Cidade da Espanha recebe mais de 72 mil marroquinos em dois dias através de sua fronteira marítima
por
Manuela Abbate Gonçalves
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13/08/2026 - 12h

No dia 31 de julho, a cidade espanhola autónoma de Ceuta, localizada no norte do continente africano, se deparou com um denso fluxo migratório de cidadãos vindos do Marrocos. A fronteira entre os territórios, embora registre fluxos de migração irregulares há anos, com um episódio de 10 mil migrantes em 2021, nunca lidou com um movimento de larga escala como esse, efetuado por via marítima.  

Mapa que mostra a área do Estreito de Gibraltar, com o continente africano na parte de baixo, o continente europeu em cima e a cidade de Ceuta destacada

Localização geográfica de Ceuta, território ultramarino espanhol que faz fronteira com Marrocos – Imagem: : Google Earth

A travessia é impulsionada pela busca de uma melhor qualidade de vida por parte dos jovens marroquinos. Em entrevista para AGEMT, o  geógrafo e pesquisador Pedro Paulo Coelho comenta: “Não deixa de ser uma crise humanitária, pela magnitude, pela velocidade que aconteceu, pelo perfil de pessoas jovens do Marrocos que estão experimentando desafios sociais econômicos, sobretudo o desemprego.” O país enfrenta uma taxa de desemprego de 9,5%, com o desemprego juvenil, que engloba aqueles entre 15 e 24 anos, aparecendo em 27,2%, de acordo com o Trading Economics para o último bimestre de 2026.

Em entrevista à RFI, (Radio France Internationale), Ali, cidadão marroquino de 22 anos, conta, ao retornar após não conseguir se estabelecer em Ceuta: "Muitos jovens partiram daqui. Eu não me arrependo, quero continuar tentando. Vou continuar pensando na Europa até ficar velho. Nosso país é bonito, mas a Europa é melhor. Se você ficar aqui, pode trabalhar durante 30 anos e ainda assim não sair do lugar, como um hamster girando na roda".

A proporção do ocorrido foi caracterizada tanto pelo governo marroquino quanto pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, como fruto de informações falsas que circularam pelas redes sociais sobre uma decisão da Suprema Corte espanhola no dia 29 de Junho.  

A nova política, em questão, proibiu a devolução imediata de interceptados ao mar, as chamadas “devoluciones en caliente”, entretanto não proíbe o retorno desses indivíduos aos seus países de origem. A medida judicial sofreu distorções na mídia, sendo interpretada como uma flexibilização no processo de deportação espanhol que ultimamente beneficiaria os migrantes que fazem a travessia.  

Tal manifestação jurídica impulsionou publicações falsas em redes sociais que geraram uma tentativa em massa de migração pelas águas, sobrecarregando as estruturas da cidade de 80 mil habitantes, sem estrutura hábil para absorver o crescente número de imigrantes. Essa incapacidade resulta na crise humanitária que Ceuta enfrenta: serviços de saúde cheios, polícia local saturada e pessoas desamparadas vagando pelas ruas. 

O ocorrido gerou atritos entre os governos de Marrocos e da Espanha, que mantinham relação de cooperação, após Sánchez indicar possível descaso por parte do Estado marroquino na área da fronteira.  

Primeiro- Ministro da Espanha, Pedro Sánchez, discursando em um púlpito. Ao fundo, estão uma bandeira da Espanha e outra da União Europeia.
Primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, em declaração oficial sobre crise migratória em Ceuta de 2021. Foto: Borja Puig de la Bellacasa - La Moncloa

“A temática da imigração é uma pauta desafiadora para a União Europeia, que direciona muito da política interna e da política externa”, indica Pedro Coelho quanto aos efeitos da série de acontecimentos em âmbito mundial. O especialista explica que o contexto global atual é permeado por discursos de viés anti migratório, mas que o governo de Sánchez e o partido operário da Espanha assumem o que Coelho caracteriza como “uma postura que contrasta com a tendência anti migração da Europa”.

Sobre o atual governo da Espanha, o entrevistado explica: “O discurso [espanhol] anterior a essa crise era de que a imigração não seria levada como um caso só de polícia e de expulsão. Ainda esse ano tinha acontecido uma regularização de muitos imigrantes que estavam em situação irregular na Espanha, na informalidade”. Tendo em vista esse episódio, entretanto, Pedro Coelho conclui: ​”Depois que dispara a crise humanitária, com certeza o governo espanhol vai começar a se movimentar de outra forma.”

Políticos de extrema direita utilizam o ocorrido para antagonizar a esquerda. Entre eles encontram-se: Santiago Abascal, líder do partido espanhol ultradireitista, Vox; Primeira-Ministra da Itália, Giorgia Meloni; Nigel Farasi, do Reform UK e Donald Trump, que comentou publicamente sobre a situação. No depoimento, a Casa Branca culpou as “políticas globalistas de extrema esquerda” pelo fenômeno e não citou Marrocos. 

Atualmente, cerca de 70 mil indivíduos já foram retornados para Marrocos pela fronteira terrestre. Entretanto, a cidade de Ceuta ainda enfrenta um estado de crise migratória e humanitária, com mais de 88 mortos confirmados, vítimas da travessia, e cerca de 2 mil indivíduos em situações de ocupação precária em território europeu.   

 

O visto da embaixadora do Brasil em Washington é anulado em represália à demora do Itamaraty em aprovar o novo embaixador americano indicado por Trump
por
Stefany Santos
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12/08/2026 - 12h

O governo brasileiro divulgou uma nota oficial de repúdio após os Estados Unidos revogarem, na terça-feira (4), o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti. Em entrevista ao podcast Meteoro Brasil, nesta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a decisão americana como "irresponsável" e afirmou que não vai analisar novas indicações diplomáticas dos Estados Unidos até depois das eleições presidenciais brasileiras, marcadas para outubro deste ano.

Segundo o Departamento de Estado americano, a medida tem caráter recíproco e é uma resposta à demora do Brasil em conceder a autorização formal exigida pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, para que Daniel Perez, indicado pelo presidente Donald Trump, assumisse a embaixada dos Estados Unidos em Brasília. Perez foi indicado ao cargo em 1º de junho para  o posto que está vago desde janeiro de 2025, quando Trump ganhou a candidatura.

Não houve, até o momento, declaração formal de persona non grata e o governo norte americano esclareceu que a revogação não significa expulsão. Mas sim que Maria Luiza Viotti pode permanecer em território americano, mas sem visto válido,  não poderá retornar aos Estados Unidos caso deixe o país. 

Em nota, o governo brasileiro afirmou que os Estados Unidos anunciaram publicamente o nome do candidato à embaixada antes mesmo de apresentar o pedido formal ao Brasil, e destacou que a Convenção de Viena não estipula prazo para a concessão do aval, que segundo o Planalto, ainda está em análise.

