Mostra permitiu visitas inéditas à residência futurista que se tornou um marco da arquitetura paulistana
por
Daniela Monteiro Martinho
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02/06/2026 - 12h

Há décadas, quem passa pela Avenida Faria Lima, em São Paulo, dificilmente deixa de notar uma construção peculiar que desafia os padrões da arquitetura tradicional. Suspensa sobre uma estrutura de concreto e com formato esférico, a Casa Bola se tornou um dos ícones mais curiosos da paisagem paulistana. Agora, quase meio século após sua construção, o imóvel voltou aos holofotes ao receber uma exposição aberta ao público.

Encerrada no último domingo (31), a mostra ABERTO5 marcou um momento histórico para a residência projetada pelo arquiteto Eduardo Longo. Pela primeira vez desde sua construção, a Casa Bola recebeu visitantes de forma ampla, permitindo que o público conhecesse de perto um dos projetos mais experimentais da arquitetura brasileira.

 

 

Vista externa da Casa Bola revela o contraste entre a estrutura concebida por Eduardo Longo e a paisagem verticalizada da região da Faria Lima.
Vista externa revela o contraste entre a estrutura concebida por Eduardo Longo e a paisagem verticalizada da região da Faria Lima./ Foto: Daniela Martinho

 

A exposição reuniu cerca de 60 obras de arte e design de mais de 50 artistas de arte contemporânea espalhadas pelos ambientes da casa, transformando a residência em uma experiência que mesclava arte, design e arquitetura. Mas, para muitos visitantes, a grande atração era a própria construção.

 

 

O segundo pavimento da Casa Bola recebeu parte das mais de 60 obras apresentadas na exposição ABERTO5
O segundo pavimento recebeu parte das mais de 60 obras apresentadas na exposição ABERTO5. / Foto: Daniela Martinho 

Construída entre 1974 e 1979, em meio ao auge da contracultura, a Casa Bola nasceu como uma contestação aos modelos arquitetônicos predominantes da época, marcados pelo Modernismo e pelo Brutalismo. Ao idealizar uma residência esférica, experimental e de aparência leve, Eduardo Longo propôs uma nova forma de pensar a arquitetura, questionando tanto os métodos construtivos quanto a relação das pessoas com o espaço urbano.

“Quando me falaram de fazer a exposição aqui, eu pensei que fosse uma exposição que, como já teve algumas aqui, fosse demorar um mês preparando. Mas depois demorou um ano preparando e foi uma coisa muito maior do que eu esperava. Pra mim tá sendo uma maravilha, porque eu tava aí meio já esquecidão”, afirmou o arquiteto.

Formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), Longo ficou conhecido pelo caráter experimental de seus projetos. Ao longo da carreira, buscou alternativas às construções convencionais, explorando soluções mais leves e industrializáveis. A Casa Bola acabou se tornando a síntese mais conhecida dessa pesquisa.

“Eu estava procurando uma coisa ao contrário do que eu fazia, que era tudo de concreto pesado. Eu estava procurando uma coisa leve, para fazer industrialmente um módulo reproduzido em fábrica. A verdade é que nenhum volume é mais leve que a bola”, explica o arquiteto.

 

Contraste entre a estética radical da Casa Bola e a geometria rígida da arquitetura tradicional ao lado.

Contraste entre a estética radical da Casa Bola e a geometria rígida da arquitetura tradicional ao lado./ Foto Daniela Martinho 

 

Integração entre arquitetura e brincadeira: a Casa Bola combina rampas, escorregadores e plataformas circulares em um espaço único
Integração entre arquitetura e brincadeira: a Casa Bola combina rampas, escorregadores e plataformas circulares em um espaço único / Foto: Daniela Martinho

 

Com aproximadamente oito metros de diâmetro, a residência foi concebida para funcionar como uma casa completa dentro de uma estrutura esférica. Distribuídos em diferentes níveis, os ambientes incluem quartos, áreas de convivência e cozinha.

 No interior, predominam as superfícies brancas e as formas curvas, criando uma atmosfera futurista e, ao mesmo tempo, orgânica. Como as paredes acompanham a geometria da esfera, diversos móveis foram desenhados especialmente para se integrar à arquitetura da casa.

