Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
|
06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

Tags:
Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
|
06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

Tags:
Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
|
05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

Tags:
Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
por
Livia Vilela
|
05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

nyt jay z
Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

nyt taylor swift
Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

Tags:
Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
|
05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

Tags:
Tecnologia atrai novo público a museus, mas pode estimular relação superficial com obras
por
Yasmin Solon
|
28/06/2023 - 12h

As chamadas exposições imersivas fazem parte da arte digital contemporânea. Sua proposta é trazer ao público uma experiência intensa em um ambiente multissensorial, que faz uso de recursos como projeções sincronizadas de vídeo, luzes, sons, trilhas sonoras e por vezes até essências olfativas. Entretanto, os debates sobre esta tendência dividem tanto o público quanto os críticos. Alguns acham que as exposições imersivas tornam a arte mais conhecida, outros temem que o real sentido das obras esteja sendo trocado por objetivos mercadológicos.

As exposições imersivas puderam trazer uma experiência única aos visitantes. Rafael Reisman, CEO da Blaist Entreteniment, foi fundador e curador de grandes projetos de sucesso no Brasil. Desde a primeira, Elvis Experience em 2012, até as recentes “Space Adventure”, “Beyond Van Gogh”, “Van Gogh 8K”, “Frida Kahlo” e “The Art of Bansky”.  

Reisman explicou em entrevista à AGEMT como esses eventos são montados: “As exposições, que geralmente ficam quatro meses em cada cidade selecionada, são complexas. Envolve toda uma curadoria cinematográfica e tecnológica de alta performance.” O empresário ainda disse que Beyond Van Gogh contou com mais de 70 projetores a laser de última geração, conectados a servidores de alto desempenho, sendo necessária “muita dedicação de um time grande”.  

Para o CEO, as exposições tiveram um grande alcance pelo “ineditismo”. “As pessoas se interessaram porque foi uma novidade completa aqui, é uma experiência completamente diferente de ir ao museu tradicional”, completou ele. As exposições tiveram grande alcance nas redes sociais, o que contribuiu muito para a divulgação dos projetos. Além de conquistar quem já era fã do artista em exposição, as redes sociais proporcionaram um conhecimento e um interesse de outras pessoas que até então poderiam nem saber sobre seus trabalhos. Reisman concordou em dizer que “as redes influenciaram completamente as exposições, sendo excelentes ferramentas de divulgação”.  

O público, que pode estar mais interessado em registrar o momento e postar, se sente influenciado a fazê-lo mesmo quando o artista em exposição critica fortemente a arte elitista, como Bansky, e o capitalismo, como Kahlo.  As empresas responsáveis pelos projetos veem uma boa opção para lucrar e então, cada vez mais, a programação dos museus inclui ambientesinstagramáveis, fazendo incluir pessoas que talvez, a princípio, não se interessam pelo que acontece na exposição, mas pelo ato de publicar que esteve presente.  

Mesmo assim, apesar da polêmica que pode ser interpretada como arte clássica e arte contemporânea, e agora também digital, existe um público ainda excluído do debate e das exposições. Apesar de as redes sociais propagarem os projetos, o preço dos ingressos é determinante para transformar a vontade em realização, e nesse tipo de exposição não há uma inclusão total.  

Reisman explicou que o preço elevado dos ingressos é justificado pelas altas tecnologias usadas, que ele qualifica como “caríssimas”. Mesmo assim, o CEO explicou que alguns projetos, como “Beyond Van Gogh”, que tem ingressos até R$ 90, tinham iniciativas para tornar a experiência mais acessível: “Às segundas, terças e quartas-feiras tinham ingressos a partir de R$ 35, não é tão caro. Obviamente, os horários e os dias mais concorridos refletiam em preços mais elevados, mas tentamos e conseguimos muito bem dar o acesso a todos. O empresário precisa lucrar e retornar os valores que os projetos demandam, a própria tecnologia é caríssima”.  

Controvérsias à parte, a nova modalidade merece ser visitada porque, assim como disse Reisman, “é cultura”, e as pessoas deveriam conhecer o que pode estar cada vez mais infiltrado no cotidiano moderno. 

