Movimento que começou nos subúrbios de Paris já reúne centenas de milhares de pessoas e mantém pressão sobre o governo
por
Rafael Jorge
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03/11/2026 - 12h

A mobilização na França voltou às ruas no último sábado (24). Segundo o Ministério do Interior, 410 mil pessoas protestaram, 110 mil delas em Paris, número menor que o da semana anterior. A Confédération générale du travail (CGT) fala em 800 mil. Os manifestantes voltaram a pedir mais recursos para as escolas e medidas contra a alta dos preços, a convite de coletes amarelos e movimentos de estudantes. 

O governo aumentou o efetivo policial, e várias cidades tiveram proibições de manifestar ou toque de recolher. Segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez, as manifestações transcorreram bem, mas quase mil pessoas foram detidas, houve confrontos e saques em algumas cidades, e duas pessoas ficaram gravemente feridas, em Clermont-Ferrand e Toulouse.

Estudantes nas ruas em protesto contra as más condições de ensino
Estudantes franceses no ato do dia 17 de outubro. Foto: X/ Reprodução: @EllaGrand1681

O movimento nasceu em meados de setembro de 2026, quando estudantes do Lycée Saint-Exupéry, em Créteil, subúrbio de Paris, bloquearam a escola em protesto contra as condições precárias do ensino médio francês, salas superlotadas, calor e falta de professores.

O que parecia um ato isolado se espalhou. Em 29 de setembro, a Union Syndicale Lycéenne (USL), organização que representa os estudantes de ensino médio, e a União Estudantil disseram que 400 escolas e cerca de dez universidades estavam bloqueadas. Em 1º de outubro, as universidades ganharam peso, com 29 campi bloqueados, segundo a União Estudantil, e o movimento deixou de ser apenas de ensino médio. Em 6 de outubro, o Ministério do Interior contou 256 mil manifestantes, e os sindicatos, 450 mil. 

Os estudantes querem um plano de emergência para reformar prédios escolares e universitários em mau estado e mais professores contratados em definitivo, e não por contratos temporários. Pedem também o fim da seleção do Parcoursup, sistema que decide quem entra em cada curso superior, e 150 mil vagas a mais nas universidades.

Em 4 de outubro, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu apresentou cinco prioridades, como resolver o problema de professores que se afastam por longos períodos e não são substituídos. Em 8 de outubro, o ministro da Educação, Édouard Geffray, anunciou na TV um plano de emergência com 3 mil professores substitutos, que seriam enviados às escolas em pior situação. Sindicatos criticaram a medida como solução de última hora. Para os estudantes, não bastou, eles dizem ter recebido apenas “migalhas”. 

Os protestos continuaram no dia 13 de outubro. Segundo os sindicatos de estudantes, aproximadamente 480 mil pessoas participaram, e o Ministério do Interior aponta cerca de 161 mil. Para os jovens, o centro do movimento está na crise cotidiana das escolas, aulas canceladas por falta de professores, turmas cheias, prédios sem estrutura, jornadas longas e falta de profissionais de saúde e assistência. O ato marcou a quarta semana consecutiva de protestos e contou com a presença da ativista sueca Greta Thunberg.

Greta esteve em frente a escola Paul-Éluard, em Saint-Denis, onde cerca de vinte advogados formaram uma corrente humana para proteger os estudantes de possíveis violências policiais, segundo a AFP. “Os jovens não estão sendo incluídos na conversa, nosso futuro está sendo roubado de nós”, disse Thunberg  à agência.

No fim de semana seguinte, o protesto dos estudantes se juntou à revolta da população contra o custo de vida e reuniu pessoas de todos os perfis. Segundo o Ministério do Interior, 550 mil pessoas foram às ruas na França, 110 mil delas em Paris, os organizadores falam em 800 mil. O dia terminou com saques, depredações e ao menos 1.800 detidos, segundo balanço divulgado pela imprensa francesa. 

O ato foi convocado pelos "coletes amarelos", movimento sem líderes que tomou as ruas em 2018 contra o aumento do preço dos combustíveis. Desta vez, a pauta foi o poder de compra e mais recursos para os estudantes. Alunos de ensino médio, universitários, coletes amarelos, ativistas do clima, sindicalistas e milhares de famílias tomaram as ruas. 

Movimento dos coletes amarelos nos protestos contra o custo de vida
Coletes Amarelos no ato do dia 24 de outubro de 2026. Foto: X/ Reprodução: @jmusulmans2

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, atribuiu os ataques a prédios públicos e delegacias a grupos da “extrema esquerda radical”. Em Saint-Étienne, um manifestante de 17 anos teve a mão arrancada, e a Inspeção-Geral da Polícia Nacional (IGPN) investiga o caso. 

Em um pronunciamento de cerca de nove minutos, na noite do dia 18, o presidente Emmanuel Macron disse que o país sentia “raiva e vergonha” pela violência. Ele afirmou que quem destruiu deve pagar e quem saqueou deve devolver. Prometeu ainda que o governo será rígido com os responsáveis, e que diálogo não significa fraqueza nem impunidade. Ao mesmo tempo, procurou não culpar os jovens. Disse entender os estudantes e pediu para não confundir manifestantes com reivindicações legítimas com os que destruíram patrimônio. 

O discurso foi alvo de críticas. A Public Sénat observou que o governo parece ter subestimado a raiva e os possíveis excessos do sábado. Na noite seguinte, Paris viveu novas tensões, em especial perto da Praça da República. 

Presidente Macron em Marseille depois das manifestações de 17 de outubro
Macron em Marseille depois dos atos de 17 de outubro/ Foto: Instagram/ Reprodução: @emmanuelmacron

Na quarta-feira (21), o primeiro-ministro Sébastien Lecornu recebeu os sindicatos em Matignon, mas sem os representantes dos estudantes, embora a CGT tenha pedido a presença deles. Lecornu disse que trataria das respostas às reivindicações sobre horários, substituições, reforma de prédios e Parcoursup, e prometeu respostas aos estudantes no início da semana seguinte.

 

Marcas europeias dão o nome no maior salão do automóvel do continente, que mais uma vez registrou grande presença de marcas chinesas
por
Vítor Nhoatto
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23/10/2026 - 12h

A feira automotiva mais antiga do mundo voltou a Porte de Versailles, em Paris, na França e acontece entre os dias 12 e 18 de outubro. O Mondial de l’Auto 2026 levou mais de meio milhão de pessoas para a bienal, que mostra ter recuperado o seu brilho com grande adesão das marcas europeias, enquanto o crescimento das chinesas continuou.

Na edição passada 41 montadoras compareceram e desta vez foram 43. Algumas com retornos expressivos como Fiat e Mercedes. Experiências interativas, test-drives e mais de cem expositores completaram o evento, que teve a questão da eletrificação como foco novamente, o que inevitavelmente reflete o contexto geopolítico e os desafios econômicos e ambientais atuais.

O setor tem se recuperado após dificuldades na pandemia e em grande parte pela chegada das chinesas ao continente com preços muito competitivos. Para se ter uma ideia, a participação de mercado delas foi de 4,9% em 2025, e a porcentagem de carros feitos na China vendidos na Europa superou a dos veículos fabricados na Turquia, no Japão e no Reino Unido, segundo dados da JATO Dynamics. A resistência europeia ainda existe, principalmente na Alemanha, maior produtora e mercado no continente, mas a questão preocupa.

Em 2024, foram aprovadas taxas de importação de até 35% sobre os 10% padrão nos carros elétricos chineses, e a União Europeia estuda limitar a 350 mil híbridos plug-in (PHEV) do país por ano. O presidente francês Emmanuel Macron compareceu pela última vez ao Paris Motor Show e, em meio a tumultuosos protestos pela França, para advogar justamente pela preferência europeia aos chineses. Além disso, o bloco busca aprovar a criação de uma nova categoria na legislação para subsidiar elétricos produzidos nos países membros. 

Resposta europeia conceitual

Nesse sentido, as marcas europeias voltaram com força ao Salão de Paris buscando referências de suas histórias, e o Grupo Stellantis chamou a atenção com oito carros-conceito. Emanuele Cappellano, Diretor de Operações (COO) do conglomerado para a região da Europa ampliada, destacou que “quer aproveitar ao máximo a vantagem competitiva proporcionada pela singularidade de suas marcas icônicas, oferecendo carros que, ao mesmo tempo, estão enraizados em sua herança e voltados para o futuro.”

A principal aposta do grupo é o novo Citroën 2CV, uma releitura do icônico modelo do século passado, seguindo a tendência de sucesso adotada pela rival Renault com os novos R5, R4 e o rival direto, Twingo. A Citroën promete que o modelo de produção custará a partir de 15 mil euros e será fabricado na Itália. 

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Compacto francês deve chegar ao mercado em 2028, com preço acessível e design carismático. Foto: Divulgação/Stellantis

 

Falando do país, a Fiat retornou a Paris depois de dez anos, e apresentou o conceito Multiplay, que prevê o próximo modelo da marca na Europa, um SUV do segmento C com a funcionalidade das minivans dos anos 2000. Além disso, a italiana mostrou o Multiplina, basicamente a versão de quatro lugares do quadriciclo elétrico Topolino.

Outro retorno ao evento foi a francesa DS, marca premium do grupo que, desde a separação da Citroën em 2015, sofre para conquistar uma fatia em meio a Audi, BMW e Mercedes. A marca apresentou o F3VER, prevendo a próxima geração do DS3, inclusive buscando inspiração nas lanternas traseiras da primeira geração do modelo, de 2009, e que seguindo a nova nomenclatura inspirada em perfumes franceses, se chamará Nº3. 

Rival da DS, a Alfa Romeo chamou a atenção com o conceito Cuorerosso, um sedã que antecipa a direção de design da italiana, mantendo a filosofia de beleza necessária e conexão emocional entre motorista e máquina. No entanto, a marca possui apenas três modelos à venda, sendo dois com uma década de mercado, Giulia e Stelvio, com a nova geração deles com futuro incerto após sucessivos atrasos, e nenhum lançamento há dois anos. 

Seguindo a linha da esportividade e do resgate do passado, a Peugeot apresentou o RCZ Vision, um esportivo elétrico sucessor do cupê dos anos 2010. Além disso, a francesa surpreendeu com o E-T16, conceito que antecipa o próximo 208 e resgata elementos da lenda do rally, o 205 Turbo de 1985. A nova geração do B-hatch estreará o volante Hypersquare, retangular, e promete ser o primeiro do segmento com o sistema steer-by-wire, sem ligação mecânica entre volante e rodas.

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Peugeot E-T16 resgata o passado da marca para os futuros Peugeot 208 e 2008. Foto: Divulgação/Stellantis

 

A Stellantis ainda mostrou o Opel STX Concept, que indica a direção que a marca alemã seguirá e chama a atenção por ser um Station Wagon, carroceria que praticamente desapareceu com a ascensão dos SUVs. 

Nessa mesma linha de apostar em receitas diferentes, mas agora no Grupo Renault, a francesa mostrou o E-Space, uma minivan que resgata a história do modelo que se transformou em um SUV de sete lugares. Elétrico e com visual retrô, não foi confirmado se será produzido, mas comprova que a marca segue com a estratégia de reviver ícones do passado, que vêm sendo referência na indústria europeia pelo sucesso de vendas do R5 e Twingo E-Tech. 

O grupo ainda levou a Alpine para o Porte de Versailles, com o concept A310, que busca explorar o passado da marca esportiva com grande presença em competições. Chama a atenção que Nissan e Mitsubishi, apesar de também pertencerem ao grupo e terem um grande legado no esporte mundial, mais uma vez estiveram ausentes e enfrentam dificuldades financeiras. 

Expansão chinesa continua

Diferente das donas da casa, o destaque das chinesas foi com modelos de produção que prometem ser inclusive fabricados no bloco em alguns anos para escapar das tarifas. A parceira estratégica da Stellantis, a Leapmotor, apresentou três novos modelos. 

Após a ofensiva nos segmentos D e C, agora a chinesa aposta no segmento B. O evento foi palco do primeiro contato do público com o SUV B03X. Com porte de Volkswagen ID.Cross e até 401 km de autonomia, chega custando cerca de 24 mil euros, 4 mil a menos que o alemão. A marca apresentou também o B03, versão hatch do B03X, visando bater de frente com o Renault R5 e o Volkswagen ID.Polo. Ambos os modelos devem chegar ao Brasil em breve. 

A recém-chegada Changan também acelera na conquista do continente europeu, apresentando o SUV CS55, lançado em setembro por aqui, e os modelos de luxo da Avatr. Mas o destaque da ofensiva é o lançamento da Deepal e da NEVO em Paris. A primeira é uma marca com apelo esportivo e premium, com os SUVs elétricos ou híbridos plug-in S07 e S05, dos segmentos D e C, respectivamente. Já a Nevo apresentou o Q05, com 4,43 m de comprimento, elétrico ou PHEV, com mais de um milhão de vendas na China e com chegada prevista para o início de 2027. Um degrau acima estará o Q06, ainda em homologação. 

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Grupo chinês já opera no Reino Unido, e agora avança para a União Europeia. Foto: Divulgação/Changan Global

 

O Grupo Chery revelou o Tiggo 4 para a Europa, que irá no próximo ano completar a linha de SUVs por lá, com conjunto híbrido pleno (HEV) com foco em economia e tecnologia. Além disso, a marca apresentou pela primeira vez fora da China o novo Q, um hatch elétrico do segmento B de última geração, levado para avaliar a recepção do público europeu ao modelo. Paris também foi o palco do novo Omoda 4, apresentado na China no começo do ano, e com grandes expectativas de ser o próximo lançamento da marca no Brasil. Com um visual afiado, tem botão de partida com tampa protetora ao estilo Lamborghini, e opção HEV e elétrica. 

Seguindo o plano de expansão na Europa, a vice-presidente da BYD revelou planos de construção de duas novas fábricas em solo europeu, na França e Espanha, se juntando à unidade na Hungria, com produção em massa prevista para começar ainda este ano. A marca lançou também o elétrico Atto 8, o primeiro com a segunda geração da bateria Blade e sistema Flash Charging, com recarga de até 1.500 kW, o que se traduz em 10 a 97% em apenas nove minutos. 

O salão também foi palco para a estreia de duas novas chinesas, Forthing e Li Auto. A primeira faz parte do grupo Dongfeng, que estreou no Brasil em agosto no Festival Interlagos. Para Paris, o conglomerado que estuda uma parceria com a Stellantis aos moldes de Leapmotor, apresentou a marca Forthing e os modelos TK5 e TK7. O primeiro se trata de um SUV médio e o segundo, curiosamente, é uma minivan, ambos elétricos ou híbridos plug-in. Estava presente também a van V9, e planos de uma planta de produção em solo europeu já no início de 2027 foram anunciados. Já a Li Auto levou o seu SUV com ares de minivan, i6, com previsão de lançamento no ano que vem.

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Dongfeng esteve presente nas edições 2023 e 2025 do Salão de Munique, e na edição passada do Paris Motor Show. Foto: Divulgação/Forthing

 

Geely e GAC usaram o evento para fortalecer sua chegada na Europa com os modelos já conhecidos pelos brasileiros. De novidade, a primeira apresentou globalmente o Monjaro EM-i, um D-SUV híbrido plug-in que, apesar do nome curioso, oferece muito espaço e conforto como modelo topo de linha na Europa. Já a segunda revelou o inédito Aion UT Cross, versão aventureira do hatch elétrico.

Chamaram a atenção em Paris ainda as chinesas Aito e Xpeng. A primeira é a marca de luxo do grupo SERES e parceira da gigante de tecnologia Huawei, que também esteve presente em 2024, mas ainda não deslanchou no continente. Já a Xpeng fortalece a ofensiva com a chegada do SUV cupê elétrico ou híbrido L03. Após marcar presença na edição passada do evento e nos dois últimos Salões de Munique, agora aposta em um modelo do segmento D, rival do Tesla Model Y, com 520 km de autonomia, tecnologia de ponta e por cerca de 35 mil euros. 

Lançamentos de produção

Como resposta às chinesas, as marcas tradicionais também aproveitaram o Salão de Paris para mostrar importantes modelos de produção para o futuro da indústria europeia. A Stellantis mostrou os novos Fiat Grizzly e Grizzly Fastback. Como o nome do segundo sugere, eles devem substituir o Fastback atual no Brasil e provavelmente o Pulse. 

O estilo segue o do Grande Panda, que será lançado no Brasil ainda este ano como Argo X. Terá versões a gasolina, híbrida leve (MHEV) e elétrica, e usa a versão simplificada da plataforma e-CMP chamada de Smart Car, desenvolvida em parceria com a indiana Tata.

A coreana Hyundai foi a única asiática não chinesa que apresentou grandes lançamentos neste ano: a segunda geração do SUV Bayon, e a quinta geração do Tucson. O primeiro é um SUV compacto baseado no novo i20 já vendido no Brasil, mas ainda em adequação para o mercado europeu. Ele possui exatamente o mesmo interior do hatch, mas é 11 centímetros mais comprido e seis mais alto, e conta com motorização micro-híbrida por lá, além de futuramente um sistema HEV. Já o Tucson muda completamente em relação à geração atual, que nunca foi vendida no Brasil. Ele continuará contando com opções MHEV, HEV e PHEV, além de um entre-eixos menor que o da versão global, como já adotado pelo atual e pelo Kia Sportage.

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Bayon segue a linguagem de design “Steel of Art”, seguindo a linha do novo Tucson. Foto: Divulgação/Hyundai Group

 

O Grupo Volkswagen vive um momento delicado e levou a sua mais nova aposta para Paris. Após atrasar a nova plataforma elétrica para médios do grupo para 2029, e ter vendas aquém do esperado de seus primeiros elétricos, ID.3, ID.4 e ID.5, a alemã reviu a sua estratégia. Em vez de lançar uma reestilização para os dois últimos, fez mudanças profundas no design, no interior e na nomenclatura. Conforme defendido no Salão de Munique de 2023, o legado das marcas é visto como a principal chave para conquistar os compradores com a chegada dos chineses, e com o sucesso da Renault ao resgatar nomes lendários, a Volkswagen lançou o ID.Tiguan.  

Essencialmente, o modelo é o velho e descontinuado ID.4, recém-lançado no Brasil, com mesma plataforma, bateria e motor. Porém, o exterior é menos arredondado e mais em linha com o Tiguan a combustão, e o interior é completamente novo, sanando o problema da falta de comandos físicos, telas pequenas e acabamento duvidoso. 

Falando em acessibilidade e legado, Paris marcou o retorno de um ícone, o smart #2. Lançado no Paris Motor Show em 1998 como Fortwo, havia sido descontinuado em 2024, e retorna em 2026 mantendo a filosofia de ser realmente pequeno, funcional e divertido. O preço deve começar em 20 mil euros, e a bateria de 35 kW consegue uma autonomia de 290 km para o pequeno com 2,76 de comprimento.

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Primeiras entregas do novo smart #2 começam já este ano em alguns países europeus. Foto: Divulgação/smart

O novo smart será fabricado na China e foi desenvolvido em parceria com a Geely, e reflete bem o momento que a indústria automotiva mundial vive. A produção do #2 em solo europeu não foi descartada, mas a empresa disse que isso teria atrasado seu lançamento em um a dois anos. Ou seja, mesmo que europeias, a colaboração com a China não parece mais opcional, e o tempo mostrará se os conceitos das marcas tradicionais conseguirão chegar a tempo dos chineses de agora.

Colapso glacial gera evento sísmico que destrói estruturas do país e deixa 1.445 mortos e 5.285 desaparecidos; enxurrada do monte Langtang Lirung chega a 180 km/h e atinge Tibete
por
João Barbosa
Manuela Abbate
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22/10/2026 - 12h

Nas últimas semanas, uma série de tragédias ambientais atingiram terrenos asiáticos. Casos de enchentes na região da cadeia montanhosa Hindu Kush-Himalaia causaram estrago na estrutura local e um número alto de óbitos e desaparecidos. Os acidentes são recorrentes e refletem a circunstância das mudanças climáticas que oferecem alto risco a esse tipo de território.

Em 26 de agosto, houve o primeiro grande deslizamento no monte Langtang Lirung. A queda dos detritos gerou uma avalanche que chegou ao vale do rio Lhende Khola, devastando mais de 40 km de rodovias, 70 pontes e 12 hidrelétricas na região. Ao chegar ao solo, os resíduos causaram um tremor sísmico de magnitude 5,2, agravando o desastre.

Houve dois deslizamentos graves desde o ocorrido em agosto, um em 27 de setembro e outro no último domingo (10). Esse atingiu a Índia, deixando 56 mortos.

No momento, 49 dos 77 distritos do Nepal estão em alerta quanto as chuvas. O desastre danificou as fibras ópticas da área, deixando os distritos de Manang, Mustang, Myagdi e Baglung sem energia.

Ao total, foi calculado pelas autoridades do país que a recuperação custará de 4 a 5 bilhões de dólares.

Quanto as vítimas do desastre, apenas 105 corpos foram identificados e retornados aos familiares. As autoridades nepalesas criaram um cemitério temporário no distrito de Chitwan, onde enterraram em vala comum um número não divulgado de corpos não identificados.

O fenômeno

O colapso glacial consiste na fragilização e o desabamento de geleiras. Durante o deslizamento, o gelo acumula outros sedimentos e detritos, podendo gerar uma avalanche.

Os deslizamentos são esperados durante o verão na Ásia do Sul visto que as chuvas nesse período são intensas. Esse processo é chamado de chuvas de monções. Elas ocorrem quando os ventos da região mudam a trajetória, transportando o ar mais umido do oceano Índico para o continente. Devido as cadeias montanhosas da região, o Himalaia e a Caxemira, as nuvens carregadas não se dispersam, intensificando a precipitação.

mapa que mostra a Índia, Nepal e a região do Tibete na China
Mapa da região, mostrando a fronteira entre o Nepal e o Tibete | Reprodução: Google Earth

É importante pontuar que as mudanças climáticas exercem um papel nessa progressão de eventos. O aumento da temperatura global torna os colapsos glaciais e as precipitações mais frequentes. Em entrevista a Reuters, o cientista Terra Dan Shugar comentou “Algumas das geleiras do vale estavam cobertas de neve ontem e hoje estão, em sua maioria, com o gelo à mostra. Portanto, em outras palavras (e ainda não vi nenhum dado de estações meteorológicas), provavelmente estava quente”, indicando que uma grande quantidade de neve derreteu no dia que precedeu o desastre.

O reflexo no futuro

A longo prazo, o panorama da região tende a seguir o caminho que se perpetua hoje. As variações na precipitação são uma questão de tamanho mundial, o ciclo hídrico do planeta é desregulado pelas mudanças climáticas. Em pesquisas realizadas pelo Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento do Nepal no ano de 2023, a professora Shankar Shrestha prevee um aumento de 72% na intensidade diária de chuvas no Nepal pelos próximos anos. Simultaneamente, a perspectiva é de aumentos nas áreas de derretimento. Dados de um levantamento da ONU (Organização das Nações Unidas) apontam que as montanhas nevadas da região perderam cerca de um terço do gelo total, com tendências a aumento crítico no processo.

Em entrevista a AGEMT, o jornalista especializado em divulgação científica Ulisses Capozoli comenta sobre as predisposições do território nepalês: “O Nepal é uma região de choque de placa tectônica, então é de se esperar esse tipo de coisa. A questão é fazer uma análise incluindo dados de processos naturais, para ter um perfil do que está acontecendo. O que está acontecendo é compatível com um planeta que tem uma população crescente e tem um padrão de energia que muda o ambiente”

A interferência humana no comportamento natural do meio ambiente tem implicações diretas na própria existência da sociedade. No caso da parcela do Nepal afetada pelos desastres, a maioria populacional é de baixa renda, que depende da área para o funcionamento local. Por conta dos desastres, hoje esses residentes estão considerados em situação de risco.

Estudos realizados pela IFC (International Finance Corporation), apresentam a progressão do número de pessoas afetadas por enchentes oriundas de mudanças climáticas no Nepal nos ultimos anos. Em 2010, o número foi de aproximadamente 157 mil, enquanto em 2030, o número está previsto para alcançar os 350 mil.

 

 

 

Presidente dos EUA ameaça Irã, Cuba e México, anuncia acordo com a Groenlândia e defende renomear IA como "superinteligência"
por
Sofia Martins
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25/09/2026 - 12h

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursou na terça-feira (22) na 81ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) em Nova York.  O mandatário iniciou seu discurso de 37 minutos com a frase “America is back” (América está de volta).  

O político apontou, o que classificou, como “melhorias históricas” na economia, segurança pública e força militar dos EUA. Além disso, reforçou ameaças ao Irã, relações com o território venezuelano e enfatizou o poder e o cuidado com as Inteligências Artificiais, chamadas por Trump de “super-inteligências”. O líder norte-americano falou após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O brasileiro abriu a reunião, como  é tradição nas assembleias da organização desde 1955. 

Trump também deu destaque às conquistas econômicas, por recordes na bolsa de valores americana, argumentou que empresas estavam investindo nos Estados Unidos “mais do que já aconteceu em qualquer momento e em qualquer lugar do mundo” durante seu ano de governo e declarou o valor de US$ 21 trilhões em investimentos estrangeiros. Entretanto, segundo relatórios da Casa Branca, esse valor seria quase o dobro do total contabilizado e declarado. De acordo com informações divulgadas no site “Trump Effect List” (Lista de Efeitos de Trump), iniciativa da administração de Donald Trump que reúne anúncios de grandes investimentos corporativos e industriais nos Estados Unidos, o montante de investimentos estrangeiros chega aos US$9,6 trilhões.

Ao se referir aos avanços do território norte americano, ele enfatizou  ter transformado a fronteira dos Estados Unidos  de mais perigosa para mais segura da história do país, informando que nos últimos 16 meses, nenhum imigrante irregular teria sido admitido no país. Durante o discurso, os números apresentados por Trump  para indicar o desenvolvimento do país foram baseados em dados inconsistentes. 

Além disso, Trump disse ter agido para evitar que os EUA, ou qualquer outra nação presente no plenário, tivessem que enfrentar o que chamou de um "pesadelo" nuclear vindo do Irã, e se colocou como defensor não só dos Estados Unidos, mas de toda comunidade internacional reunida na assembleia. O conflito com o país persa, iniciado unilateralmente por Estados Unidos e Israel, tem como um dos pontos de tensão o programa nuclear iraniano.

O presidente ainda chamou a liderança iraniana de fraca e desesperada e afirmou esperar um acordo logo após as eleições. A fala do presidente norte-americano ocorre em meio a um conflito real e prolongado, quase sete meses de guerra, e segundo o fact-check do PBS/PolitiFact, em um momento de desgaste da opinião pública americana com o impacto do conflito nos preços de combustível. 

O político afirmou estar diante de uma decisão histórica: de um lado, poderia optar por um acordo que permitiria ao Irã reconstruir sua economia e se consolidar como “talvez uma das maiores potências do Oriente Médio”. Por outro lado, advertiu que, caso o acordo não fosse alcançado, o país poderia sofrer uma ação militar capaz de “aniquilar rapidamente a nação iraniana”.

Trump mencionou também ter sancionado, uma nova lei que lhe dá amplos poderes tarifários, ferramenta que disse estar pronto a usar para pressionar pelo fim da guerra entre Rússia e Ucrânia, classificada por ele como uma "guerra desastrosa" que mata milhares de pessoas por mês.

A invasão realizada pelas forças armadas dos EUA no mês de janeiro a Caracas, capital da Venezuela, também foi lembrada por Trump durante seu discurso: “conseguimos pegar o criminoso, fora da lei, Nicolás Maduro”. O líder norte-americano afirmou que diversos venezuelanos que foram presos erroneamente, deixaram as prisões e que a nação venezuelana festejou após a operação americana. 

Apesar de existir uma parte da população venezuelana que concorda com a operação comandada por Trump, segundo a checagem de fatos da agência Lupa, muitos dos relatos de comemoração da nação venezuelana são falsos. A maioria dos vídeos de comemoração foram gerados por IA ou de protestos anteriores à queda de Maduro. 

A intervenção militar estrangeira armada gerou profundo desespero, apagões e medo na população de Caracas durante os bombardeios. Além disso, houve baixas militares locais e protestos de apoiadores do regime chavista. Sobre os que foram detidos erroneamente, segundo o Foro Penal da Venezuela, após a segunda rodada de diálogos mediada pelos EUA, o balanço registrou a soltura recente de dezenas de detidos. Entretanto, restam 324 pessoas que permanecem presas. A demografia detalhada aponta 310 homens, 14 mulheres, sendo 184 civis e 140 militares.

O chefe da Casa Branca também anunciou o maior acordo de petróleo da história, contando com 65 bilhões de barris de petróleo, que, segundo ele, trará benefícios para o povo norte-americano e venezuelano. “Quando somamos a Venezuela e os Estados Unidos, temos mais de 60% do petróleo do mundo”, afirmou ele.

81a Assembleia Geral da ONU em Nova York
Trump discursa na 81ª Assembleia Geral da ONU - Daniel Torok/Divulgação Casa Branca

Trump abordou a segurança regional na América Latina, concentrando parte de sua fala no México. O presidente norte-americano classificou os cartéis de drogas como organizações terroristas estrangeiras e definiu o México como o “epicentro da violência dos cartéis”, fazendo cobranças diretas ao governo mexicano.

Apesar de afirmar boas relações com o país, ele também declarou que “o México precisa retomar o controle sobre seu território” e comparou os cartéis ao Estado Islâmico no Hemisfério Ocidental. “Eles são inimigos em guerra com a civilização, usando assassinato, estupro, extorsão e táticas de terrorismo. Eles devem ser assassinados, eliminados ou presos sem a possibilidade de serem soltos”, argumentou o político.

Ao mencionar Cuba, Trump descreveu o regime como “Estado fracassado” sob a maior pressão de sua história, que “vai cair”. Ele também alegou que Marco Rubio, Secretário de Estado dos EUA, está profundamente envolvido com as negociações sobre o país. 

A situação de Cuba se agravou com o aumento das medidas impostas pelos Estados Unidos, desde janeiro,  que ampliou as restrições contra a ilha, interrompeu o envio de petróleo venezuelano e ameaçou  aplicar tarifas a países que mantivessem relações comerciais com o governo cubano. Após a fala de Donald Trump sobre o país, durante a Assembleia Geral, a delegação de Cuba abandonou a sessão. 

O discurso contou com o anúncio do presidente de que, há poucos dias, os Estados Unidos fecharam um acordo sem precedentes envolvendo a Groenlândia – território dinamarquês – para que esse  fizesse parte da esfera de defesa direta dos EUA. 

Segundo o político, o acordo foi firmado com o Reino da Dinamarca e com representantes do próprio povo groenlandês, que concordaram em atribuir  aos Estados Unidos controle "permanente" sobre a segurança e "todas as demais necessidades" no território. 

Ele encerra o trecho dizendo que isso dará aos EUA capacidade plena para "defender o continente americano, a Europa e outras regiões" a partir dali, elevando a Groenlândia de posse estratégica pontual a peça central da defesa ocidental. 

A Groenlândia é uma área de interesse dos Estados Unidos por ser um território com terras raras, gás e petróleo mais acessíveis, recursos essenciais para produção de tecnologias avançadas. Além disso, a ilha possui uma localização estratégica, servindo como ponto de contenção de mísseis hipersônicos que poderiam atingir os EUA pelo norte. 

Durante seu discurso, Trump comentou que a ONU tem potencial enorme, mas que a organização precisa deixar de impor o que chamou de "agenda de extrema-esquerda de burocratas globalistas que ninguém jamais elegeu". 

Como exemplo, citou uma intervenção do seu governo no ano anterior para impedir que a Organização Marítima Internacional, agência ligada à ONU, criasse um imposto global sobre carbono no transporte marítimo. 

Trump ampliou ainda críticas aos organismos de direitos humanos da ONU. “É inaceitável que, com todas as atrocidades que acontecem no mundo, a ONU tenha autoridades de direitos humanos criticando os EUA por protegermos nossas crianças contra a mutilação de pessoas transgêneras e forçando nossas leis de imigração”, afirmou o presidente. 

Ao mesmo tempo, ele afirmou que cristãos são perseguidos “constantemente”. A declaração foi usada para criticar o que ele considera ser o silêncio da ONU diante dessas perseguições, em contraste com a atenção dada, segundo ele, a questões internas dos Estados Unidos. 

A mesma crítica apareceu quando Trump falou sobre a Unesco. O presidente questionou a atuação da agência, criada para preservar o patrimônio cultural e histórico, e afirmou que ela estaria “destruindo a cultura, a herança e a história”. Com a declaração, Trump reforçou sua crítica às instituições multilaterais, que, segundo ele, estariam se afastando de suas funções originais.

No final do discurso, Trump afirmou que os Estados Unidos "rejeitam totalmente" qualquer tentativa de criar o que chamou de um "esquema globalista" para controlar o desenvolvimento da inteligência artificial. Ele anunciou que, a partir daquele momento, os documentos oficiais do governo norte-americano passarão a usar o termo "superinteligência", ou "SI", no lugar de "inteligência artificial". Como justificativa, disse que a palavra "artificial" faz a tecnologia parecer falsa.

Trump finalizou afirmando que os Estados Unidos lideram a corrida desenvolvimentista da IA à frente da China, e classificou como pertencentes a um mesmo grupo os críticos do avanço da IA e aqueles que, segundo ele, alertaram anteriormente sobre aquecimento global e sobre supostas interferências russas nas eleições americanas.

Após 25 anos, a tragédia que mudou o rumo dos Estados Unidos ainda deixa marcas na sociedade e nas relações internacionais
por
Vitória Teles
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17/09/2026 - 12h

Há 25 anos, em 11 de setembro de 2001, Nova York vivenciava o maior ataque terrorista da história, quando quatro aviões comerciais foram sequestrados por jihadistas e atirados contra as Torres Gêmeas do World Trade Center e o prédio do Pentágono. O último avião, acreditava-se que estivesse rumo à Casa Branca ou ao Capitólio, caiu na Pensilvânia, após os passageiros terem tomado controle do avião, desviando sua rota e fazendo com que ele não chegasse ao destino final.

O evento matou 2.997 pessoas, além dos 19 sequestradores, foi o mais mortal da história do país e permanece vivo na memória dos estadunidenses. O atentado representou um trauma nacional que mudou a forma como os Estados Unidos enxergavam sua segurança, política externa e cotidiano.

O mundo inteiro também acompanhou em tempo real pela transmissão de canais de notícias. Milhões de pessoas viram o segundo avião atingir a torre sul do World Trade Center. As imagens foram repetidas inúmeras vezes na televisão por dias, meses e anos seguintes.

As Torres Gêmeas sendo atingidas em Nova York, em 11 de setembro de 2001. Foto: Robert J. Fisch/Wikimedia Commons.
As Torres Gêmeas sendo atingidas em Nova York, em 11 de setembro de 2001. Foto: Robert J. Fisch/Wikimedia Commons. 

 

O atentado demonstrou como terroristas podem usar meios civis, como aviões comerciais, para cometer crimes, isso levou governos de todo o mundo a rever seus sistemas de segurança. Alguns sistemas mudaram drasticamente após o ataque. Os aeroportos passaram a ter controles mais rígidos, com inspeções mais rigorosas de passageiros e bagagens.

Além disso, os Estados Unidos criaram a Transportation Security Administration (TSA), para assumir a segurança aeroportuária. Novas leis antiterrorismo surgiram durante esse período, como a USA Patriot Act, criação da TSA, sancionada em 2001 para monitorar comunicações telefônicas e eletrônicas de suspeitos.

A motivação por trás dos ataques de 11 de setembro de 2001 estava ligada principalmente à ideologia da organização terrorista Al-Qaeda, liderada por Osama bin Laden. Segundo a declaração do próprio grupo, as motivações incluíam a presença militar dos Estados Unidos na Arábia Saudita, considerada por Bin Laden uma profanação de locais sagrados do Islã e a oposição à influência política, econômica e militar americana no Oriente Médio.

Além das mudanças nas medidas de segurança, a tragédia provocou um grande choque econômico global. A bolsa de valores de Nova York permaneceu fechada por vários dias, algo raro na história dos EUA. As companhias aéreas foram o setor mais afetado. O espaço aéreo estadunidense foi fechado temporariamente, cerca de 5.000 a 7.000 voos comerciais foram cancelados nos primeiros dias após os atentados e muitas pessoas passaram a evitar viagens de avião no período após o ataque, segundo a National Archives 9/11 Federal Aviation Administration (FAA) Records.

Após o colapso das Torres Gêmeas, as equipes de resgate passaram meses removendo toneladas dos destroços do terreno, conhecido como "Ground Zero" (Marco Zero). O trabalho envolveu busca por sobreviventes, recuperação dos restos mortais das vítimas e estabilização da área para futuras construções.

Como forma de preservação da memória e homenagem, o One World Trade Center, inaugurado em 2014, com 541 metros de altura, representa resiliência e renovação. O edifício tornou-se o mais alto do Hemisfério Ocidental.

No local onde estavam as Torres Gêmeas foram erguidas duas imensas piscinas espelhadas, posicionadas exatamente sobre as fundações das antigas torres. Os nomes das 2.997 vítimas dos ataques foram gravados em painéis de bronze ao redor do memorial. Ao lado, também foi inaugurado o Museu Nacional do 11 de setembro que reúne fotografias, objetos recuperados, documentos históricos, como identidades das vítimas encontradas nos destroços das Torres.

Memorial construído no mesmo local onde as Torres Gêmeas desabaram. Foto: Public Petr Kratochvil/Domain Pictures
Memorial construído no mesmo local onde as Torres Gêmeas desabaram. Foto: Public Petr Kratochvil/Domain Pictures

Todos os anos, cerimônias são realizadas no One World Trade Center. Como forma de manter viva a memória das vítimas que morreram em 11 de setembro de 2001, como a leitura dos nomes das vítimas, sete momentos de silêncio e 2.977 luzes em homenagem às vítimas que foi exibida formando a silhueta das Torres Gêmeas, além de uma cerimônia especial em Ground Zero para familiares, sobreviventes e autoridades.

Mesmo sem tapete vermelho ou apresentações, evento consagrou artistas, incluindo Anitta e Matuê
por
Victória da Silva
Vitor Nhoatto
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16/11/2023 - 12h

 

Criado em 1994 pela MTV, se opondo aos prêmios estadunidenses, o European Music Awards (EMA) é uma importante premiação musical internacional. Este ano, apesar do cancelamento da entrega de troféus pela primeira vez em sua história devido às tensões mundiais, os vencedores foram divulgados neste domingo (5).

Eleitos pelo público, artistas como Nicki Minaj, Maneskin, Taylor Swift, JungKook e Anitta foram os destaques deste ano nas categorias principais. Já em relação às premiações locais, Matuê ganhou como melhor artista brasileiro.

Apreensão Europeia

Multidão de pessoas brancas em manifestação em uma rua de Londres com um semáforo ao fundo, segurando bandeiras da Palestina com uma mulher em foco de jaqueta vermelha e bandana branca e vermelha com os braços para o alto segurando um cartaz escrito: um genocídio não justifica o outro, em inglês.
Imagem: Manifestação pró Palestina em Londres - Foto: Henry Nicholls / AFP

A cerimônia, que já havia sido divulgada e seria realizada em Paris, foi cancelada uma semana antes de sua concretização. Em comunicado, a MTV alegou não ser um momento de celebração da música mediante à crise entre Gaza e Israel, mas de luto pelas milhares de mortes e devastação.

A emissora também destacou a mobilização de pessoas necessária para a realização da festa: “Dada a volatilidade dos eventos mundiais, decidimos não avançar com os MTV EMAs de 2023 por precaução com os milhares de funcionários, membros da equipe, artistas, fãs e parceiros que viajam de todos os cantos do mundo para trazer o show para a premiação.''

A tensão no oriente médio, que mistura razões geopolíticas, históricas e religiosas há mais de 70 anos, reverbera não só no evento, mas também em várias manifestações que vêm acontecendo em países europeus — como Reino Unido, Alemanha e França. Alguns artistas se pronunciaram sobre a grave crise humanitária como Dua Lipa, Zayn e Selena Gomez.

Vitórias e surpresas 

Cantora brasileira Anitta à esquerda, escorada em uma trave branca vestindo um top e um short preto com detalhes brancos nas bordas, além de estar com um óculos escuros no cabelo, o qual está amarrado e por fim, está usando brincos de argolas prateadas. À direita, está o cantor coreano JungKook em pé em um cenário de fundo claro e chão escuro, vestindo um terno oversized preto, o qual está desabotoado, calça social oversized cinza clara e um sapato social tratorado preto.
Foto Anitta: Gabriela Schmidt - Foto Jungkook: Reprodução/Bighit Music

Representando o Brasil em uma das categorias principais, Anitta desbancou grandes nomes como Shakira, Bad Bunny e Rosália, levando a estatueta de melhor artista latino. A ganhadora de dois VMAs também estava indicada em Maiores Fãs ao lado de Billie Eilish, Olivia Rodrigo e BLACKPINK. No entanto, tal qual Melhor Grupo, a categoria não teve vencedores, visto que a votação aconteceria durante a cerimônia.

Além da nossa garota do Rio, o dono de sucessos como “Máquina do tempo”, “Quer Voar” e  “Anos Luz”, Matuê, fez história ao vencer em Melhor Artista Brasileiro. Concorrendo com Anavitória, Kevin O Chris, Luisa Sonza e Manu Gavassi, ele alegrou os apreciadores de trap.

Conhecida pelo grande número de vitórias, Taylor Swift fez jus à fama, e das 7 categorias em que havia sido indicada, faturou 3. Ainda colhendo os frutos do seu último projeto inédito, Midnights, ganhou em Melhor Vídeo com o clipe de  “Anti-Hero”, Melhor Artista ao Vivo e Artista do Ano.

Apesar de toda a expectativa com relação à loira, a categoria de Melhor Artista Americano ficou com Nicki Minaj, primeira mulher negra a levar o prêmio. A rapper ainda faturou Melhor Artista de Hip-Hop, superando Travis Scott e Cardi B.

Outro destaque foi a vitória da banda Måneskin em Melhor Artista de Rock e Melhor Artista Italiano. A banda, que viralizou em 2021 com o remake de “Beggin’”, canção do grupo The Four Seasons liderado por Frankie Valli, está cada vez mais conquistando os adeptos do Rock e se realçando no cenário musical. 

A consagração do projeto solo de JungKook, integrante da boy band sul-coreana BTS, fez com que o artista de 26 anos ganhasse em Melhor Artista de K-pop e na categoria de  Melhor Música com o smash hit 'Seven' em parceria com a rapper americana Latto. Reforçando a ideia global da premiação e o foco em diversidade, Peso Pluma ganhou em Melhor Artista Novo e a categoria de Melhor Colaboração ficou com o sucesso 'TQG' de Karol G e Shakira. Na recém criada categoria Afrobeats, o nigeriano Rema levou o prêmio.

Billie Eilish ganhou em Melhor Artista Pop, David Guetta em Melhor Artista Eletrônico, Lana del Rey como Melhor Artista Alternativo e,  superando a cantora SZA, Chris Brown acabou levando Melhor Artista de R&B. Por fim, o grupo de K-pop TOMORROW X TOGETHER faturou o prêmio de Melhor Artista Push.

Com alto custo e rejeição, alemães questionam a construção não finalizada do monumento da reunificação do país.
por
Natália Perez
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03/11/2023 - 12h

Em 3 de outubro de 2019 a Alemanha completou 30 anos da reunificação. Para comemorar a data, um monumento à liberdade e unidade de Berlim foi anunciado. Agora, quatro anos depois, a obra ainda não foi concluída e os custos para a construção só aumentam. Afinal, quem quer esse monumento? Não há consenso, para a maioria dos alemães a homenagem não faz sentido.

A ideia é uma balança que simbolize a união e a liberdade alemã. Nomeada como “Cidadãos em Movimento”, a gangorra deve inclinar-se conforme as pessoas se moverem em volta dela exibindo em sua curvatura o slogan de 1989: “Nós somos o povo. Somos um só povo".

A gangorra sozinha medirá 50 por 18 metros, que é somente 7 metros de largura a menos do que uma piscina olímpica. Segundo o escritório de design responsável, Milla & Partner, a previsão de custo era de 15 milhões de euros, mas ao início das obras o valor subiu para 17 milhões. Entretanto, desde o anúncio da construção, Monika Grütter, ministra de estadual da cultura, não confirmou mais os valores.

 

previsões monumento
Previsão do monumento “Cidadãos em Movimento” (Divulgação Milla & Partner)

 

“Todos os envolvidos estão a tentar garantir que o monumento seja concluído rapidamente”, disse um porta-voz do Ministro de Estado da Cultura, promotor do projeto, ao jornal alemão DW. Entretanto, ainda não há uma data para inauguração, e a única certeza é de que não será feita em 2023. Para Olaf Zimmermann, diretor do Conselho Cultural Alemão, o simbolismo da balança é desatualizado e a justificativa para o adiamento da obra é porque "ninguém quer isso”, principalmente dada as crescentes tensões entre os dois lados. 

O monumento nunca terminado, localizado em frente ao Fórum de Humboldt, gera confusão para os alemães que não entendem o motivo de sua construção. Além do alto custo, há uma grande rejeição ao conceito de uma balança, já que nenhum dos lados considera que o processo de reunificação foi justo ou balanceado. 

Em 2020, a fundação Bertelsmann Stiftung realizou uma pesquisa com maiores de 55 anos e descobriu que os alemães ocidentais querem mais reconhecimento pelo papel financeiro e econômico que desempenharam. Enquanto que os alemães ocidentais a acreditam que deveriam ter mais reconhecimento pela pacificidade do processo. Além disso, para 84% dos entrevistados as coisas que funcionavam bem no sistema soviético foram descartados injustamente. 

"Os entrevistados no leste muitas vezes sentem que nenhuma nova sociedade comum foi criada naquela época. Em vez disso, com a unidade, o sistema da Alemanha Ocidental apenas lhes foi imposto, ao qual tiveram de se adaptar", comentou a fundação Jana Faus, do Instituto de Pesquisa de Berlim, sobre os resultados da pesquisa. O estudo concluiu que mesmo após os 30 anos da reunificação, a ideia de unidade alemã não está completa.

 

Canteiro de obra do monumento em maio de 2023. Foto: Sven Darmer
Canteiro de obra do monumento em maio de 2023, ainda sem sinal da construção da "gangorra". Foto: Sven Darmer

 

A reunificação alemã teve um significativo impacto na política mundial para além dos anos 90, e sua influência pode ser usada para refletir sobre o atual estado de polarização mundial. “Eram dois extremos e ninguém acreditava que isso ia dar certo. Para mim foi rápido demais, faltou planejamento”, comenta Gabriele Gorg, professora de alemão nascida em Siegen (lado capitalista), em entrevista à AGEMT. Gorg participou de um grupo de professores organizado pelas universidades de Munique e Berlim que visitava as escolas da Alemanha Ocidental pensando em como diminuir a desigualdade entre as vivências. “O muro tinha acabado de cair, ainda nem tinha essa data 3 de outubro”, diz. 

mapa
Demonstração da divisão Alemanha Ocidental/Oriental. Imagem: BBC Brasil em "30 anos após a queda do muro de Berlim, 'barreira invisível' ainda divide a Alemanha em duas"

A maneira como foram encarados os desafios econômicos e sociais de integrar as duas economias em uma, deixou os alemães de ambos os lados insatisfeitos, com um sentimento de injustiça e de ter sido prejudicado em função do outro lado. “Kohl e Gorbachev estavam tão eufóricos em acabar com a divisão que fizeram de uma vez, sem pensar em todas as consequências. O choque foi muito grande. Até hoje, 30 anos depois, os salários ainda não são iguais”, explica a professora. 

A polarização atual envolve o ressurgimento do nacionalismo exacerbado em várias partes do mundo. Um exemplo disso no Brasil, é a monopolização de símbolos nacionais – como a bandeira – por militantes e políticos da extrema direita. Na Alemanha, a ascensão do partido político de extrema-direita AfD (Alternative für Deutschland – Alternativa para a Alemanha) causa preocupação nos partidos tradicionais, que se recusam oficialmente a cooperar por conta das visões radicais da sigla.

Em junho de 2023, pela primeira vez desde a fundação, o partido conseguiu eleger o líder distrital. Com 52,8% dos votos, Robert Sesselman foi eleito para governar o distrito de Sonneberg, no estado da Turíngia. A fragilidade da coligação que governo o país, formada pelos social-democratas, Verdes e os liberais (FDP), liderada pelo primeiro-ministro Olaf Scholz, é apontada como fator importante para o crescimento recente do AfD. Ainda sim, a aproximação do partido com o passado nazista impacta a imagem diante da população. 

Passadas décadas da reunificação, suas implicações continuam a afetar o país, interna e externamente. O desafio alemão, para além da obra do monumento, é a criação de uma identidade concreta, que possa levar a Alemanha a um papel importante no debate global sobre a polarização que afeta questões econômicas, políticas, sociais e ambientais.

 

De acordo com as autoridades locais, já são mais de mil mortos e milhares de feridos entre palestinos e israelenses desde o último sábado (07).
por
Artur Maciel Rodrigues
|
09/10/2023 - 12h

 

(Predios destruidos em Gaza após ataque israelita, foto:reuters)

No sábado (07), o grupo Palestino Hamas fez um ataque surpresa a 22 cidades em Israel. A invasão iniciou com dois mil mísseis que passaram pela proteção antiaérea da faixa de Gaza, na região sul do país. Logo após a ofensiva, o Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou guerra ao grupo militante. “O que aconteceu hoje nunca vimos antes na história de Israel[...] Estamos em guerra. Nós venceremos, mas o preço será alto”, afirmou o chanceler.

 

A ação do Hamas, intitulada como "Operação Dilúvio Al-Aqsa", se expandiu com a presença de militantes nas diversas cidades do país, com relatos de pessoas se trancando em casa por causa do ataque. Segundo a imprensa local, cerca de 100 israelenses, entre cidadãos e soldados, foram feitos de reféns e levados para a faixa de Gaza. O porta-voz militar de Israel, Jonathan Conricus define que: “alguns estão vivos e outros já são considerados mortos” 

 

O governo Israelense retaliou o ataque e organizou bombardeios ainda no sábado (07), que terminou com a morte de 230 palestinos e mais de seis mil feridos. Em entrevista para o canal Al Jazeera, o vice-chefe do grupo Hamas, Saleh al Arouri afirmou que o objetivo do grupo é "matar e capturar muitos soldados israelenses". "Quanto mais os combates continuam, maior será o número de capturados”, falou al Arouri.

 

Em 24 horas o número de vítimas já passou de mil. Na manhã de domingo (08), o IDF (sigla em inglês para Força de defesa de Israel) disse que atacou com drones pontos de foco do Hamas. Mais tarde, no mesmo dia, uma rave - evento de música - foi atacada pelo Hamas, com cerca de 260 mortos, segundo o governo de Israel.

 

O primeiro-ministro israelense declarou que as forças militares do país iriam agir. "Digo ao povo de Gaza: saiam daí agora, porque estamos prestes a agir em todos os lugares com toda a nossa força", disse Netanyahu.

A ofensiva militar do grupo Hamas veio logo após o aniversário de 50 anos do início da guerra de Yom Kappur, em 06 de outubro de 1973, quando Israel combateu a Síria e o Egito, resultando em uma das mais violentas guerra do estado judeu. Esse foi o último conflito árabe-israelense até a guerra atual.

 

O Hamas, sigla para Harakat al-Muqawama al-Islamiya, que significa Movimento pela Resistência Islâmica, é um grupo palestino islâmico formado em 1987. O grupo é um forte partido político palestino, e venceu as eleições de 2006, derrubando o rival Fatah. O poder militar do grupo detém a indústria armamentista de Gaza, que está sob seu controle desde 2007. 

O governo israelense é contrário ao reconhecimento do Estado Palestino. No início do ano, em Jenin, 12 palestinos foram mortos, onde houve uma ação militar por causa de um projeto de planificação do solo, que danificou 80% das casas. Também houve aumento nas restrições de adoração na mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém. 

 

De acordo com o monitor do Oriente Médio estão na prisão mais de cinco mil palestinos, contando com o político Marwan Barghouti. Pelas ações e o regime de segregação, a Organização das Nações Unidas classificou a situação entre palestinos e israelenses como regime de Apartheid em 2022.

 

No cenário mundial, os Estados Unidos, Reino Unido Japão e alguns aliados classificam o grupo Hamas como terrorista. Os britânicos justificam a classificação pelos "ataques indiscriminados contra Israel".


No entanto, a classificação não é unânime. Países como Brasil, China, Rússia, Turquia e Noruega, adotam posicionamento neutro sobre o grupo islâmico. Na maioria dos casos, a denominação de um grupo como terrorista vem da ONU, contudo, a organização não assumiu um posicionamento, ficando dependente dos critérios de cada país. 

A Noruega já tentou mediar processo de paz entre israelenses e palestinos. O Brasil e a China, apoiam que para paz é necessário a criação de dois Estados independentes: o da Palestina e o de Israel.

Com a escalada militar na região, diversos chefes de Estados repudiaram a ofensiva contra Israel. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, condenou o ataque e falou em "todos os meios apropriados de apoio" para o Governo de Israel. Maria Zakharova, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, afirmou que o país espera um acordo de cessar-fogo. "Apelamos aos lados palestinos e israelense para que implementem um cessar-fogo imediato, renunciando à violência", disse a porta-voz.

 

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, condenou as ações e prestou solidariedade às vítimas. "Ao expressar minhas condolências aos familiares das vítimas, reafirmo meu repúdio ao terrorismo em qualquer de suas formas”, publicou em uma rede social. O presidente ainda afirmou que o Brasil não irá poupar avanços para evitar a escalada do conflito.

 

No domingo (08), o Brasil - país que preside o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) - convocou uma reunião de emergência com todos os membros para tratar do tema. O encontro aconteceu a portas fechadas em Nova York, nos Estados Unidos, e terminou sem um comunicado oficial sobre a situação. O Conselho pode voltar a se reunir a pedido de um dos membros.

A eleição do novo chefe de estado acontece em outubro, mas os pré-candidatos já foram definidos e serão votados pelos argentinos na primeira quinzena de agosto.
por
Artur Maciel Rodrigues
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01/08/2023 - 12h

 

 

A votação prévia das eleições na Argentina acontecerá em 11 de agosto, depois, os candidatos eleitos pelas coligações disputarão o pleito em 22 de outubro e, caso seja necessário, haverá um segundo turno em 19 de novembro. Assim como no Brasil, a votação no país vizinho é obrigatória. 

 

No país as coligações são obrigadas a fazer uma votação primária, antes do primeiro turno. Essa votação é conhecida como Pisa (Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias) nela os eleitores escolhem a coligação em que irão votar, por isso é considerado um grande termômetro para a corrida presidencial. 

 

Os argentinos irão escolher membros do Congresso Nacional, governadores das províncias e o seu novo presidente neste ano. O embate presidencial deve se concentrar, novamente, entre o peronismo de esquerda (populismo baseado na figura de Juan Perón) e a centro-direita.

 

Sérgio Massa, ministro da Economia e candidato à presidência. Foto: Reprodução
Sérgio Massa, ministro da Economia e candidato à presidência. Foto: Reprodução

Sérgio Massa, é o candidato governista e concorrerá pela coalizão “União pela Pátria”, Agustín Rossi foi escolhido como seu vice. Sérgio é o atual ministro da Economia e lida com a grande dívida externa da Argentina, que é um dos principais temas nesta eleição. O último empréstimo feito ao Fundo Monetário Internacional (FMI), pelo país, foi de 56 bilhões de dólares e após uma recente renegociação a dívida passou a ser de 45 bilhões.

 

Horácio Larreta, prefeito de Buenos Aires, e Patricia Bullrich, ex-ministra da Segurança, disputam pela mesma coligação, o “Juntos pela Mudança”. Foto: Reprodução.
Horácio Larreta, prefeito de Buenos Aires, e Patricia Bullrich, ex-ministra da Segurança, disputam pela mesma coligação, o “Juntos pela Mudança”. Foto: Reprodução.

 

Horácio Larreta, prefeito de Buenos Aires e Patricia Bullrich, ex-ministra da Segurança, estão a frente dos “Juntos pela Mudança”, que nasceu da coligação entre um partido de direita tradicional, a União Cívica Radical, e o partido criado pelo ex-presidente Mauricio Macri, o Proposta Republicana (PRO). 

 

 

Representante da extrema direita argentina, Javier Milei, é candidato pelo “A Liberdade Avança”. Foto: Reprodução
Representante da extrema direita argentina, Javier Milei, é candidato pelo “A Liberdade Avança”. Foto: Reprodução


 

A direita ultra-liberal também concorrerá a uma vaga no pleito, seu representante será Javier Milei, candidato do “A Liberdade Avança”. Milei foi eleito deputado federal em 2022, tem 52 anos e é dono de uma retórica exaltada.

 

Algumas das suas propostas geraram grande polêmicas, como a extinção do Banco Central Argentino e o fim do ensino público obrigatório. Crítico ferrenho de políticos tradicionais, economistas convencionais e à mídia em geral conquistou a imagem de candidato anti semita. Apesar disso, Mieli vem ganhando espaço nas mídias de direita, como no canal consevador  La Nación. 

 

Tomaz Paoliello, professor de Relações Internacionais da PUC-SP, considera importante observar o cenário recente de eleições de candidatos conservadores a presidência e que é preciso “levar a sério” a candidatura do ultra-liberal: “Milei vem crescendo nas pesquisas recentes, tendo vivido a eleição de Trump e de Bolsonaro, é preciso levar a sério sua candidatura, então estou entre os que acreditam na possibilidade da vitória dele, embora seja cedo para afirmar favoritismo de qualquer lado."



 

Após 9 anos de uma fracassada e longa intervenção francesa, países do Sahel buscam novos parceiros na luta contra o terrorismo.
por
Francisco Barreto Dalla Vecchia
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12/06/2023 - 12h

No dia 20 de abril 136 civis foram mortos no vilarejo de Karma no Burkina-Faso, testemunhas relataram que o crime foi cometido por soldados do governo. As autoridades condenaram o massacre e prometeram investigações. A ONU e a União Africana exigem que o governo da capital, Uagadugu, garanta investigações independentes e confiáveis.

Burkina Faso enfrenta uma espiral de golpes de estado: o último ocorreu em setembro de 2022, instituindo o jovem Capitão Ibrahima Traoré de 35 anos como Presidente de transição. Em seu discurso de posse, Traoré reiterou seu objetivo: "Pelo meu país lutarei até ao meu último suspiro", prometendo recuperar os 40% do território dominado por grupos terroristas.

O Massacre de Karma

Moradores de Karma relataram que às 7:30 da manhã do dia 20 de abril comboios de supostos soldados do exército Nacional alcançaram a vila. Após cercarem o vilarejo, os homens seguiram de casa em casa, saqueando-as e violentamente reunindo os aldeões em grupos, para então fuzilá-los. Os assassinos foram embora às 14:00, deixando 83 homens, 28 mulheres e 45 crianças mortas.

“No meu grupo éramos mais de 30. De repente, começaram a atirar. Eu estava deitado de barriga para baixo após o primeiro tiro. Eu estava molhado com o sangue dos corpos dos outros. Fiquei imóvel, apavorado, até que os soldados foram embora. Dois deles voltaram para acabar com aqueles que estavam se movendo e ainda vivos. ” Declarou um dos sobreviventes à Human Rights Watch.

O povoamento se encontra em uma área de atuação da Al-Qaeda e do Estado Islâmico no Grande Saara. No dia 15 de abril jihadistas mataram seis soldados burquinenses e 34 combatentes de milícias pró-governo na aldeia de Aeroma, localizada a poucos quilômetros de Karma. Os moradores de Karma relataram que os ataques do dia 20 foram uma retaliação por parte do exército nacional que acreditava que os aldeões estariam dando suporte a combatentes extremistas. 

“Vi uma pilha de cadáveres de mulheres e crianças. Os recém-nascidos ainda estavam nas costas de suas mães. Havia tantas crianças. Foi uma cena horrível. ” Explica um residente.

Ao todo 12 celeiros,17 currais e 40 casas foram incendiados. Um descreve a destruição para os agentes da Human Rights Watch: “Vi pelo menos 25 casas queimadas, tudo dentro era apenas cinzas. Também observei que os currais dos animais foram incendiados, com os animais também queimados. ”

As guerras invisíveis do Sahel

mapa do Sahel.
O Sahel separa o deserto do Saara das savanas ao sul: sendo uma região transitória que divide o continente africano. fonte: infoescola.

Grupos extremistas florescem em regiões instáveis. O declínio do terrorismo no Oriente Médio entre os anos de 2016 e 2019, obrigou estás organizações a transferirem suas atuações para áreas mais voláteis e com menos visibilidade internacional.

A instabilidade político-social endêmica no Sahel, somada às suas fronteiras porosas e desprotegidas, atraíram a atenção de grupos jihadistas. A região presenciou mais de 800 ataques apenas em 2021. O relatório do Índice Global de Terrorismo de 2023 apontou que o território é o atual epicentro do terrorismo internacional. Boris Cheshirkov, o porta-voz do Alto-comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), informou que cerca 2,1 milhões de pessoas foram deslocadas de suas casas entre os anos de 2013 e 2021 no Sahel. A crise migratória é consequência da atuação de grupos paramilitares na África subsaariana.

O Mali foi o primeiro país da região a enfrentar a insurgência de grupos rebeldes. A porção norte do país, conhecida como Azauade, é o lar da etnia Tuaregue, que desde a década de 1970 busca sua independência. 

 O ex-líder líbio Muammar Gaddafi contratou mercenários Tuaregues durante a invasão americana da Líbia em 2011. Após a derrota do regime líbio em 2012, os combatentes se apossaram das armas fornecidas e regressaram ao Mali decididos a garantir a independência do Azauade, fundando assim, o Movimento Nacional de Libertação do Azauade (MNLA). Células terroristas locais como a Al-Qaeda do Magrebe Islâmico (AQMI) e o Estado Islâmico no Grande Saara (ISGS) se aliaram ao MNLA. No início a colaboração era benéfica para ambas as partes, mas com o passar do tempo os separatistas Tuaregues perderam força e espaço para os terroristas. 

A guerra civil do Mali combinada com a abundância de armas traficadas da Líbia trouxe insegurança para todo o Sahel. A instabilidade foi favorável para que a atuação fundamentalista avançasse rumo às nações vizinhas. Em 2015 o conflito cruzou a fronteira rumo ao Burkina-Faso. Os militares que desfrutam de grande influência política tentam controlar a instabilidade por meio de golpes: somente no ano passado dois foram executados, mas a situação não melhorou.

Conforme o último relatório do Institute for Economics and Peace (IEP), Burkina-Faso é o segundo país que mais sofre com o terrorismo no mundo com trezentos e dez incidentes terroristas ocorridos em 2022, atrás apenas do Afeganistão. Desde que a instabilidade começou mais de 8.564 pessoas já morreram.

Revezamento de metrópoles

A operação Serval, liderada pela França e com o apoio logístico de outros países ocidentais, foi uma intervenção militar no Mali iniciada em janeiro de 2013. Segundo François Hollande – presidente francês da época – a ação foi uma resposta ao apelo do presidente malinês, Dioncounda Traoré, diante do avanço terrorista no norte do país. Em agosto de 2014 o governo francês encerrou a operação Serval e deu início a operação Barkhane, que expandia a atuação para Burkina-Faso, Chade, Níger e Mauritânia.


O número de atentados progressivamente subiu durante a intervenção estrangeira, enquanto grupos terroristas passaram a recrutar cada vez mais combatentes. O relatório anual de 2020 do Projeto de Dados de Localização e Eventos de Conflitos Armados (ACLED) indicou que somente naquele ano, as forças de segurança intervencionistas mataram mais civis em Mali e Burkina Faso do que os grupos insurgentes. 


A população não entendia como uma superpotência poderia demorar tanto para derrotar milícias regionais. A ocupação militar francesa foi desaprovada por muitos cidadãos, que temiam que a antiga metrópole colonial estivesse interessada na exploração das riquezas naturais malianas. O posicionamento adotado pela antiga metrópole de não realizar negociação com jihadistas era impopular entre muitos malineses cansados da violência. 

Em janeiro de 2020 um ataque aéreo francês ceifou a vida de 22 civis que celebravam um casamento na Vila de Bount, no Mali. Durante os nove anos de operação diversos incidentes parecidos ocorreram, agravando ainda mais a impopularidade da participação francesa. 

Manifestantes com bandeiras da Rússia e do Burkina Faso.
Manifestantes exibem bandeiras da Rússia e do Burkina-Faso. Fonte: Foreign Policy

Em agosto de 2020, uma junta militar antiocidental e pró-Rússia realizou um golpe de estado no Mali, nomeando o líder do complô, Bah N'Daw, como presidente. O novo governo militar  procurou diversificar o apoio estrangeiro na guerra contra o terror, se aproximando cada vez mais da Rússia. Em dezembro de 2021 as primeiras tropas do grupo Wagner desembarcaram no país. A força paramilitar de origem russa foi fundada em 2014, mas ganhou fama somente no início da invasão da Ucrânia de 2022.  


A nova política adotada pelas autoridades do Mali desagradou os franceses: "não seremos capazes de coabitar com mercenários" – reiterou Florence Parly, ex-ministra das forças armadas – indicando o inevitável fim da colaboração. No dia 8 de agosto de 2022, o último contingente da operação Barkhane deixou o Mali. Em 24 de janeiro de 2023, às autoridades do Burkina-faso também solicitaram a retirada das tropas francesas de seu território. Moscou já detém grande influência na África Central, procurando agora ocupar o "vácuo" de poder deixado após o fracasso francês na pacificação do Sahel. 

A Assembleia Geral das Nações Unidas de março de 2022 foi realizada no calor da invasão à Ucrânia. Na ocasião foi discutida uma resolução que exigia a retirada imediata, incondicional e total das tropas russas do território ucraniano, 141 dos 193 países membros votaram a favor. Os votos dos países africanos explicitaram o poder que a Rússia possui no continente. Entre os países que se abstiveram, 17 são africanos, sendo que a Eritreia votou contrariamente à proposta.