Em meio à instabilidade política, Starmer foi pressionado a renunciar
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Marcelo Barbosa
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30/06/2026 - 12h

 

O Primeiro-Ministro do Reino Unido, Keir Starmer, renunciou ao posto, em um discurso feito na Downing Street, a residência oficial dos governantes britânicos, na última segunda-feira (22).

No discurso lido durante o anúncio, Stamer afirmou que todas as decisões que ele tomou foram sobre colocar o país em primeiro lugar. Em seguida, declarou sua renúncia ao posto e disse que, antes de sua decisão, conversou com o rei para informá-lo sobre a escolha que tomou.

Ainda durante o discurso, Starmer homenageou a família e citou sua esposa, Vic, além dos filhos, que descreveu como “meu orgulho e alegria”. Em seguida, agradeceu e encerrou a coletiva.


Ao centro da tela, Keir Starmer sorri/ Reprodução: Instagram/ Keir Starmer



No Reino Unido, as eleições não podem ocorrer novamente após a renúncia e, por conta disso, o Partido Trabalhista será responsável por escolher um substituto. Com o anúncio, Starmer estabeleceu um cronograma para que a saída seja feita da melhor maneira.

O favorito para ocupar o posto é o ex-prefeito de Manchester, Andy Burnham, que era cotado junto do então maior rival em potencial, Wes Streeting, o ex-secretário da saúde, que desistiu de concorrer e anunciou apoio do antigo prefeito de Manchester.

O Primeiro-Ministro enfrentava uma pressão interna pelo Partido Trabalhista há alguns meses. Isso ocorreu porque Andy Burnham, conhecido no país como o principal opositor de Starmer no partido, conseguiu uma cadeira no Parlamento e, como resultado, criou uma pressão ao redor de Starmer.


A saída de Starmer revela um cenário de instabilidade no Reino Unido, que já contou com sete chefes de governo desde o Brexit, há dez anos atrás.

Com isso, o país enfrentou dificuldades para conduzir a economia, que apresentou baixo crescimento comparado ao cenário anterior ao Brexit. A economia apresentou déficits em razão das dívidas altas devido à volatilidade política.

Starmer se manteve no poder por menos de dois anos. Ele sofreu uma forte pressão no partido, que esperava que Starmer conduzisse a economia de uma maneira diferente da que ele apresentou.

O Partido esperava que Starmer fosse capaz de reverter a política de altos gastos nos serviços públicos. No entanto, as expectativas não foram atendidas, com aumentos de impostos - o que foi mal recebido pela sociedade e, como consequência, houve um recuo na medida.

Além disso, uma medida que causou polêmica no Reino Unido foi à aderência às políticas de migração brandas. Isso fortaleceu críticas de opositores, como de Nigel Farage, parlamentar na Câmara dos Comuns. Ainda houve um escândalo no governo, quando Starmer declarou que o indicado para a embaixada nos Estados Unidos, Peter Mandelson, não foi aprovado pelo sistema de segurança para acessar documentos do país e posteriormente deixou o cargo por envolvimento com Jeffrey Epstein.

Kier Stamer segue no cargo até a escolha de um sucessor.

O acordo, proposto e mediado pelo Paquistão, busca interromper temporariamente os confrontos na região
por
Marcelo Barbosa
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23/06/2026 - 12h

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um Memorando de Entendimento com o Irã, em Versalhes, na França, na última quarta-feira (17). O acordo interino também foi assinado pelo presidente do Parlamento Iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf.

De acordo com informações disponibilizadas pela Casa Branca, o presidente Donald Trump e o vice-presidente JD Vance assinaram o acordo com o intuito de impedir que o Irã obtenha armamentos nucleares, além da reabertura do Estreito de Ormuz para livre navegação internacional.

A Casa Branca afirmou, nas redes sociais, que Donald Trump resolveu a “ameaça iraniana”:
“O presidente Donald J. Trump resolveu uma ameaça que Washington passou quarenta anos tentando administrar: o Irã jamais terá uma arma nuclear. Uma vitória para os Estados Unidos”


 

Trump assina Memorando / Reprodução: Casa Branca
Trump assina Memorando no Palácio de Versalhes / Reprodução: Casa Branca



No texto do memorando, que foi lido em uma teleconferência com jornalistas na quarta-feira, foi estabelecido que deve haver um término imediato e permanente das operações militares que ocorrem em todas as frentes. Isso inclui a retirada do bloqueio naval imposto ao Irã. O processo deve ser concluído em até 30 dias, além de retirar suas forças nas proximidades do país no mesmo prazo. O conteúdo ainda estabelece que o acordo se estende também ao território do Líbano.

A previsão de encerramento imediato das operações militares também no território libanês provocou reação de Israel, que declarou não reconhecer o acordo e afirmou que continuará suas operações militares.


Em contrapartida, o Irã garantirá a livre e segura navegação comercial pelo Golfo Pérsico e pelo Estreito de Ormuz, a desminagem da região em até 30 dias já foi iniciada e está em negociação, com Omã e outros países litorâneos, um modelo de administração do estreito conforme o direito internacional.

O documento também prevê que os EUA, em conjunto com parceiros regionais, elaborem um plano de reconstrução e desenvolvimento econômico do Irã com orçamento mínimo de US$300 bilhões, além de conceder licenças para transações financeiras relacionadas ao plano.

O texto determina ainda que os Estados Unidos eliminem, de forma gradual e conforme o cronograma acordado, todas as sanções impostas ao Irã, isso inclui sanções unilaterais, resoluções do Conselho de Segurança da ONU e do Conselho de Governadores da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica). O país também é obrigado a emitir autorizações para a exportação de petróleo iraniano e liberar integralmente os fundos e ativos iranianos atualmente congelados, mediante procedimentos a serem definidos entre as partes.

Ao mesmo tempo, o Irã firmou o compromisso de não desenvolver nem adquirir armas nucleares, enquanto ambos os países negociam um mecanismo, sob supervisão da AIEA, para tratar do estoque de urânio enriquecido e de outras questões relacionadas ao programa nuclear iraniano. O texto ainda prevê que, caso não seja firmado um acordo definitivo, as partes manterão o status quo: o Irã preservará seu atual programa nuclear e os Estados Unidos não aplicarão novas sanções nem ampliarão sua presença militar na região.

Por fim, o memorando prevê a criação de um mecanismo executivo para monitorar o cumprimento das medidas previstas e da futura implementação do acordo definitivo, que deverá ser concluído em até 60 dias em diversos pontos pendentes e posteriormente endossado por uma resolução vinculativa do Conselho de Segurança da ONU.

Apesar da assinatura do acordo, representantes dos dois países ainda discutiram nesta semana os mecanismos de implementação. No entanto, um porta-voz da Casa Branca informou que o vice-presidente desistiu da viagem em que se reuniria com negociadores iranianos na terça-feira.


 

 

Medida da gestão Trump gera reprovação do Governo Brasileiro
por
Marco Nery
Maria Luiza de Abreu
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09/06/2026 - 12h

 

O anúncio da decisão foi feito na última quinta-feira (28) pelo secretário de Estado do governo norte-americano, Marco Rubio, um dia após encontro com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). As facções serão denominadas como “Terroristas Globais Especialmente Designados” e como “Organizações Terroristas Estrangeiras”. Segundo o Departamento de Estado, as definições devem entrar em vigor oficialmente a partir do dia 5 de junho, quando forem publicadas no Diário Oficial Americano. 

O decreto americano intensifica ações militares contra facções. Foto: Marcelo Horn/ Wikimedia Commons
O decreto americano intensifica ações militares contra facções. Foto: Marcelo Horn/ Wikimedia Commons

Apesar da divulgação recente, o assunto já vinha sendo discutido há alguns meses na Casa Branca. O pronunciamento oficial definiu o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como duas das organizações criminosas “mais violentas do Brasil”. O comunicado justifica a medida ao apontar que os grupos “orquestraram ataques brutais contra policiais, autoridades públicas e civis”, estendendo suas ações ilícitas para além das fronteiras nacionais.

De acordo com o texto, a estratégia da gestão de Donald Trump busca impedir o financiamento do crime organizado ao “interromper o fluxo de receitas que financia os narcoterroristas”, sendo juridicamente amparada pela Lei de Imigração e Nacionalidade dos Estados Unidos.

Em entrevista à AGEMT, a internacionalista e especialista em políticas públicas Luciana Maselli explica que o efeito mais rápido da ação tomada em Washington não será militar, mas sim regulatório. A pressão recairá diretamente sobre o  meio corporativo brasileiro que opera com a moeda norte-americana.

“O efeito que se sente primeiro recai sobre bancos, traders, seguradoras, operadores portuários e empresas com pagamentos em dólar. O incentivo dessas instituições é o ‘de-risking’: cortar relações, travar contratos e revisar severamente clientes para evitar exposição à sanções secundárias e ao crime federal americano de “material support” (apoio material)”, explica Maselli.

A especialista também avalia, que uma onda de prisões sob a acusação de terrorismo é improvável no Brasil devido aos critérios da legislação nacional.

“A base legal interna não mudou. A Lei Antiterrorismo (Lei 13.260/2016) exige motivação de xenofobia, discriminação ou preconceito, filtro que as facções de lucro criminal dificilmente preenchem. O que tende a aumentar é a repressão por organização criminosa, tráfico e lavagem, com mais bloqueio de ativos e isolamento de lideranças prisionais", analisa 

Outros países já começaram esse movimento de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Em outubro do ano passado, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, assinou um decreto que classificou as ações desses grupos como atos terroristas. Na prática, a medida permitiu que o país utilizasse suas Forças Armadas no combate ao crime organizado e que integrantes dessas organizações fossem submetidos a penas mais severas. 

A Argentina, governada por Javier Milei, seguiu um caminho semelhante ao incluir o PCC e o Comando Vermelho (CV) no Registro Público de Pessoas e Entidades Vinculadas a Atos de Terrorismo (REPET), enquadrando as duas organizações como narcoterroristas. Com isso, as Forças Armadas argentinas passaram a auxiliar na vigilância e no patrulhamento de áreas consideradas estratégicas para o combate ao tráfico de drogas.

A medida anunciada pelo governo dos Estados Unidos pode acionar leis de alcance extraterritorial, como o Patriot Act, que exige que corporações internacionais comprovem a ausência de vínculos com os grupos citados. Para a especialista ouvida pela AGEMT, isso gera uma “extraterritorialidade indireta”, onde diretrizes americanas moldam o mercado brasileiro por canais privados de compliance (conformidade), sem passar pelas instituições nacionais. 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e integrantes do governo federal criticaram a decisão americana. Lula também comentou a atuação de Flávio Bolsonaro, afirmando que o parlamentar busca uma intervenção estrangeira em assuntos internos do Brasil. Em resposta, o senador afirmou que o governo estaria sendo leniente no enfrentamento ao PCC e ao Comando Vermelho.

O Palácio do Planalto divulgou uma nota em resposta à decisão dos Estados Unidos, reafirmando o compromisso do governo brasileiro com o combate ao crime organizado e destacando diversas frentes de atuação da União. O documento afirma que a cooperação internacional é bem vinda, desde que respeite a soberania nacional.

A competição entre as duas maiores potências do mundo afeta diretamente o Brasil
por
Vitória Teles
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13/05/2026 - 12h

A disputa entre China e Estados Unidos é uma das principais tensões geopolíticas no mundo atual. Não é uma guerra direta, mas uma constante competição em várias áreas, da tecnologia à econômica e militar. As duas potências disputam a liderança global há décadas. 

Após o final da Guerra Fria e o colapso soviético, os EUA ficaram sem um rival equivalente e o modelo capitalista liberal ganhou força. Enquanto isso, a China passava por uma grande transformação econômica, mantendo o controle do Partido Comunista Chinês, mas preparando as bases para a abertura ao mercado internacional. A rivalidade surgiu após o crescimento econômico rápido da China, que a tornou uma ameaça para a hegemonia estadunidense.  

Os dois países querem ser o centro da economia mundial, ambos brigam com tarifas, acordos e influências sobre outros países. Enquanto a China lidera o mercado de exportação mundial, os EUA ainda dominam as finanças e grandes empresas. 

A tecnologia é o campo mais sensível e estratégico dessa disputa, com a corrida pelo domínio no mercado de inteligência artificial no centro da batalha. A concorrência é tanta, que empresas como Huawei viraram alvo de restrições dos EUA, que tentam também limitar o acesso da China a chips avançados. Todavia, quem liderar a tecnologia, irá dominar o futuro. 

Fábrica da Huawei, na China. Foto: Huawei
Fábrica da Huawei, na China. Foto: Huawei

Em entrevista à AGEMT, o professor do curso de Relações Internacionais na PUC-SP, Augusto Rinaldi, destacou que o crescimento tecnológico chinês pressiona setores sensíveis dos EUA, sobretudo os de semicondutores, inteligência artificial e equipamentos de fabricação de chips, porém ao mesmo tempo, o impacto é limitado pelo peso estrutural da economia americana. “Ainda que os dois países estejam engolfados numa "guerra comercial", eles são profundamente interdependentes; portanto, a queda de um afetará o outro”, comenta Rinaldi. 

O governo Trump anunciou restrições severas de viagem contra a China caso Pequim não acelere a repatriação de cidadãos em situação irregular nos EUA. A ameaça ocorre às vésperas da visita de Trump a Pequim, que ocorrerá nos dias 14 e 15 de maio de 2026, onde o presidente deve cobrar Xi Jinping pessoalmente. Atualmente, há mais de 100 mil chineses indocumentados nos EUA e 30 mil deles já possuem ordens de remoção. 

Trump e Xi Jinping na reunião do G20, em Osaka, no Japão, em 2019. - Foto: Flickr -  Sheelah Craighead
Trump e Xi Jinping na reunião do G20, em Osaka, no Japão, em 2019. - Foto: Flickr -  Sheelah Craighead

 As preocupações quanto à função do Brasil em meio a essa disputa crescem conforme a situação de discórdia se agrava. Vale ressaltar que a China é o maior parceiro comercial do Brasil. Empresas chinesas investem em energia, portos e infraestrutura no país, o que torna o Brasil dependente da demanda chinesa. Por outro lado, os investimentos americanos no país também são expressivos, por mais que seu maior parceiro comercial seja a China, o Brasil ainda funciona dentro de um sistema liderado pelos EUA.

Rinaldi enfatiza que a disputa entre China e Estados Unidos pode interferir de forma relevante em outros países, inclusive no Brasil, cada vez mais cobiçado pelas duas grandes potências pela sua relevância em setores econômicos estratégicos. "A China não interfere nos assuntos domésticos dos países, ao passo que os EUA, em particular no governo Trump, têm desempenhado papel central no apoio a candidaturas e forças políticas de oposição ao governo Lula”, afirma o professor.  

A relação da China e do Brasil dentro do BRICS é uma das mais importantes do bloco, atuando juntos para fortalecer economias emergentes. A China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009, empresas chinesas investem no Brasil em energia elétrica, infraestrutura, ferrovias e entre outros campos estratégicos. O BRICS representa uma parte enorme do mundo, com a economia chinesa sendo a maior do bloco.

Dessa forma, a decisão mais estratégica para o Brasil é não escolher um lado. O Brasil é a maior economia da América Latina, o que aumenta bastante seu valor geopolítico. O ideal seria manter negócios com o mercado chinês e estadunidense. Porém, essa posição apresenta desafios, como se tornar dependente ao extremo do capital chinesa e sofrer pressão política dos EUA, pois se a tensão aumenta, a neutralidade se torna impossível.

A disputa se tornou um assunto tão atual e discutido em debates que, recentemente, virou palco para um novo quadro divulgado no Fantástico. “Entre dois Mundos” foi criado pelo programa como uma forma mais dinâmica de mostrar como essa rivalidade pode moldar o cenário geopolítico atual. Apresentada pelo jornalista Felipe Santana, a série promete mostrar o desenvolvimento das duas grandes potências.  

Diante desse cenário, outro fator que chama atenção é de como essa rivalidade torna a convivência mais delicada entre os países. Partindo do ponto de vista geopolítico, Rinaldi acredita que essas disputas podem contribuir para desestabilizar os mercados financeiros, podendo gerar uma grande crise econômica global. “Para países em desenvolvimento, o desafio nesse cenário é preservar o acesso a ambos os mercados e evitar os custos de alinhamento a um deles”, destaca o professor. 

Novos métodos foram autorizados para agilizar execuções por crimes federais
por
Davi Madi
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06/05/2026 - 12h

 

No dia 24 de abril o governo Trump aprovou a implementação de novas medidas nas políticas de pena de morte, que agora incluem pelotão de fuzilamento, para presos federais, além de cadeira elétrica, asfixia por gás nitrogênio e injeção letal. O comunicado foi emitido pelo Departamento de Justiça estadunidense (DOJ), que afirma cumprir  uma ordem direta do presidente Donald Trump, para que sejam ampliadas e agilizadas as execuções no país.

A aprovação representa uma alteração no uso da pena de morte dentro da legislação, quando comparada com as políticas apresentadas no governo anterior. No fim de sua gestão, Joe Biden, após a confirmação da vitória de Trump nas urnas, trocou a sentença de 37 dos 40 condenados à injeção letal para prisão perpétua, a fim de evitar que estes fossem executados pelo republicano.

Na ocasião, em dezembro de 2024, o ex-presidente afirmou: “Em sã consciência, não posso recuar e deixar uma nova administração retomar as execuções que eu interrompi”. A comutação das penas ocorreu após o governo Biden acatar pesquisas do próprio Departamento de Justiça, que afirmavam que o método de execução “causava dor e sofrimento desnecessário”.

Após a aprovação de Donald Trump, o DOJ apontou em seu comunicado que a análise do governo democrata era “profundamente falha”: “A administração anterior fracassou em seu dever de proteger o povo americano”.

Veja o comunicado feito em post do perfil oficial do Departamento de Justiça na rede social X

Publicação na rede social X, feita pelo perfil oficial do Departamento de Justiça Estadunidense, sobre as alterações na lei de pena de morte feitas pelo presidente Donald Trump
Alteração na lei de pena de morte representa a primeira mudança nas políticas de execução estadunidenses desde o governo Biden - Reprodução: X/@TheJusticeDept

 

Como será aplicada a nova lei

A pena de morte é prevista na legislação estadunidense, e a injeção letal, método utilizado por padrão no país, está presente no código penal. No entanto, esta política é descentralizada, o que significa que diferentes modos de execução são utilizados em cada estado.

Por base, 27 dos 50 estados do país tem a pena de morte legalizada, o que era, até então, aplicado para presos estaduais. O comunicado de Donald Trump se aplica como um parâmetro, buscando facilitar a execução das penas em nível federal, para casos onde a injeção letal não era possível ou fora ineficaz.

Como exemplo, em 2025, na Carolina do Sul, um homem foi executado através do pelotão de fuzilamento, na falta de disponibilidade do medicamento necessário para o método padrão. Atualmente, este método já é permitido em 5 estados do país: Carolina do Sul, Idaho, Mississipi, Oklahoma e Utah. 

Um caso anterior, de 2024, no Alabama, também se popularizou quando um homem foi submetido à asfixia por gás nitrogênio como método, após falhas da injeção letal e adiamento da execução. O uso desta substância, no entanto, enfrentou denúncias após ser qualificado pela ONU como forma de tortura.

Kenneth Smith, condenado à pena de morte nos Estados Unidos, sobreviveu à quatro tentativas de execução por injeção letal, foi submetido à asfixia por gás nitrogênio e morto em 2024
Kenneth Smith foi morto por asfixia com gás nitrogênio após sobreviver a quatro tentativas de execução por injeção letal - Reprodução: Youtube/NBC News

 

Esta mudança nas políticas penais dos EUA refletem promessas feitas por Donald Trump desde seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021. Na ocasião, o republicano retomou a pena de morte em nível federal após 20 anos de sua suspensão. Nos primeiros meses de mandato, seu governo executou 13 condenados por injeção letal. Nos 50 anos antes de sua posse, somente três pessoas haviam sido submetidas ao método.

No momento, mais de 40 presos federais aguardam julgamento que pode resultar na pena capital nos EUA. No entanto, esses processos ainda podem levar anos.

Mais de 3 mil cidades dos EUA se mobilizaram em manifestações contra o governo
por
Vitória Teles
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08/04/2026 - 12h

No sábado (28), ocorreu mais uma das diversas manifestações que movimentaram boa parte das cidades dos EUA. O ‘No Kings’ (Sem Reis, em português) reuniu cerca de oito milhões de pessoas nas ruas que protestavam contra as doutrinas de política do governo Trump. A demonstração de insatisfação com o presidente americano não surge agora, outras edições do No Kings ocorreram em junho e outubro de 2025. 

O nome do movimento ‘No Kings’ não é atoa, americanos, ativistas, críticos, vão às ruas demonstrarem insatisfação diante da administração de Trump. Os participantes alegam que o presidente adota uma postura autoritária para liderar o país, refletida em suas decisões que causam indignação em diversos cidadãos. Organizadores do protesto afirmam que Trump lidera o país como um Tirano, ou seja, que ele exerce seu poder sem legitimidade e de maneira autoritária, como faria um Rei. 

No ponto de vista geopolítico, uma das principais causas que mobilizaram as passeatas é a guerra contra o Irã, iniciada em aliança com Israel, tendo em vista que os Estados Unidos tem o poder de influenciar e interferir de forma crucial no conflito, o que causa preocupação e apavoro naqueles que lutam para sobreviver diante ao caos instalado no Oriente Médio. A agressiva política de imigração de Donald Trump também foi uma frente principal para esse episódio. Minnesota entrou em foco após um homem e uma mulher, ambos cidadãos americanos, serem mortos a tiros por agentes federais de Imigraçao dos Estados Unidos (ICE).

A Time Square, em Nova York, foi um um dos principais pontos de encontro para iniciarem esses protestos. Um dos pontos turísticos mais movimentados dos EUA foi tomado por um fluxo intenso de pessoas que carregavam cartazes com mensagens como: “Amo a america, odeio fascistas”, placas, bandeiras e bonecos representando o Trump como forma de ridicularizar o presidente também eram vistos no meio a multidão.  

Washington, capital dos Estados Unidos, também foi palco de protestos, inclusive ao redor da Casa Branca, sede do governo do país. O momento em que as manifestações ocorreram é considerado delicado para Trump na visão de alguns apoiadores do presidente, pois sua popularidade atingiu níveis baixos desde seu retorno ao cargo.

  1. Protestantes marcham em Minnesota - Reprodução/Wikimedia Commons (Foto: Chad Davis)
    Protestantes marcham em Minnesota - Reprodução/Wikimedia Commons (Foto: Chad Davis)

    Apesar da dimensão do movimento, membros da Casa Branca agiram com desdém. Como visto até então, as ondas de protestos não foram o suficiente para sensibilizar integrantes da organização governamental de Trump, já que os mesmos alegam que as únicas pessoas que realmente se importam com o movimento são “os repórteres que são pagos para cobri-los”, segundo um porta-voz da Casa Branca, que disse isso a um repórter quando lhe perguntaram sua opinião sobre as manifestações. 

Com quatro astronautas a bordo, Artemis II decola em direção á lua para missão da Nasa
por
Vitória Teles
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08/04/2026 - 12h

Nesta quarta-feira (1), após 50 anos sem realizar nenhuma expedição desde o fim do programa Apollo em 1972, a missão Artemis II, idealizada pela NASA, decolou rumo à lua. O lançamento ocorreu por volta das 19h34 (horário de Brasília), no Centro Espacial Kennedy, localizado na Flórida (EUA). A tripulação conta com quatro astronautas, três americanos e um canadense, são eles: Ride Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen. A duração do programa é de cerca de dez dias e planeja chegar a maior distância já alcançada pelos seres humanos em comparação às outras expedições já realizadas pela Nasa. 

Quatro astronautas prestes a embarcar na Artemis II - Foto: Nasa
Quatro astronautas prestes a embarcar na Artemis II - Foto: Nasa

A missão utiliza um dos foguetes mais poderosos já construídos pela Nasa, o chamado Space Launch System (SLS), e a cápsula onde vão os astronautas foi apelidada de ‘Orion’ pela empresa. O plano de Nasa é que o foguete leve a cápsula Orion ao espaço e depois ela siga viagem sozinha até ao redor da Lua. Segundo informações da própria Nasa, o SLS é o único foguete capaz de enviar a espaçonave Orion, astronautas e carga diretamente para a Lua em um único lançamento. 

O que diferencia essa missão das antigas é que a cápsula não irá pousar no satélite, e sim sobrevoar ao redor dele. Os principais objetivos dessa missão são testar os sistemas dessa nave construída com humanos, e analisar como ela reagirá com a comunicação e a navegação durante toda a expedição.Também é importante validar o foguete e a cápsula para futuras missões. 

Esse acontecimento é histórico, pois se tornou a primeira viagem humana para o espaço desde 1972, e isso ocorre porque o Programa Artemis tem como objetivo levar humanos de volta à Lua para construir uma possível presença permanente lá, e principalmente, se preparar para uma futura missão em Marte.

Imagem da Terra capturada por tripulantes do Artemis II - Foto: Nasa - Tirada pelos astronautas a bordo.
Imagem da Terra capturada por tripulantes do Artemis II. Foto: Nasa  

“Vocês são lindos aqui de cima” disse a tripulação da missão Artemis II que falou pela primeira vez na última quarta-feira (4), desde que a espaçonave deixou a Terra. Eles comentaram sobre as vistas de “tirar o fôlego” durante uma transmissão ao vivo com membros da Nasa que acompanham seu trajeto pelo centro de comando.

Depois de dez dias em órbita, a tripulação da Artemis II concluiu a missão e está de volta à Terra. O pouso ocorreu no Oceano Pacífico, na costa de San Diego, na última sexta-feira (10) com seus quatro astronautas que estavam a bordo. A marinha estava à espera dos tripulantes para uma avaliação médica. “Que jornada! Estamos bem, com os quatro tripulantes saudáveis”, comenta Reid Wiseman, comandante da missão.

O retorno pode ser considerado uma das partes mais perigosas da missão, pois a reentrada na atmosfera terrestre atinge altas temperaturas. Esse aquecimento intenso é resultado da altíssima velocidade da cápsula, que pode chegar cerca de 40 mil km/h. 

Momento exato do pouso da cápsula Orion no Oceano Pacífico - Foto: Nasa
Momento exato do pouso da cápsula Orion no Oceano Pacífico - Foto: Nasa

 

Evento internacional reúne artistas em meio a debates sobre conflitos e liberdade de expressão
por
Lawanny Nasc
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06/04/2026 - 12h

A Bienal de Veneza, que ocorrerá em 09 de maio a 22 de novembro de 2026, ganha destaque pelos embates entre arte e política. Países envolvidos em conflitos internacionais marcam presença e levantam questionamentos e revoltas no público.

Israel está confirmado em meio a obras que abordam temas como guerra, direitos humanos e identidade. Enquanto, o pavilhão da Rússia segue fechado desde 2022. 

Pavilhão russo em tons de verde fechado.
Pavilhão russo segue fechado desde o início da guerra contra a Ucrânia - Foto: Antonio Calanni/AP Photo/picture alliance

Criado em 1895, o evento sempre foi um espaço de troca cultural, evidenciando como a arte contemporânea se relaciona com debates políticos e sociais.

"La Biennale" publicou o tema deste ano. “In Minor Keys”, por Koyo Kouoh (1967–2025), foi a primeira mulher de origem africana a assumir a curadoria da mostra, e será homenageada. Mas, o texto também destaca os debates atuais e afirma que “a 61ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza não pretende uma ladainha de comentários sobre os acontecimentos mundiais, nem uma fuga das crises complexas e interligadas. Em vez disso, propõe uma reconexão radical com o habitat natural da arte e seu papel na sociedade (…)”.

Fachada da Bienal de Veneza com folhas de árvores nas laterais
Fachada da Bienal de Veneza - Foto: Reprodução/Instagram/@labiennale

Enquanto parte do público defende uma arte neutra, outros acreditam que o posicionamento é inevitável. A repercussão mostra que, mesmo em espaços culturais, a política permanece presente, e a arte segue como forma de expressão da sociedade, especialmente em seus aspectos políticos.

 

Entenda os fatores econômicos que aumentaram o orçamento de viagens dentro da LATAM para brasileiros
por
Julia Naspolini
Renata Bittar
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27/03/2026 - 12h

Viajar pela América Latina tem ficado cada vez mais caro para brasileiros devido à combinação de fatores como inflação regional, variação de câmbio e aumento nos custos de turismo. Destinos como Chile e Colômbia, anteriormente considerados econômicos, já não cabem com facilidade no orçamento do brasileiro. Em países como Argentina, Chile e Colômbia, o aumento do dólar elevou os preços de serviços turísticos, bem como aumento nas passagens aéreas e nos custos com hospedagem e alimentação. Além disso, as irregularidades na taxa de inflação de alguns países, em comparação ao Brasil, reduziram o poder de compra dos brasileiros. Não se pode dizer que a desvalorização do real é o único responsável.

Para entender o que mudou, conversamos com a professora e doutora em Ciências Econômicas da PUC-SP, Cristina Helena. Ela explicou que tem dois fatores fundamentais para esse entendimento: a diferença entre câmbio real e nominal e a influência do dólar no turismo. O câmbio nominal é o preço em unidades monetárias de uma moeda. Ou seja, é quanto uma moeda vale. Tomando como exemplo a Argentina, o câmbio nominal é quantos pesos argentinos um brasileiro consegue comprar com 1 real. É aqui que uma moeda valoriza mais que a outra. Como a moeda brasileira valorizou em relação à argentina, com 1 real é possível adquirir mais pesos do que antes. Já o câmbio real, é a capacidade de compra que um estrangeiro tem nesse país com sua moeda original. Muitas vezes, mesmo com a sua moeda original valorizada, o viajante não consegue adquirir muitas coisas, porque o câmbio real está "ruim”, explica Helena.

Ainda com o exemplo da Argentina, o país sofreu com uma inflação que aumentou muito o custo de vida. Então, quando um brasileiro viaja para lá, mesmo com o real estando mais valorizado que o peso, e ele conseguindo comprar um bom número de pesos com apenas 1 real, ele terá pouco poder de compra. O que antes ele conseguia adquirir com 20 pesos, por exemplo, com a disparada da inflação, ele hoje precisa de 60 pesos. Além disso, por uma questão de universalização da moeda, o dólar americano se tornou a principal moeda no turismo. A maioria dos hóteis, passeios, museus, cobram valores em dólar pelos seus serviços, o que não é diferente na rede hoteleira e turística de países da América Latina.

A professora Cristina Helena, desenhou dois gráficos que ajudam neste entendimento.

Índice de Taxa de Câmbio Efetiva Real
Índice de Taxa de Câmbio Efetiva Real

"Neste primeiro, vemos a taxa de câmbio efetivo real, mostrando como que a nossa moeda tem poder de compra no outro país. Toda vez que você vê essa taxa de câmbio caindo, é porque está ficando mais barato para a gente comprar lá fora. Toda vez que ela sobe, é porque está ficando mais caro a gente comprar lá fora.”, explicou a doutora.

Taxa de Câmbio dos países: Colômbia, Chile, Bolívia e Uruguai
Taxa de Câmbio dos países: Colômbia, Chile, Bolívia e Uruguai

Ela ainda acrescentou que, “já no segundo, toda vez que você vê aumentar o número, é sinal de que essa está ficando desvalorizada em relação ao dólar. Isso significa que para nós é mais barato ir para esse país. Aí, é ao contrário, porque a gente não está vendo o quanto da nossa moeda compra o deles. É o quanto da moeda deles compra em dólar. Então, se eles precisam de mais da moeda deles para comprar dólar, um dólar compra mais da moeda deles, então fica mais barato para a gente", diz. 

Outro agente importante na oscilação de preços de viagem, é a política econômica interna e externa dos países. A professora elucida, “O que afeta o valor da moeda nesses países? A capacidade que esses países têm de exportar e de importar, a capacidade que esses países têm de atrair recursos internacionais, como que os investidores olham para situações de risco nesses países. Então as condições políticas afetam o valor do dinheiro”, ressalta Helena.

Nos últimos dois anos, vários países da América Latina passaram por eleições, mudanças em seus chefes - o que mudou a condução da política econômica deles. E em alguns casos, novamente como a Argentina, essas mudanças foram vistas como positivas pelo mercado internacional. Dessa forma, o país recebeu mais investimentos estrangeiros, mais dólares e valorizou de volta sua moeda - aumentando o custo de viagem para os brasileiros.

Como o turismo foi afetado

A inflação e a mudança no câmbio, além de influenciarem a economia local de cada país, também afetam o comportamento do viajante. Carolina Thomazini, agente profissional de viagem, em entrevista à AGEMT, explica que a procura por destinos na América Latina não mudou, mas se tornou mais seletiva e criteriosa. “Agora há mais planejamento e busca real por custo X benefício, além dos passageiros buscarem cada vez mais por destinos que entregam experiências e não apenas viajar porque está barato”, afirma Thomazini. 

Apesar de serem destinos na América do Sul, os preços ainda são atrelados ao dólar, e por isso, ficaram mais caros. Ela explica que essa elevação dos valores ocorreu principalmente no Chile e Colômbia, devido a maior valorização da moeda em relação ao real. Além do câmbio, a pandemia do Covid-19 também contribuiu para a alta dos preços. “Notamos esse movimento de elevação dos preços, principalmente, no período pós-pandemia, com o reaquecimento do turismo e a pressão inflacionária no setor", diz Thomazini.

Quando questionada sobre as alternativas de destinos mais “em conta”, a agente afirma que os clientes têm buscado destinos nacionais como substitutos. Ainda que caros, destinos com nicho específico na América Latina que entregam uma experiência única do local, como Machu Picchu, no Peru, e Atacama, no Chile. Carol reforça que notou uma maior movimentação em viajantes que buscam por práticas esportivas e enogastronomia, experiência que harmoniza vinhos com pratos. Essa busca por destinos específicos aumenta a demanda turística nesses locais, pressionando as tarifas. “Não existe um destino barato que seja fixo por si só, e sim uma janela de oportunidades de acordo com as condições do momento.” Esse cenário é influenciado pelos altos custos e pela inflação local em cada país. “Tudo isso contribui de forma significativa na oferta da cadeia turística”.

A circulação massiva de conteúdos manipulados por inteligência artificial amplia a desinformação, influencia a opinião pública e transforma o ambiente digital em uma extensão estratégica dos conflitos armados
por
João Pedro Beltrame, Lucas Leal
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25/03/2026 - 12h

Nas primeiras horas após o início dos bombardeios coordenados desde Estados Unidos e Israel contra o território iraniano, no fim de fevereiro de 2026, cenas de Tel Aviv em chamas, caças F-35 abatidos no céu de Teerã e crateras gigantes em bases militares inundaram as redes sociais. Nenhum desses conteúdos era real. Todos haviam sido fabricados com ferramentas de inteligência artificial generativas (IAG) e compartilhados por milhares de pessoas sem a devida checagem dos fatos. A organização iraniana de verificação de fatos, Factnameh, integrante da Rede Internacional de Verificação de Fatos (IFCN), classificou o conflito de 2024-2025 como a primeira guerra da IA, por ter sido o primeiro grande embate militar em que IAGs tiveram papel central na disputa por percepção pública. 

Antes desse período, a desinformação aparecia em formatos mais previsíveis. Agora, ela chega com rostos convincentes, vozes sintéticas e cenários de destruição que nunca aconteceram. A pesquisadora Rawan Damen, diretora-geral da Arab Reporters for Investigative Journalism, descreve o fenômeno com precisão. "Com a interrupção da internet no Irã e uma narrativa oficial rigidamente controlada nos países do Golfo, abriu-se um grave vácuo de notícias, que está sendo rapidamente preenchido por desinformação impulsionada por inteligência artificial.  É nesse vácuo que as fakes news encontram solo fértil para crescer", diz Damen.

Os efeitos desses vídeos não se restringem à confusão do público nas redes sociais. Para organismos internacionais, o fenômeno tem impacto direto sobre a segurança de civis. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha afirma que, em conflitos armados, a conectividade digital é simultaneamente vital e vulnerável. Ao mesmo tempo em que permite que civis encontrem rotas de fuga, hospitais e serviços essenciais, também amplia, em escala e velocidade inéditas, a circulação de conteúdos falsos ou manipulados.

“A desinformação pode ser compreendida como uma atualização da violência simbólica. "Hoje, mesmo com maior disponibilidade de câmeras e redes de informação, conseguir distorcer a realidade é um poder absurdo.” afirma Artur Ferreira, jornalista e mestre em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, pela PUC-SP, sobre esses esses acontecimentos que fazem parte de um novo tipo de violência simbólica.

“É o desejo dos criadores desses conteúdos falsos de querer influenciar decisões militares, mas é difícil mensurar o quanto isso realmente impacta, seja por barreiras como o sigilo de Estado. Eles podem contribuir para um plano de fundo que futuramente vire algo catastrófico ", comentou sobre as postagens fakes.

Artur Ferreira, jornalista e mestre pela PUC-SP em tecnologias da Inteligência e Design Digital
Artur Ferreira, jornalista e mestre pela PUC-SP em tecnologias da Inteligência e Design Digital

Ferreira afirmou que não é uma tarefa simples quantificar o impacto direto dessas práticas. Elas contribuem para a formação de opinião popular que sustentam visões distorcidas da realidade, já que a opinião pública está construída diretamente ao consumo de informação. “E influenciar nossa percepção de mundo é o objetivo central desses grupos”, explicou Ferreira. 

As postagens falsas nas redes sociais, além de atenderem a interesses políticos, também funcionam como uma forma de gerar lucro. Conteúdos sobre guerras, com imagens catastróficas produzidas por IA, geram grande repercussão e acabam sendo monetizados devido ao alto engajamento, impulsionado por usuários que questionam se o material é real. As plataformas também tendem a lucrar com a circulação desses conteúdos virais. Despertam a curiosidade do público, levando muitas pessoas a recorrerem às redes sociais para tentar entender o conflito ou compartilhar informações. No entanto, esse movimento também contribui para a disseminação de conteúdos falsos ou imprecisos.

Imagens geradas por inteligência artificial— (fonte: BBC News)
Imagens de Tel Aviv em chamas gerada por IA — fonte: BBC News 

Esse vídeo, sem origem definida, foi repostado pelo portal Globe Eye News na plataforma X com milhares de visualizações e compartilhamentos em diferentes redes sociais. O post foi questionado por alguns usuários, que chegaram a perguntar ao chatbot de IA do X, o Grok, para perguntar se o vídeo era real ou falso. O chatbot insistiu com a resposta de que o vídeo gerado com IA era real. O post foi excluído posteriormente. 

A rede social, X, possui as notas da comunidade como ferramenta de colaboração, que permitem aos usuários ajudar a dar informações corretas em um post potencialmente falso. A nota só será exibida no post se um número suficiente de colaboradores concordarem que ela é útil.