Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
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06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

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Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
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06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
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Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

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Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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A escola e companhia de dança realizou sua primeira visita monitorada do ano.
por
Camila Bucoff
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23/04/2024 - 12h

No dia 12 de abril, a academia abriu as portas para que os visitantes pudessem conhecer o espaço e a história do Ballet. A experiência, guiada por Monica Tarragó, diretora e fundadora da instituição, também contou com uma apresentação da recém-formada companhia e uma roda de conversa com os bailarinos. 

A sede de três andares, localizada em Paraisópolis, Zona Sul de São Paulo, é berço de grande potencial artístico. Com várias paredes pintadas por artistas famosos, como Kobra e Mena, e mais de 200 bailarinos uniformizados, a escola se tornou um ponto de arte, cor e cultura na região. 

Figurinos expostos no segundo andar. Foto: Isabella Ogassavara/Arquivo pessoal
Figurinos expostos no segundo andar. Foto: Isabella Ogassavara/ Arquivo pessoal
Paraisópolis vista do terceiro andar. Foto: Isabella Ogassavara /Arquivo pessoal
Paraisópolis vista do terceiro andar. Foto: Isabella Ogassavara/ Arquivo pessoal

A formação dos bailarinos é totalmente gratuita e aberta para o público, porém, como o limite de vagas já foi excedido, existe uma lista de espera que conta com mais de 2000 jovens interessados. Sábado 6/4, 70 novas crianças ingressaram na academia. Sob essa ótica de inclusão, existe um comprometimento da atual diretora em tornar o espaço acessível em todos os sentidos: os três andares possuem mapas táteis para os alunos portadores de deficiência visual e o próximo passo será a instalação de elevadores.

A formação básica é de 10 anos e consiste em 3 aulas por semana, com 60 minutos diários, que exploram as mais variadas expressões artísticas, desde o ballet clássico, contemporâneo, até a história da dança. Para as crianças mais dedicadas, há uma pequena turma de 15 estudantes entre 8/10 anos, chamada de “infantil”, que é ainda mais intensiva e preparatória para a carreira na arte. Durante a visita, a fundadora revelou que o Ballet busca, ao máximo, dar as condições necessárias aos alunos para que eles, com força de vontade e persistência, tornem o desejo de dançar uma realidade.

Por ser uma instituição sem fins lucrativos, o Ballet Paraisópolis é patrocinado por algumas empresas privadas e financiado por projetos de incentivo governamental, além de doações. Contudo, todos os funcionários são remunerados, assim como os bailarinos da companhia, que embora tenha sido fundada em 2022, só foi oficializada no mês passado, representando um passo importante para a profissionalização e reconhecimento dos artistas. As obras "Grand Pas de Deux de Don Quixote", montado por Weverton Aguiar, e "Véspera", por Christian Casarin, marcaram o lançamento. 

Além disso, os 18 integrantes da cia recebem bolsa para formação no ensino superior, direcionamento nutricional e assistência fisioterapêutica. Logo, o cuidado com o bailarino vai desde o início de sua formação até sua atuação profissional. Entre os dançarinos presentes durante a visita, oito já eram da escola, enquanto os sete, que vieram de fora, tiveram que passar por uma audição antes de serem contratados.

Visitantes e companhia após apresentação e roda de conversa. Foto: Reprodução/Instagram/@balletdeparaisópolis
Visitantes e companhia após apresentação e roda de conversa. Foto: Reprodução/Instagram/@balletparaisopolis

Por fim, a organização interna da academia incentiva um senso de comunidade entre os estudantes. A limpeza das áreas de convivência e dos banheiros é de responsabilidade da companhia, que influencia os mais novos a seguirem seu exemplo. Outro hábito dos bailarinos é oferecer auxílio aos professores, mantendo a sala organizada durante as aulas, e à coordenação, colaborando com ideias de marketing, sugestões e levantando demandas dos dançarinos. 

Para além da beleza da sede, ela traz visibilidade à região, oportunidade de acesso à cultura e à arte, e com isso, um desenvolvimento social significativo. Nesse sentido, a sensação de coletividade extrapola a infraestrutura do Ballet e contamina Paraisópolis. Em junho de 2021, a instituição recebeu o título de “Ponto de Cultura do Ministério da Cidadania”, e em outubro, o “Selo Municipal de Direitos Humanos e Diversidade”.

Ainda sem previsão da próxima visita, é indicado acompanhar as páginas do Ballet nas redes sociais para outras oportunidades. 


 

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Evento gratuito de música no Parque Villa Lobos traz grandes atrações e anima o fim de semana dos paulistanos
por
Beatriz Yamamoto
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17/04/2024 - 12h

No último fim de semana (13/4), São Paulo recebeu a 8ª edição do Festival BB Seguros de Blues e Jazz. Patrocinado pela Lei de incentivo à cultura, o festival proporcionou shows gratuitos ao ar livre, reunindo grandes músicos nacionais e internacionais. As apresentações aconteceram na Ilha Musical do Parque Villa-Lobos, em São Paulo, proporcionando ao público a oportunidade de desfrutar de boa música em meio aos espaços verdes urbanos da cidade.

Os espectadores trouxeram cangas, fizeram piqueniques e desfrutaram do evento, imersos em músicas no ambiente descontraído. Para as crianças, pintura facial, oficina de desenho e malabares.

O primeiro show foi do Monk's Dream Jazz Group, um quarteto em homenagem a um dos maiores pianistas e compositores do jazz moderno, Thelonious Monk.

Show do Monk's Street Festival BB Seguros de Blues e Jazz/Foto: Beatriz Yamamoto
Show do Monk's Dream Jazz Group no Festival BB Seguros de Blues e Jazz/Foto: Beatriz Yamamoto

Durante os intervalos, a Orleans Street Jazz Band alegrava o público, trazendo a energia das ruas de Nova Orleans com músicas conhecidas do jazz.

Em seguida, a banda Bixiga 70, assim chamada por ter nascido no número 70 da Rua Treze de Maio, no bairro do Bixiga, misturou elementos da música africana, afrobeat, brasileira, latina e jazz. Houve muita animação, e ainda tocaram músicas do “Rei do Baião” Luiz Gonzaga.

Durante o outro intervalo, a Orleans Street Jazz Band tocou mais músicas, incluindo composições de Jorge Ben e Tim Maia, deixando o público ainda mais animado.

 

Orleans Street Jazz Band no Festival BB Seguros de Blues e Jazz/Foto: Beatriz Yamamoto
Orleans Street Jazz Band no Festival BB Seguros de Blues e Jazz/Foto: Beatriz Yamamoto

 

Como já é tradição no festival, o show especial do grupo O Bando Rock & Blues fez o público vibrar e cantar junto músicas icônicas que marcaram a história entre esses dois estilos.

Em seguida, Renato Borghetti, entrou no ritmo gaúcho com seu acordeão e seus músicos, incluindo seu flautista que deu um show ao interpretar "Asa Branca". Foi uma experiência emocionante, com o gramado totalmente tomado pelos amantes da música.

O mais aguardado, um dos maiores nomes do blues e jazz nacional e internacional, era o renomado trompetista cubano Arturo Sandoval, vencedor de dez prêmios Grammy. A verdadeira lenda do jazz e sua banda subiram ao palco depois da apresentação de Borghetti. Inspirado por grandes nomes do jazz como Charlie Parker e Dizzy Gillespie, Sandoval proporcionou um show único e bem-humorado, trazendo elementos da cultura cubana. O trompetista e sua banda impressionaram o público, tornando o espetáculo verdadeiramente inesquecível.

 

Show de Arturo Sandoval no Festival BB Seguros de Blues e Jazz/Foto: Beatriz Yamamoto
Show de Arturo Sandoval no Festival BB Seguros de Blues e Jazz/Foto: Beatriz Yamamoto

 

Show de Alabama Mike no Festival BB Seguros de Blues e Jazz/Foto: Beatriz Yamamoto
Show de Alabama Mike no Festival BB Seguros de Blues e Jazz/Foto: Beatriz Yamamoto

O público permaneceu em qualquer clima. À medida que a noite caía e a garoa típica de São Paulo começava, a multidão continuava animada para o último show, protagonizado por Alabama Mike, o bluesman americano que encerrou o evento.

Além de São Paulo, o festival também acontece em Brasília (20/4) e Recife (18/5), ampliando seu alcance e impacto cultural em todo o país. Em cada cidade, o evento reafirma sua missão de democratizar o acesso à cultura e à música de qualidade, oferecendo ao público a oportunidade única de vivenciar performances que normalmente estariam confinadas a espaços mais restritos e exclusivos.

O festival se despede de mais um ano de sucesso e os espectadores já aguardam ansiosamente pelo próximo encontro com a magia do blues e jazz.

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Apesar da aprovação institucional, a realidade do movimento nas ruas ainda demonstra ser outra
por
Amanda Tescari
Helena Campos
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16/04/2024 - 12h

No dia 6 de março, a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) aprovou o Projeto de Lei 498/2021, que reconhece o hip hop como patrimônio cultural imaterial do estado de São Paulo. A iniciativa legislativa se deu a partir da articulação da deputada Leci Brandão (PCdoB) em coautoria com Márcia Lia (PT), Márcio Nakashima (PDT) e Emídio de Souza (PT).

 

A necessidade de tal reconhecimento exposta pelos deputados é justificada pela grande importância do movimento cultural na vida dos jovens periféricos. A partir do hip hop, milhares de jovens são incentivados a vivenciar a cultura, os projetos sociais e econômicos de grande impacto que não são desenvolvidos pelo Estado, estimulando sua autoestima e autoconhecimento.

 

São Paulo não foi o pioneiro em tal movimentação legislativa. O reconhecimento da cultura hip hop como patrimônio cultural imaterial foi tema de discussão em 2023 em Brasília, com a aprovação da lei nº 97/2023, de autoria de Max Maciel (PSOL).

 

A popularização do rap e sua chegada ao mainstream

 

            Nos últimos anos, é notória a constante crescente pela qual o estilo musical tem passado nas plataformas digitais, levando diversos artistas que antes não possuíam tal alcance ao posto de mainstream.

 

Segundo o site Trace Brasil, em agosto de 2023, 25% dos usuários do Spotify eram ouvintes de hip hop, 53 milhões das playlists eram compostas de músicas do gênero e dois bilhões de pessoas tinham pelo menos um hip hop salvo. A playlist “RapCaviar” é a mais ouvida do planeta e o Brasil está em terceiro lugar no ranking dos países que mais escutaram o gênero em 2023.

 

A realidade do hip hop nas ruas

 

Mesmo com todo esse crescimento, popularização e até reconhecimento institucional, a realidade dos artistas fora dos aplicativos de música é diferente. Cinco dias depois da aprovação do projeto de lei que reconheceu o hip hop como patrimônio cultural, a artista MC Kisha foi retirada à força de um vagão da CPTM e posteriormente agredida pelos próprios agentes de segurança do local enquanto rimava.

 

Ela e outras MC'S voltavam de um evento de rima realizado na zona sul de São Paulo, e na hora da agressão, contaram estar rimando e conversando sobre pautas sociais no transporte público.

 

A MC conta em entrevista ao UOL, já ter sofrido outras agressões pela mesma razão, mas nada tão brutal. No seu Instagram, Kisha publicou fotos de seu rosto inchado e das tranças, que foram arrancadas de sua cabeça. Na legenda, escreveu: “Pra quem me pergunta ‘Kisha, parou de rimar em trem?’ Tá aí sua resposta!”

        

Fora dos vagões do trem, na zona oeste da cidade, a tradição das rimas se mantém ativa. “Tem que ter coragem, não pode jogar toalha, toda quarta-feira tem Largo da Batalha”, cantam os MC's junto da plateia na praça ao lado do metrô Faria Lima. A competição é receptiva e repleta de discussões políticas. Os participantes se inscrevem na batalha em duplas e há sempre o ganhador do dia. Durante as rimas, o público interage com os Mc´s e demonstra sua satisfação. As votações são feitas com base nas palmas e na torcida do público.

 

Mano Jhowse, duas vezes ganhador do Largo da Batalha, apontou em sua entrevista à Agemt que o hip hop é, de início, um ambiente machista, "mas a gente tá em constante evolução para poder ser um espaço mais inclusivo, para que mais pessoas tenham acesso a essa cultura", concluiu.

 

Os organizadores do evento compartilharam com a plateia que todas as mulheres que haviam se inscrito para batalhar, tiveram a oportunidade de rimar. Mas Gisele Amâncio, mais conhecida como MC Girassol, ainda sente falta de mais representatividade durante as rimas. “Eles falam ‘é MC contra MC’ mas não é assim, porque se fosse tão justo, ia ter oito minas e oito manos na chave”, expõe à Agemt.

 

A artista do Grajaú relata ainda que já perdeu batalhas por falar da sua luta, "mas é isso, eu bato nesses cara tudo e não tô nem aí", brincou.

 

Apesar de alguns momentos de falta de luz na praça, a batalha foi finalizada. Sobre esse tipo de acontecimento, Jhowse relatou: "a questão é a seguinte: os espaços públicos são nossos, certo? A gente acredita que não é. Quando você domina um espaço público, de início, o sistema vai tentar te oprimir pra que isso não cresça, ainda mais porque as coisas que a gente fala aqui são contra o sistema capitalista, esse sistema de opressão".

 

            Ele destaca, ainda, que o hip hop sempre foi um movimento de luta contra o Estado, e que isso tem como consequência uma reação de querer abafar a cultura de alguma maneira. "E a resistência depende de uma firmeza, de uma base, uma raíz bem fixada", finaliza.

                                                            

                                                 Mano Jhowse após sua vitória no Largo da Batalha. Via: Instagram

 

Origem do hip hop

 

Diante do contexto de grande inseguridade social vivenciado pelos Estados Unidos nos anos 70, evidenciaram-se as diferenças sociais, os processos de discriminação racial e favorecimento do acesso à criminalidade e às drogas em diversos locais do país, mais especificamente no Bronx, bairro periférico de Nova York e futuro berço do hip hop.

 

Em oposição a esse cenário, a primeira festa de hip hop foi promovida em agosto de 1973, pelo DJ jamaicano Kool Herc e sua irmã Cindy Campbell. Conhecidos na época como Block Parties, estes eventos uniam técnicas de discotecagem inovadoras, mestres de cerimônia - os MC's - que rimam nessa batida e o break dance, interpretado pelos B boys e B girls. O grafitti também se comunicava diretamente com esse universo, operando como manifestação política nos muros da cidade.

 

Em novembro do mesmo ano, o DJ Afrika Bambaataa, outro alicerce do movimento, fundou a ONG chamada Zulu Nation, com o intuito de promover de maneira unificada e organizada as batalhas de rimas e em prol da valorização da juventude negra a partir do hip hop, afastando inúmeros jovens de envolvimento com o mundo do crime.

 

Além de Herc e Afrika Bambaataa, o terceiro pilar dessa cultura é o DJ Grandmaster Flash, responsável pela criação do beat box, que é a batida base para a composição dos raps e para a consolidação da importância do DJ no cenário.

 

A expressão "hip hop" é uma gíria na qual o termo "hip" significa "quadril", e "hop" designa "balançar", em referência às festas que deram origem a essa cultura. De maneira lúdica, a expressão promove o vínculo entre diversão e informação, funcionando como um chamado ao engajamento à vivência do cotidiano periférico.

 

O hip hop chegou com força no Brasil dez anos depois, com o álbum “Hip-Hop Cultura de Rua”, que contou com a participação de diversos nomes emblemáticos para o movimento no país, como Thaíde, DJ Hum, O Credo, Código 13 e outros.

 

A concentração dos adeptos do hip hop acontecia principalmente no centro de São Paulo, entre o Viaduto do Chá, a Estação São Bento e a Rua 24 de maio, em manifestações como rodas de break dance, como a Roda do Nelsão, pioneira nacional idealizada por Nelson triunfo.

 

Desde a sua origem, o hip hop surge como um estilo de arte de denúncia da realidade. Nas letras dos raps, são comuns temas como a exclusão social, o racismo e as violências estatais sofridas por uma grande parcela da população diariamente - muitas vezes com o objetivo de conscientização e politização do ouvinte.   

 

Estes princípios, enraizados ao movimento há 50 anos, ainda se mantêm como norte para os artistas e todos aqueles adeptos da cultura. "Eu quero que tenha liberdade pra gente poder, de fato, estar em todos os lugares, em todas as praças e ser respeitado. Que a gente transmita mais cultura e que não seja oprimido, mas essa é uma luta que tem que ter muita consciência de classe, união, e todo mundo com o mesmo objetivo. É difícil, mas existe resultado pelo movimento que a gente faz, e a gente tira muito mais gente do crime do que a própria organização do Estado, então de fato a gente está aqui pela mudança", finaliza Mano Jhowse para a Agemt.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Exposição no IMS Paulista explora o passado e presente do samba urbano carioca e a origem do samba no RJ
por
Maria Elisa Tauil
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12/04/2024 - 12h

O Instituto Moreira Salles (IMS), em São Paulo (SP), apresenta a exposição “Pequenas Áfricas: o Rio que o samba inventou”. Em cartaz até 21 de abril, a exibição celebra as comunidades afrodescendentes que, entre os anos 1910 e 1940, criaram e consolidaram o samba urbano no Brasil e no mundo.

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Abertura da exposição. Foto: Maria Elisa Tauil

Através de fotos, gravações, áudios, documentos e obras dos acervos do IMS e de outras instituições, a mostra dialoga para além dos aspectos históricos. As complexas redes de trabalho, solidariedade, espiritualidade e a música: dos terreiros, quintais e escolas de samba são só alguns dos temas abordados.

“Esta exposição parte da música para percorrer a intrincada rede de encontros, trocas e conflitos que ali se formou na primeira metade do século 20. Consciência política, religiosidade e solidariedade são inseparáveis da sofisticada produção artística que se espraia no espaço - ganhando uma cidade, o país e o mundo - e no tempo, ainda hoje pulsante em seu espírito dissidente de um país racista e desigual,” pontua o time de curadoria no começo da exposição.

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Núcleo dedicado a mostrar a importância das “Tias” na construção do universo do samba. Foto: Maria Elisa Tauil/AGEMT

DO PORTO AS ESCOLAS DE SAMBA

O título da mostra faz alusão ao termo criado pelo artista Heitor dos Prazeres para se referir à região da Zona Portuária do Rio de Janeiro, no século 20. Ao longo dos aproximadamente 380 itens, o conceito é compreendido como uma construção política e ampliado para outras áreas da cidade.   

O primeiro andar apresenta o lugar onde tudo começou: o Complexo do Cais do Valongo, maior porto escravista da história, que recebeu cerca de 1 milhão de africanos escravizados e vindos forçados para o Rio de Janeiro.

A exposição reúne documentos, imagens e reportagens da Praça Onze, capital da Pequena África. O local foi habitado, no começo do século 20, por uma população de afrodescendentes, imigrantes judeus, italianos e ciganos. Foi nas regiões próximas dali que se fundou a primeira escola de samba e onde aconteceu o primeiro desfile das agremiações.

