Premiação a Frankenstein desperta debate sobre a nova vida do estilo gótico
por
João Calegari
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26/03/2026 - 12h

A consagração de Frankenstein no Oscar 2026 ganhou forma pela minúcia da produção: o filme levou a estatueta de Melhor Figurino pelo trabalho da figurinista Kate Hawley, o que reconhece uma construção visual que extrapola a recriação de época. Em uma categoria marcada pela diversidade estética, a vitória reafirma o peso das escolhas visuais na narrativa e consolida o longa de Guillermo del Toro como um dos grandes destaques técnicos da premiação. Além de despertar olhares ao estilo norteador do filme, o gótico.

Porque na indústria cinematográfica atual, se engana aquele que acredita nas decisões editoriais realizadas ao acaso. A produção não se trata apenas de um bom processo na confecção de roupas, mas de decisões que fazem parte de um projeto: voltar os holofotes culturais para o estilo gótico novamente.

A parceria entre Guillermo del Toro e Kate Hawley não é de hoje, os dois trabalham juntos desde “Círculo de Fogo”, filme lançado em 2013. O diretor conta que fazia reuniões periódicas com Kate meses antes da produção se iniciar. Nelas, del Toro apresentava diversas convicções sobre os figurinos: havia uma necessidade de peças modernas, a produção não poderia se basear em uma  simples recriação de época. Por outro lado, Hawley apresentava a estética do romantismo gótico para os figurinos, proposta determinante para que o filme adquirisse a estética de “sonho melancólico”.

Foto: Personagem Elizabeth usa vestido volumoso branco em meio a uma sala escura.
Personagem Elizabeth usa vestido volumoso branco em meio a uma sala escura. / Fonte: Netflix

O filme dirigido por Guillermo del Toro adapta o clássico de Mary Shelley, de 1818, para uma nova linguagem. A obra original é considerada pelo imortal da Academia Brasileira de Letras, Ruy Castro, como o primeiro grande exemplar das histórias de horror modernas, além de ser o grande precursor do gênero de ficção científica. 

“O clássico conta a história de um horrendo ser, que ao despertar para o mundo, torna-se consciente de que é um monstro, rejeitado por todos” - Ruy Castro

A definição de Ruy também serve de modelo para a ótica gótica de se ler o mundo, já que essa estética se propõe a representar os rejeitados. A produção monumental proporcionada pela Netflix sugere um novo ritmo para a modernidade, assim como todo o estilo gótico. 

Foto: Arco de catedral no estilo gótico / Fonte: Pxhere.
Arco de catedral no estilo gótico / Fonte: Pxhere.

É óbvio traçar o paralelo, a história original questiona a ambição humana ao criar seres que não se encaixam nos seus contextos. Assim como eram os edifícios que se mostravam gigantes derretendo em uma época de erudição regrada. Assim como, uma criatura de Victor Frankenstein decide se revoltar contra uma “elite do saber”. Ou, então, um trabalho de figurinos que decide inovar em meio ao clássico ao invés de uma simples recriação de uma época.

Talvez seja esse último que fez com que o trabalho de Hawley se destacasse em meio aos indicados ao prêmio de melhor figurino no Oscar. Uma vez que as propostas de Hamnet: A vida antes de Hamlet, Marty Supreme e Pecadores possuíam a recriação de períodos históricos como princípio norteador. A exceção entre os indicados é Avatar, por se tratar de uma produção com estética fantasiosa.

Foto: Personagem Elizabeth segura um crânio enquanto usa vestido verde com adereço de penas na cabeça. / Fonte: Netflix.
Personagem Elizabeth segura um crânio enquanto usa vestido verde com adereço de penas na cabeça. / Fonte: Netflix.

O gótico sempre foi uma forma cultural de lidar com os medos de uma época. No século XIX, ele refletia angústias ligadas ao avanço científico e à ruptura com antigas tradições religiosas, temáticas que são ainda mais atuais hoje do que no período de publicação do livro. 

Nesse sentido, o sucesso de Frankenstein (2025) revela também uma mudança no próprio cinema de horror. Se recentemente o gênero foi associado a necessidade de sustos rápidos e entretenimento descartável, produções como a de Del Toro reafirmam o potencial artístico e filosófico dessas narrativas. O gênero do terror volta a ser tratado como espaço de reflexão estética e existencial.

A criatura está sentada no contraluz de um sótão, um dos momentos em que percebe ser rejeitado por seu próprio criador. / Fonte: Netflix.
A criatura está sentada no contraluz de um sótão, um dos momentos em que percebe ser rejeitado por seu próprio criador. / Fonte: Netflix.

Na irregularidade formal das peças do filme, se vê um contraste claro. A obra acompanha um cenário de rigor anatômico, porém, nos trajes mais impactantes do longa, é perceptível um objetivo de perversão desse tecnicismo através dos excessos.

Tal lógica de excesso e simbolismo se estende às joias, assinadas pela Tiffany & Co., que empresta ao filme peças raríssimas de seu acervo. Colares como o “The Wade” e o “The Beetle” não funcionam apenas como ornamento, mas como extensão da própria construção estética do longa. Foi a primeira vez que a casa de joias novaiorquina reuniu obras de arquivo e peças contemporâneas em uma produção cinematográfica.

A peça mais emblemática da obra, o vestido de apresentação da personagem Elizabeth, interpretada por Mia Goth, é a prova disso. Elizabeth é o ideal de Lady europeia do Século XVIII, é guiada pelo cuidado e empatia. É, portanto, a grande antítese do protagonista.

O vestido é volumoso e ganha transparência em contato com a luz, mas o que chama atenção mesmo é o adereço de cabeça feito de penas, que aparenta orbitar a cabeça da personagem, elemento que transmite a sensação onírica proposta por Kate Hawley.

croqui do vestido de Elizabeth ilustrado na campanha promocional do filme. /Fonte: Netflix.
Croqui do vestido de Elizabeth ilustrado na campanha promocional do filme. /Fonte: Netflix.

Mas além dele, o filme é recheado por outros vestidos com silhuetas dramáticas e exageradas, tecidos pesados e volumes acentuados. Mas além disso, na maioria das cenas, a direção de del Toro propõe a escuridão como elemento transformador dos figurinos de Hawley. Todos se engrandecem no escuro, ganham novas formas nas cenas de contraluz e assim, a escuridão ganha protagonismo na obra. 

Vestido da personagem Elizabeth em luzes escuras, destacando a variedade de tecidos do vestido / Fonte: Netflix
Vestido da personagem Elizabeth em luzes escuras, destacando a variedade de tecidos do vestido / Fonte: Netflix

Por fim, a vitória de Frankenstein no Oscar de figurino não representa apenas um prêmio técnico. Ela simboliza a necessidade de questionar o universo cultural em que estamos inseridos. Ao pautar o retorno do gótico, estamos remodelando a forma de se observar os comportamentos sociais por meio das manifestações artísticas. É notável que a estética gótica propõe uma nova forma de se observar um mesmo mundo. 

