Movimento que começou nos subúrbios de Paris já reúne centenas de milhares de pessoas e mantém pressão sobre o governo
por
Rafael Jorge
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03/11/2026 - 12h

A mobilização na França voltou às ruas no último sábado (24). Segundo o Ministério do Interior, 410 mil pessoas protestaram, 110 mil delas em Paris, número menor que o da semana anterior. A Confédération générale du travail (CGT) fala em 800 mil. Os manifestantes voltaram a pedir mais recursos para as escolas e medidas contra a alta dos preços, a convite de coletes amarelos e movimentos de estudantes. 

O governo aumentou o efetivo policial, e várias cidades tiveram proibições de manifestar ou toque de recolher. Segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez, as manifestações transcorreram bem, mas quase mil pessoas foram detidas, houve confrontos e saques em algumas cidades, e duas pessoas ficaram gravemente feridas, em Clermont-Ferrand e Toulouse.

Estudantes nas ruas em protesto contra as más condições de ensino
Estudantes franceses no ato do dia 17 de outubro. Foto: X/ Reprodução: @EllaGrand1681

O movimento nasceu em meados de setembro de 2026, quando estudantes do Lycée Saint-Exupéry, em Créteil, subúrbio de Paris, bloquearam a escola em protesto contra as condições precárias do ensino médio francês, salas superlotadas, calor e falta de professores.

O que parecia um ato isolado se espalhou. Em 29 de setembro, a Union Syndicale Lycéenne (USL), organização que representa os estudantes de ensino médio, e a União Estudantil disseram que 400 escolas e cerca de dez universidades estavam bloqueadas. Em 1º de outubro, as universidades ganharam peso, com 29 campi bloqueados, segundo a União Estudantil, e o movimento deixou de ser apenas de ensino médio. Em 6 de outubro, o Ministério do Interior contou 256 mil manifestantes, e os sindicatos, 450 mil. 

Os estudantes querem um plano de emergência para reformar prédios escolares e universitários em mau estado e mais professores contratados em definitivo, e não por contratos temporários. Pedem também o fim da seleção do Parcoursup, sistema que decide quem entra em cada curso superior, e 150 mil vagas a mais nas universidades.

Em 4 de outubro, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu apresentou cinco prioridades, como resolver o problema de professores que se afastam por longos períodos e não são substituídos. Em 8 de outubro, o ministro da Educação, Édouard Geffray, anunciou na TV um plano de emergência com 3 mil professores substitutos, que seriam enviados às escolas em pior situação. Sindicatos criticaram a medida como solução de última hora. Para os estudantes, não bastou, eles dizem ter recebido apenas “migalhas”. 

Os protestos continuaram no dia 13 de outubro. Segundo os sindicatos de estudantes, aproximadamente 480 mil pessoas participaram, e o Ministério do Interior aponta cerca de 161 mil. Para os jovens, o centro do movimento está na crise cotidiana das escolas, aulas canceladas por falta de professores, turmas cheias, prédios sem estrutura, jornadas longas e falta de profissionais de saúde e assistência. O ato marcou a quarta semana consecutiva de protestos e contou com a presença da ativista sueca Greta Thunberg.

Greta esteve em frente a escola Paul-Éluard, em Saint-Denis, onde cerca de vinte advogados formaram uma corrente humana para proteger os estudantes de possíveis violências policiais, segundo a AFP. “Os jovens não estão sendo incluídos na conversa, nosso futuro está sendo roubado de nós”, disse Thunberg  à agência.

No fim de semana seguinte, o protesto dos estudantes se juntou à revolta da população contra o custo de vida e reuniu pessoas de todos os perfis. Segundo o Ministério do Interior, 550 mil pessoas foram às ruas na França, 110 mil delas em Paris, os organizadores falam em 800 mil. O dia terminou com saques, depredações e ao menos 1.800 detidos, segundo balanço divulgado pela imprensa francesa. 

O ato foi convocado pelos "coletes amarelos", movimento sem líderes que tomou as ruas em 2018 contra o aumento do preço dos combustíveis. Desta vez, a pauta foi o poder de compra e mais recursos para os estudantes. Alunos de ensino médio, universitários, coletes amarelos, ativistas do clima, sindicalistas e milhares de famílias tomaram as ruas. 

Movimento dos coletes amarelos nos protestos contra o custo de vida
Coletes Amarelos no ato do dia 24 de outubro de 2026. Foto: X/ Reprodução: @jmusulmans2

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, atribuiu os ataques a prédios públicos e delegacias a grupos da “extrema esquerda radical”. Em Saint-Étienne, um manifestante de 17 anos teve a mão arrancada, e a Inspeção-Geral da Polícia Nacional (IGPN) investiga o caso. 

Em um pronunciamento de cerca de nove minutos, na noite do dia 18, o presidente Emmanuel Macron disse que o país sentia “raiva e vergonha” pela violência. Ele afirmou que quem destruiu deve pagar e quem saqueou deve devolver. Prometeu ainda que o governo será rígido com os responsáveis, e que diálogo não significa fraqueza nem impunidade. Ao mesmo tempo, procurou não culpar os jovens. Disse entender os estudantes e pediu para não confundir manifestantes com reivindicações legítimas com os que destruíram patrimônio. 

O discurso foi alvo de críticas. A Public Sénat observou que o governo parece ter subestimado a raiva e os possíveis excessos do sábado. Na noite seguinte, Paris viveu novas tensões, em especial perto da Praça da República. 

Presidente Macron em Marseille depois das manifestações de 17 de outubro
Macron em Marseille depois dos atos de 17 de outubro/ Foto: Instagram/ Reprodução: @emmanuelmacron

Na quarta-feira (21), o primeiro-ministro Sébastien Lecornu recebeu os sindicatos em Matignon, mas sem os representantes dos estudantes, embora a CGT tenha pedido a presença deles. Lecornu disse que trataria das respostas às reivindicações sobre horários, substituições, reforma de prédios e Parcoursup, e prometeu respostas aos estudantes no início da semana seguinte.

 

Marcas europeias dão o nome no maior salão do automóvel do continente, que mais uma vez registrou grande presença de marcas chinesas
por
Vítor Nhoatto
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23/10/2026 - 12h

A feira automotiva mais antiga do mundo voltou a Porte de Versailles, em Paris, na França e acontece entre os dias 12 e 18 de outubro. O Mondial de l’Auto 2026 levou mais de meio milhão de pessoas para a bienal, que mostra ter recuperado o seu brilho com grande adesão das marcas europeias, enquanto o crescimento das chinesas continuou.

Na edição passada 41 montadoras compareceram e desta vez foram 43. Algumas com retornos expressivos como Fiat e Mercedes. Experiências interativas, test-drives e mais de cem expositores completaram o evento, que teve a questão da eletrificação como foco novamente, o que inevitavelmente reflete o contexto geopolítico e os desafios econômicos e ambientais atuais.

O setor tem se recuperado após dificuldades na pandemia e em grande parte pela chegada das chinesas ao continente com preços muito competitivos. Para se ter uma ideia, a participação de mercado delas foi de 4,9% em 2025, e a porcentagem de carros feitos na China vendidos na Europa superou a dos veículos fabricados na Turquia, no Japão e no Reino Unido, segundo dados da JATO Dynamics. A resistência europeia ainda existe, principalmente na Alemanha, maior produtora e mercado no continente, mas a questão preocupa.

Em 2024, foram aprovadas taxas de importação de até 35% sobre os 10% padrão nos carros elétricos chineses, e a União Europeia estuda limitar a 350 mil híbridos plug-in (PHEV) do país por ano. O presidente francês Emmanuel Macron compareceu pela última vez ao Paris Motor Show e, em meio a tumultuosos protestos pela França, para advogar justamente pela preferência europeia aos chineses. Além disso, o bloco busca aprovar a criação de uma nova categoria na legislação para subsidiar elétricos produzidos nos países membros. 

Resposta europeia conceitual

Nesse sentido, as marcas europeias voltaram com força ao Salão de Paris buscando referências de suas histórias, e o Grupo Stellantis chamou a atenção com oito carros-conceito. Emanuele Cappellano, Diretor de Operações (COO) do conglomerado para a região da Europa ampliada, destacou que “quer aproveitar ao máximo a vantagem competitiva proporcionada pela singularidade de suas marcas icônicas, oferecendo carros que, ao mesmo tempo, estão enraizados em sua herança e voltados para o futuro.”

A principal aposta do grupo é o novo Citroën 2CV, uma releitura do icônico modelo do século passado, seguindo a tendência de sucesso adotada pela rival Renault com os novos R5, R4 e o rival direto, Twingo. A Citroën promete que o modelo de produção custará a partir de 15 mil euros e será fabricado na Itália. 

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Compacto francês deve chegar ao mercado em 2028, com preço acessível e design carismático. Foto: Divulgação/Stellantis

 

Falando do país, a Fiat retornou a Paris depois de dez anos, e apresentou o conceito Multiplay, que prevê o próximo modelo da marca na Europa, um SUV do segmento C com a funcionalidade das minivans dos anos 2000. Além disso, a italiana mostrou o Multiplina, basicamente a versão de quatro lugares do quadriciclo elétrico Topolino.

Outro retorno ao evento foi a francesa DS, marca premium do grupo que, desde a separação da Citroën em 2015, sofre para conquistar uma fatia em meio a Audi, BMW e Mercedes. A marca apresentou o F3VER, prevendo a próxima geração do DS3, inclusive buscando inspiração nas lanternas traseiras da primeira geração do modelo, de 2009, e que seguindo a nova nomenclatura inspirada em perfumes franceses, se chamará Nº3. 

Rival da DS, a Alfa Romeo chamou a atenção com o conceito Cuorerosso, um sedã que antecipa a direção de design da italiana, mantendo a filosofia de beleza necessária e conexão emocional entre motorista e máquina. No entanto, a marca possui apenas três modelos à venda, sendo dois com uma década de mercado, Giulia e Stelvio, com a nova geração deles com futuro incerto após sucessivos atrasos, e nenhum lançamento há dois anos. 

Seguindo a linha da esportividade e do resgate do passado, a Peugeot apresentou o RCZ Vision, um esportivo elétrico sucessor do cupê dos anos 2010. Além disso, a francesa surpreendeu com o E-T16, conceito que antecipa o próximo 208 e resgata elementos da lenda do rally, o 205 Turbo de 1985. A nova geração do B-hatch estreará o volante Hypersquare, retangular, e promete ser o primeiro do segmento com o sistema steer-by-wire, sem ligação mecânica entre volante e rodas.

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Peugeot E-T16 resgata o passado da marca para os futuros Peugeot 208 e 2008. Foto: Divulgação/Stellantis

 

A Stellantis ainda mostrou o Opel STX Concept, que indica a direção que a marca alemã seguirá e chama a atenção por ser um Station Wagon, carroceria que praticamente desapareceu com a ascensão dos SUVs. 

Nessa mesma linha de apostar em receitas diferentes, mas agora no Grupo Renault, a francesa mostrou o E-Space, uma minivan que resgata a história do modelo que se transformou em um SUV de sete lugares. Elétrico e com visual retrô, não foi confirmado se será produzido, mas comprova que a marca segue com a estratégia de reviver ícones do passado, que vêm sendo referência na indústria europeia pelo sucesso de vendas do R5 e Twingo E-Tech. 

O grupo ainda levou a Alpine para o Porte de Versailles, com o concept A310, que busca explorar o passado da marca esportiva com grande presença em competições. Chama a atenção que Nissan e Mitsubishi, apesar de também pertencerem ao grupo e terem um grande legado no esporte mundial, mais uma vez estiveram ausentes e enfrentam dificuldades financeiras. 

Expansão chinesa continua

Diferente das donas da casa, o destaque das chinesas foi com modelos de produção que prometem ser inclusive fabricados no bloco em alguns anos para escapar das tarifas. A parceira estratégica da Stellantis, a Leapmotor, apresentou três novos modelos. 

Após a ofensiva nos segmentos D e C, agora a chinesa aposta no segmento B. O evento foi palco do primeiro contato do público com o SUV B03X. Com porte de Volkswagen ID.Cross e até 401 km de autonomia, chega custando cerca de 24 mil euros, 4 mil a menos que o alemão. A marca apresentou também o B03, versão hatch do B03X, visando bater de frente com o Renault R5 e o Volkswagen ID.Polo. Ambos os modelos devem chegar ao Brasil em breve. 

A recém-chegada Changan também acelera na conquista do continente europeu, apresentando o SUV CS55, lançado em setembro por aqui, e os modelos de luxo da Avatr. Mas o destaque da ofensiva é o lançamento da Deepal e da NEVO em Paris. A primeira é uma marca com apelo esportivo e premium, com os SUVs elétricos ou híbridos plug-in S07 e S05, dos segmentos D e C, respectivamente. Já a Nevo apresentou o Q05, com 4,43 m de comprimento, elétrico ou PHEV, com mais de um milhão de vendas na China e com chegada prevista para o início de 2027. Um degrau acima estará o Q06, ainda em homologação. 

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Grupo chinês já opera no Reino Unido, e agora avança para a União Europeia. Foto: Divulgação/Changan Global

 

O Grupo Chery revelou o Tiggo 4 para a Europa, que irá no próximo ano completar a linha de SUVs por lá, com conjunto híbrido pleno (HEV) com foco em economia e tecnologia. Além disso, a marca apresentou pela primeira vez fora da China o novo Q, um hatch elétrico do segmento B de última geração, levado para avaliar a recepção do público europeu ao modelo. Paris também foi o palco do novo Omoda 4, apresentado na China no começo do ano, e com grandes expectativas de ser o próximo lançamento da marca no Brasil. Com um visual afiado, tem botão de partida com tampa protetora ao estilo Lamborghini, e opção HEV e elétrica. 

Seguindo o plano de expansão na Europa, a vice-presidente da BYD revelou planos de construção de duas novas fábricas em solo europeu, na França e Espanha, se juntando à unidade na Hungria, com produção em massa prevista para começar ainda este ano. A marca lançou também o elétrico Atto 8, o primeiro com a segunda geração da bateria Blade e sistema Flash Charging, com recarga de até 1.500 kW, o que se traduz em 10 a 97% em apenas nove minutos. 

O salão também foi palco para a estreia de duas novas chinesas, Forthing e Li Auto. A primeira faz parte do grupo Dongfeng, que estreou no Brasil em agosto no Festival Interlagos. Para Paris, o conglomerado que estuda uma parceria com a Stellantis aos moldes de Leapmotor, apresentou a marca Forthing e os modelos TK5 e TK7. O primeiro se trata de um SUV médio e o segundo, curiosamente, é uma minivan, ambos elétricos ou híbridos plug-in. Estava presente também a van V9, e planos de uma planta de produção em solo europeu já no início de 2027 foram anunciados. Já a Li Auto levou o seu SUV com ares de minivan, i6, com previsão de lançamento no ano que vem.

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Dongfeng esteve presente nas edições 2023 e 2025 do Salão de Munique, e na edição passada do Paris Motor Show. Foto: Divulgação/Forthing

 

Geely e GAC usaram o evento para fortalecer sua chegada na Europa com os modelos já conhecidos pelos brasileiros. De novidade, a primeira apresentou globalmente o Monjaro EM-i, um D-SUV híbrido plug-in que, apesar do nome curioso, oferece muito espaço e conforto como modelo topo de linha na Europa. Já a segunda revelou o inédito Aion UT Cross, versão aventureira do hatch elétrico.

Chamaram a atenção em Paris ainda as chinesas Aito e Xpeng. A primeira é a marca de luxo do grupo SERES e parceira da gigante de tecnologia Huawei, que também esteve presente em 2024, mas ainda não deslanchou no continente. Já a Xpeng fortalece a ofensiva com a chegada do SUV cupê elétrico ou híbrido L03. Após marcar presença na edição passada do evento e nos dois últimos Salões de Munique, agora aposta em um modelo do segmento D, rival do Tesla Model Y, com 520 km de autonomia, tecnologia de ponta e por cerca de 35 mil euros. 

Lançamentos de produção

Como resposta às chinesas, as marcas tradicionais também aproveitaram o Salão de Paris para mostrar importantes modelos de produção para o futuro da indústria europeia. A Stellantis mostrou os novos Fiat Grizzly e Grizzly Fastback. Como o nome do segundo sugere, eles devem substituir o Fastback atual no Brasil e provavelmente o Pulse. 

O estilo segue o do Grande Panda, que será lançado no Brasil ainda este ano como Argo X. Terá versões a gasolina, híbrida leve (MHEV) e elétrica, e usa a versão simplificada da plataforma e-CMP chamada de Smart Car, desenvolvida em parceria com a indiana Tata.

A coreana Hyundai foi a única asiática não chinesa que apresentou grandes lançamentos neste ano: a segunda geração do SUV Bayon, e a quinta geração do Tucson. O primeiro é um SUV compacto baseado no novo i20 já vendido no Brasil, mas ainda em adequação para o mercado europeu. Ele possui exatamente o mesmo interior do hatch, mas é 11 centímetros mais comprido e seis mais alto, e conta com motorização micro-híbrida por lá, além de futuramente um sistema HEV. Já o Tucson muda completamente em relação à geração atual, que nunca foi vendida no Brasil. Ele continuará contando com opções MHEV, HEV e PHEV, além de um entre-eixos menor que o da versão global, como já adotado pelo atual e pelo Kia Sportage.

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Bayon segue a linguagem de design “Steel of Art”, seguindo a linha do novo Tucson. Foto: Divulgação/Hyundai Group

 

O Grupo Volkswagen vive um momento delicado e levou a sua mais nova aposta para Paris. Após atrasar a nova plataforma elétrica para médios do grupo para 2029, e ter vendas aquém do esperado de seus primeiros elétricos, ID.3, ID.4 e ID.5, a alemã reviu a sua estratégia. Em vez de lançar uma reestilização para os dois últimos, fez mudanças profundas no design, no interior e na nomenclatura. Conforme defendido no Salão de Munique de 2023, o legado das marcas é visto como a principal chave para conquistar os compradores com a chegada dos chineses, e com o sucesso da Renault ao resgatar nomes lendários, a Volkswagen lançou o ID.Tiguan.  

Essencialmente, o modelo é o velho e descontinuado ID.4, recém-lançado no Brasil, com mesma plataforma, bateria e motor. Porém, o exterior é menos arredondado e mais em linha com o Tiguan a combustão, e o interior é completamente novo, sanando o problema da falta de comandos físicos, telas pequenas e acabamento duvidoso. 

Falando em acessibilidade e legado, Paris marcou o retorno de um ícone, o smart #2. Lançado no Paris Motor Show em 1998 como Fortwo, havia sido descontinuado em 2024, e retorna em 2026 mantendo a filosofia de ser realmente pequeno, funcional e divertido. O preço deve começar em 20 mil euros, e a bateria de 35 kW consegue uma autonomia de 290 km para o pequeno com 2,76 de comprimento.

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Primeiras entregas do novo smart #2 começam já este ano em alguns países europeus. Foto: Divulgação/smart

O novo smart será fabricado na China e foi desenvolvido em parceria com a Geely, e reflete bem o momento que a indústria automotiva mundial vive. A produção do #2 em solo europeu não foi descartada, mas a empresa disse que isso teria atrasado seu lançamento em um a dois anos. Ou seja, mesmo que europeias, a colaboração com a China não parece mais opcional, e o tempo mostrará se os conceitos das marcas tradicionais conseguirão chegar a tempo dos chineses de agora.

Colapso glacial gera evento sísmico que destrói estruturas do país e deixa 1.445 mortos e 5.285 desaparecidos; enxurrada do monte Langtang Lirung chega a 180 km/h e atinge Tibete
por
João Barbosa
Manuela Abbate
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22/10/2026 - 12h

Nas últimas semanas, uma série de tragédias ambientais atingiram terrenos asiáticos. Casos de enchentes na região da cadeia montanhosa Hindu Kush-Himalaia causaram estrago na estrutura local e um número alto de óbitos e desaparecidos. Os acidentes são recorrentes e refletem a circunstância das mudanças climáticas que oferecem alto risco a esse tipo de território.

Em 26 de agosto, houve o primeiro grande deslizamento no monte Langtang Lirung. A queda dos detritos gerou uma avalanche que chegou ao vale do rio Lhende Khola, devastando mais de 40 km de rodovias, 70 pontes e 12 hidrelétricas na região. Ao chegar ao solo, os resíduos causaram um tremor sísmico de magnitude 5,2, agravando o desastre.

Houve dois deslizamentos graves desde o ocorrido em agosto, um em 27 de setembro e outro no último domingo (10). Esse atingiu a Índia, deixando 56 mortos.

No momento, 49 dos 77 distritos do Nepal estão em alerta quanto as chuvas. O desastre danificou as fibras ópticas da área, deixando os distritos de Manang, Mustang, Myagdi e Baglung sem energia.

Ao total, foi calculado pelas autoridades do país que a recuperação custará de 4 a 5 bilhões de dólares.

Quanto as vítimas do desastre, apenas 105 corpos foram identificados e retornados aos familiares. As autoridades nepalesas criaram um cemitério temporário no distrito de Chitwan, onde enterraram em vala comum um número não divulgado de corpos não identificados.

O fenômeno

O colapso glacial consiste na fragilização e o desabamento de geleiras. Durante o deslizamento, o gelo acumula outros sedimentos e detritos, podendo gerar uma avalanche.

Os deslizamentos são esperados durante o verão na Ásia do Sul visto que as chuvas nesse período são intensas. Esse processo é chamado de chuvas de monções. Elas ocorrem quando os ventos da região mudam a trajetória, transportando o ar mais umido do oceano Índico para o continente. Devido as cadeias montanhosas da região, o Himalaia e a Caxemira, as nuvens carregadas não se dispersam, intensificando a precipitação.

mapa que mostra a Índia, Nepal e a região do Tibete na China
Mapa da região, mostrando a fronteira entre o Nepal e o Tibete | Reprodução: Google Earth

É importante pontuar que as mudanças climáticas exercem um papel nessa progressão de eventos. O aumento da temperatura global torna os colapsos glaciais e as precipitações mais frequentes. Em entrevista a Reuters, o cientista Terra Dan Shugar comentou “Algumas das geleiras do vale estavam cobertas de neve ontem e hoje estão, em sua maioria, com o gelo à mostra. Portanto, em outras palavras (e ainda não vi nenhum dado de estações meteorológicas), provavelmente estava quente”, indicando que uma grande quantidade de neve derreteu no dia que precedeu o desastre.

O reflexo no futuro

A longo prazo, o panorama da região tende a seguir o caminho que se perpetua hoje. As variações na precipitação são uma questão de tamanho mundial, o ciclo hídrico do planeta é desregulado pelas mudanças climáticas. Em pesquisas realizadas pelo Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento do Nepal no ano de 2023, a professora Shankar Shrestha prevee um aumento de 72% na intensidade diária de chuvas no Nepal pelos próximos anos. Simultaneamente, a perspectiva é de aumentos nas áreas de derretimento. Dados de um levantamento da ONU (Organização das Nações Unidas) apontam que as montanhas nevadas da região perderam cerca de um terço do gelo total, com tendências a aumento crítico no processo.

Em entrevista a AGEMT, o jornalista especializado em divulgação científica Ulisses Capozoli comenta sobre as predisposições do território nepalês: “O Nepal é uma região de choque de placa tectônica, então é de se esperar esse tipo de coisa. A questão é fazer uma análise incluindo dados de processos naturais, para ter um perfil do que está acontecendo. O que está acontecendo é compatível com um planeta que tem uma população crescente e tem um padrão de energia que muda o ambiente”

A interferência humana no comportamento natural do meio ambiente tem implicações diretas na própria existência da sociedade. No caso da parcela do Nepal afetada pelos desastres, a maioria populacional é de baixa renda, que depende da área para o funcionamento local. Por conta dos desastres, hoje esses residentes estão considerados em situação de risco.

Estudos realizados pela IFC (International Finance Corporation), apresentam a progressão do número de pessoas afetadas por enchentes oriundas de mudanças climáticas no Nepal nos ultimos anos. Em 2010, o número foi de aproximadamente 157 mil, enquanto em 2030, o número está previsto para alcançar os 350 mil.

 

 

 

Presidente dos EUA ameaça Irã, Cuba e México, anuncia acordo com a Groenlândia e defende renomear IA como "superinteligência"
por
Sofia Martins
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25/09/2026 - 12h

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursou na terça-feira (22) na 81ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) em Nova York.  O mandatário iniciou seu discurso de 37 minutos com a frase “America is back” (América está de volta).  

O político apontou, o que classificou, como “melhorias históricas” na economia, segurança pública e força militar dos EUA. Além disso, reforçou ameaças ao Irã, relações com o território venezuelano e enfatizou o poder e o cuidado com as Inteligências Artificiais, chamadas por Trump de “super-inteligências”. O líder norte-americano falou após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O brasileiro abriu a reunião, como  é tradição nas assembleias da organização desde 1955. 

Trump também deu destaque às conquistas econômicas, por recordes na bolsa de valores americana, argumentou que empresas estavam investindo nos Estados Unidos “mais do que já aconteceu em qualquer momento e em qualquer lugar do mundo” durante seu ano de governo e declarou o valor de US$ 21 trilhões em investimentos estrangeiros. Entretanto, segundo relatórios da Casa Branca, esse valor seria quase o dobro do total contabilizado e declarado. De acordo com informações divulgadas no site “Trump Effect List” (Lista de Efeitos de Trump), iniciativa da administração de Donald Trump que reúne anúncios de grandes investimentos corporativos e industriais nos Estados Unidos, o montante de investimentos estrangeiros chega aos US$9,6 trilhões.

Ao se referir aos avanços do território norte americano, ele enfatizou  ter transformado a fronteira dos Estados Unidos  de mais perigosa para mais segura da história do país, informando que nos últimos 16 meses, nenhum imigrante irregular teria sido admitido no país. Durante o discurso, os números apresentados por Trump  para indicar o desenvolvimento do país foram baseados em dados inconsistentes. 

Além disso, Trump disse ter agido para evitar que os EUA, ou qualquer outra nação presente no plenário, tivessem que enfrentar o que chamou de um "pesadelo" nuclear vindo do Irã, e se colocou como defensor não só dos Estados Unidos, mas de toda comunidade internacional reunida na assembleia. O conflito com o país persa, iniciado unilateralmente por Estados Unidos e Israel, tem como um dos pontos de tensão o programa nuclear iraniano.

O presidente ainda chamou a liderança iraniana de fraca e desesperada e afirmou esperar um acordo logo após as eleições. A fala do presidente norte-americano ocorre em meio a um conflito real e prolongado, quase sete meses de guerra, e segundo o fact-check do PBS/PolitiFact, em um momento de desgaste da opinião pública americana com o impacto do conflito nos preços de combustível. 

O político afirmou estar diante de uma decisão histórica: de um lado, poderia optar por um acordo que permitiria ao Irã reconstruir sua economia e se consolidar como “talvez uma das maiores potências do Oriente Médio”. Por outro lado, advertiu que, caso o acordo não fosse alcançado, o país poderia sofrer uma ação militar capaz de “aniquilar rapidamente a nação iraniana”.