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“Carnaval na Praça Onze.” Foto: Maria Elisa Tauil/AGEMT

Além disso, são mostrados itens, documentos e reportagens como: o violão de Donga, a partitura de Pelo Telefone, os registros da turnê dos Oito Batutas em Paris em 1922 e algumas pinturas do artista Heitor Prazeres. Também é evidenciada a atuação das “Tias” – mulheres negras e mais velhas – na construção do samba carioca.

O segundo andar é focado nas práticas cotidianas da época. Reunindo fotos, auto falantes, discos de vinil, máquinas de escrever, medalhas, entre outros itens de valor histórico, a exposição mostra a influência das escolas de samba no passado e presente. A mostra termina com um grande painel que evidencia as conexões entre sambistas de diferentes gerações.

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Painel que evidencia as conexões entre sambistas de diferentes gerações. Foto: Maria Elisa Tauil/AGEMT

FOTOS

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Foto do século 20. Foto: Maria Elisa Tauil/AGEMT
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Começo da exposição. Foto: Maria Elisa Tauil/AGEMT
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Fotografias que compõem a mostra. Foto: Maria Elisa Tauil/AGEMT

SAIBA MAIS

Visitação: até 21 de abril de 2024

Terça a domingo e feriados (exceto segundas), das 10h às 20h

Local: IMS Paulista, 7º e 8º andar | Entrada gratuita

Avenida Paulista, 2424 – São Paulo

Além de transmitir as batalhas, o podcast vai dobrar as premiações para os MCs
por
Daniel Santana Delfino
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11/04/2024 - 12h
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Bob 13, Alva, Igão e Mítico no Podpah Foto: Divulgação/ PodPah e Batalha da Aldeia

 

 

O centro de entretenimento online Podpah e a Batalha da Aldeia firmaram parceria para transmitir as competições de rimas que acontecem em Barueri (SP) desde 2016. A parceria foi anunciada no dia 27 de Março e tem como estratégia proporcionar melhor infraestrutura técnica para transmissão de torneios, que agora serão feitas exclusivamente no YouTube, e facilitar a ativação de marcas que já possuem relacionamento com o Podpah. Mítico e seu parceiro Igão se preparam para ajudar a cena do hip-hop no Brasil com sua visibilidade e capacidade de alavancar carreiras dos MCs que precisam de destaque no seu trabalho. Eles contam ainda com Victor Assis, CEO do podcast, que vai ser um dos sócios para a Batalha da Aldeia. O objetivo é valorizar e popularizar ainda mais essa cena tão comum nas periferias brasileiras.


Mítico disse no podcast que essa grande parceria pode ajudar os MCs a construírem uma carreira com o alcance que o PodPah tem: “Atrás disso existe a parada social, mas também penso pelo lado artístico. Por exemplo, se uma batalha viralizar aqui no Podpah, várias pessoas que não estavam acompanhando a Aldeia vão se apegar naquele MC, talvez uma rima, um fatality, seja tão bom que pode criar uma carreira para ele. A gente já trabalhou com mais de cem marcas, tem umas 50 salas aqui, faz um estúdio para os MCs. Para que tenham uma carreira de sucesso”, destaca o paraense.


A Batalha da Aldeia, que conta com 4,5 milhões de assinantes no YouTube, reúne anualmente jovens rimadores num só espetáculo, acontece toda segunda-feira às 20:00 e agora com premiação de 10 mil reais, com uma média de 5 mil espectadores por duelo. Anfitriões como Salvador, Kant, Mikezin e Krawk já passaram por lá.


A primeira batalha com a nova parceria aconteceu nesta segunda-feira (08/04) e foi de duplas. Big Mike, o único campeão nacional de São Paulo, e  Prado, revelação de 2023 conhecido como monstro da norte, foram campeões da noite levando R$10.000 pra casa ao enfrentar Neo, que foi destaque da BDA 6 anos(batalha de aniversário da aldeia)  e recém contratado da NGC RECORDS, e Salvador, um dos maiores MCs da Aldeia e artista de funk e rap na grande final. 

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Prado e Big Mike ao receber o prêmio da noite / Foto: Divulgação/ Batalha da Aldeia
 


 


 

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