A criatura usa vestes de sobreposição enquanto veste um capuz. Está sozinho em um lago congelado. / Fonte: Netflix
A criatura usa vestes de sobreposição enquanto veste um capuz. Está sozinho em um lago congelado. / Fonte: Netflix

 

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Duas das casas mais importantes da atualidade exploram seu legado e aproveitam para se reinventar
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Liz Ortiz Fratucci
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17/03/2026 - 12h

No último domingo (8), em Paris, Jean Paul Gaultier e McQueen marcaram o sétimo dia da Semana de Moda parisiense, com coleções que revisitaram a história de suas casas.

Desde a aposentadoria de Jean-Paul Gaultier das passarelas em 2021, a maison adotou um modelo rotativo para a direção criativa: toda temporada um designer diferente é convidado para reinterpretar os códigos deixados por Gaultier. Para a coleção de Outono/Inverno 2026, Duran Lantink foi convidado para assumir brevemente a direção de criação pela segunda vez. O legado da marca foi revisitado por Lantink através da subversão de gêneros e de peças provocadoras e irônicas.

O designer apresentou um equilíbrio entre o novo e as homenagens. Sua experiência na criação de volumes resultou na reinterpretação de clássicos da casa, como o corset, as silhuetas estruturadas e os jogos de trompe-l’œil - técnica artística que utiliza perspectivas e ilusionismo para criar a ilusão de ótica - que marcaram a carreira de Jean-Paul Gaultier.

O fundador da marca homônima é notório por misturar elegância e teatralidade. Em seus desfiles, a passarela transformava-se em um espetáculo performático com personagens, humor e apresentações visuais que iam além das peças. Lantink, dialoga com esse universo lúdico ao apresentar personagens western, esportistas e que evocam vilões de cinema.

Jean Paul Gaultier FW26. Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier
Jean Paul Gaultier FW26.
Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier
Jean Paul Gaultier FW26. Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier
Jean Paul Gaultier FW26.
Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier

 

“Explorar a tensão psicológica entre a interioridade e a exterioridade; performance e paranoia…” explica Seán McGirr, no release, o que ele quis retratar nessa temporada. Assim como McQueen, McGirr usa filmes como inspiração. “Safe” de 1995 influenciou a coleção à explorar temas como ansiedade, identidade e tensão psicológica. 

Com uma trilha sonora inquietante assinada por Ag Cook - colaborador frequente da cantora Charli XCX - o designer apresentou sobretudos usados como vestidos curtos, botas que chegavam até os joelhos e mini saias que evocavam a moda dos anos 60 de Mary Quant. 

Por baixo dos blazers acetinados, surgiam blusas com flores bordadas à mão e outras aplicações que remeteram a escamas. Alguns dos looks apresentaram peças de crochê feitas com material metálico.

A herança de Alexander McQueen foi resgatada por meio de calças de cintura baixa com aprofundamento na parte de trás, conhecida como “bumsters”. A clássica bolsa Knuckle Clutch também teve uma releitura, enquanto um cachecol estampado com caveiras retomou um dos símbolos mais reconhecíveis da Alexander McQueen.

Ao final do desfile, são introduzidos vestidos esvoaçantes feitos de organza, rendas e cetim. McGuirr deixa claro que a renda não surge apenas como ornamento, mas como um elemento íntimo que revela o interior. A coleção encerra com uma noiva com um vestido e um gorro inteiramente brancos e bordados com flores. 

McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
 
McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
 



 

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Alfaiataria precisa, romantismo gótico e referências a diretores criativos antecessores marcaram os desfiles do sexto dia.
por
Liz Ortiz Fratucci
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11/03/2026 - 12h

No último sábado (7), em Paris, Celine, Ann Demeulemeester e Balenciaga estiveram entre os principais desfiles do dia. As coleções apresentaram diferentes leituras dos códigos de cada maison, combinando referências a seus arquivos com as interpretações de seus atuais diretores criativos.

“Eu acredito que a Celine é o lugar que você vai encontrar peças lindamente cortadas e uma silhueta mais fina” disse Michael Rider, o diretor criativo da Celine, em entrevista para Vogue. Para Rider, a tendência do oversized presente na última década está começando a sair de cena e por isso, nessa nova coleção, ele volta a enfatizar silhuetas mais ajustadas e uma alfaiataria precisa.

Em suas duas últimas coleções para a marca, o designer trouxe a estética preppy para as passarelas. Porém, nessa coleção ele apresenta um estilo diferente, focado na alfaiataria: casacos e ternos com ombros estruturados e calças flare encurtadas. 

Os acessórios causam dissonância no styling: chapéus em formato de sino e cachecóis aparecem cobrindo o rosto das modelos; alguns homens aparecem usando coroas de penas; colares ou brincos maximalistas compõem alguns dos looks.

O desfile foi ambientado em um salão inteiramente branco, com grandes amplificadores de som de aparência vintage espalhadas pelo espaço. Nas caixas de som, músicas do norte-americano Prince se misturavam a um mix de rock que reforçava a atmosfera de banda de garagem da coleção.

modelo celine
Celine FW26. Foto: Divulgação/Celine
 
Celine FW26. Foto: Divulgação/Celine
Celine FW26. Foto: Divulgação/Celine

Na Ann Demeulemeester, a coleção foi exibida na Couvent des Cordeliers de Paris e foi chamada de “Dear Night Thoughts”, expressão que o diretor criativo da marca, Stefano Gallici, usava quando criança ao começar a escrever uma nova página em seu diário.

A locação do desfile já foi usada anteriormente pela marca por possuir uma arquitetura medieval e sombria que complementa a atmosfera poética e melancólica característica da maison. 

Nessa temporada, o DNA da marca foi resgatado por looks monocromáticos pretos, saias com camadas fluidas e silhuetas andróginas e alongadas. A coleção foi composta por peças de estética colegial, blazers com brasões, jaquetas militares, capas de ombro com golas que remetiam a era vitoriana, punhos e colarinhos com rufo (babados ou pregas franzidas, geralmente aplicado em golas ou punhos), camisetas por cima de camisas, vestidos de renda, cadarços longos que saíam das camisas e balançavam ao caminhar, além de peças de couro com franjas.

Em meio a um casting diverso, o cantor inglês de rock, Billy Idol, fez uma participação surpresa e desfilou vestindo uma capa de couro preta com franjas, colete preto, camisa branca com gola rufo, calças pretas e botas de couro. 


 

Ann Demeulemeester FW26. Foto: Divulgação/Ann Demeulemeester
Ann Demeulemeester FW26. Foto: Divulgação/Ann Demeulemeester
Billy Idol na passarela da Ann Demeulemeester
Billy Idol na passarela da Ann Demeulemeester FW26.
Foto: Divulgação/Ann Demeulemeester

Em sua segunda temporada na Balenciaga, Pierpaolo Piccioli dialoga tanto com o legado do fundador da casa, Cristóbal Balenciaga, quanto com a estética de seu antecessor, Demna Gvsalia.

A coleção foi chamada “ClairObscur” (claro e obscuro) e explorou a ideia de luz e escuridão, inspirada na pintura barroca de Caravaggio. A intenção de Piccioli era criar um “fresco de humanidade”, refletindo emoções e contrastes da vida contemporânea. 

O desfile também teve uma colaboração inusitada com o diretor Sam Levinson, criador da série Euphoria, que criou um vídeo imersivo com imagens de paisagens naturais mescladas a rostos humanos. A trilha sonora, também feita por Levinson, foi uma mistura de música clássica, com canções de Rosalia e de Labrinth. 

Dessa vez, Piccioli faz referência a Balenciaga dos anos 1950 e 1960 em peças como: casacos longos, cocoon coats (silhueta arredondada e volumosa, que envolvem o corpo como um casulo), vestidos drapeados e casacos com silhueta balloon (formato em que a peça cria volume curvo para fora do corpo, lembrando um balão). O streetwear da era Demna aparece em: estampas inspiradas na série "Euphoria”, moletons, leggings, jaquetas utilitárias, botas até o joelho, tênis robustos e óculos futuristas. 

Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga
Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga


 

Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga
Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga

 

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Com 68 desfiles previstos, a semana de moda começou com grandes destaques, misturando tradição, inovação e presença internacional
por
Amanda Lemos
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10/03/2026 - 12h

A semana de moda de Paris começou na segunda-feira (02) e foi até o dia 10. O evento encerrou o calendário internacional de desfiles, que teve etapas anteriores em Nova York, Londres e Milão. A abertura foi realizada por alunos do mestrado de vários países do Institut Français de la Mode (IFM), uma das instituições de moda mais prestigiadas do mundo. Ela prepara profissionais para entender a moda como sistema, não apenas como estética. Além disso, o primeiro dia contou com a presença de marcas como Hodakova, Vaquera e Julie Kegels. Os desfiles do primeiro dia aconteceram no Jardim das Tuileries. 

O evento começou com foco em novos designs, trazendo coleções que misturavam tradição e modernidade. Algumas marcas como Dior, Gucci e Fendi, têm investido em novos diretores criativos para renovar os códigos tradicionais das casas de moda. Os looks chamavam atenção por suas cores vibrantes e peças marcantes. A passarela foi organizada em formato circular, permitindo que o público tivesse uma visão completa do desfile. 

Vista aérea do palco da Paris Fashion Week 2026, com passarelas de vidro sobre espelhos d’água esverdeados, cercados por estruturas modernas e plantas aquáticas.
Palco dos desfiles da semana de moda de Paris 2026 no Jardim das Tuileries - Foto: @dior / Instagram 

A Hodakova, marca sueca fundada em Estocolmo, foi uma das primeiras a desfilar. A coleção foi assinada por Ellen Hodakova Larsson, fundadora e diretora criativa da marca e trouxe uma tendência de moda conceitual e sustentável. A paleta de cores, dominada por tons neutros e sóbrios, como preto, bege, cinza e off-white, evidenciava as formas e os volumes das peças. A grife investiu em costuras aparentes, sobreposição e proporções deslocadas. 

A Vaquera, grife norte-americana fundada em Nova York, também marcou presença com uma ideia de tensão entre perfeição e caos. Com coleção assinada pelos diretores criativos e também criadores da marca Patric DiCaprio e Bryn Taubensee, se reafirmou como uma das marcas mais excêntricas do cenário atual. Ela brincou com proporções e texturas, trazendo para a passarela silhuetas exageradas e uma estética que provoca reflexões sobre identidade. Assim, desafiando os códigos tradicionais da moda. 

As coleções apresentadas pelas marcas no início da semana de moda de Paris 2026, trouxeram um panorama inicial das propostas que foram exibidas ao longo dos demais dias. 

Modelos desfilam criações conceituais da Hodakova na Paris Fashion Week 2026, com looks experimentais feitos de materiais reaproveitados, incluindo peças esculturais e combinações minimalistas, em passarela intimista.
Desfile da Hodakova na semana de moda de Paris 2026 - Foto: Hodakova
Cartaz digital em estilo "DIY" e punk, com estética de xerox em preto e branco de alto contraste sobre um fundo branco. No topo, o texto em letras maiúsculas e levemente inclinadas diz "VAQUERA DÉFILÉ". Abaixo, as informações do evento: "MONDAY MARCH 2ND" (Segunda-feira, 2 de março) e o horário "8:30PM".
Post feito pela Vaquera no instagram para anunciar data e hora do desfile - Foto: @vaquera.nyc / Instagram

 

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Estilistas consolidam suas assinaturas criativas e reinventam elementos clássicos com frescor.
por
Helena Haddad
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10/03/2026 - 12h

No quinto dia da Paris Fashion Week Outono/Inverno 26-27, as direções artísticas mostraram como é possível honrar legados e, ao mesmo tempo, projetar novas visões nas passarelas. Os desfiles, realizados em locais históricos, têm reforçado as narrativas propostas. Confira os principais destaques das coleções.

Mugler

Marcando o segundo capítulo da sua trilogia para a Maison, Miguel Castro Freitas entregou a coleção The Commander (O Comandante). A ideia é revisitar os “clichês” da Mugler, os ombros afiados e arquitetônicos, a silhueta dramática e o power dressing

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Foto/Divulgação: Mugler 

A narrativa contou com mulheres confiantes e em posição de comando. As ombreiras marcantes, inspiradas em uniformes militares, reforçaram essa figura de autoridade e, claro, a silhueta de ampulheta.
Cintos largos aparecem ao lado de bolsos utilitários, enquanto a alfaiataria surge como um dos principais destaques da coleção, em peças de diferentes cortes e em tons como azul, bege, roxo e preto. Na Mugler, o glamour esperado aparece em texturas metalizadas, lisas e plissadas, além do couro que molda o corpo

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Foto/Divulgação: Mugler 

Loewe

Na segunda coleção dos estilistas Jack McCollough e Lazaro Hernandez para a Loewe, marca espanhola, o desafio foi mesclar peças de verão, em uma temporada de inverno. Para os dois estilistas estadunidenses, a Espanha remete ao calor, que se manifesta nas cores, nas texturas e nas roupas.

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Foto/Divulgação: Loewe

Na coleção, é possível encontrar peças de verão, muita influência do estilo esportivo. Os vestidos aparecem como toalhas. O tecido felpudo, na verdade, é resultado de pontos de tricô minuciosamente trabalhados. O látex e o couro coloridos fazem parte da essência da marca, junto do xadrez colorido.

loewe
Foto/Divulgação: Loewe

 Aqui, os diretores honraram as raízes divertidas da Maison, mas também imprimiram nelas sua própria marca


Givenchy


Sendo uma das únicas mulheres à frente de uma casa de luxo, Sarah Burton trouxe o protagonismo feminino de uma forma sexy e rígida.

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Foto/Divulgação: Givenchy

Nesta coleção, Burton desconstruiu e brincou com peças clássicas. A camisa social apareceu com as costas para a frente, trazendo um colarinho dramático e divertido. Para a estilista, não há um limite quando se trata de moda feminina, do vestido de oncinha ao terno elegante.

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Foto/Divulgação: Givenchy

Teve o inusitado couro estampado, o uso de estampas florais com franjas dramáticas e a renda preta combinada com acessórios extravagantes. Já seda apareceu no final do desfile. O ponto alto da coleção: top de jóias, feito de pedras e metais. A peça resgata um dos looks mais famosos da Givenchy, já usado pela cantora e rapper estadunidense Doechii, no Grammy deste ano. Uma verdadeira obra de arte.

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Foto/Divulgação: Givenchy

 

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O quinto dia da semana de moda nova-iorquina foi marcado pelo esporte e pela elegância na passarela, confira os melhores momentos.
por
Helena Costa Haddad
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12/09/2024 - 12h

 

Carolina Herrera

A marca homônima criada nos anos 80 pela estilista venezuelana, atualmente comandada por Wes Gordon, é notória  pela sofisticação e elegância. A nova coleção primavera/verão 2025, retomou essa estética com a decisão de Gordon em honrar as coleções antigas e trazer elementos marcantes da grife, como o uso demasiado da estampa de poá. 

Vestido de tricô com estampa poá, nyfw. Foto/reprodução: Daniele Oberrauch / Gorunway
Vestido de tricô com estampa poá, nyfw. Foto/reprodução: Daniele Oberrauch / Gorunway

 

O desfile contou com peças de tricô e vestidos com babados. Já para um visual  mais noturno, foi apresentado mangas bufantes, tecidos longos e aplicações de flores extravagantes. Para encerrar, o  tom forte de amarelo, relembrando a primeira fragrância de Carolina Herrera, lançada em 1988, se fez presença indispensável nas peças

A coleção celebra muito bem as criações da idealizadora da grife, mas, não deixa de ser atual com o toque do diretor criativo.

 Backstage do desfile. Foto/Reprodução: Hunter Abrams/Vogue Runway
Backstage do desfile. Foto/Reprodução: Hunter Abrams/Vogue Runway.

 

Coach

Conversando com a geração Z, a nova coleção de verão da Coach é espontânea, divertida e sustentável. Stuart Vevers, diretor criativo da marca, trouxe o clássico modelo americano para a atualidade.

Na passarela, Vevers mistura o clássico com o atual, o uso de referências ao estilo skatista, com peças largas e bonés em um casamento harmonioso com a moda tradicional, apostando em blazers e no cetim.

Foto/reprodução: Giovanni Giannoni/Getty Images.
Foto/reprodução: Giovanni Giannoni/Getty Images.

 

A famosa tee “I love New York” é usada em vários momentos do show, conversando de novo com os consumidores sucessores. Apesar disso, os pontos fortes da marca são mantidos na coleção, os casacos de couro são peças atemporais para a grife. 

As bolsas coach são um ponto forte também, vindo de variados tamanhos e cores, sempre chamando atenção, são acessórios divertidos e complementares. 

 

Foto/reprodução: Victor Virgile/Getty Images.
Foto/reprodução: Victor Virgile/Getty Images.

 

Tory Burch

Inspirada pelo espírito esportivo, Tory Burch desfila suas peças com um cenário aquático. 

Na nova coleção, a marca  manteve sua essência, mas não deixou de usar a natação como inspiração na passarela. Bodies remetendo maiôs, óculos retangulares, tecidos fluidos, abuso de transparências ordenaram a coleção. Na beleza, um visual mais clean com o cabelo molhado, são exemplos de como a diretora criativa brincou com a ideia aquática. 

Foto/reprodução: Giovanni Giannoni/Getty Images.
Foto/reprodução: Giovanni Giannoni/Getty Images.

 

Como de esperado, a marca também trouxe uma peça icônica de volta. A Reva, famosa sapatilha da grife nos anos 2000, retorna conversando com a atualidade, seja em forma de scarpin com um salto arqueado,ou até mesmo em formatos diferentes como de um biscoito da sorte chines. O famoso piercing usado no sapato retorna nas bolsas como um acessório de um acessório. Burch convida as mulheres a usar o sportswear e apostar em um visual mais descontraído nesse verão. 

Foto/reprodução: Giovanni Giannoni/Getty images.
Foto/reprodução: Giovanni Giannoni/Getty images.

 

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Uma portinha de 30m² abriga a nova casa do borogodó sustentável cearense.
por
Giovanna Montanhan
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11/09/2024 - 12h

O evento ocorreu na noite desta terça-feira (10) em um dos endereços de compras mais luxuosos da capital paulista, o Shopping Iguatemi JK, um dos maiores da América Latina. O coquetel de lançamento contou com a presença de Celina Hissa, fundadora e diretora criativa da marca, consumidoras já cativas, curiosos que passavam por acaso, jornalistas e parceiras que fizeram o sonho sair do papel. Uma curiosidade é que a marca é a primeira de moda autoral nordestina a desembarcar por lá.

fachada
Fachada da loja - Reprodução: @catarinamina / Instagram

 

Catarina Mina foi o nome escolhido pela dona em 2008, com o foco de expandir para todo o Brasil, a moda que nasceu no Ceará, na sua forma mais crua, composta por bordados, crochês, rendas de bilro (um município da região de Trairi que por causa desse trabalho emprega mais de cinco mil mulheres), labirinto (um tipo de renda muito detalhista e que está próxima de ser extinta), filé (uma espécie de bordado característico da cidade de Jaguaribe) e a tecelagem na palha da carnaúba (uma palmeira-símbolo que abrange os estados do Ceará, Piauí e Maranhão). 

loja
Algumas peças da marca - Reprodução: Giovanna Montanhan

 

A sustentabilidade é um pilar fundamental e indispensável para a grife, o que a levou a se consolidar como uma referência e, mais importante, a integrar o Pacto Global da ONU.

A etiqueta atualmente trabalha com 30 comunidades artesanais que envolvem cerca de 450 artesãs brasileiras, fornecendo não apenas uma fonte de renda estável para elas, mas também promovendo uma verdadeira cadeia sustentável, que têm como princípio valorizar a cultura e a mão de obra local, gerando cada vez mais visibilidade e dignidade para o trabalho dessas mulheres. 

peças
Cores alegres que representam a marca. Reprodução: Giovanna Montanhan

 

A partir de 2019, todas as bolsas carregam um QR Code que redireciona o cliente para o contato da artesã que fez aquele produto, que além da foto, contém também de onde ela veio e sua história. 

 

bolsa catarina mina
Cartão que acompanha as bolsas - Reprodução: Catarina Mina/site oficial

 

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Uma das artesãs exibindo o QR Code - Reprodução: Catarina Mina/ site oficial

 

Em entrevista para a AGEMT, a fundadora da Catarina Mina, Celina, revelou que trazer a marca para um espaço de prestígio representa uma grande conquista. Ela enfatizou a relevância de valorizar o trabalho artesanal de quem as produz, afirmando que o verdadeiro luxo vem do fazer à mão. Para ela, isso conecta diferentes realidades, permitindo que a marca alcance novos públicos e perspectivas. 

roupas
Uma arara repleta de tons crus. Reprodução: Giovanna Montanhan

 

A coleção, que está presente no Shopping JK, comercializa apenas as peças mais trabalhadas e com uma maior riqueza de detalhes, sendo elas muitas vezes vindas de desfiles, representando um status de exclusividade para os compradores, além dos drops de acessórios que poderão ser encontrados por lá. 

 

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Interior da loja - Reprodução: @catarinamina/Instagram

A abertura deste espaço é um marco significativo, não apenas pela expansão da moda nordestina em um local majoritariamente ocupado por grifes internacionais, mas também pela capacidade da marca cearense, focada no trabalho artesanal, de quebrar paradigmas impostos por esse cenário. A presença da Catarina Mina neste local ressignifica o conceito de luxo, tradicionalmente associado a marcas estrangeiras. Este feito não só destaca a força que a moda brasileira vem ganhando nos últimos tempos dentro do próprio país, mas também abre portas para uma nova forma de consumo, onde a sustentabilidade e o respeito pela ancestralidade brasileira ocupam o centro das atenções.

 

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As marcas internacionais apresentaram suas novas coleções no último domingo, em Manhattan.
por
Liz Ortiz Fratucci
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10/09/2024 - 12h

 

Na última sexta-feira (06), foi iniciada a semana de moda de primavera/verão de Nova York, nos Estados Unidos. Ao longo do terceiro dia de evento, domingo (08), marcas como Sandy Liang, PH5, Ulla Johnson e Jason Wu, apresentaram desfiles marcantes envoltos em diversidade cultural e inclusão da multiplicidade.

 

Ulla Johnson:

 

A designer americana, conhecida pela sua habilidade em interseccionar moda e arte com um estilo boêmio, apresentou uma coleção que combina utilidade e  leveza. Nas peças  foram incorporadas  pinturas da artista expressionista Lee Krasner, estampando desde vestidos fluidos até alfaiataria.

 

A abstração das estampas se harmonizou perfeitamente com a leveza dos materiais escolhidos, e as cores magenta e verde criaram um contraste com a paleta neutra predominante no restante da coleção.

Fiel à sua identidade visual, Ulla Johnson manteve elementos característicos em suas coleções, como vestidos leves, aplicações de detalhes artesanais, babados, transparências e rendas, sempre trazendo elegância e sofisticação, além de uma sutil sensualidade,evidenciada em elementos de styling, como a amarração de um fino tecido de chiffon no pescoço de um vestido com um grande decote.

 

Pela primeira vez, a passarela contou com modelos masculinos vestindo criações originalmente projetadas para mulheres, indicando  uma possível expansão da marca para o público  masculino.

Modelo abrindo o desfile da Ulla Johsnon com vestido verde e rosa de seda. Foto: Filippo Fior
Foto: Filippo Fior/Vogue Runaway

 

Sandy Liang:

 

No desfile mais aguardado pelo público jovem adepto   ao estilo viral nas redes sociais conhecido como coquette, Sandy Liang traz, para esta  temporada, uma coleção inspirada no vestuário das personagens do desenho infantil “Três Espiãs Demais” e na figura de  princesa. Durante o evento , foi possível notar  uma variedade de  silhuetas que  referenciavam os anos 60 e 90.

“Ser princesa é um trabalho, assim como ser uma espiã é um trabalho”, escreve Liang nas notas da coleção.

 

 Nessa coleção, a estilista nova-iorquina  deixou um pouco de lado sua marca registrada ultra feminina, e abraça uma personagem mais madura, abandonando o uso de laços na composição e adorno das peças. A persona a quem a Liang  elabora suas coleções, está agora se vestindo de uma maneira mais corporativa, usando blazers, bermudas e saias de alfaiataria.

 

Mas o abandono não foi completo e  as características que trazem jovialidade a coleção continuaram presentes, evidente no styling com  saltos gatinho, bolsas de babados, tecidos acetinados, gargantilhas, lenços no cabelo, aplicações de pedras brilhantes e até o batom rosa “Snob” da MAC que foi febre nos anos 2000.

 

Modelo na passarela do desfile da Sandy Liang vestindo vestido cinza com gola
Foto: Filippo Fior/Vogue Runaway

PH5

 

A marca notória por suas cores vibrantes, formas inovadoras em tricô e abordagem sustentável, fundada por duas mulheres asiáticas, apresentou  seu trabalho  mais recente, intitulado "Save the Ugly Animals", focado em temáticas ambientais. 

A coleção recebeu  esse nome por conta da visita da designer, Zoe Champion, ao Lago Titicaca, nos Andes, onde passou um tempo com o povo indígena Uru. Ela conta em entrevista à Vogue, que o lago está sendo ameaçado pelas mudanças climáticas, resultando na ameaça de extinção de seu habitante popularmente conhecido como sapo escrotal. A espécie também apareceu, segundo  a designer, "em uma lista dos animais mais feios do mundo. Então, nesta temporada, queremos dizer: 'Salve os animais feios'".

A preocupação ambiental da marca vai além de denominações:  95% das peças apresentadas na NYFW foram confeccionadas  com materiais reciclados ou sustentáveis e a cada peça vendida, a PH5 planta uma árvore. 

 

As características assimétricas e geométricas das bainhas, típicas da identidade visual da marca, também estão presentes nesta coleção, aplicada a vestidos midi ou longos, blusas de alça e polos. Para esta temporada, o estilo foi inspirado em elementos da jardinagem, refletido em peças que simulam aventais com flores nos bolsos, luvas e nas modelos que carregavam buquês recém-colhidos.

 

 Desempenhado um papel importante na coleção, a cores trouxeram uma identidade vibrante e envolvente. A marca trouxe uma paleta rica em tons pasteis, misturando-os com cores mais ousadas como laranja, verde-limão e azul elétrico, reforçando sua estética futurista.

Modelo com jaqueta vermelha, shorts verde e azul com luvas de jardinagem
Foto: Daniele Oberrauch/Vogue Runaway

 

Jason Wu

 

Com todas as tragédias acontecendo no mundo, Jason Wu acredita que os designers têm a responsabilidade de abordar isso de alguma maneira em suas criações. Além da iniciativa apresentar apenas uma coleção por ano, nessa ele concretizou  sua visão ansiosa e desgastada por meio de seu trabalho artesanal: recortes semelhantes a buracos feitos para o traças, costuras inacabadas e uma escolha de paleta de cores clara,contrastante com algumas peças “manchadas” de preto. 

 

A divergência  também está presente  na escolha dos tecidos, que entre leves e pesados, criou equilíbrio. Ao final, o pensamento resultante implementado pela coleção é de que por mais que o planeta esteja vivendo uma situação caótica, não devemos deixar de ter esperança.

 

A coleção também tem um toque pessoal e cultural, com Wu colaborando com o calígrafo taiwanês Tong Yang-Tze. As grandes manchas pretas assimétricas de Yang-Tze foram incorporadas aos looks, trazendo uma conexão profunda com as origens também taiwanesas do designer, além de acrescentar uma camada artística à coleção.

  

Modelo usando jaqueta comprida preta e tamanco
Foto: Daniele Oberrauch/Vogue Runaway

 

Modelo vestindo vestido plissado off-white
Foto: Daniele Oberrauch/Vogue Runaway

 

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Cores, tecidos fluidos, alfaiataria e esporte chique são as novas promessas deixadas pelo segundo dia de desfiles para a nova temporada primavera/verão 2025
por
Beatriz Vasconcelos
|
09/09/2024 - 12h

A semana de moda de Nova York começou nesta sexta-feira (6) e não falhou em trazer tradição, street wear e a sofisticação características da moda nova-iorquina. O segundo dia de desfiles contou com marcas como Prabal Gurung, que através das cores e tecidos fluidos trouxe alegria e esperança. E Monse, que inovou na vestimenta esportiva, apresentando novas formas e silhuetas, ambas entregando um novo olhar para o legado do evento. 

A TRADIÇÃO DAS SEMANAS DE MODA

A história das semanas de moda tem início com Charles Frederick Worth, considerado o pai da alta-costura. No século XIX, ele inovou ao apresentar suas criações em modelos ao vivo, uma prática que seria continuada por estilistas em  eventos glamourosos. Na década de 1920, Coco Chanel, Elsa Schiaparelli e Madame Vionnet consolidaram a alta-costura, criando desfiles exclusivos para clientes, sem a presença de fotógrafos, em um formato bem diferente do coletivo que se tornaria a Fashion Week.

A primeira semana de moda organizada foi a "Press Week", realizada em Nova York em 1943 por Eleanor Lambert. Criada durante a Segunda Guerra Mundial, a iniciativa buscava promover os designers americanos, já que não era possível viajar para a Europa. Ao mesmo tempo, na França, a Chambre Syndicale de la Haute Couture foi estabelecida em 1945, organizando desfiles de alta-costura de forma mais estruturada. Em 1962, Eleanor Lambert ajudou a fundar o Conselho de Designers de Moda da América (CFDA), com o objetivo de fortalecer o reconhecimento cultural, social e econômico da moda americana.

Com o tempo, as semanas de moda evoluíram, estabelecendo um calendário semestral para as principais capitais da moda: Nova York, Londres, Milão e Paris. Esses eventos apresentam as coleções de Outono/Inverno e Primavera/Verão, além de semanas específicas para moda masculina e alta-costura. A New York Fashion Week, pioneira no formato, é reconhecida por seu perfil comercial, equilibrando novos talentos e marcas tradicionais como Ralph Lauren e Michael Kors. A influência do streetwear e do athleisure wear, marcas do estilo americano, convivem com a sofisticação da moda nova-iorquina, refletindo as mudanças na forma como a moda é consumida e apresentada no cenário global.

MONSE

O desfile de primavera de 2025 da Monse foi um evento estrelado, contando com a presença de personalidades como Paris Hilton, Tiffany Haddish e Coco Rocha. Neste cenário, os designers Laura Kim e Fernando Garcia trouxeram uma dose extra de leveza e diversão à sua abordagem única de reinventar o athleisure wear em uma junção com a alfaiataria esportiva e masculina americana para mulheres que buscam uma elegância não convencional e natural.

A coleção se destacou ao reinterpretar elementos das roupas esportivas de forma literal, explorando camisas de rúgbi, jaquetas universitárias e peças inspiradas no atletismo das escolas preparatórias. Contudo, os momentos mais marcantes vieram das referências mais sutis e estruturais, como blazers reformulados e pregas que remetiam às saias de tênis, evidenciando o talento da dupla em equilibrar tradição e inovação.

Monse primavera/verão 2025 - Crédito: Reprodução Instagram (@monsemaison)
Monse primavera/verão 2025 - Crédito: Reprodução Instagram (@monsemaison)

 

Vale lembrar que Kim e Garcia também são diretores criativos da Oscar de la Renta, onde começaram suas carreiras. Nesta coleção da Monse, eles permitiram que sua experiência com o glamour clássico americano transparecesse um pouco mais, apresentando vestidos brilhantes dignos de tapetes vermelhos. Em meio a diversas referências esportivas, a coleção demonstrou a capacidade da Monse de explorar novas direções, mantendo sua combinação característica de alfaiataria refinada e ousadia lúdica.

PRABAL GURUNG

Combinando tradições festivas com uma sensibilidade ao atual cenário eleitoral do país, Prabal Gurung utiliza seu estilo fluido, repleto de cores e influências globais, para transmitir uma narrativa de renovação pessoal e comunitária.

O estilista e fundador da marca nasceu em Singapura e foi criado no Nepal. Após iniciar sua carreira em Délhi, capital da Índia, ele se mudou para Nova York para continuar seus estudos, mas suas origens sempre foram muito presentes em seus designs. Ao longo de sua carreira ele já vestiu personalidades importantes como Michelle Obama, Kate Middleton, entre outros.

Para a primavera de 2025, Gurung responde aos tempos difíceis recorrendo às tradições e à cor, revelando uma mensagem de otimismo e renascimento. A inspiração para a coleção surgiu durante uma visita ao Nepal, onde o designer participou do festival de Holi. Ao retornar aos EUA, em meio a um turbulento ciclo de notícias políticas, ele se deparou com a possibilidade histórica de uma mulher assumir a presidência, o que reavivou seu questionamento sobre o sonho americano.

Prabal Gurung primavera/verão 2025 - Crédito: Reprodução Redes Sociais (@prabalgurung)
Prabal Gurung primavera/verão 2025 - Crédito: Reprodução Redes Sociais (@prabalgurung)

 

“A celebração do Holi – há um abandono juvenil; há facilidade, diversão, devaneio e esperança. Fazia muito tempo que eu não me sentia assim – mas no minuto em que houve um anúncio de Kamala Harris, houve um ressurgimento da esperança. Eu tinha começado a coleção muito antes disso, mas aquele momento a uniu com essa explosão de otimismo e criatividade feminina”, disse o estilista sobre o processo criativo.

Prabal Gurung primavera/verão 2025 - Crédito: Reprodução Redes Sociais (@prabalgurung)
Prabal Gurung primavera/verão 2025 - Crédito: Reprodução Redes Sociais (@prabalgurung)

A coleção reflete o compromisso de Gurung com pregas, seleção meticulosa de tecidos e a fusão de estéticas ocidentais e orientais, incorporando um espírito de celebração, esperança e criatividade feminina. Esse otimismo se refletiu também na apresentação, que contou com uma banda orquestral liderada pela compositora Chloe Flower, uma coda surpresa toda em branco e um cenário icônico na 1 Centre Street — local que Gurung sempre sonhou em usar para um desfile, e que agora, finalmente, tornou-se palco de sua visão.

Prabal Gurung primavera/verão 2025 - Crédito: Reprodução Redes Sociais (@prabalgurung)
Prabal Gurung primavera/verão 2025 - Crédito: Reprodução Redes Sociais (@prabalgurung)

 

Prabal Gurung primavera/verão 2025 - Crédito: Reprodução Redes Sociais (@prabalgurung)
Prabal Gurung primavera/verão 2025 - Crédito: Reprodução Redes Sociais (@prabalgurung)

 

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Esta análise busca explorar os fatores psicológicos e sociais que impulsionam a decisão de buscar e valorizar bolsas de marca luxuosas, examinando o custo emocional, financeiro e cultural associado a essa escolha
por
Giovanna Montanhan
|
17/09/2024 - 12h

Ao entrar em uma pequena loja escondida em uma das muitas galerias do bairro da Liberdade, numa tentativa de escapar do calor escaldante que dominava a cidade de São Paulo e procurar mulheres para entrevistar, fui imediatamente tomada por um cheiro quase sufocante de mofo misturado a um aromatizador de ambientes. Pilhas de bolsas se acumulavam em prateleiras apertadas, criando uma atmosfera opressiva. A vendedora, Márcia, com o rosto perfeitamente maquiado, oferecia sorrisos milimetricamente calculados, afirmando com confiança que todas as peças eram verdadeiras.

Márcia vestia uma camiseta de gola V com o logo da Gucci estampado, daquelas que você reconhece à primeira vista e já sabe que não é original. Combinava a camiseta com uma calça jeans sem marca aparente e um batom vermelho forte, que estava meio borrado para além do contorno labial. Ela me garantiu que a Louis Vuitton que eu examinava era autêntica. “Essa aqui acabou de chegar. Dá pra ver pela costura, e é exatamente como a original", disse ela, apontando para as alças de couro da bolsa, que aparentava estar desgastada, com manchas de dedos bem visíveis.

A loja era apertada, e segundo a vendedora, não ficava vazia por muito tempo. Durante o período em que estive ali, algumas curiosas entraram e passaram alguns minutos manipulando as bolsas. Foi nesse cenário que Vera, uma mulher de 52 anos, examinava cuidadosamente uma bolsa Chanel em meio à desordem. Seus cabelos loiros estavam impecavelmente pintados e penteados, ela vestia um kaftan longo em tons de azul, formando uma espiral que lembrava a estampa característica do designer italiano Emilio Pucci, embora claramente não fosse. Afinal, quem tem condições de comprar uma bolsa autêntica provavelmente poderia adquirir roupas de grife, e não frequentaria lugares como aquela galeria.

Apesar da precisão na imitação da bolsa que estava analisando, Vera parecia indiferente. Para ela, o que realmente importava era a imagem que a peça transmitia. Sem hesitar, enquanto acariciava os detalhes dourados, ela me confidenciou que seu sonho sempre foi possuir uma Chanel, e que o simples fato de ter um exemplar – mesmo que falso – a fazia sentir-se elegante e poderosa. Embora soubesse que a bolsa não era original, o prazer de tê-la em mãos parecia compensar a falta de autenticidade. O preço da original, disse, era exorbitante, e ela não via necessidade de gastar tanto para obter "o mesmo efeito".

Naquela tarde, algumas horas depois, Lúcia, de 42 anos, vestia uma blusa preta larga, calça pantalona da mesma tonalidade e sandálias anabela baixas em tom creme. Ela teclava no celular enquanto observava as prateleiras abarrotadas de bolsas Louis Vuitton, Chanel, Prada, Miu Miu e Hermès. Percebi que ela parecia um pouco receosa de se abrir com uma total desconhecida, então resolvi fingir que também estava interessada em comprar uma bolsa.

Lúcia contou que frequenta aquele lugar há bastante tempo e, para ela, o valor das imitações compensa muito, já que o preço das originais beira o absurdo. Ela ressaltou que as peças nas prateleiras possuem uma aparência tão similar às originais que ninguém percebe a diferença, a menos que a pessoa tenha muito conhecimento ou se aproxime demais. Para Lúcia, as imitações ofereciam uma maneira acessível de expressar seu estilo sem carregar o peso financeiro das grifes. Apesar de não ter uma marca favorita, gostava da sensação de caminhar pelas ruas com uma bolsa que, aos olhos dos outros, era vista como um símbolo de status social.

Naquele espaço abafado, entre as bolsas amontoadas, o burburinho das vozes de outros consumidores ecoava pelas lojas vizinhas que dividiam o mesmo espaço. O que se destacava não era apenas o comércio em si, mas o valor simbólico que aquelas peças carregavam para as mulheres que frequentavam o local com regularidade. Para elas, as bolsas iam muito além de simples acessórios; eram símbolos de status, de pertencimento a um mundo de luxo e exclusividade, mesmo que apenas pela aparência.

A busca por um produto de luxo, ainda que ilusório, era quase tangível. A cada gesto, a cada conversa, ficava claro que as consumidoras estavam menos preocupadas com a autenticidade do item e mais focadas no que ele poderia lhes proporcionar: uma sensação de pertencimento, poder e sucesso. Não se tratava apenas de possuir uma bolsa, mas de construir uma imagem de sofisticação e status. Vera deixou isso claro ao afirmar que ninguém iria parar na rua para questionar se o produto era original ou não. Carregá-lo já era o suficiente para atrair olhares diferentes, conferindo-lhe a distinção que tanto buscava.

Essa busca por símbolos de status se torna ainda mais complexa quando analisada à luz das explicações da psiquiatra Mariana Pampanelli. Para ela, esses itens de luxo – mesmo que falsificados – cumprem diversas funções psicológicas, dependendo do contexto. O anseio por prestígio social, seja para se sobressair aos demais ou para fortalecer a própria autoestima, figura entre os principais impulsionadores. E esse valor, que ela enfatizou, é determinado pelo ambiente cultural em que o indivíduo está inserido. Em alguns círculos, possuir uma bolsa de grife é apenas um reflexo natural da riqueza. Em outros, representa uma tentativa de ascensão, de se destacar do meio social em que vivem.

As redes sociais, claro, ampliam ainda mais essa dinâmica. Mariana afirmou que a comparação constante com os outros, impulsionada pelas redes sociais, intensifica o desejo por determinados itens. Ela acrescentou dizendo que as pessoas buscam estar à altura das imagens que veem na tela, e os itens de luxo são uma forma de alcançar isso. No entanto, ela também alertou para o perigo dessas compras impulsivas, pois quando o desejo por status ultrapassa o planejamento financeiro, o resultado geralmente é o arrependimento, acompanhado de uma sensação de perda de controle sobre a própria vida.

Essa constante exposição à desigualdade social intensifica o desejo de pertencer a uma classe social privilegiada. Para muitas pessoas, adquirir uma falsificação é a única forma de sentir que estão participando dessa narrativa de luxo e exclusividade, ainda que de maneira temporária. A psiquiatra explica que o item falsificado oferece uma ilusão de pertencimento, e mesmo sabendo que não é real, a pessoa se sente parte daquele mundo, ainda que por um momento. Esse sentimento é amplificado pela percepção de injustiça social, levando muitos a crer que, se não podem adquirir o item original, ao menos podem simular essa posse.

O que essas mulheres buscavam nas bolsas falsificadas não era o objeto em si, mas tudo o que ele representava. A sensação de carregar um item de luxo, mesmo que não fosse real, dava a elas a sensação de poder e pertencimento. E, nesse mundo de aparências, isso era o suficiente. A autenticidade do produto tornava-se secundária diante da necessidade de se sentir parte de algo maior, de projetar uma imagem que, na prática, não condizia com suas realidades.

 

O ‘’Grande Irmão’’ do Luxo: Vigilância na Era das Falsificações

No vórtice das redes sociais,  onde cada curtida se transforma em moeda e cada seguidor em um troféu, um perfil no Instagram emergiu como uma caçadora implacável. "The Fake Birkin Slayer" (@thefakebirkinslayer) tornou-se um oráculo em um mundo onde a busca pelo luxo não é apenas desejo, mas flerta com a obsessão. Sua missão principal é desmascarar as falsificações que se infiltram nos feeds dos usuários da rede, compartilhando nos stories o emoji que representa um par de olhos atentos. Não é apenas uma página de denúncias, mas um espelho implacável da ambição humana de conquistar o que está para além do alcance.

No epicentro desse turbilhão de desejos está a Birkin, a intocável criação da grife francesa Hermès. Muito além de ser uma simples bolsa, ela personifica um símbolo de status e poder, desejada tanto por fashionistas quanto por aqueles que almejam ingressar em um mundo que não os acolhe naturalmente, com a mesma intensidade de quem busca água em um deserto árido. Poucos têm o privilégio de atravessar as portas da exclusividade, e menos ainda conseguem segurar uma Birkin autêntica em suas mãos. Ela é a promessa de pertencimento a um círculo fechado, onde o luxo não é apenas um adorno, mas a própria identidade.

Mas como todo objeto de desejo, a Birkin tem seu lado sombrio. Na penumbra das transações secretas e nas esquinas mais discretas da internet, as imitações florescem como ervas daninhas. E "The Fake Birkin Slayer" está presente, assumindo o papel de uma justiceira digital, desmascarando com precisão quase cirúrgica os defeitos nas réplicas exibidas por aqueles que ousam postá-las. Cada nova publicação é uma sentença para quem ousou tentar enganar o olhar observador, uma exposição pública da farsa do luxo.

A Hermès, com sua produção controlada, faz de cada Birkin uma raridade. Não basta ter uma conta bancária cheia. É preciso ter acesso, influência e, sobretudo, paciência. A escassez faz o coração desejar mais, e essa falta é cuidadosamente mantida. A bolsa, que nunca está à espera nas prateleiras das boutiques, carrega consigo o peso de uma conquista — ou, para muitos, de uma frustração constante.

E é nesse limiar entre o desejo e a frustração que a falsificação encontra o terreno fértil. Para alguns, segurar uma imitação é o mais próximo que chegarão de sentir o toque do inalcançável. O brilho falso de uma Birkin não é apenas uma mentira para os outros, mas também uma ilusão auto infligida, uma tentativa desesperada de pertencer a um mundo de aparências que, no fundo, todos sabem ser efêmero. O conforto de segurar uma réplica, mesmo que por breves momentos, oferece um respiro na longa corrida pelo prestígio.

A caçada de "The Fake Birkin Slayer" revela algo maior do que apenas o desejo por autenticidade: escancara a era em que vivemos, onde o valor de um objeto não reside mais no que ele é, mas na história que ele conta. E, no palco das redes sociais, onde cada foto é uma performance encenada e cada postagem um ato de exibição, a autenticidade é a última fronteira. Quem possui o real, exerce o poder, mas, para muitos, sobra apenas a sombra do que poderia ter sido.

A Ética do Consumo e o Futuro do Luxo

Nos bastidores reluzentes do mercado de luxo, onde o brilho das vitrines oculta um submundo nebuloso, as falsificações surgem como sombras inquietantes, desafiando não apenas as marcas, mas também a moralidade de quem as consome. De um lado, há quem veja na compra de uma imitação a chance de tocar, ainda que de forma enganosa, o poder e a exclusividade que as grifes prometem. De outro, há uma realidade mais sombria: o impacto desse comércio clandestino na economia global e a exploração humana que muitas vezes alimenta esse ciclo.

Essas falsificações, frequentemente produzidas em fábricas clandestinas na China, onde a mão de obra escrava opera longe dos holofotes, trazem à tona uma questão ética ainda mais profunda. Ao comprar um produto falsificado, não se adquire apenas uma réplica de luxo; compactua-se, ainda que indiretamente, com a exploração de trabalhadores submetidos a condições desumanas, mal remunerados e forçados a produzir incessantemente para alimentar um mercado que prospera sobre suas costas. Nesse cenário, o glamour associado ao objeto de desejo torna-se, de certa forma, cúmplice de uma cadeia de injustiças.

Nesse contexto, o futuro do luxo parece caminhar sobre um terreno não muito fértil. As grandes etiquetas enfrentam não apenas o desafio de manter sua exclusividade, mas também a ameaça crescente das falsificações, que não só diluem sua imagem, mas também perpetuam a exploração da mão de obra barata. A questão agora não é mais apenas sobre como manter o controle sobre o mercado de luxo, mas sobre o que esse mercado significa num mundo onde o valor de um produto vai além de seu preço — está vinculado à ética de como é feito e por quem.

Enquanto isso, as consumidoras continuam a navegar entre o desejo de possuir o impossível e o dilema moral que surge ao considerar o verdadeiro preço de suas escolhas. A cada compra, consciente ou não, elas caminham por um território onde luxo e exploração se entrelaçam, onde o brilho de uma bolsa Hermès, Chanel ou Louis Vuitton pode estar manchado pelo suor de trabalhadores esquecidos, relegados ao anonimato. E assim, enquanto o mercado de falsificações prospera, o preço a ser pago — tanto financeiramente quanto eticamente — se torna mais difícil de ignorar.

O debate sobre as falsificações não é apenas sobre as réplicas em si, mas sobre o que estamos dispostos a sacrificar em nome do luxo. Não se trata apenas de quem pode ou não comprar o autêntico, mas de quem somos como consumidores, e de como nossas escolhas ressoam em uma cadeia global de produção onde o verdadeiro custo do desejo muitas vezes permanece invisível.

As bolsas de luxo, com todo o seu brilho e exclusividade, são muito mais do que simples acessórios. Elas carregam o peso simbólico de um mundo que valoriza a imagem sobre a substância, o ter sobre o ser. Cada peça é uma promessa de que se pode adentrar em um círculo restrito, onde o prestígio e o poder parecem estar ao alcance de quem as porta. Porém, seja autêntica ou falsificada, a verdade que essas bolsas revelam é a mesma: elas são objetos que tentam preencher um vazio que vai muito além do material.

Para alguns, possuir uma dessas bolsas é uma forma de validar sua personalidade em um mundo onde o sucesso é medido pelo que se exibe. Para outros, a imitação é a única maneira de participar dessa narrativa, ainda que apenas temporariamente. No entanto, seja no couro genuíno ou na réplica meticulosamente elaborada, a busca pelo pertencimento raramente encontra sua satisfação. A bolsa, por mais rara ou desejada que seja, não tem o poder de transformar quem a carrega. O luxo que ela promete é falacioso, efêmero, e deixa para trás apenas o eco de um desejo que nunca se apaga.

E assim, o ciclo continua. O fascínio pelo luxo persiste, alimentado pela fantasia de que, ao segurá-la, se pode finalmente tocar o inatingível. Mas, no fundo, o que as bolsas de luxo realmente oferecem é a mesma ilusão que o próprio mercado capitalista vende: uma busca interminável por algo que nenhum artefato, por mais exclusivo que seja, será capaz de entregar. Afinal, o verdadeiro valor nunca esteve no objeto, mas no fetiche que a mercadoria representa.