Trump mencionou também ter sancionado, uma nova lei que lhe dá amplos poderes tarifários, ferramenta que disse estar pronto a usar para pressionar pelo fim da guerra entre Rússia e Ucrânia, classificada por ele como uma "guerra desastrosa" que mata milhares de pessoas por mês.

A invasão realizada pelas forças armadas dos EUA no mês de janeiro a Caracas, capital da Venezuela, também foi lembrada por Trump durante seu discurso: “conseguimos pegar o criminoso, fora da lei, Nicolás Maduro”. O líder norte-americano afirmou que diversos venezuelanos que foram presos erroneamente, deixaram as prisões e que a nação venezuelana festejou após a operação americana. 

Apesar de existir uma parte da população venezuelana que concorda com a operação comandada por Trump, segundo a checagem de fatos da agência Lupa, muitos dos relatos de comemoração da nação venezuelana são falsos. A maioria dos vídeos de comemoração foram gerados por IA ou de protestos anteriores à queda de Maduro. 

A intervenção militar estrangeira armada gerou profundo desespero, apagões e medo na população de Caracas durante os bombardeios. Além disso, houve baixas militares locais e protestos de apoiadores do regime chavista. Sobre os que foram detidos erroneamente, segundo o Foro Penal da Venezuela, após a segunda rodada de diálogos mediada pelos EUA, o balanço registrou a soltura recente de dezenas de detidos. Entretanto, restam 324 pessoas que permanecem presas. A demografia detalhada aponta 310 homens, 14 mulheres, sendo 184 civis e 140 militares.

O chefe da Casa Branca também anunciou o maior acordo de petróleo da história, contando com 65 bilhões de barris de petróleo, que, segundo ele, trará benefícios para o povo norte-americano e venezuelano. “Quando somamos a Venezuela e os Estados Unidos, temos mais de 60% do petróleo do mundo”, afirmou ele.

81a Assembleia Geral da ONU em Nova York
Trump discursa na 81ª Assembleia Geral da ONU - Daniel Torok/Divulgação Casa Branca

Trump abordou a segurança regional na América Latina, concentrando parte de sua fala no México. O presidente norte-americano classificou os cartéis de drogas como organizações terroristas estrangeiras e definiu o México como o “epicentro da violência dos cartéis”, fazendo cobranças diretas ao governo mexicano.

Apesar de afirmar boas relações com o país, ele também declarou que “o México precisa retomar o controle sobre seu território” e comparou os cartéis ao Estado Islâmico no Hemisfério Ocidental. “Eles são inimigos em guerra com a civilização, usando assassinato, estupro, extorsão e táticas de terrorismo. Eles devem ser assassinados, eliminados ou presos sem a possibilidade de serem soltos”, argumentou o político.

Ao mencionar Cuba, Trump descreveu o regime como “Estado fracassado” sob a maior pressão de sua história, que “vai cair”. Ele também alegou que Marco Rubio, Secretário de Estado dos EUA, está profundamente envolvido com as negociações sobre o país. 

A situação de Cuba se agravou com o aumento das medidas impostas pelos Estados Unidos, desde janeiro,  que ampliou as restrições contra a ilha, interrompeu o envio de petróleo venezuelano e ameaçou  aplicar tarifas a países que mantivessem relações comerciais com o governo cubano. Após a fala de Donald Trump sobre o país, durante a Assembleia Geral, a delegação de Cuba abandonou a sessão. 

O discurso contou com o anúncio do presidente de que, há poucos dias, os Estados Unidos fecharam um acordo sem precedentes envolvendo a Groenlândia – território dinamarquês – para que esse  fizesse parte da esfera de defesa direta dos EUA. 

Segundo o político, o acordo foi firmado com o Reino da Dinamarca e com representantes do próprio povo groenlandês, que concordaram em atribuir  aos Estados Unidos controle "permanente" sobre a segurança e "todas as demais necessidades" no território. 

Ele encerra o trecho dizendo que isso dará aos EUA capacidade plena para "defender o continente americano, a Europa e outras regiões" a partir dali, elevando a Groenlândia de posse estratégica pontual a peça central da defesa ocidental. 

A Groenlândia é uma área de interesse dos Estados Unidos por ser um território com terras raras, gás e petróleo mais acessíveis, recursos essenciais para produção de tecnologias avançadas. Além disso, a ilha possui uma localização estratégica, servindo como ponto de contenção de mísseis hipersônicos que poderiam atingir os EUA pelo norte. 

Durante seu discurso, Trump comentou que a ONU tem potencial enorme, mas que a organização precisa deixar de impor o que chamou de "agenda de extrema-esquerda de burocratas globalistas que ninguém jamais elegeu". 

Como exemplo, citou uma intervenção do seu governo no ano anterior para impedir que a Organização Marítima Internacional, agência ligada à ONU, criasse um imposto global sobre carbono no transporte marítimo. 

Trump ampliou ainda críticas aos organismos de direitos humanos da ONU. “É inaceitável que, com todas as atrocidades que acontecem no mundo, a ONU tenha autoridades de direitos humanos criticando os EUA por protegermos nossas crianças contra a mutilação de pessoas transgêneras e forçando nossas leis de imigração”, afirmou o presidente. 

Ao mesmo tempo, ele afirmou que cristãos são perseguidos “constantemente”. A declaração foi usada para criticar o que ele considera ser o silêncio da ONU diante dessas perseguições, em contraste com a atenção dada, segundo ele, a questões internas dos Estados Unidos. 

A mesma crítica apareceu quando Trump falou sobre a Unesco. O presidente questionou a atuação da agência, criada para preservar o patrimônio cultural e histórico, e afirmou que ela estaria “destruindo a cultura, a herança e a história”. Com a declaração, Trump reforçou sua crítica às instituições multilaterais, que, segundo ele, estariam se afastando de suas funções originais.

No final do discurso, Trump afirmou que os Estados Unidos "rejeitam totalmente" qualquer tentativa de criar o que chamou de um "esquema globalista" para controlar o desenvolvimento da inteligência artificial. Ele anunciou que, a partir daquele momento, os documentos oficiais do governo norte-americano passarão a usar o termo "superinteligência", ou "SI", no lugar de "inteligência artificial". Como justificativa, disse que a palavra "artificial" faz a tecnologia parecer falsa.

Trump finalizou afirmando que os Estados Unidos lideram a corrida desenvolvimentista da IA à frente da China, e classificou como pertencentes a um mesmo grupo os críticos do avanço da IA e aqueles que, segundo ele, alertaram anteriormente sobre aquecimento global e sobre supostas interferências russas nas eleições americanas.

Após 25 anos, a tragédia que mudou o rumo dos Estados Unidos ainda deixa marcas na sociedade e nas relações internacionais
por
Vitória Teles
|
17/09/2026 - 12h

Há 25 anos, em 11 de setembro de 2001, Nova York vivenciava o maior ataque terrorista da história, quando quatro aviões comerciais foram sequestrados por jihadistas e atirados contra as Torres Gêmeas do World Trade Center e o prédio do Pentágono. O último avião, acreditava-se que estivesse rumo à Casa Branca ou ao Capitólio, caiu na Pensilvânia, após os passageiros terem tomado controle do avião, desviando sua rota e fazendo com que ele não chegasse ao destino final.

O evento matou 2.997 pessoas, além dos 19 sequestradores, foi o mais mortal da história do país e permanece vivo na memória dos estadunidenses. O atentado representou um trauma nacional que mudou a forma como os Estados Unidos enxergavam sua segurança, política externa e cotidiano.

O mundo inteiro também acompanhou em tempo real pela transmissão de canais de notícias. Milhões de pessoas viram o segundo avião atingir a torre sul do World Trade Center. As imagens foram repetidas inúmeras vezes na televisão por dias, meses e anos seguintes.

As Torres Gêmeas sendo atingidas em Nova York, em 11 de setembro de 2001. Foto: Robert J. Fisch/Wikimedia Commons.
As Torres Gêmeas sendo atingidas em Nova York, em 11 de setembro de 2001. Foto: Robert J. Fisch/Wikimedia Commons. 

 

O atentado demonstrou como terroristas podem usar meios civis, como aviões comerciais, para cometer crimes, isso levou governos de todo o mundo a rever seus sistemas de segurança. Alguns sistemas mudaram drasticamente após o ataque. Os aeroportos passaram a ter controles mais rígidos, com inspeções mais rigorosas de passageiros e bagagens.

Além disso, os Estados Unidos criaram a Transportation Security Administration (TSA), para assumir a segurança aeroportuária. Novas leis antiterrorismo surgiram durante esse período, como a USA Patriot Act, criação da TSA, sancionada em 2001 para monitorar comunicações telefônicas e eletrônicas de suspeitos.

A motivação por trás dos ataques de 11 de setembro de 2001 estava ligada principalmente à ideologia da organização terrorista Al-Qaeda, liderada por Osama bin Laden. Segundo a declaração do próprio grupo, as motivações incluíam a presença militar dos Estados Unidos na Arábia Saudita, considerada por Bin Laden uma profanação de locais sagrados do Islã e a oposição à influência política, econômica e militar americana no Oriente Médio.

Além das mudanças nas medidas de segurança, a tragédia provocou um grande choque econômico global. A bolsa de valores de Nova York permaneceu fechada por vários dias, algo raro na história dos EUA. As companhias aéreas foram o setor mais afetado. O espaço aéreo estadunidense foi fechado temporariamente, cerca de 5.000 a 7.000 voos comerciais foram cancelados nos primeiros dias após os atentados e muitas pessoas passaram a evitar viagens de avião no período após o ataque, segundo a National Archives 9/11 Federal Aviation Administration (FAA) Records.

Após o colapso das Torres Gêmeas, as equipes de resgate passaram meses removendo toneladas dos destroços do terreno, conhecido como "Ground Zero" (Marco Zero). O trabalho envolveu busca por sobreviventes, recuperação dos restos mortais das vítimas e estabilização da área para futuras construções.

Como forma de preservação da memória e homenagem, o One World Trade Center, inaugurado em 2014, com 541 metros de altura, representa resiliência e renovação. O edifício tornou-se o mais alto do Hemisfério Ocidental.

No local onde estavam as Torres Gêmeas foram erguidas duas imensas piscinas espelhadas, posicionadas exatamente sobre as fundações das antigas torres. Os nomes das 2.997 vítimas dos ataques foram gravados em painéis de bronze ao redor do memorial. Ao lado, também foi inaugurado o Museu Nacional do 11 de setembro que reúne fotografias, objetos recuperados, documentos históricos, como identidades das vítimas encontradas nos destroços das Torres.

Memorial construído no mesmo local onde as Torres Gêmeas desabaram. Foto: Public Petr Kratochvil/Domain Pictures
Memorial construído no mesmo local onde as Torres Gêmeas desabaram. Foto: Public Petr Kratochvil/Domain Pictures

Todos os anos, cerimônias são realizadas no One World Trade Center. Como forma de manter viva a memória das vítimas que morreram em 11 de setembro de 2001, como a leitura dos nomes das vítimas, sete momentos de silêncio e 2.977 luzes em homenagem às vítimas que foi exibida formando a silhueta das Torres Gêmeas, além de uma cerimônia especial em Ground Zero para familiares, sobreviventes e autoridades.

A menos de uma semana para as eleições, veja como estão as pesquisas de intenção de voto.
por
Luan Leão
|
08/04/2022 - 12h

Na terça-feira (5) o Instituto Ifop divulgou mais uma pesquisa de intenção de votos para a presidência na França. Com menos de uma semana para o dia da votação, a pesquisa mostra um possível segundo turno entre o atual presidente Emmanuel Macron (Em Marcha!) e a candidata de extrema-direita, Marine Le Pen (Reunião Nacional). 

 

Correndo por fora nesta disputa, Jean-Luc Mélenchon (França Insubmissa), Éric Zemmour (Reconquista!), Valérie Pécresse (Republicanos) e Yannick Jadot (Verdes), tentam  surpreender e avançar para a segunda volta desta eleição. 

 

O que mostram as pesquisas ?

 

De acordo com a pesquisa, Emmanuel Macron lidera desde os primeiros levantamentos. O centrista tinha 25% das intenções de voto em 14 de janeiro. No dia 31 de janeiro, oscilou para 24%. Em 15 de fevereiro, subiu para 25,5%. No dia 28 de fevereiro, marcou 28%. Em 15 de março, chegou a 31% das intenções de voto. Em 21 e 31 de março, caiu para 28%. Nos últimos levantamentos ele aparece com 27% das intenções de voto. 

 

Em segundo lugar, a candidata Marine Le Pen somava 16% das intenções de voto no dia 14 de janeiro. No dia 31 de janeiro, subiu para 17,5%. Em 15 de fevereiro manteve a porcentagem de 17,5%. No dia 28 de fevereiro, voltou a marca de 16%. Em 15 de março, subiu para 18%. No dia 21 de março, mais um crescimento, chegou a 18,5%. Em 31 de março chegou a 21%. Nos últimos levantamentos marcou 22%, o maior índice para primeiro turno desde o começo das pesquisas. 

 

O terceiro colocado nas pesquisas, Jean-Luc Mélenchon (França Insubmissa), também cresceu nesta reta final. Em 14 de janeiro o candidato somava 8,5% das intenções de voto. No dia 31 de janeiro subiu para 9,5%. Em 15 de fevereiro registrou 11,5%. No dia 28 de fevereiro oscilou para 10,5%. No dia 15 de março evoluiu a 12%. Em 21 de março atingiu 14%. No dia 31 de março chegou a 15,5%. Nos últimos levantamentos, o candidato atingiu a marca de 16% das intenções de voto, seu melhor desempenho para o primeiro turno. 

 

Se Le Pen e Mélenchon cresceram ao decorrer na campanha, o radical de direita Éric Zemmour (Reconquista!) fez o inverso, e viu suas intenções de voto derreter pelo caminho. Em 14 de janeiro Zemmour tinha 14%. Depois, em 31 de janeiro, caiu para 13,5%. No dia 15 de fevereiro subiu para 15%. Em 28 de fevereiro oscilou para 14%. Nos dias 15 e 21 de março, novamente uma queda, chegou a 12,5%. Em 31 de março chegou a 11%. Nos  últimos levantamentos chegou a 10%, o menor número desde o início das pesquisas de intenção de voto, o que acabou diminuindo as esperanças de uma eventual ida ao segundo turno.

 

Alguns especialistas apontam que a presença de Zemmour, e seu discurso contundente e extremista, pode colaborar para a versão "paz e amor" da também extremista Marine Le Pen. Antes, era esperado uma pulverização dos votos na extrema-direita, pela existência de dois candidatos com relevância, mas as pesquisas mostram um crescimento de Le Pen e queda de Zemmour. 

 

Isso porque nesta eleição, a candidata tem apostado em uma mudança de discurso e postura, e a beligerância de Zemmour a faz parecer "branda". 

 

A quinta colocada Valérie Pécresse também foi caindo na intenção de votos com o avançar da campanha. Nos dias 14 e 31 de janeiro, a republicana tinha 16,5% das intenções de voto. Em 15 de fevereiro caiu para 14,5%. Depois, em 28 de fevereiro, oscilou para 13%. No dia 15 de março Pécresse tinha 11%. Em 21 de março ela somava 10,5%. Em 31 de fevereiro e 03 abril, a candidata manteve 10%. Nos últimos levantamentos manteve o índice de 10%, empatando com Zemmour. 

 

Apostando na urgência climática e na juventude, Yannick Jadot já esteve em melhores condições nas pesquisas. Em 14 de janeiro Jadot tinha 6%. Caiu para 5% no dia 31 de janeiro. Depois, em 15 de fevereiro oscilou para 4,5%. No dia 28 de fevereiro, voltou para 5% e no dia 15 de março se manteve com a porcentagem. Em 21 de março subiu para 5,5%. Nas duas últimas pesquisas, Jadot registrou 4,5%. 

 

De 14 de janeiro a 05 de abril, o candidato do Partido Comunista, Fabien Roussel, variou entre 2% e 4,5%. No último levantamento, Roussel apareceu com 3%. A socialista Anne Hidalgo, prefeita de Paris, no mesmo  período variou entre 3,5% e 1,5%. No último levantamento, a prefeita aparece com 2,5% das intenções de voto. O candidato Jean Lassalle (Resistir!) variou entre 1% e 3% durante as pesquisas. Segundo a última pesquisa, Lassalle aparece com 2%. 

 

2º turno: Macron X Le Pen 

 

Macron e Le Pen
Emmanuel Macron e Marine Le Pen - Foto: Gonzalo Fuentes / Reuters 

De acordo com a simulação do Ifop de um segundo turno entre Macron e Le Pen, a vantagem do atual presidente foi diminuindo e chegou ao menor índice no último levantamento divulgado. Veja:

 

14 de janeiro - Macron 57% X 43% Le Pen 

 

31 de janeiro - Macron 55% X 45% Le Pen 

 

15 de fevereiro - Macron 55% X 45% Le Pen 

 

28 de fevereiro - Macron 56,5% X 43,5% Le Pen 

 

15 de março - Macron 58% X 42% Le Pen 

 

21 de março - Macron 56% X 44% Le Pen 

 

31 de março - Macron 54% X 46% Le Pen 

 

03 de abril - Macron 53% X 47% Le Pen 

 

04 de abril - Macron 53% X 47% Le Pen 

 

5 de abril - Macron 53% X 47% Le Pen 

Os primeiros colocados nas pesquisas
Jean-Luc Mélenchon, Emmanuel Macron e Marine Le Pen - Foto: Benoit Tessier / Reuters 

2º turno: Macron X Mélenchon 

Em uma simulação de segundo turno entre Macron e Jean-Luc Mélenchon, a situação do candidato à reeleição parece mais confortável. Único candidato de esquerda com chances de avançar ao segundo turno, Mélenchon sofre para dialogar com eleitores mais à direita. 

Veja:

 

15 de março - Macron 64,5% X 35,5% Mélenchon

 

21 de março - Macron 63% X 37% Mélenchon 

 

31 de março - Macron 60% X 40% Mélenchon 

 

03 de abril - Macron 60% X 40% Mélenchon 

 

04 de abril - Macron 60% X 40% Mélenchon 

 

05 de abril - Macron 59,5% X 40,5 Mélenchon

 

O primeiro turno das eleições francês acontece neste domingo (10).

 

Veja o cronograma eleitoral, entenda o sistema de votação e saiba quais são as principais regras de campanha para o pleito que ocorre no domingo (10).
por
Luan Leão
|
06/04/2022 - 12h

O primeiro turno das eleições na França acontecem no próximo domingo (10), na disputa estão 12 candidatos. Similar ao sistema eleitoral brasileiro, entenda como acontece o processo eleitoral na França: 

 

Quem pode se candidatar ?

Qualquer cidadão francês maior de 18 anos, que já possa votar e não tenha problemas com a justiça pode se candidatar. Diferente do Brasil, os candidatos não necessariamente precisam estar filiados a um partido, ou seja, as candidaturas podem ser avulsas. Essas candidaturas são chamadas de "sans étiquette" (sem etiqueta).

Porém, para conseguir lançar a candidatura, o candidato precisa obter 500 assinaturas de políticos já eleitos. Essa cláusula impede um número maior de candidatos avulsos. 

O mandato presidencial é de 5 anos podendo ser reeleito por mais 5 anos. 

 

Semipresidencialismo

A França é um exemplo de país semipresidencialista, ou seja, uma estrutura híbrida entre presidencialismo e parlamentarismo. Por isso, possui presidente e Primeiro-Ministro. 

O Primeiro-Ministro é escolhido pelo presidente e seus aliados, porém, o nome depende de uma aprovação dos parlamentares. Devido a essa aprovação, não é impossível que o Primeiro-Ministro seja de outro partido ou grupo político do presidente. Essa situação é chamada de coabitação. 

Esse impasse político não ocorre desde uma reforma eleitoral realizada em 2000, que deixou as eleições presidenciais e as parlamentares no mesmo ano, com a finalidade de evitar a troca de Primeiro-Ministro no meio do mandato do presidente. 

Parlamento Francês
Assembleia Nacional - Foto: Reprodução Twitter

O parlamento francês possui Câmara Alta (Senado), composto por 348 senadores, e Câmara baixa (Assembleia Nacional) com 577 parlamentares. A eleição da Assembleia Nacional, equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil, ocorre no mesmo ano das presidenciais, porém em datas diferentes. 

O Primeiro-Ministro é responsável pelas ações de governo, que na prática são estabelecidas pelo próprio presidente. É a figura do presidente que acumula mais poderes, dentre eles, o de dissolver o parlamento, algo que já aconteceu cinco vezes desde 1958, quando a 5ª República foi fundada.

Cabe ao Primeiro-Ministro refletir a vontade conjunta do parlamento e do presidente. E caso isso não ocorra, ele pode ser tirado do cargo por meio de um voto de desconfiança do parlamento.

Portanto, é importante que o presidente tenha maioria no parlamento, assim, caso contrário, aumentam as chances de coabitação. 


 

1º e 2º turno

Na França, assim como no Brasil, para vencer o pleito um candidato precisa obter maioria simples, ou seja 51% dos votos. Caso isso não ocorra no primeiro turno, os dois melhores colocados avançam para o segundo turno. De acordo com o calendário eleitoral, a realização de um segundo turno está prevista para o dia 24 de abril, 14 dias depois da realização do primeiro turno. 

O vencedor do pleito tomará posse no dia 13 de maio.

 

Campanha eleitoral 

O período eleitoral é curto, as campanhas começam oficialmente apenas duas semanas antes do primeiro turno. Sempre considerando o princípio da igualdade, o tempo de propaganda dos candidatos e seus apoiadores em veículos de rádio e televisão são iguais, mesmo no período anterior ao início das campanhas oficiais. A mesma regra vale para o segundo turno.

Caso alguma emissora descumpra a regra, fica sujeita a sanções como suspensão de programas, redução de tempo no ar e até multas. A Autoridade de comunicação audiovisual francesa (Arcom, na sigla em francês) é a responsável por fazer a regulação e controle do tempo de fala. 

"Essas transmissões oficiais de campanha são um espaço livre de expressão, oferecido a candidatos e partidos políticos. Em particular, permitem dar acesso mínimo a partidos de menor notoriedade e, portanto, menos presentes nos grandes noticiários", justifica a comissão reguladora da campanha. 

Veículos de comunicação estatais como France Télévision, Radio France e France Médias Monde também divulgam os vídeos de campanha de todos os candidatos, com tempo igual, durante sua programação.

No primeiro turno, os clipes eleitorais duram até 1 minuto e 30 segundos. Em caso de segundo turno, os vídeos podem chegar a até 5 minutos.

 

Pelo correio

Desde a segunda-feira, 28 de março, os eleitores estão recebendo em suas casas informativos sobre o plano de governo dos 12 candidatos, além das cédulas que deverão ser depositadas nas urnas nos dois turnos. 

Este ano o envio recebeu atenção especial, após problemas nas eleições regionais de 2021.

Informações sobre as campanhas também ficam disponíveis no site da Comissão Nacional de Controle de Campanhas (CNCCEP, na sigla em francês). 

 

No hora do voto

Outra diferença em relação ao sistema eleitoral brasileiro é o voto facultativo. Apesar disso, o eleitorado francês costuma comparecer em peso nas votações. 

Por ser no papel, o eleitor leva à urna de votação pelo menos dois envelopes, para que os mesários não saibam qual será o seu voto. Após depositar seu voto, o eleitor descarta as demais cédulas e na saída assina um termo comprovando que participou do pleito. 
 

Propaganda nas ruas

Também desde a segunda-feira (28), cartazes de campanha dos 12 candidatos foram colocados em locais reservados para propaganda política. Esses lugares ficam localizados nas sedes das prefeituras.

De acordo com o Código Eleitoral, os cartazes também ficarão expostos próximos às áreas de votação. 

A ordem dos cartazes é definida por sorteio, realizado na sessão do Conselho Institucional que anunciou a lista de presidenciáveis. Após isso, a ordem foi publicada no Diário Oficial. 

Cartazes de campanha na França
Espaço de publicidade eleitoral - Foto: Joel Saget / AFP
Cartazes de campanha na França
Espaço de publicidade eleitoral - Foto: AFP

A ordem definida nesta eleição é: Nathalie Arthaud (Luta Operária), Fabien Roussel (Partido Comunista), Emmanuel Macron (A República Em Marcha), Jean Lassalle (Resisatamos!), Marine Le Pen (Reunião Nacional), Éric Zemmour (Reconquisat!), Jean-Luc Mélenchon (França Insubmissa), Anne Hidalgo (Partido Socialisa), Yannick Jadot (Verdes), Valérie Pécresse (Republicanos), Philippe Poutou (Novo Partido Anticapilista) e Nicolas Dupont-Aignan (A França de Pé). 

Depois do primeiro turno, os candidatos que não passarem ao segundo turno podem usar os espaços de publicidade até a manhã da quarta-feira (13) para agradecer seus eleitores ou até mesmo anunciar a retirada de suas candidaturas. 


 

A uma semana das eleições, conheça os 4 principais nomes na disputa à presidência na França
por
Luan Leão
|
05/04/2022 - 12h

No próximo domingo (10) os franceses vão às urnas para escolher o presidente que vai comandar o país pelos próximos 5 anos. Atualmente no poder, o presidente Emmanuel Macron (Em Marcha!) é líder nas pesquisas e concorre à reeleição, mas não terá um caminho fácil para a reeleição. 

Vamos conhecer um pouco mais sobre os 4 principais nomes na disputa presidencial, de acordo com as pesquisas de intenção de voto:

 

Emmanuel Macron (Em Marcha!)

O mais jovem presidente francês desde a era de Napoleão, Macron tenta seu segundo mandato aos 44 anos de idade. Candidato do partido “Em Marcha!”, ocupa o primeiro lugar em todas as pesquisas de intenção de voto. 

Emmanuel Macron - Em Marcha!
Emannuel Macron - Foto: Ian Langsdon / Via Reuters

De acordo com especialistas, diferente de 2017, quando se elegeu pela primeira vez aos 39 anos de idade, o centrista Macron adota um tom mais à direita no plano de governo para o segundo mandato. Entre suas propostas, está o adiamento da aposentadoria de 62 para 65 anos de idade. Outra promessa é a redução de 15 bilhões em impostos, metade para pessoa física e a outra metade para empresas. 

Macron também pretende fazer alterações no sistema de Renda Solidária Ativa (RSA), condicionando o benefício a horas de atividade profissional, e em contrapartida, promete pleno emprego em cinco anos. 

A seu favor, o atual presidente tem os bons números da alta do Produto Interno Bruto (PIB) francês, que alcançou 7% em 2021, sendo o maior número em 52 anos. Apesar da recessão de 8% em 2020, especialistas do Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos (Insee) ressaltam que a economia francesa ultrapassa os patamares que estava antes da crise sanitária mundial.

Outro dado positivo a favor do candidato à reeleição é a taxa de desemprego em 7,4%, um dos melhores patamares em 40 anos. Durante a pandemia, Macron abriu os cofres públicos para manter a população em casa e evitar falência das empresas. 

Apesar dos números, Macron é visto como o presidente dos ricos. O presidente retirou o Imposto sobre Fortunas (ISF) e o transformou em imposto sobre propriedade, para não assustar o empresariado e garantir crescimento, segundo ele mesmo. Opositores apontam que o centrista está desconectado da realidade. 

Com papel relevante nas negociações no conflito Rússia e Ucrânia, Emmanuel Macron tenta se colocar como um líder diplomático, confiável e que sabe gerir crises. 

 

Marine Le Pen (Reunião Nacional)

Tradicional líder da extrema-direita francesa, aos 53 anos de idade Le Pen vem para a disputa de sua terceira eleição. Em 2012 ficou em 3º lugar, em 2017 foi para o segundo turno e perdeu para Macron. Agora, segundo as pesquisas, ocupa o segundo lugar na preferência de voto dos franceses. 

Marine Le Pen - RN
Marine Le Pen - Reprodução Facebook

Nos últimos anos, Le Pen trabalhou para mudar a imagem de seu partido, marcado por discursos xenófobos e racistas. A candidata aposta em pautas envolvendo a segurança, como a presunção de legítima defesa para a polícia, em uma tentativa de proteger as forças policiais, que são acusadas com frequência de uso desproporcional da violência. 

Conhecida por discursos radicais relacionados a imigração, a candidata de extrema-direita defende o fim do reagrupamento familiar, que facilita a legalização de imigrantes que já tenham familiares no país. Le Pen também prega o endurecimento das regras para pedidos de naturalização e asilo, defendendo que sejam feitos apenas no exterior, impedindo que imigrantes clandestinos sejam regularizados. 

Le Pen tem feito um discurso enérgico, falando até em “erradicar”, as ideologias islâmicas e suas redes. Com posições contrárias ao bloco Europeu, a candidata tem alterado seu discurso, e evitado criticar a aliança, tendo falado apenas em uma possível alteração da moeda francesa. 

O programa de medidas da candidata visa aumentar o poder aquisitivo dos franceses, com melhorias nos salários e redução nos impostos sobre energia. Le Pen fala também em privatizar as estradas francesas para diminuir os preços dos pedágios, além de estatizar o sistema audiovisual francês, que hoje depende parcialmente de dinheiro público. 

Nesta eleição, Marine Le Pen tem a concorrência de Éric Zemmour na disputa dos votos mais radicais. Além disso, em 2014 Le Pen recebeu empréstimo de um banco russo para financiar as campanhas de 2017 e pode se complicar por isso. 

 

Jean-Luc Mélenchon (França Insubmissa)

Único representante da esquerda entre os 4 principais nomes, Mélenchon, de 70 anos de idade, é atualmente o terceiro colocado nas pesquisas eleitorais, e tem um discurso voltado para a “ruptura” do liberalismo econômico. O seu partido, França Insubmissa, tenta ocupar o lugar deixado pelo Partido Socialista no campo ideológico do país. 

Jean-Luc Mélenchon - França Insubmissa
Jean-Luc Mélenchon - Foto: Christophe Archambault / AFP

Chamado por seus apoiadores de “Melen-Show”, por sua capacidade retórica e poder de reunir multidões, o candidato de esquerda concentra suas propostas em temáticas sociais, como o acesso à educação e o custo de vida. Mélenchon prometeu congelar os preços de produtos, aumentar salários e fortalecer os serviços públicos.

No programa de governo, o candidato promete uma grande reforma fiscal, e prevê a volta do Imposto sobre Fortuna (ISF), tabelamento de preços de produtos de primeira necessidade, e o aumento do salário mínimo para 1.400 euros. Além disso, uma de suas principais propostas é a redução da idade mínima de aposentadoria para 60 anos, após 40 anos de contribuição.

O candidato de esquerda é bastante cobrado por não ter se posicionado de forma mais firme e clara, desde o começo, sobre o presidente russo Vladimir Putin. Apesar de estar em terceiro, o candidato do partido França Insubmissa tem chances reais de ir para o segundo turno, apostando em uma divisão de votos entre Marine Le Pen e Éric Zemmour. 

 

Éric Zemmour (Reconquista!)

Candidato da ultradireita, sendo considerado até mais radical que Marine Le Pen, Zemmour, de 63 anos de idade, é escritor, jornalista e comentarista político, já tendo participado de programas de televisão. De acordo com as pesquisas, é o 4º colocado nas intenções de voto dos franceses. 

Éric Zemmour - Reconquista
Éric Zemmour - Foto: Bertrand Guay / AFP

Apesar de experiente, o candidato é novato na política, e defende uma visão mais radical para o país, em conjunto com uma visão liberal para a economia. No início das pesquisas chegou a estar em segundo lugar, mas vem patinando nos últimos números divulgados. Filho de judeus da Argélia, tem uma retórica violenta, carregada de misoginia e um discurso contundente anti-imigração. 

Em janeiro deste ano, Zemmour foi condenado a uma multa de 10 mil euros por incitar ódio contra menores imigrantes. O caso aconteceu em 2020, quando durante um programa de televisão, Zemmour chamou os menores imigrantes de “ladrões”, “assassinos” e “estupradores”. O jornalista classificou o fluxo imigratório de “invasão permanente”.

No seu programa de governo, o candidato já chegou a falar em um ministério da “remigração”, e prometeu “fazer um milhão” de estrangeiros saírem do país em cinco anos. Zemmour aposta em críticas à candidata da direita tradicional Valérie Pécresse (Republicanos), e também ao atual presidente Emmanuel Macron. 

O candidato do Reconquista! também é o único presidenciável a defender a teoria de uma suposta “grande susbtituição”. A teoria prega que os europeus estão sendo substituídos aos poucos por imigrantes não europeus. 

Para Zemmour, a França é um país em decadência, e a civilização do país foi atacada pela influência dos mulçumanos, que conseguem isso pela falta de controle migratório. O extremista também já criticou o que chama de “feminização” da sociedade, e afirmou que crianças com deficiências sejam enviadas a “escolas especiais”.

Em 2020, disse que a Rússia era uma aliança mais confiável do que Alemanha, Estados Unidos e Reino Unido. 

 

A uma semana das eleições, conheça 8 dos 12 nomes na disputa à presidência na França
por
Luan Leão
|
03/04/2022 - 12h

No próximo domingo, 10/04, os franceses devem ir às urnas para escolher o novo presidente a comandar o país pelos próximos 5 anos. Atualmente no poder, o presidente Emmanuel Macron (A República Em Marcha) é líder nas pesquisas e concorre à reeleição. 

Vamos conhecer os 8 candidatos do “segundo pelotão” da disputa presidencial, de acordo com as pesquisas eleitorais.  

Valérie Pécresse (Republicanos)

É a candidata da direita moderada no país, e na mais recente pesquisa eleitoral divulgada aparece em 5º lugar.

Valérie Pécresse candidata Republicana
Válerie Pécresse - Foto: Christine Poujoulat / AFP

 

Pécresse pertence ao Republicanos, e venceu as primárias do partido com 61% dos votos. Aos 54 anos de idade, a candidata é a primeira mulher a representar o partido Republicano em uma eleição presidencial. 

O partido é o mesmo do ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, que governou a França de 2007 a 2012. Durante os governos de Sarkozy, Pécresse foi ministra do Ensino Superior e da Pesquisa, e também, ministra do Orçamento e Contas Públicas. 

Segundo aliados, Pécresse não tem como ponto forte o carisma, mas defende um projeto de firmeza em relação a segurança pública e imigração, e liberal na economia. 

“Tomarei controle da imigração”, disse a candidata em discurso de lançamento da candidatura 

 

Yannick Jadot (Verde)

Membro do parlamento Europeu desde 2009, Jadot tem 44 anos de idade, e é atualmente o 6º colocado nas pesquisas. Também já foi diretor de campanha do Greenpeace de 2002 a 2008. Recebeu a indicação do partido em uma disputa apertada nas primárias, tendo obtido 51,03% dos votos. 

Yannick Jadot candidato dos Verdes
Yannick Jadot - Foto: Geoffroy Van Der Hasselt / AFP

Em 2016, Jadot também foi o pré-candidato à presidência pelos Verdes, porém, temendo uma derrota da esquerda, e pregando uma união no bloco, o candidato dos Verdes abriu mão de sua candidatura em favor de Benoît Hamon, que a época era o nome apoiado pelo então presidente François Hollande. 

Pró-europeu e de linha pragmática, Jadot oferece um plano de governo que prioriza ações voltadas ao clima, e diz que “a batalha do clima é vital”. O candidato dos Verdes também é um crítico de Emmanuel Macron, pelo que ele chama de “inação climática”, além de dizer que Macron é “presidente dos lobbies”. 

“Jovens da França, não deixem ninguém decidir no seu lugar. Não deixem passar esta chance histórica de mudar as suas vidas. [...] Participem desta eleição com o seu entusiasmo. Juntem-se a nós, deem mais força para construir a república ecológica”, disse Jadot se dirigindo a juventude em um ato de campanha 

 

Fabian Russel (Partido Comunista)

Depois de apoiar as candidaturas de Jean-Luc Mélenchon em 2012 e 2017, o Partido Comunista decidiu lançar candidatura própria, está em 7º lugar, de acordo com a pesquisa eleitoral mais recente. O nome do partido é Fabian Russel, de 52 anos de idade. 

Fabian Roussel
Fabian Russel - Foto: Reprodução 

Mais radical, Russel promete triplicar o imposto sobre fortunas (ISF) e criar um posto para aqueles que lucraram com a crise sanitária ocasionada pela COVID-19. O candidato também tem em seu plano de governo o desejo de estatizar grandes empresas como a EDF energia, além de bancos e seguradoras. 

A diferença em seu plano de governo em relação aos candidatos de esquerda/extrema-esquerda está no apoio ao uso de energia nuclear. 

 

Jean Lassalle (Resistir!)

Fundador do partido em 2016, aos 66 anos de idade disputa sua segunda eleição. A primeira foi em 2017, tendo ficado em 7º lugar dentre os 11 candidatos. Lassalle fala em reconstruir um Estado Francês baseado no lema republicano: “Liberdade, igualdade e fraternidade”. Atualmente está em 8º lugar nas pesquisas eleitorais.

Jean Lassalle
Jean Lassalle - Foto: Lionel Bonaventure / AFP 

Em 2018, Lassalle esteve nos protestos à frente da Assembleia Nacional vestindo coletes amarelos, símbolo do movimento. As manifestações pararam o país, e o ato causou a suspensão da sessão. 

O candidato afirma ter “íntima experiência e conhecimento das instituições francesas”. Suas propostas são ousadas, entre essas medidas, Lassalle propõe realizar referendos de iniciativa cidadã, abolir a corte da Justiça da República integrando seus Ministros a justiça comum, baixar os impostos sobre os combustíveis e preparar a saída da França da Otan.

 

Anne Hidalgo (Partido Socialista)

A atual prefeita de Paris tem, aos 62 anos de idade, uma missão complicada nesta eleição. Apesar de contar com o apoio do ex-presidente francês François Hollande, a migração do eleitorado, por toda a Europa, para um voto mais a direita enfraqueceu os socialistas, que ocupam apenas o 9º lugar nas pesquisas de intenção de voto. 

Anne Hidalgo, prefeita de Paris
Anne Hidalgo - Foto: Julien Bouttellier / Lille News

Apesar de ter governado o país com Hollande de 2012 a 2017, o Partido Socialista vem enfrentando dificuldade de dialogar com os eleitores. Nas eleições de 2017, o candidato socialista Benoît Hamon sequer passou ao segundo turno. No atual pleito, Hidalgo luta para chegar a 2% nas intenções de voto. 

Eleita pela primeira vez para o cargo de prefeita da cidade de Paris em 2014, e tendo conseguido a reeleição em 2020, Hidalgo tem enfrentado problemas em sua gestão, o mais notório deles foi o movimento dos coletes amarelos em 2018. A prefeita de Paris também é criticada pela sujeira na cidade, e tem o desafio de preparar os Jogos Olímpicos de Paris em 2024. 

O seu plano de governo é baseado na transição ecológica, e o partido aposta no caráter combativo de Anne Hidalgo para conquistar os eleitores. 


Na disputa, mas com poucas chances… 

 

Philippe Poutou (Novo Partido Anticapitalista)

Contra a existência do cargo de presidente, o ex-operário de 55 anos de idade enfrenta abertamente os candidatos liberais. 

Phillippe Poutou
Phellippe Poutou - Foto: Facebook 

Poutou ataca constantemente a postura dos principais candidatos “da burguesia”, como Emmanuel Macron e a “racista e xenófoba” Marine Le Pen. Para o metalúrgico, os candidatos se aproveitam do sistema. 

O candidato é a favor de uma esquerda revolucionária, anti-imperialista e internacionalista, e confia de forma incisiva na força da classe trabalhadora, para que os capitalistas paguem pela crise. 

 

Nicolas Dupont-Aignan (A França de Pé)

Aos 61 anos de idade, esta é a terceira vez que Dupont-Aignan se lança à presidência. Funcionário público de carreira e deputado distrital por Essonne, é presidente de seu partido, que defende uma linha soberana e eurocética. 

Nicolas Dupont-Aignan
Nicolas Dupont-Aignan - Foto: AFP

O deputado defende a “independência da França” e pautas como a revisão de acordos em nível europeu. 

Ex-integrante da direita clássica francesa, Dupont-Aignan disse à imprensa na última segunda-feira (28) que “provavelmente” está liderando sua última campanha. 


 

Nathalie Arthaud (Luta Operária)

Considerada o principal nome desta ala da esquerda no país, Arthaud, de 52 anos de idade, é professora universitária na região metropolitana de Paris, e está disputando sua segunda eleição presidencial. Na primeira vez, em 2012, obteve 0,56% dos votos, cerca de 200 mil cédulas. 

Nathalie Arthaud
Nathalie Arthaud - Foto: Sebastien Bozon / AFP

Arthaud se apresenta como revolucionária e crítica a desigualdade social. 

“Se eu sou revolucionária e se eu quero mudar a sociedade é porque essa sociedade capitalista é ultraviolenta, é a violência social das desigualdades, é o fato de ver hoje essas riquezas acumuladas de um lado, as extravagâncias, este incrível luxo e do outro lado, as mulheres e os homens que dormem na rua”

 

Yan Boechat, jornalista da Band que foi à Ucrânia cobrir o conflito com a Rússia denuncia os riscos desse tipo de atuação dentro do campo
por
Fabrício Gracioso
Letícia Coimbra
Mariana Luccisano Coelho
Majoí Costa
|
31/03/2022 - 12h

A guerra entre Rússia e Ucrânia é um dos conflitos mais intensos e devastadores do século 21. Uma estimativa apontada pela ONU (Organização das Nações Unidas) diz que em um mês de guerra, completado no dia 24 de março de 2022, mais de 1.040 civis ucranianos morreram e mais de 1.600 ficaram feridos. Além disso, milhões de ucranianos já tiveram que deixar o país por conta da invasão russa. Diante disso, diversos jornais de vários países enviaram correspondentes (repórteres e fotógrafos), para fazerem a cobertura do conflito. Porém, devido a periculosidade da situação, ao menos seis profissionais vieram a falecer.

Em conversa com Yan Boechat, o fotógrafo e jornalista enviado pela Band e Voice of America para registrar o conflito, "conta que a guerra é um ambiente muito intenso e que na maioria dos casos os profissionais vão por conta própria e destaca o perigo de ir em zonas que não foram dominadas por ambos os lados do embate".

Segundo o fotógrafo, profissionais menos experientes tendem a cometer mais erros ou atitudes que os levam ao perigo e risco de vida. Como se trata de um conflito armado, o cuidado e a sensibilidade das ações dos repórteres devem ser muito maiores.

Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina, Boechat iniciou sua carreira escrevendo sobre política e economia. Depois disso seu trabalho em relações exteriores tomou forma e começou a cobrir conflitos em diversos países, já tendo passado pela Síria, Afeganistão, Líbano, Iraque, Egito, Venezuela e Tunísia.

De acordo com ele, o conflito mais marcante em seus 19 anos de experiência foi o primeiro: “Te marca mais. Eu fui para o Afeganistão em 2003 e foi muito impactante pra mim”. Boechat também enfatiza o valor da experiência, alegando que o profissional “vai aprendendo com os anos, cada conflito é diferente, vai aprendendo um pouco, tentando minimizar os riscos [...] é um processo lento, como qualquer coisa na vida”.

A motivação para cobrir um conflito armado é essencial e também deve ser comentada, até mesmo porque o risco de se realizar tal tarefa é enorme. Ao ser perguntado sobre isso, Boechat diz que sempre gostou de história e acha que o conflito é um momento definidor dela. “Os conflitos sempre vão definir o rumo de nossa história como sociedade e acho que é um privilégio estar ali, assistir essa história acontecer”, afirmou.

De acordo com o jornalista, depois de anos de experiência, o cinismo passa a ser uma característica cada vez mais marcante no seu dia a dia. “É triste, mas faz parte da vida. Ainda assim é ruim ver pessoas sendo vítimas de uma guerra que em geral não tem nada a ver com elas, são as mais prejudicadas[...] mas se isso te afetar demais você não consegue trabalhar”.

Após ser perguntado sobre os protocolos gerais que devem ser seguidos para realizar essa perigosa cobertura, Boechat dá mais detalhes a respeito: “Costuma ser cada um por si, mesmo com o apoio dos colegas, mas cada um atrás da sua história”. O jornalista deu destaque para a necessidade de planejamento, uma vez que aumenta a dificuldade de encontrar prestadores de serviços como motoristas e tradutores devido ao receio que os mesmos têm da guerra, resultando em um número pequeno de pessoas para auxiliar os jornalistas. Ainda apontou a relevância também do colete e os riscos minimizados por ele, mas diz que é melhor levar o próprio equipamento.

Além disso, Boechat ressalta o cuidado que, segundo ele, deve ser tomado ao entrevistar pessoas cujo cargo representa um poder elevado. “O jornalista precisa ter consciência de que ele é visto como um instrumento de propaganda, então você vai para lá e os caras vão querer te usar como propaganda para o que eles querem mostrar”.

Por fim, ele afirma que para executar esse trabalho, ter calma é essencial, porque o profissional “se coloca em risco e coloca as outras pessoas em risco, então se você se desesperar (outros jornalistas) não vão querer trabalhar com você, não é um ambiente fácil, tem bastante tensão”.