Tags:
Ministro de Giorgia Meloni criou lei para aumentar ingressos de museus e chamou Dante Alighieri de 'fundador do pensamento de direita'
por
Felipe Abel Horowicz Pjevac
|
24/06/2023 - 12h

A cultura faz parte da identidade de um país. Os aspectos culturais de qualquer nação ajudam a definir de fato quem ela é, e isso pode ser observado nas mais diversas faces do dia a dia vivido no local.

Ao falar de Itália, já surgem na mente os filmes com mafiosos e diálogos fortes, a tarantella e as comidas tradicionais. Voltando para o passado, são notórias as contribuições culturais advindas da civilização romana antiga, com obras faraônicas como o Coliseu ou a Torre de Pisa. É fato que a cultura ocidental em si vem em grande parte da península italiana, derivando de lá conceitos a respeito de religião (a exemplo do Vaticano), política, filosofia, arte e ciência.

A relação entre o governo e a cultura na Itália sempre foi feita de maneira muito forte, com o Estado bancando obras e produções culturais que elevaram o país ao patamar  de nação tão reconhecida nessa área. No entanto, após o trauma do fascismo, o assunto foi poucas vezes tocado nos anos seguintes.

Tancredi Moretti, italiano de 24 anos que trabalha como gerente-geral na Secretaria Municipal de Cultura de Milão, explica: “A Itália passou a sofrer um preconceito muito forte no continente europeu nos anos que seguiram a Segunda Guerra Mundial, e tudo o que era exportado daqui era recebido com estranheza pelos estrangeiros. Precisamos passar por um período de ‘desintoxicação cultural’, e foi bem difícil”.

Em 1974, o governo de Aldo Moro criou o 'Ministério dos Bens Culturais e do Meio Ambiente', encarregado das pastas culturais e educacionais, e esse ministério foi mudando de nome até se assumir como 'Ministério da Cultura' apenas em março de 2021.

“O nosso país sempre foi um exportador de cultura refinada, mas também tinha muito material bruto mal-aproveitado por aqui. Atores, diretores e ideias brilhantes não tinham recursos disponíveis para criar. O surgimento do ministério foi um grande ponto de partida para aqueles que vivem da cultura aqui na Itália”, continua Tancredi.

Recentemente, no entanto, o país europeu enfrentou uma crise econômica profunda que afetou esses investimentos e a atenção dada a essas pautas, influenciada pela ascensão do regime de extrema-direita de Giorgia Meloni no final de 2022.

“Sempre que penso no Brasil, lembro da Renata Bueno, a deputada brasileira que trouxe para cá o projeto Pró-Cultura importado do Brasil (referindo-se à Lei Rouanet) para incentivar auxílio privado a iniciativas culturais em troca de crédito tributário e eventuais isenções de impostos. Em 2015, época em que isso foi instituído, ouço falar que foi um grande alívio, mas hoje estamos sentindo na pele as restrições que Meloni tenta constantemente impor a esse projeto.”

O ministro da Cultura, Gennaro Sangiuliano, nomeado por Meloni, já deu diversas declarações polêmicas e duvidosas a respeito de sua pauta nos oito meses de cargo até agora, como dizer que o poeta Dante Alighieri, um dos escritores de todos os tempos, foi o "fundador do pensamento de direita”.

Além disso, Sangiuliano criticou logo ao assumir o cargo a entrada gratuita em museus italianos, e já instituiu um projeto de lei que aumenta obrigatoriamente o preço das entradas a museus em um euro para, segundo ele, 'auxiliar em um fundo de emergência'.   

 

A primeira-ministra italiana Giorgia Meloni e seu ministro da Cultura Gennaro Sangiuliano

 

A medida foi duramente criticada, pois, além de afastar muitos italianos desses espaços (uma pesquisa da ISTAT mostra que apenas 12% dos cidadãos italianos já frequentaram museus em 2023, uma redução de quase dez pontos percentuais em relação aos 21,7% de junho de 2022), gerou o fechamento de diversos museus até então gratuitos de pequeno e médio porte que não possuíam estrutura suficiente para começar a cobrar ingressos.

