A prática educativa integra movimento, música e linguagem dos alunos da Pedagogia Waldorf. 
por
Helena Aguiar de Campos
Ingrid Luiza Lacerda
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16/10/2026 - 12h

 

A euritmia é uma prática artística desenvolvida no contexto da Pedagogia Waldorf, que une diferentes formas de expressão. Nela, cada nota musical, letra, signo ou sentimento pode ser traduzido em gestos e movimentos específicos. A prática amplia as possibilidades de aprendizado para além da sala de aula, permitindo que o corpo também participe desse processo. Para muitos professores, a euritmia é ainda uma forma de “dança curativa”, por favorecer a presença, a percepção e a conexão entre corpo e expressão.

A prática acompanha os alunos ao longo dos 12 anos de formação escolar, com conteúdos que se transformam de acordo com cada etapa do desenvolvimento. Nos primeiros anos, os estudantes têm contato com o alfabeto e seus movimentos, construindo uma base que, posteriormente, permite contar histórias por meio da euritmia. Ao longo da formação, são introduzidas as notas da escala musical e, nos anos seguintes, conteúdos relacionados a diferentes temas e aspectos da experiência humana. Assim, os alunos aprendem a recitar contos, interpretar músicas e expressar ideias e sentimentos por meio do movimento.

É nesse espírito que, todos os anos, alunos de diferentes escolas Waldorf se encontram para compartilhar o que foi desenvolvido ao longo desse percurso. O encontro resulta em uma grande produção coletiva, na qual cada grupo apresenta uma composição preparada durante o ano. Figurinos, trajes e acessórios também fazem parte da construção de cada apresentação, contribuindo para a atmosfera e a linguagem de cada obra. Em algumas ocasiões, os próprios alunos também apresentam poemas ou textos produzidos coletivamente em sala.

Mais do que uma apresentação, o encontro revela uma parte importante da experiência escolar na Pedagogia Waldorf: aprender também por meio do corpo, da arte e da convivência. A euritmia estimula a concentração, a coordenação, a escuta e a expressão, ao mesmo tempo em que convida os estudantes a perceberem a si mesmos, aos outros e ao espaço que compartilham.

Nas imagens, ficam registrados alguns desses momentos: diferentes escolas, diferentes turmas e diferentes formas de expressão reunidas em um mesmo encontro. Um trabalho construído ao longo de todo o ano e que, no palco, ganha movimento, presença e vida.

Apresentação sobre a história do Egito. fotos: Ingrid Lacerda/AGEMT
Apresentação sobre a história do Egito. fotos: Ingrid Lacerda/AGEMT

 

Alunos do último ano fazendo o “oito harmônico".” Foto: Helena Campos/AGEMT

Alunos do último ano fazendo o “oito harmônico".  Foto: Helena Campos/AGEMT

 

A umbanda ganha foco na apresentação do último ano. Fotos: Helena Campos/AGEMT
A umbanda ganha foco na apresentação do último ano. Fotos: Helena Campos/AGEMT
Alunos da Rudolf Steiner praticando euritmia. Fotos: Helena Campos/AGEMT
Alunos da Rudolf Steiner praticando euritmia. Fotos: Helena Campos/AGEMT

 

Alunos representando as figuras de religiões de matriz africana. Foto: Ingrid Lacerda/AGEMT

Alunos representando as figuras de religiões de matriz africana. Foto: Ingrid Lacerda/AGEMT

 

Apresentações musicais, cada gesto representa uma nota. Fotos: Ingrid Lacerda/AGEMT
Apresentações musicais, cada gesto representa uma nota. Fotos: Ingrid Lacerda/AGEMT

 

Alunos fazendo a letra “M” do alfabeto da Euritmia. Foto: Ingrid Lacerda/AGEMT

Alunos fazendo a letra “M” do alfabeto da Euritmia. Foto: Ingrid Lacerda/AGEMT

 

Diferentes gestos presentes na Euritmia, notas mais agudas tem movimento acima da cabeça. Fotos: Helena Campos/AGEMT
Diferentes gestos presentes na Euritmia, notas mais agudas tem movimento acima da cabeça.
Fotos: Helena Campos/AGEMT

 

Manifestação falada em meio a dança. Fotos: Helena Campos/AGEMT
Manifestação falada em meio a dança. Fotos: Helena Campos/AGEMT

 

Apresentação sobre o rio, feita por alunos waldorf. Foto: Ingrid Lacerda/AGEMT

Apresentação sobre o rio, feita por alunos waldorf. Foto: Ingrid Lacerda/AGEMT

 

Apresentação com o uso do bastão eurítmico. Foto: Ingrid Lacerda/AGEMT
Apresentação com o uso do bastão eurítmico. Foto: Ingrid Lacerda/AGEMT

 

Figurinos contribuem para a construção da narrativa. Fotos: Helena Campos/AGEMT
Figurinos contribuem para a construção da narrativa. Fotos: Helena Campos/AGEMT

 

Os estudantes se movimentam por todo o palco. Foto: Ingrid Lacerda/AGEMT


Os estudantes se movimentam por todo o palco. Foto: Ingrid Lacerda/AGEMT

 

Apresentação musical de estudantes do ensino fundamental. Foto: Ingrid Lacerda/AGEMT

Apresentação musical de estudantes do ensino fundamental. Foto: Ingrid Lacerda/AGEMT

 

Contraste entre a natureza exuberante e a arquitetura modernista do Parque Ibirapuera
por
Mickey Achoa
Ivo de Carvalho
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01/10/2026 - 12h

O Parque Ibirapuera é um polo cultural da Cidade de São Paulo que se manifesta de diferentes formas. Para além de suas exposições únicas, obras icônicas e expressões artísticas, o parque conta com uma série de projetos arquitetônicos desenvolvidos por Oscar Niemeyer, essencialmente inspirados na arquitetura modernista e que se mesclam com a natureza exuberante do parque em uma espécie de simbiose.