 

Sala de baixo da residência-esfera, com elementos suspensos e plantas que reforçam a atmosfera experimental do projeto

Sala de baixo da residência-esfera, com elementos suspensos e plantas que reforçam a atmosfera experimental do projeto. / Foto: Daniela Martinho 

 

Sala superior marcada por curvas contínuas e mobiliário integrado que reforçam a estética futurista.

Sala superior marcada por curvas contínuas e mobiliário integrado que reforçam a estética futurista.. / Foto: Daniela Martinho

 

Banheiro compacto da Casa Bola, moldado em módulo único e totalmente branco
Banheiro compacto, moldado em módulo único e totalmente branco. / Foto: Danieela Martinho

 

 

Quarto de criança na Casa Bola, marcado pela simplicidade das formas e pela atmosfera leve e contínua

Quarto de criança, marcado pela simplicidade das formas e pela atmosfera leve e contínua. / Foto: Daniela Martinho 

Essa dualidade entre tecnologia e artesanato também orientou a curadoria da exposição. Se vista de fora, a Casa Bola lembra uma espaçonave pousada em meio à paisagem urbana paulistana. Por dentro, seus espaços remetem a uma espécie de caverna contemporânea. O próprio Eduardo Longo resume essa contradição com uma frase que se tornou uma das marcas da mostra: “meio Jetsons, meio Flintstones”, em referência aos desenhos animados norte-americanos dos estúdios Hanna-Barbera, da década de setenta, que retratavam a rotina familiar de um futuro distante e do passado no tempo dos dinossauros.

 

 

 

 

 

O evento reúne 150 expositores no Estádio do Pacaembú
por
Laura Celis Brandão
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01/06/2026 - 12h

A literatura tomou conta da Praça Charles Miller, no Pacaembu, com a realização da 5° edição da Feira do Livro. O festival, gratuito e ao ar livre, vai até o dia 7 de junho. Os livros transformam o espaço público em um vibrante epicentro cultural, atraindo leitores de todas as idades para acompanhar uma programação que conta com mais de 250 atividades, 150 expositores e centenas de autores nacionais e internacionais. O evento reafirmou sua importância para a ocupação cultural e artística de São Paulo, e a programação pode ser conferida no site oficial da realização. 

O evento contou com artistas vendendo artes com cunho político-social. Foto: Laura Celis
O evento contou com artistas vendendo artes com cunho político-social. Foto: Laura Celis
Artes visuais com forte narrativa urbana e social também ganharam destaque na feira. Foto: Laura Celis
Artes visuais com forte narrativa urbana e social também ganharam destaque na feira. Foto: Laura Celis
O público aproveitou o domingo para ler, conversar e aproveitar o gramado em frente à fachada do Pacaembu. Foto: Laura Celis
O público aproveitou o domingo para ler, conversar e aproveitar o gramado em frente à fachada do Pacaembu. Foto: Laura Celis
Mensagens espalhadas pela logística do evento reforçam o papel transformador da leitura. Foto: Laura Celis
Mensagens espalhadas pela logística do evento reforçam o papel transformador da leitura. Foto: Laura Celis
Intervenções artísticas e referências históricas espalhadas pela Feira. Foto: Laura Celis
Intervenções artísticas e referências históricas espalhadas pela Feira. Foto: Laura Celis
Edição do jornal da revista "Quatro Cinco Um" celebrando a ocupação da Praça Charles Miller pelas "feras do livro". Foto: Laura Celis
Edição do jornal da revista "Quatro Cinco Um" celebrando a ocupação da Praça Charles Miller pelas "feras do livro". Foto: Laura Celis
Detalhe da dedicatória do livro ‘Olho D’Água’ de Marcelo Tolentino. Foto: Laura Celis
Detalhe da dedicatória do livro ‘Olho D’Água’ de Marcelo Tolentino. Foto: Laura Celis
Kombi da cervejaria Catimba, tradicional da região da Vila Anglo Brasileira, em São Paulo. Foto: Laura Celis
Kombi da cervejaria Catimba, tradicional da região da Vila Anglo Brasileira, em São Paulo. Foto: Laura Celis

Visitantes exploram estandes engajados na Feira do Livro que promovem a reflexão social, a política e a força das ideias. Foto: Laura Celis
Visitantes exploram estandes engajados na Feira do Livro que promovem a reflexão social, a política e a força das ideias. Foto: Laura Celis
Cores e literatura se misturam nas bancadas do estande da Editora Nós. Foto: Laura Celis
Cores e literatura se misturam nas bancadas do estande da Editora Nós. Foto: Laura Celis

