No próximo domingo (10) os franceses vão às urnas para escolher o presidente que vai comandar o país pelos próximos 5 anos. Atualmente no poder, o presidente Emmanuel Macron (Em Marcha!) é líder nas pesquisas e concorre à reeleição, mas não terá um caminho fácil para a reeleição.
Vamos conhecer um pouco mais sobre os 4 principais nomes na disputa presidencial, de acordo com as pesquisas de intenção de voto:
Emmanuel Macron (Em Marcha!)
O mais jovem presidente francês desde a era de Napoleão, Macron tenta seu segundo mandato aos 44 anos de idade. Candidato do partido “Em Marcha!”, ocupa o primeiro lugar em todas as pesquisas de intenção de voto.

De acordo com especialistas, diferente de 2017, quando se elegeu pela primeira vez aos 39 anos de idade, o centrista Macron adota um tom mais à direita no plano de governo para o segundo mandato. Entre suas propostas, está o adiamento da aposentadoria de 62 para 65 anos de idade. Outra promessa é a redução de 15 bilhões em impostos, metade para pessoa física e a outra metade para empresas.
Macron também pretende fazer alterações no sistema de Renda Solidária Ativa (RSA), condicionando o benefício a horas de atividade profissional, e em contrapartida, promete pleno emprego em cinco anos.
A seu favor, o atual presidente tem os bons números da alta do Produto Interno Bruto (PIB) francês, que alcançou 7% em 2021, sendo o maior número em 52 anos. Apesar da recessão de 8% em 2020, especialistas do Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos (Insee) ressaltam que a economia francesa ultrapassa os patamares que estava antes da crise sanitária mundial.
Outro dado positivo a favor do candidato à reeleição é a taxa de desemprego em 7,4%, um dos melhores patamares em 40 anos. Durante a pandemia, Macron abriu os cofres públicos para manter a população em casa e evitar falência das empresas.
Apesar dos números, Macron é visto como o presidente dos ricos. O presidente retirou o Imposto sobre Fortunas (ISF) e o transformou em imposto sobre propriedade, para não assustar o empresariado e garantir crescimento, segundo ele mesmo. Opositores apontam que o centrista está desconectado da realidade.
Com papel relevante nas negociações no conflito Rússia e Ucrânia, Emmanuel Macron tenta se colocar como um líder diplomático, confiável e que sabe gerir crises.
Marine Le Pen (Reunião Nacional)
Tradicional líder da extrema-direita francesa, aos 53 anos de idade Le Pen vem para a disputa de sua terceira eleição. Em 2012 ficou em 3º lugar, em 2017 foi para o segundo turno e perdeu para Macron. Agora, segundo as pesquisas, ocupa o segundo lugar na preferência de voto dos franceses.

Nos últimos anos, Le Pen trabalhou para mudar a imagem de seu partido, marcado por discursos xenófobos e racistas. A candidata aposta em pautas envolvendo a segurança, como a presunção de legítima defesa para a polícia, em uma tentativa de proteger as forças policiais, que são acusadas com frequência de uso desproporcional da violência.
Conhecida por discursos radicais relacionados a imigração, a candidata de extrema-direita defende o fim do reagrupamento familiar, que facilita a legalização de imigrantes que já tenham familiares no país. Le Pen também prega o endurecimento das regras para pedidos de naturalização e asilo, defendendo que sejam feitos apenas no exterior, impedindo que imigrantes clandestinos sejam regularizados.
Le Pen tem feito um discurso enérgico, falando até em “erradicar”, as ideologias islâmicas e suas redes. Com posições contrárias ao bloco Europeu, a candidata tem alterado seu discurso, e evitado criticar a aliança, tendo falado apenas em uma possível alteração da moeda francesa.
O programa de medidas da candidata visa aumentar o poder aquisitivo dos franceses, com melhorias nos salários e redução nos impostos sobre energia. Le Pen fala também em privatizar as estradas francesas para diminuir os preços dos pedágios, além de estatizar o sistema audiovisual francês, que hoje depende parcialmente de dinheiro público.
Nesta eleição, Marine Le Pen tem a concorrência de Éric Zemmour na disputa dos votos mais radicais. Além disso, em 2014 Le Pen recebeu empréstimo de um banco russo para financiar as campanhas de 2017 e pode se complicar por isso.
Jean-Luc Mélenchon (França Insubmissa)
Único representante da esquerda entre os 4 principais nomes, Mélenchon, de 70 anos de idade, é atualmente o terceiro colocado nas pesquisas eleitorais, e tem um discurso voltado para a “ruptura” do liberalismo econômico. O seu partido, França Insubmissa, tenta ocupar o lugar deixado pelo Partido Socialista no campo ideológico do país.

Chamado por seus apoiadores de “Melen-Show”, por sua capacidade retórica e poder de reunir multidões, o candidato de esquerda concentra suas propostas em temáticas sociais, como o acesso à educação e o custo de vida. Mélenchon prometeu congelar os preços de produtos, aumentar salários e fortalecer os serviços públicos.
No programa de governo, o candidato promete uma grande reforma fiscal, e prevê a volta do Imposto sobre Fortuna (ISF), tabelamento de preços de produtos de primeira necessidade, e o aumento do salário mínimo para 1.400 euros. Além disso, uma de suas principais propostas é a redução da idade mínima de aposentadoria para 60 anos, após 40 anos de contribuição.
O candidato de esquerda é bastante cobrado por não ter se posicionado de forma mais firme e clara, desde o começo, sobre o presidente russo Vladimir Putin. Apesar de estar em terceiro, o candidato do partido França Insubmissa tem chances reais de ir para o segundo turno, apostando em uma divisão de votos entre Marine Le Pen e Éric Zemmour.
Éric Zemmour (Reconquista!)
Candidato da ultradireita, sendo considerado até mais radical que Marine Le Pen, Zemmour, de 63 anos de idade, é escritor, jornalista e comentarista político, já tendo participado de programas de televisão. De acordo com as pesquisas, é o 4º colocado nas intenções de voto dos franceses.

Apesar de experiente, o candidato é novato na política, e defende uma visão mais radical para o país, em conjunto com uma visão liberal para a economia. No início das pesquisas chegou a estar em segundo lugar, mas vem patinando nos últimos números divulgados. Filho de judeus da Argélia, tem uma retórica violenta, carregada de misoginia e um discurso contundente anti-imigração.
Em janeiro deste ano, Zemmour foi condenado a uma multa de 10 mil euros por incitar ódio contra menores imigrantes. O caso aconteceu em 2020, quando durante um programa de televisão, Zemmour chamou os menores imigrantes de “ladrões”, “assassinos” e “estupradores”. O jornalista classificou o fluxo imigratório de “invasão permanente”.
No seu programa de governo, o candidato já chegou a falar em um ministério da “remigração”, e prometeu “fazer um milhão” de estrangeiros saírem do país em cinco anos. Zemmour aposta em críticas à candidata da direita tradicional Valérie Pécresse (Republicanos), e também ao atual presidente Emmanuel Macron.
O candidato do Reconquista! também é o único presidenciável a defender a teoria de uma suposta “grande susbtituição”. A teoria prega que os europeus estão sendo substituídos aos poucos por imigrantes não europeus.
Para Zemmour, a França é um país em decadência, e a civilização do país foi atacada pela influência dos mulçumanos, que conseguem isso pela falta de controle migratório. O extremista também já criticou o que chama de “feminização” da sociedade, e afirmou que crianças com deficiências sejam enviadas a “escolas especiais”.
Em 2020, disse que a Rússia era uma aliança mais confiável do que Alemanha, Estados Unidos e Reino Unido.
No próximo domingo, 10/04, os franceses devem ir às urnas para escolher o novo presidente a comandar o país pelos próximos 5 anos. Atualmente no poder, o presidente Emmanuel Macron (A República Em Marcha) é líder nas pesquisas e concorre à reeleição.
Vamos conhecer os 8 candidatos do “segundo pelotão” da disputa presidencial, de acordo com as pesquisas eleitorais.
Valérie Pécresse (Republicanos)
É a candidata da direita moderada no país, e na mais recente pesquisa eleitoral divulgada aparece em 5º lugar.

Pécresse pertence ao Republicanos, e venceu as primárias do partido com 61% dos votos. Aos 54 anos de idade, a candidata é a primeira mulher a representar o partido Republicano em uma eleição presidencial.
O partido é o mesmo do ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, que governou a França de 2007 a 2012. Durante os governos de Sarkozy, Pécresse foi ministra do Ensino Superior e da Pesquisa, e também, ministra do Orçamento e Contas Públicas.
Segundo aliados, Pécresse não tem como ponto forte o carisma, mas defende um projeto de firmeza em relação a segurança pública e imigração, e liberal na economia.
“Tomarei controle da imigração”, disse a candidata em discurso de lançamento da candidatura
Yannick Jadot (Verde)
Membro do parlamento Europeu desde 2009, Jadot tem 44 anos de idade, e é atualmente o 6º colocado nas pesquisas. Também já foi diretor de campanha do Greenpeace de 2002 a 2008. Recebeu a indicação do partido em uma disputa apertada nas primárias, tendo obtido 51,03% dos votos.

Em 2016, Jadot também foi o pré-candidato à presidência pelos Verdes, porém, temendo uma derrota da esquerda, e pregando uma união no bloco, o candidato dos Verdes abriu mão de sua candidatura em favor de Benoît Hamon, que a época era o nome apoiado pelo então presidente François Hollande.
Pró-europeu e de linha pragmática, Jadot oferece um plano de governo que prioriza ações voltadas ao clima, e diz que “a batalha do clima é vital”. O candidato dos Verdes também é um crítico de Emmanuel Macron, pelo que ele chama de “inação climática”, além de dizer que Macron é “presidente dos lobbies”.
“Jovens da França, não deixem ninguém decidir no seu lugar. Não deixem passar esta chance histórica de mudar as suas vidas. [...] Participem desta eleição com o seu entusiasmo. Juntem-se a nós, deem mais força para construir a república ecológica”, disse Jadot se dirigindo a juventude em um ato de campanha
Fabian Russel (Partido Comunista)
Depois de apoiar as candidaturas de Jean-Luc Mélenchon em 2012 e 2017, o Partido Comunista decidiu lançar candidatura própria, está em 7º lugar, de acordo com a pesquisa eleitoral mais recente. O nome do partido é Fabian Russel, de 52 anos de idade.

Mais radical, Russel promete triplicar o imposto sobre fortunas (ISF) e criar um posto para aqueles que lucraram com a crise sanitária ocasionada pela COVID-19. O candidato também tem em seu plano de governo o desejo de estatizar grandes empresas como a EDF energia, além de bancos e seguradoras.
A diferença em seu plano de governo em relação aos candidatos de esquerda/extrema-esquerda está no apoio ao uso de energia nuclear.
Jean Lassalle (Resistir!)
Fundador do partido em 2016, aos 66 anos de idade disputa sua segunda eleição. A primeira foi em 2017, tendo ficado em 7º lugar dentre os 11 candidatos. Lassalle fala em reconstruir um Estado Francês baseado no lema republicano: “Liberdade, igualdade e fraternidade”. Atualmente está em 8º lugar nas pesquisas eleitorais.

Em 2018, Lassalle esteve nos protestos à frente da Assembleia Nacional vestindo coletes amarelos, símbolo do movimento. As manifestações pararam o país, e o ato causou a suspensão da sessão.
O candidato afirma ter “íntima experiência e conhecimento das instituições francesas”. Suas propostas são ousadas, entre essas medidas, Lassalle propõe realizar referendos de iniciativa cidadã, abolir a corte da Justiça da República integrando seus Ministros a justiça comum, baixar os impostos sobre os combustíveis e preparar a saída da França da Otan.
Anne Hidalgo (Partido Socialista)
A atual prefeita de Paris tem, aos 62 anos de idade, uma missão complicada nesta eleição. Apesar de contar com o apoio do ex-presidente francês François Hollande, a migração do eleitorado, por toda a Europa, para um voto mais a direita enfraqueceu os socialistas, que ocupam apenas o 9º lugar nas pesquisas de intenção de voto.

Apesar de ter governado o país com Hollande de 2012 a 2017, o Partido Socialista vem enfrentando dificuldade de dialogar com os eleitores. Nas eleições de 2017, o candidato socialista Benoît Hamon sequer passou ao segundo turno. No atual pleito, Hidalgo luta para chegar a 2% nas intenções de voto.
Eleita pela primeira vez para o cargo de prefeita da cidade de Paris em 2014, e tendo conseguido a reeleição em 2020, Hidalgo tem enfrentado problemas em sua gestão, o mais notório deles foi o movimento dos coletes amarelos em 2018. A prefeita de Paris também é criticada pela sujeira na cidade, e tem o desafio de preparar os Jogos Olímpicos de Paris em 2024.
O seu plano de governo é baseado na transição ecológica, e o partido aposta no caráter combativo de Anne Hidalgo para conquistar os eleitores.
Na disputa, mas com poucas chances…
Philippe Poutou (Novo Partido Anticapitalista)
Contra a existência do cargo de presidente, o ex-operário de 55 anos de idade enfrenta abertamente os candidatos liberais.

Poutou ataca constantemente a postura dos principais candidatos “da burguesia”, como Emmanuel Macron e a “racista e xenófoba” Marine Le Pen. Para o metalúrgico, os candidatos se aproveitam do sistema.
O candidato é a favor de uma esquerda revolucionária, anti-imperialista e internacionalista, e confia de forma incisiva na força da classe trabalhadora, para que os capitalistas paguem pela crise.
Nicolas Dupont-Aignan (A França de Pé)
Aos 61 anos de idade, esta é a terceira vez que Dupont-Aignan se lança à presidência. Funcionário público de carreira e deputado distrital por Essonne, é presidente de seu partido, que defende uma linha soberana e eurocética.

O deputado defende a “independência da França” e pautas como a revisão de acordos em nível europeu.
Ex-integrante da direita clássica francesa, Dupont-Aignan disse à imprensa na última segunda-feira (28) que “provavelmente” está liderando sua última campanha.
Nathalie Arthaud (Luta Operária)
Considerada o principal nome desta ala da esquerda no país, Arthaud, de 52 anos de idade, é professora universitária na região metropolitana de Paris, e está disputando sua segunda eleição presidencial. Na primeira vez, em 2012, obteve 0,56% dos votos, cerca de 200 mil cédulas.

Arthaud se apresenta como revolucionária e crítica a desigualdade social.
“Se eu sou revolucionária e se eu quero mudar a sociedade é porque essa sociedade capitalista é ultraviolenta, é a violência social das desigualdades, é o fato de ver hoje essas riquezas acumuladas de um lado, as extravagâncias, este incrível luxo e do outro lado, as mulheres e os homens que dormem na rua”
A guerra entre Rússia e Ucrânia é um dos conflitos mais intensos e devastadores do século 21. Uma estimativa apontada pela ONU (Organização das Nações Unidas) diz que em um mês de guerra, completado no dia 24 de março de 2022, mais de 1.040 civis ucranianos morreram e mais de 1.600 ficaram feridos. Além disso, milhões de ucranianos já tiveram que deixar o país por conta da invasão russa. Diante disso, diversos jornais de vários países enviaram correspondentes (repórteres e fotógrafos), para fazerem a cobertura do conflito. Porém, devido a periculosidade da situação, ao menos seis profissionais vieram a falecer.
Em conversa com Yan Boechat, o fotógrafo e jornalista enviado pela Band e Voice of America para registrar o conflito, "conta que a guerra é um ambiente muito intenso e que na maioria dos casos os profissionais vão por conta própria e destaca o perigo de ir em zonas que não foram dominadas por ambos os lados do embate".
Segundo o fotógrafo, profissionais menos experientes tendem a cometer mais erros ou atitudes que os levam ao perigo e risco de vida. Como se trata de um conflito armado, o cuidado e a sensibilidade das ações dos repórteres devem ser muito maiores.
Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina, Boechat iniciou sua carreira escrevendo sobre política e economia. Depois disso seu trabalho em relações exteriores tomou forma e começou a cobrir conflitos em diversos países, já tendo passado pela Síria, Afeganistão, Líbano, Iraque, Egito, Venezuela e Tunísia.
De acordo com ele, o conflito mais marcante em seus 19 anos de experiência foi o primeiro: “Te marca mais. Eu fui para o Afeganistão em 2003 e foi muito impactante pra mim”. Boechat também enfatiza o valor da experiência, alegando que o profissional “vai aprendendo com os anos, cada conflito é diferente, vai aprendendo um pouco, tentando minimizar os riscos [...] é um processo lento, como qualquer coisa na vida”.
A motivação para cobrir um conflito armado é essencial e também deve ser comentada, até mesmo porque o risco de se realizar tal tarefa é enorme. Ao ser perguntado sobre isso, Boechat diz que sempre gostou de história e acha que o conflito é um momento definidor dela. “Os conflitos sempre vão definir o rumo de nossa história como sociedade e acho que é um privilégio estar ali, assistir essa história acontecer”, afirmou.
De acordo com o jornalista, depois de anos de experiência, o cinismo passa a ser uma característica cada vez mais marcante no seu dia a dia. “É triste, mas faz parte da vida. Ainda assim é ruim ver pessoas sendo vítimas de uma guerra que em geral não tem nada a ver com elas, são as mais prejudicadas[...] mas se isso te afetar demais você não consegue trabalhar”.
Após ser perguntado sobre os protocolos gerais que devem ser seguidos para realizar essa perigosa cobertura, Boechat dá mais detalhes a respeito: “Costuma ser cada um por si, mesmo com o apoio dos colegas, mas cada um atrás da sua história”. O jornalista deu destaque para a necessidade de planejamento, uma vez que aumenta a dificuldade de encontrar prestadores de serviços como motoristas e tradutores devido ao receio que os mesmos têm da guerra, resultando em um número pequeno de pessoas para auxiliar os jornalistas. Ainda apontou a relevância também do colete e os riscos minimizados por ele, mas diz que é melhor levar o próprio equipamento.
Além disso, Boechat ressalta o cuidado que, segundo ele, deve ser tomado ao entrevistar pessoas cujo cargo representa um poder elevado. “O jornalista precisa ter consciência de que ele é visto como um instrumento de propaganda, então você vai para lá e os caras vão querer te usar como propaganda para o que eles querem mostrar”.
Por fim, ele afirma que para executar esse trabalho, ter calma é essencial, porque o profissional “se coloca em risco e coloca as outras pessoas em risco, então se você se desesperar (outros jornalistas) não vão querer trabalhar com você, não é um ambiente fácil, tem bastante tensão”.
Fim de uma era
Nesta quarta-feira (8), Olaf Scholz, do Partido Social-Democrata (SPD), tornou-se oficialmente primeiro-ministro da Alemanha, colocando fim aos 16 anos de governo da democrata-cristã Angela Merkel. No cargo de chanceler federal desde 2005, Merkel deixa o poder aos 67 anos, e após 5.860 dias de governo. A “mutti”, mamãe em alemão, apelido carinhoso que recebeu em 31 anos na vida pública, ficou a 5 dias de bater o recorde de longevidade de Helmut Kohl (1982-1998). Nem mesmo os muitos anos na política desgastaram a popularidade de Merkel, segundo pesquisa recente do Pew Institute, 72% dos entrevistados, em todo o mundo, confiam nela. “Angela Merkel foi uma chanceler que teve êxito”, elogiou o novo chanceler Olaf Scholz, segundo ele, Merkel “permaneceu fiel a ela mesma durante 16 anos marcados por várias mudanças”.

O social-democrata de 63 anos foi eleito pela câmara baixa do Bundestag (parlamento alemão) por 395 votos a favor, 303 contra e 6 abstenções, dos 736 votos dos deputados. A coalizão “semáforo” tem 416 assentos do parlamento, porém muitos deputados estavam ausentes na votação de hoje (8), que registrou a presença de 707 parlamentares.
Scholz vai liderar a coalizão que conta, além dos social-democratas, com os liberais e os verdes. Isso porque nas eleições de 26 setembro, o SPD foi o partido mais votado, recebendo 25,7% dos votos, ficando à frente da União Cristã Democrata (CDU), partido de Merkel, que registrou seu pior resultado da história com 24,1%. Os Verdes registraram o melhor resultado de sua história com 14,8% dos votos, os liberais obtiveram 11,5%. Essa será a primeira vez que uma tripla coalizão governará a Alemanha desde 1950, e marca a volta dos social-democratas à chancelaria federal, o último social-democrata a comandar o país havia sido Gerhard Schröder (1998-2005).

Após a votação, Scholz, de máscara, recebeu aplausos e buquês de flores de líderes dos diferentes grupos parlamentares do Bundestag. Depois, foi recebido pelo presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, que o entregou a “ata de nomeação”, o que estabelece o início oficial de seu mandato de quatro anos. Em seguida, Scholz retornou ao Bundestag para prestar juramento ao cargo, antes de seguir para a chancelaria federal para a transferência de poder.

O novo governo
Esse será o primeiro governo com paridade de gêneros nos ministérios. Cumprindo promessa de campanha, oito pastas serão comandadas por mulheres e oito por homens. O percentual de 50% de mulheres comandando ministérios é o maior da história da Alemanha. Por liderar a coalizão, o SPD ocupa mais ministérios, os verdes ficaram com a vice-chancelaria e os liberais com o ministério considerado o mais importante, que é o de finanças. “Estou particularmente orgulhoso de que as mulheres agora estão a partir de agora à frente de ministérios que tradicionalmente não eram ocupados por elas”, afirmou Olaf Scholz.
A média de idade do novo governo é de 50,4 anos, menor do que a média de todos os inícios de legislatura dos quatro governos anteriores governados por Merkel. O último mandato de Merkel tinha média de idade de 51,4 anos. Aos 63 anos, Scholz é o mais velho do governo. As ministras mais jovens são Annalena Baerbock e Anne Spiegel, do partido Verde, que completam aniversário no mesmo dia, e farão 41 anos em 15 de dezembro
Veja a composição do novo gabinete:
Robert Habeck, 52 anos, co-presidente do partido Verde, será o vice-chanceler e ministro da Economia e Energia
Annalena Baerbock, 40 anos, co-presidente do partido Verde, candidata a chanceler pelo partido na última eleição, será a primeira mulher a comandar o ministério do Exterior
Christian Lindner, 42 anos, presidente do partido liberal, será o ministro das Finanças, considerado o mais poderoso dos ministérios
Nancy Faeser, 51 anos, líder do SPD no estado de Hasse, será a primeira mulher a comandar o ministério do Interior
Karl Lauterbach, 58 anos, o parlamentar social-democrata é epidemiologista e ocupará o cargo de ministro da Saúde, o novo ministro defende medidas mais rígidas contra a COVID-19
Christine Lambrecht, 56 anos, a social-democrata comandará o ministério da Defesa, sendo a terceira mulher a comandar a pasta de forma consecutiva
Wolfgang Schmidt, 51 anos, o social-democrata será o chefe da chancelaria federal, que coordena os trabalhos entre os diferentes setores do governo
Svenja Schulze, 53 anos, a social-democrata será uma das remanescentes da gestão Merkel, mas irá migrar de pasta, sairá do ministério do Meio Ambiente e irá para o ministério do Desenvolvimento
Steffi Lemke, 53 anos, do partido Verde assume o ministério do Meio Ambiente
Marco Buschmann, 44 anos, o membro do partido liberal será o novo ministro da Justiça
Anne Spiegel, 40 anos, do partido Verde vai comandar o ministério da Família
Klara Geywitz, 45 anos, a vice-líder do SPD estará a frente do ministério da Construção e Habitação
Bettina Stark-Watzinger, 53 anos, do partido liberal vai ocupar o cargo de ministra da Educação e Pesquisa
Claudia Roth, 66 anos, será a nova ministra da Cultura e Mídia, essa é uma pasta que ainda não tem status de ministério
Hubertus Heil, 49 anos, o social-democrata segue como ministro do Trabalho e Assuntos Sociais
Cem Özdemir, 55 anos, ex-co-presidente do partido Verde, ocupará o cargo de ministro da Agricultura. Essa será a primeira vez que a Alemanha terá um ministro com raízes turcas
Volker Wissing , 51 anos, o liberal será o ministro dos Transportes e Digitalização
O novo governo assume com um agravamento da pandemia no país. Nesta quarta-feira (8) a Alemanha registrou um recorde no número de mortes por COVID-19, com 527 óbitos em 24 horas, maior número em mais de dez meses, segundo autoridades locais. O novo primeiro-ministro e o novo ministro da saúde defendem ações mais rigorosas em relação a pandemia, Scholz já fez a defesa da vacinação obrigatória, o que poderia ocorrer entre fevereiro e março de 2022.
Após seis décadas sob o comando dos irmãos Castro, Fidel e Raúl, em 2018, Miguel Díaz-Canel assumiu o poder em Cuba, aos 58 anos de idade.
Naquele momento, há quase três anos, sua entrada no mundo político era uma incógnita para grande parte das pessoas.
Em Villa Clara, sua cidade natal, era visto como um político “comprometido” e “tolerante”, porém, assim que Raúl Castro começou a mostrar interesse nele, tem feito declarações que o afastam de seu perfil de "pró-abertura". Ele tem reafirmado ideias comunistas e prometido persistir "na marcha triunfante da Revolução".
Para Antonio Rodiles, ativista anticastrista, Díaz-Canel "é uma pessoa apagada que repete como um robô o que tem sido dito em Cuba nos últimos 60 anos".
No dia 11 de julho de 2021, milhares de cubanos foram as ruas, aos gritos de “abaixo a ditadura” e “não temos medo”. Este movimento teve inicio nas redes sociais. Em resposta, o presidente Miguel Diaz, também pelas redes sociais, pediu que as pessoas fossem as ruas enfrentar os manifestantes.
"Não vamos admitir que nenhum contra-revolucionário, nenhum mercenário, nenhum vendido ao governo dos Estados Unidos, vendido ao império, recebendo dinheiro das agências, se deixando levar por todas as estratégias de subversão ideológica, desestabilize nosso país", adicionou.
"Haverá uma resposta revolucionária", disse ele, conclamando os adeptos ao comunismo a enfrentar os protestos com "determinação, firmeza e coragem". Suas ações foram vistas pela oposição como uma incitação a uma guerra civil.
De acordo com os manifestantes, os protestos acontecem devido s longas filas para compra de alimentos, a falta de medicamentos e a alta dos preços. "O problema é que o governo não tem divisas estrangeiras para importar comida, remédios ou combustível, então há escassez de todos os gêneros de primeira necessidade nas lojas", explica o especialista em assuntos latino-americanos William LeoGrande, professor da American University.
Além disto, continua, "ocorrem blecautes de eletricidade que lembram aos cubanos os piores tempos dos anos 1990, após do colapso da União Soviética; e o povo está frustrado com o alastramento da covid-19".
De acordo com a BBC, que entrevistou inúmeros cubanos, muitos manifestantes relataram a perda de parentes, muitos deles falecendo dentro de suas casas, pois o sistema de saúde do país já havia sofrido um colapso e não havia mais remédios nos hospitais e farmácias.
O presidente americano Joe Biden se mostrou favorável as manifestações e disse: "Estamos do lado do povo cubano e de seu chamado pela liberdade e por um alívio das trágicas garras da pandemia e de décadas de repressão e sofrimento econômico a que os cidadãos têm sido sujeitos pelo regime autoritário de Cuba."
O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, também se mostrou solidário com as manifestações. Por outro lado, México e Rússia alertaram os outros países que a situação em Cuba poderia ser pretexto para interferência estrangeira em assuntos cubanos.
Os protestos foram reprimidos pela polícia e em vídeos feitos pelos manifestantes é possível ver esses enfretamentos.
Uma nova Marcha pela Mudança foi marcada para o dia 15 de novembro. O governo cubano proibiu a marcha e a classificou como um o ato de “provocação de Washigton”.
Horas após o ato ter sido proibido, o grupo no Facebook que organiza o evento, Archipiélago publicou: "No dia 15 de novembro, nossa decisão será marchar cívica e pacificamente pelos nossos direitos. Frente ao autoritarismo, responderemos com civismo e mais civismo".
No dia dos protestos, um cerco policial havia sido imposto nos locais que receberiam os manifestantes, o que ao final, deixou os locais praticamente vazios de pessoas.
Aqueles que tentaram quebrar o cerco foram presos ao longo da tarde com a desculpa de que a manifestação fora proibida pelo governo.
A data foi escolhida por ser o primeiro dia em que os turistas voltariam para Cuba após o começo da pandemia e também marcaria o aniversário de Havana.
Até agora, a repressão do movimento já levou a prisão 1.175 pessoas, e mais da metade continua atrás das grades, de acordo com a associação Cubalex, que monitoria as prisões políticas da ilha.













