A gênesis do problema
Conflitos territoriais, religiosos, êxodos e dominação política remontam à antiguidade na região do Oriente Médio. Entre guerras e diásporas, a questão palestina segue sem resolução há mais de um século. As diásporas judaicas ao longo da história foram marcadas pela marginalização do povo judeu, que espalhados pelo mundo eram constantemente perseguidos e hostilizados pelas nações que habitavam. O sentimento de pertencimento não deixou que a nação israelense se desintegrasse. No livro “Passagens: Literatura Judaico-Alemã entre Gueto e Metrópole”, Luis Sérgio Krausz, professor de Literatura Hebraica e Judaica na USP, afirma que "A ausência de um Estado fez com que construíssem sua identidade com base em parâmetros mais religiosos e étnicos do que nacionais ou territoriais".
Fonte: UOL
Como resposta ao antissemitismo crescente na Europa, surge, no século XIX, o movimento sionista, idealizado e divulgado pelo jornalista e escritor austro-húngaro Theodor Herzl. O movimento defendia a criação de um Estado Judeu que pudesse ser lar para todo os judeus, garantindo assim sua segurança. Entre as opções para a criação desse Estado estavam Uganda, Argentina e Birobidzhan, na Rússia. Haviam ainda partidários da causa sionista que defendiam a criação de um Estado no antigo reino histórico de Israel, entretanto esse território já estava ocupado pelos Palestinos.
Em 2 de novembro de 1917, o governo britânico apoia a causa sionista através da Declaração de Balfour, concordando com a construção do Estado Judeu na região da Palestina com a condição de que os direitos palestinos fossem preservados. Como resultado, entre as décadas de 1920 e 1940 milhares de judeus imigraram para a região.
Início dos conflitos
Diversos conflitos se seguiram entre judeus e palestinos, que não consideram legítimo o direito de Israel pelo território em questão. Em 1947 o Plano de Partilha da ONU propõe a criação de dois Estados independentes e um regime especial para Jerusalém, considerada terra sagrada por judeus, muçulmanos e cristãos. Entretanto, o plano não chegou a ser implementado.
Com a expiração do mandato britânico sobre a Palestina em maio de 1948, o líder israelense David Ben-Gurion proclamou o estabelecimento do Estado de Israel. No dia seguinte, a Liga Árabe composta por Egito, Jordânia, Síria, Líbano e Iraque, declara guerra ao Estado Judeu, dando origem ao primeiro conflito Árabe-Israelense. Após 1 ano de conflito, a Liga Árabe é derrotada e Israel expande seu território. Como consequência das guerras, mais da metade da população palestina é desalojada e busca se refugiar em países vizinhos como a Jordânia; essa diáspora é chamada de “Al Nakba” que significa “A catástrofe”.
As intifadas árabes
No ano de 1987, a revolta contra a ocupação israelense e a expulsão de milhares de palestinos foi combustível para a Primeira Intifada, que resultou na prisão e na morte de grande parte dos envolvidos. Nasce então o grupo radical Hamas – Movimento de Resistência Islâmica – que tem por objetivo “a destruição total do Estado de Israel” como descrevem em sua carta de fundação. A Primeira Intifada terminou em 1993 com a assinatura do Acordo de Oslo entre o Estado de Israel e a Autoridade Nacional Palestina, o acordo reconhecia a existência mútua e prévia autoridade palestina sobre o território da Faixa de Gaza, da parte ocidental de Jerusalém e da Cisjordânia, que teve seu controle dividido entre os dois Estados.
O Acordo de Oslo não foi bem-sucedido e no ano de 2000 inicia-se a Segunda Intifada. A visita do líder israelense à mesquita de Al Aqsa, na parte árabe de Jerusalém, foi vista pelos palestinos como uma provocação. Ainda mais violenta que a primeira, a Intifada terminou apenas em 2005 com a retirada de Israel da Faixa de Gaza, que passou a ser governada pelo Hamas.
Fonte: Blog Arte, Cultura e Espiritualidade
Atualmente, Israel tem realizado diversos ataques à Faixa de Gaza e à Cisjordânia, que têm sido gradualmente ocupadas por assentamentos israelenses. De acordo com o professor de Relações Internacionais da PUC, Bruno Huberman, Israel tem adotado uma postura colonialista, assim como as grandes nações imperialistas. Em entrevista ao Monitor do Oriente Médio (MEMO) o especialista afirma que “O sionismo surge como uma forma de solucionar a questão judaica na Europa – a perseguição, subjugação e opressão dos judeus – e se concretizou com o que antes era subjugado, subjugando um novo povo, por meio da colonização da Palestina. Embora estejam conectados, não se justificam. É uma forma de luta essencialista que não entende a luta por libertação como algo universal; da libertação humana contra as opressões, explorações e o colonialismo. Dessa forma, os judeus oprimidos se tornaram os opressores”.
A relação estreita entre Israel e Estados Unidos
Fonte: Revista Isto é Dinheiro
A relação amigável entre os Estados Unidos e o Estado de Israel começou no período da Guerra Fria. Os Estados Unidos perceberam a potência militar de Israel e, durante a era, se aproximaram do país a fim de assegurar sua superioridade contra a falecida União Soviética. Além disso, a região do Oriente Médio é rica em petróleo, o que também chamou a atenção dos EUA ao se aliar ao Estado de Israel, localizado em uma região estratégica.
Apesar dos laços terem sido firmados em um contexto histórico peculiar, os interesses políticos de Estados Unidos e Israel são mútuos. Manter esses laços é garantir um poder incontestável. Recentemente, no ano de 2017, a ONU lançou um relatório que afirmava que o Estado de Israel praticava o apartheid contra a Palestina, porém foi obrigada a exclui-lo após a pressão dos Estados Unidos e de Israel. Além da força militar, possuem fortes serviços de inteligência, formando uma influência mundial hegemônica que é capaz de alterar decisões, como acontece na ONU, que sempre critica Israel e acaba cedendo após a defesa por parte dos EUA.
Os Estados Unidos afetam diretamente os conflitos de Israel contra a Palestina. Além de financiarem o país e oferecerem seu exército para os combates, apoiam todos os conflitos israelenses e as ocupações nos territórios palestinos. Em 2020, o ex-presidente Donald Trump reconheceu Jerusalém como capital de Israel e, segundo Benjamin Netanyahu, Donald Trump foi “o melhor amigo que Israel já teve na Casa Branca”. Joe Biden honrou as relações diplomáticas dos países, e decretou apoio a Israel em seus conflitos.
Convenção de Genebra: as leis que se encaixam no conflito entre Israel e Palestina
A Convenção de Genebra é o nome dado a vários tratados internacionais que foram assinados entre 1864 e 1949 para reduzir as decorrências das guerras sobre a população civil, além de oferecer uma proteção para militares capturados ou feridos. Após o primeiro encontro, várias outras convenções foram realizadas para ampliar e detalhar uma espécie de regulamento para a participação em uma guerra. Apesar de muitos especialistas apontarem que a aplicação das leis se mantém insatisfatória, os tratados adequaram-se pelo menos para deixar explícito que o mundo considera inaceitável um conflito armado. Quem excede esses limites comete os chamados crimes de guerra.
A quarta Convenção de Genebra, ocorrida em 1949, é a primeira a conceder proteção aos civis em tempos de guerra, inclusive em território ocupado. O novo protocolo se aplica também a conflitos armados relacionados à luta dos povos contra a dominação e ocupação estrangeira. As leis redigidas pela Convenção entram em vigor a partir do momento em que as hostilidades realmente começam, independente se aquelas operações forem ou não declaradas. Com isso, as leis aplicam-se aos territórios palestinos ocupados em 1967 e continuam a ser aplicadas enquanto a ocupação militar prosseguir.
A partir da Convenção de Genebra, Israel deve cumprir algumas normas que regem a ocupação em relação à Palestina por se caracterizar como uma potência ocupante – Estado que ocupa o território invadido. Segundo regulamento redigido na Convenção de 1907 e 1949, as principais normas do direito aplicável em caso de ocupação instituem o seguinte:
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O ocupante não adquire soberania sobre o território invadido.
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A ocupação é apenas uma situação temporária e os direitos do ocupante se limitam à duração desse período.
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Usando todos os seus meios, a potência ocupante deve garantir e manter níveis suficientes de saúde e higiene pública, assim como abastecer com víveres e produtos médicos a população do território ocupado.
Portanto, segundo a Convenção de Genebra, Israel está cometendo um crime de guerra. Porém, devido à proteção que os Estados Unidos oferecem, Israel não está sendo punida e mesmo com as críticas da ONU o país não recua nas suas invasões.
Vacinação contra a Covid-19
Israel tem a maior taxa de população vacinada contra a covid-19 no mundo. No mês de junho, iniciou-se a vacinação na faixa etária de adolescentes de 12-15 anos. Mais de 55% da população do país já foi vacinada e o uso de máscara em locais abertos não é mais obrigatório desde fevereiro, enquanto em locais fechados deixou de ser obrigatório nesta última terça (18). Israel foi visto como país-modelo para as campanhas de vacinação e a maioria das doses aplicadas são da Pfizer.
Apesar de ser um exemplo mundial, pouco se fala sobre a vacinação nos países que são afetados pelos conflitos israelenses. O país construiu barreiras na Cisjordânia e em Gaza (além, claro, da invasão do território palestino), que controlam o acesso de elementos básico de sobrevivência nos países, incluindo a chegada das vacinas. Estima-se que cerca de 0,8% da população da Cisjordânia, de Gaza e da Palestina estejam vacinadas, o que mal atende as necessidades locais. Enquanto adolescentes e grupos com menor risco de adoecimento por covid-19 estão imunizados e voltando às normalidades em Israel, pessoas continuam morrendo nos outros países, os casos aumentando e o país nem sequer prestou assistência aos grupos de risco dessas regiões.
Mesmo com milhões de vacinas vencendo, o governo israelense se recusa a doar algumas doses para os países que necessitam e, principalmente, para a Palestina. Após uma tentativa frustrada de um acordo de vacinas entre Israel e Palestina, a ministra da saúde Mai Alkaila afirma que Israel mentiu quanto ao prazo de validade, sendo negociadas vacinas que vencem em junho como se fossem vencer em agosto. Organizações internacionais, ONGs humanitárias e os próprios Estados Unidos têm feito inúmeros apelos a Israel para que ajude a Autoridade Palestina na campanha de vacinação contra a covid-19, porém, até o momento, os únicos palestinos que receberem a vacina foram os residentes de Jerusalém Oriental com visto de residência.
Segundo o representante da ONU Tor Wennesland, Israel tem o dever de vacinar a população palestina devido às ocupações territoriais que possui. O ministro da saúde israelense afirmou em janeiro que Israel teria o interesse de vacinar a população palestina futuramente, o que não aconteceu passados 6 meses da declaração. A negociação da vacina entre Israel e Palestina ainda está em andamento e a última atualização foi sobre a desistência palestina ao receber o lote quase vencido de vacinas. Vale ressaltar que, no acordo, a Palestina terá que devolver as doses “emprestadas” por Israel em um curto prazo de 3 meses, estando prevista, até então, a devolução das doses até o mês de setembro.
A derrocada de Benjamin Netanyah
Fonte: site da llosa
No dia 13 de junho, o Parlamento de Israel determinou o fim dos 12 anos de poder do primeiro-ministro Benjamin Netanyah. Ao aprovar a formação de um novo governo, constituído por uma extensa coligação que vai de nacionalistas judeus de direita a políticos árabes-israelenses, o parlamento aprovou a aliança costurada por Yair Lapid, político centrista e um dos principais opositores de Netanyah. No mês junho, ele conseguiu fixar uma aliança majoritária ao ganhar apoio do direitista Naftali Bennett.
O impasse do poder em Israel, ficou mais profundo no final de 2018 com uma divisão na aliança pró- Netanyah. Essa divisão ocorreu especialmente pela ala mais nacionalista e militarista do governo. Um dos principais motivos foi a trégua anunciada em novembro de 2018 pelo governo israelense com os palestinos, que se combatiam na Faixa de Gaza.
O gatilho para a crise foi a saída do então ministro da Defesa, Avigdor Lieberman. Anteriormente o braço direito de Netanyah, o político pediu para deixar o governo após a trégua com os palestinos. Deste modo, em dezembro de 2018, a coalizão governista foi formalmente desfeita e o governo teve de convocar novas eleições. As eleições ocorreriam normalmente em novembro de 2019, mas a decisão de diluir o Parlamento antecipou essa votação para abril.
O resultado das eleições mostrou a dimensão da desintegração política em Israel. Isso porque nenhum partido conquistou, sozinho, as 61 cadeiras para controlar o Parlamento (com 120 assentos) nas quatros eleições ocorridas entre 2019 e março de 2020. O impasse parece ter fim em março de 2020, quando Gantz e Netanyah apoiaram em unir forças para enfrentar a pandemia da covid-19 e não perenizar o impasse político em Israel. No entanto, a ampla aliança não vingou, e Gantz rompeu a coligação.
Giovanna Crescitelli, Laura Mello e Lucas Malagone
Em outubro de 2019, a América do Sul se deparou com enormes manifestações populares no Chile. Conhecido como Estallido Social (tradução: estalo social), os atos iniciaram-se com a resposta dos estudantes para o aumento da tarifa dos transportes públicos e foram crescendo subitamente até concentrarem um total de 1,2 milhão de manifestantes apenas na capital chilena, Santiago, sendo brutalmente repreendidos pela força policial. Essa violenta forma de repressão era familiar aos povos originários do país, como os mapuches, que se solidarizaram e, em nota nas redes sociais da Alianza Territorial Mapuche, apoiaram as manifestações como um povo distante que concordava com suas reivindicações. Naquela semana, se viam inúmeras bandeiras mapuches nos protestos, um número visivelmente superior à própria bandeira chilena. Todos estes fatos levaram a algo inédito na história do país: uma constituinte paritária que teria cadeiras indígenas.
De acordo com Luis Eugenio Campos Muñoz, investigador principal do Centro Interdisciplinario de Estudios Interculturales e Indígenas, a participação das lideranças originárias, assim como a participação feminina, na constituinte é imprescindível: “Foi um processo mal feito e pensado para a população urbana, com pouco tempo e recursos para inscrever as candidaturas, principalmente para os povos de mais difícil acesso, mas eles conseguiram enviar. Não é uma representação porcentual, mas é algo inédito para o país. Houve muita resistência do governo contra os povos indígenas na constituinte, tanto que o povo tribal afrodescendente foi deixado de fora, algo que deverá ser reparado posteriormente.”. Esta nova constituição será escrita por uma constituinte paritária, formada 50% por homens e 50% por mulheres e substituirá a atual Carta Magna, que apesar de ter sofrido alterações, é herança do regime militar de Pinochet.

Para Luis Eugenio, essa nova constituição “é uma aposta, não uma confirmação”, devido à certa resistência da sociedade civil do Chile e pela disputa econômica pelos recursos naturais presentes em terras indígenas. “É necessário que haja melhores leis para a proteção e autonomia dos territórios indígenas, como existe no Brasil a demarcação, além de recuperar o que foi roubado, como as terras da Ilha de Páscoa invadidas pelo Estado Chileno 100 anos atrás”.
Como comentou o investigador, a constituinte é uma aposta, assim como ocorrido no Brasil. Apesar de não ter havido cadeiras para lideranças indígenas na Constituição brasileira de 1988, estes se articularam com lideranças do Movimento Negro e Movimento do Direito das Mulheres para que suas pautas virassem parte da Lei Maior, com demarcação de territórios e outros direitos, que atualmente são violados. Linda Terena, antropóloga e indígena do povo Terena de Dourados MS, fala que, sem dúvidas, a participação originária na nossa constituição foi um grande passo para a “consolidação da tão falada ‘democracia’, sobretudo, a efetivação da democracia consolidando direitos às diversidades”, mas que o escrito e o cumprido são coisas diferentes. “Não nos espanta em nosso país a cultura de falar e fazer tão distantes em sua realidade, dessa forma, jamais seria diferente quando se fala naquilo que está no “papel” com aquilo que se faz na prática. Faço uma analogia em relação ao que se garante por escrito e forma de Leis e o que se oferece a partir desse aos povos indígenas. Um exemplo mais que convincente são as demarcações dos territórios indígenas, desde 1988 até o presente momento, essa garantia está apenas descrita no papel. Enquanto isso, o Estado como aparato Legal empurra a canoa furada promovendo com isso os conflitos fundiários tão acesos nos últimos anos. Morrem indígenas, e o noticiário diz: Ah, são meros vagabundos e invasores. Mas peraí!! Invasores? Roubam nossas terras e ainda levamos conosco o crime de invasão em nossas próprias casas! Os territórios indígenas nacionalmente vivem em conflitos direto entre grandes pecuaristas, mineradores, garimpeiros, madeireiros e afins.”, comenta.
No último dia 16 de julho, numerosos indígenas, representando mais de 25 povos distintos do país, protestaram em frente à Esplanada dos Ministérios contra o Projeto de Lei 490/2007, que pretende dificultar a demarcação de novos territórios e facilitar a abertura de terras já demarcadas para exploração de recursos naturais. Em nota técnica, a Assessoria Jurídica do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) afirma que este projeto, além de inconstitucional, afronta decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Neste ato, os manifestantes também sofreram repreensão policial, com bombas de efeito moral e sprays de pimenta. De acordo com Linda Terena, o maior problema a ser resolvido para a população indígena brasileira é o próprio Estado. “O Estado brasileiro faz ou finge não ver o que está em cena, insiste em sua miopia cultural, econômica e política. As leis por exemplo que ampara o meio ambiente é um exemplar, tornou-se “falácia” à medida que não se respeita. Cria-se Projetos de Leis, PECs, e demais ordenamentos jurídicos para impedir o que já está garantido na Constituição Federal e dessa maneira seguem desconstruindo direitos indígenas, o direito à vida.”.

Em toda a América, os povos originários se conectam pela dor do genocídio e tomada de direitos. “A invasão conecta todos os povos, tanto originários quanto negros, de forma profunda. O genocídio e a resistência os conectam. Existe um ditado do povo Mapuche que diz ‘não só vivo, mas em pé’, que demonstra o espírito de luta deles.”, diz Karine Narahara, coordenadora do Núcleo de Estudos Ameríndios do Laboratório Geru Maa de Africologia e Filosofia Ameríndia do IFCS/UFRJ, “O povo mapuche é um povo-nação, possuem autonomia e acreditam que as pessoas não possuem um território, mas o território possui as pessoas. É daí que vem “mapuche”, que na língua deles significa “gente da terra”. Não estou muito a par das pautas da constituinte, mas creio que por acreditarem neste conceito de território eles provavelmente defendem a presença de um Estado Plurinacional, como existe na Bolívia.”. O investigador Luis Eugenio ainda diz: “Quando, visionariamente, a Alianza Territorial Mapuche se coloca a favor das reivindicações do povo chileno no Estallido Social como um povo de fora, naturalmente gera ao povo chileno o dever de reconhecê-los também como um povo diferente, com direitos. E isto se manifesta quando o povo chileno se levanta, tomando a bandeira mapuche como emblema de resistência.”. Assim como os povos originários chilenos, os brasileiros também lutam incansavelmente. “Me veio à mente, uma ilustração descrita pelo educador e filósofo Mario Sergio Cortela quando ele diz: ‘O animal sossegado, dorme’.” diz Linda Terena. “Creio que a resistência do meu povo, o Terena, assim como os demais, está nessa ilustração de Cortela, nunca sossegamos. Ao contrário, permanecemos incomodados e incomodamos muito o Estado brasileiro, desde séculos anteriores quando nossas tataravós viajavam sobre carreta com boi puxando por dias para dialogar com as autoridades competentes. A diplomacia foi e continua sendo um grande recurso para que nossa luta seja reconhecida e visibilizada ao menos, na medida em que não cremos ser priorizada.”.
Num domingo, 04 de julho, a acadêmica mapuche Elisa Loncón foi eleita presidente da Convenção Constitucional chilena, dando ainda mais esperança para os povos originários do país e de outras fronteiras, que lutam até hoje por uma diplomacia funcional que escute e leve em consideração suas reivindicações.

Você com certeza já ouviu falar sobre isso. Seja na escola ou nas notícias...e neste último mês, novos acontecimentos somaram a essa história que já vem de anos atrás. Mas você talvez não tenha escutado ou lido o outro lado dessa história para além do que já se sabe. Conflito? Guerra imobiliária? Ou limpeza étnica?
O podcast traz alguns fatos históricos que auxiliam no entendimento do atual conflito entre Palestina e Israel, junto de relatos de quem vive essa história bem de perto. O estopim mais recente se deu por ameaças de despejo de famílias palestinas de Sheikh Jarrah, bairro localizado na região de Jerusalém Oriental, e embora o ocorrido tenha sido noticiado por alguns veículos da imprensa, alguns detalhes não obtiveram visibilidade.
As informações presentes neste podcast foram retiradas diretamente de fontes que moram na região e estão vivenciando esses confrontos. Por isso, os relatos são anônimos e os nomes apresentados são fictícios. As vozes pertencem à Loay Ayyoub e Samir.
Confira o episódio aqui.
O segundo turno das eleições presidenciais do Peru ocorre neste domingo,06, quando se enfrentarão nas urnas o professor Pedro Castillo, do partido Perú Libre, e a veterana da política peruana Keiko Fujimori, do partido Fuerza Popular.
No primeiro turno, que contou com a participação de 18 candidatos, Castillo recebeu 19% dos votos válidos, enquanto Fujimori veio em seguida com 13%. Desde então, o candidato da esquerda manteve-se à frente nas pesquisas de intenção de voto, mas, a poucos dias do segundo turno, vê reduzida sua vantagem em relação à segunda colocada.
De acordo com pesquisa divulgada no último domingo (30), a última antes do dia das eleições, a disputa acirrou-se. Castillo apresenta 42% das intenções, ao passo que Keiko tem 40%, o que configura empate técnico em razão de a diferença estar dentro da margem de erro.
Castillo, professor de escola rural e sindicalista, era quase desconhecido até semanas antes da eleição. Com um discurso estatista e antimercado, já falou em fechar a economia, o Tribunal Constitucional e reescrever a Constituição peruana, tentando angariar votos sobretudo nas áreas rurais e pobres do país andino. Sua vitória no domingo é vista por essa parcela da população como um passo no sentido da construção de um verdadeiro Estado social.
Por sua vez, Keiko Fujimori é velha conhecida dos peruanos. Filha do ex-ditador peruano Alberto Fujimori – que permaneceu no poder entre 1990 e 2000 e hoje está preso por crimes contra a humanidade e corrupção –, Keiko já foi deputada e, por duas vezes, concorreu à presidência.
A candidata do Fuerza Popular é feroz crítica da esquerda e adota postura bastante favorável ao livre mercado e à manutenção de um Estado mínimo no Peru, o que a levou a conquistar eleitores pertencentes sobretudo às classes médias urbanas dos grandes centros, como Lima.
Desenha-se assim um cenário extremamente polarizado, com dois candidatos que se encontram nos extremos opostos do espectro político e cujas bases eleitorais revelam a existência do que um economista peruano chamou de “Chilibia”.
De um lado, um Peru com condições próximas às piores encontradas na Bolívia e que cerra fileiras com Castillo na esperança de darem fim ao processo de pauperização pelo qual passa. De outro, um Peru com índices sociais semelhantes aos melhores encontrados no Chile e que vota em Fujimori por medo de tornar-se uma Venezuela.
“Acusam-no [a Castillo] de Chavismo; mas o vejo mais como um dirigente sindical surpreendido pelas facilidades que a conjuntura lhe deu e que está com a dificuldade de não ter um discurso claro para certos temas para os quais não está preparado”, comentou o juiz do Tribunal Constitucional do Peru Eloy Espinoza-Saldaña, em debate promovido pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), nesta terça-feira (01).
A despeito das diferenças, Castillo e Fujimori convergem em muitos aspectos. Ambos são socialmente conservadores, defendendo a família tradicional e rejeitando o aborto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a igualdade de gênero.
Em manifestação recente, Castillo chegou a sugerir que o assassinato de mulheres ocorre por conta da ociosidade dos homens. “O feminicídio é produto da ociosidade gerada pelo próprio Estado”, comentou.
Além disso, como apontou o ex-Procurador do Peru José Ugaz durante o debate do CEBRI, “ambos os candidatos também apresentam manchas de corrupção”.
Castillo vê sua honestidade colocada em xeque diante da condenação por corrupção do líder de seu partido, Vladimir Cerrón. Já Fujimori enfrenta acusações de lavagem de dinheiro envolvendo valores que teria recebido da construtora brasileira Odebrecht. As suspeitas que pairam sobre ambos explicam, ainda que em parte, o alto índice de rejeição que apresentam.
“Tivemos as piores eleições da história do Peru. 18 candidatos que, em vez de ter trajetória política, têm ficha criminal”, comentou Ugaz. Entre os concorrentes no primeiro turno, havia investigados por corrupção, plágio e até mesmo assassinato.
“La piñata de la fiesta”
A instabilidade política é uma constante no país desde a presidência de Pedro Pablo Kuczynski, o PKK, que renunciou na esteira da operação Lava Jato sob acusações de compra de votos. O cenário deterirou-se ainda mais a partir de 2019, com o início de embates entre o Executivo e o Legislativo que levaram, em poucos meses, à renúncia de 2 presidentes.
Entretanto, a presença de uma nova personagem na cadeira de chefe da nação não parece que será suficiente para apaziguar os ânimos.
Segundo Espinoza, “ já que nenhum dos dois [candidatos] tem maioria parlamentar, vai ser difícil ter algum arranjo que dê estabilidade ao funcionamento do país”. Haja vista os traços de parlamentarismo presentes na Constituição peruana, “Se o presidente não tem maioria parlamentar, é como ‘a pinhata da festa’”.
Como resultado, o risco de nova vacância presidencial e de que o eleito neste domingo não venha a completar os 5 anos de mandato é alto.
Somam-se às incertezas as alegações de possível fraude eleitoral que parte da ultradireita que apoia Fujimori tem levantado, bem como a manifestação de ex-altos oficiais das Forças Armadas contra Castillo, o que gerou temores de um possível golpe militar.
Espinoza e Ugaz, no entanto, concordam que a possibilidade de golpe é remota. “Estou mais preocupado com a questão da fraude, porque já vivemos esse cenário em 2016, quando Keiko perdeu”, comentou o magistrado. Para ele, as Forças Armadas estão contentes com o atual posto que têm de órgão de consulta em momentos de crise.
América do Sul polarizada
O vencedor de domingo tampouco mudará outra realidade: a polarização da América do Sul. Se, no início dos anos 2000, havia na região a chamada “marea rosa” (onda vermelha), com a presença de diversos governo progressistas de esquerda, desde 2013, a direita vem ganhando terreno.
Agora, o subcontinente está dividido em dois: de um lado governos à esquerda, como o de Venezuela, Bolívia e Argentina; de outro, governos de direita e ultradireita, como o de Brasil, Uruguai, Colômbia e Equador.
Nesse cenário, se Fujimori sagrar-se vencedora, a tendência será o fortalecimento do bloco liberal; ganhando Castillo, a aproximação se dará com os esquerdistas, o que certamente levará ao fim do já inexpressivo Grupo de Lima.
Em ambos os casos, porém, a divisão ideológica da região se aprofundará, criando ainda mais empecilhos ao diálogo sul-americano. No fim, quem sairá perdendo são a coordenação e a integração regionais.
Por Daniel Gateno e João Pedro Coelho
Israel passa por momentos de turbulência na política. Em meio ao fim da 4° eleição em dois anos, os israelenses ainda não sabem quem vai ser o primeiro-ministro.
O país é uma república parlamentarista que tem 120 cadeiras em seu parlamento (Knesset em hebraico). Para formar um governo, é necessário conseguir 61 cadeiras.
O principal impasse gira em torno da figura do atual primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.O político, que é considerado um exímio estrategista, se tornou uma figura controversa em Israel. Amado por muitos e totalmente odiado por outros. Ele é acusado de corrupção, suborno e fraude pela justiça.
Por esse motivo, o Likud, partido de Netanyahu, recebeu 30 cadeiras no parlamento, a maior bancada eleita. Segundo especialistas, o grupo formaria uma coalizão se qualquer outra pessoa estivesse indicada para assumir o cargo mais importante da política israelense.
Para entender Israel hoje e o seu xadrez político, é necessário olhar para a vida de Bibi, apelido do primeiro-ministro, desde a sua juventude até a sua vida política.
Benjamin Netanyahu nasceu em Tel Aviv, no ano de 1949. Tem um ano de vida a mais do que o país onde nasceu, Israel, fundado em 1948.Filho de Benzion Netanyahu, historiador importante e militante do movimento revisionista israelense tem dois irmãos: Iddo e Ionatan.
Em 1963, com apenas 14 anos, Netanyahu se mudou para os Estados Unidos com a família. Seu pai fazia doutorado na cidade de Filadélfia. A sua relação com os EUA foi longa, tendo se formado em arquitetura a administração no MIT( Massachusetts Institute Of Technology) e adquirido uma fluência na língua inglesa.
“ Em Israel, é muito bem visto uma pessoa ir aos Estados Unidos, estudar em uma universidade muito boa e depois voltar ao país para trazer o que aprendeu”, afirma Eitan Gottfried, cientista político israelense. “ O Bibi é um mestre das aparências, fala muito bem inglês e se vendeu como um político com ideias novas”, completou.
Em meio aos estudos, Bibi voltou a Israel em 1967 para se alistar no exército em uma das unidades de combate com mais prestígio no país chamada Sayeret Matkal. Além disso, ele lutou na guerra de Yom Kippur.
“A sociedade israelense valoriza muito o exército. Se uma pessoa serve em uma unidade que é considerada de muito prestigio, ela terá melhores oportunidades de emprego e um futuro apontado como promissor”, explica Gottfried.
Depois de finalizar os seus estudos nos Estados Unidos, Netanyahu teve uma carreira no setor privado, trabalhando no Boston Consulting Group, uma firma de consultoria financeira internacional.
Em 1976, Benjamin Netanyahu sofreu um grande golpe pela morte de seu irmão durante a Operação Entebbe, uma das missões mais importantes da história de Israel. Ionatan Netanyahu era o comandante de um grupo que tinha como objetivo resgatar passageiros de um avião que fazia um voo de Paris para Tel Aviv e foi sequestrado por milicias palestinas e alemãs que pousaram o avião na cidade de Entebbe, em Uganda.
O irmão de Bibi foi a única baixa da operação, que conseguiu resgatar todos os reféns. O episódio tornou o sobrenome Netanyahu muito famoso em Israel.
“A família Netanyahu já era muito famosa, mas se tornou ainda mais depois deste episódio. O Ionatan seria o filho que entraria na política e o Bibi queria entrar nos negócios. Com a morte do irmão, Bibi se sentiu na obrigação de representar a família na política”, afirma Michel Gherman, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ) e Diretor-acadêmico do Instituto Brasil Israel.
Impulsionado pela morte do irmão, Bibi organizou duas conferencias internacionais sobre como combater o terrorismo e isso atraiu atenção para a usa habilidade de oratória. Em 1982, ele se junta ao corpo diplomático israelense nos Estados Unidos. Dois anos depois ele se torna embaixador de Israel na ONU(Organização das Nações Unidas).
“O cargo de embaixador na ONU tem muito prestígio em Israel, Golda Meir e Yzchak Rabin, outros políticos que chegaram ao cargo máximo da política israelense também tiveram posições importantes na diplomacia do país nos Estados Unidos”, acrescenta Gottfried.
Em 1988, ele retorna a Israel com a vontade de entrar na política e é eleito para o parlamento pelo partido Likud. Bibi foi apontado como ministro das Relações Exteriores e ocupou o cargo por quatro anos. Em 1993 ele vence as eleições internas dentro do Likud e se torna a principal voz a oposição contra o governo liderado por Yzchak Rabin.
Ele se mostra contra os Acordos de Oslo, assinados em 1993 e que reconheciam a Autoridade Palestina como representante oficial do povo palestino.
Netanyahu chegou ao poder pela primeira vez em 1996, após vencer Shimon Peres na primeira eleição direta para o posto de primeiro-ministro na história de Israel. Durante a campanha contra Peres, Bibi adotou uma retórica contrária aos acordos de paz com os vizinhos árabes e afirmou que aumentaria a presença israelita na Cisjordânia.
Durante o seu primeiro governo, entretanto, Netanyahu fez concessões em relação aos vizinhos. Assinou um acordo com autoridades palestinas, cedendo 80% da cidade de Hebrom a elas e aceitou diminuir a presença israelense na Cisjordânia.
“Uma das maiores qualidades de Netanyahu como articulador político é que ele consegue se reinventar muito para continuar no poder. Já assumiu políticas mais a esquerda do espectro político como quando fez os acordos de Hebrom, mas também se aliou a extrema direita religiosa para formar um governo”, disse Gherman.
Netanyahu renunciou ao cargo de primeiro-ministro em 1999 e, após três anos afastado da política israelense, voltou a fazer parte do governo em 2002. Assumiu o cargo de ministro das relações exteriores durante o mandato de Ariel Shalon, também membro do Likud. Entre 2003 e 2004 se tornou ministro das finanças do país.
Em 2006, voltou a tentar se candidatar ao cargo de primeiro-ministro, dessa vez como presidente do Likud, após Shalon ter deixado o partido para integrar o partido centrista Kadima, vencedor do pleito.
Netanyahu voltou ao cargo de primeiro-ministro israelense em 2009, após conseguir formar coalizão entre o seu partido, o Likud, e outras siglas de direita com números significativos de cadeiras no Knesset, como o Yisrael Beiteinu e o Shas.
“Netanyahu foi capaz de dizer que todos os partidos de esquerda eram antissionistas e que não tinham interesse em manter o estado de Israel seguro”, afirmou Gottfried. “ Em todos os momentos ele quis criar essa narrativa de que ele era a única pessoa que pode comandar Israel e levar o país para frente”, acrescentou.
Logo em seu primeiro ano de governo, quando se aproximava o fim do acordo de suspensão de construção de assentamentos na Cisjordânia, Bibi acenou com a possibilidade de reconhecer a Palestina como um estado independente caso o país aceitasse ser desmilitarizado. Com a negativa de lideranças palestinas, os acordos de paz entre os dois países foram paralisados até o final do primeiro mandato de Netanyahu.
Durante esse período, Israel também teve um momento de crise aguda com o Irã. Netanyahu colocou pressão na comunidade internacional para que os países tomassem ações mais duras contra a suposta existência de armas nucleares no país persa.
A política interna israelense também foi conturbada no primeiro mandato de Bibi depois de seu retorno ao poder. Em 2011, manifestantes foram às ruas do país pedir por maios investimento do governo em setores como transporte, educação e moradia. Esse cenário levou à realização de eleições antecipadas em janeiro de 2013.
Netanyahu conseguiu se manter no poder, mas, dessa vez, foi obrigado a formar uma coalizão que abrangia mais partidos de centro do que a anterior.
Os conflitos externos, entretanto, não acabaram. Em 2014, Netanyahu ordenou a realização de um ataque aéreo à Faixa de Gaza como resposta às ações de grupos palestinos contra Israel.
As críticas internacionais ao ataque israelense e a divergência com partidos que compunham a coalizão formada em 2013 levaram à convocação de novas eleições para o início de 2015.
O impasse político israelense atual se dá pelo perfil camaleônico de Bibi, um dos motivos que fazem ele continuar no poder, mas também uma das razões de sua especulada saída.
O Likud, partido de Netanyahu, provavelmente formaria uma coalizão com qualquer outra pessoa como seu número 1, mas sofre com rupturas dentro de partidos de centro, direita e árabe-israelense.
O maior desses partidos é o Yesh Atid, partido centrista de Yair Lapid que conquistou 17 cadeiras no parlamento. O bloco anti-netanyahu também possuí diferentes partidos de direita como “A nova esperança”, criado por Gideon Saar, “A Nova Direita”, de Naftali Bennet e o “Israel Nossa Casa”, de Avigdor Liberman. Além disso, a oposição também é formada pelo tradicional Partido Trabalhista, o Meretz, a Lista Conjunta, que é formada por três partidos árabes-israelenses, o Raam, partido árabe que não participa da Lista Conjunta e o Azul e Branco, partido do General Benny Gantz, que fez aliança com Netanyahu nas últimas eleições e perdeu prestigio com a população israelense.
Para conseguir formar um governo, Benjamin Netanyahu precisa fazer uma aliança improvável entre os partidos religiosos que o apoiam e dois partidos que estão dispostos a negociar com o premie: A Nova Direita do ex-aliado Naftali Bennet e o Raam, partido árabe-israelense que saiu da Lista Conjunta. Muito improvável que partidos da ultradireita religiosa façam um governo com um partido árabe.
O presidente de Israel concedeu a Yair Lapid o poder de formar uma coalização e ele está próximo de fazer isso. Um governo de união nacional, com partidos de direita, esquerda e até árabes israelenses está surgindo, apenas para derrotar Bibi.
Questionado sobre o futuro de Netanyahu na política israelense, Gherman acredita que Bibi seguirá no xadrez político, fazendo oposição a qualquer governo que for formado sem o partido dele. “Netanyahu vai continuar na política, não vejo ele indo para a iniciativa privada. Bibi tem muita vontade de seguir sendo o primeiro-ministro”.
Os recentes conflitos envolvendo o país e o grupo Hamas, facção palestina que controla a Faixa de Gaza, pode dar uma sobrevida a Bibi. “Netanyahu é muito forte em guerras, lida bem com a situação e se vende como a única pessoa que pode proteger Israel. Além disso, em uma situação como essa, é difícil fazer um governo de união nacional com tantos partidos que tem opiniões muito diferentes sobre o conflito com os palestinos”, declarou Gottfried.
Apesar dos rumores de que Netanyahu poderia reacender a chama em volta de seu nome, o opositor Yair Lapid chegou a um acordo com partidos de esquerda, direita, centro e arabe-israelense para produzir um governo de união nacional. O direitista Naftali Bennet deve ser o primeiro-ministro até 2023, enquanto Lapid vai terminar o mandato e ficar no cargo até 2025.
O futuro de Bibi, que parecia um articulador político invencível ,está incerto. A única certeza é que Benjamin Netanyahu nunca passará despercebido.













