A experiência de João Pedro mostra como tecnologias assistivas ampliam as possibilidades de mobilidade de pessoas com deficiência física.
por
Dhara Yuki
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26/10/2026 - 12h

Por Dhara Yuki

 

Para João Pedro sair de casa exige pensar além do destino. Antes de atravessar a porta é preciso considerar o caminho, a distância, o tempo que ficará em pé e os recursos que poderá precisar para chegar ao lugar desejado. Dependendo do compromisso, a escolha pode ser uma órtese, uma muleta ou uma cadeira de rodas. A decisão não é apenas sobre como se locomover, mas sobre qual equipamento oferecerá melhores condições para enfrentar o percurso.

Diagnosticado ainda durante a gestação com mielomeningocele, uma má-formação congênita da coluna vertebral, João teve contato com a tecnologia médica antes mesmo de nascer. Durante os exames de pré-natal, sua mãe descobriu a condição e soube que existia a possibilidade de uma cirurgia para corrigir a má-formação ainda dentro do útero. O procedimento, que envolve a abertura do útero para operar a coluna do feto e depois reposicioná-lo, foi uma das primeiras possibilidades de intervenção médica relacionadas à sua condição. Uma das complicações associadas à mielomeningocele é a hidrocefalia, caracterizada pelo acúmulo de líquido nos ventrículos cerebrais. Logo após o nascimento, João passou por uma cirurgia para tratar o problema e recebeu uma válvula que permitia drenar o excesso de líquido. O dispositivo, entretanto, exigia acompanhamento médico e poderia precisar ser substituído ao longo da vida. A possibilidade de depender de um equipamento por tempo indeterminado fez parte de sua história desde o começo. Anos depois, uma nova intervenção médica mudaria essa relação com a tecnologia.

Quando tinha dois anos, a mãe de João descobriu o Hospital Sarah Kubitschek, em Minas Gerais, uma instituição especializada em reabilitação. Lá, ele iniciou um tratamento direcionado às necessidades de pessoas com a mesma deficiência e passou a utilizar órteses de polipropileno, dispositivos que auxiliam a sustentação e o movimento das pernas, e esse acompanhamento durou dez anos. A órtese se tornou parte de sua rotina e permitiu que ele desenvolvesse sua mobilidade com o auxílio do equipamento. Entretanto, conforme crescia, as limitações do material começaram a aparecer. Por volta dos 12 anos, a equipe que o acompanhava informou que as órteses utilizadas até então não seriam mais suficientes para suportar seu peso. Era necessário encontrar outra alternativa.

A busca levou João à Ottobock, uma empresa especializada em soluções de tecnologia assistiva, entre elas órteses e próteses. A alternativa encontrada utilizava fibra de carbono, um material que permite produzir dispositivos leves e resistentes. Porém, o custo representava um obstáculo. Os equipamentos eram caros, e conseguir acesso a uma tecnologia mais adequada às suas necessidades não dependia apenas de sua existência. Na mesma época, João decidiu procurar uma cadeira de rodas motorizada. Embora conseguisse andar com o auxílio da órtese, percorrer longas distâncias provocava cansaço. A cadeira poderia facilitar esses deslocamentos, mas, para adquiri-la, foi necessário organizar uma vaquinha com a ajuda de amigos e familiares.

No entanto, a cadeira não correspondeu às expectativas, pois pesava aproximadamente 70 quilos, sendo difícil transportá-la, e as condições das ruas de Santo André tornavam a locomoção ainda mais complicada. A tecnologia havia sido pensada para facilitar seus deslocamentos, mas o peso do equipamento e as características do espaço urbano acabaram gerando novas dificuldades. A experiência evidencia uma contradição presente no cotidiano de muitas pessoas com deficiência, um dispositivo pode oferecer determinada solução sem necessariamente resolver os problemas encontrados no ambiente em que será utilizado. Não basta que um equipamento permita o deslocamento se o peso, o transporte ou as condições das calçadas dificultam sua utilização.

Aos 15 anos, João enfrentou outro episódio que mudaria sua relação com os recursos médicos. As dores de cabeça se tornaram intensas e não melhoraram nem com o uso de fortes analgésicos. Ao procurar um neurologista, recebeu a orientação de que a válvula implantada após o nascimento deveria ser substituída, mesmo sem estar completamente obstruída, porém outra possibilidade foi levantada, segundo João, o médico havia desenvolvido uma técnica cirúrgica que permitiria tratar a hidrocefalia sem a necessidade de manter a válvula. O procedimento foi realizado fora do convênio porque não oferecia cobertura, e teve o resultado esperado. Desde então, João não precisou mais utilizar o dispositivo. A cirurgia representou uma grande mudança, um recurso que havia acompanhado sua história desde os primeiros dias de vida deixou de ser necessário. O avanço médico não se limitou a substituir um equipamento antigo por outro, mas possibilitou uma nova condição de tratamento. O acesso, porém, teve um custo. A ausência de cobertura pelo convênio fez com que o procedimento dependesse de recursos particulares, revelando que a existência de uma tecnologia não significa que ela esteja disponível para todos que poderiam se beneficiar dela.

Na mesma fase, João conseguiu adquirir uma órtese de fibra de carbono. O equipamento permaneceu com ele por aproximadamente seis anos, período em que o dispositivo acompanhou seu crescimento e suas necessidades. Agora, ele se prepara para trocá-lo por um modelo mais recente, desenvolvido para corrigir melhor sua marcha e oferecer menor peso. A evolução das órteses mostra como a tecnologia assistiva não se resume à criação de um equipamento. Os dispositivos também passam por aperfeiçoamentos que podem modificar sua eficiência, seu conforto e a forma como se integram à rotina de quem os utiliza. Para João, a troca representa a possibilidade de contar com um recurso mais adequado às necessidades atuais, depois de anos utilizando o mesmo equipamento.

A cadeira de rodas também ganhou uma nova versão. Durante um intercâmbio na Itália, João passou os primeiros 15 dias acompanhado da mãe para compreender como seria sua rotina no país e avaliar as dificuldades de deslocamento. Percebeu que não conseguiria percorrer todos os trajetos apenas com a órtese. Dessa vez, encontrou uma cadeira mais leve, compacta e acessível financeiramente. O modelo atual pesa 27 quilos, dobra-se como um carrinho de bebê e custou menos da metade do preço da primeira cadeira motorizada que havia adquirido.

Hoje, João alterna os recursos de acordo com a necessidade. Nos dias em que precisa comparecer presencialmente a compromissos que exigem permanecer muito tempo em pé, utiliza a cadeira de rodas. Para ir à faculdade, quando considera o percurso viável, prefere a órtese e a muleta. A escolha também depende das condições do caminho. Em ruas irregulares ou em trajetos nos quais precisa ter maior controle dos movimentos, a cadeira pode ser menos prática do que a muleta. O equipamento mais avançado, portanto, não é necessariamente o mais adequado em todas as situações. A autonomia está também na possibilidade de escolher o recurso que melhor responde às necessidades de cada deslocamento.

Dentro de casa, a rotina é diferente. João utiliza um assento fixo durante o banho por causa da dificuldade para permanecer em pé por muito tempo, mas fora isso, sua casa não conta com adaptações específicas para sua condição, inclusive, consegue subir e descer escadas, mas algumas tarefas mais simples, como levar um copo ou um prato da pia até a mesa, exigem atenção para evitar desequilíbrios. A tecnologia, nesse contexto, não elimina todas as dificuldades. Mesmo com os equipamentos que utiliza, existem situações em que a organização dos espaços e as características do ambiente interferem diretamente em sua autonomia.

