxo Michel & Amanzoka, das irmãs e designers Michel Choigaalaa e Amazonka Choigaalaa. A modelagem foi inspirada nas vestimentas tradicionais do país: túnicas e mangas longas. Conta com bordados de símbolos relevantes na cultura mongol, como o Sol e a Lua, e um falcão — como símbolo de força e resiliência. Também possuem homenagens às Olimpíadas, com a tocha e o emblema dos Jogos de Paris presentes nos bordados.

Modelos vestindo o uniforme da Mongólia
Uniforme da Mongólia apresentado pela grife Michel & Amazonka. Foto: Divulgação/Michel&Amazonka

Paulo Wanderley, presidente do Comitê, conversou com jornalistas na base do Time Brasil na França e rebateu as críticas ao uniforme afirmando: “'Não é Paris Fashion Week, são os Jogos Olímpicos”. Outros executivos do comitê opinaram de acordo com o presidente, dizendo que ainda escolheriam o mesmo uniforme – que supostamente apresenta “elementos da moda parisiense”. 

Alguns fatores podem ter passado despercebidos nessa discussão: o fato de Paris ser a sede olímpica e um dos berços da moda aumentou as expectativas do público quanto à estética das roupas, principalmente pela exposição que os Jogos trazem para os países e para as marcas que produzem os uniformes. 

Além disso, dar a entender que moda e esporte não se misturam é um contrassenso, principalmente quando as últimas décadas da história da moda provam o contrário. 

Muitas grifes renomadas começaram suas produções com um propósito voltado para o esporte, como a Lacoste por exemplo, que desenvolveu a camisa polo para ser usada durante partidas de tênis, com o propósito de facilitar a mobilidade dos jogadores. O famoso tênis All Star, da marca Converse, foi idealizado para jogadores de basquete e foi utilizado no esporte por anos. 

Nos dias de hoje, o sportwear é uma dos segmentos mais relevantes da moda e atletas também são reconhecidos por sua relação com a moda, além do âmbito esportivo. 

Lewis Hamilton, piloto de Fórmula 1, se consolidou como um ícone fashion, dentro e fora das pistas. O piloto deixa claro sua afeição pela moda e suas escolhas de look chamam atenção pelas estampas chamativas e o uso de formas e cortes ousados.

Lewis Hamilton em macacão preto e branco do estilista Rick Owens
Lewis Hamilton vestindo Rick Owens no Grand Prix de Imola. Foto: Stefano Guidi/Getty Images

Nas Olimpíadas, Sha’Carri Richardson é uma atleta que vai roubar os holofotes. A atual campeã mundial dos 100 metros rasos mantém sua autenticidade durante as provas de atletismo. 

Sha’Carri esbanja o maximalismo em acessórios e seus diferentes tipos de penteados, desde laces coloridas até tranças, porém sua marca registrada são as suas unhas. A velocista usa unhas longas, coloridas e em diversos formatos enfeitadas com pedrarias. 

Em entrevista para a revista KSL Sports, a atleta estadunidense afirma querer trazer beleza para as pistas de atletismo. 

Sha’Carri quer se sentir bonita nas competições, assim como fora delas e suas unhas, segundo ela, além de aumentarem sua autoestima, também melhoram sua aparência enquanto compete. 

 

Moda e esporte nunca andaram tão juntos quanto agora. 

Sha'Carri Richardson mostrando suas unhas
Sha’Carri Richardson exibindo suas unhas. Foto: Divulgação/Instagram

 

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Confira os principais destaques dos quatro dias de evento na capital francesa
por
Gabriela Jacometto
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03/07/2024 - 12h

       Tendo início no século 19, a alta-costura chegou ao público através do designer de moda inglês Charles Frederick Worth. Enquanto o mesmo residia na França, o designer começou a apresentar suas peças quase inteiramente prontas e suas coleções já finalizadas, diferentemente do que era comum na época.  

     Tal método revolucionou a moda e deu origem a um novo modo de produção, no qual costureiras, alfaiates e modelistas passaram a ganhar mais reconhecimento, elevando ao o status de artistas e deixando de apenas prestarem serviços, com a abertura de seus próprios ateliês.

