Marcas europeias dão o nome no maior salão do automóvel do continente, que mais uma vez registrou grande presença de marcas chinesas
por
Vítor Nhoatto
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23/10/2026 - 12h

A feira automotiva mais antiga do mundo voltou a Porte de Versailles, em Paris, na França e acontece entre os dias 12 e 18 de outubro. O Mondial de l’Auto 2026 levou mais de meio milhão de pessoas para a bienal, que mostra ter recuperado o seu brilho com grande adesão das marcas europeias, enquanto o crescimento das chinesas continuou.

Na edição passada 41 montadoras compareceram e desta vez foram 43. Algumas com retornos expressivos como Fiat e Mercedes. Experiências interativas, test-drives e mais de cem expositores completaram o evento, que teve a questão da eletrificação como foco novamente, o que inevitavelmente reflete o contexto geopolítico e os desafios econômicos e ambientais atuais.

O setor tem se recuperado após dificuldades na pandemia e em grande parte pela chegada das chinesas ao continente com preços muito competitivos. Para se ter uma ideia, a participação de mercado delas foi de 4,9% em 2025, e a porcentagem de carros feitos na China vendidos na Europa superou a dos veículos fabricados na Turquia, no Japão e no Reino Unido, segundo dados da JATO Dynamics. A resistência europeia ainda existe, principalmente na Alemanha, maior produtora e mercado no continente, mas a questão preocupa.

Em 2024, foram aprovadas taxas de importação de até 35% sobre os 10% padrão nos carros elétricos chineses, e a União Europeia estuda limitar a 350 mil híbridos plug-in (PHEV) do país por ano. O presidente francês Emmanuel Macron compareceu pela última vez ao Paris Motor Show e, em meio a tumultuosos protestos pela França, para advogar justamente pela preferência europeia aos chineses. Além disso, o bloco busca aprovar a criação de uma nova categoria na legislação para subsidiar elétricos produzidos nos países membros. 

Resposta europeia conceitual

Nesse sentido, as marcas europeias voltaram com força ao Salão de Paris buscando referências de suas histórias, e o Grupo Stellantis chamou a atenção com oito carros-conceito. Emanuele Cappellano, Diretor de Operações (COO) do conglomerado para a região da Europa ampliada, destacou que “quer aproveitar ao máximo a vantagem competitiva proporcionada pela singularidade de suas marcas icônicas, oferecendo carros que, ao mesmo tempo, estão enraizados em sua herança e voltados para o futuro.”

A principal aposta do grupo é o novo Citroën 2CV, uma releitura do icônico modelo do século passado, seguindo a tendência de sucesso adotada pela rival Renault com os novos R5, R4 e o rival direto, Twingo. A Citroën promete que o modelo de produção custará a partir de 15 mil euros e será fabricado na Itália. 

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Compacto francês deve chegar ao mercado em 2028, com preço acessível e design carismático. Foto: Divulgação/Stellantis

 

Falando do país, a Fiat retornou a Paris depois de dez anos, e apresentou o conceito Multiplay, que prevê o próximo modelo da marca na Europa, um SUV do segmento C com a funcionalidade das minivans dos anos 2000. Além disso, a italiana mostrou o Multiplina, basicamente a versão de quatro lugares do quadriciclo elétrico Topolino.

Outro retorno ao evento foi a francesa DS, marca premium do grupo que, desde a separação da Citroën em 2015, sofre para conquistar uma fatia em meio a Audi, BMW e Mercedes. A marca apresentou o F3VER, prevendo a próxima geração do DS3, inclusive buscando inspiração nas lanternas traseiras da primeira geração do modelo, de 2009, e que seguindo a nova nomenclatura inspirada em perfumes franceses, se chamará Nº3. 

Rival da DS, a Alfa Romeo chamou a atenção com o conceito Cuorerosso, um sedã que antecipa a direção de design da italiana, mantendo a filosofia de beleza necessária e conexão emocional entre motorista e máquina. No entanto, a marca possui apenas três modelos à venda, sendo dois com uma década de mercado, Giulia e Stelvio, com a nova geração deles com futuro incerto após sucessivos atrasos, e nenhum lançamento há dois anos. 

Seguindo a linha da esportividade e do resgate do passado, a Peugeot apresentou o RCZ Vision, um esportivo elétrico sucessor do cupê dos anos 2010. Além disso, a francesa surpreendeu com o E-T16, conceito que antecipa o próximo 208 e resgata elementos da lenda do rally, o 205 Turbo de 1985. A nova geração do B-hatch estreará o volante Hypersquare, retangular, e promete ser o primeiro do segmento com o sistema steer-by-wire, sem ligação mecânica entre volante e rodas.

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Peugeot E-T16 resgata o passado da marca para os futuros Peugeot 208 e 2008. Foto: Divulgação/Stellantis

 

A Stellantis ainda mostrou o Opel STX Concept, que indica a direção que a marca alemã seguirá e chama a atenção por ser um Station Wagon, carroceria que praticamente desapareceu com a ascensão dos SUVs. 

Nessa mesma linha de apostar em receitas diferentes, mas agora no Grupo Renault, a francesa mostrou o E-Space, uma minivan que resgata a história do modelo que se transformou em um SUV de sete lugares. Elétrico e com visual retrô, não foi confirmado se será produzido, mas comprova que a marca segue com a estratégia de reviver ícones do passado, que vêm sendo referência na indústria europeia pelo sucesso de vendas do R5 e Twingo E-Tech. 

O grupo ainda levou a Alpine para o Porte de Versailles, com o concept A310, que busca explorar o passado da marca esportiva com grande presença em competições. Chama a atenção que Nissan e Mitsubishi, apesar de também pertencerem ao grupo e terem um grande legado no esporte mundial, mais uma vez estiveram ausentes e enfrentam dificuldades financeiras. 

Expansão chinesa continua

Diferente das donas da casa, o destaque das chinesas foi com modelos de produção que prometem ser inclusive fabricados no bloco em alguns anos para escapar das tarifas. A parceira estratégica da Stellantis, a Leapmotor, apresentou três novos modelos. 

Após a ofensiva nos segmentos D e C, agora a chinesa aposta no segmento B. O evento foi palco do primeiro contato do público com o SUV B03X. Com porte de Volkswagen ID.Cross e até 401 km de autonomia, chega custando cerca de 24 mil euros, 4 mil a menos que o alemão. A marca apresentou também o B03, versão hatch do B03X, visando bater de frente com o Renault R5 e o Volkswagen ID.Polo. Ambos os modelos devem chegar ao Brasil em breve. 

A recém-chegada Changan também acelera na conquista do continente europeu, apresentando o SUV CS55, lançado em setembro por aqui, e os modelos de luxo da Avatr. Mas o destaque da ofensiva é o lançamento da Deepal e da NEVO em Paris. A primeira é uma marca com apelo esportivo e premium, com os SUVs elétricos ou híbridos plug-in S07 e S05, dos segmentos D e C, respectivamente. Já a Nevo apresentou o Q05, com 4,43 m de comprimento, elétrico ou PHEV, com mais de um milhão de vendas na China e com chegada prevista para o início de 2027. Um degrau acima estará o Q06, ainda em homologação. 