A nota também lembra que seguem em vigor sanções individuais dos EUA contra autoridades brasileiras, como cancelamento de vistos diante da alegação de perseguição política ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atingindo inclusive ministros do Supremo Tribunal Federal como o ministro Alexandre de Moraes que no dia 18 de julho de 2025 teve seu visto negado, assim como integrantes do primeiro escalão do Executivo.

O governo brasileiro classificou a revogação do visto da diplomata brasileira como parte de uma escalada deliberada de medidas motivadas por razões ideológicas, e sinalizou preocupação com uma possível tentativa de interferência na eleição presidencial brasileira. Ainda assim, reafirmou preferência pelo diálogo em vez de um possível confronto. E o Brasil decidiu manter a embaixadora no cargo em Washington mesmo após a revogação do visto. A avaliação no Planalto é que o retorno da embaixadora ao Brasil neste momento causaria ainda mais impasses com os americanos.

Cronologia da tensão

A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos não é recente e tem se intensificado ao longo do último ano. Em julho de 2025, Trump enviou uma carta ao governo brasileiro anunciando tarifas em produtos. Em setembro, os presidentes dos dois países se encontraram e as tarifas foram revistas. Em maio deste ano, um novo encontro entre os dois  indicava melhora nas relações diplomáticas.

 

Presidente Lula e Donald Trump
Donald Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante encontro na Casa Branca, em maio de 2026.        Reprodução: Instagram/@lulaoficial

Já em 28 de maio de 2026, o Departamento de Estado norte americano classificou o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho como organizações terroristas globais, essa decisão marcou uma escalada inédita na relação entre os dois países e serviu de pano de fundo para a crise diplomática que se seguiria. Em 15 de julho de 2026, o governo dos EUA voltou a impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, oficialmente justificadas por uma investigação da Seção 301 do USTR, a qual apontava práticas brasileiras consideradas desleais ao comércio americano, como o sistema de pagamentos PIX, desmatamento e proteção insuficiente à propriedade intelectual. Essa medida, no entanto, repete o padrão de uma tarifa anterior, anunciada em julho de 2025, que havia sido justificada abertamente pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, então em julgamento no Brasil. 

No dia 4 de agosto de 2026, a crise ganhou um novo capítulo com a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

Atualmente, os Estados Unidos não têm embaixador titular no Brasil, apenas um encarregado de negócios. A indicação de Daniel Perez segue sem aval formal do governo brasileiro, que tem adotado cautela diante do que avalia como sinais de possível interferência americana no processo eleitoral brasileiro, como por exemplo episódios em que autoridades ligadas a Trump teriam questionado publicamente o sistema eleitoral do país.

Um desses episódios ocorreu em julho de 2026, quando o secretário-assistente Riley M. Barnes e o subsecretário-assistente Samuel Samson, ambos do Departamento de Estado dos EUA, solicitaram vistos, em 20 de julho, para viajar ao Brasil com a missão de lançar dúvidas sobre a integridade e a transparência do processo eleitoral brasileiro. No dia seguinte, 21 de julho, o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) divulgou informações falsas sobre as urnas eletrônicas. Ao identificar uma possível ligação entre esse ataque às urnas e a viagem dos dois diplomatas americanos, o Itamaraty negou os vistos em 24 de julho, por avaliar que havia risco de interferência política ligada à agenda eleitoral do pré-candidato.

Quem é Maria Luiza Viotti

Natural de Belo Horizonte, Maria Luiza Ribeiro Viotti foi a primeira mulher a ocupar o cargo de embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, com aprovação pelo plenário do Senado Federal em maio de 2023. Ingressou na carreira diplomática em 1976, formou-se em Ciências Econômicas pela Associação de Ensino Unificado de Brasília em 1978, onde também concluiu os cursos de Aperfeiçoamento de Diplomatas (1982) e Altos Estudos (1995), também é mestre em Economia pela Universidade de Brasília.

Foi representante permanente do Brasil junto à ONU entre 2007 e 2013, período em que chefiou a delegação brasileira no Conselho de Segurança e presidiu o próprio Conselho. Também foi embaixadora do Brasil na Alemanha (2013–2016) e chefe de Gabinete do secretário-geral da ONU, durante o primeiro mandato de Antônio Gueterres (2017–2021).

Quem é Daniel Perez

Indicado por Trump em 1º de junho para a embaixada americana no Brasil, Daniel Perez ainda precisa ter o nome aprovado pelo Senado dos Estados Unidos. Aos 38 anos, preside desde 2024 a Câmara dos Representantes da Flórida.

Filiado ao Partido Republicano e aliado de Trump, chegou a ser citado no ano passado como possível candidato a procurador-geral da Flórida. Filho de imigrantes cubanos, nasceu em Nova York e mudou-se ainda criança para a Flórida, em 1993. Formado em Direito pela Loyola University New Orleans, é casado e pai de três filhos.

Eleito deputado estadual pela primeira vez em 2017, tem atuação parlamentar voltada a temas como bem-estar infantil, saúde, fortalecimento das famílias, educação e integridade eleitoral. Nas redes sociais, costuma associar-se ao movimento "Make America Great Again" (MAGA) e manifestar apoio às pautas de Trump.

Se confirmado pelo Senado, Perez será o primeiro embaixador americano no Brasil desde a saída de Elizabeth Bagley, indicada pelo ex-presidente Joe Biden.

A revogação do visto é mais um capítulo entre uma crise nas relações entre Brasil e Estados Unidos, um movimento que se soma à guerra tarifária já em curso. O impasse permanece sem solução à vista, com os dois lados aguardando desdobramentos em meio à proximidade das eleições presidenciais no Brasil.


 

Em meio à instabilidade política, Starmer foi pressionado a renunciar
por
Marcelo Barbosa
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30/06/2026 - 12h

 

O Primeiro-Ministro do Reino Unido, Keir Starmer, renunciou ao posto, em um discurso feito na Downing Street, a residência oficial dos governantes britânicos, na última segunda-feira (22).

No discurso lido durante o anúncio, Stamer afirmou que todas as decisões que ele tomou foram sobre colocar o país em primeiro lugar. Em seguida, declarou sua renúncia ao posto e disse que, antes de sua decisão, conversou com o rei para informá-lo sobre a escolha que tomou.

Ainda durante o discurso, Starmer homenageou a família e citou sua esposa, Vic, além dos filhos, que descreveu como “meu orgulho e alegria”. Em seguida, agradeceu e encerrou a coletiva.


Ao centro da tela, Keir Starmer sorri/ Reprodução: Instagram/ Keir Starmer



No Reino Unido, as eleições não podem ocorrer novamente após a renúncia e, por conta disso, o Partido Trabalhista será responsável por escolher um substituto. Com o anúncio, Starmer estabeleceu um cronograma para que a saída seja feita da melhor maneira.

O favorito para ocupar o posto é o ex-prefeito de Manchester, Andy Burnham, que era cotado junto do então maior rival em potencial, Wes Streeting, o ex-secretário da saúde, que desistiu de concorrer e anunciou apoio do antigo prefeito de Manchester.

O Primeiro-Ministro enfrentava uma pressão interna pelo Partido Trabalhista há alguns meses. Isso ocorreu porque Andy Burnham, conhecido no país como o principal opositor de Starmer no partido, conseguiu uma cadeira no Parlamento e, como resultado, criou uma pressão ao redor de Starmer.


A saída de Starmer revela um cenário de instabilidade no Reino Unido, que já contou com sete chefes de governo desde o Brexit, há dez anos atrás.

Com isso, o país enfrentou dificuldades para conduzir a economia, que apresentou baixo crescimento comparado ao cenário anterior ao Brexit. A economia apresentou déficits em razão das dívidas altas devido à volatilidade política.

Starmer se manteve no poder por menos de dois anos. Ele sofreu uma forte pressão no partido, que esperava que Starmer conduzisse a economia de uma maneira diferente da que ele apresentou.

O Partido esperava que Starmer fosse capaz de reverter a política de altos gastos nos serviços públicos. No entanto, as expectativas não foram atendidas, com aumentos de impostos - o que foi mal recebido pela sociedade e, como consequência, houve um recuo na medida.

Além disso, uma medida que causou polêmica no Reino Unido foi à aderência às políticas de migração brandas. Isso fortaleceu críticas de opositores, como de Nigel Farage, parlamentar na Câmara dos Comuns. Ainda houve um escândalo no governo, quando Starmer declarou que o indicado para a embaixada nos Estados Unidos, Peter Mandelson, não foi aprovado pelo sistema de segurança para acessar documentos do país e posteriormente deixou o cargo por envolvimento com Jeffrey Epstein.

Kier Stamer segue no cargo até a escolha de um sucessor.

O acordo, proposto e mediado pelo Paquistão, busca interromper temporariamente os confrontos na região
por
Marcelo Barbosa
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23/06/2026 - 12h

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um Memorando de Entendimento com o Irã, em Versalhes, na França, na última quarta-feira (17). O acordo interino também foi assinado pelo presidente do Parlamento Iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf.

De acordo com informações disponibilizadas pela Casa Branca, o presidente Donald Trump e o vice-presidente JD Vance assinaram o acordo com o intuito de impedir que o Irã obtenha armamentos nucleares, além da reabertura do Estreito de Ormuz para livre navegação internacional.

A Casa Branca afirmou, nas redes sociais, que Donald Trump resolveu a “ameaça iraniana”:
“O presidente Donald J. Trump resolveu uma ameaça que Washington passou quarenta anos tentando administrar: o Irã jamais terá uma arma nuclear. Uma vitória para os Estados Unidos”


 

Trump assina Memorando / Reprodução: Casa Branca
Trump assina Memorando no Palácio de Versalhes / Reprodução: Casa Branca



No texto do memorando, que foi lido em uma teleconferência com jornalistas na quarta-feira, foi estabelecido que deve haver um término imediato e permanente das operações militares que ocorrem em todas as frentes. Isso inclui a retirada do bloqueio naval imposto ao Irã. O processo deve ser concluído em até 30 dias, além de retirar suas forças nas proximidades do país no mesmo prazo. O conteúdo ainda estabelece que o acordo se estende também ao território do Líbano.

A previsão de encerramento imediato das operações militares também no território libanês provocou reação de Israel, que declarou não reconhecer o acordo e afirmou que continuará suas operações militares.


Em contrapartida, o Irã garantirá a livre e segura navegação comercial pelo Golfo Pérsico e pelo Estreito de Ormuz, a desminagem da região em até 30 dias já foi iniciada e está em negociação, com Omã e outros países litorâneos, um modelo de administração do estreito conforme o direito internacional.

O documento também prevê que os EUA, em conjunto com parceiros regionais, elaborem um plano de reconstrução e desenvolvimento econômico do Irã com orçamento mínimo de US$300 bilhões, além de conceder licenças para transações financeiras relacionadas ao plano.

O texto determina ainda que os Estados Unidos eliminem, de forma gradual e conforme o cronograma acordado, todas as sanções impostas ao Irã, isso inclui sanções unilaterais, resoluções do Conselho de Segurança da ONU e do Conselho de Governadores da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica). O país também é obrigado a emitir autorizações para a exportação de petróleo iraniano e liberar integralmente os fundos e ativos iranianos atualmente congelados, mediante procedimentos a serem definidos entre as partes.

Ao mesmo tempo, o Irã firmou o compromisso de não desenvolver nem adquirir armas nucleares, enquanto ambos os países negociam um mecanismo, sob supervisão da AIEA, para tratar do estoque de urânio enriquecido e de outras questões relacionadas ao programa nuclear iraniano. O texto ainda prevê que, caso não seja firmado um acordo definitivo, as partes manterão o status quo: o Irã preservará seu atual programa nuclear e os Estados Unidos não aplicarão novas sanções nem ampliarão sua presença militar na região.

Por fim, o memorando prevê a criação de um mecanismo executivo para monitorar o cumprimento das medidas previstas e da futura implementação do acordo definitivo, que deverá ser concluído em até 60 dias em diversos pontos pendentes e posteriormente endossado por uma resolução vinculativa do Conselho de Segurança da ONU.

Apesar da assinatura do acordo, representantes dos dois países ainda discutiram nesta semana os mecanismos de implementação. No entanto, um porta-voz da Casa Branca informou que o vice-presidente desistiu da viagem em que se reuniria com negociadores iranianos na terça-feira.


 

 

Medida da gestão Trump gera reprovação do Governo Brasileiro
por
Marco Nery
Maria Luiza de Abreu
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09/06/2026 - 12h

 

O anúncio da decisão foi feito na última quinta-feira (28) pelo secretário de Estado do governo norte-americano, Marco Rubio, um dia após encontro com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). As facções serão denominadas como “Terroristas Globais Especialmente Designados” e como “Organizações Terroristas Estrangeiras”. Segundo o Departamento de Estado, as definições devem entrar em vigor oficialmente a partir do dia 5 de junho, quando forem publicadas no Diário Oficial Americano. 

O decreto americano intensifica ações militares contra facções. Foto: Marcelo Horn/ Wikimedia Commons
O decreto americano intensifica ações militares contra facções. Foto: Marcelo Horn/ Wikimedia Commons

Apesar da divulgação recente, o assunto já vinha sendo discutido há alguns meses na Casa Branca. O pronunciamento oficial definiu o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como duas das organizações criminosas “mais violentas do Brasil”. O comunicado justifica a medida ao apontar que os grupos “orquestraram ataques brutais contra policiais, autoridades públicas e civis”, estendendo suas ações ilícitas para além das fronteiras nacionais.

De acordo com o texto, a estratégia da gestão de Donald Trump busca impedir o financiamento do crime organizado ao “interromper o fluxo de receitas que financia os narcoterroristas”, sendo juridicamente amparada pela Lei de Imigração e Nacionalidade dos Estados Unidos.

