Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
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06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

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Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
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06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
por
Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

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Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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Programa Masterchef, que chega à décima temporada na TV, abre caminho para novos profissionais da cozinha
por
Gustavo Romero Pires
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27/06/2023 - 12h

 

 

Desde 2014, o programa culinário Masterchef vem fazendo sucesso entre chefs profissionais e quem nunca pisou na cozinha de algum restaurante. Depois de muita audiência em outros países, chegou ao Brasil na TV aberta revolucionando esse segmento, um tanto quanto novo. Foram criadas várias modalidades dentro do reality, como a de amadores, profissionais, crianças e, mais recentemente, pessoas da terceira idade. 

MasterChef' tem disputa entre celebridades e influenciadores | O TEMPO 

Jurados do Masterchef de 2022- Foto: Carlos Reinis/Band 

 Todas as temporadas mostraram cozinheiros com o sonho de abrir restaurantes ou trabalhar em um estabelecimento renomado, como os jurados do programa, Eric Jaquin, Henrique Fogaça, Helena Rizzo e, nas primeiras edições, Paola Carosella. Foi o que aconteceu com Rodrigo Einsfeld, que participou da temporada dos profissionais, em 2016. 

 O chef diz que sempre quis abrir um restaurante e hoje possui o famoso Handz, com uma sede na Casa Verde e a outra no Itaim Bibi. “Entrei no programa para ganhar, mas as pessoas que conheci, as ajudas dos chefs e o entorno me ajudaram a sair muito mais vencedor do que um título do programa. Realizei meu sonho de ter meu restaurante e é por isso que tenho um carinho pelo programa”, diz Rodrigo. 

 Ele destaca a importância do programa para a abertura de novos estabelecimentos. “Começar um restaurante do zero exige muito, mas, quando você tem um ‘empurrãozinho’ como é o programa, várias etapas são puladas e você já tem tanto a vivência nas provas como ajudas em conversas com os jurados e contato com eles no pós-reality.”  

 Quando questionado sobre o assédio de fãs nos restaurantes, o chef responde: “É bem tranquilo. Claro que tem uma pessoa ou outra que quer tirar foto e conversar sobre o programa ou até pedir ajuda sobre a cozinha, mas eu gosto de receber esse reconhecimento e principalmente o feedback sobre as comidas do Handz. No final o que vale é a troca, tanto pra ajudar a pessoa que gosta de mim, quanto pra eu evoluir meu restaurante”. 

 Rodrigo dá algumas dicas para quem só vê o programa e não se arrisca na cozinha. “O pessoal tem que se levantar e ir para o fogão. Sou suspeito para falar, mas acho que todo mundo vai se apaixonar.” 

 A influência chega até os telespectadores. Muitos começam a cozinhar por fazer parte da audiência. João, estudante de economia, diz que na pandemia começou a cozinhar após ver um episódio de Masterchef. “Nunca tinha assistido no nível de prestar atenção e muito menos eu cozinhava. Porém, comecei igual a todo mundo, fiz alguns pães e fui deixando meu cardápio mais completo, me inspirando um pouco no programa.”   

 O estudante afirma não querer ser profissional, mas diz ter se encontrado na atividade “‘É só um novo hobby que me ajuda a acalmar e a fazer coisas boas para a minha família nos dias de comemorações. É como uma terapia para mim. 

É possível notar que o programa mudou a vida tanto de pessoas que tiveram a oportunidade de participar do programa, quanto de telespectadores que foram influenciados a começarem a cozinhar, seja o motivo que for. Então a influência do reality é enorme, ainda mais passando na TV aberta como de costume, podendo mudar a vida de algumas pessoas. 

