Roupas que atravessam gerações, peças garimpadas em brechós e uma indústria que produz em ritmo acelerado mostram que repensar a moda passa pela relação com aquilo que já existe
por
Sophia Coccetrone
|
28/09/2026 - 12h

Por Sophia Coccetrone

 

Todos os dias, Sibelle Oliveira leva cerca de uma hora e meia para chegar ao seu brechó, na República, região central de São Paulo. Moradora do Jardim Peri, na zona norte da cidade, ela costuma fazer o trajeto de ônibus para economizar. No caminho, carrega sacolas e malas cheias de roupas que serão garimpadas, higienizadas, avaliadas e colocadas à venda no seu brechó. Aos 29 anos, divide a rotina entre o brechó, o trabalho como esteticista e possui sua carga de ensino técnico de Marketing. O negócio começou de outra maneira. No Brechó Vertical, prédio localizado na República que reúne diferentes brechós, ela inicialmente tentou desenvolver um espaço voltado à estética. Porém, a ideia não se sustentou sozinha. Foi então que decidiu transformar também sua relação com as roupas em trabalho e criou o Brecholezeiras.

Desde então, boa parte das tarefas fica por sua conta. É ela quem procura as peças, seleciona, higieniza, organiza, pensa na apresentação e atende as clientes. O trabalho acontece entre deslocamentos, estudos e outras atividades profissionais. Afirma que é um trabalho muito louco, e é para quem tem disposição.

Para chegar até ali, Sibelle precisa carregar fisicamente o próprio negócio em meio ao transporte público da cidade de São Paulo. “É assim que eu sigo lutando na correria para sustentar meu próprio negócio”.

A história de Sibelle revela uma das faces menos visíveis do consumo de segunda mão. Antes de uma peça chegar ao cabide de um brechó, existe uma série de escolhas, deslocamentos e trabalhos. E, depois que ela é vendida, sua história continua por mais algum tempo, agora no guarda-roupa de outra pessoa.

 

Brechós em São Paulo: veja 14 lojas para garimpar em SP - 04/10/2025 -  Passeios - Guia Folha

Corredor do Brechó Vertical - Imagem: Folha/UOL

 

Para Sibelle, vender roupas usadas não representa apenas uma alternativa de consumo. É também uma forma de trabalho e de construir uma identidade. A maior parte de suas clientes são mulheres próximas de sua idade, entre 20 e 30 anos, que procuram peças diferentes e, muitas vezes, encontram no brechó uma possibilidade de comprar produtos que seriam mais caros novos ou buscar mais alternativas para seu estilo pessoal. Ela afirma que geralmente quem consome muito de brechó, só vive de brechó.

A relação de Sibelle com as roupas também mudou a maneira como ela se veste. Ao passar boa parte dos dias procurando peças e pensando em quem poderia usar, ela começou a entender o garimpo não apenas como uma tarefa comercial, mas como uma forma de descobrir estilos e observar as diferentes maneiras pelas quais as pessoas constroem sua identidade.

Há também uma questão econômica. Para ela, comprar de segunda mão pode significar encontrar produtos de marcas conhecidas por valores mais acessíveis, além de peças antigas ou que já não são produzidas. Mas a escolha também está relacionada ao destino das roupas. Quando uma peça usada encontra uma nova dona, ela deixa de ser apenas algo que poderia ocupar espaço em um armário ou ser descartado. Passa a circular novamente. É uma lógica semelhante à da economia circular, em que produtos permanecem em uso por mais tempo antes de serem transformados em resíduos.

O professor Urbano Nobre, da PUC-SP, observa esse processo a partir da própria duração dos produtos. Para ele, uma das formas mais concretas de tornar o consumo mais consciente é fazer com que aquilo que já foi produzido permaneça em circulação por mais tempo.

 

“Uma das formas de você transformar de forma objetiva o consumo em algo consciente é você alongar a vida dos objetos, fazer com que o ciclo de produção e reprodução de consumo se alongue a três, quatro, cinco estágios.”

A experiência de Sibelle mostra esse prolongamento acontecendo na prática. Mas também evidencia que o consumo de segunda mão não elimina sozinho os problemas da indústria. Para que uma roupa chegue ao brechó, ela primeiro precisou ser produzida. E, enquanto novas peças continuam sendo fabricadas em grandes quantidades, o desafio permanece sendo diminuir a velocidade com que roupas entram e saem dos guarda-roupas.

Uma vida entre o tecidos e não-tecidos

Se Sibelle encontra novas histórias para roupas que já existem, Monika Debasa passou boa parte de sua trajetória pensando em como elas são produzidas. Professora de Moda da Faculdade Santa Marcelina e especialista em têxteis, Monika construiu sua carreira entre a indústria, a pesquisa e o ensino. Formada em Design pela FAAP, passou por diferentes experiências no setor têxtil, trabalhando com estamparia, padronagem, desenvolvimento de produtos e gestão.

Ainda no início da carreira, teve contato direto com o chão de fábrica durante um estágio na TDB Tecidos, empresa voltada à produção de malharia circular para beachwear e lingerie. Depois, atuou em Minas Gerais na área de algodão e desenvolveu uma coleção de estampas. Também trabalhou na Horizonte Têxtil, onde entrou em contato com pesquisas de tendências e chegou a administrar departamentos.

Foi nesse percurso que as questões relacionadas aos materiais e aos resíduos começaram a ganhar espaço em seu trabalho. Em 2009, Monika realizou testes com o Lonapet, tecido produzido a partir de garrafas recicladas de Guaraná Antártica. O material mantinha a cor verde das garrafas e também incorporava restos de fibras curtas de algodão a novos testes.

A experiência fazia parte de uma preocupação maior: entender que a sustentabilidade não começa depois que uma roupa é descartada. Ela também está presente na escolha das fibras, na qualidade da produção e na capacidade de uma peça permanecer em uso. Monika diz que a estética é, frequentemente, o primeiro fator de atração. A funcionalidade, por sua vez, deve ser adaptada ao contexto de uso. Contudo, a durabilidade é o pilar central da sustentabilidade. Quanto mais duradoura uma peça, mais sustentável ela se torna.

