A experiência de João Pedro mostra como tecnologias assistivas ampliam as possibilidades de mobilidade de pessoas com deficiência física.
por
Dhara Yuki
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26/10/2026 - 12h

Por Dhara Yuki

 

Para João Pedro sair de casa exige pensar além do destino. Antes de atravessar a porta é preciso considerar o caminho, a distância, o tempo que ficará em pé e os recursos que poderá precisar para chegar ao lugar desejado. Dependendo do compromisso, a escolha pode ser uma órtese, uma muleta ou uma cadeira de rodas. A decisão não é apenas sobre como se locomover, mas sobre qual equipamento oferecerá melhores condições para enfrentar o percurso.

Diagnosticado ainda durante a gestação com mielomeningocele, uma má-formação congênita da coluna vertebral, João teve contato com a tecnologia médica antes mesmo de nascer. Durante os exames de pré-natal, sua mãe descobriu a condição e soube que existia a possibilidade de uma cirurgia para corrigir a má-formação ainda dentro do útero. O procedimento, que envolve a abertura do útero para operar a coluna do feto e depois reposicioná-lo, foi uma das primeiras possibilidades de intervenção médica relacionadas à sua condição. Uma das complicações associadas à mielomeningocele é a hidrocefalia, caracterizada pelo acúmulo de líquido nos ventrículos cerebrais. Logo após o nascimento, João passou por uma cirurgia para tratar o problema e recebeu uma válvula que permitia drenar o excesso de líquido. O dispositivo, entretanto, exigia acompanhamento médico e poderia precisar ser substituído ao longo da vida. A possibilidade de depender de um equipamento por tempo indeterminado fez parte de sua história desde o começo. Anos depois, uma nova intervenção médica mudaria essa relação com a tecnologia.

Quando tinha dois anos, a mãe de João descobriu o Hospital Sarah Kubitschek, em Minas Gerais, uma instituição especializada em reabilitação. Lá, ele iniciou um tratamento direcionado às necessidades de pessoas com a mesma deficiência e passou a utilizar órteses de polipropileno, dispositivos que auxiliam a sustentação e o movimento das pernas, e esse acompanhamento durou dez anos. A órtese se tornou parte de sua rotina e permitiu que ele desenvolvesse sua mobilidade com o auxílio do equipamento. Entretanto, conforme crescia, as limitações do material começaram a aparecer. Por volta dos 12 anos, a equipe que o acompanhava informou que as órteses utilizadas até então não seriam mais suficientes para suportar seu peso. Era necessário encontrar outra alternativa.

A busca levou João à Ottobock, uma empresa especializada em soluções de tecnologia assistiva, entre elas órteses e próteses. A alternativa encontrada utilizava fibra de carbono, um material que permite produzir dispositivos leves e resistentes. Porém, o custo representava um obstáculo. Os equipamentos eram caros, e conseguir acesso a uma tecnologia mais adequada às suas necessidades não dependia apenas de sua existência. Na mesma época, João decidiu procurar uma cadeira de rodas motorizada. Embora conseguisse andar com o auxílio da órtese, percorrer longas distâncias provocava cansaço. A cadeira poderia facilitar esses deslocamentos, mas, para adquiri-la, foi necessário organizar uma vaquinha com a ajuda de amigos e familiares.

No entanto, a cadeira não correspondeu às expectativas, pois pesava aproximadamente 70 quilos, sendo difícil transportá-la, e as condições das ruas de Santo André tornavam a locomoção ainda mais complicada. A tecnologia havia sido pensada para facilitar seus deslocamentos, mas o peso do equipamento e as características do espaço urbano acabaram gerando novas dificuldades. A experiência evidencia uma contradição presente no cotidiano de muitas pessoas com deficiência, um dispositivo pode oferecer determinada solução sem necessariamente resolver os problemas encontrados no ambiente em que será utilizado. Não basta que um equipamento permita o deslocamento se o peso, o transporte ou as condições das calçadas dificultam sua utilização.

Aos 15 anos, João enfrentou outro episódio que mudaria sua relação com os recursos médicos. As dores de cabeça se tornaram intensas e não melhoraram nem com o uso de fortes analgésicos. Ao procurar um neurologista, recebeu a orientação de que a válvula implantada após o nascimento deveria ser substituída, mesmo sem estar completamente obstruída, porém outra possibilidade foi levantada, segundo João, o médico havia desenvolvido uma técnica cirúrgica que permitiria tratar a hidrocefalia sem a necessidade de manter a válvula. O procedimento foi realizado fora do convênio porque não oferecia cobertura, e teve o resultado esperado. Desde então, João não precisou mais utilizar o dispositivo. A cirurgia representou uma grande mudança, um recurso que havia acompanhado sua história desde os primeiros dias de vida deixou de ser necessário. O avanço médico não se limitou a substituir um equipamento antigo por outro, mas possibilitou uma nova condição de tratamento. O acesso, porém, teve um custo. A ausência de cobertura pelo convênio fez com que o procedimento dependesse de recursos particulares, revelando que a existência de uma tecnologia não significa que ela esteja disponível para todos que poderiam se beneficiar dela.

Na mesma fase, João conseguiu adquirir uma órtese de fibra de carbono. O equipamento permaneceu com ele por aproximadamente seis anos, período em que o dispositivo acompanhou seu crescimento e suas necessidades. Agora, ele se prepara para trocá-lo por um modelo mais recente, desenvolvido para corrigir melhor sua marcha e oferecer menor peso. A evolução das órteses mostra como a tecnologia assistiva não se resume à criação de um equipamento. Os dispositivos também passam por aperfeiçoamentos que podem modificar sua eficiência, seu conforto e a forma como se integram à rotina de quem os utiliza. Para João, a troca representa a possibilidade de contar com um recurso mais adequado às necessidades atuais, depois de anos utilizando o mesmo equipamento.

A cadeira de rodas também ganhou uma nova versão. Durante um intercâmbio na Itália, João passou os primeiros 15 dias acompanhado da mãe para compreender como seria sua rotina no país e avaliar as dificuldades de deslocamento. Percebeu que não conseguiria percorrer todos os trajetos apenas com a órtese. Dessa vez, encontrou uma cadeira mais leve, compacta e acessível financeiramente. O modelo atual pesa 27 quilos, dobra-se como um carrinho de bebê e custou menos da metade do preço da primeira cadeira motorizada que havia adquirido.

Hoje, João alterna os recursos de acordo com a necessidade. Nos dias em que precisa comparecer presencialmente a compromissos que exigem permanecer muito tempo em pé, utiliza a cadeira de rodas. Para ir à faculdade, quando considera o percurso viável, prefere a órtese e a muleta. A escolha também depende das condições do caminho. Em ruas irregulares ou em trajetos nos quais precisa ter maior controle dos movimentos, a cadeira pode ser menos prática do que a muleta. O equipamento mais avançado, portanto, não é necessariamente o mais adequado em todas as situações. A autonomia está também na possibilidade de escolher o recurso que melhor responde às necessidades de cada deslocamento.

Dentro de casa, a rotina é diferente. João utiliza um assento fixo durante o banho por causa da dificuldade para permanecer em pé por muito tempo, mas fora isso, sua casa não conta com adaptações específicas para sua condição, inclusive, consegue subir e descer escadas, mas algumas tarefas mais simples, como levar um copo ou um prato da pia até a mesa, exigem atenção para evitar desequilíbrios. A tecnologia, nesse contexto, não elimina todas as dificuldades. Mesmo com os equipamentos que utiliza, existem situações em que a organização dos espaços e as características do ambiente interferem diretamente em sua autonomia.

A mesma questão aparece quando João vai à faculdade. A instituição realiza a chamada por meio do sistema da catraca, mas a entrada principal não oferece acessibilidade. Para conseguir entrar, ele precisa utilizar o portão dos fundos, que permite a passagem, mas não conta com o sistema de registro de presença. A solução encontrada pela instituição para registrar presença aos alunos não contempla todos da mesma maneira. O problema não está na capacidade de João de frequentar as aulas, mas na ausência de uma estrutura que permita que ele acesse o espaço e cumpra os procedimentos institucionais nas mesmas condições que os demais estudantes. Segundo ele, mesmo após uma reforma na faculdade, a questão permaneceu sem solução. Essa situação diz que a acessibilidade não depende exclusivamente de equipamentos individuais ou de avanços na medicina, mas também de planejamento dos espaços coletivos e dos serviços utilizados diariamente.

A autonomia de João se estende ainda à direção de veículos. Desde 2023, ele tem carteira de habilitação e pode dirigir, mas precisa utilizar um carro adaptado. Como não consegue acionar os pedais convencionais da maneira habitual, o veículo possui uma haste que permite acelerar e frear manualmente e um pomo giratório instalado no volante que facilita as manobras com apenas uma das mãos. O carro também precisa ter câmbio automático, já que o sistema de adaptação utilizado não funciona com embreagem convencional.

Da cirurgia realizada ainda na infância aos equipamentos utilizados para andar e dirigir, a tecnologia atravessa diferentes etapas da vida de João. Em alguns momentos, aparece como uma intervenção médica capaz de modificar um tratamento, em outros, como um dispositivo que facilita um trajeto ou permite realizar uma atividade cotidiana. Mas sua experiência também mostra que a autonomia não depende apenas do desenvolvimento de novos recursos. O preço dos equipamentos, a cobertura dos procedimentos médicos, as condições das ruas e a acessibilidade das instituições interferem diretamente nos benefícios que essas tecnologias podem oferecer.

Para João, sair de casa sem nenhum dispositivo de auxílio não é uma possibilidade viável. Em seus deslocamentos, órtese, muleta e cadeira de rodas cumprem funções diferentes, escolhidas de acordo com o percurso e o tempo que precisará permanecer em movimento. O desenvolvimento de equipamentos mais leves, resistentes e funcionais amplia as possibilidades de mobilidade, mas não transforma automaticamente os espaços em ambientes acessíveis. Quando uma cadeira de rodas encontra dificuldades nas ruas ou um estudante precisa utilizar uma entrada alternativa para chegar à faculdade, fica evidente que a inovação tecnológica e a inclusão não avançam necessariamente no mesmo ritmo. A história de João revela duas dimensões de uma mesma questão, a importância de tecnologias que respondam às necessidades das pessoas com deficiência e a necessidade de ambientes preparados para que elas possam utilizá-las. Afinal, não basta desenvolver equipamentos capazes de ampliar a autonomia se os caminhos que levam à universidade, ao trabalho e aos demais espaços da vida cotidiana continuam impondo barreiras.

 

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Franquia de games do lendário skatista da Califórnia trouxe o universo do esporte para os holofotes ao longo das décadas
por
Ivo Leite
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23/10/2026 - 12h

 

Jogar videogame é uma atividade que pode inspirar e fazer sonhar, seja para ser jogador de futebol com títulos como FIFA e PES, por exemplo, ou skatista. Vários jovens começaram a se prestar atenção no universo das quatro rodinhas por meio de um amigo ou por si só. Mas, será que houve algo a mais que despertasse esse interesse?

Em 29 de Setembro de 1999, o jogo Tony Hawk Pro Skater, do skatista californiano Tony Hawk, chegou ao mercado para o console Playstation. O game foi um pontapé inicial para o surgimento de uma franquia de sucesso que vendeu mais de 350 mil cópias só nos três primeiros meses daquele ano. 

Versão do jogo para PC. Foto Ivo Leite/AGEMT
 Versão do jogo para PC. Foto Ivo Leite/AGEMT

 

Criada em parceria com a Activision, uma das maiores e mais influentes distribuidoras de jogos eletrônicos do mundo, a franquia ficou famosa por sua jogabilidade arcade rápida. Após grande êxito com o Playstation, o game foi para outros consoles como o Nintendo 64, Game Boy Color, Dreamcast e N-Gage.

As variações foram sendo criadas com a essência do jogo original. Tony Hawk Pro Skater Underground é um exemplo dessas sequências, dentre outras que surgiram. Houve alguns experimentos como em Tony Hawk Ride que, diferente de seus antecessores, usava um periférico físico em formato de skate como controle. 

 

Por conta do acessório, o jogo custava US$119,90, o dobro de um game comum na época - Reprodução/Mercado Livre
Por conta do acessório, o jogo custava US$119,90 - o dobro de um game comum na época Foto: Reprodução/ anúncio Mercado Livre 

Em 2020, a franquia foi remasterizada com gráficos hiper modernos, lançando o Tony Hawk 1 + 2, premiado como melhor jogo de esporte em eventos como o The Game Awards e o D.I.C.E. Awards. E em 2025, a coletânea Pro Skater 3 + 4 veio ao mercado para concretizar a volta do título.

“Cresci jogando e isso certamente me influenciou a me aventurar sobre quatro rodinhas”, afirma o gamer e skatista Felipe Dias, de 23 anos, que atualmente deseja se formar no curso de Design de Games. “Quero sempre me lembrar de como me apaixonei pelo esporte”, finaliza Dias.

 

Manobras e pistas com dinâmica real . Foto Ivo Leite/AGEMT
Manobras e pistas com dinâmica real Foto: Ivo Leite/AGEMT

 

Um dos pontos  altos da série de jogos Tony Hawk está nas trilhas sonoras marcantes. Gerações de apaixonados por grandes bandas ouviram e se lembram de pelo menos uma música presente nos jogos. A lista compõe diversos estilos musicais como hardcore, punk rock, hip-hop, ska punk e metal. Destaque para “No Cigar”, do Millencolin; “Guerrilla Radio” do Rage Against the Machine e “Superman”do Goldfinger. 

Nesse tempo, o skate se tornou um esporte de grande expressão chegando a compor até os Jogos Olímpicos, a partir de 2020. E a ascensão de sua prática também pode ser avaliada pela influência de jogos digitais como o Tony Hawk Pro Skater. 

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Uma mudança na mentalidade corporativista do brasileiro está atrelada à luta pela redução de horas trabalhadas
por
Clara Dell'Armelina
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19/05/2026 - 12h

O debate sobre o fim da escala 6x1 ganhou um maior fôlego nos últimos dias após a Câmara dos Deputados confirmar para 26 de maio deste ano a votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que reduz a jornada semanal de trabalho e amplia o descanso dos trabalhadores brasileiros. A medida pode impactar cerca de 16 milhões de trabalhadores que atualmente atuam no modelo de seis dias de trabalho para apenas um de repouso. O avanço da proposta ocorre em meio à pressão popular, com apoio de centrais sindicais e resistência de parte do empresariado, e corrida eleitoral.

Foram reacendidas as discussões entre empresários, trabalhadores e especialistas sobre produtividade, saúde mental e reorganização do mercado de trabalho. Para a economista e CEO da DS Estratégia de Educação e Inteligência Financeira, Dirlene Silva, em entrevista à AGEMT, o debate vai além das planilhas econômicas e exige uma mudança estrutural na forma como o trabalho é pensado no Brasil, “essa transição exige mais do que um ajuste de escala, ela exige mudança de modelo de gestão e de mentalidade”, afirma.

Dirlene Silva: Economista e mestre em Gestão e Negócios, é fundadora e CEO da DS Estratégia de Educação e Inteligência Financeira.
Dirlene Silva (Foto: Fábio Chialastri)

Segundo Dirlene, experiências internacionais em países como Islândia e Reino Unido mostraram que jornadas reduzidas podem manter, ou até mesmo chegar a elevar, a produtividade quando acompanhadas de reorganização dos processos internos, “esses países demostraram que o ganho vem da reorganização do trabalho, não da redução pura e simples de horas. Na prática, as empresas precisam atuar nas frentes de revisão de processos, gestão por resultados, redistribuição de jornadas e mudança de mentalidade”, explica Silva, que sugere que devem especialmente procurar buscar uma transformação da cultura corporativa, abandonando a lógica de que longas jornadas representam maior eficiência e reconhecendo que descanso e bem-estar também impactam diretamente a produtividade do trabalhador. “A economia é, sobretudo, sobre pessoas. E pessoas não produzem de forma linear ao longo de horas extensas”, diz ela.

O aumento de receita registrado em empresas que adotaram jornadas reduzidas está ligado diretamente ao ganho de eficiência operacional e ao bem-estar dos trabalhadores. Experiências internacionais reforçam essa lógica de que menos horas de trabalho podem significar mais foco, menos retrabalho e melhor aproveitamento do tempo. Em 2019, a filial japonesa da Microsoft registrou aumento de quase 40% na produtividade após implementar uma semana de quatro dias de trabalho, além de reduzir gastos com energia e reuniões mais longas. Para Dirlene, empresas que cuidam das pessoas conseguem maior consistência na entrega de resultados. “Seres humanos precisam de descanso para produzirem melhor”, afirma.

Prédio da Microsoft - Imagem: Tang Yan Song/Shutterstock
Microsoft - Imagem: Tang Yan Song/Shutterstock

Falar sobre o adoecimento físico e mental dos trabalhadores é também falar sobre os impactos econômicos para empresas e para o próprio Estado, especialmente nas áreas de saúde pública e previdência. “Ao longo de mais de 30 anos no corporativo, vi muitas pessoas adoecerem e até morrerem por excesso de trabalho”, relata. Para Dirlene, jornadas menores favorecem equilíbrio emocional, melhora na tomada de decisão e redução do adoecimento mental. “Economia não acontece só na planilha, acontece também no comportamento. E comportamento melhora quando as condições melhoram”, explica.

Toda essa discussão também expõe desigualdades históricas do mercado de trabalho brasileiro, os trabalhadores submetidos às jornadas mais longas geralmente ocupam cargos menos valorizados e recebem salários menores. “Não é a quantidade de horas que determina o nível de renda, mas o tipo de trabalho, o nível de qualificação e a posição ocupada na estrutura produtiva”, afirma.

A CEO ainda aponta que, no Brasil, a cultura da hora extra muitas vezes se transforma em complemento salarial, refletindo baixos salários estruturais, “ainda convivemos com um cenário em que trabalhar mais horas não significa, necessariamente, ganhar mais”. Uma pesquisa da Catho reforça esse cenário apontando que 60,7% dos trabalhadores brasileiros fazem horas extras regularmente e, segundo o levantamento, muitas empresas ampliam a carga de trabalho dos funcionários como estratégia para aumentar a produtividade, algo que contribui para a normalização das jornadas extensas no mercado de trabalho do Brasil.

Gráfico da pesquisa da Catho
(Foto: Reprodução/Catho)

Dirlene acredita que a principal barreira para a aprovação definitiva da medida ainda é cultural, ela diz que ainda “existe uma lógica muito antiga baseada em controle de jornada, não em produtividade”. Ela defende que o país precisa compreender que desenvolvimento econômico sustentável depende diretamente das condições de vida dos trabalhadores pois “não existe desenvolvimento sustentável com pessoas adoecendo para sustentar o sistema”, conclui.

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Em meio ao envelhecimento de cada indivíduo, uma vida digna é garantida para todos. E deveria ser assim, mas a realidade de muitos é contraditória.
por
Alice Begnini
Rafaella Lalo
Heloá Hurtado
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09/04/2026 - 12h

Por trás de peles enrugadas, histórias invisíveis que não são contadas nas visitas, que por vezes nem se quer existem, um capítulo que não é mostrado nas fotos de família. Os corredores são silenciosos, com rotinas organizadas e uma saudade sem tamanho: A família. Abraços, ligações e o próprio calor humano se tornam ausentes, aquela presença de quem fez parte da história, não está mais ali. Os olhares esperançosos entre as portas, esperando a entrada de alguém que talvez não venha mais.

A carência, não é apenas algo físico, ela se torna algo estrutural. O dia que era marcado por encontros, passa a ser marcado por rotinas rígidas, silenciosas, que nem sempre são sinônimos de paz. As datas comemorativas, nem sequer existem, não são compartilhadas. Mesmo com profissionais dedicados e capazes, há um espaço que nenhuma instituição irá suprir, onde o abandono familiar se instala.

Pensando nesse sentido, observa-se que a superlotação piora a realidade. O espaço acolhedor se torna insuficiente perante a grande demanda, idosos começam a dividir quartos, rotinas e além de tudo suas histórias. Aquela atmosfera que indica transmitir cuidado, afeto e tranquilidade, torna- se hostil, provocando uma crise emocional, social e humana.

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) registraram um grande aumento na população idosa entre 2010 e 2022, além de apontar que o número de idosos que residem em abrigos cresceu 65% em 10 anos.

Profissional auxiliando a mobilidade de um idoso que necessita de cuidados.
Idosos representam cerca de 15% da população. Foto:pixabay.

Segundo Flávia Damião, enfermeira, que atua no Lar Sant’Ana Residencial: “É muito comum a ocorrência de abandono, mesmo em residências de famílias com boas condições financeiras.” A afirmação da enfermeira evidencia que o abandono familiar perpassa a saúde mental e física dos idosos.

Há cinco anos atuando na área, Damião presencia o cotidiano e os desafios desse ambiente. No lugar onde trabalha, residem cerca de 100 idosos que estão inseridos em atividades de dança, exercício físico e fisioterapia. Segundo ela, essas práticas contribuem diretamente para a saúde mental e favorecem a socialização entre eles.

Contudo, o cuidado profissional não ocupa todas as faltas. “Apesar das condições, eles ainda são muito carinhosos “, afirma. Ao falar sobre o afastamento familiar, ela é clara: “É comum, inclusive em um residencial de alto padrão. “Eles sentem muito. Ela não sabe mais quem eu sou, mas eu sei quem ela é”. Aponta um relato presenciado pela enfermeira.

A força desse abandono é complexa e afeta a saúde física e mental. Entretanto, não é pontuado um único motivo para esse afastamento familiar, a falta de tempo, rotina de trabalho intenso, dificuldade em lidar com os cuidados e até mesmo o desespero emocional. Cada caso tem o peso de sua história, de suas vivências. “Eu não sei o passado deles, nem como era a convivência com a família. Eu não sei quem ele foi, eu sei o que ele é aqui”, aponta Flávia.

A psicóloga Normal Richter, explica que a solidão pode gerar ou piorar um quadro de saúde. “Quando estão em estado de lucidez, é comum que sintam raiva, tristeza e sentimentos que intensificam a impressão de abandono e ingratidão por parte da família.

Porém, nem sempre é assim dentro dessas casas. Ailton Luiz, filho de uma ex-residente dessas casas de repouso, aponta uma vivência diferente. Ailton acompanhou de perto o tempo que sua mãe esteve dentro desse ambiente e afirma o cuidado recebido. “Eles tinham bastante assistência. O cuidado era 24 horas, não só físico, mas com relação aos medicamentos também. Segundo ele, existia um cuidado com o bem-estar. “Eles passeavam com ela nos espaços da casa, conversavam, não deixavam ela parada, isso fazia a diferença.”

Idosos fazendo atividades em conjunto.
Pessoas da terceira idade que praticam atividades regulares tem até 30% menos risco de ter doenças como a depressão. Foto:@larsantanaresidencial.

O relato dele, aponta que, se existissem estruturas próprias e adequadas, profissionais prontos e investimentos para os medicamentos as residências poderiam sim cumprir seu objetivo, mas essa não é a realidade de muitos.

Flávia Damião relembra algumas situações delicadas em instituições públicas. “Os quartos estavam tão cheios que não tinha como passar. Em muitos casos, os idosos chegam por resgates, retirados de situações de extrema vulnerabilidade.”

A forma precária vai além da estrutura em si, em algumas instituições há ausência de medicamentos, fraldas e até mesmo itens de higiene básica. Por diversas vezes campanhas e organizações dos próprios funcionários arrecadam os itens necessários e se propõem para buscar vagas em outras casas que não estão superlotadas. É um apoio improvisado, que acaba mantendo de maneira básica aquele ambiente, por meio de iniciativas individuais ou coletivas do que propriamente de uma ação do poder público.

Flávia afirma que o cuidado emocional não pode ser sistematizado. “Trabalhar com idoso é um grande desafio”. Destaca que esse tipo de trabalho exige sim preparo, mas acima de tudo sensibilidade perante as histórias marcadas muitas vezes, pela própria ausência.

A enfermeira ainda conclui, “Gostaria que esse público fosse mais olhado. Que não precisassem ser abrigados em casas de níveis precários. Que todos pudessem ter um envelhecimento digno”.

Diante desse cenário, a superlotação e o afastamento familiar dos idosos apontam mais falhas estruturais, demonstram a forma com que a sociedade tem lidado com o envelhecimento. Provocada não apenas pela falta de recursos, mas também pela falta de vínculo, comprometimento e responsabilidade.

Desse modo, comportamentos que afetam a dignidade dos idosos violam e desrespeitam os direitos pregados pelo Estatuto da Pessoa Idosa, que prezam pela segurança e cuidado absoluto, protegendo de qualquer negligência, discriminação, violência e crueldade. 

Entretanto, com o aumento do envelhecimento populacional, o vínculo afetivo se destaca em meios de prevenção contra a decadência da saúde mental e física dos idosos, entregando para a sociedade conscientização das obrigações que são implementadas sobre os cuidados e responsabilidades sobre pessoas idosas. Por trás de um corpo que não tem a mesma agilidade de antes e uma mente que hoje não é tão lúcida, existem histórias que um dia foram momentos importantes e fizeram parte da trajetória de vida de alguém. Cabe à comunidade honrar essa história e lembrá-los de sua importância dentro do espaço onde vivem, reafirmando que eles são seres humanos e merecem respeito e qualidade de vida digna.

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Trajetória de Paulo Ignez revela a luta, persistência e um amor inabalável pelo desenho.
por
Victória Ignez
Isadora Cobra
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13/11/2025 - 12h

  

A primeira memória que Paulo Lemes Ignez Jr. guarda de si mesmo é ele desenhando. O papel, o lápis e o silêncio curioso da infância nunca foram passatempo, eram destino. Aos 8 anos, já imitava o pai, copiando cada linha com a urgência de quem sabia, mesmo sem saber, que a arte seria seu caminho. E foi. 

Fotografia de Paulo Ignez Junior
Acervo Pessoal: Paulo Ignez Junior

Hoje, aos 42 anos, Paulo é um dos nomes mais respeitados do mercado de animação e games, com mais de 23 anos de carreira. Atuou como Animador e Character Designer em produções nacionais e internacionais, como o filme “A Princesa e o Sapo” (Disney Feature Animation), os curtas “Eu Juro que Vi” (MultiRio) e o game “Chef Squad” (Eldorado Studios). Há 15 anos também ministra cursos sendo 13 deles na ICS, formando artistas que hoje vivem do que ele ensinou. Atualmente, trabalha como supervisor de animação em dois grandes estúdios e dedica parte de seus dias à carreira autoral como artista visual. 

Mas o caminho até aqui nunca foi linear. Nunca foi fácil. Nunca foi garantido. 

Paulo nasceu em 1983, cresceu entre mudanças, escolas diferentes e amigos que, por coincidência ou destino, também desenhavam. Uma sincronia que, hoje, ele entende como combustível. As referências vinham de todo lugar: animes, quadrinhos de super-heróis e revistas sobre games e animação. Assim a paixão dele por esse mundo foi crescendo. 