“Os últimos anos foram bem estremecedores para essa relação entre Estado e cultura por aqui. Eu mesmo sou da comuna de Portofino, onde foi produzido o lindo filme ‘Um Sonho de Primavera’, e nossa cidade tinha uma secretaria de Cultura, assim como a maioria das cidades italianas. Especialmente nos últimos dez anos, com a crise política e os cortes de verbas, sobraram só as secretarias maiores, como em Roma ou aqui em Turim, para trabalhar junto com o Ministério”, ressalta Tancredi.

O jovem acrescenta que pessoas mais velhas afirmam enxergar semelhanças entre o governo Meloni e o regime fascista em relação às questões culturais: “Há uma quantidade grande de integrantes do governo Meloni, não só aqueles relacionados à cultura, que em diversos momentos fazem declarações assustadoras ou cogitam um plano de governo muito mais radical nesse ponto”.

O antigo primeiro-ministro Silvio Berlusconi, por exemplo, já chegou a afirmar que “a Itália precisa ser cuidadosa e responsável, pois há certas portas que se forem abertas aos estrangeiros podem acabar com a identidade do país”. Essa supervalorização do produto italiano reprimindo aquilo que vem de fora foi uma das características marcantes da cultura no governo de Mussolini.

Tancredi finaliza relatando que não acredita em uma perspectiva de melhora no cenário a curto ou médio prazo: “Além da enorme crise econômica e dos embates políticos constantes interferindo, Giorgia conseguiu fazer o povo acreditar que a cultura é um ótimo lugar para se tirar dinheiro estatal e reinvesti-lo em outras áreas. Esse tipo de pensamento causa danos que não se consertam apenas com a troca de ministros ou chefes. No momento, uma maior ajuda da iniciativa privada pode ser muito bem-vinda. Durante a pandemia, a Itália não produziu quase nada, e é difícil retomar esse processo.

Tags:
Uso da ferramenta poderá contribuir para a preservação de patrimônios culturais na sociedade; infraestrutura é um dos desafios
por
Kawan Novais
|
28/06/2023 - 12h

A alta capacidade em processamento de dados que os recursos de inteligência artificial (IA) oferecem, faz com que essa ferramenta impacte todos os setores da sociedade. Ainda que os holofotes sobre o tema estejam em torno da comunicação, devido à ascensão de fenômenos como o Chat GPT, chat de conversação com robôs, a IA vem sendo adotada de maneira decisiva em diversas outras áreas. Na esfera cultural, por exemplo, uma das utilizações mais proveitosas tem sido na preservação de patrimônio. 

A Organização das Nações Unidas para a Ciência e a Cultura (Unesco) define o patrimônio cultural material como um “valor universal excepional do ponto de vista histórico, estético, arqueo-lógico, científico, etnológico ou antropológico”, e assim, em cada patrimônio há uma revelação identitária de uma determinada população. Para o professor e empresário Alexandre Del Rey, cofundador da I2AI (International Association of Artificial Intelligence), esta importância dos patrimônios justifica a adoção da inteligência artificial como um dos recursos essenciais para a preservação. 

“A inteligência artificial é uma tecnologia que pode ser usada de uma maneira transversal, em todos os setores. Então, enquanto uma ferramenta, ela consegue apoiar de diversas formas, a exemplo de um atendimento melhor às pessoas que frequentam museus ou espaços públicos de arte onde se precisa de uma tutoria personalizada”, explica Del Rey, citando o exemplo da exposição “A Voz da Arte”, realizada em 2017 pela Pinacoteca de São Paulo em conjunto com a IBM. A mostra utilizada um sistema cognitivo de IA, chamado Watson, para “conversar” com o público sobre algumas obras exibidas.

Imagem 1
Pinacoteca de São Paulo. Foto: Sailko/Wikimedia Commons

Além da utilização dessa ferramenta na intermediação de interações entre a tecnologia e indivíduos e na mediação das criações humanas, a IA também oferecerá recursos para a manutenção de instituições e seus produtos, como no Projeto SIAP (Sistema de Inteligência Artificial para a detecção e alerta de riscos sobre o Patrimônio), realizado em 2019, em Portugal. “Quando se fala de preservação, algumas tecnologias ligadas à inteligência artificial, especialmente, as ligadas à aprendizagem de padrão, máquina e elementos de divisão computacional com que você consegue capturar padrões através de imagens permitem, por exemplo, ver se há algum tipo deterioração de uma arte ou identificar as obras que são de um mesmo período histórico”, comenta Del Rey. 