A mesma questão aparece quando João vai à faculdade. A instituição realiza a chamada por meio do sistema da catraca, mas a entrada principal não oferece acessibilidade. Para conseguir entrar, ele precisa utilizar o portão dos fundos, que permite a passagem, mas não conta com o sistema de registro de presença. A solução encontrada pela instituição para registrar presença aos alunos não contempla todos da mesma maneira. O problema não está na capacidade de João de frequentar as aulas, mas na ausência de uma estrutura que permita que ele acesse o espaço e cumpra os procedimentos institucionais nas mesmas condições que os demais estudantes. Segundo ele, mesmo após uma reforma na faculdade, a questão permaneceu sem solução. Essa situação diz que a acessibilidade não depende exclusivamente de equipamentos individuais ou de avanços na medicina, mas também de planejamento dos espaços coletivos e dos serviços utilizados diariamente.

A autonomia de João se estende ainda à direção de veículos. Desde 2023, ele tem carteira de habilitação e pode dirigir, mas precisa utilizar um carro adaptado. Como não consegue acionar os pedais convencionais da maneira habitual, o veículo possui uma haste que permite acelerar e frear manualmente e um pomo giratório instalado no volante que facilita as manobras com apenas uma das mãos. O carro também precisa ter câmbio automático, já que o sistema de adaptação utilizado não funciona com embreagem convencional.

Da cirurgia realizada ainda na infância aos equipamentos utilizados para andar e dirigir, a tecnologia atravessa diferentes etapas da vida de João. Em alguns momentos, aparece como uma intervenção médica capaz de modificar um tratamento, em outros, como um dispositivo que facilita um trajeto ou permite realizar uma atividade cotidiana. Mas sua experiência também mostra que a autonomia não depende apenas do desenvolvimento de novos recursos. O preço dos equipamentos, a cobertura dos procedimentos médicos, as condições das ruas e a acessibilidade das instituições interferem diretamente nos benefícios que essas tecnologias podem oferecer.

Para João, sair de casa sem nenhum dispositivo de auxílio não é uma possibilidade viável. Em seus deslocamentos, órtese, muleta e cadeira de rodas cumprem funções diferentes, escolhidas de acordo com o percurso e o tempo que precisará permanecer em movimento. O desenvolvimento de equipamentos mais leves, resistentes e funcionais amplia as possibilidades de mobilidade, mas não transforma automaticamente os espaços em ambientes acessíveis. Quando uma cadeira de rodas encontra dificuldades nas ruas ou um estudante precisa utilizar uma entrada alternativa para chegar à faculdade, fica evidente que a inovação tecnológica e a inclusão não avançam necessariamente no mesmo ritmo. A história de João revela duas dimensões de uma mesma questão, a importância de tecnologias que respondam às necessidades das pessoas com deficiência e a necessidade de ambientes preparados para que elas possam utilizá-las. Afinal, não basta desenvolver equipamentos capazes de ampliar a autonomia se os caminhos que levam à universidade, ao trabalho e aos demais espaços da vida cotidiana continuam impondo barreiras.

 

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Franquia de games do lendário skatista da Califórnia trouxe o universo do esporte para os holofotes ao longo das décadas
por
Ivo Leite
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23/10/2026 - 12h

 

Jogar videogame é uma atividade que pode inspirar e fazer sonhar, seja para ser jogador de futebol com títulos como FIFA e PES, por exemplo, ou skatista. Vários jovens começaram a se prestar atenção no universo das quatro rodinhas por meio de um amigo ou por si só. Mas, será que houve algo a mais que despertasse esse interesse?

Em 29 de Setembro de 1999, o jogo Tony Hawk Pro Skater, do skatista californiano Tony Hawk, chegou ao mercado para o console Playstation. O game foi um pontapé inicial para o surgimento de uma franquia de sucesso que vendeu mais de 350 mil cópias só nos três primeiros meses daquele ano. 

Versão do jogo para PC. Foto Ivo Leite/AGEMT
 Versão do jogo para PC. Foto Ivo Leite/AGEMT

 

Criada em parceria com a Activision, uma das maiores e mais influentes distribuidoras de jogos eletrônicos do mundo, a franquia ficou famosa por sua jogabilidade arcade rápida. Após grande êxito com o Playstation, o game foi para outros consoles como o Nintendo 64, Game Boy Color, Dreamcast e N-Gage.

As variações foram sendo criadas com a essência do jogo original. Tony Hawk Pro Skater Underground é um exemplo dessas sequências, dentre outras que surgiram. Houve alguns experimentos como em Tony Hawk Ride que, diferente de seus antecessores, usava um periférico físico em formato de skate como controle. 

 

Por conta do acessório, o jogo custava US$119,90, o dobro de um game comum na época - Reprodução/Mercado Livre
Por conta do acessório, o jogo custava US$119,90 - o dobro de um game comum na época Foto: Reprodução/ anúncio Mercado Livre 

Em 2020, a franquia foi remasterizada com gráficos hiper modernos, lançando o Tony Hawk 1 + 2, premiado como melhor jogo de esporte em eventos como o The Game Awards e o D.I.C.E. Awards. E em 2025, a coletânea Pro Skater 3 + 4 veio ao mercado para concretizar a volta do título.

“Cresci jogando e isso certamente me influenciou a me aventurar sobre quatro rodinhas”, afirma o gamer e skatista Felipe Dias, de 23 anos, que atualmente deseja se formar no curso de Design de Games. “Quero sempre me lembrar de como me apaixonei pelo esporte”, finaliza Dias.

 

Manobras e pistas com dinâmica real . Foto Ivo Leite/AGEMT
Manobras e pistas com dinâmica real Foto: Ivo Leite/AGEMT

 

Um dos pontos  altos da série de jogos Tony Hawk está nas trilhas sonoras marcantes. Gerações de apaixonados por grandes bandas ouviram e se lembram de pelo menos uma música presente nos jogos. A lista compõe diversos estilos musicais como hardcore, punk rock, hip-hop, ska punk e metal. Destaque para “No Cigar”, do Millencolin; “Guerrilla Radio” do Rage Against the Machine e “Superman”do Goldfinger. 

Nesse tempo, o skate se tornou um esporte de grande expressão chegando a compor até os Jogos Olímpicos, a partir de 2020. E a ascensão de sua prática também pode ser avaliada pela influência de jogos digitais como o Tony Hawk Pro Skater. 

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Uma mudança na mentalidade corporativista do brasileiro está atrelada à luta pela redução de horas trabalhadas
por
Clara Dell'Armelina
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19/05/2026 - 12h

O debate sobre o fim da escala 6x1 ganhou um maior fôlego nos últimos dias após a Câmara dos Deputados confirmar para 26 de maio deste ano a votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que reduz a jornada semanal de trabalho e amplia o descanso dos trabalhadores brasileiros. A medida pode impactar cerca de 16 milhões de trabalhadores que atualmente atuam no modelo de seis dias de trabalho para apenas um de repouso. O avanço da proposta ocorre em meio à pressão popular, com apoio de centrais sindicais e resistência de parte do empresariado, e corrida eleitoral.

Foram reacendidas as discussões entre empresários, trabalhadores e especialistas sobre produtividade, saúde mental e reorganização do mercado de trabalho. Para a economista e CEO da DS Estratégia de Educação e Inteligência Financeira, Dirlene Silva, em entrevista à AGEMT, o debate vai além das planilhas econômicas e exige uma mudança estrutural na forma como o trabalho é pensado no Brasil, “essa transição exige mais do que um ajuste de escala, ela exige mudança de modelo de gestão e de mentalidade”, afirma.

Dirlene Silva: Economista e mestre em Gestão e Negócios, é fundadora e CEO da DS Estratégia de Educação e Inteligência Financeira.
Dirlene Silva (Foto: Fábio Chialastri)

Segundo Dirlene, experiências internacionais em países como Islândia e Reino Unido mostraram que jornadas reduzidas podem manter, ou até mesmo chegar a elevar, a produtividade quando acompanhadas de reorganização dos processos internos, “esses países demostraram que o ganho vem da reorganização do trabalho, não da redução pura e simples de horas. Na prática, as empresas precisam atuar nas frentes de revisão de processos, gestão por resultados, redistribuição de jornadas e mudança de mentalidade”, explica Silva, que sugere que devem especialmente procurar buscar uma transformação da cultura corporativa, abandonando a lógica de que longas jornadas representam maior eficiência e reconhecendo que descanso e bem-estar também impactam diretamente a produtividade do trabalhador. “A economia é, sobretudo, sobre pessoas. E pessoas não produzem de forma linear ao longo de horas extensas”, diz ela.

O aumento de receita registrado em empresas que adotaram jornadas reduzidas está ligado diretamente ao ganho de eficiência operacional e ao bem-estar dos trabalhadores. Experiências internacionais reforçam essa lógica de que menos horas de trabalho podem significar mais foco, menos retrabalho e melhor aproveitamento do tempo. Em 2019, a filial japonesa da Microsoft registrou aumento de quase 40% na produtividade após implementar uma semana de quatro dias de trabalho, além de reduzir gastos com energia e reuniões mais longas. Para Dirlene, empresas que cuidam das pessoas conseguem maior consistência na entrega de resultados. “Seres humanos precisam de descanso para produzirem melhor”, afirma.

Prédio da Microsoft - Imagem: Tang Yan Song/Shutterstock
Microsoft - Imagem: Tang Yan Song/Shutterstock

Falar sobre o adoecimento físico e mental dos trabalhadores é também falar sobre os impactos econômicos para empresas e para o próprio Estado, especialmente nas áreas de saúde pública e previdência. “Ao longo de mais de 30 anos no corporativo, vi muitas pessoas adoecerem e até morrerem por excesso de trabalho”, relata. Para Dirlene, jornadas menores favorecem equilíbrio emocional, melhora na tomada de decisão e redução do adoecimento mental. “Economia não acontece só na planilha, acontece também no comportamento. E comportamento melhora quando as condições melhoram”, explica.

Toda essa discussão também expõe desigualdades históricas do mercado de trabalho brasileiro, os trabalhadores submetidos às jornadas mais longas geralmente ocupam cargos menos valorizados e recebem salários menores. “Não é a quantidade de horas que determina o nível de renda, mas o tipo de trabalho, o nível de qualificação e a posição ocupada na estrutura produtiva”, afirma.

A CEO ainda aponta que, no Brasil, a cultura da hora extra muitas vezes se transforma em complemento salarial, refletindo baixos salários estruturais, “ainda convivemos com um cenário em que trabalhar mais horas não significa, necessariamente, ganhar mais”. Uma pesquisa da Catho reforça esse cenário apontando que 60,7% dos trabalhadores brasileiros fazem horas extras regularmente e, segundo o levantamento, muitas empresas ampliam a carga de trabalho dos funcionários como estratégia para aumentar a produtividade, algo que contribui para a normalização das jornadas extensas no mercado de trabalho do Brasil.

Gráfico da pesquisa da Catho
(Foto: Reprodução/Catho)

Dirlene acredita que a principal barreira para a aprovação definitiva da medida ainda é cultural, ela diz que ainda “existe uma lógica muito antiga baseada em controle de jornada, não em produtividade”. Ela defende que o país precisa compreender que desenvolvimento econômico sustentável depende diretamente das condições de vida dos trabalhadores pois “não existe desenvolvimento sustentável com pessoas adoecendo para sustentar o sistema”, conclui.

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Em meio ao envelhecimento de cada indivíduo, uma vida digna é garantida para todos. E deveria ser assim, mas a realidade de muitos é contraditória.
por
Alice Begnini
Rafaella Lalo
Heloá Hurtado
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09/04/2026 - 12h

Por trás de peles enrugadas, histórias invisíveis que não são contadas nas visitas, que por vezes nem se quer existem, um capítulo que não é mostrado nas fotos de família. Os corredores são silenciosos, com rotinas organizadas e uma saudade sem tamanho: A família. Abraços, ligações e o próprio calor humano se tornam ausentes, aquela presença de quem fez parte da história, não está mais ali. Os olhares esperançosos entre as portas, esperando a entrada de alguém que talvez não venha mais.

A carência, não é apenas algo físico, ela se torna algo estrutural. O dia que era marcado por encontros, passa a ser marcado por rotinas rígidas, silenciosas, que nem sempre são sinônimos de paz. As datas comemorativas, nem sequer existem, não são compartilhadas. Mesmo com profissionais dedicados e capazes, há um espaço que nenhuma instituição irá suprir, onde o abandono familiar se instala.

Pensando nesse sentido, observa-se que a superlotação piora a realidade. O espaço acolhedor se torna insuficiente perante a grande demanda, idosos começam a dividir quartos, rotinas e além de tudo suas histórias. Aquela atmosfera que indica transmitir cuidado, afeto e tranquilidade, torna- se hostil, provocando uma crise emocional, social e humana.

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) registraram um grande aumento na população idosa entre 2010 e 2022, além de apontar que o número de idosos que residem em abrigos cresceu 65% em 10 anos.

Profissional auxiliando a mobilidade de um idoso que necessita de cuidados.
Idosos representam cerca de 15% da população. Foto:pixabay.

Segundo Flávia Damião, enfermeira, que atua no Lar Sant’Ana Residencial: “É muito comum a ocorrência de abandono, mesmo em residências de famílias com boas condições financeiras.” A afirmação da enfermeira evidencia que o abandono familiar perpassa a saúde mental e física dos idosos.

Há cinco anos atuando na área, Damião presencia o cotidiano e os desafios desse ambiente. No lugar onde trabalha, residem cerca de 100 idosos que estão inseridos em atividades de dança, exercício físico e fisioterapia. Segundo ela, essas práticas contribuem diretamente para a saúde mental e favorecem a socialização entre eles.

Contudo, o cuidado profissional não ocupa todas as faltas. “Apesar das condições, eles ainda são muito carinhosos “, afirma. Ao falar sobre o afastamento familiar, ela é clara: “É comum, inclusive em um residencial de alto padrão. “Eles sentem muito. Ela não sabe mais quem eu sou, mas eu sei quem ela é”. Aponta um relato presenciado pela enfermeira.

A força desse abandono é complexa e afeta a saúde física e mental. Entretanto, não é pontuado um único motivo para esse afastamento familiar, a falta de tempo, rotina de trabalho intenso, dificuldade em lidar com os cuidados e até mesmo o desespero emocional. Cada caso tem o peso de sua história, de suas vivências. “Eu não sei o passado deles, nem como era a convivência com a família. Eu não sei quem ele foi, eu sei o que ele é aqui”, aponta Flávia.

A psicóloga Normal Richter, explica que a solidão pode gerar ou piorar um quadro de saúde. “Quando estão em estado de lucidez, é comum que sintam raiva, tristeza e sentimentos que intensificam a impressão de abandono e ingratidão por parte da família.

Porém, nem sempre é assim dentro dessas casas. Ailton Luiz, filho de uma ex-residente dessas casas de repouso, aponta uma vivência diferente. Ailton acompanhou de perto o tempo que sua mãe esteve dentro desse ambiente e afirma o cuidado recebido. “Eles tinham bastante assistência. O cuidado era 24 horas, não só físico, mas com relação aos medicamentos também. Segundo ele, existia um cuidado com o bem-estar. “Eles passeavam com ela nos espaços da casa, conversavam, não deixavam ela parada, isso fazia a diferença.”

Idosos fazendo atividades em conjunto.
Pessoas da terceira idade que praticam atividades regulares tem até 30% menos risco de ter doenças como a depressão. Foto:@larsantanaresidencial.

O relato dele, aponta que, se existissem estruturas próprias e adequadas, profissionais prontos e investimentos para os medicamentos as residências poderiam sim cumprir seu objetivo, mas essa não é a realidade de muitos.

Flávia Damião relembra algumas situações delicadas em instituições públicas. “Os quartos estavam tão cheios que não tinha como passar. Em muitos casos, os idosos chegam por resgates, retirados de situações de extrema vulnerabilidade.”

A forma precária vai além da estrutura em si, em algumas instituições há ausência de medicamentos, fraldas e até mesmo itens de higiene básica. Por diversas vezes campanhas e organizações dos próprios funcionários arrecadam os itens necessários e se propõem para buscar vagas em outras casas que não estão superlotadas. É um apoio improvisado, que acaba mantendo de maneira básica aquele ambiente, por meio de iniciativas individuais ou coletivas do que propriamente de uma ação do poder público.

Flávia afirma que o cuidado emocional não pode ser sistematizado. “Trabalhar com idoso é um grande desafio”. Destaca que esse tipo de trabalho exige sim preparo, mas acima de tudo sensibilidade perante as histórias marcadas muitas vezes, pela própria ausência.

A enfermeira ainda conclui, “Gostaria que esse público fosse mais olhado. Que não precisassem ser abrigados em casas de níveis precários. Que todos pudessem ter um envelhecimento digno”.

Diante desse cenário, a superlotação e o afastamento familiar dos idosos apontam mais falhas estruturais, demonstram a forma com que a sociedade tem lidado com o envelhecimento. Provocada não apenas pela falta de recursos, mas também pela falta de vínculo, comprometimento e responsabilidade.

Desse modo, comportamentos que afetam a dignidade dos idosos violam e desrespeitam os direitos pregados pelo Estatuto da Pessoa Idosa, que prezam pela segurança e cuidado absoluto, protegendo de qualquer negligência, discriminação, violência e crueldade. 

Entretanto, com o aumento do envelhecimento populacional, o vínculo afetivo se destaca em meios de prevenção contra a decadência da saúde mental e física dos idosos, entregando para a sociedade conscientização das obrigações que são implementadas sobre os cuidados e responsabilidades sobre pessoas idosas. Por trás de um corpo que não tem a mesma agilidade de antes e uma mente que hoje não é tão lúcida, existem histórias que um dia foram momentos importantes e fizeram parte da trajetória de vida de alguém. Cabe à comunidade honrar essa história e lembrá-los de sua importância dentro do espaço onde vivem, reafirmando que eles são seres humanos e merecem respeito e qualidade de vida digna.

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Trajetória de Paulo Ignez revela a luta, persistência e um amor inabalável pelo desenho.
por
Victória Ignez
Isadora Cobra
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13/11/2025 - 12h

  

A primeira memória que Paulo Lemes Ignez Jr. guarda de si mesmo é ele desenhando. O papel, o lápis e o silêncio curioso da infância nunca foram passatempo, eram destino. Aos 8 anos, já imitava o pai, copiando cada linha com a urgência de quem sabia, mesmo sem saber, que a arte seria seu caminho. E foi. 

Fotografia de Paulo Ignez Junior
Acervo Pessoal: Paulo Ignez Junior

Hoje, aos 42 anos, Paulo é um dos nomes mais respeitados do mercado de animação e games, com mais de 23 anos de carreira. Atuou como Animador e Character Designer em produções nacionais e internacionais, como o filme “A Princesa e o Sapo” (Disney Feature Animation), os curtas “Eu Juro que Vi” (MultiRio) e o game “Chef Squad” (Eldorado Studios). Há 15 anos também ministra cursos sendo 13 deles na ICS, formando artistas que hoje vivem do que ele ensinou. Atualmente, trabalha como supervisor de animação em dois grandes estúdios e dedica parte de seus dias à carreira autoral como artista visual. 

Mas o caminho até aqui nunca foi linear. Nunca foi fácil. Nunca foi garantido. 

Paulo nasceu em 1983, cresceu entre mudanças, escolas diferentes e amigos que, por coincidência ou destino, também desenhavam. Uma sincronia que, hoje, ele entende como combustível. As referências vinham de todo lugar: animes, quadrinhos de super-heróis e revistas sobre games e animação. Assim a paixão dele por esse mundo foi crescendo. 

Aos 15, era impossível e injusto pedir que ele seguisse qualquer outro caminho. Começou a trabalhar cedo, entrou em uma escola de animação sem ter dinheiro para continuar pagando, foi nessa mesma instituição que conseguiu o primeiro emprego, porque o diretor da escola também tinha um estúdio de animação chamado HGN Produções e então surgiu a oportunidade de começar como estagiário, ele conta que ganhava “bem pouco”, mas seu talento falou primeiro, o diretor jogou no mercado, onde Paulo cresceu estúdio após estúdio, quadro após quadro. 

Paulo sempre teve vontade de trabalhar para fora do país, e durante os trabalhos no Brasil, conheceu um profissional de animação que trabalhou para produções da Disney. Ele conta que, no estúdio esse produtor, havia os livros dos filmes da Disney, como eram feitos, e tinha fitas de videocassete que mostravam os estúdios, o make-off dos filmes. Foi então que Paulo teve uma virada de chave e se programou para morar no Canadá. Seu objetivo era aprimorar seu inglês e se especializar ainda mais no seu trabalho. 

Ele sempre soube o que era capaz de fazer, o mundo ao redor é que demorou a perceber.  

No início, o desafio era ser levado a sério. Jovem demais, rápido de menos, eficiente de mais em um ambiente que testava seus limites diariamente. Aprendeu a se comunicar, a trabalhar em equipe, a entregar rápido, a lidar com pressões que quebram muitos no começo. Mais tarde, quando virou supervisor com pouco mais de 20 anos, sentiu a resistência de profissionais mais velhos que não o viam como autoridade. Era um menino em um cargo de adulto, mas ele persistiu. Foi ganhando confiança, velocidade, precisão. Foi deixando de ser promessa para se tornar referência. 

Paulo trabalhou na equipe brasileira que animou cenas de “A Princesa e o Sapo”, da Disney. Remotamente, mas com padrão internacional e supervisores exigentes. Foi selecionado para cenas complexas, revisou trabalhos de outros artistas, coordenou uma pequena equipe. Diz que foi um dos trabalhos mais cansativos da vida e um dos mais marcantes. Visitou o estúdio da Disney. Viu de perto aqueles que admirou por anos. Confirmou que conseguia ocupar esse espaço.  

Para ele, o mercado de animação no Brasil anda “em passos de formiga”. Falta investimento governamental, as políticas de incentivo oscilam e a maioria dos melhores artistas do país trabalha para fora como ele. Paulo não romantiza o setor, sabe que não é do governo que virá o reconhecimento, e sim da própria força de cada artista. 

Ainda assim, vê valor no que muitos produzem com poucos recursos, e acredita que artistas não podem depender do que nunca veio de forma consistente. 

Paulo não se vê como alguém que “transforma o mundo”, mas sabe que seu trabalho influencia principalmente crianças. Ao mesmo tempo, é crítico do conteúdo que chega ao público infantil, afirmando que a maioria dos desenhos e games consumidos hoje têm mais potência negativa do que positiva. Para ele, o filtro dos pais é essencial. E lembra algo importante: quem realmente molda a sociedade são as narrativas mais realistas, filmes, séries, histórias que tratam do humano. A animação, segundo ele, toca mais as crianças, mas não define culturas inteiras. 

O dia de Paulo começa cedo e termina tarde. Supervisiona equipes, revisa desenhos, faz correções, participa de reuniões com diretores internacionais e, à noite, dá aula até as 22h30. Quando sobra tempo e quase nunca sobra, ele relaxa desenhando para si, andando de patins ou tocando violão. Também mergulha em estudos de filosofia, religiões comparadas e mitologia. Esse é o espaço onde respira. 

O pai que viu o artista nascer 

Paulo Tadeu Ignez, pai, acompanhou tudo desde o primeiro traço. “Desde sempre. Começou com uns 8 anos, quando ele me via desenhando.” Ele não só viu, apoiou, pagou cursos, incentivou o que podia. Hoje, fala com orgulho: “Ele ensinou muita gente. Imagine quantas pessoas vivem de desenho porque aprenderam com ele. Na comunidade artística, ele é conhecido como mestre.” Mas também revela saudades: “Ele se tornou um pouco antissocial, sempre focado no trabalho dele, prioriza os estudos.” Nos próximos anos, Paulo, o filho, quer expandir o trabalho autoral, criar uma marca própria, produzir pinturas, ilustrações, fine art, talvez expor em galerias. Também quer manter o ensino vivo formando mais artistas, como quem devolve ao mundo aquilo que recebeu. Ele sabe que o Brasil talvez nunca dê o reconhecimento que sua área merece. Mas também sabe que o mundo reconhece e isso basta. Porque, no fim, Paulo continua sendo o menino que desenhava para mostrar às pessoas. Agora, a diferença é que o mundo inteiro olha de volta.

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Encontro de Bolsonaro com cantores sertanejos e levantamento realizado pelo IPED
por
Letícia Coimbra
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18/10/2022 - 12h

 

Lula e Bolsonaro no debate
Foto: Nelson Almeida/AFP

Distância entre Lula e Bolsonaro diminui

Nesta segunda-feira (17) foi divulgado o resultado da pesquisa eleitoral realizada pelo Ipec, no qual o ex-presidente Lula (PT) tem 50% das intenções de votos, oscilando um ponto para baixo. Já o presidente Jair Bolsonaro (PL) pontuou 43%, diminuindo para sete pontos percentuais a diferença entre ele e o petista. 

Os indecisos são 2%, e brancos e nulos somam 5%. Quando feita a contagem dos votos válidos, o petista tem 54% e Bolsonaro 46%. Nesta modalidade, são excluídos os nulos e brancos na urna eletrônica, e os indecisos na pesquisa, mesmo procedimento usado pela Justiça Eleitoral para divulgar o resultado oficial da eleição.

Na pesquisa espontânea, quando os entrevistadores não apresentam previamente o nome dos candidatos, Lula pontuou 48% e Bolsonaro, 42%. Os indecisos são 4%, e brancos e nulos somam 6%.

Ainda de acordo com a pesquisa, 46% dos eleitores brasileiros não votariam de jeito nenhum em Bolsonaro, e 41% não votariam de jeito nenhum em Lula.

A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

As entrevistas foram feitas nos dias 15 e 17 de outubro e contaram com 3.008 entrevistados, em 184 municípios. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-02707/2022.

 

Bolsonaro cercado por cantores sertanejos que declaram apoio a ele
Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

Apoio de cantores sertanejos

Nesta segunda-feira (17), o presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu alguns artistas sertanejos, que declararam apoio à sua candidatura, no Palácio da Alvorada. Durante passagem pelo local, todos falaram sobre família, religião e contra o socialismo.

Entre os 18 cantores que compareceram, estavam Leonardo, Chitãozinho, Marrone, Zezé Di Camargo, Fernando (da dupla com Sorocaba), Sula Miranda, Gusttavo Lima entre outros. Também estiveram presentes o apresentador Ratinho e o governador reeleito de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil).

Como de costume em seu discurso, o presidente criticou países como Venezuela, Chile e Argentina, os quais ele vê como socialistas. Além disso, agradeceu ao apoio dos artistas, dizendo ser essencial para mudar o voto dos jovens, parcela do eleitorado que tem maior tendência a votar no seu oponente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, o encontro com seus apoiadores deu a ele a certeza de que haverá uma “virada” nas eleições e que vencerá.

 

"Não é mais corrupção", mas sobre direito à oposição

No sábado (15), o fundador do partido Novo, João Amoêdo, revelou a decisão de votar no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste segundo turno. 

"Chegamos a um momento em que a discussão nem é mais corrupção, mas sobre você ter o direito de ser oposição, de estar em um Estado Democrático de fato”, disse, em entrevista à GloboNews.

"Isso foi o que me levou a dizer 'bom, é um sacrifício enorme, serei oposição no dia seguinte, mas hoje terei que votar no número 13", afirmou”.

Segundo o político, atitudes autocráticas de Bolsonaro, que seguem na mesma linha do que já foi feito por Hugo Chávez, na Venezuela, e Viktor Orbán, na Hungria, o fizeram desistir de votar nulo.

“Mas vou me lembrar do presidente que debochava das vítimas na pandemia, enquanto milhares de famílias choravam a perda de seus entes queridos“, disse ao jornal Folha de SP. Além disso, afirmou que nunca esperou digitar 13 na urna e “será uma tarefa dificílima”.

Como Amoêdo afirmou esperar, o presidente do partido Novo criticou sua decisão: "Vergonhosa, constrangedora e incoerente”. No perfil da sigla também foi públicado uma nota a respeito.

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Irmãos presos no Maranhão por suspeita de desvios de verba da saúde; protesto em obra de Van Gogh em Londres e mais
por
Letícia Coimbra
Luan Leão
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14/10/2022 - 12h

Sexta-feira, 14 de outubro de 2022, veja os destaques do resumo AGEMT:

  • Orçamento secreto: irmãos são presos no Maranhão por suspeita de desvios de verba da saúde;

  • Datafolha: Lula registra 49% das intenções de voto; Bolsonaro pontua 43%;

  • Obra de Van Gogh é palco de protesto em Londres;

  • Setor de serviços acumula quarto mês em alta em agosto.

 

Foto: Agência Brasil
Foto: Agência Brasil

Fraude milionária

Nesta sexta-feira (24), a Polícia Federal prendeu dois homens acusados de inserir dados falsos no Sistema Único de Saúde (SUS) para desviar dinheiro do orçamento secreto, participando de uma rede criminosa envolvendo o SUS em municípios do Maranhão. 

As prisões fazem parte da Operação Quebra Ossos, que começou no Centro-Oeste, investigando denúncias de fraudes para aumentar de forma irregular repasses do Fundo Municipal de Saúde a municípios. A operação cumpre mandados de busca e apreensão também no Piauí.  

De acordo com a apuração de auditores da Controladoria Geral da União (CGU), houveram inserções de solicitações no sistema do SUS por municípios do Maranhão, com destinação de emendas parlamentares de até R$ 69 milhões. 

De acordo com a PF, a cidade de Igarapé Grande, no Maranhão, havia informado ter feito mais de 12,7 mil radiografias no dedo, número maior que o total da população, que equivale a 11,5 mil pessoas.

"A CGU constatou que a produção informada pelos profissionais de saúde era demasiadamente inferior à inserida nos sistemas de registros do SUS. Os próprios relatórios de produção do Hospital Municipal Expedito Lopes Galvão, extraídos do sistema interno do hospital, apontam quantidades inferiores dos quantitativos informados no SIA/SUS", informou a CGU em nota.

A decisão que deflagrou a operação determinou o afastamento de servidores investigados de suas funções públicas, suspensão do direito de participar em licitações e suspensão de pagamentos.

 

Estabilidade na corrida eleitoral

Nesta sexta-feira (14) foi divulgado o resultado da pesquisa eleitoral realizada pelo Datafolha, no qual o ex-presidente Lula (PT) tem 49% das intenções de votos. Já o presidente Jair Bolsonaro (PL) pontuou 44%, com apenas cinco pontos percentuais de diferença entre ele e o petista. 

Os indecisos são 1%, e brancos e nulos somam 5%. Quando feita a contagem dos votos válidos, o petista tem 53% e Bolsonaro 47%. Nesta modalidade, são excluídos os nulos e brancos na urna eletrônica, e os indecisos na pesquisa, mesmo procedimento usado pela Justiça Eleitoral para divulgar o resultado oficial da eleição.

Na pesquisa espontânea, quando os entrevistadores não apresentam previamente o nome dos candidatos, Lula pontuou 46% e Bolsonaro, 41%. Os indecisos são 3%, e brancos e nulos somam 6%.

A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O novo levantamento mostra estabilidade na corrida eleitoral, já que os números são os mesmos que os revelados pela pesquisa anterior realizada pelo mesmo instituto.

As entrevistas foram feitas nos dias 13 e 14 de outubro e contaram com 2.898 entrevistados, em 180 municípios. A pesquisa, que foi encomendada pela Folha de SP e TV Globo, foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-01682/2022.

 

Foto: Reprodução/Instagram/@just.stopoil
Foto: Reprodução/Instagram/@just.stopoil

Protesto climático 

Duas ativistas do movimentos "Just Stop Oil" jogaram latas de sopa de tomate no quadro "Girassóis" de Vincent Van Gogh, que fica em exposição na National Portrait Gallery, em Londres. O protesto ocorrido nesta sexta-feira (14) é contra a queima de combustíveis fósseis. 

Segundo a galeria, a obra é protegida por um vidro e não foi danificada. "Há alguns pequenos danos no quadro, mas a pintura está ilesa. Duas pessoas foram presas", disse a galeria. O local é patrocinado pela empresa BP Oil, uma empresa multinacional britânica de gás e petróleo. O contrato se encerra em dezembro de 2022. 

Na legenda do vídeo publicado nas redes sociais, as ativistas explicam as motivações. "Por que estamos protegendo essas pinturas quando não estamos protegendo a milhões de vidas que serão perdidas por causa do colapso climático e social ?", escreveram.

O protesto faz parte da segunda semana de ações de grupos ambientalistas contra as novas licenças de gás e petróleo concedidas pelo governo britânico para tentar solucionar a crise energética que atinge o continente europeu. O grupo Just Stop Oil é conhecido por outros atos polêmicos envolvendo obras de arte. Em julho deste ano, na mesma galeria, o grupo já havia se colado a obra The Hay Wain, do pintor John Constable. 

 

Em alta 

O setor de serviços registrou um aumento de 0,7% na passagem de julho para agosto. O resultado vem depois de uma alta de 1,3% em julho, e já se soma a quarta alta consecutiva no setor, acumulando um avanço de 3,3% no período. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (14).

Com o desempenho registrado, o setor está operando 10,1% acima do nível pré-pandemia, em fevereiro de 2020. Se comparado com agosto de 2021, houve alta de 8%, sendo a 17ª taxa positiva seguida do indicador, sem ajuste sazonal. Os números, integrantes da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), mostram que o resultado ficou 0,9% abaixo do maior patamar da série histórica, registrado em novembro de 2014. 

O acumulado no chegou a 8,4% e o acumulado nos últimos 12 meses passou de 9,6% em julho para 8,9%. Os destaques que puxaram as altas dentro do setor foram outros serviços, com alta de 6,5% e atividades de informação e comunicação (0,6%). No último mês, outros serviços haviam registrado queda de 5% no volume. 

O índice de atividades turísticas também subiu 1,2% em agosto, operando 0,1% acima do patamar pré-pandemia. Do outro lado da balança, após acumular 4% de crescimento entre maio e julho, os transportes tiveram desaceleração de 0,2%. O segmento de serviços profissionais, administrativos e complementares ficou estável e não variou, após queda de 1,1% em julho. 




 

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Tumulto em Aparecida no dia de Nossa Senhora, pedido da campanha de Lula para que o TSE mantenha transporte público gratuito no segundo turno e mais
por
Ana Beatriz Villela
Letícia Coimbra
Luan Leão
|
13/10/2022 - 12h

Quinta-feira, 13 de outubro de 2022, veja os destaques do resumo AGEMT:

  • Participação de Bolsonaro em missa de Nossa Senhora no dia da padroeira é marcada por confusões;

  • Comitê de Lula pede que TSE regulamente transporte público para eleitores no segundo turno;

  • Guerra na Ucrânia: Rússia lança drones "kamikazes" contra os arredores de Kiev, Ucrânia diz ter recuperado novas áreas ocupadas pelos russos e recebe apoio para defesa antiaérea.

 

Foto: Eduardo Knapp/Folhapress
Foto: Eduardo Knapp/Folhapress

Confusão em Aparecida

Nesta quarta-feira (12), o presidente Jair Bolsonaro (PL) visitou o Santuário Nacional de Nossa Senhora de Aparecida, em Aparecida (SP). Ele foi acompanhado de Tarcísio de Freitas (Republicanos), seu candidato ao governo de São Paulo, e do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. 

À tarde, devido ao tumulto criado pela presença de Bolsonaro, o Padre Eduardo Ribeiro, que conduzia a cerimônia, pediu silêncio. Parte do público estava ecoando gritos de “mito”, na direção do presidente. "Silêncio na basílica. Prepare o seu coração, viemos aqui para rezar", pediu. 

Apesar da missa ter corrido bem, do lado de fora do templo, um jovem trajado de camiseta vermelha foi alvo de apoiadores do presidente enfurecidos, que gritavam “mito” e encurralaram-no em um círculo. Quando tentou fugir, foi perseguido por gritos de “Lula ladrão, seu lugar é na prisão” e “a nossa bandeira jamais será vermelha”. A confusão teve fim somente quando o homem sumiu entre os corredores da igreja.

Além disso, também houve hostilização a um cinegrafista e uma repórter da Rede Vanguarda, afiliada local da Globo, que precisaram ser escoltados por funcionários da TV Aparecida. 

Ainda pela manhã, antes da chegada do presidente, o arcebispo de Aparecida, d. Orlando Brandes, defendeu o direito ao voto e incentivou que os fiéis comparecessem às cabines no 2º turno, que será no dia 30 de outubro. Brandes se referiu ao ódio, mentira, fome e desemprego como dragões que precisam ser vencidos. Além disso, mencionou a disseminação de fake news e afirmou que “para ser pátria amada, não precisa ser pátria armada”.

“Para ser pátria amada não pode ser pátria armada. Para ser pátria armada seja uma pátria sem ódio. Para ser pátria amada, uma república sem mentiras e sem fake news. Pátria amada sem corrupção. E pátria amada com fraternidade. Todos os irmãos construindo a grande família brasileira”, declarou.


 

Contra a abstenção

A campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou um pedido junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) sejam orientados a determinar a o funcionamento normal e gratuito do transporte público estadual e municipal no dia 30 de outubro, data prevista para acontecer o 2º turno das eleições.