O Planetário do Parque Ibirapuera é uma construção excêntrica não foi projetada por Niemeyer , no entanto, o edifício foi concebido para se integrar perfeitamente ao conjunto arquitetônico moderno do Parque Ibirapuera e inaugurado sob a coordenação do arquiteto
Dentre as muitas estruturas  modernistas atribuídas à lenda da arquitetura no Brasil, o Planetário é, sem dúvida, a mais excêntrica, e curiosamente não foi projetada por Niemeyer. Na realidade, o projeto foi desenvolvido por Eduardo Corona, Roberto Tibau e Antonio Carlos Pitombo, no entanto, o edifício foi concebido para se integrar perfeitamente ao conjunto arquitetônico moderno do Parque Ibirapuera e inaugurado sob a coordenação de Niemeyer. A ideia era criar uma estrutura que impactasse pela estranheza e despertasse a curiosidade nas pessoas, com o objetivo de difundir o conhecimento científico astronômico no Brasil. O formato pouco ortodoxo, que lembra uma nave espacial, como se ela tivesse pousado delicadamente em meio a densa vegetação do parque, ajudou na fama e o espaço segue até hoje como um dos principais pontos turísticos da localidade. Foto: Felipe Achoa Coelho da Rocha
 O Museu Afro Brasil é mais uma enorme estrutura de concreto armado que, apesar da brutalidade e do tamanho exorbitante, se encaixa suavemente na delicada natureza do Ibirapuera
O Museu Afro Brasil é mais uma enorme estrutura de concreto armado que, apesar da brutalidade e do tamanho exorbitante, se encaixa suavemente na delicada natureza do Ibirapuera por meio de grandes painéis de vidro e vãos abertos que borram os limites entre o interior do pavilhão e o verde ao redor. Vários elementos da arquitetura moderna brasileira marcam essa proposta de união entre espaço construído e paisagem, como os painéis de vidro na parede, o aproveitamento da luz natural e a continuidade visual, permitindo ao visitante ver o entorno do parque de dentro do museu. Foto por: Felipe Achoa Coelho da Rocha
 Com cerca de 28.000m em laje de concreto,  mais de 600 m² extensão sinuosa e um solário no centro, de onde se desenvolve uma exuberante vegetação, a Marquise é um passeio coberto
A Marquise é talvez o projeto mais genial da carreira de Oscar Niemeyer. Com cerca de 28.000m em laje de concreto,  mais de 600 m² extensão sinuosa e um solário no centro, de onde se desenvolve uma exuberante vegetação, a obra tinha o intuito original de ser um passeio coberto, que serviria como ligação para os diferentes prédios culturais do Parque Ibirapuera, como a Oca, o Museu de Arte Moderna (MAM), o Museu Afro Brasil (MAB) e a Bienal, protegendo as pessoas do sol e da chuva. Foto por: Felipe Achoa Coelho da Rocha
 O que Niemeyer não projetou, mas reescreveu o intuito original do projeto foi que, com o passar dos anos, skatistas, patinadores e afins, descobriram que o chão de concreto armado e, naturalmente, a proteção da chuva, eram perfeitos para a prática dos esportes até nos dia mais chovedios.
O que Niemeyer não projetou, mas reescreveu o intuito original do projeto da Marquise foi que, com o passar dos anos, skatistas, patinadores e afins, descobriram que o chão de concreto armado e, naturalmente, a proteção da chuva, eram perfeitos para a prática dos esportes até nos dia mais chuvosos. Com isso, a Marquise ganhou uma nova forma e a manifestação cultural no local continua, mas de forma totalmente diferente, adaptada ao que o parque pedia. Foto por: Ivo de Carvalho
Oca surgiu com um propósito ligeiramente diferente. Consolidada como uma obra de arte em si, com seu projeto arquitetônico único em formato de domo, como um recanto, um lar em meio à natureza, a ideia do espaço é receber diferentes tipos de manifestações culturais em exposições temporárias.
Apesar de outras estruturas terem suas próprias individualidades, a Oca surgiu com um propósito ligeiramente diferente. Consolidada como uma obra de arte em si, com seu projeto arquitetônico único em formato de domo, como um recanto, um lar em meio à natureza, a ideia do espaço é receber diferentes tipos de manifestações culturais em exposições temporárias. Foto por: Ivo de Carvalho
 