 

Projeto de extensão universitária no Senac Santo Amaro reúne estudos e apresentações sobre povos originários
por
Laura Celis Brandão
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01/06/2026 - 12h

 

O campus do Senac Santo Amaro virou um palco de celebração, reflexão e resgate histórico. No último mês de maio, estudantes, professores e visitantes se reuniram para uma imersão profunda na cultura dos povos originários, com um olhar especial voltado para a trajetória de resistência do povo Fulni-ô. O evento, que faz parte das ações de extensão universitária da instituição, uniu debates acadêmicos a apresentações para o público presente.

Mais do que um estudo teórico, o encontro buscou quebrar estereótipos coloniais e aproximar a comunidade urbana de São Paulo da realidade dos indígenas que habitam o agreste de Pernambuco, no município de Águas Belas.

Retrato de Tyase ao lado de manequim pintado em 2025, exposto no Senac Santo Amaro. Foto: Laura Celis
Retrato de Tyase ao lado de manequim pintado em 2025, exposto no Senac Santo Amaro. Foto: Laura Celis/ AGEMT
Pintura corporal realizada no Keno, um dos nativos do povo Fulni-ô. Foto: Laura Celis
Pintura corporal realizada no Keno, um dos nativos do povo Fulni-ô. Foto: Laura Celis/ AGEMT
Colar de miçanga artesanal feito pelo povo Fulni-ô. Foto: Laura Celis
Colar de miçanga artesanal feito pelo povo Fulni-ô. Foto: Laura Celis/ AGEMT
Lambe-lambes feitos pelos alunos do Senac sobre o povo Fulni-ô. Foto: Laura Celis
Lambe-lambes feitos pelos alunos do Senac sobre o povo Fulni-ô. Foto: Laura Celis/ AGEMT
Artesanato feito pelo povo Fulni-ô. Foto: Laura Celis
Artesanato feito pelo povo Fulni-ô. Foto: Laura Celis/ AGEMT
Retrato de Tyase pintado durante o evento realizado no Senac Santo Amaro. Foto: Laura Celis
Retrato de Tyase pintado durante o evento realizado no Senac Santo Amaro. Foto: Laura Celis/ AGEMT
Artesanato feito pelo povo Fulni-ô. Foto: Laura Celis
Artesanato feito pelo povo Fulni-ô. Foto: Laura Celis/ AGEMT
Tyase, um dos líderes do povo Fulni-ô. Foto: Laura Celis
Tyase, um dos líderes do povo Fulni-ô. Foto: Laura Celis/ AGEMT

O evento resgatou a memória das escolas de samba e celebrou a resistência cultural
por
Laura Celis Brandão
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01/06/2026 - 12h

O samba e sua história ocuparam a boemia da Barra Funda na tarde deste domingo (31) com a realização do encontro "Quesito Saideira", no Consenso Bar. Conduzido pelo pesquisador Matheus Godoy e por Renan Ribeiro, o evento promoveu uma "pedagogia de botequim", resgatando as memórias, os territórios e as transformações do Carnaval de São Paulo — desde as origens nos batuques do interior e o protagonismo negro até os desfiles contemporâneos. O debate celebrou o samba como uma prática viva de resistência e ocupação cultural da cidade e contou com a presença de Edleia dos Santos e Mestre Gabi. 

Cardápio e detalhes da arquitetura do Consenso Bar, na Barra Funda. Foto: Laura Celis
Cardápio e detalhes da arquitetura do Consenso Bar, na Barra Funda. Foto: Laura Celis/AGEMT

 

Livros, lanterna e equipamentos de som compõem a atmosfera do evento. Foto: Laura Celis
Livros, lanterna e equipamentos de som compõem a atmosfera do evento. Foto: Laura Celis/AGEMT
Visão geral do espaço rústico e acolhedor do Consenso Bar para o debate cultural na tarde deste domingo. Foto: Laura Celis
Visão geral do espaço rústico e acolhedor do Consenso Bar para o debate cultural na tarde deste domingo. Foto: Laura Celis/AGEMT
A mensagem nas paredes do local reafirma o orgulho do bairro: "Barra Funda, Berço do Samba de SP!". Foto: Laura Celis