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Grupo chinês já opera no Reino Unido, e agora avança para a União Europeia. Foto: Divulgação/Changan Global

 

O Grupo Chery revelou o Tiggo 4 para a Europa, que irá no próximo ano completar a linha de SUVs por lá, com conjunto híbrido pleno (HEV) com foco em economia e tecnologia. Além disso, a marca apresentou pela primeira vez fora da China o novo Q, um hatch elétrico do segmento B de última geração, levado para avaliar a recepção do público europeu ao modelo. Paris também foi o palco do novo Omoda 4, apresentado na China no começo do ano, e com grandes expectativas de ser o próximo lançamento da marca no Brasil. Com um visual afiado, tem botão de partida com tampa protetora ao estilo Lamborghini, e opção HEV e elétrica. 

Seguindo o plano de expansão na Europa, a vice-presidente da BYD revelou planos de construção de duas novas fábricas em solo europeu, na França e Espanha, se juntando à unidade na Hungria, com produção em massa prevista para começar ainda este ano. A marca lançou também o elétrico Atto 8, o primeiro com a segunda geração da bateria Blade e sistema Flash Charging, com recarga de até 1.500 kW, o que se traduz em 10 a 97% em apenas nove minutos. 

O salão também foi palco para a estreia de duas novas chinesas, Forthing e Li Auto. A primeira faz parte do grupo Dongfeng, que estreou no Brasil em agosto no Festival Interlagos. Para Paris, o conglomerado que estuda uma parceria com a Stellantis aos moldes de Leapmotor, apresentou a marca Forthing e os modelos TK5 e TK7. O primeiro se trata de um SUV médio e o segundo, curiosamente, é uma minivan, ambos elétricos ou híbridos plug-in. Estava presente também a van V9, e planos de uma planta de produção em solo europeu já no início de 2027 foram anunciados. Já a Li Auto levou o seu SUV com ares de minivan, i6, com previsão de lançamento no ano que vem.

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Dongfeng esteve presente nas edições 2023 e 2025 do Salão de Munique, e na edição passada do Paris Motor Show. Foto: Divulgação/Forthing

 

Geely e GAC usaram o evento para fortalecer sua chegada na Europa com os modelos já conhecidos pelos brasileiros. De novidade, a primeira apresentou globalmente o Monjaro EM-i, um D-SUV híbrido plug-in que, apesar do nome curioso, oferece muito espaço e conforto como modelo topo de linha na Europa. Já a segunda revelou o inédito Aion UT Cross, versão aventureira do hatch elétrico.

Chamaram a atenção em Paris ainda as chinesas Aito e Xpeng. A primeira é a marca de luxo do grupo SERES e parceira da gigante de tecnologia Huawei, que também esteve presente em 2024, mas ainda não deslanchou no continente. Já a Xpeng fortalece a ofensiva com a chegada do SUV cupê elétrico ou híbrido L03. Após marcar presença na edição passada do evento e nos dois últimos Salões de Munique, agora aposta em um modelo do segmento D, rival do Tesla Model Y, com 520 km de autonomia, tecnologia de ponta e por cerca de 35 mil euros. 

Lançamentos de produção

Como resposta às chinesas, as marcas tradicionais também aproveitaram o Salão de Paris para mostrar importantes modelos de produção para o futuro da indústria europeia. A Stellantis mostrou os novos Fiat Grizzly e Grizzly Fastback. Como o nome do segundo sugere, eles devem substituir o Fastback atual no Brasil e provavelmente o Pulse. 

O estilo segue o do Grande Panda, que será lançado no Brasil ainda este ano como Argo X. Terá versões a gasolina, híbrida leve (MHEV) e elétrica, e usa a versão simplificada da plataforma e-CMP chamada de Smart Car, desenvolvida em parceria com a indiana Tata.

A coreana Hyundai foi a única asiática não chinesa que apresentou grandes lançamentos neste ano: a segunda geração do SUV Bayon, e a quinta geração do Tucson. O primeiro é um SUV compacto baseado no novo i20 já vendido no Brasil, mas ainda em adequação para o mercado europeu. Ele possui exatamente o mesmo interior do hatch, mas é 11 centímetros mais comprido e seis mais alto, e conta com motorização micro-híbrida por lá, além de futuramente um sistema HEV. Já o Tucson muda completamente em relação à geração atual, que nunca foi vendida no Brasil. Ele continuará contando com opções MHEV, HEV e PHEV, além de um entre-eixos menor que o da versão global, como já adotado pelo atual e pelo Kia Sportage.

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Bayon segue a linguagem de design “Steel of Art”, seguindo a linha do novo Tucson. Foto: Divulgação/Hyundai Group

 

O Grupo Volkswagen vive um momento delicado e levou a sua mais nova aposta para Paris. Após atrasar a nova plataforma elétrica para médios do grupo para 2029, e ter vendas aquém do esperado de seus primeiros elétricos, ID.3, ID.4 e ID.5, a alemã reviu a sua estratégia. Em vez de lançar uma reestilização para os dois últimos, fez mudanças profundas no design, no interior e na nomenclatura. Conforme defendido no Salão de Munique de 2023, o legado das marcas é visto como a principal chave para conquistar os compradores com a chegada dos chineses, e com o sucesso da Renault ao resgatar nomes lendários, a Volkswagen lançou o ID.Tiguan.  

Essencialmente, o modelo é o velho e descontinuado ID.4, recém-lançado no Brasil, com mesma plataforma, bateria e motor. Porém, o exterior é menos arredondado e mais em linha com o Tiguan a combustão, e o interior é completamente novo, sanando o problema da falta de comandos físicos, telas pequenas e acabamento duvidoso. 

Falando em acessibilidade e legado, Paris marcou o retorno de um ícone, o smart #2. Lançado no Paris Motor Show em 1998 como Fortwo, havia sido descontinuado em 2024, e retorna em 2026 mantendo a filosofia de ser realmente pequeno, funcional e divertido. O preço deve começar em 20 mil euros, e a bateria de 35 kW consegue uma autonomia de 290 km para o pequeno com 2,76 de comprimento.

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Primeiras entregas do novo smart #2 começam já este ano em alguns países europeus. Foto: Divulgação/smart

O novo smart será fabricado na China e foi desenvolvido em parceria com a Geely, e reflete bem o momento que a indústria automotiva mundial vive. A produção do #2 em solo europeu não foi descartada, mas a empresa disse que isso teria atrasado seu lançamento em um a dois anos. Ou seja, mesmo que europeias, a colaboração com a China não parece mais opcional, e o tempo mostrará se os conceitos das marcas tradicionais conseguirão chegar a tempo dos chineses de agora.

Colapso glacial gera evento sísmico que destrói estruturas do país e deixa 1.445 mortos e 5.285 desaparecidos; enxurrada do monte Langtang Lirung chega a 180 km/h e atinge Tibete
por
João Barbosa
Manuela Abbate
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22/10/2026 - 12h

Nas últimas semanas, uma série de tragédias ambientais atingiram terrenos asiáticos. Casos de enchentes na região da cadeia montanhosa Hindu Kush-Himalaia causaram estrago na estrutura local e um número alto de óbitos e desaparecidos. Os acidentes são recorrentes e refletem a circunstância das mudanças climáticas que oferecem alto risco a esse tipo de território.

Em 26 de agosto, houve o primeiro grande deslizamento no monte Langtang Lirung. A queda dos detritos gerou uma avalanche que chegou ao vale do rio Lhende Khola, devastando mais de 40 km de rodovias, 70 pontes e 12 hidrelétricas na região. Ao chegar ao solo, os resíduos causaram um tremor sísmico de magnitude 5,2, agravando o desastre.

Houve dois deslizamentos graves desde o ocorrido em agosto, um em 27 de setembro e outro no último domingo (10). Esse atingiu a Índia, deixando 56 mortos.

No momento, 49 dos 77 distritos do Nepal estão em alerta quanto as chuvas. O desastre danificou as fibras ópticas da área, deixando os distritos de Manang, Mustang, Myagdi e Baglung sem energia.

Ao total, foi calculado pelas autoridades do país que a recuperação custará de 4 a 5 bilhões de dólares.

Quanto as vítimas do desastre, apenas 105 corpos foram identificados e retornados aos familiares. As autoridades nepalesas criaram um cemitério temporário no distrito de Chitwan, onde enterraram em vala comum um número não divulgado de corpos não identificados.

O fenômeno

O colapso glacial consiste na fragilização e o desabamento de geleiras. Durante o deslizamento, o gelo acumula outros sedimentos e detritos, podendo gerar uma avalanche.

Os deslizamentos são esperados durante o verão na Ásia do Sul visto que as chuvas nesse período são intensas. Esse processo é chamado de chuvas de monções. Elas ocorrem quando os ventos da região mudam a trajetória, transportando o ar mais umido do oceano Índico para o continente. Devido as cadeias montanhosas da região, o Himalaia e a Caxemira, as nuvens carregadas não se dispersam, intensificando a precipitação.

mapa que mostra a Índia, Nepal e a região do Tibete na China
Mapa da região, mostrando a fronteira entre o Nepal e o Tibete | Reprodução: Google Earth

É importante pontuar que as mudanças climáticas exercem um papel nessa progressão de eventos. O aumento da temperatura global torna os colapsos glaciais e as precipitações mais frequentes. Em entrevista a Reuters, o cientista Terra Dan Shugar comentou “Algumas das geleiras do vale estavam cobertas de neve ontem e hoje estão, em sua maioria, com o gelo à mostra. Portanto, em outras palavras (e ainda não vi nenhum dado de estações meteorológicas), provavelmente estava quente”, indicando que uma grande quantidade de neve derreteu no dia que precedeu o desastre.

O reflexo no futuro

A longo prazo, o panorama da região tende a seguir o caminho que se perpetua hoje. As variações na precipitação são uma questão de tamanho mundial, o ciclo hídrico do planeta é desregulado pelas mudanças climáticas. Em pesquisas realizadas pelo Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento do Nepal no ano de 2023, a professora Shankar Shrestha prevee um aumento de 72% na intensidade diária de chuvas no Nepal pelos próximos anos. Simultaneamente, a perspectiva é de aumentos nas áreas de derretimento. Dados de um levantamento da ONU (Organização das Nações Unidas) apontam que as montanhas nevadas da região perderam cerca de um terço do gelo total, com tendências a aumento crítico no processo.

Em entrevista a AGEMT, o jornalista especializado em divulgação científica Ulisses Capozoli comenta sobre as predisposições do território nepalês: “O Nepal é uma região de choque de placa tectônica, então é de se esperar esse tipo de coisa. A questão é fazer uma análise incluindo dados de processos naturais, para ter um perfil do que está acontecendo. O que está acontecendo é compatível com um planeta que tem uma população crescente e tem um padrão de energia que muda o ambiente”

A interferência humana no comportamento natural do meio ambiente tem implicações diretas na própria existência da sociedade. No caso da parcela do Nepal afetada pelos desastres, a maioria populacional é de baixa renda, que depende da área para o funcionamento local. Por conta dos desastres, hoje esses residentes estão considerados em situação de risco.

Estudos realizados pela IFC (International Finance Corporation), apresentam a progressão do número de pessoas afetadas por enchentes oriundas de mudanças climáticas no Nepal nos ultimos anos. Em 2010, o número foi de aproximadamente 157 mil, enquanto em 2030, o número está previsto para alcançar os 350 mil.

 

 

 

Presidente dos EUA ameaça Irã, Cuba e México, anuncia acordo com a Groenlândia e defende renomear IA como "superinteligência"
por
Sofia Martins
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25/09/2026 - 12h

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursou na terça-feira (22) na 81ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) em Nova York.  O mandatário iniciou seu discurso de 37 minutos com a frase “America is back” (América está de volta).  

O político apontou, o que classificou, como “melhorias históricas” na economia, segurança pública e força militar dos EUA. Além disso, reforçou ameaças ao Irã, relações com o território venezuelano e enfatizou o poder e o cuidado com as Inteligências Artificiais, chamadas por Trump de “super-inteligências”. O líder norte-americano falou após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O brasileiro abriu a reunião, como  é tradição nas assembleias da organização desde 1955. 

Trump também deu destaque às conquistas econômicas, por recordes na bolsa de valores americana, argumentou que empresas estavam investindo nos Estados Unidos “mais do que já aconteceu em qualquer momento e em qualquer lugar do mundo” durante seu ano de governo e declarou o valor de US$ 21 trilhões em investimentos estrangeiros. Entretanto, segundo relatórios da Casa Branca, esse valor seria quase o dobro do total contabilizado e declarado. De acordo com informações divulgadas no site “Trump Effect List” (Lista de Efeitos de Trump), iniciativa da administração de Donald Trump que reúne anúncios de grandes investimentos corporativos e industriais nos Estados Unidos, o montante de investimentos estrangeiros chega aos US$9,6 trilhões.

Ao se referir aos avanços do território norte americano, ele enfatizou  ter transformado a fronteira dos Estados Unidos  de mais perigosa para mais segura da história do país, informando que nos últimos 16 meses, nenhum imigrante irregular teria sido admitido no país. Durante o discurso, os números apresentados por Trump  para indicar o desenvolvimento do país foram baseados em dados inconsistentes. 

Além disso, Trump disse ter agido para evitar que os EUA, ou qualquer outra nação presente no plenário, tivessem que enfrentar o que chamou de um "pesadelo" nuclear vindo do Irã, e se colocou como defensor não só dos Estados Unidos, mas de toda comunidade internacional reunida na assembleia. O conflito com o país persa, iniciado unilateralmente por Estados Unidos e Israel, tem como um dos pontos de tensão o programa nuclear iraniano.

O presidente ainda chamou a liderança iraniana de fraca e desesperada e afirmou esperar um acordo logo após as eleições. A fala do presidente norte-americano ocorre em meio a um conflito real e prolongado, quase sete meses de guerra, e segundo o fact-check do PBS/PolitiFact, em um momento de desgaste da opinião pública americana com o impacto do conflito nos preços de combustível. 

O político afirmou estar diante de uma decisão histórica: de um lado, poderia optar por um acordo que permitiria ao Irã reconstruir sua economia e se consolidar como “talvez uma das maiores potências do Oriente Médio”. Por outro lado, advertiu que, caso o acordo não fosse alcançado, o país poderia sofrer uma ação militar capaz de “aniquilar rapidamente a nação iraniana”.

Trump mencionou também ter sancionado, uma nova lei que lhe dá amplos poderes tarifários, ferramenta que disse estar pronto a usar para pressionar pelo fim da guerra entre Rússia e Ucrânia, classificada por ele como uma "guerra desastrosa" que mata milhares de pessoas por mês.

A invasão realizada pelas forças armadas dos EUA no mês de janeiro a Caracas, capital da Venezuela, também foi lembrada por Trump durante seu discurso: “conseguimos pegar o criminoso, fora da lei, Nicolás Maduro”. O líder norte-americano afirmou que diversos venezuelanos que foram presos erroneamente, deixaram as prisões e que a nação venezuelana festejou após a operação americana. 

Apesar de existir uma parte da população venezuelana que concorda com a operação comandada por Trump, segundo a checagem de fatos da agência Lupa, muitos dos relatos de comemoração da nação venezuelana são falsos. A maioria dos vídeos de comemoração foram gerados por IA ou de protestos anteriores à queda de Maduro. 

A intervenção militar estrangeira armada gerou profundo desespero, apagões e medo na população de Caracas durante os bombardeios. Além disso, houve baixas militares locais e protestos de apoiadores do regime chavista. Sobre os que foram detidos erroneamente, segundo o Foro Penal da Venezuela, após a segunda rodada de diálogos mediada pelos EUA, o balanço registrou a soltura recente de dezenas de detidos. Entretanto, restam 324 pessoas que permanecem presas. A demografia detalhada aponta 310 homens, 14 mulheres, sendo 184 civis e 140 militares.

O chefe da Casa Branca também anunciou o maior acordo de petróleo da história, contando com 65 bilhões de barris de petróleo, que, segundo ele, trará benefícios para o povo norte-americano e venezuelano. “Quando somamos a Venezuela e os Estados Unidos, temos mais de 60% do petróleo do mundo”, afirmou ele.

81a Assembleia Geral da ONU em Nova York
Trump discursa na 81ª Assembleia Geral da ONU - Daniel Torok/Divulgação Casa Branca

Trump abordou a segurança regional na América Latina, concentrando parte de sua fala no México. O presidente norte-americano classificou os cartéis de drogas como organizações terroristas estrangeiras e definiu o México como o “epicentro da violência dos cartéis”, fazendo cobranças diretas ao governo mexicano.

Apesar de afirmar boas relações com o país, ele também declarou que “o México precisa retomar o controle sobre seu território” e comparou os cartéis ao Estado Islâmico no Hemisfério Ocidental. “Eles são inimigos em guerra com a civilização, usando assassinato, estupro, extorsão e táticas de terrorismo. Eles devem ser assassinados, eliminados ou presos sem a possibilidade de serem soltos”, argumentou o político.

Ao mencionar Cuba, Trump descreveu o regime como “Estado fracassado” sob a maior pressão de sua história, que “vai cair”. Ele também alegou que Marco Rubio, Secretário de Estado dos EUA, está profundamente envolvido com as negociações sobre o país. 

A situação de Cuba se agravou com o aumento das medidas impostas pelos Estados Unidos, desde janeiro,  que ampliou as restrições contra a ilha, interrompeu o envio de petróleo venezuelano e ameaçou  aplicar tarifas a países que mantivessem relações comerciais com o governo cubano. Após a fala de Donald Trump sobre o país, durante a Assembleia Geral, a delegação de Cuba abandonou a sessão. 

O discurso contou com o anúncio do presidente de que, há poucos dias, os Estados Unidos fecharam um acordo sem precedentes envolvendo a Groenlândia – território dinamarquês – para que esse  fizesse parte da esfera de defesa direta dos EUA. 

Segundo o político, o acordo foi firmado com o Reino da Dinamarca e com representantes do próprio povo groenlandês, que concordaram em atribuir  aos Estados Unidos controle "permanente" sobre a segurança e "todas as demais necessidades" no território. 

Ele encerra o trecho dizendo que isso dará aos EUA capacidade plena para "defender o continente americano, a Europa e outras regiões" a partir dali, elevando a Groenlândia de posse estratégica pontual a peça central da defesa ocidental. 

A Groenlândia é uma área de interesse dos Estados Unidos por ser um território com terras raras, gás e petróleo mais acessíveis, recursos essenciais para produção de tecnologias avançadas. Além disso, a ilha possui uma localização estratégica, servindo como ponto de contenção de mísseis hipersônicos que poderiam atingir os EUA pelo norte. 

Durante seu discurso, Trump comentou que a ONU tem potencial enorme, mas que a organização precisa deixar de impor o que chamou de "agenda de extrema-esquerda de burocratas globalistas que ninguém jamais elegeu". 

Como exemplo, citou uma intervenção do seu governo no ano anterior para impedir que a Organização Marítima Internacional, agência ligada à ONU, criasse um imposto global sobre carbono no transporte marítimo. 

Trump ampliou ainda críticas aos organismos de direitos humanos da ONU. “É inaceitável que, com todas as atrocidades que acontecem no mundo, a ONU tenha autoridades de direitos humanos criticando os EUA por protegermos nossas crianças contra a mutilação de pessoas transgêneras e forçando nossas leis de imigração”, afirmou o presidente. 

Ao mesmo tempo, ele afirmou que cristãos são perseguidos “constantemente”. A declaração foi usada para criticar o que ele considera ser o silêncio da ONU diante dessas perseguições, em contraste com a atenção dada, segundo ele, a questões internas dos Estados Unidos. 

A mesma crítica apareceu quando Trump falou sobre a Unesco. O presidente questionou a atuação da agência, criada para preservar o patrimônio cultural e histórico, e afirmou que ela estaria “destruindo a cultura, a herança e a história”. Com a declaração, Trump reforçou sua crítica às instituições multilaterais, que, segundo ele, estariam se afastando de suas funções originais.

No final do discurso, Trump afirmou que os Estados Unidos "rejeitam totalmente" qualquer tentativa de criar o que chamou de um "esquema globalista" para controlar o desenvolvimento da inteligência artificial. Ele anunciou que, a partir daquele momento, os documentos oficiais do governo norte-americano passarão a usar o termo "superinteligência", ou "SI", no lugar de "inteligência artificial". Como justificativa, disse que a palavra "artificial" faz a tecnologia parecer falsa.

Trump finalizou afirmando que os Estados Unidos lideram a corrida desenvolvimentista da IA à frente da China, e classificou como pertencentes a um mesmo grupo os críticos do avanço da IA e aqueles que, segundo ele, alertaram anteriormente sobre aquecimento global e sobre supostas interferências russas nas eleições americanas.

Após 25 anos, a tragédia que mudou o rumo dos Estados Unidos ainda deixa marcas na sociedade e nas relações internacionais
por
Vitória Teles
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17/09/2026 - 12h

Há 25 anos, em 11 de setembro de 2001, Nova York vivenciava o maior ataque terrorista da história, quando quatro aviões comerciais foram sequestrados por jihadistas e atirados contra as Torres Gêmeas do World Trade Center e o prédio do Pentágono. O último avião, acreditava-se que estivesse rumo à Casa Branca ou ao Capitólio, caiu na Pensilvânia, após os passageiros terem tomado controle do avião, desviando sua rota e fazendo com que ele não chegasse ao destino final.

O evento matou 2.997 pessoas, além dos 19 sequestradores, foi o mais mortal da história do país e permanece vivo na memória dos estadunidenses. O atentado representou um trauma nacional que mudou a forma como os Estados Unidos enxergavam sua segurança, política externa e cotidiano.

O mundo inteiro também acompanhou em tempo real pela transmissão de canais de notícias. Milhões de pessoas viram o segundo avião atingir a torre sul do World Trade Center. As imagens foram repetidas inúmeras vezes na televisão por dias, meses e anos seguintes.

As Torres Gêmeas sendo atingidas em Nova York, em 11 de setembro de 2001. Foto: Robert J. Fisch/Wikimedia Commons.
As Torres Gêmeas sendo atingidas em Nova York, em 11 de setembro de 2001. Foto: Robert J. Fisch/Wikimedia Commons. 

 

O atentado demonstrou como terroristas podem usar meios civis, como aviões comerciais, para cometer crimes, isso levou governos de todo o mundo a rever seus sistemas de segurança. Alguns sistemas mudaram drasticamente após o ataque. Os aeroportos passaram a ter controles mais rígidos, com inspeções mais rigorosas de passageiros e bagagens.

Além disso, os Estados Unidos criaram a Transportation Security Administration (TSA), para assumir a segurança aeroportuária. Novas leis antiterrorismo surgiram durante esse período, como a USA Patriot Act, criação da TSA, sancionada em 2001 para monitorar comunicações telefônicas e eletrônicas de suspeitos.

A motivação por trás dos ataques de 11 de setembro de 2001 estava ligada principalmente à ideologia da organização terrorista Al-Qaeda, liderada por Osama bin Laden. Segundo a declaração do próprio grupo, as motivações incluíam a presença militar dos Estados Unidos na Arábia Saudita, considerada por Bin Laden uma profanação de locais sagrados do Islã e a oposição à influência política, econômica e militar americana no Oriente Médio.

Além das mudanças nas medidas de segurança, a tragédia provocou um grande choque econômico global. A bolsa de valores de Nova York permaneceu fechada por vários dias, algo raro na história dos EUA. As companhias aéreas foram o setor mais afetado. O espaço aéreo estadunidense foi fechado temporariamente, cerca de 5.000 a 7.000 voos comerciais foram cancelados nos primeiros dias após os atentados e muitas pessoas passaram a evitar viagens de avião no período após o ataque, segundo a National Archives 9/11 Federal Aviation Administration (FAA) Records.

Após o colapso das Torres Gêmeas, as equipes de resgate passaram meses removendo toneladas dos destroços do terreno, conhecido como "Ground Zero" (Marco Zero). O trabalho envolveu busca por sobreviventes, recuperação dos restos mortais das vítimas e estabilização da área para futuras construções.

Como forma de preservação da memória e homenagem, o One World Trade Center, inaugurado em 2014, com 541 metros de altura, representa resiliência e renovação. O edifício tornou-se o mais alto do Hemisfério Ocidental.

No local onde estavam as Torres Gêmeas foram erguidas duas imensas piscinas espelhadas, posicionadas exatamente sobre as fundações das antigas torres. Os nomes das 2.997 vítimas dos ataques foram gravados em painéis de bronze ao redor do memorial. Ao lado, também foi inaugurado o Museu Nacional do 11 de setembro que reúne fotografias, objetos recuperados, documentos históricos, como identidades das vítimas encontradas nos destroços das Torres.

Memorial construído no mesmo local onde as Torres Gêmeas desabaram. Foto: Public Petr Kratochvil/Domain Pictures
Memorial construído no mesmo local onde as Torres Gêmeas desabaram. Foto: Public Petr Kratochvil/Domain Pictures

Todos os anos, cerimônias são realizadas no One World Trade Center. Como forma de manter viva a memória das vítimas que morreram em 11 de setembro de 2001, como a leitura dos nomes das vítimas, sete momentos de silêncio e 2.977 luzes em homenagem às vítimas que foi exibida formando a silhueta das Torres Gêmeas, além de uma cerimônia especial em Ground Zero para familiares, sobreviventes e autoridades.

Governo de Donald Trump decide fazer mudança no departamento de estado em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Washington e Brasília.
por
Rafael Jorge
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26/08/2026 - 12h

O Governo dos Estados Unidos anunciou, na segunda-feira (17), a troca do chefe de escritório responsável pelas relações entre Brasil e América Latina. Juan Pablo Segura assumiu o cargo de Secretário de Estado Adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental, no lugar do embaixador Michael Kozak, que ocupava a função de forma interina desde 2025.

Juan Segura já havia sido indicado pelo presidente Donald Trump em abril deste ano. Em junho, o nome dele passou por uma audiência no Comitê de Relações Exteriores do Senado, quando foi aprovado. Segundo o departamento de estado, o novo chefe tomou posse no dia 14 de agosto.

Juan Pablo Segura é um membro do partido republicano e empresário americano, filho de imigrantes argentinos. Antes de chegar ao departamento de estado, ele foi secretário de Comércio Exterior da Virgínia, no governo de Glenn Youngkin. Também co-fundou, em 2014, a Babyscripts, empresa de tecnologia voltada ao acompanhamento pré-natal e pós-parto.

Novo Secretário de Estado em foto oficial
Juan Pablo Segura, novo chefe de escritório responsável pelas relações entre EUA e América Latina. Foto: Departamento de Estado dos Estados Unidos

No mesmo dia em que foi anunciado, Segura utilizou suas redes sociais para dizer que pretende trabalhar em parceria com o Presidente Trump e o secretário de Estado Marco Rubio “Junto com nossa excepcional equipe, impulsionaremos a visão do presidente Trump para que nossa região esteja a salvo dos cartéis e dos narcoterroristas, se gere prosperidade para os americanos e nossos associados e se assegurem nossas fronteiras. Estou pronto para trabalhar!” afirmou.

 

Publicação no X de Juan Pablo Segura agradecendo a oportunidade no novo cargo
Post de Juan Pablo Segura no dia em que foi oficializado como Secretário de Estado Adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental. Imagem: X/ Reprodução @WHAAsstSecty 

A mudança acontece em meio a uma tensão diplomática entre Estados Unidos e Brasil. No início de agosto, o governo estadunidense revogou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A decisão aconteceu, segundo o governo dos Estados Unidos, após o Brasil recusar conceder aprovação diplomática ao embaixador Daniel Perez, indicado por Trump para atuar na capital brasileira.

Juan Pablo Segura já usou suas redes sociais para falar sobre o Brasil. Em fevereiro de 2025, ele criticou a decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes de multar o X (antigo Twitter) por descumprimento de uma ordem judicial “Bloquear o acesso à informação e impor multas a empresas sediadas nos EUA por se recusarem a censurar pessoas que vivem nos Estados Unidos é incompatível com os valores democráticos, incluindo a liberdade de expressão." 

Já em abril deste ano, Segura compartilhou um texto sobre a decisão dos Estados Unidos em expulsar um delegado brasileiro que estava supostamente envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem. “Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar tanto pedidos formais de extradição quanto prolongar caças às bruxas políticas em território americano. Hoje, solicitamos que o funcionário brasileiro relevante deixe nossa nação por tentar fazer isso", dizia a publicação.

O que diz o Itamaraty? 

Até o momento, o Itamaraty não se pronunciou especificamente sobre a nomeação de Juan Pablo Segura. O governo brasileiro, no entanto, tem defendido que a concessão de agrément, autorização formal do país que receberá um embaixador, é um procedimento diplomático necessário e deve ocorrer antes da divulgação pública da indicação.

Na perspectiva de Brasília, a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti e a nomeação de Segura acontecem dentro de um contexto mais amplo de deterioração das relações entre Brasil e Estados Unidos. O governo brasileiro também negou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado que pretendiam viajar ao país, após suspeitas de que a visita poderia estar relacionada a questões políticas e ao sistema eleitoral brasileiro.

 

Filósofo morre aos 96 anos e deixa um importante legado para a humanidade
por
Amanda Lemos
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16/03/2026 - 12h

Jürgen Habermas faleceu neste sábado (14) aos 96 anos em Starnberg, Alemanha, com causa da morte ainda não divulgada. Nascido em Düsseldorf, Alemanha, em 18 de junho de 1929, foi um filósofo e sociólogo, participante da tradição da teoria crítica e do pragmatismo. Ele foi membro da segunda geração da Escola de Frankfurt.

Habermas teve e ainda tem uma grande influência na Alemanha, principalmente na filosofia, na política e no modo como o país pensa a democracia e o espaço público no pós-guerra. Ele surge em 1962 com a publicação de sua primeira obra, “Mudança Estrutural da Esfera Pública”, onde defende espaços de diálogo sem controle estatal em um momento em que a Alemanha precisava refletir sobre o nazismo, reconstruir sua democracia e lidar com a culpa histórica, o autoritarismo e o silêncio social.

O filósofo influenciou debates políticos, universidades, imprensa e a formação da cidadania alemã com a ideia de que “A democracia só funciona de verdade quando as pessoas podem debater livremente em um espaço público aberto, crítico e racional.” O conceito de esfera pública, um espaço social de debate que ele criou e pregava, virou base para pensar a mídia, a opinião pública e a participação política. 

Habermas teve papel intelectual direto em debates nacionais sobre a constituição alemã e os direitos humanos. Ele defendia uma Alemanha democrática, constitucional e baseada no diálogo, não na força. O filósofo pregava que o país não podia esquecer o nazismo e defendeu a memória histórica crítica, impactando em políticas educacionais e debates públicos sobre culpa e responsabilidade coletiva. 

Na Alemanha atual ele ainda é referência em filosofia política, símbolo de intelectual público e citado em debates sobre democracia, mídia e extremismo. 

 

Fotografia em close-up de Jürgen Habermas, um homem idoso com cabelos brancos curtos e óculos de grau de armação fina. Ele veste um paletó de tweed marrom sobre uma camisa branca e gravata xadrez. Ele está com a mão direita levemente levantada em um gesto expressivo, como se estivesse explicando um conceito. O fundo está desfocado, sugerindo um ambiente de biblioteca ou escritório com estantes de livros.
Jürgen Habermas, um dos pensadores mais influentes do século XX e início do século XXI, da escola de Frankfurt - Foto: Instituto Humanitas Unisinos 

 

Habermas começou a focar nos estudos da comunicação em 1970. Para ele, a democracia depende de uma esfera pública forte, baseada na ação comunicativa, onde cidadãos livres discutem racionalmente os assuntos coletivos e constroem consensos legítimos. Ele defendia que comunicar é agir socialmente. Para ele, vai além da simples transmissão de mensagens, é a base da democracia, da política e da vida social.

Lançou cerca de 50 livros ao longo de sua carreira. Os mais importantes foram “Mudança Estrutural da Esfera Pública” (1962), “Teoria do Agir Comunicativo” (1981) e “Direito e Democracia” (1992). Seu último livro foi “Mais uma vez: Sobre a Europa”, lançado em 2019. 

 

 

Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei assume a liderança máxima do Irã em meio à maior crise do regime em décadas
por
Malu Malaquias
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13/03/2026 - 12h

A Assembleia dos Especialistas do Irã anunciou, no domingo (08), em Teerã, a escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo da República Islâmica, após a morte do aiatolá Ali Khamenei, durante um ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro, no início da atual escalada militar no Oriente Médio.

Enquanto a sucessão não era definida, o Irã foi governado por um conselho temporário previsto na Constituição, composto por: presidente da República, chefe do Judiciário e um representante do Conselho dos Guardiões. Os três assumiram provisoriamente as funções do líder supremo sob o viés de garantir a continuidade do Estado iraniano durante o processo sucessório.

Ali Khamenei, antigo líder supremo do Irã
Ali Khamenei, antigo líder supremo do Irã, Foto: Khamenei.ir 

A decisão coube à Assembleia dos Especialistas, órgão constitucional formado por 88 clérigos xiitas responsável por nomear e supervisionar a principal autoridade política e religiosa do país. Pela Constituição iraniana, cabe a esse colegiado escolher um novo nome em caso de morte, renúncia ou incapacidade do ocupante do cargo. 

O órgão foi convocado em caráter emergencial e sob forte esquema de segurança para acelerar o processo sucessório após a morte de Ali Khamenei. Em análise publicada pela agência Reuters, o pesquisador Alex Vatanka, do Middle East Institute, avaliou que a definição rápida foi considerada essencial pelo regime diante do atual contexto de guerra, instabilidade interna e pressão internacional.

 

Quem é Mojtaba Khamenei, o novo líder supremo?

Aos 56 anos, Mojtaba Khamenei é um clérigo de médio escalão com formação religiosa na cidade de Qom e sem experiência política formal. Apesar disso, construiu influência nos bastidores do poder iraniano ao longo das últimas décadas, mantendo vínculos estreitos com a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), um dos pilares do regime. 

Alvo de sanções impostas pelos Estados Unidos em 2019, ele era apontado há anos como possível sucessor do pai. Sua escolha, no entanto, é considerada controversa por representar uma transição direta de pai para filho, algo sensível em um sistema político que se consolidou após a Revolução Islâmica de 1979, com a derrubada de uma monarquia hereditária.

Analistas como Alex Vatanka, do Middle East Institute, em análise publicada pela agência Reuters, e Suzanne Maloney, do Brookings Institution, em avaliações institucionais repercutidas pela imprensa internacional, interpretaram a nomeação de Mojtaba Khamenei como um sinal de continuidade do regime e de fortalecimento da ala mais dura do poder iraniano. Líderes políticos iranianos declararam apoio imediato ao novo líder, entre eles o presidente Masoud Pezeshkian, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, além do comando da Guarda Revolucionária Islâmica, que prometeu lealdade à nova liderança.

“Essa valiosa escolha é uma manifestação da vontade da nação islâmica de consolidar a unidade nacional, uma unidade que tem sido a principal força do Irã diante das conspirações de seus inimigos”, afirmou o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, segundo a Al Jazeera, com informações da Reuters e da AFP

Além disso, países aliados como Rússia e Teerã reconheceram a escolha, enquanto governos ocidentais manifestaram preocupação com a estabilidade regional e com o risco de uma escalada do conflito.

Vencedor do prêmio de álbum do ano no Grammy 2025, o cantor porto-riquenho tem feito história em performances que misturam arte e crítica
por
Amanda Lemos
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10/03/2026 - 12h

Bad Bunny, nascido Benito Antonio Martinez Ocasio é um cantor porto-riquenho que vem ganhando cada vez mais destaque. O artista levou o maior prêmio da noite no Grammy Awards 2025, e fez um discurso histórico e político, defendendo imigrantes e criticando a agência de imigração dos EUA. 

Em 8 de fevereiro de 2026, o cantor realizou uma apresentação histórica no intervalo do Super Bowl LX, final do campeonato de futebol americano dos Estados Unidos, organizado pela National Football League (NFL), sendo o primeiro artista a cantar todo o repertório em espanhol, além de ter sido o mais assistido da história, com 135 milhões de espectadores, superando artistas como Kendrick Lamar, Rihanna e Lady Gaga.  

Na apresentação, Bad Bunny celebrou a cultura latina. Trazendo uma narrativa cultural sobre Porto Rico num dos eventos mais assistidos da televisão norte-americana; tradicionalmente dominado por artistas do pop anglófono, ou seja, que têm o inglês como primeira língua. 

 

Fotografia de estúdio do artista Bad Bunny posando de corpo inteiro contra um fundo cinza neutro. Ele veste um casacão de pele fake longo e volumoso em tom de bege, sobre uma regata branca e calça jeans azul. Ele segura uma bola de futebol americano da NFL sob o braço direito e, com a mão esquerda, empunha um mastro de madeira com a bandeira de Porto Rico desdobrada. Bad Bunny usa óculos de sol escuros de modelo aviador e mantém uma expressão séria e imponente, simbolizando sua identidade cultural e presença global.
Bad Bunny com a bola da NFL e a bandeira de Porto Rico - Foto: Instagram / @badbunnyybenito 

 

O palco montado no meio do campo foi dividido em pequenas “cenas”, como uma história de momentos da vida cotidiana latina. Dentre os cenários, estavam inclusos campos de cana-de-açúcar, referência à história econômica do Caribe; mesas de dominó, símbolo social muito presente em comunidades latinas; barracas de comida como piraguas e coco, típicas de Porto Rico e dançarinos representando festas de bairro e cultura popular. 

Foram mais de 300 bailarinos, dançando ao som de reggaeton e outros elementos da música caribenha tradicional. A ideia era mostrar que a cultura latina é feita de pessoas comuns e de experiências coletivas. As participações de Ricky Martin, Lady Gaga e o grupo tradicional Los Pleneros de la Cresta reforçam a mistura entre pop global e tradição caribenha. 

Ao final da apresentação, Bad Bunny citou os nomes de todos os países da América logo após falar o bordão estadunidense “God bless America” - Deus abençoe à America em tradução literal. Um dos momentos mais comentados e impactantes foi o final da performance, quando ele segurou uma bola de futebol americano, com a mensagem “Juntos, nós somos a América.”, reforçando a ideia de que a América é além dos Estados Unidos. 

 

Bad Bunny e o Brasil

Nos dias 20 e 21 de fevereiro, o cantor realizou dois shows esgotados no Allianz Parque, em São Paulo, com a “DeBí TiRAR Más FOToS World Tour”. O artista declarou no palco que o espetáculo representava “a união do Brasil com Porto Rico e com toda a América Latina”. Um dos momentos mais marcantes das apresentações foi quando ele vestiu um agasalho da Seleção Brasileira histórico, usado por Pelé na Copa do Mundo de 1966. 

 

O cantor Bad Bunny é retratado de corpo inteiro em um palco iluminado, capturado em uma pose de dança dinâmica. Ele veste um moletom de gola alta nas cores verde e amarelo com a palavra "BRASIL" e um escudo retrô da CBD no peito. Complementando o visual, ele usa bermuda jeans de corte irregular (oversized), óculos de sol escuros e uma faixa branca na cabeça. Ele segura um copo descartável branco na mão esquerda enquanto equilibra o corpo de forma descontraída, com o fundo do palco escuro e luzes desfocadas ao longe.
Bad Bunny veste o agasalho da seleção brasileira usada por Pelé, na Copa do Mundo de 1966. Foto / Reprodução: Alexandre Matias / @trabalhosujo 

 

Os shows foram divididos em 3 atos, com palco principal, cenários secundários e o “La Casita”, inspirado nas varandas das casas de Porto Rico. A ideia dessa montagem era criar uma atmosfera de festa de bairro caribenha, com um clima mais intimista. 

Na música “LA MuDANZA”, Bad Bunny precisou de alguns segundos porque o público o ovacionou sem parar. O cantor disse em português “Estou muito feliz que realizei o sonho de visitar o Brasil.” 
 

 

Nota do Itamaraty expressa preocupação com a escalada do conflito e cobra contenção e diálogo entre as partes
por
Malu Malaquias
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09/03/2026 - 12h

O Itamaraty, Ministério das Relações Exteriores, divulgou na manhã do último sábado (28), uma nota oficial condenando os ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, alertando para os riscos de uma escalada militar no Oriente Médio.

O conflito entre os dois países entrou em uma nova fase, marcada por um envolvimento direto dos EUA em uma guerra aberta contra o Estado Iraniano. A escalada incluiu a morte do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, confirmada por meio da mídia estatal e de comunicados oficiais do governo do Irã, que decretaram luto nacional e iniciaram uma reorganização emergencial do poder político. Também, em resposta aos ataques, o Irã lançou mísseis e drones contra bases dos EUA no Golfo Pérsico e alvos indiretos em Israel e países aliados, ampliando a crise para uma dimensão regional e global e provocando instabilidade internacional, com alta do petróleo, tensão nos mercados e o risco de um conflito prolongado.

O governo brasileiro, por sua vez, por meio Itamaraty, divulgou em sua nota oficial:

“O Governo brasileiro condena e expressa grave preocupação com os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã. As ações ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região”, afirma o comunicado.

Na nota, o Brasil também:

  • Reitera que ações armadas contra instalações nucleares representam grave ameaça humanitária e ambiental;

  • defende o uso exclusivamente pacífico da energia nuclear;

  • pede máxima contenção e o retorno imediato à via diplomática;

  • informa que as embaixadas brasileiras na região estão em alerta, monitorando a segurança dos cidadãos brasileiros.

A posição mantém uma linha histórica da diplomacia nacional, baseada na não intervenção e no respeito à Carta das Nações Unidas.

Andre Veras Guimarães, embaixador do Brasil no Irã. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
Andre Veras Guimarães, embaixador do Brasil no Irã. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

A manifestação do Itamaraty gerou forte debate político interno, especialmente em setores do Congresso ligados à Comissão de Relações Exteriores da Câmara. Parlamentares criticaram o posicionamento do Executivo, que estaria excessivamente alinhado ao governo iraniano.

“Quando o Brasil decide se alinhar a regimes que financiam o terror, perseguem mulheres, ameaçam varrer Israel do mapa e desafiam a estabilidade mundial, não estamos diante de um simples gesto diplomático. Estamos diante de uma escolha moral”, afirmou o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, em publicação na rede social X.

Por outro lado, diplomatas, acadêmicos e movimentos sociais, como Anistia Internacional (Amnesty International), pediram cessar-fogo imediato, defendendo a postura brasileira, argumentando que o país segue o direito internacional e que ataques preventivos a instalações nucleares violam tratados globais, ampliando riscos humanitários e econômicos à escala mundial.

“Não há solução duradoura fora do diálogo e da negociação. A guerra amplia o sofrimento, desestabiliza economias e coloca vidas inocentes em risco”, afirmou o líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai, também em publicação no X.

Apesar da distância geográfica, o Brasil sente repercussões indiretas do conflito, como a preocupação com a alta dos combustíveis no país, diante da valorização do petróleo no mercado internacional. No agronegócio, o receio é de aumento nos custos de produção e transporte, além de instabilidade nos mercados internacionais de commodities. 

Foto oficial do Brics com seus membros. Da esquerda para direita: Minister Sergei Lavrov (Rússia), Khaled bin Mohamed Al Nahyan (Emirados), Prabowo Subia (Indonésia) Cyril Ramaphosa (Áfric do sul) Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil) Primeiro ministro, Narendra Modi (Índia) Premier Li Qiang (China) Abiy Ahmed (Etiópia) Mostafa Madbouly (Egito) Abbas Araghchi (Irã) Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Foto oficial do Brics com seus membros. Da esquerda para direita: Minister Sergei Lavrov (Rússia), Khaled bin Mohamed Al Nahyan (Emirados), Prabowo Subia (Indonésia) Cyril Ramaphosa (Áfric do sul) Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil) Primeiro ministro, Narendra Modi (Índia) Premier Li Qiang (China) Abiy Ahmed (Etiópia) Mostafa Madbouly (Egito) Abbas Araghchi (Irã) Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Somado a isso, foram registradas manifestações e notas públicas de entidades estudantis, movimentos pacifistas e organizações da sociedade civil, como a CBJP (Comissão Brasileira Justiça e Paz), que defende o fim da guerra, o respeito à soberania dos povos e fez críticas à política externa dos Estados Unidos.

O conflito ocorre ainda em um momento sensível para o Brasil no cenário internacional, especialmente diante de sua atuação no BRICS,da tentativa de se posicionar como mediador diplomático em crises globais e do esforço para manter autonomia estratégica frente às grandes potências. Analistas avaliam que a postura brasileira reafirma a tradição diplomática do país e seu compromisso com o multilateralismo.


 
Países detentores de bases militares americanas se tornam alvos em resposta à ofensiva dos EUA e de Israel
por
Juliana Hochman
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09/03/2026 - 12h

Na madrugada de sábado (28), os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã por vias marítimas e aéreas. Na manhã do mesmo dia, o exército da República Islâmica do Irã reagiu com mísseis e drones enviados para Israel e países vizinhos que possuem bases militares estadunidenses.O conflito, agora com quase uma semana de extensão, não tem previsão de cessar-fogo.

O começo do conflito

Em um vídeo para a Truth Social, o presidente estadunidense Donald Trump diz que investir contra o Irã teve como objetivo defender o povo americano, aniquilar as forças armadas iranianas e destruir o programa nuclear. As incursões, ocorridas na madrugada de sábado (28), encabeçadas pelos Estados Unidos, também tiveram apoio israelense. Segundo o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, o Irã é o adversário mais perigoso de seu país, após a queda do regime Bashar Al-Assad na Síria e o enfraquecimento do grupo terrorista Hezbollah, administrado financeiramente pelo Irã.

 Na madrugada deste sábado no Irã, ofensivas por via marítima e aérea ocorreram na capital, Teerã, e nas cidades de Isfahan, Qom, Karaj e Kermanshah. Além de inúmeros feridos, houve, até o momento, mais de 500 mortes, entre elas a do líder aiatolá Ali Khamenei.

Presidente Donald Trump em entrevista com a Truth Social, confirma ataques ao Irã. Foto: Reprodução/Truth Social.
Presidente Donald Trump em entrevista com a Truth Social, confirma ataques ao Irã. Foto: Reprodução/Truth Social

Reação iraniana

Em resposta à investida, o Irã lançou uma série de mísseis balísticos em direção à países do Oriente Médio com instalações militares americanas presentes em seus territórios, sendo eles: Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Catar, Iraque e Catar. Dubai, capital dos EAU, foi atingida com danos leves no Aeroporto Internacional. Ao todo, foram 36 feridos e uma morte.

Israel também foi um alvo iraniano. O projétil atingiu Beit Shemesh em uma área residencial, nove pessoas foram mortas, 11 estão desaparecidas e quase 30 feridas, duas delas em estado grave.Também foi alvo Tel Aviv, deixando mais de 20 pessoas machucadas e uma morte. Sirenes tocam em toda a região.

Em entrevista para a AGEMT, o jornalista correspondente internacional da Globo News, Michel Gawendo, fala sobre a possibilidade de um cessar-fogo nos próximos dias: “A guerra é a diplomacia levada ao extremo, e para sair dela é preciso um caminho diplomático. Sem nenhum líder supremo militar, por enquanto, no poder iraniano, já que os principais foram eliminados, não existem condições para um cessar-fogo”.

Ataque de míssil iraniano em Tel Aviv, Israel. Foto:Reprodução/John Wessel.
Ataque de míssil iraniano em Tel Aviv, Israel. Foto:Reprodução/John Wessel.

A entrada do Hezbollah no combate

 O agravamento do combate se deu na noite de domingo (1), quando o Hezbollah, grupo terrorista libanês financiado, principalmente, pelo governo Iraniano, lançou foguetes e drones para o norte de Israel, como resposta aos bombardeios no território libanês. Ao menos 50 pessoas foram mortas no ataque.

Gawendo fala sobre o porquê do grupo ter se envolvido no embate militar: “ De um ponto de vista militar, o Irã tem muitos aliados, sendo a rede de aliados países principalmente xiitas, grupos terroristas e milícias ao redor do mundo, então, na realidade de estar sendo atacado pelos Estados Unidos e por Israel, bombardeado fortemente, suas estruturas militares e suas capacidades de mísseis vão diminuindo, naturalmente, ele vai acionar o que ele tem ao seu alcance, grupos aliados para os ajudar”.

Em comunicado oficial, a Casa Branca supõe que o conflito deve perdurar por mais quatro ou cinco semanas. Trump disse que os EUA podem ir além, se continuarem os ataques às suas bases militares no Oriente Médio, piorando não só a economia global, mas criando especulações de uma terceira guerra mundial nas redes sociais.