Para ela uma roupa não pode ser considerada sustentável apenas porque foi produzida com determinado material. A fibra utilizada, a qualidade da fabricação, o conforto, a possibilidade de manutenção e até a maneira como a peça é lavada interferem em sua vida útil.

Essa perspectiva acompanha sua trajetória acadêmica. Depois da experiência na indústria, ela se especializou em moda e gestão e realizou mestrado na área de design têxtil na EACH-USP. A pesquisa e a prática profissional passaram a caminhar juntas, até que o ensino se tornou uma parte central de seu trabalho.

Do ativismo à sala de aula

A preocupação de Monika com a sustentabilidade também ultrapassa os processos industriais. Ela participa do Fashion Revolution, movimento internacional criado após o desabamento do edifício Rana Plaza, em Bangladesh, em 2013, que matou mais de mil trabalhadores da indústria têxtil e colocou em evidência as condições de trabalho e produção do setor.

Como uma das embaixadoras brasileiras do movimento, Monika participa de ações voltadas à transparência, às condições de trabalho e à responsabilidade ambiental na moda. Ela costuma comparar o Fashion Revolution a uma espécie de “Greenpeace da moda”, justamente pela tentativa de aproximar questões ambientais e sociais do cotidiano da indústria.

A discussão também chega à Faculdade Santa Marcelina. Um exemplo é o “Setembro da Segunda Mão”, projeto de troca de roupas que incentiva os alunos a fazerem as peças circularem novamente. Na edição mais recente mencionada pela professora, 375 peças foram trocadas. A iniciativa parte de uma ideia simples: Monika gosta de reforçar que a melhor roupa é aquela que já existe.

É uma mudança de perspectiva que também aparece no trabalho de Sibelle. Enquanto Monika discute a durabilidade antes e durante a produção, Sibelle trabalha justamente no momento seguinte, quando a roupa poderia ser esquecida, acumulada ou descartada.

A roupa como trabalho

No cotidiano de um brechó, entretanto, prolongar a vida de uma peça não acontece de maneira automática. Sibelle precisa encontrar as roupas, transportá-las, selecionar o que pode ser vendido, higienizar cada peça, organizar o espaço, fotografar ou apresentar os produtos e conversar com as clientes, tudo sozinha. 

O esforço também aparece na maneira como Sibelle transforma sua própria rotina em expressão. Ela faz rimas de rap improvisado para retratar o trabalho e as situações que vive todos os dias, usando a música como uma maneira de registrar a experiência de manter um negócio próprio e se manter no "corre" do dia a dia.

O brechó, nesse sentido, está longe de ser apenas um espaço onde uma roupa usada muda de dono. Existe uma cadeia de trabalho por trás de cada peça que chega ao cabide. E existe também uma relação afetiva: alguém escolheu aquela roupa antes, alguém decidiu não descartar e outra pessoa agora encontrou nela uma nova oportunidade

O problema começa antes do descarte.

A trajetória de Sibelle acontece em contraste com um mercado de moda cada vez mais acelerado. Segundo dados citados pela CNN Brasil, a quantidade de peças de vestuário produzidas no mundo dobrou desde os anos 2000. No mesmo período, os consumidores passaram a comprar cerca de 60% mais roupas, mas a utilizá-las durante aproximadamente metade de sua vida útil. O problema, portanto, não está apenas no momento em que uma roupa vira lixo. Ele começa antes, na quantidade de peças produzidas, na velocidade com que são substituídas e na forma como o consumidor se relaciona com elas, além da forma do descarte que muitas vezes é irresponsável ambientalmente. 

A experiência de comprar uma roupa nova parece simples, mas envolve uma cadeia que passa pela obtenção da matéria-prima, produção, uso de água e energia, processos químicos, transporte, venda e, finalmente, descarte. É nesse intervalo entre produção e descarte que histórias como a de Sibelle ganham importância. Um brechó não interrompe a produção em larga escala, mas cria uma possibilidade para que algumas peças permaneçam em circulação.

Crescer sem ultrapassar os limites

A relação entre crescimento econômico e limites ambientais também é discutida pelo professor José Geraldo Portugal Júnior, vice-coordenador da FEA PUC-SP. A partir do conceito de Economia Donut, desenvolvido pela economista Kate Raworth, Portugal trabalha com a ideia de que uma sociedade precisa garantir condições mínimas de vida para as pessoas sem ultrapassar os limites ambientais do planeta.

Aplicada à indústria têxtil, essa perspectiva coloca a questão sobre como atender às necessidades de uma população crescente sem depender de uma produção cada vez maior de roupas que são utilizadas por períodos cada vez menores. A resposta não está apenas em trocar um tecido por outro. É preciso observar toda a cadeia e, principalmente, a quantidade de produtos colocados em circulação e o tempo que eles permanecem em uso.

Materiais alternativos, como fibras produzidas a partir do cânhamo, podem fazer parte dessa transformação, dependendo das condições de cultivo e processamento. Mas substituir uma matéria-prima não resolve por si só o problema de uma indústria baseada em produção e consumo acelerados.

A mudança também passa pela maneira como as marcas comunicam seus produtos. Em um mercado no qual a sustentabilidade ganhou valor comercial, existe o risco de que termos como “ecológico”, “consciente” ou “sustentável” sejam utilizados como estratégia de comunicação sem que mudanças correspondentes aconteçam nos processos produtivos. É o chamado greenwashing.

Por isso, a sustentabilidade não pode ficar restrita à publicidade. Ela precisa aparecer nas decisões sobre materiais, produção, qualidade, durabilidade, condições de trabalho e destino dos produtos.

A trajetória de Monika ajuda a mostrar essa diferença. Sua experiência com tecidos reciclados não ficou apenas na comunicação de uma ideia sustentável: envolveu pesquisa, testes e tentativa de encontrar usos para resíduos que normalmente seriam descartados. Já o trabalho de Sibelle acontece em outro lado. Seu negócio não precisa produzir uma nova peça para vender. Ele trabalha com aquilo que já existe e contribui para evitar que o descarte seja o fim inevitável de uma roupa.

Uma transformação que começa no que já existe

A sustentabilidade na indústria têxtil não depende de uma única solução. Ela envolve quem produz, quem cria, quem vende, quem comunica e quem compra. Mas as histórias de Monika e Sibelle mostram que a transformação também pode acontecer em escalas menores.

