No Dia da Independência do Brasil, manifestantes de extrema-direita saúdam, na Av. Paulista, em SP. os Estados Unidos e Israel
por
Thaís de Matos
Rafael Pessoa
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12/09/2025 - 12h

Permeada por ofensas ao STF, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo constante apelo por anistia aos réus do 8 de janeiro, o ato bolsonarista do dia 7 de setembro, na Avenida Paulista, em São Paulo, reuniu cerca de 42 mil pessoas. A estimativa é do Monitor do debate político do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a ONG More in Common.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o pastor Silas Malafaia e a esposa do ex-presidente e ex-primeira dama, Michelle Bolsonaro, discursaram exaltando Bolsonaro e seus filhos. Embora o público – composto majoritariamente por idosos e famílias com crianças pequenas – se defina como “patriota”, bandeiras dos Estados Unidos e de Israel eram vendidas massivamente e envolviam os corpos dos manifestantes, para além dos tradicionais estandartes nacionais.

Uma mulher no Metrô Trianon Masp com uma camisa da seleção brasileira com uma bandeira dos Estados Unidos por cima / Foto: Rafael Pessoa
Mulher vestida de verde e amarelo se cobre com a bandeira dos Estados Unidos / Foto: Rafael Pessoa
Vendedores mostrando seus bonés onde se vê um do “MAGA” e diversos bonés com aparência militar / Foto: Rafael Pessoa
Lojinha Bolsonarista vendia de bonés militares a importados / Foto: Rafael Pessoa
Uma criança em meio a manifestação que segurava e balançava sua bandeira em cima de seu pai / Foto: Rafael Pessoa
Criança observava e repetia o que dizia a multidão, na Av. Paulista / Foto: Rafael Pessoa
Manifestantes vestindo suas bandeiras e mais a frente um pai segurando sua filha / Foto: Rafael Pessoa
Mulher usa imagem de Bolsonaro no centro de uma bandeira verde e amarela; mais a frente, pai e filha participam do protesto / Foto: Rafael Pessoa
Manifestantes tentando passar para o outro lado da faixa contra o ministro Alexandre de Moraes que tem seus olhos vermelhos / Foto: Rafael Pessoa
Alexandre de Moraes aparece em bandeira como figura "demoníaca"; gritos de 'Fora Lula e Moraes' eram constantes / Foto: Rafael Pessoa
Uma manifestante que junto a família gritava e empunhava sua faixa em meio aos discursos / Foto: Rafael Pessoa
Mulher faz coro com manifestantes que pedem "Fora Moraes!" / Foto: Rafael Pessoa
Um menino em cima de seu pai que gritava com a camisa do neymar e o boné da campanha do presidente Donald Trump / Foto: Rafael Pessoa
Nos ombros do pai, criança participa da manifestação com camiseta do Neymar e boné dos Estados Unidos / Foto: Rafael Pessoa
Manifestante que tinha o rosto pintado com as bandeiras de Israel, Estados Unidos e Brasil com uma bandeira do brasil em seu ombro e “Anistia Já” escrito em seu peito / Foto: Rafael Pessoa
Com “Anistia Já” escrito em seu peito, homem com bandeiras do EUA e de Israel pintadas no rosto pedia ajuda de Trump / Foto: Rafael Pessoa
Ambulante vendendo faixas de “Anistia Já!” na frente da estação Trianon Masp / Foto: Thaís de Matos
Protesto contou com diversos vendedores ambulantes, que vendiam todos os tipos de adereços com as cores da bandeira/ Foto: Thaís de Matos
Perfil de uma senhora patriota / Foto: Thaís de Matos
Manifestantes eram criativos nos adereços, sempre caprichando no verde e amarelo / Foto: Thaís de Matos
À moda do “Make America Great Again” (MAGA), é levantado o “Make Brasil Great Again” / Foto: Thaís de Matos
“Make Brasil Great Again” parafraseia “Make America Great Again” (MAGA), lema de Trump / Foto: Thaís de Matos
Estátua não identificada pedindo Anistia / Foto: Thaís de Matos
Com fantasia de estátua não-identificada, homem virou atração. Manifestantes paravam para tirar fotos com ele / Foto: Thaís de Matos
O pai de família / Foto: Thaís de Matos
Protesto contou majoritariamente com pessoas da terceira idade e famílias com crianças pequenas / Foto: Thaís de Matos
O patriota do MAGA / Foto: Thaís de Matos
Entre os "patriotas", lema "MAGA" foi usado com frequência / Foto: Thaís de Matos
A bandeira que jamais será vermelha / Foto: Thaís de Matos
Manifestante posa para foto com a bandeira do Brasil no meio do protesto / Foto: Thaís de Matos
Mais um dos protestos de “Fora Moraes” / Foto: Thaís de Matos
No vão do Masp, multidão entoa “Fora Moraes” / Foto: Thaís de Matos
Patriota dos óculos “thug life” / Foto: Thaís de Matos
Óculos pixelados "thug life" foram associados a Bolsonaro no começo de seu mandato, em 2018, por conta de memes nas redes sociais / Foto: Thaís de Matos
Tarcísio sendo assistido enquanto discursa no palanque da Paulista / Foto: Thaís de Matos
Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas foi o primeiro a discursar a favor de anistia no palanque / Foto: Thaís de Matos
De boné branco, Michelle Bolsonaro, de boné verde, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e centralizado de azul / Foto: Thaís de Matos
Após Tarcísio, o pastor Silas Malafaia foi o segundo a discursar no palanque da Av. Paulista / Foto: Thaís de Matos
Ao fundo na esquerda, Malafaia, e no centro, Michelle Bolsonaro discursando no palanque / Foto: Thaís de Matos
Ex-primeira dama Michelle Bolsonaro foi a última a discursar no palanque / Foto: Thaís de Matos
Na lateral esquerda, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e no centro para a direita, Michelle e Malafaia orando no palanque / Foto: Thaís de Matos
Na lateral esquerda, o presidente do PL Valdemar Costa Neto e do centro para a direita, Michelle e Malafaia oram após discurso / Foto: Thaís de Matos

 

Brasilidade estampada em drinques autorais e petiscos cheios de identidade
por
Mohara Ogando Cherubin
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09/09/2025 - 12h

O primeiro bar da cozinheira-empresária Manuelle Ferraz, também dona do restaurante “A Baianeira”, localizado no MASP, foi aberto em abril de 2024. O “Boteco de Manu” está situado onde as ruas se cruzam na Barra Funda, mais precisamente na Rua Lavradio, 235, em meio à intensa Avenida Pacaembu. A forte identidade do bar já é percebida em seu nome. O “de” Manu faz jus ao modo de falar no Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, bem perto da Bahia, local onde a chef nasceu.

