Novos métodos foram autorizados para agilizar execuções por crimes federais
por
Davi Madi
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06/05/2026 - 12h

 

No dia 24 de abril o governo Trump aprovou a implementação de novas medidas nas políticas de pena de morte, que agora incluem pelotão de fuzilamento, para presos federais, além de cadeira elétrica, asfixia por gás nitrogênio e injeção letal. O comunicado foi emitido pelo Departamento de Justiça estadunidense (DOJ), que afirma cumprir  uma ordem direta do presidente Donald Trump, para que sejam ampliadas e agilizadas as execuções no país.

A aprovação representa uma alteração no uso da pena de morte dentro da legislação, quando comparada com as políticas apresentadas no governo anterior. No fim de sua gestão, Joe Biden, após a confirmação da vitória de Trump nas urnas, trocou a sentença de 37 dos 40 condenados à injeção letal para prisão perpétua, a fim de evitar que estes fossem executados pelo republicano.

Na ocasião, em dezembro de 2024, o ex-presidente afirmou: “Em sã consciência, não posso recuar e deixar uma nova administração retomar as execuções que eu interrompi”. A comutação das penas ocorreu após o governo Biden acatar pesquisas do próprio Departamento de Justiça, que afirmavam que o método de execução “causava dor e sofrimento desnecessário”.

Após a aprovação de Donald Trump, o DOJ apontou em seu comunicado que a análise do governo democrata era “profundamente falha”: “A administração anterior fracassou em seu dever de proteger o povo americano”.

Veja o comunicado feito em post do perfil oficial do Departamento de Justiça na rede social X

Publicação na rede social X, feita pelo perfil oficial do Departamento de Justiça Estadunidense, sobre as alterações na lei de pena de morte feitas pelo presidente Donald Trump
Alteração na lei de pena de morte representa a primeira mudança nas políticas de execução estadunidenses desde o governo Biden - Reprodução: X/@TheJusticeDept

 

Como será aplicada a nova lei

A pena de morte é prevista na legislação estadunidense, e a injeção letal, método utilizado por padrão no país, está presente no código penal. No entanto, esta política é descentralizada, o que significa que diferentes modos de execução são utilizados em cada estado.

Por base, 27 dos 50 estados do país tem a pena de morte legalizada, o que era, até então, aplicado para presos estaduais. O comunicado de Donald Trump se aplica como um parâmetro, buscando facilitar a execução das penas em nível federal, para casos onde a injeção letal não era possível ou fora ineficaz.

Como exemplo, em 2025, na Carolina do Sul, um homem foi executado através do pelotão de fuzilamento, na falta de disponibilidade do medicamento necessário para o método padrão. Atualmente, este método já é permitido em 5 estados do país: Carolina do Sul, Idaho, Mississipi, Oklahoma e Utah. 

Um caso anterior, de 2024, no Alabama, também se popularizou quando um homem foi submetido à asfixia por gás nitrogênio como método, após falhas da injeção letal e adiamento da execução. O uso desta substância, no entanto, enfrentou denúncias após ser qualificado pela ONU como forma de tortura.

Kenneth Smith, condenado à pena de morte nos Estados Unidos, sobreviveu à quatro tentativas de execução por injeção letal, foi submetido à asfixia por gás nitrogênio e morto em 2024
Kenneth Smith foi morto por asfixia com gás nitrogênio após sobreviver a quatro tentativas de execução por injeção letal - Reprodução: Youtube/NBC News

 

Esta mudança nas políticas penais dos EUA refletem promessas feitas por Donald Trump desde seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021. Na ocasião, o republicano retomou a pena de morte em nível federal após 20 anos de sua suspensão. Nos primeiros meses de mandato, seu governo executou 13 condenados por injeção letal. Nos 50 anos antes de sua posse, somente três pessoas haviam sido submetidas ao método.

No momento, mais de 40 presos federais aguardam julgamento que pode resultar na pena capital nos EUA. No entanto, esses processos ainda podem levar anos.

“Pessoas foram executadas em estádios” afirma Renata Beltrão, guia do Museu do Futebol
por
Malu Malaquias
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28/04/2026 - 12h

O esporte foi utilizado como instrumento político por ditaduras militares na América Latina, especialmente no Brasil, na Argentina e no Chile, entre as décadas de 1960 e 1980, período marcado por golpes de Estado e repressão. Governos autoritários desses países exploraram o enorme alcance popular do esporte para promover propaganda oficial, estimular o nacionalismo e desviar a atenção da população das violações de direitos humanos, seja por meio de grandes eventos como Copas do Mundo ou do controle sobre clubes, federações e estádios. Essa estratégia ocorreu porque o futebol, enquanto fenômeno de massa, possui alto poder de mobilização emocional, tornando-se uma ferramenta eficaz de legitimação política e controle social em contextos autoritários.

Durante esse período, os países afetados por regimes militares sofreram controle não apenas as instituições políticas, mas também as manifestações culturais. Nesse cenário, a modalidade esportiva, já consolidada como o principal fenômeno de massa do continente, passou a ocupar um lugar estratégico nas ações do Estado. Capaz de mobilizar sentimentos coletivos, reunir multidões e produzir símbolos nacionais, o esporte foi apropriado pelos governos como instrumento para sustentar discursos oficiais de ordem, progresso e unidade. Essa instrumentalização envolveu diferentes dimensões, como a propaganda governamental, o controle social por meio do entretenimento e a construção de um sentimento patriótico artificial em meio à repressão. 

No Brasil, após o golpe civil-militar de 1964, o novo governo passou a intervir diretamente no universo esportivo. Os militares compreenderam que o futebol, não poderia permanecer distante das disputas de poder. A suspensão de competições logo após a ruptura democrática indicou que o Estado via o esporte como um espaço sensível à instabilidade política. Com o Ato Institucional nº 5, decretado em 1968, aprofundou o autoritarismo da ditadura militar ao suspender direitos civis, ampliar a censura e intensificar a repressão política, criando o contexto ideal para o uso do futebol como instrumento de propaganda e controle social. A aproximação entre o governo, a Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e dirigentes como João Havelange consolidou uma aliança que permitiu maior controle sobre a organização esportiva e sobre a imagem da Seleção Brasileira.

A conquista da Copa do Mundo de 1970, no México, tornou-se o maior símbolo do uso político desse fenômeno esportivo em nosso país. O tricampeonato mundial foi apropriado pelo regime do general Emílio Garrastazu Médici como prova da suposta grandeza nacional. Campanhas publicitárias e slogans, como “Pra Frente, Brasil” e “Brasil, ame-o ou deixe-o”, associaram o sucesso esportivo ao chamado “milagre econômico”, promovendo a ideia de um país próspero e em ascensão. Enquanto a população celebrava nomes como Pelé, Tostão e Jairzinho, a repressão se intensificava nos bastidores, com censura, tortura e desaparecimentos políticos. Tornando a modalidade uma poderosa ferramenta para encobrir a violência do Estado e legitimar o regime interna e externamente.

