Celebridades desfilam em peças de alta-costura enquanto protestos contra o evento tomam as ruas de NY
por
Giulia Dadamo
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06/05/2026 - 12h

 

Na segunda-feira (4) ocorreu a 76ª edição do Met Gala, evento que arrecada fundos para o departamento de moda do Metropolitan Museum of Art de Nova York. O tema do evento beneficente é sempre ligado à exposição do Costume Institute, e neste ano, foi batizado de “A Arte do Figurino”. A partir desse tema, o código de vestimenta escolhido foi “A Moda é Arte”, que permitiu que os convidados explorassem diversas esferas artísticas. 

Nos últimos anos, surgiram muitas comparações do grandioso evento com um “desfile da capital” da saga Jogos Vorazes. Na ficção, a elite se veste de forma exagerada para exibir riqueza enquanto o resto do mundo sofre com diversas questões sociais. Para o público, o Met Gala reflete essa mesma ostentação desligada da realidade 

Essa percepção de "bolha" ganhou força nesta edição com o anúncio de que Jeff Bezos estaria entre os principais patrocinadores do Met Gala, contribuindo com supostos US$ 10 milhões (quase R$ 50 milhões). A doação garantiu a ele o posto de copresidente honorário do evento, sendo um dos maiores apoiadores da noite. 

Cartazes espalhados pelas ruas de Nova York pelo grupo ativista “Everybody Hates Elon” (em alusão a Elon Musk) convocaram um boicote ao evento, levando a reação para além das redes sociais. A mobilização fundamenta-se em críticas severas à Amazon e a seu fundador, Jeff Bezos, que incluem desde denúncias sobre condições precárias de trabalho até as polêmicas parcerias comerciais da empresa com o ICE (Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA). 

Em meio a esse clima de forte rejeição pública, chamou a atenção o fato da esposa do bilionário ter cruzado o tapete vermelho sozinha, possivelmente para evitar que a imagem do casal fosse o alvo direto das manifestações na porta do museu. 

Nesta edição os cargos de anfitriões da noite foram preenchidos só com mulheres: Anna Wintour, Venus Williams, Nicole Kidman e Beyoncé. O curador Andrew Bolton organizou a exposição em torno de três categorias corporais: os onipresentes (clássicos e nus), os negligenciados (envelhecidos e grávidos) e os universais (anatômicos). Para ele, a moda é o elemento que une todas as galerias do museu, pois até o nu "nunca está pelado", mas sim inscrito com ideias culturais. Essa fundamentação teórica justifica a abundância de transparências no evento.

Emma Chamberlain inaugurou a noite com uma peça da Mugler, pintada à mão pela artista Anna Deller-Yee. O design, uma homenagem à obra A Noite Estrelada (1889), de Van Gogh, demandou um trabalho meticuloso de 958 horas. Na mesma linha, Gracie Abrams surgiu em um Chanel que referenciava o quadro “Retrato de Adele Bloch-Bauer I” (1907), de Gustav Klimt. 

Emma Chamberlain e Gracie Abrams em vestidos de gala
Emma Chamberlain atua como correspondente da Vogue no MET; à direita, a cantora Gracie Abrams celebra seu primeiro Met Gala. Foto: Reprodução / Instagram

 

A noite ainda reservou espaço para a valorização da sétima arte, o cinema, com Sabrina Carpenter. A artista, que dividiu o palco com a lendária Stevie Nicks, cruzou o tapete em um modelo da Dior construído com fitas de película, inspirado no clássico Sabrina (1954), protagonizado por Audrey Hepburn.

Sabrina Carpenter vestida em filmes
Sabrina Carpenter já tinha homenageado o cinema na sua apresentação do Coachella, com números de dança inspirados em "Dirty Dancing: Ritmo Quente’, "All That Jazz - O Show Deve Continuar", "Médica, Bonita e Solteira" e "Quanto Mais Quente Melhor". Foto: Reprodução / Instagram

Para encerrar, Madonna protagonizou um dos momentos mais teatrais da edição ao surgir em um Saint Laurent que recriou a atmosfera de “A Tentação de Santo Antônio”, de Leonora Carrington. A composição ganhou vida com sete mulheres carregando sua extensa saia, em uma transposição fiel do surrealismo da pintura para o tapete vermelho. Já Beyoncé apostou na sofisticação da Balmain para referenciar a obra “A Visitante” (1944), de Caroline Durieux. O visual, que uniu a alta-costura de Olivier Rousteing ao mistério das formas de Durieux, reafirmou que, em uma noite dedicada à arte, o melhor e mais complexo costuma ser guardado para os últimos instantes.