 

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Evento realizado pela revista Vogue reúne as maiores celebridades do mundo em noite anual de glamour; primeira edição ocorreu em 1948
por
Sophia Pietá Milhorim Botta
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26/06/2023 - 12h

Na primeira segunda de maio de cada ano é realizado o evento de moda mais importante do mundo, o Met Gala. Com a participação dos mais famosos estilistas, celebridades e jornalistas, a noite de muito glamour e tapetes vermelhos conta com uma trajetória de mais de 75 anos de cultura, momentos marcantes na história e uma grande operação de bastidores. “A cada ano o Met Gala muda a forma de pensar e de criar na indústria do ano., O evento dita novidades, padrões e estéticas, sendo um padrão de alta qualidade e luxo para quem produz na nossa área”, explica a stylist Juliemili Amaral. 

 O The Met é organizado por Anna Wintour, diretora-chefe da Vogue americana, desde 1995 no Metropolitan Museum of Art, em Nova York. O objetivo do evento é arrecadar fundos para o Costume Institute, museu focado em moda e figurinos. A primeira edição ocorreu em 1948, organizado pela publicitária de moda Eleanor Lambert, em um jantar de luxo à meia-noite. Logo, o evento foi se tornando a grande festa do ano no mundo da moda.  

Segundo Juliemili, além de arrecadar fundos para a moda, o Met Gala surgiu com o objetivo de valorizar e proporcionar uma maior visibilidade aos estilistas em ascensão, homenageando os maiores talentos de cada geração.  

Durante a década de 1970, o Met Gala foi popularizado pela ex-editora-chefe da Vogue, Diana Vreeland, que procurou trazer a cada ano um tema diferente para celebrar a noite de gala e simbolizar um momento importante da moda. Foi somente com Anna Wintour que a data escolhida passou a ser a primeira segunda-feira de maio, eternizando o dia como o mais importante da moda internacional.  Para participar do Met Gala é necessário ser convidado pela própria Anna Wintour e ainda pagar um valor que será levantado para o fundo de doação.Segundo o The New York Times, o ingresso custa cerca de R$ 249 mil, com mesas a partir de quase R$ 1,.5 milhão. Para 2023, cerca de 400 pessoas foram escolhidas diretamente por Wintour. 

O documentário “The First Monday in May”, lançado em 2016 e dirigido por Andrew Rossi, mostra os bastidores do Met Gala, acompanhando desde o início do projeto na redação da Vogue americana até a grande primeira segunda-feira de maio. Com diversas entrevistas com produtores do Met, convidados, estilistas e depoimentos de Anna Wintour, a obra procura detalhar como se move a indústria da moda e seu evento mais importante. 

 Em 75 anos de existência, momentos históricos marcaram o Met Gala e foram emblemáticos na moda. Entre eles, a primeira aparição da Princesa Diana, em 1996, com um clássico vestido Dior; a cantora Rihanna, em 2017, com um vestido de mais de 25 quilos que levou mais de dois anos para ser confeccionado; a cantora e atriz Cher, em 1974, usando um vestido transparente e de brilhos da marca Bob Mackie que viria a se tornar referência e inspiração para as próximas edições.  

Para Juliemili, um momento muito aguardado todos os anos é a presença da atriz Blake Lively, que utiliza grandes e volumosos vestidos, sempre de importantes grifes e chocando a todos com a perfeição e adequação a cada tema. Em 2022, quando a temática do evento era “Era Dourada no Século 19 nos Estados Unidos”, a peça trazia detalhes em pedrarias e cores como laranja e cobre. Desmontado, o vestido se transformava em um look quase todo azul, fazendo referência ao processo de envelhecimento do metal da Estátua da Liberdade.  

 O Met Gala procura abordar temas que instiguem a história cultural, social, política e econômica de alguma época mundial, para que os estilistas possam criar suas artes a partir de um viés mais embasado e traduzir por meio da moda uma abordagem crítica das questões do mundo. O evento é mais que um tapete vermelho repleto de celebridades e sim uma reflexão de como a moda também está inserida na política e na sociedade, gerando um real questionamento sobre uma coleção de roupas. 

