Uma mudança na mentalidade corporativista do brasileiro está atrelada à luta pela redução de horas trabalhadas
por
Clara Dell'Armelina
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19/05/2026 - 12h

O debate sobre o fim da escala 6x1 ganhou um maior fôlego nos últimos dias após a Câmara dos Deputados confirmar para 26 de maio deste ano a votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que reduz a jornada semanal de trabalho e amplia o descanso dos trabalhadores brasileiros. A medida pode impactar cerca de 16 milhões de trabalhadores que atualmente atuam no modelo de seis dias de trabalho para apenas um de repouso. O avanço da proposta ocorre em meio à pressão popular, com apoio de centrais sindicais e resistência de parte do empresariado, e corrida eleitoral.

Foram reacendidas as discussões entre empresários, trabalhadores e especialistas sobre produtividade, saúde mental e reorganização do mercado de trabalho. Para a economista e CEO da DS Estratégia de Educação e Inteligência Financeira, Dirlene Silva, em entrevista à AGEMT, o debate vai além das planilhas econômicas e exige uma mudança estrutural na forma como o trabalho é pensado no Brasil, “essa transição exige mais do que um ajuste de escala, ela exige mudança de modelo de gestão e de mentalidade”, afirma.

Dirlene Silva: Economista e mestre em Gestão e Negócios, é fundadora e CEO da DS Estratégia de Educação e Inteligência Financeira.
Dirlene Silva (Foto: Fábio Chialastri)

Segundo Dirlene, experiências internacionais em países como Islândia e Reino Unido mostraram que jornadas reduzidas podem manter, ou até mesmo chegar a elevar, a produtividade quando acompanhadas de reorganização dos processos internos, “esses países demostraram que o ganho vem da reorganização do trabalho, não da redução pura e simples de horas. Na prática, as empresas precisam atuar nas frentes de revisão de processos, gestão por resultados, redistribuição de jornadas e mudança de mentalidade”, explica Silva, que sugere que devem especialmente procurar buscar uma transformação da cultura corporativa, abandonando a lógica de que longas jornadas representam maior eficiência e reconhecendo que descanso e bem-estar também impactam diretamente a produtividade do trabalhador. “A economia é, sobretudo, sobre pessoas. E pessoas não produzem de forma linear ao longo de horas extensas”, diz ela.

O aumento de receita registrado em empresas que adotaram jornadas reduzidas está ligado diretamente ao ganho de eficiência operacional e ao bem-estar dos trabalhadores. Experiências internacionais reforçam essa lógica de que menos horas de trabalho podem significar mais foco, menos retrabalho e melhor aproveitamento do tempo. Em 2019, a filial japonesa da Microsoft registrou aumento de quase 40% na produtividade após implementar uma semana de quatro dias de trabalho, além de reduzir gastos com energia e reuniões mais longas. Para Dirlene, empresas que cuidam das pessoas conseguem maior consistência na entrega de resultados. “Seres humanos precisam de descanso para produzirem melhor”, afirma.

Prédio da Microsoft - Imagem: Tang Yan Song/Shutterstock
Microsoft - Imagem: Tang Yan Song/Shutterstock

Falar sobre o adoecimento físico e mental dos trabalhadores é também falar sobre os impactos econômicos para empresas e para o próprio Estado, especialmente nas áreas de saúde pública e previdência. “Ao longo de mais de 30 anos no corporativo, vi muitas pessoas adoecerem e até morrerem por excesso de trabalho”, relata. Para Dirlene, jornadas menores favorecem equilíbrio emocional, melhora na tomada de decisão e redução do adoecimento mental. “Economia não acontece só na planilha, acontece também no comportamento. E comportamento melhora quando as condições melhoram”, explica.

Toda essa discussão também expõe desigualdades históricas do mercado de trabalho brasileiro, os trabalhadores submetidos às jornadas mais longas geralmente ocupam cargos menos valorizados e recebem salários menores. “Não é a quantidade de horas que determina o nível de renda, mas o tipo de trabalho, o nível de qualificação e a posição ocupada na estrutura produtiva”, afirma.

A CEO ainda aponta que, no Brasil, a cultura da hora extra muitas vezes se transforma em complemento salarial, refletindo baixos salários estruturais, “ainda convivemos com um cenário em que trabalhar mais horas não significa, necessariamente, ganhar mais”. Uma pesquisa da Catho reforça esse cenário apontando que 60,7% dos trabalhadores brasileiros fazem horas extras regularmente e, segundo o levantamento, muitas empresas ampliam a carga de trabalho dos funcionários como estratégia para aumentar a produtividade, algo que contribui para a normalização das jornadas extensas no mercado de trabalho do Brasil.

Gráfico da pesquisa da Catho
(Foto: Reprodução/Catho)

Dirlene acredita que a principal barreira para a aprovação definitiva da medida ainda é cultural, ela diz que ainda “existe uma lógica muito antiga baseada em controle de jornada, não em produtividade”. Ela defende que o país precisa compreender que desenvolvimento econômico sustentável depende diretamente das condições de vida dos trabalhadores pois “não existe desenvolvimento sustentável com pessoas adoecendo para sustentar o sistema”, conclui.

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Em meio ao envelhecimento de cada indivíduo, uma vida digna é garantida para todos. E deveria ser assim, mas a realidade de muitos é contraditória.
por
Alice Begnini
Rafaella Lalo
Heloá Hurtado
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09/04/2026 - 12h

Por trás de peles enrugadas, histórias invisíveis que não são contadas nas visitas, que por vezes nem se quer existem, um capítulo que não é mostrado nas fotos de família. Os corredores são silenciosos, com rotinas organizadas e uma saudade sem tamanho: A família. Abraços, ligações e o próprio calor humano se tornam ausentes, aquela presença de quem fez parte da história, não está mais ali. Os olhares esperançosos entre as portas, esperando a entrada de alguém que talvez não venha mais.

A carência, não é apenas algo físico, ela se torna algo estrutural. O dia que era marcado por encontros, passa a ser marcado por rotinas rígidas, silenciosas, que nem sempre são sinônimos de paz. As datas comemorativas, nem sequer existem, não são compartilhadas. Mesmo com profissionais dedicados e capazes, há um espaço que nenhuma instituição irá suprir, onde o abandono familiar se instala.

Pensando nesse sentido, observa-se que a superlotação piora a realidade. O espaço acolhedor se torna insuficiente perante a grande demanda, idosos começam a dividir quartos, rotinas e além de tudo suas histórias. Aquela atmosfera que indica transmitir cuidado, afeto e tranquilidade, torna- se hostil, provocando uma crise emocional, social e humana.

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) registraram um grande aumento na população idosa entre 2010 e 2022, além de apontar que o número de idosos que residem em abrigos cresceu 65% em 10 anos.

Profissional auxiliando a mobilidade de um idoso que necessita de cuidados.
Idosos representam cerca de 15% da população. Foto:pixabay.

Segundo Flávia Damião, enfermeira, que atua no Lar Sant’Ana Residencial: “É muito comum a ocorrência de abandono, mesmo em residências de famílias com boas condições financeiras.” A afirmação da enfermeira evidencia que o abandono familiar perpassa a saúde mental e física dos idosos.

Há cinco anos atuando na área, Damião presencia o cotidiano e os desafios desse ambiente. No lugar onde trabalha, residem cerca de 100 idosos que estão inseridos em atividades de dança, exercício físico e fisioterapia. Segundo ela, essas práticas contribuem diretamente para a saúde mental e favorecem a socialização entre eles.

Contudo, o cuidado profissional não ocupa todas as faltas. “Apesar das condições, eles ainda são muito carinhosos “, afirma. Ao falar sobre o afastamento familiar, ela é clara: “É comum, inclusive em um residencial de alto padrão. “Eles sentem muito. Ela não sabe mais quem eu sou, mas eu sei quem ela é”. Aponta um relato presenciado pela enfermeira.

A força desse abandono é complexa e afeta a saúde física e mental. Entretanto, não é pontuado um único motivo para esse afastamento familiar, a falta de tempo, rotina de trabalho intenso, dificuldade em lidar com os cuidados e até mesmo o desespero emocional. Cada caso tem o peso de sua história, de suas vivências. “Eu não sei o passado deles, nem como era a convivência com a família. Eu não sei quem ele foi, eu sei o que ele é aqui”, aponta Flávia.

A psicóloga Normal Richter, explica que a solidão pode gerar ou piorar um quadro de saúde. “Quando estão em estado de lucidez, é comum que sintam raiva, tristeza e sentimentos que intensificam a impressão de abandono e ingratidão por parte da família.

Porém, nem sempre é assim dentro dessas casas. Ailton Luiz, filho de uma ex-residente dessas casas de repouso, aponta uma vivência diferente. Ailton acompanhou de perto o tempo que sua mãe esteve dentro desse ambiente e afirma o cuidado recebido. “Eles tinham bastante assistência. O cuidado era 24 horas, não só físico, mas com relação aos medicamentos também. Segundo ele, existia um cuidado com o bem-estar. “Eles passeavam com ela nos espaços da casa, conversavam, não deixavam ela parada, isso fazia a diferença.”

Idosos fazendo atividades em conjunto.
Pessoas da terceira idade que praticam atividades regulares tem até 30% menos risco de ter doenças como a depressão. Foto:@larsantanaresidencial.

O relato dele, aponta que, se existissem estruturas próprias e adequadas, profissionais prontos e investimentos para os medicamentos as residências poderiam sim cumprir seu objetivo, mas essa não é a realidade de muitos.

Flávia Damião relembra algumas situações delicadas em instituições públicas. “Os quartos estavam tão cheios que não tinha como passar. Em muitos casos, os idosos chegam por resgates, retirados de situações de extrema vulnerabilidade.”

A forma precária vai além da estrutura em si, em algumas instituições há ausência de medicamentos, fraldas e até mesmo itens de higiene básica. Por diversas vezes campanhas e organizações dos próprios funcionários arrecadam os itens necessários e se propõem para buscar vagas em outras casas que não estão superlotadas. É um apoio improvisado, que acaba mantendo de maneira básica aquele ambiente, por meio de iniciativas individuais ou coletivas do que propriamente de uma ação do poder público.

Flávia afirma que o cuidado emocional não pode ser sistematizado. “Trabalhar com idoso é um grande desafio”. Destaca que esse tipo de trabalho exige sim preparo, mas acima de tudo sensibilidade perante as histórias marcadas muitas vezes, pela própria ausência.

A enfermeira ainda conclui, “Gostaria que esse público fosse mais olhado. Que não precisassem ser abrigados em casas de níveis precários. Que todos pudessem ter um envelhecimento digno”.

Diante desse cenário, a superlotação e o afastamento familiar dos idosos apontam mais falhas estruturais, demonstram a forma com que a sociedade tem lidado com o envelhecimento. Provocada não apenas pela falta de recursos, mas também pela falta de vínculo, comprometimento e responsabilidade.

Desse modo, comportamentos que afetam a dignidade dos idosos violam e desrespeitam os direitos pregados pelo Estatuto da Pessoa Idosa, que prezam pela segurança e cuidado absoluto, protegendo de qualquer negligência, discriminação, violência e crueldade. 

Entretanto, com o aumento do envelhecimento populacional, o vínculo afetivo se destaca em meios de prevenção contra a decadência da saúde mental e física dos idosos, entregando para a sociedade conscientização das obrigações que são implementadas sobre os cuidados e responsabilidades sobre pessoas idosas. Por trás de um corpo que não tem a mesma agilidade de antes e uma mente que hoje não é tão lúcida, existem histórias que um dia foram momentos importantes e fizeram parte da trajetória de vida de alguém. Cabe à comunidade honrar essa história e lembrá-los de sua importância dentro do espaço onde vivem, reafirmando que eles são seres humanos e merecem respeito e qualidade de vida digna.

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Trajetória de Paulo Ignez revela a luta, persistência e um amor inabalável pelo desenho.
por
Victória Ignez
Isadora Cobra
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13/11/2025 - 12h

  

A primeira memória que Paulo Lemes Ignez Jr. guarda de si mesmo é ele desenhando. O papel, o lápis e o silêncio curioso da infância nunca foram passatempo, eram destino. Aos 8 anos, já imitava o pai, copiando cada linha com a urgência de quem sabia, mesmo sem saber, que a arte seria seu caminho. E foi. 

Fotografia de Paulo Ignez Junior
Acervo Pessoal: Paulo Ignez Junior

Hoje, aos 42 anos, Paulo é um dos nomes mais respeitados do mercado de animação e games, com mais de 23 anos de carreira. Atuou como Animador e Character Designer em produções nacionais e internacionais, como o filme “A Princesa e o Sapo” (Disney Feature Animation), os curtas “Eu Juro que Vi” (MultiRio) e o game “Chef Squad” (Eldorado Studios). Há 15 anos também ministra cursos sendo 13 deles na ICS, formando artistas que hoje vivem do que ele ensinou. Atualmente, trabalha como supervisor de animação em dois grandes estúdios e dedica parte de seus dias à carreira autoral como artista visual. 

Mas o caminho até aqui nunca foi linear. Nunca foi fácil. Nunca foi garantido. 

Paulo nasceu em 1983, cresceu entre mudanças, escolas diferentes e amigos que, por coincidência ou destino, também desenhavam. Uma sincronia que, hoje, ele entende como combustível. As referências vinham de todo lugar: animes, quadrinhos de super-heróis e revistas sobre games e animação. Assim a paixão dele por esse mundo foi crescendo. 

Aos 15, era impossível e injusto pedir que ele seguisse qualquer outro caminho. Começou a trabalhar cedo, entrou em uma escola de animação sem ter dinheiro para continuar pagando, foi nessa mesma instituição que conseguiu o primeiro emprego, porque o diretor da escola também tinha um estúdio de animação chamado HGN Produções e então surgiu a oportunidade de começar como estagiário, ele conta que ganhava “bem pouco”, mas seu talento falou primeiro, o diretor jogou no mercado, onde Paulo cresceu estúdio após estúdio, quadro após quadro. 

Paulo sempre teve vontade de trabalhar para fora do país, e durante os trabalhos no Brasil, conheceu um profissional de animação que trabalhou para produções da Disney. Ele conta que, no estúdio esse produtor, havia os livros dos filmes da Disney, como eram feitos, e tinha fitas de videocassete que mostravam os estúdios, o make-off dos filmes. Foi então que Paulo teve uma virada de chave e se programou para morar no Canadá. Seu objetivo era aprimorar seu inglês e se especializar ainda mais no seu trabalho. 

Ele sempre soube o que era capaz de fazer, o mundo ao redor é que demorou a perceber.  

No início, o desafio era ser levado a sério. Jovem demais, rápido de menos, eficiente de mais em um ambiente que testava seus limites diariamente. Aprendeu a se comunicar, a trabalhar em equipe, a entregar rápido, a lidar com pressões que quebram muitos no começo. Mais tarde, quando virou supervisor com pouco mais de 20 anos, sentiu a resistência de profissionais mais velhos que não o viam como autoridade. Era um menino em um cargo de adulto, mas ele persistiu. Foi ganhando confiança, velocidade, precisão. Foi deixando de ser promessa para se tornar referência. 

Paulo trabalhou na equipe brasileira que animou cenas de “A Princesa e o Sapo”, da Disney. Remotamente, mas com padrão internacional e supervisores exigentes. Foi selecionado para cenas complexas, revisou trabalhos de outros artistas, coordenou uma pequena equipe. Diz que foi um dos trabalhos mais cansativos da vida e um dos mais marcantes. Visitou o estúdio da Disney. Viu de perto aqueles que admirou por anos. Confirmou que conseguia ocupar esse espaço.  

Para ele, o mercado de animação no Brasil anda “em passos de formiga”. Falta investimento governamental, as políticas de incentivo oscilam e a maioria dos melhores artistas do país trabalha para fora como ele. Paulo não romantiza o setor, sabe que não é do governo que virá o reconhecimento, e sim da própria força de cada artista. 

Ainda assim, vê valor no que muitos produzem com poucos recursos, e acredita que artistas não podem depender do que nunca veio de forma consistente. 

Paulo não se vê como alguém que “transforma o mundo”, mas sabe que seu trabalho influencia principalmente crianças. Ao mesmo tempo, é crítico do conteúdo que chega ao público infantil, afirmando que a maioria dos desenhos e games consumidos hoje têm mais potência negativa do que positiva. Para ele, o filtro dos pais é essencial. E lembra algo importante: quem realmente molda a sociedade são as narrativas mais realistas, filmes, séries, histórias que tratam do humano. A animação, segundo ele, toca mais as crianças, mas não define culturas inteiras. 

O dia de Paulo começa cedo e termina tarde. Supervisiona equipes, revisa desenhos, faz correções, participa de reuniões com diretores internacionais e, à noite, dá aula até as 22h30. Quando sobra tempo e quase nunca sobra, ele relaxa desenhando para si, andando de patins ou tocando violão. Também mergulha em estudos de filosofia, religiões comparadas e mitologia. Esse é o espaço onde respira. 

O pai que viu o artista nascer 

Paulo Tadeu Ignez, pai, acompanhou tudo desde o primeiro traço. “Desde sempre. Começou com uns 8 anos, quando ele me via desenhando.” Ele não só viu, apoiou, pagou cursos, incentivou o que podia. Hoje, fala com orgulho: “Ele ensinou muita gente. Imagine quantas pessoas vivem de desenho porque aprenderam com ele. Na comunidade artística, ele é conhecido como mestre.” Mas também revela saudades: “Ele se tornou um pouco antissocial, sempre focado no trabalho dele, prioriza os estudos.” Nos próximos anos, Paulo, o filho, quer expandir o trabalho autoral, criar uma marca própria, produzir pinturas, ilustrações, fine art, talvez expor em galerias. Também quer manter o ensino vivo formando mais artistas, como quem devolve ao mundo aquilo que recebeu. Ele sabe que o Brasil talvez nunca dê o reconhecimento que sua área merece. Mas também sabe que o mundo reconhece e isso basta. Porque, no fim, Paulo continua sendo o menino que desenhava para mostrar às pessoas. Agora, a diferença é que o mundo inteiro olha de volta.

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Ministério da Saúde confirmou, nesta quinta-feira (09), 24 casos e cinco mortes na capital paulista
por
Juliana Bertini de Paula
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09/10/2025 - 12h

Desde o dia 18 de setembro, diversos quadros de intoxicação por metanol têm sido relatados por hospitais de diferentes estados. Nesta quinta-feira (09), o Ministério da Saúde divulgou um novo balanço, com 5 mortes e 24 casos confirmados em tratamento. Outros 235 são investigações apenas na cidade de São Paulo. Outros casos também despontaram em diversos estados do Brasil, bem como em São Bernardo do Campo e outras cidades da Grande São Paulo.

A intoxicação é provocada pela ingestão de metanol em bebidas adulteradas. Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Piauí, Espírito Santo, Goiás, Acre, Paraíba e Rondônia também investigam casos de intoxicação. Paraná e Rio Grande do Sul confirmaram ocorrências.

Entre as mortes confirmadas estão Ricardo Lopes Mira, de 54 anos, Marcos Antônio Jorge Júnior, de 46 anos e Marcelo Lombardi, de 45 anos, moradores de São Paulo, além de Bruna Araújo, de 30 anos, de São Bernardo do Campo, e Daniel Antonio Francisco Ferreira, 23 anos, de Osasco.

Na capital paulista, em 30 de setembro, 7 locais foram alvo de investigação da vigilância sanitária. Em dois deles foram encontradas bebidas com metanol. Mais 11 estabelecimentos foram interditados. O bar Ministrão, na Alameda Lorena, nos Jardins, e o bar Torres, na Mooca, foram fechados temporariamente. Seis distribuidoras e um bar em São Bernardo do Campo também foram interditados.

Bar Ministrão, nos Jardins. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Bar Ministrão, nos Jardins. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O que dizem as autoridades?

Nesta segunda-feira (06), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), realizou uma coletiva de imprensa, junto com representantes das secretárias de Saúde, Segurança Pública, Justiça e Cidadania, Desenvolvimento Econômico, Fazenda e Planejamento. Além deles, estavam presentes representantes do ramo de bebidas, que auxiliaram no treinamento de agentes públicos e comerciantes para a identificação de falsificações.

Durante a entrevista, o governador contrariou as declarações do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e descartou a possibilidade de envolvimento de facções criminosas na adulteração de bebidas, sem revelar qual a hipótese que está sendo seguida pela polícia paulista. Tarcísio foi criticado por brincar com a situação dizendo que “quando falsificarem Coca-Cola, vou me preocupar”. No dia seguinte, em suas redes sociais, Freitas publicou um vídeo no qual pedia desculpas pela afirmação.

Em fevereiro deste ano, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) divulgou que 13 bilhões de litros de bebidas adulteradas são comercializados ilegalmente todos os anos, com perdas fiscais que podem chegar a R$ 72 bilhões, sendo a segunda maior fonte de renda das facções de crime organizado, que perde apenas para combustíveis adulterados.

O Fórum destaca ainda a prática ilegal conhecida como refil, quando há reutilização de garrafas para envasamento de bebidas falsificadas. Só em 2023 foram apreendidas 1,3 milhão de garrafas do tipo. Há também anúncios online de venda de garrafas vazias com rótulos das bebidas. Além disso, em 2016, durante o governo de Michel Temer, o Sistema de Controle de Produção de Bebidas, o Sicobe, foi suspenso sob alegação de altos custos de manutenção (R$ 1,4 bilhão ao ano), o que tornou a fiscalização federal inexistente e realizada por meio de autodeclaração dos bares.

Em nota para a AGEMT, a Secretária Municipal de Saúde de São Paulo disse que “as ações da Vigilância Sanitária do município são constantes, com fiscalizações em comércios varejistas (restaurantes, bares, adegas, lanchonetes, entre outros) e distribuidores/atacadistas de bebidas, na verificação da procedência da bebida: se há nota fiscal de aquisição, lacre de segurança, integridade e legibilidade da rotulagem, se apresenta todas as informações obrigatórias (dados do fabricante/importador, lote, registro no órgão oficial), bem como a manipulação. A pasta está intensificando ações em comércios junto à vigilância estadual e à Secretaria de Segurança Pública.”

A Secretaria de Segurança Pública não se pronunciou para a AGEMT. O espaço segue aberto.

Sintomas e tratamentos

Em entrevista à AGEMT, o farmacologista e toxicologista Maurício Yonamine conta que a rapidez para o atendimento médico é o fator mais crítico para a chance de recuperação em caso de intoxicação por metanol. “O prognóstico é melhor quanto mais rápido for o diagnóstico e o início do tratamento, pois o tempo é o que permite que os subprodutos tóxicos (principalmente o ácido fórmico) se acumulem e causem danos irreversíveis.”

Maurício Yonamine, toxicologista formado pela USP. Foto: Reprodução/RevSALUS
Maurício Yonamine, toxicologista formado pela USP. Foto: Reprodução/RevSALUS

 

Maurício conta que o principal problema do metanol é que ele deixa o sangue extremamente ácido e, após ser metabolizado pelo fígado, gera subprodutos extremamente tóxicos, principalmente o formaldeído e o ácido fórmico. “O acúmulo desses metabólitos, especialmente o ácido, interfere na função celular, ataca nervos e órgãos.”

Os sintomas de intoxicação por metanol nas primeiras horas podem ser confundidos com uma ressaca forte, náuseas, dor abdominal, tontura e dor de cabeça. Muitas vezes, os sintomas são leves, o que atrasa a procura por atendimento médico. “Os sintomas iniciais podem ser traiçoeiros”, diz Yonamine.

Depois, começam aparecer os sintomas mais fortes, resultado do ácido fórmico que tem uma afinidade particular pelas células do nervo óptico. Entre eles estão a visão turva, a fotofobia e a aparição de pontos luminosos. Além disso, o sangue ácido causa respiração acelerada, fraqueza, confusão mental e sobrecarga no coração e nos pulmões.

Se não tratado com urgência, o quadro evolui para complicações graves em até 48 horas. O ácido atinge o sistema nervoso central, podendo causar convulsões, rebaixamento de consciência, coma e arritmias cardíacas. A partir disto, os danos passam a ser sistêmicos: coração, pulmões e rins entram em colapso progressivo, consequência direta da acidose metabólica (sangue ácido) severa e da sobrecarga tóxica. É nesse momento que o risco de morte se torna elevado e, mesmo com tratamento, as chances de cura caem drasticamente. 

No sábado (05), o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou a compra de 2,6 mil antídotos para a ingestão de metanol durante uma coletiva de imprensa em Teresina. O medicamento chamado fomepizol não possui registro no Brasil e foi comprado de maneira emergencial, juntamente com a Organização Panamericana de Saúde, de um fabricante japonês, Daiichi Sankyo. 

 

 

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Ativo desde 2011, canal produzia conteúdos sobre a Universidade de forma educativa, contava com mais de 100 mil inscritos e ficou 12 dias fora do ar
por
Khauan Wood
Victória da Silva
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01/10/2025 - 12h

Perfil da TV PUC, canal Universitário da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) no YouTube foi reativado pela plataforma na tarde desta quarta-feira (01) após ter sido retirado do ar sem aviso prévio ou justificativa no último dia 19 de setembro.

A conta tem um importante e extenso acervo histórico e cultural da instituição. 

Em publicação realizada em seu Instagram oficial, a Fundação São Paulo (Fundasp), mantenedora da PUC-SP, denunciou no dia 30 de outubro que o canal havia sido simplesmente retirado da grade da plataforma repentinamente.

Ainda na publicação, a instituição informou que a empresa, que é ligada ao Google, enviou apenas um e-mail informando que a retirada seria causada por descumprimento das regras e diretrizes da plataforma, sem detalhar de que se tratava, acrescentando que as políticas de spam, práticas enganosas e golpes não teriam sido seguidas.

A Universidade abriu uma contestação dentro da plataforma, em que constava um prazo de 48 horas para o retorno. Após o prazo, uma nova mensagem enviada dizia que uma nova resposta seria dada dentro de 24 horas. Mas esses prazos não foram respeitados, o que motivou a denúncia nas redes sociais que mobilizou a comunidade acadêmica.

O time da TV PUC afirmou à Agemt que tudo começou quando um dos integrantes da equipe tentou gerar um link para uma live, mas a página não abria corretamente. Em seguida, eles receberam uma notificação de que o perfil havia sido retirado do ar.

Também em entrevista à Agemt, Julio Wainer, professor da PUC-SP e diretor da TV PUC, relata que em anos de canal, nunca receberam sequer uma advertência. O diretor contou que houve avisos pontuais sobre conteúdos com direitos autorais, que foram retirados imediatamente.

Ainda segundo ele, a equipe jurídica da Fundasp esteve em contato direto com a plataforma durante todo o período de inatividade para tentar reaver o canal. 

De acordo com a Fundasp, a TV PUC existe desde 2007, mas publica vídeos regularmente desde 2011. O canal contava com mais de 5 mil publicações e já ultrapassara o número de 100 mil inscritos.

Ao publicar novamente o canal, a plataforma enviou mensagem à TV PUC desculpando-se pelo ocorrido. Os responsáveis pelo canal ainda avaliam se todo o conteúdo e os seguidores da página foram mantidos.

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A TV PUC produz conteúdos ativamente há 14 anos. Foto: Victória da Silva

O conteúdo do canal universitário é diverso e produzido por professores e alunos. Sobre isso, o diretor da TV PUC afirma que o canal possui “de tudo um pouco”, já que conta com trabalhos institucionais de alunos e professores sobre temas variados, além de lives e programas. 

“Tudo que nós produzimos, nós colocamos lá como repositório para ir acumulando visualizações e as pessoas ficarem sabendo”, contou. O canal tem como missão promover os assuntos debatidos na universidade, mostrando o que é feito para diferentes cursos e com o que os alunos têm engajado na rotina universitária.

A TV PUC também acompanha palestras e outros acontecimentos da universidade e publica os eventos na íntegra, além de resumi-los em outros vídeos com depoimentos dos participantes. A recepção de calouros, que acontece todos os anos e recebe figuras importantes no Tucarena para a abertura do semestre, é um exemplo dos vários registros que o canal tinha antes da retirada.

Falas de personalidades históricas, professores e intelectuais foram derrubadas após a retirada do canal do ar, além de documentários relevantes e outros materiais importantes para a história da PUC-SP apagados pela plataforma ainda sem justificativa.

A TV PUC também tenta trazer os estudantes para as telas e enxergar a PUC-SP a partir do olhar deles. Para isso, as matérias sempre contam com entrevistas e conversas com os alunos que se envolvem nas diferentes atividades que ocorrem durante o ano. Os vídeos são informativos e promovem pautas científicas, culturais e políticas.

O professor do curso de jornalismo, Aldo Quiroga, destacou em um vídeo em seu perfil no Instagram que a Roda de Conversa com os vencedores do Prêmio Vladimir Herzog, em que os jornalista contam como as reportagens vencedoras foram realizadas, também é um dos exemplos dos conteúdos “sequestrados pelo Youtube”, na derrubada do canal. É a TV PUC quem faz a transmissão anual da Roda de Conversa Vladimir Herzog e do Prêmio que também leva o nome do jornalista morto pela ditadura militar.

No vídeo, Quiroga também ressalta a influência das Big Techs sobre o Congresso Nacional para impedir a regulamentação dessas empresas pela sociedade civil, que se encontra refém de decisões como essa.

Em nota enviada à Agemt, o Google afirmou que está apurando o motivo do encerramento do canal e que retornaria em breve. O espaço segue aberto.

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Tumulto em Aparecida no dia de Nossa Senhora, pedido da campanha de Lula para que o TSE mantenha transporte público gratuito no segundo turno e mais
por
Ana Beatriz Villela
Letícia Coimbra
Luan Leão
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13/10/2022 - 12h

Quinta-feira, 13 de outubro de 2022, veja os destaques do resumo AGEMT:

  • Participação de Bolsonaro em missa de Nossa Senhora no dia da padroeira é marcada por confusões;

  • Comitê de Lula pede que TSE regulamente transporte público para eleitores no segundo turno;

  • Guerra na Ucrânia: Rússia lança drones "kamikazes" contra os arredores de Kiev, Ucrânia diz ter recuperado novas áreas ocupadas pelos russos e recebe apoio para defesa antiaérea.

 

Foto: Eduardo Knapp/Folhapress
Foto: Eduardo Knapp/Folhapress

Confusão em Aparecida

Nesta quarta-feira (12), o presidente Jair Bolsonaro (PL) visitou o Santuário Nacional de Nossa Senhora de Aparecida, em Aparecida (SP). Ele foi acompanhado de Tarcísio de Freitas (Republicanos), seu candidato ao governo de São Paulo, e do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. 

À tarde, devido ao tumulto criado pela presença de Bolsonaro, o Padre Eduardo Ribeiro, que conduzia a cerimônia, pediu silêncio. Parte do público estava ecoando gritos de “mito”, na direção do presidente. "Silêncio na basílica. Prepare o seu coração, viemos aqui para rezar", pediu. 

Apesar da missa ter corrido bem, do lado de fora do templo, um jovem trajado de camiseta vermelha foi alvo de apoiadores do presidente enfurecidos, que gritavam “mito” e encurralaram-no em um círculo. Quando tentou fugir, foi perseguido por gritos de “Lula ladrão, seu lugar é na prisão” e “a nossa bandeira jamais será vermelha”. A confusão teve fim somente quando o homem sumiu entre os corredores da igreja.

Além disso, também houve hostilização a um cinegrafista e uma repórter da Rede Vanguarda, afiliada local da Globo, que precisaram ser escoltados por funcionários da TV Aparecida. 

Ainda pela manhã, antes da chegada do presidente, o arcebispo de Aparecida, d. Orlando Brandes, defendeu o direito ao voto e incentivou que os fiéis comparecessem às cabines no 2º turno, que será no dia 30 de outubro. Brandes se referiu ao ódio, mentira, fome e desemprego como dragões que precisam ser vencidos. Além disso, mencionou a disseminação de fake news e afirmou que “para ser pátria amada, não precisa ser pátria armada”.

“Para ser pátria amada não pode ser pátria armada. Para ser pátria armada seja uma pátria sem ódio. Para ser pátria amada, uma república sem mentiras e sem fake news. Pátria amada sem corrupção. E pátria amada com fraternidade. Todos os irmãos construindo a grande família brasileira”, declarou.


 

Contra a abstenção

A campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou um pedido junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) sejam orientados a determinar a o funcionamento normal e gratuito do transporte público estadual e municipal no dia 30 de outubro, data prevista para acontecer o 2º turno das eleições.

Segundo documento enviado ao TSE, a campanha alega que a medida seria uma resposta da Justiça Eleitoral ao número de abstenções do 1º turno. “O índice de abstenção no primeiro turno das Eleições 2022 foi de cerca de 20% [...] Tamanha abstenção faz com que tanto a Justiça Eleitoral e seus players sejam obrigados a tomar medidas necessárias de forma a garantir maior participação do eleitorado no processo eleitoral do segundo turno”, argumenta a campanha.

No 1º turno, a campanha de Jair Bolsonaro (PL) foi ao TSE para pedir a limitação dos transportes gratuitos no dia da eleição. A campanha questionava uma decisão de setembro do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou que o transporte público urbano fosse mantido em níveis normais. No entanto, o ministro Benedito Gonçalves, corregedor do TSE, negou o pedido da campanha, classificando como “absurdo”.

“O argumento descamba para o absurdo, ao comparar a não cobrança de tarifa para uso de transporte público regular, em caráter geral e impessoal, com a organização de transporte clandestino destinado a grupos de eleitores, mirando o voto como recompensa pela benesse pessoal ofertada”, disse Gonçalves na decisão

Na mesma decisão, o ministro Barroso, alegando haver custos para as cidades, negou o pedido da Rede Sustentabilidade para que os municípios fossem obrigados a oferecer transporte gratuito nos dias das eleições. O ministro, porém, proibiu que as cidades que já tivessem oferecido o serviço gratuitamente interrompessem a gratuidade. 

 

Foto: Reuters
Foto: Reuters

Resposta russa

A Rússia lançou nesta quinta-feira (13) três drones “kamikazes” para atacar os arredores de Kiev, capital da Ucrânia.  Segundo o governo ucraniano, o ataque foi realizado com aeronaves não tripuladas iranianas do modelo Shahed-136, que se destroem ao serem lançadas contra seus alvos. Entretanto, o governo do Irã nega ter fornecido armamento para Moscou. 

Os drones foram lançados sobre Makariv, que fica a cerca de 50 quilômetros a oeste da capital ucraniana. As autoridades da cidade afirmaram que as aeronaves atingiram "instalações críticas de infraestrutura”.

 

Tem mais…

A Ucrânia disse ter reconquistado áreas invadidas pelos russos e comemorou a chegada de um novo sistema de defesa antiaérea após sofrer dois dias de intensos bombardeios, com chuvas de mísseis, foguetes e drones, na última quarta-feira (12). 

O ataque sofrido pelos ucranianos, segundo o presidente russo, Vladimir Putin, é uma retaliação ao bombardeio contra a ponte da Crimeia, que liga a península anexada por Moscou em 2014 ao território russo. As autoridades ucranianas não confirmaram ou negaram estar envolvidas no ataque da ponte, mas sempre tentaram recuperar a Crimeia e o restante dos territórios ocupados pela Rússia desde o início da guerra. 

"As forças armadas ucranianas libertaram mais cinco cidades no distrito de Berislav da região de Kherson: Novovasylivka, Novogrygorivka, Nova Kamyanka, Tryfonivka, Chervone", anunciou o governo ucraniano, notando, contudo, que as tropas russas resistem. 

Na terça-feira (11), o ministro da Defesa ucraniano, Oleksiy Reznikov, anunciou o recebimento do primeiro sistema de defesa aérea alemão Iris-T e a chegada em breve de sistemas americanos NASAMS. A França, por sua vez, disse que entregará sistemas de radar e defesa aérea à Ucrânia nas próximas semanas, em particular para o país se proteger contra ataques de drones, afirmou o presidente francês Emmanuel Macron na quarta-feira (12).

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Ministro das Relações Exteriores da Rússia diz que Putin "não recusaria" reunião com Biden, Lollapalooza Brasil divulga line-up para 2023 e mais
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Letícia Coimbra
Luan Leão
|
11/10/2022 - 12h

Terça-feira, 11 de outubro de 2022, veja os destaques do resumo AGEMT:

  • Análise: Debate entre candidatos ao governo de SP tem saldo positivo, e isso não diz nada;

  • Guerra na Ucrânia: Sergei Lavrov diz que Putin “não recusaria” reunião com Biden; G7 diz que apoiará Ucrânia “até quando for preciso”;

  • Lollapalooza anuncia atrações da 10ª edição do festival;

  • Pandemia: Média móvel de mortes por COVID-19 completa uma semana em alta.

 

Kirill Kudryavtsev/Pool via REUTERS
Sergei Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia - Foto: Kirill Kudryavtsev/Reuters

Guerra na Ucrânia

Nesta terça-feira (11) Sergei Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia, afirmou em entrevista à TV estatal que Vladimir Putin, presidente russo, “não recusaria” uma reunião com Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, na cúpula do G20 na Indonésia e se recebesse a proposta, consideraria.

Dissemos repetidamente que nunca recusamos reuniões. Se houver uma proposta, então a consideraremos”, disse Lavrov.

Lavrov também afirmou que os Estados Unidos estão há muito tempo envolvidos na Guerra na Ucrânia: “Parece-me que os norte-americanos estão participando de fato desta guerra há muito tempo. Esta guerra está sendo controlada pelos anglo-saxões”, disse.

Ainda nesta terça-feira (11), o G7, grupo das maiores economia do mundo, fez uma reunião de emergência, que foi convocada após o pior ataque da Rússia na Ucrânia. Os países membros declararam que oferecerão apoio à Ucrânia  "pelo tempo que for necessário" e que Kiev tem "direito legítimo" de se defender contra a agressão russa.

"Continuaremos a fornecer apoio financeiro, humanitário, militar, diplomático e legal e permaneceremos firmes com a Ucrânia pelo tempo que for necessário", disse o G7 no comunicado.

Estiveram presentes na reunião virtual Joe Biden (Estados Unidos), Emmanuel Macron (França), Liz Truss (Reino Unido), Olaf Scholz (Alemanha), Fumio Kishida (Japão), Mario Draghi (Itália) e Justin Trudeau (Canadá).

 

Foto: Reprodução/Redes sociais
Foto: Reprodução/Redes sociais

Bandeirantes ou Alvorada?

O debate na Band não favoreceu o eleitor com a escolha do horário e do dia. Um debate em uma segunda, às 22h, com 2 horas de duração é um convite para não assistir. No entanto, fazendo valer o esforço de quem se propôs a ver, os candidatos Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) tiveram o mínimo de cordialidade e respeito com os eleitores.
Mostrando ser um bom aluno, Tarcísio tratou de aprender os nomes de muitas cidades do estado. Depois do vexame em uma sabatina no 1º turno, quando não soube responder onde votava, o ex-ministro da Infraestrutura tem os nomes dos municípios de São Paulo na ponta da língua. A impressão deixada no debate é que o candidato do Republicanos pode até os citar em ordem alfabética, caso você queira. 

Mas isso apenas não basta. O candidato de Jair Bolsonaro (PL) em São Paulo aproveitou a cordialidade de seu adversário e a nacionalização da disputa para prometer até o que não está na sua alçada como governador. Um ponto de atenção é para um problema de oratória dos candidatos e a forma confusa como constroem as argumentações.
Como professor de alto gabarito, Haddad se aproveitou do formato do debate. Esteve muito à vontade para andar pelo estúdio, conversar com as câmeras, e até provocou o oponente com a clássica “bolacha e biscoito”. Mas alguém precisa avisar ao professor que ele é candidato ao governo de São Paulo e não apenas cabo eleitoral do ex-presidente e líder nas pesquisas à presidência, Lula (PT). Um excesso de nacionalização furta de Haddad tempo para que ele possa explicar de forma clara ao eleitor suas propostas. O mesmo se aplica a Tarcísio.
Em outros estados do sudeste, os candidatos se preocuparam em decidir a disputa já no primeiro turno, alguns sendo acusados até de escantear os presidenciáveis (Lula e Bolsonaro). No 2º turno em São Paulo, os candidatos parecem preocupados em não desapontar os padrinhos políticos para não serem os culpados de uma eventual derrota na eleição nacional.

 

Foto: Reprodução/Instagram - Rich Fury / Getty Images via AFP
Foto: Reprodução/Instagram - Rich Fury / Getty Images via AFP

Line up Lollapalooza 2023

Foi divulgado nesta terça-feira (11) as atrações do festival, sendo Drake, Billie Eilish, Blink 182, Rosalía e Lil Nas X as principais. Outros destaques internacionais do festival são The 1975, Kali Uchis, Tove Lo e Conan Gray.

Entre as atrações brasileiras estão a cantora Ludmilla, L7nnon, Filipe Ret, Anavitória, Pedro Sampaio, Pitty e os Paralamas do Sucesso.

A 10ª edição acontecerá nos dias 24, 25 e 26 de março de 2023 no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. As datas e os horários dos shows ainda não foram divulgados.

Confira todas as atrações:

Foto: Divulgação/Twitter
Foto: Divulgação/Twitter

 

Pandemia 

De acordo com dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) o Brasil registrou  7.350 novos casos de COVID-19, e 86 mortes em decorrência da doença nas últimas 24 horas. A média móvel de óbitos nos últimos sete dias é de 71. No total, o país acumula 34.731.539 casos confirmados, e 686.963 óbitos por COVID-19. 

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Ipec mostra cenário de eleição presidencial estável, recorde de endividamento e indadimplência e mais
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Letícia Coimbra
Luan Leão
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10/10/2022 - 12h

 

Segunda-feira, 10 de outubro de 2022, veja os destaques do resumo AGEMT Especial Eleições:

  • IPEC: Lula tem 55% e Bolsonaro 45%, em votos válidos;

  • Endividamento e inadimplência das famílias atinge maior patamar em 12 anos, diz CNC;

  • Aeroporto de Congonhas tem dia de caos após pneu de avião estourar durante pouso;

  • Putin diz que ataque a Kiev é resposta russa a explosão na Crimeia 


 

Foto: Reprodução/Twitter @lula
Foto: Reprodução/Twitter @lula

Cenário estável

Nesta segunda-feira (10) foi divulgado o resultado da pesquisa eleitoral realizada pelo Ipec, no qual o ex-presidente Lula (PT) tem 51% das intenções de votos. Já o presidente Jair Bolsonaro (PL) pontuou 42%, com nove pontos percentuais de diferença entre ele e o petista. 

Os indecisos são 2%, e brancos e nulos somam 5%. Quando feita a contagem dos votos válidos, o petista tem 55% e Bolsonaro 45%. Nesta modalidade, são excluídos os nulos e brancos na urna eletrônica, e os indecisos na pesquisa, mesmo procedimento usado pela Justiça Eleitoral para divulgar o resultado oficial da eleição.

A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Na pesquisa espontânea, quando os entrevistadores não apresentam previamente o nome dos candidatos, Lula pontuou 49% e Bolsonaro, 42%. Os indecisos são 4%, e brancos e nulos somam 5%. 

As entrevistas foram feitas nos dias 8 e 10 de outubro e contaram com 2.000 entrevistados. A pesquisa, que foi encomendada pela TV Globo, foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-02853/2022.


 

Mikhail Nilov/Pexels
Foto: Mikhail Nilov/Pexels

Tem dívida aí ?

O número de famílias endividadas ou inadimplentes chegou aos maiores valores da série histórica iniciada em 2010, segundo foi divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) nesta segunda-feira (10).

De acordo com a CNC, o número de famílias inadimplentes, ou seja, aquelas com dívidas em atraso, atingiu 30% em setembro, chegando ao valor mais alto da série histórica. Em agosto, o número havia subido para 29,6%. Se comparado a setembro de 2021, quando registrou 25,5%, o número cresceu 4,5%. 

O número de famílias endividadas, que são aquelas que possuem qualquer tipo de dívida (em atraso ou não), também bateu recorde: 79,3%. Em agosto o número era de 79%. Já em setembro de 2021, o número estava em 74%, ou seja, 5% menor.

“Embora os atrasos tenham crescido no mês e no ano entre os consumidores nas duas faixas de renda, as dificuldades de pagamento de todos os compromissos do mês são mais latentes entre as famílias de menor renda” - Izis Ferreira, economista da CNC

Entre as famílias consideradas mais pobres, que recebem menos de dez salários mínimos, o endividamento ultrapassou os 80% pela primeira vez, atingindo 80,3%. A CNC mostrou que o número de mulheres (80,9%) endividadas  também é maior do que o de homens (78,2%). 

Segundo a CNC, o tipo de dívida que mais cresceu foram as de cartões de crédito, que subiu de 84,6% para 85,6% do total de dívidas. O número de famílias que não têm condição de pagar duas dívidas ficou em 10,7%, menor que os 10,8% registrados em agosto, porém, maior que os 10,3% de setembro de 2021. 


 

Foto: Reprodução/Redes sociais
Foto: Reprodução/Redes sociais

Que sufoco…

A pista principal do Aeroporto de Congonhas ficou fechada cerca de 8 horas após o pneu de uma aeronave estourar e fazer ela perder o controle, parando a poucos metros do barranco que termina na Avenida Washington Luis, na zona sul de São Paulo, no começo da tarde de domingo (09). Por conta da interdição, cerca de 140 voos foram cancelados.

Segundo a Infraero, ninguém ficou ferido e o avião de pequeno porte foi retirado por um caminhão para uma pista lateral por volta das 22h. A aeronave transportava dois tripulantes e três passageiros e estava com a documentação regularizada.

Apesar da liberação da pista, a operação no aeroporto ficou longe de ser normalizada. Pelas redes sociais, passageiros relataram espera de mais de 12 horas e problemas em acomodações oferecidas pelas companhias aéreas. 

A estimativa é que aeroportos de 15 estados tenham sido afetados pelo problema em Congonhas. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes (CENIPA) é o responsável por conduzir as investigações sobre as causas do incidente. 


 

Foto: Serviço de Imprensa Presidencial Russa/AP Photo
Foto: Serviço de Imprensa Presidencial Russa/AP Photo

"As respostas da Rússia serão duras", diz Putin

Nesta segunda-feira (10), o presidente da Rússia, Vladimir Putin, alegou que a Ucrânia fez atos terroristas contra a Rússia e ameaçou reagir com força caso o cenário continue.

Através de uma transmissão televisionada, o presidente afirmou que Moscou lançou ataques de mísseis de longo alcance contra a infraestrutura de energia, militar e de comunicações ucraniana como retaliação devido a um ataque que liga a Crimeira ao território continental russo no sábado (8), que classificou com “ato vil de terrorismo”. 

“É óbvio que os serviços secretos ucranianos ordenaram, organizaram e executaram o ataque terrorista destinado a destruir a infraestrutura civil crítica da Rússia”, afirmou o líder russo.

Apesar das autoridades ucranianas terem celebrado após a explosão na ponte, Kiev não assumiu o ato.

“Se continuarem as tentativas de realizar atos terroristas em nosso território, as respostas da Rússia serão duras e em sua escala corresponderão ao nível de ameaças criadas. Ninguém deve ter dúvidas sobre isso”, afirmou Putin.

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Bolsonaro abandona tom moderado, Lula se reune com Tebet e FHC, levantamento do Datafolha mostra distância menor entre o petista e Bolsonaro e mais
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Ana Beatriz Villela
Letícia Coimbra
Luan Leão
|
08/10/2022 - 12h

Sexta-feira, 7 de outubro de 2022, veja os destaques do resumo AGEMT Especial Eleições:

  • Aos gritos, Bolsonaro se exalta, ataca ex-presidente Lula e ministro Alexandre de Moraes;

  • Datafolha: 49% diz que vota em Lula e 44% em Bolsonaro

  • Lula se encontra com Tebet e FHC; 

  • INPE: Setembro tem pior mês da série histórica com alertas de desmate na Amazônia;

  • Vendas do comércio recuam em agosto, na 3ª queda consecutiva, diz IBGE.

 

Foto: Reprodução/TV Globo
Foto: Reprodução/TV Globo

Mas você tá bravo?

Apesar das tentativas de manter um tom moderado, nesta sexta-feira (7) o presidente Jair Bolsonaro (PL) demonstrou descontrole quando aos gritos fez ataques ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), contra quem concorre à reeleição no segundo turno, e ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

Em coletiva à imprensa no Palácio da Alvorada, ao lado do jornalista José Luiz Datena, Bolsonaro, chamou o petista de "pinguço" e mostrou irritação por ele ainda não ter anunciado seus possíveis ministros. “Vai ter José Dirceu na Segov, Gleisi Hoffmann na Casa Civil, Dilma nas Minas e Energia”, ironizou.

O mandatário também criticou Moraes pela decisão de quebrar o sigilo de mensagens de um assessor da Presidência, Mauro Cesar Barbosa Cid, durante investigações do inquérito das milícias digitais. 

"O tempo todo usando a caneta para fazer maldade, tentar me tirar de combate, para desgastar. Já desafiei o Alexandre de Moraes, que vazou a quebra de sigilo telemático do meu ajudante de ordens, que é um crime o que esse cara fez", alegou.

 

No retrovisor 

Nesta sexta-feira (7) foi divulgado o resultado da pesquisa eleitoral realizada pelo instituto Datafolha, no qual o ex-presidente Lula (PT) tem 49% das intenções de votos. Já o presidente Jair Bolsonaro (PL) pontuou 44%, o que o deixa com apenas cinco pontos percentuais de diferença entre ele e o petista. 

Os indecisos são 2%, e brancos e nulos somam 6%. Quando feita a contagem dos votos válidos, o petista tem 53% e Bolsonaro 47%. Nesta modalidade, são excluídos os nulos e brancos na urna eletrônica, e os indecisos na pesquisa.

O levantamento deu ênfase na margem de erro, que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, em decorrência das muitas críticas feitas pelos eleitores ao método da pesquisa.  No primeiro turno, disputado no domingo passado (2), o ex-presidente somou 48,4% dos votos válidos e o atual, 43,2%. De acordo com a última pesquisa realizada pelo Datafolha nas vésperas da eleição, Lula tinha 50% dos votos e Bolsonaro, 36%. A margem de erro era a mesma, mas os votos do atual mandatário escaparam por 5 pontos. Bolsonaro pontuou 43,23% e o petista, 48,39%

As entrevistas foram feitas nos dias 5 e 7 de outubro e contaram com 2.884 entrevistados. A pesquisa, que foi encomendada pela TV Globo, foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-02012/2022.

 

Foto: Ricardo Stuckert
Foto: Ricardo Stuckert

Encontro com Tebet e FHC

Na tarde desta sexta-feira (7), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se encontrou com a senadora Simone Tebet (MDB). Durante discurso, a terceira colocada na disputa à presidência afirmou que suas sugestões foram acatadas pela campanha do petista.

"Temos as nossas diferenças políticas e econômicas, mas elas são infinitamente menores do que aquilo que nos une", alegou a senadora. "Este não é um encontro agendado pela história, mas, sem dúvida nenhuma, é exigido por ela”, completou Tebet.  

Quando questionado a respeito de um possível papel desempenhado por Tebet, Lula disse que “ela vai fazer o que ela quiser”. A senadora, porém, afirmou que irá "aonde a campanha precisar".

Logo após, o petista se encontrou com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que há dois dias oficializou seu apoio a ele no segundo turno.

 "Um reencontro democrático com @presidentefhc", escreveu Lula em seu perfil do instagram. O encontro foi fechado.

 

Foto: Sergio Lima/AFP
Foto: Sergio Lima/AFP

Desmatamento na Amazônia 

Dados divulgados nesta sexta-feira (07) pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que os alertas de desmatamento na Amazônia em setembro de 2022 foram de 1.455 km². Com os dados, esse se tornou o pior mês de setembro da série histórica do Deter iniciada em 2015.

Comparado a setembro de 2021, o número é 47,7% maior. Para se ter uma dimensão do tamanho, quase equivale ao tamanho da cidade de São Paulo, que tem 1.521 km². O segundo pior número de setembro também foi registrado durante o governo Jair Bolsonaro (PL), em 2019, quando ficou em 1.454 km².

Em todo 2022, o acumulado de alertas de desmatamento chega a 8.590 km², um número 4,5% do que todos os alertas do ano passado. 

 

Foto: Emmanuel Franco / Sindcomércio Vale do Aço
Foto: Emmanuel Franco / Sindcomércio Vale do Aço

Em queda

O comércio teve queda 0,1% na passagem de julho para agosto, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira (07). O recuo acontece pelo 3° mês consecutivo, na média móvel trimestral o setor tem perda de 0,8%.

A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) mostrou que o varejo teve queda de 1,4% no acumulado de 12 meses. Porém, em comparação com agosto de 2021, o setor apresentou uma alta de 1,6% e 0,5% no acumulado do ano. 

O resultado negativo foi motivado pelo recuo de três das oito atividades pesquisadas. Segundo o IBGE, tiveram queda: equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-1,4%), outros artigos de uso doméstico (-1,2%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-0,3%).

No outro lado da balança, cinco atividades apresentam alta, foram elas: tecidos, vestuário e calçados (13%), combustíveis e lubrificantes (3,6%), livros, jornais, revistas e papelaria (2,1%), móveis e eletrodomésticos (1%) e hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,2%).

Se considerado o varejo ampliado, que inclui o comércio de veículos e peças e os materiais de construção, a queda foi de 0,6% de julho para agosto. Também houve queda na média móvel trimestral de -1,1%, na comparação com 2021 o resultado foi -0,7% pior. No acumulado do ano também houve recuo de -0,8% e nos últimos 12 meses de -2%. 

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Governo anuncia cortes no orçamento direcionado às universidades e colégios federais, criadores do Plano Real declaram apoio ao ex-presidente Lula e mais
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Ana Beatriz Villela
Letícia Coimbra
Luan Leão
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07/10/2022 - 12h

Quinta-feira, 6 de outubro de 2022, veja os destaques do resumo AGEMT Especial Eleições:

  • Criadores do Plano Real declaram apoio à Lula; Podemos libera filiados 

  • Urnas não apresentaram divergência entre votos dados e registrados, diz presidente do TSE;

  • Em encontro com reeleitos e deputados, Bolsonaro diz que falou "demais muitas vezes"

  • MEC bloqueia verbas de universidades federais. Ministério é o mais atingido pelos congelamentos;

  • Protestos da população no Irã;

 

Da esquerda para a direita, os economistas Edmar Bacha, Pedro Malan, Arminio Fraga e Persio Arida - Foto: Zo Guimaraes, Zanone Fraissat e Missioneiro/Folhapress/Folhapress e Guito Moreto/Agência O Globo
Da esquerda para a direita: os economistas Edmar Bacha, Pedro Malan, Arminio Fraga e Persio Arida - Zo Guimaraes, Zanone Fraissat e Missioneiro/Folhapress/Folhapress e Guito Moreto/Agência O Globo

Apoios no segundo turno

Nesta quinta-feira (6) os criadores do Plano Real declararam apoio ao ex-presidente Lula (PT. Além da oficialização de FHC nesta quarta-feira (5), André Lara Resende, que defendeu o voto em Lula no primeiro turno, o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan e o economista Edmar Bacha assinaram uma nota junto com Armínio Fraga e Pérsio Arida declarando voto em Lula no segundo turno das eleições contra Jair Bolsonaro (PL).

“Votaremos em Lula no 2º turno; nossa expectativa é de condução responsável da economia”, afirmam no comunicado.

O apoio reforça a ideia que o petista faça uma administração que respeite a responsabilidade fiscal e seja centrada.

Ainda nesta quinta, o partido Podemos, ao qual pertence o ex-procurador Deltan Dallagnol, liberou seus diretorias e filiados para apoiarem tanto Lula quanto Bolsonaro (PL). No primeiro turno, a legenda lanou apoio à senadora Simone Tebet (MDB).

 

Integridade

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre  de Moraes, disse que o teste de integridade das urnas neste 1° turno não apresentou divergências, a declaração aconteceu durante a sessão desta quinta-feira (06).

Na prática, a declaração significa que os votos dados pelos eleitores foram os mesmos votos registrados nas urnas para os candidatos. O teste de integridade acontece desde 2002, e acontece nos tribunais Regionais Eleitorais no dia da eleição, simulando uma votação normal. A intenção é saber se o voto dado na urna é o mesmo que será registrado. 

O presidente do TSE reafirmou a lisura do processo eleitoral e destacou a confiança no sistema eleitoral. "Ou seja, novamente o primeiro turno das eleições 2022 se repetiu o que houve mas eleições 2020, 2018 e 2016 [...] Vinte anos de absoluta lisura das urnas eletrônicas com comprovação imediata pelo teste de integridade", disse Moraes. 

 

Foto: Reprodução/Facebook
Foto: Reprodução/Facebook

Bolsonaro: "Falei demais muitas vezes"

Depois de quatro anos de declarações fortes e muitos ataques à imprensa e opositores, o presidente Jair Bolsonaro (PL) disse em encontro com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PL), deputados federais reeleitos e governadores, que falou "demais muitas vezes". O encontro aconteceu nesta quinta-feira (06), no Palácio da Alvorada, residência oficial da presidência. 

Bolsonaro pediu desculpas e disse que ofendeu algumas pessoas "de forma não intencional". No encontro, além do presidente da Câmara, estavam os governadores reeleitos Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás; Gladson Cameli (Progressistas), do Acre; Antônio Denarium (Progressistas), de Roraima. Todos eles já declararam apoio à reeleição de Bolsonaro.

"E trago comigo um ensinamento militar: 'Pior do que uma decisão mal tomada é uma indecisão'. Nós nunca nos omitimos, mesmo com o desgaste. Falei demais muitas vezes, reconheço, ofendi algumas pessoas de forma não intencional, me desculpem, mas é o calor de uma luta da vida contra a morte, no caso da pandemia", disse Bolsonaro. 

Quem também discursou, de forma breve, foi a primeira-dama Michelle Bolsonaro. Durante o discurso, Michelle pediu perdão pelos palavrões do marido, e disse não concordar com as falas. "Perdão a todos pelos palavrões do meu marido. Eu não concordo, mas ele é assim. Tem gente que gosta, né ?", falou a primeira-dama. 

 

Mais um

O Governo Federal anunciou um novo bloqueio que eleva os cortes de orçamento das universidades e colégios federais para a casa de R$ 1 bilhão, sendo mais de R$ 700 milhões somente para universidades. A medida foi feita na última sexta-feira (30), dias antes do primeiro turno das eleições gerais. 

A União publicou o Decreto 11.216, que altera o Decreto nº 10.961, de 11/02/2022, referente à execução do orçamento deste ano, sacramentando o novo contingenciamento no orçamento do Ministério da Educação - bloqueando R$ 147 milhões para os colégios federais e de R$ 328 milhões para as universidades.

Em nota, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) destaca que o contingenciamento resultou em um corte de R$ 328,5 milhões nos valores disponíveis para despesas das universidades.

Os colégios e universidades afirmaram que o corte pode acarretar na paralisação de serviços básicos no funcionamento das instituições, como o fornecimento de água, luz, vigilância e limpeza, além de afetar o desenvolvimento de pesquisas científicas.

“Contingenciamento é uma coisa que sempre acontece na execução orçamentária, mas é muito unusual que ele aconteça no mês de outubro, quebrando qualquer possibilidade de planejamento, na reta final da execução”, ressalta o presidente da Andifes, Ricardo Fonseca.

Além disso, a Assossiação criticou, em reunião com o Secretário da Educação Superior, Wagner Vilas Boas de Souza, o fato do contingenciamento afetar recursos destinados a despesas de outubro, já comprometidas, podendo levar a "gravíssimas consequências e desdobramentos jurídicos para as universidades federais".

 

Foto: AFP
Foto: AFP

Protestos no Irã

Os protestos no Irã já duram quase duas semanas por conta do autoritarismo e das regras duras de comportamento impostas pelo governo. O estopim foi a morte sob custódia da jovem curda Mahsa Amini, detida pela polícia de moralidade por não usar o hijab de forma correta. 

A situação piorou depois de uma segunda morte, a da adolescente Nika Shahkarami, de 17 anos. Ela desapareceu durante uma manifestação em setembro e a família encontrou seu corpo 10 dias depois, no necrotério de um centro de detenção. Seu corpo não foi entregue à família e ela foi enterrada pelas autoridades na ausência deles, um dia depois do que teria sido seu aniversário de 17 anos.

Desde o início da semana, estudantes do ensino médio começaram a fazer parte dos protestos também. Em fotos e vídeos, elas atacam ou removem fotos dos dois líderes supremos que governam o país desde a revolução – o aiatolá Khomeini e agora o aiatolá Ali Khamenei.

Além disso, alunas protestaram em seus colégios tirando a peça que cobre a cabeça e entoando canções contra os líderes religiosos do país. Um outro vídeo mostra alunas gritando “se não nos unirmos, eles vão nos matar uma a uma”.

Na cidade de Shiraz, alunas bloquearam o trânsito, tiraram o véu e gritaram “morte ao ditador”. Na cidade de Karaj, as estudantes conseguiram fazer com que um dirigente de uma escola tivesse que se retirar. Um vídeo publicado em redes sociais na segunda-feira as mostra gritando “tenha vergonha”. Elas também jogam objetos no homem (aparentemente, garrafas de água), até que ele sai por um portão.

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