Premiação a Frankenstein desperta debate sobre a nova vida do estilo gótico
por
João Calegari
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26/03/2026 - 12h

A consagração de Frankenstein no Oscar 2026 ganhou forma pela minúcia da produção: o filme levou a estatueta de Melhor Figurino pelo trabalho da figurinista Kate Hawley, o que reconhece uma construção visual que extrapola a recriação de época. Em uma categoria marcada pela diversidade estética, a vitória reafirma o peso das escolhas visuais na narrativa e consolida o longa de Guillermo del Toro como um dos grandes destaques técnicos da premiação. Além de despertar olhares ao estilo norteador do filme, o gótico.

Porque na indústria cinematográfica atual, se engana aquele que acredita nas decisões editoriais realizadas ao acaso. A produção não se trata apenas de um bom processo na confecção de roupas, mas de decisões que fazem parte de um projeto: voltar os holofotes culturais para o estilo gótico novamente.

A parceria entre Guillermo del Toro e Kate Hawley não é de hoje, os dois trabalham juntos desde “Círculo de Fogo”, filme lançado em 2013. O diretor conta que fazia reuniões periódicas com Kate meses antes da produção se iniciar. Nelas, del Toro apresentava diversas convicções sobre os figurinos: havia uma necessidade de peças modernas, a produção não poderia se basear em uma  simples recriação de época. Por outro lado, Hawley apresentava a estética do romantismo gótico para os figurinos, proposta determinante para que o filme adquirisse a estética de “sonho melancólico”.

Foto: Personagem Elizabeth usa vestido volumoso branco em meio a uma sala escura.
Personagem Elizabeth usa vestido volumoso branco em meio a uma sala escura. / Fonte: Netflix

O filme dirigido por Guillermo del Toro adapta o clássico de Mary Shelley, de 1818, para uma nova linguagem. A obra original é considerada pelo imortal da Academia Brasileira de Letras, Ruy Castro, como o primeiro grande exemplar das histórias de horror modernas, além de ser o grande precursor do gênero de ficção científica. 

“O clássico conta a história de um horrendo ser, que ao despertar para o mundo, torna-se consciente de que é um monstro, rejeitado por todos” - Ruy Castro

A definição de Ruy também serve de modelo para a ótica gótica de se ler o mundo, já que essa estética se propõe a representar os rejeitados. A produção monumental proporcionada pela Netflix sugere um novo ritmo para a modernidade, assim como todo o estilo gótico. 

Foto: Arco de catedral no estilo gótico / Fonte: Pxhere.
Arco de catedral no estilo gótico / Fonte: Pxhere.

É óbvio traçar o paralelo, a história original questiona a ambição humana ao criar seres que não se encaixam nos seus contextos. Assim como eram os edifícios que se mostravam gigantes derretendo em uma época de erudição regrada. Assim como, uma criatura de Victor Frankenstein decide se revoltar contra uma “elite do saber”. Ou, então, um trabalho de figurinos que decide inovar em meio ao clássico ao invés de uma simples recriação de uma época.

Talvez seja esse último que fez com que o trabalho de Hawley se destacasse em meio aos indicados ao prêmio de melhor figurino no Oscar. Uma vez que as propostas de Hamnet: A vida antes de Hamlet, Marty Supreme e Pecadores possuíam a recriação de períodos históricos como princípio norteador. A exceção entre os indicados é Avatar, por se tratar de uma produção com estética fantasiosa.

Foto: Personagem Elizabeth segura um crânio enquanto usa vestido verde com adereço de penas na cabeça. / Fonte: Netflix.
Personagem Elizabeth segura um crânio enquanto usa vestido verde com adereço de penas na cabeça. / Fonte: Netflix.

O gótico sempre foi uma forma cultural de lidar com os medos de uma época. No século XIX, ele refletia angústias ligadas ao avanço científico e à ruptura com antigas tradições religiosas, temáticas que são ainda mais atuais hoje do que no período de publicação do livro. 

Nesse sentido, o sucesso de Frankenstein (2025) revela também uma mudança no próprio cinema de horror. Se recentemente o gênero foi associado a necessidade de sustos rápidos e entretenimento descartável, produções como a de Del Toro reafirmam o potencial artístico e filosófico dessas narrativas. O gênero do terror volta a ser tratado como espaço de reflexão estética e existencial.

A criatura está sentada no contraluz de um sótão, um dos momentos em que percebe ser rejeitado por seu próprio criador. / Fonte: Netflix.
A criatura está sentada no contraluz de um sótão, um dos momentos em que percebe ser rejeitado por seu próprio criador. / Fonte: Netflix.

Na irregularidade formal das peças do filme, se vê um contraste claro. A obra acompanha um cenário de rigor anatômico, porém, nos trajes mais impactantes do longa, é perceptível um objetivo de perversão desse tecnicismo através dos excessos.

Tal lógica de excesso e simbolismo se estende às joias, assinadas pela Tiffany & Co., que empresta ao filme peças raríssimas de seu acervo. Colares como o “The Wade” e o “The Beetle” não funcionam apenas como ornamento, mas como extensão da própria construção estética do longa. Foi a primeira vez que a casa de joias novaiorquina reuniu obras de arquivo e peças contemporâneas em uma produção cinematográfica.

A peça mais emblemática da obra, o vestido de apresentação da personagem Elizabeth, interpretada por Mia Goth, é a prova disso. Elizabeth é o ideal de Lady europeia do Século XVIII, é guiada pelo cuidado e empatia. É, portanto, a grande antítese do protagonista.

