Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
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06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

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Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
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06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
por
Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

nyt taylor swift
Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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Conhecida por boa parte do público como a Cassandra de "Sai de Baixo", Aracy contava com mais de 50 anos de carreira.
por
Mohara Ogando Cherubin
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07/08/2023 - 12h

A atriz Aracy Balabanian morreu nesta segunda-feira (7) na clínica São Vicente, localizada no Rio de Janeiro. Aracy foi diagnosticada com câncer de pulmão no fim do ano passado e desde então vinha lutando contra a doença. A atriz não tinha filhos e a notícia foi confirmada por sua assistente pessoal e pela TV Globo.

Reprodução Ag. News

Reprodução Ag. News

Natural de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, Aracy nasceu em 22 de fevereiro de 1940 e era filha dos imigrantes armênios Rafael Balabanian e Ester Balabanian, descobrindo seu amor pela arte ainda criança. 

Em 1955, Aracy se mudou para São Paulo com a família e ingressou no grupo de Teatro Paulista do Estudante com o intuito de realizar seu sonho de ser atriz. Cerca de 3 anos depois, aos 18 anos, a atriz prestou vestibular e passou para a Escola de Arte Dramática de São Paulo, na qual decidiu se dedicar à carreira de atriz, mais especificamente ao teatro.

Após concluir o curso, a atriz encenou peças notáveis no Teatro Brasileiro de Comédia, como a primeira montagem brasileira de "Hair", que teve sua estreia em 1969. Alguns anos depois Aracy fez sua grande estreia na TV Globo, em 1972, na novela "O Primeiro Amor", de Walter Negrão.

Entre os trabalhos mais notórios da atriz estão as atuações nas novelas "O Casarão" (1976) como Violeta, "Guerra dos Sexos" (1983) como Greta, "Ti Ti Ti" (1985) como Marta e "Rainha da Sucata" (1990) como Armênia. 

Além de encenar em novelas, Aracy fez história na televisão brasileira como a personagem Cassandra, uma socialite acomodada e fascinada por dinheiro, no seriado "Sai de Baixo" (1996).

Reprodução UOL

Reprodução UOL

Seus últimos trabalhos foram "Sai de Baixo - o filme", exibido durante a sessão da tarde de hoje (7),  e o especial de fim de ano "Juntos a Magia Acontece" da TV Globo. Ambos os trabalhos foram exibidos em 2019.

"Obrigado pela honra de ter estado ao seu lado exercendo nosso ofício, obrigado pelo afeto, pelos conselhos, pelas gargalhadas e pela vida que você tão delicadamente me ofereceu", publicou o ator e amigo pessoal de Aracy, Miguel Falabella, em sua página oficial no Instagram.


 


 

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A agenda conta com shows, exibições, peças de teatro e mais!
por
Iris Martins
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03/08/2023 - 12h

Shows

 

Jazz Mansion

 

Nos dias 19 e 20 de agosto, acontece a 27ª Edição da Jazz Mansion, no Nacional Club, mansão construída no Pacaembu. O evento contará com a apresentação de vários artistas, com drinks e comidas típicas.

 

-Data: 19 e 20/8

-Local: Nacional Club

-Horário: 15h às 22h

 

Jazz Mansion
Jazz Mansion - divulgação/ Grupo Cuco

 

Brunch Electronik

 

Já com o gênero da eletrônica, o Brunch Electronik chega na cidade. O evento acontece no dia 19 de agosto, no Parque Villa-Lobos, e as crianças são bem-vindas. Além de música, terá comidas diversas, inclusive veganas e vegetarianas no local.

 

-Data: 19/8

-Local: Parque Villa-Lobos

-Horário: 11h

 

Dellarte Concertos

 

A música clássica vem representada na Dellarte Concertos. Com músicos renomados e em um espaço tradicional da cidade, no Teatro B32, neste mês há apresentação disponível no dia 25 de agosto.

 

-Data: 25/8

-Local: Teatro B32

-Horário: 20h

 

Concertos Candlelight

 

Os concertos à luz de velas mais famosos da cidade continuam e neste mês o repertório inclui Queen, Pink Floyd e mais!

 

-Data: 11 e 16/8

-Local: Galeria do Rock e Teatro Bradesco

-Horário: 19h e 18h30/21h

 

Shows no Terra SP

 

Sertanejo, pagode e outros gêneros você encontra na casa de shows Terra SP! Maurício Manieri, BK, Péricles e outros artistas se apresentarão no espaço neste mês.

 

-Data: várias datas

-Local: Terra SP

-Horário: vários horários

 

CHIII - Festival de Música Criativa

 

Evento gratuito que acontece na cidade em lugares diversos, entre os dias 1 e 6 de agosto. Celebra a arte e explora a pluralidade dos sons com shows e oficinas.

 

-Data: entre 1 e 6/8

-Local: vários locais

-Horário: vários horários

 

Divulgação do CHIII -Festival de Música Criativa
Festival CHIII - divulgação

 

Exposições

 

Os Mundos de Leonardo da Vinci

 

A exposição sobre o famoso Leonardo da Vinci é imersiva, com projeções, maquetes e inteligência artificial e continua neste mês no MorumbiShopping.

 

-Data: até 22/10

-Local: MorumbiShopping

-Horário: a partir das 10h

 

MasterChef Imersão & Sentidos

 

A exposição sobre o famoso reality MasterChef acontece no Shopping Vila Olímpia e o público se sente parte do programa, com espaços imersivos, utensílios utilizados e mais.

 

-Data: várias datas

-Local: Shopping Vila Olímpia

-Horário: a partir das 10h

 

Barbie Dreamhouse Experience

 

Conheça a casa da boneca mais famosa do mundo na exposição que acontece no Shopping JK Iguatemi.

 

-Data: até 10/9

-Local: Shopping JK Iguatemi

-Horário: das 14h às 21h (segunda a sexta), 10h às 21h (sábados) e 11h às 20h (domingos e feriados)

 

Marta Minujín: Ao Vivo

 

Confira a exposição da artista argentina, Marta Minujín na Pinacoteca de São Paulo! Como o próprio site do evento relata, as intervenções urbanas ganham evidência.

 

-Data: até 28/1/24

-Local: Pinacoteca de São Paulo

-Horário: de quarta a segunda, das 10h às 18h (quintas-feiras estendidas: das 10h às 20h, com entrada gratuita a partir das 18h)

 

Exposição Marta Minujín
Obras de Marta Minujín - Levi Fanan, Sofia Ungar, Beto Assem

 

Gilberto Mendes 100

 

Em comemoração ao centenário do músico e compositor Gilberto Mendes, o Sesc Consolação recebe até dezembro a exposição Gilberto Mendes 100, com entrada franca.

 

-Data: até 3/12

-Local: Sesc Consolação

-Horário: 10h às 21h30 (terça a sexta), 10h às 20h (sábados) e das 10h às 18h

 (domingos e feriados)

 

Essa Nossa Canção

 

A exposição no Museu da Língua Portuguesa revela ligações entre a língua e a canção brasileira. Conta com participações de artistas como Carlinhos Brown, Tom Zé, entre outros artistas de renome brasileiros.

 

-Data: até março de 2024

-Local: Museu da Língua Portuguesa

-Horário: 9h às 16h30 (terça à domingo)

 

Teatro

 

O Mágico de Oz

 

A famosa história do Mágico de Oz chegou a São Paulo com o musical que promete entreter toda a família, no Teatro Procópio Ferreira.

 

-Data: até 17/9

-Local: Teatro Procópio Ferreira

-Horário: vários horários

 

Bob Esponja, O Musical

 

O clássico desenho vem para os teatros com uma super produção no Teatro Sérgio 

Cardoso!

 

-Data: até 1/10

-Local: Teatro Sérgio Cardoso

-Horário: vários horários

 

Bob Esponja O Musical
Bob Esponja, O Musical - divulgação/Mateus Ribeiro

 

O Rei Leão

 

O filme que fez parte da infância de muitos agora chega em São Paulo. Aprecie o musical fenômeno da Broadway no Teatro Renault.

 

-Data: até 1/10

-Local: Teatro Renault

-Horário: 19h30 (quintas e sextas), 15h e 19:30 (sábados e domingos)

 

O Pai

 

Uma filha e seu pai idoso que começa a perder a memória. Esta é a comédia dramática que ocorre no Teatro UOL estrelada por Fulvio Stefanini.

 

-Data: até 26/8

-Local: Teatro UOL

-Horário: 21h (sextas) e 20h (sábados)

 

Mutações

 

No Sesc Consolação também ocorre a peça Mutações, sobre 3 personagens em um jogo de transformações que nada parece ser o que aparenta.

 

-Data: até 20/8

-Local: Sesc Consolação

-Horário: 20h (sextas e sábados) e 18h (domingos)

 

Lazer e diversão

 

Paint in the Dark

 

Pintura e bebidas: essa é a premissa do Paint in the Dark. Entre os dias 6 e 10 de agosto, desfrute de um ambiente com luz negra e muita diversão no Teatro da Rotina.

 

-Data: 6 a 10/8

-Local: Teatro da Rotina

-Horário: vários horários

 

Paint in the Dark
Paint in the Dark - divulgação/Fever

 

Feira Cultural Leste Europeia

 

Aproveite a gastronomia artesanal autêntica do leste europeu e a cultura regional sem sair do país. A feira acontece na Vila Prudente no dia 6 de agosto.

 

-Data: 6/8

-Local: Rua Aracati Mirim, ao lado do Parque Ecológico de Vila Prudente

-Horário: 10h às 17h

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Ator enfrentava a morte do pai há uma semana; causa da morte é desconhecida
por
Maria Eduarda Camargo
Bianca Novais
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31/07/2023 - 12h

 

Foto do ator Angus Cloud na série Euphoria
Fezco, interpretado por Angus Cloud em Euphoria. Foto: Eddy Chen/HBO.

Angus Cloud, ator conhecido por interpretar Fezco no seriado Euphoria da HBO, morreu em casa, em Oakland, Califórnia (EUA), de acordo com o site TMZ. 

A família do artista declarou nas redes sociais que “é com o coração pesado que temos que dizer adeus a um ser humano incrível hoje. Como artista, amigo, irmão e filho, Angus era especial para todos nós de diversas maneiras. Semana passada ele enterrou seu pai e lutou intensamente com a perda. O único conforto que temos é saber que Angus está reunido com seu pai, que era seu melhor amigo. Angus falava abertamente sobre sua batalha com a saúde mental e esperamos que seu falecimento possa ser um lembrete para outros de que não estão sozinhos e de que não devem lutar contra isso por conta própria ou em silêncio”.

No final da nota, os familiares de Cloud pedem privacidade neste momento de luto e esperam "que o mundo se lembre de seu bom humor, sua risada e amor por todos”.

Cloud estreou seu primeiro grande papel em 2019, como o traficante Fezco, para a série Euphoria da HBO. Havia também especulações de que estivesse escalado para o remake de "A filha de Drácula", da Universal Studios, segundo o site Omelete. 

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Evento contou com espaço gamer, presenças de figuras do cinema, música e games e show de rap exclusivo
por
Maria Eduarda Camargo
Kawan Novais
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31/07/2023 - 12h

 

Pela primeira vez na Zona Leste, a terceira edição da Perifacon ocorreu no último domingo (30), no Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes. Entre shows de rap e exposições de ícones dos quadrinhos nacionais, como o painel comemorativo de 60 anos da Turma da Mônica, o evento trouxe a potência da cultura periférica para o mundo geek — e vice-versa. A equipe Agemt, presente no evento, traz um pouco do que rolou por lá.

No palco Potência Tech, aconteceu a competição de poesias (o "Perifageek Slam"), concurso e desfile de cosplays e mesa de conversa sobre "Pantera Negra e seu impacto na Cultura" — seguido pelo pocket show das gêmeas Tasha&Tracie — que também participaram da conversa. Mc Rashid também esteve presente com show exclusivo no fim da noite.

Tasha e Tracie se apresentando no palco da Perifacon
Tasha e Tracie no Palco Potência Tech da Perifacon. Foto: Perifacon.

No mesmo palco, rolou também promoção do lançamento da próxima série musical da Globoplay: Vicky e a Musa, trazendo Cris Vianna, Jean Paulo Campos e Cecília Chancez no elenco. Cris contou, durante o bate papo, sobre ter aceitado a personagem (Fafá) “nossa carreira é uma eterna escola, a cada trabalho nasce uma nova atriz — aceitei a personagem por esse motivo. E depois ela ganhou nome, namorado, pai, casa. Ganhou camadas.”

 

A convenção também reafirmou o Aranhaverso, muito presente não só no palco com Cadu Paschoal, atual dublador de Miles Morales, como também em grande parte dos cosplays do evento  — teve Gwen Stacy, Miles Morales, Hobie Brown e até Cindy Moon. E falando em Marvel, a IronStudios chegou com tudo na exposição de diversas action figures exclusivas e também um painel com o lançamento de Residiuum, seu novo jogo de IP (Propriedade Intelectual) própria.

Cosplay vestido de Hobie Brown
Cosplay de Hobie Brown, personagem do filme Homem Aranha no Aranhaverso. Foto: Kawan Novais.
Dois cosplays em posição imitando o personagem Homem Aranha
Cosplays de Cindy Moon e Peter Parker. Foto: Kawan Novais
Cadu Paschoal segurando microfone na mesa de conversa da Perifacon
Cadu Paschoal, dublador de Miles Morales, na Perifacon 2023. Foto: Thiago Moreira.

Além das atrações, o evento disponibilizou duas praças de alimentação aos visitantes. Cachorros-quentes, churros recheados, hambúrgueres, mini pizzas, cookies e pastéis foram algumas das opções disponíveis aos visitantes. A hamburgueria Vassoura Quebrada, com temática referente à saga Harry Potter, foi destaque.

A Warner também marcou o evento com seu painel de comemoração de 100 anos: “Personagens favoritos da Quebrada” e bate papo com o elenco de Besouro Azul (DC Comics) — composto por Bruna Marquezine e Xolo Maridueña, que responderam de forma remota algumas perguntas da plateia. A dupla se encontra neste momento fazendo as divulgações do filme

Pela primeira vez, houve uma mostra de cinema, que exibiu curtas feitos por jovens da periferia e soltou um pequeno trecho de “Nosso Sonho”, cinebiografia que conta a história de Claudinho e Buchecha. O filme, interpretado por Lucas Penteado — presente na convenção — e Juan Paiva, retrata os bastidores da fama e os dramas pessoais da dupla. A estreia está prevista para 21 de setembro.

Além das atrações da Warner, a Netflix investiu pesado na divulgação de “Sintonia”, série brasileira produzida em parceria com o Kondzilla. No tapete vermelho, os visitantes puderam posar ao lado do logo da gigante do streaming no primeiro mural e, em seguida, em frente a um ‘paredão’ de som, com correntes de ouro e óculos de sol modelo ‘Juliet’. Havia também um mural para a adaptação live-action do mangá "One Piece" — o que reuniu muitos cosplays de personagens da trama.

Cosplays do personagem Luffy de One Piece reunidos em frente ao cartaz do anime
Cosplays do personagem Luffy. Foto: NetflixBrasil.

A Perifacon nasceu em 2019, com o objetivo de facilitar o acesso à cultura pop e geek dentro da periferia. Suas outras duas edições foram no Capão Redondo e na Brasilândia (2022). Andreza Delgado, uma das fundadoras do evento, contou em entrevista para o site Omelete que “a cada ano mostramos a força da periferia quando se trata de cultura. Seguimos construindo pontes e derrubando muros. Ficamos felizes com o resultado da última edição e agora estamos trabalhando muito para que a terceira seja ainda melhor. Sabemos da força e dos valores que existem nas favelas de São Paulo, então será um grande espetáculo”.

