Movimento que começou nos subúrbios de Paris já reúne centenas de milhares de pessoas e mantém pressão sobre o governo
por
Rafael Jorge
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03/11/2026 - 12h

A mobilização na França voltou às ruas no último sábado (24). Segundo o Ministério do Interior, 410 mil pessoas protestaram, 110 mil delas em Paris, número menor que o da semana anterior. A Confédération générale du travail (CGT) fala em 800 mil. Os manifestantes voltaram a pedir mais recursos para as escolas e medidas contra a alta dos preços, a convite de coletes amarelos e movimentos de estudantes. 

O governo aumentou o efetivo policial, e várias cidades tiveram proibições de manifestar ou toque de recolher. Segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez, as manifestações transcorreram bem, mas quase mil pessoas foram detidas, houve confrontos e saques em algumas cidades, e duas pessoas ficaram gravemente feridas, em Clermont-Ferrand e Toulouse.

Estudantes nas ruas em protesto contra as más condições de ensino
Estudantes franceses no ato do dia 17 de outubro. Foto: X/ Reprodução: @EllaGrand1681

O movimento nasceu em meados de setembro de 2026, quando estudantes do Lycée Saint-Exupéry, em Créteil, subúrbio de Paris, bloquearam a escola em protesto contra as condições precárias do ensino médio francês, salas superlotadas, calor e falta de professores.

O que parecia um ato isolado se espalhou. Em 29 de setembro, a Union Syndicale Lycéenne (USL), organização que representa os estudantes de ensino médio, e a União Estudantil disseram que 400 escolas e cerca de dez universidades estavam bloqueadas. Em 1º de outubro, as universidades ganharam peso, com 29 campi bloqueados, segundo a União Estudantil, e o movimento deixou de ser apenas de ensino médio. Em 6 de outubro, o Ministério do Interior contou 256 mil manifestantes, e os sindicatos, 450 mil. 

Os estudantes querem um plano de emergência para reformar prédios escolares e universitários em mau estado e mais professores contratados em definitivo, e não por contratos temporários. Pedem também o fim da seleção do Parcoursup, sistema que decide quem entra em cada curso superior, e 150 mil vagas a mais nas universidades.

Em 4 de outubro, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu apresentou cinco prioridades, como resolver o problema de professores que se afastam por longos períodos e não são substituídos. Em 8 de outubro, o ministro da Educação, Édouard Geffray, anunciou na TV um plano de emergência com 3 mil professores substitutos, que seriam enviados às escolas em pior situação. Sindicatos criticaram a medida como solução de última hora. Para os estudantes, não bastou, eles dizem ter recebido apenas “migalhas”. 

Os protestos continuaram no dia 13 de outubro. Segundo os sindicatos de estudantes, aproximadamente 480 mil pessoas participaram, e o Ministério do Interior aponta cerca de 161 mil. Para os jovens, o centro do movimento está na crise cotidiana das escolas, aulas canceladas por falta de professores, turmas cheias, prédios sem estrutura, jornadas longas e falta de profissionais de saúde e assistência. O ato marcou a quarta semana consecutiva de protestos e contou com a presença da ativista sueca Greta Thunberg.

Greta esteve em frente a escola Paul-Éluard, em Saint-Denis, onde cerca de vinte advogados formaram uma corrente humana para proteger os estudantes de possíveis violências policiais, segundo a AFP. “Os jovens não estão sendo incluídos na conversa, nosso futuro está sendo roubado de nós”, disse Thunberg  à agência.

No fim de semana seguinte, o protesto dos estudantes se juntou à revolta da população contra o custo de vida e reuniu pessoas de todos os perfis. Segundo o Ministério do Interior, 550 mil pessoas foram às ruas na França, 110 mil delas em Paris, os organizadores falam em 800 mil. O dia terminou com saques, depredações e ao menos 1.800 detidos, segundo balanço divulgado pela imprensa francesa. 

O ato foi convocado pelos "coletes amarelos", movimento sem líderes que tomou as ruas em 2018 contra o aumento do preço dos combustíveis. Desta vez, a pauta foi o poder de compra e mais recursos para os estudantes. Alunos de ensino médio, universitários, coletes amarelos, ativistas do clima, sindicalistas e milhares de famílias tomaram as ruas. 

Movimento dos coletes amarelos nos protestos contra o custo de vida
Coletes Amarelos no ato do dia 24 de outubro de 2026. Foto: X/ Reprodução: @jmusulmans2

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, atribuiu os ataques a prédios públicos e delegacias a grupos da “extrema esquerda radical”. Em Saint-Étienne, um manifestante de 17 anos teve a mão arrancada, e a Inspeção-Geral da Polícia Nacional (IGPN) investiga o caso. 

Em um pronunciamento de cerca de nove minutos, na noite do dia 18, o presidente Emmanuel Macron disse que o país sentia “raiva e vergonha” pela violência. Ele afirmou que quem destruiu deve pagar e quem saqueou deve devolver. Prometeu ainda que o governo será rígido com os responsáveis, e que diálogo não significa fraqueza nem impunidade. Ao mesmo tempo, procurou não culpar os jovens. Disse entender os estudantes e pediu para não confundir manifestantes com reivindicações legítimas com os que destruíram patrimônio. 

O discurso foi alvo de críticas. A Public Sénat observou que o governo parece ter subestimado a raiva e os possíveis excessos do sábado. Na noite seguinte, Paris viveu novas tensões, em especial perto da Praça da República. 

Presidente Macron em Marseille depois das manifestações de 17 de outubro
Macron em Marseille depois dos atos de 17 de outubro/ Foto: Instagram/ Reprodução: @emmanuelmacron

Na quarta-feira (21), o primeiro-ministro Sébastien Lecornu recebeu os sindicatos em Matignon, mas sem os representantes dos estudantes, embora a CGT tenha pedido a presença deles. Lecornu disse que trataria das respostas às reivindicações sobre horários, substituições, reforma de prédios e Parcoursup, e prometeu respostas aos estudantes no início da semana seguinte.

 

Marcas europeias dão o nome no maior salão do automóvel do continente, que mais uma vez registrou grande presença de marcas chinesas
por
Vítor Nhoatto
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23/10/2026 - 12h

A feira automotiva mais antiga do mundo voltou a Porte de Versailles, em Paris, na França e acontece entre os dias 12 e 18 de outubro. O Mondial de l’Auto 2026 levou mais de meio milhão de pessoas para a bienal, que mostra ter recuperado o seu brilho com grande adesão das marcas europeias, enquanto o crescimento das chinesas continuou.

Na edição passada 41 montadoras compareceram e desta vez foram 43. Algumas com retornos expressivos como Fiat e Mercedes. Experiências interativas, test-drives e mais de cem expositores completaram o evento, que teve a questão da eletrificação como foco novamente, o que inevitavelmente reflete o contexto geopolítico e os desafios econômicos e ambientais atuais.

O setor tem se recuperado após dificuldades na pandemia e em grande parte pela chegada das chinesas ao continente com preços muito competitivos. Para se ter uma ideia, a participação de mercado delas foi de 4,9% em 2025, e a porcentagem de carros feitos na China vendidos na Europa superou a dos veículos fabricados na Turquia, no Japão e no Reino Unido, segundo dados da JATO Dynamics. A resistência europeia ainda existe, principalmente na Alemanha, maior produtora e mercado no continente, mas a questão preocupa.

Em 2024, foram aprovadas taxas de importação de até 35% sobre os 10% padrão nos carros elétricos chineses, e a União Europeia estuda limitar a 350 mil híbridos plug-in (PHEV) do país por ano. O presidente francês Emmanuel Macron compareceu pela última vez ao Paris Motor Show e, em meio a tumultuosos protestos pela França, para advogar justamente pela preferência europeia aos chineses. Além disso, o bloco busca aprovar a criação de uma nova categoria na legislação para subsidiar elétricos produzidos nos países membros. 

Resposta europeia conceitual

Nesse sentido, as marcas europeias voltaram com força ao Salão de Paris buscando referências de suas histórias, e o Grupo Stellantis chamou a atenção com oito carros-conceito. Emanuele Cappellano, Diretor de Operações (COO) do conglomerado para a região da Europa ampliada, destacou que “quer aproveitar ao máximo a vantagem competitiva proporcionada pela singularidade de suas marcas icônicas, oferecendo carros que, ao mesmo tempo, estão enraizados em sua herança e voltados para o futuro.”

A principal aposta do grupo é o novo Citroën 2CV, uma releitura do icônico modelo do século passado, seguindo a tendência de sucesso adotada pela rival Renault com os novos R5, R4 e o rival direto, Twingo. A Citroën promete que o modelo de produção custará a partir de 15 mil euros e será fabricado na Itália. 

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Compacto francês deve chegar ao mercado em 2028, com preço acessível e design carismático. Foto: Divulgação/Stellantis

 

Falando do país, a Fiat retornou a Paris depois de dez anos, e apresentou o conceito Multiplay, que prevê o próximo modelo da marca na Europa, um SUV do segmento C com a funcionalidade das minivans dos anos 2000. Além disso, a italiana mostrou o Multiplina, basicamente a versão de quatro lugares do quadriciclo elétrico Topolino.

Outro retorno ao evento foi a francesa DS, marca premium do grupo que, desde a separação da Citroën em 2015, sofre para conquistar uma fatia em meio a Audi, BMW e Mercedes. A marca apresentou o F3VER, prevendo a próxima geração do DS3, inclusive buscando inspiração nas lanternas traseiras da primeira geração do modelo, de 2009, e que seguindo a nova nomenclatura inspirada em perfumes franceses, se chamará Nº3. 

Rival da DS, a Alfa Romeo chamou a atenção com o conceito Cuorerosso, um sedã que antecipa a direção de design da italiana, mantendo a filosofia de beleza necessária e conexão emocional entre motorista e máquina. No entanto, a marca possui apenas três modelos à venda, sendo dois com uma década de mercado, Giulia e Stelvio, com a nova geração deles com futuro incerto após sucessivos atrasos, e nenhum lançamento há dois anos. 

Seguindo a linha da esportividade e do resgate do passado, a Peugeot apresentou o RCZ Vision, um esportivo elétrico sucessor do cupê dos anos 2010. Além disso, a francesa surpreendeu com o E-T16, conceito que antecipa o próximo 208 e resgata elementos da lenda do rally, o 205 Turbo de 1985. A nova geração do B-hatch estreará o volante Hypersquare, retangular, e promete ser o primeiro do segmento com o sistema steer-by-wire, sem ligação mecânica entre volante e rodas.

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Peugeot E-T16 resgata o passado da marca para os futuros Peugeot 208 e 2008. Foto: Divulgação/Stellantis

 

A Stellantis ainda mostrou o Opel STX Concept, que indica a direção que a marca alemã seguirá e chama a atenção por ser um Station Wagon, carroceria que praticamente desapareceu com a ascensão dos SUVs. 

Nessa mesma linha de apostar em receitas diferentes, mas agora no Grupo Renault, a francesa mostrou o E-Space, uma minivan que resgata a história do modelo que se transformou em um SUV de sete lugares. Elétrico e com visual retrô, não foi confirmado se será produzido, mas comprova que a marca segue com a estratégia de reviver ícones do passado, que vêm sendo referência na indústria europeia pelo sucesso de vendas do R5 e Twingo E-Tech. 

O grupo ainda levou a Alpine para o Porte de Versailles, com o concept A310, que busca explorar o passado da marca esportiva com grande presença em competições. Chama a atenção que Nissan e Mitsubishi, apesar de também pertencerem ao grupo e terem um grande legado no esporte mundial, mais uma vez estiveram ausentes e enfrentam dificuldades financeiras. 

Expansão chinesa continua

Diferente das donas da casa, o destaque das chinesas foi com modelos de produção que prometem ser inclusive fabricados no bloco em alguns anos para escapar das tarifas. A parceira estratégica da Stellantis, a Leapmotor, apresentou três novos modelos. 

Após a ofensiva nos segmentos D e C, agora a chinesa aposta no segmento B. O evento foi palco do primeiro contato do público com o SUV B03X. Com porte de Volkswagen ID.Cross e até 401 km de autonomia, chega custando cerca de 24 mil euros, 4 mil a menos que o alemão. A marca apresentou também o B03, versão hatch do B03X, visando bater de frente com o Renault R5 e o Volkswagen ID.Polo. Ambos os modelos devem chegar ao Brasil em breve. 

A recém-chegada Changan também acelera na conquista do continente europeu, apresentando o SUV CS55, lançado em setembro por aqui, e os modelos de luxo da Avatr. Mas o destaque da ofensiva é o lançamento da Deepal e da NEVO em Paris. A primeira é uma marca com apelo esportivo e premium, com os SUVs elétricos ou híbridos plug-in S07 e S05, dos segmentos D e C, respectivamente. Já a Nevo apresentou o Q05, com 4,43 m de comprimento, elétrico ou PHEV, com mais de um milhão de vendas na China e com chegada prevista para o início de 2027. Um degrau acima estará o Q06, ainda em homologação. 

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Grupo chinês já opera no Reino Unido, e agora avança para a União Europeia. Foto: Divulgação/Changan Global

 

O Grupo Chery revelou o Tiggo 4 para a Europa, que irá no próximo ano completar a linha de SUVs por lá, com conjunto híbrido pleno (HEV) com foco em economia e tecnologia. Além disso, a marca apresentou pela primeira vez fora da China o novo Q, um hatch elétrico do segmento B de última geração, levado para avaliar a recepção do público europeu ao modelo. Paris também foi o palco do novo Omoda 4, apresentado na China no começo do ano, e com grandes expectativas de ser o próximo lançamento da marca no Brasil. Com um visual afiado, tem botão de partida com tampa protetora ao estilo Lamborghini, e opção HEV e elétrica. 

Seguindo o plano de expansão na Europa, a vice-presidente da BYD revelou planos de construção de duas novas fábricas em solo europeu, na França e Espanha, se juntando à unidade na Hungria, com produção em massa prevista para começar ainda este ano. A marca lançou também o elétrico Atto 8, o primeiro com a segunda geração da bateria Blade e sistema Flash Charging, com recarga de até 1.500 kW, o que se traduz em 10 a 97% em apenas nove minutos. 

O salão também foi palco para a estreia de duas novas chinesas, Forthing e Li Auto. A primeira faz parte do grupo Dongfeng, que estreou no Brasil em agosto no Festival Interlagos. Para Paris, o conglomerado que estuda uma parceria com a Stellantis aos moldes de Leapmotor, apresentou a marca Forthing e os modelos TK5 e TK7. O primeiro se trata de um SUV médio e o segundo, curiosamente, é uma minivan, ambos elétricos ou híbridos plug-in. Estava presente também a van V9, e planos de uma planta de produção em solo europeu já no início de 2027 foram anunciados. Já a Li Auto levou o seu SUV com ares de minivan, i6, com previsão de lançamento no ano que vem.

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Dongfeng esteve presente nas edições 2023 e 2025 do Salão de Munique, e na edição passada do Paris Motor Show. Foto: Divulgação/Forthing

 

Geely e GAC usaram o evento para fortalecer sua chegada na Europa com os modelos já conhecidos pelos brasileiros. De novidade, a primeira apresentou globalmente o Monjaro EM-i, um D-SUV híbrido plug-in que, apesar do nome curioso, oferece muito espaço e conforto como modelo topo de linha na Europa. Já a segunda revelou o inédito Aion UT Cross, versão aventureira do hatch elétrico.

Chamaram a atenção em Paris ainda as chinesas Aito e Xpeng. A primeira é a marca de luxo do grupo SERES e parceira da gigante de tecnologia Huawei, que também esteve presente em 2024, mas ainda não deslanchou no continente. Já a Xpeng fortalece a ofensiva com a chegada do SUV cupê elétrico ou híbrido L03. Após marcar presença na edição passada do evento e nos dois últimos Salões de Munique, agora aposta em um modelo do segmento D, rival do Tesla Model Y, com 520 km de autonomia, tecnologia de ponta e por cerca de 35 mil euros. 

Lançamentos de produção

Como resposta às chinesas, as marcas tradicionais também aproveitaram o Salão de Paris para mostrar importantes modelos de produção para o futuro da indústria europeia. A Stellantis mostrou os novos Fiat Grizzly e Grizzly Fastback. Como o nome do segundo sugere, eles devem substituir o Fastback atual no Brasil e provavelmente o Pulse. 

O estilo segue o do Grande Panda, que será lançado no Brasil ainda este ano como Argo X. Terá versões a gasolina, híbrida leve (MHEV) e elétrica, e usa a versão simplificada da plataforma e-CMP chamada de Smart Car, desenvolvida em parceria com a indiana Tata.

A coreana Hyundai foi a única asiática não chinesa que apresentou grandes lançamentos neste ano: a segunda geração do SUV Bayon, e a quinta geração do Tucson. O primeiro é um SUV compacto baseado no novo i20 já vendido no Brasil, mas ainda em adequação para o mercado europeu. Ele possui exatamente o mesmo interior do hatch, mas é 11 centímetros mais comprido e seis mais alto, e conta com motorização micro-híbrida por lá, além de futuramente um sistema HEV. Já o Tucson muda completamente em relação à geração atual, que nunca foi vendida no Brasil. Ele continuará contando com opções MHEV, HEV e PHEV, além de um entre-eixos menor que o da versão global, como já adotado pelo atual e pelo Kia Sportage.

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Bayon segue a linguagem de design “Steel of Art”, seguindo a linha do novo Tucson. Foto: Divulgação/Hyundai Group

 

O Grupo Volkswagen vive um momento delicado e levou a sua mais nova aposta para Paris. Após atrasar a nova plataforma elétrica para médios do grupo para 2029, e ter vendas aquém do esperado de seus primeiros elétricos, ID.3, ID.4 e ID.5, a alemã reviu a sua estratégia. Em vez de lançar uma reestilização para os dois últimos, fez mudanças profundas no design, no interior e na nomenclatura. Conforme defendido no Salão de Munique de 2023, o legado das marcas é visto como a principal chave para conquistar os compradores com a chegada dos chineses, e com o sucesso da Renault ao resgatar nomes lendários, a Volkswagen lançou o ID.Tiguan.  

Essencialmente, o modelo é o velho e descontinuado ID.4, recém-lançado no Brasil, com mesma plataforma, bateria e motor. Porém, o exterior é menos arredondado e mais em linha com o Tiguan a combustão, e o interior é completamente novo, sanando o problema da falta de comandos físicos, telas pequenas e acabamento duvidoso. 

Falando em acessibilidade e legado, Paris marcou o retorno de um ícone, o smart #2. Lançado no Paris Motor Show em 1998 como Fortwo, havia sido descontinuado em 2024, e retorna em 2026 mantendo a filosofia de ser realmente pequeno, funcional e divertido. O preço deve começar em 20 mil euros, e a bateria de 35 kW consegue uma autonomia de 290 km para o pequeno com 2,76 de comprimento.

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Primeiras entregas do novo smart #2 começam já este ano em alguns países europeus. Foto: Divulgação/smart

O novo smart será fabricado na China e foi desenvolvido em parceria com a Geely, e reflete bem o momento que a indústria automotiva mundial vive. A produção do #2 em solo europeu não foi descartada, mas a empresa disse que isso teria atrasado seu lançamento em um a dois anos. Ou seja, mesmo que europeias, a colaboração com a China não parece mais opcional, e o tempo mostrará se os conceitos das marcas tradicionais conseguirão chegar a tempo dos chineses de agora.

Colapso glacial gera evento sísmico que destrói estruturas do país e deixa 1.445 mortos e 5.285 desaparecidos; enxurrada do monte Langtang Lirung chega a 180 km/h e atinge Tibete
por
João Barbosa
Manuela Abbate
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22/10/2026 - 12h

Nas últimas semanas, uma série de tragédias ambientais atingiram terrenos asiáticos. Casos de enchentes na região da cadeia montanhosa Hindu Kush-Himalaia causaram estrago na estrutura local e um número alto de óbitos e desaparecidos. Os acidentes são recorrentes e refletem a circunstância das mudanças climáticas que oferecem alto risco a esse tipo de território.

Em 26 de agosto, houve o primeiro grande deslizamento no monte Langtang Lirung. A queda dos detritos gerou uma avalanche que chegou ao vale do rio Lhende Khola, devastando mais de 40 km de rodovias, 70 pontes e 12 hidrelétricas na região. Ao chegar ao solo, os resíduos causaram um tremor sísmico de magnitude 5,2, agravando o desastre.

Houve dois deslizamentos graves desde o ocorrido em agosto, um em 27 de setembro e outro no último domingo (10). Esse atingiu a Índia, deixando 56 mortos.

No momento, 49 dos 77 distritos do Nepal estão em alerta quanto as chuvas. O desastre danificou as fibras ópticas da área, deixando os distritos de Manang, Mustang, Myagdi e Baglung sem energia.

Ao total, foi calculado pelas autoridades do país que a recuperação custará de 4 a 5 bilhões de dólares.

Quanto as vítimas do desastre, apenas 105 corpos foram identificados e retornados aos familiares. As autoridades nepalesas criaram um cemitério temporário no distrito de Chitwan, onde enterraram em vala comum um número não divulgado de corpos não identificados.

O fenômeno

O colapso glacial consiste na fragilização e o desabamento de geleiras. Durante o deslizamento, o gelo acumula outros sedimentos e detritos, podendo gerar uma avalanche.

Os deslizamentos são esperados durante o verão na Ásia do Sul visto que as chuvas nesse período são intensas. Esse processo é chamado de chuvas de monções. Elas ocorrem quando os ventos da região mudam a trajetória, transportando o ar mais umido do oceano Índico para o continente. Devido as cadeias montanhosas da região, o Himalaia e a Caxemira, as nuvens carregadas não se dispersam, intensificando a precipitação.

mapa que mostra a Índia, Nepal e a região do Tibete na China
Mapa da região, mostrando a fronteira entre o Nepal e o Tibete | Reprodução: Google Earth

É importante pontuar que as mudanças climáticas exercem um papel nessa progressão de eventos. O aumento da temperatura global torna os colapsos glaciais e as precipitações mais frequentes. Em entrevista a Reuters, o cientista Terra Dan Shugar comentou “Algumas das geleiras do vale estavam cobertas de neve ontem e hoje estão, em sua maioria, com o gelo à mostra. Portanto, em outras palavras (e ainda não vi nenhum dado de estações meteorológicas), provavelmente estava quente”, indicando que uma grande quantidade de neve derreteu no dia que precedeu o desastre.

O reflexo no futuro

A longo prazo, o panorama da região tende a seguir o caminho que se perpetua hoje. As variações na precipitação são uma questão de tamanho mundial, o ciclo hídrico do planeta é desregulado pelas mudanças climáticas. Em pesquisas realizadas pelo Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento do Nepal no ano de 2023, a professora Shankar Shrestha prevee um aumento de 72% na intensidade diária de chuvas no Nepal pelos próximos anos. Simultaneamente, a perspectiva é de aumentos nas áreas de derretimento. Dados de um levantamento da ONU (Organização das Nações Unidas) apontam que as montanhas nevadas da região perderam cerca de um terço do gelo total, com tendências a aumento crítico no processo.

Em entrevista a AGEMT, o jornalista especializado em divulgação científica Ulisses Capozoli comenta sobre as predisposições do território nepalês: “O Nepal é uma região de choque de placa tectônica, então é de se esperar esse tipo de coisa. A questão é fazer uma análise incluindo dados de processos naturais, para ter um perfil do que está acontecendo. O que está acontecendo é compatível com um planeta que tem uma população crescente e tem um padrão de energia que muda o ambiente”

A interferência humana no comportamento natural do meio ambiente tem implicações diretas na própria existência da sociedade. No caso da parcela do Nepal afetada pelos desastres, a maioria populacional é de baixa renda, que depende da área para o funcionamento local. Por conta dos desastres, hoje esses residentes estão considerados em situação de risco.

Estudos realizados pela IFC (International Finance Corporation), apresentam a progressão do número de pessoas afetadas por enchentes oriundas de mudanças climáticas no Nepal nos ultimos anos. Em 2010, o número foi de aproximadamente 157 mil, enquanto em 2030, o número está previsto para alcançar os 350 mil.

 

 

 

Presidente dos EUA ameaça Irã, Cuba e México, anuncia acordo com a Groenlândia e defende renomear IA como "superinteligência"
por
Sofia Martins
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25/09/2026 - 12h

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursou na terça-feira (22) na 81ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) em Nova York.  O mandatário iniciou seu discurso de 37 minutos com a frase “America is back” (América está de volta).  

O político apontou, o que classificou, como “melhorias históricas” na economia, segurança pública e força militar dos EUA. Além disso, reforçou ameaças ao Irã, relações com o território venezuelano e enfatizou o poder e o cuidado com as Inteligências Artificiais, chamadas por Trump de “super-inteligências”. O líder norte-americano falou após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O brasileiro abriu a reunião, como  é tradição nas assembleias da organização desde 1955. 

Trump também deu destaque às conquistas econômicas, por recordes na bolsa de valores americana, argumentou que empresas estavam investindo nos Estados Unidos “mais do que já aconteceu em qualquer momento e em qualquer lugar do mundo” durante seu ano de governo e declarou o valor de US$ 21 trilhões em investimentos estrangeiros. Entretanto, segundo relatórios da Casa Branca, esse valor seria quase o dobro do total contabilizado e declarado. De acordo com informações divulgadas no site “Trump Effect List” (Lista de Efeitos de Trump), iniciativa da administração de Donald Trump que reúne anúncios de grandes investimentos corporativos e industriais nos Estados Unidos, o montante de investimentos estrangeiros chega aos US$9,6 trilhões.

Ao se referir aos avanços do território norte americano, ele enfatizou  ter transformado a fronteira dos Estados Unidos  de mais perigosa para mais segura da história do país, informando que nos últimos 16 meses, nenhum imigrante irregular teria sido admitido no país. Durante o discurso, os números apresentados por Trump  para indicar o desenvolvimento do país foram baseados em dados inconsistentes. 

Além disso, Trump disse ter agido para evitar que os EUA, ou qualquer outra nação presente no plenário, tivessem que enfrentar o que chamou de um "pesadelo" nuclear vindo do Irã, e se colocou como defensor não só dos Estados Unidos, mas de toda comunidade internacional reunida na assembleia. O conflito com o país persa, iniciado unilateralmente por Estados Unidos e Israel, tem como um dos pontos de tensão o programa nuclear iraniano.

O presidente ainda chamou a liderança iraniana de fraca e desesperada e afirmou esperar um acordo logo após as eleições. A fala do presidente norte-americano ocorre em meio a um conflito real e prolongado, quase sete meses de guerra, e segundo o fact-check do PBS/PolitiFact, em um momento de desgaste da opinião pública americana com o impacto do conflito nos preços de combustível. 

O político afirmou estar diante de uma decisão histórica: de um lado, poderia optar por um acordo que permitiria ao Irã reconstruir sua economia e se consolidar como “talvez uma das maiores potências do Oriente Médio”. Por outro lado, advertiu que, caso o acordo não fosse alcançado, o país poderia sofrer uma ação militar capaz de “aniquilar rapidamente a nação iraniana”.

Trump mencionou também ter sancionado, uma nova lei que lhe dá amplos poderes tarifários, ferramenta que disse estar pronto a usar para pressionar pelo fim da guerra entre Rússia e Ucrânia, classificada por ele como uma "guerra desastrosa" que mata milhares de pessoas por mês.

A invasão realizada pelas forças armadas dos EUA no mês de janeiro a Caracas, capital da Venezuela, também foi lembrada por Trump durante seu discurso: “conseguimos pegar o criminoso, fora da lei, Nicolás Maduro”. O líder norte-americano afirmou que diversos venezuelanos que foram presos erroneamente, deixaram as prisões e que a nação venezuelana festejou após a operação americana. 

Apesar de existir uma parte da população venezuelana que concorda com a operação comandada por Trump, segundo a checagem de fatos da agência Lupa, muitos dos relatos de comemoração da nação venezuelana são falsos. A maioria dos vídeos de comemoração foram gerados por IA ou de protestos anteriores à queda de Maduro. 

A intervenção militar estrangeira armada gerou profundo desespero, apagões e medo na população de Caracas durante os bombardeios. Além disso, houve baixas militares locais e protestos de apoiadores do regime chavista. Sobre os que foram detidos erroneamente, segundo o Foro Penal da Venezuela, após a segunda rodada de diálogos mediada pelos EUA, o balanço registrou a soltura recente de dezenas de detidos. Entretanto, restam 324 pessoas que permanecem presas. A demografia detalhada aponta 310 homens, 14 mulheres, sendo 184 civis e 140 militares.

O chefe da Casa Branca também anunciou o maior acordo de petróleo da história, contando com 65 bilhões de barris de petróleo, que, segundo ele, trará benefícios para o povo norte-americano e venezuelano. “Quando somamos a Venezuela e os Estados Unidos, temos mais de 60% do petróleo do mundo”, afirmou ele.

81a Assembleia Geral da ONU em Nova York
Trump discursa na 81ª Assembleia Geral da ONU - Daniel Torok/Divulgação Casa Branca

Trump abordou a segurança regional na América Latina, concentrando parte de sua fala no México. O presidente norte-americano classificou os cartéis de drogas como organizações terroristas estrangeiras e definiu o México como o “epicentro da violência dos cartéis”, fazendo cobranças diretas ao governo mexicano.

Apesar de afirmar boas relações com o país, ele também declarou que “o México precisa retomar o controle sobre seu território” e comparou os cartéis ao Estado Islâmico no Hemisfério Ocidental. “Eles são inimigos em guerra com a civilização, usando assassinato, estupro, extorsão e táticas de terrorismo. Eles devem ser assassinados, eliminados ou presos sem a possibilidade de serem soltos”, argumentou o político.

Ao mencionar Cuba, Trump descreveu o regime como “Estado fracassado” sob a maior pressão de sua história, que “vai cair”. Ele também alegou que Marco Rubio, Secretário de Estado dos EUA, está profundamente envolvido com as negociações sobre o país. 

A situação de Cuba se agravou com o aumento das medidas impostas pelos Estados Unidos, desde janeiro,  que ampliou as restrições contra a ilha, interrompeu o envio de petróleo venezuelano e ameaçou  aplicar tarifas a países que mantivessem relações comerciais com o governo cubano. Após a fala de Donald Trump sobre o país, durante a Assembleia Geral, a delegação de Cuba abandonou a sessão. 

O discurso contou com o anúncio do presidente de que, há poucos dias, os Estados Unidos fecharam um acordo sem precedentes envolvendo a Groenlândia – território dinamarquês – para que esse  fizesse parte da esfera de defesa direta dos EUA. 

Segundo o político, o acordo foi firmado com o Reino da Dinamarca e com representantes do próprio povo groenlandês, que concordaram em atribuir  aos Estados Unidos controle "permanente" sobre a segurança e "todas as demais necessidades" no território. 

Ele encerra o trecho dizendo que isso dará aos EUA capacidade plena para "defender o continente americano, a Europa e outras regiões" a partir dali, elevando a Groenlândia de posse estratégica pontual a peça central da defesa ocidental. 

A Groenlândia é uma área de interesse dos Estados Unidos por ser um território com terras raras, gás e petróleo mais acessíveis, recursos essenciais para produção de tecnologias avançadas. Além disso, a ilha possui uma localização estratégica, servindo como ponto de contenção de mísseis hipersônicos que poderiam atingir os EUA pelo norte. 

Durante seu discurso, Trump comentou que a ONU tem potencial enorme, mas que a organização precisa deixar de impor o que chamou de "agenda de extrema-esquerda de burocratas globalistas que ninguém jamais elegeu". 

Como exemplo, citou uma intervenção do seu governo no ano anterior para impedir que a Organização Marítima Internacional, agência ligada à ONU, criasse um imposto global sobre carbono no transporte marítimo. 

Trump ampliou ainda críticas aos organismos de direitos humanos da ONU. “É inaceitável que, com todas as atrocidades que acontecem no mundo, a ONU tenha autoridades de direitos humanos criticando os EUA por protegermos nossas crianças contra a mutilação de pessoas transgêneras e forçando nossas leis de imigração”, afirmou o presidente. 

Ao mesmo tempo, ele afirmou que cristãos são perseguidos “constantemente”. A declaração foi usada para criticar o que ele considera ser o silêncio da ONU diante dessas perseguições, em contraste com a atenção dada, segundo ele, a questões internas dos Estados Unidos. 

A mesma crítica apareceu quando Trump falou sobre a Unesco. O presidente questionou a atuação da agência, criada para preservar o patrimônio cultural e histórico, e afirmou que ela estaria “destruindo a cultura, a herança e a história”. Com a declaração, Trump reforçou sua crítica às instituições multilaterais, que, segundo ele, estariam se afastando de suas funções originais.

No final do discurso, Trump afirmou que os Estados Unidos "rejeitam totalmente" qualquer tentativa de criar o que chamou de um "esquema globalista" para controlar o desenvolvimento da inteligência artificial. Ele anunciou que, a partir daquele momento, os documentos oficiais do governo norte-americano passarão a usar o termo "superinteligência", ou "SI", no lugar de "inteligência artificial". Como justificativa, disse que a palavra "artificial" faz a tecnologia parecer falsa.

Trump finalizou afirmando que os Estados Unidos lideram a corrida desenvolvimentista da IA à frente da China, e classificou como pertencentes a um mesmo grupo os críticos do avanço da IA e aqueles que, segundo ele, alertaram anteriormente sobre aquecimento global e sobre supostas interferências russas nas eleições americanas.

Após 25 anos, a tragédia que mudou o rumo dos Estados Unidos ainda deixa marcas na sociedade e nas relações internacionais
por
Vitória Teles
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17/09/2026 - 12h

Há 25 anos, em 11 de setembro de 2001, Nova York vivenciava o maior ataque terrorista da história, quando quatro aviões comerciais foram sequestrados por jihadistas e atirados contra as Torres Gêmeas do World Trade Center e o prédio do Pentágono. O último avião, acreditava-se que estivesse rumo à Casa Branca ou ao Capitólio, caiu na Pensilvânia, após os passageiros terem tomado controle do avião, desviando sua rota e fazendo com que ele não chegasse ao destino final.

O evento matou 2.997 pessoas, além dos 19 sequestradores, foi o mais mortal da história do país e permanece vivo na memória dos estadunidenses. O atentado representou um trauma nacional que mudou a forma como os Estados Unidos enxergavam sua segurança, política externa e cotidiano.

O mundo inteiro também acompanhou em tempo real pela transmissão de canais de notícias. Milhões de pessoas viram o segundo avião atingir a torre sul do World Trade Center. As imagens foram repetidas inúmeras vezes na televisão por dias, meses e anos seguintes.

As Torres Gêmeas sendo atingidas em Nova York, em 11 de setembro de 2001. Foto: Robert J. Fisch/Wikimedia Commons.
As Torres Gêmeas sendo atingidas em Nova York, em 11 de setembro de 2001. Foto: Robert J. Fisch/Wikimedia Commons. 

 

O atentado demonstrou como terroristas podem usar meios civis, como aviões comerciais, para cometer crimes, isso levou governos de todo o mundo a rever seus sistemas de segurança. Alguns sistemas mudaram drasticamente após o ataque. Os aeroportos passaram a ter controles mais rígidos, com inspeções mais rigorosas de passageiros e bagagens.

Além disso, os Estados Unidos criaram a Transportation Security Administration (TSA), para assumir a segurança aeroportuária. Novas leis antiterrorismo surgiram durante esse período, como a USA Patriot Act, criação da TSA, sancionada em 2001 para monitorar comunicações telefônicas e eletrônicas de suspeitos.

A motivação por trás dos ataques de 11 de setembro de 2001 estava ligada principalmente à ideologia da organização terrorista Al-Qaeda, liderada por Osama bin Laden. Segundo a declaração do próprio grupo, as motivações incluíam a presença militar dos Estados Unidos na Arábia Saudita, considerada por Bin Laden uma profanação de locais sagrados do Islã e a oposição à influência política, econômica e militar americana no Oriente Médio.

Além das mudanças nas medidas de segurança, a tragédia provocou um grande choque econômico global. A bolsa de valores de Nova York permaneceu fechada por vários dias, algo raro na história dos EUA. As companhias aéreas foram o setor mais afetado. O espaço aéreo estadunidense foi fechado temporariamente, cerca de 5.000 a 7.000 voos comerciais foram cancelados nos primeiros dias após os atentados e muitas pessoas passaram a evitar viagens de avião no período após o ataque, segundo a National Archives 9/11 Federal Aviation Administration (FAA) Records.

Após o colapso das Torres Gêmeas, as equipes de resgate passaram meses removendo toneladas dos destroços do terreno, conhecido como "Ground Zero" (Marco Zero). O trabalho envolveu busca por sobreviventes, recuperação dos restos mortais das vítimas e estabilização da área para futuras construções.

Como forma de preservação da memória e homenagem, o One World Trade Center, inaugurado em 2014, com 541 metros de altura, representa resiliência e renovação. O edifício tornou-se o mais alto do Hemisfério Ocidental.

No local onde estavam as Torres Gêmeas foram erguidas duas imensas piscinas espelhadas, posicionadas exatamente sobre as fundações das antigas torres. Os nomes das 2.997 vítimas dos ataques foram gravados em painéis de bronze ao redor do memorial. Ao lado, também foi inaugurado o Museu Nacional do 11 de setembro que reúne fotografias, objetos recuperados, documentos históricos, como identidades das vítimas encontradas nos destroços das Torres.

Memorial construído no mesmo local onde as Torres Gêmeas desabaram. Foto: Public Petr Kratochvil/Domain Pictures
Memorial construído no mesmo local onde as Torres Gêmeas desabaram. Foto: Public Petr Kratochvil/Domain Pictures

Todos os anos, cerimônias são realizadas no One World Trade Center. Como forma de manter viva a memória das vítimas que morreram em 11 de setembro de 2001, como a leitura dos nomes das vítimas, sete momentos de silêncio e 2.977 luzes em homenagem às vítimas que foi exibida formando a silhueta das Torres Gêmeas, além de uma cerimônia especial em Ground Zero para familiares, sobreviventes e autoridades.

Coréia do Norte nunca ganhou uma Copa do Mundo
por
Felipe Bragagnolo Barbosa
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29/05/2023 - 12h

Por: Felipe Bragagnolo Barbosa
Esta reportagem está também em áudio, entre no link para ouvir.
  
 

Jogador levantando a taça
Jogador norte-coreano levantando a taça da copa do mundo sendo na verdade uma foto editada do atleta Pirlo. Foto: Youtube


  Tudo isso seria mágico para os norte-coreanos se fosse verdade, mas eles nunca ganharam a Copa do Mundo. O vídeo foi divulgado em 2014 em um canal do youtube, em que postava semanalmente notícias vindas do "Jornal Nacional" da Coréia do Norte, o mundo todo parou, acreditando que o governo fechado e ditatorial norte-coreano estava mentindo sobre a campanha na Copa do Mundo, na qual eles nem se classificaram.  A Coréia do Norte faz campanha lendária na copa do mundo de 2014 no Brasil, começa o campeonato vencendo o Japão por 7 a 0, no segundo jogo vence os rivais dos EUA por 4 a 0 e depois a China por 2 a 0, nas oitavas de final venceu Portugal por 7 a 0 , nas quartas de final, em jogo dificil ganharam de 2 a 1 da Alemanha, nas semi-finais enfrentaram a vizinha Coréia do Sul e se classificaram para a final vencendo por 2 a 0, e sendo campeões em cima do Brasil por 8 a 1.


Jornais internacionais famosos como Toronto Sun, Mirror, Adelaide Now e USA Today divulgaram como uma mentira feita pelo governo norte coreano e até hoje muitas pessoas acreditam que esta é a verdade.  Este vídeo nunca foi feito ou divulgado pela Coréia do Norte, na verdade um brasileiro conhecido na internet como Cid Cidoso fez essa "trollagem", ele no começo de 2014 havia criado um canal sobre notícias norte-coreanas chamado "North Korea Updates" após invadir o sinal de um satélite de lá, ele pegou trechos de notícias e as colocou em seu canal do youtube, parecendo realmente ser algo sério.
 Cid em uma transmissão ao vivo disse como armou toda essa mentira, além dos trechos do jornal, o brasileiro contratou uma mulher sul-coreana para dublar o que a jornalista norte-coreana falaria, e para deixar a fake news mais verdadeira, lip sync (sincronização da boca ao falar) foi utilizado, para simular a festa norte-coreana nos estádios, além da falsa imagem do jogador norte-coreano levantando a taça, Cid editou vídeos das torcidas do Flamengo e Chile, colocando cores azuis e abaixando a qualidade de imagem, também usou imagens de comemorações de feriados na Coréia do Norte para isso.


 Sobre os placares Cid disse que escolheu os adversários para engajamento, EUA, Coréia do Sul e Japão foram pelo histórico entre eles e os norte-coreanos, fingindo que o país estava criando uma narrativa por razões políticas, além disso, o brasileiro afirmou ter colocado o Vietnã vencendo a Inglaterra para as pessoas pensarem que os líderes norte-coreanos não entendiam nada de futebol, para quem queria descobrir a verdade ficasse confuso. A vitória por 8 a 1 em cima dos brasileiros foi totalmente por piada, para utilizar os vídeos do David Luiz chorando.


 A criatividade do Cid não terminou por aí, ele colocou trechos de um jogo de futebol que ocorreu em Pyongyang entre o Sorocaba enfrentando a seleção norte-coreana(sim, este jogo realmente aconteceu), a Coréia do Norte venceu o time de Sorocaba, que jogou de amarelo, sendo divulgado para a população como sendo a verdadeira seleção brasileira, o vídeo trouxe mais credibilidade e a fake news perfeita estava próxima de estar feita.  O vídeo se encerrou com outros trechos do jornal norte-coreano, em que de acordo com o brasileiro, eram imagens de premiações em que ele mesmo não sabia do que se tratava, mas a mídia e o mundo acreditaram. Cid se tornou uma lenda na comunidade brasileira na internet, ele também foi o responsável pela #calaabocagalvao, em que mentia ao mundo dizendo que "Galvão" era um papagaio em extinção no Brasil e que "cala a boca" significava "salve os" em português.
 Para acessar o vídeo da Fake News acesse o link  
  
 

Pequeno Estado africano apresenta índices de igualdade de gênero semelhantes a Finlândia e Noruega
por
Francisco Barreto Dalla Vecchia
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23/05/2023 - 12h
Estudantes da Academia Gashora para meninas, em Ruanda. Fonte: National Geographic
Estudantes da Academia Gashora para meninas, em Ruanda. Fonte: National Geographic

Recentemente, a Women, Peace and Security - iniciativa dedicada a promover a igualdade de gênero - elegeu Ruanda como o país com mais representatividade feminina na política, com 55% das cadeiras do parlamento ocupadas por elas. Ruanda também foi eleito como o segundo destino mais seguro para mulheres viajarem sozinhas.

A pequena nação insular da África Oriental, possui 12 milhões de habitantes e uma economia que cresce 7% ao ano desde 2000. O genocídio ocorrido em 1994 afetou profundamente a sociedade local, mas o povo ruandês reagiu à tragédia de forma transformadora: elaborando reformas políticas e sociais, que foram fundamentais para que a nação desfrutasse do atual cenário de igualdade de gênero.

Cem dias de genocídio 

Por décadas, Ruanda foi dividida em duas etnias: a minoria Tutsi, composta por uma elite pecuarista tradicional, e a maioria Hutu, historicamente desfavorecida e composta por agricultores. Essa divisão já existia no período pré-colonial, mas foi intensificada pelos colonizadores belgas e alemães, que buscavam facilitar a dominação.

De 7 de abril até de julho de 1994, instaurou-se um período de terror no país africano: Hutus extremistas caçaram os Tutsis por toda Ruanda. Durante cem dias, mais de 800 mil Tutsis e Hutus moderados foram mortos. As vítimas eram frequentemente conhecidas dos assassinos. O facão virou símbolo da barbárie: A ferramenta onipresente na vida dos agricultores converteu-se na arma mais popular entre os criminosos. 

Ruanda era um país rural e pré-industrial. No livro “Uma Temporada de Facões”, o jornalista francês Jean Hatzfeld demonstra como os diferentes estágios de desenvolvimento econômico influenciam na forma como os genocídios são executados. 

Hatzfeld faz paralelo com os crimes Nazistas, indicando que aspectos das sociedades industriais, como o desenvolvimento tecnológico - na forma de malhas ferroviárias - e a divisão do trabalho foram decisivas na execução do holocausto: um genocídio burocratizado e pensado na lógica da eficiência produtiva. 

O complexo e impessoal método de extermínio adotado pelo terceiro Reich, contrasta com a rudimentariedade e ampla participação da população no curso da limpeza étnica em Ruanda.  

O renascer das ruandesas 

No fim da carnificina, as ruandesas representavam 70% da população. Desde então, elas passaram a ocupar cargos antes exclusivamente destinados aos homens, exercendo um papel-chave na reconstrução do país e de sua sociedade.

A maioria dos assassinos e das vítimas eram homens. Os extremistas foram presos ou fugiram para a República Democrática do Congo, deixando para trás suas terras. Para garantir a própria sobrevivência e a de suas famílias, as mulheres precisaram obter a posse legal das roças de seus maridos ausentes.

Em 1999 foi feita uma reforma legislativa, na qual mulheres garantiram o direito legal de herdar as terras de seus cônjuges. Outros direitos foram assegurados na constituição de 2003: 30% dos cargos políticos passariam a ser exclusivamente femininos; foi instituído a igualdade de gênero na posse das terras, assim como no acesso à educação.

No ano da nova constituição, 48% dos cargos eram ocupados por ruandesas. Em 2008, Ruanda tornou-se a nação com mais mulheres no Parlamento. Hoje elas já ocupam quase 70% dos assentos e mais de 50% dos cargos ministeriais.

 Presidente Paul Kagame, em encontro com parlamentares ruandesas. Fonte:JusBrasil
 Presidente Paul Kagame, em encontro com parlamentares ruandesas. Fonte:JusBrasil

O último levantamento sobre igualdade de gênero realizado pelo Fórum Econômico Mundial (2021) considerou quatro aspectos: educação, saúde, política e economia. Ruanda foi apontada como o sexto país com mais igualdade entre os gêneros no mundo, colocando o pequeno país em pé de igualdade com a Finlândia e a Noruega. O Brasil, por sua vez se localiza na 92.ª posição, segundo o Global Gender Gap Report (2021)

Os limites da igualdade 

Atualmente, cerca de 88% das mulheres em Ruanda exercem alguma tarefa remunerada, número este superior ao dos homens. Mesmo tendo crescido a participação feminina na política e no mercado de trabalho, a situação doméstica pouco se alterou. O maior desafio tem sido transferir a igualdade conquistada na vida pública para dentro dos lares de Ruanda.

A cientista política ruandesa Justine Uvuza, em seu doutorado, pesquisou a vida de mulheres que ocupam cargos públicos em seu país. Constatando que muitas são obrigadas pelos maridos a realizar trabalhos domésticos, mesmo ocupando posições importantes no Estado. Segundo Uvuza, no senso comum, uma boa ruandesa é patriótica, trabalhadora e obediente ao marido. O movimento feminista costuma ser visto como algo ocidental e "importado" dos Estados Unidos.

A desigualdade social também é um desafio enfrentado pelo governo do presidente Paul Kagame, com o país ocupando o 165º lugar no ranking dos países com maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), conforme o relatório anual do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) de 2021.

Entenda o conflito que já matou mais de 500 pessoas e que pode causar uma nova crise de refugiados.
por
Carolina Rouchou
Artur Maciel
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16/05/2023 - 12h

[Refugiados sudaneses que fugiram da violência em seu país andam de carroça ao passar por outros refugiados ao lado de abrigos improvisados perto da fronteira entre o Sudão e o Chade em Koufroun, Chade, em 6 de maio imagem de -REUTERS/Zohra Bensemra]

 

O Sudão tem sido palco de conflitos étnicos há mais de quatro décadas. A desigualdade e falta de inclusão que as minorias do país enfrentam são catalisadores para revoltas de um povo marginalizado. O atual confronto inclui o general Abdel Fatah Al-burhan, líder do país que comanda as forças armadas, e o general Mohamed Hamdan Dagalo (Hemedti), que comanda a Força de Apoio Rápido (RFS), exército paralelo. 

Em 2021, ambos generais trabalharam para dar um golpe de Estado no governo civil-militar de transição. O Sudão estava tentando avançar em direção à democracia, mas o golpe arruinou as chances de um governo inclusivo. Como resultado, Al-Burhan tornou-se o líder do país e Hemedti, seu número dois. Houve uma tentativa de negociação para o retorno do governo de transição, mas essa decisão dependia da incorporação da RFS às forças armadas nacionais. A possibilidade de se submeter às ordens de outro general foi o ponto final para ambos.

O combate no Sudão tem se estendido por mais tempo do que o esperado, afinal, seu combustível é o ego de dois líderes militares dispostos a fazer de tudo pelo poder. Ambos mostram-se abertos a negociações e concordam em cessar-fogo quando solicitados por nações estrangeiras, mas esses acordos são sempre efêmeros.

Em entrevista ao jornal alemão Deutsche Welle, Aly Verjee, investigador e especialista no Sudão, ressalta que os dois líderes são responsáveis pelo terror que se alastrou no país: "Não sabemos exatamente como isso começou e ambos os lados têm se culpado mutuamente. No entanto, [al-Burhan e Hemedti] deveriam ter sabido que a decisão de escalar o conflito dessa forma seria muito mal recebida, mas mesmo assim avançaram. Sempre que alguém de alto escalão fala em cessar-fogo, eles dizem sim, sim, sim, mas depois continuam fazendo o que querem."

Outros países se posicionaram. Os Estados Unidos, por exemplo, cortou relações com o governo sudanês e passou a apoiar grupos marginalizados como uma tentativa de estabelecer a democracia no país. Por outro lado, a China fez uma declaração menos assertiva. Segundo o Ministério de Relações Exteriores chinês, a China espera 'que ambas as partes no Sudão aumentem o diálogo e avancem conjuntamente no processo de transição política'. Como esperado, o Sudão e a China possuem laços comerciais importantes, que se fortaleceram após os Estados Unidos implementar embargos econômicos ao país africano.

Os recursos naturais do Sudão também estão sendo discutidos, principalmente suas reservas de água do rio Nilo, que despertam interesse da Etiópia. Especialmente após a construção da barragem Nilo Azul pelo Estado sudanês, próxima à fronteira entre os dois países e sua produção de energia a partir de 2022. A reação dos países vizinhos é motivo de preocupação, pois existem diferentes visões sobre o conflito e esses países também enfrentam tensões internas. O Egito tem relações com o exército sudanês, mas também mantém relações com os Emirados Árabes, que, por sua vez, financiam o RSF, deixando o país em um impasse.

Presos no meio desse emaranhado político, civis estão desesperados por uma nova chance em outro lugar. A ONU alertou para a possibilidade de mais de 800.000 imigrações sudanesas motivadas pela guerra. A equipe da ACNUR informou que durante os últimos dias de abril, cerca de 10 a 20 mil pessoas haviam fugido do Sudão para o Chade. O país já abriga mais de 570.000 refugiados, dos quais aproximadamente 70% são do Sudão. Atualmente, muitos sudaneses que buscam asilo no Chade são da tribo Masalit, habitual alvo dos ataques das milícias da RSF.

A responsabilidade por esse terror que se espalha pelo país recai sobre os ombros de Al-Burhan e Hemedti que mesmo cientes das repercussões negativas, optaram por intensificar o conflito. A comunidade internacional deve unir esforços para conter a crise humanitária em andamento e encontrar soluções políticas duradouras que permitam ao povo sudanês uma vida pacífica.

Recep Tayyip Erdogan e seu principal adversário, Kemal Kilicdaroglu se enfrentarão novamente nas urnas no dia 28 de maio. Mandato de 20 anos do atual presidente pode estar chegando ao fim.
por
Ana Beatriz Villela
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16/05/2023 - 12h

O primeiro turno das eleições na Turquia ocorreu neste domingo (14), e foi marcado por uma disputa acirrada entre o atual presidente, Recep Tayip Erdogan, e seu adversário e líder da oposição, Kemal Kilicdaroglu. Além disso, houve uma participação histórica dos eleitores, cerca de 95% compareceram às urnas.

Com mais de 99% das urnas apuradas a situação era a seguinte, segundo o Conselho Superior Eleitoral do país:

Recep Tayyip Erdogan: 49,49% dos votos

Kemal Kilicdaroglu: 44,79% dos votos

No entanto, o resultado difere do que as pesquisas mostravam, onde Kilicdaroglu aparecia com cerca de 48% das intenções de voto contra 43% de Erdogan.

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Reprodução: Necati Savas | Crédito: EFE

A eleição deste ano é uma das mais importantes da história da Turquia, pois pode marcar o fim de 20 anos de governo do atual presidente. Além disso, a votação ocorreu apenas três meses depois de um terremoto que matou cerca de 50 mil pessoas no país e no norte da Síria e o atual governo foi acusado de ter liberado edifícios com projetos que não previam resistência ao tremor de terra.

A Turquia também passa por uma crise econômica, com baixas taxas de juros do governo que desencadearam uma espiral de problemas no custo de vida e alta da inflação que passou de 80% em 2022.

Outros países têm acompanhado de perto a votação, já que Erdogan reforçou alianças com a Rússia, apesar de ser membro da Otan, o que manteve relações tensas com aliados, como os EUA e a Alemanha nos últimos anos. 

O segundo turno será dia 28 de maio.

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Reprodução: Reuters

Quem são os candidatos?

Recep Tayip Erdogan

Considerando tanto o período como primeiro-ministro quanto como presidente, Erdogan está no poder do país há duas décadas. 

Em 2002 ascendeu ao poder após a criação do partido islamita AKP, o qual ele lidera. Após uma década como primeiro-ministro da Turquia, assumiu a posição de primeiro presidente eleito diretamente pelo povo em agosto de 2014. A maioria dos seguidores de Erdogan é composta por muçulmanos conservadores.

No ano de 2016, Erdogan enfrentou uma tentativa de golpe, - facções rebeldes do Exército enviaram veículos blindados para as ruas e aviões que sobrevoaram Istambul e Ancara, e bombardearam locais como o parlamento - à qual respondeu com medidas violentas, apelando para que seus seguidores fossem às ruas, o que resultou em confrontos que causaram a perda de aproximadamente 240 vidas. Essa crise levou a Turquia a adotar um estado de emergência. Além disso, a comunidade internacional, em especial a Otan, criticou as repressões, o que causou um isolamento político do país.

Quando chegou ao poder, o líder turco também alterou a constituição, estabelecendo um mandato presidencial de cinco anos, o que fez com que ele pudesse se candidatar novamente às eleições de 2023.  

No entanto, a possibilidade de o líder manter seu governo por mais uma década está em risco, à medida que a nação se recupera dos ocorridos no início do ano.

A oposição, critica a forma como ele geriu a economia e de não ter se preparado para o desastre, já que a Turquia está em uma região propensa a fortes terremotos.

Kemal Kilicdaroglu

Visto como a única pessoa capaz de derrotar o atual presidente turco, é um político secular de centro-esquerda. Foi eleito para o Parlamento em 2002, o mesmo ano em que o Partido AK, de Erdogan, chegou ao poder. 

É o líder do Partido Republicano do Povo (CHP) desde 2010. E lidera uma frente com mais seis partidos de oposição - um partido de centro-direita, um partido nacionalista, um partido islâmico e dois partidos que romperam com o partido governante de Erdogan. Também conseguiu o apoio do partido curdo, que tem cerca de 10% dos votos.

Entre suas principais propostas estão a volta do sistema parlamentar na Turquia, além de resoluções com a população curda e aproximação com a União Europeia e os Estados Unidos.

Acompanhe desde o debut até os maiores hits desse grupo que já está entregando muito para a política internacional.
por
Camila Stockler
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28/04/2023 - 12h

Os BRICS - acrônimo para Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul - é um grupo de cooperação internacional informalmente criado em 2006 e oficialmente em 2009, que nas últimas semanas voltou para as manchetes nacionais e internacionais depois de estar na sua flop era. Mas afinal, esse grupo é um bloco econômico? A moeda única dos BRICS é uma invenção do Lula? E a Dilma no “Banco dos BRICS”, vai estocar vento?

Primeiramente, não, os BRICS não são um bloco econômico tal como o Mercosul ou a União Europeia, na verdade eles se configuram como um grupo de cooperação internacional. Ou seja, não há um estatuto ou um secretariado fixo, pois os objetivos estão centrados na colaboração dos Estados-membros em áreas de convergência, como infraestrutura e desenvolvimento sustentável, e não por exemplo, consonância em segurança internacional.

Apesar de não possuir uma carta fundadora ou tratado, os objetivos e princípios do BRICS são expressos nas declarações oficiais do grupo, frequentemente na forma de declarações de cúpulas anuais. O conjunto dessas declarações pode ser considerado como regras, mas sem possuir qualquer qualidade legal, como ocorreria com tratados formais.

linhda do tempo

 

De acordo com o artigo “Has BRICS lost its appeal? The foreign policy value added of the group” do cientista político Malte Brosig, há quatro valores que regem esse agrupamento. O primeiro é o apoio à estabilidade dos regimes domésticos, em segundo o gerenciamento de interferências externas indesejadas, em terceiro a possibilidade de seguir uma estratégia de alinhamento múltiplo e por fim, melhorar a imagem e poder geopolítico de seus membros. E é importante mencionar que também possuem visões de mundo com temas em comum, como questões de defesa da soberania, multipolaridade e oposição em sanções unilaterais.

Os BRICS, por excelência, não são uma agência de implementação de políticas, mas sim um agrupamento de política externa flexível. Inclusive, de acordo com o internacionalista Nikolas Gvosdev:

"Uma das vantagens do processo BRICS é que ele continua sendo uma associação pouco estruturada de estados com interesses diferentes, então nenhum esforço é feito para impor uma posição comum quando os estados do BRICS não podem concordar com uma. Mas esses estados também encontraram uma maneira de discordar em algumas questões-chave...sem acabar toda a empreitada".

Tal como no filme “Meninas Malvadas” em que o grupo das Plastics possuem regras “informais” de como por exemplo usar rosa nas quartas-feiras, Brosig observou algo similar com os BRICS:

 

Regras BRICS

Moeda única dos BRICS?

A questão de existir uma moeda única dos BRICS que tire a hegemonia do dólar no comércio exterior não começou com o discurso do Lula. Na verdade, é uma das razões de existência do próprio grupo, pois no contexto de sua criação oficial em 2009, eram ainda as consequências da crise financeira de 2008. Ou seja, instabilidade na economia mundial dolarizada.

Entretanto, não foi apenas a crise que trouxe esse desejo à tona dos países-membros. O desejo de quebrar com a hegemonia dos Estados Unidos no comércio internacional vem desde a década de 1960 - com o contexto da bipolaridade da Guerra Fria - segundo o colunista Joseph W. Sullivan em um texto para a revista estadunidense Foreign Policy. Assim, o antigo economista da Casa Branca considera que apesar de estar em estágios iniciais, essa nova moeda pode dar certo.

Ter uma outra moeda tão sólida quanto o dólar - e que é lastreada em ouro - é desejável não só para a estabilidade de diversos Estados. Mas, em especial, os BRICS sejam menos vulneráveis a sanções dos Estados Unidos, pois a própria existência de sanções se torna desnecessária.

O "Banco dos BRICS"

Durante a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, apesar do país passar por seu maior trauma recente em sua história, o 7x1, houve a oportunidade dos chefes de Estado dos BRICS se encontrarem em Fortaleza, no que posteriormente resultou na criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB em inglês).

Popularmente conhecido como “Banco dos BRICS”, essa organização tem como objetivos mobilizar recursos para projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável de Estados emergentes além dos BRICS. Além disso, possui presidência rotativa de 5 anos e atualmente está na gestão brasileira. O primeiro presidente foi indicado por Jair Bolsonaro e assumiu o cargo de junho de 2020 até o começo de 2023. Com sede em Xangai, esse banco além de ter os integrantes do grupo, também conta com os atuais Estados-sócios: Emirados Árabes Unidos, Uruguai, e Egito.

Dilmãe era

No dia 24 de março de 2023 a ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff foi eleita por unanimidade Presidente do NDB. Em nota o banco declarou:

“Como presidente do Brasil, Dilma Rousseff concentrou sua agenda em garantir a estabilidade econômica do país e a geração de empregos […], o combate à pobreza […] Como resultado de um dos mais amplos processos de redução da pobreza da história do país, o Brasil foi retirado do Mapa da Fome da ONU. Internacionalmente, promoveu o respeito à soberania de todas as nações e a defesa do multilateralismo, do desenvolvimento sustentável, dos direitos humanos e da paz. Sob seu governo, o Brasil esteve presente em todos os fóruns internacionais de proteção do clima e do meio ambiente, culminando com participação decisiva na consecução do Acordo de Paris.”

No dia de sua posse, em 13 de abril de 2023, Dilma defendeu a promoção de financiamentos em moedas locais e também na valorização de relações Sul-Sul. Assim é importante ressaltar que o Sul Global não é o mesmo que o Sul Geográfico, pois o primeiro se refere a Estados com histórico de terem sofrido colonialismo e/ou neocolonialismo e também estão se desenvolvendo, em sua maioria no Sul Geográfico (perto de Hemisfério Sul).

Além disso, o cargo da ex-presidente do Brasil é de caráter executivo, ou seja ela terá que se reportar ao Conselho de Governadores - que possuem maior peso decisório - composto pelos ministros de finanças dos Estados-sócios. Abaixo na linha hierárquica, está o Conselho de Administração, do qual a presidência executiva faz parte, mas sem direito a voto.

Desta maneira, Dilma possui diversos desafios até o final de seu mandato, principalmente em relação à Invasão Russa na Ucrânia, a criação de uma nova moeda comercial e a ampliação de Estados-sócios.

BRICS+

Nos últimos anos tanto as economias do Brasil e da África do Sul entraram em recessão, a Índia e a China não cresceram tanto quanto o projetado e a Rússia além de recessão também tem seu foco na Ucrânia. Portanto, houve um esquecimento da mídia desde 2016 até 2022, quando na décima quarta cúpula houve o anúncio de que a moeda dos BRICS terá seu valor lastreado em ouro e outros metais preciosos. Mas de fato o comeback veio com a visita do presidente do Brasil a China em abril.

Usando um vocabulário jovial, a internet quebrou. Desde estadunidenses chorando no Twitter, a edits de kpop no TikTok, só se falava sobre os BRICS. Realmente um revival digno de diva do pop!

 

Mas não foram apenas os internautas que enlouqueceram com essa volta do grupo. Até o final de abril de 2023, cerca de 20 Estados já expressaram seu desejo de entrar nos BRICS, inclusive a Argentina, que tem sua candidatura apoiada por Brasil e China. Segundo o embaixador sul africano para os BRICS, Anil Sooklal, 13 países formalmente requisitaram para entrar - como o Egito - e 6 pediram informalmente.

As possibilidades para o futuro dos BRICS são diversas e indicam um forte crescimento, como grupo e para o NDB. Por isso, analisando pelo viés de visibilidade, colocar a ex-presidente Dilma Rousseff como presidente de um órgão central dos BRICS é uma escolha interessante, pois além de ter um perfil técnico-burocrata, Dilma foi presidente de um dos países fundadores do grupo.