A prática educativa integra movimento, música e linguagem dos alunos da Pedagogia Waldorf. 
por
Helena Aguiar de Campos
Ingrid Luiza Lacerda
|
16/10/2026 - 12h

 

A euritmia é uma prática artística desenvolvida no contexto da Pedagogia Waldorf, que une diferentes formas de expressão. Nela, cada nota musical, letra, signo ou sentimento pode ser traduzido em gestos e movimentos específicos. A prática amplia as possibilidades de aprendizado para além da sala de aula, permitindo que o corpo também participe desse processo. Para muitos professores, a euritmia é ainda uma forma de “dança curativa”, por favorecer a presença, a percepção e a conexão entre corpo e expressão.

A prática acompanha os alunos ao longo dos 12 anos de formação escolar, com conteúdos que se transformam de acordo com cada etapa do desenvolvimento. Nos primeiros anos, os estudantes têm contato com o alfabeto e seus movimentos, construindo uma base que, posteriormente, permite contar histórias por meio da euritmia. Ao longo da formação, são introduzidas as notas da escala musical e, nos anos seguintes, conteúdos relacionados a diferentes temas e aspectos da experiência humana. Assim, os alunos aprendem a recitar contos, interpretar músicas e expressar ideias e sentimentos por meio do movimento.

É nesse espírito que, todos os anos, alunos de diferentes escolas Waldorf se encontram para compartilhar o que foi desenvolvido ao longo desse percurso. O encontro resulta em uma grande produção coletiva, na qual cada grupo apresenta uma composição preparada durante o ano. Figurinos, trajes e acessórios também fazem parte da construção de cada apresentação, contribuindo para a atmosfera e a linguagem de cada obra. Em algumas ocasiões, os próprios alunos também apresentam poemas ou textos produzidos coletivamente em sala.

Mais do que uma apresentação, o encontro revela uma parte importante da experiência escolar na Pedagogia Waldorf: aprender também por meio do corpo, da arte e da convivência. A euritmia estimula a concentração, a coordenação, a escuta e a expressão, ao mesmo tempo em que convida os estudantes a perceberem a si mesmos, aos outros e ao espaço que compartilham.

Nas imagens, ficam registrados alguns desses momentos: diferentes escolas, diferentes turmas e diferentes formas de expressão reunidas em um mesmo encontro. Um trabalho construído ao longo de todo o ano e que, no palco, ganha movimento, presença e vida.

Apresentação sobre a história do Egito. fotos: Ingrid Lacerda/AGEMT
Apresentação sobre a história do Egito. fotos: Ingrid Lacerda/AGEMT

 

Alunos do último ano fazendo o “oito harmônico".” Foto: Helena Campos/AGEMT

Alunos do último ano fazendo o “oito harmônico".  Foto: Helena Campos/AGEMT

 

A umbanda ganha foco na apresentação do último ano. Fotos: Helena Campos/AGEMT
A umbanda ganha foco na apresentação do último ano. Fotos: Helena Campos/AGEMT
Alunos da Rudolf Steiner praticando euritmia. Fotos: Helena Campos/AGEMT
Alunos da Rudolf Steiner praticando euritmia. Fotos: Helena Campos/AGEMT

 

Alunos representando as figuras de religiões de matriz africana. Foto: Ingrid Lacerda/AGEMT

Alunos representando as figuras de religiões de matriz africana. Foto: Ingrid Lacerda/AGEMT

 

Apresentações musicais, cada gesto representa uma nota. Fotos: Ingrid Lacerda/AGEMT
Apresentações musicais, cada gesto representa uma nota. Fotos: Ingrid Lacerda/AGEMT

 

Alunos fazendo a letra “M” do alfabeto da Euritmia. Foto: Ingrid Lacerda/AGEMT

Alunos fazendo a letra “M” do alfabeto da Euritmia. Foto: Ingrid Lacerda/AGEMT

 

Diferentes gestos presentes na Euritmia, notas mais agudas tem movimento acima da cabeça. Fotos: Helena Campos/AGEMT
Diferentes gestos presentes na Euritmia, notas mais agudas tem movimento acima da cabeça.
Fotos: Helena Campos/AGEMT

 

Manifestação falada em meio a dança. Fotos: Helena Campos/AGEMT
Manifestação falada em meio a dança. Fotos: Helena Campos/AGEMT

 

Apresentação sobre o rio, feita por alunos waldorf. Foto: Ingrid Lacerda/AGEMT

Apresentação sobre o rio, feita por alunos waldorf. Foto: Ingrid Lacerda/AGEMT

 

Apresentação com o uso do bastão eurítmico. Foto: Ingrid Lacerda/AGEMT
Apresentação com o uso do bastão eurítmico. Foto: Ingrid Lacerda/AGEMT

 

Figurinos contribuem para a construção da narrativa. Fotos: Helena Campos/AGEMT
Figurinos contribuem para a construção da narrativa. Fotos: Helena Campos/AGEMT

 

Os estudantes se movimentam por todo o palco. Foto: Ingrid Lacerda/AGEMT


Os estudantes se movimentam por todo o palco. Foto: Ingrid Lacerda/AGEMT

 

Apresentação musical de estudantes do ensino fundamental. Foto: Ingrid Lacerda/AGEMT

Apresentação musical de estudantes do ensino fundamental. Foto: Ingrid Lacerda/AGEMT

 

Entre a defesa de um legado e as incertezas sobre o futuro, manifestação ganha dimensão para além da disputa eleitoral
por
Thaina Bezerra
|
16/10/2026 - 12h

No domingo (11), movimentos estudantis e sociais se reuniram na Avenida Paulista em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na reta final das eleições de 2026 para o segundo turno, as declarações de seu adversário Flávio Bolsonaro (PL) sobre redemocratizar o país e alterar a Constituição intensificaram o discurso de defesa da democracia.

Varal de camisetas
Varal de camisetas escrito 'Lula'. Foto: Thaina Bezerra/Agemt
Pessoa com bandeira do brasil sobre as costas
Manifestante com a bandeira do Brasil nas costas, em meio a multidão. Foto: Thaina Bezerra/Agemt
Pessoas embaixo do bandeirão verde
Multidão canta sob o bandeirão verde. Foto: Thaina Bezerra/Agemt
Placa escrito "700 mil mortes, não esqueceremos".
Manifestante traz cartaz com a frase '700 mil mortos, não esqueceremos', em alusão às vítimas da pandemia de Covid-19. O protesto recorda a falta de responsabilidade durante a gestão da crise sanitária, sob o governo de Jair Bolsonaro, pai de Flávio Bolsonaro. Foto: Thaina Bezerra/Agemt
Mulher com máscara de proteção sobre o rosto
Sob a máscara de proteção e um olhar atento no meio da multidão. Foto: Thaina Bezerra/Agemt
Manifestantes com bandeiras
Entre bandeiras e gritos pela democracia. Foto: Thaina Bezerra/Agemt
Manifestante com placas de protesto
Manifestante segura cartaz que diz 'não é porque você tem direitos hoje que terá direitos amanhã'. Imagem retrata a mobilização coletiva contra retrocessos políticos e sociais. Foto: Thaina Bezerra/Agemt 
Manifestante erguendo a bandeira da palestina
Manifestante que virou meme posteriormente ergue a bandeira da Palestina e reforça compromisso com a luta pela soberania dos povos ao redor do mundo. Foto: Thaina Bezerra/Agemt
Manifestante erguendo placa escrito "estudantes contra o fascismo"
Estudantes erguem cartaz com a frase 'estudantes contra o fascismo. #elenunca'. A hashtag em destaque faz referência direta às campanhas de mobilização iniciadas em 2018, contra Jair Bolsonaro e que continuam a pautar as manifestações de rejeição ao ex-presidente no país. Foto: Thaina Bezerra/Agemt
Manifestante com bandeira escrita "as rebeliões são fundadas na esperança"
A frase 'as rebeliões são fundadas na esperança', capturou o sentimento coletivo de que os protestos populares nascem não apenas do descontentamento, mas sim da expectativa de construir um futuro mais justo. Foto: Thaina Bezerra/Agemt
Um casal se abraçando no meio da multidão
Casal se abraça em meio à multidão. No registro, a mulher sorri ao abraçar parceiro com camiseta da democracia corintiana. Foto: Thaina Bezerra/Agemt
Manifestante segura cartaz escrito "eles odeiam gente como nós"
Manifestante segura cartaz com a frase 'eles odeiam gente como nós'. Registro captura o sentimento de vulnerabilidade e, ao mesmo tempo, a denúncia contra discursos de ódio. Foto: Thaina Bezerra/Agemt 
Casal de mãos dadas com bandeira LGBTQI+ sobre as costas
Casal de mulheres caminha de mãos dadas com bandeiras LGBTQI+. Visibilidade, orgulho e presença da comunidade também deu o tom da manifestação. Foto: Thaina Bezerra/Agemt
Manifestante ergue cartaz escrito "democracia vive"
Manifestante segura cartaz com a frase 'democracia vive', um dos principais apelos dos atos públicos recentes: a defesa ativa da democracia e pela permanência das liberdades civis. Foto: Thaina Bezerra/Agemt
Livro da constituição erguido ao lado de flores
Exemplar da Constituição brasileira é erguido ao lado de um ramo de flores brancas durante o ato. Foto: Thaina Bezerra/Agemt 