Monika passou décadas dentro da indústria e da academia investigando materiais, processos e maneiras de tornar as roupas mais duráveis. Hoje, leva essa experiência para a sala de aula e para o ativismo. Sibelle, por outro lado, construiu um negócio independente a partir das próprias dificuldades e descobriu no brechó uma maneira de trabalhar com roupas que já existem.

No fim, as duas trajetórias se encontram em uma ideia simples: uma roupa não precisa terminar sua história quando deixa de ser nova. Para Sibelle, essa história pode continuar no corpo de outra pessoa. Para Monika, ela começa na escolha de um tecido, na qualidade da produção e na capacidade de uma peça resistir ao tempo.

Em uma indústria acostumada a transformar novidade em necessidade, talvez um dos maiores desafios seja justamente aprender a olhar para aquilo que já existe para que sustentabilidade não seja apenas consumir menos, mas fazer com que as roupas tenham tempo suficiente para cumprir mais de uma história antes de se tornarem descarte.

Estilista inicia nova fase independente após deixar a direção criativa da Versace
por
João Luiz Freitas
|
22/09/2026 - 12h

Donatella Versace está de volta ao comando criativo de uma marca. Nesta segunda-feira (21), durante a Semana de Moda de Milão, a estilista anunciou uma nova parceria com a Revolve, varejista global de moda e beleza, dando início a um projeto independente que irá reunir os universos da moda e da beleza.

Ainda sem nome revelado, a nova marca terá Donatella à frente da direção criativa. A primeira etapa do projeto será dedicada à beleza, enquanto a expansão para a moda acontecerá posteriormente. Os primeiros produtos estão previstos para chegar ao mercado em 2027. 

A parceria representa uma nova etapa na trajetória da estilista. Em março de 2025, Donatella deixou a direção criativa da Versace, função que ocupava desde 1997, após assumir o posto deixado por seu irmão, Gianni Versace. Desde então, permaneceu ligada à grife como embaixadora, enquanto Dario Vitale assumiu a direção criativa.

Donatella Versace anuncia nova parceria para criação de marca independente
Donatella Versace anuncia nova parceria para criação de marca independente - Foto: Reprodução/Instagram @donatella_versace

Agora, longe da casa que marcou quase três décadas de sua carreira, Donatella passa a construir uma identidade criativa própria. O projeto pretende transitar entre moda, beleza, cultura e entretenimento, enquanto a Revolve contribui com sua estrutura de comércio digital e alcance internacional.

A distribuição inicial está planejada para mercados como Estados Unidos, América Latina, Ásia-Pacífico e Oriente Médio. O nome da marca e os primeiros produtos ainda serão divulgados nos próximos meses.

Tags:
Com passagem por Miu Miu e Versace, designer tem a missão de renovar a marca sem deixar de lado os códigos construídos por Giorgio Armani
por
João Luiz Freitas
|
17/09/2026 - 12h

A Armani inicia uma nova fase da sua história com a chegada de Dario Vitale à direção criativa da Emporio Armani. Além do cargo, o designer também ficará responsável pela direção criativa dos acessórios Giorgio Armani. Anunciada nesta quarta-feira (16), a escolha representa uma mudança importante para a casa italiana, que, pela primeira vez, coloca um profissional de fora da família Armani em uma posição criativa de liderança.

A nomeação acontece um ano após a morte de Giorgio Armani, fundador da marca e responsável por construir uma das identidades mais reconhecíveis da moda italiana. Enquanto Silvana Armani e Leo Dell’orco permanecem ligados à direção criativa das coleções principais, Vitale chega especialmente à Emporio Armani, linha criada em 1981 com uma proposta mais jovem e experimental dentro do grupo.

A escolha também ganha força quando observada a trajetória do designer. Formado pelo Istituto Marangoni, em Milão, Vitale passou por nomes importantes da indústria italiana, incluindo Dsquared2 e Bottega Veneta, antes de chegar à Miu Miu em 2010. Durante aproximadamente 15 anos na marca, ocupou posições de destaque e chegou a comandar o design de ready-to-wear e a área de imagem.

Dario Vitale
Dario Vitale se torna o novo diretor criativo da Emporio Armani - Foto: Jeannette Montgomery Barron/Divulgação EA.

Em 2025, Vitale assumiu outro desafio histórico ao se tornar o primeiro profissional de fora da família Versace a ocupar a direção criativa da grife. Sua passagem, entretanto, durou apenas uma temporada. Depois da aquisição da Versace pelo grupo Prada, o designer deixou o cargo em dezembro do mesmo ano. Apesar do curto período, sua estreia foi apontada por veículos especializados como um dos momentos de destaque daquela temporada.

É justamente essa experiência que pode fazer diferença em sua chegada à Emporio Armani. Vitale carrega uma trajetória construída dentro de diferentes linguagens da moda italiana, passando pelo minimalismo e pela sofisticação da Miu Miu e chegando ao maximalismo e ao glamour historicamente associados à Versace. Para a Armani, essa bagagem pode representar uma oportunidade de aproximar a Emporio de uma geração mais jovem sem necessariamente romper com os códigos estabelecidos pela casa.

Seu primeiro grande teste à frente da Emporio Armani já tem data marcada: a coleção de verão 2027 será apresentada durante a semana de moda de Milão, em 24 de setembro. Será a partir dela que será possível observar como o designer pretende traduzir sua assinatura para o universo construído por Giorgio Armani.

Tags:
Patricia Bonaldi transforma a paisagem e a arquitetura dos jardins modernos em silhuetas, bordados e volumes que celebram a exuberância brasileira
por
João Luiz Freitas
|
16/09/2026 - 12h

A paisagem brasileira ganhou novas formas na passarela da New York Fashion Week nesta terça-feira (15). A PatBO, marca comandada pela estilista Patricia Bonaldi, apresentou sua coleção primavera/verão 2027 em Domino Square, em Williamsburg, no Brooklyn, levando para um dos principais calendários da moda internacional uma interpretação contemporânea de natureza e do paisagismo brasileiro.

Intitulada “Splendid Brazil”, a coleção parte de uma referência que vai além da representação literal da flora nacional. A inspiração está nos jardins modernos brasileiros e, principalmente, na maneira como paisagistas do período modernista organizaram a natureza para transformá-la em uma linguagem visual própria.

Visuais apresentados no desfile da PatBO
Visuais apresentados no desfile da PatBO - Foto: Reprodução PatBO

“O ponto chave não é criar uma coleção sobre plantas, mas traduzir a maneira como eles organizaram a natureza”, explica Bonaldi, fundadora e diretora criativa da PatBO em vídeo disponibilizado no Instagram da marca.

A proposta aparece na passarela por meio de silhuetas orgânicas, volumes escultóricos, bordados botânicos abstratos, texturas e blocos de cores vibrantes. Em vez de simplesmente reproduzir flores e folhas nas roupas, a coleção transforma elementos da paisagem em construção de moda. Curvas são convertidas em recortes, volumes remetem a formas escultóricas e os ornamentos aparecem integrados à própria estrutura das peças.

Visuais apresentados no desfile da PatBO
Visuais apresentados no desfile da PatBO - Foto: Reprodução PatBO

A referência à natureza também aparece nos trabalhos de superfície. Estampas florais combinadas com bordados e desenhos abstratos, enquanto algumas peças parecem transportar para o corpo a composição de um jardim. A intenção, segundo Bonaldi, é justamente fazer com que a paisagem deixe de ser apenas uma imagem e passe a funcionar como estrutura.

Model Board do desfile da PatBO
Model Board do desfile da PatBO - Foto: @jonatasjacque/Instagram

Ao levar essa interpretação para Nova Iorque, a PatBO reforça também o espaço que a moda brasileira vem buscando ocupar internacionalmente. No último dia da temporada primavera/verão 2027 da NYFW, a  marca colocou o artesanato, a exuberância e referências da arquitetura paisagística brasileira no centro da discussão, mostrando que a identidade brasileira pode ser ponto de partida para uma moda global.

Tags:
Na The Art of Loving Tour, a cantora britânica leva vestidos, brilhos, franjas e glamour aos palcos
por
Livia Vilela
|
17/08/2026 - 12h

Eu não sei você, mas eu queria ser amada como Simone Beyene ama Olivia Dean. É difícil assistir a um show da cantora britânica e não chegar a essa conclusão. Quando Olivia Dean sobe ao palco, os vestidos brilham, as franjas acompanham seus movimentos, as penas flutuam atrás dela e seu figurino se torna parte indispensável do show. Por trás dessa estética própria, está Simone Beyene, stylist responsável pela imagem da cantora desde o começo de sua carreira.

Aos 27 anos, Olivia Dean vive o melhor momento de sua trajetória profissional. Nascida em Londres, lançou seu álbum de estreia, Messy, em 2023. O disco apresentou ao público uma artista que mistura soul, jazz e pop com letras sobre amor, relacionamentos e amadurecimento, a partir do olhar de uma jovem mulher segura de si. Já em 2025, o segundo álbum, The Art of Loving, alavancou sua carreira. Com 12 faixas, o disco coloca o amor como tema central. Não apenas o romântico, mas também o amor-próprio, as amizades e as diferentes maneiras de se conectar com alguém. 

olivia dean vestido plumas
Vestido de plumas Self-Portrait para a turnê Foto: Reprodução/Instagram @oliviadeano 

Foi o The Art of Loving que também marcou sua entrada definitiva no mainstream. “Man I Need” se tornou seu maior sucesso, enquanto “Nice To Each Other” e “So Easy (To Fall In Love)” ajudaram a estabelecer a sonoridade dessa nova era. O reconhecimento veio rápido. Em fevereiro de 2026, Olivia Dean venceu o Grammy de Artista Revelação, consolidando uma ascensão que, até pouco tempo antes, acontecia de maneira mais silenciosa.

Agora, essa nova dimensão da carreira chega aos palcos com a The Art of Loving Tour, sua primeira grande turnê de arenas como atração principal. A estreia aconteceu em Glasgow, no Reino Unido, em abril de 2026, em um espetáculo que reúne músicas de seus dois álbuns. Depois de se apaixonar pelas músicas, os fãs agora encontram outro motivo para se encantar: o estilo da Olivia, que ganha cada vez mais destaque a cada apresentação. 

olivia dean conjunto branco
Conjunto de top com saia Chanel para a The Art of Loving Tour Foto: Reprodução/Instagram @oliviadeano

Nesse caso, os figurinos não seguem os padrões convencionais de uma estrela pop contemporânea. Não há uma dependência de bodysuits, figurinos performáticos ou produções cenográficas típicas de grandes estrelas pop. Em seu lugar aparecem vestidos de festa, tecidos fluidos, silhuetas femininas e uma estética vintage. Algumas produções são delicadas, outras são completamente cobertas por brilho. É justamente essa combinação que torna o seu estilo tão particular. 

Se os figurinos da turnê parecem tão naturais nela, é porque essa estética não começou com a turnê. Simone Beyene construiu ao lado da cantora uma imagem marcada pela experimentação, glamour e principalmente pela diversão. Fora dos palcos, essa mesma identidade aparece de uma maneira mais descomplicada, dando forma ao seu chamado "effortless glamour".

olivia dean vestido amarelo de franjas
Vestido amarelo de franjas Alaïa feito para a turnê Foto: Reprodução/ Instagram @oliviadeano 

A seleção da turnê reúne marcas como Chanel, Jacquemus, Gucci, Coperni, Self-Portrait e Alaïa. A criação dos figurinos partiu de uma referência clara nas grandes divas. O moodboard trazia nomes como: Tina Turner, Cher, Diana Ross e Josephine Baker, além da estética das décadas de 1960 e 1970. A proposta era levar o conceito de party dress, o vestido de festa, ao extremo, incorporando o brilho de Tina e Cher, a teatralidade de Diana Ross e a presença cênica de Josephine Baker.

O estilo de Olivia Dean parece nascer naturalmente de quem ela é. Suas escolhas traduzem uma imagem feminina, elegante e contemporânea que acompanha a evolução de sua música sem competir com ela. No fim, acompanhar Olivia Dean também é prestar atenção no que ela veste e aproveitar o estilo que se tornou parte de sua experiência como artista. 

Talvez essa seja a verdadeira força da imagem da cantora. Tudo parece ter sido escolhido para que ela continue contando a própria história. A roupa deixa de ser apenas roupa e passa a fazer parte da narrativa. No fim, a The Art of Loving Tour transforma o amor em música e a música em espetáculo. E, nos figurinos, Olivia encontra mais uma forma de mostrar ao público quem é. 

Tags:
O último dia da semana de moda nova-iorquina foi marcado pela desapego da estética neutra, com o renascer do colorido
por
Isabelle Rodrigues
|
17/09/2024 - 12h

 

O dia de encerramento da NYFW não deixou nem pouco a desejar. As marcas escolhidas para o dia deixaram a sensação de que todos os estilos se juntaram para a bagunça de cores mais linda possível.

Segundo rumores, a era das roupas estampadas morreu após 2006, mas os designers parecem pensar o contrário e a aposta da vez em trazer de volta o estampado foi um acerto sem igual. É inegável que as estampas mais escandalosas como zebra, cobra e onça são coisa do passado. Neste dia final, ficou perceptível que a nova moda para 2025 será o floral. Todas as marcas parecem estar sedentas pela possibilidade de revolucionar o estilo.

Talvez possamos considerar esse retorno como uma consequência da estética clean, que no início do ano era tendência entre famosos e anônimos. Contrário ao esperado pela crítica, muitas pessoas ainda adotam este estilo, com algumas ressalvas e padrões.

Algumas das marcas que se destacaram no evento foram:

 

Lost pattern 

A marca apostou, principalmente, em tons como branco e bege com sutis toques coloridos, como padrões e estampas, principalmente florais, que são sua marca registrada. O destaque fica para a leveza apresentada por cada peça, sendo em sua maioria similares a roupas praianas.

A estética clean, citada antes, faz seu retorno principalmente por ser um estilo querido pela marca, que tem diversas coleções focadas nesse visual.

Vestido floral rosa de cetim com gola alta
Vestido floral rosa com gola alta
Foto/Reprodução por Cristian Paez/Instagram

 

African fashion council 

Investindo em padrões e cores fortes, as peças da coleção trazem diversos tons de vermelho, laranja e marrons. Todo o conjunto possui cortes e aberturas que aumentam o movimento das peças de forma fenomenal, valorizando os diferentes biotipos apresentados.

É necessário dar destaque para as composições feitas, diversos acessórios como colares grandes e brincos maiores ainda chamam a atenção de qualquer espectador, montando um produto final de tirar o fôlego, e culturalmente muito significativo.

A música usada no desfile também mereceu destaque, a trilha escolhida complementa perfeitamente o tom escolhido para o desfile, sendo em alguns momentos possível sincronizar o andar das modelos com seu toque.

Melitta Baumeister

 

A marca apostou em diferentes formas, testando os limites da criatividade da Designer, o estilo extremamente oversized também é uma das características mais marcantes, além de ser uma coleção focada no estilo esportivo não casual . Vale ressaltar que a marca segue o modelo de desfile criativo, suas peças não tem pretensão de funcionar fora da passarela ou de serem necessariamente confortáveis.

Casaco de couro oversized, sob conjunto de moletom
Casaco de couro oversized, sob conjunto de moletom
Foto/ Reprodução por Isidiore Montag/Vogue

 

Kallmeyer

A coleção, tem em sua totalidade peças elegantes e com uma tabela de cores relativamente neutras, focando em jeitos de renovar o que já temos como elegante, a variação de caimentos e tecidos torna o produto final um refresco para o estilo. É visto que a marca já tem um histórico de manter suas coleções com elementos da estética clean e a dita Old Money, que consiste em demonstrar poder aquisitivo familiar, o estilo ficou bem popular por famosas como Sofia Richie e Julia Roberts.

 Vestido de seda bege, fluido Foto/ Reprodução por Filippo Flores/Vogue
Vestido de seda bege, fluido
Foto/ Reprodução por Filippo Flores/Vogue

 

Tags:
Primeiro dia de desfiles da Semana de Moda destaca a produção feminina e a sustentabilidade do Brasil
por
Beatriz Vasconcelos
|
16/09/2024 - 12h

A segunda edição do "Brazil: Creating Fashion for Tomorrow" (BCFT) abriu o calendário da London Fashion Week 2024 com uma exposição na embaixada do Brasil em Londres. O evento, realizado antes do início oficial da semana de moda, destacou o papel das mulheres na indústria da moda, com a mostra “A Chain of Women”, que apresentou marcas brasileiras lideradas por mulheres focadas em sustentabilidade e empoderamento feminino.

Marcas brasileiras celebram papel das mulheres na moda na London Fashion Week — Foto: Divulgação
Marcas brasileiras celebram papel das mulheres na moda na London Fashion Week — Foto: Divulgação

Com curadoria de Camila Villas, Lilian Pacce e Marília Biasi, a exposição celebrou o uso de materiais sustentáveis e o artesanato tradicional do Brasil, mostrando iniciativas que conectam mulheres de diferentes comunidades. Entre as marcas participantes estavam Catarina Mina, com comunidades do Ceará; Farm Rio, em colaboração com as artesãs indígenas Yawanawá; Lenny Niemeyer, em parceria com artesãs do Maranhão e PatBo, com sua escola de bordadeiras, todas promovendo moda consciente e colaborativa. Também estavam presentes marcas como Malwee, Renata Brenha e Flavia Aranha, todas com foco em práticas de produção sustentáveis e inclusivas.

Além das coleções exibidas, o BCFT ofereceu painéis e workshops que abordam temas essenciais para o futuro da moda, como inovação sustentável e inclusão. O evento destacou a importância da solidariedade entre as mulheres na indústria, reforçando o compromisso da moda brasileira com a criatividade e responsabilidade social.

Flavia Aranha é uma das marcas brasileiras que integrou a exposição - Foto: Divulgação
Flavia Aranha é uma das marcas brasileiras que integrou a exposição - Foto: Divulgação

Os 40 anos da Semana de Moda de Londres

A Semana de Moda de Londres há muito tempo compete por atenção ao lado dos prestigiados eventos em Paris, Milão e Nova York. No entanto, ao longo de seus 40 anos de história, ela conquistou um espaço único, sendo reconhecida por sua ousadia criativa e energia rebelde. Diferente de suas contrapartes, a cena da moda em Londres prospera ao romper barreiras e abraçar o não convencional, oferecendo uma experiência distintamente própria.

A primeira semana, realizada em 1984 em um estacionamento na Kensington High Street, foi organizada por Lynne Franks, personalidade importante no campo  das relações públicas. Durante a recepção em Downing Street para celebrar o evento inaugural, a designer Katharine Hamnett chamou a atenção ao se encontrar com a primeira-ministra Margaret Thatcher usando uma camiseta de protesto com o slogan "58% Não Querem Pershing", em oposição às armas nucleares. Esse momento deu o tom para as muitas declarações ousadas e disruptivas que a Semana de Moda de Londres passaria a ser conhecida.

Primeira-ministra Margaret Thatcher e a designer Katharine Hamnett - Crédito: Reprodução/ Internet
Primeira-ministra Margaret Thatcher e a designer Katharine Hamnett - Crédito: Reprodução/ Internet

Desde a presença da Princesa Diana em uma recepção para designers em seus primeiros anos até a rainha sentada ao lado de Anna Wintour em um desfile de Richard Quinn, a Semana de Moda de Londres proporcionou inúmeros momentos icônicos. Shalom Harlow sendo pintada por robôs em um desfile de Alexander McQueen e Posh Spice desfilando com shorts de cetim são apenas alguns exemplos das cenas inesquecíveis que fazem deste evento tudo, menos discreto.

Harris Reed

No primeiro dia da edição celebratória de 2024, além da presença de marcas brasileiras, Londres também foi tomada pelos designs marcantes de Harris Reed. Para a primavera/verão 2025 no Tate Modern, ele apresentou uma coleção com silhuetas maximalistas e tecidos pouco convencionais. Utilizou materiais como uma toalha de renda italiana de 200 anos, que encontrou após meses pesquisando plataformas como eBay e sites de tecidos vintage. Esses tecidos históricos foram transformados em peças artísticas e detalhadas, com elementos como corsets, estruturas de gaiola, leques, apliques e golas altas. A coleção exalava uma elegância britânica do Velho Mundo, mas evitava exageros ou ornamentos excessivos. 

Harris Reed primavera/verão 2025 - Crédito: Divulgação
Harris Reed primavera/verão 2025 - Crédito: Divulgação

Por muitos anos, a Semana de Moda de Londres não foi fortemente associada à alta-costura, até a chegada de Harris Reed. Um designer de moda fluido, conhecido por suas silhuetas dramáticas e sensibilidade em relação à forma feminina, Reed rapidamente ganhou destaque com suas criações ousadas e repletas de estrelas. Seu trabalho já apareceu em grandes tapetes vermelhos quando o designer vestiu artistas importantes como Harry Styles, Nicola Coughlan, Ashley Graham, Demi Moore e Lily Collins. Os desfiles de Reed se tornaram uma marca registrada da London Fashion Week, trazendo a habilidade artesanal da alta-costura para o centro do evento.

Tags:
Os momentos mais marcantes e as principais apostas que marcaram presença nos desfiles do décimo dia da Semana de Moda de Nova York
por
Pietra Nelli Nóbrega Monteagudo Laravia
Kiara Elias
|
12/09/2024 - 12h

 

 

COS

O desfile da COS, marca do conglomerado de moda H&M, aconteceu no Brooklyn na manhã do dia 10. A diretora criativa, Karin Gustafsson, usou como inspiração para a coleção o trabalho da coreógrafa  Tina Bausch, usando as ideias de movimento e fluidez para incorporar em seus looks.

O resultado foi uma coleção de peças no estilo "quiet luxury", refletindo um espírito minimalista. Seguindo as tendências da estação, a linha inclui agasalhos de lã drapeados e alfaiataria de alta qualidade, além de jaquetas de couro oversized, calças amplas, vestidos longos e blusas com gola amarrada. As camadas transparentes e as malhas finas também se destacaram. A designer ainda elevou a aposta nos trajes de noite, apresentando um deslumbrante vestido preto de corte enviesado, com costas dramaticamente baixas amarradas por duas fitas, e uma cauda marfim impressionante.

Reprodução: Vogue

Michael Kors

A Michael Kors também apresentou sua coleção de Primavera/Verão 2025 nesta terça, Camila Coelho, a cantora Mary J. Blige, e as atrizes Lindsay Lohan, Kerry Washington, Mindy Kaling, Olivia Wilde, Suki Waterhouse e Shailene Woodley foram algumas das celebridades presentes nas primeiras fileiras do evento. 

Os destaques foram os elementos artesanais, tanto nas roupas como nos acessórios fazendo referência aos 35 anos de parceria da Michael Kors com ateliês de Florença. Essa estética é evidenciada pelo uso de rendas e texturas florais, que vão além das estampas e se transformam em apliques, conferindo um volume romântico a saias e casacos (com brilho, ou sem). Os plissados também marcaram presença nesta coleção, confirmando uma das tendências para o verão de 2025. A coleção inclui saias, vestidos e transparências, além de propostas utilitárias, com destaque para os trench coats, e uma alfaiataria descontraída em branco, azul-marinho, preto e uma paleta de tons neutros, que trazem elegância atemporal para o verão.

Reprodução: Vogue

 PatBo

A única marca brasileira a integrar o calendário oficial do CFDA (Council of Fashion Designers of America), a PatBo, apresentou sua nova coleção “Ethereal” durante a Semana de Moda de Nova York (NYFW).

A coleção é uma verdadeira jornada visual que explora o conceito de leveza, delicadeza e transformação, qualidades ligadas à borboleta, símbolo bastante utilizado nas peças). Mergulhando no significado emocional da metamorfose, a PatBO captura a essência da mudança e da evolução, traduzindo esses temas através de silhuetas e tecidos leves e etéreos, como chiffon, tafetá e tricoline bordada, adornados com franjas em degradê e lycra. A paleta suave inclui tons de rosa, marrom, vinho e off-white, combinados com detalhes metalizados em prata e dourado, que proporcionam um brilho extraordinário. Além disso, os paetês, inspirados nas escamas das borboletas, acrescentam um toque mágico e luxuoso à coleção.

O evento teve parcerias exclusivas, com patrocínio do C6 Bank, beleza a cargo da Eudora, bolsas da marca brasileira Nannacay, calçados da Schutz, joias da Diamond Design e cuidados corporais da Sol de Janeiro. Além disso, contou com um time espetacular de modelos, incluindo Camila Queiroz, Alessandra Ambrósio, Emily Nunes e Bruna Tenório na passarela, enquanto o styling foi assinado por Rita Lazzarotti.

Reprodução: Instagram/ Patricia Bonaldi

Elena Velez 

Na Semana de Moda de Nova York, Elena Velez apresentou sua coleção Primavera/Verão 2025, intitulada “La Pucelle”, uma homenagem às mulheres icônicas e revolucionárias da história. A estilista, conhecida por seu estilo provocativo, desenhou a coleção com inspirações que vão desde Jeanne d’Arc até Calamity Jane, visando desafiar as normas sociais e criar uma visão disruptiva de feminilidade.

A coleção destaca-se por suas silhuetas ousadas, incluindo vestidos rendados e rasgados, peças de couro marcantes, e roupas com slogans impactantes. Destaque especial para os vestidos de baile retrabalhados, como o usado pela cantora Tinashe durante o desfile. A proposta de Velez para a temporada se alinha com uma exploração das mulheres como figuras sombrias e complexas, evidenciada na colaboração com a plataforma UGG New Heights e o OnlyFans.

A designer, finalista do prêmio LVMH, continua a sua jornada de subversão das convenções da moda com uma abordagem que mistura anarquia feminina com sofisticação material. Seus desfiles anteriores, como o de Primavera/Verão 2024, já haviam gerado grande controvérsia ao incorporar elementos provocativos, como modelos se arrastando em lama. Velez busca estabelecer um espaço único para o estilo punk na moda americana, desafiando instituições e a tendência de categorizar seu trabalho em nichos específicos.

Reprodução: Instagram/ Elena Velez

Cynthia Rowley 

Na mais recente edição da Semana de Moda de Nova York, Cynthia Rowley ofereceu uma homenagem à sua cidade natal com uma apresentação singular. Em vez de um desfile tradicional, Rowley produziu um curta-metragem ambientado em diversos restaurantes icônicos de Nova York, capturando a resiliência dos nova-iorquinos em tempos desafiadores. O filme, que será exibido na nova plataforma RUNWAY360 do CFDA em 16 de setembro, transforma esses estabelecimentos em cenários para uma homenagem fashion à cidade.

A coleção Primavera/Verão 2024 de Rowley, composta por 20 looks inovadores, combina estilos que atravessam as estações, refletindo a evolução da marca em direção a um modelo atemporal. A linha inclui tanques e suéteres delicados em algodão e cashmere, moletons adaptados com vestidos clássicos e calças "ligadas", uma fusão de peças esportivas e formais. A coleção também destaca trajes de mergulho e natação com designs criativos, bem como lenços de seda em novas estampas e óculos com lentes rosa. Entre as novidades, estão os tênis de cano baixo e alto da marca, oferecendo um toque de conforto elevado. Com uma entrega mais ágil, a nova coleção estará disponível para compra no mesmo mês de sua apresentação, celebrando a cidade de Nova York com um estilo inovador e acessível.

Reprodução: Instagram/ Cynthia Rowley

Luar

A Luar, uma das marcas de maior destaque na moda americana contemporânea, consolidou sua presença na Semana de Moda de Nova York (NYFW) com um desfile notável. O evento ganhou ainda mais notoriedade com a presença de ícones como Beyoncé no desfile anterior e Madonna na mais recente edição. Raul Lopez, o designer por trás da Luar e cofundador da Hood by Air, recebeu o prêmio de Designer de Acessórios do Ano pelo CFDA em 2022 e, no ano seguinte, foi premiado como Marca do Ano no Latin American Fashion Awards. Com raízes dominicanas e baseado em Williamsburg, Lopez traz para suas coleções uma perspectiva única que reflete sua experiência como jovem latino e LGBTQIAP+ em Nova York, começando sua trajetória ao criar roupas para a vibrante cena de voguing da cidade.

No desfile da Luar para a coleção Primavera 2025, realizado durante a NYFW, Madonna fez uma aparição marcante na primeira fila. A icônica cantora e estilista, conhecida por seu estilo inovador, estava acompanhada por outras celebridades, como Ice Spice. Madonna optou por um vestido-casaco em tom camel com ombros exagerados e estruturados, complementado por meias arrastão pretas e botas de cano alto, evidenciando um toque de glamour pop old-school que refletiu a estética audaciosa da Luar.

 

Reprodução: Instagram/ Luar

Tags:
O quinto dia da semana de moda nova-iorquina foi marcado pelo esporte e pela elegância na passarela, confira os melhores momentos.
por
Helena Costa Haddad
|
12/09/2024 - 12h

 

Carolina Herrera

A marca homônima criada nos anos 80 pela estilista venezuelana, atualmente comandada por Wes Gordon, é notória  pela sofisticação e elegância. A nova coleção primavera/verão 2025, retomou essa estética com a decisão de Gordon em honrar as coleções antigas e trazer elementos marcantes da grife, como o uso demasiado da estampa de poá. 

Vestido de tricô com estampa poá, nyfw. Foto/reprodução: Daniele Oberrauch / Gorunway
Vestido de tricô com estampa poá, nyfw. Foto/reprodução: Daniele Oberrauch / Gorunway

 

O desfile contou com peças de tricô e vestidos com babados. Já para um visual  mais noturno, foi apresentado mangas bufantes, tecidos longos e aplicações de flores extravagantes. Para encerrar, o  tom forte de amarelo, relembrando a primeira fragrância de Carolina Herrera, lançada em 1988, se fez presença indispensável nas peças

A coleção celebra muito bem as criações da idealizadora da grife, mas, não deixa de ser atual com o toque do diretor criativo.

 Backstage do desfile. Foto/Reprodução: Hunter Abrams/Vogue Runway
Backstage do desfile. Foto/Reprodução: Hunter Abrams/Vogue Runway.

 

Coach

Conversando com a geração Z, a nova coleção de verão da Coach é espontânea, divertida e sustentável. Stuart Vevers, diretor criativo da marca, trouxe o clássico modelo americano para a atualidade.

Na passarela, Vevers mistura o clássico com o atual, o uso de referências ao estilo skatista, com peças largas e bonés em um casamento harmonioso com a moda tradicional, apostando em blazers e no cetim.

Foto/reprodução: Giovanni Giannoni/Getty Images.
Foto/reprodução: Giovanni Giannoni/Getty Images.

 

A famosa tee “I love New York” é usada em vários momentos do show, conversando de novo com os consumidores sucessores. Apesar disso, os pontos fortes da marca são mantidos na coleção, os casacos de couro são peças atemporais para a grife. 

As bolsas coach são um ponto forte também, vindo de variados tamanhos e cores, sempre chamando atenção, são acessórios divertidos e complementares. 

 

Foto/reprodução: Victor Virgile/Getty Images.
Foto/reprodução: Victor Virgile/Getty Images.

 

Tory Burch

Inspirada pelo espírito esportivo, Tory Burch desfila suas peças com um cenário aquático. 

Na nova coleção, a marca  manteve sua essência, mas não deixou de usar a natação como inspiração na passarela. Bodies remetendo maiôs, óculos retangulares, tecidos fluidos, abuso de transparências ordenaram a coleção. Na beleza, um visual mais clean com o cabelo molhado, são exemplos de como a diretora criativa brincou com a ideia aquática. 

Foto/reprodução: Giovanni Giannoni/Getty Images.
Foto/reprodução: Giovanni Giannoni/Getty Images.

 

Como de esperado, a marca também trouxe uma peça icônica de volta. A Reva, famosa sapatilha da grife nos anos 2000, retorna conversando com a atualidade, seja em forma de scarpin com um salto arqueado,ou até mesmo em formatos diferentes como de um biscoito da sorte chines. O famoso piercing usado no sapato retorna nas bolsas como um acessório de um acessório. Burch convida as mulheres a usar o sportswear e apostar em um visual mais descontraído nesse verão. 

Foto/reprodução: Giovanni Giannoni/Getty images.
Foto/reprodução: Giovanni Giannoni/Getty images.

 

Tags:
Uma portinha de 30m² abriga a nova casa do borogodó sustentável cearense.
por
Giovanna Montanhan
|
11/09/2024 - 12h

O evento ocorreu na noite desta terça-feira (10) em um dos endereços de compras mais luxuosos da capital paulista, o Shopping Iguatemi JK, um dos maiores da América Latina. O coquetel de lançamento contou com a presença de Celina Hissa, fundadora e diretora criativa da marca, consumidoras já cativas, curiosos que passavam por acaso, jornalistas e parceiras que fizeram o sonho sair do papel. Uma curiosidade é que a marca é a primeira de moda autoral nordestina a desembarcar por lá.

fachada
Fachada da loja - Reprodução: @catarinamina / Instagram

 

Catarina Mina foi o nome escolhido pela dona em 2008, com o foco de expandir para todo o Brasil, a moda que nasceu no Ceará, na sua forma mais crua, composta por bordados, crochês, rendas de bilro (um município da região de Trairi que por causa desse trabalho emprega mais de cinco mil mulheres), labirinto (um tipo de renda muito detalhista e que está próxima de ser extinta), filé (uma espécie de bordado característico da cidade de Jaguaribe) e a tecelagem na palha da carnaúba (uma palmeira-símbolo que abrange os estados do Ceará, Piauí e Maranhão). 

loja
Algumas peças da marca - Reprodução: Giovanna Montanhan

 

A sustentabilidade é um pilar fundamental e indispensável para a grife, o que a levou a se consolidar como uma referência e, mais importante, a integrar o Pacto Global da ONU.

A etiqueta atualmente trabalha com 30 comunidades artesanais que envolvem cerca de 450 artesãs brasileiras, fornecendo não apenas uma fonte de renda estável para elas, mas também promovendo uma verdadeira cadeia sustentável, que têm como princípio valorizar a cultura e a mão de obra local, gerando cada vez mais visibilidade e dignidade para o trabalho dessas mulheres. 

peças
Cores alegres que representam a marca. Reprodução: Giovanna Montanhan

 

A partir de 2019, todas as bolsas carregam um QR Code que redireciona o cliente para o contato da artesã que fez aquele produto, que além da foto, contém também de onde ela veio e sua história. 

 

bolsa catarina mina
Cartão que acompanha as bolsas - Reprodução: Catarina Mina/site oficial

 

qr code artesas
Uma das artesãs exibindo o QR Code - Reprodução: Catarina Mina/ site oficial

 

Em entrevista para a AGEMT, a fundadora da Catarina Mina, Celina, revelou que trazer a marca para um espaço de prestígio representa uma grande conquista. Ela enfatizou a relevância de valorizar o trabalho artesanal de quem as produz, afirmando que o verdadeiro luxo vem do fazer à mão. Para ela, isso conecta diferentes realidades, permitindo que a marca alcance novos públicos e perspectivas. 

roupas
Uma arara repleta de tons crus. Reprodução: Giovanna Montanhan

 

A coleção, que está presente no Shopping JK, comercializa apenas as peças mais trabalhadas e com uma maior riqueza de detalhes, sendo elas muitas vezes vindas de desfiles, representando um status de exclusividade para os compradores, além dos drops de acessórios que poderão ser encontrados por lá. 

 

decoracao
Interior da loja - Reprodução: @catarinamina/Instagram

A abertura deste espaço é um marco significativo, não apenas pela expansão da moda nordestina em um local majoritariamente ocupado por grifes internacionais, mas também pela capacidade da marca cearense, focada no trabalho artesanal, de quebrar paradigmas impostos por esse cenário. A presença da Catarina Mina neste local ressignifica o conceito de luxo, tradicionalmente associado a marcas estrangeiras. Este feito não só destaca a força que a moda brasileira vem ganhando nos últimos tempos dentro do próprio país, mas também abre portas para uma nova forma de consumo, onde a sustentabilidade e o respeito pela ancestralidade brasileira ocupam o centro das atenções.

 

Tags: