Uma mudança na mentalidade corporativista do brasileiro está atrelada à luta pela redução de horas trabalhadas
por
Clara Dell'Armelina
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19/05/2026 - 12h

O debate sobre o fim da escala 6x1 ganhou um maior fôlego nos últimos dias após a Câmara dos Deputados confirmar para 26 de maio deste ano a votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que reduz a jornada semanal de trabalho e amplia o descanso dos trabalhadores brasileiros. A medida pode impactar cerca de 16 milhões de trabalhadores que atualmente atuam no modelo de seis dias de trabalho para apenas um de repouso. O avanço da proposta ocorre em meio à pressão popular, com apoio de centrais sindicais e resistência de parte do empresariado, e corrida eleitoral.

Foram reacendidas as discussões entre empresários, trabalhadores e especialistas sobre produtividade, saúde mental e reorganização do mercado de trabalho. Para a economista e CEO da DS Estratégia de Educação e Inteligência Financeira, Dirlene Silva, em entrevista à AGEMT, o debate vai além das planilhas econômicas e exige uma mudança estrutural na forma como o trabalho é pensado no Brasil, “essa transição exige mais do que um ajuste de escala, ela exige mudança de modelo de gestão e de mentalidade”, afirma.

Dirlene Silva: Economista e mestre em Gestão e Negócios, é fundadora e CEO da DS Estratégia de Educação e Inteligência Financeira.
Dirlene Silva (Foto: Fábio Chialastri)

Segundo Dirlene, experiências internacionais em países como Islândia e Reino Unido mostraram que jornadas reduzidas podem manter, ou até mesmo chegar a elevar, a produtividade quando acompanhadas de reorganização dos processos internos, “esses países demostraram que o ganho vem da reorganização do trabalho, não da redução pura e simples de horas. Na prática, as empresas precisam atuar nas frentes de revisão de processos, gestão por resultados, redistribuição de jornadas e mudança de mentalidade”, explica Silva, que sugere que devem especialmente procurar buscar uma transformação da cultura corporativa, abandonando a lógica de que longas jornadas representam maior eficiência e reconhecendo que descanso e bem-estar também impactam diretamente a produtividade do trabalhador. “A economia é, sobretudo, sobre pessoas. E pessoas não produzem de forma linear ao longo de horas extensas”, diz ela.

O aumento de receita registrado em empresas que adotaram jornadas reduzidas está ligado diretamente ao ganho de eficiência operacional e ao bem-estar dos trabalhadores. Experiências internacionais reforçam essa lógica de que menos horas de trabalho podem significar mais foco, menos retrabalho e melhor aproveitamento do tempo. Em 2019, a filial japonesa da Microsoft registrou aumento de quase 40% na produtividade após implementar uma semana de quatro dias de trabalho, além de reduzir gastos com energia e reuniões mais longas. Para Dirlene, empresas que cuidam das pessoas conseguem maior consistência na entrega de resultados. “Seres humanos precisam de descanso para produzirem melhor”, afirma.

Prédio da Microsoft - Imagem: Tang Yan Song/Shutterstock
Microsoft - Imagem: Tang Yan Song/Shutterstock

Falar sobre o adoecimento físico e mental dos trabalhadores é também falar sobre os impactos econômicos para empresas e para o próprio Estado, especialmente nas áreas de saúde pública e previdência. “Ao longo de mais de 30 anos no corporativo, vi muitas pessoas adoecerem e até morrerem por excesso de trabalho”, relata. Para Dirlene, jornadas menores favorecem equilíbrio emocional, melhora na tomada de decisão e redução do adoecimento mental. “Economia não acontece só na planilha, acontece também no comportamento. E comportamento melhora quando as condições melhoram”, explica.

Toda essa discussão também expõe desigualdades históricas do mercado de trabalho brasileiro, os trabalhadores submetidos às jornadas mais longas geralmente ocupam cargos menos valorizados e recebem salários menores. “Não é a quantidade de horas que determina o nível de renda, mas o tipo de trabalho, o nível de qualificação e a posição ocupada na estrutura produtiva”, afirma.

A CEO ainda aponta que, no Brasil, a cultura da hora extra muitas vezes se transforma em complemento salarial, refletindo baixos salários estruturais, “ainda convivemos com um cenário em que trabalhar mais horas não significa, necessariamente, ganhar mais”. Uma pesquisa da Catho reforça esse cenário apontando que 60,7% dos trabalhadores brasileiros fazem horas extras regularmente e, segundo o levantamento, muitas empresas ampliam a carga de trabalho dos funcionários como estratégia para aumentar a produtividade, algo que contribui para a normalização das jornadas extensas no mercado de trabalho do Brasil.

Gráfico da pesquisa da Catho
(Foto: Reprodução/Catho)

Dirlene acredita que a principal barreira para a aprovação definitiva da medida ainda é cultural, ela diz que ainda “existe uma lógica muito antiga baseada em controle de jornada, não em produtividade”. Ela defende que o país precisa compreender que desenvolvimento econômico sustentável depende diretamente das condições de vida dos trabalhadores pois “não existe desenvolvimento sustentável com pessoas adoecendo para sustentar o sistema”, conclui.

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Em meio ao envelhecimento de cada indivíduo, uma vida digna é garantida para todos. E deveria ser assim, mas a realidade de muitos é contraditória.
por
Alice Begnini
Rafaella Lalo
Heloá Hurtado
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09/04/2026 - 12h

Por trás de peles enrugadas, histórias invisíveis que não são contadas nas visitas, que por vezes nem se quer existem, um capítulo que não é mostrado nas fotos de família. Os corredores são silenciosos, com rotinas organizadas e uma saudade sem tamanho: A família. Abraços, ligações e o próprio calor humano se tornam ausentes, aquela presença de quem fez parte da história, não está mais ali. Os olhares esperançosos entre as portas, esperando a entrada de alguém que talvez não venha mais.

A carência, não é apenas algo físico, ela se torna algo estrutural. O dia que era marcado por encontros, passa a ser marcado por rotinas rígidas, silenciosas, que nem sempre são sinônimos de paz. As datas comemorativas, nem sequer existem, não são compartilhadas. Mesmo com profissionais dedicados e capazes, há um espaço que nenhuma instituição irá suprir, onde o abandono familiar se instala.

Pensando nesse sentido, observa-se que a superlotação piora a realidade. O espaço acolhedor se torna insuficiente perante a grande demanda, idosos começam a dividir quartos, rotinas e além de tudo suas histórias. Aquela atmosfera que indica transmitir cuidado, afeto e tranquilidade, torna- se hostil, provocando uma crise emocional, social e humana.

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) registraram um grande aumento na população idosa entre 2010 e 2022, além de apontar que o número de idosos que residem em abrigos cresceu 65% em 10 anos.

Profissional auxiliando a mobilidade de um idoso que necessita de cuidados.
Idosos representam cerca de 15% da população. Foto:pixabay.

Segundo Flávia Damião, enfermeira, que atua no Lar Sant’Ana Residencial: “É muito comum a ocorrência de abandono, mesmo em residências de famílias com boas condições financeiras.” A afirmação da enfermeira evidencia que o abandono familiar perpassa a saúde mental e física dos idosos.

Há cinco anos atuando na área, Damião presencia o cotidiano e os desafios desse ambiente. No lugar onde trabalha, residem cerca de 100 idosos que estão inseridos em atividades de dança, exercício físico e fisioterapia. Segundo ela, essas práticas contribuem diretamente para a saúde mental e favorecem a socialização entre eles.

Contudo, o cuidado profissional não ocupa todas as faltas. “Apesar das condições, eles ainda são muito carinhosos “, afirma. Ao falar sobre o afastamento familiar, ela é clara: “É comum, inclusive em um residencial de alto padrão. “Eles sentem muito. Ela não sabe mais quem eu sou, mas eu sei quem ela é”. Aponta um relato presenciado pela enfermeira.

A força desse abandono é complexa e afeta a saúde física e mental. Entretanto, não é pontuado um único motivo para esse afastamento familiar, a falta de tempo, rotina de trabalho intenso, dificuldade em lidar com os cuidados e até mesmo o desespero emocional. Cada caso tem o peso de sua história, de suas vivências. “Eu não sei o passado deles, nem como era a convivência com a família. Eu não sei quem ele foi, eu sei o que ele é aqui”, aponta Flávia.

A psicóloga Normal Richter, explica que a solidão pode gerar ou piorar um quadro de saúde. “Quando estão em estado de lucidez, é comum que sintam raiva, tristeza e sentimentos que intensificam a impressão de abandono e ingratidão por parte da família.

Porém, nem sempre é assim dentro dessas casas. Ailton Luiz, filho de uma ex-residente dessas casas de repouso, aponta uma vivência diferente. Ailton acompanhou de perto o tempo que sua mãe esteve dentro desse ambiente e afirma o cuidado recebido. “Eles tinham bastante assistência. O cuidado era 24 horas, não só físico, mas com relação aos medicamentos também. Segundo ele, existia um cuidado com o bem-estar. “Eles passeavam com ela nos espaços da casa, conversavam, não deixavam ela parada, isso fazia a diferença.”

Idosos fazendo atividades em conjunto.
Pessoas da terceira idade que praticam atividades regulares tem até 30% menos risco de ter doenças como a depressão. Foto:@larsantanaresidencial.

O relato dele, aponta que, se existissem estruturas próprias e adequadas, profissionais prontos e investimentos para os medicamentos as residências poderiam sim cumprir seu objetivo, mas essa não é a realidade de muitos.

Flávia Damião relembra algumas situações delicadas em instituições públicas. “Os quartos estavam tão cheios que não tinha como passar. Em muitos casos, os idosos chegam por resgates, retirados de situações de extrema vulnerabilidade.”

A forma precária vai além da estrutura em si, em algumas instituições há ausência de medicamentos, fraldas e até mesmo itens de higiene básica. Por diversas vezes campanhas e organizações dos próprios funcionários arrecadam os itens necessários e se propõem para buscar vagas em outras casas que não estão superlotadas. É um apoio improvisado, que acaba mantendo de maneira básica aquele ambiente, por meio de iniciativas individuais ou coletivas do que propriamente de uma ação do poder público.

Flávia afirma que o cuidado emocional não pode ser sistematizado. “Trabalhar com idoso é um grande desafio”. Destaca que esse tipo de trabalho exige sim preparo, mas acima de tudo sensibilidade perante as histórias marcadas muitas vezes, pela própria ausência.

A enfermeira ainda conclui, “Gostaria que esse público fosse mais olhado. Que não precisassem ser abrigados em casas de níveis precários. Que todos pudessem ter um envelhecimento digno”.

Diante desse cenário, a superlotação e o afastamento familiar dos idosos apontam mais falhas estruturais, demonstram a forma com que a sociedade tem lidado com o envelhecimento. Provocada não apenas pela falta de recursos, mas também pela falta de vínculo, comprometimento e responsabilidade.

Desse modo, comportamentos que afetam a dignidade dos idosos violam e desrespeitam os direitos pregados pelo Estatuto da Pessoa Idosa, que prezam pela segurança e cuidado absoluto, protegendo de qualquer negligência, discriminação, violência e crueldade. 

Entretanto, com o aumento do envelhecimento populacional, o vínculo afetivo se destaca em meios de prevenção contra a decadência da saúde mental e física dos idosos, entregando para a sociedade conscientização das obrigações que são implementadas sobre os cuidados e responsabilidades sobre pessoas idosas. Por trás de um corpo que não tem a mesma agilidade de antes e uma mente que hoje não é tão lúcida, existem histórias que um dia foram momentos importantes e fizeram parte da trajetória de vida de alguém. Cabe à comunidade honrar essa história e lembrá-los de sua importância dentro do espaço onde vivem, reafirmando que eles são seres humanos e merecem respeito e qualidade de vida digna.

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Trajetória de Paulo Ignez revela a luta, persistência e um amor inabalável pelo desenho.
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Victória Ignez
Isadora Cobra
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13/11/2025 - 12h

  

A primeira memória que Paulo Lemes Ignez Jr. guarda de si mesmo é ele desenhando. O papel, o lápis e o silêncio curioso da infância nunca foram passatempo, eram destino. Aos 8 anos, já imitava o pai, copiando cada linha com a urgência de quem sabia, mesmo sem saber, que a arte seria seu caminho. E foi. 

Fotografia de Paulo Ignez Junior
Acervo Pessoal: Paulo Ignez Junior

Hoje, aos 42 anos, Paulo é um dos nomes mais respeitados do mercado de animação e games, com mais de 23 anos de carreira. Atuou como Animador e Character Designer em produções nacionais e internacionais, como o filme “A Princesa e o Sapo” (Disney Feature Animation), os curtas “Eu Juro que Vi” (MultiRio) e o game “Chef Squad” (Eldorado Studios). Há 15 anos também ministra cursos sendo 13 deles na ICS, formando artistas que hoje vivem do que ele ensinou. Atualmente, trabalha como supervisor de animação em dois grandes estúdios e dedica parte de seus dias à carreira autoral como artista visual. 

Mas o caminho até aqui nunca foi linear. Nunca foi fácil. Nunca foi garantido. 

Paulo nasceu em 1983, cresceu entre mudanças, escolas diferentes e amigos que, por coincidência ou destino, também desenhavam. Uma sincronia que, hoje, ele entende como combustível. As referências vinham de todo lugar: animes, quadrinhos de super-heróis e revistas sobre games e animação. Assim a paixão dele por esse mundo foi crescendo. 

Aos 15, era impossível e injusto pedir que ele seguisse qualquer outro caminho. Começou a trabalhar cedo, entrou em uma escola de animação sem ter dinheiro para continuar pagando, foi nessa mesma instituição que conseguiu o primeiro emprego, porque o diretor da escola também tinha um estúdio de animação chamado HGN Produções e então surgiu a oportunidade de começar como estagiário, ele conta que ganhava “bem pouco”, mas seu talento falou primeiro, o diretor jogou no mercado, onde Paulo cresceu estúdio após estúdio, quadro após quadro. 

Paulo sempre teve vontade de trabalhar para fora do país, e durante os trabalhos no Brasil, conheceu um profissional de animação que trabalhou para produções da Disney. Ele conta que, no estúdio esse produtor, havia os livros dos filmes da Disney, como eram feitos, e tinha fitas de videocassete que mostravam os estúdios, o make-off dos filmes. Foi então que Paulo teve uma virada de chave e se programou para morar no Canadá. Seu objetivo era aprimorar seu inglês e se especializar ainda mais no seu trabalho. 

Ele sempre soube o que era capaz de fazer, o mundo ao redor é que demorou a perceber.  

No início, o desafio era ser levado a sério. Jovem demais, rápido de menos, eficiente de mais em um ambiente que testava seus limites diariamente. Aprendeu a se comunicar, a trabalhar em equipe, a entregar rápido, a lidar com pressões que quebram muitos no começo. Mais tarde, quando virou supervisor com pouco mais de 20 anos, sentiu a resistência de profissionais mais velhos que não o viam como autoridade. Era um menino em um cargo de adulto, mas ele persistiu. Foi ganhando confiança, velocidade, precisão. Foi deixando de ser promessa para se tornar referência. 

Paulo trabalhou na equipe brasileira que animou cenas de “A Princesa e o Sapo”, da Disney. Remotamente, mas com padrão internacional e supervisores exigentes. Foi selecionado para cenas complexas, revisou trabalhos de outros artistas, coordenou uma pequena equipe. Diz que foi um dos trabalhos mais cansativos da vida e um dos mais marcantes. Visitou o estúdio da Disney. Viu de perto aqueles que admirou por anos. Confirmou que conseguia ocupar esse espaço.  

Para ele, o mercado de animação no Brasil anda “em passos de formiga”. Falta investimento governamental, as políticas de incentivo oscilam e a maioria dos melhores artistas do país trabalha para fora como ele. Paulo não romantiza o setor, sabe que não é do governo que virá o reconhecimento, e sim da própria força de cada artista. 

Ainda assim, vê valor no que muitos produzem com poucos recursos, e acredita que artistas não podem depender do que nunca veio de forma consistente. 

Paulo não se vê como alguém que “transforma o mundo”, mas sabe que seu trabalho influencia principalmente crianças. Ao mesmo tempo, é crítico do conteúdo que chega ao público infantil, afirmando que a maioria dos desenhos e games consumidos hoje têm mais potência negativa do que positiva. Para ele, o filtro dos pais é essencial. E lembra algo importante: quem realmente molda a sociedade são as narrativas mais realistas, filmes, séries, histórias que tratam do humano. A animação, segundo ele, toca mais as crianças, mas não define culturas inteiras. 

O dia de Paulo começa cedo e termina tarde. Supervisiona equipes, revisa desenhos, faz correções, participa de reuniões com diretores internacionais e, à noite, dá aula até as 22h30. Quando sobra tempo e quase nunca sobra, ele relaxa desenhando para si, andando de patins ou tocando violão. Também mergulha em estudos de filosofia, religiões comparadas e mitologia. Esse é o espaço onde respira. 

O pai que viu o artista nascer 

Paulo Tadeu Ignez, pai, acompanhou tudo desde o primeiro traço. “Desde sempre. Começou com uns 8 anos, quando ele me via desenhando.” Ele não só viu, apoiou, pagou cursos, incentivou o que podia. Hoje, fala com orgulho: “Ele ensinou muita gente. Imagine quantas pessoas vivem de desenho porque aprenderam com ele. Na comunidade artística, ele é conhecido como mestre.” Mas também revela saudades: “Ele se tornou um pouco antissocial, sempre focado no trabalho dele, prioriza os estudos.” Nos próximos anos, Paulo, o filho, quer expandir o trabalho autoral, criar uma marca própria, produzir pinturas, ilustrações, fine art, talvez expor em galerias. Também quer manter o ensino vivo formando mais artistas, como quem devolve ao mundo aquilo que recebeu. Ele sabe que o Brasil talvez nunca dê o reconhecimento que sua área merece. Mas também sabe que o mundo reconhece e isso basta. Porque, no fim, Paulo continua sendo o menino que desenhava para mostrar às pessoas. Agora, a diferença é que o mundo inteiro olha de volta.

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Ministério da Saúde confirmou, nesta quinta-feira (09), 24 casos e cinco mortes na capital paulista
por
Juliana Bertini de Paula
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09/10/2025 - 12h

Desde o dia 18 de setembro, diversos quadros de intoxicação por metanol têm sido relatados por hospitais de diferentes estados. Nesta quinta-feira (09), o Ministério da Saúde divulgou um novo balanço, com 5 mortes e 24 casos confirmados em tratamento. Outros 235 são investigações apenas na cidade de São Paulo. Outros casos também despontaram em diversos estados do Brasil, bem como em São Bernardo do Campo e outras cidades da Grande São Paulo.

A intoxicação é provocada pela ingestão de metanol em bebidas adulteradas. Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Piauí, Espírito Santo, Goiás, Acre, Paraíba e Rondônia também investigam casos de intoxicação. Paraná e Rio Grande do Sul confirmaram ocorrências.

Entre as mortes confirmadas estão Ricardo Lopes Mira, de 54 anos, Marcos Antônio Jorge Júnior, de 46 anos e Marcelo Lombardi, de 45 anos, moradores de São Paulo, além de Bruna Araújo, de 30 anos, de São Bernardo do Campo, e Daniel Antonio Francisco Ferreira, 23 anos, de Osasco.

Na capital paulista, em 30 de setembro, 7 locais foram alvo de investigação da vigilância sanitária. Em dois deles foram encontradas bebidas com metanol. Mais 11 estabelecimentos foram interditados. O bar Ministrão, na Alameda Lorena, nos Jardins, e o bar Torres, na Mooca, foram fechados temporariamente. Seis distribuidoras e um bar em São Bernardo do Campo também foram interditados.

Bar Ministrão, nos Jardins. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Bar Ministrão, nos Jardins. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O que dizem as autoridades?

Nesta segunda-feira (06), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), realizou uma coletiva de imprensa, junto com representantes das secretárias de Saúde, Segurança Pública, Justiça e Cidadania, Desenvolvimento Econômico, Fazenda e Planejamento. Além deles, estavam presentes representantes do ramo de bebidas, que auxiliaram no treinamento de agentes públicos e comerciantes para a identificação de falsificações.

Durante a entrevista, o governador contrariou as declarações do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e descartou a possibilidade de envolvimento de facções criminosas na adulteração de bebidas, sem revelar qual a hipótese que está sendo seguida pela polícia paulista. Tarcísio foi criticado por brincar com a situação dizendo que “quando falsificarem Coca-Cola, vou me preocupar”. No dia seguinte, em suas redes sociais, Freitas publicou um vídeo no qual pedia desculpas pela afirmação.

Em fevereiro deste ano, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) divulgou que 13 bilhões de litros de bebidas adulteradas são comercializados ilegalmente todos os anos, com perdas fiscais que podem chegar a R$ 72 bilhões, sendo a segunda maior fonte de renda das facções de crime organizado, que perde apenas para combustíveis adulterados.

O Fórum destaca ainda a prática ilegal conhecida como refil, quando há reutilização de garrafas para envasamento de bebidas falsificadas. Só em 2023 foram apreendidas 1,3 milhão de garrafas do tipo. Há também anúncios online de venda de garrafas vazias com rótulos das bebidas. Além disso, em 2016, durante o governo de Michel Temer, o Sistema de Controle de Produção de Bebidas, o Sicobe, foi suspenso sob alegação de altos custos de manutenção (R$ 1,4 bilhão ao ano), o que tornou a fiscalização federal inexistente e realizada por meio de autodeclaração dos bares.

Em nota para a AGEMT, a Secretária Municipal de Saúde de São Paulo disse que “as ações da Vigilância Sanitária do município são constantes, com fiscalizações em comércios varejistas (restaurantes, bares, adegas, lanchonetes, entre outros) e distribuidores/atacadistas de bebidas, na verificação da procedência da bebida: se há nota fiscal de aquisição, lacre de segurança, integridade e legibilidade da rotulagem, se apresenta todas as informações obrigatórias (dados do fabricante/importador, lote, registro no órgão oficial), bem como a manipulação. A pasta está intensificando ações em comércios junto à vigilância estadual e à Secretaria de Segurança Pública.”

A Secretaria de Segurança Pública não se pronunciou para a AGEMT. O espaço segue aberto.

Sintomas e tratamentos

Em entrevista à AGEMT, o farmacologista e toxicologista Maurício Yonamine conta que a rapidez para o atendimento médico é o fator mais crítico para a chance de recuperação em caso de intoxicação por metanol. “O prognóstico é melhor quanto mais rápido for o diagnóstico e o início do tratamento, pois o tempo é o que permite que os subprodutos tóxicos (principalmente o ácido fórmico) se acumulem e causem danos irreversíveis.”

Maurício Yonamine, toxicologista formado pela USP. Foto: Reprodução/RevSALUS
Maurício Yonamine, toxicologista formado pela USP. Foto: Reprodução/RevSALUS

 

Maurício conta que o principal problema do metanol é que ele deixa o sangue extremamente ácido e, após ser metabolizado pelo fígado, gera subprodutos extremamente tóxicos, principalmente o formaldeído e o ácido fórmico. “O acúmulo desses metabólitos, especialmente o ácido, interfere na função celular, ataca nervos e órgãos.”

Os sintomas de intoxicação por metanol nas primeiras horas podem ser confundidos com uma ressaca forte, náuseas, dor abdominal, tontura e dor de cabeça. Muitas vezes, os sintomas são leves, o que atrasa a procura por atendimento médico. “Os sintomas iniciais podem ser traiçoeiros”, diz Yonamine.

Depois, começam aparecer os sintomas mais fortes, resultado do ácido fórmico que tem uma afinidade particular pelas células do nervo óptico. Entre eles estão a visão turva, a fotofobia e a aparição de pontos luminosos. Além disso, o sangue ácido causa respiração acelerada, fraqueza, confusão mental e sobrecarga no coração e nos pulmões.

Se não tratado com urgência, o quadro evolui para complicações graves em até 48 horas. O ácido atinge o sistema nervoso central, podendo causar convulsões, rebaixamento de consciência, coma e arritmias cardíacas. A partir disto, os danos passam a ser sistêmicos: coração, pulmões e rins entram em colapso progressivo, consequência direta da acidose metabólica (sangue ácido) severa e da sobrecarga tóxica. É nesse momento que o risco de morte se torna elevado e, mesmo com tratamento, as chances de cura caem drasticamente. 

No sábado (05), o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou a compra de 2,6 mil antídotos para a ingestão de metanol durante uma coletiva de imprensa em Teresina. O medicamento chamado fomepizol não possui registro no Brasil e foi comprado de maneira emergencial, juntamente com a Organização Panamericana de Saúde, de um fabricante japonês, Daiichi Sankyo. 

 

 

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Ativo desde 2011, canal produzia conteúdos sobre a Universidade de forma educativa, contava com mais de 100 mil inscritos e ficou 12 dias fora do ar
por
Khauan Wood
Victória da Silva
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01/10/2025 - 12h

Perfil da TV PUC, canal Universitário da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) no YouTube foi reativado pela plataforma na tarde desta quarta-feira (01) após ter sido retirado do ar sem aviso prévio ou justificativa no último dia 19 de setembro.

A conta tem um importante e extenso acervo histórico e cultural da instituição. 

Em publicação realizada em seu Instagram oficial, a Fundação São Paulo (Fundasp), mantenedora da PUC-SP, denunciou no dia 30 de outubro que o canal havia sido simplesmente retirado da grade da plataforma repentinamente.

Ainda na publicação, a instituição informou que a empresa, que é ligada ao Google, enviou apenas um e-mail informando que a retirada seria causada por descumprimento das regras e diretrizes da plataforma, sem detalhar de que se tratava, acrescentando que as políticas de spam, práticas enganosas e golpes não teriam sido seguidas.

A Universidade abriu uma contestação dentro da plataforma, em que constava um prazo de 48 horas para o retorno. Após o prazo, uma nova mensagem enviada dizia que uma nova resposta seria dada dentro de 24 horas. Mas esses prazos não foram respeitados, o que motivou a denúncia nas redes sociais que mobilizou a comunidade acadêmica.

O time da TV PUC afirmou à Agemt que tudo começou quando um dos integrantes da equipe tentou gerar um link para uma live, mas a página não abria corretamente. Em seguida, eles receberam uma notificação de que o perfil havia sido retirado do ar.

Também em entrevista à Agemt, Julio Wainer, professor da PUC-SP e diretor da TV PUC, relata que em anos de canal, nunca receberam sequer uma advertência. O diretor contou que houve avisos pontuais sobre conteúdos com direitos autorais, que foram retirados imediatamente.

Ainda segundo ele, a equipe jurídica da Fundasp esteve em contato direto com a plataforma durante todo o período de inatividade para tentar reaver o canal. 

De acordo com a Fundasp, a TV PUC existe desde 2007, mas publica vídeos regularmente desde 2011. O canal contava com mais de 5 mil publicações e já ultrapassara o número de 100 mil inscritos.

Ao publicar novamente o canal, a plataforma enviou mensagem à TV PUC desculpando-se pelo ocorrido. Os responsáveis pelo canal ainda avaliam se todo o conteúdo e os seguidores da página foram mantidos.

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A TV PUC produz conteúdos ativamente há 14 anos. Foto: Victória da Silva

O conteúdo do canal universitário é diverso e produzido por professores e alunos. Sobre isso, o diretor da TV PUC afirma que o canal possui “de tudo um pouco”, já que conta com trabalhos institucionais de alunos e professores sobre temas variados, além de lives e programas. 

“Tudo que nós produzimos, nós colocamos lá como repositório para ir acumulando visualizações e as pessoas ficarem sabendo”, contou. O canal tem como missão promover os assuntos debatidos na universidade, mostrando o que é feito para diferentes cursos e com o que os alunos têm engajado na rotina universitária.

A TV PUC também acompanha palestras e outros acontecimentos da universidade e publica os eventos na íntegra, além de resumi-los em outros vídeos com depoimentos dos participantes. A recepção de calouros, que acontece todos os anos e recebe figuras importantes no Tucarena para a abertura do semestre, é um exemplo dos vários registros que o canal tinha antes da retirada.

Falas de personalidades históricas, professores e intelectuais foram derrubadas após a retirada do canal do ar, além de documentários relevantes e outros materiais importantes para a história da PUC-SP apagados pela plataforma ainda sem justificativa.

A TV PUC também tenta trazer os estudantes para as telas e enxergar a PUC-SP a partir do olhar deles. Para isso, as matérias sempre contam com entrevistas e conversas com os alunos que se envolvem nas diferentes atividades que ocorrem durante o ano. Os vídeos são informativos e promovem pautas científicas, culturais e políticas.

O professor do curso de jornalismo, Aldo Quiroga, destacou em um vídeo em seu perfil no Instagram que a Roda de Conversa com os vencedores do Prêmio Vladimir Herzog, em que os jornalista contam como as reportagens vencedoras foram realizadas, também é um dos exemplos dos conteúdos “sequestrados pelo Youtube”, na derrubada do canal. É a TV PUC quem faz a transmissão anual da Roda de Conversa Vladimir Herzog e do Prêmio que também leva o nome do jornalista morto pela ditadura militar.

No vídeo, Quiroga também ressalta a influência das Big Techs sobre o Congresso Nacional para impedir a regulamentação dessas empresas pela sociedade civil, que se encontra refém de decisões como essa.

Em nota enviada à Agemt, o Google afirmou que está apurando o motivo do encerramento do canal e que retornaria em breve. O espaço segue aberto.

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Inundações na China, previsão de piora da inflação no Brasil, dia de Nossa Senhora Aparecida e mais.
por
Letícia Coimbra
Luan Leão
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12/10/2021 - 12h

 

Atualização dos dados sobre a COVID-19 no Brasil

A taxa de transmissão do coronavírus no Brasil atingiu seu menor índice desde abril de 2020, quando começou a ser medida, sendo de 0,60, segundo o Imperial College de Londres. O avanço da vacinação é apontado por especialistas como um fator importante para a diminuição de novos casos.

Nas últimas 24 horas, o Brasil registrou 6.918 novos casos de coronavírus e 202 óbitos pela doença. A média de mortes é de 437 nos últimos sete dias, segundo dados da universidade Johns Hopkins. De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil tem no acumulado 21.582.738 casos confirmados, e 601.213 mortes por COVID-19. 

 

Norte da China é atingido por fortes chuvas e inundações

Moradores durante limpeza após enchentes no condado de Yitang, cidade de Jiexiu, província de Shanxi, na China — Foto: cnsphoto via Reuters
Moradores durante limpeza após enchentes no condado de Yitang, cidade de Jiexiu, província de Shanxi, na China — Foto: cnsphoto via Reuters

De acordo com o funcionário meteorológico Wang Wenyi em entrevista coletiva nesta terça-feira (12), a província de Shanxi, localizada no norte do país, experimentou a pior enchente este mês. Wenyi afirmou ainda que a precipitação média foi 13 vezes maior do que o previsto. 

Ao menos 1,75 milhão de pessoas foram afetadas pelas fortes chuvas e inundações na região. No mínimo 120 pessoas tiveram que procurar áreas mais seguras, 19.500 casas desabaram, 18.200 propriedades foram gravemente danificadas, 15 pessoas morreram e três ainda estão desaparecidas, segundo Wang Qirui, oficial de gerenciamento de emergência local. De acordo com Qirui, as chuvas causaram perdas econômicas estimadas em mais de 5 bilhões de yuans (aproximadamente 775 milhões de dólares). Conforme a mídia estatal CCTV, as autoridades da província reservaram 50 milhões de yuans (aproximadamente 7,7 milhões de dólares) para ser utilizado no apoio ao controle das enchentes e no trabalho de socorro.

 

FMI prevê piora na inflação, câmbio e PIB no Brasil, Guedes responsabiliza comida e energia. Segundo a FGV, a renda dos mais pobres foi a mais afetada pela pandemia. 

Ministro Paulo Guedes concede entrevista à CNN Internacional
Ministro Paulo Guedes em entrevista à CNN Internacional - Foto: CNN Internacional

Segundo o FMI (Fundo Monetário Internacional), a inflação no mundo seguirá em alta até o fim deste ano e retornará ao nível pré-pandemia em 2022.  Nessa semana a entidade realiza uma reunião anual, em Washington. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o ministro da Economia, Paulo Guedes, viajaram para a capital estadunidense para comparecer ao evento. O fundo estima alta de 7,9% do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) para este ano no Brasil, e 4% em 2022. O FMI avalia também que o PIB brasileiro crescerá 5,2% em 2021, mas apenas 1,5% no próximo ano. 

Em entrevista à CNN Internacional, o ministro da Economia, Paulo Guedes, responsabilizou o aumento do preço de alimentos e energia pela metade dos índices de Inflação no Brasil, afirmando que “a inflação está em todo mundo, metade da inflação é exatamente comida e energia”.

De acordo com pesquisa da FGV (Fundação Getúlio Vargas), divulgada hoje, a renda média do brasileiro diminuiu, principalmente entre a população mais pobre. Em comparação entre o período pré-pandemia,  último trimestre de 2019, e o segundo semestre de 2021, a renda diminuiu em -21,5%. 

 

CPI desiste de convocar Marcelo Queiroga e opta por coordenador de estudo contra o uso do ‘kit covid’

Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga - Foto: Walterson Rosa/MS
Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga - Foto: Walterson Rosa/MS

O depoimento do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, aconteceria na próxima segunda-feira (18), mas a CPI voltou atrás na decisão e optou por ouvir o coordenador de estudo contra o uso do ‘kit covid’, o médico Carlos Carvalho. A oitiva do médico ainda não foi aprovada. De acordo com o senador Humberto Costa (PT-PE), a decisão foi tomada após uma reunião de membros da comissão nesta terça-feira (12) e justificou a escolha dizendo que não daria ‘palanque’ para o ministro, e afirmou “não vai acrescentar muito. Mas ele vai aparecer no relatório final com toda certeza. Provavelmente por desrespeito a norma sanitária, prevaricação. Ele vai ser indiciado e vai ter que responder.”

 

Dia de Nossa Senhora de Aparecida e discurso pacifista do Arcebispo

Dom Orlando Brandes celebra missa no Santuário Nacional de Nossa Senhora de Aparecida - Foto: Marcos Corrêa/PR
Dom Orlando Brandes celebra missa no Santuário Nacional de Nossa Senhora de Aparecida - Foto: Marcos Corrêa/PR

O arcebispo de Aparecida (SP), Dom Orlando Brandes, afirmou nesta terça-feira (12) durante a missa das 9h, principal missa do dia, que “para ser pátria amada não pode ser armada”. 

"Para ser pátria amada, seja uma pátria sem ódio. Para ser pátria amada, uma república sem mentira e sem fake news. Pátria amada sem corrupção. E pátria amada com fraternidade. Todos irmãos construindo a grande família brasileira", disse o religioso durante o sermão.

Nossa Senhora de Aparecida é considerada a padroeira do Brasil desde 1930. O feriado, no entanto, veio apenas com a visita do Papa João Paulo II ao Santuário de Aparecida, em Junho de 1980. O Brasil vivia o período da ditadura, e o então presidente, general João Batista Figueiredo, assinou a lei que declarava a data como feriado nacional.

No sincretismo religioso, Nossa Senhora de Aparecida é associada à orixá Oxum. O dia das crianças originalmente era chamado de “dia de festa da criança”, e foi oficializado em 1924, pelo presidente Arthur Bernardes. Porém, o dia não é feriado. 

 

90 anos do Cristo Redentor

O Cristo Redentor completa 90 anos neste dia 12 de outubro - Foto: Divulgação
O Cristo Redentor completa 90 anos neste dia 12 de outubro - Foto: Divulgação

O Cristo Redentor completa hoje 90 anos. O monumento já foi palco de casamentos, além de já ter recebido visita de diversos famosos, entre eles a princesa Diana e o Papa João Paulo II. O Cristo é a maior estátua em art-déco do mundo, com 38 metros de altura, contando do pedestal. Neste ano, um momento marcante foi a celebração de uma missa, aos pés do Cristo, em homenagem ao ator Paulo Gustavo, que faleceu em decorrência da COVID-19. Durante a homenagem, o Cristo chegou a ficar apagado, em memória das vítimas da doença. 

E no clima de celebração dos 90 anos do Cristo, a Casa da Moeda lançou nesta terça-feira (12), uma medalha, exclusiva e limitada. Foram produzidas apenas 2.590 comemorativas: 90 em ouro, 200 em prata, 300 em bronze e 2.000 em cuproníquel, uma liga metálica de cobre e níquel. 

 

 

Bia Haddad no Indian Wells, Irving suspenso pelo Nets e campeonato brasileiro.

Bia Haddad venceu Karolina Pliskova, da República Tcheca, por 2 sets a 0 - Foto: MATTHEW STOCKMAN / AFP
Bia Haddad venceu Karolina Pliskova, da República Tcheca, por 2 sets a 0 - Foto: MATTHEW STOCKMAN / AFP

A tenista brasileira Bia Haddad garantiu vaga nas oitavas de final do WTA 1000 de Indian Wells, nos Estados Unidos, ao vencer a tcheca Karolina Pliskova, atual número 3 do mundo. Em um duelo atrapalhado pelo vento, a brasileira venceu a ex-líder do ranking com parciais de 6/3 e 7/5. Agora, Bia vai enfrentar a estoniana Anett Kontaveit, atual número 20 do mundo.

O Brooklyn Nets anunciou em comunicado o afastamento do jogador Kyrie Irving, de jogos e treinos, enquanto o atleta não se vacinar. Irving faz parte de um grupo de menos de 5% de atletas da NBA que ainda não se vacinaram. 

 “Kyrie fez uma escolha pessoal e respeitamos seu direito individual de escolher”, diz o comunicado, assinado por Sean Marks, gerente geral do Nets.

Dois jogos dão início a 26ª rodada do Campeonato Brasileiro. Em Bragança Paulista, o RB Bragantino tenta se manter no G-4 e recebe o Atlético-GO, às 19h. Mais tarde, às 21h30, o terceiro colocado Palmeiras visita o Bahia, na Arena Fonte Nova, tentando se reabilitar na competição. 

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Corte no orçamento do Ministério de Ciência e Tecnologia, Pandora Papers, 25 anos sem Renato Russo.
por
Letícia Coimbra e Luan Leão
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11/10/2021 - 12h

Sérgio Camargo impedido de exonerar ou nomear funcionários da Fundação Palmares. 

Sergio Camargo, presidente da Fundação Palmares, em imagem de arquivo — Foto: Fundação Palmares/Divulgação
Sergio Camargo, presidente da Fundação Palmares, em imagem de arquivo — Foto: Fundação Palmares/Divulgação

      Nessa segunda-feira, 11 de outubro, a 21ª Vara do Trabalho de Brasília decidiu impedir Sérgio Camargo, presidente da Fundação Cultural Palmares, de participar da gestão de pessoas na Fundação. Com isso, Camargo não pode mais exonerar e nomear funcionários, o que pode ser feito apenas pelo presidente Jair Bolsonaro ou outra autoridade que seja indicada por ele. O pedido foi feito pelo Ministério Público do Trabalho que solicitou o afastamento de Camargo da presidência. Segundo a determinação, ele é responsável por perseguição político-ideológica, discriminação e tratamento desrespeitoso.

Corte no orçamento do Ministério de Ciência e Tecnologia, a pedido do Ministério da Economia.

      Ontem, domingo, 10 de outubro, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcos Pontes, chamou de “falta de consideração” o corte de recursos que seriam atribuídos a sua pasta, e pediu que essa ação seja revertida com urgência. Pontes se referiu à aprovação de um projeto que retira R$600 milhões que estavam previstos para o financiamento de pesquisas, remanejando-os para outras áreas. Já na sexta-feira, 8 de outubro, o ministro declarou ter sido pego de surpresa e alegou que ficou muito chateado com isso. 

      Apesar disto, o corte de verbas foi pedido pelo próprio governo, atendendo a um requerimento do Ministério da Economia.

      "Falta de consideração. Os cortes de recursos sobre o pequeno orçamento de Ciência do Brasil são equivocados e ilógicos. Ainda mais quando são feitos sem ouvir a comunidade científica e o setor produtivo. Isso precisa ser corrigido urgentemente."

 

 

O presidente do Equador, Guillermo Lasso, na sexta cúpula da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos, no México - Ministério das Relações Exteriores do México/via AFP
O presidente do Equador, Guillermo Lasso, na sexta cúpula da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos, no México - Ministério das Relações Exteriores do México/via AFP

      No dia 10 de outubro, o Congresso do Equador aprovou a abertura de investigação para averiguar se o presidente do país, Guillermo Lasso, atuou de maneira ilegal ao manter dinheiro em paraísos fiscais. De acordo com o que foi exposto pela investigação denominada Pandora Papers, uma série de reportagens publicadas pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos.

       A investigação feita pelo consórcio expôs operações financeiras realizadas em paraísos fiscais por pelo menos 35 líderes mundiais, inclusive Lasso. Declaradamente conservador, o banqueiro  assumiu a presidência do Equador em maio deste ano, e, de acordo com a investigação, controlou 14 sociedades offshores, sendo a maioria delas com sede no Panamá. O termo offshore é utilizado para definir empresas abertas em países onde as regras tributárias são menos rígidas e não é necessário declarar o beneficiário, a origem e o destino do dinheiro.

      Personalidades brasileiras como o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, também foram citadas.

Diminuição da taxa de mortes por covid 

      O Brasil registrou 7.211 novos casos de coronavírus e 219 mortes pelo vírus no país nesta segunda-feira, 11/10. A média nos últimos 7 dias é de 440 óbitos, segundo dados da Universidade Johns Hopkins. O Brasil já soma 21.581.094 casos registrados, e 601.266 mortes por COVID-19, segundo dados do Ministério da Saúde. A boa notícia é que a vacinação segue avançando, 99.315.948 pessoas já receberam as duas doses de vacina, o que representa 46,7% da população. E 154.364.921 pessoas receberam ao menos 1 dose, o que representa 72,6% da população.

Campeonato brasileiro, eliminatórias da Copa e final da Liga das Nações

França conquista a segunda edição da Liga das Nações, ao vencer de virada a Espanha (Foto: Reuters)
França conquista a segunda edição da Liga das Nações, ao vencer de virada a Espanha - Foto: Reuters

 

      O final de semana foi de muito futebol. Na Europa, a França venceu a Espanha e conquistou o título da Liga das Nações. Na América do Sul, a Colômbia interrompeu a sequência invicta do Brasil e segurou o empate sem gols, enquanto a Argentina aplicou 3 a 0 no Uruguai, ambos os jogos válidos pelas eliminatórias da Copa do Mundo.

      No campeonato brasileiro, o Atlético-MG segue na ponta da tabela, seguido por Flamengo, Palmeiras e Fortaleza. Fecham o G-6, o RedBull Bragantino e Corinthians. Já no limite inferior da tabela, na Z-4, temos Bahia, Sport, Grêmio e o lanterna Chapecoense. 

      Às 20h desta 2a.feira, Cuiabá e São Paulo fecham a 25ª rodada do campeonato. 

 

 Nobel de Economia de 2021 vai para David Card,  Joshua D. Angrist e Guido W. Imbes

David Card, Joshua D. Angrist e Guido W. Imbes, ganhadores do Nobel de Economia 2021.
David Card, Joshua D. Angrist e Guido W. Imbes, ganhadores do Nobel de Economia 2021.

      Nesta segunda-feira (11) foram anunciados os nomes dos premiados com o Nobel de Economia em 2021. David Card, Joshua D. Angrist e Guido W. Imbens receberam a premiação pelo uso de experimentos naturais - situações da vida real para calcular seus impactos no mundo - para entender relações de causa e efeito em áreas como mercado de trabalho, e educação. 

      A premiação é de 10 milhões de coroas suecas, cerca de US $1,1 milhão. Metade vai para David Card e a outra metade será dividida entre Joshua Angrist e Guido Imbens, já que a premiação é por estudo. 

 

25 anos sem Renato Russo

Renato Russo faleceu há 25 anos, ainda com 36 anos de idade, devido a complicações da AIDS - Foto: Divulgação
Renato Russo faleceu há 25 anos, ainda com 36 anos de idade, devido a complicações da AIDS - Foto: Divulgação 


      Há exatos 25 anos, no dia 11 de outubro de 1996, faleceu o cantor e compositor Renato Russo, vítima de complicações causadas pela AIDS, com apenas 36 anos de idade, deixando o país em luto. Depois que a banda Legião Urbana, da qual era vocalista, ficou conhecida pelo grande público, na década de 80, o cantor se tornou uma referência musical. 

      Renato deu voz a canções atemporais, como “Que país é esse”, cuja letra os jovens se identificam até hoje. Lançada em um contexto pós-ditatorial, ele cantou: “Nas favelas, no senado / Sujeira pra todo lado / Ninguém respeita a constituição / Mas todos acreditam no futuro da nação / Que país é esse?”. O Brasil de 2021, que enfrenta uma crise política, econômica e uma pandemia, ainda se conecta com a letra da música. 

      O longa-metragem “Eduardo e Mônica”, dirigido por René Sampaio, inspirado na canção homônima, presente no Disco Dois, da Legião Urbana, ainda espera a volta do público aos cinemas para ser lançado. Também há um documentário sendo produzido pela Gávea Filmes, baseado na vida de Renato Russo a partir do acervo mantido pelo filho, Giuliano Manfredini. Segundo a produtora Bianca de Felippes, não haverá censura, abordando, inclusive, os problemas emocionais do cantor, uso de drogas, sexualidade, confusões e o HIV. 

      Apesar disso, enquanto aguardamos o lançamento dessas produções, é possível conferir outras obras em sua homenagem, como Somos Tão Jovens, um filme de drama musical disponível no Telecine e dirigido por Antonio Carlos da Fontoura, que acompanha Renato de 1973 em diante, quando ele se mudou para Brasília com a família. Nesse período, ele sofria de epifisiólise, uma doença rara que o deixou de cadeira de rodas após a cirurgia, e foi forçado a ficar em casa, e a partir daí surgiu seu interesse pela música, aos 15 anos de idade. 

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Bolsonaro na abertura da 76ª Assembleia-Geral da ONU, depoimento do diretor-executivo da Prevent Senior na CPI da Covid e mais.
por
Letícia Coimbra
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25/09/2021 - 12h

Bolsonaro abre a 76ª Assembleia-Geral da ONU adotando um discurso fantasioso

Bolsonaro na 76ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas)
Bolsonaro na 76ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas). - Foto: UN Photo/ Cia Pak

Na terça-feira, dia 21, em discurso de abertura da Assembleia-Geral da ONU, Jair Bolsonaro criticou a imprensa, alegando que foi até lá com a finalidade de “mostrar um Brasil diferente daquilo publicado em jornais ou visto em televisões”, defendeu sua gestão no combate à corrupção, afirmando, "há dois anos e oito meses sem qualquer caso concreto de corrupção" e também suas medidas de contenção à pandemia e aos problemas ambientais. Apesar da expectativa de que o presidente atendesse aos apelos da ala moderada do governo, ele insistiu no tratamento ineficaz contra a covid e afirmou que o Brasil está à beira do socialismo. Além dessas inverdades, Bolsonaro alegou que a manifestação pró governo do dia 7 de setembro, na qual, a PM estimou 125 mil manifestantes, foi a maior já feita no país, e na verdade foi menor que a de 2016, quando cerca de 1,4 milhão de pessoas foram à Avenida Paulista, em São Paulo, também segundo a corporação. 

Confira o discurso do presidente na íntegra:

A ida da comitiva brasiliera à Nova York causou bastante.  Bolsonaro é o único lider dos principais países do mundo que não estava oficialmente vacinado. O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, se referindo ao presidente, afimou que se não quisesse se vacinar, não deveria se incomodar em ir à cidade.  A delegação não pôde comer dentro dos restaurantes na cidade, uma vez é exigida a imunização em ambientes fechados públicos.  Ainda na segunda-feira, um dia antes do discurso do presidente Bolsonaro na ONU, o Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, exibiu o dedo médio para manifestantes contrários ao presidente. Queiroga não voltou ao Brasil com o restante da comitiva, pois testou positivo para a Covid e precisou ficar isolado em um hotel em Nova York. Além dele, na volta ao Brasil, outras pessoas também estão com a doença, entre eles o deputado Eduardo Bolsonaro, um dos filhos do presidente.

 

Diretor da Prevent reconhece alteração de código de diagnóstico da Covid

Pedro Benedito Batista Júnior na CPI da Covid
O diretor-executivo da Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior, afirmou que mesmo pessoas confirmadas com Covid tinham o diagnóstico mudado - Foto: Sérgio Lima/ Poder360

Em depoimento na CPI da Pandemia, Pedro Benedito Batista Junior, diretor-executivo da Prevent Senior, afirmou que a empresa realmente adotou procedimento para alterar o código de diagnóstico dos pacientes com Covid-19, fazendo com que a doença fosse mencionada após determinados dias de internação e também disse que não houve ocultação das mortes no estudo sobre hidroxicloroquina. 

O senador Renan Calheiros, relator da CPI da Pandemia, alegou ter provas de que a mãe do empresário Luciano Hang, um dos principais defensores do tratamento precoce, foi medicada com o ‘kit covid’ e faleceu. No entanto, o filho pediu para que a informação não fosse divulgada. Outra omissão teria ocorrido na divulgação da causa da morte de Anthony Wong, médico defensor do tratamento precoce, que faleceu no início de 2021. Ele havia tomado o ‘kit covid’ e faleceu por complicações da doença, apesar de no prontuário constar  que o pediatra morreu de choque séptico, pneumonia, hemorragia digestiva alta e diabetes mellitus e não fazer menção alguma à Covid. 

 

Governo Bolsonaro volta a recomendar vacina contra Covid em adolescentes

Adolescente de 14 anos é vacinado contra a Covid-19 no Rio de Janeiro, no dia 17 de setembro. — Foto: Ricardo Moraes/Reuters
Adolescente de 14 anos é vacinado contra a Covid-19 no Rio de Janeiro, no dia 17 de setembro. - Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Na última semana o ministro Queiroga orientou a retirada de jovens da campanha de vacinação contra Covid. No entanto, na noite de quarta-feira, dia 22, o governo recuou e voltou a indicar que adolescentes sem comorbidades fossem vacinados contra a Covid-19. 

A recomendação da pasta é que isso ocorra apenas após a imunização reforçada dos idoso e grupos mais vulneráveis, o intervalo entre as vacinas ser encurtado, além de imunizar adolescentes com deficiência. Segundo Rodrigo Cruz, o diretor-executivo da Saúde, a avaliação mostrou que os benefícios são maiores que os riscos e que o uso da vacina não rtem relação com a morte do adolescente de 16 anos no interior de SP. 

 

The Crown leva sete dos prêmios principais no Emmy

Os vencedores do73º Emmy Awards Foto: RICH FURY / STR
Os vencedores do73º Emmy Awards - Foto: RICH FURY / STR

No formato presencial, o 73ª Emmy Awards aconteceu no último domingo, dia 19, em Los Angeles. A série campeã da noite foi o drama The Crown, que levou sete prêmios principais: melhor roteiro, melhor drama, melhor direção, melhor ator e atriz em série de drama, melhor ator e atriz coadjuvante em série de drama.   

A segunda série mais premiada foi Ted Lasso, com quatro estatuetas principais: melhor ator e atriz coadjuvantes, melhor comédia e melhor ator para o protagonista.  

A série Hacks, da HBO Max, levou três troféus assim como Mare of Easttown. O Gambito da Rainha conquistou dois, I May Destroy You e Halston apenas um. 

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“Eu trato dos que são os potenciais encarcerados, dos que vão acabar pegando o vírus HIV/AIDS e desses grupos de pessoas fantásticas que são os andarilhos”, diz o padre Júlio Lancellotti
por
Danilo Zelic
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22/06/2021 - 12h

No dia 2 de fevereiro de 2021, logo pela manhã, os paulistanos tomaram conhecimento de mais uma ação de Júlio Renato Lancellotti, mais conhecido como Padre Júlio Lancellotti. Na ocasião, a prefeitura comandada pela gestão de Bruno Covas (PSDB), tinha instalado pedras sob dois viadutos, localizados na Avenida Salim Farah Maluf, no dia anterior, para impedir pessoas que já faziam daquele espaço de suas casas, ficassem por lá. Assim que soube do ocorrido, o Padre não hesitou e foi até os viadutos, com uma marreta, quebrá-las.

Essa e outras ações executadas pelo religioso, foram, aos poucos, sendo reconhecidas para além dos militantes de direitos humanos e religiosos. Na medida que a juventude a partir das redes sociais, começou a seguir suas caminhadas, Lancellotti se tornou uma referência do assunto. Porém, o trabalho que faz pelos direitos humanos começou muito antes do advento da internet e até mesmo de se ordenar padre. “Quando tinha algum maltrato em uma Febem [Fundação Estadual para o Bem Estar do Menor], não se chamava Casa Nova Vida, onde tinha as crianças menores, a do Tatuapé, por exemplo, em algumas unidades o tratamento era na base da porrada, ele atuava, levava advogado, criava caso, ali a gente começou a ter notícias dessa figura”, é o que conta Silvio Mieli, jornalista e professor de Jornalismo da PUC-SP. Depois que se tornou padre, aos 37 anos, realizando projetos na Pastoral Carcerária, Pastoral do Menor e na Casa Vida, Mieli diz que virou um “sinônimo de acolhimento”, diante das violações de direitos humanos. “Morador de rua maltratado, epidemia de aids se alastrando e ninguém cuidava – ‘deixa eles lá para morrer e mofar’ – Pe. Júlio atuava". 

Ao longo da conversa com a AGEMT, Mieli relatou três momentos que se aproximou de Lancellotti: na Casa Vida, na Pastoral do Povo da Rua e nas manifestações de 2013. A reportagem conversou também com Renato Levi, professor de jornalismo da PUC-SP e da USP. Confira também o podcast sobre a matéria no link.

CASA VIDA

O primeiro contato que Mieli teve com o religioso, foi entre os anos de 1996, 1997 até 2000, quando estava realizando um projeto de prevenção à AIDS para a população semialfabetizada ou analfabeta, voltado para a periferia. O jornalista desenvolveu um aplicativo multimídia, com o intuito de conscientizar seus usuários sobre a prevenção ao HIV, capaz de dialogar com uma linguagem familiar para as pessoas. “Ia rodar em computadores, distribuídos em pontos estratégicos da periferia, um telecentro, uma igreja, um posto de saúde, uma praça”. No mesmo período, Pe. Júlio realizava um trabalho, junto à Pastoral Carcerária, de combate ao vírus HIV dentro das penitenciárias paulistas. “Aqueles grupos midiáticos, principalmente do rádio na época, que tratavam os militantes dos direitos humanos daquele jeito delicado, ‘lá vêm a turma dos direitos humanos’, ‘bandido bom é bandido morto’, começaram a visar o padre Júlio. Mesmo quem não militava nessa área, diretamente ou indiretamente, todo mundo sabia quem era o Padre Júlio”, conta Mieli.

Ao perguntar aos dominicanos, que assim como o jornalista, faziam parte de um grupo solidário, se o Padre tinha um projeto específico ligado a HIV/AIDS, um deles respondeu: “Ele tem, lá na zona leste. Me deram o telefone dele e foi aí que ele [Pe. Júlio] falou: “Eu não vou te adiantar nada, vem aqui e veja”. E foi assim que passou a conhecer a Casa Vida. Criada em 1991, o projeto tinha como objetivo, criar um ambiente familiar e menos sofrido para amenizar a realidade de crianças e adolescentes acometidos pelo vírus HIV, muitos destes, órfãos dos pais, que vieram à óbito devido a evolução do vírus e, também, rejeitados por seus avós. Com data e hora marcada, Mieli contou sua primeira impressão do espaço. “Eu fui lá no sábado e cheguei antes dele [Pe. Júlio]. Era uma casa, não muito grande, devia ter uns 5 ou 6 quartos e cada quarto tinha duas crianças. De repente apareceram essas crianças limpinhas, tinham acabado de comer, perguntaram quem eu era e começaram a mexer no equipamento. Algumas eram muito magras, já estavam muito doentes, e outras não, estavam melhores”.

​   Padre Júlio com as crianças da Casa Vida - Foto: Reprodução site da Casa Vida  ​
Padre Júlio com as crianças da Casa Vida - Foto: Reprodução site da Casa Vida

Para o jornalista, o projeto era muito mais do que um simples orfanato, “parecia que aquelas crianças eram irmãos e que tinha umas tias que cuidavam lá”. Dentre as “tias” que trabalhavam na Casa Vida, havia médicos e psicólogos, além de religiosos que apoiavam a iniciativa. Durante a conversa com Lancellotti, ele explicou o principal objetivo do projeto, “tirar as crianças o medo de morrer”. “Tinha 11 crianças, de repente uma morria, então elas falavam: ai meu deus, morreu tal pessoa, o que vai ser da gente?!”, relata o jornalista. Era como “dar uma sobrevida para aquelas que tinham condição de sobreviver, que não eram muitas, isso era muito triste. Você acolheria uma criança que morreria pouco tempo depois, e ao mesmo tempo dar uma vida digna para essas crianças, até o fim, que já estavam muito doentes”, completa.

Ao mesmo tempo que o projeto ganhou uma visibilidade muito grande, Mieli relata que a Casa enfrentava dificuldades com a vizinhança, muitas vezes agredindo verbalmente o próprio Pe. Júlio e, até mesmo, jogando objetos em sua direção. Porém, ainda segundo ele, a maneira como o religioso contornava a situação faz jus ao reconhecimento que tem frente às lutas sociais que mobiliza. “Ele ia lá falar, daquele jeitão dele. A pessoa via aquela figura, querendo conversar, sem ofender ninguém, acabava conversando. Se não mudava a opinião da pessoa, pelo menos passava uma confiança e dizia: Vêm aqui, venha contar uma história para as crianças”.

PASTORAL DO POVO DA RUA

Terminado o projeto para a prevenção contra o HIV, Mieli estava no evento Agenda Latino Americana, em 2000, para escolher, junto aos organizadores, as melhores iniciativas sociais para homenageá-las. O professor se recorda que o Grupo Solidário São Domingos e outras pessoas da militância pelos direitos humanos, sugeriram o Pe. Júlio, como um possível homenageado. “Na época eu falei: Ah, mas o Pe. Júlio, a Casa Vida e tal?!, mas aí alguém falou: Não, eu estou sugerindo pelo modo como ele está focado com o trabalho da Pastoral dos Moradores de Rua [Pastoral do Povo da Rua], como ele está subsidiando esse trabalho lá na zona Leste. Como a Igreja de São Miguel está virando, um pouco, um núcleo de concentração dessa militância a favor dos moradores de rua”.

Depois de descobrir mais uma frente dentro da militância pelos direitos humanos do padre, ele se dirigiu ao próprio e logo perguntou: “Mas o senhor abandonou a questão da AIDS e está nos moradores de rua?”. O religioso explicou que, dentre os diversos temas de direitos humanos, todos em que atua estão ligados entre si. “É um problema só. Eu quando ando pela rua, eu trato dos que são os potenciais encarcerados, dos que vão acabar pegando o vírus HIV/AIDS e desses grupos de pessoas fantásticas que são os andarilhos, as pessoas que merecem ser tratadas com dignidade e não devem ser obrigados a sair da rua”.

Coordenada por Lancellotti, a Pastoral do Povo da Rua, é uma das várias pastorais ligadas a Arquidiocese de São Paulo. Com sede própria desde 1997, a Casa de Oração do Povo da Rua, construída após o então Cardeal de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, receber um prêmio concedido pela organização japonesa, Fundação Niwano, tem como objetivo fornecer um auxílio social a população em situação de rua, disponibilizando itens básicos de saúde, uma alimentação regular, além de possibilitar a convivência entre religiosos e participantes da Pastoral com eles.

Padre Júlio em uma ação com pessoas em situação de rua - Foto: Reprodução Instagram/Daniel Kfouri
Padre Júlio em uma ação com pessoas em situação de rua -  Foto: Reprodução Instagram/Daniel Kfouri

Na Paróquia São Miguel Arcanjo, onde Lancellotti é pároco, aos olhos do professor, “ter um ponto de referência e de acolhida, para ser ouvido ou para pegar um prato de comida”, para as pessoas em situação de rua, é “ter uma porta aberta”. São frequentes as postagens nas redes sociais do Padre sobre seus trabalhos com a população em situação de rua, sempre documentando as enormes filas de pontos de entrega de alimentos, mantimentos e cuidados com a saúde deles. Com o aumento do número de óbitos e a hospitalização da população em situação de rua, Mieli se recorda do trabalho do Padre no atual momento. “Hospitalizar moradores de rua que estão doentes. Ele vai lá, liga para o SAMU, vai ele dentro da ambulância e fica no hospital. À meia noite, em uma noite fria, ele faz isso. Quem que de nós faria isso?!, talvez a gente deva começar a fazer”, conta.

O jornalista se lembra de outro momento que chamou sua atenção, dentro da militância do Padre pelos moradores em situação de rua, “quando ele começou a defender a população trans”. Para ele, há uma imagem que o marcou muito, quando o Padre perguntou a uma moradora de rua, trans, se poderia lavar o seu pé. No momento, Mieli interpretou a imagem do rosto dela com um sentido duplo: “não Padre, eu não sou digna para você fazer isso”, esse foi o primeiro impulso dela. Mas ao mesmo tempo, relata que a mulher quis dizer algo como, “você não existe”, como um ser quase que perfeito, onde ela jamais imaginaria que alguém poderia fazer aquilo.

MANIFESTAÇÕES DE 2013

Quando as manifestações de 2013 começaram a crescer e, por consequência, a repressão policial começou a ser maior, Mieli, que estava presente na primeira manifestação, conta que viu algo inesperado naquele momento, o Pe. Júlio. “O Pe. Júlio me aparece lá e fica no meio da manifestação, com a máscara, dando o braço para os caras”. No instante que o jornalista foi tentar conversar com o Padre, que estava na linha de frente junto à Black Blocs, a polícia começou a dispersar os manifestantes com truculência, “quando eu tentei falar com ele era tarde demais, por que a polícia já veio e foi porrada para tudo que é lado”, relata.

Duas semanas depois, eles se encontraram na PUC-SP. “Padre Júlio, mas que maravilha, o senhor estava lá com os Black Blocs”, lembra o professor. Quando se sentaram para conversar e tomar um café, Lancellotti disse que “Jesus era um Black Bloc”. Depois disso, se recorda Mieli, o Padre começou a narrar a figura de Jesus Cristo de um livro que leu, Zelotas, A vida e a época de Jesus de Nazareth. “Ele começa me falar umas coisas que eu não sabia, que lá no tempo da Palestina, tinha uns Black Blocs que chamavam Zelotas, que era a turma que Jesus andava”, lembra.

“Em poucas palavras, ele começou a me descrever uma figura, que era Jesus Cristo, que se aproximava muito de um militante revolucionário contemporâneo. Quando o Pe. Júlio fala de Jesus, o corpo dele começa a mudar, ele fala de um Che Guevara, ele fala de uma coisa revolucionária, ele fala de alguém que deixa a emoção se apossar do corpo”. Quando perguntou para o Padre se o motivo dele ter ido nas manifestações e se juntado aos Black Blocs foi esse, respondeu crítico: “É exatamente por causa disso. Ser cristão hoje, é praticar essa relação fé e política desse modo, com essa veemência, dessa forma”.

Em uma das manifestações de 2013, Padre Júlio esteve na linha de frente junto aos Black Blocs - Foto: Wladimir Roberg/Jornalistas Livres
Em uma das manifestações de 2013, Padre Júlio esteve na linha de frente junto aos Black Blocs - Foto: Wladimir Roberg/Jornalistas Livres

“BLACK BLOC DE DEUS”

Pouco depois das manifestações de 2013, Mieli, junto à Renato Levi, professor de jornalismo da PUC-SP e da USP, que já estavam estudando as relações entre religião e política há algum tempo, ao lado do Núcleo Perseu Abramo, do departamento de jornalismo da PUC, decidiram produzir um documentário sobre o Padre Júlio. Levi conta que, para não fazer mais um documentário sobre o religioso, sendo o protagonista do filme, priorizaram uma discussão, segundo Levi, que está por trás dos trabalhos do Padre, “a Igreja como um ator social importante nas lutas pelos direitos humanos, pela dignidade, pela democracia”.

Para além da relação entre política e religião, o documentário pretende abordar a relação do Padre com as mídias sociais. Segundo Mieli e Levi, o religioso “sacou” muito bem o papel das mídias sociais na divulgação de seus trabalhos e para a denúncia em relação às violações de direitos humanos nas mais variadas frentes que atua. Para Mieli, “ao contrário de se fechar para os meios de comunicação contemporâneo, ele se abriu totalmente”. “Que população aparece quando falam do Pe. Júlio? Ele é meio que transparente, o que aparece é o outro, você vê a população de rua, ele é um representante desses caras, ele chegou ao ponto de falar em nomes deles”, diz Mieli, sobre sua participação e o intuito do Padre ao usufruir das redes sociais.

Já para Levi, além de representar uma população abandonada, que é a população em situação de rua, Pe. Júlio virou uma celebridade em detrimento da “hyperização” de sua figura. “É importante que ele seja visível, porque dá visibilidade a luta dele, da visibilidade as pessoas em situação de rua, mas por outro lado, ele se torna mais uma celebridade, mais um influenciador”, relata.

Indagado sobre a importância da figura do Pe. Júlio frente a questões de direitos humanos e o papel que ele tem em difundir essas lutas, Mieli aponta uma qualidade do Padre que poucos possuem, “assumir uma qualidade daqueles que sofrem”. “De tanto conviver com as pessoas desqualificadas, ele acabou assumindo isso. Ele tem prazer em ser o menor entre os menores, o que é uma coisa muito rara no ser humano”. E ressalta dizendo, “de repente você [Padre Júlio]: ‘não, eu vou lá no meio dos que estão sem nada e vamos apanhar junto com ele e vamos lá. É isso o cristianismo, “Amai ao próximo como a ti mesmo” é isso. Se coloca no lugar do outro, dois minutinhos, para ver o que é bom para tosse, ao invés de ficar fazendo atos de caridade”.

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Nações que venceram o vírus e como as pessoas estão conseguindo retomar suas vidas
por
Yerko Maurício, Manuela Troccoli, Pietra Nobrega e João Carlos Ambra.
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17/06/2021 - 12h

Em meio a pandemia de Covid-19 que o mundo está vivendo desde março de 2020, “voltar a vida normal” passa uma impressão praticamente utópica. Enquanto no Brasil, no seu pior momento da pandemia, usar máscara e passar álcool gel já viraram hábito, bem como acordar cedo para estudar ou trabalhar sem sair de casa, o sentimento de desilusão e falta de esperança não é comum em outros países.

Além de existir uma série de países que estão controlando a pandemia de forma vantajosa e eficaz - dando cada dia mais esperanças para a população - existem também aqueles que já venceram os desastres do coronavírus, e a “vida normal” voltou. Surpreendentemente não são apenas países ricos ou isolados que conseguiram rebater a pandemia, bastou o governo e a população fazerem sua parte. Como é o caso do Vietnã, por exemplo, que apesar de ser um país pouco desenvolvido - com quantidade de habitantes equivalente a metade da população do Brasil - e pobre (renda per capita equivale a um terço da brasileira), trabalhou rapidamente no combate a pandemia de Covid-19. O país só teve 35 mortes, e hoje em dia o Vietnã vive uma vida normal. 

Mesmo sendo um país pobre, agiu muito rápido com muita testagem, rastreamento de contatos, isolamento social rigoroso e uma campanha de conscientização da população que entendeu a gravidade do momento. Já no Brasil as pessoas fizeram ao contrário, decidiram passar o carnaval para agir contra o vírus e mesmo quando foi feito um isolamento imediato poucos se importaram. O maior responsável pelo caos sanitário instalado no Brasil, que está vivendo os piores momentos da pandemia é o presidente Jair Bolsonaro, assim também dos governadores, prefeitos e os deputados federais. 

O presidente deixou claro que achava tudo isso uma “gripezinha”, após usar essa expressão duas vezes em rede nacional. "No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho, como bem disse aquele conhecido médico, daquela conhecida televisão".

Em um país onde o próprio presidente não leva a sério uma das maiores pandemias que levaram a vida 500 mil brasileiros, não podemos esperar resultados positivos. O brasileiro Diego Lopes, de 22 anos, que atualmente mora e estuda em Sidney, na Austrália, um dos países que já voltaram com a vida ativa normal, não precisa usar máscara e não se tem mais nenhum caso de coronavírus no país. Diego conta como tem se sentido aliviado. 

“O sentimento é totalmente de alívio e gratidão por termos vencido a pandemia, poder voltar a viver normalmente sem nenhuma restrição é bom demais, não ter nenhuma vida mais sendo perdida por esse vírus me conforta.” afirma.  Apesar de estar sem riscos de se contaminar, o brasileiro está bem aflito com a situação atual do Brasil.

“Minha família toda está no Brasil, e ver toda essa luta para conseguir tomar uma vacina, que é direito da população, e ainda acompanhar todo esse desgoverno é demais. Se eu pudesse traria todo mundo para ca”, diz Lopes, que também conta como foi o processo de se mudar de país e como tem sido a diferença de realidade.

“Há 3 anos me mudei para Sidney, justamente por querer viver em um país onde o governo funciona de fato, conhecer uma nova cultura, e viver essa realidade durante a pandemia foi onde senti intensamente a sensação de viver em um país de primeiro mundo e ficar triste e agoniado ao acompanhar as notícias do meu país de origem”, afirma. “Espero que o Brasil saia dessa logo, estou mandando muita força para todas as famílias que perderam alguém, e espero rever a minha em breve”, diz.   

É muito forte ver países voltando à normalidade enquanto o Brasil fica tão atrasado em relação às vacinas, um país tão grande que carrega um número assustador de mortes pela Covid-19. O que o brasileiro mais quer é ver o país como esses que foram citados, porém é possível enxergar um Brasil muito distante do que tínhamos alcançado até 2019, antes da pandemia.

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