      Em 1868, é fundada a associação de alta-costura francesa, que passou a se chamar apenas “Chambre Syndicale de la Haute Couture”. Atualmente, a organização  faz  parte da “Fédération de la Haute Couture et de la Mode”, a responsável pela indústria de moda na França, e que organiza suas semanas de desfiles. 

      Na semana do dia 24/06 a 28/06 aconteceu em Paris os desfiles das coleções de “haute couture” (Alta-Costura) inverno de 2024. Com a presença das principais marcas de luxo da indústria internacional, o evento celebrou a exaltação do belo.

 

      SCHIAPARELLI 

   No primeiro dia do evento , tivemos a estreia dos desfiles com Schiaparelli de Daniel Roseberry, atual diretor criativo da marca.  O desfile foi marcado por ares de mudança no que se diz respeito à própria marca, diferente dos desfiles anteriores, uma aura sombria e misteriosa tomou conta do Hôtel Salomon de Rothschild, local em que foi apresentada a coleção. 

   Com combinações preto e branco, texturas remetem a penugens e bordados prateados, Roseberry inovou e trouxe novos volumes esculturais, de formas criativas e intrínsecas, com looks mais envolventes, sinuosos e provocantes. E claro, trazendo sempre homenagens e referências a Elsa Schiaparelli, criadora da marca.  

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Foto: Cortesia Schiaparelli

 

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Foto: Reprodução instagram (@schiaparelli.archives)

 

   

     CHANEL 

     Após a saída surpresa de Virginie Viard, do comando criativo da marca, a Chanel seguiu seu ritmo e apresentou sua coleção de alta costura desenvolvida pelo próprio time de ateliê e design da ex- diretora. Situado na Ópera de Paris e composto por 46 looks, o desfile foi marcado pelos bordados preciosos e os detalhes românticos como laços e flores, em casamento com as mangas com babados. O look de abertura desfilado por Victoria Ceretti chamou atenção e marcou a atmosfera de como seria a coleção: Uma capa bufante combinada com uma hot pants. 

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Foto: Isidore Montag / Gorunway.com

 

    Os tailleurs de comprimento mídi também foram destaque, principalmente pelas plumas e cristais bordados.

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Foto: Isidore Montag / Gorunway.com

   

    E como é de costume na Chanel, o desfile foi encerrado pelo look de alta-costura de noiva, um vestido longo remetendo aos anos 80 com bastante volume, mangas e bordados glaceados e com uma saia quase balonê.  

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Foto: Isidore Montag / Gorunway.com

 

    

      ELIE SAAB

     A marca do estilista libanês Elie Saab, retornou mais uma vez às passarelas com uma coleção de alta-costura que referencia o próprio trabalho do estilista e designer. O primeiro look foi um vestido sereia justo em veludo preto, que diferentemente do que é esperado de Elie sugeria um tom mais dramático ao desfile, sem nenhum acessório. A inspiração, segundo Saab, foi  uma referência a seu trabalho nos anos 90 e como o mesmo se manteve consistente durante esses anos. 

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Foto: Filippo Fior / Gorunway.com

 

 

    O desfile foi marcado pela progressão de peças pretas para tons profundos de rubi e verde-esmeralda, com variações de formas sinuosas e elegantes. Os bordados foram os principais elementos em várias criações , com ornamentos de floreios, penas e apliques de flores. 

   Em contraponto à paleta noturna, Saab apresentou peças  em dourado que são consideradas por muitos sua marca registrada, trazendo um lado mais extravagante da feminilidade. 

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Foto: Filippo Fior / Gorunway.com

 

   O brilho das lantejoulas prateadas enfeitavam os vestidos mais suntuosos e generosos em volume. O final foi um pico de luxo, com o vestido la mariée que misturava tule blush, com bordados em arabesco de ouro claro, e uma cauda majestosa. Digno de um encerramento de um desfile de alta-costura.

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Foto: Filippo Fior / Gorunway.com

 

   

     BALENCIAGA

    Sendo a quarta coleção de alta-costura sob o comando do estilista  Demna, essa com certeza foi a mais subversiva em sua rejeição à formalidade e às elegâncias típicas do métier, se não das silhuetas de Cristóbal Balenciaga. O diretor criativo  adotou as mangas 3/4, os formatos de casulo e os chapéus elaborados de costureiro, mas adicionou o seu diferencial nos tecidos  utilizados: jeans, couro, agasalhos, moletons, bien sûr, unindo-os a um material de mergulho acetinado, que o ajudou a atingir suas formas esculpidas. 