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O bar funciona de quarta a sexta das 18h à 00h, aos sábados das 13h à 00h e aos domingos das 12h às 18h. O local dispõe de mesas vermelhas do lado de fora, além do balcão no salão e um quintal na parte de trás do bar. Foto: Mohara Cherubin 

 

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“Foi em um boteco que eu te conheci”. A frase foi inspirada no trecho “Foi no Risca Faca que eu te conheci”, do forró “Risca Faca”, do cantor Pepe Moreno. A expressão "risca-faca", comum no Nordeste, traz a ideia de um ambiente divertido, com música alta, rodeado de liberdade e alegria. Foto: Mohara Cherubin
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A cozinha do boteco oferece uma variedade de pratos, como fritos, caldos e sanduíches. Entre as criações do cardápio, destacam-se a carne de sol com mandioca, o sanduíche de linguiça com queijo e a coxinha de camarão. Já as bebidas favoritas do local são o goró de mainha e o mel de cupuaçu, drink com vodka, infusão de cupuaçu e melado de cana. Foto: Mohara Cherubin 
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Com um globo espelhado e quadros decorando as paredes, o salão relembra a definição de “risca-faca”. Foto: Mohara Cherubin.
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A parede ao lado esquerdo do salão é decorada com a série “Meninas do Rio”, da artista Ana Stewart, que retrata mulheres de comunidades do subúrbio do Rio de Janeiro com um intervalo de 10 anos, revelando a partir de um ensaio íntimo as mudanças nos lares e nas vidas dessas mulheres. Foto: Mohara Cherubin
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Ainda no lado esquerdo do balcão, o cliente tem acesso aos banheiros e ao quintal do boteco, que fica na parte de trás do local. Foto: Mohara Cherubin
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Se não conseguir lugar nas mesas espalhadas no espaço externo do boteco, o cliente pode se servir no balcão do salão ou no quintal. Foto: Mohara Cherubin
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Aos domingos o boteco apresenta o famoso “tecladinho”. O cantor John Batista agita o bar com muita sofrência e bregas antigos, do jeito que o público gosta. Também aos domingo é servida a feijoada de domingo. Foto: Mohara Cherubin
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O balcão fica em frente ao bar e à entrada da cozinha. Garrafas com as frases “A beleza de ser um eterno aprendiz” e “Viva lá vinho” também decoram o espaço. No balcão, o cliente pode comer, beber e curtir o ambiente do boteco. Foto: Mohara Cherubin
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Carne de sol com mandioca, um dos pratos mais pedidos do Boteco de Manu, acompanha muito sabor, pimenta da casa e manteiga derretida se o cliente desejar. Foto: Mohara Cherubin
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Goró de mainha, o favorito do Boteco de Manu, é uma bebida vinda diretamente da Baianeira a base de gengibre, abacaxi, rapadura, limão e segredos da chef Manu. A frase “doses de amor” estampa o rótulo do goró. Foto: Mohara Cherubin
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O Boteco de Manu conquista os clientes com seu ambiente vibrante e energia única. Visite a esquina mais bonita da Barra Funda e aproveite. Foto: Mohara Cherubin

 

Como um autodidata ousado desafiou a lógica e transformou a cidade de pedra
por
Catharina Morais
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06/12/2024 - 12h

A Rua Maranhão, em Higienópolis, é como um refúgio dentro de São Paulo, cheia de histórias para contar em cada esquina. Com suas árvores sombrias e prédios de tirar o fôlego, como o icônico Vila Penteado da FAU-USP, a rua já foi endereço de gente famosa, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. É  só chegar na esquina com a Rua Sabará que tudo muda: o Edifício Cinderela simplesmente rouba a cena.

 

Edifício Cinderela, inaugurado em 1956 - por Catharina Morais
Edifício Cinderela, inaugurado em 1956 - por Catharina Morais

 

De longe, ele parece uma obra única, e é. Em uma São Paulo historicamente cinzenta e funcional, o Cinderela é uma explosão de cores, criatividade e formas. Não é um simples prédio construído para abrigar pessoas - só a beleza de sua arquitetura que chama atenção; há algo mais ali - características visionárias que antecipavam o futuro da vida urbana. Era um sonho do "American way of life", ajustado à realidade brasileira.

Mas quem ousaria conceber um prédio tão peculiar? Conhecido como o "arquiteto maldito", João Artacho Jurado era uma figura à margem da elite arquitetônica. Nascido em 1907, no bairro do Brás, filho de imigrantes espanhois, ele começou a carreira como letrista, desenhando cartazes e estandes para feiras industriais. Apesar de nunca ter cursado arquitetura, Jurado demonstrava um talento inato para transformar ideias em construções. 

 

Edifício Parque das Hortênsias na Avenida Angélica - por Catharina Morais
Edifício Parque das Hortênsias na Avenida Angélica - por Catharina Morais

 

Na São Paulo das décadas de 1940 e 1950, dominada pelo rigor do modernismo — com suas linhas retas, geometrias simples e desprezo por adornos —, Artacho parecia um transgressor. Seus prédios eram uma celebração do que se recusava a ser discreto. Inspirados pelo glamour de Hollywood e pela opulência europeia, eles misturavam o clássico e o kitsch, sem medo de causar estranhamento.

 

Edifício Viadutos localizado no bairro Bela Vista - por Catharina Morais
Edifício Viadutos localizado no bairro Bela Vista - por Catharina Morais

 

Edifícios como o Bretagne, o Viadutos, o Louvre, o Planalto e, claro, o Cinderela se tornaram símbolos dessa visão. Vibrantes, ornamentados e quase teatrais, eles destoavam do rigor técnico da arquitetura predominante. Não à toa, sua obra era amada pelo público, mas odiada por muitos arquitetos da época.  

A controvérsia em torno de Artacho ia além do estilo. Por ser autodidata, ele não tinha licença para assinar seus projetos, dependendo de engenheiros formados para legitimar suas obras. Esse fato era visto como uma afronta pela elite acadêmica, que o apelidou de "arquiteto maldito".  

 

Fachada do Edifício Piauí construído entre 1948 e 1952 - por Catharina Morais
Fachada do Edifício Piauí construído entre 1948 e 1952 - por Catharina Morais

 

Além disso, seus prédios eram frequentemente criticados como "bregas" e "excessivos". Contudo, essas críticas pouco afetaram Artacho, que usava sua visão como combustível para inovar. Ele fazia de suas inaugurações verdadeiros espetáculos, com bandas, celebridades e políticos. Eram eventos tão grandiosos quanto os edifícios que celebravam.  

Artacho não só projetava prédios; ele os desenhava por completo, dos cobogós aos gradis, dos lustres à tipografia das fachadas. Cada detalhe era pensado para oferecer uma experiência que ia além da funcionalidade. Ele também foi pioneiro em incluir áreas comuns de lazer, como piscinas e salões de festa, em uma época em que essas comodidades eram raras.  Seu público-alvo, a classe média emergente, via nos edifícios de Artacho um sonho acessível. Eram mais que lares; eram convites para uma vida moderna e comunitária.  