Segundo o empresário, serão benéficos os efeitos em relação ao potencial que a inteligência artificial apresenta para o gerenciamento e preservação de patrimônios culturais no setor acadêmico. Para ele, haverá uma facilidade maior no desenvolvimento de pesquisas, através de recursos como a comparação de textos e a possibilidade de identificar questões que, atualmente, ainda são incertas. “Acho que a IA poderá ajudar a mitigar e diminuir as incertezas do campo acadêmico, especialmente, da arqueologia, museologia e melhorar a parte dos arquivos e armazenagem de informação na biblioteconomia”, ele avalia. 

No entanto, ainda que Del Rey enxergue um grande potencial, ele também considera elementos que dificultam o desenvolvimento tecnológico, como a falta de investimentos em infraestrutura e de profissionais que apliquem seus conhecimentos em diferentes áreas 

Sobre o acesso limitado às ferramentas de inteligência artificial, Del Rey acredita que pode ser revertido com educação. “Acho que há alguns elementos, como a falta de conhecimento do que ela pode fazer e do que ela não pode fazer, então é através da educação para entender melhor sobre a IA e entender como ela funciona. Aqui no Brasil, há o problema de pessoas não terem acesso à Internet e quanto mais acesso, maior será o uso dessas ferramentas de inteligência artificial”, ele afirmou. Segundo dados do IBGE, em 2021, mais de 28 milhões de brasileiros com 10 anos de idade ou mais não tinham acesso à internet, sendo a falta de conhecimento sobre o uso o principal motivo. 

O empresário destaca o caráter transversal da inteligência artificial e afirma que cada profissional deverá se adaptar a essa ferramenta, visando a criação de novas possibilidades de uso. Del Rey ressalta as oportunidades existentes na área tecnológica. “Ao mesmo tempo, há algumas oportunidades. Essas tecnologias estão mais acessíveis, mais baratas de se usar. Hoje, a partir delas você consegue aprender muito mais rápido e com a globalização, mesmo sendo desenvolvida em outros países, a gente consegue acessar com a maior facilidade”, finaliza.

Tags:
Com transparência e sensibilidade, o diretor Gabriel Martins expõe os dilemas e vivências de uma família como tantas outras
por
Marina Jonas
|
28/06/2023 - 12h

“Liquidificador de sentimentos”. Essa é a expressão utilizada por Gabriel Martins para definir o que seu filme “Marte Um” quer transmitir. Lançado no ano passado, trata-se do primeiro longa-metragem solo do cineasta, que desde 2009 dirige e produz filmes com outros diretores de sua cidade, Contagem (MG). A narrativa conta a história dos Martins, uma família negra de classe média brasileira que mora na periferia de uma cidade grande e, que ao se deparar com a posse de um presidente de extrema-direita, enfrenta uma nova realidade repleta de tensões, que transparecem no seu dia a dia.  

 “Queria falar sobre sonhos, contradições, desejos e aflições de uma família negra de classe média brasileira”, diz por e-mail o diretor, roteirista e também produtor da obra. E, de fato, é isso que ele faz: de forma cômica e ao mesmo tempo emocionante, Gabriel narra a realidade de diversos brasileiros através do audiovisual, dando voz a pessoas que, muitas vezes, não são retratadas pela mídia – ou são retratadas de forma negativa – e têm suas histórias silenciadas.  

Para falar sobre as esperanças e frustrações dos Martins, o autor conta que queria passar por assuntos como futebol, sexualidade, trabalho, família e sociedade. E, para trazê-los, os retrata sob a perspectiva dos próprios personagens, que vivenciam dilemas e transformações. “Me inspirei em pessoas próximas, familiares, vizinhos, sujeitos que passaram por mim ao longo da minha vida e deixaram diversas impressões. Os personagens são combinações de várias pessoas diferentes e também de alguns traços da minha própria personalidade”, explica o diretor.  

