Governo de Donald Trump decide fazer mudança no departamento de estado em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Washington e Brasília.
por
Rafael Jorge
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26/08/2026 - 12h

O Governo dos Estados Unidos anunciou, na segunda-feira (17), a troca do chefe de escritório responsável pelas relações entre Brasil e América Latina. Juan Pablo Segura assumiu o cargo de Secretário de Estado Adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental, no lugar do embaixador Michael Kozak, que ocupava a função de forma interina desde 2025.

Juan Segura já havia sido indicado pelo presidente Donald Trump em abril deste ano. Em junho, o nome dele passou por uma audiência no Comitê de Relações Exteriores do Senado, quando foi aprovado. Segundo o departamento de estado, o novo chefe tomou posse no dia 14 de agosto.

Juan Pablo Segura é um membro do partido republicano e empresário americano, filho de imigrantes argentinos. Antes de chegar ao departamento de estado, ele foi secretário de Comércio Exterior da Virgínia, no governo de Glenn Youngkin. Também co-fundou, em 2014, a Babyscripts, empresa de tecnologia voltada ao acompanhamento pré-natal e pós-parto.

Novo Secretário de Estado em foto oficial
Juan Pablo Segura, novo chefe de escritório responsável pelas relações entre EUA e América Latina. Foto: Departamento de Estado dos Estados Unidos

No mesmo dia em que foi anunciado, Segura utilizou suas redes sociais para dizer que pretende trabalhar em parceria com o Presidente Trump e o secretário de Estado Marco Rubio “Junto com nossa excepcional equipe, impulsionaremos a visão do presidente Trump para que nossa região esteja a salvo dos cartéis e dos narcoterroristas, se gere prosperidade para os americanos e nossos associados e se assegurem nossas fronteiras. Estou pronto para trabalhar!” afirmou.

 

Publicação no X de Juan Pablo Segura agradecendo a oportunidade no novo cargo
Post de Juan Pablo Segura no dia em que foi oficializado como Secretário de Estado Adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental. Imagem: X/ Reprodução @WHAAsstSecty 

A mudança acontece em meio a uma tensão diplomática entre Estados Unidos e Brasil. No início de agosto, o governo estadunidense revogou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A decisão aconteceu, segundo o governo dos Estados Unidos, após o Brasil recusar conceder aprovação diplomática ao embaixador Daniel Perez, indicado por Trump para atuar na capital brasileira.

Juan Pablo Segura já usou suas redes sociais para falar sobre o Brasil. Em fevereiro de 2025, ele criticou a decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes de multar o X (antigo Twitter) por descumprimento de uma ordem judicial “Bloquear o acesso à informação e impor multas a empresas sediadas nos EUA por se recusarem a censurar pessoas que vivem nos Estados Unidos é incompatível com os valores democráticos, incluindo a liberdade de expressão." 

Já em abril deste ano, Segura compartilhou um texto sobre a decisão dos Estados Unidos em expulsar um delegado brasileiro que estava supostamente envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem. “Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar tanto pedidos formais de extradição quanto prolongar caças às bruxas políticas em território americano. Hoje, solicitamos que o funcionário brasileiro relevante deixe nossa nação por tentar fazer isso", dizia a publicação.

O que diz o Itamaraty? 

Até o momento, o Itamaraty não se pronunciou especificamente sobre a nomeação de Juan Pablo Segura. O governo brasileiro, no entanto, tem defendido que a concessão de agrément, autorização formal do país que receberá um embaixador, é um procedimento diplomático necessário e deve ocorrer antes da divulgação pública da indicação.

Na perspectiva de Brasília, a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti e a nomeação de Segura acontecem dentro de um contexto mais amplo de deterioração das relações entre Brasil e Estados Unidos. O governo brasileiro também negou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado que pretendiam viajar ao país, após suspeitas de que a visita poderia estar relacionada a questões políticas e ao sistema eleitoral brasileiro.

 

Em transmissão ao vivo, estudante mata colega e comete suicidio em colégio de Zamboanga
por
Jeórgia Sophia Xavier
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25/08/2026 - 12h
 

Na terça-feira (18) um estudante de um colégio católico na cidade de Zamboanga, no sudoeste das Filipinas, transmitiu ao vivo no Facebook o momento em que atirou e matou o colega Patrick Dylan See, de 15 anos, aluno da primeira série do ensino médio. O atirador era um estudante do 9° ano que, logo após o ocorrido, tirou a própria vida.

Segundo a polícia regional, o estudante levou uma pistola e uma espingarda para dentro da escola – anexa à Universidade Ateneo de Zamboanga –  que pertenciam legalmente ao pai que atuava como oficial da alfândega e foi suspenso preventivamente enquanto as investigações ocorrem. Inicialmente, indicou-se que não havia indícios de convivência ou influência familiar, porém o governo investiga a responsabilidade legal dele por negligência no armazenamento e custódias das armas de fogo.

O estudante, cuja identidade não foi divulgada, começou a atirar sem controle e atingiu um aluno que estava no quarto andar.  A transmissão ao vivo foi confirmada pelo Secretário do Interior, Vitor Remulla, e o perfil do estudante foi desativado. No vídeo, é possível ver crianças correndo e gritando em direção às portas de saída enquanto o autor do crime carrega as armas pelo corredor, semelhante a cena de um jogo eletrônico de tiro em primeira 

Escola sendo evacuada após ataque. Foto: REPRODUÇÃO / YOUTUBE Cna
Escola sendo evacuada após ataque. Foto: REPRODUÇÃO / YOUTUBE Cna

Pouco depois, o reitor da Universidade, Ernald Andal, esclareceu que não havia mais tiroteio em andamento, e confirmou que não houve outras mortes ou feridos, além das já confirmadas. O padre Guillrey Anthony, presidente da universidade, cancelou as aulas e declarou um dia de luto e oração em todos os campus da universidade. "Não queremos que nada disso aconteça. Desejamos priorizar a segurança de todos os nossos alunos", disse Guillrey em relato para a polícia 

Embora os ataques em escolas sejam raros nas Filipinas, devido às regulamentações rigorosas diante da posse de armas, dois meses antes dois alunos abriram fogo contra os colegas em uma escola pública na cidade de Tacloban. O ataque deixou 3 mortos e cerca de 20 feridos. Também é norma a verificação de antecedentes e avaliação psicológica, embora armas de fogo ilegais continuem em circulação. O presidente Ferdinand Marcos ordenou uma investigação. “As escolas também devem estar entre os lugares mais seguros em nosso país", disse ele em um comunicado.

 

Novo fenômeno ocorreu três dias após um terremoto magnitude 7,7 que deixou dezenas de mortos em Flores
por
Vitória Teles
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24/08/2026 - 12h

Na última terça-feira (18), a região de Sumatra, na Indonésia, foi atingida por um tremor de magnitude 6,1, por volta das 13h02 no horário local (3h02 em Brasília), três dias após um terremoto que deixou mais de 60 mortos e cerca de 200 feridos no último sábado (15), na Ilha das Flores. A Agência de Meteorologia, Climatologia e Geofísica da Indonésia (BMKG) informou que o tremor atingiu 29 quilômetros de profundidade.

Destroços de uma casa após o terremoto em Flores, no sábado (15). Foto: Wikimedia Commons
Destroços de uma casa após o terremoto em Flores, no sábado (15). Foto: Wikimedia Commons 

Até as últimas atualizações sobre o tremor, não se teve relatos de vítimas. Alertas de tsunami chegaram a ser emitidos, mas posteriormente cancelados após a probabilidade do fenômeno ter sido descartada.

A Agência Nacional de Gestão de Desastres informou que 19 mil pessoas estão abrigadas em tendas, visto que o tremor danificou cerca de 4,5 mil casas. Segundo o órgão federal, 122 unidades de saúde, 252 escolas e 84 locais de culto também foram danificados. “Há mais de 31.000 pessoas desabrigadas. Até o momento, o Ministério de Assuntos Sociais destinou mais de R $14 bilhões (R$4.079.182,80) em recursos para apoio humanitário”, disse o Ministro de Assuntos Sociais, Saifullah Yusuf, na capital Jacarta, no mesmo dia.

O fenômeno chama atenção, principalmente, por ocorrer poucos dias após um terremoto avassalador que deixou uma série de pessoas mortas e feridas. Entretanto, o tremor de 6,1 registrado em Sumatra, pertence a um sistema sísmico diferente do terremoto que atingiu Flores que passou por uma sequência de réplicas próprias, como parte de um processo de reajuste de crosta após o terremoto inicial.

Foto: Reprodução/Agência de Meteorologia, Climatologia e Geofísica da Indonésia
Foto: Reprodução/Agência de Meteorologia, Climatologia e Geofísica da Indonésia

A Indonésia sofre com uma série de terremotos devido a sua localização, sendo prejudicada pelo chamado “Anel de fogo Pacífico”, uma faixa que concentra a maior parte da atividade sísmica e vulcânica da Terra. Além disso, o país está situado no encontro de várias placas tectônicas importantes, entre elas as placas: Indo-Australiana, Eurasiana, do Pacífico e das Filipinas. Apesar de ter ocorrido com poucos dias de diferença, os dois terremotos pertencem a eventos sísmicos distintos. A BMKG afirma manter o monitoramento em tempo real e destaca que todos os fatores de um terremoto são analisados, como: os epicentros, profundidade, mecanismos de falhas, entre outros. 

Em meio a tensões eleitorais, atual presidente é reeleito para novo mandato de 5 anos com cerca de 60% dos votos válidos
por
Lucas Farias Oliveira
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21/08/2026 - 12h

A comissão eleitoral da Zâmbia anunciou na manhã desta terça-feira (18) a vitória do atual presidente, Hakainde Hichilema, já no primeiro turno e de forma antecipada. Os resultados divulgados pela ECZ (Comissão Eleitoral da Zâmbia) mostraram que Hichilema, de 64 anos, recebeu aproximadamente 61,4% dos votos válidos, em comparação com seu principal adversário, Brian Mundubile, que teve cerca de 38%. 

Quando o resultado foi anunciado,  cinco dos 226 círculos eleitorais ainda não haviam sido contabilizados, porém, de acordo com a Comissão Eleitoral, os resultados em falta não influenciariam de forma significativa o resultado global das eleições. “Portanto, declaro Hichilema Hakainde como presidente eleito da República da Zâmbia neste dia 18 de agosto de 2026”, disse o presidente da comissão, Mwangala Zaloumis à National Election Results Center (Centro Nacional de Resultados Eleitorais) durante uma coletiva de imprensa. 

Presidente reeleito Hakainde Hichilema acena para apoiadores
Presidente reeleito Hakainde Hichilema em comício eleitoral. Via UPND.co

Após a vitória, através de suas redes sociais, o presidente reeleito agradeceu seus apoiadores e mandou um recado aos que votaram na oposição, “Aos cidadãos que preferiram as ideias apresentadas por nossos oponentes, nós os ouvimos e continuaremos a trabalhar por vocês”, acrescentou.

Comunidado do Presidente reeleito

Após o anúncio de sua vitória, centenas de apoiadores de Hichilema se reuniram na capital, Lusaka, vestindo a cor vermelha de seu Partido Unido para o Desenvolvimento Nacional (UPND), em comemoração que se estendeu até a madrugada.

Reeleito, agora o chefe de estado assume o segundo mandato em um momento de reconstrução econômica. Sua principal bandeira foi dar continuidade a disciplina fiscal, e agora vem com plano de aumentar investimento na produção de cobre para acelerar o crescimento econômico. 

Desde que assumiu o poder em 2021, sua gestão liderou a reestruturação da dívida soberana do país para atrair investimentos estrangeiros. Porém, grande parte da população ainda não sentiu o efeito da recuperação, segundo dados  do Banco Mundial, entre 2022 e 2023 mais de 70% dos 22 milhões de habitantes da Zâmbia vivem com menos de US$3 por dia.

Oposição alega que houve fraude e tensão eleitoral

Formada por uma coalizão de forças oposicionistas, o Partido Nacional de Reconciliação para a Unidade e Prosperidade (NRPUP) liderado por Mundubile formou a Tonse Alliance, focava  em propostas de alívio econômico e reestruturação institucional. A principal crítica dos adversários de Hichilema, de acordo com manifesto publicado no site oficial da coligação, foi o descontentamento com o custo de vida, pobreza e desemprego, argumentando que os ganhos macroeconômicos do governo não chegavam suficientemente às famílias. 

O manifesto da oposição apresentou  a inflação e o aumento dos preços como uma das principais falhas do governo Hichilema. Segundo o manifesto da Tonse Alliance, a cesta de necessidades básicas e alimentação para uma família de cinco pessoas em Lusaka passou de cerca de 7 mil kwachas em 2021 para mais de 11 mil entre 2024 e 2025, uma alta superior a 60%, segundo a oposição. 

Opositor de Hichilema, Brian Mundubile acena para apoiadores durante passeata
Brian Mundubile em passeata pré-eleição. Via NRPUP Zambia

O período que antecedeu a  eleição de 13 de agosto foi marcada por um período relativamente tranquilo,  no entanto,  a suspensão inédita da contagem de votos em todo o território, após ataques contra funcionários eleitorais e o roubo de boletins já marcados, tensionaram o cenário eleitoral e levantaram acusações de fraude da oposição. 

Na noite da eleição, as autoridades prenderam 11 pessoas, incluindo figuras importantes da oposição, em uma operação que envolveu troca de tiros, na qual Mundubile estava presente. O governo afirmou que a operação teve como alvo "atividades de milícias", e os detidos teriam sido flagrados em posse de armas de uso militar destinadas a uma insurreição armada. O Partido Nacional de Reconciliação para a Unidade e Prosperidade rejeitou essa versão, afirmando que a operação ocorreu na casa de seu líder e deixou um membro do parlamento ferido por disparos.

No dia seguinte, a comissão eleitoral suspendeu a contagem de votos por horas devido a relatos de violência contra funcionários das seções eleitorais e roubo de cédulas. Mundubile afirmou ter recebido informações sobre a possível alteração dos formulários de resultados das seções eleitorais e pediu uma investigação independente urgente. A equipe de Hichilema argumenta  que ele estava mentindo.

A Tonse Alliance, em declaração à Grindstone Television Zambia, anunciou que pretende contestar judicialmente o resultado das eleições. De acordo com a Reuters, a missão eleitoral da União Europeia também apontou problemas no processo, além do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos manifestou preocupação com as prisões e pediu respeito ao devido processo legal. 

Apesar das constatações apresentadas pela oposição e das críticas dos observadores internacionais sobre o processo eleitoral, a reeleição de Hichilema foi reconhecida diplomaticamente por diversos países, entre eles China e Estados Unidos. Brasil não se manifestou sobre.

Ex-ditador sírio foi condenado à revelia por crimes de guerra e contra a humanidade cometidos durante os 14 anos de conflito e se encontra exilado na Rússia
por
Isabela Sallum
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20/08/2026 - 12h

Na terça-feira (11), o Quarto Tribunal Criminal de Damasco, capital da Síria, condenou à morte, à revelia, o ex-presidente Bashar al-Assad por crimes de guerra e contra a humanidade cometidos durante os quase 14 anos de conflito civil no país. Seu irmão, Maher al-Assad, também recebeu a pena. A decisão é a primeira condenação judicial contra Bashar ou integrantes de seu círculo mais próximo desde a queda do regime, em dezembro de 2024, e representa um marco no processo de responsabilização pelos crimes cometidos durante o governo da família Assad. O juiz Fakhr al Din al Aryan afirmou durante a sessão que Bashar utilizou órgãos do Estado para cometer crimes de guerra e contra a humanidade.

http://www.kremlin.ru/events/president/news/57488/photos
Ex-presidente sírio Bashar al-Assad. Foto: arquivo oficial da Presidência da Rússia.

A condenação ocorre em meio à tentativa do atual governo sírio, liderado por Ahmed al-Sharaa, de estabelecer um processo de justiça de transição após mais de cinco décadas de domínio da família Assad. Bashar chegou ao poder em 2000, sucedendo seu pai, Hafez al-Assad, que havia governado o país desde 1971. Juntos, pai e filho permaneceram por mais de meio século no comando da Síria, mantendo uma estrutura política marcada pelo autoritarismo, pela repressão das forças de oposição e pelo controle do Estado pelo partido Baath.

A Guerra Civíl teve início em março de 2011, quando manifestações contra o governo começaram na cidade de Daraa, no contexto da Primavera Árabe, quando ocorriam protestos, revoltas e guerras civis em diversos países do Oriente Médio e no Norte da África, por volta de 2010. Neste contexto de descontentamento político,  protestos rapidamente se espalharam pelo país e as forças militares prenderam e torturaram adolescentes que haviam escrito mensagens contra o regime. Isso contribuiu para a transformação das manifestações inicialmente pacíficas em um conflito armado. Ao longo dos anos seguintes, a guerra matou cerca de 500 mil pessoas, além de deslocar famílias, provocar a destruição de cidades, hospitais, escolas e grande parte da infraestrutura síria.

O conflito, porém, não se limitou a uma disputa entre o governo Assad e grupos opositores. A guerra envolveu uma multiplicidade de forças políticas e militares e rapidamente adquiriu dimensão internacional. A Rússia e, sobretudo, o Irã foram os principais aliados de Bashar al-Assad, enquanto diferentes grupos da oposição receberam apoio externo. O governo iraniano forneceu recursos financeiros, armas, inteligência e apoio militar, enquanto o governo russo ampliou sua intervenção a partir de 2015, contribuindo decisivamente para o fortalecimento de Assad e para a retomada de territórios pelas forças governistas. Já países como Turquia, Arábia Saudita e Estados Unidos apoiaram, em diferentes contextos globais, grupos da oposição ou atuaram diretamente no conflito, movidos também por interesses próprios.

Após a queda, os irmãos Bashar e Maher al-Assad fugiram para a Rússia, onde receberam asilo. Desde então, o ex-presidente permanece em Moscou, fora do alcance das novas autoridades sírias. É justamente essa condição que limita os efeitos práticos da condenação. O julgamento foi realizado à revelia, isto é, o réu foi avisado oficialmente de um processo, mas não apresenta sua defesa dentro do prazo da lei, Assad não estava presente no tribunal, e a Syrian Network for Human Rights avalia que, no curto prazo, não existe uma perspectiva realista de sua extradição ou prisão. Segundo a organização, entretanto, o processo possui importância mesmo sem a presença física do acusado, pois pode produzir um registro judicial oficial dos crimes, das provas e da cadeia de responsabilidade que poderá ser utilizado em futuras iniciativas de responsabilização.

O julgamento também faz parte de um processo mais amplo contra integrantes do antigo regime. Além de Bashar e Maher, outros funcionários receberam sentenças no mesmo processo. Entre eles está Atef Najib, primo de Bashar e antigo chefe da Segurança Política em Daraa, que estava sob custódia e foi o único dos principais acusados a comparecer pessoalmente ao tribunal. Najib foi responsabilizado pela repressão aos protestos de 2011, incluindo a prisão e tortura de adolescentes, episódio que ajudou a desencadear a revolta contra o governo Assad.

A sentença também foi alvo de críticas de organizações de direitos humanos. A Anistia Internacional reconhece que a abertura de processos contra responsáveis por graves violações representa um avanço, mas aponta que a legislação síria ainda não incorporou adequadamente crimes previstos no direito internacional, como crimes contra a humanidade e crimes de guerra. A mesma organização questiona se o sistema judicial atual oferece garantias suficientes para um julgamento justo e observa que a Síria mantém a pena de morte.

Assim, a condenação à morte por um lado, serve como uma sinalização política para potências como os Estados Unidos e Israel enquanto tenta conferir legitimidade ao novo governo central de Damasco. Por outro, para as milhões de vítimas e refugiados, a sentença representa um reconhecimento formal das atrocidades cometidas, ainda que a punição física do ex-ditador pareça, no momento, impossível de se concretizar.

Multidão foi às ruas de Tel-Aviv e Jerusalém no domingo (01) e segunda (02) a favor do fim da guerra Israel-Hamas. Primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu negou o acordo em julho.
por
Oliver de Souza Santiago
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05/09/2024 - 12h

O Estado de Israel está em momento de tensão e crise política desde o início da guerra contra o grupo palestino Hamas no dia 07 de outubro de 2023. As forças armadas israelenses anunciaram no domingo (01), a descoberta de seis corpos num túnel subterrâneo de Rafah. O acontecido causou uma crescente de manifestações no país. Na manhã seguinte (02), uma greve geral foi convocada para criticar o método das negociações do resgate de reféns e pedindo um acordo com o Hamas.

A descoberta de corpos dos reféns do Hamas gera a ira da população israelense nas ruas de Jerusalém. Foto: Florion Goga/REUTERS
A descoberta de corpos dos reféns do Hamas gera a ira da população israelense nas ruas de Jerusalém. Foto: Florion Goga/REUTERS

 

O confronto atual é marcado pela morte de 40 mil palestinos por Israel e 35 mil israelenses pelo Hamas, segundo o Ministério da Saúde da Faixa de Gaza. Israel segue criticada pela comunidade internacional, sendo citada em declaração do presidente do Brasil, Lula, que chamou o conflito de genocídio e comparou as ações tomadas por Israel com o Holocausto, no dia 23 de fevereiro, quatro meses após o início da guerra.

As seis vítimas

Os seis reféns (da esquerda para a direita): Hersh Goldberg-Polin, Carmel Gat, , Eden Yerushalmi, Almog Sarusi, Alex Lobanov, sargento-mor Ori Danino. Foto: The Hostages Families Forum/AP
Os seis reféns (da esquerda para a direita): Hersh Goldberg-Polin, Carmel Gat, , Eden Yerushalmi, Almog Sarusi, Alex Lobanov, sargento-mor Ori Danino. Foto: The Hostages Families Forum/AP

 

Segundo os militares, os prisioneiros foram mortos pelo Hamas, antes da chegada das forças israelenses. Milhares de manifestantes foram às ruas contra o primeiro-ministro do país, Benjamin Netanyahu, durante a tarde do dia 01⁰, pedindo cessar-fogo do conflito entre Israel e Hamas.

Durante as manifestações, bloqueios de estradas foram feitos em Jerusalém. Na principal rodovia de Tel-Aviv, os manifestantes seguravam bandeiras com fotos dos reféns mortos. A greve geral planejada para o dia 02, foi mobilizada pelo maior sindicato de Israel, o Histadrut. O apelo principal feito pelo chefe do sindicato, Arnon Bar-David, foi para que todos os trabalhadores civis se juntem pressionando o governo israelense.

Protesto em Tel Aviv pela liberação dos reféns mantidos na Faixa de Gaza pelo grupo Hamas. Foto: Ariel Schalit/AP
Protesto em Tel Aviv pela liberação dos reféns mantidos na Faixa de Gaza pelo grupo Hamas. Foto: Ariel Schalit/AP

 

A autópsia realizada pelo Ministério da Saúde israelense, confirmou as mortes ocasionadas por tiros de curta distância. A estimativa do período do óbito é cerca de 48 a 72 horas antes da checagem feita no domingo (01) pela manhã. É possível que os reféns tenham sido mortos entre quinta e sexta-feira, de acordo com o porta-voz do ministério. 

A população israelense protestou para que Netanyahu fizesse novos esforços no resgate de reféns, que estão sob posse do Hamas em Gaza. O primeiro-ministro tem apoio significativo em sua tática de não fazer concessões ao Hamas, mesmo que isso afete no resgate dos 66 cativos israelenses e estrangeiros restantes em Gaza, segundo o jornal Haaretz.

A greve geral

O Fórum das Famílias dos Reféns e o Histardrut, convocou a paralisação total na segunda-feira (02). A greve afetou empresas de vários setores da economia e o maior aeroporto do país suspendeu pousos e decolagens.

Salas de embarque quase vazias no aeroporto internacional Ben Gourion, em Tel Aviv Foto: AFP - GIL COHEN-MAGEN
Salas de embarque quase vazias no aeroporto internacional Ben Gourion, em Tel-Aviv Foto: AFP - GIL COHEN-MAGEN

Os manifestantes tornaram a bloquear estradas novamente e passeatas foram organizadas para pressionar Netanyahu. O Tribunal Trabalhista, depois de ser acionado pelo Estado, condenou a greve, alegando ser ilegal e definiu um prazo de suspensão da paralisação até 14h30 do horário local.

Um acordo foi feito entre o Tribunal e os sindicalistas, encerrando a paralisação. Os familiares das vítimas e de reféns do grupo terrorista Hamas, incentivam a continuação dos protestos nas ruas de Tel-Aviv, Jerusalém e outras regiões do Estado.

O primeiro ministro descartou o acordo de cessar-fogo em julho deste ano, segundo o tablóide Yedioth Ahronoth. O jornal teve acesso ao relatório que continham as exigências apresentadas por Netanyahu. A suspeita apontada pela reportagem, seria a do premiê ter este posicionamento para prolongar a guerra e sabotar uma trégua em prol de benefício político para si mesmo.

Em meio a crise política, o presidente da França indicou Michel Barnier como novo primeiro ministro do país
por
Vicklin Moraes
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05/09/2024 - 12h

 

Após dois meses de impasse, o presidente da França, Emmanuel Macron anunciou nesta quinta-feira(05), Michel Barnier como novo primeiro-ministro do país. A nação vive uma crise com a ascensão da extrema-direita e meses de paralisação política, depois da derrota de Macron nas eleições do Parlamento Europeu. 

 

Em junho, o presidente dissolveu o parlamento francês, e convocou novas eleições, depois da derrota de seu partido (REM) para o partido (RN) de Marine Le Pen, política populista de extrema direita.

 

Com a nomeação de Michel Barnier, Macron dribla a extrema direita e a esquerda para evitar que o país entre em coabitação. Na coabitação, o presidente mantém o papel como representante em política externa, mas perde a autoridade de definir a política doméstica da nação e , apesar de ser um político de centro-direita, Barnier é aliado do presidente francês 

 

Depois do anúncio, Jean-Luc Mélenchon, líder do bloco esquerdista, convocou protestos. A esquerda lidera o parlamento europeu, após ganhar  as eleições legislativas do país em julho.  Apesar da vitória, como não conquistou a maioria absoluta dos assentos, não tem força para nomear de forma independente um novo primeiro-ministro.

 

Quem é Michel Barnier? 

O atual primeiro-ministro é um político tradicional conservador. Ganhou destaque por comandar as negociações do Brexit, processo que resultou na saída do Reino Unido da União Europeia, em 2020.

Michel Burnier durante a conferência do Brexit. Foto: Anadolu Agency


Michel Burnier durante a conferência do Brexit. Foto: Anadolu Agency

Michel Barnier ocupou uma série de cargos no governo do país, dentre eles o de Ministro do Meio Ambiente (1993-1995) e Ministro de Estado para Assuntos Europeus (1995-1997) no governo de Jacques Chirac. 

 

O  premiê foi o chanceler da França no início dos anos 2000. Em 2021, anunciou sua pré candidatura à presidência do país, mas desistiu por falta de apoio do partido. Aos 73 anos, ele assume a posição anteriormente ocupada por Gabriel Attal, o mais novo da história no mesmo cargo. 

 

Depois do anúncio, o presidente Emmanuel Macron agradeceu em seu Instagram, Gabriel Attal, primeiro-ministro que renunciou ao cargo em julho. “Com o Governo, você levou o país adiante e contribuiu para o seu brilho num momento importante. Ao serviço dos nossos concidadãos, a França no coração”, afirmou Macron na publicação. 

 

Macron agradece Gabriel Attal no Instagram


Macron agradece Gabriel Attal, antigo primeiro-ministro. Reprodução: Instagram 

 

 

 

 

 

 

Secretário de Estado americano, Antony Blinken, está em Tel Aviv para pressionar andamento de negociações de trégua
por
Pietra Nelli Nóbrega Monteagudo Laravia
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20/08/2024 - 12h

Desde o início do conflito na Faixa de Gaza, diversas tentativas de cessar-fogo foram realizadas, refletindo a complexidade das negociações e a persistência das partes envolvidas. Anteriormente, os esforços para interromper as hostilidades foram marcados por intensos diálogos entre os mediadores e um contínuo desgaste das condições em campo. No entanto, essas tentativas ainda não conseguiram estabelecer uma trégua duradoura.

Na última segunda-feira (19), o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, anunciou um novo desenvolvimento significativo: o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, aceitou uma proposta de cessar-fogo formulada pelos mediadores dos EUA, Catar e Egito. Esta proposta foi apresentada durante a rodada mais recente de negociações realizada em Doha, no Catar.

Blinken, que está em Tel Aviv desde domingo (18), informou que se reuniu com Netanyahu para discutir o novo plano. De acordo com a declaração de Blinken, a proposta dos EUA visa "resolver as lacunas restantes" nas negociações e permitir uma "rápida implementação" se for aceita por todas as partes envolvidas. Embora os detalhes da proposta ainda não tenham sido divulgados, o clima entre os negociadores é de otimismo após as conversas da semana passada.

Até o momento, o Hamas ainda não se pronunciou oficialmente sobre a nova proposta. As negociações deverão continuar ao longo desta semana, e Blinken expressou a expectativa de que o Hamas se comprometa com a proposta para avançar nas discussões. O secretário de estado dos EUA também alertou que esta pode ser uma oportunidade crucial para a devolução dos reféns mantidos pelo Hamas e para alcançar um desfecho mais amplo do conflito.

 O governo israelense informou que o Hamas ainda detém 111 pessoas sequestradas desde o ataque de 7 de outubro de 2023, que iniciou a guerra na Faixa de Gaza. A proposta de cessar-fogo enfrenta desafios significativos, incluindo a exigência de Israel pela destruição total do Hamas e a demanda do grupo terrorista por um cessar-fogo permanente, em vez de uma trégua temporária. Divergências também permanecem em relação à presença militar de Israel em Gaza, à movimentação dos palestinos e à identidade e quantidade de prisioneiros a serem libertados em uma possível troca.

 Em resposta a essas complexas questões, Netanyahu afirmou que busca a libertação do "máximo de reféns vivos" durante a primeira fase do novo plano de três etapas proposto pelos EUA. Após sua reunião com Netanyahu, Blinken confirmou que o primeiro-ministro se comprometeu a enviar uma delegação para as novas negociações, previstas para esta semana em Doha ou no Egito. Blinken também estará presente nas discussões. Paralelamente, os confrontos continuam em Gaza, com uma nova operação israelense em Khan Yunes e um atentado reivindicado pelo Hamas em Tel Aviv no domingo, evidenciando a fragilidade e a intensidade do conflito em curso.

 

Comandantes das Forças Armadas foram destituídos; Em rede social, presidente Luis Arce pediu respeito à democracia do país
por
Artur Maciel
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26/06/2024 - 12h

(Soldados frente ao Palácio presidencial em La Paz. foto: Juan Karita AP) 

Na tarde desta quarta-feira (26), militares do Exército da Bolívia invadiram o palácio presidencial - antiga sede do governo -, colocaram tanques nas ruas e ocuparam a Praça Murillo, que fica em frente ao palácio presidencial, na capital La Paz. 

Em uma rede social, no início da tentativa de golpe, o presidente Luis Arce denunciou “movimentações irregulares” de unidades do exército boliviano. “A democracia deve respeito”, escreveu Arce. 


 

Presidente da Bolívia se manifesta após tentativa de golpe no país. Foto: Reprodução/X @LuchoXBolivia
Presidente da Bolívia se manifesta após tentativa de golpe no país. Foto: Reprodução/X @LuchoXBolivia

 

A invasão foi liderada pelo general Juan José Zuñiga, ex-comandante do exército. Entre os momentos de tensão, nas quase quatro horas de ação, o presidente Arce chegou a ficar cara a cara com Zuñiga na porta do palácio. Em transmissão de uma emissora local, Zuñiga disse que “o país não pode continuar assim” e pediu pela formação de um novo gabinete de ministros. 

No início da semana, o general havia sido destituído do cargo de comandante do exército após ameaçar prender o ex-presidente boliviano Evo Morales - que vai concorrer nas eleições - caso ele volte ao poder. Através das redes sociais, Morales convocou a população a defender a democracia de “alguns grupos militares que atuam contra a democracia e o povo”. 

O movimento golpista foi desmobilizado após ordens de Arce e do novo comandante do exército, José Wilson Sánchez, nomeado na terça-feira (25). Os militares que participaram da ação, deixaram o palácio escoltado por soldados que não aderiram aos planos de uma ruptura institucional. 

Em pronunciamento ao povo boliviano, o presidente do país anunciou a destituição dos comandantes das Marinha e Aeronáutica, e anunciou novos chefes para as duas Forças. A Procuradoria-Geral da Bolívia abriu investigação contra os envolvidos na tentativa de golpe, incluindo o general Zuñiga. A Suprema Corte boliviana condenou os atos e pediu apoio da comunidade internacional à democracia no país. 

As ações golpistas foram rechaçadas até por opositores do governo Arce, como a ex-presidente do país, Jeanine Áñez. “Repúdio total à mobilização de militares na Praça Murillo, pretendendo destruir a ordem constitucional. Nós bolivianos defendemos a democracia”, afirmou Áñez.

Líderes da América Latina se posicionaram contra o golpe. Por meio das redes sociais, o presidente Luís Inácio Lula da Silva condenou a tentativa e reafirmou o “compromisso com o povo e a democracia no país irmão".  

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil também emitiu nota. “O Governo brasileiro condena nos mais firmes termos a tentativa de golpe de Estado em curso na Bolívia, que envolve mobilização irregular de tropas do Exército, em clara ameaça ao Estado democrático de Direito no país”, disse. “O Governo brasileiro manifesta seu apoio e solidariedade ao Presidente Luis Arce e ao Governo e povo bolivianos”, diz o Itamaraty.

Pedro Sanches (presidente da Espanha), Santiago Pena (presidente do Paraguai) Andre Manuel (presidente mexicano) e Alberto Fernandes (ex-presidente da Argentina) também repudiaram o ataque. 

Presidente francês anunciou decisão após resultado das eleições europeias
por
Khauan Wood
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18/06/2024 - 12h

O presidente da França Emmanuel Macron anunciou no domingo (09) a dissolução da Assembleia Nacional, casa legislativa francesa, e a convocação de novas eleições parlamentares para o fim do mês de junho.

O anúncio foi feito logo após o resultado da eleição do Parlamento Europeu, que deu ao Reagrupamento Nacional (RN), partido de Marine Le Pen, principal opositora de Macron, 31,5% dos votos contra 15,2% do Renascimento (RE), sigla que abriga o presidente.

Após a divulgação dos resultados, Jordan Bardella, presidente nacional do RN e forte nome da extrema-direita para assumir o cargo de Primeiro-Ministro no país caso o grupo vença as eleições, fez um discurso onde comemorava o resultado do pleito europeu e desafiava Macron a convocar novas eleições para o Parlamento local.

No ato, Bardella disparou: “o presidente não pode ficar surdo à mensagem enviada pelos franceses [...] pedimos que organize novas eleições legislativas”, o político disse ainda que “um vento de esperança sopra sobre a França e está apenas começando”.

Horas depois, veio o comunicado de Macron que anunciava a dissolução do Parlamento e marcava novas eleições para os dias 30 de junho (1º turno). Caso um segundo turno seja necessário, ele ocorrerá em 07 de julho.

As eleições da câmara baixa do Parlamento francês estavam inicialmente previstas para ocorrer somente após a disputa presidencial, em junho de 2027. O presidente definiu sua decisão como “um ato de confiança” na população francesa.

 

Caso o partido de Macron saia derrotado, a França teria que lidar com um cenário governamental difícil, a chamada “coabitação”, ou seja, teria o presidente e primeiro-ministro em posições políticas opostas. 

Macron continuaria em seu papel de Chefe de Governo e seguiria com o poder de decisão de políticas externas, porém perderia o controle das políticas nacionais, justamente por não ter o controle do Parlamento, fenômeno que dificultaria ainda mais a aprovação de projetos de interesse de sua equipe.

O fenômeno da coabitação ocorreu pela última vez entre os anos de 1997 e 2002, quando o então presidente de centro-direita Jacques Chirac (1932-2019) fez um movimento semelhante ao de Macron, dissolvendo o Parlamento por questões políticas e com a esperança de sair vitorioso, porém viu seu adversário Lionel Jospin, do Partido Socialista, ser eleito como primeiro-ministro e dificultando cinco de seus doze anos de mandato.