Aos 15, era impossível e injusto pedir que ele seguisse qualquer outro caminho. Começou a trabalhar cedo, entrou em uma escola de animação sem ter dinheiro para continuar pagando, foi nessa mesma instituição que conseguiu o primeiro emprego, porque o diretor da escola também tinha um estúdio de animação chamado HGN Produções e então surgiu a oportunidade de começar como estagiário, ele conta que ganhava “bem pouco”, mas seu talento falou primeiro, o diretor jogou no mercado, onde Paulo cresceu estúdio após estúdio, quadro após quadro. 

Paulo sempre teve vontade de trabalhar para fora do país, e durante os trabalhos no Brasil, conheceu um profissional de animação que trabalhou para produções da Disney. Ele conta que, no estúdio esse produtor, havia os livros dos filmes da Disney, como eram feitos, e tinha fitas de videocassete que mostravam os estúdios, o make-off dos filmes. Foi então que Paulo teve uma virada de chave e se programou para morar no Canadá. Seu objetivo era aprimorar seu inglês e se especializar ainda mais no seu trabalho. 

Ele sempre soube o que era capaz de fazer, o mundo ao redor é que demorou a perceber.  

No início, o desafio era ser levado a sério. Jovem demais, rápido de menos, eficiente de mais em um ambiente que testava seus limites diariamente. Aprendeu a se comunicar, a trabalhar em equipe, a entregar rápido, a lidar com pressões que quebram muitos no começo. Mais tarde, quando virou supervisor com pouco mais de 20 anos, sentiu a resistência de profissionais mais velhos que não o viam como autoridade. Era um menino em um cargo de adulto, mas ele persistiu. Foi ganhando confiança, velocidade, precisão. Foi deixando de ser promessa para se tornar referência. 

Paulo trabalhou na equipe brasileira que animou cenas de “A Princesa e o Sapo”, da Disney. Remotamente, mas com padrão internacional e supervisores exigentes. Foi selecionado para cenas complexas, revisou trabalhos de outros artistas, coordenou uma pequena equipe. Diz que foi um dos trabalhos mais cansativos da vida e um dos mais marcantes. Visitou o estúdio da Disney. Viu de perto aqueles que admirou por anos. Confirmou que conseguia ocupar esse espaço.  

Para ele, o mercado de animação no Brasil anda “em passos de formiga”. Falta investimento governamental, as políticas de incentivo oscilam e a maioria dos melhores artistas do país trabalha para fora como ele. Paulo não romantiza o setor, sabe que não é do governo que virá o reconhecimento, e sim da própria força de cada artista. 

Ainda assim, vê valor no que muitos produzem com poucos recursos, e acredita que artistas não podem depender do que nunca veio de forma consistente. 

Paulo não se vê como alguém que “transforma o mundo”, mas sabe que seu trabalho influencia principalmente crianças. Ao mesmo tempo, é crítico do conteúdo que chega ao público infantil, afirmando que a maioria dos desenhos e games consumidos hoje têm mais potência negativa do que positiva. Para ele, o filtro dos pais é essencial. E lembra algo importante: quem realmente molda a sociedade são as narrativas mais realistas, filmes, séries, histórias que tratam do humano. A animação, segundo ele, toca mais as crianças, mas não define culturas inteiras. 

O dia de Paulo começa cedo e termina tarde. Supervisiona equipes, revisa desenhos, faz correções, participa de reuniões com diretores internacionais e, à noite, dá aula até as 22h30. Quando sobra tempo e quase nunca sobra, ele relaxa desenhando para si, andando de patins ou tocando violão. Também mergulha em estudos de filosofia, religiões comparadas e mitologia. Esse é o espaço onde respira. 

O pai que viu o artista nascer 

Paulo Tadeu Ignez, pai, acompanhou tudo desde o primeiro traço. “Desde sempre. Começou com uns 8 anos, quando ele me via desenhando.” Ele não só viu, apoiou, pagou cursos, incentivou o que podia. Hoje, fala com orgulho: “Ele ensinou muita gente. Imagine quantas pessoas vivem de desenho porque aprenderam com ele. Na comunidade artística, ele é conhecido como mestre.” Mas também revela saudades: “Ele se tornou um pouco antissocial, sempre focado no trabalho dele, prioriza os estudos.” Nos próximos anos, Paulo, o filho, quer expandir o trabalho autoral, criar uma marca própria, produzir pinturas, ilustrações, fine art, talvez expor em galerias. Também quer manter o ensino vivo formando mais artistas, como quem devolve ao mundo aquilo que recebeu. Ele sabe que o Brasil talvez nunca dê o reconhecimento que sua área merece. Mas também sabe que o mundo reconhece e isso basta. Porque, no fim, Paulo continua sendo o menino que desenhava para mostrar às pessoas. Agora, a diferença é que o mundo inteiro olha de volta.

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"Esses modelos são muito radicais, não acredito que seja necessário" diz professora e jornalista Marlivan de Alencar
por
Anna da Matta, Beatriz Loss, Vanessa Orcioli
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06/04/2021 - 12h

 

 

Gráfico

Descrição gerada automaticamente

Paywall: modelo de cobrança de assinaturas por conteúdo. (Foto: Reprodução/Dooder do Freepik)

 

“Exclusivo para assinantes” ou “Você já ultrapassou o limite de notícias gratuitas do nosso jornal” são expressões cada vez mais comuns quando se clica em um link de sites noticiosos. O paywall, traduzido do inglês, muro de pagamento, surgiu com o intuito de auxiliar os veículos de comunicação a monetizar suas atividades na internet devido ao declínio de leitores - e consequentemente, de renda - que houve nos últimos anos com o crescimento da web. Esse sistema de cobrança de assinatura por conteúdos digitais foi implementado de forma lenta, mas nos dias atuais, domina uma boa parcela da imprensa - tanto das grandes mídias, como das pequenas.

 

Durante muito tempo, o jornal impresso fazia parte da vida cotidiana dos brasileiros, mas com a chegada da internet, a maneira com que as pessoas se informam foi se modificando. Para acompanhar as mudanças constantes que acontecem no jornalismo, e para resgatar esse serviço financeiramente, os veículos de comunicação foram se adaptando e implementando o sistema do paywall. “Acredito que [o paywall] seja um método de salvar o jornalismo de uma decadência financeira, mas não concordo que seja o único” relata a estudante de jornalismo, Julia Rugai. Assinante de alguns jornais, ela declara que a crise pela qual o jornalismo está passando vai muito além da financeira, mas crê que esse sistema de assinaturas de cobrança possa aproximar o leitor das matérias que mais lhe interessam, e consequentemente dos jornais. 

A professora e jornalista, Marlivan de Alencar, também relata que o paywall é uma maneira de manter o jornalismo, mas discorda da privatização total de alguns paywalls de jornais: "Esses modelos são muito radicais, não acredito que seja necessário”. Por outro lado, ela elogia os modelos híbridos desse sistema, e dá o exemplo do jornal El País. O modelo se caracteriza pelo nome de freemium, metade pago e metade grátis. Isso permite com que o público possa ler e checar se gosta das informações que estão atrás do muro, para assim, poderem assinar. 

Interface gráfica do usuário, Aplicativo

Descrição gerada automaticamente

Print do paywall barrando uma matéria no site do jornal Estadão. (Foto: Reprodução/ Internet)

 

            A busca pela notícia verdadeira tem sido cada vez mais urgente e necessária nessa nova era da desinformação. Segundo a pesquisa feita pela Câmara dos Deputados, no final de 2020 revelou que 79% dos brasileiros se informam principalmente pelo WhatsApp,  já através  do  Youtube e Facebook aparecem com 49% e 44% respectivamente, deixando os sites oficiais de notícias com apenas 38% de buscas.   

Queda durante a pandemia 

No ano de 2018, ocorriam as eleições presidenciais e as disseminações de notícias falsas aumentavam regularmente através de correntes, post e tweets. A queda do paywall se deu durante a pandemia, uma decisão necessária e  adepta por diversos veículos, com o intuito de que as notícias sobre a Covid-19 apuradas e embasadas proliferam mais que mentiras e boatos. A necessidade de  informações verídicas sobre o assunto, incluindo os sintomas e as formas de prevenção, passaram a ser urgentes devido ao crescimento das  fake news sobre o vírus,  para assim ser possível combater injúrias sobre a doença ainda pouco conhecida .

Apesar de o jornalismo online ter se transformado em um grande negócio, ainda é possível se informar de graça. “Embora o paywall tenha problemas, eu realmente acredito que é possível estar bem-informado com informações gratuitas, porque hoje, nós temos uma quantidade maior de informações disponíveis que antes, que não estavam disponíveis para o grande público”, afirma Tai Nalon, cofundadora e diretora executiva do Aos Fatos, para o podcast Braincast.

Hoje em dia, com um celular na mão é possível acessar muitas plataformas online e se informar através delas. No ano passado, devido ao aumento de desinformação sobre a pandemia do Covid-19, o Twitter verificou a conta de muitos jornalistas, mostrando que os conteúdos compartilhados por essas pessoas são confiáveis, além disso colocou avisos embaixo de posts que poderiam conter informações falsas, com um redirecionamento para notícias verdadeiras.

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Alunos respondem aos atos de interferência na Universidade Federal de Pelotas
por
Julia Roperto
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06/04/2021 - 12h

Localizado no estado do Rio Grande do Sul, o campus da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) soma-se aos alvos de interferências do governo Bolsonaro. Ao final do mês de fevereiro, Pedro Hallal - até então, reitor da UFPel -  foi notificado através da Controladoria Geral da União, que estaria sofrendo um processo movido pelo órgão em razão de uma denúncia feita por um deputado bolsonarista. Tal investigação, aberta contra Hallal e o professor Eraldo dos Santos Pinheiro, nasceu a partir de críticas ao governo proferidas em uma transmissão ao vivo feita para os alunos no dia 7 de fevereiro. 

          Ex-reitor da Universidade Federal de Pelotas e epidemiologista, Pedro Hall.  (Foto: Charles Guerra/Divulgação)


 

Reitor da Universidade Federal de Pelotas até o ano de 2020, Pedro Hallal tornou-se referência no mapeamento do avanço da pandemia no território brasileiro, coordenando a pesquisa Epicovid. Agora, atuando como colunista na Folha de S. Paulo abordando ciência e saúde pública, Hallal não é visto com bons olhos por apoiadores do governo atual devido a sua postura ativa de críticas à conduta de enfrentamento da covid-19, adotada pela presidência do país. 

 

A denúncia feita em decorrência de um posicionamento oposto ao governo em uma live para estudantes da universidade, foi mais um dos atos de perseguição contra o epidemiologista. Acusado por “manifestação desrespeitosa e de desapreço direcionado ao presidente da República”, o professor enxergou como desfecho para o caso, assinar um termo de ajustamento de conduta que o proíbe de fazer qualquer tipo de manifestação política dentro de ambientes universitários além de ter que atender a um curso de ética no serviço público. 

 

Como defesa aos ataques dirigidos à universidade e aos professores mencionados, cientistas e acadêmicos, como a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), mobilizaram-se através de manifestos.

 

“Acho que foi um choque pra todo mundo ver dois professores da UFPel tendo que assinar um termo de ajustamento de conduta” diz Fabiana Cândido, estudante de direito da universidade. Fabiana complementa que, o caso demonstra como o governo segue à espreita, observando os movimentos dos docentes e discentes, pronto para intervir da forma que preferir. “Sinto, especialmente por parte dos docentes da universidade, que há no momento um clima de "medo", um receio de conseguir de fato exprimir suas opiniões.”comenta a estudante. 

 

Fabiana aponta que desde 2019, a UFPel sofre por consequências do governo Bolsonaro. Segundo a mesma, quando houveram cortes nos repasses financeiros, os alunos, por vezes, tiveram que ter aulas no escuro como forma de economia além de terem ocorrido turbulências no momento em que o projeto Future-se - desenvolvido pelo MEC - esteve em discussão.

 

Um pouco antes do processo contra os docentes acontecer, a universidade preparava-se para a recepção de uma nova reitoria, escolhida através de uma eleição democrática. Em meados de novembro de 2020, todos já tinham conhecimento da chapa vencedora. No entanto, em janeiro deste ano, o corpo estudantil foi surpreendido com a notícia de que o reitor eleito através dos alunos, Paulo Ferreira Júnior, não seria acatado pelo governo. 

 

Ao invés do primeiro nome colocado na lista tríplice, o presidente escolheu para se encarregar da reitoria, a professora Isabela Fernandes Andrade. 

 

Universidade Federal de Pelotas, Imagem: UFPel Portal.

 

“Como estudante da UFPel, fiquei muito desconfortável com essa notícia, porque acredito que todas as universidades devem ter sua autonomia, principalmente as federais.” diz Regina Vieira, estudante de direito da universidade.  “Se um governo está interferindo na democracia de uma universidade, até que ponto ele poderá interferir na democracia do país? São pequenos atos que nos levam a temer outras coisas” complementa. 

 

Patrocinadas pelo presidente, duas medidas provisórias foram criadas para tentar modificar o formato de escolha dos reitores em uma tentativa de reduzir a autonomia das instituições. A primeira, em 2019, não agradou parlamentares e a segunda, em 2020, procurava autorizar nomeações sem a realização de consulta à comunidade. Ambas propostas não tramitaram. 

 

Diante das tentativas de intimidação contra professores e reitores federais, há de se observar o reflexo desses atos nos alunos. “Não temos como estabelecer um termômetro para todos os estudantes, mas acho que quanto mais informado e engajado ao movimento estudantil, aos professores e a universidade em si, mais preocupadas essas pessoas estão.” avalia Fabiana Cândido. A estudante comenta que, assim como outros colegas, segue preocupada. “Não tanto com a troca da reitoria” pois, segundo ela, a universidade apresentou uma boa desenvoltura ao lidar com o caso, “mas com a incerteza política que nosso país está vivendo e como o governo Bolsonaro pode continuar afetando o funcionamento das universidades públicas federais.”




 

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Anonimato da internet; senso de justiça; busca por superioridade e efeito manada são alguns dos motivos que encorajam o linchamento virtual
por
Giovana Yamaki e Fernanda Fernandes
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06/04/2021 - 12h

       

A propagação da cultura do cancelamento
A propagação da cultura do cancelamento. - Reprodução Pinterest

       

        Cancelamento: o termo eleito, em 2019, pelo dicionário Macquarie, continua sendo pauta ainda nos dias de hoje, principalmente agora com a 21ª edição de Big Brother Brasil no ar. Essa cultura que vem crescendo nas redes sociais, sempre esteve presente na sociedade e gera diversos impactos psicológicos e grandes consequências aos afetados. 

       Apesar desse problema já estar escancarado, a hipocrisia das pessoas faz o cancelamento se intensificar e nos leva a cada vez mais longe de uma solução. Mas afinal, quem é o cancelador e o que o influencia a cometer atitudes extremamente agressivas? 

       Pensando em entender mais sobre essa figura e os impactos causados pelo cancelamento virtual, foi feita uma entrevista com a psicóloga Beatriz Pinto Bandeira Campos e uma pesquisa no Instagram.

       Além disso, foram listados alguns tópicos que influenciam no cancelamento e encorajam o cancelador. Entre eles estão: o anonimato da internet; o senso de justiça; a busca por superioridade e o efeito manada.

Confira o vídeo aqui

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Em meio a pandemia da Covid-19 e conflitos incessantes ao redor do mundo, entenda esse grupo e conheça a uma das instituições que lhes presta apoio no Brasil
por
Marina Daquanno Testi e Thayná Alves
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08/12/2020 - 12h

 

 

     

        O número de refugiados no Brasil vem crescendo a cada ano. Só no ano de 2018, segundo a Agência da ONU Para Refugiados (ACNUR) foram relatadas 80 mil solicitações de reconhecimento de condição de refugiado no Brasil. Os grupos de maior número entre as solicitações são os venezuelanos (61.681), que saíram do país devido à crise humanitária, e os haitianos (7.030), cujo fluxo de migração se intensificou após o terremoto que atingiu o país em 2010.  

        A lei brasileira considera refugiado todo indivíduo que está fora de seu país de origem devido a guerras, terremotos, miséria e questões relacionadas a conflitos de raça, religião, perseguição política, entre outros motivos que violam seus direitos humanos. Isso pode acontecer, por exemplo, quando a vida, liberdade ou integridade física da pessoa corria sério risco no seu país.

        Para que o imigrante seja reconhecido como refugiado, é necessário enviar uma solicitação para o Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE). O processo de reconhecimento, que antes era mais burocrático e mais demorado, atualmente é feito no site do Ministério da Justiça, a partir do preenchimento do formulário que pode ser feito ainda no país de origem. Todas as etapas podem ser acompanhadas pela internet, mas para o processo começar a tramitar, o solicitante deverá comparecer pessoalmente a uma unidade da polícia federal. 

        Dentre a população refugiada reconhecida no Brasil, segundo o censo da ACNUR de 2018, a maioria se concentra nas faixas etárias de 30 a 59 anos (41,80%), seguido de pessoas com idade entre 18 a 29 anos (38,58%). Do total, 34% são mulheres e 66% são homens, ressaltando os sírios, os congoleses como nacionalidades em maior quantidade (respectivamente 55% e 21%). 

         Em janeiro de 2020, o Brasil tornou-se o país com maior número de refugiados venezuelanos reconhecidos na América Latina, cerca de 17 mil pessoas se beneficiaram da aplicação facilitada no processo de reconhecimento, segundo a  Agência da ONU para Refugiados. As autoridades brasileiras estimam que cerca de 264 mil venezuelanos vivem atualmente no país. Uma média de 500 venezuelanos continua a atravessar a fronteira com o Brasil todos os dias, principalmente para o estado de Roraima.

         Apesar de em grande quantidade, apenas 215 municípios têm algum tipo de serviço especializado de atenção a essa população. As maiores dificuldades encontradas por pessoas refugiadas são a adaptação com o mercado de trabalho, com o aprendizado do idioma, o preconceito e a xenofobia, educação (muitos possuem diplomas em seus países de origem que não são aceitos aqui no Brasil), moradia e saúde. 

 

Covid-19 e o amparo aos refugiados

 

        Diante de um quadro de crise em escala global, como o que acontece este ano com a pandemia da Covid-19, essa população de migrantes e refugiados, que já se encontram em extrema vulnerabilidade, conta com o apoio de poucas instituições voltadas especialmente para suas necessidades. Este é o caso da Missão Paz, uma instituição filantrópica de apoio e acolhimento a imigrantes e refugiados, com uma das sedes na cidade de São Paulo, como conta o padre Paolo Parise.

        Nascido e criado na Itália, Parise atua desde 2010 na Missão Paz, atualmente como um dos diretores, e explica que esta instituição está ligada a uma congregação da Igreja Católica chamada Scalabrinianos, que atua com imigrantes e refugiados em 34 países do mundo. “Na região do Glicério - município do estado de São Paulo-, a obra se iniciou nos anos 30 e atualmente está presente em Manaus, Rio de Janeiro, Cuiabá, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Foz do Iguaçu, Corumbá e outros lugares.”

        Sua estrutura atual conta com a Casa do Migrante, um abrigo com capacidade de 110 indivíduos que são acolhidos com alimentação, material de higiene pessoal, roupas, aulas de português, acompanhamento de assistentes sociais e apoio psicológico; e o Centro Pastoral e de Mediação dos Migrantes (CPMM) que oferece atendimento e serviços voltados aos imigrantes, quanto aos seguintes temas: documentação e jurídico; trabalho, capacitação e cidadania; saúde; serviço social; família e comunidade. “Além disso, temos a área de pesquisa em parceria com a revista Travessia, que é o Centro de Estudos Migratórios (CEM), uma biblioteca especializada em migração e a WebRadio Migrantes”, completa Pe. Paolo.

Fonte: Site da instituição Missão Paz - Casa do Migrante
Fonte: Site da instituição Missão Paz - Crianças brincam na Casa do Migrante

        De acordo com o diretor, o maior desafio enfrentado pela instituição, durante a pandemia, foi com a saúde dos refugiados, principalmente pela impossibilidade de viver a quarentena isoladamente, já que muitos vivem em ocupações ou em lugares com muitas pessoas concentradas. Ele ainda denunciou que, dentre tantas vítimas da Covid-19 em São Paulo, um dos grupos mais afetados foi o de imigrantes bolivianos, “muitos foram contaminados e muitos morreram”.

        Diante de instabilidades políticas e econômicas, atualmente, sírios e venezuelanos são as principais nacionalidades afetadas que solicitam entrada no país. O que ratifica o Pe. Parise, “Falando pela Missão Paz, se você utiliza o termo ‘refugiados’, o maior grupo neste momento é de venezuelanos, sejam os que foram acolhidos pela missão paz, sejam os que estão entrando no Brasil. E depois encontramos outros grupos como da República Democrática do Congo. Mas se falamos de imigrantes, temos Colombianos, Bolivianos, Paraguaios, Peruanos, Angolanos e de outros países que estão recorrendo ao Brasil.”

        Mesmo com mudanças críticas, no cenário jurídico e político brasileiro, para que esta população seja recebida no país e tenha seus direitos respeitados, ainda não se pode falar em auxílio do governo ou medidas diretas de apoio a refugiados e imigrantes. 

        Paolo relembra a criação de leis que têm beneficiado a população no Brasil. Uma delas é a lei municipal Nº 16.478 de 2016, onde o Prefeito do Município de São Paulo, Fernando Haddad, instituiu a Política Municipal para a População Imigrante que garantia a esses o acesso a direitos sociais e aos serviços públicos, o respeito à diversidade e à interculturalidade, impedia a violação de direitos e fomentava a participação social; e a outra é a lei federal Nº13.445 de 2017, ou a nova Lei de Migração, que substitui o Estatuto do Estrangeiro e define os direitos e deveres do migrante e do visitante, regula a sua entrada e estada no País e estabelece princípios e diretrizes para as políticas públicas para o emigrante.

        A Missão Paz se mantém através de projetos e dinheiro injetado pela congregação da Igreja Católica. “Neste momento, a Missão Paz não recebe apoio financeiro nem do município, nem do estado e nem do Governo Federal”, relata Parise. Durante a pandemia receberam ajuda da sociedade civil, “[A Instituição] Conseguiu muitas doações de pessoas físicas, de instituições, de campanhas, fosse em dinheiro, em cestas básicas ou kits de higiene pessoal”, e com 200 cestas básicas, por mês, da Prefeitura de São Paulo. Também receberam ajuda com testes de COVID em nível municipal. 

         A instituição filantrópica ainda conta com a ajuda de vários parceiros, como explica seu diretor “na área de incidências políticas, por exemplo, nós atuamos com a ONG Conectas Direitos Humanos, temos na área de refugiados um projeto com a ACNUR, estamos preparando outro com a OIM (Organização Internacional para as Migrações) e temos algumas ações com a Cruz Vermelha”. 

        Desde o começo do ano, já atenderam por volta de 7 mil imigrantes e refugiados, e, hoje em dia, tem por volta de 40 pessoas na Casa, o que representa ⅓ da capacidade total. Além disso, entregam de 50 a 60 cestas básicas a refugiados, diariamente, e ao redor de 60 a 70 que vão, por dia, procurar os serviços do CPMM. “Outras ações incluíram a disponibilização de atendimentos online, de aulas de português a atendimentos jurídicos, psicológicos ou serviços sociais, além de ajudar a completar aluguel, água ou luz daqueles que precisam da ajuda da instituiçã”, fala Padre Paolo. 

        Todo esse esforço e dedicação da instituição foi feito, sempre, visando seguir as normas de segurança e as indicações da OMS (Organização Mundial da Saúde). Foram fornecidos a seus funcionários e a população migrante e de refugiados álcool para higienizar as mãos, máscaras e demais equipamentos e serviços de proteção e higiene.

A exclusão nas várias áreas da sociedade.
por
Marcela Foresti
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27/11/2020 - 12h

Como qualquer outro país o Brasil também enfrenta diversos problemas sociais, um destes problemas é a exclusão de deficientes. Segundo levantamento do IBGE de 2010 o país tem 46 milhões de pessoas que declaram ter algum tipo de deficiência, este número equivale a 24% da população.

Este grupo da sociedade enfrenta barreiras todos os dias e são excluídos de atividades básicas do dia a dia, como em atividades escolares. O diretor de patrimônio da  Associação dos Policiais Militares Portadores de Deficiência do Estado de São Paulo (APMDFESP) e cabo da polícia militar reformado Alexandre Miragaia de Araújo acredita que a sociedade em que vivemos está longe de ser inclusiva e que não podemos confundir a boa vontade de poucas pessoas com a tão sonhada inclusão “A exclusão já começa na infância com as súplicas de pais por uma vaga em   escolas”. Alexandre Miragaia de Araújo

 O também policial militar reformado e hoje presidente da Associação dos Policiais   Militares Portadores de Deficiência do Estado de São Paulo (APMDFESP) Antônio   Figueiredo Sobrinho, acredita que aos poucos a sociedade está caminhando para uma   maior inclusão, principalmente no trabalho já que existem os sistemas de cota, mas   que ainda estamos longe de atingirmos a inclusão total. Antonio Figueiredo Sobrinho

A sociedade infelizmente ainda enxerga os deficientes como incapazes e diferentes, muitas empresas preferem pagar a multa por não cumprir a lei de cotas do que contratar alguém que se declara deficiente. Na escola é a mesma coisa, as instituições não colocam seus alunos deficientes em eventos por julgarem que a criança é incapaz de se misturar.

Para Araújo e Figueiredo o poder financeiro ainda é um fator determinante da inclusão, ele que proporciona  maior qualidade de vida, viabiliza a mobilidade e facilita o acesso a informações. 

A falta de sensibilidade para o assunto também reflete na mídia. Araújo acha que a quantidade de reportagens sobre o assunto está se tornando constante, mas que ainda vemos uma quantidade enorme de ONGs e políticos serem representantes do assunto ao invés dos próprios deficientes que superam seus limites todo dia “Não nos sentimos representados por toda essa gama de pessoas”.

Figueiredo por outro lado acredita que os conteúdos das matérias são sempre superficiais “Falam de maneira que o conteúdo seja para beneficiar outros”, para ele esta minoria da sociedade ainda não tem crédito de valor.

O pouco interesse da sociedade sobre o assunto é uma realidade triste do Brasil, difícil vermos planos de governo que incluam medidas que irão beneficiar este grupo além de cotas. Há poucas medidas para a mobilidade nas ruas e estabelecimentos, o que dificulta o acesso e mantém as barreiras do preconceito. Araújo acredita que existe uma preocupação dos governantes, mas não se vê como programa de relevância “Não tem uma formatação de Leis com nossa realidade e ficamos na dependência de ações isoladas”.

Já Figueiredo acredita que a história está mudando e que não irá demorar muito para eles serem incluídos como pessoas normais na sociedade.

 A luta pela inclusão é de todos nós e devemos cada vez mais nos preocupar em ter uma sociedade onde todos são vistos e tratados como iguais. O Brasil ainda tem uma grande caminhada e ela é agenda de todos.

 

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