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Foto: Cortesia Balenciaga

 

   Conforme o desfile progredia, o diretor se movia para as silhuetas noturnas extravagantes associadas à alta-costura, só que elas eram feitas de retalhos de jeans e parkas coloridas que pareciam ter sido reaproveitadas das coleções anteriores de Demna para a marca.  

   Diferenciando apenas com novos tecidos e técnicas; um vestido coluna foi feito de sacolas plásticas derretidas moldadas no corpo, e um modelo sem alças foi construído com papel alumínio dourado.  

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Foto: Cortesia Balenciaga

 

    As peças pediam que você reconsiderasse as maneiras pelas quais atribuímos valor às roupas e a razão que consideramos uma coisa preciosa e a outra não. O look final foi uma nuvem rodopiante de nylon preto, construído um pouco antes do desfile, uma peça de “costura efêmera” que virá acompanhado de 3 staffs da própria marca para a sua montagem para a cliente que comprar. 

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Foto: Cortesia Balenciaga

 

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Exposição homenageia trigésimo aniversário de carreira de um dos maiores nomes da moda brasileira
por
Helena Maluf
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28/06/2024 - 12h

A exposição "Alexandre Herchcovitch: 30 anos além da moda" ambientada no Museu Judaico de São Paulo é uma forma de celebrar a impactante carreira do renomado estilista brasileiro. A exibição ficará em cartaz até 08 de setembro, com entrada gratuita aos sábados. 

Herchcovitch, um dos nomes mais influentes da moda no Brasil e no mundo, é conhecido por suas criações ousadas, inovadoras, polêmicas e cheias de personalidade. A mostra  revisita todos os momentos mais icônicos de sua trajetória, nos conectando com a sua história.

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Roupas do estilista penduradas ao longo da exposição. Foto: Helena Maluf                                                                                                                                                                                         

Desde cedo Alexandre Herchcovitch demonstrou interesse pelo universo da moda, incentivado por sua mãe, Regina, que era modelista. Seu talento começou a florescer na adolescência, quando iniciou suas primeiras criações. A partir daí, sua carreira se desenvolveu rapidamente, levando-o a estudar moda na Faculdade Santa Marcelina, onde se formou em 1993.

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Convites para os primeiros desfiles do estilista. Foto: Helena Maluf 

Logo no início de sua carreira, Herchcovitch chamou a atenção por suas criações inovadoras e por seu estilo único, que desafiava as convenções da moda tradicional. Sua estética, muitas vezes marcada por uma mistura de elementos punk, góticos e fetichistas, rapidamente ganhou notoriedade. Na década de 1990, ele se tornou um dos principais nomes da moda brasileira, desfilando suas coleções na São Paulo Fashion Week e, posteriormente, em outras importantes semanas de moda internacionais, como Nova York, Paris e Londres.

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Telas presentes na exposição, onde era possível assistir os seus primeiros desfiles. Foto: Helena Maluf                                                                                                                                                                                                                                                                             
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Pôster de campanha para uma de suas coleções. Foto: Helena Maluf                                                                                                                                                                                             

A exposição está dividida por uma linha de tempo, que percorre  toda a mostra, cada “parada” dedicada a uma época diferente da carreira e da vida do estilista. Desde suas primeiras criações até suas coleções mais recentes, a exibição  oferece uma visão abrangente de sua trajetória, destacando tanto suas conquistas profissionais quanto suas influências pessoais.

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Uma parte da linha do tempo exposta. Foto: Helena Maluf                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                      

Uma das seções mais importantes, e controvérsias, da exposição é dedicada à era “sadomasoquista” de Herchcovitch, mostrando ensaios fotográficos, acessos e peças de roupas as quais o artista foi bem criticado na época por fazer. Porém, hoje em dia, são consideradas peças de vestuário extremamente icônicas no mundo da moda. 