 “O Met Gala se tornou unanimidade quando se fala sobre eventos de moda que extrapolam a bolha fashion. A presença de celebridades vestindo looks exclusivos de grandes grifes e a veiculação do evento nas redes sociais e na TV tornam a proporção do The Met maior a cada ano. As novas gerações vêm se interessando pela história e pelo significado do evento cada vez mais e posso afirmar que as plataformas digitais, como o TikTok, ajudam a alcançar mais pessoas que ainda não conhecem sobre o evento”, diz Juliemili. 

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'Gossip Girl' e 'Euphoria': uma contraposição de décadas e visões de estilo diferentes
por
Giulia Cicirelli
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26/06/2023 - 12h

As séries de televisão sempre tiveram influência na sociedade, especialmente na cultura e como ela afeta diversos aspectos da vida das pessoas que consomem este tipo de conteúdo. A produção criativa de um programa de televisão é extremamente complexa, envolvendo figurinos, estética e maquiagem, por exemplo. 

Em diferentes épocas, diferentes séries ganham popularidade e acabam se tornando o centro das atenções, fazendo com que pessoas se sintam inspiradas e acabem adotando suas características como parte do seu estilo de vida. “Creio que tudo seja muito relativo, mas séries hoje em dia, mesmo de época, tratam de assuntos muito atuais, e moda é comportamento”, afirma Mariana Totaro, diretora criativa das marcas Lorsa e Equívoco. 

Mas esses aspectos acabam se transformando ao longo dos anos, além das particularidades de cada série, como por exemplo a condição financeira dos personagens ou o universo em que as tramas se passam. 

 

Posters promocionais das séries Gossip Girl (2007) e Euphoria (2019) 

Dois exemplos são as produções “Euphoria”, lançada em 2019 e que continuou sendo exibida no início dos anos 2020, e “Gossip Girl”, lançada em 2007. Logo inicialmente pode-se identificar que há uma grande diferença entre os anos em que as produções foram ao ar, mas, além disso, quais outros aspectos seriam relevantes para contrapor uma e outra? Oo enredo da série é extremamente importante para o desenvolvimento de caracterização dos personagens. “Gossip Girl” retrata um cenário de adolescentes e jovens adultos que fazem parte da elite de Manhattan, uma das áreas mais valorizadas de Nova York. O figurino da série é majoritariamente composto por roupas de grife e peças de luxo. Já “Euphoria” é marcada por personagens que podem ser considerados de classe média, cujos guarda-roupas são compostos por peças mais básicas e acessíveis.  

Também é importante ressaltar os diferentes meios de reprodução que essas produções utilizaram. Épocas diferentes requerem meios de repercussão diferentes. Por uma série se passar no início dos anos 2000, as suas influências eram compartilhadas pelos meios de comunicação mais presentes na época, como blogs e sites. Já a outra, por se passar em meados dos anos 2020, se adaptou às redes sociais, Twitter, Instagram e TikTok.  

 

Mariana Totaro e Ana Luiza Tira 

É nítido como o público-alvo desses seriados, os jovens adultos e adolescentes, foi influenciado pelos estilos de vida apresentados para eles, mas como isso impacta a moda de uma maneira geral? Para responder a esta pergunta e apontar as principais diferenças entre as duas séries, a Agemt entrevistou Mariana Totaro e Ana Luiza Tira, pesquisadora de tendências da C&A, e elas comentaram como funcionam as tendências do momento e contaram como acompanharam todo esse processo de mudança de uma década para outra. 

  Em relação à adaptação às tendências e às diferenças entre os tempos, Ana Luiza afirmou: “Sem dúvida as mídias sociais mudaram tudo... É impressionante a força que elas têm hoje em dia. Em 2000 quem tinha o poder de influência eram as grandes marcas, revistas de moda, TV e normalmente celebridades. A partir dos anos 2010 a internet já começou a mudar muito isso”. Ela disse que, a partir dos anos 2020, primeiro pelo Instagram e depois pelo TikTok, surgiram os criadores de conteúdo, e qualquer pessoa pode influenciar outras. “Não necessariamente você precisa ser influencer ou famoso”, avaliou.  