Madonna e Beyoncé
Madonna antecipa era de novo álbum Confessions II. Beyoncé faz retorno triunfal ao evento após hiato de 10 anos. Foto: Reprodução / Instagram

 

 

 

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Marcas como Normando e Salinas levaram para a passarela propostas novas
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Amanda Lemos
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04/05/2026 - 12h

Os desfiles aconteceram na quarta-feira (15) no Píer Mauá, na zona portuária do Rio de Janeiro e apostaram em colaborações estratégicas e na democratização da moda brasileira.

A primeira marca a desfilar pela passarela foi a Aluf. A marca fundada pela estilista Ana Luísa Fernandes em 2018, nasceu da busca de dar sentido ao “fazer moda” como expressão do ser humano através de roupas. A grife misturou moda e reflexão artística. O desfile explorou temas relacionados à passagem do tempo e à identidade humana. As peças apresentaram camadas, texturas diferenciadas e movimentos fluidos, e a paleta de cores variou entre tons neutros terrosos e contrastes vibrantes. 

Pessoas desfilam em fila única sobre uma passarela escura, vestindo looks predominantemente brancos e em tons claros. As peças têm tecidos leves, camadas, transparências e detalhes texturizados. Algumas usam óculos claros e acessórios discretos. O enquadramento mostra a sequência de looks em perspectiva, com iluminação focada nas roupas.

Desfile da Aluf na Rio Fashion Week 2026 - Foto: @riofwoficial e @aluf___ / Instagram 

A Normando, marca liderada pelos designers Marco Normando e Emídio Contente, criada em 2020, foi a segunda a desfilar, e teve como inspiração a Amazônia e a natureza brasileira. Na passarela foram desfiladas peças comfolhagens estilizadas e fibras que lembram elementos orgânicos, valorizando uma estética que une moda e consciência ecológica. As roupas tiveram tons de verdes terrosos e neutros, além de detalhes em materiais reciclados e renováveis. 

A terceira a se apresentarfoi a marca de moda de praiasofisticada Salinas. Fundada em 1982 por Tunico e Jacqueline De Biase, ela é focada no estilo praiano carioca. O desfile trouxe peças com tema tropical, texturas que lembram o mar e tecidos leves. A cartela de cores mesclou tons neutros e elegantes com cores vibrantes. Além disso,ela incorporou elementos urbanos, mesclando praia e cidade. 

A Piet + Pool fechou o dia. Criada em 2012 pelo designer brasileiro Pedro Andrade, a Piet mistura streetwear com cultura urbana e esportiva. A grife trouxe uma colaboração inédita com a etiqueta da Riachuelo. Essa proposta impacta na democratização da marca, tornando os preços mais acessíveis. Uma camiseta da Piet normalmente custa a partir de R$300, com a colaboração, ela passa a custar a partir de R$80. Para a passarela, apresentaram referências à paixão brasileira pelo futebol e à cultura de rua. O desfile abordou o futebol raiz, com peças que misturaram estética urbana, cores vibrantes e grafismos que lembram times.

Pessoa desfila em uma passarela com uma peça artística em forma de folha, de aparência orgânica e cores terrosas, contrastando com uma calça preta e fundo desfocado.
Desfile da Normando na Rio Fashion Week 2026 - Foto: @normandooficial / Instagram 

 

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Duda Alves, que teve suas peças usadas em tapete vermelho de “O Diabo Veste Prada 2” em NY, conta sua trajétoria na moda
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Juliana Hochman
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29/04/2026 - 12h

A aluna do sétimo semestre de moda na FAAP (Faculdade Armando Álvares Penteado) , Duda Alves, 21, ganhou destaque após a influenciadora Malu Borges usar uma produção sua na estreia de “O Diabo Veste Prada 2” em Nova York, nos Estados Unidos. Essa obra faz parte de sua coleção autoral “De Tanto Pensar, Sentir”, feita para a competição entre os alunos de moda da FAAP.

 

Em entrevista à AGEMT, Duda Alves diz que moda sempre foi sua primeira opção de ensino superior. “Desde criança, a moda e a arte sempre estiveram muito presentes na minha vida, e quando entendi que podia juntar duas paixões em uma só carreira, percebi que seguí-la era uma certeza”, afirmou. A escolha da faculdade também não foi por acaso para ela, que participou de programas de experiências artísticas como a FAAP Aberta, que abre as portas para receber alunos de diversas escolas para ter uma experiência do curso na faculdade.

 

A coleção usada na competição Moda Faap 2025, “De Tanto Pensar, Sentir”, surgiu como uma reflexão de sua mente e do questionamento de como a razão e a emoção coexistem dentro do ser humano.“Na criação dos croquis, eu estava pensando demais e não conseguia fluir, então me inspirei nesse momento que eu estava para dar forma às obras que fiz”, explicou. Duda ficou em segundo lugar entre os finalistas; oito participantes foram chamados para produzir quatro de suas peças. “Eu queria trabalhar com silhuetas e com pinturas, então os looks azuis remetem à razão e os vermelhos à emoção”.

Duda Alves posando com modelos usando a coleção autoral “De Tanto Pensar, Sentir”. Foto: Duda Alves/Divulgação.
Duda Alves posando com modelos usando a coleção autoral “De Tanto Pensar, Sentir”. Foto: Duda Alves/Divulgação.

A influenciadora de moda Malu Borges entrou em contato com Duda pedindo um look feito por ela após acompanhá-la pelo Instagram. “Não é a primeira vez que ela dá a chance para designers que estão no começo da carreira, abrindo portas para jovens talentos, para, assim como eu, verem que é possível”, disse a estudante. A obra escolhida pela influenciadora é composta por duas peças: uma saia branca e uma camisa com bordados vermelhos 3D, simulando as veias fora do corpo humano.

Malu Borges usando Duda Alves. Foto: Instagram/@maluborgesm/divulgação.
Malu Borges usando Duda Alves. Foto: Divulgação/@maluborgesm

Duda explica sua paixão pela moda pela forma como esta é vista pela sociedade: “Muitas pessoas não consideram uma arte. Para mim, é o oposto, é o que me atraiu para esse mundo. Não são apenas roupas, é produzir obras vestíveis que contenham uma história”.

 

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No último dia da semana de moda carioca, as coleções revisitaram arquivos, memórias e referências
por
Helena Haddad
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27/04/2026 - 12h

O último dia da Rio Fashion Week 2026, no sábado (18), encerrou a temporada de moda carioca com desfiles de marcas consolidadas, como Isabela Capeto, Dendezeiro e Lenny Niemeyer.

Isabela Capeto

isabela capeto
Foto/Divulgação @isabelacapeto

Após dez anos longe das passarelas, Isabela Capeto retornou ao evento ao lado da filha, Chica, com a coleção Dracena. Conhecida por seu trabalho artesanal e pela estética maximalista, a estilista resgatou elementos que marcaram sua carreira.

A nova coleção mergulhou nesse universo afetivo. Inspirada na planta Dracena Pink, a referência apareceu no cenário rosa vibrante, bordados florais, texturas e acessórios chamativos. Mas uma saia floral volumosa chamou a atenção pela semelhança com um look apresentado pela Chanel em outubro de 2025, uma referência difícil de ignorar. Há também um olhar para o reaproveitamento de materiais e peças que dialogam com o próprio acervo da marca.

isabela capeto saia
Saia comparada com Chanel. Foto/Divulgação @isabelacapeto

Muita transparência, trabalhos em retalhos e aplicações artesanais reforçaram a identidade maximalista construída por Isabela ao longo da carreira.

isabela capeto
Foto/Divulgação @isabelacapeto

 

Dendezeiro

A marca baiana apostou no urbano, uma coleção inspirada na cultura ballroom. Batizada de House of Dendezeiro, a linha trouxe peças amplas, sobreposições e uma estética quase performática que dialoga com a cena queer.

dendezeiro
Foto/Divulgação @dendezeiro

O uso de látex, transparências e comprimentos míni adicionou sensualidade, enquanto a parceria com a DOD Alfaiataria trouxe estrutura à coleção em modelagens ampulheta, ombros marcados e calças acinturadas.

dendezeiro
look com alfaiataria pela DOD. Foto/Divulgação @dendezeiro

O ponto forte da coleção foi a adaptação dessas referências para o contexto brasileiro. O desfile conecta diferentes universos; as peças podem ser usadas tanto em um baile funk quanto em uma casa de shows de drag queens. 

dendezeiro
Foto/Divulgação @dendezeiro

 

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Foto/Divulgação @dendezeiro

 

Lenny Niemeyer

Para encerrar o evento, Lenny Niemeyer celebrou os 35 anos de sua marca com um desfile que revisitou sua trajetória. Apresentada no Museu do Amanhã, a coleção reforçou os códigos que transformaram a estilista em referência na moda praia nacional.

lenny
Foto/Divulgação @lennyniemeyer

Maiôs estruturados, saídas de praia sofisticadas, estampas, texturas diferentes e muita brasilidade foram apresentados na passarela. 

lenny
Foto/Divulgação @lennyniemeyer

O desfile, que encerrou a semana de moda com peças que apostaram menos em reinvenção e mais na força de uma trajetória consolidada. A coleção, batizada de “Trama do Tempo”, é uma releitura das antigas passarelas, marcada por curvas, organza e acessórios de murano que lembram raios solares e colares bicolores. A trilha intimista e as projeções de ficção científica criaram uma experiência para a plateia. O desfile também contou com um elenco de supermodelos como Isabeli Fontana, Fernanda Tavares e Alicia Kiczman

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Isabeli Fontana para Lenny Niemeyer. Foto/Divulgação @lennyniemeyer

A Rio Fashion Week já confirmou seu retorno em 2027, após receber 30 mil pessoas e movimentar milhões de reais nesta edição.

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Estudante procura conscientizar a respeito do fast fashion na indústria brasileira
por
Anna Sofia Carsughi
Olivia Ferreira
Larissa Viana
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27/04/2026 - 12h

O consumo têxtil no Brasil é um setor dinâmico que vai muito além do território brasileiro. É um dos maiores mercados da América Latina e o 5º maior consumidor de vestuário e calçados do mundo. Segundo a pesquisa divulgada pelo site Cupom Válido, Minas Gerais por exemplo está em segundo lugar no consumo de vestuário no país, representando 10% do total de consumidores no Brasil. A cadeia têxtil emprega milhões de pessoas, sendo um importante motor de desenvolvimento econômico. Em entrevista à AGEMT, Giulia Correia Sugi, estudante de moda da Faculdade Santa Marcelina (FASM), expôs diversos debates importantes que surgem nesse meio em relação ao aumento desenfreado do consumo nos dias atuais.

Cada vez mais a moda surge como fator econômico essencial para circulação de roupas e calçados. É nesse contexto que ganha força uma produção à base do fast fashion, termo que significa o modelo de negócios rápido com produção acelerada e baixo custo. Isso é capaz de replicar tendências na garantia do consumo rápido, que é exatamente o que afeta o processo criativo na moda,  que se torna ofuscada em meio à necessidade da fabricação em alta escala. “Em vez de desenvolver coleções com pesquisa profunda, experimentação e construção de conceitos, muitas marcas passam a priorizar a velocidade, ocorrendo a reprodução de ideias de outros designers ou marcas, enfraquecendo a originalidade”, relata Sugi.

Essa era do fast fashion foi impulsionada principalmente pelas redes sociais, que disseminam as novas tendências estilistas. Como exemplo pode-se citar a Shein, que surfou na onda da pandemia do coronavírus como forma de fortalecer sua plataforma em meio à internet. Assim, a rede chinesa cresceu a partir da tecnologia de disseminação, e lucrou rapidamente com os baixos custos de produção, o trabalho precário e as entregas extremamente rápidas, sempre na busca de replicar as tendências atuais da moda. “O preço acessível é um dos principais fatores. Grande parte da população brasileira busca produtos com menor custo, e o fast fashion oferece exatamente isso”, afirma Sugi.

Giulia Sugi em trabalho da faculdade
Reprodução/ Instagram oficial 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Slow Fashion como contrapartida

O consumo desenfreado é sinônimo de funcionamento de um sistema capitalista no qual cada vez mais se consome, e menos se reflete sobre as reais necessidades, os impactos ambientais e as consequências sociais desse padrão. Esse ciclo é impulsionado por estratégias de mercado, publicidade e pela lógica de crescimento contínuo, que asseguram um sistema de rápida circulação. Nunca se comprou tanta roupa como nos dias atuais, mas por outro lado, nunca se gastou tão pouco dinheiro dentro da moda. Isso é um reflexo direto da informalidade, da busca por conforto e da massificação de produtos mais baratos, em grande parte importados.

O meio ambiente é um dos principais pilares afetados nesse processo, relata a estudante: “Um dos principais problemas é o descarte excessivo de roupas. A indústria utiliza grandes quantidades de água, principalmente no cultivo de algodão e nos processos de tingimento. Além disso, produtos químicos utilizados nesses processos frequentemente contaminam rios e solos. Também há tecidos sintéticos, muito comuns na fast fashion, liberam microplásticos durante a lavagem, contribuindo para a poluição dos oceanos”.

O ditado “a ânsia de ter e o tédio de possuir” ocorre também dentro da moda. As pessoas compram uma peça super desejada que está em tendência, mas rapidamente essa compra é ocupada por um lugar vazio e, consequentemente, a necessidade de comprar cada vez mais, a fim de saciar essa sensação. “Torna-se um ciclo infinito, consumir e descartar.”- afirma Giulia. 

Essa onda de desgaste têxtil e essas tendências em excesso levam a uma perda de autenticidade por parte dos produtores e criadores da moda. A essência individual se perde nos interesses mercadológicos, e para se manterem relevantes, as marcas adaptam suas estratégias para ampliar seu público com produtos mais acessíveis, mas sem perder sua sofisticação. Assim, cresce também a competitividade entre todas essas marcas que querem sempre se manter atualizadas e produzirem mais para ter um maior consumo e consequentemente, mais lucro. 

As pequenas marcas, as chamadas slow fashion, são integradas por pequenos produtores que fazem da moda sua principal fonte de renda, com roupas ou calçados construídos cuidadosamente com as mãos (handmade), pensados minuciosamente e transportando as ideias criativas para a produção da moda. Isso é um movimento de moda sustentável e consciente que valoriza a qualidade e durabilidade em detrimento da quantidade e velocidade, e são esses produtores que sofrem as consequências das tendências e desvalorização da mão de obra.  Enquanto estudante de moda, Sugi expõe: 

“Com certeza, é como se houvesse uma enxurrada interminável de novas ideias, o que pode ser tanto avassalador quanto incrivelmente valioso. Marcas menores e nacionais, que estão crescendo e possuem uma estética e história cativantes, ganham mais visibilidade online do que jamais tiveram fisicamente. Como uma estudante de moda no quarto semestre, você é bombardeada por uma avalanche de informações na internet”.

 

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O ateliê carioca transforma tecidos naturais em peças atemporais, unindo conforto e sustentabilidade
por
Pietra Nelli Nóbrega Monteagudo Laravia
Natália Matvyenko
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20/09/2024 - 12h

A Handred, marca nacional, estará na 58º edição do São Paulo Fashion Week, que neste ano homenageará Regina Guerreiro - editora que fez história no cenário da moda brasileiro. Situado no vibrante cenário carioca, o ateliê Handred, fundado em 2012 por André Namitala, destaca-se por traduzir a leveza e a estética da praia em um vestuário contemporâneo e confortável. A marca é conhecida por sua abordagem cuidadosa na seleção de materiais, utilizando tecidos naturais como linho, seda, algodão e lã. Cada um desses materiais é escolhido não apenas por sua beleza, mas também por suas propriedades que proporcionam uma sensação de bem-estar ao usuário, criando peças que remetem a memórias afetivas e desejos pessoais.

(Foto: Reprodução Instagram @handredstudio)

(Foto: Reprodução Instagram @handredstudio)

O espaço do ateliê é projetado para ser acolhedor e intimista, refletindo um profundo compromisso com a produção artesanal. Desde o início do processo criativo, há uma valorização significativa dos detalhes. Cada textura é considerada e cada forma cuidadosamente elaborada. O resultado são cortes amplos e designs fluidos que caracterizam as coleções, permitindo liberdade de movimento e conforto. As criações são versáteis, adaptando-se a diferentes estilos e ocasiões, e transcendem as limitações de estações e gêneros.

(Foto: Reprodução Instagram @handredstudio)

(Foto: Reprodução Instagram @handredstudio)

A grife se destaca pelo seu compromisso inabalável com a produção local, mantendo toda a fabricação dentro do Brasil. Atualmente, a marca conta com três lojas que servem como espaços não apenas de venda, mas também de interação e troca com os clientes. A produção artesanal e a qualidade das peças continuam a ser prioridades, mesmo em um mercado que muitas vezes prioriza a produção em massa e a velocidade. O modelo de negócios da Handred é sustentado por práticas que respeitam o meio ambiente e as comunidades locais, promovendo um ciclo de consumo consciente.

Recentemente, a marca expandiu sua presença com a abertura de uma nova loja em São Paulo, no shopping Pátio Higienópolis. Além disso, a etiqueta  lançou a linha 'Reconstrução', uma iniciativa que representa seu forte compromisso com a sustentabilidade. Essa coleção é composta por peças criadas a partir de materiais excedentes do ateliê, resultantes de um processo de reaproveitamento que ganhou força durante a pandemia. A 'Reconstrução' não apenas minimiza o desperdício, mas também celebra a criatividade ao transformar sobras de tecidos e materiais não utilizados em peças únicas e limitadas.

A marca também adota diversas práticas sustentáveis, como a confecção de sacolas feitas a partir de restos de tecido e a reutilização de embalagens. Essas ações visam reduzir o impacto ambiental da marca e demonstram um compromisso com a responsabilidade social. Sua clientela é diversificada, composta por pessoas que valorizam a autenticidade e a qualidade das peças, atraindo tanto aqueles que buscam uma estética limpa e atemporal, quanto clientes mais velhos que possuem memórias afetivas ligadas a tecidos clássicos e que apreciam a durabilidade e o cuidado na confecção das roupas.

(Foto: Reprodução Instagram @handredstudio)

(Foto: Reprodução Instagram @handredstudio)

Com um enfoque que harmoniza estética, funcionalidade e responsabilidade ambiental, Handred se estabelece como uma referência no cenário da moda. Suas criações vão além do simples ato de vestir; são expressões de histórias que respeitam o planeta e as pessoas, demonstrando que é possível unir estilo e consciência em cada peça.

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A grife paraense fará sua estreia no dia 16, com uma coleção de materiais sustentáveis e forte vínculo com a Amazônia.
por
NINA JANUZZI DA GLORIA
Maria Luiza Costa
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20/09/2024 - 12h

 

Acontece em outubro, do dia 14 a 21 a 58ª edição do São Paulo Fashion Week (SPFW N58). Ao todo, a semana de moda paulista contará com 40 desfiles, distribuídos entre o Parque Ibirapuera, o Shopping Iguatemi e outras locações externas, como o Pavilhão Japonês e o Complexo Cultural Júlio Prestes. 

Essa edição prestará homenagem à jornalista e editora Regina Guerreiro, com uma exposição intitulada "As Joias da Rainha" no Pavilhão das Culturas Brasileiras. No dia 14, Alexandre Herchcovitch fará seu retorno, abrindo o evento com seu desfile no Complexo Cultural Júlio Prestes. O encerramento ficará por conta de Fernanda Yamamoto, no Pavilhão Japonês, celebrando os 70 anos desse espaço.

Entre as marcas que irão passar pela São Paulo Fashion Week, está a grife paraense Normando, que irá estrear nas passarelas no dia 16 de outubro (quarta-feira) no Pavilhão das Culturas Brasileiras, às 19h30.

Normando

A marca que surgiu na Amazônia, foi criada pelos paraenses Marco Normando, que é diretor criativo da grife, e Emídio Contente, artista visual e publicitário, responsável pela concepção das coleções e da apresentação delas aos consumidores.  

Lançada em 2020, a Normando construiu sua base de clientes online, porém em 2024 abriu sua primeira loja física em São Paulo. Com o conceito “slow fashion” - que busca equilibrar narrativas, qualidade e o uso de matéria-prima - seus designs conquistaram o coração do público. 

 

Foto: Thiago Santos
Foto: Thiago Santos

Dois anos após sua criação, foi uma das marcas celebradas na primeira edição do "Vogue Celebra", evento que enaltece nomes nacionais que geram impacto positivo na sociedade, promovido pela Vogue Brasil/Globo Condé Nast.

A grife já vestiu diversos nomes importantes, como Xuxa, Rebeca Andrade e Claudia Raia. Além disso, um ponto alto para a visibilidade do trabalho dos artistas, foi o início de setembro, quando a cantora Luísa Sonza vestiu peças Normando para a abertura do jogo da NFL no Brasil.

A marca paraense apresentará sua coleção no Pavilhão das Culturas Brasileiras, o que encaixa perfeitamente com a promessa do designer de trazer para suas criações a forte conexão que tem com suas raízes amazônicas. 

Foto: Thiago Santos
Foto: Thiago Santos

 

Conhecida por sua alfaiataria refinada e pela utilização de materiais orgânicos, que refletem uma fusão entre a tradição e inovação, a coleção irá destacar o uso de matérias-primas sustentáveis como o látex amazônico e a jarina, uma semente que substitui o marfim animal. 

A apresentação da grife no SPFW será uma oportunidade para ampliar sua visibilidade no cenário nacional e mostrar ao público o resultado de suas pesquisas sobre a cultura da Amazônia e da moda sustentável. 

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Alexandre Herchcovitch retorna ao SPFW com desfile de abertura
por
Carolina Johansen Saraiva de Carvalho
Julia Cesar Rangel
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19/09/2024 - 12h

A 58a edição da São Paulo Fashion Week anunciou nesta segunda-feira (16) o calendário que contará com o retorno do designer Alexandre Herchcovitch como abertura da temporada. Pioneiro das semanas de moda no Brasil, o desfile da ‘Herchcovitch; Alexandre’ ocorrerá no dia 14 de outubro, às 11h, na Secretaria Estadual de Cultura no Complexo Cultural Júlio Prestes, no centro da cidade. 

Alexandre  Herchcovitch ficou conhecido por criar suas peças pensando na atemporalidade e não se curvar ao modelo de produção fast-fashion. Tanto em qualidade quanto em design, o estilista se afasta dos produtos efêmeros e de curto ciclo de vida, ao optar por materiais de boa qualidade e consumo consciente. Em entrevista para o programa ‘Roda Viva’, o designer afirma sobre a qualidade e durabilidade de suas coleções: “As minhas roupas são slow-fashion. É uma roupa que você paga mais caro, porém ela irá durar cerca de seis anos.  Se for menos de seis anos, eu irei achar o meu trabalho um desserviço.”

No ano de 2016 o designer vendeu a sua marca ‘Alexandre Herchcovitch’ para o grupo InBrand. Seis anos mais tarde, ele retorna a marca como o diretor de criação. Durante uma conversa com a plataforma ‘Steal the Look’, Herchcovitch declara: “Não aceitei a proposta de renovação. Quem não aceitou continuar trabalhando lá fui eu, porque era uma proposta muito unilateral e que não permitia o meu avanço em outros cenários como a sustentabilidade”.

Alexandre Herchcovitch na SPFW
Alexandre Herchcovitch (Foto: Marcelo Soubhia/ @agfotosite)

Herchcovitch apresentou suas coleções diversas vezes na SPFW – conhecida como a maior semana de moda da América Latina. Por conta do seu afastamento da marca, atualmente ele diz desconhecer o seu público, contudo acredita que este seja composto por pessoas que gostam da moda duradoura. “Para se produzir a moda do Brasil, basta você ser brasileiro.” afirma Alexandre na mesma entrevista citada anteriormente. Ele afirma que recentemente os estilistas brasileiros deixaram de fazer moda europeia ou americana, quando perceberam que o nosso país tem muita cultura a ser utilizada no mundo fashion. O ato de enxergar o talento nas nossas raízes, fez com que houvesse uma procura pela cultura brasileira e como fruto dessas ações surge o Brazil Core, estilo inspirado no país que teve muito sucesso no mundo todo no ano passado, através do impulso das redes sociais.

Para Alexandre, a moda é uma forma de expressão, uma maneira de viver e acredita que consegue transmitir para as pessoas através da roupa dele seus pensamentos e sentimentos. Quanto às críticas, para o programa ‘Roda Viva’ ele afirma que elas o ajudam a crescer e que sempre buscava ler o que falavam sobre suas coleções. Entretanto, o designer disse que as críticas de moda se esvaziaram e hoje em dia são apenas elogios, afirmando que isso não contribui em nada para o crescimento dos artistas. Alexandre Herchcovitch é um dos designers mais aclamados do Brasil, conhecido por suas coleções únicas e ousadas e seu modo de produção consciente e slow-fashion. Seu retorno ao SPFW como “Herchcovitch; Alexandre” promete ser um dos destaques do evento, incitando altas expectativas no público para seu comeback com uma coleção que promete impressionar e inspirar. 

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Design feito por jovem estilista inova ao trazer sustentabilidade como foco
por
Davi Garcia
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19/09/2024 - 12h

 

Na última terça-feira (17), foi apresentado, na Fashion Week de Milão, a nova camisa nº3 da Udinese, clube italiano que disputa a Serie A, principal divisão do país. Feito pela estilista italiana Flora Rabitti, de 32 anos, em conjunto com a Macron, o uniforme inova ao ser produzido de maneira 100% sustentável. 

Com design em cor lilás e chamas brancas por toda a camisa, Flora se inspirou nos raios de sol presentes no relógio da praça principal da cidade de Udine, a ‘Piazza della Libertà’ (Praça da Liberdade). Além disso, o elemento faz parte de um grande significado cultural para a cidade, presente em obras e peças da região.

Nova camisa nº 3 da Udinese. (Foto: Instagram/Udinese)
Nova camisa nº 3 da Udinese. (Foto: Instagram/Udinese)

 

A Udinese tem a tradição de ser um time ecologicamente sustentável, se intitulando como o “mais verde da Itália”. Os uniformes da equipe já são derivados de plástico reciclado, porém, a nova camisa do time de Udine terá todos os detalhes feitos a partir desse material, algo nunca feito na história.

O clube italiano exibiu seu uniforme durante uma mesa sobre a união do futebol com a sustentabilidade na Fashion Week de Milão, que começou no dia 17 de setembro e vai até o dia 23 do mesmo mês.

Modelo exibe novo uniforme da Udinese no Museu Casa Cavazzini. (Foto: Instagram/Udinese)
Modelo exibe novo uniforme da Udinese no Museu Casa Cavazzini. (Foto: Instagram/Udinese)

 

Em entrevista no evento, Magda Pozo, diretora comercial da Udinese, valorizou o trabalho de Flora Rabitti, e ressaltou os valores do clube de Udine: “O desenho do nosso uniforme de 2024/25 reflete perfeitamente nossos valores de inovação e sustentabilidade. Está em linha com nosso compromisso comum de apoiar os jovens, o que nos levou a trabalhar ao lado de Flora Rabitti, que é um talento emergente no mundo da bola”.

 

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Afeto, design e estética entre linhas
por
Gabriela Jacometto
Helena Haddad
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19/09/2024 - 12h


  Conhecido por seus looks “handmade” - "feito à mão" em português -  o projeto Ponto Firme surgiu em 2015 a partir da iniciativa voluntária de seu criador Gustavo Silvestre, ao fazer um workshop de crochê na Penitenciária II Desembargador Adriano Marrey localizada em Guarulhos.  A penitenciária é apenas masculina, o que fez  Gustavo se surpreender com o interesse dos detentos. 

   O estilista, que buscava por técnicas contrárias ao fast fashion, encontrou no crochê exatamente o que queria. A técnica envolve o slow fashion e o artesanal, conceitos e aspectos de moda que Silvestre sempre trouxe em suas criações. 

    Na penitenciária, alguns dos detentos já sabiam fazer crochê, porém tinham pouco repertório para desenvolver as peças, mas isso não foi problema para Gustavo e nem para os detentos. Conforme o projeto foi crescendo, mais e mais alunos foram entrando na oficina e aprendendo.

 

     O processo de criação das peças é feito inteiramente dentro da penitenciária, contando com a ajuda de ex -detentos, que, agora em liberdade, ajudam o projeto.  E claro, é fundamental que todos os participantes do Ponto Firme tenham a oportunidade de ver o resultado final. Por isso, Gustavo organiza um desfile dentro da penitenciária, completo com modelos, maquiagens, passarela e com as famílias dos detentos como convidados.

    Após chegarem a um acordo, os participantes da iniciativa  decidiram que o lucro das peças seria dividido igualmente entre os membros do projeto que já estão em liberdade. 

     A estreia do projeto foi em grande estilo na passarela do SPFW de 2018, suas peças emocionaram os presentes. A maestria no trabalho de crochê enriqueceu o evento, destacando a importância contínua de valorizar o feito à mão. O trabalho artesanal, aliado à precisão de cada look desfilado, trouxe ainda mais força ao universo da moda, fazendo com que em 2020 o projeto participasse novamente do evento.

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Imagem: Gustavo Silvestre Brasil

     

 Cruzando fronteiras, o projeto chegou a apresentar um desfile em Nova York. E fez parceria com a marca do designer sueco GERMANIER no desfile SS23. 

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Imagem: Gustavo Silvestre Brasil

     São Paulo Fashion Week N58

   A 58 edição da SPFW será realizada nos dias 14 a 21 de outubro. A semana é considerada a maior da moda da América Latina e contará com 40 coleções. Com o tema “Jóias da Rainha”, homenagem para a jornalista Regina Guerreiro, busca uma forma de “destacar o valor da memória como um instrumento para as novas gerações da moda brasileira”.

  O Projeto Ponto Firme, diferente de outras marcas, terá um desfile externo no Museu do Ipiranga, será a segunda marca a desfilar, fechando o primeiro dia da semana de moda brasileira. Conhecido pelo crochê, podemos esperar originalidade nos looks artesanais. Gustavo Silvestre, coordenador da marca, preza pela beleza da ancestralidade do crochê, casando perfeitamente com o tema da edição. A última coleção apresentada contou com roupas de paetês, feitas por crochê à mão, com certeza o novo acervo a ser apresentado irá marcar a moda brasileira novamente.

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