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Sapato com um salto de aproximadamente 1 metro de altura. Foto: Helena Maluf                                                                                                                                                                                               

 

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Vestido preto de seda com recortes reveladores, acessorizado com uma máscara preta de couro. Foto: Helena Maluf                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    

A exposição também aborda o impacto de Herchcovitch na moda brasileira e internacional, destacando sua influência sobre uma geração de novos estilistas e sua capacidade de transcender fronteiras culturais. Suas coleções, frequentemente inspiradas por temas como a identidade de gênero, sexualidade e política, refletem sua visão de mundo única e sua habilidade de usar a moda como uma forma de expressão artística e social.

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Convite de um de seus desfiles imitando um bilhete único. Foto: Helena Maluf                                                                                                                                                                                  
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Alguns acessórios e colaborações que o estilista fez com outras marcas. Foto: Helena Maluf

A exposição convida os visitantes a considerar a moda não apenas como uma forma de vestuário, mas como uma linguagem poderosa e versátil, capaz de expressar ideias, provocar reflexões e inspirar mudanças.

O legado de Herchcovitch é evidente não apenas nas peças expostas, mas também nas histórias e memórias que elas evocam. Sua capacidade de inovar, desafiar normas e incorporar elementos culturais diversos em suas criações estabeleceu novos padrões na indústria da moda e continua a influenciar estilistas e criadores ao redor do mundo

A semana da moda masculina em Milão trilhou novos caminhos para a indústria com criatividade e esperança
por
Maria Laura de Medeiros Varzea
|
26/06/2024 - 12h

Depois da Segunda Guerra Mundial, a indústria da moda alavancou seu próprio desenvolvimento e  ganhou um espaço enorme no cenário econômico mundial. Na Itália, isso não foi diferente. O conceito da alta-costura acabara de ganhar notoriedade, e foi em Florença que os desfiles ganharam vida. No ano de 1958, criou-se a Câmara Nacional da Moda Italiana. Como resultado, os desfiles e marcas de luxo passam a ser cada vez mais considerados importantes por cidadãos de todo o mundo. Em junho de 2024 a capital recebeu, mais uma vez, uma semana de moda com direito a passarelas de luxo dedicadas exclusivamente ao men'’s wear.  

Na Fashion Week de Milão (primavera/verão 2025), vários olhares se curvaram para a entrada de Adrian Appiolaza na Moschino, com a coleção "Lost and Found" ("Achados e Perdidos"). A perspectiva inovadora do novo diretor criativo da marca mistura moda e nostalgia. A era do empoderamento "bossy" ("mandão" ou "mandona", em inglês) foi desmanchada a partir do momento que blazers começaram a se mostrar como vestidos, tops com clipes de papel e jaquetas cheias de post-its. 

 

Moschino, Milão 2025
Moschino Spring 2025 
Foto: Umberto Fratini/ Gorunway.com

 

Zegna

Alessandro Sartori, diretor artístico da Zegna, criou uma atmosfera semelhante a um campo de linho em sua passarela. Sua inspiração vem da relação entre o homem e a natureza, e isso se dá a partir das lâminas de linho confeccionadas em metal e os tons terrosos presentes na paleta de cores como o terracota, o bege e o amarelo. "Oasi of Linen" ("Oásis de Linho") quis evidenciar a riqueza desse material, ao mesmo tempo em que faz jus a ideia da coleção. 

Zegna, Milão, 2025
Zegna, Milão 2025
Foto: Filippo Fior/ Gorunway.com
 


Gucci

 

Dessa vez, o local escolhido pela Gucci para o lançamento de sua nova coleção foi o "Triennale Milano", uma clássica galeria de arte construída em 1930. Sabato De Sarno, diretor criativo da marca, utilizou da arquitetura e da iluminação da casa a seu favor. As peças transmitem um ar jovial e surfista, com conjuntos gráficos de shorts e camisas, chinelos e óculos de sol pendurados por uma gargantilha da maison. Camisetas polo, e peças um pouco mais justas também foram destaque, assim como as cores: tons de magenta, amarelo e verde. Tipicamente de De Sarno, enfeites floridos foram acrescentados aos looks, trazendo mais sofisticação para roupas feitas para serem usadas no dia-a-dia. 

Gucci, Milão 2025
Gucci, Milão 2025
Vogue Runway

 

Giorgio Armani

 

Armani lançou sua coleção deste ano de forma discreta. O estilista vem fazendo isso durante toda a sua carreira, prefere evitar conjuntos extravagantes e desmedidos. Armani prefere minimalismo e elegância atemporal, evitando tendências passageiras e cenários elaborados de desfile.