O Museu de Arte Moderna (MAM), além de um dos principais centros de exposição na cidade de São Paulo, com um vasto acervo fixo e exibições rotativas, ainda é uma das estruturas mais complexas do Ibirapuera
O Museu de Arte Moderna (MAM), além de um dos principais centros de exposição na cidade de São Paulo, com um vasto acervo fixo e exibições rotativas, ainda é uma das estruturas mais complexas do Ibirapuera. São cerca de 900 m² de concreto armado sob a marquise do parque, com fachadas de vidro que permitem que as obras escapem e o meio ambiente do entorno invada a estrutura, que ganha vida com a mescla de arte, arquitetura e meio ambiente. Foto por: Felipe Achoa Coelho da Rocha
 
o Auditório é a estrutura mais intrigante do Parque Ibirapuera. Com seu desenho e criação sendo contemporâneos às demais estruturas do parque, a execução efetivamente só foi sair do papel 51 anos depois, devido a impasses políticos e ficou de fora da inauguração do Ibirapuera em 1954
Desenhado pelo próprio Oscar Niemeyer, o Auditório é a estrutura mais intrigante do Parque Ibirapuera. Com seu desenho e criação sendo contemporâneos às demais estruturas do parque, a execução efetivamente só foi sair do papel 51 anos depois, devido a impasses políticos e ficou de fora da inauguração do Ibirapuera em 1954. As obras só começaram em 2003, após brigas judiciais sobre o tombamento da área e, em 2005 o espaço projetado por Niemeyer foi aberto ao público. Com uma forma geométrica que se modela idealmente ao campo aberto da área, a estrutura conta com um detalhe na entrada que remete diretamente ao movimento de uma fita no vento e muda o horizonte do céu aberto em meio ao mar de prédios que o parque propicia. Foto por: Felipe Achoa Coelho da Rocha

 

Mostra permitiu visitas inéditas à residência futurista que se tornou um marco da arquitetura paulistana
por
Daniela Monteiro Martinho
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02/06/2026 - 12h

Há décadas, quem passa pela Avenida Faria Lima, em São Paulo, dificilmente deixa de notar uma construção peculiar que desafia os padrões da arquitetura tradicional. Suspensa sobre uma estrutura de concreto e com formato esférico, a Casa Bola se tornou um dos ícones mais curiosos da paisagem paulistana. Agora, quase meio século após sua construção, o imóvel voltou aos holofotes ao receber uma exposição aberta ao público.

Encerrada no último domingo (31), a mostra ABERTO5 marcou um momento histórico para a residência projetada pelo arquiteto Eduardo Longo. Pela primeira vez desde sua construção, a Casa Bola recebeu visitantes de forma ampla, permitindo que o público conhecesse de perto um dos projetos mais experimentais da arquitetura brasileira.

 

 

Vista externa da Casa Bola revela o contraste entre a estrutura concebida por Eduardo Longo e a paisagem verticalizada da região da Faria Lima.
Vista externa revela o contraste entre a estrutura concebida por Eduardo Longo e a paisagem verticalizada da região da Faria Lima./ Foto: Daniela Martinho

 

A exposição reuniu cerca de 60 obras de arte e design de mais de 50 artistas de arte contemporânea espalhadas pelos ambientes da casa, transformando a residência em uma experiência que mesclava arte, design e arquitetura. Mas, para muitos visitantes, a grande atração era a própria construção.

 

 

O segundo pavimento da Casa Bola recebeu parte das mais de 60 obras apresentadas na exposição ABERTO5
O segundo pavimento recebeu parte das mais de 60 obras apresentadas na exposição ABERTO5. / Foto: Daniela Martinho 

Construída entre 1974 e 1979, em meio ao auge da contracultura, a Casa Bola nasceu como uma contestação aos modelos arquitetônicos predominantes da época, marcados pelo Modernismo e pelo Brutalismo. Ao idealizar uma residência esférica, experimental e de aparência leve, Eduardo Longo propôs uma nova forma de pensar a arquitetura, questionando tanto os métodos construtivos quanto a relação das pessoas com o espaço urbano.

“Quando me falaram de fazer a exposição aqui, eu pensei que fosse uma exposição que, como já teve algumas aqui, fosse demorar um mês preparando. Mas depois demorou um ano preparando e foi uma coisa muito maior do que eu esperava. Pra mim tá sendo uma maravilha, porque eu tava aí meio já esquecidão”, afirmou o arquiteto.

Formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), Longo ficou conhecido pelo caráter experimental de seus projetos. Ao longo da carreira, buscou alternativas às construções convencionais, explorando soluções mais leves e industrializáveis. A Casa Bola acabou se tornando a síntese mais conhecida dessa pesquisa.

“Eu estava procurando uma coisa ao contrário do que eu fazia, que era tudo de concreto pesado. Eu estava procurando uma coisa leve, para fazer industrialmente um módulo reproduzido em fábrica. A verdade é que nenhum volume é mais leve que a bola”, explica o arquiteto.

 

Contraste entre a estética radical da Casa Bola e a geometria rígida da arquitetura tradicional ao lado.