O vestido é volumoso e ganha transparência em contato com a luz, mas o que chama atenção mesmo é o adereço de cabeça feito de penas, que aparenta orbitar a cabeça da personagem, elemento que transmite a sensação onírica proposta por Kate Hawley.

croqui do vestido de Elizabeth ilustrado na campanha promocional do filme. /Fonte: Netflix.
Croqui do vestido de Elizabeth ilustrado na campanha promocional do filme. /Fonte: Netflix.

Mas além dele, o filme é recheado por outros vestidos com silhuetas dramáticas e exageradas, tecidos pesados e volumes acentuados. Mas além disso, na maioria das cenas, a direção de del Toro propõe a escuridão como elemento transformador dos figurinos de Hawley. Todos se engrandecem no escuro, ganham novas formas nas cenas de contraluz e assim, a escuridão ganha protagonismo na obra. 

Vestido da personagem Elizabeth em luzes escuras, destacando a variedade de tecidos do vestido / Fonte: Netflix
Vestido da personagem Elizabeth em luzes escuras, destacando a variedade de tecidos do vestido / Fonte: Netflix

Por fim, a vitória de Frankenstein no Oscar de figurino não representa apenas um prêmio técnico. Ela simboliza a necessidade de questionar o universo cultural em que estamos inseridos. Ao pautar o retorno do gótico, estamos remodelando a forma de se observar os comportamentos sociais por meio das manifestações artísticas. É notável que a estética gótica propõe uma nova forma de se observar um mesmo mundo. 

A criatura usa vestes de sobreposição enquanto veste um capuz. Está sozinho em um lago congelado. / Fonte: Netflix
A criatura usa vestes de sobreposição enquanto veste um capuz. Está sozinho em um lago congelado. / Fonte: Netflix

 

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Duas das casas mais importantes da atualidade exploram seu legado e aproveitam para se reinventar
por
Liz Ortiz Fratucci
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17/03/2026 - 12h

No último domingo (8), em Paris, Jean Paul Gaultier e McQueen marcaram o sétimo dia da Semana de Moda parisiense, com coleções que revisitaram a história de suas casas.

Desde a aposentadoria de Jean-Paul Gaultier das passarelas em 2021, a maison adotou um modelo rotativo para a direção criativa: toda temporada um designer diferente é convidado para reinterpretar os códigos deixados por Gaultier. Para a coleção de Outono/Inverno 2026, Duran Lantink foi convidado para assumir brevemente a direção de criação pela segunda vez. O legado da marca foi revisitado por Lantink através da subversão de gêneros e de peças provocadoras e irônicas.

O designer apresentou um equilíbrio entre o novo e as homenagens. Sua experiência na criação de volumes resultou na reinterpretação de clássicos da casa, como o corset, as silhuetas estruturadas e os jogos de trompe-l’œil - técnica artística que utiliza perspectivas e ilusionismo para criar a ilusão de ótica - que marcaram a carreira de Jean-Paul Gaultier.

O fundador da marca homônima é notório por misturar elegância e teatralidade. Em seus desfiles, a passarela transformava-se em um espetáculo performático com personagens, humor e apresentações visuais que iam além das peças. Lantink, dialoga com esse universo lúdico ao apresentar personagens western, esportistas e que evocam vilões de cinema.

Jean Paul Gaultier FW26. Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier
Jean Paul Gaultier FW26.
Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier
Jean Paul Gaultier FW26. Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier
Jean Paul Gaultier FW26.
Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier

 

“Explorar a tensão psicológica entre a interioridade e a exterioridade; performance e paranoia…” explica Seán McGirr, no release, o que ele quis retratar nessa temporada. Assim como McQueen, McGirr usa filmes como inspiração. “Safe” de 1995 influenciou a coleção à explorar temas como ansiedade, identidade e tensão psicológica. 

Com uma trilha sonora inquietante assinada por Ag Cook - colaborador frequente da cantora Charli XCX - o designer apresentou sobretudos usados como vestidos curtos, botas que chegavam até os joelhos e mini saias que evocavam a moda dos anos 60 de Mary Quant. 

Por baixo dos blazers acetinados, surgiam blusas com flores bordadas à mão e outras aplicações que remeteram a escamas. Alguns dos looks apresentaram peças de crochê feitas com material metálico.

A herança de Alexander McQueen foi resgatada por meio de calças de cintura baixa com aprofundamento na parte de trás, conhecida como “bumsters”. A clássica bolsa Knuckle Clutch também teve uma releitura, enquanto um cachecol estampado com caveiras retomou um dos símbolos mais reconhecíveis da Alexander McQueen.

Ao final do desfile, são introduzidos vestidos esvoaçantes feitos de organza, rendas e cetim. McGuirr deixa claro que a renda não surge apenas como ornamento, mas como um elemento íntimo que revela o interior. A coleção encerra com uma noiva com um vestido e um gorro inteiramente brancos e bordados com flores. 

McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
 
McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
 



 

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Alfaiataria precisa, romantismo gótico e referências a diretores criativos antecessores marcaram os desfiles do sexto dia.
por
Liz Ortiz Fratucci
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11/03/2026 - 12h

No último sábado (7), em Paris, Celine, Ann Demeulemeester e Balenciaga estiveram entre os principais desfiles do dia. As coleções apresentaram diferentes leituras dos códigos de cada maison, combinando referências a seus arquivos com as interpretações de seus atuais diretores criativos.

“Eu acredito que a Celine é o lugar que você vai encontrar peças lindamente cortadas e uma silhueta mais fina” disse Michael Rider, o diretor criativo da Celine, em entrevista para Vogue. Para Rider, a tendência do oversized presente na última década está começando a sair de cena e por isso, nessa nova coleção, ele volta a enfatizar silhuetas mais ajustadas e uma alfaiataria precisa.

Em suas duas últimas coleções para a marca, o designer trouxe a estética preppy para as passarelas. Porém, nessa coleção ele apresenta um estilo diferente, focado na alfaiataria: casacos e ternos com ombros estruturados e calças flare encurtadas. 

Os acessórios causam dissonância no styling: chapéus em formato de sino e cachecóis aparecem cobrindo o rosto das modelos; alguns homens aparecem usando coroas de penas; colares ou brincos maximalistas compõem alguns dos looks.

O desfile foi ambientado em um salão inteiramente branco, com grandes amplificadores de som de aparência vintage espalhadas pelo espaço. Nas caixas de som, músicas do norte-americano Prince se misturavam a um mix de rock que reforçava a atmosfera de banda de garagem da coleção.

modelo celine
Celine FW26. Foto: Divulgação/Celine
 
Celine FW26. Foto: Divulgação/Celine
Celine FW26. Foto: Divulgação/Celine

Na Ann Demeulemeester, a coleção foi exibida na Couvent des Cordeliers de Paris e foi chamada de “Dear Night Thoughts”, expressão que o diretor criativo da marca, Stefano Gallici, usava quando criança ao começar a escrever uma nova página em seu diário.

A locação do desfile já foi usada anteriormente pela marca por possuir uma arquitetura medieval e sombria que complementa a atmosfera poética e melancólica característica da maison. 

Nessa temporada, o DNA da marca foi resgatado por looks monocromáticos pretos, saias com camadas fluidas e silhuetas andróginas e alongadas. A coleção foi composta por peças de estética colegial, blazers com brasões, jaquetas militares, capas de ombro com golas que remetiam a era vitoriana, punhos e colarinhos com rufo (babados ou pregas franzidas, geralmente aplicado em golas ou punhos), camisetas por cima de camisas, vestidos de renda, cadarços longos que saíam das camisas e balançavam ao caminhar, além de peças de couro com franjas.

Em meio a um casting diverso, o cantor inglês de rock, Billy Idol, fez uma participação surpresa e desfilou vestindo uma capa de couro preta com franjas, colete preto, camisa branca com gola rufo, calças pretas e botas de couro. 


 

Ann Demeulemeester FW26. Foto: Divulgação/Ann Demeulemeester
Ann Demeulemeester FW26. Foto: Divulgação/Ann Demeulemeester
Billy Idol na passarela da Ann Demeulemeester
Billy Idol na passarela da Ann Demeulemeester FW26.
Foto: Divulgação/Ann Demeulemeester

Em sua segunda temporada na Balenciaga, Pierpaolo Piccioli dialoga tanto com o legado do fundador da casa, Cristóbal Balenciaga, quanto com a estética de seu antecessor, Demna Gvsalia.

A coleção foi chamada “ClairObscur” (claro e obscuro) e explorou a ideia de luz e escuridão, inspirada na pintura barroca de Caravaggio. A intenção de Piccioli era criar um “fresco de humanidade”, refletindo emoções e contrastes da vida contemporânea. 

O desfile também teve uma colaboração inusitada com o diretor Sam Levinson, criador da série Euphoria, que criou um vídeo imersivo com imagens de paisagens naturais mescladas a rostos humanos. A trilha sonora, também feita por Levinson, foi uma mistura de música clássica, com canções de Rosalia e de Labrinth. 

Dessa vez, Piccioli faz referência a Balenciaga dos anos 1950 e 1960 em peças como: casacos longos, cocoon coats (silhueta arredondada e volumosa, que envolvem o corpo como um casulo), vestidos drapeados e casacos com silhueta balloon (formato em que a peça cria volume curvo para fora do corpo, lembrando um balão). O streetwear da era Demna aparece em: estampas inspiradas na série "Euphoria”, moletons, leggings, jaquetas utilitárias, botas até o joelho, tênis robustos e óculos futuristas. 

Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga
Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga


 

Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga
Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga

 

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Com 68 desfiles previstos, a semana de moda começou com grandes destaques, misturando tradição, inovação e presença internacional
por
Amanda Lemos
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10/03/2026 - 12h

A semana de moda de Paris começou na segunda-feira (02) e foi até o dia 10. O evento encerrou o calendário internacional de desfiles, que teve etapas anteriores em Nova York, Londres e Milão. A abertura foi realizada por alunos do mestrado de vários países do Institut Français de la Mode (IFM), uma das instituições de moda mais prestigiadas do mundo. Ela prepara profissionais para entender a moda como sistema, não apenas como estética. Além disso, o primeiro dia contou com a presença de marcas como Hodakova, Vaquera e Julie Kegels. Os desfiles do primeiro dia aconteceram no Jardim das Tuileries. 

O evento começou com foco em novos designs, trazendo coleções que misturavam tradição e modernidade. Algumas marcas como Dior, Gucci e Fendi, têm investido em novos diretores criativos para renovar os códigos tradicionais das casas de moda. Os looks chamavam atenção por suas cores vibrantes e peças marcantes. A passarela foi organizada em formato circular, permitindo que o público tivesse uma visão completa do desfile. 

Vista aérea do palco da Paris Fashion Week 2026, com passarelas de vidro sobre espelhos d’água esverdeados, cercados por estruturas modernas e plantas aquáticas.
Palco dos desfiles da semana de moda de Paris 2026 no Jardim das Tuileries - Foto: @dior / Instagram 

A Hodakova, marca sueca fundada em Estocolmo, foi uma das primeiras a desfilar. A coleção foi assinada por Ellen Hodakova Larsson, fundadora e diretora criativa da marca e trouxe uma tendência de moda conceitual e sustentável. A paleta de cores, dominada por tons neutros e sóbrios, como preto, bege, cinza e off-white, evidenciava as formas e os volumes das peças. A grife investiu em costuras aparentes, sobreposição e proporções deslocadas. 

A Vaquera, grife norte-americana fundada em Nova York, também marcou presença com uma ideia de tensão entre perfeição e caos. Com coleção assinada pelos diretores criativos e também criadores da marca Patric DiCaprio e Bryn Taubensee, se reafirmou como uma das marcas mais excêntricas do cenário atual. Ela brincou com proporções e texturas, trazendo para a passarela silhuetas exageradas e uma estética que provoca reflexões sobre identidade. Assim, desafiando os códigos tradicionais da moda. 

As coleções apresentadas pelas marcas no início da semana de moda de Paris 2026, trouxeram um panorama inicial das propostas que foram exibidas ao longo dos demais dias. 

Modelos desfilam criações conceituais da Hodakova na Paris Fashion Week 2026, com looks experimentais feitos de materiais reaproveitados, incluindo peças esculturais e combinações minimalistas, em passarela intimista.
Desfile da Hodakova na semana de moda de Paris 2026 - Foto: Hodakova
Cartaz digital em estilo "DIY" e punk, com estética de xerox em preto e branco de alto contraste sobre um fundo branco. No topo, o texto em letras maiúsculas e levemente inclinadas diz "VAQUERA DÉFILÉ". Abaixo, as informações do evento: "MONDAY MARCH 2ND" (Segunda-feira, 2 de março) e o horário "8:30PM".
Post feito pela Vaquera no instagram para anunciar data e hora do desfile - Foto: @vaquera.nyc / Instagram

 

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Estilistas consolidam suas assinaturas criativas e reinventam elementos clássicos com frescor.
por
Helena Haddad
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10/03/2026 - 12h

No quinto dia da Paris Fashion Week Outono/Inverno 26-27, as direções artísticas mostraram como é possível honrar legados e, ao mesmo tempo, projetar novas visões nas passarelas. Os desfiles, realizados em locais históricos, têm reforçado as narrativas propostas. Confira os principais destaques das coleções.

Mugler

Marcando o segundo capítulo da sua trilogia para a Maison, Miguel Castro Freitas entregou a coleção The Commander (O Comandante). A ideia é revisitar os “clichês” da Mugler, os ombros afiados e arquitetônicos, a silhueta dramática e o power dressing

mugler
Foto/Divulgação: Mugler 

A narrativa contou com mulheres confiantes e em posição de comando. As ombreiras marcantes, inspiradas em uniformes militares, reforçaram essa figura de autoridade e, claro, a silhueta de ampulheta.
Cintos largos aparecem ao lado de bolsos utilitários, enquanto a alfaiataria surge como um dos principais destaques da coleção, em peças de diferentes cortes e em tons como azul, bege, roxo e preto. Na Mugler, o glamour esperado aparece em texturas metalizadas, lisas e plissadas, além do couro que molda o corpo

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Foto/Divulgação: Mugler 

Loewe

Na segunda coleção dos estilistas Jack McCollough e Lazaro Hernandez para a Loewe, marca espanhola, o desafio foi mesclar peças de verão, em uma temporada de inverno. Para os dois estilistas estadunidenses, a Espanha remete ao calor, que se manifesta nas cores, nas texturas e nas roupas.

loewe
Foto/Divulgação: Loewe

Na coleção, é possível encontrar peças de verão, muita influência do estilo esportivo. Os vestidos aparecem como toalhas. O tecido felpudo, na verdade, é resultado de pontos de tricô minuciosamente trabalhados. O látex e o couro coloridos fazem parte da essência da marca, junto do xadrez colorido.

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Foto/Divulgação: Loewe

 Aqui, os diretores honraram as raízes divertidas da Maison, mas também imprimiram nelas sua própria marca


Givenchy


Sendo uma das únicas mulheres à frente de uma casa de luxo, Sarah Burton trouxe o protagonismo feminino de uma forma sexy e rígida.

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Foto/Divulgação: Givenchy

Nesta coleção, Burton desconstruiu e brincou com peças clássicas. A camisa social apareceu com as costas para a frente, trazendo um colarinho dramático e divertido. Para a estilista, não há um limite quando se trata de moda feminina, do vestido de oncinha ao terno elegante.

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Foto/Divulgação: Givenchy

Teve o inusitado couro estampado, o uso de estampas florais com franjas dramáticas e a renda preta combinada com acessórios extravagantes. Já seda apareceu no final do desfile. O ponto alto da coleção: top de jóias, feito de pedras e metais. A peça resgata um dos looks mais famosos da Givenchy, já usado pela cantora e rapper estadunidense Doechii, no Grammy deste ano. Uma verdadeira obra de arte.

givenchy
Foto/Divulgação: Givenchy

 

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Como a atriz traz à vida suas personagens através da moda
por
Bruna Quirino Alves
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29/05/2024 - 12h

A atriz norte-americana, Zendaya, tem chamado atenção em suas aparições públicas por usar a técnica de “method dressing”, que consiste em trazer o estilo de personagens fictícios, ou o enredo de filmes para a vida real, como uma forma de promover as produções.

Outras personalidades já aderiram à mesma estratégia em algumas estreias pontuais, como Halle Bailey, em A Pequena Sereia e Margot Robbie nas estreias de Barbie, onde sempre utilizava peças inspiradas em versões da boneca, desde as mais atuais, até as da década de 60.

Porém, Zendaya se dedica na inspiração cinemática por trás de suas peças desde 2017, ano em que fez a sua primeira aparição vestida de acordo com o filme que estava promovendo na época, O Rei do Show, um musical biográfico que se passa nos Estados Unidos durante o século 19, inspirado na história de P. T. Barnum, um empresário circense.

Zendaya usando um terno vermelho em estreia de filme
Zendaya na estreia de "O Rei do Show" no México. Imagem: Getty Images

 

A atriz aparece no tapete vermelho da estreia mexicana usando um terno vermelho assinado pela grife Ralph Lauren, inspirado na vestimenta masculina tradicional do século 19, em cores vívidas circenses como um mestre de cerimônias prestes a introduzir um espetáculo. A partir desse momento, percebe-se um padrão em todas as suas turnês: as peças sempre são relacionadas e interpretadas de forma conjunta com o tema dos filmes.

Essa dedicação à temática também se dá graças ao trabalho de seu estilista pessoal – ou arquiteto de imagem, como ele se autointitula -  Law Roach, que trabalha com a atriz há 13 anos, enquanto ela ainda protagonizava uma série infanto-juvenil no canal Disney Channel. Ao longo dessa década, ambos desenvolveram uma parceria sólida. Law Roach afirmou recentemente em entrevista à revista Vogue que mesmo estando aposentado continua vestindo Zendaya.

Zendaya e o estilista Law Roach sorrindo um pro outro
Zendaya e Law Roach na premiação do CDFA Awards. Imagem: Getty Images

As escolhas de peças para as estreias de Duna: Parte 2 seguiram uma estética distópica, de acordo com a temática do filme de ficção científica, dirigido por Denis Villeneuve. Zendaya chamou todos os holofotes para si durante a estreia de Duna, a atriz surpreendeu o público ao usar uma peça de arquivo, da grife Thierry Mugler, alta costura da coleção de 1995.

O traje robótico de ciborgue fez parte de um desfile lendário para a história da moda: a coleção outono/inverno de 1995 comemorava o aniversário de 20 anos da marca Thierry Mugler e a temática do desfile era a beleza através dos anos. Além de contar com a presença de modelos famosas, como Naomi Campbell, Eva Herzigova e Kate Moss, o evento fazia uma cronologia da moda, desde os vestidos extravagantes usados em bailes no passado, até uma visão de futuro distópico que era representada pelo traje robótico, todo revestido em metal e acrílico, usado por Nadja Auermann. A peça levou cerca de 6 meses para ser confeccionada.

Zendaya com traje robótico da grife Thierry Mugler
Zendaya em traje robótico de Thierry Mugler. Imagem: Getty Images

A estreia mais recente que contou com a presença de Zendaya foi para promover seu novo filme, Rivais, do diretor italiano Luca Guadagnino. Na trama, a atriz dá vida à Tashi Duncan, uma jogadora de tênis que busca se profissionalizar no esporte e tem a carreira interrompida por uma lesão.

Inspirada pelo universo do esporte, a protagonista têm adotado o uso de peças que remetem à estética dos uniformes de tênis, se assemelhando a tendência que, recentemente, passamos a conhecer como “Old Money”, uma estética sutil da elite, baseada em paletas claras, blazers, suéteres, e outros elementos de grife, porém, sem logos. As marcas escolhidas também refletem essa estética, Ralph Lauren, Thom Browne, Louis Vuitton, todas trabalham com artigos de alfaiataria clássicos com maestria.

Zendaya usando vestido branco em estreia de seu novo filme
Zendaya usando Thom Browne na estreia de Londres. Imagem:Getty Images

Uma das peças que se destacou durante o período de promoção do filme foi um vestido personalizado para a atriz, assinado pela marca Thom Browne, especializada em alfaiataria. Com pequenos desenhos de raquetes de tênis bordadas por todo o vestido, a silhueta da peça também remete aos clássicos vestidos usados por jogadoras de tênis, popularizados por marcas esportivas como Nike e Puma.

A artista não tem medo de se arriscar nas peças, já em sapatos, o modelo é sempre igual. Segundo Law Roach, Zendaya usa o mesmo sapato em todos os eventos que vai, um salto da grife francesa, Christian Louboutin. O modelo “So Kate” já virou sua marca registrada. No entanto, para promover o filme em Roma, a artista decidiu ousar e apostou em um calçado personalizado da marca Loewe, com uma bola de tênis no salto. Mais uma vez chamou a atenção da mídia pela sua criatividade e dedicação, ao “method dressing” e além disso, à moda, como um todo.

Zendaya usando vestido salto com bola de tênis
Zendaya usando salto da Loewe na estreia de Roma. Imagem: Getty Images

 

 

 

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No evento, a moda é tão celebrada quanto os filmes
por
Natália Matvyenko
Jéssica Castro
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28/05/2024 - 12h

A 77º Edição do Festival de Cannes,  que aconteceu entre os dias 14 e 25 reuniu uma gama de celebridades internacionais, inclusive brasileiras, para a exibição dos filmes cotados deste ano nas principais categorias de premiação. O festival, tradicionalmente localizado na Riviera Francesa, é considerado um dos mais importantes na história do cinema. 

Além da relevância audiovisual, o evento também chama a atenção pelos looks desfilados pelas celebridades que passam pelo tapete vermelho. Reunimos aqui algumas produções que mais tiveram impacto durante os 10 dias de premiação.

Começando pelo Brasil, a atriz Nataly Rocha, estrela do longa “Motel Destino” –  vencedor da Palma de ouro, dirigido por Karim Aïnouz e ovacionado de pé por 12 minutos após sua exibição no festival — comemora usando um vestido assinado por Lino Villaventura, estilista brasileiro que completa 46 anos de carreira neste ano.

Atores do filme Motel Destino posando para foto
Da esquerda pra direita: Fábio Assunção, Nataly, Karim e Iago Xavier (foto: Reprodução/Instagram/@Thematchfactory)

 

Além desse modelo, o paraense também assinou o longo escultural usado por Taís Araújo.

 

Taís posando para foto no tapete vermelho
(foto: Reprodução/Instagram/@taisdeverdade)

 

A presidente do júri de Cannes 2024 foi a diretora, atriz e produtora Greta Gerwig. Sendo a segunda mulher a ocupar este cargo na história do festival depois de Jane Campion, Greta apostou em um vestido Maison Margiela, assinado por John Galliano. O modelito cativou o olhar do público por remeter ao estilo de uma das maiores produções da diretora até agora: o filme da Barbie, lançado no ano de 2023. 

Greta posando no tapete vermelho com vestido rodado
(Foto: Reprodução/Instagram/@maisonmargiela)

 

O que também chamou a atenção foram os “Tabi Shoes” – peça figurinha carimbada da grife de Margiela. O estilista se inspirou em sapatos japoneses que dividiam as meias no meio dos dedos para desenhá-los em 1988 –  dessa vez em versão Louboutin, resultado de uma parceria entre as marcas.

Sapatos Tabi brancos com sola vermelha
Sapatos Tabi brancos com sola vermelha, parceria entre Louboutin e Margiela (Foto: Reprodução/Instagram/@maisonmargiela)

 

Cate Blanchett vestiu um Jean-Paul Gaultier desenhado por Haider Ackermann e causou burburinho por conter as cores da bandeira da Palestina. Nem a marca ou a atriz se pronunciaram sobre um possível protesto. Muitos internautas nas redes sociais consideraram o ato corajoso, pois desde 2022, manifestações são proibidas no festival. A regra foi determinada pelo governo municipal de onde ocorre o evento, a fim de evitar distúrbios aos cidadãos da cidade. Inteligente forma de manifestar apoio a uma pauta de forma silenciosa, não?

Cate posando segurando a barra do vestido
 (Foto: Reprodução/X: @NinjaCine)

 

Hunter Schafer – que faz parte do elenco de Kinds of Kindness de Yorgos Lanthimos, também exibido na ocasião –  apostou em um modelo que alude à ideia de verão na Riviera Francesa em meados dos anos 60, da grife italiana Prada.

Hunter posando para foto
(Foto: Reprodução/Instagram/@huntershcafer)

 

A volta da super modelo Bella Hadid aos tapetes vermelhos, que recentemente se manteve fora dos holofotes e das passarelas por estar lutando contra a doença inflamatória de Lyme, foi marcada por composições marcantes, como o vestido minimalista de alta costura da Versace.

Bella posando para as fotos sorrindo e com as mãos próximas ao colo
(Foto: Reprodução/Instagram/@sheraz.debbich).

 

Figuras como Selena Gomez, Emma Stone, Naomi Campbell e Anya Taylor-Joy também deixaram sua presença registrada com looks belíssimos ao longo do festival. 

atrizes posando para fotos no tapete vermelho, todas de vestidos longos
Selena de Yves Saint Laurent, Emma de Louis Vuitton com decote cavado, Naomi com um vestido Chanel criado por Karl Largerfeld e usado por ela em 1996; Anya Taylor-Joy de Dior com jóias Tiffany & Co.
Fotos: Reprodução/Pinterest

 

 

 

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O fenômeno dos artistas sul-coreanos cada vez mais presentes no cenário da moda
por
Natália Perez
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10/05/2024 - 12h

Há quatro anos consecutivos, o principal evento do mundo da moda, o Met Gala, conta com a presença de ídolos da Coreia do Sul. Este ano, o grupo “Stray Kids” chamou atenção pela presença dos oito membros. É a primeira vez que um grupo inteiro de K-pop comparece junto ao tapete vermelho.

Embaixadores da Tommy na Ásia, o Stray Kids dividiu mesa com o estilista Tommy Hilfiger, sua esposa Dee Ocleppo e a atriz americana Madelyn Cline. Para o tema do ano “Belas Adormecidas: O despertar da moda”, o grupo apostou nos  sobretudos. Nas escadarias, reverenciaram nas peças a paleta de cores característica da marca: vermelho, branco e azul escuro, com detalhes em dourado. Cada terno apresentava detalhes individuais para combinar com o estilo do respectivo  membro, mas ainda de forma que o grupo combinasse como um todo.

“Eles são tão modernos quanto se pode imaginar. São super estrelas globais e uma banda de K-pop que lota estádios com 80 mil pessoas com uma base de fãs por todo mundo” foi como Tommy Hilfiger os apresentou em entrevista à Vogue.

A Lefty, plataforma de gerenciamento de influenciadores, elegeu o Stray Kids em décimo lugar como convidados com maior visibilidade da noite. Duas posições abaixo de Jennie do BLACKPINK, outra grande  estrela do gênero musical, que participava do evento pela segunda vez. No ano passado, foi a convite da Chanel. Agora, pela marca Alaïa.

 

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As estrelas do K-pop convidadas ao Met Gala 2024: Bang Chan, Han, Felix, Seungmin, Hyunjin, I.N, Lee Know e Chanbing (Stray Kids) e Jennie (BLACKPINK). Fotos: Getty Images

 

As parcerias de moda com celebridades sempre fizeram parte do marketing das principais grifes de luxo. Com o crescimento cultural exponencial da Coreia nos últimos anos, era só questão de tempo até o casamento entre o mundo da moda e o da música coreana. 

Atualmente, o K-pop é considerado um fenômeno cultural mundial com impacto digital que ultrapassa o de figuras ocidentais conhecidas há anos. De acordo com a base de dados oficial do X/Twitter, foram 20 milhões de publicações durante o MET (85% a mais do que no ano passado). Com cerca de 2 milhões de posts, o Stray Kids foi a celebridade mais mencionada durante a cerimônia, seguidos por Zendaya, Ariana Grande, Lana del Rey e Kim Kardashian.

No começo do ano, a maior presença de cantores sul-coreanos em desfiles já havia sido notada durante a Semana de Moda de Paris. Todas as seis grifes mais comentadas  nas redes sociais durante a semana contavam com a presença de mais de um artistas de K-pop como embaixador. Com praticamente o dobro de menções, a Louis Vuitton disparou em primeiro lugar depois de colocar Felix do Stray Kids para desfilar em sua passarela.  

 

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À esquerda, Felix do Stray Kids desfila a coleção outono-inverno 2024 ao lado dos demais modelos da Louis Vuitton na Paris Fashion Week. Foto: Getty Images

 

Agora no MET, Felix foi considerado pela Lefty o terceiro convidado com maior valor de exposição midiática dessa edição, por gerar cerca de 10,4 milhões de dólares, atrás somente de Ariana Grande (20,5M) e Kendall Jenner (11,6M). Assim, sendo o artista sul-coreano mais alto na lista e também o único homem no top 10.

“Eles significam muito para muitas, muitas pessoas” explica Steffi Cao, repórter de cultura da internet da Forbes, a revista Nylon. “Ver alguém não-branco e não-americano, especialmente fazendo música que não toca nas rádios nesses eventos é um reconhecimento de que o mundo é realmente global e que as estrelas vem de todos os lugares.” 

Mesmo com influência crescente, a quebra do padrão americano segue acompanhada de preconceitos. Em um dos vídeos da transmissão, fotógrafos do MET foram flagrados fazendo comentários desrespeitosos para os membros: “Nunca vi rostos tão inexpressivos” e “Como se fala fica reto na Coreia?” Em publicação online, a Billboard expressou a urgência para que a organização da cerimônia repense as credenciais de fotógrafos para o próximo ano. 

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MET-Gala,76° edição do jantar teve como tema e inspiração o conto “O Jardim do Tempo”, de J.G Ballard
por
Gabriela Jacometto
Helena Maluf
|
07/05/2024 - 12h

O famoso MET Gala aconteceu nesta segunda-feira (06/05), na primeira segunda do mês de maio, fazendo jus a tradição do evento. A edição de 2024, em sinergia com a exposição realizada anualmente no Anna Wintour Costume Center - Ala no The Metropolitan Museum of Art especialmente voltada para exposição de moda, sempre no tema do MET Gala - tem como tema deste ano “Belas Adormecidas: O despertar da Moda”. 

O tema é uma analogia sobre roupas frágeis e delicadas demais para serem usadas novamente. A exposição, assim como o tapete vermelho do MET, conta com peças da Loewe, patrocinadora do evento, Alexander McQueen, Dior e muito mais. E teve como co-anfitriões, Bad Bunny, Chris Hemsworth, Zendaya, Jennifer Lopez ao lado da diretora  e organizadora do evento: Anna Wintour. 

Já o tema dos figurinos faz alusão ao conto ‘O Jardim do Tempo’, do escritor inglês J.G Ballard. O conto reflete sobre a passagem do tempo e as mudanças que o mesmo carrega. O jardim envelhece rapidamente, as plantas crescem e morrem em um ritmo acelerado, tudo isso acompanhado das reflexões do narrador. 

O tapete vermelho do jantar, foi marcado por roupas florais e elementos botânicos, que remetem à natureza, além das interpretações de peças antigas de famosos designers e seus arquivos.  

Roupas que fazem metáfora com a passagem de tempo marcaram presença, como o vestido que a cantora Tyla utilizou, da marca Balmain, feito inteiramente de areia esculpida, acompanhado de uma bolsa no formato de ampulheta. 

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Foto: Getty Images

 

Um dos destaques da noite foi a presença de celebridades como Ariana Grande, Taylor Russell, entre outros, que deslumbraram com looks da marca Loewe, como mencionado antes, patrocinadora do evento. 

Com um vestido todo branco, a cantora Ariana Grande tirou o fôlego dos presentes ao passar pelo tapete. A peça foi feita sobre medida, com um corpete feito inteiro com madrepérolas.

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Foto: Getty Images

 

Novamente investindo no corpete, a Loewe produziu para a atriz Taylor Russell uma peça esculpida em madeira e pintada à mão.

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Foto: Marleen Moise//Getty Images

 

Outro ponto alto da noite foi a presença da atriz Zendaya, que brilhou com não uma, mas duas interpretações únicas do tema. Em seu primeiro look, ela usou um vestido azul royal e verde esmeralda, com ornamentos que pareciam inspirados em árvores frutíferas, uma criação de John Galliano, diretor criativo da marca Maison Margiela. 

 

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Foto: Jamie Mccarthy//Getty Images                                                                                                                                                                                                                    


Em seu segundo look, a atriz reapareceu com um vestido preto,  uma peça de 1996 da era Givenchy de John Galliano,  combinando com um chapéu da marca Alexander Mcqueen, que remete a um buquê inteiro de flores. 


 

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Foto: Theo Wargo//Getty Images

 

A cantora Lana del Rey também se destacou no retorno deslumbrante ao evento, após 5 anos ausente. Ela usou um custom-made da marca Alexander Mcqueen, inspirado em uma peça de archive da grife. O vestido em tule com detalhes que imitavam galhos espinhentos por toda a peça, e o mesmo tecido do vestido transpassado pelo rosto e cabeça.


 

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Lana Del Rey homenageando o icônico look da coleção de Alexander McQueen. Foto: Getty Images 
 

 

Prestigiando o Brasil, a atriz Bruna Marquezine fez sua estreia no tapete do evento. Usando um vestido longo branco da marca Tory Burch, com silhueta marcada e flores na barra retratando o tema.
 

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Foto: Getty Images 

 

O evento também foi marcado por uma performance artística da cantora Ariana Grande, que vestia Maison Margiela feito pelo designer atual da marca: John Galliano. Instalações interativas e discursos inspiradores que destacaram a importância da criatividade, e do poder da moda como uma forma de expressão e de contar histórias.
 

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Foto: Getty Images

 

Com a exposição “Sleeping Beauties: Reawakening Fashion”, a edição deste ano acontece na próxima segunda-feira (06)
por
Carolina Johansen Saraiva de Carvalho
|
02/05/2024 - 12h

O Met Gala foi criado em 1948 pela publicitária e fundadora da semana de moda de Nova York, Eleanor Lambert, com o objetivo de arrecadar fundos para o departamento de moda do Metropolitan Museum (The Costume Institute). Na época, o ingresso custava 50 dólares e era apenas um jantar beneficente. O evento costuma não ser  realizado no próprio museu, como nos dias de hoje, mas em espaços como o Central Park e Waldorf Astoria. Somente em 1962, quando  Diana Vreeland se tornou editora chefe da Vogue, o evento mudou sua localização para as famosas escadarias do MET e passou a contar com a presença de celebridades convidadas como Elizabeth Taylor, Diana Ross, Elton John, Cher, Andy Warhol, Jackie Kennedy, Lady Di e Bianca Jagger. A instauração do dresscode como conhecemos ocorreu apenas no ano de 1973. O marco inaugural dessa prática foi "O mundo da Balenciaga", uma homenagem para o designer Cristobal Balenciaga que havia falecido no ano anterior (1972). 

Cher e Paulette Bettes no Met Gala de 1974
Cher e Paulette Bettes no Met Gala "Romantic and glamorous Hollywood design" de 1974. Foto: Ron Galella/WireImage

 

Em 1995, a atual editora chefe, Anna Wintour, assume e desde então comanda a festa. O evento sempre ocorre na primeira semana de maio, com exceção da edição de 2021 que foi em setembro em decorrência da pandemia. O ingresso individual custa $30.000 (aproximadamente R$150.000) e as mesas a partir de $275.000 (aproximadamente R$1.400.000), porém boa parte das celebridades são financiadas por grandes marcas, que as vestem por publicidade. Ainda assim, todos convidados e suas roupas têm que ser pré-aprovados pela Anna Wintour e a lista passa por uma peneira meticulosa, deixando muitas celebridades e pessoas influentes frustradas ao serem barrados do evento. 

 

Hosts do Met Gala: JLO, Bad Bunny, Anna Wintour, Chris Hemsworth e Zendaya
Co-Anfitriões Met Gala 2024: Jennifer Lopez, Bad Bunny, Anna Wintour, Chris Hemsworth e Zendaya - Fotos: Vittorio Zunino Celotto/Getty Images; David Becker/Getty Images; Charles Sykes/Invision por Associated Press; Aliah Anderson/Getty Images; Jeff Spicer/Getty Images

 

Além de temas distintos, há também o papel de co-anfitriões. Podem variar em número – entre dois a quatro por ano – e algumas das suas responsabilidades incluem auxiliar a lista de convidados, no menu e na decoração. Apenas o tapete vermelho é transmitido ao público; o resto do evento acontece a portas fechadas, onde os convidados são proibidos de usarem seus celulares e redes sociais. O Met Gala deste ano acontecerá no dia 6 de maio, sob comando dos co-anfitriões Zendaya, Bad-Bunny, Jennifer Lopez e Chris Hemsworth.

O dresscode, intitulado "The Garden of Time", foi inspirado em um conto de mesmo nome do autor J.G. Ballard de 1961 e segue a exibição nova “Sleeping Beauties: Reawakening Fashion”. A exibição conta com 250 obras raras diretamente da reserva permanente do departamento de moda do Metropolitan Museum, abrangendo mais de 400 anos de história da moda. Andrew Bolton, um dos curadores responsáveis, disse que a exposição é um ode à natureza e à poesia emocional do mundo da moda e estará dividida entre três zonas: Mar, Terra e Céu. A lista de convidados oficial ainda não foi divulgada e o evento poderá ser acompanhado ao vivo pela Vogue.com

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