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Diretor estava internado desde terça-feira (04) com queimaduras. Zé foi revolucionário nas artes cênicas no Brasil e fundador do Teatro Oficina
por
Bianca Novais
Maria Eduarda Camargo
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06/07/2023 - 12h

O dramaturgo, ator e diretor José Celso Martínez Corrêa, ou “Zé Celso”, faleceu na manhã de quinta-feira (6), aos 86 anos. O ator estava internado na UTI do Hospital das Clínicas com queimaduras desde terça-feira (04), após um incêndio atingir seu apartamento na Zona Sul de São Paulo. A morte por falência múltipla dos órgãos foi confirmada pelo Teatro Oficina.

Zé Celso, ator, diretor, dramaturgo e artista fundador do Teatro Oficina. Foto: Divulgação/Christina Rufatto.
Zé Celso, ator, diretor, dramaturgo e artista fundador do Teatro Oficina. Foto: Divulgação/Christina Rufatto.

Natural de Araraquara, interior de São Paulo, Zé Celso se mudou para a capital em 1955, para cursar Direito na Universidade de São Paulo (USP), que não chegou a finalizar. Enquanto ainda integrava a faculdade, em 1958, Celso e outros colegas criaram a Companhia de Teatro Oficina — na época amadora. Desde 1961, a Companhia se profissionalizou e hoje integra o famoso nome de Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona.

O dramaturgo foi o precursor do movimento tropicalista e modernista no país — considerado em muitas de suas encenações como antropofágico e sensorial — e consagrado em 1967 com a peça "O Rei da Vela", escrita por Oswald de Andrade, no mesmo ano em que reconstruiu a Companhia de Teatro Oficina, um ano após um incêndio. A encenação é uma de suas mais famosas até hoje. A última exibição foi em 2018, no Teatro do Sesi, em Porto Alegre.

Outra peça de destaque é "Roda Viva", com texto de Chico Buarque, que estreou em 1968. Priorizando a experimentação e provocação, Zé Celso estava em ascensão no meio artístico quando foi exilado em 1974, devido a perseguições da Ditadura Militar. 

Nesse período, vivendo em Portugal, o diretor trocou os palcos pela câmera e fez dois documentários: “O parto”, sobre a Revolução dos Cravos, e “Vinte e cinco”, sobre a independência de Moçambique.

Zé Celso após retornar do exílio, em 1978. Foto: Silvio Correa/Agência O GLOBO
Zé Celso após retornar do exílio, em 1978. Foto: Silvio Correa/Agência O GLOBO.

Retornou a São Paulo em 1978 e se dedicou a manter o espaço do Teatro Oficina aberto, localizado no bairro da Bela Vista. Com projeto arquitetônico de Lina Bo Bardi, a construção foi tombada em 1982. O terreno do Teatro foi protagonista de muitas disputas judiciais entre Zé Celso e o apresentador e empresário Silvio Santos, este que pretendia construir um shopping center no local.

Desde que voltou ao Brasil, Zé escreveu, dirigiu, produziu, contracenou e traduziu diversas peças de teatro, além de publicar um livro em 1998, "Primeiro Ato - cadernos, depoimentos, entrevistas (1958-1974)", e atuar na telenovela "Cordel Encantado" em 2011, da TV Globo. Venceu mais de vinte premiações nacionais e internacionais, entre elas o Prêmio APCA, da Associação Paulista de Críticos de Arte, em 1961, como Diretor Revelação.

Em 2023, Zé Celso se casou com seu namorado Marcelo Drummond, após um relacionamento de 36 anos. Apesar de morarem no mesmo edifício, mas em apartamentos separados, Marcelo também foi acometido pelo incêndio no apartamento de seu esposo ao inalar monóxido de carbono e recebeu alta da internação nesta quinta-feira.

Zé Celso e Marcelo Drummond em 2009. Foto: Celso Tavares/G1.
Zé Celso e Marcelo Drummond em 2009. Foto: Celso Tavares/G1.

"Tudo é tempo e contra-tempo!", publicou o Teatro Oficina em sua página oficial no Instagram.

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