Contraste entre a estética radical da Casa Bola e a geometria rígida da arquitetura tradicional ao lado./ Foto Daniela Martinho 

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Integração entre arquitetura e brincadeira: a Casa Bola combina rampas, escorregadores e plataformas circulares em um espaço único
Integração entre arquitetura e brincadeira: a Casa Bola combina rampas, escorregadores e plataformas circulares em um espaço único / Foto: Daniela Martinho

 

Com aproximadamente oito metros de diâmetro, a residência foi concebida para funcionar como uma casa completa dentro de uma estrutura esférica. Distribuídos em diferentes níveis, os ambientes incluem quartos, áreas de convivência e cozinha.

 No interior, predominam as superfícies brancas e as formas curvas, criando uma atmosfera futurista e, ao mesmo tempo, orgânica. Como as paredes acompanham a geometria da esfera, diversos móveis foram desenhados especialmente para se integrar à arquitetura da casa.

 

Sala de baixo da residência-esfera, com elementos suspensos e plantas que reforçam a atmosfera experimental do projeto

Sala de baixo da residência-esfera, com elementos suspensos e plantas que reforçam a atmosfera experimental do projeto. / Foto: Daniela Martinho 

 

Sala superior marcada por curvas contínuas e mobiliário integrado que reforçam a estética futurista.

Sala superior marcada por curvas contínuas e mobiliário integrado que reforçam a estética futurista.. / Foto: Daniela Martinho

 

Banheiro compacto da Casa Bola, moldado em módulo único e totalmente branco
Banheiro compacto, moldado em módulo único e totalmente branco. / Foto: Danieela Martinho

 

 

Quarto de criança na Casa Bola, marcado pela simplicidade das formas e pela atmosfera leve e contínua

Quarto de criança, marcado pela simplicidade das formas e pela atmosfera leve e contínua. / Foto: Daniela Martinho 

Essa dualidade entre tecnologia e artesanato também orientou a curadoria da exposição. Se vista de fora, a Casa Bola lembra uma espaçonave pousada em meio à paisagem urbana paulistana. Por dentro, seus espaços remetem a uma espécie de caverna contemporânea. O próprio Eduardo Longo resume essa contradição com uma frase que se tornou uma das marcas da mostra: “meio Jetsons, meio Flintstones”, em referência aos desenhos animados norte-americanos dos estúdios Hanna-Barbera, da década de setenta, que retratavam a rotina familiar de um futuro distante e do passado no tempo dos dinossauros.

 

 

 

 

 

O evento reúne 150 expositores no Estádio do Pacaembú
por
Laura Celis Brandão
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01/06/2026 - 12h

A literatura tomou conta da Praça Charles Miller, no Pacaembu, com a realização da 5° edição da Feira do Livro. O festival, gratuito e ao ar livre, vai até o dia 7 de junho. Os livros transformam o espaço público em um vibrante epicentro cultural, atraindo leitores de todas as idades para acompanhar uma programação que conta com mais de 250 atividades, 150 expositores e centenas de autores nacionais e internacionais. O evento reafirmou sua importância para a ocupação cultural e artística de São Paulo, e a programação pode ser conferida no site oficial da realização. 

O evento contou com artistas vendendo artes com cunho político-social. Foto: Laura Celis
O evento contou com artistas vendendo artes com cunho político-social. Foto: Laura Celis
Artes visuais com forte narrativa urbana e social também ganharam destaque na feira. Foto: Laura Celis
Artes visuais com forte narrativa urbana e social também ganharam destaque na feira. Foto: Laura Celis
O público aproveitou o domingo para ler, conversar e aproveitar o gramado em frente à fachada do Pacaembu. Foto: Laura Celis
O público aproveitou o domingo para ler, conversar e aproveitar o gramado em frente à fachada do Pacaembu. Foto: Laura Celis
Mensagens espalhadas pela logística do evento reforçam o papel transformador da leitura. Foto: Laura Celis
Mensagens espalhadas pela logística do evento reforçam o papel transformador da leitura. Foto: Laura Celis
Intervenções artísticas e referências históricas espalhadas pela Feira. Foto: Laura Celis
Intervenções artísticas e referências históricas espalhadas pela Feira. Foto: Laura Celis
Edição do jornal da revista "Quatro Cinco Um" celebrando a ocupação da Praça Charles Miller pelas "feras do livro". Foto: Laura Celis
Edição do jornal da revista "Quatro Cinco Um" celebrando a ocupação da Praça Charles Miller pelas "feras do livro". Foto: Laura Celis
Detalhe da dedicatória do livro ‘Olho D’Água’ de Marcelo Tolentino. Foto: Laura Celis
Detalhe da dedicatória do livro ‘Olho D’Água’ de Marcelo Tolentino. Foto: Laura Celis
Kombi da cervejaria Catimba, tradicional da região da Vila Anglo Brasileira, em São Paulo. Foto: Laura Celis
Kombi da cervejaria Catimba, tradicional da região da Vila Anglo Brasileira, em São Paulo. Foto: Laura Celis

Visitantes exploram estandes engajados na Feira do Livro que promovem a reflexão social, a política e a força das ideias. Foto: Laura Celis
Visitantes exploram estandes engajados na Feira do Livro que promovem a reflexão social, a política e a força das ideias. Foto: Laura Celis
Cores e literatura se misturam nas bancadas do estande da Editora Nós. Foto: Laura Celis
Cores e literatura se misturam nas bancadas do estande da Editora Nós. Foto: Laura Celis

 

Projeto de extensão universitária no Senac Santo Amaro reúne estudos e apresentações sobre povos originários
por
Laura Celis Brandão
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01/06/2026 - 12h

 

O campus do Senac Santo Amaro virou um palco de celebração, reflexão e resgate histórico. No último mês de maio, estudantes, professores e visitantes se reuniram para uma imersão profunda na cultura dos povos originários, com um olhar especial voltado para a trajetória de resistência do povo Fulni-ô. O evento, que faz parte das ações de extensão universitária da instituição, uniu debates acadêmicos a apresentações para o público presente.

Mais do que um estudo teórico, o encontro buscou quebrar estereótipos coloniais e aproximar a comunidade urbana de São Paulo da realidade dos indígenas que habitam o agreste de Pernambuco, no município de Águas Belas.

Retrato de Tyase ao lado de manequim pintado em 2025, exposto no Senac Santo Amaro. Foto: Laura Celis
Retrato de Tyase ao lado de manequim pintado em 2025, exposto no Senac Santo Amaro. Foto: Laura Celis/ AGEMT
Pintura corporal realizada no Keno, um dos nativos do povo Fulni-ô. Foto: Laura Celis
Pintura corporal realizada no Keno, um dos nativos do povo Fulni-ô. Foto: Laura Celis/ AGEMT
Colar de miçanga artesanal feito pelo povo Fulni-ô. Foto: Laura Celis
Colar de miçanga artesanal feito pelo povo Fulni-ô. Foto: Laura Celis/ AGEMT
Lambe-lambes feitos pelos alunos do Senac sobre o povo Fulni-ô. Foto: Laura Celis
Lambe-lambes feitos pelos alunos do Senac sobre o povo Fulni-ô. Foto: Laura Celis/ AGEMT
Artesanato feito pelo povo Fulni-ô. Foto: Laura Celis
Artesanato feito pelo povo Fulni-ô. Foto: Laura Celis/ AGEMT
Retrato de Tyase pintado durante o evento realizado no Senac Santo Amaro. Foto: Laura Celis
Retrato de Tyase pintado durante o evento realizado no Senac Santo Amaro. Foto: Laura Celis/ AGEMT
Artesanato feito pelo povo Fulni-ô. Foto: Laura Celis
Artesanato feito pelo povo Fulni-ô. Foto: Laura Celis/ AGEMT
Tyase, um dos líderes do povo Fulni-ô. Foto: Laura Celis
Tyase, um dos líderes do povo Fulni-ô. Foto: Laura Celis/ AGEMT

Situado no histórico bairro de Higienópolis, o lugar é testemunho vivo da evolução da cidade
por
Leticia Alcântara
Sophia Razel
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28/11/2024 - 12h

Localizado no coração do bairro de Higienópolis, o Parque Buenos Aires é um refúgio no meio da rotina agitada de São Paulo. Construído em 1913, com a finalidade de ser um espaço de lazer para elite paulistana, o local foi inspirado nos parques europeus. O terreno, que inicialmente foi projetado para ser um loteamento residencial de casas de alto padrão, hoje é símbolo de tranquilidade e calmaria para os moradores da região.  

Antigo mirante do parque
Mirante da Praça Buenos Ayres, com a vista do Vale do Pacaembu - Reprodução / Acervo /  Estadão Conteúdo / Laboratório Buenos Ayres 

 

Pessoas passeando no parque
Família caminhando em pequena trilha do Parque Buenos Aires - Foto: Letícia Alcântara
Pessoas a anos atrás tirando fotos no parque
1919, pessoas diante da obra Anfritite e Tritão. Foto: Reprodução / Facebook/ São Paulo Antiga
Fonte no Parque Buenos Aires atualmente, um dos destaques do espaço - Foto: Leticia Alcântara
Fonte no Parque Buenos Aires atualmente, um dos destaques do espaço - Foto: Leticia Alcântara

Tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo em 1992, o Parque Buenos Aires foi projetado pelo arquiteto paisagista francês Bouvard. Com o passar do tempo, o local foi se transformando e modernizando. Atualmente o parque possui cerca de 22 mil metros quadrados, repletos de muita vegetação e áreas de lazer, com espaço para pets e parquinho para as crianças. 

Área para animais de estimação
Cercado para cães próximo a entrada do Parque, localizado na Av. Angélica - Foto: Letícia Alcântara
Área para crianças
Crianças brincando no playground, cercado pela vegetação do Parque Buenos Aires - Foto: Sophia Razel
Crianças brincando na fonte no passado
Vista da Praça Buenos Aires, no bairro de Higienópolis em 1958 - Reprodução / Folhapress / Gazeta SP 

O local também dialoga com a arte e possui algumas esculturas emblemáticas, como “O Tango”, de Roberto Vivas, em bronze e granito, 'Mãe' de Caetano Fraccaroli, esculpida num só bloco de mármore, além de uma cópia em bronze da escultura “Emigrantes”, de Lasar Segall. 

Monumento do parque
Escultura, em bronze, “Emigrantes”, de Lasar Segall - Foto: Sophia Razel  

Mesmo com as inegáveis raízes alicerçadas em um contexto de elitização, a importância cultural e histórica do local é inegável. Sua existência é um símbolo da memória urbana que deve ser preservada, entretanto, tendo em vista a necessidade da democratização do espaço, que permanece cheio de memórias e significado ao longo das décadas. 

Estatua do parque
Estátua 'Mãe' de Caetano Fraccaroli, localizada no Parque Buenos Aires, simboliza proteção e acolhimento, homenageando a maternidade - Foto: Letícia Alcântara

Com sua localização privilegiada e ambiente sereno, o Parque Buenos Aires é um dos grandes patrimônios verdes da cidade, oferecendo aos paulistanos uma verdadeira pausa no cotidiano urbano.

 

Com 70 anos de carreira, se consagra como o maior fotojornalista do país
por
Majoí Costa
Nicole Conchon
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21/11/2024 - 12h

Neste mês de novembro, o Brasil perdeu um grande fotógrafo. Ao longo de sete décadas, o fotojornalista Evandro Teixeira se tornou uma referência na fotografia documental brasileira, capturando momentos cruciais do país e imortalizando, com suas imagens, as transformações sociais, políticas e culturais.

Teixeira não foi apenas um fotógrafo, mas um contador de histórias. Durante 70 anos de carreira, seu trabalho transcendeu a simples captura de imagens, tornando-se uma ferramenta essencial na compreensão de momentos decisivos para o Brasil.

 

A lente do compromisso

         O fotojornalismo, como área profissional, exige mais do que a técnica fotográfica; exige comprometimento com a verdade e com a representação fiel dos fatos. Teixeira deixou isso bem claro durante toda a sua vida, ao se dedicar nesse trabalho durante um período de grandes transformações políticas e sociais, desde a ditadura militar até hoje.

         Suas fotos não apenas documentam, mas também provocam reflexões sobre o papel da imagem no campo jornalístico e no impacto de uma fotografia na construção da memória coletiva.

 

Passeata dos Cem Mil. Rio de Janeiro, 1968
Passeata dos Cem Mil. Rio de Janeiro, 1968. Reprodução: Acervo IMS

 

O início da jornada

         Natural da Bahia, de Irajuba, um povoado a 307 quilômetros de Salvador, saiu de sua terra para fotografar o Brasil. Em quase 70 anos de atividade, 47 deles no Jornal do Brasil, registrou o golpe de 1964 e as manifestações estudantis de 1968.

Ao longo da década de 1970, ele se tornou um dos principais fotógrafos da revista Realidade, uma das publicações mais inovadoras do período. Foi nesse momento que Evandro fotografou suas fotos mais conhecidas, em que aprendeu a trabalhar sob pressão, capturando a tensão e os conflitos da ditadura militar.

         Além de sua atuação no Brasil, Teixeira teve uma carreira internacional, cobrindo grandes eventos como a Revolução Nicaraguense (1979) e a guerra civil em El Salvador. Fotografou a Rainha Elizabeth e eternizou imagens icônicas de Ayrton Senna e Pelé. É difícil dissociar seu trabalho de qualquer evento no país que ocorreu durante a segunda metade do século XX.

Caça ao estudante. Sexta-feira Sangrenta. Rio de Janeiro, 1968
Caça ao estudante. Sexta-feira Sangrenta. Rio de Janeiro, 1968. Reprodução: Acervo IMS

 

O fotógrafo foi alvo de perseguição, sendo várias vezes ameaçado e perseguido pelos militares. Mesmo com os riscos, ele continuou a registrar a realidade do regime, contribuindo de maneira significativa para a memória histórica do período.

 

Legado e reconhecimento

O trabalho de Evandro Teixeira foi amplamente reconhecido, com exposições em museus e galerias ao redor do mundo. Ele também foi premiado diversas vezes por sua contribuição ao fotojornalismo, consolidando seu nome como um dos mais importantes do Brasil.

Em um dos seus maiores feitos, em 2013, Teixeira foi agraciado com o Prêmio Vladimir Herzog, uma das maiores honrarias da área, por sua contribuição ao jornalismo e ao combate à censura e à opressão.

Seu legado vai além das inúmeras fotos que tirou, mas uma documentação completa dos principais momentos do Brasil. Retratou lutas e vitórias de um povo em busca de liberdade e justiça Suas imagens retratam isso, não apenas registrar a realidade, mas também as emoções que a história carrega consigo. 

 

Novos dados do IBGE revelam como o êxodo rural transforma as paisagens do Brasil
por
Catharina Morais
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21/11/2024 - 12h

A manhã no Sítio São João - também conhecido como “a roça”-, em Muzambinho, Sul de Minas Gerais, começou lenta. O céu carregava nuvens espessas, como um teto cinza sobre a paisagem. A chuva fina deixava pequenas trilhas na terra vermelha, enquanto o aroma das folhas de café se misturava com o perfume de terra molhada. O mundo parecia suspenso num silêncio, quebrado apenas pelo sopro do vento e o canto tímido dos pássaros.

 

Sítio São João- por Catharina Morais
      Paisagem de Muzambinho, inteiror do Sul de Minas Gerais - por Catharina Morais


No horizonte, o verde dos cafeeiros se estendia como um tapete irregular. Urubus, com suas asas abertas, ficavam como vigilantes sobre aquele espaço amplo e quase intocado. Ali, a vida segue em um ritmo que parece imutável, mas, na realidade, carrega as marcas de profundas transformações. Dados recentes do Censo Demográfico do IBGE escancaram uma realidade em que o Brasil se afasta das zonas rurais, cada vez mais engolido pelas grandes cidades.
 

Sítio São João- por Catharina Morais
                     Urubus pousados na cerca do Sítio - por Catharina Morais

 

Divulgado em novembro de 2024, o Censo Demográfico 2022 aponta que, do total de 203,1 milhões de brasileiros, 177,5 milhões (87,4%) vivem em áreas urbanas, enquanto 25,6 milhões (12,6%) permanecem em áreas rurais. A nova metodologia do IBGE, que classifica as áreas de acordo com sua morfologia e funcionalidade, expõe um êxodo silencioso que esvazia espaços como o Sítio São João.  

 

Sítio São João- por Catharina Morais
      Vista do interior do cafezal no Sítio São João - por Catharina Morais 

 

Mas, ali, o tempo parece ter sua própria lógica, um compasso que desafia as pressões urbanas. O pé de café, despido após a colheita, parecia revigorado pela água que escorria lenta pelas folhas. Na simplicidade daquele lugar, o Brasil profundo ainda respirava, resistindo ao avanço do tempo. Cada cheiro, cada som, cada sombra projetada na terra carregava memórias de um passado que se recusa a desaparecer.  

 

 

Sítio São João- por Catharina Morais
             Plantação de café do Sítio São João - por Catharina Morais

Naquela região, a "mineirice" se revela em cada gesto, em cada palavra arrastada, no cuidado com a terra e nas memórias que ela preserva. A simplicidade do lugar ganha força na conexão íntima com a natureza. Ali, não se vê o vazio de um latifúndio sem alma, mas uma roça onde há harmonia de um espaço onde o trabalhador, dono da terra, é parte de sua essência.  
Mas o que é viver numa roça? No caso do Sítio São João, é a história de Carlinho Tuka e sua esposa, Terezinha, que respiram essa realidade desde que nasceram. Ela, natural de Monte Belo, cidade vizinha, nasceu na fazenda e cresceu trabalhando para a terra e cuidando da vida que ali florescia. Hoje, cultiva sua horta e cuida dos animais com carinho, como aprendeu desde a infância. Eles vivem com uma autonomia que mais de 170 milhões de brasileiros sequer imaginam.

 

Sítio São João- por Catharina Morais
Casa Principal do Sítio São João - por Catharina Morais


Enquanto muitos , moradores da “cidade grande”, temem as transformações do tempo e as exigências de um mundo moderno, ali, o silêncio esconde um outro tipo de vida. A conexão com a natureza e a noção do tempo, ditado pelo sol de cada dia, revelam uma existência que transcende o capitalismo voraz que domina as cidades e devastam os solos do Brasil.
Este agro não é Pop. Ele é Minas, é orgânico. Carlinho, com a pele marcada pelo sol e pelo trabalho árduo que faz desde os 13 anos, caminha entre os cafezais, mostrando suas conquistas. Plantas com 30, 40, até 50 anos de idade. Tradição que é herança de seu pai João, que antes vendia leite, mas se dedicou à colheita de café, transmitindo a cultura ao filho. 
 

Sítio São João- por Catharina Morais
    Paisagem e uma das casas do Sítio São João - por Catharina Morais

 

Hoje, com mais de 60 anos, Carlinho sente o peso do cansaço, mas seu amor pela roça permanece inabalável. A música 'Canção do Sal', de Milton Nascimento, preenche o ambiente de forma metafórica, marcando o ritmo de um trabalho que combina esforço físico e uma profunda entrega emocional: 'Trabalho o dia inteiro, pra vida de gente leve; Trabalhando o sal, é o amor, o suor que me sai'.
No Sítio São João, há silêncio, há céu preenchido por vida, há cheiro de mato e terra vermelha, há um mar verde que se estende à vista. A vida na roça segue como uma coreografia silenciosa: bois pedindo carinho enquanto ruminam sob o açude. Cada árvore de café, cada passo sobre a terra batida, carrega histórias que teimam em não ser esquecidas.

 

Sítio São João- por Catharina Morais
               Animais no pasto do Sítio São João - por Catharina Morais

 

O Brasil urbano cresce em números, mas o Brasil rural, com suas chuvas, seus silêncios e seus personagens, continua vivo. Mesmo em meio à industrialização e à degradação do agro, o Sítio São João mantém sua resistência silenciosa. Ele é um microuniverso mineiro, onde a simplicidade das paisagens e a profundidade dos silêncios escondem uma complexidade que o tempo não pode apagar. Afinal, enquanto houver chuva que cai, haverá vida. E enquanto houver vida, o Sítio São João continuará a ser o lar das histórias que persistem na memória da roça.

 

 

Sítio São João- por Catharina Morais
                Animais no pasto do Sítio São João - por Catharina Morais


 

Espaço onde cada disco conta uma história e a música ganha nova vida
por
Catharina Morais
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12/11/2024 - 12h

Todo mês, o mesmo ritual se repete. E desta vez, em novembro, o dia nasceu com um tom indefinido, entre o azul e o cinza, parecendo refletir o ritmo intenso de São Paulo. Logo ao sair da Estação Anhangabaú, atravessando o caos das ruas do centro, entre Sete de Abril e a Barão de Itapetininga, encontra-se o refúgio secreto da cidade — a Galeria Nova Barão. Para quem passa rápido, desatento, talvez o lugar pareça apenas mais uma galeria comercial. Mas para quem sabe onde olhar, ali, nas sombras dos corredores ao ar livre, se encontra um verdadeiro templo para os apaixonados por vinil. 

 


  

Loja Baú dos Discos - por Catharina Morais
                            Loja Baú dos Discos - por Catharina Morais

 


Sua história começa no ano de 1964, idealizado como um espaço voltado à venda de pedras preciosas e serviços de cabeleireiro. Mas, nos anos 1990, a galeria passou por uma metamorfose silenciosa. As vitrines, antes dedicadas a penteados, começaram a exibir pilhas de discos de vinil, trazendo com elas um novo tipo de visitante — não mais ávidos consumidores de mercadorias capilares e exoticamente, de pedras, mas curiosos em busca de experiências que o digital jamais conseguiria imitar. 


  

Loja Baú dos Discos - por Catharina Morais
                       Loja Baú dos Discos - por Catharina Morais

 


Hoje, os mais de 20 estabelecimentos da galeria abrigam um acervo vasto e eclético, do jazz ao rock, passando por raridades que podem valer verdadeiras fortunas. E embora haja um canto reservado para lançamentos mais recentes, o verdadeiro espírito do lugar permanece fiel ao passado. Como um santuário, onde os LPs, fitas e CDs são contemplados verdadeiras raridades. Entre as lojas que compõem esse pequeno universo, a Sonzera Records é uma joia. Sob as luzes azul neon, Luciano Sorrentino, o dono, percorre feiras e eventos em busca de preciosidades de MPB, jazz, soul, metal e rock. Em 2018, trouxe a loja para a galeria, criando um refúgio onde os fãs podem garimpar discos, singles, cassetes e CDs selecionados a dedo.


  

Loja Sonzera Records - por Catharina Morais
                    Loja Sonzera Records - por Catharina Morais


Ali, à direita da escada rolante, destaca-se a Locomotiva Discos. Toda em tons de vermelho vibrante, ela traz um ar moderno, com um catálogo cheio de raridades que chegam a ultrapassar os R$3 mil, mantendo vivo o espírito de troca e a paixão pela música. Cada uma das 23 lojas da galeria possui seu próprio charme, peculiaridades, oferecendo desde discos raros até clássicos eternos, mas todas com um mesmo propósito: preservar a essência do vinil e conectar gerações através da música.


  

Loja Baú dos Discos - por Catharina Morais
                              Loja Baú dos Discos - por Catharina Morais


Como um arqueólogo sonoro, você percorre os vinis que já passaram por tantas mãos, cada um carregando uma melodia que desafia o tempo. Caminhando pelas curvas da galeria, é possível sentir que cada canto guarda algo a mais: uma memória, um eco de uma época que nunca se apagou completamente.


  

Loja Baú dos Discos - por Catharina Morais
                      Loja Baú dos Discos - por Catharina Morais


A Galeria Nova Barão pulsa musicalidade. Depois de uma visita, é difícil não sair com uma vitrola, um disco, ou com a vontade de começar uma coleção. Assim nasce um  próprio ritual mensal. Em um mundo cada vez mais digital, a galeria resiste como um espaço onde o vinil não é apenas um disco à venda, mas um pedaço de história cultural. Um local que, através das gerações, mantém  viva a chama da música, sendo um verdadeiro refúgio dos vinis e impossível de se apagar.

Símbolo brasileiro, a Aldeia, hoje, faz parte do roteiro de visitas na cidade de Carapicuíba
por
Maria Clara Magalhães
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02/07/2024 - 12h

Ponto turístico do município de Carapicuíba, na região metropolitana de São Paulo, a Aldeia foi construída pelo Padre José de Anchieta, ao lado de mais doze aldeias, na intenção de catequizar e proteger os índios da escravidão. Construída em 1580, é a única unidade ainda preservada, já que é de difícil acesso.

Hoje, a Aldeia de Carapicuíba é parte do patrimônio nacional e roteiro de visitas da cidade. Os moradores da região ainda costumam frequentar os comércios, as feiras e o tempo livre que o ambiente oferece. O local é símbolo de uma memória que resgata na história do Brasil a dizimação indígena, marcada pela conquista dos brancos.
 

Fechadura
Fechadura da porta das casas construídas na Aldeia de Carapicuíba. Foto: Maria Clara Magalhães
Homem em frente a placa "nossa história"
Damião de Jesus Machado, morador de Carapicuíba há 38 anos, em frente a uma casa da Aldeia, com uma placa que diz: "nossa história". Foto: Maria Clara Magalhães
casas
Arquitetura das construções na Aldeia de Carapicuíba, vista de um vão dos bancos presentes na praça do local. Foto: Maria Clara Magalhães
homem andando
Morador de Carapicuíba visitando os entornos da Aldeia. Foto: Maria Clara Magalhães
carro
Cadillac enferrujado estacionado na Aldeia de Carapicuíba. Foto: Maria Clara Magalhães