No caso da mãe da história, Tércia, através das cenas de sua rotina dentro e fora da família, é possível ver com clareza os diversos desafios e batalhas que ela enfrenta tentando conciliar tudo o que deseja abraçar: trabalho, tarefas domésticas, filhos, marido e cuidados consigo mesma. A personagem materna estimula um novo olhar sobre a mulher da casa, aquela que é mãe, esposa e trabalhadora, tudo ao mesmo tempo, como disse a atriz intérprete do papel, Rejane Faria, na conversa do “Encontros de Cinema”, realizado no final de maio pelo Itaú Cultural.  

Além dessa, outras perspectivas são apresentadas, como a de Deivinho – filho mais novo que, ao diferentemente do pai, Wellington, que sonha que ele se torne jogador de futebol profissional, almeja virar astrofísico e participar da missão de colonização Marte Um. Tércia é empregada doméstica e Wellington, zelador de um prédio. No desenrolar da história, ambos passam por questões no trabalho e se encontram com dificuldades financeiras. Encarando a instabilidade de seus empregos, os pais veem nos filhos a esperança de um futuro melhor para a família, o que se pode observar também por Lina – filha mais velha –, a primeira Martins a fazer faculdade, uma universidade federal.  

Essas, entre outras temáticas abordadas no longa, estão ligadas à realidade de grande parte das famílias brasileiras e, por isso mesmo, a importância de representá-las nas produções audiovisuais, principalmente de forma clara e sensível, como faz Gabriel. “Talvez não tenha sido tão comum no cinema brasileiro termos dilemas de uma família negra em um projeto de ficção em longa-metragem, mas não considero o ‘Marte Um’ de nenhuma forma exatamente uma nova perspectiva, talvez apenas um filme de qualidades um pouco mais singulares do que historicamente nos habituamos a ver”, afirma o cineasta.  

Ele diz que seu compromisso com a narrativa construída é, acima de tudo, ser sincero e honesto com o mundo real, entendendo que existe uma gama gigante de personagens buscando seu lugar ao sol, mas frequentemente preteridos a algumas escolhas um pouco mais convencionais ou estereotipadas de representação. “A mídia tem um interesse financeiro que é anterior ao desejo de justiça e equilíbrio. Cabe ao campo da arte criar um contracampo a isso”, completa.  

 

 

 

 

Tags:
As adaptações dos games estão se tornando uma fonte inesgotável de inspiração para o universo do entretenimento
por
Pedro Paes
|
28/06/2023 - 12h

O mundo do entretenimento passa por muitas mudanças ao longo dos anos. Já existiram diversas eras que dominaram as telas do cinema: o período dos filmes de faroeste, da adaptação dos livros, os filmes de super-heróis, e agora tudo aponta para que os filmes inspirados em games conquistem o coração dos amantes da cinematografia.  

Atualmente a indústria do entretenimento tem um grande “rei”, que são os filmes de heróis. Com o sucesso do formato da Marvel, representado por diversos longas, como “Vingadores: Ultimato”, “Capitão América: O Soldado Invernal” e “Pantera Negra”, vários outros atraíram multidões para o cinema. 

Porém, esse formato está saturado. O público espera um algo a mais desses filmes e isso não está sendo entregue aos telespectadores. Não é à toa que os últimos lançamentos dos filmes de heróis foram um fracasso de bilheteria, “Adão Negro”, “Shazam! A Fúria dos Deuses”, “Morbius” e “Homem-Formiga e Vespa: Quantumania”. Todas essas produções foram duramente criticadas pela mídia e pelo público. Isso acaba fazendo com que as pessoas percam cada vez mais interesse por esse gênero e isso está acontecendo no momento. 

É nesse ponto que entram os filmes e séries inspirados em jogos de videogame. Esse tipo de gênero nos cinemas está passando por uma redenção porque os longas de jogos nunca tiveram uma boa qualidade e enfrentaram uma resistência do público. Isso acontece porque as adaptações acabam gerando filmes medianos ou ruins e isso frusta muito os fãs desses jogos. Um exemplo disso está nos filmes do “Resident Evil”.  