As peças de alfaiataria desconstruídas com um toque de extravagância, proporções generosas, camisas e coletes translúcidos, e uma paleta de cores clássica de Armani em tons de cinza e marinho.

O espírito viajante, outra marca registrada do estilista, também esteve presente na coleção. Estampas nebulosas de folhas de palmeira e chapéus de palha ou algodão evocavam destinos exóticos e um clima de descontração. Armani, "Il Maestro", foi aplaudido de pé após o fim do desfile. 

Giorgio Armani, Milão 2025
Giorgio Armani, Milão 2025
Foto: Isidore Montag/ Gorunway.com
 

JW Anderson

 

Jonathan Anderson obteve inspiração através dos princípios da hipnoterapia, técnica terapêutica de hipnose. Equilibrando o estranho com o sedutor em um estilo impecável, Anderson apresenta uma série de peças que desafiam as expectativas e aguçam os sentidos. 

Inicialmente, três looks estrearam a passarela; jaquetas acolchoadas over-sized, coletes e cardigans de malha. Anderson soube utilizar as medidas das roupas a seu favor, limitando ou ampliando as proporções das peças , com silhuetas alongadas ou encurtadas e gravatas enormes que desafiam as

normas. Saliências de cetim colorido e camisetas acolchoadas e redondas conferem um toque escultural às peças.

Alguns trajes também traziam memórias e sonhos que foram retraídos no subconsciente. De acordo com o diretor criativo , parte de seu entusiasmo aconteceu em sua última viagem ao festival de música Primavera Sound, na Espanha; "A experimentação de roupas entre as gerações mais novas é incrível. (...) O olhar da moda masculina e feminina mudou. As pessoas querem algo realmente desafiador". 

JW Anderson, Milão 2025
JW Anderson, Milão 2025
Foto: Umberto Fratini/ Gorunway.com
 

Martine Rose

 

O desfile da britânica Martine Rose foi marcante. Espectadores especularam como Rose conseguiria trazer sua característica underground para as passarelas italianas. O show aconteceu em um prédio industrial recheado de panfletos da marca pelo chão. As modelos desfilavam com narizes prostéticos e perucas que se arrastavam pelo chão. 

Homens utilizavam saias lápis ajustadas  ao corpo, ou calças cortadas para parecerem polainas. Camisetas de futebol encolhidas e mais justas, e diversas referências à vida noturna. A coleção celebrou  a individualidade e a expressão autêntica, independentemente da idade ou das expectativas sociais, referenciando também a vida noturna e seus códigos de vestimenta abundantes, criando uma conexão autêntica com a estética urbana da designer.

Martine Rose, Milão 2025
Martine Rose, Milão 2025
Foto: Isidore Montag/ Gorunway.com
 

Prada 


O depósito de Fondazione Prada recebeu uma nova instalação: uma cabana branca elevada por palafitas. De fora, luzes piscantes simulavam que uma grande festa acontecia lá dentro. Miuccia Prada e Raf Simons, co-diretores criativos da

marca, descreveram o espaço como uma "ravescape de conto de fadas", onde a coleção celebrava "liberdade, otimismo juvenil e energia".

  A ideia era ter peças que pareciam já ter "vivido uma vida", com silhuetas dinâmicas e propositalmente deformadas, encolhidas e exageradas. Mangas curtas, como se as peças tivessem sido emprestadas ou trocadas, camisas tortas e calças estreitas caídas na cintura e acumuladas nos tornozelos, criavam uma estética descolada e autêntica. A coleção também brincava com a percepção, desafiando o que os olhos viam. Camisetas bretãs trompe l'oeil com listras distorcidas, "cintos" de couro na cintura baixa que na verdade eram parte das calças e enormes óculos de sol com lentes adornadas com fotos de raves, estátuas romanas e estradas americanas criaram um clima surreal e desorientador. As estampas do artista Bernard Buffet, usadas "como uma camiseta de show", adicionam um toque artístico à coleção. Acessórios como bolsas de ombro com alças trançadas e sandálias de plataforma reforçavam a estética descontraída e jovem. "

Prada, Milão 2025
Prada, Milão 2025
Foto: Umberto Fratini/ Gorunway.com
 

Emporio Armani

 

Nesta temporada, a  Armani transportou seu homem urbano habitual para a selva, explorando temas de aventura e desinibição. A paleta de cores terrosas dominou a coleção, com tons de verde musgo, marrom profundo e cáqui. 

