Entenda como o setor de vestuário pode ser impactado pelo avanço das IAG
por
Rafael Pessoa
Annick Borges
Davi Madi
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09/06/2026 - 12h

Neste podcast buscamos falar sobre o futuro da moda. Para isso, conversamos com Maria Rita Castro, analista de sistemas e graduada em Moda e Gestão de Marketing, que compartilhou sua visão sobre os rumos da indústria diante do avanço das inteligências artificiais generativas. Ao longo da conversa, procuramos entender como a inteligência artificial generativa (IAG) pode impactar a criação, a produção e os empregos no setor da moda, além dos desafios e oportunidades que essa tecnologia traz para profissionais e empresas. O programa é acompanhado pela música "All By Myself", da banda Whilk & Misky, em versão remix. (Imagem de capa: gerada por IA)

Confira o programa no link

 

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Após pausa em abril Closetarquive retoma vendas em sua página
por
Gabriel Marx Giannini
Pedro Timm
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08/06/2026 - 12h

Na terça feira (19/05), a curadoria Fashion Closetarquive voltou à tona com novas roupas publicadas. Criada em fevereiro de 2026, a loja ganhou destaque com peças raras e exclusivas, dificilmente encontradas no Brasil. Após um começo empolgante, a página ficou parada por mais de um mês, retomando as atividades em maio.  O Closet é uma curadoria de peças de roupas principalmente já usadas, surgindo pela paixão de três amigos em moda, que queriam usar o dinheiro das vendas para reforçar ainda mais seus armários. Porém, a ideia deu muito certo e hoje o que era para ser um hobby, tornou-se o grande negócio dos três idealizadores. No começo as vendas eram para amigos e famílias, e hoje tem compradores no Brasil inteiro.  

A empolgação do público-alvo parte do ótimo trabalho de campo dos donos da página, que buscam as peças nos lugares mais diversos de São Paulo, desde salinhas escondidas na República, até fornecedores brasileiros no Japão. Para ter contato com diferentes vendedores, os criadores tiveram que passar meses se relacionando com os mais diversos nichos ligados ao Fashion, seja o movimento Punk, o Trap, o Rap entre outros. Essa identificação com o Closet, vai além da escolha das peças. A curadoria se destaca também com a estética da página no Instagram (@closetarquive), publicações com designs punks para catalogar as peças, e músicas pertencentes aos nichos consumidores. Esses aspectos são parte da experiencia que os criadores proporcionam para os compradores, trazendo um sentimento de pertencimento a cultura. 

Essa forma de aproximar o comprador é um dos diferenciais da página. Enrico Baruzzi, sócio do Closet, em entrevista à AGEMT, explica: "a gente acredita que o nosso “second hand” vai trazer a sensação de pertencimento para aquelas pessoas que querem consumir nosso produto através de reconhecimento, então quando a gente está apresentando nossas peças tentamos ao máximo apresentar um ecossistema que a gente introduzindo aquele consumidor. Então a música que está ali naquele produto a gente coloca algo condizente com aquela temática que a gente daquele passar até o próprio design de como a peça é anunciada pensando nisso”, diz.  

A página ficou parada por um mês, devido à dificuldade de estoque, para desespero dos clientes, e Pedro Bruni, também sócio explica: “Tivemos um mês de pausa porque as peças demoram pra rotacionar, o que a gente vem tentando fazer é agora, temos um estoque de peças fixas que são peças com valor mais caro, que são nossas peças chefe, além disso a gente tem que ter peças de uso diário para rotacionar os posts semanalmente. Aí quando vende uma dessas peças grandes a gente consegue comprar várias peças pequenas, mas quando sai só peças pequenas aí fica mais difícil, às vezes tem que parar, segurar um pouco estoque para conseguir seguir o planejamento mensal de publicações”, desabafa Bruni. 

A página pretende manter o padrão, post semanais de 3 a 6 peças, tentando evitar o problema de abril. No primeiro lançamento da volta, em 2 dias, 4 das 6 peças foram vendidas, e se continuar nesse ritmo os donos pretendem mudar as formas de venda “se o pessoal continuar comprando... vai ter uma surpresa no segundo semestre”, diz Baruzzi. 

Na segunda metade deste ano, a meta da curadoria é caminhar para venda presencial, tentando ter mais contatos com os públicos do nicho, a ideia é fazer vendas em garagens com data específica, trazendo a estética de banda de rock. Porém tudo depende da vontade dos compradores e do tamanho que a página vai ter até lá, por enquanto a página vem crescendo nas redes, e se destacando pela estética única apresentada, conquistando compradores a cada dia.  

 

foto/reprodução :texto apresentação do Closetarquive
foto/reprodução: texto apresentação da curadoria 

 

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Evento reuniu marcas, experiências interativas com testagem de produtos e distribuição de brindes
por
Laura Vieira
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03/06/2026 - 12h

O festival que acontece anualmente na capital de São Paulo trouxe o universo do K-pop para a edição deste ano. Localizado na Avenida Paulista, trinta marcas de produtos sul-coreanos estiveram presentes entre os dias 22 e 24 de maio, realizando demonstrações, apresentando novidades do mercado e distribuindo amostras. Para participar da dinâmica, o visitante precisava apenas fazer um breve cadastro com nome e CPF, ao chegar na recepção do local. A ativação gratuita ganhou espaço no Centro Cultural Coreano para aproximar o público da K-beauty.

A K-beauty é uma sigla para Korean Beauty ou 'beleza coreana’, em tradução literal. Com a popularização da cultura sul-coreana, a busca por rotinas de skincare cresceu significativamente entre os brasileiros. A moda começou em 2010, mas ganhou impulso a partir de 2018 com o sucesso de K-dramas e grupos de K-pop, que despertaram a curiosidade sobre os cuidados para ter a pele hidratada, uniforme e com brilho natural, chamada de efeito glass skin.

O que torna a skincare coreana atrativa para os brasileiros é a diferença entre os cuidados com a pele. Em vez de focar na correção, ela busca a prevenção dos danos a longo prazo. Os dermocosméticos possuem ingredientes naturais que entregam o efeito desejado sem agressividade, além de possuírem um preço mais acessível. Entre eles, estão ingredientes como a mucina de caracol, centelha asiática, niacinamida, chá verde e peptídeos que entregam fórmulas leves, eficazes e funcionais. 

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Exposição de produtos sul-coreanos de skincare acessível ao grande público Foto: Laura Vieira/AGEMT

Nos estandes das marcas, representantes auxiliavam os visitantes a entender não apenas o conteúdo e a proposta dos cosméticos disponíveis, mas também quais itens eram mais adequados para cada tipo de pele. Essa interação alcançou também os especialistas da área da estética que buscavam novidades do mercado para seus clientes. 

Representando a Myuri, curadoria que traz produtos da marca Nine Tails para o Brasil, Roberta Uyara disse à AGEMT que a presença na Virada Cultural foi uma experiência positiva tanto para a marca quanto para o público. “Tivemos conversas muito interessantes sobre cuidados com a pele, ingredientes e diferentes necessidades dos consumidores, além de apresentar a Nine Tails e tecnologias que ainda são novidade para muitas pessoas no Brasil”, contou. 

A presença do K-pop na edição deste ano do festival reforçou o avanço constante da cultura coreana no Brasil. A relação do brasileiro com a K-beauty não se resume à tendência passageira, tem a ver com uma maior busca por produtos que reúnam qualidade, tecnologia e informação, como aponta Roberta “o evento mostrou que o consumidor brasileiro está cada vez mais interessado em entender o que existe por trás dos produtos”. Ela ainda reforçou que iniciativas como esta são importantes para ampliar o acesso às marcas e conceitos que estão chegando no mercado nacional.

Ao final da visitação, mesmo quem não realizou compras, podia garantir amostras e levar um item para casa. Para conseguir os brindes, bastava entrar na fila, responder a um questionário e tentar a sorte na roleta. Entre as opções distribuídas estavam tônicos, séruns, máscaras faciais e protetores solares. Quem publicasse fotos ou vídeos da experiência nas redes sociais utilizando as hashtags oficiais da ação ganhava um mimo extra.

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Com referências nostálgicas e uma trilha sonora carregada de memórias, a estilista emocionou amigos e parentes
por
João Luiz Freitas
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28/05/2026 - 12h

Na quarta-feira (27), foi apresentada a nova coleção “Alda”, da Mondepars, marca brasileira fundada por Sasha Meneghel. Em um vídeo divulgado no Instagram da marca em 20 de maio, Xuxa narra a história por trás da coleção e explica que ela é uma homenagem à sua mãe.

Detalhes de um dos visuais apresentados no desfile da Mondepars
Detalhes de um dos visuais apresentados no desfile da Mondepars - Foto: Reprodução Mondepars

Muitos detalhes das roupas se ligaram a momentos da história dos familiares, como golas diferentes, adereços de cabeça e capas curtas que remetem a fase da vida em que Alda morou em um convento. Outras peças contavam com os quadris acentuados, ombreiras marcantes, calças abauladas e pantalonas, além de bolsos diferenciados que fazem referência a momento em que Agenor, bisavô de Sasha, estava treinando para ser militar.

Desfile da Mondepars de Inverno, 2026
Desfile da Mondepars de Inverno, 2026 - Foto: Reprodução/Live Mondepars

A apresentação do desfile construiu novas memórias familiares. João Lucas, marido de Sasha, em colaboração com Ana Arietti, foi responsável por assinar a direção artística do desfile. No meio da passarela, foi instalada uma representação da primeira casa em que Xuxa morou, em Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, feita com um tecido semelhante à organza.

Representação da primeira casa de Xuxa Meneghel
Representação da primeira casa de Xuxa Meneghel - Foto: Reprodução/Live Mondepars

No final do desfile foi tocado um áudio antigo da avó de Sasha, em que ela canta “Estrela do Mar”, de Dalva de Oliveira. Essa era uma música que ela cantava em dias muito chuvosos para acalmar os filhos, que ficavam amedrontados com o mau tempo. Xuxa e amigos de Sasha, como Bruna Marquezine, emocionaram-se com a finalização do desfile.

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Após 20 anos, Miranda Priestly e Andy Sachs voltam às telas com releitura de looks e novos conceitos artísticos
por
Lara Manasseh
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23/05/2026 - 12h

Em 30 de abril, “O Diabo Veste Prada 2” chegou aos cinemas e trouxe de volta as personagens principais do elenco original. Dirigido por David Frankel e ambientado em Nova York, no cenário da moda atual, o foco está nos figurinos, que trazem uma releitura de peças antigas para representar as personagens em suas atuais fases de vida. O longa mostra Miranda Priestly (inspirada em Anna Wintour e interpretada por Meryl Streep) em crise enquanto a personagem de Anne Hathaway, Andy Sachs, tenta ajudá-la. Em geral, o figurino acompanha as mudanças pessoais dos personagens e as mudanças do próprio mundo da moda.

A figurinista do primeiro filme, Patricia Field, também responsável pelo figurino de “Sex and the City”, deu lugar a Molly Rogers, que havia trabalhado com ela no primeiro longa. Rogers afirmou em entrevista que as expectativas dos produtores e do público em geral eram altas, e que o processo de escolha dos looks foi feito a partir de viagens e busca de peças de acervo das marcas que ela considerava relevantes para a construção da narrativa e dos personagens. Entre os destaques de figurino na cobertura midiática estão a icônica jaqueta de franjas da coleção outono/inverno 2025 da Dries Van Noten, usada por Meryl, e o vestido de verão escolhido para Anne Hathaway, da estilista uruguaia Gabriela Hearst. 

Anne Hathaway como Andrea Sachs andando pela calçada, falando no telefone, usando um vestido colorido
Anne Hathaway como Andy em Diabo Veste Prada 2 com vestido de Gabriela Hearst/ Reprodução: Instagram, The Devil Wears Prada Costume 
Meryl Streep como miranda no filme Diabo Veste Prada 2 usando uma jaqueta de franjas
Meryl Streep como Miranda em Diabo Veste Prada 2 usando jaqueta de franjas Dries Van Noten/ Reprodução: Instagram, The Devil Wears Prada Costume

O figurino de Miranda continua o de uma personagem poderosa, que impõe distanciamento aos demais. Em entrevista à AGEMT, a consultora de moda Ana Vaz confirmou que o uso de alfaiataria e peças estruturadas com tons mais sóbrios - seguindo a ideia de “luxo silencioso”, uma elegância discreta que valoriza a qualidade e materiais nobres - é uma forma de marcar a posição da personagem: “O foco nos ombros e cortes acentuados, atualmente, é associado à autoridade, ao contrário dos anos 2000, quando o primeiro filme foi lançado”.  

Ainda assim, o figurino foca no excêntrico. A jaqueta mais artística e o visual marcante da personagem ao chegar à cafeteria para uma reunião de última hora traduz o sentimento de deslocamento vivido por ela naquele ambiente, completa Ana Vaz. 

Já a personagem Emily (interpretada por Emily Blunt) manteve a identidade eclética e estilosa do primeiro filme, mas com foco na sua trajetória de alta executiva da Dior. As peças combinavam alfaiataria com sobreposição, botas de cano alto e acessórios marcantes, compondo uma estética mais rebelde em contraponto ao estilo clássico de Miranda. “Pegar um laço da Dior e dar um toque gótico a ele, combinaria com a personagem”, declarou a figurinista em entrevista ao New York Times. Além disso, todo o time de estilistas tinha interesse em vestir a personagem, o que ocasionou até briga.

O figurino de Andy Sachs (Anne Hathaway) no primeiro filme passa por uma transformação, marcando a entrada da personagem no mundo fashionista. “Na continuação, existe a figura de uma mulher que se desvinculou da ideia artística da moda para ser levada a sério como jornalista, mas ainda assim busca blazers e roupas de boa qualidade de segunda mão em brechós”, afirmou Vaz. Isso mostra que, após sua experiência na Runway há 20 anos, ela “aprendeu alguma coisa”, segundo a própria personagem. Um momento significativo no final do filme foi a volta do famoso suéter cerúleo em forma de colete, pontuando a trajetória dela. 

Anne Hathaway no primeiro filme de Diabo Veste Prada usando um casaco azul enquanto fala no telefone
Anne Hathaway como Andy em Diabo Veste Prada/ Reprodução Instagram, The Devil Wears Prada Costumes 


Também fica evidente a diferença entre o estilo das personagens mais experientes e o da nova geração. A atriz inglesa Simone Ashley que interpretou Amari Mari, nova assistente de Miranda, teve seu figurino marcado por referências contemporâneas e ousadas. As produções combinavam acervos de marcas relevantes como Jean Paul Gaultier, Dolce & Gabbana e Thom Browne, misturando cores vibrantes e acessórios inusitados, como um cinto feito de gravata. O visual da personagem traduz, segundo Molly Rogers, a energia criativa e irreverente da nova geração.

Para além do figurino, a narrativa de compra da Runway, vinda do dono de uma gigante da tecnologia e as mudanças estruturais que ele causaria na revista são uma referência clara à aproximação de Jeff Bezos da Vogue. Os rumores de que ele compraria o conglomerado Condé Nast, companhia de publicação da revista,  para a sua mulher começaram após o financiamento do Met Gala e a colocação de sua esposa, Lauren Sanchez, na capa da Vogue de junho de 2025. 

Os desafios atuais do mundo editorial, como a influência crescente das redes sociais no mercado, a digitalização das revistas, a redução dos investimentos em campanhas de moda e o uso cada vez mais amplo da inteligência artificial pelas marcas, aparecem no filme por meio de diálogos e conflitos centrais na trama, muitas vezes, alvo das críticas da personagem Miranda. 

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Cores, tecidos fluidos, alfaiataria e esporte chique são as novas promessas deixadas pelo segundo dia de desfiles para a nova temporada primavera/verão 2025
por
Beatriz Vasconcelos
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09/09/2024 - 12h

A semana de moda de Nova York começou nesta sexta-feira (6) e não falhou em trazer tradição, street wear e a sofisticação características da moda nova-iorquina. O segundo dia de desfiles contou com marcas como Prabal Gurung, que através das cores e tecidos fluidos trouxe alegria e esperança. E Monse, que inovou na vestimenta esportiva, apresentando novas formas e silhuetas, ambas entregando um novo olhar para o legado do evento. 

A TRADIÇÃO DAS SEMANAS DE MODA

A história das semanas de moda tem início com Charles Frederick Worth, considerado o pai da alta-costura. No século XIX, ele inovou ao apresentar suas criações em modelos ao vivo, uma prática que seria continuada por estilistas em  eventos glamourosos. Na década de 1920, Coco Chanel, Elsa Schiaparelli e Madame Vionnet consolidaram a alta-costura, criando desfiles exclusivos para clientes, sem a presença de fotógrafos, em um formato bem diferente do coletivo que se tornaria a Fashion Week.

A primeira semana de moda organizada foi a "Press Week", realizada em Nova York em 1943 por Eleanor Lambert. Criada durante a Segunda Guerra Mundial, a iniciativa buscava promover os designers americanos, já que não era possível viajar para a Europa. Ao mesmo tempo, na França, a Chambre Syndicale de la Haute Couture foi estabelecida em 1945, organizando desfiles de alta-costura de forma mais estruturada. Em 1962, Eleanor Lambert ajudou a fundar o Conselho de Designers de Moda da América (CFDA), com o objetivo de fortalecer o reconhecimento cultural, social e econômico da moda americana.

Com o tempo, as semanas de moda evoluíram, estabelecendo um calendário semestral para as principais capitais da moda: Nova York, Londres, Milão e Paris. Esses eventos apresentam as coleções de Outono/Inverno e Primavera/Verão, além de semanas específicas para moda masculina e alta-costura. A New York Fashion Week, pioneira no formato, é reconhecida por seu perfil comercial, equilibrando novos talentos e marcas tradicionais como Ralph Lauren e Michael Kors. A influência do streetwear e do athleisure wear, marcas do estilo americano, convivem com a sofisticação da moda nova-iorquina, refletindo as mudanças na forma como a moda é consumida e apresentada no cenário global.

MONSE

O desfile de primavera de 2025 da Monse foi um evento estrelado, contando com a presença de personalidades como Paris Hilton, Tiffany Haddish e Coco Rocha. Neste cenário, os designers Laura Kim e Fernando Garcia trouxeram uma dose extra de leveza e diversão à sua abordagem única de reinventar o athleisure wear em uma junção com a alfaiataria esportiva e masculina americana para mulheres que buscam uma elegância não convencional e natural.

A coleção se destacou ao reinterpretar elementos das roupas esportivas de forma literal, explorando camisas de rúgbi, jaquetas universitárias e peças inspiradas no atletismo das escolas preparatórias. Contudo, os momentos mais marcantes vieram das referências mais sutis e estruturais, como blazers reformulados e pregas que remetiam às saias de tênis, evidenciando o talento da dupla em equilibrar tradição e inovação.

Monse primavera/verão 2025 - Crédito: Reprodução Instagram (@monsemaison)
Monse primavera/verão 2025 - Crédito: Reprodução Instagram (@monsemaison)

 

Vale lembrar que Kim e Garcia também são diretores criativos da Oscar de la Renta, onde começaram suas carreiras. Nesta coleção da Monse, eles permitiram que sua experiência com o glamour clássico americano transparecesse um pouco mais, apresentando vestidos brilhantes dignos de tapetes vermelhos. Em meio a diversas referências esportivas, a coleção demonstrou a capacidade da Monse de explorar novas direções, mantendo sua combinação característica de alfaiataria refinada e ousadia lúdica.

PRABAL GURUNG

Combinando tradições festivas com uma sensibilidade ao atual cenário eleitoral do país, Prabal Gurung utiliza seu estilo fluido, repleto de cores e influências globais, para transmitir uma narrativa de renovação pessoal e comunitária.

O estilista e fundador da marca nasceu em Singapura e foi criado no Nepal. Após iniciar sua carreira em Délhi, capital da Índia, ele se mudou para Nova York para continuar seus estudos, mas suas origens sempre foram muito presentes em seus designs. Ao longo de sua carreira ele já vestiu personalidades importantes como Michelle Obama, Kate Middleton, entre outros.

Para a primavera de 2025, Gurung responde aos tempos difíceis recorrendo às tradições e à cor, revelando uma mensagem de otimismo e renascimento. A inspiração para a coleção surgiu durante uma visita ao Nepal, onde o designer participou do festival de Holi. Ao retornar aos EUA, em meio a um turbulento ciclo de notícias políticas, ele se deparou com a possibilidade histórica de uma mulher assumir a presidência, o que reavivou seu questionamento sobre o sonho americano.

Prabal Gurung primavera/verão 2025 - Crédito: Reprodução Redes Sociais (@prabalgurung)
Prabal Gurung primavera/verão 2025 - Crédito: Reprodução Redes Sociais (@prabalgurung)

 

“A celebração do Holi – há um abandono juvenil; há facilidade, diversão, devaneio e esperança. Fazia muito tempo que eu não me sentia assim – mas no minuto em que houve um anúncio de Kamala Harris, houve um ressurgimento da esperança. Eu tinha começado a coleção muito antes disso, mas aquele momento a uniu com essa explosão de otimismo e criatividade feminina”, disse o estilista sobre o processo criativo.

Prabal Gurung primavera/verão 2025 - Crédito: Reprodução Redes Sociais (@prabalgurung)
Prabal Gurung primavera/verão 2025 - Crédito: Reprodução Redes Sociais (@prabalgurung)

A coleção reflete o compromisso de Gurung com pregas, seleção meticulosa de tecidos e a fusão de estéticas ocidentais e orientais, incorporando um espírito de celebração, esperança e criatividade feminina. Esse otimismo se refletiu também na apresentação, que contou com uma banda orquestral liderada pela compositora Chloe Flower, uma coda surpresa toda em branco e um cenário icônico na 1 Centre Street — local que Gurung sempre sonhou em usar para um desfile, e que agora, finalmente, tornou-se palco de sua visão.

Prabal Gurung primavera/verão 2025 - Crédito: Reprodução Redes Sociais (@prabalgurung)
Prabal Gurung primavera/verão 2025 - Crédito: Reprodução Redes Sociais (@prabalgurung)

 

Prabal Gurung primavera/verão 2025 - Crédito: Reprodução Redes Sociais (@prabalgurung)
Prabal Gurung primavera/verão 2025 - Crédito: Reprodução Redes Sociais (@prabalgurung)

 

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Esta análise busca explorar os fatores psicológicos e sociais que impulsionam a decisão de buscar e valorizar bolsas de marca luxuosas, examinando o custo emocional, financeiro e cultural associado a essa escolha
por
Giovanna Montanhan
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17/09/2024 - 12h

Ao entrar em uma pequena loja escondida em uma das muitas galerias do bairro da Liberdade, numa tentativa de escapar do calor escaldante que dominava a cidade de São Paulo e procurar mulheres para entrevistar, fui imediatamente tomada por um cheiro quase sufocante de mofo misturado a um aromatizador de ambientes. Pilhas de bolsas se acumulavam em prateleiras apertadas, criando uma atmosfera opressiva. A vendedora, Márcia, com o rosto perfeitamente maquiado, oferecia sorrisos milimetricamente calculados, afirmando com confiança que todas as peças eram verdadeiras.

Márcia vestia uma camiseta de gola V com o logo da Gucci estampado, daquelas que você reconhece à primeira vista e já sabe que não é original. Combinava a camiseta com uma calça jeans sem marca aparente e um batom vermelho forte, que estava meio borrado para além do contorno labial. Ela me garantiu que a Louis Vuitton que eu examinava era autêntica. “Essa aqui acabou de chegar. Dá pra ver pela costura, e é exatamente como a original", disse ela, apontando para as alças de couro da bolsa, que aparentava estar desgastada, com manchas de dedos bem visíveis.

A loja era apertada, e segundo a vendedora, não ficava vazia por muito tempo. Durante o período em que estive ali, algumas curiosas entraram e passaram alguns minutos manipulando as bolsas. Foi nesse cenário que Vera, uma mulher de 52 anos, examinava cuidadosamente uma bolsa Chanel em meio à desordem. Seus cabelos loiros estavam impecavelmente pintados e penteados, ela vestia um kaftan longo em tons de azul, formando uma espiral que lembrava a estampa característica do designer italiano Emilio Pucci, embora claramente não fosse. Afinal, quem tem condições de comprar uma bolsa autêntica provavelmente poderia adquirir roupas de grife, e não frequentaria lugares como aquela galeria.

Apesar da precisão na imitação da bolsa que estava analisando, Vera parecia indiferente. Para ela, o que realmente importava era a imagem que a peça transmitia. Sem hesitar, enquanto acariciava os detalhes dourados, ela me confidenciou que seu sonho sempre foi possuir uma Chanel, e que o simples fato de ter um exemplar – mesmo que falso – a fazia sentir-se elegante e poderosa. Embora soubesse que a bolsa não era original, o prazer de tê-la em mãos parecia compensar a falta de autenticidade. O preço da original, disse, era exorbitante, e ela não via necessidade de gastar tanto para obter "o mesmo efeito".

Naquela tarde, algumas horas depois, Lúcia, de 42 anos, vestia uma blusa preta larga, calça pantalona da mesma tonalidade e sandálias anabela baixas em tom creme. Ela teclava no celular enquanto observava as prateleiras abarrotadas de bolsas Louis Vuitton, Chanel, Prada, Miu Miu e Hermès. Percebi que ela parecia um pouco receosa de se abrir com uma total desconhecida, então resolvi fingir que também estava interessada em comprar uma bolsa.

Lúcia contou que frequenta aquele lugar há bastante tempo e, para ela, o valor das imitações compensa muito, já que o preço das originais beira o absurdo. Ela ressaltou que as peças nas prateleiras possuem uma aparência tão similar às originais que ninguém percebe a diferença, a menos que a pessoa tenha muito conhecimento ou se aproxime demais. Para Lúcia, as imitações ofereciam uma maneira acessível de expressar seu estilo sem carregar o peso financeiro das grifes. Apesar de não ter uma marca favorita, gostava da sensação de caminhar pelas ruas com uma bolsa que, aos olhos dos outros, era vista como um símbolo de status social.

Naquele espaço abafado, entre as bolsas amontoadas, o burburinho das vozes de outros consumidores ecoava pelas lojas vizinhas que dividiam o mesmo espaço. O que se destacava não era apenas o comércio em si, mas o valor simbólico que aquelas peças carregavam para as mulheres que frequentavam o local com regularidade. Para elas, as bolsas iam muito além de simples acessórios; eram símbolos de status, de pertencimento a um mundo de luxo e exclusividade, mesmo que apenas pela aparência.

A busca por um produto de luxo, ainda que ilusório, era quase tangível. A cada gesto, a cada conversa, ficava claro que as consumidoras estavam menos preocupadas com a autenticidade do item e mais focadas no que ele poderia lhes proporcionar: uma sensação de pertencimento, poder e sucesso. Não se tratava apenas de possuir uma bolsa, mas de construir uma imagem de sofisticação e status. Vera deixou isso claro ao afirmar que ninguém iria parar na rua para questionar se o produto era original ou não. Carregá-lo já era o suficiente para atrair olhares diferentes, conferindo-lhe a distinção que tanto buscava.

Essa busca por símbolos de status se torna ainda mais complexa quando analisada à luz das explicações da psiquiatra Mariana Pampanelli. Para ela, esses itens de luxo – mesmo que falsificados – cumprem diversas funções psicológicas, dependendo do contexto. O anseio por prestígio social, seja para se sobressair aos demais ou para fortalecer a própria autoestima, figura entre os principais impulsionadores. E esse valor, que ela enfatizou, é determinado pelo ambiente cultural em que o indivíduo está inserido. Em alguns círculos, possuir uma bolsa de grife é apenas um reflexo natural da riqueza. Em outros, representa uma tentativa de ascensão, de se destacar do meio social em que vivem.

As redes sociais, claro, ampliam ainda mais essa dinâmica. Mariana afirmou que a comparação constante com os outros, impulsionada pelas redes sociais, intensifica o desejo por determinados itens. Ela acrescentou dizendo que as pessoas buscam estar à altura das imagens que veem na tela, e os itens de luxo são uma forma de alcançar isso. No entanto, ela também alertou para o perigo dessas compras impulsivas, pois quando o desejo por status ultrapassa o planejamento financeiro, o resultado geralmente é o arrependimento, acompanhado de uma sensação de perda de controle sobre a própria vida.

Essa constante exposição à desigualdade social intensifica o desejo de pertencer a uma classe social privilegiada. Para muitas pessoas, adquirir uma falsificação é a única forma de sentir que estão participando dessa narrativa de luxo e exclusividade, ainda que de maneira temporária. A psiquiatra explica que o item falsificado oferece uma ilusão de pertencimento, e mesmo sabendo que não é real, a pessoa se sente parte daquele mundo, ainda que por um momento. Esse sentimento é amplificado pela percepção de injustiça social, levando muitos a crer que, se não podem adquirir o item original, ao menos podem simular essa posse.

O que essas mulheres buscavam nas bolsas falsificadas não era o objeto em si, mas tudo o que ele representava. A sensação de carregar um item de luxo, mesmo que não fosse real, dava a elas a sensação de poder e pertencimento. E, nesse mundo de aparências, isso era o suficiente. A autenticidade do produto tornava-se secundária diante da necessidade de se sentir parte de algo maior, de projetar uma imagem que, na prática, não condizia com suas realidades.

 

O ‘’Grande Irmão’’ do Luxo: Vigilância na Era das Falsificações

No vórtice das redes sociais,  onde cada curtida se transforma em moeda e cada seguidor em um troféu, um perfil no Instagram emergiu como uma caçadora implacável. "The Fake Birkin Slayer" (@thefakebirkinslayer) tornou-se um oráculo em um mundo onde a busca pelo luxo não é apenas desejo, mas flerta com a obsessão. Sua missão principal é desmascarar as falsificações que se infiltram nos feeds dos usuários da rede, compartilhando nos stories o emoji que representa um par de olhos atentos. Não é apenas uma página de denúncias, mas um espelho implacável da ambição humana de conquistar o que está para além do alcance.

No epicentro desse turbilhão de desejos está a Birkin, a intocável criação da grife francesa Hermès. Muito além de ser uma simples bolsa, ela personifica um símbolo de status e poder, desejada tanto por fashionistas quanto por aqueles que almejam ingressar em um mundo que não os acolhe naturalmente, com a mesma intensidade de quem busca água em um deserto árido. Poucos têm o privilégio de atravessar as portas da exclusividade, e menos ainda conseguem segurar uma Birkin autêntica em suas mãos. Ela é a promessa de pertencimento a um círculo fechado, onde o luxo não é apenas um adorno, mas a própria identidade.

Mas como todo objeto de desejo, a Birkin tem seu lado sombrio. Na penumbra das transações secretas e nas esquinas mais discretas da internet, as imitações florescem como ervas daninhas. E "The Fake Birkin Slayer" está presente, assumindo o papel de uma justiceira digital, desmascarando com precisão quase cirúrgica os defeitos nas réplicas exibidas por aqueles que ousam postá-las. Cada nova publicação é uma sentença para quem ousou tentar enganar o olhar observador, uma exposição pública da farsa do luxo.

A Hermès, com sua produção controlada, faz de cada Birkin uma raridade. Não basta ter uma conta bancária cheia. É preciso ter acesso, influência e, sobretudo, paciência. A escassez faz o coração desejar mais, e essa falta é cuidadosamente mantida. A bolsa, que nunca está à espera nas prateleiras das boutiques, carrega consigo o peso de uma conquista — ou, para muitos, de uma frustração constante.

E é nesse limiar entre o desejo e a frustração que a falsificação encontra o terreno fértil. Para alguns, segurar uma imitação é o mais próximo que chegarão de sentir o toque do inalcançável. O brilho falso de uma Birkin não é apenas uma mentira para os outros, mas também uma ilusão auto infligida, uma tentativa desesperada de pertencer a um mundo de aparências que, no fundo, todos sabem ser efêmero. O conforto de segurar uma réplica, mesmo que por breves momentos, oferece um respiro na longa corrida pelo prestígio.

A caçada de "The Fake Birkin Slayer" revela algo maior do que apenas o desejo por autenticidade: escancara a era em que vivemos, onde o valor de um objeto não reside mais no que ele é, mas na história que ele conta. E, no palco das redes sociais, onde cada foto é uma performance encenada e cada postagem um ato de exibição, a autenticidade é a última fronteira. Quem possui o real, exerce o poder, mas, para muitos, sobra apenas a sombra do que poderia ter sido.

A Ética do Consumo e o Futuro do Luxo

Nos bastidores reluzentes do mercado de luxo, onde o brilho das vitrines oculta um submundo nebuloso, as falsificações surgem como sombras inquietantes, desafiando não apenas as marcas, mas também a moralidade de quem as consome. De um lado, há quem veja na compra de uma imitação a chance de tocar, ainda que de forma enganosa, o poder e a exclusividade que as grifes prometem. De outro, há uma realidade mais sombria: o impacto desse comércio clandestino na economia global e a exploração humana que muitas vezes alimenta esse ciclo.

Essas falsificações, frequentemente produzidas em fábricas clandestinas na China, onde a mão de obra escrava opera longe dos holofotes, trazem à tona uma questão ética ainda mais profunda. Ao comprar um produto falsificado, não se adquire apenas uma réplica de luxo; compactua-se, ainda que indiretamente, com a exploração de trabalhadores submetidos a condições desumanas, mal remunerados e forçados a produzir incessantemente para alimentar um mercado que prospera sobre suas costas. Nesse cenário, o glamour associado ao objeto de desejo torna-se, de certa forma, cúmplice de uma cadeia de injustiças.

Nesse contexto, o futuro do luxo parece caminhar sobre um terreno não muito fértil. As grandes etiquetas enfrentam não apenas o desafio de manter sua exclusividade, mas também a ameaça crescente das falsificações, que não só diluem sua imagem, mas também perpetuam a exploração da mão de obra barata. A questão agora não é mais apenas sobre como manter o controle sobre o mercado de luxo, mas sobre o que esse mercado significa num mundo onde o valor de um produto vai além de seu preço — está vinculado à ética de como é feito e por quem.

Enquanto isso, as consumidoras continuam a navegar entre o desejo de possuir o impossível e o dilema moral que surge ao considerar o verdadeiro preço de suas escolhas. A cada compra, consciente ou não, elas caminham por um território onde luxo e exploração se entrelaçam, onde o brilho de uma bolsa Hermès, Chanel ou Louis Vuitton pode estar manchado pelo suor de trabalhadores esquecidos, relegados ao anonimato. E assim, enquanto o mercado de falsificações prospera, o preço a ser pago — tanto financeiramente quanto eticamente — se torna mais difícil de ignorar.

O debate sobre as falsificações não é apenas sobre as réplicas em si, mas sobre o que estamos dispostos a sacrificar em nome do luxo. Não se trata apenas de quem pode ou não comprar o autêntico, mas de quem somos como consumidores, e de como nossas escolhas ressoam em uma cadeia global de produção onde o verdadeiro custo do desejo muitas vezes permanece invisível.

As bolsas de luxo, com todo o seu brilho e exclusividade, são muito mais do que simples acessórios. Elas carregam o peso simbólico de um mundo que valoriza a imagem sobre a substância, o ter sobre o ser. Cada peça é uma promessa de que se pode adentrar em um círculo restrito, onde o prestígio e o poder parecem estar ao alcance de quem as porta. Porém, seja autêntica ou falsificada, a verdade que essas bolsas revelam é a mesma: elas são objetos que tentam preencher um vazio que vai muito além do material.

Para alguns, possuir uma dessas bolsas é uma forma de validar sua personalidade em um mundo onde o sucesso é medido pelo que se exibe. Para outros, a imitação é a única maneira de participar dessa narrativa, ainda que apenas temporariamente. No entanto, seja no couro genuíno ou na réplica meticulosamente elaborada, a busca pelo pertencimento raramente encontra sua satisfação. A bolsa, por mais rara ou desejada que seja, não tem o poder de transformar quem a carrega. O luxo que ela promete é falacioso, efêmero, e deixa para trás apenas o eco de um desejo que nunca se apaga.

E assim, o ciclo continua. O fascínio pelo luxo persiste, alimentado pela fantasia de que, ao segurá-la, se pode finalmente tocar o inatingível. Mas, no fundo, o que as bolsas de luxo realmente oferecem é a mesma ilusão que o próprio mercado capitalista vende: uma busca interminável por algo que nenhum artefato, por mais exclusivo que seja, será capaz de entregar. Afinal, o verdadeiro valor nunca esteve no objeto, mas no fetiche que a mercadoria representa.

 

Dos anos 1990 à Geração Z, o estilista comemora trajetória marcada pela fusão entre arte, moda e cultura pop.
por
Gabriela Jacometto
Gabrielly Mendes
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28/08/2024 - 12h

  Conhecido por seu trabalho irreverente, importando o estilo grunge para as passarelas, o estilista Marc Jacobs celebra este ano o aniversário de 40 anos de sua carreira. 

   Visionário, Marc Jacobs foi um dos primeiros a adotar práticas que hoje são comuns, como a colaboração entre moda e arte. Ele trabalhou com artistas renomados como Stephen Sprouse, Yayoi Kusama e Richard Prince, estabelecendo uma conexão entre o mundo exclusivo da arte contemporânea e o mainstream. Seus produtos, ainda altamente desejados, se tornaram itens de colecionador.

  As parcerias de Jacobs também se estenderam ao universo pop, envolvendo celebridades do cinema e da música como Kanye West e Pharrell Williams, que atualmente é diretor criativo da divisão masculina da maison francesa.

Trajetória

   Nascido e criado em Nova York, o estilista teve uma infância conturbada. Após a morte de seu pai,  quando tinha 7 anos, o convívio com sua mãe, que tinha transtorno bipolar, era um desafio diário para o jovem. Assumindo a responsabilidade por seus dois irmãos mais novos, Marc já afirmou  em entrevistas que foi um período bastante turbulento e traumático. 

 

    Quando Jacobs entrou na adolescência, foi morar com sua avó paterna, e seus dois irmãos foram para um orfanato. Com a mudança de casa, a vida do jovem prodígio começou a melhorar. Sua avó foi uma das principais incentivadoras de sua paixão pela moda e dizia que Marc seria um estilista famoso e talentoso um dia. 

   Forçado a crescer precocemente por conta das responsabilidades que assumia, o estilista se formou na High School of Art and Design aos 18 anos e logo depois trilhou seu caminho na renomada Parsons School of Design, que contou com seu projeto final de três suéteres oversized, feitos em conjunto com a sua avó.

   Não demorou muito para que Jacobs começasse a ganhar destaque no mundo da moda. Com seu projeto final, foi considerado o jovem talento do ano e reconhecido por premiações como a Chester Weinberg e o Perry Ellis Award de “New Fashion Talent” pela CFDA (Council of Fashion Designers of America). Neste último, foi a pessoa mais jovem a receber o prêmio.

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Marc Jacobs na Parsons. Crédito: Arquivo Pessoal\Vogue Magazine

    No final dos anos 80, o nova-iorquino passou a ser responsável pela marca Perry Ellis como coordenador da área feminina de vestuário. Na época, Jacobs teve Tom Ford como assistente - nome que se tornaria, anos depois, um dos estilistas mais renomados no mundo, ao lado de seu inicialmente superior.

 Controvérsias

   A trajetória de Marc Jacobs na Perry Ellis não durou muito. Em 1992, o estilista apresentou a “Grunge Collection”, coleção inspirada na cena musical que surgia nas ruas de Seattle.  A criação é  considerada, até hoje, um de seus trabalhos mais controversos e polêmicos. Com uma grande parte da crítica dividida, na Perry Ellis, as opiniões sobre a coleção apresentada foram ainda mais duras, justamente pelo fracasso comercial.

 

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Naomi Campbell desfilando a coleção “Grunge” (Imagem: George Chinsee\WWD)

 

   A coleção passaria anos depois a ser um vislumbre e uma antecipação do fato de que a moda de luxo ficaria obcecada pelo grunge, que serviu de inspiração para a estética dos anos 90. Com tal polêmica cercando a marca e sem uma visão do que viria  acontecer, Perry Ellis demitiu Jacobs. No mesmo ano, o estilista ganhou seu segundo prêmio  CFDA e deu início a seu projeto de nome homônimo.

   A sua marca chegou a ter 280 lojas em mais de 50 países. Em 2015, encerrou a sua linha popular Marc by Marc Jacobs, que tinha como objetivo atrair um público mais jovem com peças mais acessíveis. 

  De 1997 a 2013, Marc Jacobs modernizou a Louis Vuitton ao assumir o cargo de diretor criativo da maison. Durante o período, o estilista ajudou a transformar a marca tradicionalmente conhecida por malas e baús de viagem de luxo numa grife de moda contemporânea. Essa mudança se deu principalmente pelas bolsas e estampas icônicas que o estilista criou para a marca fazendo parcerias com diversos artistas, entre eles, Takashi Murakami, responsável pelo logo colorido da LV que se tornou um item atemporal com a bolsa “Monogram Multicolor”.

  

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Bolsa Monogram Multicolor criada em 2005. (Imagem: Archive LV\ Louis Vuitton)

 

   Em 2020, Jacobs lançou a Heaven, uma etiqueta dedicada à Geração Z, em parceria com a jovem designer Ava Nirui. A coleção, segundo o próprio estilista, é uma linha “polissexual”, feita para  “meninas que são meninos e meninos que são meninas, além daqueles que são nenhum, são o espaço negativo, a euforia suburbana de personagens multifacetados".

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Coleção Heaven by Marc Jacobs\ Fall 21 (Imagem: Hugo Comte\Heaven by Marc Jacobs)

 

   A Heaven é como um refresco e uma diversão a em meio ao mundo da moda atualmente, que se perde em micro-trends e fast fashion. A marca conversa com as particularidades dos adolescentes de hoje em dia, que cada vez mais estão se redescobrindo, assim como Jacobs no passado. O olhar do designer segue atemporal e jovem, Marc parece nunca perder seu espírito juvenil e colorido.   

  Aos 60 anos, Marc Jacobs acumula prêmios CFDA e tem uma estrela na Calçada da Fama da Moda em Nova York. Seu impacto como influenciador é tão notável quanto sua carreira de designer, evidenciado pelos 2 milhões de seguidores no Instagram. Jacobs demonstra, mais uma vez, que é e sempre será uma figura influente no mundo pop.

 

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Com grande influência de Elsa Schiaparelli, o movimento que completa o centenário deixa um legado na moda contemporânea
por
Nathalia Teixeira
Barbara Ferreira
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26/08/2024 - 12h

Em 2024, comemoramos o centenário do movimento surrealista, corrente artística que surgiu no início do século XX. Lançado oficialmente em Paris, por André Breton, Yvan Goll, Marcel Alland e Guillaume Apollinaire, o Manifesto Surrealista emergiu entre a primeira e segunda guerra mundial, quando diversos países europeus estavam imersos em uma crise econômica. A vanguarda nasceu para abandonar a realidade crítica e explorar o inconsciente. 

O movimento é construído por diversas áreas da arte, mas predominantemente vinculado às vertentes visuais. Elabora imagens remanescentes da  psicanálise, do inconsciente e concretiza o fim do racionalismo. Com uma maior liberdade criativa e ambientalista, rompia com o tradicional e buscava uma renovação artística. 

A ideia era promover a compreensão do ser humano em suas múltiplas facetas, explorando o rompimento das correntes das limitações entre razão e lógica. Salvador Dalí (1904-1989), pintor espanhol, tornou-se uma das referências através da exibição da capacidade plástica e visão pautada dos sonhos. Joan Miró (1893-1983), também pintor espanhol, elaborava elementos coloridos e formas biomórficas.

 

 

A tentação de Antão, Salvador Dalí (1946)
A tentação de Antão, Salvador Dalí (1946)

 

Dentre tantos outros artistas da época, a arte era experimentada de uma forma suavizada e crítica, com duas ou mais dimensões, e colagens que desafiavam a percepção convencional. No Brasil, não houve especificamente um movimento surrealista, porém durante o modernismo brasileiro, Cícero Dias (1907-2003) e Tarsila do Amaral (1886-1973) foram fortemente influenciados pelas características dessa vanguarda.

 

Barqueiro, Cícero Dias (1980)
Barqueiro, Cícero Dias (1980)

 

Proporcionando uma intersecção entre artes e diversas outras áreas, a moda aderiu ao movimento com o objetivo de desenvolver estéticas que desafiavam as convenções e os limites do que podia representar. O surrealismo trouxe para a moda uma nova linguagem visual, onde o inesperado, o absurdo e o fantástico se tornaram as principais ferramentas. O movimento introduziu a ideia de que a moda não precisa ser apenas prática ou decorativa, mas também um meio de expressar a complexidade do ser humano.


O legado de Elsa Schiaparelli
No século XX, o surrealismo encontrou uma expressão única dentro da moda nas criações de Elsa Schiaparelli. Nascida em Roma, em 1890, Schiaparelli mudou-se para Paris na década de 1920, onde estabeleceu sua maison e começou a desafiar as convenções da alta-costura. Sua abordagem inovadora fez com que ficasse conhecida por ser a estilista mais audaciosa da época, transformando a moda em uma forma de arte. Ela era conhecida pela ousadia em transformar o ordinário em extraordinário, utilizando tecidos metálicos, plásticos e até mesmo papel em suas criações.
Além de revolucionar o cenário da moda, ela pode trazer collabs icônicas para o seu portfólio . Fazendo jus ao surrealismo, Schiaparelli fez algumas colaborações com Salvador Dalí, como "Lobster", em 1937. A obra foi um dos maiores sucessos da artista, que capturava o espírito lúdico e provocador do movimento.

 

Foto: Indigital.tv
Lobster Dress; foto: Indigital.tv

 
Durante sua trajetória, a estilista usou e abusou de materiais e formas inusitadas, como botões em formato de insetos, zíperes expostos e silhuetas que desafiam a anatomia tradicional. Também foi pioneira em cores vibrantes, sendo lembrada pelo "rosa choque", que se tornou uma assinatura própria. Suas coleções eram frequentemente inspiradas por temas lúdicos e surrealistas, como a astrologia e a fantasia, refletindo uma visão de moda que transcendia a simples funcionalidade e se tornava uma forma de arte e expressão pessoal. A capacidade de Schiaparelli de unir o humor com a alta-costura fez que suas peças se tornassem verdadeiras obras de arte, celebradas pela originalidade e impacto no cenário da época, rompendo uma rigidez até então presente.

 

Zsa Zsa Gabor veste Schiaparelli no filme Moulin Rouge; Foto: Getty Images
Zsa Zsa Gabor veste Elsa Schiaparelli no filme Moulin Rouge Foto: Getty Images


 
Elsa Schiaparelli apresentou um novo conceito de fazer moda como um meio de expressão pessoal e artística, se opondo ao conservadorismo e abrindo caminho para futuras gerações de estilistas. Sua visão inovadora continua a inspirar a moda contemporânea, mantendo seu legado vivo em coleções que celebram a ousadia, a criatividade e o inesperado e com referências ao movimento artístico.
 
Referência ao movimento no Brasil
Não só na Europa podemos ver o surrealismo presente nas passarelas. Em 2021, o estilista brasileiro Leandro Di Tomazoni brilhou nas passarelas, no desfile de sua marca Chapelle, com uma coleção que abusava das referências às obras de Salvador Dalí. Apresentado na CASACOR Paraná, o desfile contou com 40 peças e 21 looks completos, e aconteceu dentro de uma piscina, reforçando o compromisso em explorar a moda como uma expressão artística, honrando o legado do surrealismo.

 

Chapelle; Foto: Divulgação/Izadora Padilha
Chapelle; foto: Izadora Padilha


 

Chapelle; Foto: Divulgação/Izadora Padilha
Chapelle; foto: Izadora Padilha

O surrealismo influenciou um movimento revolucionário na moda, abrindo caminho para que estilistas pudessem explorar o imaginário sem limitações e transformar o vestuário em verdadeiras obras de arte. Graças à ousadia de pioneiros, como Elsa Schiaparelli, Jean Cocteau, Leonor Fini, Alberto Giacometti e outros, hoje os designers têm a liberdade de brincar com estampas arrojadas e formas lúdicas, trazendo à tona criações que vão além do funcional e tornam-se expressões artísticas. Os desfiles surrealistas desafiaram as normas do conservadorismo e expandiram os horizontes da moda, permitindo que a criatividade e o conceito superem as convenções tradicionais, impulsionando uma evolução constante no mundo da alta-costura.
 

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Estilista que completaria 88 anos, transformou o segmento com inovações ousadas e colaborações marcantes
por
Clara Maia de Castro Ribeiro
Pietra Nelli Nóbrega Monteagudo Laravia
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22/08/2024 - 12h

Neste mês de agosto, o lendário estilista Yves Saint Laurent completaria 88 anos de idade. Nascido no primeiro dia do mês, em 1936, na cidade de Orã, na Argélia, Yves Henri Donat Mathieu-Saint-Laurent posteriormente se tornou um dos nomes mais influentes da moda do século XX. Sua marca homônima, fundada em 1961 ao lado do parceiro Pierre Bergé, revolucionou a alta-costura, trazendo uma visão inovadora e ousada que permanece relevante até hoje.

Yves Saint Laurent começou sua carreira aos 17 anos, quando se mudou para Paris e foi descoberto por outro grande nome da indústria, Christian Dior. Aos 21 anos, após a morte de seu mentor, foi nomeado diretor criativo da Maison Dior, tornando-se o mais jovem estilista a liderar uma casa de alta-costura, destacando sua nova visão de design, com uma silhueta em trapézio.

Depois de assinar seis coleções de sucesso para a Christian Dior, Yves Saint Laurent foi convocado para lutar na guerra de independência argelina, em 1959. Este período foi marcado por diversas dificuldades em sua vida pessoal, tendo sofrido com depressão, ansiedade e com sua demissão da casa de alta-costura Dior. Porém, seu sócio e futuro marido, o empresário Pierre Bergé, consegue trazer Saint Laurent de volta à França. Juntos, fundaram a própria marca em 1961: Yves Saint Laurent, que rapidamente conquistou o mundo da moda com sua abordagem vanguardista.

A Yves Saint Laurent é amplamente reconhecida por introduzir o smoking feminino Le Smoking, lançado em 1966. A peça desafiou normas de gênero e se tornou um símbolo de empoderamento feminino.
 

Smoking feminino Le Smoking
Modelo Danielle Sauvajeon no desfile de moda de Paris em 1968 vestindo o Le Smoking. (Foto: Bill Ray)

Esse espírito inovador do estilista refletiu também em suas colaborações. Entre as mais notáveis, destaca-se a parceria com o artista Piet Mondrian, que resultou no icônico vestido Mondrian, um marco na integração entre moda e arte.

Mas a relação do estilista com a arte não parou por aí, já que Laurent teve inspirações baseadas nas obras de Andy Warhol, Henri Matisse, Picasso e Van Gogh em suas criações.
 

Vestido Mondrian
Vestido Mondrian, por Yves Saint Laurent, 1965 (Foto: François Larry)

Além disso, Yves Saint Laurent foi um dos primeiros estilistas a estabelecer colaborações estratégicas com outras marcas. Seu trabalho com a L'Oréal ajudou a expandir a presença da marca no mercado de cosméticos, consolidando o nome YSL em um universo mais amplo de produtos de luxo. Saint Laurent também vestiu celebridades e figuras influentes da cultura pop, como Catherine Deneuve – amiga pessoal do estilista, aclamada pelo próprio como sua musa - , reforçando a ligação da marca com a indústria da sétima arte.
 

Catherine Deneuve e Saint Laurent
Catherine e Yves Saint Laurent (Foto: Getty Images)

O vínculo entre criador e musa começou timidamente em 1965, quando a atriz adquiriu um vestido do estilista para um evento em Londres com a presença da rainha. No ano seguinte, Saint Laurent e Deneuve colaboraram no filme “A Bela da Tarde” de Luis Buñuel, marcando o início de uma parceria duradoura. Em uma era dominada pela minissaia, o personagem de Deneuve, Séverine, usava a peça um pouco acima do joelho, resultando em um visual sofisticado e perene. Para garantir que suas criações transcendem o tempo, Saint Laurent optou por não seguir as tendências da moda efêmera.

Décadas após sua estreia, o legado de Yves Saint Laurent continua a influenciar e inspirar o mundo da moda. Sua habilidade em fundir a tradição com a modernidade, através de criações que transcendem as tendências momentâneas, estabeleceu uma nova referência para a elegância e o poder feminino.

Mesmo após sua aposentadoria e subsequente falecimento em 2008, a grife Saint Laurent permanece com fonte na inovação, mantendo uma proposta que equilibra a sofisticação com uma ousadia inconfundível. Destacando uma alfaiataria inovadora, silhuetas sedutoras e estampas exóticas que traduzem uma elegância audaciosa e original.

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