Roupas que atravessam gerações, peças garimpadas em brechós e uma indústria que produz em ritmo acelerado mostram que repensar a moda passa pela relação com aquilo que já existe
por
Sophia Coccetrone
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28/09/2026 - 12h

Por Sophia Coccetrone

 

Todos os dias, Sibelle Oliveira leva cerca de uma hora e meia para chegar ao seu brechó, na República, região central de São Paulo. Moradora do Jardim Peri, na zona norte da cidade, ela costuma fazer o trajeto de ônibus para economizar. No caminho, carrega sacolas e malas cheias de roupas que serão garimpadas, higienizadas, avaliadas e colocadas à venda no seu brechó. Aos 29 anos, divide a rotina entre o brechó, o trabalho como esteticista e possui sua carga de ensino técnico de Marketing. O negócio começou de outra maneira. No Brechó Vertical, prédio localizado na República que reúne diferentes brechós, ela inicialmente tentou desenvolver um espaço voltado à estética. Porém, a ideia não se sustentou sozinha. Foi então que decidiu transformar também sua relação com as roupas em trabalho e criou o Brecholezeiras.

Desde então, boa parte das tarefas fica por sua conta. É ela quem procura as peças, seleciona, higieniza, organiza, pensa na apresentação e atende as clientes. O trabalho acontece entre deslocamentos, estudos e outras atividades profissionais. Afirma que é um trabalho muito louco, e é para quem tem disposição.

Para chegar até ali, Sibelle precisa carregar fisicamente o próprio negócio em meio ao transporte público da cidade de São Paulo. “É assim que eu sigo lutando na correria para sustentar meu próprio negócio”.

A história de Sibelle revela uma das faces menos visíveis do consumo de segunda mão. Antes de uma peça chegar ao cabide de um brechó, existe uma série de escolhas, deslocamentos e trabalhos. E, depois que ela é vendida, sua história continua por mais algum tempo, agora no guarda-roupa de outra pessoa.

 

Brechós em São Paulo: veja 14 lojas para garimpar em SP - 04/10/2025 -  Passeios - Guia Folha

Corredor do Brechó Vertical - Imagem: Folha/UOL

 

Para Sibelle, vender roupas usadas não representa apenas uma alternativa de consumo. É também uma forma de trabalho e de construir uma identidade. A maior parte de suas clientes são mulheres próximas de sua idade, entre 20 e 30 anos, que procuram peças diferentes e, muitas vezes, encontram no brechó uma possibilidade de comprar produtos que seriam mais caros novos ou buscar mais alternativas para seu estilo pessoal. Ela afirma que geralmente quem consome muito de brechó, só vive de brechó.

A relação de Sibelle com as roupas também mudou a maneira como ela se veste. Ao passar boa parte dos dias procurando peças e pensando em quem poderia usar, ela começou a entender o garimpo não apenas como uma tarefa comercial, mas como uma forma de descobrir estilos e observar as diferentes maneiras pelas quais as pessoas constroem sua identidade.

Há também uma questão econômica. Para ela, comprar de segunda mão pode significar encontrar produtos de marcas conhecidas por valores mais acessíveis, além de peças antigas ou que já não são produzidas. Mas a escolha também está relacionada ao destino das roupas. Quando uma peça usada encontra uma nova dona, ela deixa de ser apenas algo que poderia ocupar espaço em um armário ou ser descartado. Passa a circular novamente. É uma lógica semelhante à da economia circular, em que produtos permanecem em uso por mais tempo antes de serem transformados em resíduos.

O professor Urbano Nobre, da PUC-SP, observa esse processo a partir da própria duração dos produtos. Para ele, uma das formas mais concretas de tornar o consumo mais consciente é fazer com que aquilo que já foi produzido permaneça em circulação por mais tempo.

 

“Uma das formas de você transformar de forma objetiva o consumo em algo consciente é você alongar a vida dos objetos, fazer com que o ciclo de produção e reprodução de consumo se alongue a três, quatro, cinco estágios.”

A experiência de Sibelle mostra esse prolongamento acontecendo na prática. Mas também evidencia que o consumo de segunda mão não elimina sozinho os problemas da indústria. Para que uma roupa chegue ao brechó, ela primeiro precisou ser produzida. E, enquanto novas peças continuam sendo fabricadas em grandes quantidades, o desafio permanece sendo diminuir a velocidade com que roupas entram e saem dos guarda-roupas.

Uma vida entre o tecidos e não-tecidos

Se Sibelle encontra novas histórias para roupas que já existem, Monika Debasa passou boa parte de sua trajetória pensando em como elas são produzidas. Professora de Moda da Faculdade Santa Marcelina e especialista em têxteis, Monika construiu sua carreira entre a indústria, a pesquisa e o ensino. Formada em Design pela FAAP, passou por diferentes experiências no setor têxtil, trabalhando com estamparia, padronagem, desenvolvimento de produtos e gestão.

Ainda no início da carreira, teve contato direto com o chão de fábrica durante um estágio na TDB Tecidos, empresa voltada à produção de malharia circular para beachwear e lingerie. Depois, atuou em Minas Gerais na área de algodão e desenvolveu uma coleção de estampas. Também trabalhou na Horizonte Têxtil, onde entrou em contato com pesquisas de tendências e chegou a administrar departamentos.

Foi nesse percurso que as questões relacionadas aos materiais e aos resíduos começaram a ganhar espaço em seu trabalho. Em 2009, Monika realizou testes com o Lonapet, tecido produzido a partir de garrafas recicladas de Guaraná Antártica. O material mantinha a cor verde das garrafas e também incorporava restos de fibras curtas de algodão a novos testes.

A experiência fazia parte de uma preocupação maior: entender que a sustentabilidade não começa depois que uma roupa é descartada. Ela também está presente na escolha das fibras, na qualidade da produção e na capacidade de uma peça permanecer em uso. Monika diz que a estética é, frequentemente, o primeiro fator de atração. A funcionalidade, por sua vez, deve ser adaptada ao contexto de uso. Contudo, a durabilidade é o pilar central da sustentabilidade. Quanto mais duradoura uma peça, mais sustentável ela se torna.

Para ela uma roupa não pode ser considerada sustentável apenas porque foi produzida com determinado material. A fibra utilizada, a qualidade da fabricação, o conforto, a possibilidade de manutenção e até a maneira como a peça é lavada interferem em sua vida útil.

Essa perspectiva acompanha sua trajetória acadêmica. Depois da experiência na indústria, ela se especializou em moda e gestão e realizou mestrado na área de design têxtil na EACH-USP. A pesquisa e a prática profissional passaram a caminhar juntas, até que o ensino se tornou uma parte central de seu trabalho.

Do ativismo à sala de aula

A preocupação de Monika com a sustentabilidade também ultrapassa os processos industriais. Ela participa do Fashion Revolution, movimento internacional criado após o desabamento do edifício Rana Plaza, em Bangladesh, em 2013, que matou mais de mil trabalhadores da indústria têxtil e colocou em evidência as condições de trabalho e produção do setor.

Como uma das embaixadoras brasileiras do movimento, Monika participa de ações voltadas à transparência, às condições de trabalho e à responsabilidade ambiental na moda. Ela costuma comparar o Fashion Revolution a uma espécie de “Greenpeace da moda”, justamente pela tentativa de aproximar questões ambientais e sociais do cotidiano da indústria.

A discussão também chega à Faculdade Santa Marcelina. Um exemplo é o “Setembro da Segunda Mão”, projeto de troca de roupas que incentiva os alunos a fazerem as peças circularem novamente. Na edição mais recente mencionada pela professora, 375 peças foram trocadas. A iniciativa parte de uma ideia simples: Monika gosta de reforçar que a melhor roupa é aquela que já existe.

É uma mudança de perspectiva que também aparece no trabalho de Sibelle. Enquanto Monika discute a durabilidade antes e durante a produção, Sibelle trabalha justamente no momento seguinte, quando a roupa poderia ser esquecida, acumulada ou descartada.

A roupa como trabalho

No cotidiano de um brechó, entretanto, prolongar a vida de uma peça não acontece de maneira automática. Sibelle precisa encontrar as roupas, transportá-las, selecionar o que pode ser vendido, higienizar cada peça, organizar o espaço, fotografar ou apresentar os produtos e conversar com as clientes, tudo sozinha. 

O esforço também aparece na maneira como Sibelle transforma sua própria rotina em expressão. Ela faz rimas de rap improvisado para retratar o trabalho e as situações que vive todos os dias, usando a música como uma maneira de registrar a experiência de manter um negócio próprio e se manter no "corre" do dia a dia.

O brechó, nesse sentido, está longe de ser apenas um espaço onde uma roupa usada muda de dono. Existe uma cadeia de trabalho por trás de cada peça que chega ao cabide. E existe também uma relação afetiva: alguém escolheu aquela roupa antes, alguém decidiu não descartar e outra pessoa agora encontrou nela uma nova oportunidade

O problema começa antes do descarte.

A trajetória de Sibelle acontece em contraste com um mercado de moda cada vez mais acelerado. Segundo dados citados pela CNN Brasil, a quantidade de peças de vestuário produzidas no mundo dobrou desde os anos 2000. No mesmo período, os consumidores passaram a comprar cerca de 60% mais roupas, mas a utilizá-las durante aproximadamente metade de sua vida útil. O problema, portanto, não está apenas no momento em que uma roupa vira lixo. Ele começa antes, na quantidade de peças produzidas, na velocidade com que são substituídas e na forma como o consumidor se relaciona com elas, além da forma do descarte que muitas vezes é irresponsável ambientalmente. 

A experiência de comprar uma roupa nova parece simples, mas envolve uma cadeia que passa pela obtenção da matéria-prima, produção, uso de água e energia, processos químicos, transporte, venda e, finalmente, descarte. É nesse intervalo entre produção e descarte que histórias como a de Sibelle ganham importância. Um brechó não interrompe a produção em larga escala, mas cria uma possibilidade para que algumas peças permaneçam em circulação.

Crescer sem ultrapassar os limites

A relação entre crescimento econômico e limites ambientais também é discutida pelo professor José Geraldo Portugal Júnior, vice-coordenador da FEA PUC-SP. A partir do conceito de Economia Donut, desenvolvido pela economista Kate Raworth, Portugal trabalha com a ideia de que uma sociedade precisa garantir condições mínimas de vida para as pessoas sem ultrapassar os limites ambientais do planeta.

Aplicada à indústria têxtil, essa perspectiva coloca a questão sobre como atender às necessidades de uma população crescente sem depender de uma produção cada vez maior de roupas que são utilizadas por períodos cada vez menores. A resposta não está apenas em trocar um tecido por outro. É preciso observar toda a cadeia e, principalmente, a quantidade de produtos colocados em circulação e o tempo que eles permanecem em uso.

Materiais alternativos, como fibras produzidas a partir do cânhamo, podem fazer parte dessa transformação, dependendo das condições de cultivo e processamento. Mas substituir uma matéria-prima não resolve por si só o problema de uma indústria baseada em produção e consumo acelerados.

A mudança também passa pela maneira como as marcas comunicam seus produtos. Em um mercado no qual a sustentabilidade ganhou valor comercial, existe o risco de que termos como “ecológico”, “consciente” ou “sustentável” sejam utilizados como estratégia de comunicação sem que mudanças correspondentes aconteçam nos processos produtivos. É o chamado greenwashing.

Por isso, a sustentabilidade não pode ficar restrita à publicidade. Ela precisa aparecer nas decisões sobre materiais, produção, qualidade, durabilidade, condições de trabalho e destino dos produtos.

A trajetória de Monika ajuda a mostrar essa diferença. Sua experiência com tecidos reciclados não ficou apenas na comunicação de uma ideia sustentável: envolveu pesquisa, testes e tentativa de encontrar usos para resíduos que normalmente seriam descartados. Já o trabalho de Sibelle acontece em outro lado. Seu negócio não precisa produzir uma nova peça para vender. Ele trabalha com aquilo que já existe e contribui para evitar que o descarte seja o fim inevitável de uma roupa.

Uma transformação que começa no que já existe

A sustentabilidade na indústria têxtil não depende de uma única solução. Ela envolve quem produz, quem cria, quem vende, quem comunica e quem compra. Mas as histórias de Monika e Sibelle mostram que a transformação também pode acontecer em escalas menores.

Monika passou décadas dentro da indústria e da academia investigando materiais, processos e maneiras de tornar as roupas mais duráveis. Hoje, leva essa experiência para a sala de aula e para o ativismo. Sibelle, por outro lado, construiu um negócio independente a partir das próprias dificuldades e descobriu no brechó uma maneira de trabalhar com roupas que já existem.

No fim, as duas trajetórias se encontram em uma ideia simples: uma roupa não precisa terminar sua história quando deixa de ser nova. Para Sibelle, essa história pode continuar no corpo de outra pessoa. Para Monika, ela começa na escolha de um tecido, na qualidade da produção e na capacidade de uma peça resistir ao tempo.

Em uma indústria acostumada a transformar novidade em necessidade, talvez um dos maiores desafios seja justamente aprender a olhar para aquilo que já existe para que sustentabilidade não seja apenas consumir menos, mas fazer com que as roupas tenham tempo suficiente para cumprir mais de uma história antes de se tornarem descarte.

Estilista inicia nova fase independente após deixar a direção criativa da Versace
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João Luiz Freitas
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22/09/2026 - 12h

Donatella Versace está de volta ao comando criativo de uma marca. Nesta segunda-feira (21), durante a Semana de Moda de Milão, a estilista anunciou uma nova parceria com a Revolve, varejista global de moda e beleza, dando início a um projeto independente que irá reunir os universos da moda e da beleza.

Ainda sem nome revelado, a nova marca terá Donatella à frente da direção criativa. A primeira etapa do projeto será dedicada à beleza, enquanto a expansão para a moda acontecerá posteriormente. Os primeiros produtos estão previstos para chegar ao mercado em 2027. 

A parceria representa uma nova etapa na trajetória da estilista. Em março de 2025, Donatella deixou a direção criativa da Versace, função que ocupava desde 1997, após assumir o posto deixado por seu irmão, Gianni Versace. Desde então, permaneceu ligada à grife como embaixadora, enquanto Dario Vitale assumiu a direção criativa.

Donatella Versace anuncia nova parceria para criação de marca independente
Donatella Versace anuncia nova parceria para criação de marca independente - Foto: Reprodução/Instagram @donatella_versace

Agora, longe da casa que marcou quase três décadas de sua carreira, Donatella passa a construir uma identidade criativa própria. O projeto pretende transitar entre moda, beleza, cultura e entretenimento, enquanto a Revolve contribui com sua estrutura de comércio digital e alcance internacional.

A distribuição inicial está planejada para mercados como Estados Unidos, América Latina, Ásia-Pacífico e Oriente Médio. O nome da marca e os primeiros produtos ainda serão divulgados nos próximos meses.

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Com passagem por Miu Miu e Versace, designer tem a missão de renovar a marca sem deixar de lado os códigos construídos por Giorgio Armani
por
João Luiz Freitas
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17/09/2026 - 12h

A Armani inicia uma nova fase da sua história com a chegada de Dario Vitale à direção criativa da Emporio Armani. Além do cargo, o designer também ficará responsável pela direção criativa dos acessórios Giorgio Armani. Anunciada nesta quarta-feira (16), a escolha representa uma mudança importante para a casa italiana, que, pela primeira vez, coloca um profissional de fora da família Armani em uma posição criativa de liderança.

A nomeação acontece um ano após a morte de Giorgio Armani, fundador da marca e responsável por construir uma das identidades mais reconhecíveis da moda italiana. Enquanto Silvana Armani e Leo Dell’orco permanecem ligados à direção criativa das coleções principais, Vitale chega especialmente à Emporio Armani, linha criada em 1981 com uma proposta mais jovem e experimental dentro do grupo.

A escolha também ganha força quando observada a trajetória do designer. Formado pelo Istituto Marangoni, em Milão, Vitale passou por nomes importantes da indústria italiana, incluindo Dsquared2 e Bottega Veneta, antes de chegar à Miu Miu em 2010. Durante aproximadamente 15 anos na marca, ocupou posições de destaque e chegou a comandar o design de ready-to-wear e a área de imagem.

Dario Vitale
Dario Vitale se torna o novo diretor criativo da Emporio Armani - Foto: Jeannette Montgomery Barron/Divulgação EA.

Em 2025, Vitale assumiu outro desafio histórico ao se tornar o primeiro profissional de fora da família Versace a ocupar a direção criativa da grife. Sua passagem, entretanto, durou apenas uma temporada. Depois da aquisição da Versace pelo grupo Prada, o designer deixou o cargo em dezembro do mesmo ano. Apesar do curto período, sua estreia foi apontada por veículos especializados como um dos momentos de destaque daquela temporada.

É justamente essa experiência que pode fazer diferença em sua chegada à Emporio Armani. Vitale carrega uma trajetória construída dentro de diferentes linguagens da moda italiana, passando pelo minimalismo e pela sofisticação da Miu Miu e chegando ao maximalismo e ao glamour historicamente associados à Versace. Para a Armani, essa bagagem pode representar uma oportunidade de aproximar a Emporio de uma geração mais jovem sem necessariamente romper com os códigos estabelecidos pela casa.

Seu primeiro grande teste à frente da Emporio Armani já tem data marcada: a coleção de verão 2027 será apresentada durante a semana de moda de Milão, em 24 de setembro. Será a partir dela que será possível observar como o designer pretende traduzir sua assinatura para o universo construído por Giorgio Armani.

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Patricia Bonaldi transforma a paisagem e a arquitetura dos jardins modernos em silhuetas, bordados e volumes que celebram a exuberância brasileira
por
João Luiz Freitas
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16/09/2026 - 12h

A paisagem brasileira ganhou novas formas na passarela da New York Fashion Week nesta terça-feira (15). A PatBO, marca comandada pela estilista Patricia Bonaldi, apresentou sua coleção primavera/verão 2027 em Domino Square, em Williamsburg, no Brooklyn, levando para um dos principais calendários da moda internacional uma interpretação contemporânea de natureza e do paisagismo brasileiro.

Intitulada “Splendid Brazil”, a coleção parte de uma referência que vai além da representação literal da flora nacional. A inspiração está nos jardins modernos brasileiros e, principalmente, na maneira como paisagistas do período modernista organizaram a natureza para transformá-la em uma linguagem visual própria.

Visuais apresentados no desfile da PatBO
Visuais apresentados no desfile da PatBO - Foto: Reprodução PatBO

“O ponto chave não é criar uma coleção sobre plantas, mas traduzir a maneira como eles organizaram a natureza”, explica Bonaldi, fundadora e diretora criativa da PatBO em vídeo disponibilizado no Instagram da marca.

A proposta aparece na passarela por meio de silhuetas orgânicas, volumes escultóricos, bordados botânicos abstratos, texturas e blocos de cores vibrantes. Em vez de simplesmente reproduzir flores e folhas nas roupas, a coleção transforma elementos da paisagem em construção de moda. Curvas são convertidas em recortes, volumes remetem a formas escultóricas e os ornamentos aparecem integrados à própria estrutura das peças.

Visuais apresentados no desfile da PatBO
Visuais apresentados no desfile da PatBO - Foto: Reprodução PatBO

A referência à natureza também aparece nos trabalhos de superfície. Estampas florais combinadas com bordados e desenhos abstratos, enquanto algumas peças parecem transportar para o corpo a composição de um jardim. A intenção, segundo Bonaldi, é justamente fazer com que a paisagem deixe de ser apenas uma imagem e passe a funcionar como estrutura.

Model Board do desfile da PatBO
Model Board do desfile da PatBO - Foto: @jonatasjacque/Instagram

Ao levar essa interpretação para Nova Iorque, a PatBO reforça também o espaço que a moda brasileira vem buscando ocupar internacionalmente. No último dia da temporada primavera/verão 2027 da NYFW, a  marca colocou o artesanato, a exuberância e referências da arquitetura paisagística brasileira no centro da discussão, mostrando que a identidade brasileira pode ser ponto de partida para uma moda global.

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Na The Art of Loving Tour, a cantora britânica leva vestidos, brilhos, franjas e glamour aos palcos
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Livia Vilela
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17/08/2026 - 12h

Eu não sei você, mas eu queria ser amada como Simone Beyene ama Olivia Dean. É difícil assistir a um show da cantora britânica e não chegar a essa conclusão. Quando Olivia Dean sobe ao palco, os vestidos brilham, as franjas acompanham seus movimentos, as penas flutuam atrás dela e seu figurino se torna parte indispensável do show. Por trás dessa estética própria, está Simone Beyene, stylist responsável pela imagem da cantora desde o começo de sua carreira.

Aos 27 anos, Olivia Dean vive o melhor momento de sua trajetória profissional. Nascida em Londres, lançou seu álbum de estreia, Messy, em 2023. O disco apresentou ao público uma artista que mistura soul, jazz e pop com letras sobre amor, relacionamentos e amadurecimento, a partir do olhar de uma jovem mulher segura de si. Já em 2025, o segundo álbum, The Art of Loving, alavancou sua carreira. Com 12 faixas, o disco coloca o amor como tema central. Não apenas o romântico, mas também o amor-próprio, as amizades e as diferentes maneiras de se conectar com alguém. 

olivia dean vestido plumas
Vestido de plumas Self-Portrait para a turnê Foto: Reprodução/Instagram @oliviadeano 

Foi o The Art of Loving que também marcou sua entrada definitiva no mainstream. “Man I Need” se tornou seu maior sucesso, enquanto “Nice To Each Other” e “So Easy (To Fall In Love)” ajudaram a estabelecer a sonoridade dessa nova era. O reconhecimento veio rápido. Em fevereiro de 2026, Olivia Dean venceu o Grammy de Artista Revelação, consolidando uma ascensão que, até pouco tempo antes, acontecia de maneira mais silenciosa.

Agora, essa nova dimensão da carreira chega aos palcos com a The Art of Loving Tour, sua primeira grande turnê de arenas como atração principal. A estreia aconteceu em Glasgow, no Reino Unido, em abril de 2026, em um espetáculo que reúne músicas de seus dois álbuns. Depois de se apaixonar pelas músicas, os fãs agora encontram outro motivo para se encantar: o estilo da Olivia, que ganha cada vez mais destaque a cada apresentação. 

olivia dean conjunto branco
Conjunto de top com saia Chanel para a The Art of Loving Tour Foto: Reprodução/Instagram @oliviadeano

Nesse caso, os figurinos não seguem os padrões convencionais de uma estrela pop contemporânea. Não há uma dependência de bodysuits, figurinos performáticos ou produções cenográficas típicas de grandes estrelas pop. Em seu lugar aparecem vestidos de festa, tecidos fluidos, silhuetas femininas e uma estética vintage. Algumas produções são delicadas, outras são completamente cobertas por brilho. É justamente essa combinação que torna o seu estilo tão particular. 

Se os figurinos da turnê parecem tão naturais nela, é porque essa estética não começou com a turnê. Simone Beyene construiu ao lado da cantora uma imagem marcada pela experimentação, glamour e principalmente pela diversão. Fora dos palcos, essa mesma identidade aparece de uma maneira mais descomplicada, dando forma ao seu chamado "effortless glamour".

olivia dean vestido amarelo de franjas
Vestido amarelo de franjas Alaïa feito para a turnê Foto: Reprodução/ Instagram @oliviadeano 

A seleção da turnê reúne marcas como Chanel, Jacquemus, Gucci, Coperni, Self-Portrait e Alaïa. A criação dos figurinos partiu de uma referência clara nas grandes divas. O moodboard trazia nomes como: Tina Turner, Cher, Diana Ross e Josephine Baker, além da estética das décadas de 1960 e 1970. A proposta era levar o conceito de party dress, o vestido de festa, ao extremo, incorporando o brilho de Tina e Cher, a teatralidade de Diana Ross e a presença cênica de Josephine Baker.

O estilo de Olivia Dean parece nascer naturalmente de quem ela é. Suas escolhas traduzem uma imagem feminina, elegante e contemporânea que acompanha a evolução de sua música sem competir com ela. No fim, acompanhar Olivia Dean também é prestar atenção no que ela veste e aproveitar o estilo que se tornou parte de sua experiência como artista. 

Talvez essa seja a verdadeira força da imagem da cantora. Tudo parece ter sido escolhido para que ela continue contando a própria história. A roupa deixa de ser apenas roupa e passa a fazer parte da narrativa. No fim, a The Art of Loving Tour transforma o amor em música e a música em espetáculo. E, nos figurinos, Olivia encontra mais uma forma de mostrar ao público quem é. 

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Nova edição aposta na inclusão e modernidade para reconquistar o público e redefinir padrões de beleza
por
Pietra Nelli Nóbrega Monteagudo Laravia
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16/10/2024 - 12h

Após um hiato de cinco anos, o icônico Victoria’s Secret Fashion Show está de volta, prometendo uma edição renovada. O evento, que aconteceu no dia 15 de outubro, marca uma nova fase para a famosa marca de lingerie, que vem enfrentando desafios nos últimos anos. Além de reunir supermodelos consagradas, o desfile contará com performances musicais de destaque, incluindo Cher, Lisa do grupo Blackpink, e a cantora sul-africana Tyla.

Pela primeira vez transmitido ao vivo em plataformas como TikTok, Instagram e YouTube, o show ocorrerá em Nova York  promete uma audiência global. A decisão de expandir o alcance digital do desfile reflete a estratégia da Victoria 's Secret em modernizar seu formato e reconquistar o público. Em um vídeo divulgado pela marca no início de setembro , várias veteranas da passarela, como Gigi Hadid e Tyra Banks, foram convidadas para participar deste retorno, reforçando o apelo nostálgico do evento.

A edição de 2024, além de um espetáculo visual, também traz novidades no elenco. A modelo brasileira Valentina Sampaio, de 27 anos, faz história ao se tornar a primeira trans brasileira a participar do desfile. Ela expressou sua felicidade em um post nas redes sociais, compartilhando com seus seguidores a emoção de fazer parte deste momento icônico. Valentina, que já foi a primeira modelo trans a ser contratada pela marca, comentou que se sente orgulhosa por representar a diversidade e a inclusão na moda.

O desfile deste ano, segundo a diretora criativa da marca, Janie Schaffer, foi cuidadosamente pensado para refletir as mudanças e o crescimento da Victoria 's Secret nos últimos seis anos. Schaffer afirmou que o novo formato será uma "celebração do glamour e da moda", mas sob uma "lente moderna". As famosas asas de anjo, tradicionalmente feitas de penas, agora serão produzidas com materiais sustentáveis, em resposta às críticas de ativistas ambientais e pela crescente demanda por responsabilidade social no mundo da moda.

Sofia Malamute/Victoria's Secret
Sofia Malamute/Victoria´s Secrets

 Essa nova fase da Victoria 's Secret também responde a controvérsias passadas que abalaram a imagem da marca, como a queda de audiência e as críticas sobre a falta de diversidade. Além disso, um documentário detalhou as conexões da marca com Jeffrey Epstein, um escândalo que manchou sua reputação. A empresa, agora liderada por mulheres como Sarah Sylvester e Janie Schaffer, promete que esta edição vai ressaltar os avanços da marca, tanto em termos de inclusão quanto de sustentabilidade.

O desfile incluirá um elenco diversificado de modelos, seguindo a tendência já iniciada em setembro de 2023, quando a marca lançou o documentário “The Tour ’23” na Prime Video. O filme destacou a colaboração com designers independentes de cidades como Lagos, Bogotá, Londres e *Tóquio, e trouxe supermodelos como Naomi Campbell e Adriana Lima ao lado de novas estrelas da moda, incluindo Adut Akech eWinnie Harlow.

Outro destaque desta edição é a inclusão de Ashley Graham, modelo e defensora da positividade corporal, marcando uma mudança significativa na tradicional seleção da Victoria's Secret. Ao lado de veteranas como Gigi Hadid, Lais Ribeiro e Behati Prinsloo, Graham simboliza a evolução da marca rumo a um padrão mais inclusivo de beleza.

Com essas mudanças, o Victoria’s Secret Fashion Show 2024 busca reafirmar seu lugar como um dos maiores eventos de moda do mundo, trazendo consigo uma nova era de glamour, inclusão e representatividade.

 

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A exposição, co-curada por Monica Miller e Andrew Bolton, ficará em cartaz de 10 de maio a 26 de outubro no Metropolitan Museum of Art, em NY, destacando o movimento dândi negro e suas implicações estéticas e políticas
por
Pietra Nelli Nóbrega Monteagudo Laravia
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16/10/2024 - 12h

O Met Gala 2025, um dos eventos mais aguardados do calendário da moda, trará um tema inovador e significativo: a moda masculina, com ênfase na formação da identidade e estilo dos homens negros ao longo do século passado. Intitulada “Superfine: Tailoring Black Style” e inspirada na obra da professora Monica Miller, a exposição busca aprofundar a relevância estética e política da moda na comunidade afro-americana.

A mostra será co-curada por Miller e Andrew Bolton, curador-chefe do Costume Institute, e ficará em exibição no Metropolitan Museum of Art, em Nova York, de 10 de maio a 26 de outubro de 2025. O tão aguardado Met Gala, que serve como uma cerimônia de abertura e arrecadação de fundos, ocorrerá no dia  5 de maio, com Pharrell Williams, Colman Domingo, Lewis Hamilton e A$AP Rocky como co-anfitriões. LeBron James também terá um papel especial como co-anfitrião honorário.

Reprodução: FFW
Reprodução: FFW

Desde a sua primeira exibição dedicada à moda masculina em 2003, com "Men in Skirts", o Costume Institute já mostrava interesse na temática. Agora, com um enfoque mais profundo, a nova exposição contará com cerca de 150 peças adquiridas após o movimento Black Lives Matter, destacando o trabalho de estilistas não-brancos, além de incluir itens históricos dos séculos 18 e 19 e criações contemporâneas de figuras como Pharrell Williams e Virgil Abloh - atual e antigo diretores criativos da Louis Vuitton.

O coração da exposição será a exploração do dandismo negro, que transcende a mera construção de uma identidade. Este conceito, enraizado na história de opressão e resistência, será dividido em 12 seções, cada uma refletindo as características do dandismo negro conforme descrito no ensaio de Zora Neale Hurston, de 1934. Além de vestimentas e acessórios, a mostra incluirá pinturas, fotografias e clipes de filmes que ilustram essa rica narrativa. 

 Reprodução: Jeff Kravitz
Reprodução: Jef Kravitz

A equipe de “Superfine: Tailoring Black Style” conta ainda com o fotógrafo Iké Udé como consultor especial, enquanto Torkwase Dyson assume o design conceitual da exposição. As cabeças dos manequins, elaboradas por Tanda Francis, e as fotografias do catálogo, assinadas por Tyler Mitchell, prometem enriquecer ainda mais a experiência visual.

Com esta nova exposição, o Metropolitan Museum of Art não apenas celebra a moda masculina, mas também reflete sobre questões mais amplas de raça, identidade e a história complexa da diáspora africana. O evento, que tradicionalmente impõe um dress code, oferece liberdade aos convidados, criando um espaço para que cada um interprete o tema à sua maneira.

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Coleção especialmente desenvolvida para o nosso mercado mistura silhuetas modernas a materiais artesanais e será vendida no hemisfério sul.
por
Kiara Elias
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10/10/2024 - 12h

 

A marca espanhola comemora 25 anos em terras brasileiras  com o lançamento da coleção “Brasil Edition”, um conjunto de roupas desenvolvidas especialmente para o mercado brasileiro, que chegou na quinta-feira (10/10) ao site e na sexta (11/10) às lojas físicas.

Modelo usando um vestido curto de crochê, da coleção da Zara, posando na praia do Rio de Janeiro em frente ao morro Dois Irmãos.
A coleção possui peças em crochê em homenagem ao Brasil. FOTO: Divulgação/Zara

 

A “Brasil Edition” oferece peças femininas, masculinas e infantis que captam a “bossa local” com elementos tradicionais como crochê e renda em vestidos leves, conjuntinhos de top com saia e uma alfaiataria pouco tradicional. 

Embora a produção das roupas não seja feita no Brasil, já que segue a cadeia global da Zara, a campanha publicitária celebra  nossas paisagens naturais e a cena artística do país, com o Museu de Arte de São Paulo e o Museu de Arte Contemporânea do Rio de Janeiro de  pano de fundo.

O ensaio fotográfico ficou por conta de Ángel Castellano, Jorge Pérez e Rafael Moura e contou com a participação das modelos Catarina Guedes e Bárbara Valente. Uma outra parte da Brasil Edition tem previsão de lançamento para o dia 24 de outubro, e ambas serão comercializadas em todo o hemisfério sul. 

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De recortes dramáticos a tons pasteis clássicos, os desfiles revelam nova era de inovação e expressão, desafiando convenções e celebrando a criatividade
por
Beatriz Vasconcelos e Clara Maia
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04/10/2024 - 12h

No dia 1º de outubro, a Semana de Moda de Paris encerrou sua temporada Primavera/Verão 2025 com os desfiles de grandes nomes como Chanel, Miu Miu e Louis Vuitton. O evento, que teve início no dia 23 de setembro, é conhecido por antecipar as principais tendências que vão influenciar o mercado nas próximas estações.

Chanel

A Chanel trouxe uma coleção com uma atmosfera que evocava o tema da liberdade, refletido em sua cenografia com grades, gaiolas e pássaros. A inspiração veio de uma famosa citação de Gabrielle Coco Chanel sobre a busca por autonomia: “Sempre quiseram me prender em gaiolas, com promessas e luxos. No entanto, eu só desejava a liberdade da gaiola que eu mesma criasse”, dizia o cartão que acompanhava o desfile.

Uma grande gaiola foi posicionada no centro do Grand Palais, local icônico dos desfiles da marca, que voltou a receber eventos após uma reforma de 30 milhões de euros, financiada pela própria maison. Com sua estrutura de aço e vidro, o edifício em si funcionava como uma metáfora de jaula, algo que talvez a própria Chanel tivesse interesse em criar e habitar.

Chanel primavera/verão 2025 - Crédito: Divulgação
Chanel primavera/verão 2025 - Crédito: Divulgação

Com a saída da diretora criativa Virginie Viard em junho, a coleção foi desenvolvida inteiramente pela equipe da marca. Peças clássicas de tweed dominaram a passarela, mantendo as características tradicionais da grife. A coleção adotou uma abordagem mais comercial, destacando o domínio da marca na criação de produtos de alta qualidade. Elementos como plumas, tons de azul, tecidos leves, transparências e brilhos foram combinados com itens casuais, como o jeans, para definir o estilo do verão de 2025.

Miu Miu

Sob o comando de Miuccia Prada, a Miu Miu continua a surpreender e se manter em alta. Para o verão de 2025, a marca apostou em uma fusão de estilos, apresentando uma coleção colorida e maximalista. Elementos boho, como cintos metálicos, foram misturados com peças mais tradicionais, como casacos no estilo colegial.

Conhecida por ressuscitar a tendência das saias curtas nas últimas coleções, desta vez a marca inovou ao trazer peças longas e midi, provando mais uma vez a versatilidade de Miuccia. Maiôs, vestidos volumosos, estampas florais e geométricas, óculos arredondados e bolsas práticas compuseram o visual ousado e moderno da marca para a nova temporada.

Outro grande destaque do desfile se dá pela presença de grandes celebridades na passarela, entre elas Hilary Swank, Cara Delevigne e principalmente Willem Dafoe. Não é a primeira vez que o ator ousou na passarela, já que em 2012 participou do desfile histórico de primavera Prada. “É muito divertido…é como estar atuando em um novo personagem” declara Dafoe para a Vogue, momentos depois de desfilar.

Willem Dafoe e Cara Delevigne para Miu Miu primavera/verão 2025 - Crédito: Divulgação
Willem Dafoe e Cara Delevigne para Miu Miu primavera/verão 2025 - Crédito: Divulgação

O cenário do show foi marcado por uma instalação artística da polonesa Goshka Macuga, que recriou uma gráfica de um jornal fictício, o "The Truthless Times". A escolha provocativa convidava o público a refletir sobre a enxurrada de informações não verificadas e conteúdo enganoso amplamente disseminado nas redes sociais. Assim como a coleção da Prada, que também explorou o tema da sobrecarga de informações, a Miu Miu propôs uma abordagem que ultrapassa o universo das roupas, incentivando uma perspectiva crítica e a autonomia no pensamento – conceitos que também estavam presentes nas peças exibidas.

 

 

Louis Vuitton

A Louis Vuitton desfilou sua coleção no icônico Louvre, com uma passarela adornada por baús e malas de viagem. A coleção, assinada por Nicolas Ghesquière, deu continuidade à estética apresentada no verão de 2024, mantendo a visão exploratória da marca. A passarela, feita de baús de viagem, foi erguida diante dos convidados em um ambiente escuro. Ao fundo, "Louis Vuitton Paris" brilhava em LED. 

Listras em tons terrosos e avermelhados apareceram em tecidos fluidos que moldavam o corpo, ao lado de casacos com mangas bufantes e saias com brilho. Ghesquière também trouxe camisas oversized com estampas que remetem ao expressionismo, mantendo sua assinatura criativa ao combinar o clássico com o contemporâneo. As peças evocavam imagens históricas que iam desde trajes da Revolução Francesa até casacos militares dos anos 1940 e jaquetas esportivas dos anos 1980. Embora pareça uma combinação ousada, é exatamente o tipo de construção que o diretor criativo adora explorar.

Louis Vuitton primavera/verão 2025 - Crédito: Divulgação
Louis Vuitton primavera/verão 2025 - Crédito: Divulgação

A distopia, nesta temporada, foi representada pelas obras do artista francês Laurent Grasso, cujas pinturas da série Studies into the Past (2009) foram reproduzidas nas camisas finais do desfile. Nessas paisagens a óleo, castelos e cavaleiros medievais aparecem ao lado de eclipses solares e outros fenômenos da natureza.

Na primeira fileira estavam reunidos os amigos principais embaixadores da marca, entre eles a nossa medalhista olímpica, Raíssa Leal. A lista se estende com nomes importantes, como Zendaya, Jaden Smith, Chloe Moretz, Cate Blanchett, entre outros.

Raissa Leal no desfile da Louis Vuitton - Crédito: Divulgação
Raissa Leal no desfile da Louis Vuitton - Crédito: Divulgação

Coperni

A Coperni encerrou a Semana de Moda de Paris de maneira inesquecível, levando o público ao icônico parque temático da Disney para apresentar sua coleção. O desfile aconteceu em meio à magia da Disneyland Paris, onde a marca já havia criado burburinho anteriormente com o seu sapato que remete às famosas orelhas do Mickey. Essa conxão entre a moda e o universo lúdico do parque trouxe um toque de fantasia ao evento, criando uma atmosfera única para a exibição das peças.

A coleção, marcada pela ousadia e inovação, refletiu o estilo futurista e divertido da Coperni. Modelos desfilaram com looks que combinam elegância com uma pegada tech, apresentando tecidos metálicos, cortes geométricos e acessórios inusitados que capturaram o espírito experimental da marca. O destaque ficou por conta de peças que misturam o tradicional com a fantasia, através de formas e materiais que proporcionaram a coleção remeter aos grandes heróis e vilões tão presentes no imaginário do público.

Kylie Jenner para Coperni primavera/verão 2025 - Crédito: Divulgação
Kylie Jenner para Coperni primavera/verão 2025 - Crédito: Divulgação

Com essa coleção primavera/verão e desfile em pleno parque da Disney, a Coperni elevou ainda mais o conceito de moda como espetáculo, transformando a passarela em um palco de encantamento e criatividade. A escolha do local, aliada à presença de personalidades influentes como Kylie Jenner, consolidou o desfile como um dos mais comentados da temporada, mostrando que a marca continua a desafiar as fronteiras entre moda, tecnologia e cultura pop.

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De Fendi a Max Mara, etiquetas icônicas exploraram transparências, minimalismo sensual e maximalismo boêmio, para encerrar a semana italiana desfiles
por
Nina Januzzi da Gloria
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02/10/2024 - 12h

No domingo  22 de setembro aconteceram os últimos desfiles presenciais do Milão Fashion Week, que apresentaram as coleções primavera/verão 2025. Durante o dia, algumas das maiores casas de moda do mundo caminharam  pelas passarelas,  apresentando momentos marcantes. Entre os principais destaques, estão: Fendi, Etro, Roberto Cavalli, Max Mara e Jil Sander. 

Fendi 

A marca homenageou em seu desfile os anos 1920 e a art déco A coleção explorou a leveza e o movimento, a partir de transparências com saias de organza e vestidos adornados com bordados, tecidos fluídos e cintos baixos, que realçam a cintura. Jones utilizou também uma paleta de cores neutras, como preto, cinza pérola e bege, que consolidaram a tendência da paleta serena para a primavera/verão 2025​. 

Foto: Getty images
 Vestido Fendi coleção primavera/verão 2025 Foto: Getty Images

O desfile mostra uma nova fase da Fendi, sob a liderança de Kim Jones, que assumiu a direção criativa da casa após Karl Lagerfeld. Sua visão tem misturado influências mais contemporâneas com tradições italianas.  A coleção também reforça o compromisso da grife com a excelência artesanal, mantendo a relevância da marca no cenário global. 

Kim Jones e Karl Lagerfeld
Kim Jones e Karl Lagerfeld   Foto: Page six

Etro 

Para a coleção primavera/verão 2025, o designer Marco de Vincenzo, abraçou o maximalismo em estampas florais paisley, crochê, lantejoulas coloridas e camadas ricas que refletiam a estética boêmia característica da grife. 

O desfile ainda contou com a trilha sonora da cantora Daniela Pes, que adicionou uma energia vibrante à apresentação, reforçando a extravagância das peças. Além disso, o uso de acessórios e camadas destacou a originalidade e ousadia da marca. 

Coleção Etro
Coleção boho da marca Etro Foto: Fashion Network

Max Mara

A grife italiana Max Mara trouxe uma nova perspectiva para o minimalismo moderno, trazendo um toque sensual e inesperado a suas peças sofisticadas. A coleção apresentada apostou em cortes minimalistas e detalhes ousados, como a cintura alta e camisas longas com fendas que revelavam lingerie preta. 

Mesmo as peças mais tradicionais da marca ganharam uma nova versão, com recortes estratégicos, que visavam reforçar a ideia de que o minimalismo também pode ser provocante. 

Max Mara desfile
Design da grife Max Mara para o Milão fashion week Foto: Fashion Network

Roberto Cavalli 

Fausto Puglisi, diretor criativo da marca, apresentou uma coleção que se destacou como um dos grandes momentos do dia. O designer explorou sua herança siciliana, a partir de peças que remetiam ao litoral mediterrâneo e à natureza. 

Os looks apresentaram uma profusão de plissados, penas e sequins, com vestidos esvoaçantes que pareciam capturar o movimento da água e do pôr do sol em suas estampas. As peças que mais se destacaram foram as em tons de areia e impressões aquareladas. A junção dessas características, deu à coleção um ar hipnotizante. 

Roberto Cavalli
Coleção primavera/verão 2025 da marca Roberto Cavalli Foto: Runway Magazines

Jil Sander

A marca, comandada por Lucie e Luke Meier, apresentou uma coleção surrealista, inspirada pelo trabalho do fotógrafo Greg Girard. As peças misturavam a simplicidade do cotidiano com toques sofisticados, a partir de vestidos volumosos com golas extravagantes e estampas de carros antigos, o que gerava a sensação de distorção intencional e desafiava o conceito de beleza tradicional. 

Essa combinação entre familiaridade misturada com um toque de estranheza, tornou o desfile um dos mais intrigantes do dia. 

Jil Sander estampa de carro
Design com estampa de carro Foto: Fashion Network 

 

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