Mas isso tem mudado. Os estúdios alteraram a produção desses filmes. Eles viram que era necessário reavaliar a forma como as cenas de ação são apresentadas, repensar os personagens secundários, eliminar elementos narrativos desnecessários e focar no desenvolvimento emocional do protagonista. Assim, essas produções cresceram e ficaram cada vez mais parecidas com os jogos, ganhou mais aceitação dos fãs e atraindo o interesse de outras pessoas. Portanto, a qualidade das adaptações dos games para o cinema melhorou significativamente nos últimos anos. 

Em entrevista para a AGEMT, o estudante de cinema Igor Loureiro compartilhou sua visão sobre essa crescente influência. Para ele, os games apresentam narrativas ricas e personagens cativantes, o que os torna uma fonte inesgotável de inspiração para o cinema. "Os videogames evoluíram muito além de simples jogos, eles se tornaram verdadeiras experiências interativas. Ao adaptar essas histórias para o cinema, podemos explorar mundos fantásticos e criar uma imersão ainda maior para o público", ressalta Igor. Ele complementa falando que o sucesso dos jogos no cinema está diretamente relacionado ao envolvimento e à paixão dos jogadores. "Os fãs dos jogos têm um vínculo emocional forte com os personagens e as histórias. Ao trazer essas experiências para as telas de cinema, os estúdios conseguem atrair tanto os jogadores quanto um público mais amplo, que busca entretenimento e aventura.”  

Os estúdios perceberam que essas adaptações são uma mina de ouro até porque está havendo uma mudança de geração. Os jovens estão cada vez mais próximos desses jogos. Hoje em dia a maioria dos meninos e meninas tem um console dentro da sua casa, seja um Playstation, Xbox ou Nintendo.  

Para a realização da matéria, a AGEMT entrevistou também o jogador de videogame e crítico de cinema Raphael Valente. Ele ressaltou a importância de respeitar a essência dos jogos originais. "Os jogos de videogames têm um público fiel e apaixonado, e é fundamental que as adaptações para o cinema sejam cuidadosas e respeitem a história e os personagens que os fãs tanto amam", destaca Raphael. Ele também menciona que as adaptações cinematográficas de jogos bem-sucedidos têm o potencial de atrair um público mais amplo, incluindo aqueles que não estão familiarizados com os jogos. 

Ambos os entrevistados concordam que a indústria do cinema tem reconhecido o valor dos games como uma fonte rica de material criativo. Isso tem resultado em uma série de adaptações de sucesso, como os filmes e as séries baseados em franquias, como "The Last Of Us", “The Witcher” "Detective Pikachu", “Uncharted” e “Sonic”. Além disso, grandes estúdios têm investido em projetos ambiciosos, como séries de televisão e universos cinematográficos expandidos baseados em jogos populares. 

imagem 1
Filme Uncharted: Fora do mapa, disponível na HBO MAX.

No entanto, a convergência entre games e cinema também apresenta desafios. Igor Loureiro destaca a importância de encontrar um equilíbrio entre fidelidade aos jogos originais e a necessidade de criar uma experiência cinematográfica coesa e acessível. "É um desafio traduzir elementos interativos dos jogos para uma narrativa linear no cinema, mas quando isso é feito com maestria, pode resultar em obras-primas", afirma o estudante. 

Valente também ressalta que a qualidade das adaptações cinematográficas de tem melhorado nos últimos anos, mas ainda existem casos em que os filmes não conseguem capturar a essência dos jogos. Ele acredita que uma equipe criativa apaixonada pelos jogos e com conhecimento da linguagem cinematográfica é essencial para alcançar o sucesso nessa empreitada. 

À medida que os games continuam a conquistar novos patamares de popularidade, a relação entre o cinema e os jogos só tende a se fortalecer. A possibilidade de explorar narrativas ricas, personagens cativantes e mundos fantásticos dos jogos nas telas do cinema oferece um potencial ilimitado para contar histórias emocionantes e criar experiências imersivas para o público. 

Tags: