Movimento que começou nos subúrbios de Paris já reúne centenas de milhares de pessoas e mantém pressão sobre o governo
por
Rafael Jorge
|
03/11/2026 - 12h

A mobilização na França voltou às ruas no último sábado (24). Segundo o Ministério do Interior, 410 mil pessoas protestaram, 110 mil delas em Paris, número menor que o da semana anterior. A Confédération générale du travail (CGT) fala em 800 mil. Os manifestantes voltaram a pedir mais recursos para as escolas e medidas contra a alta dos preços, a convite de coletes amarelos e movimentos de estudantes. 

O governo aumentou o efetivo policial, e várias cidades tiveram proibições de manifestar ou toque de recolher. Segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez, as manifestações transcorreram bem, mas quase mil pessoas foram detidas, houve confrontos e saques em algumas cidades, e duas pessoas ficaram gravemente feridas, em Clermont-Ferrand e Toulouse.

Estudantes nas ruas em protesto contra as más condições de ensino
Estudantes franceses no ato do dia 17 de outubro. Foto: X/ Reprodução: @EllaGrand1681

O movimento nasceu em meados de setembro de 2026, quando estudantes do Lycée Saint-Exupéry, em Créteil, subúrbio de Paris, bloquearam a escola em protesto contra as condições precárias do ensino médio francês, salas superlotadas, calor e falta de professores.

O que parecia um ato isolado se espalhou. Em 29 de setembro, a Union Syndicale Lycéenne (USL), organização que representa os estudantes de ensino médio, e a União Estudantil disseram que 400 escolas e cerca de dez universidades estavam bloqueadas. Em 1º de outubro, as universidades ganharam peso, com 29 campi bloqueados, segundo a União Estudantil, e o movimento deixou de ser apenas de ensino médio. Em 6 de outubro, o Ministério do Interior contou 256 mil manifestantes, e os sindicatos, 450 mil. 

Os estudantes querem um plano de emergência para reformar prédios escolares e universitários em mau estado e mais professores contratados em definitivo, e não por contratos temporários. Pedem também o fim da seleção do Parcoursup, sistema que decide quem entra em cada curso superior, e 150 mil vagas a mais nas universidades.

Em 4 de outubro, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu apresentou cinco prioridades, como resolver o problema de professores que se afastam por longos períodos e não são substituídos. Em 8 de outubro, o ministro da Educação, Édouard Geffray, anunciou na TV um plano de emergência com 3 mil professores substitutos, que seriam enviados às escolas em pior situação. Sindicatos criticaram a medida como solução de última hora. Para os estudantes, não bastou, eles dizem ter recebido apenas “migalhas”. 

Os protestos continuaram no dia 13 de outubro. Segundo os sindicatos de estudantes, aproximadamente 480 mil pessoas participaram, e o Ministério do Interior aponta cerca de 161 mil. Para os jovens, o centro do movimento está na crise cotidiana das escolas, aulas canceladas por falta de professores, turmas cheias, prédios sem estrutura, jornadas longas e falta de profissionais de saúde e assistência. O ato marcou a quarta semana consecutiva de protestos e contou com a presença da ativista sueca Greta Thunberg.

Greta esteve em frente a escola Paul-Éluard, em Saint-Denis, onde cerca de vinte advogados formaram uma corrente humana para proteger os estudantes de possíveis violências policiais, segundo a AFP. “Os jovens não estão sendo incluídos na conversa, nosso futuro está sendo roubado de nós”, disse Thunberg  à agência.

No fim de semana seguinte, o protesto dos estudantes se juntou à revolta da população contra o custo de vida e reuniu pessoas de todos os perfis. Segundo o Ministério do Interior, 550 mil pessoas foram às ruas na França, 110 mil delas em Paris, os organizadores falam em 800 mil. O dia terminou com saques, depredações e ao menos 1.800 detidos, segundo balanço divulgado pela imprensa francesa. 

O ato foi convocado pelos "coletes amarelos", movimento sem líderes que tomou as ruas em 2018 contra o aumento do preço dos combustíveis. Desta vez, a pauta foi o poder de compra e mais recursos para os estudantes. Alunos de ensino médio, universitários, coletes amarelos, ativistas do clima, sindicalistas e milhares de famílias tomaram as ruas. 

Movimento dos coletes amarelos nos protestos contra o custo de vida
Coletes Amarelos no ato do dia 24 de outubro de 2026. Foto: X/ Reprodução: @jmusulmans2

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, atribuiu os ataques a prédios públicos e delegacias a grupos da “extrema esquerda radical”. Em Saint-Étienne, um manifestante de 17 anos teve a mão arrancada, e a Inspeção-Geral da Polícia Nacional (IGPN) investiga o caso. 

Em um pronunciamento de cerca de nove minutos, na noite do dia 18, o presidente Emmanuel Macron disse que o país sentia “raiva e vergonha” pela violência. Ele afirmou que quem destruiu deve pagar e quem saqueou deve devolver. Prometeu ainda que o governo será rígido com os responsáveis, e que diálogo não significa fraqueza nem impunidade. Ao mesmo tempo, procurou não culpar os jovens. Disse entender os estudantes e pediu para não confundir manifestantes com reivindicações legítimas com os que destruíram patrimônio. 

O discurso foi alvo de críticas. A Public Sénat observou que o governo parece ter subestimado a raiva e os possíveis excessos do sábado. Na noite seguinte, Paris viveu novas tensões, em especial perto da Praça da República. 

Presidente Macron em Marseille depois das manifestações de 17 de outubro
Macron em Marseille depois dos atos de 17 de outubro/ Foto: Instagram/ Reprodução: @emmanuelmacron

Na quarta-feira (21), o primeiro-ministro Sébastien Lecornu recebeu os sindicatos em Matignon, mas sem os representantes dos estudantes, embora a CGT tenha pedido a presença deles. Lecornu disse que trataria das respostas às reivindicações sobre horários, substituições, reforma de prédios e Parcoursup, e prometeu respostas aos estudantes no início da semana seguinte.

 

Marcas europeias dão o nome no maior salão do automóvel do continente, que mais uma vez registrou grande presença de marcas chinesas
por
Vítor Nhoatto
|
23/10/2026 - 12h

A feira automotiva mais antiga do mundo voltou a Porte de Versailles, em Paris, na França e acontece entre os dias 12 e 18 de outubro. O Mondial de l’Auto 2026 levou mais de meio milhão de pessoas para a bienal, que mostra ter recuperado o seu brilho com grande adesão das marcas europeias, enquanto o crescimento das chinesas continuou.

Na edição passada 41 montadoras compareceram e desta vez foram 43. Algumas com retornos expressivos como Fiat e Mercedes. Experiências interativas, test-drives e mais de cem expositores completaram o evento, que teve a questão da eletrificação como foco novamente, o que inevitavelmente reflete o contexto geopolítico e os desafios econômicos e ambientais atuais.

O setor tem se recuperado após dificuldades na pandemia e em grande parte pela chegada das chinesas ao continente com preços muito competitivos. Para se ter uma ideia, a participação de mercado delas foi de 4,9% em 2025, e a porcentagem de carros feitos na China vendidos na Europa superou a dos veículos fabricados na Turquia, no Japão e no Reino Unido, segundo dados da JATO Dynamics. A resistência europeia ainda existe, principalmente na Alemanha, maior produtora e mercado no continente, mas a questão preocupa.

Em 2024, foram aprovadas taxas de importação de até 35% sobre os 10% padrão nos carros elétricos chineses, e a União Europeia estuda limitar a 350 mil híbridos plug-in (PHEV) do país por ano. O presidente francês Emmanuel Macron compareceu pela última vez ao Paris Motor Show e, em meio a tumultuosos protestos pela França, para advogar justamente pela preferência europeia aos chineses. Além disso, o bloco busca aprovar a criação de uma nova categoria na legislação para subsidiar elétricos produzidos nos países membros. 

Resposta europeia conceitual

Nesse sentido, as marcas europeias voltaram com força ao Salão de Paris buscando referências de suas histórias, e o Grupo Stellantis chamou a atenção com oito carros-conceito. Emanuele Cappellano, Diretor de Operações (COO) do conglomerado para a região da Europa ampliada, destacou que “quer aproveitar ao máximo a vantagem competitiva proporcionada pela singularidade de suas marcas icônicas, oferecendo carros que, ao mesmo tempo, estão enraizados em sua herança e voltados para o futuro.”

A principal aposta do grupo é o novo Citroën 2CV, uma releitura do icônico modelo do século passado, seguindo a tendência de sucesso adotada pela rival Renault com os novos R5, R4 e o rival direto, Twingo. A Citroën promete que o modelo de produção custará a partir de 15 mil euros e será fabricado na Itália. 

1
Compacto francês deve chegar ao mercado em 2028, com preço acessível e design carismático. Foto: Divulgação/Stellantis

 

Falando do país, a Fiat retornou a Paris depois de dez anos, e apresentou o conceito Multiplay, que prevê o próximo modelo da marca na Europa, um SUV do segmento C com a funcionalidade das minivans dos anos 2000. Além disso, a italiana mostrou o Multiplina, basicamente a versão de quatro lugares do quadriciclo elétrico Topolino.

Outro retorno ao evento foi a francesa DS, marca premium do grupo que, desde a separação da Citroën em 2015, sofre para conquistar uma fatia em meio a Audi, BMW e Mercedes. A marca apresentou o F3VER, prevendo a próxima geração do DS3, inclusive buscando inspiração nas lanternas traseiras da primeira geração do modelo, de 2009, e que seguindo a nova nomenclatura inspirada em perfumes franceses, se chamará Nº3. 

Rival da DS, a Alfa Romeo chamou a atenção com o conceito Cuorerosso, um sedã que antecipa a direção de design da italiana, mantendo a filosofia de beleza necessária e conexão emocional entre motorista e máquina. No entanto, a marca possui apenas três modelos à venda, sendo dois com uma década de mercado, Giulia e Stelvio, com a nova geração deles com futuro incerto após sucessivos atrasos, e nenhum lançamento há dois anos. 

Seguindo a linha da esportividade e do resgate do passado, a Peugeot apresentou o RCZ Vision, um esportivo elétrico sucessor do cupê dos anos 2010. Além disso, a francesa surpreendeu com o E-T16, conceito que antecipa o próximo 208 e resgata elementos da lenda do rally, o 205 Turbo de 1985. A nova geração do B-hatch estreará o volante Hypersquare, retangular, e promete ser o primeiro do segmento com o sistema steer-by-wire, sem ligação mecânica entre volante e rodas.

2
Peugeot E-T16 resgata o passado da marca para os futuros Peugeot 208 e 2008. Foto: Divulgação/Stellantis

 

A Stellantis ainda mostrou o Opel STX Concept, que indica a direção que a marca alemã seguirá e chama a atenção por ser um Station Wagon, carroceria que praticamente desapareceu com a ascensão dos SUVs. 

Nessa mesma linha de apostar em receitas diferentes, mas agora no Grupo Renault, a francesa mostrou o E-Space, uma minivan que resgata a história do modelo que se transformou em um SUV de sete lugares. Elétrico e com visual retrô, não foi confirmado se será produzido, mas comprova que a marca segue com a estratégia de reviver ícones do passado, que vêm sendo referência na indústria europeia pelo sucesso de vendas do R5 e Twingo E-Tech. 

O grupo ainda levou a Alpine para o Porte de Versailles, com o concept A310, que busca explorar o passado da marca esportiva com grande presença em competições. Chama a atenção que Nissan e Mitsubishi, apesar de também pertencerem ao grupo e terem um grande legado no esporte mundial, mais uma vez estiveram ausentes e enfrentam dificuldades financeiras. 

Expansão chinesa continua

Diferente das donas da casa, o destaque das chinesas foi com modelos de produção que prometem ser inclusive fabricados no bloco em alguns anos para escapar das tarifas. A parceira estratégica da Stellantis, a Leapmotor, apresentou três novos modelos. 

Após a ofensiva nos segmentos D e C, agora a chinesa aposta no segmento B. O evento foi palco do primeiro contato do público com o SUV B03X. Com porte de Volkswagen ID.Cross e até 401 km de autonomia, chega custando cerca de 24 mil euros, 4 mil a menos que o alemão. A marca apresentou também o B03, versão hatch do B03X, visando bater de frente com o Renault R5 e o Volkswagen ID.Polo. Ambos os modelos devem chegar ao Brasil em breve. 

A recém-chegada Changan também acelera na conquista do continente europeu, apresentando o SUV CS55, lançado em setembro por aqui, e os modelos de luxo da Avatr. Mas o destaque da ofensiva é o lançamento da Deepal e da NEVO em Paris. A primeira é uma marca com apelo esportivo e premium, com os SUVs elétricos ou híbridos plug-in S07 e S05, dos segmentos D e C, respectivamente. Já a Nevo apresentou o Q05, com 4,43 m de comprimento, elétrico ou PHEV, com mais de um milhão de vendas na China e com chegada prevista para o início de 2027. Um degrau acima estará o Q06, ainda em homologação. 

3
Grupo chinês já opera no Reino Unido, e agora avança para a União Europeia. Foto: Divulgação/Changan Global

 

O Grupo Chery revelou o Tiggo 4 para a Europa, que irá no próximo ano completar a linha de SUVs por lá, com conjunto híbrido pleno (HEV) com foco em economia e tecnologia. Além disso, a marca apresentou pela primeira vez fora da China o novo Q, um hatch elétrico do segmento B de última geração, levado para avaliar a recepção do público europeu ao modelo. Paris também foi o palco do novo Omoda 4, apresentado na China no começo do ano, e com grandes expectativas de ser o próximo lançamento da marca no Brasil. Com um visual afiado, tem botão de partida com tampa protetora ao estilo Lamborghini, e opção HEV e elétrica. 

Seguindo o plano de expansão na Europa, a vice-presidente da BYD revelou planos de construção de duas novas fábricas em solo europeu, na França e Espanha, se juntando à unidade na Hungria, com produção em massa prevista para começar ainda este ano. A marca lançou também o elétrico Atto 8, o primeiro com a segunda geração da bateria Blade e sistema Flash Charging, com recarga de até 1.500 kW, o que se traduz em 10 a 97% em apenas nove minutos. 

O salão também foi palco para a estreia de duas novas chinesas, Forthing e Li Auto. A primeira faz parte do grupo Dongfeng, que estreou no Brasil em agosto no Festival Interlagos. Para Paris, o conglomerado que estuda uma parceria com a Stellantis aos moldes de Leapmotor, apresentou a marca Forthing e os modelos TK5 e TK7. O primeiro se trata de um SUV médio e o segundo, curiosamente, é uma minivan, ambos elétricos ou híbridos plug-in. Estava presente também a van V9, e planos de uma planta de produção em solo europeu já no início de 2027 foram anunciados. Já a Li Auto levou o seu SUV com ares de minivan, i6, com previsão de lançamento no ano que vem.

4
Dongfeng esteve presente nas edições 2023 e 2025 do Salão de Munique, e na edição passada do Paris Motor Show. Foto: Divulgação/Forthing

 

Geely e GAC usaram o evento para fortalecer sua chegada na Europa com os modelos já conhecidos pelos brasileiros. De novidade, a primeira apresentou globalmente o Monjaro EM-i, um D-SUV híbrido plug-in que, apesar do nome curioso, oferece muito espaço e conforto como modelo topo de linha na Europa. Já a segunda revelou o inédito Aion UT Cross, versão aventureira do hatch elétrico.

Chamaram a atenção em Paris ainda as chinesas Aito e Xpeng. A primeira é a marca de luxo do grupo SERES e parceira da gigante de tecnologia Huawei, que também esteve presente em 2024, mas ainda não deslanchou no continente. Já a Xpeng fortalece a ofensiva com a chegada do SUV cupê elétrico ou híbrido L03. Após marcar presença na edição passada do evento e nos dois últimos Salões de Munique, agora aposta em um modelo do segmento D, rival do Tesla Model Y, com 520 km de autonomia, tecnologia de ponta e por cerca de 35 mil euros. 

Lançamentos de produção

Como resposta às chinesas, as marcas tradicionais também aproveitaram o Salão de Paris para mostrar importantes modelos de produção para o futuro da indústria europeia. A Stellantis mostrou os novos Fiat Grizzly e Grizzly Fastback. Como o nome do segundo sugere, eles devem substituir o Fastback atual no Brasil e provavelmente o Pulse. 

O estilo segue o do Grande Panda, que será lançado no Brasil ainda este ano como Argo X. Terá versões a gasolina, híbrida leve (MHEV) e elétrica, e usa a versão simplificada da plataforma e-CMP chamada de Smart Car, desenvolvida em parceria com a indiana Tata.

A coreana Hyundai foi a única asiática não chinesa que apresentou grandes lançamentos neste ano: a segunda geração do SUV Bayon, e a quinta geração do Tucson. O primeiro é um SUV compacto baseado no novo i20 já vendido no Brasil, mas ainda em adequação para o mercado europeu. Ele possui exatamente o mesmo interior do hatch, mas é 11 centímetros mais comprido e seis mais alto, e conta com motorização micro-híbrida por lá, além de futuramente um sistema HEV. Já o Tucson muda completamente em relação à geração atual, que nunca foi vendida no Brasil. Ele continuará contando com opções MHEV, HEV e PHEV, além de um entre-eixos menor que o da versão global, como já adotado pelo atual e pelo Kia Sportage.

5
Bayon segue a linguagem de design “Steel of Art”, seguindo a linha do novo Tucson. Foto: Divulgação/Hyundai Group

 

O Grupo Volkswagen vive um momento delicado e levou a sua mais nova aposta para Paris. Após atrasar a nova plataforma elétrica para médios do grupo para 2029, e ter vendas aquém do esperado de seus primeiros elétricos, ID.3, ID.4 e ID.5, a alemã reviu a sua estratégia. Em vez de lançar uma reestilização para os dois últimos, fez mudanças profundas no design, no interior e na nomenclatura. Conforme defendido no Salão de Munique de 2023, o legado das marcas é visto como a principal chave para conquistar os compradores com a chegada dos chineses, e com o sucesso da Renault ao resgatar nomes lendários, a Volkswagen lançou o ID.Tiguan.  

Essencialmente, o modelo é o velho e descontinuado ID.4, recém-lançado no Brasil, com mesma plataforma, bateria e motor. Porém, o exterior é menos arredondado e mais em linha com o Tiguan a combustão, e o interior é completamente novo, sanando o problema da falta de comandos físicos, telas pequenas e acabamento duvidoso. 

Falando em acessibilidade e legado, Paris marcou o retorno de um ícone, o smart #2. Lançado no Paris Motor Show em 1998 como Fortwo, havia sido descontinuado em 2024, e retorna em 2026 mantendo a filosofia de ser realmente pequeno, funcional e divertido. O preço deve começar em 20 mil euros, e a bateria de 35 kW consegue uma autonomia de 290 km para o pequeno com 2,76 de comprimento.

6
Primeiras entregas do novo smart #2 começam já este ano em alguns países europeus. Foto: Divulgação/smart

O novo smart será fabricado na China e foi desenvolvido em parceria com a Geely, e reflete bem o momento que a indústria automotiva mundial vive. A produção do #2 em solo europeu não foi descartada, mas a empresa disse que isso teria atrasado seu lançamento em um a dois anos. Ou seja, mesmo que europeias, a colaboração com a China não parece mais opcional, e o tempo mostrará se os conceitos das marcas tradicionais conseguirão chegar a tempo dos chineses de agora.

Colapso glacial gera evento sísmico que destrói estruturas do país e deixa 1.445 mortos e 5.285 desaparecidos; enxurrada do monte Langtang Lirung chega a 180 km/h e atinge Tibete
por
João Barbosa
Manuela Abbate
|
22/10/2026 - 12h

Nas últimas semanas, uma série de tragédias ambientais atingiram terrenos asiáticos. Casos de enchentes na região da cadeia montanhosa Hindu Kush-Himalaia causaram estrago na estrutura local e um número alto de óbitos e desaparecidos. Os acidentes são recorrentes e refletem a circunstância das mudanças climáticas que oferecem alto risco a esse tipo de território.

Em 26 de agosto, houve o primeiro grande deslizamento no monte Langtang Lirung. A queda dos detritos gerou uma avalanche que chegou ao vale do rio Lhende Khola, devastando mais de 40 km de rodovias, 70 pontes e 12 hidrelétricas na região. Ao chegar ao solo, os resíduos causaram um tremor sísmico de magnitude 5,2, agravando o desastre.

Houve dois deslizamentos graves desde o ocorrido em agosto, um em 27 de setembro e outro no último domingo (10). Esse atingiu a Índia, deixando 56 mortos.

No momento, 49 dos 77 distritos do Nepal estão em alerta quanto as chuvas. O desastre danificou as fibras ópticas da área, deixando os distritos de Manang, Mustang, Myagdi e Baglung sem energia.

Ao total, foi calculado pelas autoridades do país que a recuperação custará de 4 a 5 bilhões de dólares.

Quanto as vítimas do desastre, apenas 105 corpos foram identificados e retornados aos familiares. As autoridades nepalesas criaram um cemitério temporário no distrito de Chitwan, onde enterraram em vala comum um número não divulgado de corpos não identificados.

O fenômeno

O colapso glacial consiste na fragilização e o desabamento de geleiras. Durante o deslizamento, o gelo acumula outros sedimentos e detritos, podendo gerar uma avalanche.

Os deslizamentos são esperados durante o verão na Ásia do Sul visto que as chuvas nesse período são intensas. Esse processo é chamado de chuvas de monções. Elas ocorrem quando os ventos da região mudam a trajetória, transportando o ar mais umido do oceano Índico para o continente. Devido as cadeias montanhosas da região, o Himalaia e a Caxemira, as nuvens carregadas não se dispersam, intensificando a precipitação.

mapa que mostra a Índia, Nepal e a região do Tibete na China
Mapa da região, mostrando a fronteira entre o Nepal e o Tibete | Reprodução: Google Earth

É importante pontuar que as mudanças climáticas exercem um papel nessa progressão de eventos. O aumento da temperatura global torna os colapsos glaciais e as precipitações mais frequentes. Em entrevista a Reuters, o cientista Terra Dan Shugar comentou “Algumas das geleiras do vale estavam cobertas de neve ontem e hoje estão, em sua maioria, com o gelo à mostra. Portanto, em outras palavras (e ainda não vi nenhum dado de estações meteorológicas), provavelmente estava quente”, indicando que uma grande quantidade de neve derreteu no dia que precedeu o desastre.

O reflexo no futuro

A longo prazo, o panorama da região tende a seguir o caminho que se perpetua hoje. As variações na precipitação são uma questão de tamanho mundial, o ciclo hídrico do planeta é desregulado pelas mudanças climáticas. Em pesquisas realizadas pelo Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento do Nepal no ano de 2023, a professora Shankar Shrestha prevee um aumento de 72% na intensidade diária de chuvas no Nepal pelos próximos anos. Simultaneamente, a perspectiva é de aumentos nas áreas de derretimento. Dados de um levantamento da ONU (Organização das Nações Unidas) apontam que as montanhas nevadas da região perderam cerca de um terço do gelo total, com tendências a aumento crítico no processo.

Em entrevista a AGEMT, o jornalista especializado em divulgação científica Ulisses Capozoli comenta sobre as predisposições do território nepalês: “O Nepal é uma região de choque de placa tectônica, então é de se esperar esse tipo de coisa. A questão é fazer uma análise incluindo dados de processos naturais, para ter um perfil do que está acontecendo. O que está acontecendo é compatível com um planeta que tem uma população crescente e tem um padrão de energia que muda o ambiente”

A interferência humana no comportamento natural do meio ambiente tem implicações diretas na própria existência da sociedade. No caso da parcela do Nepal afetada pelos desastres, a maioria populacional é de baixa renda, que depende da área para o funcionamento local. Por conta dos desastres, hoje esses residentes estão considerados em situação de risco.

Estudos realizados pela IFC (International Finance Corporation), apresentam a progressão do número de pessoas afetadas por enchentes oriundas de mudanças climáticas no Nepal nos ultimos anos. Em 2010, o número foi de aproximadamente 157 mil, enquanto em 2030, o número está previsto para alcançar os 350 mil.

 

 

 

Presidente dos EUA ameaça Irã, Cuba e México, anuncia acordo com a Groenlândia e defende renomear IA como "superinteligência"
por
Sofia Martins
|
25/09/2026 - 12h

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursou na terça-feira (22) na 81ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) em Nova York.  O mandatário iniciou seu discurso de 37 minutos com a frase “America is back” (América está de volta).  

O político apontou, o que classificou, como “melhorias históricas” na economia, segurança pública e força militar dos EUA. Além disso, reforçou ameaças ao Irã, relações com o território venezuelano e enfatizou o poder e o cuidado com as Inteligências Artificiais, chamadas por Trump de “super-inteligências”. O líder norte-americano falou após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O brasileiro abriu a reunião, como  é tradição nas assembleias da organização desde 1955. 

Trump também deu destaque às conquistas econômicas, por recordes na bolsa de valores americana, argumentou que empresas estavam investindo nos Estados Unidos “mais do que já aconteceu em qualquer momento e em qualquer lugar do mundo” durante seu ano de governo e declarou o valor de US$ 21 trilhões em investimentos estrangeiros. Entretanto, segundo relatórios da Casa Branca, esse valor seria quase o dobro do total contabilizado e declarado. De acordo com informações divulgadas no site “Trump Effect List” (Lista de Efeitos de Trump), iniciativa da administração de Donald Trump que reúne anúncios de grandes investimentos corporativos e industriais nos Estados Unidos, o montante de investimentos estrangeiros chega aos US$9,6 trilhões.

Ao se referir aos avanços do território norte americano, ele enfatizou  ter transformado a fronteira dos Estados Unidos  de mais perigosa para mais segura da história do país, informando que nos últimos 16 meses, nenhum imigrante irregular teria sido admitido no país. Durante o discurso, os números apresentados por Trump  para indicar o desenvolvimento do país foram baseados em dados inconsistentes. 

Além disso, Trump disse ter agido para evitar que os EUA, ou qualquer outra nação presente no plenário, tivessem que enfrentar o que chamou de um "pesadelo" nuclear vindo do Irã, e se colocou como defensor não só dos Estados Unidos, mas de toda comunidade internacional reunida na assembleia. O conflito com o país persa, iniciado unilateralmente por Estados Unidos e Israel, tem como um dos pontos de tensão o programa nuclear iraniano.

O presidente ainda chamou a liderança iraniana de fraca e desesperada e afirmou esperar um acordo logo após as eleições. A fala do presidente norte-americano ocorre em meio a um conflito real e prolongado, quase sete meses de guerra, e segundo o fact-check do PBS/PolitiFact, em um momento de desgaste da opinião pública americana com o impacto do conflito nos preços de combustível. 

O político afirmou estar diante de uma decisão histórica: de um lado, poderia optar por um acordo que permitiria ao Irã reconstruir sua economia e se consolidar como “talvez uma das maiores potências do Oriente Médio”. Por outro lado, advertiu que, caso o acordo não fosse alcançado, o país poderia sofrer uma ação militar capaz de “aniquilar rapidamente a nação iraniana”.

Trump mencionou também ter sancionado, uma nova lei que lhe dá amplos poderes tarifários, ferramenta que disse estar pronto a usar para pressionar pelo fim da guerra entre Rússia e Ucrânia, classificada por ele como uma "guerra desastrosa" que mata milhares de pessoas por mês.

A invasão realizada pelas forças armadas dos EUA no mês de janeiro a Caracas, capital da Venezuela, também foi lembrada por Trump durante seu discurso: “conseguimos pegar o criminoso, fora da lei, Nicolás Maduro”. O líder norte-americano afirmou que diversos venezuelanos que foram presos erroneamente, deixaram as prisões e que a nação venezuelana festejou após a operação americana. 

Apesar de existir uma parte da população venezuelana que concorda com a operação comandada por Trump, segundo a checagem de fatos da agência Lupa, muitos dos relatos de comemoração da nação venezuelana são falsos. A maioria dos vídeos de comemoração foram gerados por IA ou de protestos anteriores à queda de Maduro. 

A intervenção militar estrangeira armada gerou profundo desespero, apagões e medo na população de Caracas durante os bombardeios. Além disso, houve baixas militares locais e protestos de apoiadores do regime chavista. Sobre os que foram detidos erroneamente, segundo o Foro Penal da Venezuela, após a segunda rodada de diálogos mediada pelos EUA, o balanço registrou a soltura recente de dezenas de detidos. Entretanto, restam 324 pessoas que permanecem presas. A demografia detalhada aponta 310 homens, 14 mulheres, sendo 184 civis e 140 militares.

O chefe da Casa Branca também anunciou o maior acordo de petróleo da história, contando com 65 bilhões de barris de petróleo, que, segundo ele, trará benefícios para o povo norte-americano e venezuelano. “Quando somamos a Venezuela e os Estados Unidos, temos mais de 60% do petróleo do mundo”, afirmou ele.

81a Assembleia Geral da ONU em Nova York
Trump discursa na 81ª Assembleia Geral da ONU - Daniel Torok/Divulgação Casa Branca

Trump abordou a segurança regional na América Latina, concentrando parte de sua fala no México. O presidente norte-americano classificou os cartéis de drogas como organizações terroristas estrangeiras e definiu o México como o “epicentro da violência dos cartéis”, fazendo cobranças diretas ao governo mexicano.

Apesar de afirmar boas relações com o país, ele também declarou que “o México precisa retomar o controle sobre seu território” e comparou os cartéis ao Estado Islâmico no Hemisfério Ocidental. “Eles são inimigos em guerra com a civilização, usando assassinato, estupro, extorsão e táticas de terrorismo. Eles devem ser assassinados, eliminados ou presos sem a possibilidade de serem soltos”, argumentou o político.

Ao mencionar Cuba, Trump descreveu o regime como “Estado fracassado” sob a maior pressão de sua história, que “vai cair”. Ele também alegou que Marco Rubio, Secretário de Estado dos EUA, está profundamente envolvido com as negociações sobre o país. 

A situação de Cuba se agravou com o aumento das medidas impostas pelos Estados Unidos, desde janeiro,  que ampliou as restrições contra a ilha, interrompeu o envio de petróleo venezuelano e ameaçou  aplicar tarifas a países que mantivessem relações comerciais com o governo cubano. Após a fala de Donald Trump sobre o país, durante a Assembleia Geral, a delegação de Cuba abandonou a sessão. 

O discurso contou com o anúncio do presidente de que, há poucos dias, os Estados Unidos fecharam um acordo sem precedentes envolvendo a Groenlândia – território dinamarquês – para que esse  fizesse parte da esfera de defesa direta dos EUA. 

Segundo o político, o acordo foi firmado com o Reino da Dinamarca e com representantes do próprio povo groenlandês, que concordaram em atribuir  aos Estados Unidos controle "permanente" sobre a segurança e "todas as demais necessidades" no território. 

Ele encerra o trecho dizendo que isso dará aos EUA capacidade plena para "defender o continente americano, a Europa e outras regiões" a partir dali, elevando a Groenlândia de posse estratégica pontual a peça central da defesa ocidental. 

A Groenlândia é uma área de interesse dos Estados Unidos por ser um território com terras raras, gás e petróleo mais acessíveis, recursos essenciais para produção de tecnologias avançadas. Além disso, a ilha possui uma localização estratégica, servindo como ponto de contenção de mísseis hipersônicos que poderiam atingir os EUA pelo norte. 

Durante seu discurso, Trump comentou que a ONU tem potencial enorme, mas que a organização precisa deixar de impor o que chamou de "agenda de extrema-esquerda de burocratas globalistas que ninguém jamais elegeu". 

Como exemplo, citou uma intervenção do seu governo no ano anterior para impedir que a Organização Marítima Internacional, agência ligada à ONU, criasse um imposto global sobre carbono no transporte marítimo. 

Trump ampliou ainda críticas aos organismos de direitos humanos da ONU. “É inaceitável que, com todas as atrocidades que acontecem no mundo, a ONU tenha autoridades de direitos humanos criticando os EUA por protegermos nossas crianças contra a mutilação de pessoas transgêneras e forçando nossas leis de imigração”, afirmou o presidente. 

Ao mesmo tempo, ele afirmou que cristãos são perseguidos “constantemente”. A declaração foi usada para criticar o que ele considera ser o silêncio da ONU diante dessas perseguições, em contraste com a atenção dada, segundo ele, a questões internas dos Estados Unidos. 

A mesma crítica apareceu quando Trump falou sobre a Unesco. O presidente questionou a atuação da agência, criada para preservar o patrimônio cultural e histórico, e afirmou que ela estaria “destruindo a cultura, a herança e a história”. Com a declaração, Trump reforçou sua crítica às instituições multilaterais, que, segundo ele, estariam se afastando de suas funções originais.

No final do discurso, Trump afirmou que os Estados Unidos "rejeitam totalmente" qualquer tentativa de criar o que chamou de um "esquema globalista" para controlar o desenvolvimento da inteligência artificial. Ele anunciou que, a partir daquele momento, os documentos oficiais do governo norte-americano passarão a usar o termo "superinteligência", ou "SI", no lugar de "inteligência artificial". Como justificativa, disse que a palavra "artificial" faz a tecnologia parecer falsa.

Trump finalizou afirmando que os Estados Unidos lideram a corrida desenvolvimentista da IA à frente da China, e classificou como pertencentes a um mesmo grupo os críticos do avanço da IA e aqueles que, segundo ele, alertaram anteriormente sobre aquecimento global e sobre supostas interferências russas nas eleições americanas.

Após 25 anos, a tragédia que mudou o rumo dos Estados Unidos ainda deixa marcas na sociedade e nas relações internacionais
por
Vitória Teles
|
17/09/2026 - 12h

Há 25 anos, em 11 de setembro de 2001, Nova York vivenciava o maior ataque terrorista da história, quando quatro aviões comerciais foram sequestrados por jihadistas e atirados contra as Torres Gêmeas do World Trade Center e o prédio do Pentágono. O último avião, acreditava-se que estivesse rumo à Casa Branca ou ao Capitólio, caiu na Pensilvânia, após os passageiros terem tomado controle do avião, desviando sua rota e fazendo com que ele não chegasse ao destino final.

O evento matou 2.997 pessoas, além dos 19 sequestradores, foi o mais mortal da história do país e permanece vivo na memória dos estadunidenses. O atentado representou um trauma nacional que mudou a forma como os Estados Unidos enxergavam sua segurança, política externa e cotidiano.

O mundo inteiro também acompanhou em tempo real pela transmissão de canais de notícias. Milhões de pessoas viram o segundo avião atingir a torre sul do World Trade Center. As imagens foram repetidas inúmeras vezes na televisão por dias, meses e anos seguintes.

As Torres Gêmeas sendo atingidas em Nova York, em 11 de setembro de 2001. Foto: Robert J. Fisch/Wikimedia Commons.
As Torres Gêmeas sendo atingidas em Nova York, em 11 de setembro de 2001. Foto: Robert J. Fisch/Wikimedia Commons. 

 

O atentado demonstrou como terroristas podem usar meios civis, como aviões comerciais, para cometer crimes, isso levou governos de todo o mundo a rever seus sistemas de segurança. Alguns sistemas mudaram drasticamente após o ataque. Os aeroportos passaram a ter controles mais rígidos, com inspeções mais rigorosas de passageiros e bagagens.

Além disso, os Estados Unidos criaram a Transportation Security Administration (TSA), para assumir a segurança aeroportuária. Novas leis antiterrorismo surgiram durante esse período, como a USA Patriot Act, criação da TSA, sancionada em 2001 para monitorar comunicações telefônicas e eletrônicas de suspeitos.

A motivação por trás dos ataques de 11 de setembro de 2001 estava ligada principalmente à ideologia da organização terrorista Al-Qaeda, liderada por Osama bin Laden. Segundo a declaração do próprio grupo, as motivações incluíam a presença militar dos Estados Unidos na Arábia Saudita, considerada por Bin Laden uma profanação de locais sagrados do Islã e a oposição à influência política, econômica e militar americana no Oriente Médio.

Além das mudanças nas medidas de segurança, a tragédia provocou um grande choque econômico global. A bolsa de valores de Nova York permaneceu fechada por vários dias, algo raro na história dos EUA. As companhias aéreas foram o setor mais afetado. O espaço aéreo estadunidense foi fechado temporariamente, cerca de 5.000 a 7.000 voos comerciais foram cancelados nos primeiros dias após os atentados e muitas pessoas passaram a evitar viagens de avião no período após o ataque, segundo a National Archives 9/11 Federal Aviation Administration (FAA) Records.

Após o colapso das Torres Gêmeas, as equipes de resgate passaram meses removendo toneladas dos destroços do terreno, conhecido como "Ground Zero" (Marco Zero). O trabalho envolveu busca por sobreviventes, recuperação dos restos mortais das vítimas e estabilização da área para futuras construções.

Como forma de preservação da memória e homenagem, o One World Trade Center, inaugurado em 2014, com 541 metros de altura, representa resiliência e renovação. O edifício tornou-se o mais alto do Hemisfério Ocidental.

No local onde estavam as Torres Gêmeas foram erguidas duas imensas piscinas espelhadas, posicionadas exatamente sobre as fundações das antigas torres. Os nomes das 2.997 vítimas dos ataques foram gravados em painéis de bronze ao redor do memorial. Ao lado, também foi inaugurado o Museu Nacional do 11 de setembro que reúne fotografias, objetos recuperados, documentos históricos, como identidades das vítimas encontradas nos destroços das Torres.

Memorial construído no mesmo local onde as Torres Gêmeas desabaram. Foto: Public Petr Kratochvil/Domain Pictures
Memorial construído no mesmo local onde as Torres Gêmeas desabaram. Foto: Public Petr Kratochvil/Domain Pictures

Todos os anos, cerimônias são realizadas no One World Trade Center. Como forma de manter viva a memória das vítimas que morreram em 11 de setembro de 2001, como a leitura dos nomes das vítimas, sete momentos de silêncio e 2.977 luzes em homenagem às vítimas que foi exibida formando a silhueta das Torres Gêmeas, além de uma cerimônia especial em Ground Zero para familiares, sobreviventes e autoridades.

Candidatos se encontraram na quarta-feira (20) para o último debate eleitoral na TV. Pesquisas mostram que o eleitorado considerou Macron mais convincente.
por
Luan Leão
|
22/04/2022 - 12h

Os franceses voltam às urnas no próximo domingo (24) para definir a disputa do segundo turno das eleições presidenciais no país. No páreo está Emmanuel Macron (República Em Marcha!), candidato centrista à reeleição, e Marine Le Pen (Reunião Nacional), tradicional líder da extrema-direita na França. 

 

Durante a campanha, Macron tentou se colocar como um líder do bloco europeu, capaz de gerir situações de crise, buscando uma saída diplomática no conflito entre Rússia e Ucrânia. Já Marine Le Pen se apresentou ao eleitor como a candidata que devolveria à população francesa o poder de compra e fez esforços para afastar a imagem de extremista tanto dela, como de seu partido, considerado uma sigla xenofóbica e racista.

 

Pela primeira vez nesta eleição, Macron e Le Pen se encontraram para discutir suas propostas de governo, o debate ocorreu na quarta-feira (20). Segundo pesquisa Ifop em conjunto com a Rádio Sud, os eleitores acham Macron mais confiável que Le Pen, em um número maior de temas que preocupam os franceses.

Macron e Le Pen
Foto: Reprodução YouTube / France 24

O Ifop divulgou a pesquisa na quinta-feira (21), mostrando como os franceses viram o desempenho dos candidatos no debate. O levantamento ouviu 1.006 pessoas, acima de 18 anos de idade. O nível de confiança da pesquisa é de 95%.

 

Os reflexos do debate na disputa

Segundo levantamento do Ifop em conjunto com a Rádio Sud, 65% dos franceses acompanharam o debate, e de forma geral, 89% assistiram ou ouviram falar dele, a conta foi feita reunindo a audiência de todos os canais combinados (TF1, France 2 e outros meios).

 

De acordo com o levantamento, 29% dos eleitores afirmaram que o debate definiu o seu voto do próximo domingo (24). Deste percentual, 11% disseram que vão votar em Macron, 10% em Le Pen, 6% em branco ou nulo e 2% disseram que vão se abster. 

 

A pesquisa também perguntou qual candidato era mais confiável para realizar propostas sobre alguns temas. Em relação à guerra na Ucrânia, 53% acham que Macron é mais confiável, 17% acham Le Pen, e 30% acredita que nenhum dos dois. Sobre a proteção climática e a desordem ecológica, 39% apostam que Macron é mais confiável para realizar, contra 22% de Le Pen, outros 39% acreditam que Macron e Le Pen não são confiáveis. 

 

No quesito educação, 39% acreditam que Macron é confiável, 32% acreditam em Le Pen, e 29% não confiam em nenhum dos dois. Em relação à saúde, 37% acham Macron mais confiável, 36% apostam em Le Pen, e 27% não confiam em ambos. 
 

Os únicos dois temas em que Le Pen é considerada mais confiável pelos eleitores são: aumento de salário e do poder de compra com 42%, contra 32% de Macron, e 26% do eleitorado considerando que nenhum dos dois são confiáveis. E também, a luta contra a insegurança e a delinquência, onde Le Pen aparece como confiável para 51% dos eleitores, contra 28% de Macron e 21% que não consideram ambos confiáveis. 

Macron e Le Pen
Foto: Reprodução YouTube / France 24

De acordo com a pesquisa de intenção de voto divulgada também pelo Ifop após o debate, o eleitor gostou mais da atuação de Macron, e o centrista aumentou em 10% a sua vantagem nas pesquisas. Pela pesquisa, Macron soma 55% das intenções de voto, contra 45% de Le Pen. No dia 11 de abril, dia seguinte ao primeiro turno, as pesquisas eleitorais mostravam Macron com 52,5% das intenções, contra 47,5% da candidata de extrema-direita.

Em uma reedição de 2017, porém, em tom mais pacífico, candidatos se encontraram na quarta-feira (20) para debater pela primeira vez nesta eleição.
por
Luan Leão
|
22/04/2022 - 12h

O encontro realizado pelo TF1 e France 2 na noite de quarta-feira (20), opôs o centrista Emmanuel Macron (República Em Marcha!) e a líder de extrema-direita Marine Le Pen (Reunião Nacional), para o primeiro debate das eleições de 2022. Os candidatos estavam menos truculentos do que no debate do 2º turno de 2017. Curiosamente, ambos vestiram ternos azul marinho, parecidos com os que usaram no debate da eleição passada. 

 

A proposta diferente na forma de atuação no debate tinha objetivo, os candidatos queriam convencer os eleitores indecisos, e principalmente, atrair os eleitores de Jean-Luc Mélenchon, terceiro colocado na disputa do 1º turno, com 21,95% dos votos. No 1º turno, Macron conquistou 27,8% dos votos, e Le Pen alcançou 23,1%. 

 

Em 2017, Macron foi o vencedor do 2º turno, obtendo 66,06% dos votos, contra 33,04% de Le Pen. Porém, na atual disputa, as pesquisas de intenção de voto mostravam um cenário diferente, onde a tradicional líder de extrema-direita havia diminuído a vantagem do atual presidente em relação a eleição passada, e já sonhava com uma possível vitória. 

 

O Debate

Apesar de menos truculento em relação ao do pleito passado, as duas horas e meia de debate foram de tensão, ironia e troca de acusações. Os candidatos falaram sobre temas como educação, segurança, reforma da aposentadoria, indústria, relações internacionais, imigração, e também, meio ambiente e saúde. 

 

O início do debate tratou sobre a queda do poder aquisitivo, principal bandeira da campanha de Le Pen, que se colocou como “porta-voz dos franceses”. Para a candidata, “a população foi negligenciada nos últimos anos”. O atual presidente retrucou, e disse que as propostas de sua opositora não são realizáveis e que o plano de governo dela não trata sobre o desemprego. 

 

“O Mozart das finanças, como o senhor às vezes foi apresentado, teve um balanço econômico muito modesto e um balanço social que é ainda pior”, ironizou a líder da extrema direita. 

Debate eleitoral francês
Foto: Reprodução YouTube / France 24

Quando o assunto foi relações internacionais,  Le Pen defendeu que a França continue apoiando os ucranianos, mas disse que o país não pode parar de comprar gás-natural russo. Enquanto isso, Macron fez questão de lembrar da ligação entre Le Pen e a Rússia na eleição de 2017. “Quando a senhora fala com a Rússia, não está falando com outros dirigentes, e sim com seu gerente de banco”, disse Macron com sarcasmo. Em 2017, a líder do RN recebeu dinheiro de um banco russo para financiar a campanha eleitoral. 

 

Sobre a União Europeia, Macron exaltou a aliança franco-alemã durante a pandemia da COVID-19. Le Pen, que possui histórico de declarações anti-europa, afirmou que quer se manter no bloco europeu, porém, “quer mudá-lo profundamente”. A candidata também criticou os acordos de livre comércio e afirmou ser contra as exigências para a compra do frango brasileiro. 

 

Nesse momento, Macron falou sobre o respeito ao Acordo de Paris e a biodiversidade. “Nós lutamos contra o desmatamento graças à Europa e a escolha de nossos agricultores”, afirmou o presidente. 

 

A questão climática foi tratada de forma secundária no debate, Le Pen falou em “acabar com a hipocrisia”, ao admitir que as importações representam 50% das emissões de gases do efeito estufa, a candidata aproveitou para voltar a tecer críticas sobre o livre comércio, e defendeu a ideia de evitar a importação de frutas e legumes, do que chamou de “patriotismo econômico”. 

 

Macron disse que o programa climático de Le Pen não tinha “nem pé nem cabeça” e chamou a adversária de “climatocética”. De imediato, a líder de extrema-direita respondeu: “Não sou climatocética, mas o senhor é climatohipócrita”.

 

A polêmica

O assunto que já vinha causando polêmica durante a campanha acirrou os ânimos no debate. Pauta fundamental no programa de governo de Le Pen, a imigração é um assunto de grande divergência entre os candidatos. A candidata do RN ligou a insegurança no país a imigração, e disse que “é preciso resolver esse problema”, afirmando que a imigração “contribui para a violência no país.”

 

Desde a campanha, Le Pen tem defendido um referendo à Constituição sobre a imigração, o que facilitaria a expulsão de criminosos estrangeiros e dificultaria o direito à nacionalidade francesa para filhos de estrangeiros nascidos no país. “A nacionalidade francesa se merece”, insistiu a candidata.   

 

O tom do debate subiu quando o assunto foi a proibição do uso do véu islâmico em locais públicos, pauta defendida por Le Pen, que disse que “muitas mulheres não tem escolha” e “é preciso libertá-las”. Macron disse ser totalmente contra a ideia, lembrando que o país seria o primeiro no mundo a ter tal proibição. “Se a senhora fizer isso, vai criar uma guerra civil”, disse o centrista. 

Macron e Le Pen
Foto: Reprodução YouTube / France 24

2º Turno

O segundo turno está previsto para este domingo (24), e segundo o Ifop, a expectativa é de que pelo menos 74,5% dos eleitores compareçam às urnas. Ao final do debate, em pesquisas de intenção de votos preliminares, a atuação de Macron pareceu ter convencido mais os eleitores do que Le Pen. 

 

Yan Boechat fala sobre sua experiência durante a cobertura do conflito Ucrânia x Rússia
por
Camilo Mota
|
13/04/2022 - 12h

O correspondente de Guerra, especialista em conflitos internacionais e mestrando em Governança Global e Formulações de Políticas Internacionais, que estava na Ucrânia durante a invasão russa, foi o convidado para uma conversa com alunos, desenvolvida pelo departamento de Relações Internacionais da PUC-SP.

Na sua exposição, Boechat ressaltou a assimetria pela qual a atual guerra se difere dos demais conflitos que cobriu, por causa do envolvimento de duas nações, e a compreensão de que "todo conflito é um debate maniqueísta", que acaba sendo simplificado por parte dos jornalistas estrangeiros. Além disso, o repórter também disse ser surpreendente ver o quanto as cidades atingidas seguem seu curso, mesmo com a existência de um conflito de tamanha proporção. 

Na parte da cobertura especificamente, o correspondente declarou não procurar fontes oficiais, mas buscar ouvir e entender o contexto e as noções de continuidade do conflito com as próprias populações locais. Há regras implícitas e explícitas que são fundamentais para jornalistas. Por fim, ressaltou a importância de estudar a história e estar atento às divisões e aspectos que compõem todos os seus lados.

Confira aqui uma entrevista exclusiva com Yan Boechat, feita logo após o evento.

 

Reeditando o segundo turno de 2017, Macron e Le Pen avançam em uma disputa que promete ser mais apertada do que a última eleição
por
Luan Leão
|
11/04/2022 - 12h

As eleições francesas serão decididas em segundo turno, reeditando a disputa de 2017,  Emmanuel Macron (República Em Marcha!) e Marine Le Pen (Reunião Nacional) vão disputar as intenções de votos dos franceses. Os eleitores foram às urnas no último domingo (10), e o segundo turno está previsto para o dia 24 de abril.

Macron e Le Pen
Emmanuel Macron e Marine Le Pen. Foto: Nicolas Tucat / AFP

Ao longo dos últimos meses as pesquisas eleitorais mostravam o atual presidente, Emmanuel Macron, na liderança da corrida presidencial, seguido com certa proximidade por Marine Le Pen. Nessa disputa, corria por fora Jean-Luc Mélenchon (França Insubmissa). Mais atrás nas intenções de voto, Yannick Jadot (Verdes) e Valérie Pécresse (Republicanos), tentavam ganhar fôlego durante a campanha.

 

Na última semana, as pesquisas mostraram que Le Pen, candidata da extrema-direita, estava encurtando a vantagem de Macron. Esperançosos da esquerda apostaram em um impulso final de campanha para que Mélenchon avançasse ao segundo turno. De acordo com as pesquisas, o candidato de esquerda tinha pequenas, mas reais, chances de passar ao segundo turno. 

 

Com 27,84% dos votos, Macron superou algumas pesquisas eleitorais e seu próprio desempenho no 1º turno de 2017, quando obteve 24,01% dos votos. Le Pen registrou 23,15% e também superou seu desempenho no 1º turno de 2017, quando conquistou 21,3% dos votos. Mélenchon confirmou o que diziam as pesquisas e esteve muito perto do segundo turno, obtendo 21,95% dos votos, melhorando seu desempenho em relação a campanha de 2017, quando obteve 19,58% dos votos. Veja a porcentagem dos demais candidatos:

 

- Éric Zemmour (Reconquista!), candidato da extrema-direita com 7,07% dos votos. 

 

- Valérie Pécresse (Republicanos) teve um desempenho bem abaixo do que pretendia o partido, conseguindo apenas 4,78% dos votos.

 

- Yannick Jadot (Verdes) com 4,63% dos votos. 

 

- Jean Lassalle (Resistir!), com 3,13% dos votos. 

 

- Fabien Roussel (Partido Comunista) conquistou 2,28% dos votos.

 

- Nicolas Dupont-Aignan (A França de Pé) conquistou 2,06% dos votos.

 

- Anne Hidalgo (Partido Socialista) teve um desempenho surpreendentemente negativo, e não conseguiu chegar nem aos 2%, obtendo apenas 1,75% dos votos. 

 

- Philippe Poutou (Novo Partido Anticapitalista) conquistou 0,77% dos votos.

 

- Nathalie Arthaud (Luta Operária) obteve 0,56% dos votos. 

 

Os números consolidados são do Ministério do Interior da França.

 

O desempenho do Partido Socialista mostra a crise que atravessa a sigla no país, desde que François Hollande, último presidente socialista, deixou o Palácio do Eliseu. Em 2017, o candidato dos socialistas, Benoit Hammon, também não avançou para o segundo turno, tendo obtido 6,36% dos votos. O Partido Republicano também enfrenta dificuldades para retomar sua relevância na disputa presidencial.

 

Abstenções

Cerca de 25,14% dos eleitores aptos para votar não compareceram. A taxa é um pouco menor do que em 2017, quando 25,44% dos eleitores não compareceram. O recorde de abstenção é em 2002, quando 28,4% não compareceram.

 

Apoios no 2º turno 

Com exceção a Éric Zemmour, todos os demais candidatos que não avançaram ao segundo turno fizeram discursos nas sedes de suas campanhas pedindo uma união contra a extrema-direita e o extremismo, representado por Marine Le Pen. 

O também de extrema-direita Zemmour, disse que tem divergências com Le Pen, mas que todos sabem quem é o “inimigo”, e por isso, deveriam votar em Le Pen. 

Após o fechamento das urnas, e a divulgação do segundo turno, Emmanuel Macron e Marine Le Pen discursaram para seus apoiadores nas sedes de suas campanhas. 

Marine Le Pen pediu uma união entre “todos aqueles que não votaram em Macron” para que se juntem a ela. A ultradireitista também agradeceu aos votos que recebeu, e que a fizeram avançar ao segundo turno. 

Marine Le Pen - RN
Marine Le Pen em discurso após anúncio do segundo turno. Foto: Francois Mori / AFP

 

“Vejo a esperança de que as forças de recuperação do país estejam aumentando. Todos aqueles que hoje não votaram em Emmanuel Macron são chamados para participar de nosso comício” 

 

Em Paris, Macron falou em um segundo turno “decisivo” para a França e para a Europa, destacando que “nada está decidido”. O atual presidente também elogiou o posicionamento dos demais candidatos ao pedirem votos contra a extrema-direita. 

Emmanuel Macron - Em Marcha!
Emmanuel Macron na sede da campanha após anúncio do segundo turno. Foto: Yoan Valat / EPA

 

“Não se engane, nada acabou. O debate que teremos nos próximos 15 dias será decisivo para o nosso país e para a Europa. Você poderá contar comigo para implementar este projeto de progresso, abertura e independência da França que defendemos nesta campanha”


 

Diferente de 2017, quando Macron obteve 66,06% dos votos contra 33,04% de Le Pen no segundo turno, as pesquisas mostram um placar mais apertado, prometendo que os próximos 15 dias que antecedem o dia de votação do 2º turno serão agitados, e disputados voto a voto.

 

Na véspera da eleição que acontece neste domingo (10), e sem a obrigatoriedade do voto, veja a pesquisa eleitoral mais recente e o que pensa o eleitorado francês
por
Luan Leão
|
09/04/2022 - 12h

Em uma eleição que promete se polarizar entre o candidato à reeleição Emmanuel Macron (República Em Marcha!) e a candidata de extrema-direita Marine Le Pen (Reunião Nacional), uma pesquisa Ifop divulgada na sexta-feira (8) procurou entender o que motiva os eleitores franceses a ir às urnas no domingo (10). Vale lembrar que na França o voto não é obrigatório, e de acordo com a pesquisa, 73% dos eleitores aptos pretendem comparecer. 

 

Pesquisa eleitoral

A última pesquisa Ifop divulgada na sexta-feira (8), com margem de erro entre 0,8 e 1,1 pontos percentuais, mostrou um empate técnico entre Macron e Le Pen. 

O atual presidente lidera com 26% das intenções de voto, seguido por Le Pen com 24%, Jean-Luc Mélenchon (França Insubmissa) com 17%. Valérie Pécresse (Republicanos) e Éric Zemmour (Reconquista!) aparecem empatados com 9%. Yannick Jadot (Verdes) tem 5%, Fabien Roussel (Partido Comunista) e Jean Lasalle somam 2,5%. Anne Hidalgo (Partido Socialisa) tem 2%.

Em um segundo turno entre Macron e Le Pen, a vantagem é do centrista, 52% a 48%.

Candidatos da eleição na França
Cartazes de campanha dos 12 candidatos à presidência na França. Foto: Andrea Motovani / The New York Times

O que levará os franceses às urnas ?

A pesquisa foi realizada ouvindo 1.005 pessoas maiores de 18 anos, de 6 a 7 de abril de 2022.

A pesquisa mostrou que 6 em cada 10 franceses (61%) dizem que a escolha do seu voto passará pela preocupação em relação a defesa poder de compra. Em seguida, o levantamento mostra que 38%  dos votos estão preocupados com a saúde pública, e 33% com a luta contra a criminalidade. 26% falaram sobre a defesa da identidade francesa, e 24% falaram sobre as desigualdades sociais. 

Dos participantes da pesquisa, 23% mostraram preocupações com a educação no país, e 20% com o meio ambiente. 19% falaram que seus votos serão motivados pela atitude diante da guerra entre Rússia e Ucrânia.  12% dos entrevistados falaram sobre a defesa nacional. 10% disseram que as sanções contra a Rússia serão importantes na definição do voto. 

Entre as questões de menor relevância estão a construção europeia (9%) e a discussão sobre a participação ou não da França na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), com 4%. 

O total da pesquisa é superior a 100%, tendo os entrevistados sido capazes de dar várias respostas. 

 

Recorte entre os eleitores

A pesquisa também fez recortes entre os eleitores de cada candidato em relação aos temas já mencionados. Entre o eleitorado de Yannick Jadot (Verdes) é grande a preocupação com a defesa do poder de compra (72%), assim como entre os eleitores de Jean-Luc Mélenchon (França Insubmissa) e Valérie Pécresse (Republicanos), ambos com 70%. 

Entre os eleitores de Marine Le Pen, o número é de 61%, já entre os de Macron, é 51%. 

Os eleitores de Éric Zemmour estão preocupados no combate à criminalidade (66%) e na defesa da identidade francesa (78%). Os eleitores de Le Pen também demonstraram preocupação com os temas, em relação à criminalidade foram 51% e em defesa da identidade francesa 48%.

Estes foram os maiores índices de preocupações dos eleitores em relação a esses temas entre todos os demais candidatos. 

 

Em relação ao meio ambiente, os mais preocupados foram os eleitores de Jadot (50%), em contrapartida, os eleitores de Zemmour não se mostraram preocupados, marcando 0%. Sobre as desigualdades sociais, os eleitores de Jadot (54%) e Mélenchon (51%) foram os números de maior índice, em contraposição aos de Zemmour (6%) e Pécresse (5%). 

Já nas preocupações com a saúde pública, os eleitores de Pécresse foram os que mais se importaram (44%), na contramão estão os eleitores de Jadot (18%). Na importância da educação no país se destacam os eleitores de Mélenchon (32%), ante os eleitores de Jadot (11%). 

Nas questões relacionadas à defesa nacional (20%), atitude diante da guerra no leste europeu (35%), sanções contra a Rússia (22%) e construção europeia (23%), os maiores índices vieram dos eleitores de Macron. Sobre a saída ou não da OTAN, os mais interessados foram os eleitores de Pécresse, com 9%.

O total da pesquisa é superior a 100%, tendo os entrevistados sido capazes de dar várias respostas. 


 

Idades e preocupações 

Tema de maior relevância entre os eleitores, a defesa do poder de compra preocupa mais as mulheres (64%), e as pessoas com menos de 35 anos de idade (62%), com destaque para as pessoas entre 25 e 34 anos de idade (67%). A saúde pública também preocupa mais as mulheres (47%), e as pessoas acima de 35 anos de idade (40%). 

A luta contra a criminalidade preocupa mais os homens (36%), e em especial, os eleitores entre 50 e 64 anos de idade (39%). Já a defesa do meio ambiente é de maior interesse entre as mulheres (23%), e os eleitores abaixo de 35 anos de idade (39%), com destaque aos eleitores entre 18 e 24 anos de idade (68%). 


 

1º turno: Voto por convicção

 

Perguntados sobre os critérios que adotam para votação no 1° turno, 73% dos eleitores disseram que preferem votar por convicção, ou seja, em candidatos que tenham ideias próximas a deles, mesmo que esse não tenha chance de avançar ao segundo turno. 27% disseram que preferem votar em um candidato que não corresponda totalmente à defesa dos ideais, mas que tenha mais chances de avançar ao 2º turno. 

O voto por convicção é maioria entre as mulheres (74%) e os eleitores abaixo de 35 anos (78%). 


 

48,7 milhões de franceses estão aptos a votar. A votação começa às 08h horário local (03h horário de Brasília), na maioria dos lugares, por volta das 19h horário local (14h horário de Brasília) a votação é encerrada, nas grandes cidades é encerrada às 20h horário local (15 horário de Brasília). A partir do encerramento já serão divulgadas pesquisas de boca de urna.