Cenários diferentes causam impactos diferentes, atualmente com o maior e mais fácil alcance do público. “Euphoria”, em geral, sofreu uma promoção de imagem bem maior, com looks mais acessíveis para o público, o que causa um impacto maior na produção de peças de roupa. “Gossip Girl”, por sua vez, apresenta itens luxuosos e de grife, mas não deixa de ter uma grande influência na indústria da moda.

 

 

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Com milhares de seguidores no TikTok, criadoras de conteúdo ensinam técnicas e dão dicas sobre produtos
por
Lorrane de Santana Cruz
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26/06/2023 - 12h

Conteúdos sobre beleza são consumidos desde o início da internet. Antes era muito comum que blogs e revistas levantassem tendências, além de ensinar técnicas e indicarem produtos.  

Atualmente, com o avanço de plataformas digitais, muitas pessoas começaram a produzir vídeos sobre a mesma temática, mas em lugares e com propostas diferentes.  

No Brasil a maquiagem é muito consumida, e com o passar dos anos o país viu se multiplicarem os produtos e marcas nacionais no mercado. Segundo a ABF (Associação Brasileira de Franquias), entre janeiro e setembro de 2022 mercado de cosméticos é o que mais cresceu em média 13,5%, superando 2021 e estimando um faturamento de R$34,2 bilhões. 

De acordo com a Abihpec (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), em 2022, o nicho de produtos de beleza cresceu em 13,2%.  

A plataforma TikTok fez com que usuários de diversos lugares do mundo passassem a ser consumidores e produtores de conteúdo.  

Esse é o caso da maquiadora profissional Samanta Fernandes e a influenciadora Emily Clementino. Em 2021 Samanta começou a postar seus vídeos no TikTok e hoje já conta com 25 mil seguidores. Emily, por sua vez,  possui 27,7 mil na mesma rede. 

Questionada como nasceu seu interesse pela maquiagem, Samanta responde: "Surgiu de uma decepção. Me maquiei com um maquiador ‘renomado’ e ele mudou completamente minha característica. Desde então comecei a fazer cursos de automaquiagem e me apaixonar, a ponto de me profissionalizar".  

Já para Emily, a paixão começou na infância. "Sempre amei esse mundo de moda, maquiagem, estética. Desde pequena, com uns 5 anos, eu já me maquiava. Comecei a postar em minhas redes sociais somente fotos com minhas automaquiagens com 15 anos, sem interesse. Nunca imaginei que chegaria a gravar vídeos e trabalhar com isso. Foi algo bem inesperado, mas quando vi que as pessoas gostaram e que surgiam dúvidas sobre maquiagem, eu iniciei com os vídeos." 

Muitas pessoas procuram usar produtos para ressaltar a beleza ou até mesmo para melhorar alguma insegurança. Um profissional no começo de carreira tem que conquistar clientes e garantir a satisfação. "Eu não achava que seria uma profissional, me divertia maquiando minhas amigas e as clientes vieram das minhas postagens", conta Samanta. 

No meio das redes sociais, manter um público engajado e presente é uma das preocupações da figura pública. "Por mais simples que pareça, seja você, faça o básico bem-feito, mostre que além de qualquer coisa você é um ser humano comum. As pessoas não querem saber se você é rico ou não, elas querem ver um pouco delas em você. Nem que seja um pequeno detalhe da sua rotina", diz Emily.  

É muito comum escutar o nome "blogueira", ainda mais se for utilizado de forma irônica e debochada. Influencers deixaram de lado o blog e se adaptaram a uma nova forma na internet. Porém, não depende só dos vídeos em si, mas também dos algoritmos e da entrega deles para os seguidores, já que cada um se identifica com o que gosta.   