Segundo documento enviado ao TSE, a campanha alega que a medida seria uma resposta da Justiça Eleitoral ao número de abstenções do 1º turno. “O índice de abstenção no primeiro turno das Eleições 2022 foi de cerca de 20% [...] Tamanha abstenção faz com que tanto a Justiça Eleitoral e seus players sejam obrigados a tomar medidas necessárias de forma a garantir maior participação do eleitorado no processo eleitoral do segundo turno”, argumenta a campanha.

No 1º turno, a campanha de Jair Bolsonaro (PL) foi ao TSE para pedir a limitação dos transportes gratuitos no dia da eleição. A campanha questionava uma decisão de setembro do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou que o transporte público urbano fosse mantido em níveis normais. No entanto, o ministro Benedito Gonçalves, corregedor do TSE, negou o pedido da campanha, classificando como “absurdo”.

“O argumento descamba para o absurdo, ao comparar a não cobrança de tarifa para uso de transporte público regular, em caráter geral e impessoal, com a organização de transporte clandestino destinado a grupos de eleitores, mirando o voto como recompensa pela benesse pessoal ofertada”, disse Gonçalves na decisão

Na mesma decisão, o ministro Barroso, alegando haver custos para as cidades, negou o pedido da Rede Sustentabilidade para que os municípios fossem obrigados a oferecer transporte gratuito nos dias das eleições. O ministro, porém, proibiu que as cidades que já tivessem oferecido o serviço gratuitamente interrompessem a gratuidade. 

 

Foto: Reuters
Foto: Reuters

Resposta russa

A Rússia lançou nesta quinta-feira (13) três drones “kamikazes” para atacar os arredores de Kiev, capital da Ucrânia.  Segundo o governo ucraniano, o ataque foi realizado com aeronaves não tripuladas iranianas do modelo Shahed-136, que se destroem ao serem lançadas contra seus alvos. Entretanto, o governo do Irã nega ter fornecido armamento para Moscou. 

Os drones foram lançados sobre Makariv, que fica a cerca de 50 quilômetros a oeste da capital ucraniana. As autoridades da cidade afirmaram que as aeronaves atingiram "instalações críticas de infraestrutura”.

 

Tem mais…

A Ucrânia disse ter reconquistado áreas invadidas pelos russos e comemorou a chegada de um novo sistema de defesa antiaérea após sofrer dois dias de intensos bombardeios, com chuvas de mísseis, foguetes e drones, na última quarta-feira (12). 

O ataque sofrido pelos ucranianos, segundo o presidente russo, Vladimir Putin, é uma retaliação ao bombardeio contra a ponte da Crimeia, que liga a península anexada por Moscou em 2014 ao território russo. As autoridades ucranianas não confirmaram ou negaram estar envolvidas no ataque da ponte, mas sempre tentaram recuperar a Crimeia e o restante dos territórios ocupados pela Rússia desde o início da guerra. 

"As forças armadas ucranianas libertaram mais cinco cidades no distrito de Berislav da região de Kherson: Novovasylivka, Novogrygorivka, Nova Kamyanka, Tryfonivka, Chervone", anunciou o governo ucraniano, notando, contudo, que as tropas russas resistem. 

Na terça-feira (11), o ministro da Defesa ucraniano, Oleksiy Reznikov, anunciou o recebimento do primeiro sistema de defesa aérea alemão Iris-T e a chegada em breve de sistemas americanos NASAMS. A França, por sua vez, disse que entregará sistemas de radar e defesa aérea à Ucrânia nas próximas semanas, em particular para o país se proteger contra ataques de drones, afirmou o presidente francês Emmanuel Macron na quarta-feira (12).

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Ministro das Relações Exteriores da Rússia diz que Putin "não recusaria" reunião com Biden, Lollapalooza Brasil divulga line-up para 2023 e mais
por
Letícia Coimbra
Luan Leão
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11/10/2022 - 12h

Terça-feira, 11 de outubro de 2022, veja os destaques do resumo AGEMT:

  • Análise: Debate entre candidatos ao governo de SP tem saldo positivo, e isso não diz nada;

  • Guerra na Ucrânia: Sergei Lavrov diz que Putin “não recusaria” reunião com Biden; G7 diz que apoiará Ucrânia “até quando for preciso”;

  • Lollapalooza anuncia atrações da 10ª edição do festival;

  • Pandemia: Média móvel de mortes por COVID-19 completa uma semana em alta.

 

Kirill Kudryavtsev/Pool via REUTERS
Sergei Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia - Foto: Kirill Kudryavtsev/Reuters

Guerra na Ucrânia

Nesta terça-feira (11) Sergei Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia, afirmou em entrevista à TV estatal que Vladimir Putin, presidente russo, “não recusaria” uma reunião com Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, na cúpula do G20 na Indonésia e se recebesse a proposta, consideraria.

Dissemos repetidamente que nunca recusamos reuniões. Se houver uma proposta, então a consideraremos”, disse Lavrov.

Lavrov também afirmou que os Estados Unidos estão há muito tempo envolvidos na Guerra na Ucrânia: “Parece-me que os norte-americanos estão participando de fato desta guerra há muito tempo. Esta guerra está sendo controlada pelos anglo-saxões”, disse.

Ainda nesta terça-feira (11), o G7, grupo das maiores economia do mundo, fez uma reunião de emergência, que foi convocada após o pior ataque da Rússia na Ucrânia. Os países membros declararam que oferecerão apoio à Ucrânia  "pelo tempo que for necessário" e que Kiev tem "direito legítimo" de se defender contra a agressão russa.

"Continuaremos a fornecer apoio financeiro, humanitário, militar, diplomático e legal e permaneceremos firmes com a Ucrânia pelo tempo que for necessário", disse o G7 no comunicado.

Estiveram presentes na reunião virtual Joe Biden (Estados Unidos), Emmanuel Macron (França), Liz Truss (Reino Unido), Olaf Scholz (Alemanha), Fumio Kishida (Japão), Mario Draghi (Itália) e Justin Trudeau (Canadá).

 

Foto: Reprodução/Redes sociais
Foto: Reprodução/Redes sociais

Bandeirantes ou Alvorada?

O debate na Band não favoreceu o eleitor com a escolha do horário e do dia. Um debate em uma segunda, às 22h, com 2 horas de duração é um convite para não assistir. No entanto, fazendo valer o esforço de quem se propôs a ver, os candidatos Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) tiveram o mínimo de cordialidade e respeito com os eleitores.
Mostrando ser um bom aluno, Tarcísio tratou de aprender os nomes de muitas cidades do estado. Depois do vexame em uma sabatina no 1º turno, quando não soube responder onde votava, o ex-ministro da Infraestrutura tem os nomes dos municípios de São Paulo na ponta da língua. A impressão deixada no debate é que o candidato do Republicanos pode até os citar em ordem alfabética, caso você queira. 

Mas isso apenas não basta. O candidato de Jair Bolsonaro (PL) em São Paulo aproveitou a cordialidade de seu adversário e a nacionalização da disputa para prometer até o que não está na sua alçada como governador. Um ponto de atenção é para um problema de oratória dos candidatos e a forma confusa como constroem as argumentações.
Como professor de alto gabarito, Haddad se aproveitou do formato do debate. Esteve muito à vontade para andar pelo estúdio, conversar com as câmeras, e até provocou o oponente com a clássica “bolacha e biscoito”. Mas alguém precisa avisar ao professor que ele é candidato ao governo de São Paulo e não apenas cabo eleitoral do ex-presidente e líder nas pesquisas à presidência, Lula (PT). Um excesso de nacionalização furta de Haddad tempo para que ele possa explicar de forma clara ao eleitor suas propostas. O mesmo se aplica a Tarcísio.
Em outros estados do sudeste, os candidatos se preocuparam em decidir a disputa já no primeiro turno, alguns sendo acusados até de escantear os presidenciáveis (Lula e Bolsonaro). No 2º turno em São Paulo, os candidatos parecem preocupados em não desapontar os padrinhos políticos para não serem os culpados de uma eventual derrota na eleição nacional.

 

Foto: Reprodução/Instagram - Rich Fury / Getty Images via AFP
Foto: Reprodução/Instagram - Rich Fury / Getty Images via AFP

Line up Lollapalooza 2023

Foi divulgado nesta terça-feira (11) as atrações do festival, sendo Drake, Billie Eilish, Blink 182, Rosalía e Lil Nas X as principais. Outros destaques internacionais do festival são The 1975, Kali Uchis, Tove Lo e Conan Gray.

Entre as atrações brasileiras estão a cantora Ludmilla, L7nnon, Filipe Ret, Anavitória, Pedro Sampaio, Pitty e os Paralamas do Sucesso.

A 10ª edição acontecerá nos dias 24, 25 e 26 de março de 2023 no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. As datas e os horários dos shows ainda não foram divulgados.

Confira todas as atrações:

Foto: Divulgação/Twitter
Foto: Divulgação/Twitter

 

Pandemia 

De acordo com dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) o Brasil registrou  7.350 novos casos de COVID-19, e 86 mortes em decorrência da doença nas últimas 24 horas. A média móvel de óbitos nos últimos sete dias é de 71. No total, o país acumula 34.731.539 casos confirmados, e 686.963 óbitos por COVID-19. 

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Ipec mostra cenário de eleição presidencial estável, recorde de endividamento e indadimplência e mais
por
Letícia Coimbra
Luan Leão
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10/10/2022 - 12h

 

Segunda-feira, 10 de outubro de 2022, veja os destaques do resumo AGEMT Especial Eleições:

  • IPEC: Lula tem 55% e Bolsonaro 45%, em votos válidos;

  • Endividamento e inadimplência das famílias atinge maior patamar em 12 anos, diz CNC;

  • Aeroporto de Congonhas tem dia de caos após pneu de avião estourar durante pouso;

  • Putin diz que ataque a Kiev é resposta russa a explosão na Crimeia 


 

Foto: Reprodução/Twitter @lula
Foto: Reprodução/Twitter @lula

Cenário estável

Nesta segunda-feira (10) foi divulgado o resultado da pesquisa eleitoral realizada pelo Ipec, no qual o ex-presidente Lula (PT) tem 51% das intenções de votos. Já o presidente Jair Bolsonaro (PL) pontuou 42%, com nove pontos percentuais de diferença entre ele e o petista. 

Os indecisos são 2%, e brancos e nulos somam 5%. Quando feita a contagem dos votos válidos, o petista tem 55% e Bolsonaro 45%. Nesta modalidade, são excluídos os nulos e brancos na urna eletrônica, e os indecisos na pesquisa, mesmo procedimento usado pela Justiça Eleitoral para divulgar o resultado oficial da eleição.

A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Na pesquisa espontânea, quando os entrevistadores não apresentam previamente o nome dos candidatos, Lula pontuou 49% e Bolsonaro, 42%. Os indecisos são 4%, e brancos e nulos somam 5%. 

As entrevistas foram feitas nos dias 8 e 10 de outubro e contaram com 2.000 entrevistados. A pesquisa, que foi encomendada pela TV Globo, foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-02853/2022.


 

Mikhail Nilov/Pexels
Foto: Mikhail Nilov/Pexels

Tem dívida aí ?

O número de famílias endividadas ou inadimplentes chegou aos maiores valores da série histórica iniciada em 2010, segundo foi divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) nesta segunda-feira (10).

De acordo com a CNC, o número de famílias inadimplentes, ou seja, aquelas com dívidas em atraso, atingiu 30% em setembro, chegando ao valor mais alto da série histórica. Em agosto, o número havia subido para 29,6%. Se comparado a setembro de 2021, quando registrou 25,5%, o número cresceu 4,5%. 

O número de famílias endividadas, que são aquelas que possuem qualquer tipo de dívida (em atraso ou não), também bateu recorde: 79,3%. Em agosto o número era de 79%. Já em setembro de 2021, o número estava em 74%, ou seja, 5% menor.

“Embora os atrasos tenham crescido no mês e no ano entre os consumidores nas duas faixas de renda, as dificuldades de pagamento de todos os compromissos do mês são mais latentes entre as famílias de menor renda” - Izis Ferreira, economista da CNC

Entre as famílias consideradas mais pobres, que recebem menos de dez salários mínimos, o endividamento ultrapassou os 80% pela primeira vez, atingindo 80,3%. A CNC mostrou que o número de mulheres (80,9%) endividadas  também é maior do que o de homens (78,2%). 

Segundo a CNC, o tipo de dívida que mais cresceu foram as de cartões de crédito, que subiu de 84,6% para 85,6% do total de dívidas. O número de famílias que não têm condição de pagar duas dívidas ficou em 10,7%, menor que os 10,8% registrados em agosto, porém, maior que os 10,3% de setembro de 2021. 


 

Foto: Reprodução/Redes sociais
Foto: Reprodução/Redes sociais

Que sufoco…

A pista principal do Aeroporto de Congonhas ficou fechada cerca de 8 horas após o pneu de uma aeronave estourar e fazer ela perder o controle, parando a poucos metros do barranco que termina na Avenida Washington Luis, na zona sul de São Paulo, no começo da tarde de domingo (09). Por conta da interdição, cerca de 140 voos foram cancelados.

Segundo a Infraero, ninguém ficou ferido e o avião de pequeno porte foi retirado por um caminhão para uma pista lateral por volta das 22h. A aeronave transportava dois tripulantes e três passageiros e estava com a documentação regularizada.

Apesar da liberação da pista, a operação no aeroporto ficou longe de ser normalizada. Pelas redes sociais, passageiros relataram espera de mais de 12 horas e problemas em acomodações oferecidas pelas companhias aéreas. 

A estimativa é que aeroportos de 15 estados tenham sido afetados pelo problema em Congonhas. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes (CENIPA) é o responsável por conduzir as investigações sobre as causas do incidente. 


 

Foto: Serviço de Imprensa Presidencial Russa/AP Photo
Foto: Serviço de Imprensa Presidencial Russa/AP Photo

"As respostas da Rússia serão duras", diz Putin

Nesta segunda-feira (10), o presidente da Rússia, Vladimir Putin, alegou que a Ucrânia fez atos terroristas contra a Rússia e ameaçou reagir com força caso o cenário continue.

Através de uma transmissão televisionada, o presidente afirmou que Moscou lançou ataques de mísseis de longo alcance contra a infraestrutura de energia, militar e de comunicações ucraniana como retaliação devido a um ataque que liga a Crimeira ao território continental russo no sábado (8), que classificou com “ato vil de terrorismo”. 

“É óbvio que os serviços secretos ucranianos ordenaram, organizaram e executaram o ataque terrorista destinado a destruir a infraestrutura civil crítica da Rússia”, afirmou o líder russo.

Apesar das autoridades ucranianas terem celebrado após a explosão na ponte, Kiev não assumiu o ato.

“Se continuarem as tentativas de realizar atos terroristas em nosso território, as respostas da Rússia serão duras e em sua escala corresponderão ao nível de ameaças criadas. Ninguém deve ter dúvidas sobre isso”, afirmou Putin.

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