 

Edifício Bretagne, um marco arquitetônico com sua planta em ‘L’- por Catharina Morais
Edifício Bretagne, um marco arquitetônico com sua planta em ‘L’- por Catharina Morais

 

Apesar das críticas em vida, o trabalho de Artacho foi reavaliado nas décadas seguintes, sendo hoje considerado um marco do modernismo tropical. Seus edifícios, antes tidos como aberrações, tornaram-se símbolos de uma São Paulo mais vibrante e humanizada.  

O Edifício Cinderela, com sua paleta de cores e seu charme cinematográfico, continua a ser um lembrete do que Artacho buscava: romper padrões, acolher o inesperado e dar à cidade algo que ela não sabia que precisava. 

Mais do que o “arquiteto maldito”, Artacho Jurado foi um visionário que se recusou a ser limitado pela lógica ou pelas convenções. Sua obra é um testemunho da coragem de colorir o cinza e de transformar o banal em extraordinário.

 

Edifício Louvre no bairro da República, tombado desde 1992 pelo Conpresp - por Catharina Morais
Edifício Louvre no bairro da República, tombado desde 1992 pelo Conpresp - por Catharina Morais

 

Importante área de preservação e pesquisa ambiental é também um lugar a se visitar e descobrir em São Paulo
por
Pedro Bairon
João Pedro Stracieri
Vítor Nhoatto
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28/11/2024 - 12h

Localizado na zona sul da capital paulista, entre os portões 6 e 7 do Parque Ibirapuera, eis um berço da vida. Criado formalmente em 1928 após a transferência do bairro Água Branca para onde está até hoje, o Viveiro Manequinho Lopes é um dos três administrados pela cidade e o maior deles. São ali produzidas milhares de espécies para a cidade e também a todos os interessados em arborizar suas propriedades. 

Seu nome faz alusão ao diretor da então recém-criada Divisão de Matas, Parques e Jardins, Manoel Lopes de Oliveira Filho, conhecido como Manequinho Lopes. A homenagem foi dada após ele plantar eucaliptos na região até então pantanosa e aos seus esforços contínuos para manter o viveiro de pé após o pedido de remoção em 1933 para a construção do parque. 

A reivindicação da prefeitura na época não foi para frente também pela necessidade cada vez maior de produção de mudas para a cidade, e foi Manequinho um dos responsáveis por essa mudança de perspectiva. Após a sua morte em 1938 o viveiro municipal enfim recebeu o seu nome atual, e segue hoje sendo de extrema importância para a cidade e meio ambiente, apesar de pouco conhecido e divulgado.

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Com uma área de 4,8 hectares e uma imensidão de plantas o Viveiro Manequinho Lopes pertence ao Parque do Ibirapuera, e seu acesso pode ser feito direto do parque pelo portão 7, ou pelo portão 6 - Foto: Vítor Nhoatto
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Adentrando no complexo com certeza muitas espécies serão familiares, afinal, o local é responsável por fornecer as mudas que são plantadas pela cidade como esta, conhecida popularmente como Coração Magoado - Foto: Vítor Nhoatto
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São ao todo 10 estufas (casas de vegetação), 97 estufins (canteiros suspensos), 3 telados como o da foto (estruturas cobertas com tela de sombreamento) e 39 quadras (mudas envasadas) - Foto: Vítor Nhoatto
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O Viveiro ainda é um laboratório da flora, onde são feitas pesquisas para o aprimoramento e desenvolvimento de novas variações de plantas como na estufa 5 na imagem - Foto: Vítor Nhoatto
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Cada lote de plantas possui a sua identificação científica, quantidade, data de cultivo e um técnico responsável, que rega e anota diariamente a temperatura máxima e mínima atingida em cada estufa - Foto: Vítor Nhoatto
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A instituição também é um importante centro de preservação de espécies nativas, pela reprodução e manutenção de exemplares como este no meio do Viveiro - Foto: João Pedro Stracieri
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Para além de todas as descobertas sobre a flora, muitos pássaros frequentam o viveiro, tal qual esse Sabiá Laranjeira, a ave símbolo do Brasil - Foto: João Pedro Stracieri
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Espécies que requerem mais cuidados como as orquídeas, exóticas como as suculentas e variações menos comuns como esta da foto também são produzidas no Viveiro - Foto: Vítor Nhoatto
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Tal qual um parque, o Viveiro possui áreas de convivência, bebedouros e lixeiras para os seus visitantes, sempre com entrada gratuita, apenas pets nao sao permitidos devido ao cuidado exigido com as mudas - Foto: Vítor Nhoatto
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São disponibilizados ao longo do caminho mapas, avisos sobre os cuidados exigidos e placas informativas sobre a função e funcionamento das estruturas - Foto: Vítor Nhoatto
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Apesar de ficarem na maior parte do tempo fechadas para visitação, pelo menos duas vezes ao dia os técnicos abrem para rega e checagem, possibilitando a apreciação dos visitantes sortudos - Foto: Vítor Nhoatto
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E para os que quiserem é possível agendar visitas guiadas pelo número do Viveiro entre às 7h e 16h de segunda a sexta e até mesmo adquirir mudas mediante solicitação no portal 156 da prefeitura - Foto: Vítor Nhoatto

 

Situado no histórico bairro de Higienópolis, o lugar é testemunho vivo da evolução da cidade
por
Leticia Alcântara
Sophia Razel
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28/11/2024 - 12h

Localizado no coração do bairro de Higienópolis, o Parque Buenos Aires é um refúgio no meio da rotina agitada de São Paulo. Construído em 1913, com a finalidade de ser um espaço de lazer para elite paulistana, o local foi inspirado nos parques europeus. O terreno, que inicialmente foi projetado para ser um loteamento residencial de casas de alto padrão, hoje é símbolo de tranquilidade e calmaria para os moradores da região.  

Antigo mirante do parque
Mirante da Praça Buenos Ayres, com a vista do Vale do Pacaembu - Reprodução / Acervo /  Estadão Conteúdo / Laboratório Buenos Ayres 

 

Pessoas passeando no parque
Família caminhando em pequena trilha do Parque Buenos Aires - Foto: Letícia Alcântara
Pessoas a anos atrás tirando fotos no parque
1919, pessoas diante da obra Anfritite e Tritão. Foto: Reprodução / Facebook/ São Paulo Antiga
Fonte no Parque Buenos Aires atualmente, um dos destaques do espaço - Foto: Leticia Alcântara
Fonte no Parque Buenos Aires atualmente, um dos destaques do espaço - Foto: Leticia Alcântara

Tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo em 1992, o Parque Buenos Aires foi projetado pelo arquiteto paisagista francês Bouvard. Com o passar do tempo, o local foi se transformando e modernizando. Atualmente o parque possui cerca de 22 mil metros quadrados, repletos de muita vegetação e áreas de lazer, com espaço para pets e parquinho para as crianças. 

Área para animais de estimação
Cercado para cães próximo a entrada do Parque, localizado na Av. Angélica - Foto: Letícia Alcântara
Área para crianças
Crianças brincando no playground, cercado pela vegetação do Parque Buenos Aires - Foto: Sophia Razel
Crianças brincando na fonte no passado
Vista da Praça Buenos Aires, no bairro de Higienópolis em 1958 - Reprodução / Folhapress / Gazeta SP 

O local também dialoga com a arte e possui algumas esculturas emblemáticas, como “O Tango”, de Roberto Vivas, em bronze e granito, 'Mãe' de Caetano Fraccaroli, esculpida num só bloco de mármore, além de uma cópia em bronze da escultura “Emigrantes”, de Lasar Segall. 

Monumento do parque
Escultura, em bronze, “Emigrantes”, de Lasar Segall - Foto: Sophia Razel  

Mesmo com as inegáveis raízes alicerçadas em um contexto de elitização, a importância cultural e histórica do local é inegável. Sua existência é um símbolo da memória urbana que deve ser preservada, entretanto, tendo em vista a necessidade da democratização do espaço, que permanece cheio de memórias e significado ao longo das décadas. 

Estatua do parque
Estátua 'Mãe' de Caetano Fraccaroli, localizada no Parque Buenos Aires, simboliza proteção e acolhimento, homenageando a maternidade - Foto: Letícia Alcântara

Com sua localização privilegiada e ambiente sereno, o Parque Buenos Aires é um dos grandes patrimônios verdes da cidade, oferecendo aos paulistanos uma verdadeira pausa no cotidiano urbano.

 

O abandono da galeria que marcou a cena cultural de São Paulo
por
Fabiana Caminha
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05/05/2023 - 12h

Inaugurada em 1963 com outro nome, a Galeria do Rock começou a se diferenciar de outras galerias comerciais a partir da abertura da loja punk Wop Bop. Seu fundador era o vocalista da banda de rock Olho Seco, Fabio Sampaio. A partir da abertura da loja em 76, o centro comercial passou a ser voltado cada vez mais para o comércio musical.  Lojas de discos e estamparias ganharam espaço entre os corredores que passaram a ser ocupados quase exclusivamente por rockeiros, emos e amantes da música. Das 450 lojas do local, mais da metade eram exclusivamente direcionadas para esse público. Muito mais do que um centro comercial, a galeria era um local turístico e um antro cultural da cidade. Mas a realidade de 2023 é outra. Os corredores por onde mais de 5 mil pessoas circulavam diariamente estão vazios. Mais de 30 lojas fecharam as portas. O futuro de outras tantas é incerto. Luiz Calanca, o proprietário da loja de discos Baratos Afins relembra seus últimos anos na galeria e lamenta o abandono do local. "Isso aqui era outro mundo, cheio de gente de todo tipo. É lamentável".

 

A arquitetura do edificio foi pensada na década de 50 por Alfredo Mathias
A arquitetura do edificio foi pensada na década de 50 por Alfredo Mathias
 
A arquitetura do edificio foi pensada na década de 50 por Alfredo Mathias
A arquitetura do edificio foi pensada na década de 50 por Alfredo Mathias
 
Os corredores vazios da Galeria do Rock
Os corredores vazios da Galeria do Rock
Os corredores vazios da Galeria do Rock
Os corredores vazios da Galeria do Rock
Baratos Afins, uma das lojas mais antigas de disco da galeria
Baratos Afins, uma das lojas mais antigas de disco da galeria
Luiz Calanca, fundador da Baratos Afins
Luiz Calanca, fundador da Baratos Afins
Baratos Afins, uma das lojas mais antigas de disco da galeria
Baratos Afins, uma das lojas mais antigas de discos da galeria

 

Conheça um pouco de um dos mais bonitos parques de São Paulo
por
Matheus Santariano
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05/05/2023 - 12h

O parque Villa-Lobos é referência em São Paulo quando o assunto é esporte e lazer. No parque, existem diversas quadras e uma pista de skate, além de diversas áreas para caminhadas e passeios de bicicleta

Autor: Matheus Santariano
Saque de vôlei na quadra de areia do parque 
Autor: Matheus Santariano
Crianças se divertindo na partida 
Autor: Matheus Santariano
Pessoas praticando vôlei de areia 
Autor: Matheus Santariano
Manobra de skate 
Autor: Matheus Santariano
Amigos jogando basquete 
Autor: Matheus Santariano
Pratica de skate na pista do parque 
Autor: Matheus Santariano
Concentração na manobra 

 

Do ativismo negro às capas de disco, conheça o legado do fotógrafo mineiro que fez (e registrou) história
por
Mariana Luccisano Coelho
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01/12/2022 - 12h

Por Mariana Luccisano Coelho

 

  Januário Garcia Filho nasceu em 1943 em Belo Horizonte, Minas Gerais e viveu sua primeira infância nas periferias da capital mineira com seus pais e seus três irmãos. A imagem sempre o despertou interesse e chamou sua atenção de um jeito que ele sempre dizia ser inexplicável. Antes mesmo de aprender a ler, se lembra de ter posto suas mãos em um exemplar da revista infantil O Tico-Tico e ter descoberto o passo a passo para fazer um projetor de imagens com uma pequena caixa de madeira. Ia ao cinema do bairro todas as manhãs posteriores às exibições e levava para casa as tiras de filmes que eram jogadas fora, projetando-as em sua casa em uma parede pintada de branco.

   Aos 4 anos Januário perde seu pai e oito anos depois, sua mãe. Desamparado e sem norte, decide então sair sem rumo e chega ao Rio de Janeiro, aos 13 anos, onde passa a viver entre ruas e abrigos. Com 16, Januário foi levado ao Serviço de Amparo ao Menor (SAM) e aos 17 se voluntariou para servir a Tropa de Paraquedistas do Exército, completando em paralelo o ensino fundamental e médio. Foi nesse momento que tomou uma das suas mais importantes decisões: comprar sua primeira câmera fotográfica, uma Olympus, para fotografar seus colegas de quartel.

   Os anos se passaram, Januário deixou o quartel, a vida traçou seus caminhos, ele sobreviveu de bicos e outras atividades e se casou com Ana Maria Felipe, que em 1970 o incentivou a resgatar o velho hábito da fotografia, mas, dessa vez, profissionalmente, com uma Pentax Spotimac II. É assim que Januário inicia sua preciosa e brilhante carreira foto-jornalística, fotografando para jornais alternativos da época e fazendo pequenos trabalhos para a grande imprensa, começando pelo jornal Tribuna da Imprensa e posteriormente ganhando as demais redações, passando pelo O Globo, Jornal do Brasil, O Dia, A Notícia, Revista JB e fazendo alguns trabalhos para a Editora Bloch.

  A arte atravessa seu caminho na fotografia quando recebe o convite para participar da fundação Photo Galeria, organização voltada para venda de fotografia de arte. A experiencia foi enriquecedora e de uma importância inenarrável para Januário no aprimoramento de técnicas e estudos, alavancando sua carreira e consolidando seu trabalho. Decide então montar um estúdio e trabalhar com publicidade e se vê diante do racismo (escancarado, velado e institucional) ao exercer uma profissão fora dos setores reservados á negros pela sociedade da época. Depois de anos fotografando para publicidades e atendendo agencias pelo Rio de Janeiro, decide mudar seus rumos e procurar gravadoras para entrar no mercado de capas de discos.

   Depois de árduas tentativas, por se tratar de um mercado extremamente nichado com fotógrafos já consolidados, consegue fotografar sua primeira capa para o grupo de rock O peso, que ficou muito emocionado e satisfeito, fazendo com que o mineiro recebesse elogios do diretor de arte e deslanchasse no meio. Foi então que surgiram trabalhos com grandes nomes da música popular brasileira como Tom Jobim, Caetano Veloso, Chico Buarque, Fagner, Belchior, Fafá de Belém, Leci Brandão, Raul Seixas e Edu Lobo.

 

Interface gráfica do usuário, Aplicativo

Descrição gerada automaticamente

Algumas das capas fotografadas por Januário. Reprodução G1.

Brasil perdeu Januário Garcia para a Covid-19

Milton Nascimento, Chico Buarque e Januário. Reprodução Site Januário Garcia

 

    O primeiro contato de Januário Garcia com a militância das causas negras foi em 1975, quando entrou para o Movimento Negro Carioca, a partir de um encontro no Centro de Estudos Afro-asiáticos na Universidade Candido Mendes, em Ipanema. Passou a fotografar as reuniões como um trabalho pessoal, mas essa documentação se tornou uma ferramenta importantíssima de participação na luta e na história do Movimento Negro Brasileiro.

 

Reunião IPCN- Januário Garcia- Covid-19- Brasil perdeu

Reunião da diretoria do IPCN – 1986. Reprodução Instagram Januário Garcia

 

   O fotógrafo passou a participar ativamente de atos, reuniões e manifestações políticas registrando massivamente e concretizando a memória da luta negra brasileira nas décadas de 70 e 80. Em entrevista certa vez disse: “Na minha geração, ninguém vai poder falar que o negro não tem memória, porque vai ter. Eu vou fazer essa memória.” Esse é um dos maiores legados de Januário, eternizar cultura e vivencias negras, conhecido por “registrar a beleza de ser negro”.

 

Brasil perdeu Januário Garcia para a Covid-19

Januário Garcia – Carnaval 1978. Foto por Mauricio Valladares.

No Orun: morre o fotógrafo Januário Garcia - Geledés

Marcha da Falsa abolição

 

Foto preta e branca de pessoas na frente de uma loja

Descrição gerada automaticamente

Marcha Zumbi está Vivo, Rio de Janeiro  - 1983.

 

   Outro marco de sua trajetória foi a fundação do Centro Brasileiro de Informação do Artista Negro (CIDAN), junto com a atriz Zezé Motta. Catalogou atores e atrizes negras por todo o Brasil, desbancando o discurso mentiroso e racista de que a ausência de personalidades afrodescendentes na televisão se dava por falta de profissionais.

   Para o fotógrafo e entusiasta do fotojornalismo ativista Ricardo de Castro, personalidades como Januário Garcia são indispensáveis na luta antirracista no Brasil: “É preciso dar voz e eternizar movimentos de lutas negras no país onde a história do povo preto é invisibilizada desde sempre.”

   No dia 1 de julho de 2021, Januário Garcia faleceu decorrente de complicações da Covid-19. O fotógrafo deixa um legado riquíssimo e de suma importância para história nacional. Um legado de luta, de beleza e arte que ressoa e ressoará por anos, servindo de inspiração e representatividade.

  

 

 

 

Tarso Sarraf, ganhador do prêmio Vladimir Herzog conta sua experiência em fotografar Amazônia na pandemia”
por
Ana Beatriz Assis
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06/07/2022 - 12h

“Eu nasci no bairro mais perigoso de Belém do Pará, Guamá, aqui é um lugar em que as pessoas acham que a gente não sabe nada. Ninguém olha de verdade para o Norte. Eu tive um sonho e graças a Deus pude realizar. Meu sonho era fazer uma olimpíada, eu fiz uma olimpíada! Tive um sonho de fazer uma Copa do Mundo, eu fiz uma copa do mundo. Eu tinha como maior sonho ganhar um Vladimir Herzog, e depois de bater na trave duas vezes, realizei esse sonho” Tarso Sarraf, fotojornalista de 45 anos, ganhador da 43° edição do Vladimir Herzog, narra sua carreira em entrevista para a Agemt.

foto
Tarso Sarraf exercendo profissão (Via: Facebook)

 

Sarraf ganhou o prêmio em 2021 na categoria fotografia, com seu trabalho cobrindo a covid nas extremidades da Amazônia, “Paradoxo amazônico: 66% dos piores municípios do Brasil estão na Amazônia”, matéria do jornal O liberal.

 O profissional teve seu primeiro contato com a fotografia aos 14 anos. Ele conta que desde pequeno tinha um sentido aguçado para o gênero jornalístico, porém nunca correu atrás de trabalhar em um jornal de fato. Em 2006 junto com a paternidade veio seu primeiro convívio com o mundo corriqueiro da fotografia informativa no Diário do Pará. Lembra-se bem, que sua primeira cobertura foi fotografando um incêndio, novidade dupla para ele, já que também não tinha experiência com máquinas fotográficas da Canon, ponto que cita com certo humor, pois hoje usa com quase exclusividade câmeras da marca.

Em 2011 começou sua carreira no jornal O liberal, do grupo Globo. Sete anos depois, em 2018, Tarso cita que vivía um ano de muitas mudanças, saiu do liberal e viajou rumo a Rússia, para fotografar a copa do mundo. Após isso, Sarraf cita com orgulho e gratidão seu período de 1 ano fotografando para a agência internacional France Presse, oportunidade que lhe trouxe muitas experiências inesquecíveis. “Sendo sincero, nunca imaginei voltar para dentro de uma redação”, admite, quando conta sobre sua volta ao jornal O Liberal depois do tempo de colaboração com a agência internacional. Hoje em dia, Tarso continua no Liberal, agora sendo coordenador de audiovisual, cuidando das mídias físicas e digitais, além de coordenar fotógrafos, editores e estagiários. “Eu amo o que faço, não trabalho por dinheiro. Eu dou graças a Deus todos dos dias, pois vivo a profissão que amo. Eu gosto disso, gosto da adrenalina. Hoje tem site, rede social, hoje é tudo online, tem muito mais cobrança.

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Fotos de Tarso. Olimpíadas 2016 e copa 2018 respectivamente (Via: instagram) 

 

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Tarso com 14 anos fotografando junto de seu mestre, Miguel Takao em 1990 (via:Facebook)

 

 

 

 

 

 

 

 

Prêmios 

Tarso em suas redes, possui 14 prêmios, mas na entrevista, lembra-se que na verdade são 16. Dentro deles estão: Prêmio Abril 2011, prêmio Fiepa de melhor repórter fotográfico 2013 entre outros. “Sempre fui muito catita em prêmios, sempre entrei em prêmio. Não tenho medo do não. O não eu já tenho, só tenho que ir atrás do sim. Hoje já me centralizo no que eu quero.”

1- Lembra de qual foi seu primeiro prêmio?

Lembro bem, foi o prêmio da Veja. A Veja tinha um prêmio interno dela, troféu lindo, tenho ele até hoje na minha estante. Todo jornalista queria ter. Eu era fotografo da Veja, fiz um especial sobre menores que bebiam em festa, foi uma matéria muito grande. [..]Pra mim, foi magnífico.

2 - Qual foi o prêmio mais marcante para você?

Vladimir Herzog. Eu já ganhei vários prêmios, mas a repercussão que esse teve para mim, foi muito mais que todas[..] no site do prêmio, se for ver, está Sarraf, Daniel Nardin, Renato Tavares e Cleo Soares, mas quem são essas pessoas? Daniel porque é meu diretor, é coração do jornal. Renato diagramou a capa do jornal e Cleo é a repórter que escreveu a matéria. O prêmio é de fotografia? É, só que o conjunto da obra são várias pessoas. Todos os prêmios que me inscrevo boto o nome da equipe toda, ao nível de botar até o motorista.

 

Da Amazônia direto para Vladimir Herzog

“Quando eu tirei foto da Copa eu achei que aquilo era o auge da minha profissão. Quando eu fui para Rússia, foram 22 brasileiros e eu fui o único do Norte que foi credenciado. Mas aí eu te digo, o ápice da minha profissão mudou com a covid. Se pegar minha profissão em 2020 para baixo eu tenho mais publicações de 2020 para frente” Tarso, teve grande reconhecimento após suas produções durante a pandemia, mas, enfatiza que seu objetivo nunca foi ganhar prêmios. “A gente precisava dar informação pro mundo”

Tarso, em 2020 no ápice da pandemia, quando ainda não tinha perspectiva de vacinação, escolheu retratar a doença no arquipélago de Marajó, um dos piores IDH (índice de desenvolvimento humano) do Brasil, passou quase um mês no local, registrando histórias de vida e morte. Sarraf foi fotografar covid, um tempo depois dele mesmo ficar em estado grave por conta da doença. “No começo da covid eu estava em casa. Primeiro caso de caso em Belém foi 18 de março de 2020, desde aquele momento eu me isolei por causa dos meus pais. Acredito que peguei covid de ifood. Quase bati as botas, fiquei muito mal por sinal, mas graças a Deus melhorei”

O trabalho do fotógrafo, rendeu matéria para a realização de uma série nos principais jornais de Belém, todas as imagens foram de sua autoria. A série “A covid-19 no Marajó” foi dividida em três partes, cada uma focada em uma cidade: Breves, Melgaço e Portel.

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Médicos visitando senhora em sua casa (foto: Tarso Sarraf)

1 - Como foi a decisão de fotografar covid em terras amazônicas?

 Estava vendo material fotográfico dos meus amigos, do mundo todo, quando fiquei bem da covid, coloquei na minha cabeça que ia fotografar a pandemia. Fotografei um cemitério, depois os comércios fechados, outro dia fotografei dentro de um necrotério. No fim de semana, já fiquei agoniado com a mesmice. Comecei a pesquisar, as imagens no mundo todo eram de hospital ou cemitério, pessoas chorando, morrendo [..]. Já conhecia um pouco a região de Melgaço, fiz a primeira pauta para France-presse e o editor de fotografia do Brasil ficou: “que isso Tarso? Fotos de covid no meio da Amazônia?” Cara, eles piraram”

“Foram dois dias de tempestade para chegar em Melgaço.” Tarso narra as dificuldades para chegar no arquipélago. “Estava na Amazônia, o navio que sai de Belém seis horas da tarde, chega seis horas da manhã em breves, doze horas de viagem. Depois de breves pega uma lancha para Melgaço. [..]” Ele prossegue falando da situação da cidade ao chegar: “A gente está falando de comunidades, quando eu ia com a equipe de saúde, não entendia o que estava acontecendo, uma cidade que parece que não existe.  A Galera não estava recebendo auxílio nem nada.”

2- Como sua família reagiu a esse projeto?

Minha mãe quase morre, falei que ia fotografar covid, já tinha comprado a passagem, mas não falei que ia viajar. Fui para breves na cara e na coragem. Cheguei no meio da cidade, não tinha carro, me lembro que quem me levou para a cidade foi o vigia do aeroporto, fui com ele de moto. O avião só levava carga, viajei em um avião de carga. Minha mãe me ligava todo dia, e só eu sei, que eu não dizia muita coisa para ela, preservei muito ela, poucas vezes eu colocava foto minha. A france-presse, me deu todo o aparato e roupa especial.

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Tarso com aparato de proteção em um cemitério (foto: Wesley Marcelino)

3 - Onde você dormia e descansava?

Minha mãe pensava que eu estava dormindo em hotel. Dormi em porto, em navio, no chão, em porta de hospital. Ao ponto que me emociono, porque as pessoas não têm ideia do que a gente passa, a foto é linda e maravilhosa, mas não sabe o trabalho por trás. Vi um amigo meu falando isso (Marcos Nunes), como a gente tem que se valorizar. As pessoas não têm ideia do que passamos, eu te falo, passei um couro muito grande.

 

 

Os desafios intrapessoais em fotografar uma pandemia

Tarso cita também, os desafios de seguir um trabalho tão delicado e em um momento de calamidade: “Naquele momento não sabia se covid pegava de novo. Falo isso como um depoimento, uma coisa que não falo para todo mundo, porque acho que é proposito de Deus. A gente tem um presidente que dizia que era uma gripezinha, eu vi, várias pessoas morrendo na minha frente.”

Sarraf foi questionado sobre a questão do medo me cobrir casos de covid tão de perto, supreendentemente, ele alega que teve que procurar terapia para sentir novamente medo da doença, após de certa forma “acostumar-se” com o ambiente médico: “Teve um momento que tive que fazer terapia, para entender que covid dava medo. Eu não estava mais com medo, de tão normal, de tanto que entrei em hospital, cemitério, enfim, tive que entender que precisava ter medo.”

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Médica e leitos de um lado do vidro com televisão refletindo falas de Bolsonaro (foto: Tarso Sarraf)

 

1 -Como era sua abordagem para chegar até as pessoas que você fotografava? Pessoas estas que estavam passando por um momento tão desagradável?

 Assim, todo mundo fragilizado. Não tinha muita família na época, porque não podia. Quando vinha família, falava meus pêsames, contava do meu trabalho, alguns falavam não, outros sim, mas sempre com autorização. Não entrei em nenhum hospital sem autorização.

Sarraf adiciona ainda, sobre como era a relação com os profissionais para tirar uma boa fotografia: “Cemitério por exemplo, tu tens que ser amigo do coveiro, ele que passa as informações para ti. Me apresento, pego o contato, e ele me dizia quando tem enterro. Eu chegava sempre antes, ficava no meu cantinho”  

2 - Como você lidou com seus sentimentos durante seu trabalho?

Eu soube de uma notícia que um amigo meu de infância tinha morrido de covid, para mim foi um baque. Me lembro que tive mais ou menos doze enterros, imagina, só aquelas músicas tristes de igreja. Assim, desabei, lembrei da situação do meu amigo. Mas aí tu tens que se repor, se repor para o trabalho.

 O fotografo adiciona a entrevista, um dos casos que marcou sua passagem á Melgaço: “Logo no começo da covid, fiz um enterro, nesse dia, era um domingo, até hoje não esqueço, cheguei no cemitério, fiquei esperando. Chegou uma kombi, logo comecei a fotografar, perguntei se era homem ou mulher, o moço responsável me disse que era uma criança de oito anos. Eu tenho um filho de anos, eu tenho dois filhos um de oito e de quatorze. Eu não fotografei nada, parei naquele momento. Travei.

 

As fotografias

 Tarso tirou em toda sua caminhada, fotos que carregam beleza e ao mesmo tempo elementos que nos fazem refletir. A foto abaixo ganhou medalha de ouro no prêmio “fotografe de 2021, Sarraf comenta: “Essa foto foi o menino dos olhos da france-presse. Foi em um dos meus últimos dias de trabalho em Melgaço. Esse momento era lockdown, era por volta de umas cinco e meia, seis horas da tarde, sabe quando a luz está caindo? No Pará é assim, do nada cai, ou é cinza ou preto, mas existe um negócio bem no meio que traz esse azulado. Estava tão escuro que não dava nem foco. Essa luz dentro da cabine é meu celular, eu joguei ele com a lanterna para dentro, para colocar essa luz, foi desespero mesmo. Clareou comecei a fotografar, olhei para máquina e falei “caraca que foto linda”.  Quando ergui o olho de novo, acabou o azul, não tinha. “

 

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Ambulancha e médicos no fim de tarde (foto: Tarso Sarraf)
 

“Cara, eu nunca tinha visto uma foto minha publicar tanto, Eu acho que se tiver umas 1000 publicação é pouco. Te digo francamente, fui agraciada numa coisa que nunca imaginei na minha vida, que é tá no livro da france-presse anual, só os magnatas que tão lá, ano passado teve três fotos minhas lá, essa inclusive." Uma das fotos que está incluída no livro é da primeira quilombola a ser vacinada: "Tive uma grande sorte na minha vida, de fotografar a primeira quilombola do brasil sendo vacinada".

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Senhora quilombola sendo vacinada (foto: Tarso Sarraf)

 

Foto ganhadora do prêmio

“Essa foto foi capa do jornal, mas, originalmente a capa não era essa. Era a foto de uma criança metade de rosto para fora e metade o rosto dentro da água. Mais tarde depois da reunião de fechamento, era uma sexta-feira, o diretor (Daniel Nardin) me liga e fala que queria mudar a capa do jornal. A foto originalmente não era preta e branca.” Traso cita que se a foto fosse colorida, talvez não tivesse ganhado o prêmio.  “Ele (diretor) quando viu, falou que a capa ia ganhar o prêmio. E no final, ganhamos o prêmio do Vladmir Herzog.

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Senhora conversando com profissional da saúde (foto: Tarso Sarraf)

Novos projetos

“Uma das coisas mais surreais que eu já fiz, foi que de certa forma eu fiz dois partos, um da criança quando nasceu e no outro dois anos depois. Ela tinha 17 anos na época, estava com covid, era de menor, e precisava da autorização, eu esqueci da autorização, fui ao hospital novamente e encontrei ela e a avó, e dei a foto de presente.” Tarso cita foto que faz parte do projeto em que ele voltou para Marajó, para registrar as mesmas pessoas dois anos depois. A volta dele foi dia seis de maio de 2022, rendeu registros emocionantes.

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Antes e depois de mãe e filho (foto: Tarso Sarraf) 
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Antes e depois de dona Shirley (foto: Tarso Sarraf)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Antes e depois de senhora que estrelou foto ganhadora do prêmio (foto: Tarso Sarraf)

 

 

 

Ele, fazendo jus à fama de catita em prêmios, colocou mais fotos para competir no prêmio Vladimir Herzog de 2022. Sarraf finaliza a entrevista com um recado para futuros jornalistas: "Acreditar em sonho é essencial, tem que persistir e correr atrás. Pior coisa que tem é quando você é funcionário de uma empresa de comunicação e espera ser pautado, hoje é você que tem que ir pautado para empresa. Sempre gostei de fazer pauta importante e faço até hoje." 

Debate jornalístico busca desmistificar o olhar estereotipado da fotografia na periferia
por
Milena Camargo
|
22/11/2021 - 12h

​​​​​Obra de Jéssica Batan compartilhada em seu Instagram "Dá ponte pra cá: o olhar fotojornalístico das periferias”, esse foi o tema abordado na mesa ocorrida terça-feira (9), das 19h às 21h. Cristiano Burmester foi o mediador da roda de conversa, que foi composta por cinco fotógrafos “periféricos”: Daniel Eduardo, Ton Valentim, Josiane Santana e Jessica Batan. O evento aconteceu de forma remota, através da plataforma de vídeo Zoom, e contou com apoio de interpretação de libras - entendendo que esse recurso é indispensável para inclusão.

Jéssica Batan, foi a primeira a se posicionar. A jornalista, formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explicou que o hábito da fotografia foi herdado da mãe, que também é fotógrafa. Entretanto, o olhar documental foi adquirido durante os anos de universidade, quando a também moradora do bairro de Realengo – RJ, apreciava e registrava, através da objetiva, o trajeto da Urca - RJ – localidade da cidade universitária - até sua casa.

Nossa vida diária não são só as mazelas que o Estado nos dá”. Batan, iniciou uma grande crítica, que foi não só aprovada, mas complementada por todos da roda. O olhar estereotipado da precariedade e miséria das periferias é algo que incomoda e precisa ser revisto: “As pessoas passam a mensagem de que a favela é só isso”, completou: “não é o que me define”.

​​​​​Obra de Daniel Eduardo compartilhada em seu Instagram

quebrar a taxação da favela como algo ruim” esse também é o objetivo de Daniel Eduardo, 26, morador de Paraisópolis - bairro favelizado da cidade de São Paulo. O fotógrafo explicou que enxergava a fotografia como uma realidade muito distante. A mãe de Daniel foi a percursora direta e indireta desse grande sonho. Direta por impulsionar e incentivar; indireta por ser faxineira de uma grande fotógrafa, que abriu caminhos para esse sonho. Como aprendiz da patroa da mãe, o fotógrafo começou a se desenvolver na área, e viu ali, a oportunidade de mudar sua vida – realmente mudou. E mais que isso: é inspiração para os seus.

@projetoclicknafavela, esse é o user do instaram, de um grande projeto que incentiva e proporciona oportunidade de desenvolvimento, profissional fotográfico, para milhares de crianças e adolescentes da favela de Paraisópolis. Daniel, afirmou que o projeto também tem a preocupação de salientar que: “Pessoas de favela, têm que mostrar pessoas de favela”, isso é importante para que o estigma da periferia como algo ruim deixe de atingir os moradores. Ou seja, o projeto busca a auto valorização do espaço e das pessoas que ali vivem.

​​​​​Obra de Josiane Santana compartilhada em seu Instagram

Josiane Santana, moradora do Complexo do Alemão - bairro que abriga um dos maiores conjuntos de favelas no Rio de Janeiro – foi salva por um projeto cujo intuito era o mesmo do citado acima. “Até os 25 anos, não tinha perspectiva. Casada, mãe, vivendo para o marido e para casa: descobri uma traição”. Diante desse contexto, a mãe solteira viu seu chão se abrir, desempregada, foi abandonada, e acabou voltando para a casa da mãe. Assim começa mais uma grande história sobre o empoderamento da mulher periférica. Josiane começou a trabalhar como recepcionista em uma ONG, que oferecia diversos cursos gratuitos para os moradores do Alemão. Aproveitou a oportunidade e se inscreveu no curso de fotografia, decisão que reverberou mudanças e conquistas extraordinárias.

Fotos publicadas no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM), no Instituto Tomie Ohtake, participação no Cannes em 2017, e bolsa integral no curso de jornalismo da Facha – universidade de Elite do Rio de Janeiro. Josiane, entende que é uma inspiração e exemplo de empoderamento para muitas pessoas, e, diante disso, um ponto importante de seu olhar fotográfico e consequentemente do que ela busca inspirar, foi colocado: "Optei por mostrar o outro lado. O lado da potência, da arte e do cotidiano riquíssimo de um lugar tão complexo, chamado Alemão”. A fotógrafa também faz parte de um grande projeto chamado Favela Grafia (@favelagrafia – user do Instagram), cujo intuito é também inspirar pessoas e quebrar as normativas contra hegemônicas, destruindo o preconceito.

O diretor do Favela Grafia, Anderson Valentim, ou, Ton Valentim – seu nome artístico-, foi o último a se colocar na roda. Morador do Morro do Borel – comunidade localizada no bairro da tijuca na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro-, afirmou que desde criança possui um fascínio pelo visual. “A rotina e a necessidade de ganhar dinheiro nos deixam entre os sonhos e a vivência”, afirmou Ton, ao se referir ao seu processo de escolha profissional. “Ia pra faculdade para encontrar a galera da música e da arte”, foi assim que descreveu o motivo de sua desistência do curso de Automação Industrial. Logo, após o abandono, o fotógrafo se encontrou no curso de Design gráfico: “Eu gostava de tudo”.

​​​​​Obra de Ton Valentim compartilhada em seu Instagram

Ton, conheceu a fotografia profissional na universidade e afirmou, que como design, busca um estilo próprio nas imagens. Atrelado ao lado artístico, se diferencia dos outros participantes da mesa, que são voltados para o documental. Mas assim como todos, afirma que seu principal papel como fotografo é trazer um diálogo que desmistifique a periferia e traga uma nova narrativa. Junto com o Favela Grafia, conseguiu parcerias muito significativas com a agência NBS e com a Apple – que disponibilizou aparelhos celulares para o projeto. O propósito de mudar a visão estereotipada sobre a favela repercutiu mundialmente ganhando dois Leões em Cannes em 2017, em Entertainment e em Design. Além disso, foi exposto no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
 

Pratiquem a escuta...”

No final do evento, se abriram espaço para perguntas. Ao ser interrogada sobre como jornalistas e fotógrafos, não periféricos, devem cobrir periferia, Batan respondeu: “É necessário contar, mas devemos saber, como contar isso: quem está chegando deve se lavar dos estereótipos antes de ir para aquele lugar”. Daniel complementou: “Antes, estude fotógrafos de periferia, os que não são “hypados” (gíria que equivale a “muito conhecidos”) e possuem trabalhos incríveis. Por fim, Josiane acrescentou: “Pratiquem a escuta, e tomem cuidado para não tomarem o lugar de fala”.

Quando interrogados sobre o caso de Kathleen Romeu - grávida, moradora do complexo do Lins, que foi morta durante uma operação ilegal da polícia, no mesmo dia do evento (8/6) -, Batan confessou só ter parado de chorar, pelo caso, por conta do compromisso com a mesa. Além disso afirmou que a existência antecipa a identificação, então, para que haja representatividade os pretos periféricos precisam continuar existindo.

Quando se é negra tem que andar com a nota fiscal das coisas”. Afirmou Batan, sobre um dos motivos de preferência pelo uso de celular, ao invés das câmeras. Josiane acrescentou: “Já tive que pedir permissão para tirar fotos com a câmera”, nesse sentido o celular acaba sendo mais eficaz, além do imediatismo, que na área documental, é um ponto relevante para a escolha entre ambos. Daniel ressaltou ainda, que o povo periférico é avesso às câmeras justamente por medo de serem retratados de forma pejorativa, e nesse sentido, acrescentou ele que se faz necessário habitua-los com uma retratação positiva. Apesar de ser um processo lento, terá grande resultados futuramente.

como viver de arte em condições financeiras desfavoráveis?”. Essa foi uma questão pincelada durante toda a mesa, com exceção de Ton, todos afirmaram já terem trabalhado retratando eventos para poderem se sustentar. Mas a paixão de todos está atrelada a questões sociais sejam elas, artísticas ou documentais. Diante disso, Ton afirmou: “O audiovisual é muito caro, essa é realmente a primeira barreira. Mas querendo ou não, o celular é uma ferramenta democrática: trabalhe o olho!”.