"Entender o algoritmo é algo muito complicado. Acredito que as pessoas se identificam com a forma com que cada pessoa aborda o assunto", diz Samanta.  

Grandes nomes, como Mari Maria (51,4 milhões de seguidores), Niina Secrets (8,3 milhões), Mari Saad (6,6 milhões), Karen Bachini (5,5 milhões), Bianca Andrade (28,6 milhões), Bruna Tavares (7,5 milhões) e Franciny Ehlke (34,9 milhões), usaram a imagem que construíram com o passar dos anos para lançar suas próprias linhas de cosméticos.  

Por mais antigo que seja o mundo da maquiagem, só agora  as empresas focaram em itens para peles pretas. Muitos influenciadores pretos começaram a expor o descaso dessas marcas. Tássio Santos, do canal “Herdeira da Beleza” (911 mil seguidores), Camilla de Lucas (9,8 milhões) são alguns dos responsáveis por abordar essa questão.  

"Quando iniciei, não era tão difícil, até porque não tinha tantas meninas com a estética semelhante à minha. Então me destaquei muito pela minha pele, cabelo e estilo. Hoje em dia tem muitas pessoas se arriscando como criador de conteúdo, o que ‘sobrecarrega’ a plataforma, fazendo com que tenha mais dificuldade de ‘viralizar’, relata Clementino.  

Nesse meio é muito necessário assumir responsabilidades na hora de expor qualquer coisa. Questionadas sobre os compromissos que assumem divulgando conteúdo, as influenciadoras respondem: "Eu sempre presto muita atenção nisso, nos pequenos detalhes, nas falas, atitudes, coisas que talvez ninguém perceba. Ainda mais porque meu público é como eu, meninas que passaram por dificuldades na adolescência por conta da estética. Então a responsabilidade é minha de mostrar que não é assim, que não existe padrão de beleza, que a beleza está sim na diversidade", diz Clementino.  

Fernandes, por sua vez, afirma: “Tento ensinar coisas básicas, pois é o que eu procurava quando queria me maquiar. Testo muitas vezes um produto antes de ’indicá-lo’.  

Uma rotina de gravação e disponibilidade é associada ao trabalho dos influencers, mas Samanta diz que, com ela, não é bem assim. "Não tenho uma rotina, pois tenho muitas outras funções. Gravo quando consigo."  

No entanto, para Emily, as coisas são um pouco diferentes. "Atualmente eu curso estética no período noturno, então acabo tendo bastante tempo para criar conteúdo. Meu trabalho é totalmente vinculado com as mídias sociais, fotografias, vídeos, tudo. O que me atrapalha um pouco é quando tenho tempo muito trabalho de um nicho específico, como por exemplo roupas. Se dou muito atenção para essa área, acabo não tendo tanto tempo para gravações de maquiagem."  

A maquiagem, por si só, é uma forma de expressão. Vai muito além esconder as "imperfeições" ou mascarar inseguranças, tendo em vista que o Brasil é um dos países que mais realizam cirurgias plásticas. 

Samanta aprecia o respeito durante a realização de seu trabalho, sem apagar características de suas clientes, como aconteceu com ela.  

"Sim, eu prezo pelo embelezamento, maquiagem que não transforma e sim valoriza.”  

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Como a cantora influenciou, com seu talento e rebeldia, a trajetória do rock nacional
por
Bianca Athaide
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23/06/2023 - 12h

A morte da cantora Rita Lee na primeira quinzena de maio, deixou o país de luto. Sua personalidade teve enorme importância na evolução do rock brasileiro, graças à sua liberdade e irreverência. O posto de “rainha do rock brasileiro” e “padroeira da liberdade” foi dedicado a Rita, resultado de sua personalidade moderna, criativa, revolucionária e transgressora que inspirou - e continua inspirando - milhares de pessoas.

Iniciando sua carreira com apenas 16 anos, na passagem dos anos 60, a cantora descendente de imigrantes americanos, participou de um trio de vocais femininos, batizado Teenage Singers . Não se identificou com a “caretice” do grupo e acabou saindo. Pouco tempo depois, ajudou a criar o inovador grupo “Os Mutantes”, no qual consagrou seu nome. 

A onda extremamente criativa e experimental da banda foi interrompida pelo conturbado  relacionamento de Rita com o então guitarrista e compositor Arnaldo Baptista. O fim de sua união coincidiu com o fim do grupo - uma perda imensurável para a cultura do Tropicalismo na esfera musical do Brasil. 

Em 1979, a cantora encaminha cada vez mais sua carreira para o viés solo. Após a breve criação do grupo Tutti Frutti, que teve como destaque o álbum Fruto proibido, de 1975, que trouxe a faixa “Agora só falta você”, Rita iniciou a composição de muitos hits conhecidos, com uma pegada mais pop rock, junto com seu marido Roberto de Carvalho. 

O mestre em composição musical pela City University of New York, Pedro Augusto Ramos, professor da Faculdade de Música e Conservatório Souza Lima afirma: “A Rita Lee foi muito mais do que uma roqueira. Claro, considerada a rainha do rock, pelo histórico, mas ela foi muito mais do que isso: para o século 20, similar ao que Chiquinha Gonzaga foi para o século 19. A música, querendo ou não, até hoje é um mundo mais masculino. dominado por homens, e a Rita foi além, foi uma pioneira no rock brasileiro, uma grande compositora: com composições que vão do rock, passando pela bossa nova, passando pelo pop e muitas baladas lentas.”

Somado ao seu legado musical, a cantora também deu o tom da chamada contracultura brasileira durante um longo período de tempo. Desafiando normas sociais impostas, defendendo a liberdade de expressão e dos direitos LGBTQIAP+, Rita inspirou milhares de fãs a se libertarem de paradigmas arcaicos sobre sexualidade, questão de gênero e feminismo. O professor exemplifica: “Eu acho que ela tem muito valor como mulher, sobrevivendo nesse mundo artístico - não só sobrevivendo mas tendo muito sucesso nesse meio - Ela era uma cantora, mas também tinha um pacote completo: sempre muito irreverente e leve. Em seus livros publicados e suas entrevistas podemos ver uma mulher muito ativa no papel de libertadora e modelo para muitas outras mulheres.” 

Ao analisar as letras de suas músicas, fica evidente que Rita sabia da importância da igualdade de gênero, da luta por reconhecimento e da necessidade de quebra de tabus muitas vezes opressores às mulheres. Obras como “Ovelha Negra” e “Erva Venenosa” - hits nacionais, conhecidos no país inteiro -  além de se destacarem pela qualidade musical, têm letras abarrotadas de mensagens de empoderamento feminino. Assim, além da conquista dos holofotes para seu próprio nome, Rita também escancarou portas para uma geração de artistas que viriam - entre elas, uma de suas pupilas do rock nacional, a cantora de rock baiana Pitty. 

Nas suas redes sociais, no dia em que a morte de Rita foi anunciada pelos seus filhos, a cantora publicou: “Sou fruto do legado de Rita Lee”. Em outra ocasião, durante um de seus shows, ela exclamou para o público: “Como assim? Como você é baiana e roqueira? Eu falei: 'é o seguinte: sou filha da Rita Lee com o Raul Seixas. Os dois se encontraram um dia no plano astral. Eles não sabem, mas sou filha dos dois". 

Desafiando estereótipos, chutando portas e abrindo caminhos, Rita Lee continua inspirando e ecoando pelos quatro cantos do Brasil. Seu legado e voz marcaram a história cultural e social do país. Sua coragem, rebeldia e autenticidade vão ser sempre suas características mais fortes, lembradas e celebradas pelos milhares de fãs. O entrevistado ainda finaliza com: “A Rita, eu acredito que está no panteão ali dos grandes compositores da música popular brasileira e também no campo do feminismo representou muito.” 

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