Em entrevista à AGEMT, a internacionalista e especialista em políticas públicas Luciana Maselli explica que o efeito mais rápido da ação tomada em Washington não será militar, mas sim regulatório. A pressão recairá diretamente sobre o  meio corporativo brasileiro que opera com a moeda norte-americana.

“O efeito que se sente primeiro recai sobre bancos, traders, seguradoras, operadores portuários e empresas com pagamentos em dólar. O incentivo dessas instituições é o ‘de-risking’: cortar relações, travar contratos e revisar severamente clientes para evitar exposição à sanções secundárias e ao crime federal americano de “material support” (apoio material)”, explica Maselli.

A especialista também avalia, que uma onda de prisões sob a acusação de terrorismo é improvável no Brasil devido aos critérios da legislação nacional.

“A base legal interna não mudou. A Lei Antiterrorismo (Lei 13.260/2016) exige motivação de xenofobia, discriminação ou preconceito, filtro que as facções de lucro criminal dificilmente preenchem. O que tende a aumentar é a repressão por organização criminosa, tráfico e lavagem, com mais bloqueio de ativos e isolamento de lideranças prisionais", analisa 

Outros países já começaram esse movimento de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Em outubro do ano passado, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, assinou um decreto que classificou as ações desses grupos como atos terroristas. Na prática, a medida permitiu que o país utilizasse suas Forças Armadas no combate ao crime organizado e que integrantes dessas organizações fossem submetidos a penas mais severas. 

A Argentina, governada por Javier Milei, seguiu um caminho semelhante ao incluir o PCC e o Comando Vermelho (CV) no Registro Público de Pessoas e Entidades Vinculadas a Atos de Terrorismo (REPET), enquadrando as duas organizações como narcoterroristas. Com isso, as Forças Armadas argentinas passaram a auxiliar na vigilância e no patrulhamento de áreas consideradas estratégicas para o combate ao tráfico de drogas.

A medida anunciada pelo governo dos Estados Unidos pode acionar leis de alcance extraterritorial, como o Patriot Act, que exige que corporações internacionais comprovem a ausência de vínculos com os grupos citados. Para a especialista ouvida pela AGEMT, isso gera uma “extraterritorialidade indireta”, onde diretrizes americanas moldam o mercado brasileiro por canais privados de compliance (conformidade), sem passar pelas instituições nacionais. 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e integrantes do governo federal criticaram a decisão americana. Lula também comentou a atuação de Flávio Bolsonaro, afirmando que o parlamentar busca uma intervenção estrangeira em assuntos internos do Brasil. Em resposta, o senador afirmou que o governo estaria sendo leniente no enfrentamento ao PCC e ao Comando Vermelho.

O Palácio do Planalto divulgou uma nota em resposta à decisão dos Estados Unidos, reafirmando o compromisso do governo brasileiro com o combate ao crime organizado e destacando diversas frentes de atuação da União. O documento afirma que a cooperação internacional é bem vinda, desde que respeite a soberania nacional.

Organizada a cada seis anos, promete disputa acirrada como reflexo da polarização política
por
Vítor Nhoatto
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09/03/2026 - 12h

Nos próximos dias 15 e 22 de março, a capital francesa, tal qual as quase 35 mil comunas do país, irá eleger os seus novos representantes para o Conselho Municipal, e indiretamente o prefeito. Dentre os principais temas levantados estão a habitação, segurança pública e o meio ambiente. A eleição deste ano será a primeira com novas regras, que impactam também Marseille e Lyon, mudando estratégias políticas, e com resultados apertados esperados.

Diferente do modelo brasileiro, o sistema político na França consiste também de eleições indiretas, além de ser semipresidencialista. A cada cinco anos os franceses, e todos os cidadãos europeus que residam na França e quiserem votar, elegem 577 deputados para a Assembleia Nacional (equivalente ao Congresso brasileiro), e o presidente, o qual então escolhe o primeiro-ministro. No mesmo intervalo ocorrem as eleições para o Parlamento Europeu.

Já a cada seis anos a população vota nos membros dos seus respectivos Conselhos Municipais, responsáveis pela administração das cidades, e que por sua vez decidem o prefeito. No caso de Paris, Marseille e Lyon, as três maiores cidades do país, respectivamente, a votação era diferente do resto das comunas. Nelas, eram decididos os membros do conselho de cada distrito (arrondissement em francês), que então proporcionalmente formavam o Conselho da Cidade. 

Esses conselheiros regionais, em conjunto aos deputados, elegem então indiretamente os senadores, que compõem o Senado (câmara alta), responsável por escolher o presidente da casa e consequentemente o vice-presidente do país. O Senado junto a Assembleia Nacional (câmara baixa), forma o poder legislativo, e as próximas eleições indiretas para a casa ocorrerão em setembro, já refletindo as escolhas regionais de agora.

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Parlamento Europeu em Bruxelas, Bélgica, reúne 720 representantes dos 27 membros da União Europeia, com 81 sendo da França  - Foto: Vítor Nhoatto

Novas regras e reconfiguração política

Em 11 de agosto de 2025 a Assembleia Nacional aprovou uma lei que mudou o sistema eleitoral, em vigor desde 1982. A partir das eleições municipais de 2026, ocorrerão na capital votações para cada arrondissement e também agora diretamente para o Conselho de Paris. A medida foi apontada pela casa menor do legislativo como uma forma de corrigir assimetrias na representação de cada distrito na escolha do prefeito. 

A mudança também vale para Marseille e Lyon, mas com regras específicas para cada uma. No caso da segunda maior cidade do país, os distritos serão agrupados em pares ao invés de um conselho para cada, e para Lyon, haverá eleições em cada arrondissement, para o Conselho de Lyon, e também uma terceira votação para o Conselho da Grande Lyon.  

O número de candidaturas de mulheres e de homens deverá ser igual pela primeira vez na história este ano também, e as regras para o segundo turno prometem acirrar a disputa. Caso no dia 15 de março nenhuma lista de partido ou coligação consiga mais de 50% dos votos, todas as legendas que obtiverem pelo menos 10% poderão concorrer na segunda rodada. Além disso, aquelas com pelo menos 5% poderão se unir para atingir o percentual. 

Mais uma mudança importante é em relação a distribuição das cadeiras nos Conselhos. A lista de candidatos em primeiro lugar no segundo turno será recompensada com 25% das cadeiras, número que era de 50% antes. Os 75% restantes serão então proporcionalmente distribuídos para os demais concorrentes do segundo turno.

Alianças e preocupações

Tal qual outros países ao redor do mundo que têm visto a ascensão da extrema direita, Portugal como partido Chega, Itália com o Fratelli d’Italia de Giorgia Meloni, e o Alternativa para Alemanha (AfD) na Alemanha, a França vive o mesmo cenário. O Reunião Nacional (RN) é o principal nome da extrema-direita, legenda de Marie Le Pen, e tem ganhado mais cadeiras nas últimas eleições, com destaque para a disputa pelo Parlamento Europeu em 2024.

Na ocasião, o RN conquistou 31.37% dos votos, mais que o dobro da chapa do atual presidente Emmanuel Macron, que dissolveu a Assembleia Nacional em seguida para evitar que o partido também conseguisse maioria nas próximas eleições nacionais, marcadas para 2027. 

O resultado foi ruim para o partido de Le Pen, que ficou em terceiro lugar, atrás da coligação Ensemble de Macron em segundo com 168 lugares, e da aliança esquerdista Nova Frente Popular, com 182. Porém, pela primeira vez o Congresso não tem um partido com maioria, e o RN é o maior partido sem coligação em número de cadeiras da casa, com 143.

As eleições municipais desse modo, são muito relevantes pois indicam o que a população está falando e reivindicando, com os conselheiros e prefeitos como os mais próximos representantes da população. Isso geralmente indica direções a se seguir em 2027 na disputa presidencial, e especificamente é um momento chave para o RN.

Mesmo com o sucesso no Parlamento Europeu, nas disputas municipais em 2020 o partido de Le Pen fracassou, e comanda apenas uma cidade francesa com mais de 100 mil habitantes, Perpignan, e segue limitado com os parisienses, maior colégio eleitoral do país.

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Grégoire é representante de esquerda na disputa pela prefeitura de Paris, enquanto Mariani tem forte apoio de Marie Le Pen da extrema direita - Foto: Vítor Nhoatto

Principais nomes na disputa por Paris

Com o anúncio de que a atual prefeita, Anne Hidalgo do Partido Socialista (PS), não concorreria para um terceiro mandato, a sua legenda decidiu por Emmanuel Grégoire na disputa. Apesar de os conselheiros decidirem o prefeito e não os eleitores propriamente, o voto é na lista de candidatos do nome à prefeitura escolhido pelos partidos.

Deputado na Assembleia Nacional desde 2024, foi vice-prefeito de Hidalgo entre 2018 até ocupar a câmara baixa, e agora o partido de esquerda aposta em seu nome com o apoio do Partido dos Ecologistas (LE), o Partido Comunista Francês (PCF) e o Praça Pública (PP). vale destacar que o LE desistiu de candidatura própria visando combater uma possível vitória da direita. 

Suas principais bandeiras de campanha se baseia no lema “união da esquerda e dos ambientalistas”, defendendo que seguirá com propostas voltadas a sustentabilidade como Hidalgo, como criação de parques e investimento em transporte público, mas também com novas medidas para combater os preços da habitação, como leiloar imóveis vazios a mais de 12 meses e não elevar os impostos.

Na oposição o principal nome é Rachida Dati, do Republicanos (LR), até então ministra da cultura, e que já foi deputada europeia pela França entre 2009 e 2019. Apoiada pelo Movimento Democrático (MoDem) e a União dos Democratas Independentes (UDI), ambos de centro-direita, aparece em segundo lugar nas principais pesquisas de intenção de voto. 

Segundo pesquisa de 3 de março do instituto Ipsos realizada pela Escola de Engenharia BVA-CESI para a rádio ICI Paris Île-de-France, Dati tem 27% das intenções, enquanto Grégoire aparece com 35% na liderança. Suas propostas se baseiam em limpeza urbana, e principalmente segurança pública, maior preocupação para 51% dos entrevistados pela Ipsos.

Dentre as propostas está o fechamento da Champs Elysée durante a noite para evitar crimes, e aumento do poder da polícia municipal principalmente, passando a poder checar identidade das pessoas aleatoriamente, acesso a base nacional de dados e presença em escolas.

Em terceiro lugar, com cerca de 10% das intenções está Pierre-Yves Bournazel do partido de direita Horizontes. Com um comportamento forte, escolheu não apoiar Dati conforme a direita francesa esperava, tomando em conta que a candidata enfrenta resistência por parte do eleitorado pelo processo que enfrenta na justiça por corrupção passiva e tráfico de influência quando foi eurodeputada. 

Ex-assistente de comunicação da candidata, defende uma redução dos gastos públicos com cortes de empregos, além de triplicar as tropas da polícia municipal, passando de pouco mais de 2 mil agentes para 6 mil, e armá-los com armas de fogo como pistolas, ferramentas consideradas por ele como necessárias para a função. A candidatura é apoiada inclusive pelo Renascença (RE), partido de centro-direita do presidente Macron.

Do outro lado do espectro político, Sophia Chikirou concorre pelo França Inssubimissa (LFI), partido de esquerda, com ideias polêmicas como a saída da França da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A candidata faz parte da Assembleia Nacional desde 2022, e se recusou a apoiar Grégoire, mantendo sua candidatura própria mesmo sem apoio de outras legendas.

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Cartazes de Chikirou são vandalizados pela cidade após uma fala sobre a oligarquia da imprensa ao chamar certos jornalistas da mídia tradicional de "nazistas de pés pequenos” - Foto: Vítor Nhoatto

Suas principais propostas defendem uma Paris mais sustentável, com a transformação de ciclovias em ciclofaixas delimitadas e protegidas dos carros, por exemplo. Proibir o uso de armas letais pela polícia e qualquer ato discriminatório em abordagens, ao passo que defende a criação de centros comunitários policiais e canais legais de denúncia. 

Também são destaques a criação de pontos de apoio a moradores em situação de rua pela cidade e programas de ressocialização, oportunidades de emprego para imigrantes, e defesa do bem-estar animal com zonas livre de coleira para cachorros e encorajamento de adoção de dietas plant-based nas políticas da cidade. 

Em relação à extrema direita, Sarah Knafo do “Reconquista!”, semelhante ao “CHEGA” em Portugal não só na estilização do nome do partido, aparece tecnicamente empatada com Bournazel e Chikirou de acordo com a pesquisa da Ipsos com 11.5% das intenções de voto. 

Eurodeputada eleita em 2024 na onda extremista que afligiu Macron, faz parte inclusive da bancada Europa das Nações Soberanas, criada pela AfD e com ideias anti-imigração, pró-rússia e uma “visão em relação à sociedade baseada na etnia e na ancestralidade incompatível com a democracia”, segundo o Departamento Federal de Proteção da Constituição Alemão.

Sua candidatura não tem apoio e outras legendas, e dentre as principais medidas no plano de governo está a privatização de serviços públicos como a limpeza urbana (criticada por 54% dos entrevistados pela Ipsos), corte de 50% dos funcionários públicos e eliminar subsídios a setores como habitação, para associações “politizadas e ativistas” que não servem aos interesses do município. 

Na disputa ainda há Thierry Mariani do Reunião Nacional, partido de Marie Le Pen e que apesar de aparecer com apenas 4% das intenções de voto, pretende chegar ao segundo turno mesmo se unindo aos oponentes de mesmo espectro político. Ele defende a rejeição de imigracao, desmantelamento de alojamentos e interrompimento de requisições para documentos de imigrantes em situação irregular no país, além de cortes na máquina pública e reavaliação dos impostos cobrados.

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Ao lado dos cartazes para prefeito, a cidade também sempre conta com os nomes dos representantes dos conselhos de cada arrondissement, como esse para o sexto, e para o Conselho de Paris agora também - Foto: Vítor Nhoatto

O voto não é obrigatório no país, e em 2020 a taxa de comparecimento foi de apenas 44,3%, em partes devido ao coronavírus, já que foi de 63,5% em 2014. Para esse ano, a expectativa é de aumento no índice da prefeitura, que precisa contar manualmente as cédulas depositadas em cada uma das urnas transparentes pela cidade. Além disso, o resultado promete ser mais acirrado que nunca, e direcionar os próximos passos para Macron e Le Pen.

Estados Unidos e Israel realizaram ofensiva contra o Irã no final de semana do dia 28
por
Gustavo Tonini
|
06/03/2026 - 12h

 

Neste sábado (28) foram relatadas pela mídia iraniana explosões na capital Teerã. O ataque foi coordenado pelos governos israelense e estadunidense. Foram mortos nos bombardeios: Ali Khamenei, líder supremo iraniano, o ministro da Defesa, Aziz Nasirzadeh, o chefe do Estado-Maior, Abdolrahim Mousavi, e o comandante da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour.  Segundo um balanço estatal feito pela mídia estatal iraniana nesta terça-feira (3), o número de civis mortos já ultrapassa os 700. 

 

Bombardeios atingem a capital Teerã. Foto: REPRODUÇÃO/Instagram/@iran_defence_force
Bombardeios atingem a capital Teerã. Foto: REPRODUÇÃO/Instagram/@iran_defence_force

 

O presidente estadunidense Donald Trump, em vídeo publicado na rede social Truth Social, confirmou os ataques e disse que tem como principal objetivo proteger o povo americano e garantir que o Irã não produzirá armamentos nucleares. O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmou em comunicado que o Irã não deve ter permissão para ter armas nucleares e exaltou a liberdade do povo iraniano. Ao mesmo tempo, o ministro da defesa de Israel, Israel Katz, classificou o ataque como preventivo, em busca de eliminar as ameaças ao estado de Israel.

 

Donald Trump anuncia “sucesso” dos ataques ao Irã. Foto: REPRODUÇÃO/Instagram/@realdonaldtrump
Donald Trump anuncia “sucesso” dos ataques ao Irã. Foto: REPRODUÇÃO/Instagram/@realdonaldtrump

 

Os ataques ocorreram em meio a um impasse na negociação sobre o programa nuclear iraniano, entre o governo local e o estadunidense. Os EUA exigiam uma redução drástica no enriquecimento do Urânio, enquanto o Irã se recusa a parar. Uma reunião entre as duas partes para tratar do assunto estava marcada para o dia 2 de março. 

 

A questão nuclear no Irã

Em 2015, foi firmado um acordo entre o Irã, os EUA e outras potências mundiais que ficou conhecido como Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA). O acordo limitava o programa nuclear iraniano em troca da flexibilização de sanções econômicas direcionadas ao país. Na época, o então presidente estadunidense Barack Obama, chegou a afirmar que todos os caminhos em direção a uma arma nuclear iraniana estavam cortados. 

O acordo firmado nunca foi visto com bons olhos por parte do governo israelense, que já era aliado dos EUA na época e chegou a nomeá-lo como uma rendição histórica dos estadunidenses ao Irã. De acordo com o governo de Israel, o Irã utilizaria parte dos recursos liberados pela flexibilização das sanções para financiar grupos armados atuantes no Oriente Médio que se opõem a Israel, como o Hamas. 

Porém, em 2018, durante seu primeiro mandato, o governo Trump se retirou do JCPOA. Em resposta, o governo iraniano restringiu os limites do acordo ao voltar a enriquecer Urânio além do permitido e diminuir a cooperação com inspetores internacionais. 

Já em outubro de 2023, o governo israelense chegou a ensaiar um ataque às instalações nucleares do Irã, mas acabou sendo impedido pelo então presidente estadunidense Joe Biden. Com a reeleição de Donald Trump em 2024, a tensão entre os países se intensificou. 

A agência da ONU que regula a proliferação de energia atômica no mundo declarou formalmente em junho de 2025 que o Irã rompeu suas obrigações de não proliferação nuclear. Um dia após a declaração da agência, ataques estadunidenses destruíram os complexos nucleares de Danz, Isfahan e Fordham. Os ataques ocorreram em meio a guerra de doze dias entre Irã e Israel. 

 

Tensão nas negociações

Mesmo com os ataques aos complexos nucleares, o programa nuclear iraniano continuou em funcionamento, mas é incerta a sua capacidade atual. Antes dos eventos do final de semana, o Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica, afirmou que o Irã conseguiu acumular centenas de quilos de urânio enriquecido a nível de 60%, valor  próximo dos 90% necessários para criar uma arma nuclear. Além disso, um relatório reservado aos 35 Estados-membros da agência Internacional de Energia Atômica afirmou que o Irã estocou parte de seu Urânio enriquecido no subterrâneo do complexo de Isfahan.

 

“Novas imagens de satélites mostram o Irã reforçando e fortalecendo suas instalações nucleares e militares (...)”. Foto: REPRODUÇÃO/Instagram/@iiranenglish
“Novas imagens de satélites mostram o Irã reforçando e fortalecendo suas instalações nucleares e militares (...)”. Foto: REPRODUÇÃO/Instagram/@iiranenglish

 

Com o cenário atual, o governo estadunidense tentou negociações com o governo iraniano, com a intenção de diminuir a força nuclear do país. Na última quinta-feira (25), foi realizada uma reunião vista pelo governo estadunidense como a última saída diplomática. 

Representantes dos governos estadunidense e iraniano se reuniram em Genebra para uma possível negociação. Após 6 horas, a principal exigência estadunidense de desmantelar por completo o programa nuclear iraniano, não obteve nenhum avanço. 

Ao mesmo tempo que as negociações fracassavam, o governo estadunidense intensificava o poderio bélico em volta do Irã. Na quarta-feira (24), Washington enviou à região uma dúzia de caças F-22, que se juntaram a dois porta-aviões, 12 contratorpedeiros e três embarcações de combate. Com isso, foi reunida a maior força militar estadunidense no Oriente Médio desde a invasão no Iraque em 2003. 

 

Israel fortalecido

Netanyahu afirma que irá “atingir milhares de alvos do regime terrorista” nos próximos dias. Foto: REPRODUÇÃO/Instagram/@netanyahuar
Netanyahu afirma que irá “atingir milhares de alvos do regime terrorista” nos próximos dias. Foto: REPRODUÇÃO/Instagram/@netanyahuar

 

Enquanto isso, Netanyahu vê o ataque ao Irã como uma estratégia de força territorial. O próprio primeiro-ministro israelense considera o Irã como principal rival, já que o país é o maior financiador de grupos armados contra Israel, além de ser a grande força diplomática contra o país no Oriente Médio. Dessa forma, enfraquecer o governo iraniano significa também fortalecer Israel perante seus inimigos regionais. O governo israelense já começou a realizar investidas militares na fronteira do Líbano nesta terça-feira (3), de acordo com autoridades libanesas. 

Aos 86 anos, morre o homem que comandou a República Islâmica por mais de três décadas.
por
Octávio Alves
|
05/03/2026 - 12h

O aiatolá Ali Khamenei, Líder Supremo do Irã e chefe de Estado há mais tempo no poder no Oriente Médio, morreu no último sábado (28) aos 86 anos. Khamenei foi morto em razão de um ataque aéreo maciço e conjunto dos Estados Unidos e de Israel, que alvejou seu complexo de alta segurança em Teerã.

A confirmação do óbito  anunciada inicialmente pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e horas depois validada pela televisão estatal iraniana encerra um governo de quase 37 anos. Sob seu comando, o Irã consolidou-se como uma força antagônica ao Ocidente, expandiu sua rede de influência paramilitar pela região e enfrentou sucessivas ondas de insatisfação popular com punho de ferro.

De Clérigo a Líder Supremo 

Nascido em 19 de Abril 1939 na cidade de Mashhad, no nordeste do Irã, Ali Khamenei era o segundo de oito filhos em uma família de clérigos xiitas, a vertente religiosa predominante do Irã. Seguindo os passos do pai, dedicou-se aos estudos teológicos desde jovem.

Durante a Revolução Islâmica de 1979, que derrubou o reinado do Xá,  Khamenei emergiu como um dos principais aliados do primeiro Líder Supremo, o aiatolá Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica.

Antes de atingir o topo do poder, Khamenei sobreviveu a uma tentativa de assassinato em 1981 que paralisou seu braço direito. Quatro meses depois, foi eleito presidente do Irã, com 95% dos votos , ele serviu no cargo de 1981 a 1989. 

Com a morte de Khomeini em 1989, a Assembleia dos Especialistas escolheu Khamenei a assumir e o elevou ao cargo de Líder Supremo, posição que lhe garantiu a palavra final sobre os ramos judiciário, legislativo, executivo e militar do país, essa escolha foi uma surpresa até mesmo para o Khamenei que não esperava ser escolhido ao poder.

 

Ali Khamenei na posse de Líder Supremo após a morte do Khomeini Fonte: Arcevo do Khamenei.ir
Ali Khamenei na posse de Líder Supremo após a morte do Khomeini Fonte: Khamenei.ir

Repressão Doméstica e Sobrevivência do Regime

O período de quase quatro décadas sob a liderança de Ali Khamenei foi caracterizado por uma estratégia sistemática de contenção de dissidências, combinando aparato de segurança robusto, vigilância institucionalizada e mecanismos legais de restrição política. Como Líder Supremo, Khamenei exerce controle direto e indireto sobre o Judiciário, as Forças Armadas, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e a milícia Basij estruturas centrais na manutenção da ordem interna e na neutralização de movimentos considerados ameaças à República Islâmica



 

Ali Khamenei com apoiadores na província de Qom na Imam Khomeini Hussainiyah, em 9 de janeiro de 2026. Foto: Archevo do Khamenei.ir
Ali Khamenei com apoiadores na província de Qom na Imam Khomeini Hussainiyah, em 9 de janeiro de 2026. Foto: Khamenei.ir

Sua primeira grande crise de sua liderança ocorreu em 1999, quando protestos estudantis eclodiram após o fechamento do jornal reformista Salam. As manifestações, iniciadas na Universidade de Teerã, rapidamente ganharam contornos políticos mais amplos. A repressão envolveu forças de segurança e milícias paramilitares, resultando em prisões em massa, denúncias de tortura e julgamentos conduzidos por tribunais revolucionários.

Em 2009, o desafio foi significativamente maior. A reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, contestada por amplos setores da sociedade, desencadeou o que ficou conhecido como “Revolução Verde”. Milhões de iranianos foram às ruas questionando a legitimidade do pleito. Khamenei interveio publicamente ao endossar o resultado eleitoral e advertir contra a continuidade dos protestos. 

A resposta estatal incluiu o uso extensivo da força, detenções de lideranças reformistas, restrições severas à imprensa e bloqueios digitais. O episódio consolidou o emprego de instrumentos de controle tecnológico, com ampliação da vigilância sobre comunicações e redes sociais, além da criação de uma infraestrutura nacional de internet com maior capacidade de filtragem e monitoramento.

Pela crise econômica agravada por sanções internacionais e má gestão interna levou a novos protestos em 2017 e, de forma mais intensa, em 2019, após o aumento abrupto dos preços dos combustíveis. As manifestações espalharam-se por dezenas de cidades, inclusive em regiões tradicionalmente consideradas conservadoras.

 A repressão foi particularmente severa: organizações de direitos humanos relataram elevado número de mortos e milhares de detenções. Durante esse período, o governo impôs um apagão da internet quase total por vários dias, medida interpretada como estratégia deliberada para dificultar a coordenação dos protestos e limitar a circulação de imagens para o exterior.

O ciclo mais recente e internacionalmente visível de contestação ocorreu entre 2022 e 2023, após a morte de Mahsa Amini sob custódia da polícia da moralidade. O movimento “Mulher, Vida, Liberdade” articulou reivindicações que iam além da obrigatoriedade do hijab, questionando fundamentos do sistema político. 

As ações das autoridades resultou na repressão policial, julgamentos acelerados, imposição de penas severas incluindo condenações à morte e endurecimento das normas de vigilância sobre vestimentas e comportamento público. Paralelamente, foram propostas e implementadas medidas legislativas para reforçar o controle sobre conteúdos online e ampliar a responsabilização penal por “propaganda contra o Estado”.

Ao longo de seu governo, Khamenei também reforçou o papel do Conselho dos Guardiães, órgão responsável por vetar candidaturas eleitorais consideradas inadequadas ideologicamente. A combinação entre filtragem eleitoral de quem participa, repressão judicial e controle midiático estruturou um modelo de estabilidade autoritária que, embora eficaz na preservação do regime, aprofundou divisões sociais e ampliou o distanciamento entre parte significativa da população, especialmente jovens e mulheres  e as instituições do Estado.

O Arquiteto do "Eixo da Resistência"

Na política externa, Khamenei adotou uma postura de confronto contínuo contra os EUA (que ele chamava de "O Grande Satã") e Israel. Ele foi o arquiteto da expansão da influência iraniana no Oriente Médio por meio do "Eixo da Resistência", financiando, armando e treinando grupos paramilitares no Líbano (Hezbollah), em Gaza (Hamas), no Iêmen (Houthis) , no Iraque e Síria.

Além disso, seu governo impulsionou o controverso programa nuclear iraniano, que levou a décadas de sanções econômicas paralisantes e impasses diplomáticos com a comunidade internacional.
 

 

O Ataque Final e as Consequências

A morte de Khamenei ocorreu em meio a uma escalada drástica de tensões regionais. Segundo autoridades americanas e israelenses, a operação foi baseada em inteligência de alta precisão que indicava uma reunião da cúpula iraniana em Teerã. O ataque também vitimou altos comandantes da Guarda Revolucionária Islâmica e membros da família, a  filha, genro, neto e nora do aiatolá.
 

Líder Supremo recitando o Alcorão em reunião, no mês do Ramadã. Foto: Archevo do Khamenei.ir
Líder Supremo recitando o Alcorão em reunião, no mês do Ramadã. Foto: Khamenei.ir

O governo iraniano declarou 40 dias de luto oficial e prometeu retaliar  o que o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, chamou de "uma declaração de guerra contra os muçulmanos". 

Um conselho interino de liderança já foi formado enquanto a Assembleia dos Especialistas se reúne para a árdua e inédita tarefa de escolher um sucessor em meio a um país à beira de um conflito aberto e profundamente fraturado internamente.

O projeto tem como destaque a extensão da jornada de trabalho, criação do banco de horas e limitação do direito de greve
por
Sophia Aquino
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05/03/2026 - 12h

O Senado da Argentina aprovou na última sexta-feira (27) a reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei, com 42 votos a favor, 28 contra e duas abstenções. O texto havia passado pela Câmara dos Deputados na semana anterior e foi para o Senado já com alterações no projeto inicial.

Entre os pontos centrais do projeto estão: o aumento da jornada de trabalho de oito para até 12 horas diárias, a criação do banco de horas para compensação com folgas para substituir a hora extra assalariada e a restrição do direito de greve — agora com a exigência de que 50% a 75% dos serviços continuem em funcionamento durante paralisações.

Senado Argentino em uma sessão preparatória Foto: Charly Dìaz Azcue
Senado Argentino em uma sessão preparatória. Foto: Charly Dìaz Azcue/Comunicação Senado 
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A reforma, que afeta leis trabalhistas que estavam em vigor no país desde 1974, também autoriza o pagamento de salários com moeda nacional ou estrangeira, flexibiliza regras de demissão e reduz o peso de encargos como férias e bônus no cálculo de indenizações para empresas. Está inclusa igualmente a redução do imposto de renda sobre a rescisão contratual de 35% para 31%.

Outra mudança importante está na chamada "ultratividade", a renovação automática das convenções coletivas. Até aqui, não era necessário um novo pacto para a renovação dos acordos. Agora, será preciso uma nova negociação. 

O professor de economia da Universidade de São Paulo (USP) Paulo Feldmann compara a flexibilização da CLT brasileira (de 2018) com a reforma argentina. Segundo ele, o projeto de Javier Milei se assemelha ao modelo adotado no Brasil, durante o governo de Michel Temer.

A reforma brasileira entrou em vigor em novembro de 2017 e, na época, ficou conhecida como a "lei da modernização trabalhista" que prometia o “boom de empregos” com a criação de vagas formais, muito semelhante ao discurso que sustenta a reforma trabalhista argentina. Mas para o professor o cenário não é tão bonito quanto se pinta. “Essas medidas não têm como aumentar a formalização de empregos. A terceirização está sendo usada no mundo inteiro. E essa medida vai certamente estimular muito a terceirização e, consequentemente, a informalidade.”, alerta.

Protestos na Argentina Foto: RitaStardust via Wikimedia Commons
Protestos na Argentina Foto: RitaStardust/ Wikimedia Commons

A Confederação Geral do Trabalho da República da República da Argentina (CGT), um dos principais sindicatos do país, organizou uma série de protestos na sexta-feira (27), além de uma paralisação de 24 horas. As centrais sindicais do país defendem que a reforma reduz os direitos da classe trabalhadora e traz uma premissa falsa de que a criação de empregos depende apenas das leis trabalhistas.  

Após repercussão dos documentos do caso Epstein, irmão mais novo do Rei Charles III começou a ser investigado
por
Daniella Ramos
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26/02/2026 - 12h

 Na quarta-feira (19), o ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor foi preso pela polícia britânica na propriedade real de Sandringham, no leste da Inglaterra. Acusado de má conduta em cargo público, foi solto para responder em liberdade, após 11 horas em detenção. 

“A prisão, ainda que bastante breve, traz a sensação de que a investigação está caminhando, embora ela não tenha sido focada exatamente nos casos de abusos sexuais. É aquela dinâmica de não pegar pelo crime principal, mas por um crime que está relacionado ao problema”, comenta a doutora em Ciência Política internacional pela USP, Cristina Pecequilo.

Os documentos que contribuíram para a investigação sobre Andrew foram divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, após exporem os mais de 3 milhões de arquivos de Jeffrey Epstein. Nesses registros constam e-mails de Andrew e Epstein sobre relações de comércio no qual documentos confidenciais britânicos foram expostos ao magnata estadunidense. 

“A política britânica tem sido uma das mais afetadas pelo caso Epstein e é uma questão de interesse dos que estão e daqueles que querem voltar ao poder para queimar seus adversários", argumenta Cristina. Na segunda-feira (23), o ex-embaixador britânico, Peter Mandelson também foi preso por suspeita de má conduta em cargo público ao ser citado nos documentos de Jeffrey. 

Mountbatten-Windsor começou a se afastar de seu cargo público em 2019 pela sua relação exposta com Jeffrey Epstein, chefe de um esquema de exploração sexual de mulheres e jovens. Sua imagem voltou a repercutir de forma negativa em 2021, quando Virginia Giuffre abriu um processo em que alegava ter sido vítima de abuso sexual aos 17 anos de idade. O ex-príncipe sempre negou a acusação e fechou o processo com um acordo milionário com a vítima. 

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Andrew ajoelhado ao lado de uma mulher nos Arquivos de Epstein. Foto: Reprodução/Departamento de Justiça dos EUA. 
 

“É realmente uma pena que casos como o da Virgínia Giuffre fiquem ainda em segundo plano e que não consiga reabrir o caso, mas demonstra que a justiça pode vir por outros caminhos e que o Epstein se utilizava dessa rede para realizar arranjos políticos e outras agendas de espionagem”, explica cientista política. 

A última prisão envolvendo a família real britânica aconteceu há quase 400 anos, o que torna Andrew o primeiro membro sênior da família real a ser detido na história moderna. Em 2025, o Rei Charles já havia tirado todos os títulos de seu irmão. Em meio às investigações, está a possibilidade de suas filhas, Beatrice e Eugene, terem sido usadas para conseguir mais acesso ao Epstein.  

Diferente das investigações estadunidenses, a polícia britânica tem punido aqueles que são expostos, não pelos possíveis crimes sexuais em parceria com Epstein, mas sim pela divulgação de documentos sensíveis e confidenciais. “Dependendo do interesse que aquele país naquele momento tenha de punir ou perseguir algum político, senão ficará uma punição seletiva só para alguns”, completa Cristina sobre como a divulgação dos registros estão sendo recebidas mundialmente.

Até o momento, a única pessoa presa por contribuir para os crimes do falecido magnata norte-americano é Ghislaine Maxwell, antiga namorada, que ajudou a traficar quatro adolescentes.