A mensagem nas paredes do local reafirma o orgulho do bairro: "Barra Funda, Berço do Samba de SP!". Foto: Laura Celis/AGEMT
Renan Ribeiro, Edleia dos Santos e Matheus Godoy conduzindo a mesa sobre o protagonismo negro no Carnaval de SP. Foto: Laura Celis

Renan Ribeiro, Edleia dos Santos e Matheus Godoy conduzindo a mesa sobre o protagonismo negro no Carnaval de SP. Foto: Laura Celis/AGEMT
Estandarte da tradicional Nenê da Vila Matilde (Carnaval 2005) decorando a mesa do debate e ilustrando a fala de Edleia dos Santos. Foto: Laura Celis
Estandarte da tradicional Nenê da Vila Matilde (Carnaval 2005) decorando a mesa do debate e ilustrando a fala de Edleia dos Santos. Foto: Laura Celis
O estandarte personalizado do evento "Quesito Saideira" e a bandeira do estado de São Paulo, que decoram o cenário. Foto: Laura Celis
O estandarte personalizado do evento "Quesito Saideira" e a bandeira do estado de São Paulo, que decoram o cenário. Foto: Laura Celis/AGEMT
Detalhe do bar com objetos antigos e bebidas, cenário boêmio para a proposta de "pedagogia de botequim" do encontro. Foto: Laura Celis
Detalhe do bar com objetos antigos e bebidas, cenário boêmio para a proposta de "pedagogia de botequim" do encontro. Foto: Laura Celis/AGEMT
Público atento no Consenso Bar durante o resgate das memórias e territórios do samba paulistano. Foto: Laura Celis
Público atento no Consenso Bar durante o resgate das memórias e territórios do samba paulistano. Foto: Laura Celis/AGEMT

No Dia da Independência do Brasil, manifestantes de extrema-direita saúdam, na Av. Paulista, em SP. os Estados Unidos e Israel
por
Thaís de Matos
Rafael Pessoa
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12/09/2025 - 12h

Permeada por ofensas ao STF, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo constante apelo por anistia aos réus do 8 de janeiro, o ato bolsonarista do dia 7 de setembro, na Avenida Paulista, em São Paulo, reuniu cerca de 42 mil pessoas. A estimativa é do Monitor do debate político do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a ONG More in Common.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o pastor Silas Malafaia e a esposa do ex-presidente e ex-primeira dama, Michelle Bolsonaro, discursaram exaltando Bolsonaro e seus filhos. Embora o público – composto majoritariamente por idosos e famílias com crianças pequenas – se defina como “patriota”, bandeiras dos Estados Unidos e de Israel eram vendidas massivamente e envolviam os corpos dos manifestantes, para além dos tradicionais estandartes nacionais.

Uma mulher no Metrô Trianon Masp com uma camisa da seleção brasileira com uma bandeira dos Estados Unidos por cima / Foto: Rafael Pessoa
Mulher vestida de verde e amarelo se cobre com a bandeira dos Estados Unidos / Foto: Rafael Pessoa
Vendedores mostrando seus bonés onde se vê um do “MAGA” e diversos bonés com aparência militar / Foto: Rafael Pessoa
Lojinha Bolsonarista vendia de bonés militares a importados / Foto: Rafael Pessoa
Uma criança em meio a manifestação que segurava e balançava sua bandeira em cima de seu pai / Foto: Rafael Pessoa
Criança observava e repetia o que dizia a multidão, na Av. Paulista / Foto: Rafael Pessoa
Manifestantes vestindo suas bandeiras e mais a frente um pai segurando sua filha / Foto: Rafael Pessoa
Mulher usa imagem de Bolsonaro no centro de uma bandeira verde e amarela; mais a frente, pai e filha participam do protesto / Foto: Rafael Pessoa
Manifestantes tentando passar para o outro lado da faixa contra o ministro Alexandre de Moraes que tem seus olhos vermelhos / Foto: Rafael Pessoa
Alexandre de Moraes aparece em bandeira como figura "demoníaca"; gritos de 'Fora Lula e Moraes' eram constantes / Foto: Rafael Pessoa
Uma manifestante que junto a família gritava e empunhava sua faixa em meio aos discursos / Foto: Rafael Pessoa
Mulher faz coro com manifestantes que pedem "Fora Moraes!" / Foto: Rafael Pessoa
Um menino em cima de seu pai que gritava com a camisa do neymar e o boné da campanha do presidente Donald Trump / Foto: Rafael Pessoa
Nos ombros do pai, criança participa da manifestação com camiseta do Neymar e boné dos Estados Unidos / Foto: Rafael Pessoa
Manifestante que tinha o rosto pintado com as bandeiras de Israel, Estados Unidos e Brasil com uma bandeira do brasil em seu ombro e “Anistia Já” escrito em seu peito / Foto: Rafael Pessoa
Com “Anistia Já” escrito em seu peito, homem com bandeiras do EUA e de Israel pintadas no rosto pedia ajuda de Trump / Foto: Rafael Pessoa
Ambulante vendendo faixas de “Anistia Já!” na frente da estação Trianon Masp / Foto: Thaís de Matos
Protesto contou com diversos vendedores ambulantes, que vendiam todos os tipos de adereços com as cores da bandeira/ Foto: Thaís de Matos
Perfil de uma senhora patriota / Foto: Thaís de Matos
Manifestantes eram criativos nos adereços, sempre caprichando no verde e amarelo / Foto: Thaís de Matos
À moda do “Make America Great Again” (MAGA), é levantado o “Make Brasil Great Again” / Foto: Thaís de Matos
“Make Brasil Great Again” parafraseia “Make America Great Again” (MAGA), lema de Trump / Foto: Thaís de Matos
Estátua não identificada pedindo Anistia / Foto: Thaís de Matos
Com fantasia de estátua não-identificada, homem virou atração. Manifestantes paravam para tirar fotos com ele / Foto: Thaís de Matos
O pai de família / Foto: Thaís de Matos
Protesto contou majoritariamente com pessoas da terceira idade e famílias com crianças pequenas / Foto: Thaís de Matos
O patriota do MAGA / Foto: Thaís de Matos
Entre os "patriotas", lema "MAGA" foi usado com frequência / Foto: Thaís de Matos
A bandeira que jamais será vermelha / Foto: Thaís de Matos
Manifestante posa para foto com a bandeira do Brasil no meio do protesto / Foto: Thaís de Matos
Mais um dos protestos de “Fora Moraes” / Foto: Thaís de Matos
No vão do Masp, multidão entoa “Fora Moraes” / Foto: Thaís de Matos
Patriota dos óculos “thug life” / Foto: Thaís de Matos
Óculos pixelados "thug life" foram associados a Bolsonaro no começo de seu mandato, em 2018, por conta de memes nas redes sociais / Foto: Thaís de Matos
Tarcísio sendo assistido enquanto discursa no palanque da Paulista / Foto: Thaís de Matos
Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas foi o primeiro a discursar a favor de anistia no palanque / Foto: Thaís de Matos
De boné branco, Michelle Bolsonaro, de boné verde, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e centralizado de azul / Foto: Thaís de Matos
Após Tarcísio, o pastor Silas Malafaia foi o segundo a discursar no palanque da Av. Paulista / Foto: Thaís de Matos
Ao fundo na esquerda, Malafaia, e no centro, Michelle Bolsonaro discursando no palanque / Foto: Thaís de Matos
Ex-primeira dama Michelle Bolsonaro foi a última a discursar no palanque / Foto: Thaís de Matos
Na lateral esquerda, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e no centro para a direita, Michelle e Malafaia orando no palanque / Foto: Thaís de Matos
Na lateral esquerda, o presidente do PL Valdemar Costa Neto e do centro para a direita, Michelle e Malafaia oram após discurso / Foto: Thaís de Matos

 

Novos dados do IBGE revelam como o êxodo rural transforma as paisagens do Brasil
por
Catharina Morais
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21/11/2024 - 12h

A manhã no Sítio São João - também conhecido como “a roça”-, em Muzambinho, Sul de Minas Gerais, começou lenta. O céu carregava nuvens espessas, como um teto cinza sobre a paisagem. A chuva fina deixava pequenas trilhas na terra vermelha, enquanto o aroma das folhas de café se misturava com o perfume de terra molhada. O mundo parecia suspenso num silêncio, quebrado apenas pelo sopro do vento e o canto tímido dos pássaros.