 

Contraste entre a natureza exuberante e a arquitetura modernista do Parque Ibirapuera
por
Mickey Achoa
Ivo de Carvalho
|
01/10/2026 - 12h

O Parque Ibirapuera é um polo cultural da Cidade de São Paulo que se manifesta de diferentes formas. Para além de suas exposições únicas, obras icônicas e expressões artísticas, o parque conta com uma série de projetos arquitetônicos desenvolvidos por Oscar Niemeyer, essencialmente inspirados na arquitetura modernista e que se mesclam com a natureza exuberante do parque em uma espécie de simbiose.

O Planetário do Parque Ibirapuera é uma construção excêntrica não foi projetada por Niemeyer , no entanto, o edifício foi concebido para se integrar perfeitamente ao conjunto arquitetônico moderno do Parque Ibirapuera e inaugurado sob a coordenação do arquiteto
Dentre as muitas estruturas  modernistas atribuídas à lenda da arquitetura no Brasil, o Planetário é, sem dúvida, a mais excêntrica, e curiosamente não foi projetada por Niemeyer. Na realidade, o projeto foi desenvolvido por Eduardo Corona, Roberto Tibau e Antonio Carlos Pitombo, no entanto, o edifício foi concebido para se integrar perfeitamente ao conjunto arquitetônico moderno do Parque Ibirapuera e inaugurado sob a coordenação de Niemeyer. A ideia era criar uma estrutura que impactasse pela estranheza e despertasse a curiosidade nas pessoas, com o objetivo de difundir o conhecimento científico astronômico no Brasil. O formato pouco ortodoxo, que lembra uma nave espacial, como se ela tivesse pousado delicadamente em meio a densa vegetação do parque, ajudou na fama e o espaço segue até hoje como um dos principais pontos turísticos da localidade. Foto: Felipe Achoa Coelho da Rocha
 O Museu Afro Brasil é mais uma enorme estrutura de concreto armado que, apesar da brutalidade e do tamanho exorbitante, se encaixa suavemente na delicada natureza do Ibirapuera
O Museu Afro Brasil é mais uma enorme estrutura de concreto armado que, apesar da brutalidade e do tamanho exorbitante, se encaixa suavemente na delicada natureza do Ibirapuera por meio de grandes painéis de vidro e vãos abertos que borram os limites entre o interior do pavilhão e o verde ao redor. Vários elementos da arquitetura moderna brasileira marcam essa proposta de união entre espaço construído e paisagem, como os painéis de vidro na parede, o aproveitamento da luz natural e a continuidade visual, permitindo ao visitante ver o entorno do parque de dentro do museu. Foto por: Felipe Achoa Coelho da Rocha
 Com cerca de 28.000m em laje de concreto,  mais de 600 m² extensão sinuosa e um solário no centro, de onde se desenvolve uma exuberante vegetação, a Marquise é um passeio coberto
A Marquise é talvez o projeto mais genial da carreira de Oscar Niemeyer. Com cerca de 28.000m em laje de concreto,  mais de 600 m² extensão sinuosa e um solário no centro, de onde se desenvolve uma exuberante vegetação, a obra tinha o intuito original de ser um passeio coberto, que serviria como ligação para os diferentes prédios culturais do Parque Ibirapuera, como a Oca, o Museu de Arte Moderna (MAM), o Museu Afro Brasil (MAB) e a Bienal, protegendo as pessoas do sol e da chuva. Foto por: Felipe Achoa Coelho da Rocha
 O que Niemeyer não projetou, mas reescreveu o intuito original do projeto foi que, com o passar dos anos, skatistas, patinadores e afins, descobriram que o chão de concreto armado e, naturalmente, a proteção da chuva, eram perfeitos para a prática dos esportes até nos dia mais chovedios.
O que Niemeyer não projetou, mas reescreveu o intuito original do projeto da Marquise foi que, com o passar dos anos, skatistas, patinadores e afins, descobriram que o chão de concreto armado e, naturalmente, a proteção da chuva, eram perfeitos para a prática dos esportes até nos dia mais chuvosos. Com isso, a Marquise ganhou uma nova forma e a manifestação cultural no local continua, mas de forma totalmente diferente, adaptada ao que o parque pedia. Foto por: Ivo de Carvalho
Oca surgiu com um propósito ligeiramente diferente. Consolidada como uma obra de arte em si, com seu projeto arquitetônico único em formato de domo, como um recanto, um lar em meio à natureza, a ideia do espaço é receber diferentes tipos de manifestações culturais em exposições temporárias.
Apesar de outras estruturas terem suas próprias individualidades, a Oca surgiu com um propósito ligeiramente diferente. Consolidada como uma obra de arte em si, com seu projeto arquitetônico único em formato de domo, como um recanto, um lar em meio à natureza, a ideia do espaço é receber diferentes tipos de manifestações culturais em exposições temporárias. Foto por: Ivo de Carvalho
 
O Museu de Arte Moderna (MAM), além de um dos principais centros de exposição na cidade de São Paulo, com um vasto acervo fixo e exibições rotativas, ainda é uma das estruturas mais complexas do Ibirapuera
O Museu de Arte Moderna (MAM), além de um dos principais centros de exposição na cidade de São Paulo, com um vasto acervo fixo e exibições rotativas, ainda é uma das estruturas mais complexas do Ibirapuera. São cerca de 900 m² de concreto armado sob a marquise do parque, com fachadas de vidro que permitem que as obras escapem e o meio ambiente do entorno invada a estrutura, que ganha vida com a mescla de arte, arquitetura e meio ambiente. Foto por: Felipe Achoa Coelho da Rocha
 
o Auditório é a estrutura mais intrigante do Parque Ibirapuera. Com seu desenho e criação sendo contemporâneos às demais estruturas do parque, a execução efetivamente só foi sair do papel 51 anos depois, devido a impasses políticos e ficou de fora da inauguração do Ibirapuera em 1954
Desenhado pelo próprio Oscar Niemeyer, o Auditório é a estrutura mais intrigante do Parque Ibirapuera. Com seu desenho e criação sendo contemporâneos às demais estruturas do parque, a execução efetivamente só foi sair do papel 51 anos depois, devido a impasses políticos e ficou de fora da inauguração do Ibirapuera em 1954. As obras só começaram em 2003, após brigas judiciais sobre o tombamento da área e, em 2005 o espaço projetado por Niemeyer foi aberto ao público. Com uma forma geométrica que se modela idealmente ao campo aberto da área, a estrutura conta com um detalhe na entrada que remete diretamente ao movimento de uma fita no vento e muda o horizonte do céu aberto em meio ao mar de prédios que o parque propicia. Foto por: Felipe Achoa Coelho da Rocha

 

Mostra permitiu visitas inéditas à residência futurista que se tornou um marco da arquitetura paulistana
por
Daniela Monteiro Martinho
|
02/06/2026 - 12h

Há décadas, quem passa pela Avenida Faria Lima, em São Paulo, dificilmente deixa de notar uma construção peculiar que desafia os padrões da arquitetura tradicional. Suspensa sobre uma estrutura de concreto e com formato esférico, a Casa Bola se tornou um dos ícones mais curiosos da paisagem paulistana. Agora, quase meio século após sua construção, o imóvel voltou aos holofotes ao receber uma exposição aberta ao público.

Encerrada no último domingo (31), a mostra ABERTO5 marcou um momento histórico para a residência projetada pelo arquiteto Eduardo Longo. Pela primeira vez desde sua construção, a Casa Bola recebeu visitantes de forma ampla, permitindo que o público conhecesse de perto um dos projetos mais experimentais da arquitetura brasileira.

 

 

Vista externa da Casa Bola revela o contraste entre a estrutura concebida por Eduardo Longo e a paisagem verticalizada da região da Faria Lima.
Vista externa revela o contraste entre a estrutura concebida por Eduardo Longo e a paisagem verticalizada da região da Faria Lima./ Foto: Daniela Martinho

 

A exposição reuniu cerca de 60 obras de arte e design de mais de 50 artistas de arte contemporânea espalhadas pelos ambientes da casa, transformando a residência em uma experiência que mesclava arte, design e arquitetura. Mas, para muitos visitantes, a grande atração era a própria construção.

 

 

O segundo pavimento da Casa Bola recebeu parte das mais de 60 obras apresentadas na exposição ABERTO5
O segundo pavimento recebeu parte das mais de 60 obras apresentadas na exposição ABERTO5. / Foto: Daniela Martinho 

Construída entre 1974 e 1979, em meio ao auge da contracultura, a Casa Bola nasceu como uma contestação aos modelos arquitetônicos predominantes da época, marcados pelo Modernismo e pelo Brutalismo. Ao idealizar uma residência esférica, experimental e de aparência leve, Eduardo Longo propôs uma nova forma de pensar a arquitetura, questionando tanto os métodos construtivos quanto a relação das pessoas com o espaço urbano.

“Quando me falaram de fazer a exposição aqui, eu pensei que fosse uma exposição que, como já teve algumas aqui, fosse demorar um mês preparando. Mas depois demorou um ano preparando e foi uma coisa muito maior do que eu esperava. Pra mim tá sendo uma maravilha, porque eu tava aí meio já esquecidão”, afirmou o arquiteto.

Formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), Longo ficou conhecido pelo caráter experimental de seus projetos. Ao longo da carreira, buscou alternativas às construções convencionais, explorando soluções mais leves e industrializáveis. A Casa Bola acabou se tornando a síntese mais conhecida dessa pesquisa.

“Eu estava procurando uma coisa ao contrário do que eu fazia, que era tudo de concreto pesado. Eu estava procurando uma coisa leve, para fazer industrialmente um módulo reproduzido em fábrica. A verdade é que nenhum volume é mais leve que a bola”, explica o arquiteto.

 

Contraste entre a estética radical da Casa Bola e a geometria rígida da arquitetura tradicional ao lado.

Contraste entre a estética radical da Casa Bola e a geometria rígida da arquitetura tradicional ao lado./ Foto Daniela Martinho 

: 

 

Integração entre arquitetura e brincadeira: a Casa Bola combina rampas, escorregadores e plataformas circulares em um espaço único
Integração entre arquitetura e brincadeira: a Casa Bola combina rampas, escorregadores e plataformas circulares em um espaço único / Foto: Daniela Martinho

 

Com aproximadamente oito metros de diâmetro, a residência foi concebida para funcionar como uma casa completa dentro de uma estrutura esférica. Distribuídos em diferentes níveis, os ambientes incluem quartos, áreas de convivência e cozinha.

 No interior, predominam as superfícies brancas e as formas curvas, criando uma atmosfera futurista e, ao mesmo tempo, orgânica. Como as paredes acompanham a geometria da esfera, diversos móveis foram desenhados especialmente para se integrar à arquitetura da casa.

 

Sala de baixo da residência-esfera, com elementos suspensos e plantas que reforçam a atmosfera experimental do projeto

Sala de baixo da residência-esfera, com elementos suspensos e plantas que reforçam a atmosfera experimental do projeto. / Foto: Daniela Martinho 

 

Sala superior marcada por curvas contínuas e mobiliário integrado que reforçam a estética futurista.

Sala superior marcada por curvas contínuas e mobiliário integrado que reforçam a estética futurista.. / Foto: Daniela Martinho

 

Banheiro compacto da Casa Bola, moldado em módulo único e totalmente branco
Banheiro compacto, moldado em módulo único e totalmente branco. / Foto: Danieela Martinho

 

 

Quarto de criança na Casa Bola, marcado pela simplicidade das formas e pela atmosfera leve e contínua

Quarto de criança, marcado pela simplicidade das formas e pela atmosfera leve e contínua. / Foto: Daniela Martinho 

Essa dualidade entre tecnologia e artesanato também orientou a curadoria da exposição. Se vista de fora, a Casa Bola lembra uma espaçonave pousada em meio à paisagem urbana paulistana. Por dentro, seus espaços remetem a uma espécie de caverna contemporânea. O próprio Eduardo Longo resume essa contradição com uma frase que se tornou uma das marcas da mostra: “meio Jetsons, meio Flintstones”, em referência aos desenhos animados norte-americanos dos estúdios Hanna-Barbera, da década de setenta, que retratavam a rotina familiar de um futuro distante e do passado no tempo dos dinossauros.

 

 

 

 

 

O evento reúne 150 expositores no Estádio do Pacaembú
por
Laura Celis Brandão
|
01/06/2026 - 12h

A literatura tomou conta da Praça Charles Miller, no Pacaembu, com a realização da 5° edição da Feira do Livro. O festival, gratuito e ao ar livre, vai até o dia 7 de junho. Os livros transformam o espaço público em um vibrante epicentro cultural, atraindo leitores de todas as idades para acompanhar uma programação que conta com mais de 250 atividades, 150 expositores e centenas de autores nacionais e internacionais. O evento reafirmou sua importância para a ocupação cultural e artística de São Paulo, e a programação pode ser conferida no site oficial da realização. 

O evento contou com artistas vendendo artes com cunho político-social. Foto: Laura Celis
O evento contou com artistas vendendo artes com cunho político-social. Foto: Laura Celis
Artes visuais com forte narrativa urbana e social também ganharam destaque na feira. Foto: Laura Celis
Artes visuais com forte narrativa urbana e social também ganharam destaque na feira. Foto: Laura Celis
O público aproveitou o domingo para ler, conversar e aproveitar o gramado em frente à fachada do Pacaembu. Foto: Laura Celis
O público aproveitou o domingo para ler, conversar e aproveitar o gramado em frente à fachada do Pacaembu. Foto: Laura Celis
Mensagens espalhadas pela logística do evento reforçam o papel transformador da leitura. Foto: Laura Celis
Mensagens espalhadas pela logística do evento reforçam o papel transformador da leitura. Foto: Laura Celis
Intervenções artísticas e referências históricas espalhadas pela Feira. Foto: Laura Celis
Intervenções artísticas e referências históricas espalhadas pela Feira. Foto: Laura Celis
Edição do jornal da revista "Quatro Cinco Um" celebrando a ocupação da Praça Charles Miller pelas "feras do livro". Foto: Laura Celis
Edição do jornal da revista "Quatro Cinco Um" celebrando a ocupação da Praça Charles Miller pelas "feras do livro". Foto: Laura Celis
Detalhe da dedicatória do livro ‘Olho D’Água’ de Marcelo Tolentino. Foto: Laura Celis
Detalhe da dedicatória do livro ‘Olho D’Água’ de Marcelo Tolentino. Foto: Laura Celis
Kombi da cervejaria Catimba, tradicional da região da Vila Anglo Brasileira, em São Paulo. Foto: Laura Celis
Kombi da cervejaria Catimba, tradicional da região da Vila Anglo Brasileira, em São Paulo. Foto: Laura Celis

Visitantes exploram estandes engajados na Feira do Livro que promovem a reflexão social, a política e a força das ideias. Foto: Laura Celis
Visitantes exploram estandes engajados na Feira do Livro que promovem a reflexão social, a política e a força das ideias. Foto: Laura Celis
Cores e literatura se misturam nas bancadas do estande da Editora Nós. Foto: Laura Celis
Cores e literatura se misturam nas bancadas do estande da Editora Nós. Foto: Laura Celis

 

Em cozinha de família libanesa, o ensaio fotográfico investiga o longo e afetivo processo que mantém tradições e identidades vivas
por
Fernanda Pradella Travaglini
|
24/06/2024 - 12h

Amassa. Amassa outro tanto, joga mais farinha, verifica a olho. Assim nasce um capeletti – libanês. A sopa "shishbarak" é típica do país e foi trazida ao Brasil por imigrantes, no século XX. Feita de coalhada de leite e capeletti recheado com carne e hortelã, seu sabor é uma mistura entre o remanescente azedo do iogurte, do frescor do hortelã e sal da carne. Apesar da combinação exótica aos paladares mais tropicais, preparar a Shishbarak é um convite a observar o tempo da transformação dos ingredientes em um alimento carregado de identidade. 

Descubra um pouca da arquitetura e história de um dos bairros mais antigos de São Paulo.
por
ANA CATARINA GROKE
|
24/06/2024 - 12h

Higienópolis, um bairro tradicional de São Paulo, nasceu no final do século 19 como um loteamento de luxo para a elite paulistana. Antes disso, suas terras já eram reconhecidas desde o século 16, inicialmente ocupadas pelos jesuítas e posteriormente pela aristocracia que construiu suas chácaras no século 18.

Com o crescimento da cidade impulsionado pelo êxodo rural e o Ciclo do Café, empresários alemães como Bouchard e Nothmann desenvolveram o Boulevard Bouchard em 1893, dividindo o bairro em Higienópolis 1 e 2 com lotes espaçosos. Ruas importantes como a Avenida Angélica, a Rua Maria Antônia e a Rua Dona Veridiana foram nomeadas em homenagem a figuras da aristocracia local.

O bairro destacou-se desde o início pela modernidade de sua infraestrutura, incluindo saneamento avançado que mitigava os riscos de epidemias e alagamentos. Atraindo a elite do café, empresários e profissionais liberais, Higienópolis testemunhou a migração devido à epidemia de febre amarela em Campinas, consolidando-se como um refúgio seguro e sofisticado. Palacetes deram lugar a edifícios residenciais, mas Higienópolis manteve seu charme e sofisticação, preservando sua história em cada esquina. Hoje, a mescla de arquitetura histórica e moderna continua a atrair residentes e visitantes, testemunhando o contínuo dinamismo e evolução deste icônico bairro paulistano.

O bairro já passou por muitos nomes, o nome atual passou por uma mudança de grafia. - Foto: Ana Catarina Groke
O bairro já passou por muitos nomes, o nome atual passou por uma mudança de grafia. - Foto: Ana Catarina Groke
Fotografia tirada um século atrás do principal cruzamento do bairro, localizado entre as avenidas Angélica e Higienópolis. - Foto: desconhecido.
Fotografia tirada um século atrás do principal cruzamento do bairro, localizado entre as avenidas Angélica e Higienópolis. - Foto: desconhecido.
O mesmo cruzamento da foto acima atualmente, mostrando a conservação da casa de esquina.- Foto: Ana Catarina Groke.
O mesmo cruzamento da foto acima atualmente, mostrando a conservação da casa de esquina.- Foto: Ana Catarina Groke.
Casarão localizado na rua Itacolomi, construído em 1923.- Foto: desconhecido.
Casarão localizado na rua Itacolomi, construído em 1923.- Foto: desconhecido.
Casarão na Rua Itacolomi atualmente passa por uma renovação com a promessa de virar um ponto comercial. - Foto: Ana Catarina Groke.
Casarão na Rua Itacolomi atualmente passa por uma renovação com a promessa de virar um ponto comercial. - Foto: Ana Catarina Groke.
Crianças brincando na fonte do Parque Buenos Aires, um dos principais locais do bairro em seu começo. - Foto: desconhecido.
Crianças brincando na fonte do Parque Buenos Aires, um dos principais locais do bairro em seu começo. - Foto: desconhecido 
Após alguns anos fechada, a fonte passou por 4 reformas e hoje funciona normalmente. - Foto: Ana Catarina Groke.
Após alguns anos fechada, a fonte passou por 4 reformas e hoje funciona normalmente. - Foto: Ana Catarina Groke.
O prédio que hoje abriga a Consagração das Irmãs de Santa Zita, localizado na av. Higienópolis, já teve várias funções. O edifício já foi sede da Pontificia Universidade Católica de São Paulo. - Foto: Ana Catarina Groke
O prédio que hoje abriga a Consagração das Irmãs de Santa Zita, localizado na av. Higienópolis, já teve várias funções. O edifício já foi sede da Pontificia Universidade Católica de São Paulo. - Foto: Ana Catarina Groke 

 

Histórias e desafios dos feirantes da CEAGESP: Conheça os rostos por trás das bancas
por
Daniela Martinho
Carolina Almeida
|
24/06/2024 - 12h

 No coração do CEAGESP, onde barracas movimentadas se misturam a barracas coloridas, encontramos os verdadeiros heróis do espetáculo: os donos das barracas. Esses trabalhadores incansáveis ​​são responsáveis ​​por levar frutas, vegetais e outros produtos frescos à nossa mesa todos os dias.

 A rotina diária dessa galera começa muito antes do nascer do sol. Enquanto a maioria de nós ainda dorme, eles já selecionaram os melhores produtos, organizaram suas barracas e se preparam para receber os clientes. O trabalho é árduo e exige muita dedicação. Cada barraca tem sua própria história. Alguns dos feirantes são da terceira geração que trabalha na CEAGESP. As negociações baseiam-se na confiança mútua e envolvem frequentemente a troca de receitas e dicas de culinária.

 Esses trabalhadores enfrentam desafios diários. O clima, por exemplo, pode ser implacável. Chuva, sol forte ou ventos fortes não impedem que eles estejam lá, cuidando de suas bancas. Além disso, a concorrência é acirrada. Cada centavo conta, e eles precisam encontrar formas criativas de atrair os clientes. Apesar de todas as dificuldades, eles  têm orgulho do que fazem. Eles sabem que estão fornecendo alimentos frescos e saudáveis para as famílias da região. 

Então, da próxima vez que você visitar a CEAGESP, lembre-se de olhar além das frutas e legumes. Conheça os rostos por trás das bancas e agradeça aos feirantes por seu trabalho incansável.

 

Entrevistas: 

Há mais de três décadas, Bras de 53 anos nascido em Minas Gerais, trabalha incansavelmente como feirante no CEAGESP, o maior entreposto de alimentos da América Latina. Nessa entrevista, ele compartilhou sua experiência e visão sobre essa profissão vital para a cidade de São Paulo.

0. Há quanto tempo você trabalha nessa área? Resposta: Há 32 anos

1. Como você descreveria a sua rotina diária de trabalho no CEAGESP? Resposta:  Minha rotina é baseada em uma combinação de interação com o público e negociações. Eu adoro o contato direto com os clientes e a oportunidade de vender produtos frescos.

2. Quais desafios você enfrenta como feirante no mercado? Resposta: A concorrência é um desafio constante. Eu e meus colegas precisamos encontrar maneiras criativas de atrair clientes e manter preços acessíveis. Afinal, o CEAGESP é um caldeirão de opções, e os feirantes precisam se destacar.

3. Qual é a sua relação com os clientes e como você lida com as negociações? Resposta: Muito boa! Os clientes são muito bons, as vendas tem uns chatos, mas nem Jesus agradou todo mundo. A gente precisa do cliente então faz parte da nossa profissão. 

5. Como você vê a importância do CEAGESP para a comunidade local e para a cidade de São Paulo? Resposta:  É um centro vital para a cidade. Ele destaca a variedade de produtos disponíveis e a importância de atender à classe média e à população que depende dessas feiras.

 

Com apenas 16 anos, Carol já tem um ano de experiência como feirante no CEAGESP. Apesar de não ser sua paixão, ela encara o trabalho como uma forma de ajudar sua família.

0. Há quanto tempo você trabalha nessa área? Resposta: Há um ano mais ou menos. Minha motivação é clara: apoiar sua família, mesmo que o trabalho não seja sua primeira escolha.

1. Como você descreveria a sua rotina diária de trabalho no CEAGESP? Resposta: Eu  acordo cedo, ajudo a preparar os produtos e montar a barraca. 

2. Quais desafios você enfrenta como feirante no mercado? Resposta:  Acho que a concorrência. 

3. Qual é a sua relação com os clientes e como você lida com as negociações? Resposta: Eu  tenho uma abordagem tranquila ao lidar com os clientes. Sei que, às vezes, pode ser desafiador, mas mantém a paciência e o profissionalismo.

4. De onde você é e como è seu trajeto até a CEAGESP? Resposta: Eu moro na zona leste, eu venho  junto com a minha família aos fins de semana. 

 

 

 

Conheça uma das pessoas por trás do maior mercado de flores da América Latina
por
Helena Maluf
|
24/06/2024 - 12h

Conheça o ceagesp, um dos maiores centros de distribuição de alimentos da América Latina, abastecendo São Paulo e além! Com mais de 700 mil metros quadrados, este mercado movimenta incríveis 250 mil toneladas de produtos frescos todos os meses. Neste vídeo, vamos conhecer a história de Maria, uma dedicada trabalhadora que faz parte desta incrível jornada há 15 anos, trazendo flores e plantas frescas para nossas casas, trabalhos e cidade.

Fundado em 1960, o bar leva o nome de berinjela por conta de um apelido
por
Gabriel Borelli
Pedro Premero
|
24/06/2024 - 12h

Localizado na Vila Regente Feijó, zona leste de São Paulo, está o Bar do Berinjela, que fará 60 anos em 2024. O bar é muito tradicional na região, recebendo muitas críticas positivas de revistas e jornais como a Folha de São Paulo. O estabelecimento também já foi campeão do Comida di Buteco, em 2013. O campeonato surgiu em 2000 com "o objetivo de resgatar os butecos autênticos, aqueles que todo mundo tem no coração", como diz no site da competição.

 

Na foto, o famoso bolinho de berinjela, prato que fez o bar ser campeão
Na foto, o famoso bolinho de berinjela, prato que fez o bar ser campeão - Foto: Pedro Premero

 

Conheça a história do Bar do Berinjela no vídeo abaixo: