A circulação massiva de conteúdos manipulados por inteligência artificial amplia a desinformação, influencia a opinião pública e transforma o ambiente digital em uma extensão estratégica dos conflitos armados
por
João Pedro Beltrame, Lucas Leal
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25/03/2026 - 12h

Nas primeiras horas após o início dos bombardeios coordenados desde Estados Unidos e Israel contra o território iraniano, no fim de fevereiro de 2026, cenas de Tel Aviv em chamas, caças F-35 abatidos no céu de Teerã e crateras gigantes em bases militares inundaram as redes sociais. Nenhum desses conteúdos era real. Todos haviam sido fabricados com ferramentas de inteligência artificial generativas (IAG) e compartilhados por milhares de pessoas sem a devida checagem dos fatos. A organização iraniana de verificação de fatos, Factnameh, integrante da Rede Internacional de Verificação de Fatos (IFCN), classificou o conflito de 2024-2025 como a primeira guerra da IA, por ter sido o primeiro grande embate militar em que IAGs tiveram papel central na disputa por percepção pública. 

Antes desse período, a desinformação aparecia em formatos mais previsíveis. Agora, ela chega com rostos convincentes, vozes sintéticas e cenários de destruição que nunca aconteceram. A pesquisadora Rawan Damen, diretora-geral da Arab Reporters for Investigative Journalism, descreve o fenômeno com precisão. "Com a interrupção da internet no Irã e uma narrativa oficial rigidamente controlada nos países do Golfo, abriu-se um grave vácuo de notícias, que está sendo rapidamente preenchido por desinformação impulsionada por inteligência artificial.  É nesse vácuo que as fakes news encontram solo fértil para crescer", diz Damen.

Os efeitos desses vídeos não se restringem à confusão do público nas redes sociais. Para organismos internacionais, o fenômeno tem impacto direto sobre a segurança de civis. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha afirma que, em conflitos armados, a conectividade digital é simultaneamente vital e vulnerável. Ao mesmo tempo em que permite que civis encontrem rotas de fuga, hospitais e serviços essenciais, também amplia, em escala e velocidade inéditas, a circulação de conteúdos falsos ou manipulados.

“A desinformação pode ser compreendida como uma atualização da violência simbólica. "Hoje, mesmo com maior disponibilidade de câmeras e redes de informação, conseguir distorcer a realidade é um poder absurdo.” afirma Artur Ferreira, jornalista e mestre em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, pela PUC-SP, sobre esses esses acontecimentos que fazem parte de um novo tipo de violência simbólica.

“É o desejo dos criadores desses conteúdos falsos de querer influenciar decisões militares, mas é difícil mensurar o quanto isso realmente impacta, seja por barreiras como o sigilo de Estado. Eles podem contribuir para um plano de fundo que futuramente vire algo catastrófico ", comentou sobre as postagens fakes.

Artur Ferreira, jornalista e mestre pela PUC-SP em tecnologias da Inteligência e Design Digital
Artur Ferreira, jornalista e mestre pela PUC-SP em tecnologias da Inteligência e Design Digital

Ferreira afirmou que não é uma tarefa simples quantificar o impacto direto dessas práticas. Elas contribuem para a formação de opinião popular que sustentam visões distorcidas da realidade, já que a opinião pública está construída diretamente ao consumo de informação. “E influenciar nossa percepção de mundo é o objetivo central desses grupos”, explicou Ferreira. 

As postagens falsas nas redes sociais, além de atenderem a interesses políticos, também funcionam como uma forma de gerar lucro. Conteúdos sobre guerras, com imagens catastróficas produzidas por IA, geram grande repercussão e acabam sendo monetizados devido ao alto engajamento, impulsionado por usuários que questionam se o material é real. As plataformas também tendem a lucrar com a circulação desses conteúdos virais. Despertam a curiosidade do público, levando muitas pessoas a recorrerem às redes sociais para tentar entender o conflito ou compartilhar informações. No entanto, esse movimento também contribui para a disseminação de conteúdos falsos ou imprecisos.

Imagens geradas por inteligência artificial— (fonte: BBC News)
Imagens de Tel Aviv em chamas gerada por IA — fonte: BBC News 

Esse vídeo, sem origem definida, foi repostado pelo portal Globe Eye News na plataforma X com milhares de visualizações e compartilhamentos em diferentes redes sociais. O post foi questionado por alguns usuários, que chegaram a perguntar ao chatbot de IA do X, o Grok, para perguntar se o vídeo era real ou falso. O chatbot insistiu com a resposta de que o vídeo gerado com IA era real. O post foi excluído posteriormente. 

A rede social, X, possui as notas da comunidade como ferramenta de colaboração, que permitem aos usuários ajudar a dar informações corretas em um post potencialmente falso. A nota só será exibida no post se um número suficiente de colaboradores concordarem que ela é útil.

 

Apesar de ações encabeçadas por Reino Unido, França e Alemanha, posição defensiva segue como empecilho a Trump e Netanyahu
por
Vítor Nhoatto
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25/03/2026 - 12h

No dia 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel deram início à operação “Fúria Épica”, bombardeando o Irã e matando o seu líder teocrático, Ali Khamenei. Desde então, a tensão no Oriente Médio só aumentou, com desdobramentos em países como Líbano, Iraque e Arábia Saudita, o que preocupa o mundo e principalmente líderes europeus.

As consequências do conflito entre Rússia e Ucrânia ainda perturbam a União Europeia, devido a proximidade geográfica e a crise no abastecimento de gás e óleo russo por exemplo. Israel e Palestina mais recentemente abalaram ainda mais a área de defesa, que recebeu um aumento de 98% nos gastos de 2024 para 2025, chegando a €392 bilhões segundo a Agência Europeia de Defesa (EDA).

Nesse sentido, as principais potências militares do bloco têm seguido uma linha cuidadosa e estratégica em relação à mais nova zona de guerra no Oriente. 

O primeiro líder  recebido no salão oval após o início do conflito foi Friedrich Merz, chanceler alemão, no dia 3 de março. No encontro com Donald Trump ele alegou que “estava na mesma página” em relação às intenções de “libertar” o Irã do regime teocrático que a Casa Branca defende derrubar. 

Em 1979 o país passou pela chamada Revolução Iraniana, que acabou com a monarquia imperialista na época. O levante popular foi celebrado e instituiu o islamismo como base politica, mas logo passou a ser visto como antidemocrático e prejudicial à influência do Ocidente na região. Disputas principalmente com a Arábia Saudita, aliado histórico dos Estados Unidos, pelo controle dos recursos dos países vizinhos vem causando tensões constantes. 

Alemanha

Justamente tais instabilidades preocupam o democrata Merz, que destacou ainda que o conflito “é muito prejudicial à economia, e que espera um fim o quanto antes possível”, se limitando a defender suas bases militares e aliados, e não contra-atacar ou retaliar o Irã, como solicitado pelos EUA. 

Para apaziguar os ânimos, a reunião seguiu para o aumento nos gastos com segurança que o bloco tem feito, aplaudidos pelo líder estadunidense. Alemanha e França representaram quase 50% dos €392 bilhões que o bloco injetou no último ano. 

No entanto, essa divergência na política internacional não é recente, e vem desagradando os europeus. Durante a Conferência para Segurança realizada anualmente em Munique, o chanceler criticou o temperamento imprevisível de Trump. “Uma profunda divisão se abriu entre a Europa e os Estados Unidos [...] nossa segurança não está mais garantida e a Europa precisa estar preparada para fazer sacrifícios”, defendeu Merz.

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Vice-presidente dos EUA, JD Vance, cumprimentou Merz e participou do encontro no salão oval no dia 3 de março com Trump - Foto: The White House  / Divulgação

O clima de hostilidade se intensificou principalmente após as ameaças dos Estados Unidos de anexar a Gronelândia em janeiro. A região autônoma sob defesa da Dinamarca, membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), foi interpretado como um ataque inesperado a um aliado, em que Trump alegou que até estaria disposto a usar a força em um primeiro momento para conquistar o controle do território 

Mais tarde na Suíça, durante o Fórum Econômico de Davos, Trump voltou atrás declarando que o uso da força não estava mais em cogitação. Mesmo assim, a confiança parece ter sido quebrada, e aliados históricos seguem criticando a política estadunidense e defendendo uma emancipação europeia no âmbito de defesa. 

França

O presidente francês Emmanuel Macron em 2 de março, dois dias após o início da guerra com o Irã, anunciou um plano francês de investimento massivo em defesa nuclear. “O que eu mais quero, como vocês já devem ter percebido, é que os europeus retomem o controle do seu próprio destino”, afirmou durante evento na base de submarinos nuclear “Ile Longue”.

Porém, além de demonstrar as articulações políticas visando as eleições presidenciais no país no ano que vem, a medida reforça o recado à Casa Branca. A tática de se armar nuclearmente é uma estratégia antiga de dissuasão, que visa prevenir conflitos ao demonstrar alto poder de defesa e ataque. Não à toa, o pronunciamento direto em relação ao Irã veio em seguida no dia seguinte. 

Em pronunciamento após ataque às bases militares inglesas no Chipre, Macron anunciou que estava se envolvendo no conflito “estritamente com uma postura de auto defesa e apoio à seus aliados”. Além de não autorizar o uso de suas bases pelos EUA e Israel atacarem o Irã, ele defendeu que os ataques “foram realizados fora do quadro do direito internacional, o que não podemos aprovar”. 

Na ocasião, foi anunciado que o porta-aviões Charles de Gaulle foi para a costa do Mediterrâneo em sinal de defesa e apoio ao Chipre, membro da União Europeia, e aliados históricos no Golfo. Alguns exemplos são o Catar, com quem tem desde 1994 um acordo bilateral de cooperação de defesa, e os Emirados Árabes Unidos, com medida parecida assinada em 1995.  

O líder francês pediu por um cessar-fogo também, caso contrário, levaria ao que ele categorizou como uma “escalada perigosa e um erro estratégico” dos Estados Unidos. 

Reino Unido

Nessa mesma linha, o Reino Unido chateou o presidente americano, como ele mesmo alegou em coletiva de imprensa. Durante o mesmo evento com o chanceler alemão, Trump lamentou não estar trabalhando com Winston Churchill, em referência ao apoio militar e ataques que o então primeiro-ministro inglês ordenou durante a segunda guerra mundial.

A declaração veio em relação ao “não” do atual líder britânico, Keir Starmer, ao pedido de Trump para usar a base militar na ilha de Diego Garcia para atacar o Irã e aliados mesmo antes da guerra, em 20 de fevereiro.

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“É meu dever julgar o que é do interesse nacional da Grã-Bretanha”, destacou Starmer ao parlamento britânico ao optar por não se envolver diretamente na guerra - Foto: UK Parliament / Reprodução

Em 2 de março, após o episódio mencionado com o Chipre, a autorização foi exclusiva para uso defensivo, proibindo o lançamento de mísseis para ataque.  

De lá para cá as tensões entre os aliados históricos se mantiveram altas, com Starmer declarando em uma sessão no parlamento britânico que ele: “não estava disposto a fazer no sábado (28 de fevereiro) o Reino Unido entrar em guerra, a menos que eu estivesse convencido de que havia uma base legal e um plano viável e bem elaborado”. 

Mesmo não fazendo mais parte da União Europeia (UE) desde 2016 com o Brexit, o Reino Unido tem se mostrado disposto a uma aproximação e cooperação maior com a Europa, em resposta à política dos EUA. São exemplos o suporte à Ucrânia em acordo à visão da UE, e a intenção de Macron em estreitar laços com o Reino Unido com seu plano nuclear de defesa.

Espanha

Ainda no salão oval com o líder alemão, a península ibérica foi o último ataque direto de Trump. Com uma linha ainda mais dura que as alegações direcionadas a Starmer, o presidente alegou que “cortaria as relações com a Espanha, um parceiro terrível, e que se quisesse poderia usar as bases espanholas”. 

Com isso, a resposta do primeiro-ministro Pedro Sanchez foi rápida e concisa: “A posição do governo espanhol pode ser resumida em três palavras: não à guerra”. 

No comunicado à imprensa com o objetivo de reafirmar o lado que o país escolhia, Sanchez classificou os ataques americanos-israelenses, e a guerra como um todo, como ilegais e desumanos. Ele se solidarizou aos países atacados como forma de retaliação pelo Irã, reforçando que não apoia o regime do país, mas que escolhia o lado da lei internacional e da paz acima de tudo.

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Protestos contra a guerra no Irã aconteceram na Espanha no último dia 14 em cidades como Sevilha e a capital Madrid - Foto: Greenpeace España / Divulgação

A expressão “não à guerra” foi escolhida por fazer alusão aos protestos internacionais contra o que ele classificou como “erro do passado”, a Guerra do Iraque em 2003. Na época o presidente George W. Bush, atacou o país sob a alegação de desenvolvimento de  armas de destruição em massa por Saddam Hussein.

Dois anos antes, o ataque de 11 de setembro assombrava a segurança dos EUA, mas constatou-se que o Iraque não tinha as armas usadas como pretexto, e que o interesse era nas reservas de petróleo do país. Em 2011 após milhares de protestos pelo mundo as tropas foram retiradas do território iraquiano, com um saldo de milhões de mortos, um cenário político violento e longe da democracia que Bush prometeu instaurar.  

Tudo isso para Sánchez deveria ser uma lição em relação ao Irã hoje, se mantendo firme na posição de ser contra esse “desastre” como enfatizou, exigindo um cessar-fogo.

Próximos passos

Próximo de completar um mês da guerra e novo líder no Irã, um acordo de paz segue fora do tabuleiro, pelo menos do lado de lá. O governo alemão endureceu o tom na quarta (18): "Washington não nos consultou e não considerou necessária a assistência europeia [...] Enquanto a guerra continuar, não participaremos dela", defendeu Merz no Bundestag, o parlamento alemão.

O chanceler fazia referência ao pedido de Trump por ajuda da OTAN para manter o Estreito de Ormuz aberto, fechado desde o início do conflito. Pela passagem passam muitos navios de produtos e principalmente petróleo, que apresenta mais de 40% de aumento no preço do barril do tipo Brent desde final de fevereiro, segundo a Business Inside. 

Na mesma linha, o presidente francês declarou que defender a lei internacional e promover a desescalada é o melhor caminho. “Não ouvi ninguém aqui expressar a vontade de entrar nesse conflito, muito pelo contrário”, enfatizou na Cúpula da UE realizada em Bruxelas no último dia 20.

Durante o evento, Ursula Von der Leyen, presidente do bloco, reforçou a necessidade de um cessar-fogo no conflito “extremamente perigoso para além da região”, além da proteção de civis e infraestrutura. Seu posicionamento continua na defesa e solidariedade aos aliados no Golfo, especialmente o Chipre, e que uma crise energética pode ocorrer se a guerra persistir.

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“É de extrema importância que se chegue a uma solução negociada para pôr fim às hostilidades”, voltou a defender Leyen no último dia 24 - Foto: The European Commission / Divulgação

Sobre essa preocupação, o primeiro-ministro inglês anunciou no dia 21 que os EUA poderiam usar as bases do país também para atacar, se distanciando dos parceiros europeus. Starmer defendeu que o foco se mantém defensivo, no entanto, caracterizando os bombardeios agora autorizados de suas instalações como auto-defesa, mirando alvos iranianos no Estreito de Ormuz. 

Na península ibérica, Sanchez ordenou na segunda-feira (23), através de suas redes sociais, que o estreito seja reaberto também, e a infraestrutura da região preservada. Por lá passam cerca de 20 milhões de barris por dia, um quinto do total, causando a maior interrupção de fornecimento do mundo segundo a Agência Internacional de Energia (IEA). 

“Uma escalada ainda maior poderia desencadear uma crise energética de longo prazo para toda a humanidade”, defende o primeiro-ministro espanhol após lembrar o preço em vidas de uma guerra.
 

O país alega “divergências profundas”, mas pode enfrentar isolamento financeiro e científico
por
Anna Cândida Xavier
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23/03/2026 - 12h

Nesta terça-feira (17), o governo de Javier Milei formalizou a saída da Argentina da Organização Mundial de Saúde (OMS). A decisão havia sido anunciada em 5 de fevereiro de 2025, seguindo os passos dos Estados Unidos, que se retiraram da organização logo após a posse de Donald Trump. 

Milei fala em palanque
Presidente da Argentina busca soberania nacional ao sair da OMS. Fonte: Reprodução/@javiermilei

 

A saída do país da OMS foi anunciada pelo porta-voz da Casa Rosada, Manuel Adorni. O governo argentino afirmou que a decisão tem como objetivo “ordenar, atualizar e tornar mais transparentes estruturas e processos que, por anos, funcionaram com sobreposições, normas obsoletas e escassa supervisão”. 

De acordo com o jornal argentino "La Nación", o argumento oficial utilizado pelo governo argentino em fevereiro de 2025 foi o custo de ser membro do organismo, estimado em cerca de US$ 10 milhões por ano (cerca de R$ 58 milhões). Além disso, acrescentaram que é preciso considerar os gastos com salário, diárias e assessores do representante argentino na entidade.

A decisão também foi justificada pelo governo como uma resposta às “profundas divergências” com a OMS durante a gestão da pandemia de Covid-19 – declaração alinhada à da Casa Branca. O governo argentino alega que “as recomendações da OMS são ineficazes porque não são baseadas na ciência, mas em interesses políticos e estruturas burocráticas que resistem a revisar seus próprios erros”. Em 2025, no X, o presidente Javier Milei classificou a agência como “nefasta e o braço executor daquela que foi a maior experiência de controle social da história”. 

 

Declaração de Milei no X
Foto: Reprodução/@JMilei

Após a saída formal da Argentina, o Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, enfatizou que “a segurança sanitária exige universalidade” e que a decisão do governo Milei é prejudicial “tanto para a Argentina quanto para o resto do mundo”. Deixar a OMS pode elevar os custos para o acesso a vacinas e tratamentos, além de deixar o país mais vulnerável a crises de saúde sem o apoio técnico e financeiro da organização.

No entanto, o chanceler Pablo Quirino, em postagem no X afirmou que “a Argentina continuará a promover a cooperação internacional em saúde por meio de acordos bilaterais e fóruns regionais, preservando plenamente sua soberania e sua capacidade de tomar decisões sobre políticas de saúde”. A Argentina continua sendo membro da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), porém, Tedros deixou claro que as divergências do país com a OMS impactam sua relação com a OPAS. 

Declaração de Pablo Quirno no X
Foto: Reprodução/@pabloquirno

A Organização Mundial de Saúde, fundada em 1948, é responsável por coordenar esforços internacionais em saúde pública. Conta com 194 países membros e tem como missão promover a saúde e coordenar respostas a emergências globais de saúde. 

Um relatório do Conicet (Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas), principal instrumento de pesquisas científicas da Argentina, indica que a saída também poderá isolar o país da comunidade científica.

Essa postura da Argentina se alinha à decisão dos Estados Unidos, que também anunciou sua saída da organização no início de 2025. Mas, diferente dos EUA, a Argentina depende de colaboração internacional para seus programas de saúde.

Trump recebeu Milei na Casa Branca em outubro de 2025, reforçando a aliança entre os dois.
Trump recebeu Milei na Casa Branca em outubro de 2025, reforçando a aliança entre os dois. Fonte: Reprodução/@javiermilei

 

Ministro dos Esportes, Ahmad Donyamali, afirma que ataques inviabilizam a ida da seleção ao Mundial
por
Victória Miranda
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17/03/2026 - 12h

A participação do Irã na Copa do Mundo de 2026 está por um fio. Em uma declaração concedida à TV Estatal do país, na última quarta-feira (11), o Ministro dos Esportes iraniano, Ahmad Donyamali, afirmou que o país não possui condições de participar do torneio devido ao conflito militar contra os Estados Unidos e Israel.“Desde que este governo corrupto assassinou nosso líder, não há circunstâncias em que possamos participar da Copa do Mundo”, disse Donyamali.

Seleção iraniana foi a terceira a se classificar para a Copa do Mundo. Foto: Reprodução/Instagram/@teammellifootball
Seleção iraniana foi a terceira a se classificar para a Copa do Mundo. Foto: Reprodução/Instagram/@teammellifootball

O anúncio ocorre em um dos momentos mais instáveis da história recente do Oriente Médio. O Irã sofre bombardeios desde o dia 28 de fevereiro, iniciados pelos governos estadunidenses e israelenses com o objetivo de acabar com o programa nuclear do país e enfraquecer o regime teocrata xiita. Ofensiva que resultou na morte do líder supremo, Ali Khamenei.

Na quinta-feira (12), seu sucessor e filho, Mojtaba Khamenei, se pronunciou pela primeira vez como o novo Aiatolá. No discurso, ele lamentou a morte do pai e antecessor, pediu para países vizinhos fecharem bases americanas em seus territórios e que a população se mantenha unida e prometeu vingança pelos mortos na guerra.

No mesmo dia, o presidente estadunidense, Donald Trump, postou um comunicado em uma rede social, dizendo que a seleção do Oriente Médio será bem-vinda, mas aconselhou a equipe a não participar.

“A seleção iraniana de futebol é bem-vinda à Copa do Mundo, mas realmente não acredito que seja apropriado que estejam lá, para a própria segurança deles. Obrigado pela atenção neste assunto! Presidente DONALD J. TRUMP”, escreveu o líder na rede "Truth".

Declaração oficial de Trump. Foto: Reprodução/@realDonaldTrump

Declaração oficial de Trump. Foto: Reprodução/@realDonaldTrump

Em resposta à declaração de Trump, a seleção iraniana rebateu e disse que ninguém pode retirá-los da competição, já que se classificaram legitimamente."A Copa do Mundo é um evento histórico e internacional e seu órgão regulador é a Fifa – não qualquer indivíduo ou país. A seleção nacional do Irã, com sua força e uma série de vitórias decisivas conquistadas pelos bravos filhos do Irã, esteve entre as primeiras equipes a se classificar para este grande torneio. Certamente, ninguém pode excluir a seleção nacional do Irã da Copa do Mundo; o único país que poderia ser excluído é aquele que ostenta apenas o título de "anfitrião", mas não tem capacidade para garantir a segurança das equipes participantes deste evento global", disse o comunicado publicado no perfil oficial da seleção iraniana.

Classificação para a Copa do Mundo

O país garantiu vaga em sua quarta Copa do Mundo consecutiva após terminar na liderança isolada do Grupo A da terceira fase das Eliminatórias Asiáticas no ano passado. Após os sorteios dos jogos da competição, ele está no Grupo G com Bélgica, Egito e Nova Zelândia. Os três jogos estão previstos para acontecer justamente nos EUA, com duas partidas em Los Angeles, cidade que abriga a maior comunidade iraniana fora do Irã (cerca de 200 mil), e uma em Seattle.

O que acontece agora?

A Copa do Mundo da Fifa será disputada entre os dias 11 de junho a 19 de julho, nos Estados Unidos, México e Canadá. Caso a saída da seleção iraniana seja confirmada oficialmente, a Fifa decidirá o que deve ser feito.

Há menos de 90 dias do campeonato mundial, a participação do Irã é incerta. Foto: Pixabay
Há menos de 90 dias do campeonato mundial, a participação do Irã é incerta. Foto: Pixabay

 

Segundo o artigo 6.7 do regulamento da competição, caso alguma das equipes for retirada ou excluída da Copa do Mundo Fifa 26, a Fifa pode substituir o time em questão por outra associação. Sendo assim, uma alternativa seria manter o Grupo G com apenas três seleções, o que reduziria o número de jogos e mexeria com o calendário do torneio.

Outra possibilidade seria substituir o Irã por uma seleção vinda da repescagem intercontinental e abrir uma vaga extra no mata-mata classificatório. Nova Caledônia, Jamaica, Bolívia, Suriname, Congo e Iraque disputam duas vagas, e uma terceira equipe poderia herdar o lugar no Mundial. Uma terceira opção é o Iraque ficar com a vaga do Irã, e os Emirados Árabes Unidos herdarem a vaga asiática na repescagem. 

De acordo com as regras da FIFA, o país desistente pode ser punido com uma multa de pelo menos 250 mil francos suíços (aproximadamente R$ 1,6 milhão) caso abandone o torneio em até 30 dias antes do início. 

Se a desistência for oficializada a menos de 30 dias da estreia, o valor sobe para 500 mil francos suíços (R$ 3,2 milhões). O regulamento prevê ainda que a federação deverá reembolsar todos os valores recebidos para a preparação da equipe e contribuições relacionadas ao torneio. 

Além do prejuízo financeiro, o Comitê Disciplinar da FIFA pode aplicar sanções severas, como a exclusão de competições subsequentes da entidade. No entanto, o artigo 6.3 ressalta que, caso o abandono seja provocado por “casos de força maior reconhecidos pela FIFA” — como o atual cenário de guerra e ataques sofridos pelo país —, existe a possibilidade da seleção iraniana se livrar das punições.

Até o momento, a FIFA não se pronunciou sobre a possível desistência. Já o secretário geral da Confederação Asiática de Futebol (AFC), Windsor Paul John, afirmou na manhã desta segunda-feira (16), em entrevista coletiva na sede da Confederação em Kuala Lumpur, Malásia, que a seleção iraniana ainda planeja continuar na competição.

O secretário também destacou o desejo de ver a seleção em campo: "Esperamos que resolvam seus problemas e que possam participar da Copa do Mundo”.

Filósofo morre aos 96 anos e deixa um importante legado para a humanidade
por
Amanda Lemos
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16/03/2026 - 12h

Jürgen Habermas faleceu neste sábado (14) aos 96 anos em Starnberg, Alemanha, com causa da morte ainda não divulgada. Nascido em Düsseldorf, Alemanha, em 18 de junho de 1929, foi um filósofo e sociólogo, participante da tradição da teoria crítica e do pragmatismo. Ele foi membro da segunda geração da Escola de Frankfurt.

Habermas teve e ainda tem uma grande influência na Alemanha, principalmente na filosofia, na política e no modo como o país pensa a democracia e o espaço público no pós-guerra. Ele surge em 1962 com a publicação de sua primeira obra, “Mudança Estrutural da Esfera Pública”, onde defende espaços de diálogo sem controle estatal em um momento em que a Alemanha precisava refletir sobre o nazismo, reconstruir sua democracia e lidar com a culpa histórica, o autoritarismo e o silêncio social.

O filósofo influenciou debates políticos, universidades, imprensa e a formação da cidadania alemã com a ideia de que “A democracia só funciona de verdade quando as pessoas podem debater livremente em um espaço público aberto, crítico e racional.” O conceito de esfera pública, um espaço social de debate que ele criou e pregava, virou base para pensar a mídia, a opinião pública e a participação política. 

Habermas teve papel intelectual direto em debates nacionais sobre a constituição alemã e os direitos humanos. Ele defendia uma Alemanha democrática, constitucional e baseada no diálogo, não na força. O filósofo pregava que o país não podia esquecer o nazismo e defendeu a memória histórica crítica, impactando em políticas educacionais e debates públicos sobre culpa e responsabilidade coletiva. 

Na Alemanha atual ele ainda é referência em filosofia política, símbolo de intelectual público e citado em debates sobre democracia, mídia e extremismo. 

 

Fotografia em close-up de Jürgen Habermas, um homem idoso com cabelos brancos curtos e óculos de grau de armação fina. Ele veste um paletó de tweed marrom sobre uma camisa branca e gravata xadrez. Ele está com a mão direita levemente levantada em um gesto expressivo, como se estivesse explicando um conceito. O fundo está desfocado, sugerindo um ambiente de biblioteca ou escritório com estantes de livros.
Jürgen Habermas, um dos pensadores mais influentes do século XX e início do século XXI, da escola de Frankfurt - Foto: Instituto Humanitas Unisinos 

 

Habermas começou a focar nos estudos da comunicação em 1970. Para ele, a democracia depende de uma esfera pública forte, baseada na ação comunicativa, onde cidadãos livres discutem racionalmente os assuntos coletivos e constroem consensos legítimos. Ele defendia que comunicar é agir socialmente. Para ele, vai além da simples transmissão de mensagens, é a base da democracia, da política e da vida social.

Lançou cerca de 50 livros ao longo de sua carreira. Os mais importantes foram “Mudança Estrutural da Esfera Pública” (1962), “Teoria do Agir Comunicativo” (1981) e “Direito e Democracia” (1992). Seu último livro foi “Mais uma vez: Sobre a Europa”, lançado em 2019. 

 

 

Yan Boechat fala sobre sua experiência durante a cobertura do conflito Ucrânia x Rússia
por
Camilo Mota
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13/04/2022 - 12h

O correspondente de Guerra, especialista em conflitos internacionais e mestrando em Governança Global e Formulações de Políticas Internacionais, que estava na Ucrânia durante a invasão russa, foi o convidado para uma conversa com alunos, desenvolvida pelo departamento de Relações Internacionais da PUC-SP.

Na sua exposição, Boechat ressaltou a assimetria pela qual a atual guerra se difere dos demais conflitos que cobriu, por causa do envolvimento de duas nações, e a compreensão de que "todo conflito é um debate maniqueísta", que acaba sendo simplificado por parte dos jornalistas estrangeiros. Além disso, o repórter também disse ser surpreendente ver o quanto as cidades atingidas seguem seu curso, mesmo com a existência de um conflito de tamanha proporção. 

Na parte da cobertura especificamente, o correspondente declarou não procurar fontes oficiais, mas buscar ouvir e entender o contexto e as noções de continuidade do conflito com as próprias populações locais. Há regras implícitas e explícitas que são fundamentais para jornalistas. Por fim, ressaltou a importância de estudar a história e estar atento às divisões e aspectos que compõem todos os seus lados.

Confira aqui uma entrevista exclusiva com Yan Boechat, feita logo após o evento.

 

Reeditando o segundo turno de 2017, Macron e Le Pen avançam em uma disputa que promete ser mais apertada do que a última eleição
por
Luan Leão
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11/04/2022 - 12h

As eleições francesas serão decididas em segundo turno, reeditando a disputa de 2017,  Emmanuel Macron (República Em Marcha!) e Marine Le Pen (Reunião Nacional) vão disputar as intenções de votos dos franceses. Os eleitores foram às urnas no último domingo (10), e o segundo turno está previsto para o dia 24 de abril.

Macron e Le Pen
Emmanuel Macron e Marine Le Pen. Foto: Nicolas Tucat / AFP

Ao longo dos últimos meses as pesquisas eleitorais mostravam o atual presidente, Emmanuel Macron, na liderança da corrida presidencial, seguido com certa proximidade por Marine Le Pen. Nessa disputa, corria por fora Jean-Luc Mélenchon (França Insubmissa). Mais atrás nas intenções de voto, Yannick Jadot (Verdes) e Valérie Pécresse (Republicanos), tentavam ganhar fôlego durante a campanha.

 

Na última semana, as pesquisas mostraram que Le Pen, candidata da extrema-direita, estava encurtando a vantagem de Macron. Esperançosos da esquerda apostaram em um impulso final de campanha para que Mélenchon avançasse ao segundo turno. De acordo com as pesquisas, o candidato de esquerda tinha pequenas, mas reais, chances de passar ao segundo turno. 

 

Com 27,84% dos votos, Macron superou algumas pesquisas eleitorais e seu próprio desempenho no 1º turno de 2017, quando obteve 24,01% dos votos. Le Pen registrou 23,15% e também superou seu desempenho no 1º turno de 2017, quando conquistou 21,3% dos votos. Mélenchon confirmou o que diziam as pesquisas e esteve muito perto do segundo turno, obtendo 21,95% dos votos, melhorando seu desempenho em relação a campanha de 2017, quando obteve 19,58% dos votos. Veja a porcentagem dos demais candidatos:

 

- Éric Zemmour (Reconquista!), candidato da extrema-direita com 7,07% dos votos. 

 

- Valérie Pécresse (Republicanos) teve um desempenho bem abaixo do que pretendia o partido, conseguindo apenas 4,78% dos votos.

 

- Yannick Jadot (Verdes) com 4,63% dos votos. 

 

- Jean Lassalle (Resistir!), com 3,13% dos votos. 

 

- Fabien Roussel (Partido Comunista) conquistou 2,28% dos votos.

 

- Nicolas Dupont-Aignan (A França de Pé) conquistou 2,06% dos votos.

 

- Anne Hidalgo (Partido Socialista) teve um desempenho surpreendentemente negativo, e não conseguiu chegar nem aos 2%, obtendo apenas 1,75% dos votos. 

 

- Philippe Poutou (Novo Partido Anticapitalista) conquistou 0,77% dos votos.

 

- Nathalie Arthaud (Luta Operária) obteve 0,56% dos votos. 

 

Os números consolidados são do Ministério do Interior da França.

 

O desempenho do Partido Socialista mostra a crise que atravessa a sigla no país, desde que François Hollande, último presidente socialista, deixou o Palácio do Eliseu. Em 2017, o candidato dos socialistas, Benoit Hammon, também não avançou para o segundo turno, tendo obtido 6,36% dos votos. O Partido Republicano também enfrenta dificuldades para retomar sua relevância na disputa presidencial.

 

Abstenções

Cerca de 25,14% dos eleitores aptos para votar não compareceram. A taxa é um pouco menor do que em 2017, quando 25,44% dos eleitores não compareceram. O recorde de abstenção é em 2002, quando 28,4% não compareceram.

 

Apoios no 2º turno 

Com exceção a Éric Zemmour, todos os demais candidatos que não avançaram ao segundo turno fizeram discursos nas sedes de suas campanhas pedindo uma união contra a extrema-direita e o extremismo, representado por Marine Le Pen. 

O também de extrema-direita Zemmour, disse que tem divergências com Le Pen, mas que todos sabem quem é o “inimigo”, e por isso, deveriam votar em Le Pen. 

Após o fechamento das urnas, e a divulgação do segundo turno, Emmanuel Macron e Marine Le Pen discursaram para seus apoiadores nas sedes de suas campanhas. 

Marine Le Pen pediu uma união entre “todos aqueles que não votaram em Macron” para que se juntem a ela. A ultradireitista também agradeceu aos votos que recebeu, e que a fizeram avançar ao segundo turno. 

Marine Le Pen - RN
Marine Le Pen em discurso após anúncio do segundo turno. Foto: Francois Mori / AFP

 

“Vejo a esperança de que as forças de recuperação do país estejam aumentando. Todos aqueles que hoje não votaram em Emmanuel Macron são chamados para participar de nosso comício” 

 

Em Paris, Macron falou em um segundo turno “decisivo” para a França e para a Europa, destacando que “nada está decidido”. O atual presidente também elogiou o posicionamento dos demais candidatos ao pedirem votos contra a extrema-direita. 

Emmanuel Macron - Em Marcha!
Emmanuel Macron na sede da campanha após anúncio do segundo turno. Foto: Yoan Valat / EPA

 

“Não se engane, nada acabou. O debate que teremos nos próximos 15 dias será decisivo para o nosso país e para a Europa. Você poderá contar comigo para implementar este projeto de progresso, abertura e independência da França que defendemos nesta campanha”


 

Diferente de 2017, quando Macron obteve 66,06% dos votos contra 33,04% de Le Pen no segundo turno, as pesquisas mostram um placar mais apertado, prometendo que os próximos 15 dias que antecedem o dia de votação do 2º turno serão agitados, e disputados voto a voto.

 

Na véspera da eleição que acontece neste domingo (10), e sem a obrigatoriedade do voto, veja a pesquisa eleitoral mais recente e o que pensa o eleitorado francês
por
Luan Leão
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09/04/2022 - 12h

Em uma eleição que promete se polarizar entre o candidato à reeleição Emmanuel Macron (República Em Marcha!) e a candidata de extrema-direita Marine Le Pen (Reunião Nacional), uma pesquisa Ifop divulgada na sexta-feira (8) procurou entender o que motiva os eleitores franceses a ir às urnas no domingo (10). Vale lembrar que na França o voto não é obrigatório, e de acordo com a pesquisa, 73% dos eleitores aptos pretendem comparecer. 

 

Pesquisa eleitoral

A última pesquisa Ifop divulgada na sexta-feira (8), com margem de erro entre 0,8 e 1,1 pontos percentuais, mostrou um empate técnico entre Macron e Le Pen. 

O atual presidente lidera com 26% das intenções de voto, seguido por Le Pen com 24%, Jean-Luc Mélenchon (França Insubmissa) com 17%. Valérie Pécresse (Republicanos) e Éric Zemmour (Reconquista!) aparecem empatados com 9%. Yannick Jadot (Verdes) tem 5%, Fabien Roussel (Partido Comunista) e Jean Lasalle somam 2,5%. Anne Hidalgo (Partido Socialisa) tem 2%.

Em um segundo turno entre Macron e Le Pen, a vantagem é do centrista, 52% a 48%.

Candidatos da eleição na França
Cartazes de campanha dos 12 candidatos à presidência na França. Foto: Andrea Motovani / The New York Times

O que levará os franceses às urnas ?

A pesquisa foi realizada ouvindo 1.005 pessoas maiores de 18 anos, de 6 a 7 de abril de 2022.

A pesquisa mostrou que 6 em cada 10 franceses (61%) dizem que a escolha do seu voto passará pela preocupação em relação a defesa poder de compra. Em seguida, o levantamento mostra que 38%  dos votos estão preocupados com a saúde pública, e 33% com a luta contra a criminalidade. 26% falaram sobre a defesa da identidade francesa, e 24% falaram sobre as desigualdades sociais. 

Dos participantes da pesquisa, 23% mostraram preocupações com a educação no país, e 20% com o meio ambiente. 19% falaram que seus votos serão motivados pela atitude diante da guerra entre Rússia e Ucrânia.  12% dos entrevistados falaram sobre a defesa nacional. 10% disseram que as sanções contra a Rússia serão importantes na definição do voto. 

Entre as questões de menor relevância estão a construção europeia (9%) e a discussão sobre a participação ou não da França na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), com 4%. 

O total da pesquisa é superior a 100%, tendo os entrevistados sido capazes de dar várias respostas. 

 

Recorte entre os eleitores

A pesquisa também fez recortes entre os eleitores de cada candidato em relação aos temas já mencionados. Entre o eleitorado de Yannick Jadot (Verdes) é grande a preocupação com a defesa do poder de compra (72%), assim como entre os eleitores de Jean-Luc Mélenchon (França Insubmissa) e Valérie Pécresse (Republicanos), ambos com 70%. 

Entre os eleitores de Marine Le Pen, o número é de 61%, já entre os de Macron, é 51%. 

Os eleitores de Éric Zemmour estão preocupados no combate à criminalidade (66%) e na defesa da identidade francesa (78%). Os eleitores de Le Pen também demonstraram preocupação com os temas, em relação à criminalidade foram 51% e em defesa da identidade francesa 48%.

Estes foram os maiores índices de preocupações dos eleitores em relação a esses temas entre todos os demais candidatos. 

 

Em relação ao meio ambiente, os mais preocupados foram os eleitores de Jadot (50%), em contrapartida, os eleitores de Zemmour não se mostraram preocupados, marcando 0%. Sobre as desigualdades sociais, os eleitores de Jadot (54%) e Mélenchon (51%) foram os números de maior índice, em contraposição aos de Zemmour (6%) e Pécresse (5%). 

Já nas preocupações com a saúde pública, os eleitores de Pécresse foram os que mais se importaram (44%), na contramão estão os eleitores de Jadot (18%). Na importância da educação no país se destacam os eleitores de Mélenchon (32%), ante os eleitores de Jadot (11%). 

Nas questões relacionadas à defesa nacional (20%), atitude diante da guerra no leste europeu (35%), sanções contra a Rússia (22%) e construção europeia (23%), os maiores índices vieram dos eleitores de Macron. Sobre a saída ou não da OTAN, os mais interessados foram os eleitores de Pécresse, com 9%.

O total da pesquisa é superior a 100%, tendo os entrevistados sido capazes de dar várias respostas. 


 

Idades e preocupações 

Tema de maior relevância entre os eleitores, a defesa do poder de compra preocupa mais as mulheres (64%), e as pessoas com menos de 35 anos de idade (62%), com destaque para as pessoas entre 25 e 34 anos de idade (67%). A saúde pública também preocupa mais as mulheres (47%), e as pessoas acima de 35 anos de idade (40%). 

A luta contra a criminalidade preocupa mais os homens (36%), e em especial, os eleitores entre 50 e 64 anos de idade (39%). Já a defesa do meio ambiente é de maior interesse entre as mulheres (23%), e os eleitores abaixo de 35 anos de idade (39%), com destaque aos eleitores entre 18 e 24 anos de idade (68%). 


 

1º turno: Voto por convicção

 

Perguntados sobre os critérios que adotam para votação no 1° turno, 73% dos eleitores disseram que preferem votar por convicção, ou seja, em candidatos que tenham ideias próximas a deles, mesmo que esse não tenha chance de avançar ao segundo turno. 27% disseram que preferem votar em um candidato que não corresponda totalmente à defesa dos ideais, mas que tenha mais chances de avançar ao 2º turno. 

O voto por convicção é maioria entre as mulheres (74%) e os eleitores abaixo de 35 anos (78%). 


 

48,7 milhões de franceses estão aptos a votar. A votação começa às 08h horário local (03h horário de Brasília), na maioria dos lugares, por volta das 19h horário local (14h horário de Brasília) a votação é encerrada, nas grandes cidades é encerrada às 20h horário local (15 horário de Brasília). A partir do encerramento já serão divulgadas pesquisas de boca de urna.

 

A menos de uma semana para as eleições, veja como estão as pesquisas de intenção de voto.
por
Luan Leão
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08/04/2022 - 12h

Na terça-feira (5) o Instituto Ifop divulgou mais uma pesquisa de intenção de votos para a presidência na França. Com menos de uma semana para o dia da votação, a pesquisa mostra um possível segundo turno entre o atual presidente Emmanuel Macron (Em Marcha!) e a candidata de extrema-direita, Marine Le Pen (Reunião Nacional). 

 

Correndo por fora nesta disputa, Jean-Luc Mélenchon (França Insubmissa), Éric Zemmour (Reconquista!), Valérie Pécresse (Republicanos) e Yannick Jadot (Verdes), tentam  surpreender e avançar para a segunda volta desta eleição. 

 

O que mostram as pesquisas ?

 

De acordo com a pesquisa, Emmanuel Macron lidera desde os primeiros levantamentos. O centrista tinha 25% das intenções de voto em 14 de janeiro. No dia 31 de janeiro, oscilou para 24%. Em 15 de fevereiro, subiu para 25,5%. No dia 28 de fevereiro, marcou 28%. Em 15 de março, chegou a 31% das intenções de voto. Em 21 e 31 de março, caiu para 28%. Nos últimos levantamentos ele aparece com 27% das intenções de voto. 

 

Em segundo lugar, a candidata Marine Le Pen somava 16% das intenções de voto no dia 14 de janeiro. No dia 31 de janeiro, subiu para 17,5%. Em 15 de fevereiro manteve a porcentagem de 17,5%. No dia 28 de fevereiro, voltou a marca de 16%. Em 15 de março, subiu para 18%. No dia 21 de março, mais um crescimento, chegou a 18,5%. Em 31 de março chegou a 21%. Nos últimos levantamentos marcou 22%, o maior índice para primeiro turno desde o começo das pesquisas. 

 

O terceiro colocado nas pesquisas, Jean-Luc Mélenchon (França Insubmissa), também cresceu nesta reta final. Em 14 de janeiro o candidato somava 8,5% das intenções de voto. No dia 31 de janeiro subiu para 9,5%. Em 15 de fevereiro registrou 11,5%. No dia 28 de fevereiro oscilou para 10,5%. No dia 15 de março evoluiu a 12%. Em 21 de março atingiu 14%. No dia 31 de março chegou a 15,5%. Nos últimos levantamentos, o candidato atingiu a marca de 16% das intenções de voto, seu melhor desempenho para o primeiro turno. 

 

Se Le Pen e Mélenchon cresceram ao decorrer na campanha, o radical de direita Éric Zemmour (Reconquista!) fez o inverso, e viu suas intenções de voto derreter pelo caminho. Em 14 de janeiro Zemmour tinha 14%. Depois, em 31 de janeiro, caiu para 13,5%. No dia 15 de fevereiro subiu para 15%. Em 28 de fevereiro oscilou para 14%. Nos dias 15 e 21 de março, novamente uma queda, chegou a 12,5%. Em 31 de março chegou a 11%. Nos  últimos levantamentos chegou a 10%, o menor número desde o início das pesquisas de intenção de voto, o que acabou diminuindo as esperanças de uma eventual ida ao segundo turno.

 

Alguns especialistas apontam que a presença de Zemmour, e seu discurso contundente e extremista, pode colaborar para a versão "paz e amor" da também extremista Marine Le Pen. Antes, era esperado uma pulverização dos votos na extrema-direita, pela existência de dois candidatos com relevância, mas as pesquisas mostram um crescimento de Le Pen e queda de Zemmour

 

Isso porque nesta eleição, a candidata tem apostado em uma mudança de discurso e postura, e a beligerância de Zemmour a faz parecer "branda". 

 

A quinta colocada Valérie Pécresse também foi caindo na intenção de votos com o avançar da campanha. Nos dias 14 e 31 de janeiro, a republicana tinha 16,5% das intenções de voto. Em 15 de fevereiro caiu para 14,5%. Depois, em 28 de fevereiro, oscilou para 13%. No dia 15 de março Pécresse tinha 11%. Em 21 de março ela somava 10,5%. Em 31 de fevereiro e 03 abril, a candidata manteve 10%. Nos últimos levantamentos manteve o índice de 10%, empatando com Zemmour. 

 

Apostando na urgência climática e na juventude, Yannick Jadot já esteve em melhores condições nas pesquisas. Em 14 de janeiro Jadot tinha 6%. Caiu para 5% no dia 31 de janeiro. Depois, em 15 de fevereiro oscilou para 4,5%. No dia 28 de fevereiro, voltou para 5% e no dia 15 de março se manteve com a porcentagem. Em 21 de março subiu para 5,5%. Nas duas últimas pesquisas, Jadot registrou 4,5%. 

 

De 14 de janeiro a 05 de abril, o candidato do Partido Comunista, Fabien Roussel, variou entre 2% e 4,5%. No último levantamento, Roussel apareceu com 3%. A socialista Anne Hidalgo, prefeita de Paris, no mesmo  período variou entre 3,5% e 1,5%. No último levantamento, a prefeita aparece com 2,5% das intenções de voto. O candidato Jean Lassalle (Resistir!) variou entre 1% e 3% durante as pesquisas. Segundo a última pesquisa, Lassalle aparece com 2%. 

 

2º turno: Macron X Le Pen 

 

Macron e Le Pen
Emmanuel Macron e Marine Le Pen - Foto: Gonzalo Fuentes / Reuters 

De acordo com a simulação do Ifop de um segundo turno entre Macron e Le Pen, a vantagem do atual presidente foi diminuindo e chegou ao menor índice no último levantamento divulgado. Veja:

 

14 de janeiro - Macron 57% X 43% Le Pen 

 

31 de janeiro - Macron 55% X 45% Le Pen 

 

15 de fevereiro - Macron 55% X 45% Le Pen 

 

28 de fevereiro - Macron 56,5% X 43,5% Le Pen 

 

15 de março - Macron 58% X 42% Le Pen 

 

21 de março - Macron 56% X 44% Le Pen 

 

31 de março - Macron 54% X 46% Le Pen 

 

03 de abril - Macron 53% X 47% Le Pen 

 

04 de abril - Macron 53% X 47% Le Pen 

 

5 de abril - Macron 53% X 47% Le Pen 

Os primeiros colocados nas pesquisas
Jean-Luc Mélenchon, Emmanuel Macron e Marine Le Pen - Foto: Benoit Tessier / Reuters 

2º turno: Macron X Mélenchon 

Em uma simulação de segundo turno entre Macron e Jean-Luc Mélenchon, a situação do candidato à reeleição parece mais confortável. Único candidato de esquerda com chances de avançar ao segundo turno, Mélenchon sofre para dialogar com eleitores mais à direita. 

Veja:

 

15 de março - Macron 64,5% X 35,5% Mélenchon

 

21 de março - Macron 63% X 37% Mélenchon 

 

31 de março - Macron 60% X 40% Mélenchon 

 

03 de abril - Macron 60% X 40% Mélenchon 

 

04 de abril - Macron 60% X 40% Mélenchon 

 

05 de abril - Macron 59,5% X 40,5 Mélenchon

 

O primeiro turno das eleições francês acontece neste domingo (10).

 

Veja o cronograma eleitoral, entenda o sistema de votação e saiba quais são as principais regras de campanha para o pleito que ocorre no domingo (10).
por
Luan Leão
|
06/04/2022 - 12h

O primeiro turno das eleições na França acontecem no próximo domingo (10), na disputa estão 12 candidatos. Similar ao sistema eleitoral brasileiro, entenda como acontece o processo eleitoral na França: 

 

Quem pode se candidatar ?

Qualquer cidadão francês maior de 18 anos, que já possa votar e não tenha problemas com a justiça pode se candidatar. Diferente do Brasil, os candidatos não necessariamente precisam estar filiados a um partido, ou seja, as candidaturas podem ser avulsas. Essas candidaturas são chamadas de "sans étiquette" (sem etiqueta).

Porém, para conseguir lançar a candidatura, o candidato precisa obter 500 assinaturas de políticos já eleitos. Essa cláusula impede um número maior de candidatos avulsos. 

O mandato presidencial é de 5 anos podendo ser reeleito por mais 5 anos. 

 

Semipresidencialismo

A França é um exemplo de país semipresidencialista, ou seja, uma estrutura híbrida entre presidencialismo e parlamentarismo. Por isso, possui presidente e Primeiro-Ministro. 

O Primeiro-Ministro é escolhido pelo presidente e seus aliados, porém, o nome depende de uma aprovação dos parlamentares. Devido a essa aprovação, não é impossível que o Primeiro-Ministro seja de outro partido ou grupo político do presidente. Essa situação é chamada de coabitação. 

Esse impasse político não ocorre desde uma reforma eleitoral realizada em 2000, que deixou as eleições presidenciais e as parlamentares no mesmo ano, com a finalidade de evitar a troca de Primeiro-Ministro no meio do mandato do presidente. 

Parlamento Francês
Assembleia Nacional - Foto: Reprodução Twitter

O parlamento francês possui Câmara Alta (Senado), composto por 348 senadores, e Câmara baixa (Assembleia Nacional) com 577 parlamentares. A eleição da Assembleia Nacional, equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil, ocorre no mesmo ano das presidenciais, porém em datas diferentes. 

O Primeiro-Ministro é responsável pelas ações de governo, que na prática são estabelecidas pelo próprio presidente. É a figura do presidente que acumula mais poderes, dentre eles, o de dissolver o parlamento, algo que já aconteceu cinco vezes desde 1958, quando a 5ª República foi fundada.

Cabe ao Primeiro-Ministro refletir a vontade conjunta do parlamento e do presidente. E caso isso não ocorra, ele pode ser tirado do cargo por meio de um voto de desconfiança do parlamento.

Portanto, é importante que o presidente tenha maioria no parlamento, assim, caso contrário, aumentam as chances de coabitação. 


 

1º e 2º turno

Na França, assim como no Brasil, para vencer o pleito um candidato precisa obter maioria simples, ou seja 51% dos votos. Caso isso não ocorra no primeiro turno, os dois melhores colocados avançam para o segundo turno. De acordo com o calendário eleitoral, a realização de um segundo turno está prevista para o dia 24 de abril, 14 dias depois da realização do primeiro turno. 

O vencedor do pleito tomará posse no dia 13 de maio.

 

Campanha eleitoral 

O período eleitoral é curto, as campanhas começam oficialmente apenas duas semanas antes do primeiro turno. Sempre considerando o princípio da igualdade, o tempo de propaganda dos candidatos e seus apoiadores em veículos de rádio e televisão são iguais, mesmo no período anterior ao início das campanhas oficiais. A mesma regra vale para o segundo turno.

Caso alguma emissora descumpra a regra, fica sujeita a sanções como suspensão de programas, redução de tempo no ar e até multas. A Autoridade de comunicação audiovisual francesa (Arcom, na sigla em francês) é a responsável por fazer a regulação e controle do tempo de fala. 

"Essas transmissões oficiais de campanha são um espaço livre de expressão, oferecido a candidatos e partidos políticos. Em particular, permitem dar acesso mínimo a partidos de menor notoriedade e, portanto, menos presentes nos grandes noticiários", justifica a comissão reguladora da campanha. 

Veículos de comunicação estatais como France Télévision, Radio France e France Médias Monde também divulgam os vídeos de campanha de todos os candidatos, com tempo igual, durante sua programação.

No primeiro turno, os clipes eleitorais duram até 1 minuto e 30 segundos. Em caso de segundo turno, os vídeos podem chegar a até 5 minutos.

 

Pelo correio

Desde a segunda-feira, 28 de março, os eleitores estão recebendo em suas casas informativos sobre o plano de governo dos 12 candidatos, além das cédulas que deverão ser depositadas nas urnas nos dois turnos. 

Este ano o envio recebeu atenção especial, após problemas nas eleições regionais de 2021.

Informações sobre as campanhas também ficam disponíveis no site da Comissão Nacional de Controle de Campanhas (CNCCEP, na sigla em francês). 

 

No hora do voto

Outra diferença em relação ao sistema eleitoral brasileiro é o voto facultativo. Apesar disso, o eleitorado francês costuma comparecer em peso nas votações. 

Por ser no papel, o eleitor leva à urna de votação pelo menos dois envelopes, para que os mesários não saibam qual será o seu voto. Após depositar seu voto, o eleitor descarta as demais cédulas e na saída assina um termo comprovando que participou do pleito. 
 

Propaganda nas ruas

Também desde a segunda-feira (28), cartazes de campanha dos 12 candidatos foram colocados em locais reservados para propaganda política. Esses lugares ficam localizados nas sedes das prefeituras.

De acordo com o Código Eleitoral, os cartazes também ficarão expostos próximos às áreas de votação. 

A ordem dos cartazes é definida por sorteio, realizado na sessão do Conselho Institucional que anunciou a lista de presidenciáveis. Após isso, a ordem foi publicada no Diário Oficial. 

Cartazes de campanha na França
Espaço de publicidade eleitoral - Foto: Joel Saget / AFP
Cartazes de campanha na França
Espaço de publicidade eleitoral - Foto: AFP

A ordem definida nesta eleição é: Nathalie Arthaud (Luta Operária), Fabien Roussel (Partido Comunista), Emmanuel Macron (A República Em Marcha), Jean Lassalle (Resisatamos!), Marine Le Pen (Reunião Nacional), Éric Zemmour (Reconquisat!), Jean-Luc Mélenchon (França Insubmissa), Anne Hidalgo (Partido Socialisa), Yannick Jadot (Verdes), Valérie Pécresse (Republicanos), Philippe Poutou (Novo Partido Anticapilista) e Nicolas Dupont-Aignan (A França de Pé). 

Depois do primeiro turno, os candidatos que não passarem ao segundo turno podem usar os espaços de publicidade até a manhã da quarta-feira (13) para agradecer seus eleitores ou até mesmo anunciar a retirada de suas candidaturas.