O anúncio da decisão foi feito na última quinta-feira (28) pelo secretário de Estado do governo norte-americano, Marco Rubio, um dia após encontro com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). As facções serão denominadas como “Terroristas Globais Especialmente Designados” e como “Organizações Terroristas Estrangeiras”. Segundo o Departamento de Estado, as definições devem entrar em vigor oficialmente a partir do dia 5 de junho, quando forem publicadas no Diário Oficial Americano.
Apesar da divulgação recente, o assunto já vinha sendo discutido há alguns meses na Casa Branca. O pronunciamento oficial definiu o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como duas das organizações criminosas “mais violentas do Brasil”. O comunicado justifica a medida ao apontar que os grupos “orquestraram ataques brutais contra policiais, autoridades públicas e civis”, estendendo suas ações ilícitas para além das fronteiras nacionais.
De acordo com o texto, a estratégia da gestão de Donald Trump busca impedir o financiamento do crime organizado ao “interromper o fluxo de receitas que financia os narcoterroristas”, sendo juridicamente amparada pela Lei de Imigração e Nacionalidade dos Estados Unidos.
Em entrevista à AGEMT, a internacionalista e especialista em políticas públicas Luciana Maselli explica que o efeito mais rápido da ação tomada em Washington não será militar, mas sim regulatório. A pressão recairá diretamente sobre o meio corporativo brasileiro que opera com a moeda norte-americana.
“O efeito que se sente primeiro recai sobre bancos, traders, seguradoras, operadores portuários e empresas com pagamentos em dólar. O incentivo dessas instituições é o ‘de-risking’: cortar relações, travar contratos e revisar severamente clientes para evitar exposição à sanções secundárias e ao crime federal americano de “material support” (apoio material)”, explica Maselli.
A especialista também avalia, que uma onda de prisões sob a acusação de terrorismo é improvável no Brasil devido aos critérios da legislação nacional.
“A base legal interna não mudou. A Lei Antiterrorismo (Lei 13.260/2016) exige motivação de xenofobia, discriminação ou preconceito, filtro que as facções de lucro criminal dificilmente preenchem. O que tende a aumentar é a repressão por organização criminosa, tráfico e lavagem, com mais bloqueio de ativos e isolamento de lideranças prisionais", analisa
Outros países já começaram esse movimento de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Em outubro do ano passado, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, assinou um decreto que classificou as ações desses grupos como atos terroristas. Na prática, a medida permitiu que o país utilizasse suas Forças Armadas no combate ao crime organizado e que integrantes dessas organizações fossem submetidos a penas mais severas.
A Argentina, governada por Javier Milei, seguiu um caminho semelhante ao incluir o PCC e o Comando Vermelho (CV) no Registro Público de Pessoas e Entidades Vinculadas a Atos de Terrorismo (REPET), enquadrando as duas organizações como narcoterroristas. Com isso, as Forças Armadas argentinas passaram a auxiliar na vigilância e no patrulhamento de áreas consideradas estratégicas para o combate ao tráfico de drogas.
A medida anunciada pelo governo dos Estados Unidos pode acionar leis de alcance extraterritorial, como o Patriot Act, que exige que corporações internacionais comprovem a ausência de vínculos com os grupos citados. Para a especialista ouvida pela AGEMT, isso gera uma “extraterritorialidade indireta”, onde diretrizes americanas moldam o mercado brasileiro por canais privados de compliance (conformidade), sem passar pelas instituições nacionais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e integrantes do governo federal criticaram a decisão americana. Lula também comentou a atuação de Flávio Bolsonaro, afirmando que o parlamentar busca uma intervenção estrangeira em assuntos internos do Brasil. Em resposta, o senador afirmou que o governo estaria sendo leniente no enfrentamento ao PCC e ao Comando Vermelho.
O Palácio do Planalto divulgou uma nota em resposta à decisão dos Estados Unidos, reafirmando o compromisso do governo brasileiro com o combate ao crime organizado e destacando diversas frentes de atuação da União. O documento afirma que a cooperação internacional é bem vinda, desde que respeite a soberania nacional.
A disputa entre China e Estados Unidos é uma das principais tensões geopolíticas no mundo atual. Não é uma guerra direta, mas uma constante competição em várias áreas, da tecnologia à econômica e militar. As duas potências disputam a liderança global há décadas.
Após o final da Guerra Fria e o colapso soviético, os EUA ficaram sem um rival equivalente e o modelo capitalista liberal ganhou força. Enquanto isso, a China passava por uma grande transformação econômica, mantendo o controle do Partido Comunista Chinês, mas preparando as bases para a abertura ao mercado internacional. A rivalidade surgiu após o crescimento econômico rápido da China, que a tornou uma ameaça para a hegemonia estadunidense.
Os dois países querem ser o centro da economia mundial, ambos brigam com tarifas, acordos e influências sobre outros países. Enquanto a China lidera o mercado de exportação mundial, os EUA ainda dominam as finanças e grandes empresas.
A tecnologia é o campo mais sensível e estratégico dessa disputa, com a corrida pelo domínio no mercado de inteligência artificial no centro da batalha. A concorrência é tanta, que empresas como Huawei viraram alvo de restrições dos EUA, que tentam também limitar o acesso da China a chips avançados. Todavia, quem liderar a tecnologia, irá dominar o futuro.
Em entrevista à AGEMT, o professor do curso de Relações Internacionais na PUC-SP, Augusto Rinaldi, destacou que o crescimento tecnológico chinês pressiona setores sensíveis dos EUA, sobretudo os de semicondutores, inteligência artificial e equipamentos de fabricação de chips, porém ao mesmo tempo, o impacto é limitado pelo peso estrutural da economia americana. “Ainda que os dois países estejam engolfados numa "guerra comercial", eles são profundamente interdependentes; portanto, a queda de um afetará o outro”, comenta Rinaldi.
O governo Trump anunciou restrições severas de viagem contra a China caso Pequim não acelere a repatriação de cidadãos em situação irregular nos EUA. A ameaça ocorre às vésperas da visita de Trump a Pequim, que ocorrerá nos dias 14 e 15 de maio de 2026, onde o presidente deve cobrar Xi Jinping pessoalmente. Atualmente, há mais de 100 mil chineses indocumentados nos EUA e 30 mil deles já possuem ordens de remoção.
As preocupações quanto à função do Brasil em meio a essa disputa crescem conforme a situação de discórdia se agrava. Vale ressaltar que a China é o maior parceiro comercial do Brasil. Empresas chinesas investem em energia, portos e infraestrutura no país, o que torna o Brasil dependente da demanda chinesa. Por outro lado, os investimentos americanos no país também são expressivos, por mais que seu maior parceiro comercial seja a China, o Brasil ainda funciona dentro de um sistema liderado pelos EUA.
Rinaldi enfatiza que a disputa entre China e Estados Unidos pode interferir de forma relevante em outros países, inclusive no Brasil, cada vez mais cobiçado pelas duas grandes potências pela sua relevância em setores econômicos estratégicos. "A China não interfere nos assuntos domésticos dos países, ao passo que os EUA, em particular no governo Trump, têm desempenhado papel central no apoio a candidaturas e forças políticas de oposição ao governo Lula”, afirma o professor.
A relação da China e do Brasil dentro do BRICS é uma das mais importantes do bloco, atuando juntos para fortalecer economias emergentes. A China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009, empresas chinesas investem no Brasil em energia elétrica, infraestrutura, ferrovias e entre outros campos estratégicos. O BRICS representa uma parte enorme do mundo, com a economia chinesa sendo a maior do bloco.
Dessa forma, a decisão mais estratégica para o Brasil é não escolher um lado. O Brasil é a maior economia da América Latina, o que aumenta bastante seu valor geopolítico. O ideal seria manter negócios com o mercado chinês e estadunidense. Porém, essa posição apresenta desafios, como se tornar dependente ao extremo do capital chinesa e sofrer pressão política dos EUA, pois se a tensão aumenta, a neutralidade se torna impossível.
A disputa se tornou um assunto tão atual e discutido em debates que, recentemente, virou palco para um novo quadro divulgado no Fantástico. “Entre dois Mundos” foi criado pelo programa como uma forma mais dinâmica de mostrar como essa rivalidade pode moldar o cenário geopolítico atual. Apresentada pelo jornalista Felipe Santana, a série promete mostrar o desenvolvimento das duas grandes potências.
Diante desse cenário, outro fator que chama atenção é de como essa rivalidade torna a convivência mais delicada entre os países. Partindo do ponto de vista geopolítico, Rinaldi acredita que essas disputas podem contribuir para desestabilizar os mercados financeiros, podendo gerar uma grande crise econômica global. “Para países em desenvolvimento, o desafio nesse cenário é preservar o acesso a ambos os mercados e evitar os custos de alinhamento a um deles”, destaca o professor.
No dia 24 de abril o governo Trump aprovou a implementação de novas medidas nas políticas de pena de morte, que agora incluem pelotão de fuzilamento, para presos federais, além de cadeira elétrica, asfixia por gás nitrogênio e injeção letal. O comunicado foi emitido pelo Departamento de Justiça estadunidense (DOJ), que afirma cumprir uma ordem direta do presidente Donald Trump, para que sejam ampliadas e agilizadas as execuções no país.
A aprovação representa uma alteração no uso da pena de morte dentro da legislação, quando comparada com as políticas apresentadas no governo anterior. No fim de sua gestão, Joe Biden, após a confirmação da vitória de Trump nas urnas, trocou a sentença de 37 dos 40 condenados à injeção letal para prisão perpétua, a fim de evitar que estes fossem executados pelo republicano.
Na ocasião, em dezembro de 2024, o ex-presidente afirmou: “Em sã consciência, não posso recuar e deixar uma nova administração retomar as execuções que eu interrompi”. A comutação das penas ocorreu após o governo Biden acatar pesquisas do próprio Departamento de Justiça, que afirmavam que o método de execução “causava dor e sofrimento desnecessário”.
Após a aprovação de Donald Trump, o DOJ apontou em seu comunicado que a análise do governo democrata era “profundamente falha”: “A administração anterior fracassou em seu dever de proteger o povo americano”.
Veja o comunicado feito em post do perfil oficial do Departamento de Justiça na rede social X
Como será aplicada a nova lei
A pena de morte é prevista na legislação estadunidense, e a injeção letal, método utilizado por padrão no país, está presente no código penal. No entanto, esta política é descentralizada, o que significa que diferentes modos de execução são utilizados em cada estado.
Por base, 27 dos 50 estados do país tem a pena de morte legalizada, o que era, até então, aplicado para presos estaduais. O comunicado de Donald Trump se aplica como um parâmetro, buscando facilitar a execução das penas em nível federal, para casos onde a injeção letal não era possível ou fora ineficaz.
Como exemplo, em 2025, na Carolina do Sul, um homem foi executado através do pelotão de fuzilamento, na falta de disponibilidade do medicamento necessário para o método padrão. Atualmente, este método já é permitido em 5 estados do país: Carolina do Sul, Idaho, Mississipi, Oklahoma e Utah.
Um caso anterior, de 2024, no Alabama, também se popularizou quando um homem foi submetido à asfixia por gás nitrogênio como método, após falhas da injeção letal e adiamento da execução. O uso desta substância, no entanto, enfrentou denúncias após ser qualificado pela ONU como forma de tortura.
Esta mudança nas políticas penais dos EUA refletem promessas feitas por Donald Trump desde seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021. Na ocasião, o republicano retomou a pena de morte em nível federal após 20 anos de sua suspensão. Nos primeiros meses de mandato, seu governo executou 13 condenados por injeção letal. Nos 50 anos antes de sua posse, somente três pessoas haviam sido submetidas ao método.
No momento, mais de 40 presos federais aguardam julgamento que pode resultar na pena capital nos EUA. No entanto, esses processos ainda podem levar anos.
O esporte foi utilizado como instrumento político por ditaduras militares na América Latina, especialmente no Brasil, na Argentina e no Chile, entre as décadas de 1960 e 1980, período marcado por golpes de Estado e repressão. Governos autoritários desses países exploraram o enorme alcance popular do esporte para promover propaganda oficial, estimular o nacionalismo e desviar a atenção da população das violações de direitos humanos, seja por meio de grandes eventos como Copas do Mundo ou do controle sobre clubes, federações e estádios. Essa estratégia ocorreu porque o futebol, enquanto fenômeno de massa, possui alto poder de mobilização emocional, tornando-se uma ferramenta eficaz de legitimação política e controle social em contextos autoritários.
Durante esse período, os países afetados por regimes militares sofreram controle não apenas as instituições políticas, mas também as manifestações culturais. Nesse cenário, a modalidade esportiva, já consolidada como o principal fenômeno de massa do continente, passou a ocupar um lugar estratégico nas ações do Estado. Capaz de mobilizar sentimentos coletivos, reunir multidões e produzir símbolos nacionais, o esporte foi apropriado pelos governos como instrumento para sustentar discursos oficiais de ordem, progresso e unidade. Essa instrumentalização envolveu diferentes dimensões, como a propaganda governamental, o controle social por meio do entretenimento e a construção de um sentimento patriótico artificial em meio à repressão.
No Brasil, após o golpe civil-militar de 1964, o novo governo passou a intervir diretamente no universo esportivo. Os militares compreenderam que o futebol, não poderia permanecer distante das disputas de poder. A suspensão de competições logo após a ruptura democrática indicou que o Estado via o esporte como um espaço sensível à instabilidade política. Com o Ato Institucional nº 5, decretado em 1968, aprofundou o autoritarismo da ditadura militar ao suspender direitos civis, ampliar a censura e intensificar a repressão política, criando o contexto ideal para o uso do futebol como instrumento de propaganda e controle social. A aproximação entre o governo, a Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e dirigentes como João Havelange consolidou uma aliança que permitiu maior controle sobre a organização esportiva e sobre a imagem da Seleção Brasileira.
A conquista da Copa do Mundo de 1970, no México, tornou-se o maior símbolo do uso político desse fenômeno esportivo em nosso país. O tricampeonato mundial foi apropriado pelo regime do general Emílio Garrastazu Médici como prova da suposta grandeza nacional. Campanhas publicitárias e slogans, como “Pra Frente, Brasil” e “Brasil, ame-o ou deixe-o”, associaram o sucesso esportivo ao chamado “milagre econômico”, promovendo a ideia de um país próspero e em ascensão. Enquanto a população celebrava nomes como Pelé, Tostão e Jairzinho, a repressão se intensificava nos bastidores, com censura, tortura e desaparecimentos políticos. Tornando a modalidade uma poderosa ferramenta para encobrir a violência do Estado e legitimar o regime interna e externamente.
Na Argentina, a ditadura instaurada em 1976 pela junta militar liderada por Jorge Rafael Videla encontrou na Copa do Mundo de 1978 uma oportunidade estratégica de autopromoção internacional. O evento foi cuidadosamente planejado para apresentar o país como moderno, organizado e pacificado, apesar da existência de centros de detenção clandestinos e da prática sistemática de violações dos direitos humanos. O torneio ficou marcado por denúncias de censura à imprensa, perseguição política, desaparecimentos forçados e suspeitas de interferência nos resultados esportivos, como a polêmica goleada da Argentina sobre o Peru por 6 a 0. Historiadores como José Paulo Florenzano, apontam que o título mundial simboliza uma profunda contradição entre a euforia popular e o terror imposto pela autoridade estatal.
No Chile, o golpe de 11 de setembro de 1973, liderado por Augusto Pinochet, estabeleceu uma relação ainda mais brutal entre futebol e repressão. O Estádio Nacional de Santiago, principal palco esportivo do país, foi convertido em centro de detenção, tortura e execução, por onde, segundo levantamentos históricos e instituições de memória, estima-se que cerca de 40 mil prisioneiros políticos nos primeiros meses da ditadura. O espaço, tradicionalmente associado à celebração esportiva, transformou-se em símbolo do terror estatal. Um episódio emblemático desse período foi o boicote da União Soviética à partida contra o Chile, válida pela repescagem da Copa do Mundo de 1974, em protesto contra a realização do jogo em um estádio recentemente utilizado como campo de concentração.
Apesar do forte controle estatal, o futebol não se restringiu ao papel de instrumento da repressão. Em diferentes momentos, tornou-se também espaço de resistência política. No Brasil, a Democracia Corinthiana destacou-se como um dos movimentos mais significativos, ao defender a gestão democrática do clube e apoiar publicamente a campanha das Diretas Já no início dos anos 1980.
“Houve atuação direta de alguns jogadores contra a ditadura”, constatou a guia Renata
Liderados por jogadores como Sócrates, Casagrande e Wladimir, os atletas utilizaram sua visibilidade para questionar o autoritarismo. Além disso, torcidas organizadas, jornalistas esportivos e intelectuais passaram a empregar o futebol como linguagem simbólica para driblar a censura e ampliar o debate público.
Com o fim das ditaduras, a preservação da memória tornou-se fundamental para compreender o papel do futebol nesses regimes. Instituições como o Centro de Referência do Futebol Brasileiro (CRFB), ligado ao Museu do Futebol, dedicam-se à pesquisa, documentação e divulgação das relações entre esporte, política e direitos humanos. Em parceria com centros acadêmicos, como o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas, essas iniciativas contribuem para combater o apagamento histórico e aprofundar o debate sobre o passado autoritário do continente. Reconhecer que futebol e política sempre estiveram interligados é essencial para que o esporte deixe de ser instrumento de dominação e se consolide como espaço de cidadania, reflexão crítica e memória coletiva.
Nos últimos dias, dois dos americanos mais influentes do mundo trocaram farpas sobre o rumo dos conflitos mundiais: Donald Trump e o Papa Leão XIV. Enquanto o líder estadunidense intensifica seu discurso sobre a força militar no Oriente Médio, o Pontífice exalta os direitos humanos frente a um cenário de guerra que afeta a todos nos Estados Unidos e mundo afora.
No dia 31 de março, em declaração à imprensa, o Papa Leão XIV pediu por paz, cobrou a defesa da dignidade humana e reforçou a necessidade de Estados Unidos, Israel e Irã negociarem um cessar-fogo. O líder católico citou de maneira direta o presidente Donald Trump – diferente das críticas feitas por seus antecessores que não mencionavam chefes de Estado.
Uma semana depois, no dia 7 de abril, quando Trump ameaçou destruir a civilização iraniana, o Pontífice voltou a se manifestar. “Hoje, como todos sabemos, houve também essa ameaça contra todo o povo do Irã, e isso é verdadeiramente inaceitável”, afirmou. O líder convidou os fiéis a refletirem e rezarem pela vida de todos os inocentes, além de procurarem formas de se comunicar com os congressistas e outras autoridades americanas, pedindo o fim da guerra.
Imagem: Instagram/Reprodução @pontifex
No domingo, dia 12 de abril, durante a tradicional oração do meio-dia no Vaticano, o Papa retomou o tema da guerra mencionando o Líbano, que tem sido severamente bombardeado por Israel. “Estou mais próximo do que nunca do amado povo libanês nestes dias de tristeza, medo e esperança inabalável em Deus”, disse. Ele volta a fazer apelos às partes envolvidas no conflito para que cessassem o fogo e para que busquem juntos uma solução pacífica.
Poucas horas depois, Trump se pronunciou. Pela rede social Truth Social, o presidente dos Estados Unidos definiu o líder católico como “fraco no combate ao crime e péssimo em política externa”. Ele ainda acrescentou não querer um “Papa que ache que tudo bem o Irã ter arma nuclear”, mesmo não existindo nenhum registro emitido pelo Vaticano ou pelo próprio Pontífice defendendo o direito iraniano de possuir esse tipo de arsenal.
Imagem: X(Twitter)/ Reprodução @realDonaldTrump
No mesmo dia, Donald Trump publicou uma imagem gerada por inteligência artificial em que ele aparece como Jesus curando um doente. “Não sou um grande fã do Papa Leão: ele é uma pessoa muito liberal e não acredita em combater o crime”, reforçou ele em declaração à imprensa.
O presidente dos Estados Unidos ressaltou ainda que o Papa deveria agradecer, pois só foi colocado na lista de elegíveis para o cargo por ser americano. Isso porque seu antecessor, Papa Francisco, era acusado de não entender a Igreja dos Estados Unidos por ser latino-americano. Em vida, o Pontífice argentino criticou a hostilidade de Trump em relação aos imigrantes, além das intervenções americanas e dos incentivos militares pelo globo.
Imagem: Instagram/ Reprodução @realdonaldtrump
“Papa Francisco instituiu que era preciso olhar para as periferias [...] ele falou e viveu isso. Hoje, temos um Papa que veio da periferia”, afirma Boris Agustín Nef Ulloa, diretor da faculdade de Teologia da PUC-SP, na palestra “Sonhos de Francisco”. Ele ainda explica que o atual líder católico foi bispo em uma diocese perdida na Amazônia Peruana e que seus antecessores, em sua maioria, vieram de grandes arquidioceses, como Francisco - mesmo que na América Latina. “Esse Papa, que veio da periferia, tem mostrado, nessa última semana, a força e a coragem do evangelho como ajuda poderosa deste mundo”, conclui.
Em um avião a caminho da Argélia, no dia seguinte, o Papa Leão XIV respondeu às falas de Trump, dizendo não ter medo do presidente, nem de falar abertamente sobre a mensagem do Evangelho. “Sou chamado a fazer o que a Igreja é chamada a fazer. Acredito que a mensagem do Evangelho [...] é a mensagem que o mundo precisa ouvir hoje”, declara.