Na Argentina, a ditadura instaurada em 1976 pela junta militar liderada por Jorge Rafael Videla encontrou na Copa do Mundo de 1978 uma oportunidade estratégica de autopromoção internacional. O evento foi cuidadosamente planejado para apresentar o país como moderno, organizado e pacificado, apesar da existência de centros de detenção clandestinos e da prática sistemática de violações dos direitos humanos. O torneio ficou marcado por denúncias de censura à imprensa, perseguição política, desaparecimentos forçados e suspeitas de interferência nos resultados esportivos, como a polêmica goleada da Argentina sobre o Peru por 6 a 0.  Historiadores como José Paulo Florenzano, apontam que o título mundial simboliza uma profunda contradição entre a euforia popular e o terror imposto pela autoridade estatal.

No Chile, o golpe de 11 de setembro de 1973, liderado por Augusto Pinochet, estabeleceu uma relação ainda mais brutal entre futebol e repressão. O Estádio Nacional de Santiago, principal palco esportivo do país, foi convertido em centro de detenção, tortura e execução, por onde, segundo levantamentos históricos e instituições de memória, estima-se que cerca de 40 mil prisioneiros políticos nos primeiros meses da ditadura. O espaço, tradicionalmente associado à celebração esportiva, transformou-se em símbolo do terror estatal. Um episódio emblemático desse período foi o boicote da União Soviética à partida contra o Chile, válida pela repescagem da Copa do Mundo de 1974, em protesto contra a realização do jogo em um estádio recentemente utilizado como campo de concentração.

​ Painel exposto no Museu do Futebol relembra a ditadura militar no Chile, destacando a pergunta “¿Dónde está?” (“Onde está?”), símbolo da luta por memória e justiça diante dos desaparecimentos forçados ocorridos após o golpe de 1973. Foto: Malu Malaquias  Click e arraste para mover ​
Painel exposto no Museu do Futebol relembra a ditadura militar no Chile, destacando a pergunta “¿Dónde está?” (“Onde está?”), símbolo da luta por memória e justiça diante dos desaparecimentos forçados ocorridos após o golpe de 1973. Foto: Malu Malaquias

Apesar do forte controle estatal, o futebol não se restringiu ao papel de instrumento da repressão. Em diferentes momentos, tornou-se também espaço de resistência política. No Brasil, a Democracia Corinthiana destacou-se como um dos movimentos mais significativos, ao defender a gestão democrática do clube e apoiar publicamente a campanha das Diretas Já no início dos anos 1980.

“Houve atuação direta de alguns jogadores contra a ditadura”, constatou a guia Renata

Liderados por jogadores como Sócrates, Casagrande e Wladimir, os atletas utilizaram sua visibilidade para questionar o autoritarismo. Além disso, torcidas organizadas, jornalistas esportivos e intelectuais passaram a empregar o futebol como linguagem simbólica para driblar a censura e ampliar o debate público.

Com o fim das ditaduras, a preservação da memória tornou-se fundamental para compreender o papel do futebol nesses regimes. Instituições como o Centro de Referência do Futebol Brasileiro (CRFB), ligado ao Museu do Futebol, dedicam-se à pesquisa, documentação e divulgação das relações entre esporte, política e direitos humanos. Em parceria com centros acadêmicos, como o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas, essas iniciativas contribuem para combater o apagamento histórico e aprofundar o debate sobre o passado autoritário do continente. Reconhecer que futebol e política sempre estiveram interligados é essencial para que o esporte deixe de ser instrumento de dominação e se consolide como espaço de cidadania, reflexão crítica e memória coletiva.

Frente à guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, os líderes entram em embate discutindo ideologia e direitos pelas redes sociais
por
Carolina Machado
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22/04/2026 - 12h

Nos últimos dias, dois dos americanos mais influentes do mundo trocaram farpas sobre o rumo dos conflitos mundiais: Donald Trump e o Papa Leão XIV. Enquanto o líder estadunidense intensifica seu discurso sobre a força militar no Oriente Médio, o Pontífice  exalta os direitos humanos frente a um cenário de guerra que afeta a todos nos Estados Unidos e mundo afora.

No dia 31 de março, em declaração à imprensa, o Papa Leão XIV pediu por paz, cobrou a defesa da dignidade humana e reforçou a necessidade de Estados Unidos, Israel e Irã negociarem um cessar-fogo. O líder católico citou de maneira direta o presidente Donald Trump – diferente das críticas feitas por seus antecessores que não mencionavam chefes de Estado. 

Uma semana depois, no dia 7 de abril, quando Trump ameaçou destruir a civilização iraniana, o Pontífice voltou a se manifestar. “Hoje, como todos sabemos, houve também essa ameaça contra todo o povo do Irã, e isso é verdadeiramente inaceitável”, afirmou. O líder convidou os fiéis a refletirem e rezarem pela vida de todos os inocentes, além de procurarem formas de se comunicar com os congressistas e outras autoridades americanas, pedindo o fim da guerra.

Papa Leão XIV em missa no Vaticano. Imagem: Instagram/Reprodução @pontifex
 Papa Leão XIV em missa no Vaticano.
Imagem: Instagram/Reprodução @pontifex

No domingo, dia 12 de abril, durante a tradicional oração do meio-dia no Vaticano, o Papa retomou o tema da guerra mencionando o Líbano, que tem sido severamente bombardeado por Israel. “Estou mais próximo do que nunca do amado povo libanês nestes dias de tristeza, medo e esperança inabalável em Deus”, disse. Ele volta a fazer apelos às partes envolvidas no conflito para que cessassem o fogo e para que busquem juntos uma solução pacífica. 

Poucas horas depois, Trump se pronunciou. Pela rede social Truth Social, o presidente dos Estados Unidos definiu o líder católico como “fraco no combate ao crime e péssimo em política externa”. Ele ainda acrescentou não querer um “Papa que ache que tudo bem o Irã ter arma nuclear”, mesmo não existindo nenhum registro emitido pelo Vaticano ou pelo próprio Pontífice defendendo o direito iraniano de possuir esse tipo de arsenal.

Post de Donald Trump sobre o Papa Leão XIV traduzido. Imagem: X(Twitter)/ Reprodução @realDonaldTrump
Post de Donald Trump sobre o Papa Leão XIV traduzido.
Imagem: X(Twitter)/ Reprodução @realDonaldTrump

No mesmo dia, Donald Trump publicou uma imagem gerada por inteligência artificial em que ele aparece como Jesus curando um doente. “Não sou um grande fã do Papa Leão: ele é uma pessoa muito liberal e não acredita em combater o crime”, reforçou ele em declaração à imprensa.  

O presidente dos Estados Unidos ressaltou ainda que o Papa deveria agradecer, pois só foi colocado na lista de elegíveis para o cargo por ser americano. Isso porque seu antecessor, Papa Francisco, era acusado de não entender a Igreja dos Estados Unidos por ser latino-americano. Em vida, o Pontífice argentino criticou a hostilidade de Trump em relação aos imigrantes, além das intervenções americanas e dos incentivos militares pelo globo. 

Donald Trump em coletiva de Imprensa na Casa Branca. Imagem: Instagram/ Reprodução @realdonaldtrump
Donald Trump em coletiva de Imprensa na Casa Branca.
Imagem: Instagram/ Reprodução @realdonaldtrump

“Papa Francisco instituiu que era preciso olhar para as periferias [...] ele falou e viveu isso. Hoje, temos um Papa que veio da periferia”, afirma Boris Agustín Nef Ulloa, diretor da faculdade de Teologia da PUC-SP, na palestra “Sonhos de Francisco”. Ele ainda explica que o atual líder católico foi bispo em uma diocese perdida na Amazônia Peruana e que seus antecessores, em sua maioria, vieram de grandes arquidioceses, como Francisco - mesmo que na América Latina. “Esse Papa, que veio da periferia, tem mostrado, nessa última semana, a força e a coragem do evangelho como ajuda poderosa deste mundo”, conclui. 

Em um avião a caminho da Argélia, no dia seguinte, o Papa Leão XIV respondeu às falas de Trump, dizendo não ter medo do presidente, nem de falar abertamente sobre a mensagem do Evangelho. “Sou chamado a fazer o que a Igreja é chamada a fazer. Acredito que a mensagem do Evangelho [...] é a mensagem que o mundo precisa ouvir hoje”, declara.

Descubra um pedaço da história desse país localizado nos Balcãs, seus desafios econômicos e belezas naturais
por
Vítor Nhoatto
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19/04/2026 - 12h

 

Doce euforia de viajar, desbravar um país e uma cultura nova. Certamente acompanhada também de algum estresse pelos perrengues chiques, e o cansaço satisfatório de atingir a meta de passos diários explorando ao máximo esse mundo fascinante. Desde a chegada na cosmopolita capital Tirana, até a despedida após uma desconexão da velocidade na praia de Durres, sentimentos que certamente não vão embora de quem visitar a Albânia. 

Já na aterrissagem no principal aeroporto do país de 29 mil quilômetros quadrados, pouco maior que o estado de Alagoas, as singularidades começam. A maioria deve não reparar, mas a frota de carros usados no Tirana International Airport Nënë Tereza (TIA) é toda formada por BYDs Dolphin Mini, chineses e elétricos. 

Ao sair do modesto aeroporto, a arquitetura característica composta por formas geométricas como cubos e pirâmides se sobressai na fachada da construção. Ao lado, vários quiosques de locadoras de carros, um ônibus que sai a cada hora para o centro da capital Tirana, cerca de 20 km, e novamente, dezenas de táxis chineses. A relação com o país asiatico é antiga, desde 1949 devido ao regime comunista que o país vivenciou até 1992, com uma interrupção entre 1979 até 1989 devido a política albanesa de isolamento total na época.

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Na saída do aeroporto, dezenas de táxis, tal qual esse Honda e:Ny1 versão chinesa e não europeia. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

De dentro do táxi elétrico, que tal qual o ônibus e a maioria dos comércios, só aceita pagamento em dinheiro físico, lekë ou euro, outro fato curioso que continua refletindo a história onde se está. Na cidade não há sistema metroviário, apenas ônibus, e plataformas como Uber não operam no país. 

A indústria dos taxistas possui um peso político muito grande, durante o comunismo e a proibição de empresas privadas, muitos albaneses passaram a trabalhar clandestinamente para complementar a renda do emprego estatal, como encanadores, pedreiros, e motoristas também. Mas se com isso, a ânsia por um aplicativo, ou a necessidade de pagar em cartão gritarem, existem uma série de plataformas de viagens como o “Tirana Taxi” e o “Bee Taxi”.

Chegado ao destino, um caloroso “obrigado” em inglês, um sorriso, e a simpatia que não é comum a outros países do continente, quem dirá aos franceses. Mesmo apesar da única língua oficial do país ser o Albanês, segundo dados do Instituto de Estatísticas do país (Instat) de 2018, quase 40% da população fala pelo menos numa língua estrangeira, chegando a quase 60% entre as pessoas até 34 anos. O principal é o inglês, seguido do italiano e do grego.

Além disso, apesar do albanês ser uma língua indo-europeia, é a única sobrevivente do ramo linguístico ilírio, ou seja, não possui similaridades com nenhum outro idioma atualmente, apenas influências do turco e grego, o que demanda dos comerciantes e juventude uma forma de se comunicar com outros povos. Existem ainda dois dialetos falados no país e no Kosovo, majoritariamente formados por albaneses, o Tosk e o Gheg.

 

Encontro de gerações e pensamentos 

 

A Albânia é um país que faz fronteira com a Grécia, Macedônia do Norte, Kosovo e Montenegro, enquanto a oeste tem o mar Adriático até a Itália. Devido a essa posição, e as várias vezes que o comunismo já foi citado, pode-se pensar que a nação fez parte da antiga Iugoslávia, país formado pelos povos de origem eslava que durou de 1929 até 1991 e foi controlado pela União Soviética após a Segunda Guerra Mundial. 

No entanto, o país nunca pertenceu à extinta nação, que hoje responde a sete países, e muito menos foi um satélite soviético, apesar de estreitos laços até 1960. A declaração de independência veio em 28 de novembro de 1912 em meio a Guerra dos Balcãs, e o reconhecimento internacional em 1913 com o Tratado de Bucareste. 

Em relação a sua atual capital, Tirana, a fundação é bem mais antiga, datada em 1614 e realizada pelo comerciante Sulejman Bargjini Pasha. Sua posição estratégica, uma área em meio a cadeia de montanhas Dajti e o mar Adriático, fez com que se tornasse capital em 1920, e todas essas história, pode ser vista e sentida na prática ao andar pela praça Skanderbeg, primeiro ponto turístico dessa viagem.

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País assumiu posição alinhada ao Ocidente desde os anos 2000, como bandeira da Ucrânia na prefeitura comprova nos dias de hoje. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt 

 

O fundador da cidade construiu na época uma casa de banho turca, uma mesquita e uma padaria, elementos que compõem bem essa parte otomana da cidade. Mais tarde, durante a Primeira Guerra Mundial, o fascismo regiu a recém independente monarquia do Rei Zog I. Até que em 1944 o comunismo invade a arquitetura do lugar, mudando a paisagem até 1991, quando a modernização de cicatrizes começa.

Dito tudo isso, a praça em questão tem elementos concentrados em poucos metros quadrados exatamente de todas essas eras. O nome faz homenagem ao herói nacional Skanderbeg, militar  que liderou a resistência de 25 anos na região contra o império otomano, exemplo de sucesso dos cristãos nos Balcãs.

Ao lado de sua estátua está justamente uma parte otomana da cidade, formada pela Torre do Relógio, construída em 1812, e a mesquita Et’hem Bej. Terminada em 1821 pelo bisneto do fundador da cidade, é aberta a todos que queiram entrar e admirar o fresco e colorido interior, desde que se tire os sapatos como a religião sunita manda. E claro, se bata um papo com o simpático “recepcionista” da mesquita, que entrega panfletos sobre a rica história do lugar que foi inclusive fechado durante a ditadura comunista, e símbolo da reabertura religiosa no país em 1991 após manifestações de estudantes. 

Colocando o sapato para fora do templo, eis as construções da época fascista, com prédios quadrados e amarelados dos famosos arquitetos do período de Mussolini na Itália, Florestano Di Fausto e Armando Brasini. A praça inclusive se tornou o centro da cidade após o projeto entre os italianos e o ex-primeiro ministro, ex-presidente, e então rei Zog I em 1923. 

Hoje todos são prédios públicos, como a atual prefeitura, e revitalizados no começo dos anos 2000 pelo então prefeito Edi Rama com cores vibrantes. A escolha das cores intensas como vermelho, amarelo, rosa e azul são inclusive uma resposta ao cinza da época das construções do comunismo.

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Cores marcantes, torres envidraçados, estátuas e até um prédio residencial em formato de cabeça, representam como a cidade é uma mistura constante de épocas. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Do outro lado da praça, sempre movimentada, e com turistas em torno da gigante escultura  “I Love Tirana”, que significa “eu amo Tirana” em português, está o Museu de História Nacional e o mosaico característico da propaganda comunista: albaneses simples, trabalhadores, empunhando a bandeira do país com determinação e alegria. Apesar de fechado para reformas desde março de 2024, com entrega prevista para março de 2028, mesmo assim faz o visitante parar por alguns minutos para admirar a obra. Outra construção da época é o atual  Palácio da Cultura, que abriga a ópera e o ballet da Albânia, a Livraria e o Teatro Nacional, além de vários comércios. 

Seguindo o passeio condensado de períodos históricos, em meio ao Palácio e os coloridos prédios dos Ministérios da cidade, um museu sobre a ditadura vivida pelos albaneses. Não se trata de outra construção de arquitetura stalinista, um projeto italiano ou otomano, mas um buraco no chão. Melhor dizendo, um bunker.

 

Relembrar o passado para se ter um futuro

Uma das características mais marcantes do período era a preocupação com possíveis invasões de países capitalistas. Tal paranoia do líder Enver Hoxha, encheu o território do país com as construções em formato de cogumelo que levam para milhares de quilômetros de túneis subterrâneos. Se esperava que 750 mil bunkers fossem construídos, mas estima-se que apenas 173 mil ficaram prontos até a morte do líder em 1985. Uma ferida dolorosa para muitos albaneses que viveram o período, mas hoje também um lugar de resistência e educação, com um desses bunkers tendo se transformado em um museu, o Bunk’Art 2. 

O preço do ingresso varia, cerca de 700 lekës para apenas o Bunk’Art 2, e 1.300 lekës também para visitar o Bunk’Art 1, bem maior, mas a 15km do centro. Em uma conversão simplificada para o euro, significa cerca de 7 e 13 euros respectivamente. Destaque para a opção de pagar com cartão de crédito, além da possibilidade de visitar o Bunk’Art 1 em até três dias caso opte pelo ingresso conjunto.

Ao descer as escadas após uma simpática recepção ao lado da entrada do “cogumelo” por um carro militar da época, os túneis começam. O lugar conta a história desde a ascensão de Hoxha como líder da oposição na época da monarquia pela Frente Democrática Albanesa, até a reabertura do país. Para isso, uma curadoria cheia de documentos originais recuperados da época, textos e painéis informativos, além de vídeos e até figuras com interação com realidade aumentada pelo aplicativo Bunk’Art.

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Quarto de Enver Hoxha, hoje no Bunk’Art, nunca foi usado pelo ditador, tal qual todos os bunkers construídos. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Foram recriados também os ambientes da época, nos quartos que de fato foram usados para testes militares, com móveis e equipamentos de espionagem do Sigurimi (órgão responsável por espionar os cidadãos na ditadura) preservados da época, máscaras contra armas químicas e relatos de sobreviventes. 

Também estão presentes exposições de artistas contemporâneos albaneses, como instalações com o uso de projetores e recursos digitais sobre o passado, presente e futuro. Além de uma área do bunker dedicada a obras interativas sobre ilusão de ótica, muito semelhante às obras do Museu da Ilusão em Madrid, e por todo o mundo. O título “Ilusão ótica como manipulação política” é divertido e carregado de significado ao fazer referência a propaganda do regime.

No Bunk’Art 1 a imersão é ainda maior pois o museu fica no maior e principal bunker da época, e é seguro contra ataques nucleares, com tecnologias específicas. Nele, o visitante tem uma complementação do que foi visto no menor, ou caso opte por ir só nesse maior, terá a experiência completa. 

O lugar lembra muitas vezes sobre a violência da época de uma forma didática e sensível, como relatos recuperados de agentes da guarda nacional sobre os que tentaram escapar pela fronteira, e as milhares de vítimas desaparecidas e que famílias vieram a saber sobre o paradeiro do corpo somente após 1991 com o Instituto de Estudos Sobre os Crimes e Consequências Durante o Comunismo (ISCCC). Ou ainda a disposição pelas paredes dos túneis de todas as 6.027 vítimas executadas formalmente pela ditadura conforme documentos resgatados pelo órgão.

Ao longo da visita várias mensagens sobre a importância de não esquecer o passado para poder ter um futuro pelas paredes estão dispostas. É importante destacar que só há guia de áudio para ambas visitas em albanês, inglês e italiano, e que todos os vídeos possuem legendas em inglês, e os textos versões em albanês e inglês.

Voltando ao passeio histórico, são 106 salas em 3 mil  metros quadrados no Bunk’Art 1, com destaque para a espécie de teatro que foi construída no complexo para performances artísticas e conferências enquanto os líderes estivessem se protegendo dos ataques do mundo capitalista.

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Espaço foi reformado antes de ser aberto ao público, e o teatro possui agora luz natural e medalhas do período da ditadura. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

De cicatrizes para arranha-céus 

 

Entre os prédios históricos citados até agora, várias torres envidraçadas, luzes de led dos carros e guindastes lembram que desde 1991 o país se abriu de novo para o mundo. Após a morte de Hoxha em 1985, Ramiz Alia assumiu o poder, mas protestos começaram, principalmente de estudantes. Algumas relações com países foram reafirmadas, como com a China em 1989, e após a queda do muro de Berlin no mesmo ano e o fim do comunismo na Romênia, o cenário foi sendo abrandado. 

No mesmo ano, Alia assinou o Acordo de Helsínquia na Finlândia, novos partidos foram criados e a Albânia passou a adotar os Direitos Humanos da Europa. Até que em 1991 após fraude nas eleições daquele ano e protestos massivos, o então presidente renunciou ao cargo e Sali Berisha assumiu o poder como presidente eleito. Daqui para frente muitos desafios, escândalos de corrupção e opressão marcaram o país, que então em 1998 criou a sua constituição e um alinhamento ao Ocidente se intensificou. Em 2009 o país aderiu à Aliança Militar do Atlântico Norte (OTAN), e também está na lista de candidatos para ingressar na União Europeia.

Agora com o contexto dado, chama a atenção por exemplo o imponente e vibrante vermelho, estádio Kombëtare. Centros comerciais pomposos e hubs empresariais como o Blloku Center, e com certeza um lugar obrigatório para se visitar, a Pirâmide de Tirana. 

Em um formato literalmente de pirâmide, diferente das do Museu do Louvre, certamente maior e com mais concreto para poder ter espaço interior utilizável, chama de cara a atenção após uns 10 minutos de caminhada da praça Skanderbeg. Construída em 1988 como um museu para o recém falecido ditador, já foi um centro de conferências após a queda do comunismo em 1991, uma base de operações da OTAN durante a operação no Kosovo em 1999, e em 2001, passou a abrigar escritórios de canais de rádio e televisão. 

Porém, foi em 2018 que uma proposta de renovação foi apresentada e o local se tornou um centro cultural, tecnológico e jovial. No gramado ao seu redor há várias lojas de comida, videogames, cafés e empresas telefônicas em forma de cubos na diagonal e com cores vibrantes. Se aproximando, uma escadaria de cento e sessenta e poucos degraus, iluminados por led e que levam até uma das vistas mais bonitas da cidade, seja de dia ou à noite.

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Do topo da pirâmide se tem uma vista 360° da cidade, a qual fica iluminada a noite toda. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Contrastes de uma cidade cosmopolita

Falando mais sobre a noite, tal qual toda cidade grande, o trânsito fica um caos em horário de pico. Lembra-se que a cidade não possui metrô e os táxis são uma força política? Pois bem, os ônibus ficam realmente cheios a partir de umas quatro horas da tarde, não são elétricos e o cobrador fica andando entre as pessoas para coletar os 40 lekës da passagem e dar o bilhete em papel para cada um.  

Aplicativos como o Google Maps e o Moovit funcionam em Tirana, mas os intervalos dos ônibus passam facilmente de 15 minutos. Para quem preferir a cada esquina um táxi amarelo ou branco perguntará se precisa de uma viagem. Além disso, as locadoras de carros estão por toda parte e uma opção é alugar um carro, que provavelmente será um alemão (Audi, BMW ou Mercedes), ou chinês para os mais econômicos. Segundo levantamento da JATO Dynamics, em 2025, dos dez carros mais vendidos seis foram da chinesa BYD. 

Resumindo, a melhor opção é ir a pé, afinal de contas, o centro da cidade fica a poucos minutos da Pirâmide, das ruas de comércio popular no bairro Pazari i Ri, e da vida boêmia, agitada e cara do Blloku. 

Neste bairro durante o dia, cafés, lojas de eletrônicos e roupas, restaurantes fast-food como KFC e Burger King (McDonalds não opera no país), e refinados de culinária grega em especial, e mundial, enchem as ruas. A noite, carros luxuosos, música alta dos bares e gente por aí mostram que Tirana tem opções para todos os gostos.

Porém, as ruas até esses restaurantes, bares e baladas da região provavelmente vão preocupar. Mesmo com a modernização nos últimos anos, muitas regiões no país ainda são formadas por vielas e habitações da época do comunismo que aparentemente não tem manutenção há anos. Ruas estreitas, escuras e casas com tijolos à mostra são certas nos rolês pela cidade, tal qual pelo menos um gato, lembrando até um pouco a Turquia e a relação com os bichanos.

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País enfrenta problemas econômicos e políticos, mas está empenhado em ingressar na União Europeia em 2029. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Para se ter uma ideia, segundo o Banco Mundial, o Índice de distribuição per capita na Albânia era em 2024 de 11.377 dólares, que apesar de há 30 anos ser de cerca de 600 dólares, ainda é muito mais baixo que países como a Grécia (25 mil), República Checa (31 mil) e Itália (40 mil). Isso sem falar na desigualdade social que o número não considera, afinal, o Brasil tem uma cifra ainda menor para efeito de comparação, 10.310 dólares.

Belezas naturais a um piscar de olhos

 

Mudando o perfil do turismo, apesar do território pequeno, a Albânia é um país rico em biodiversidade, e Tirana é caracterizada por contrastes geológicos e climáticos devido às montanhas e a proximidade com a costa. 

Bem próximo de Blloku, um refúgio do ritmo agitado da cidade pode ser visitado, o Lake Park. Aberto ao público 24 horas por dia e em todos os dias da semana, conta com um lago, que dá nome ao parque, com chafariz e uma vista deslumbrante ao pôr do sol. Ao longo da caminhada estátuas despertam a curiosidade, memoriais às vítimas do holocausto e um pequeno teatro. 

Do outro lado da cidade, há 10 minutos do Bunk’Art 1, vale a visita ao maior teleférico dos Balcãs, o Dajti Ekspress. Como o nome sugere, os bondinhos conectam a cidade até o topo da montanha de mesmo nome, com um comprimento de 4.354 metros e um passeio que dura 15 minutos. Para aqueles com medo de altura essa atração não é muito aconselhada, a sensação de escutar o vento pelas aberturas de ar da cabine e a leve sacudida de tempos em tempos pode ser desconfortante. Mas no topo, passeios de asa delta, trilhas e escalada estão disponíveis aos mais aventureiros. 

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Construção do teleférico é austríaca, e ingresso de ida e volta custa 1.500 lekë por pessoa. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Além desses destinos dentro de Tirana, ainda é possível em cerca de uma hora de ônibus e 40 minutos de carro chegar em Durrës, importante cidade portuária e milenar. A segunda cidade mais populosa do país é também uma das mais antigas, com a sua fundação ainda no século VII antes de Cristo. O anfiteatro da cidade, por exemplo, é um sítio arqueológico a céu aberto do século II depois de Cristo. Se destacam também a Torre Veneziana, datada do império bizantino, preservada e que se liga às partes que restaram do castelo da cidade do século V. 

Mas como nem só de passado que se vive, uma arquitetura em forma côncava se destaca ao lado da Torre, construída a cerca de dois anos, e que dá de frente para os boulevards característicos do local. Com palmeiras altas lado a lado da rua, relativamente largas e com muitas lojas, evocam até um sentimento de estar em Los Angeles em pleno verão com um conversível de capota aberta para sentir o sol e o calor no corpo. 

E como se trata de uma cidade portuária, a praia é também atração principal. Com uma grande área de calçamento, estátuas de heróis do país e pessoas vendendo miçangas relaxam os visitantes, enquanto se admira o mar adriático bem azul. Olhando para frente inclusive, é possível gritar “terra à vista”, terra essa que é nada menos que o salto da bota da Itália.

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Durrës é um ótimo destino para aqueles que estão buscando viagens de bate e volta da capital. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Seja pelas vielas humildes que podem lembrar “O Cortiço" de Aluísio Azevedo, as avenidas opulentas do centro de Tirana são lotadas de carros de todas as marcas do mundo. A vida noturna agitada de Blloku e a arquitetura que mistura tradição, bunkers e modernidade. Ou ainda pela vista emocionante que a natureza da politicamente desafiadora Albânia proporciona, caro leitor, é um lugar barulhento e intrigante que merece um lugar na sua lista de destinos.

Parlamento Israelense sanciona nova medida para prisioneiros palestinos acusados de terrorismo
por
Juliana Hochman
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10/04/2026 - 12h

O Knesset, parlamento de Israel, aprovou na última  segunda-feira de março (30) um projeto de lei para execução de prisioneiros palestinos que assassinaram com intenção de “negar a existência do Estado de Israel e provocar sua destruição”, com 62 votos a favor e 48 contra. O projeto é criticado por violação dos direitos humanos e ir contra a tentativa mundial de extinção da pena de morte.

 

Sobre a lei

Após o ataque terrorista do Hamas de 7 de outubro de 2023, no qual mais de 1200 israelenses foram assassinados, alguns parlamentares pressionaram a volta da execução de palestinos acusados de terrorismo. A pena foi praticada apenas duas vezes na história do país: Em 1948, Meir Tobianski, oficial acusado de espionagem e em 1962, na execução do nazista Adolf Eichmann.

 

Promovida pelo partido Otsama Yehut, apresentada pelo ministro extremista da segurança Itamar Ben-Gvir, e apoiada por parlamentares do partido Likud e do conservador Yisrael Beiteinu, o projeto prêve pena de morte, principalmente por enforcamento, para palestinos, que não são cidadãos ou residentes, presos por ataques letais, acusados pelo tribunal militar. “A partir de hoje, todo terrorista saberá, todo o mundo saberá, que o Estado de Israel tira a vida de qualquer um que tire uma vida” diz o ministro da segurança antes da aprovação, em rede nacional “quem escolhe o terror, escolhe a morte”.

Limor Son Har-Melech (Otzma Yehudit) assinando lei de pena de morte. Foto: Limor Son Har/Divulgação/Instagram
A vice-presidente do Knesset, Limor Son Har-Melech, do partido de extrema-direita Otzma Yehudit, assina lei de pena de morte. Foto: Divulgação/@limor_sonhar.

 

Oposição

 

A nova lei foi uma das principais campanhas da extrema direita israelense. Logo após a aprovação, grupos de defesa dos direitos humanos de Israel e países Europeus condenaram a proposta. A Associação dos Direitos Civis anunciou que entrou com uma petição para a Suprema Corte do país, exigindo a anulação da Lei de Pena de Morte para Terroristas. A entidade também criticou a distinção entre israelense e palestinos no projeto. Além disso, foram feitos protestos no mundo todo, no qual civis foram às ruas para mostrar oposição à lei promulgada na segunda (30).

 

Com a aprovação da proposta, Israel vai contra o fluxo da abolição da pena de morte mundial, que, segundo a organização de direitos humanos Anistia Internacional, 113 países anularam completamente tal penalidade. 

 

De acordo com as Nações Unidas, o texto é “vago e excessivamente amplo” de quem é terrorista, o que pode levar à aplicação da pena em “pessoas que não tiveram atitude necessariamente terrorista”. Outra questão levantada pelos opositores é a possível eliminação da salvaguarda destinada ao processo legal de Israel.

 

Críticos também apontam problemáticas no texto, já que posto em prática, a lei se aplica apenas a palestinos que matam judeus, e não ao contrário. Em teoria, os Israelenses só podem ser condenados se forem contra a existência do Estado, que, segundo juristas, a chance é quase nula. Em nota para o New York Times, o rabino Benny Lau diz “não há nada além de vingança, atrelada à uma narrativa de orgulho e violência judaica”.

 

Próximos passos

 

A partir de agora, a lei permite que tribunais israelenses imponham a medida sem permissão do Ministério Público, também não precisando de unanimidade para sancionar a decisão, valendo tanto para o território de Israel quanto para a Cisjordânia.

 

Alemães votam neste domingo (26) para eleger os integrantes do 20º Bundestag (parlamento) do pós-guerra.
por
Luan Leão
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25/09/2021 - 12h

O sistema eleitoral alemão é distrital misto. O voto não é obrigatório e não existe título de eleitor como no Brasil. Algumas semanas antes do dia da eleição os eleitores recebem em casa instruções sobre seu local de votação. Também é possível votar pelos correios, neste ano espera-se que cerca da metade dos eleitores aptos a votar escolham essa opção, como fez a própria chanceler Angela Merkel que optou por votar de casa.

 

Eleição

O eleitor alemão dispõe de dois votos. No primeiro voto, o eleitor escolhe o candidato do seu distrito, por voto direto, e é eleito o candidato que obtiver mais votos. Cada partido tem o direito de lançar um candidato por distrito ou zona eleitoral. A Alemanha tem 299 distritos eleitorais, um para cada 250 mil habitantes. 

Esses 299 representantes eleitos pelo voto direto formam metade do Bundestag, o parlamento alemão, composto regularmente por 598 representantes. 

A outra metade do Bundestag é definida pelo segundo voto, ou voto em legenda. Ele vai determinar o tamanho de cada partido dentro do parlamento. Por exemplo, se um partido obtiver 30% dos votos em legenda, ele detém 30% dos assentos no Parlamento. Para definir quem serão os deputados, os partidos definem previamente uma lista. 

É possível que o eleitor conceda o primeiro voto ao candidato de um partido, e escolha um partido diferente para o seu segundo voto. 

 

Formação do Parlamento

Para obter cadeiras no Parlamento alemão os partidos precisam conquistar pelo menos três mandatos por voto direto ou 5% dos votos em legenda. A formação do Bundestag respeita a proporcionalidade, evitando que o voto direto tenha mais peso do que o voto na legenda. 

Por exemplo, um partido obteve 30% dos votos em legenda, logo tem direito a 180 assentos no Bundestag. Se esse partido elegeu 90 deputados por voto direto, estes serão os primeiros a ocupar os assentos no Parlamento, e os demais 90 serão ocupados conforme a lista do partido. 

Foto: Michele Tantussi/REUTERS
Câmara baixa do Parlamento da Alemanha, em Berlim. Foto: Michele Tantussi/REUTERS

Porém, se esse partido eleger 200 deputados por voto direto, ele tem mais deputados eleitos por voto direto do que assentos garantidos pela porcentagem da legenda. O sistema eleitoral permite que todos esses 200 tomem posse, mas, para compensar, os demais partidos ganham assentos adicionais conforme suas porcentagens de voto na legenda. Interessa que ao final as bancadas correspondam a porcentagem de votos obtidos pelo partido no segundo voto.

Na eleição de 2017, devido a esse sistema de compensação, o Bundestag que, em tese, seria composto por 598 representantes, empossou 709 deputados, um recorde. 

 

 

 

 

Proporção populacional 

A composição do Parlamento é dividida por estados e leva em conta a população de cada um deles no dia 31 de Dezembro do ano anterior. Com isso, enquanto o estado mais populoso do país, Renânia Norte-Vestfália, pode eleger 135 deputados, o menos populoso, a cidade-estado de Bremem, elege apenas cinco. 

 

Partidos

Com uma antecedência mínima de 79 dias, a Comissão Eleitoral determina quais partidos poderão participar da eleição, a partir do número de filiados e grau de popularidade. Atualmente, os partidos com representação no Bundestag são os conservadores União Democrata Cristã (CDU) e União Social Cristã (CSU), que formam uma bancada única, o Partido Social Democrata (SPD), o Aliança 90/Os Verde, Die Linke (A Esquerda), Partido Liberal Democrático (FDP) e a Alternativa para a Alemanha (AfD).

Como é eleito o chanceler federal ?

A lei alemã não prevê a eleição por voto direto para escolha do chanceler federal. O chanceler é escolhido por meio do Bundestag, ou seja, de forma indireta.

No início das campanhas eleitorais alguns partidos já indicam candidatos a chanceler, na prática, estão dizendo ao eleitor quem eles vão submeter ao voto do Bundestag, caso liderem uma coalizão de governo. Nem todos indicam previamente os nomes. Geralmente, só os que realmente se veem com chances de liderar uma coalizão o fazem. 

Nas atuais eleições, três partidos indicaram candidatos oficiais: A CDU e a CSU apresentaram o líder da CDU e ministro-presidente do estado da Renânia Norte-Vestfália, Armin Laschet. O atual ministro das finanças e vice-chanceler Olaf Scholz, é o nome do SPD. E Os Verdes escolheram sua colíder Annalena Baerbock. Esta é a primeira vez que Os Verdes indicam um nome para o cargo de chanceler federal. 

 

Apuração e resultados 

Os votos são contabilizados logo após o fechamento das urnas e costumam ser anunciados nas horas seguintes. Segundo a lei, os deputados eleitos devem tomar posse até 30 dias depois da eleição. 

Caso nenhum partido obtenha maioria absoluta dos votos, o que é provável, duas ou três legendas iniciam contatos para formar uma coalizão. Ao chegarem a bases para negociar, passam a definir quais partidos ocupam quais funções no futuro governo, e quais políticas serão implementadas, isso tudo é formalizado em um documento, o acordo de coalizão. 

O chanceler só é eleito pelos deputados depois que a nova coalizão chega a um acordo. As negociações não têm prazo para terminar, e podem se estender por semanas ou meses. Durante todo esse período, segue no cargo o governo que já está.

Após o acordo, o presidente da Alemanha formaliza a indicação do chanceler e envia o nome de volta ao Parlamento para votação. Os parlamentares votam se aprovam ou não o candidato a chanceler. Se o nome for aprovado, o que costuma acontecer sem sustos, o chanceler é confirmado no cargo e a Alemanha tem novo governo.

 

Depois de 16 anos como chanceler alemã, Merkel decidiu não concorrer à reeleição. Os alemães votam neste domingo.
por
Luan Leão
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23/09/2021 - 12h

Desde 2018 já se sabe que Angela Merkel não disputaria as atuais eleições. No poder desde 2005, Merkel optou por não concorrer à reeleição. Líder do principal partido alemão, a União Democrata-Cristã, ou CDU, ainda em 2018 indicou um nome para lhe suceder nas próximas eleições: Annegret Kramp-Karrenbauer. 

Vista por muitos como moderada, cautelosa e capaz de dar continuidade ao governo de Merkel, Karrenbauer não conseguiu formar sua própria base e não obteve sucesso em popularidade nem dentro do partido. Com o esvaziamento da pré-candidatura, Karrenbauer abandou a liderança do partido em Janeiro deste ano. Em seu lugar, assumiu Armin Laschet, a atual aposta para a sucessão de Angela Merkel. Desde Junho de 2017, Laschet é Ministro-presidente do estado da Renânia do Norte-Vestfália, o mais populoso da Alemanha.

Apesar de reunir características que agradam a base da CDU, Laschet não empolga e se viu em queda livre nas pesquisas eleitorais desde o começo da campanha. Em teoria, após 16 anos de governo Merkel, não teria dificuldade em emplacar um sucessor. Ainda mais se olharmos para a história: nos últimos 72 anos, a CDU esteve no poder durante 52. 

Angela Merkel e Armin Laschet. POOL/REUTERS
 Angela Merkel cumprimenta Armin Laschet, em Düsseldorf. POOL/REUTERS

O que atrapalha Armin Laschet ?

O político de 60 anos e formado em Direito é visto por muitos como inseguro, despreparado e pouco sério diante de problemas graves. O caso que abalou sua popularidade, e é considerado o motivo de sua queda nas pesquisas, aconteceu há pouco tempo, envolvendo sua reação às enchentes que mataram 180 pessoas na Alemanha. Em 17 de Julho, ao visitar uma região do estado que governa, duramente castigada pela enchente, Laschet foi flagrado rindo de uma piada no exato momento em que o presidente alemão Frank-Walter Steinmeier discursava e prestava solidariedade às vítimas. 

Quem também estava no local era o principal rival de Laschet nessas eleições, o ministro da economia e candidato do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), Olaf Scholz, que permaneceu sério e falou sobre liberação de verbas e medidas imediatas de reconstrução. Dias após o episódio, Laschet se retratou à emissora ZDF: “Foi estúpido e não deveria ter acontecido e eu me arrependo”, disse ele.

O que dizem as pesquisas ?

Olaf Scholz (SPD) lidera as pesquisas. De acordo com os últimos números, os social-democratas aparecem com cerca de 25%, enquanto a CDU de Armin Laschet obtêm entre 20% e 22% – um dos piores resultados já registrados pelos conservadores em pesquisas. 


 

O acidente nuclear responsável por criar a maior cidade fantasma da Europa faz aniversário
por
Isabela Gama Figueroa
Fabrício De Biasi
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15/05/2021 - 12h

Na madrugada do dia 26 de abril de 1986, na cidade de Chernobyl, um dos reatores da Usina V.I Lenin explodiu após uma falha humana, e acarretou um verdadeiro desastre para a população.  

Tudo começou com um teste de segurança que estava em curso, e por uma falha, ocasionou na explosão do reator 4, que matou 31 trabalhadores de início, e na sequência, iniciou-se um incêndio que se estendeu por dias, isso porque a exposição nuclear ficou muito grande, impossibilitando uma ação humana mais "direta". Além disso, essa explosão liberou quantidades enormes de materiais radioativos, entre eles, o IODO-131 e o CÉSIO-137. 

É válido lembrar que as consequências deixadas pelo acidente foram enormes, tanto para a área ambiental quanto para a política e economia da antiga URSS. Em conversa com o professor da PUC-SP José Arbex Jr, que já morou por um período em Moscou, ele nos revela que a Guerra Fria, por um lado, obteve sua influência a respeito do acidente, levando-se em conta que havia uma certa “pressa” por parte dos EUA e da URSS em se desenvolverem cientificamente. Por outro lado, já havia também, de acordo com o entrevistado, um problema de gestão no governo, nas palavras dele: “uma carência de fundos também contribuiu para o acidente”. Quando perguntado sobre a influência deixada para a eventual abertura da URSS, ele nos conta que o acidente ajudou a acelerar o processo de reforma, acarretando, posteriormente, na sua dissolução no dia 25 de dezembro de 1991. 

A região de Chernobyl ainda não é habitável, mas apesar disso, atualmente as viagens às cidades de Pripyat e Chernobyl são recorrentes. 

Guichê de informações da “Chernobyl Tour”   Foto: NurPhoto / Sygma via Getty Images

Em conversa com a jornalista Fernanda Ezabella, que visitou a Ucrânia em 2018, e Lucas Estevam, responsável pelo blog de viagem “Estevam pelo mundo", que visitou em 2019, eles nos revelaram que não há burocracia para o passeio turístico, é possível acionar umas das dez agências que realizam os tours pela internet, e são elas que cuidam de toda a parte documental da viagem, “Arranjamos tudo on-line, e encontramos a guia e a van no centro de Kiev”, afirma Fernanda. 

Em relação ao passeio, os entrevistados contam que é possível alugar um contador Geiger, aparelho utilizado para medir Sievert, unidade de medida para radiações ionizantes, desse modo é possível acompanhar o índice de radiação nos objetos encontrados. Já sobre os lugares visitados, Fernanda conta: “A agência tem alguns tipos de roteiro. Visitamos uma escola, um campo de futebol, uma piscina vazia, a praça central de Pripyat, um supermercado, etc.” Mas para todos que viajam para Chernobyl, o ponto turístico mais aguardado é o sarcófago que protege o reator 4, só é permitido permanecer 7 minutos no local e a 270 metros de distância da cobertura de concreto e aço. A jornalista também comenta de monumentos dedicados aos bombeiros que chegaram primeiro no local do acidente e também de uma estátua do Lenin, a última que segue de pé na Ucrânia. Além disso, há um restaurante em Chernobyl Town, o único que permite o almoço de turistas, “A guia fez questão de dizer que a comida vinha de Kiev, não tinha nenhum problema de ser 'radioativa'”, afirmou Fernanda.  

Quando perguntado o que mais impressionou os viajantes, Fernanda apontou detalhes da natureza, "Só conseguimos reconhecer o campo de futebol por causa das arquibancadas”. E um ponto em comum com os dois viajantes foi a sensação de volta para o passado, “Foi como estar dentro de um filme. Difícil descrever em palavras”, afirmou Lucas Estevam. 

 Parque de diversões em Pripyat tomado pela vegetação  Foto:Edward Neyburg/ Sygma via Getty Images

 

Como está sendo o trabalho desses profissionais em época de isolamento social?
por
Isabella Pugliese e Maria Sofia Aguiar
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30/06/2021 - 12h

Atualmente, nosso país conta com 92 embaixadas no exterior, além de três delegações e três missões diplomáticas junto a organismos internacionais. Além disso, mantém 38 consulados-gerais, seis consulados e 19 vice-consulados. Eles somam, ao todo, 1324 funcionários, dos quais 537 são diplomatas. No entanto, muitos não sabem o que, de fato, um profissional dessa área faz.

Um diplomata representa o estado brasileiro perante a comunidade internacional. Também participa da formulação da política externa brasileira. Preza pelo respeito nas relações do Brasil com outros países, tratando de questões relacionadas a comércio, cultura, economia, direitos, conflitos, entre outros temas. As responsabilidades da profissão são muitas e, durante a pandemia, não foi diferente.

Para entender melhor essa profissão e seus obstáculos em época de isolamento social, a AGEMT conversou com o Cônsul Honorário representante da Hungria, Marco Aurélio Schetino, e com o Cônsul Honorário representante da Lituânia, Carlos Levenstein. Confira a entrevista!

(Foto: Entrevista)

O Oficina Podcast é apresentado e produzido pelos alunos Giovanna Canha Crescitelli, Laura de Almeida Mello e Lucas Malagone do terceiro semestre do curso de Jornalismo da PUC-SP. O episódio faz parte da disciplina de Narrativas Online
por
Giovanna Crescitelli, Laura Mello e Lucas Malagone
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24/06/2021 - 12h

Em outubro de 2019, a América do Sul se deparou com enormes manifestações populares no Chile. Conhecido como Estallido Social (tradução: estalo social), os atos iniciaram-se com a resposta dos estudantes para o aumento da tarifa dos transportes públicos e foram crescendo subitamente até concentrarem um total de 1,2 milhões de manifestantes apenas na capital chilena, Santiago, sendo brutalmente repreendidos pela força policial. Essa violenta forma de repreensão era familiar aos povos originários do país, como os mapuches, que se solidarizaram e, em nota nas redes sociais da Alianza Territorial Mapuche, apoiaram as manifestações como um povo distante que concordava e apoiava suas reivindicações. Naquela semana, se viam inúmeras bandeiras mapuches nos protestos, um número visivelmente superior à própria bandeira chilena. Todos estes fatos levaram a algo inédito na história do país: uma constituinte paritária que teria cadeiras indígenas. Escute aqui.

https://soundcloud.com/giovanna-crescitelli/oficina-vozes-chilenas-sobre-o-processo-constituinte