 

Sítio São João- por Catharina Morais
      Paisagem de Muzambinho, inteiror do Sul de Minas Gerais - por Catharina Morais


No horizonte, o verde dos cafeeiros se estendia como um tapete irregular. Urubus, com suas asas abertas, ficavam como vigilantes sobre aquele espaço amplo e quase intocado. Ali, a vida segue em um ritmo que parece imutável, mas, na realidade, carrega as marcas de profundas transformações. Dados recentes do Censo Demográfico do IBGE escancaram uma realidade em que o Brasil se afasta das zonas rurais, cada vez mais engolido pelas grandes cidades.
 

Sítio São João- por Catharina Morais
                     Urubus pousados na cerca do Sítio - por Catharina Morais

 

Divulgado em novembro de 2024, o Censo Demográfico 2022 aponta que, do total de 203,1 milhões de brasileiros, 177,5 milhões (87,4%) vivem em áreas urbanas, enquanto 25,6 milhões (12,6%) permanecem em áreas rurais. A nova metodologia do IBGE, que classifica as áreas de acordo com sua morfologia e funcionalidade, expõe um êxodo silencioso que esvazia espaços como o Sítio São João.  

 

Sítio São João- por Catharina Morais
      Vista do interior do cafezal no Sítio São João - por Catharina Morais 

 

Mas, ali, o tempo parece ter sua própria lógica, um compasso que desafia as pressões urbanas. O pé de café, despido após a colheita, parecia revigorado pela água que escorria lenta pelas folhas. Na simplicidade daquele lugar, o Brasil profundo ainda respirava, resistindo ao avanço do tempo. Cada cheiro, cada som, cada sombra projetada na terra carregava memórias de um passado que se recusa a desaparecer.  

 

 

Sítio São João- por Catharina Morais
             Plantação de café do Sítio São João - por Catharina Morais

Naquela região, a "mineirice" se revela em cada gesto, em cada palavra arrastada, no cuidado com a terra e nas memórias que ela preserva. A simplicidade do lugar ganha força na conexão íntima com a natureza. Ali, não se vê o vazio de um latifúndio sem alma, mas uma roça onde há harmonia de um espaço onde o trabalhador, dono da terra, é parte de sua essência.  
Mas o que é viver numa roça? No caso do Sítio São João, é a história de Carlinho Tuka e sua esposa, Terezinha, que respiram essa realidade desde que nasceram. Ela, natural de Monte Belo, cidade vizinha, nasceu na fazenda e cresceu trabalhando para a terra e cuidando da vida que ali florescia. Hoje, cultiva sua horta e cuida dos animais com carinho, como aprendeu desde a infância. Eles vivem com uma autonomia que mais de 170 milhões de brasileiros sequer imaginam.

 

Sítio São João- por Catharina Morais
Casa Principal do Sítio São João - por Catharina Morais


Enquanto muitos , moradores da “cidade grande”, temem as transformações do tempo e as exigências de um mundo moderno, ali, o silêncio esconde um outro tipo de vida. A conexão com a natureza e a noção do tempo, ditado pelo sol de cada dia, revelam uma existência que transcende o capitalismo voraz que domina as cidades e devastam os solos do Brasil.
Este agro não é Pop. Ele é Minas, é orgânico. Carlinho, com a pele marcada pelo sol e pelo trabalho árduo que faz desde os 13 anos, caminha entre os cafezais, mostrando suas conquistas. Plantas com 30, 40, até 50 anos de idade. Tradição que é herança de seu pai João, que antes vendia leite, mas se dedicou à colheita de café, transmitindo a cultura ao filho. 
 

Sítio São João- por Catharina Morais
    Paisagem e uma das casas do Sítio São João - por Catharina Morais

 

Hoje, com mais de 60 anos, Carlinho sente o peso do cansaço, mas seu amor pela roça permanece inabalável. A música 'Canção do Sal', de Milton Nascimento, preenche o ambiente de forma metafórica, marcando o ritmo de um trabalho que combina esforço físico e uma profunda entrega emocional: 'Trabalho o dia inteiro, pra vida de gente leve; Trabalhando o sal, é o amor, o suor que me sai'.
No Sítio São João, há silêncio, há céu preenchido por vida, há cheiro de mato e terra vermelha, há um mar verde que se estende à vista. A vida na roça segue como uma coreografia silenciosa: bois pedindo carinho enquanto ruminam sob o açude. Cada árvore de café, cada passo sobre a terra batida, carrega histórias que teimam em não ser esquecidas.

 

Sítio São João- por Catharina Morais
               Animais no pasto do Sítio São João - por Catharina Morais

 

O Brasil urbano cresce em números, mas o Brasil rural, com suas chuvas, seus silêncios e seus personagens, continua vivo. Mesmo em meio à industrialização e à degradação do agro, o Sítio São João mantém sua resistência silenciosa. Ele é um microuniverso mineiro, onde a simplicidade das paisagens e a profundidade dos silêncios escondem uma complexidade que o tempo não pode apagar. Afinal, enquanto houver chuva que cai, haverá vida. E enquanto houver vida, o Sítio São João continuará a ser o lar das histórias que persistem na memória da roça.

 

 

Sítio São João- por Catharina Morais
                Animais no pasto do Sítio São João - por Catharina Morais


 

Espaço onde cada disco conta uma história e a música ganha nova vida
por
Catharina Morais
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12/11/2024 - 12h

Todo mês, o mesmo ritual se repete. E desta vez, em novembro, o dia nasceu com um tom indefinido, entre o azul e o cinza, parecendo refletir o ritmo intenso de São Paulo. Logo ao sair da Estação Anhangabaú, atravessando o caos das ruas do centro, entre Sete de Abril e a Barão de Itapetininga, encontra-se o refúgio secreto da cidade — a Galeria Nova Barão. Para quem passa rápido, desatento, talvez o lugar pareça apenas mais uma galeria comercial. Mas para quem sabe onde olhar, ali, nas sombras dos corredores ao ar livre, se encontra um verdadeiro templo para os apaixonados por vinil. 

 


  

Loja Baú dos Discos - por Catharina Morais
                            Loja Baú dos Discos - por Catharina Morais

 


Sua história começa no ano de 1964, idealizado como um espaço voltado à venda de pedras preciosas e serviços de cabeleireiro. Mas, nos anos 1990, a galeria passou por uma metamorfose silenciosa. As vitrines, antes dedicadas a penteados, começaram a exibir pilhas de discos de vinil, trazendo com elas um novo tipo de visitante — não mais ávidos consumidores de mercadorias capilares e exoticamente, de pedras, mas curiosos em busca de experiências que o digital jamais conseguiria imitar. 


  

Loja Baú dos Discos - por Catharina Morais
                       Loja Baú dos Discos - por Catharina Morais

 


Hoje, os mais de 20 estabelecimentos da galeria abrigam um acervo vasto e eclético, do jazz ao rock, passando por raridades que podem valer verdadeiras fortunas. E embora haja um canto reservado para lançamentos mais recentes, o verdadeiro espírito do lugar permanece fiel ao passado. Como um santuário, onde os LPs, fitas e CDs são contemplados verdadeiras raridades. Entre as lojas que compõem esse pequeno universo, a Sonzera Records é uma joia. Sob as luzes azul neon, Luciano Sorrentino, o dono, percorre feiras e eventos em busca de preciosidades de MPB, jazz, soul, metal e rock. Em 2018, trouxe a loja para a galeria, criando um refúgio onde os fãs podem garimpar discos, singles, cassetes e CDs selecionados a dedo.


  

Loja Sonzera Records - por Catharina Morais
                    Loja Sonzera Records - por Catharina Morais


Ali, à direita da escada rolante, destaca-se a Locomotiva Discos. Toda em tons de vermelho vibrante, ela traz um ar moderno, com um catálogo cheio de raridades que chegam a ultrapassar os R$3 mil, mantendo vivo o espírito de troca e a paixão pela música. Cada uma das 23 lojas da galeria possui seu próprio charme, peculiaridades, oferecendo desde discos raros até clássicos eternos, mas todas com um mesmo propósito: preservar a essência do vinil e conectar gerações através da música.


  

Loja Baú dos Discos - por Catharina Morais
                              Loja Baú dos Discos - por Catharina Morais


Como um arqueólogo sonoro, você percorre os vinis que já passaram por tantas mãos, cada um carregando uma melodia que desafia o tempo. Caminhando pelas curvas da galeria, é possível sentir que cada canto guarda algo a mais: uma memória, um eco de uma época que nunca se apagou completamente.


  

Loja Baú dos Discos - por Catharina Morais
                      Loja Baú dos Discos - por Catharina Morais


A Galeria Nova Barão pulsa musicalidade. Depois de uma visita, é difícil não sair com uma vitrola, um disco, ou com a vontade de começar uma coleção. Assim nasce um  próprio ritual mensal. Em um mundo cada vez mais digital, a galeria resiste como um espaço onde o vinil não é apenas um disco à venda, mas um pedaço de história cultural. Um local que, através das gerações, mantém  viva a chama da música, sendo um verdadeiro refúgio dos vinis e impossível de se apagar.

Símbolo brasileiro, a Aldeia, hoje, faz parte do roteiro de visitas na cidade de Carapicuíba
por
Maria Clara Magalhães
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02/07/2024 - 12h

Ponto turístico do município de Carapicuíba, na região metropolitana de São Paulo, a Aldeia foi construída pelo Padre José de Anchieta, ao lado de mais doze aldeias, na intenção de catequizar e proteger os índios da escravidão. Construída em 1580, é a única unidade ainda preservada, já que é de difícil acesso.

Hoje, a Aldeia de Carapicuíba é parte do patrimônio nacional e roteiro de visitas da cidade. Os moradores da região ainda costumam frequentar os comércios, as feiras e o tempo livre que o ambiente oferece. O local é símbolo de uma memória que resgata na história do Brasil a dizimação indígena, marcada pela conquista dos brancos.
 

Fechadura
Fechadura da porta das casas construídas na Aldeia de Carapicuíba. Foto: Maria Clara Magalhães
Homem em frente a placa "nossa história"
Damião de Jesus Machado, morador de Carapicuíba há 38 anos, em frente a uma casa da Aldeia, com uma placa que diz: "nossa história". Foto: Maria Clara Magalhães
casas
Arquitetura das construções na Aldeia de Carapicuíba, vista de um vão dos bancos presentes na praça do local. Foto: Maria Clara Magalhães
homem andando
Morador de Carapicuíba visitando os entornos da Aldeia. Foto: Maria Clara Magalhães
carro
Cadillac enferrujado estacionado na Aldeia de Carapicuíba. Foto: Maria Clara Magalhães

 

Documentário fotográfico reúne imagens do distrito policial que foi centro de tortura e terror durante a Ditadura Militar, hoje, espaço de luta, conhecimento e preservação da memória.
por
Geovana Bosak
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29/06/2024 - 12h

Durante os anos sombrios da Ditadura Militar que ocorreu no Brasil após o Golpe de 1964, funcionou em São Paulo, na Rua Tutóia n° 921, a Operação Bandeirantes (Oban), criada pelo Exército para interrogar e combater os ditos "inimigos internos" que supostamente ameaçavam a segurança nacional. Sob o comando dessa operação, o Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna, o DOI-Codi, foi estabelecido como um dos principais órgãos de repressão política, sendo um espaço de tortura, assassinato e desaparecimento de perseguidos políticos.

O DOI-Codi de São Paulo funcionou como um dos centros mais ativos de tortura e assassinato no Brasil durante os anos de repressão. Comandado pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, passaram pelo local mais de dois mil presos, entre eles o jornalista Vladimir Herzog, diretor de jornalismo da TV Cultura torturado e assassinado nas dependências do DOI-Codi SP em 1975. 
Após sua desativação no início da década de 1980, o local continua a abrigar uma delegacia. Em 2014, o complexo foi tombado pelo CONDEPHAAT e, em 2017, pelo CONPRESP, para a criação de um centro de memória aberto à visitação pública. Atualmente, são realizadas diversas atividades no local, organizadas pelo Núcleo Memória, como o Ato Unificado Ditadura Nunca Mais e as visitas mediadas para todos os interessados em temas ligados aos direitos humanos. 

Essas atividades são importantes para conhecer o passado, entender o presente e valorizar cada vez mais a democracia e o respeito aos direitos humanos. 

Veja o documentário fotográfico sobre o antigo DOI-Codi SP, realizada durante a visita mediada organizada pelo Núcleo Memória, com a presença e o depoimento de Maurice Puliti e Amelinha Tales, ex-presos políticos torturados no local. 

 

 

 

O mercado de flores da Av. Dr. Arnaldo na região central da cidade de SP.
por
Julia Barbosa
Maria Clara Magalhães
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25/06/2024 - 12h

Ensaio fotográfico na Av. Dr Arnaldo registra “Flores: das bancas ao cemitério”. Flores trazem vida e no cemitério servem de homenagem, como um gesto de quem fica, para quem está ou para quem foi. Confira!