Cidade da Espanha recebe mais de 72 mil marroquinos em dois dias através de sua fronteira marítima
por
Manuela Abbate Gonçalves
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13/08/2026 - 12h

No dia 31 de julho, a cidade espanhola autónoma de Ceuta, localizada no norte do continente africano, se deparou com um denso fluxo migratório de cidadãos vindos do Marrocos. A fronteira entre os territórios, embora registre fluxos de migração irregulares há anos, com um episódio de 10 mil migrantes em 2021, nunca lidou com um movimento de larga escala como esse, efetuado por via marítima.  

Mapa que mostra a área do Estreito de Gibraltar, com o continente africano na parte de baixo, o continente europeu em cima e a cidade de Ceuta destacada

Localização geográfica de Ceuta, território ultramarino espanhol que faz fronteira com Marrocos – Imagem: : Google Earth

A travessia é impulsionada pela busca de uma melhor qualidade de vida por parte dos jovens marroquinos. Em entrevista para AGEMT, o  geógrafo e pesquisador Pedro Paulo Coelho comenta: “Não deixa de ser uma crise humanitária, pela magnitude, pela velocidade que aconteceu, pelo perfil de pessoas jovens do Marrocos que estão experimentando desafios sociais econômicos, sobretudo o desemprego.” O país enfrenta uma taxa de desemprego de 9,5%, com o desemprego juvenil, que engloba aqueles entre 15 e 24 anos, aparecendo em 27,2%, de acordo com o Trading Economics para o último bimestre de 2026.

Em entrevista à RFI, (Radio France Internationale), Ali, cidadão marroquino de 22 anos, conta, ao retornar após não conseguir se estabelecer em Ceuta: "Muitos jovens partiram daqui. Eu não me arrependo, quero continuar tentando. Vou continuar pensando na Europa até ficar velho. Nosso país é bonito, mas a Europa é melhor. Se você ficar aqui, pode trabalhar durante 30 anos e ainda assim não sair do lugar, como um hamster girando na roda".

A proporção do ocorrido foi caracterizada tanto pelo governo marroquino quanto pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, como fruto de informações falsas que circularam pelas redes sociais sobre uma decisão da Suprema Corte espanhola no dia 29 de Junho.  

A nova política, em questão, proibiu a devolução imediata de interceptados ao mar, as chamadas “devoluciones en caliente”, entretanto não proíbe o retorno desses indivíduos aos seus países de origem. A medida judicial sofreu distorções na mídia, sendo interpretada como uma flexibilização no processo de deportação espanhol que ultimamente beneficiaria os migrantes que fazem a travessia.  

Tal manifestação jurídica impulsionou publicações falsas em redes sociais que geraram uma tentativa em massa de migração pelas águas, sobrecarregando as estruturas da cidade de 80 mil habitantes, sem estrutura hábil para absorver o crescente número de imigrantes. Essa incapacidade resulta na crise humanitária que Ceuta enfrenta: serviços de saúde cheios, polícia local saturada e pessoas desamparadas vagando pelas ruas. 

O ocorrido gerou atritos entre os governos de Marrocos e da Espanha, que mantinham relação de cooperação, após Sánchez indicar possível descaso por parte do Estado marroquino na área da fronteira.  

Primeiro- Ministro da Espanha, Pedro Sánchez, discursando em um púlpito. Ao fundo, estão uma bandeira da Espanha e outra da União Europeia.
Primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, em declaração oficial sobre crise migratória em Ceuta de 2021. Foto: Borja Puig de la Bellacasa - La Moncloa

“A temática da imigração é uma pauta desafiadora para a União Europeia, que direciona muito da política interna e da política externa”, indica Pedro Coelho quanto aos efeitos da série de acontecimentos em âmbito mundial. O especialista explica que o contexto global atual é permeado por discursos de viés anti migratório, mas que o governo de Sánchez e o partido operário da Espanha assumem o que Coelho caracteriza como “uma postura que contrasta com a tendência anti migração da Europa”.

Sobre o atual governo da Espanha, o entrevistado explica: “O discurso [espanhol] anterior a essa crise era de que a imigração não seria levada como um caso só de polícia e de expulsão. Ainda esse ano tinha acontecido uma regularização de muitos imigrantes que estavam em situação irregular na Espanha, na informalidade”. Tendo em vista esse episódio, entretanto, Pedro Coelho conclui: ​”Depois que dispara a crise humanitária, com certeza o governo espanhol vai começar a se movimentar de outra forma.”

Políticos de extrema direita utilizam o ocorrido para antagonizar a esquerda. Entre eles encontram-se: Santiago Abascal, líder do partido espanhol ultradireitista, Vox; Primeira-Ministra da Itália, Giorgia Meloni; Nigel Farasi, do Reform UK e Donald Trump, que comentou publicamente sobre a situação. No depoimento, a Casa Branca culpou as “políticas globalistas de extrema esquerda” pelo fenômeno e não citou Marrocos. 

Atualmente, cerca de 70 mil indivíduos já foram retornados para Marrocos pela fronteira terrestre. Entretanto, a cidade de Ceuta ainda enfrenta um estado de crise migratória e humanitária, com mais de 88 mortos confirmados, vítimas da travessia, e cerca de 2 mil indivíduos em situações de ocupação precária em território europeu.   

 

O visto da embaixadora do Brasil em Washington é anulado em represália à demora do Itamaraty em aprovar o novo embaixador americano indicado por Trump
por
Stefany Santos
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12/08/2026 - 12h

O governo brasileiro divulgou uma nota oficial de repúdio após os Estados Unidos revogarem, na terça-feira (4), o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti. Em entrevista ao podcast Meteoro Brasil, nesta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a decisão americana como "irresponsável" e afirmou que não vai analisar novas indicações diplomáticas dos Estados Unidos até depois das eleições presidenciais brasileiras, marcadas para outubro deste ano.

Segundo o Departamento de Estado americano, a medida tem caráter recíproco e é uma resposta à demora do Brasil em conceder a autorização formal exigida pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, para que Daniel Perez, indicado pelo presidente Donald Trump, assumisse a embaixada dos Estados Unidos em Brasília. Perez foi indicado ao cargo em 1º de junho para  o posto que está vago desde janeiro de 2025, quando Trump ganhou a candidatura.

Não houve, até o momento, declaração formal de persona non grata e o governo norte americano esclareceu que a revogação não significa expulsão. Mas sim que Maria Luiza Viotti pode permanecer em território americano, mas sem visto válido,  não poderá retornar aos Estados Unidos caso deixe o país. 

Em nota, o governo brasileiro afirmou que os Estados Unidos anunciaram publicamente o nome do candidato à embaixada antes mesmo de apresentar o pedido formal ao Brasil, e destacou que a Convenção de Viena não estipula prazo para a concessão do aval, que segundo o Planalto, ainda está em análise.

A nota também lembra que seguem em vigor sanções individuais dos EUA contra autoridades brasileiras, como cancelamento de vistos diante da alegação de perseguição política ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atingindo inclusive ministros do Supremo Tribunal Federal como o ministro Alexandre de Moraes que no dia 18 de julho de 2025 teve seu visto negado, assim como integrantes do primeiro escalão do Executivo.

O governo brasileiro classificou a revogação do visto da diplomata brasileira como parte de uma escalada deliberada de medidas motivadas por razões ideológicas, e sinalizou preocupação com uma possível tentativa de interferência na eleição presidencial brasileira. Ainda assim, reafirmou preferência pelo diálogo em vez de um possível confronto. E o Brasil decidiu manter a embaixadora no cargo em Washington mesmo após a revogação do visto. A avaliação no Planalto é que o retorno da embaixadora ao Brasil neste momento causaria ainda mais impasses com os americanos.

Cronologia da tensão

A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos não é recente e tem se intensificado ao longo do último ano. Em julho de 2025, Trump enviou uma carta ao governo brasileiro anunciando tarifas em produtos. Em setembro, os presidentes dos dois países se encontraram e as tarifas foram revistas. Em maio deste ano, um novo encontro entre os dois  indicava melhora nas relações diplomáticas.

 

Presidente Lula e Donald Trump
Donald Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante encontro na Casa Branca, em maio de 2026.        Reprodução: Instagram/@lulaoficial

Já em 28 de maio de 2026, o Departamento de Estado norte americano classificou o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho como organizações terroristas globais, essa decisão marcou uma escalada inédita na relação entre os dois países e serviu de pano de fundo para a crise diplomática que se seguiria. Em 15 de julho de 2026, o governo dos EUA voltou a impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, oficialmente justificadas por uma investigação da Seção 301 do USTR, a qual apontava práticas brasileiras consideradas desleais ao comércio americano, como o sistema de pagamentos PIX, desmatamento e proteção insuficiente à propriedade intelectual. Essa medida, no entanto, repete o padrão de uma tarifa anterior, anunciada em julho de 2025, que havia sido justificada abertamente pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, então em julgamento no Brasil. 

No dia 4 de agosto de 2026, a crise ganhou um novo capítulo com a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

Atualmente, os Estados Unidos não têm embaixador titular no Brasil, apenas um encarregado de negócios. A indicação de Daniel Perez segue sem aval formal do governo brasileiro, que tem adotado cautela diante do que avalia como sinais de possível interferência americana no processo eleitoral brasileiro, como por exemplo episódios em que autoridades ligadas a Trump teriam questionado publicamente o sistema eleitoral do país.

Um desses episódios ocorreu em julho de 2026, quando o secretário-assistente Riley M. Barnes e o subsecretário-assistente Samuel Samson, ambos do Departamento de Estado dos EUA, solicitaram vistos, em 20 de julho, para viajar ao Brasil com a missão de lançar dúvidas sobre a integridade e a transparência do processo eleitoral brasileiro. No dia seguinte, 21 de julho, o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) divulgou informações falsas sobre as urnas eletrônicas. Ao identificar uma possível ligação entre esse ataque às urnas e a viagem dos dois diplomatas americanos, o Itamaraty negou os vistos em 24 de julho, por avaliar que havia risco de interferência política ligada à agenda eleitoral do pré-candidato.

Quem é Maria Luiza Viotti

Natural de Belo Horizonte, Maria Luiza Ribeiro Viotti foi a primeira mulher a ocupar o cargo de embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, com aprovação pelo plenário do Senado Federal em maio de 2023. Ingressou na carreira diplomática em 1976, formou-se em Ciências Econômicas pela Associação de Ensino Unificado de Brasília em 1978, onde também concluiu os cursos de Aperfeiçoamento de Diplomatas (1982) e Altos Estudos (1995), também é mestre em Economia pela Universidade de Brasília.

Foi representante permanente do Brasil junto à ONU entre 2007 e 2013, período em que chefiou a delegação brasileira no Conselho de Segurança e presidiu o próprio Conselho. Também foi embaixadora do Brasil na Alemanha (2013–2016) e chefe de Gabinete do secretário-geral da ONU, durante o primeiro mandato de Antônio Gueterres (2017–2021).

Quem é Daniel Perez

Indicado por Trump em 1º de junho para a embaixada americana no Brasil, Daniel Perez ainda precisa ter o nome aprovado pelo Senado dos Estados Unidos. Aos 38 anos, preside desde 2024 a Câmara dos Representantes da Flórida.

Filiado ao Partido Republicano e aliado de Trump, chegou a ser citado no ano passado como possível candidato a procurador-geral da Flórida. Filho de imigrantes cubanos, nasceu em Nova York e mudou-se ainda criança para a Flórida, em 1993. Formado em Direito pela Loyola University New Orleans, é casado e pai de três filhos.

Eleito deputado estadual pela primeira vez em 2017, tem atuação parlamentar voltada a temas como bem-estar infantil, saúde, fortalecimento das famílias, educação e integridade eleitoral. Nas redes sociais, costuma associar-se ao movimento "Make America Great Again" (MAGA) e manifestar apoio às pautas de Trump.

Se confirmado pelo Senado, Perez será o primeiro embaixador americano no Brasil desde a saída de Elizabeth Bagley, indicada pelo ex-presidente Joe Biden.

A revogação do visto é mais um capítulo entre uma crise nas relações entre Brasil e Estados Unidos, um movimento que se soma à guerra tarifária já em curso. O impasse permanece sem solução à vista, com os dois lados aguardando desdobramentos em meio à proximidade das eleições presidenciais no Brasil.


 

Em meio à instabilidade política, Starmer foi pressionado a renunciar
por
Marcelo Barbosa
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30/06/2026 - 12h

 

O Primeiro-Ministro do Reino Unido, Keir Starmer, renunciou ao posto, em um discurso feito na Downing Street, a residência oficial dos governantes britânicos, na última segunda-feira (22).

No discurso lido durante o anúncio, Stamer afirmou que todas as decisões que ele tomou foram sobre colocar o país em primeiro lugar. Em seguida, declarou sua renúncia ao posto e disse que, antes de sua decisão, conversou com o rei para informá-lo sobre a escolha que tomou.

Ainda durante o discurso, Starmer homenageou a família e citou sua esposa, Vic, além dos filhos, que descreveu como “meu orgulho e alegria”. Em seguida, agradeceu e encerrou a coletiva.


Ao centro da tela, Keir Starmer sorri/ Reprodução: Instagram/ Keir Starmer



No Reino Unido, as eleições não podem ocorrer novamente após a renúncia e, por conta disso, o Partido Trabalhista será responsável por escolher um substituto. Com o anúncio, Starmer estabeleceu um cronograma para que a saída seja feita da melhor maneira.

O favorito para ocupar o posto é o ex-prefeito de Manchester, Andy Burnham, que era cotado junto do então maior rival em potencial, Wes Streeting, o ex-secretário da saúde, que desistiu de concorrer e anunciou apoio do antigo prefeito de Manchester.

O Primeiro-Ministro enfrentava uma pressão interna pelo Partido Trabalhista há alguns meses. Isso ocorreu porque Andy Burnham, conhecido no país como o principal opositor de Starmer no partido, conseguiu uma cadeira no Parlamento e, como resultado, criou uma pressão ao redor de Starmer.


A saída de Starmer revela um cenário de instabilidade no Reino Unido, que já contou com sete chefes de governo desde o Brexit, há dez anos atrás.

Com isso, o país enfrentou dificuldades para conduzir a economia, que apresentou baixo crescimento comparado ao cenário anterior ao Brexit. A economia apresentou déficits em razão das dívidas altas devido à volatilidade política.

Starmer se manteve no poder por menos de dois anos. Ele sofreu uma forte pressão no partido, que esperava que Starmer conduzisse a economia de uma maneira diferente da que ele apresentou.

O Partido esperava que Starmer fosse capaz de reverter a política de altos gastos nos serviços públicos. No entanto, as expectativas não foram atendidas, com aumentos de impostos - o que foi mal recebido pela sociedade e, como consequência, houve um recuo na medida.

Além disso, uma medida que causou polêmica no Reino Unido foi à aderência às políticas de migração brandas. Isso fortaleceu críticas de opositores, como de Nigel Farage, parlamentar na Câmara dos Comuns. Ainda houve um escândalo no governo, quando Starmer declarou que o indicado para a embaixada nos Estados Unidos, Peter Mandelson, não foi aprovado pelo sistema de segurança para acessar documentos do país e posteriormente deixou o cargo por envolvimento com Jeffrey Epstein.

Kier Stamer segue no cargo até a escolha de um sucessor.

O acordo, proposto e mediado pelo Paquistão, busca interromper temporariamente os confrontos na região
por
Marcelo Barbosa
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23/06/2026 - 12h

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um Memorando de Entendimento com o Irã, em Versalhes, na França, na última quarta-feira (17). O acordo interino também foi assinado pelo presidente do Parlamento Iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf.

De acordo com informações disponibilizadas pela Casa Branca, o presidente Donald Trump e o vice-presidente JD Vance assinaram o acordo com o intuito de impedir que o Irã obtenha armamentos nucleares, além da reabertura do Estreito de Ormuz para livre navegação internacional.

A Casa Branca afirmou, nas redes sociais, que Donald Trump resolveu a “ameaça iraniana”:
“O presidente Donald J. Trump resolveu uma ameaça que Washington passou quarenta anos tentando administrar: o Irã jamais terá uma arma nuclear. Uma vitória para os Estados Unidos”


 

Trump assina Memorando / Reprodução: Casa Branca
Trump assina Memorando no Palácio de Versalhes / Reprodução: Casa Branca



No texto do memorando, que foi lido em uma teleconferência com jornalistas na quarta-feira, foi estabelecido que deve haver um término imediato e permanente das operações militares que ocorrem em todas as frentes. Isso inclui a retirada do bloqueio naval imposto ao Irã. O processo deve ser concluído em até 30 dias, além de retirar suas forças nas proximidades do país no mesmo prazo. O conteúdo ainda estabelece que o acordo se estende também ao território do Líbano.

A previsão de encerramento imediato das operações militares também no território libanês provocou reação de Israel, que declarou não reconhecer o acordo e afirmou que continuará suas operações militares.


Em contrapartida, o Irã garantirá a livre e segura navegação comercial pelo Golfo Pérsico e pelo Estreito de Ormuz, a desminagem da região em até 30 dias já foi iniciada e está em negociação, com Omã e outros países litorâneos, um modelo de administração do estreito conforme o direito internacional.

O documento também prevê que os EUA, em conjunto com parceiros regionais, elaborem um plano de reconstrução e desenvolvimento econômico do Irã com orçamento mínimo de US$300 bilhões, além de conceder licenças para transações financeiras relacionadas ao plano.

O texto determina ainda que os Estados Unidos eliminem, de forma gradual e conforme o cronograma acordado, todas as sanções impostas ao Irã, isso inclui sanções unilaterais, resoluções do Conselho de Segurança da ONU e do Conselho de Governadores da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica). O país também é obrigado a emitir autorizações para a exportação de petróleo iraniano e liberar integralmente os fundos e ativos iranianos atualmente congelados, mediante procedimentos a serem definidos entre as partes.

Ao mesmo tempo, o Irã firmou o compromisso de não desenvolver nem adquirir armas nucleares, enquanto ambos os países negociam um mecanismo, sob supervisão da AIEA, para tratar do estoque de urânio enriquecido e de outras questões relacionadas ao programa nuclear iraniano. O texto ainda prevê que, caso não seja firmado um acordo definitivo, as partes manterão o status quo: o Irã preservará seu atual programa nuclear e os Estados Unidos não aplicarão novas sanções nem ampliarão sua presença militar na região.

Por fim, o memorando prevê a criação de um mecanismo executivo para monitorar o cumprimento das medidas previstas e da futura implementação do acordo definitivo, que deverá ser concluído em até 60 dias em diversos pontos pendentes e posteriormente endossado por uma resolução vinculativa do Conselho de Segurança da ONU.

Apesar da assinatura do acordo, representantes dos dois países ainda discutiram nesta semana os mecanismos de implementação. No entanto, um porta-voz da Casa Branca informou que o vice-presidente desistiu da viagem em que se reuniria com negociadores iranianos na terça-feira.


 

 

Medida da gestão Trump gera reprovação do Governo Brasileiro
por
Marco Nery
Maria Luiza de Abreu
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09/06/2026 - 12h

 

O anúncio da decisão foi feito na última quinta-feira (28) pelo secretário de Estado do governo norte-americano, Marco Rubio, um dia após encontro com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). As facções serão denominadas como “Terroristas Globais Especialmente Designados” e como “Organizações Terroristas Estrangeiras”. Segundo o Departamento de Estado, as definições devem entrar em vigor oficialmente a partir do dia 5 de junho, quando forem publicadas no Diário Oficial Americano. 

O decreto americano intensifica ações militares contra facções. Foto: Marcelo Horn/ Wikimedia Commons
O decreto americano intensifica ações militares contra facções. Foto: Marcelo Horn/ Wikimedia Commons

Apesar da divulgação recente, o assunto já vinha sendo discutido há alguns meses na Casa Branca. O pronunciamento oficial definiu o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como duas das organizações criminosas “mais violentas do Brasil”. O comunicado justifica a medida ao apontar que os grupos “orquestraram ataques brutais contra policiais, autoridades públicas e civis”, estendendo suas ações ilícitas para além das fronteiras nacionais.

De acordo com o texto, a estratégia da gestão de Donald Trump busca impedir o financiamento do crime organizado ao “interromper o fluxo de receitas que financia os narcoterroristas”, sendo juridicamente amparada pela Lei de Imigração e Nacionalidade dos Estados Unidos.

Em entrevista à AGEMT, a internacionalista e especialista em políticas públicas Luciana Maselli explica que o efeito mais rápido da ação tomada em Washington não será militar, mas sim regulatório. A pressão recairá diretamente sobre o  meio corporativo brasileiro que opera com a moeda norte-americana.

“O efeito que se sente primeiro recai sobre bancos, traders, seguradoras, operadores portuários e empresas com pagamentos em dólar. O incentivo dessas instituições é o ‘de-risking’: cortar relações, travar contratos e revisar severamente clientes para evitar exposição à sanções secundárias e ao crime federal americano de “material support” (apoio material)”, explica Maselli.

A especialista também avalia, que uma onda de prisões sob a acusação de terrorismo é improvável no Brasil devido aos critérios da legislação nacional.

“A base legal interna não mudou. A Lei Antiterrorismo (Lei 13.260/2016) exige motivação de xenofobia, discriminação ou preconceito, filtro que as facções de lucro criminal dificilmente preenchem. O que tende a aumentar é a repressão por organização criminosa, tráfico e lavagem, com mais bloqueio de ativos e isolamento de lideranças prisionais", analisa 

Outros países já começaram esse movimento de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Em outubro do ano passado, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, assinou um decreto que classificou as ações desses grupos como atos terroristas. Na prática, a medida permitiu que o país utilizasse suas Forças Armadas no combate ao crime organizado e que integrantes dessas organizações fossem submetidos a penas mais severas. 

A Argentina, governada por Javier Milei, seguiu um caminho semelhante ao incluir o PCC e o Comando Vermelho (CV) no Registro Público de Pessoas e Entidades Vinculadas a Atos de Terrorismo (REPET), enquadrando as duas organizações como narcoterroristas. Com isso, as Forças Armadas argentinas passaram a auxiliar na vigilância e no patrulhamento de áreas consideradas estratégicas para o combate ao tráfico de drogas.

A medida anunciada pelo governo dos Estados Unidos pode acionar leis de alcance extraterritorial, como o Patriot Act, que exige que corporações internacionais comprovem a ausência de vínculos com os grupos citados. Para a especialista ouvida pela AGEMT, isso gera uma “extraterritorialidade indireta”, onde diretrizes americanas moldam o mercado brasileiro por canais privados de compliance (conformidade), sem passar pelas instituições nacionais. 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e integrantes do governo federal criticaram a decisão americana. Lula também comentou a atuação de Flávio Bolsonaro, afirmando que o parlamentar busca uma intervenção estrangeira em assuntos internos do Brasil. Em resposta, o senador afirmou que o governo estaria sendo leniente no enfrentamento ao PCC e ao Comando Vermelho.

O Palácio do Planalto divulgou uma nota em resposta à decisão dos Estados Unidos, reafirmando o compromisso do governo brasileiro com o combate ao crime organizado e destacando diversas frentes de atuação da União. O documento afirma que a cooperação internacional é bem vinda, desde que respeite a soberania nacional.

Entenda os fatores econômicos que aumentaram o orçamento de viagens dentro da LATAM para brasileiros
por
Julia Naspolini
Renata Bittar
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27/03/2026 - 12h

Viajar pela América Latina tem ficado cada vez mais caro para brasileiros devido à combinação de fatores como inflação regional, variação de câmbio e aumento nos custos de turismo. Destinos como Chile e Colômbia, anteriormente considerados econômicos, já não cabem com facilidade no orçamento do brasileiro. Em países como Argentina, Chile e Colômbia, o aumento do dólar elevou os preços de serviços turísticos, bem como aumento nas passagens aéreas e nos custos com hospedagem e alimentação. Além disso, as irregularidades na taxa de inflação de alguns países, em comparação ao Brasil, reduziram o poder de compra dos brasileiros. Não se pode dizer que a desvalorização do real é o único responsável.

Para entender o que mudou, conversamos com a professora e doutora em Ciências Econômicas da PUC-SP, Cristina Helena. Ela explicou que tem dois fatores fundamentais para esse entendimento: a diferença entre câmbio real e nominal e a influência do dólar no turismo. O câmbio nominal é o preço em unidades monetárias de uma moeda. Ou seja, é quanto uma moeda vale. Tomando como exemplo a Argentina, o câmbio nominal é quantos pesos argentinos um brasileiro consegue comprar com 1 real. É aqui que uma moeda valoriza mais que a outra. Como a moeda brasileira valorizou em relação à argentina, com 1 real é possível adquirir mais pesos do que antes. Já o câmbio real, é a capacidade de compra que um estrangeiro tem nesse país com sua moeda original. Muitas vezes, mesmo com a sua moeda original valorizada, o viajante não consegue adquirir muitas coisas, porque o câmbio real está "ruim”, explica Helena.

Ainda com o exemplo da Argentina, o país sofreu com uma inflação que aumentou muito o custo de vida. Então, quando um brasileiro viaja para lá, mesmo com o real estando mais valorizado que o peso, e ele conseguindo comprar um bom número de pesos com apenas 1 real, ele terá pouco poder de compra. O que antes ele conseguia adquirir com 20 pesos, por exemplo, com a disparada da inflação, ele hoje precisa de 60 pesos. Além disso, por uma questão de universalização da moeda, o dólar americano se tornou a principal moeda no turismo. A maioria dos hóteis, passeios, museus, cobram valores em dólar pelos seus serviços, o que não é diferente na rede hoteleira e turística de países da América Latina.

A professora Cristina Helena, desenhou dois gráficos que ajudam neste entendimento.

Índice de Taxa de Câmbio Efetiva Real
Índice de Taxa de Câmbio Efetiva Real

"Neste primeiro, vemos a taxa de câmbio efetivo real, mostrando como que a nossa moeda tem poder de compra no outro país. Toda vez que você vê essa taxa de câmbio caindo, é porque está ficando mais barato para a gente comprar lá fora. Toda vez que ela sobe, é porque está ficando mais caro a gente comprar lá fora.”, explicou a doutora.

Taxa de Câmbio dos países: Colômbia, Chile, Bolívia e Uruguai
Taxa de Câmbio dos países: Colômbia, Chile, Bolívia e Uruguai

Ela ainda acrescentou que, “já no segundo, toda vez que você vê aumentar o número, é sinal de que essa está ficando desvalorizada em relação ao dólar. Isso significa que para nós é mais barato ir para esse país. Aí, é ao contrário, porque a gente não está vendo o quanto da nossa moeda compra o deles. É o quanto da moeda deles compra em dólar. Então, se eles precisam de mais da moeda deles para comprar dólar, um dólar compra mais da moeda deles, então fica mais barato para a gente", diz. 

Outro agente importante na oscilação de preços de viagem, é a política econômica interna e externa dos países. A professora elucida, “O que afeta o valor da moeda nesses países? A capacidade que esses países têm de exportar e de importar, a capacidade que esses países têm de atrair recursos internacionais, como que os investidores olham para situações de risco nesses países. Então as condições políticas afetam o valor do dinheiro”, ressalta Helena.

Nos últimos dois anos, vários países da América Latina passaram por eleições, mudanças em seus chefes - o que mudou a condução da política econômica deles. E em alguns casos, novamente como a Argentina, essas mudanças foram vistas como positivas pelo mercado internacional. Dessa forma, o país recebeu mais investimentos estrangeiros, mais dólares e valorizou de volta sua moeda - aumentando o custo de viagem para os brasileiros.

Como o turismo foi afetado

A inflação e a mudança no câmbio, além de influenciarem a economia local de cada país, também afetam o comportamento do viajante. Carolina Thomazini, agente profissional de viagem, em entrevista à AGEMT, explica que a procura por destinos na América Latina não mudou, mas se tornou mais seletiva e criteriosa. “Agora há mais planejamento e busca real por custo X benefício, além dos passageiros buscarem cada vez mais por destinos que entregam experiências e não apenas viajar porque está barato”, afirma Thomazini. 

Apesar de serem destinos na América do Sul, os preços ainda são atrelados ao dólar, e por isso, ficaram mais caros. Ela explica que essa elevação dos valores ocorreu principalmente no Chile e Colômbia, devido a maior valorização da moeda em relação ao real. Além do câmbio, a pandemia do Covid-19 também contribuiu para a alta dos preços. “Notamos esse movimento de elevação dos preços, principalmente, no período pós-pandemia, com o reaquecimento do turismo e a pressão inflacionária no setor", diz Thomazini.

Quando questionada sobre as alternativas de destinos mais “em conta”, a agente afirma que os clientes têm buscado destinos nacionais como substitutos. Ainda que caros, destinos com nicho específico na América Latina que entregam uma experiência única do local, como Machu Picchu, no Peru, e Atacama, no Chile. Carol reforça que notou uma maior movimentação em viajantes que buscam por práticas esportivas e enogastronomia, experiência que harmoniza vinhos com pratos. Essa busca por destinos específicos aumenta a demanda turística nesses locais, pressionando as tarifas. “Não existe um destino barato que seja fixo por si só, e sim uma janela de oportunidades de acordo com as condições do momento.” Esse cenário é influenciado pelos altos custos e pela inflação local em cada país. “Tudo isso contribui de forma significativa na oferta da cadeia turística”.

A circulação massiva de conteúdos manipulados por inteligência artificial amplia a desinformação, influencia a opinião pública e transforma o ambiente digital em uma extensão estratégica dos conflitos armados
por
João Pedro Beltrame, Lucas Leal
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25/03/2026 - 12h

Nas primeiras horas após o início dos bombardeios coordenados desde Estados Unidos e Israel contra o território iraniano, no fim de fevereiro de 2026, cenas de Tel Aviv em chamas, caças F-35 abatidos no céu de Teerã e crateras gigantes em bases militares inundaram as redes sociais. Nenhum desses conteúdos era real. Todos haviam sido fabricados com ferramentas de inteligência artificial generativas (IAG) e compartilhados por milhares de pessoas sem a devida checagem dos fatos. A organização iraniana de verificação de fatos, Factnameh, integrante da Rede Internacional de Verificação de Fatos (IFCN), classificou o conflito de 2024-2025 como a primeira guerra da IA, por ter sido o primeiro grande embate militar em que IAGs tiveram papel central na disputa por percepção pública. 

Antes desse período, a desinformação aparecia em formatos mais previsíveis. Agora, ela chega com rostos convincentes, vozes sintéticas e cenários de destruição que nunca aconteceram. A pesquisadora Rawan Damen, diretora-geral da Arab Reporters for Investigative Journalism, descreve o fenômeno com precisão. "Com a interrupção da internet no Irã e uma narrativa oficial rigidamente controlada nos países do Golfo, abriu-se um grave vácuo de notícias, que está sendo rapidamente preenchido por desinformação impulsionada por inteligência artificial.  É nesse vácuo que as fakes news encontram solo fértil para crescer", diz Damen.

Os efeitos desses vídeos não se restringem à confusão do público nas redes sociais. Para organismos internacionais, o fenômeno tem impacto direto sobre a segurança de civis. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha afirma que, em conflitos armados, a conectividade digital é simultaneamente vital e vulnerável. Ao mesmo tempo em que permite que civis encontrem rotas de fuga, hospitais e serviços essenciais, também amplia, em escala e velocidade inéditas, a circulação de conteúdos falsos ou manipulados.

“A desinformação pode ser compreendida como uma atualização da violência simbólica. "Hoje, mesmo com maior disponibilidade de câmeras e redes de informação, conseguir distorcer a realidade é um poder absurdo.” afirma Artur Ferreira, jornalista e mestre em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, pela PUC-SP, sobre esses esses acontecimentos que fazem parte de um novo tipo de violência simbólica.

“É o desejo dos criadores desses conteúdos falsos de querer influenciar decisões militares, mas é difícil mensurar o quanto isso realmente impacta, seja por barreiras como o sigilo de Estado. Eles podem contribuir para um plano de fundo que futuramente vire algo catastrófico ", comentou sobre as postagens fakes.

Artur Ferreira, jornalista e mestre pela PUC-SP em tecnologias da Inteligência e Design Digital
Artur Ferreira, jornalista e mestre pela PUC-SP em tecnologias da Inteligência e Design Digital

Ferreira afirmou que não é uma tarefa simples quantificar o impacto direto dessas práticas. Elas contribuem para a formação de opinião popular que sustentam visões distorcidas da realidade, já que a opinião pública está construída diretamente ao consumo de informação. “E influenciar nossa percepção de mundo é o objetivo central desses grupos”, explicou Ferreira. 

As postagens falsas nas redes sociais, além de atenderem a interesses políticos, também funcionam como uma forma de gerar lucro. Conteúdos sobre guerras, com imagens catastróficas produzidas por IA, geram grande repercussão e acabam sendo monetizados devido ao alto engajamento, impulsionado por usuários que questionam se o material é real. As plataformas também tendem a lucrar com a circulação desses conteúdos virais. Despertam a curiosidade do público, levando muitas pessoas a recorrerem às redes sociais para tentar entender o conflito ou compartilhar informações. No entanto, esse movimento também contribui para a disseminação de conteúdos falsos ou imprecisos.

Imagens geradas por inteligência artificial— (fonte: BBC News)
Imagens de Tel Aviv em chamas gerada por IA — fonte: BBC News 

Esse vídeo, sem origem definida, foi repostado pelo portal Globe Eye News na plataforma X com milhares de visualizações e compartilhamentos em diferentes redes sociais. O post foi questionado por alguns usuários, que chegaram a perguntar ao chatbot de IA do X, o Grok, para perguntar se o vídeo era real ou falso. O chatbot insistiu com a resposta de que o vídeo gerado com IA era real. O post foi excluído posteriormente. 

A rede social, X, possui as notas da comunidade como ferramenta de colaboração, que permitem aos usuários ajudar a dar informações corretas em um post potencialmente falso. A nota só será exibida no post se um número suficiente de colaboradores concordarem que ela é útil.

 

Apesar de ações encabeçadas por Reino Unido, França e Alemanha, posição defensiva segue como empecilho a Trump e Netanyahu
por
Vítor Nhoatto
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25/03/2026 - 12h

No dia 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel deram início à operação “Fúria Épica”, bombardeando o Irã e matando o seu líder teocrático, Ali Khamenei. Desde então, a tensão no Oriente Médio só aumentou, com desdobramentos em países como Líbano, Iraque e Arábia Saudita, o que preocupa o mundo e principalmente líderes europeus.

As consequências do conflito entre Rússia e Ucrânia ainda perturbam a União Europeia, devido a proximidade geográfica e a crise no abastecimento de gás e óleo russo por exemplo. Israel e Palestina mais recentemente abalaram ainda mais a área de defesa, que recebeu um aumento de 98% nos gastos de 2024 para 2025, chegando a €392 bilhões segundo a Agência Europeia de Defesa (EDA).

Nesse sentido, as principais potências militares do bloco têm seguido uma linha cuidadosa e estratégica em relação à mais nova zona de guerra no Oriente. 

O primeiro líder  recebido no salão oval após o início do conflito foi Friedrich Merz, chanceler alemão, no dia 3 de março. No encontro com Donald Trump ele alegou que “estava na mesma página” em relação às intenções de “libertar” o Irã do regime teocrático que a Casa Branca defende derrubar. 

Em 1979 o país passou pela chamada Revolução Iraniana, que acabou com a monarquia imperialista na época. O levante popular foi celebrado e instituiu o islamismo como base politica, mas logo passou a ser visto como antidemocrático e prejudicial à influência do Ocidente na região. Disputas principalmente com a Arábia Saudita, aliado histórico dos Estados Unidos, pelo controle dos recursos dos países vizinhos vem causando tensões constantes. 

Alemanha

Justamente tais instabilidades preocupam o democrata Merz, que destacou ainda que o conflito “é muito prejudicial à economia, e que espera um fim o quanto antes possível”, se limitando a defender suas bases militares e aliados, e não contra-atacar ou retaliar o Irã, como solicitado pelos EUA. 

Para apaziguar os ânimos, a reunião seguiu para o aumento nos gastos com segurança que o bloco tem feito, aplaudidos pelo líder estadunidense. Alemanha e França representaram quase 50% dos €392 bilhões que o bloco injetou no último ano. 

No entanto, essa divergência na política internacional não é recente, e vem desagradando os europeus. Durante a Conferência para Segurança realizada anualmente em Munique, o chanceler criticou o temperamento imprevisível de Trump. “Uma profunda divisão se abriu entre a Europa e os Estados Unidos [...] nossa segurança não está mais garantida e a Europa precisa estar preparada para fazer sacrifícios”, defendeu Merz.

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Vice-presidente dos EUA, JD Vance, cumprimentou Merz e participou do encontro no salão oval no dia 3 de março com Trump - Foto: The White House  / Divulgação

O clima de hostilidade se intensificou principalmente após as ameaças dos Estados Unidos de anexar a Gronelândia em janeiro. A região autônoma sob defesa da Dinamarca, membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), foi interpretado como um ataque inesperado a um aliado, em que Trump alegou que até estaria disposto a usar a força em um primeiro momento para conquistar o controle do território 

Mais tarde na Suíça, durante o Fórum Econômico de Davos, Trump voltou atrás declarando que o uso da força não estava mais em cogitação. Mesmo assim, a confiança parece ter sido quebrada, e aliados históricos seguem criticando a política estadunidense e defendendo uma emancipação europeia no âmbito de defesa. 

França

O presidente francês Emmanuel Macron em 2 de março, dois dias após o início da guerra com o Irã, anunciou um plano francês de investimento massivo em defesa nuclear. “O que eu mais quero, como vocês já devem ter percebido, é que os europeus retomem o controle do seu próprio destino”, afirmou durante evento na base de submarinos nuclear “Ile Longue”.

Porém, além de demonstrar as articulações políticas visando as eleições presidenciais no país no ano que vem, a medida reforça o recado à Casa Branca. A tática de se armar nuclearmente é uma estratégia antiga de dissuasão, que visa prevenir conflitos ao demonstrar alto poder de defesa e ataque. Não à toa, o pronunciamento direto em relação ao Irã veio em seguida no dia seguinte. 

Em pronunciamento após ataque às bases militares inglesas no Chipre, Macron anunciou que estava se envolvendo no conflito “estritamente com uma postura de auto defesa e apoio à seus aliados”. Além de não autorizar o uso de suas bases pelos EUA e Israel atacarem o Irã, ele defendeu que os ataques “foram realizados fora do quadro do direito internacional, o que não podemos aprovar”. 

Na ocasião, foi anunciado que o porta-aviões Charles de Gaulle foi para a costa do Mediterrâneo em sinal de defesa e apoio ao Chipre, membro da União Europeia, e aliados históricos no Golfo. Alguns exemplos são o Catar, com quem tem desde 1994 um acordo bilateral de cooperação de defesa, e os Emirados Árabes Unidos, com medida parecida assinada em 1995.  

O líder francês pediu por um cessar-fogo também, caso contrário, levaria ao que ele categorizou como uma “escalada perigosa e um erro estratégico” dos Estados Unidos. 

Reino Unido

Nessa mesma linha, o Reino Unido chateou o presidente americano, como ele mesmo alegou em coletiva de imprensa. Durante o mesmo evento com o chanceler alemão, Trump lamentou não estar trabalhando com Winston Churchill, em referência ao apoio militar e ataques que o então primeiro-ministro inglês ordenou durante a segunda guerra mundial.

A declaração veio em relação ao “não” do atual líder britânico, Keir Starmer, ao pedido de Trump para usar a base militar na ilha de Diego Garcia para atacar o Irã e aliados mesmo antes da guerra, em 20 de fevereiro.

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“É meu dever julgar o que é do interesse nacional da Grã-Bretanha”, destacou Starmer ao parlamento britânico ao optar por não se envolver diretamente na guerra - Foto: UK Parliament / Reprodução

Em 2 de março, após o episódio mencionado com o Chipre, a autorização foi exclusiva para uso defensivo, proibindo o lançamento de mísseis para ataque.  

De lá para cá as tensões entre os aliados históricos se mantiveram altas, com Starmer declarando em uma sessão no parlamento britânico que ele: “não estava disposto a fazer no sábado (28 de fevereiro) o Reino Unido entrar em guerra, a menos que eu estivesse convencido de que havia uma base legal e um plano viável e bem elaborado”. 

Mesmo não fazendo mais parte da União Europeia (UE) desde 2016 com o Brexit, o Reino Unido tem se mostrado disposto a uma aproximação e cooperação maior com a Europa, em resposta à política dos EUA. São exemplos o suporte à Ucrânia em acordo à visão da UE, e a intenção de Macron em estreitar laços com o Reino Unido com seu plano nuclear de defesa.

Espanha

Ainda no salão oval com o líder alemão, a península ibérica foi o último ataque direto de Trump. Com uma linha ainda mais dura que as alegações direcionadas a Starmer, o presidente alegou que “cortaria as relações com a Espanha, um parceiro terrível, e que se quisesse poderia usar as bases espanholas”. 

Com isso, a resposta do primeiro-ministro Pedro Sanchez foi rápida e concisa: “A posição do governo espanhol pode ser resumida em três palavras: não à guerra”. 

No comunicado à imprensa com o objetivo de reafirmar o lado que o país escolhia, Sanchez classificou os ataques americanos-israelenses, e a guerra como um todo, como ilegais e desumanos. Ele se solidarizou aos países atacados como forma de retaliação pelo Irã, reforçando que não apoia o regime do país, mas que escolhia o lado da lei internacional e da paz acima de tudo.

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Protestos contra a guerra no Irã aconteceram na Espanha no último dia 14 em cidades como Sevilha e a capital Madrid - Foto: Greenpeace España / Divulgação

A expressão “não à guerra” foi escolhida por fazer alusão aos protestos internacionais contra o que ele classificou como “erro do passado”, a Guerra do Iraque em 2003. Na época o presidente George W. Bush, atacou o país sob a alegação de desenvolvimento de  armas de destruição em massa por Saddam Hussein.

Dois anos antes, o ataque de 11 de setembro assombrava a segurança dos EUA, mas constatou-se que o Iraque não tinha as armas usadas como pretexto, e que o interesse era nas reservas de petróleo do país. Em 2011 após milhares de protestos pelo mundo as tropas foram retiradas do território iraquiano, com um saldo de milhões de mortos, um cenário político violento e longe da democracia que Bush prometeu instaurar.  

Tudo isso para Sánchez deveria ser uma lição em relação ao Irã hoje, se mantendo firme na posição de ser contra esse “desastre” como enfatizou, exigindo um cessar-fogo.

Próximos passos

Próximo de completar um mês da guerra e novo líder no Irã, um acordo de paz segue fora do tabuleiro, pelo menos do lado de lá. O governo alemão endureceu o tom na quarta (18): "Washington não nos consultou e não considerou necessária a assistência europeia [...] Enquanto a guerra continuar, não participaremos dela", defendeu Merz no Bundestag, o parlamento alemão.

O chanceler fazia referência ao pedido de Trump por ajuda da OTAN para manter o Estreito de Ormuz aberto, fechado desde o início do conflito. Pela passagem passam muitos navios de produtos e principalmente petróleo, que apresenta mais de 40% de aumento no preço do barril do tipo Brent desde final de fevereiro, segundo a Business Inside. 

Na mesma linha, o presidente francês declarou que defender a lei internacional e promover a desescalada é o melhor caminho. “Não ouvi ninguém aqui expressar a vontade de entrar nesse conflito, muito pelo contrário”, enfatizou na Cúpula da UE realizada em Bruxelas no último dia 20.

Durante o evento, Ursula Von der Leyen, presidente do bloco, reforçou a necessidade de um cessar-fogo no conflito “extremamente perigoso para além da região”, além da proteção de civis e infraestrutura. Seu posicionamento continua na defesa e solidariedade aos aliados no Golfo, especialmente o Chipre, e que uma crise energética pode ocorrer se a guerra persistir.

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“É de extrema importância que se chegue a uma solução negociada para pôr fim às hostilidades”, voltou a defender Leyen no último dia 24 - Foto: The European Commission / Divulgação

Sobre essa preocupação, o primeiro-ministro inglês anunciou no dia 21 que os EUA poderiam usar as bases do país também para atacar, se distanciando dos parceiros europeus. Starmer defendeu que o foco se mantém defensivo, no entanto, caracterizando os bombardeios agora autorizados de suas instalações como auto-defesa, mirando alvos iranianos no Estreito de Ormuz. 

Na península ibérica, Sanchez ordenou na segunda-feira (23), através de suas redes sociais, que o estreito seja reaberto também, e a infraestrutura da região preservada. Por lá passam cerca de 20 milhões de barris por dia, um quinto do total, causando a maior interrupção de fornecimento do mundo segundo a Agência Internacional de Energia (IEA). 

“Uma escalada ainda maior poderia desencadear uma crise energética de longo prazo para toda a humanidade”, defende o primeiro-ministro espanhol após lembrar o preço em vidas de uma guerra.
 

O país alega “divergências profundas”, mas pode enfrentar isolamento financeiro e científico
por
Anna Cândida Xavier
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23/03/2026 - 12h

Nesta terça-feira (17), o governo de Javier Milei formalizou a saída da Argentina da Organização Mundial de Saúde (OMS). A decisão havia sido anunciada em 5 de fevereiro de 2025, seguindo os passos dos Estados Unidos, que se retiraram da organização logo após a posse de Donald Trump. 

Milei fala em palanque
Presidente da Argentina busca soberania nacional ao sair da OMS. Fonte: Reprodução/@javiermilei

 

A saída do país da OMS foi anunciada pelo porta-voz da Casa Rosada, Manuel Adorni. O governo argentino afirmou que a decisão tem como objetivo “ordenar, atualizar e tornar mais transparentes estruturas e processos que, por anos, funcionaram com sobreposições, normas obsoletas e escassa supervisão”. 

De acordo com o jornal argentino "La Nación", o argumento oficial utilizado pelo governo argentino em fevereiro de 2025 foi o custo de ser membro do organismo, estimado em cerca de US$ 10 milhões por ano (cerca de R$ 58 milhões). Além disso, acrescentaram que é preciso considerar os gastos com salário, diárias e assessores do representante argentino na entidade.

A decisão também foi justificada pelo governo como uma resposta às “profundas divergências” com a OMS durante a gestão da pandemia de Covid-19 – declaração alinhada à da Casa Branca. O governo argentino alega que “as recomendações da OMS são ineficazes porque não são baseadas na ciência, mas em interesses políticos e estruturas burocráticas que resistem a revisar seus próprios erros”. Em 2025, no X, o presidente Javier Milei classificou a agência como “nefasta e o braço executor daquela que foi a maior experiência de controle social da história”. 

 

Declaração de Milei no X
Foto: Reprodução/@JMilei

Após a saída formal da Argentina, o Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, enfatizou que “a segurança sanitária exige universalidade” e que a decisão do governo Milei é prejudicial “tanto para a Argentina quanto para o resto do mundo”. Deixar a OMS pode elevar os custos para o acesso a vacinas e tratamentos, além de deixar o país mais vulnerável a crises de saúde sem o apoio técnico e financeiro da organização.

No entanto, o chanceler Pablo Quirino, em postagem no X afirmou que “a Argentina continuará a promover a cooperação internacional em saúde por meio de acordos bilaterais e fóruns regionais, preservando plenamente sua soberania e sua capacidade de tomar decisões sobre políticas de saúde”. A Argentina continua sendo membro da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), porém, Tedros deixou claro que as divergências do país com a OMS impactam sua relação com a OPAS. 

Declaração de Pablo Quirno no X
Foto: Reprodução/@pabloquirno

A Organização Mundial de Saúde, fundada em 1948, é responsável por coordenar esforços internacionais em saúde pública. Conta com 194 países membros e tem como missão promover a saúde e coordenar respostas a emergências globais de saúde. 

Um relatório do Conicet (Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas), principal instrumento de pesquisas científicas da Argentina, indica que a saída também poderá isolar o país da comunidade científica.

Essa postura da Argentina se alinha à decisão dos Estados Unidos, que também anunciou sua saída da organização no início de 2025. Mas, diferente dos EUA, a Argentina depende de colaboração internacional para seus programas de saúde.

Trump recebeu Milei na Casa Branca em outubro de 2025, reforçando a aliança entre os dois.
Trump recebeu Milei na Casa Branca em outubro de 2025, reforçando a aliança entre os dois. Fonte: Reprodução/@javiermilei

 

Ministro dos Esportes, Ahmad Donyamali, afirma que ataques inviabilizam a ida da seleção ao Mundial
por
Victória Miranda
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17/03/2026 - 12h

A participação do Irã na Copa do Mundo de 2026 está por um fio. Em uma declaração concedida à TV Estatal do país, na última quarta-feira (11), o Ministro dos Esportes iraniano, Ahmad Donyamali, afirmou que o país não possui condições de participar do torneio devido ao conflito militar contra os Estados Unidos e Israel.“Desde que este governo corrupto assassinou nosso líder, não há circunstâncias em que possamos participar da Copa do Mundo”, disse Donyamali.

Seleção iraniana foi a terceira a se classificar para a Copa do Mundo. Foto: Reprodução/Instagram/@teammellifootball
Seleção iraniana foi a terceira a se classificar para a Copa do Mundo. Foto: Reprodução/Instagram/@teammellifootball

O anúncio ocorre em um dos momentos mais instáveis da história recente do Oriente Médio. O Irã sofre bombardeios desde o dia 28 de fevereiro, iniciados pelos governos estadunidenses e israelenses com o objetivo de acabar com o programa nuclear do país e enfraquecer o regime teocrata xiita. Ofensiva que resultou na morte do líder supremo, Ali Khamenei.

Na quinta-feira (12), seu sucessor e filho, Mojtaba Khamenei, se pronunciou pela primeira vez como o novo Aiatolá. No discurso, ele lamentou a morte do pai e antecessor, pediu para países vizinhos fecharem bases americanas em seus territórios e que a população se mantenha unida e prometeu vingança pelos mortos na guerra.

No mesmo dia, o presidente estadunidense, Donald Trump, postou um comunicado em uma rede social, dizendo que a seleção do Oriente Médio será bem-vinda, mas aconselhou a equipe a não participar.

“A seleção iraniana de futebol é bem-vinda à Copa do Mundo, mas realmente não acredito que seja apropriado que estejam lá, para a própria segurança deles. Obrigado pela atenção neste assunto! Presidente DONALD J. TRUMP”, escreveu o líder na rede "Truth".

Declaração oficial de Trump. Foto: Reprodução/@realDonaldTrump

Declaração oficial de Trump. Foto: Reprodução/@realDonaldTrump

Em resposta à declaração de Trump, a seleção iraniana rebateu e disse que ninguém pode retirá-los da competição, já que se classificaram legitimamente."A Copa do Mundo é um evento histórico e internacional e seu órgão regulador é a Fifa – não qualquer indivíduo ou país. A seleção nacional do Irã, com sua força e uma série de vitórias decisivas conquistadas pelos bravos filhos do Irã, esteve entre as primeiras equipes a se classificar para este grande torneio. Certamente, ninguém pode excluir a seleção nacional do Irã da Copa do Mundo; o único país que poderia ser excluído é aquele que ostenta apenas o título de "anfitrião", mas não tem capacidade para garantir a segurança das equipes participantes deste evento global", disse o comunicado publicado no perfil oficial da seleção iraniana.

Classificação para a Copa do Mundo

O país garantiu vaga em sua quarta Copa do Mundo consecutiva após terminar na liderança isolada do Grupo A da terceira fase das Eliminatórias Asiáticas no ano passado. Após os sorteios dos jogos da competição, ele está no Grupo G com Bélgica, Egito e Nova Zelândia. Os três jogos estão previstos para acontecer justamente nos EUA, com duas partidas em Los Angeles, cidade que abriga a maior comunidade iraniana fora do Irã (cerca de 200 mil), e uma em Seattle.

O que acontece agora?

A Copa do Mundo da Fifa será disputada entre os dias 11 de junho a 19 de julho, nos Estados Unidos, México e Canadá. Caso a saída da seleção iraniana seja confirmada oficialmente, a Fifa decidirá o que deve ser feito.

Há menos de 90 dias do campeonato mundial, a participação do Irã é incerta. Foto: Pixabay
Há menos de 90 dias do campeonato mundial, a participação do Irã é incerta. Foto: Pixabay

 

Segundo o artigo 6.7 do regulamento da competição, caso alguma das equipes for retirada ou excluída da Copa do Mundo Fifa 26, a Fifa pode substituir o time em questão por outra associação. Sendo assim, uma alternativa seria manter o Grupo G com apenas três seleções, o que reduziria o número de jogos e mexeria com o calendário do torneio.

Outra possibilidade seria substituir o Irã por uma seleção vinda da repescagem intercontinental e abrir uma vaga extra no mata-mata classificatório. Nova Caledônia, Jamaica, Bolívia, Suriname, Congo e Iraque disputam duas vagas, e uma terceira equipe poderia herdar o lugar no Mundial. Uma terceira opção é o Iraque ficar com a vaga do Irã, e os Emirados Árabes Unidos herdarem a vaga asiática na repescagem. 

De acordo com as regras da FIFA, o país desistente pode ser punido com uma multa de pelo menos 250 mil francos suíços (aproximadamente R$ 1,6 milhão) caso abandone o torneio em até 30 dias antes do início. 

Se a desistência for oficializada a menos de 30 dias da estreia, o valor sobe para 500 mil francos suíços (R$ 3,2 milhões). O regulamento prevê ainda que a federação deverá reembolsar todos os valores recebidos para a preparação da equipe e contribuições relacionadas ao torneio. 

Além do prejuízo financeiro, o Comitê Disciplinar da FIFA pode aplicar sanções severas, como a exclusão de competições subsequentes da entidade. No entanto, o artigo 6.3 ressalta que, caso o abandono seja provocado por “casos de força maior reconhecidos pela FIFA” — como o atual cenário de guerra e ataques sofridos pelo país —, existe a possibilidade da seleção iraniana se livrar das punições.

Até o momento, a FIFA não se pronunciou sobre a possível desistência. Já o secretário geral da Confederação Asiática de Futebol (AFC), Windsor Paul John, afirmou na manhã desta segunda-feira (16), em entrevista coletiva na sede da Confederação em Kuala Lumpur, Malásia, que a seleção iraniana ainda planeja continuar na competição.

O secretário também destacou o desejo de ver a seleção em campo: "Esperamos que resolvam seus problemas e que possam participar da Copa do Mundo”.