Camisas largas e volumosas combinavam com calças amplas e botas robustas, inspiradas no mundo equestre. A alfaiataria impecável da Armani se fez presente em jaquetas estilo safári e quimonos fluidos, enquanto o foco na cintura era constante, marcado por cintos em jaquetas utilitárias e detalhes em couro que realçam os blazers leves e descontraídos. 

O desfile chegou ao fim com um toque inesperado: um aroma de lavanda pairava no ar enquanto modelos vestidos com lederhosen (calças de couro tradicionais alemãs) percorriam o espaço carregando cestos de flores primaveris. A natureza,mesmo que domesticada nesse contexto, permeia toda a coleção, criando uma atmosfera única e memorável.

Emporio Armani, Milão 2025
Emporio Armani, Milão 2025
Foto: Umberto Fratini/ Gorunway.com
 

Fendi

 

Silvia Venturini Fendi, diretora das coleções masculinas e de acessórios da casa, revelou ter se inspirado em um mergulho profundo no rico arquivo da Fendi para criar essa coleção. Celebrando o centenário da marca romana neste ano, a designer concebeu um brasão comemorativo composto por quatro dos motivos mais icônicos da Fendi, incluindo o famoso emblema duplo F, que adornava suéteres e camisas na passarela. Essa estética conferiu à coleção um ar de time do colégio, algo que Venturini Fendi já havia mencionado em entrevistas pré-desfile, expressando seu desejo de que a Fendi se sentisse como um time ou clube. 

Suéteres listrados de rugby e gravatas combinando desfilavam lado a lado com jaquetas xadrez, blazers escolares e uma versão divertida da camisa de futebol. O resultado foi um uniforme coeso para o clã Fendi – e sua ampla base de fãs internacionais – ostentar com orgulho neste ano marcante do centenário da marca.

Fendi, Milão 2025
Fendi, Milão 2025
Foto: Daniele Oberrauch/ Gorunway.com
 

Dolce & Gabbana

 

Inspirados nos verões italianos despreocupados, Domenico Dolce e Stefano Gabbana criaram uma coleção que exala elegância descontraída. A ráfia, um elemento clássico da mobília italiana, se destaca como um dos materiais principais da coleção. Tecida em jaquetas de verão arejadas e camisas pólo oversized, a ráfia evoca a sensação de frescor e leveza dos dias ensolarados. 

A alfaiataria impecável, marca registrada da marca, permanece presente, com destaque para os paletós trespassados ​​combinados com calças plissadas que se ajustam na barra, remetendo à década de 1950. 

Para um toque de personalidade, a coleção é enriquecida com detalhes bordados e ornamentais. Ramos de flores vermelhas delicadas adornam calças e jaquetas brancas, conferindo romantismo e elegância à silhueta.

Dolce & Gabbana, Milão 2025
Dolce & Gabbana, Milão 2025
Foto: Isidore Montag/ Gorunway.com
 

MSGM

 

No sábado pela manhã, Massimo Giorgetti celebrou 15 anos da sua marca MSGM com um desfile de moda masculina ambientado em uma antiga garagem industrial nos arredores de Milão. A coleção, inspirada no mar e com uma estética limpa e gráfica, foi apresentada em um cenário vibrante de explosões de tinta em cores primárias contra caixas de Perspex que revestiam a passarela. Giorgetti explicou que a coleção fez referência às pinceladas ousadas e aos motivos gráficos que se tornaram a sua assinatura ao longo dos anos, reinterpretados aqui em uma variedade vibrante de estampas. 

Padrões náuticos, margaridas coloridas e impressões pictóricas de cenas litorâneas,  evocaram as memórias do designer de sua casa à beira-mar na Ligúria, perto de Portofino, onde a coleção foi idealizada. A atmosfera do desfile era a personificação do verão mediterrâneo. Com sua energia positiva e vibrante, o desfile transportou os convidados da Milão nublada para a ensolarada Riviera italiana.

MSGM Milão 2025
MSMG, Milão 2025
Foto: Umberto Fratini/ Gorunway.com

 


 


 

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